domingo, novembro 19, 2017

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Pires de Lima, senhor das taxas e taxinhas

Sem incêndios, assaltos ou novos surtos de legionela e com as eleições no PSD a perderem interesse, consequência da má qualidade dos candidatos, resta oas jornais irem em busca de tralha para fazerem notícias. O Expresso lembrou-se do Pires de Lima, já que o Portas desapareceu, a Cristas pouco diz, o jornal decidiu ocupar as linhas com o ex-ministro das Economia, de quem já ninguém se recordava nem sentia a falta.

O senhor das taxas e taxinhas, de quem já quase ninguém se lembrava desde que o Portas desapareceu, decidiu ressuscitar para defender um acordo entre três partido para estabilizar a fiscalidade das empresas. É uma pena que no passado não tenha andado tão preocupado com acordos, principalmente quando estava em causa a estabilidade dos rendimentos de quem trabalha.

Mas o pobre homem deve ter estado sem ler as notícias, em Portugal o chamado arco da governação, tão defendido pelo CDS porque lhe garantia o acxesso ao poder, morreu, agora todos os que representam os portugueses no parlamento t~em o direito de participar nas decisões.

«a primeira grande entrevista que dá desde que saiu do Governo, António Pires de Lima defende as vantagens de um acordo alargado para dar "previsibilidade" à carga fiscal que pesa sobre as empresas. Criticando as permanentes alterações que têm sido introduzidas nos impostos sobre as empresas - no IRC, mas não só -, Pires de Lima lamenta esta instabilidade, que afasta potenciais investidores, e considera que o sucessivo agravamento de impostos e taxas é o contrário do que Portugal precisa para conquistar investimento direto estrangeiro.

"Em vez de se estar a fazer uma trajetória de redução da carga fiscal das empresas está-se a aumentar essa carga fiscal", nota o antigo ministro da Economia, elencando as alterações desgarradas que já foram introduzidas pelo atual Executivo - desde a suspensão da redução prevista para o IRC, em 2015, até o aumento da derrama do IRC para empresas com lucros mais altos. A consequência, diz, é tornar o país menos confiável para os investidores.

Contra esta "volatilidade", o ex-dirigente do CDS propõe "uma conjugação de esforços entre os partidos que apoiam esta solução governativa, nomeadamente o PS, e os partidos da oposição, para que Portugal [tenha] uma trajetória de destino previsível, se não até mais atrativo do ponto de vista fiscal, para o investimento." Um entendimento que considera tão necessário como os consensos que António Costa pediu em relação ao próximo quadro de fundos europeus e ao investimento em infraestruturas.» [Expresso]

 Mentiroso

Há gente neste país que pensa que a boca foi feita para mentir, é o caso do antigo redator da Voz do Povo, hoje o responsável pela comunicação da extrema-direita chique. Vejamos o que escreve o Fernandes:

«Os professores pedem progressões automáticas como as de outros funcionários públicos, mas nem sabem como tal é injusto quando pensamos no mundo real e não protegido dos trabalhadores do sector privado» [Observador]

Fernandes tenta passar a imagem dos funcionários públicos favorecidos porque, ao contrário dos trabalhadores do privado, progridem na carreira. O Fernandes mente, confunde progressão com antiguidade, algo que em todo o mundo favorece quem trabalha.

Fernandes mente porque na maioria das carreiras do Estado a progressão não é automática, est´+a sujeita a vagas e a tempos mínimos e a concursos. ora, no setor privado nada disto existe e há também diferentes categorias. Aliás, há uma outra coisa que não existe no Estado, os prémios e outras benesses. É tempo de responder a estes ideólogos trambiqueiros da extrema-direita chiquye, que passam o tempo a propagar mentiras.

 A Belinha criou muitos empregos

Para se justificar a Belinha, filha do Eduardo dos Santos, disse que criou 40.000 empregos. Se eu tivesse as centenas de milhões que ela tem e que juntou a partir do nada, também teria feito o favor a Angola de criar 40.000 empregos. Nada mau, ter ficado rica e ainda contar com tanta gente a trabalhar para aumentar os meus lucros. Obrigadinho ó Belinha.

      
 A coisa está a ficar preta
   
«O diretor nacional do Tesouro angolano, Edson Vaz, foi detido pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) de Angola, no âmbito de uma investigação policial a alegados desvios de verbas do Estado através de contratos celebrados com empresas fictícias.

De acordo com a notícia publicada hoje pelo jornal angolano “O País”, Edson Vaz foi detido pelo elementos do SIC na sexta-feira ao final da tarde, numa investigação que o implica em “pagamentos a empresas que não terão prestado serviços ao Estado, sobretudo no domínio das Obras Públicas”.» [Obsevador]
   
Parecer:

Depois das demissões, as prisões.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 Desenhador original
   

«"Foi um ato irresponsável e imaturo", disse a Marinha norte-americana, que suspendeu o piloto

Um piloto da Marinha norte-americana usou o rasto de condensação de um avião de guerra para fazer um desenho no céu. Só que não foi um desenho qualquer, foi o desenho de um pénis gigante, o que deixou a população surpreendida e obrigou a um pedido de desculpas.

A brincadeira foi feita nos céus de Okanogan, no estado de Washington, na quinta-feira, a bordo de um Boeing E/A-18 Growler, e foi imediatamente reproduzida nas redes sociais.» [DN]
   
Parecer:

Se a moda pega andamos todos a olhar para o céu.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

sábado, novembro 18, 2017

A BELINHA BOA E A BELINHA PÉRFIDA

Vale a pena ver a excitação que por aí vai com a perda de influência de Isabel dos Santos. Mas não deixa de ser curioso como se ignora as ligações portuguesas de Isabel dos Santos, personalidades e grupos financeiros que têm beneficiado e ajudado ao enriquecimento acelerado da filha mais velha do até há pouco tempo ditador de Angola.

Basta olhar para as personalidades que servem os interesses financeiros e empresariais de Isabel dos Santos em Portugal, mais os grupos empresariais que por cá estão associados aos investimentos para percebermos que a Belinha é um polvo cujos tentáculos não estão todos à vista. 

Um bom exemplo dos sócios locais da filha do ditador angolano é a SONAE, cujos líderes são uma espécie de flores de cheiro em matéria de honestidade empresarial, basta ver a forma como se referem a políticos, governos ou entidades públicas. Ainda há poucos dias, numa tentativa de influenciar as decisões das autoridades o Azevedo Jr veio dizer que o caso da compra da TVI pela Altice era bem mais grave do que o Caso Marquês, caso em que o mesmo Belmirinho se envolveu quando julgou que já não corria riscos. Como é que se compatibilizam estea valores da SONAE para consumo interno com uma aliança empresarial duvidosa?

Se juntarmos os políticos portugueses ligados aos sócios da Belinha em Portugal temos um quase governo com um grande apoio parlamentar e televisivo. Se somarmos, por exemplo, os amigos da SONAE com os do Grupo Amorim temos um movimento bem mais forte do que a Maçonaria ou a Opus Dei, uma coligação capaz de impor ou de derrubar governos.

Portanto, é bom não esquecer que a queda da Belinha em Angola pode ter custos muito elevados para os interesses portugueses, um preço a pagar pela aposta que os empresários portugueses fizeram na corrupção e nos jogos menos transparentes, como se já viu com o setor bancário. EM Angola a Belinha aparece associada a portugueses e talvez mereça a pena voltar a ler o texto do discurso de posse do atual presidente angolano, que ignorou Portugal quando enumerou os países que considera parceiros estratégicos.

Não há duas Belinha, uma angolana, sinistra, perigosa, corrupta e pérfida e uma Belinha portuguesa, uma empresárias tão exemplar e honesta como os Belmiros, tão dinâmica como o Mira Amaral ou tão humilde no trato como Teixeira dos Santos, para referir dois dirigentes recentes do Banco BIC

Só há uma Belinha, a Belinha de Luanda é a mesma que a Belinha de Lisboa, os métodos são os mesmos, as relações que estabelece com os meios políticos são as mesmas, o modelo de enriquecimento é o mesmo. Não é porque se enriquece em Angola e se aplica o dinheiro em Portugal que a torna noutra Belinha. 

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Mário Centeno, ministro das Finanças.

Não percebi muito bem a quem se refere Mário Centeno que "Aprendemos da forma mais difícil que todos temos de saber merecer", até porque há coisas elementares que todos os portugueses conhecem, não precisando de um educador. Já agora, quem não precisou muito de aprender foram os funcionários do Banco de Portugal, se bem me lembro o governante encarregado de lixar os funcionários públicos era um rapazola de nome Hélder Rosalino que ao mesmo tempo que escravizava a Função Pública alterava o estatuto dos seus colegas do Banco de Portugal, pondo-os a salvo de todas as medidas de austeridade aplicadas no Estado.

Se Mário Centeno se refere aos que beneficiaram da ilha do BdP  como precisando de aprender umas coisas é bem capaz de ter razão.

«ministro das Finanças escolheu abrir a sessão no hemiciclo, esta manhã, falando do elefante na sala: o descongelamento das carreiras na função pública, particularmente no caso dos professores. Mário Centeno tomou a palavra no debate da especialidade para citar António Costa, lembrando que o Governo veio pôr o "cronómetro" a contar de novo, e deixar recado: "Aprendemos da forma mais difícil que todos temos de saber merecer".

Depois das notícias que esta madrugada indicavam que o Governo poderia recuperar os anos perdidos para a contagem da carreira dos docentes ainda neste Orçamento, Mário Centeno veio assegurar, sem dar novidades, que o Governo leva o assunto "muito a sério" e lembrar que o Executivo está a "recorrer às regras próprias de cada carreira" e que "47% dos professores vão progredir e mais de 7 mil recém-contratados vão ser colocados nos escalões", com um impacto orçamental de 115 milhões de euros.

O ministro defendeu que o descongelamento "merece natural destaque na política orçamental" do próximo ano, lembrando que "a diversidade na função pública é muito significativa". "O descongelamento é um processo complexo e desde cedo foi claro que valores não seriam compatíveis com processo que ocorresse num só ano", recordou, acrescentando que o pagamento dos aumentos que forem devidos graças ao descongelamento será "realizado em três anos".» [Expresso]

 Ele sempre foi um beijoqueiro



Mas há velhinhas e velhinhas.

 Só meio pontito?



Note-se que o PSD sobe 0,4% depois de ter descido 0,7% no mês anterior. Em relação a Agosto, antes de todos os incidentes que animaram a direita, o PSD sobe apenas 1,3%, uma variação que pode ser consideado pouco mais do que simbólica.


Nem os a legionela, nem os candidato à liderança aumentam a confiança no PSD:

 Azar

Anda tanta agente a defender os carvalhos contra os eucaliptos, mais parecendo que os carvalhos são de esquerda ou do Benfica e que os eucaliptos são de direita e do Porto, que ninguém reparou que o incêndio de Pedrógão Grande foi muito provavelmente causado por um belo carvalho.

Mas os nossos assanhados jornalistas desta vez ficara a ronronar, ninguém questionou a REN sobre a razão porque não cuida das linhas eléctricas. 

      
 Desta vez o Estado está ausente
   
«A empresa da brasileira, que viajou para Portugal há 17 anos, ofereceu-se para pagar a trasladação do corpo de Lisboa para o Brasil. Esta quinta-feira, a mãe de 'Nice', como era conhecida a vítima, afirmou à Globo que a família não tinha posses para o fazer. "Eu queria que me trouxessem ela, já que a culpa é deles, que a culpa é do Governo, do Estado, que eles me mandassem a filha", lamentou Maria Luzia da Costa.

Agora tudo mudou. "A empresa que é dona do café do aeroporto, onde trabalhava a 'Nice', vai pagar estas despesas", revela ao Expresso a tia materna, Célia da Costa, visivelmente satisfeita. Trata-se do Grupo Moiagest.» [Expresso]
   
Parecer:

Quem matou a mulher foi um agente ao serviço do Estado e este tem a obrigação de assumir as despesas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a opinião ao Presidente Marcelo.»

sexta-feira, novembro 17, 2017

Deus lhes pague

Ao primeiro sinal de dificuldades e apostado no seu neokenesianismo compulsivo José Sócrates tentou fazer austeridade orientada e cortou vencimentos aos funcionários públicos, condenando-os ainda à estagnação nas carreiras.

Veio Passos Coelho e aproveitou a boleia, inventou um estudo para atirar a opinião pública contra os trabalhadores do Estado (como se o trabalho já não tivesse sido feito muito antes, por personagens como Manuela Ferreira Leite), a partir daí tudo fez na tentativa de lhes cortar o rendimento ao meio, aumentou todos os descontos, pôs a ADSE a dar lucro, aumentou todos os descontos, eliminou-lhes os 13º e 14.º meses. Os funcionários públicos viram os seus rendimentos reduzidos em mais de 30%, foram difamados por todo e qualquer bardamerda da política e ainda foram remetidos para um grupo social inferior, gente que não passa de despesa pública e que é culpada de todos os males.

Os funcionários públicos passaram a ter vergonha de dizer em público qual era a sua profissão, a não ser, por exemplo, à mulher do primeiro-ministro quando ia ao IPO. Mas o mais indigno de tudo isto é que mesmo depois do Tribunal Constitucional ter decidido que os cortes nos vencimentos eram inconstitucionais nada mudou, os funcionários públicos continuaram a ser as vítimas privilegiadas da austeridade. 

Mas o mais indigno de tudo isto é que na hora de repor os vencimentos em cumprimento do que o Tribunal Constitucional, essa reposição é apresentada como um bónus, um gesto de generosidade do governo. A devolução do que foi indevidamente tirada é apresentada como uma medida de política económica idealizada por grandes cérebros da economia! 

Sejamos honestos, a famosa reposição de rendimentos foi lenta e parcial, uma boa parte dos funcionários públicos continua a ganhar menos do que ganhava e está há dez anos sem quaisquer direitos. A “devolução de rendimentos” não foi um favor, foi uma obrigação legal e a reposição da justiça.

Ninguém está a fazer favores aos funcionários públicos, a aumentar-lhes o rendimento como todos sugerem e muito menos a devolver o que não lhes pertencia. É tempo deste governo e dos canalhas que o antecederam assumirem que superaram a crise muito à custa de funcionários públicos e pensionistas e é humilhante que em vez de lhes agradecem, virem sugerir agora que lhes estão a fazer algum favor.

UMAS NO CRAVO E OUTRAS NA FERRADURA



 Jumento do Dia

   
Heloísa Apolónia

O que terão dois alunos por turma a ver com os objetivos ecológicos do partido da Heloísa?

«O Governo comprometeu-se com o Partido Ecologista Os Verdes (PEV) a reduzir o tamanho máximo das turmas do ensino básico em pelo menos dois alunos já a partir de Setembro. A mudança será feita de forma faseada em cada ano de início de ciclo, ou seja, no 1.º ano, no 5.º e no 7.º ano.

No ano lectivo de 2018/19, o primeiro ano passa assim de um máximo de 26 para 24 alunos, enquanto do 5.º ao 9.º o limite máximo passa a ser de 28 alunos por turma. No ano lectivo de 2019/20 serão os dois primeiros anos de cada ciclo a verem reduzida a sua capacidade máxima e assim sucessivamente.

Desta forma, estende-se a todas as escolas a medida de redução do tamanho das turmas que já entrou em vigor este ano para os estabelecimentos de ensino integrados nos territórios educativos de intervenção prioritária, e que abrangeu 137 agrupamentos.» [Público]

 A direita surpreende

Voltou a gostar de funcionários públicos, já não os considera escravos caros para o OE. Andam, andam e por este andar ainda voltam a gostar dos pensionistas.

 Rezas



 Uma foto para o bruno, o Vieira e o Pinto verem



Talvez fiquem mais higiénicos vendo o selecionador sueco limpando o balneário depois da festa.

      
 Começou o regabofe das quotas do PSD
   
«Mais de cinco mil militantes do PSD pagaram as quotas desde que se abriu o processo eleitoral para a escolha do futuro líder dos sociais-democratas. Esta corrida ao pagamento das quotas - 12 euros por ano, actualmente - não aconteceu apenas porque há uma disputa pela liderança nacional, entre Rui Rio e Pedro Santana Lopes, mas também porque desde as autárquicas que decorrem eleições em várias concelhias e os militantes, para poderem votar, tiveram que regularizar o pagamento das suas quotas.

A menos de dois meses para as eleições directas para a presidência do partido, o PSD tem inscritos um total de 210.907 militantes, mas destes apenas 28.739 (13,6%) têm as quotas em dia. Ou seja, se as eleições se realizassem amanhã, 86,4% dos militantes não estariam em condições de participar na escolha do substituto de Pedro Passos Coelho. » [Público]
   
Parecer:

Era interessante saber quem anda a pagar as quotas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a  Rui Rio e a Santana Lopes quanto é que já gastaram em quotas.»
  
 Mais uma grande conquista do proletariado
   
«O imposto batata frita, que consta da proposta de Orçamento do Estado do Governo para o próximo ano, não vai em frente. PCP, PSD e CDS estarão juntos no voto contra esta taxa sobre os produtos com elevado teor de sal e vão chumbá-la quando for votada na especialidade.

“O Governo não terá nenhuma surpresa relativamente a isso”, disse o líder parlamentar do PCP, João Oliveira em entrevista ao Observador. “É conhecida a discordância do PCP com essa opção. E o Governo já a conhece há muito tempo, desde antes da apresentação da proposta”, afirmou João Oliveira quando confrontado com a intenção comunista de chumbar o novo imposto proposto.

A posição do PCP é muito semelhante à do CDS-PP, no extremo oposto do espectro político no Parlamento. A justificação do Governo de que esta taxa serve para incentivar uma mudança de hábitos alimentares das famílias portuguesas não é acolhida pelos dois partidos, que consideram que taxar não é o elemento decisivo para a mudança destes hábitos. João Oliveira critica que isso se faça pela via fiscal, bem como o CDS fez quando apresentou as propostas de alteração na área da economia, avançado com uma inciativa com vista à eliminação da taxa. Ao Observador, o deputado Pedro Mota Soares justificava então a decisão com o facto de “este não ser um imposto sobre o vício. É importante reduzir o consumo do sal e do açúcar, mas não pela via fiscal. Fazê-lo pela via fiscal é apenas para arrecadar receita”, afirmou.» [Observador]
   
Parecer:

Mas que grande conquista.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se um pacote de Pala Pala ao Jerónimo de Sousa.»

quinta-feira, novembro 16, 2017

O NOVO PÁTiO DAS CANTIGAS


Ultimamente lembro-me muito desta cena, do filme "Pát

Os populistas têm o dom de para todos os problemas encontrarem uma solução óbvia, se o país não progride é porque os políticos são incompetentes e corruptos, arranja-se um honesto, se há crime a causa estão nas penas, adota-se a pena de morte. Tudo é fácil de resolver, basta que apareça o salvador certo, na hora certa. Poderão haver bons populistas e maus populistas, populistas de direita e populistas de esquerda, populistas fascistas e populistas democratas. Os populistas são simpáticos, mais inteligentes, mais lógicos, mais compreensíveis, mais honestos, mais competentes, mais brilhantes, receberam dons que os outros não receberam

Marcelo trouxe uma nova forma de populismo, ele resolve todos os problemas com afetos, se há um problema Marcelo vai lá, dá beijinhos e abraços, posa junto da velhinha com o ar mais sofrido deste mundo, diz uns bitaites na hora, manda recados ao governo, define novas prioridades na hora e segue viagem, mais um grande problema que o país resolveu, venha o próximo. O país resolve problemas a um ritmo nunca visto e está esclarecido como nunca esteve, se há uma dúvida Marcelo esclarece, se é necessário comentar Marcelo comenta, se um problema carece de uma solução o Marcelo resolve, tudo na hora, em direto, sem reflexão, sem a chatice de ouvir técnicos, sem a seca dos debates parlamentares, tudo resolvidinho logo ali.

Para Marcelo tudo se resolve na hora, problemas de séculos cuja solução demorará décadas são resolvidos com meia dúzia de beijinhos, uns abraços, algumas selfies e umas respostas dadas com passo apressado porque o irrequieto presidente já está a caminho de resolver outro problema. Antes do jogo da bola, já de noite, dá um pulo à barragem vazia e logo ali dá uns recados via jornalistas, de caminho serve umas sopas e a caminho do xixi ainda telefona para Lisboa para saber o que se passa na maldita capital.

Afinal, não havia razões para o atraso ou para o subdesenvolvimento, pede-se ao chefe da Casa Civil para telefonar aos autarcas para mobilizarem as velhinhas, manda-se o motorista encher o depósito, avisam-se as televisões e lá vai Sua Exª. mais a sua comitiva resolver o problema. Começa-se com os afetos, reúne-se com o autarca e de seguida o professore de direito e comentador televisivo que sabe de tudo, arranja logo ali uma solução, mada o governo resolver tudo num par de dia.

Que pena o Professor Marcelo e todo o seu imenso amor mais a sua sapiência não terem aparecido mais cedo, no século XIX, quando o atraso do país era evidente, porque não uns tempos antes, quando esgotados os negócios das especiarias, do ouro e dos escravos o país entrou em decadência. Marcelo está a passar ao país uma mensagem muito perigosa, a de que há uma solução milagrosa para tudo, que só não é adotada porque falta alguém tão sabichão e bondoso como ele.

É uma pena que o Professor Marcelo não tenha razão, que os grandes problemas não se resolvam com a sapiência dos nossos juristas, convencidos que todos os males se resolvem com decretos-leis bem escritos, que o atraso económico não se resolva com mezinhas, que a chuva não comece a cair com procissões e rezas do cardeal, que a saúde não se defenda com pulseiras com bolinhas, que a seca não se resolva com visitas noturnas às barragens, que o crescimento acima dos 3% não resulte de encomendas ou palpites presidenciais.

Marcelo tem a virtude de mobilizar o povo, mas se é verdade que a mobilização coletiva ajuda a resolver os problemas, também é verdade que os problemas sejam assim tão simples de resolver. O desenvolvimento não é um jogo de futebol, não basta ter uma boa claque e um estádio cheio a empurrar a equipa. Os grandes problemas do país, resultem de atrasos de séculos ou dos desafios atuais ou do futuro exigem muito mais do que bitaites acompanhados de muito amor e afeto. É esta a falsa ideia que o populismo marcelista está a fazer passar, com Marcelo há muita gente que fica convencida de que basta dar muitos beijinhos para que o petróleo comece a jorrar na Estrela.

É uma pena que, como diz o povo, isto não vá lá só com cantigas.