quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

Paulo Núncio, advogado


Paulo Núncio foi o maior amigo que os ricos e poderosos tiveram na secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais, durante o seu consolado os que vivem de rendimentos do trabalho foram perseguidos de todas as formas ao alcance da máquina fiscal, uma perseguição se dó nem piedade. Ao mesmo tempo Núncio usava o aumento das receitas fiscais assim conseguidas para cobrar ainda menos impostos sobre a riqueza.

Agora não esperou muito para vir dizer que o fisco fez o que tinha a fazer em relação às transferências para off-shores. Vamos ver se foi mesmo assim.


«O ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais (SEAF) Paulo Núncio garante ao Expresso que “a divulgação das estatísticas nada tem a ver com o tratamento e a utilização efetiva da informação sobre transferências para paraísos fiscais por parte da inspeção da Autoridade Tributária”.

A edição desta terça-feira do ‘Público’ dá conta de que, entre 2011 e 2014, período durante o qual Paulo Núncio foi SEAF (Governo de Passos Coelho), o Portal das Finanças deixou de publicar os dados relativos às transferências de dinheiro para paraísos fiscais, que, por lei, são reportadas pelos bancos à Autoridade Tributária (AT). O ‘Público’ revela ainda que, nesses quatro anos, a AT passou ao lado do controlo de transferências de quase 10 mil milhões de euros (9800 milhões de euros).» [Expresso]

 Da crónica "ao mau cagador até as calças empatam"

«Alcançámos o défice mais baixo da História da democracia portuguesa (incrível). O desemprego continua a diminuir de mês para mês (espantoso). A economia cresceu 1,9% no último trimestre de 2016, a maior subida trimestral em três anos (magnífico). A confiança dos consumidores é a mais alta de sempre (estupendo). O crédito à habitação subiu 44% só em 2016, atingindo o valor mais elevado desde os anos pré-crise (maravilhoso). O consumo privado aumentou (formidável). E tudo isto graças à acção de um governo socialista apoiado pelo Bloco de Esquerda e pelo Partido Comunista Português, que devolveu rendimentos, repôs feriados e mostrou que afinal havia alternativa à austeridade (sensacional). Como é possível não reconhecer o quanto este país ficou a ganhar com a troca de Passos Coelho por António Costa?» [Público]

Parece que aqueles que estavam organizando uma romaria nacional para receber o diabo, em Setembro de 2016, e que durante tantos meses previram o segundo resgate desvalorizam agora os resultados. A Maria Luís deu a dica e o João Miguel Tavares inspirou-se logo para um dos seus artigos.

 Dúvidas que me atormentamn

Depois de tudo o que escreveu no seu livro Cavaco não terá trocado uns SMS com José Sócrates de que possa dar conhecimento a um tal Lobo Xavier?

 Mais dúvidas que me atormentam



De que serve tanta atenção do fisco aos Panamá Papers se depois se sabe que não presta qualquer atenção às comunicações dos bancos? Na notícia sobre os Panama Papers a preocupação era a legalidade da informação, isto é, não ligou à informação que poderia servir de prova e agoras questiona a legalidade das provas dos Panama Papers.

      
 Coisas estranhas no tempo do Paulo Núncio
   
«O fisco recebe todos os anos informação dos bancos a identificar, uma por uma, as transferências de dinheiro realizadas a partir de Portugal para as contas sediadas em paraísos fiscais, mas uma enorme quantidade de fundos passou ao lado do controlo da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) nos últimos anos, o que já levou o Ministério das Finanças a dar ordem à Inspecção Geral de Finanças (IGF) para averiguar o que se passou.

Em causa estão transferências de quase 10.000 milhões de euros realizadas durante quatro anos (de 2011 a 2014) e que não foram nesse momento alvo de qualquer tratamento por parte do fisco, embora tenham sido comunicadas à administração fiscal pelas instituições financeiras, como a lei obriga. O Ministério das Finanças confirmou ao PÚBLICO que as divergências e as “omissões” foram detectadas quando, entre finais de 2015 e o início de 2016, foi “retomado o trabalho de análise estatística e divulgação” dos valores das transferências para os centros offshores e os chamados “territórios com tributação privilegiada”.

Foi durante esse trabalho que, segundo o Ministério das Finanças, foram detectadas “incongruências com a informação relativa aos anos anteriores, que levaram o actual Secretário de Estado [dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade] a determinar à AT que fossem esclarecidas tais incongruências e apurada a sua origem”.» [Público]
   
Parecer:

Como era o Lobo Xavier que mandava no Paulo Núncio nos tempos em que este era secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, talvez não fosse má ideia tornar públicos os e-mais, SMS e conversas telefónicas entre os dois a propósito deste e de outros assuntos de Estado em matéria fiscal.

A verdade é que para quem trabalhava o rigor do fisco chegou a ser brutal, mas para os ricos foi só facilidades, vantagens e, quando estas eram insuficientes, bandalhice.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a proposta.»
  
 As inconfidências de Cavaco
   
«Nas confidências sobre as Quintas-feiras e outros dias, o antigo Presidente da República deixa escapar uma acusação a José Sócrates, dizendo que o ex-primeiro-ministro lhe contou que fez um pedido à Caixa para dar garantias "de avultado montante" a "uma certa empresa". Cavaco Silva não diz qual o valor da garantia, nem qual a empresa, mas diz que Sócrates lhe contou o pedido que fez à administração da CGD. Esta versão difere do que Santos Ferreira, presidente da Caixa durante o tempo em causa, disse na comissão de inquérito, negando a interferência do Governo nos negócios do banco público. 

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"Quando, seguidamente, me contou que o Governo tinha pedido à Caixa Geral de Depósitos para que concedesse uma garantia de avultado montante para que uma certa empresa pudesse concorrer à concessão da auto-estrada transmontana, percebi que não tinha tido sucesso no meu esforço didáctico sobre a afectação de recursos em tempo de escassez de crédito". Com este desabafo, o ex-Presidente da República mostra que, para si, houve uma ingerência directa do primeiro-ministro num negócio da CGD. 

Cavaco Silva não identifica a empresa em causa, contudo, tendo em conta o caso, só há duas possibilidades. À concessão da auto-estrada transmontana concorreram dois consórcios liderados por duas empresas de construção portuguesas, a Soares da Costa e a Somague. A Soares da Costa teria, segundo apurou o PÚBLICO, garantias de outros bancos, incluindo espanhóis, para entrar no negócio. As garantias a que o Presidente se refere como de "avultado montante" terão sido dadas à concorrente, a Somague, que acabaria por sair derrotada da concessão.» [Público]
   
Parecer:

Mais uma pista para o fiscal de Braga investigar no Caso Marquês.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

 Compreende-se a pressa em transferir dinheiro
   
«O dinheiro transferido a partir de Portugal para contas sediadas em paraísos fiscais atingiu um valor recorde de 8885 milhões de euros em 2015, mais do que duplicando o montante do ano anterior, mesmo depois de o fisco ter revisto em alta as estatísticas relativamente a esse ano (e a anos anteriores). Não só houve uma inversão da tendência face ao que se passou em 2012, 2013 e 2014, em que a soma das transferências para offshores diminuiu, como o montante colocado nas chamadas jurisdições privilegiadas é o maior de que há registo público.

O valor das transferências nos últimos anos é muito superior ao que era conhecido até agora, porque, ao divulgar recentemente as suas estatísticas relativas a 2015, a administração fiscal reviu a informação dos anos anteriores, estimando valores mais altos para vários anos.» [Público]
   
Parecer:

Digamos que com a incerteza nas eleições o melhor seria aproveitar o ambiente de paraíso fiscal criado por Palo Núncio para os ricos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se a actuação de Paulo Núncio neste caso.»

 Que mais segredos da CD serão revelados 
   
«Campos Ferreira, Sá Carneiro & Associados, que assessorou António Domingues, para negociar e ajudar a preparar as alterações ao Estatuto de Gestores Públicos — as mesmas que estariam mais tarde na origem do diferendo em torno da apresentação das declarações de rendimentos dos novos administradores da Caixa junto do Tribunal Constitucional.

A 9 de fevereiro, o jornal Público já dava conta que a alteração à lei que isentava a equipa de António Domingues das obrigações impostas pelo Estatuto de Gestores Públicos tinha sido negociada, ponto a ponto, com o mesmo escritório de advogados. Na prática, explicava o jornal, a formulação encontrada pela sociedade de advogadas foi praticamente seguida à risca pelo Ministério das Finanças, sem alterações substanciais. Isto, numa altura em que António Domingues não tinha sequer contrato assinado.

Esta terça-feira, o jornal Eco acrescenta outro pormenor: foi o banco do Estado a pagar ao escritório de advogados Campos Ferreira, Sá Carneiro & Associados, a mesma sociedade que vai assessorar juridicamente o banco estatal no aumento de capital.» [Observador]
   
Parecer:

Enfim...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Lobo Xavier se já sabemos tudo.»

terça-feira, fevereiro 21, 2017

Don Corleone


Pedindo um favor a Don Corleone

Não são políticos mas são conselheiros de Estado, nunca fizeram grande coisa pelo país mas coleccionam comendas, não são formados em gestão mas gerem dezenas de empresas, não têm capital mas estão entre os capitalistas, não são jornalistas mas administram jornais. Constroem e destroem carreiras políticas, tratam todos os governantes por tu, quando o governo é dos seus dão ordens aos ministros como se fossem um primeiro-ministro sombra, para eles o primeiro-ministro é o António e o líder da oposição é o Pedro.

Em Portugal não existe a Mafia no sentido siciliano, somos um país de brandos costumes. Mas existem poderes do tipo mafioso a um nível mais elevado, na Sicília a Máfia domina o tráfico de droga, um negócio de notas de vinte euros. Por cá, os nossos “padrinhos” dominam um tráfico mais rentável, o tráfico de poder, é um tráfico legal, há sempre lugar à emissão da factura, na maior parte dos casos duas facturas, uma com o valor fiduciário da transacção, sob a forma de factura de serviços de advocacia, e outro com o preço da subserviência.

Por cá não se mata a tiro recorrendo a um “soldado” no lugar detrás da Vespa, a morte física é para a ralé. Aqui mata-se com classe, mata-se com a caneta, elimina-se moral e politicamente. Vai-se ao nosso “Corleone” e pede-se ajuda para uma vingança, uma vendetta, alguém não cumpriu com uma promessa, destruiu grandes expectativas financeiras. O padrinho sabe o que fazer, sabe como destruir o ministro “pondo-o a dançar” à medida que divulga e-mails e SMS, que dá ordens a jornalistas ou telefona a gente com poder de tramar terceiros.

Recorre-se aos jornais que administra para fazer a notícias, usa-se o programa onde comenta para lançar a suspeição, recorre-se às relações palacianas para envolver o poder. Ao pé do “Don Corleone” o economista sem grande experiência política é como uma virgem ao lado duma rameira velha. A vingança é consumada, o nome foi enlameado, as comissões parlamentares estão requeridas, os amigos dos partidos foram solícitos, aproveitaram a carcaça como se fossem hienas esperando que o leão se sinta cheio. "Don Corleone" confirma o seu poder, eterniza o terror, nenhum político ou jornalista ousará denunciá-lo, por mais evidente que tenha sido a manobra suja. 

Não importam os métodos, o baixo nível que é usar mensagens privadas, o amigo foi vingado, ainda que mais ninguém se sinta à vontade para falar com ele ao telefone. Don Corleone não ficou bem na fotografia, mas passou incólume, o Presidente manteve-o conselheiro, os jornalistas não repararam na sacanice, os políticos fazem de conta que não repararam. Toda a gente tem medo do “Don Corleone”, os seus programas são perigosos para a reputação, os orçamentos publicitários das empresas e interesses em que está envolvido dão de comer a metade dos jornalistas, nunca se sabe o que nos pode acontecer ou se um dia não teremos de recorrer aos seus favores.

“Don Corleone” continuará a sua brilhante e lucrativa carreira. Quer emprego para o filho doutor? Quer renegociar uma dívida com o banco? Quer um artigo simpático no Público e escapar a uma notícia incómoda da SIC? Quer uma norma à medida da sua empresa no código do IRC ou do IMI? Quer tramar um ministro das Finanças? Quer mandar um recado ao Presidente? Quer que o fisco feche os olhos às suas transferências para a off-shore? Já sabe, tem por aí alguns “Dons Corleone” ao seu dispor é uma qestão de bater à porta certa.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Maria Luís Albuquerque

Não senhor, op PSD não está irritado a grande economista Maria Luís vem dizer-nos que meio país está com inveja dos resultados de 2015. Só se esqueceu do que aconteceu nesse ano, da fraude do reembolso da sobretaxa do IRS, da antecipação de que 700 milhões de receitas fiscais de 2016 e de outros acontecimentos. Tem problemas de memória esta grande economista.

«ntiga ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque (PSD) admitiu esta segunda-feira que possa haver “irritação” com os últimos dados macroeconómicos, por o crescimento ter sido “curto”.

“A haver irritação é por me parecer curto o crescimento. Um país que estava em recuperação devia ter tido em 2016 uma taxa de crescimento superior à que teve em 2015”, sustentou, numa resposta implícita às declarações do líder socialista no fim de semana.

Maria Luís Albuquerque falava aos jornalistas à margem da palestra “Economia para mim” que esta segunda-feira foi proferir para alunos do ensino secundário na Escola Mário Sacramento, em Aveiro, numa iniciativa que considerou importante para a educação financeira dos jovens.» [Expresso]

 A explicação de Marcelo

Marcelo explicou os riscos resultantes da demissão de um ministro das Finanças. Ficou claro o que a direita pretende.

      
 Lisboa e os parolos
   
«Cada um de nós tem os seus lugares numa cidade. Os seus bairros, as suas ruas, os seus miradouros, as suas árvores, os seus prédios. O meu bairro foi sempre a Baixa, desde que, miúda, a minha mãe me levava às compras e a lanchar na Brasileira (a da Rua Augusta, não a do Chiado; essa foi minha muito mais tarde). Nos mais de 40 anos que passaram desde esse amor à primeira vista muito mudou nas ruas do meu bairro - onde vivo desde 1996 - nem tudo para melhor.

Não, não vou fazer deste texto uma catilinária contra o turismo. Também sou turista nas cidades dos outros e a beleza de Lisboa não podia ser para sempre um segredo só nosso - aliás, um segredo só de alguns, porque a maioria até há três anos achava a Baixa, por exemplo, um sítio sem interesse nem para passear, quanto mais viver. Como é tão costume, foi preciso estrangeiros mostrarem-nos o que temos de bom face à "invasão" que está a "destruir o nosso património".

Lamento; quem está e esteve a destruir o nosso património somos nós, os portugueses. Primeiro quando o votámos ao abandono e à ruína - aqueles que agora se queixam do preço do imobiliário na zona mais nobre da cidade acaso repararam que até há três ou quatro anos se vendiam aí apartamentos, e até prédios, baratíssimos? Ninguém lhes pegava: não tinham elevador, não tinham garagem, eram "velhos". Sim: a maioria dos portugueses são saloios. Deliram com chão flutuante, recusam--se a subir sequer dois lanços de escadas e acham que o carro é um prolongamento de si. Não concebem sequer que é possível viver sem ele - como fazem milhões de pessoas nas capitais do mundo ocidental -, mesmo que essa incapacidade implique viver a quilómetros do trabalho e passar horas no trânsito. Quantos amigos e conhecidos me perguntaram ao longo dos últimos 20 anos: "Que horror, como é que consegues viver ali?"

Isto dito, vamos ao segundo ponto - a segunda razão pela qual somos nós que estamos a dar cabo do património. E que também tem tudo a ver com sermos saloios. E gananciosos. Mas sobretudo saloios - querendo dizer tacanhos, ignaros, não sofisticados, parolos. Claro que as coisas mudam. As lojas fecham. Os prédios têm de ser reabilitados, adaptados a novos usos. Tudo isto é assim, por mais que custe - e custa muito às vezes. Mas esse tudo não significa destruir, não significa desvirtuar, não significa o carnaval de horrores em que a Baixa está a ser transformada. Em cada dia que circulo pelo meu bairro vejo coisas inacreditáveis. Prédios de miolo completamente deitado abaixo numa zona classificada onde a classificação inclui o tipo de construção - pombalino não é só um tipo de fachada, sabiam? Lojas que, na maior impunidade, destroem as frontarias de pedra com anúncios e letreiros, inventam datas de abertura e põem decorações de plástico pintadas de dourado a "imitar antigo". E - descobri agora - um dos meus edifícios favoritos, o magnífico e romântico palácio dos Condes de Coculim, no Campo das Cebolas, cuja origem remontará ao século XVI (não há muitas casas, e ainda para mais palácios, no centro de Lisboa com esta idade) e cuja ruína lamento há décadas, acrescentado em altura de forma completamente atamancada, digna dos cataclismos algarvios dos anos 1970 e 1980.

Como é possível destruir assim a frente de rio na zona mais antiga da cidade? Já nem falo da cupidez dos promotores, que quiseram "rentabilizar" o investimento e fazer ali um hotel como se fosse, sei lá, na Praça de Espanha; nem do apuro estético e bom senso dos arquitetos. Falo daqueles que têm o dever legal de preservar a memória e integridade da cidade, os decisores públicos. Como raio justificam os responsáveis da Câmara e da Direção-Geral do Património Cultural o terem aprovado este crime? Enloucaram de vez ou agora assinam de cruz tudo o que diga "hotel" e "cinco estrelas"?» [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.

      
 A culpada é a ministra
   
«O PSD requereu esta segunda-feira a audição parlamentar urgente da ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, para avaliar o que esteve na origem da fuga no domingo de três reclusos do Estabelecimento Prisional de Caxias.

"Para além do alarme social que esta situação só por si causa, é de uma enorme gravidade os factos apontados na comunicação social como estando na sua origem, como torres de vigilância desativadas e falta de rondas neste espaço prisional devido à falta de guardas prisionais", refere o PSD, no requerimento esta segunda-feira entregue na Assembleia da República.

Para o PSD, a fuga destes três reclusos – dois dos quais já foram detidos – "coloca em causa as condições de segurança no Estabelecimento Prisional de Caxias", pelo que solicitam "com a máxima urgência" a audição da ministra da Justiça na Comissão de Assuntos Constitucionais.» [Expresso]
   
Parecer:

Parece que cada primeira página do CM dá lugar a um a ida de um governante ao parlamento.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Vende mais do que o papel higiénico
   
«A primeira edição de Quinta-feira e outros dias, de Aníbal Cavaco Silva, esgotou durante este fim de semana. O livro foi posto à venda na quinta-feira e apresentado nesse mesmo dia, à tarde, no Centro Cultural de Belém. De acordo com um comunicado da Porto Editora, já está a ser distribuída pelas livrarias uma segunda edição do livro, com uma tiragem de 5 mil exemplares.» [Observador]
   
Parecer:

Fica bem nas estantes dos cavaquistas mais resilientes.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Não se compre, é tóxico.»

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

A culpa é do Marcelo

Durante quase um ano Passos Coelho representou a sua pantomina do primeiro-ministro no exílio, limitou o grupo parlamentar a serviços mínimos e andou por aí fazendo encenações para o telejornal e jantares de lombo assado. Passos não precisava de se preocupar com as sondagens, o OE para 2016 era para ignorar e o de 2017 foi pelo mesmo caminho, ele sabia que o poder voltava a ser-lhe servido numa bandeja.

Afinal de contas, se o diabo vinha em Setembro, não havia motivo para se preocupar com o desempenho orçamental, o crescimento não haveria de ser grande coisa, mais tarde ou mais cedo o país voltaria a afogar-se nos juros. Passos sabia muito bem que 2015 tinha disfarçado a austeridade aldrabando as receitas fiscais, antecipou as receitas do IRS com as retenções abusivas na fonte e deixou os reembolsos do IVA para 2016. O buraco estava cavado, era uma questão de tempo para que Centeno caísse nele.

O diabo já tinha viagem marcada, setembro seria o mês  do próximo armagedão financeiro do país. Mas o diabo não veio, Portugal apresentou o défice mais baixo da democracia e o reequilíbrio não resultou em recessão, antes pelo contrário. As coisas correram mal demais, o défice foi muito menos do que o previsto, o crescimento superior as expectativas, o desemprego está em queda, o país é elogiado e, para já, 2017 está a correr bem. O mesmo Passos que dizia, com ar condescendeste, que a legislatura era para ir até ao fim já deixou de o ser. Com o PSD descer nas sondagens e sem a ajuda do diabo é preciso fazer algo.

Passos percebeu que por este andar está perdido e com ele toda a direita, até os sectores mais moderado do PSD deixaram de ser tolerantes e responderam ao toque de reunir do presidente do partido. E tal como fazem os treinadores de futebol Passos Coelho, José Eduardo Martins e outros atacam o árbitro, esperam que Marcelo comece a mostrar amarelos e vermelhos ao governo. 

O diabo não pareceu, os Reis Magos não trouxeram a prendinha que Passos esperava e há um único culpado para o falhanço da sua estratégia, Marcelo Rebelo de Sousa. Até Cavaco, que está convencido de que é um mestre em vitórias eleitorais, veio dar uma ajudinha, escreveu mais uma página miserável da sua obra política, agendou a publicação para a época de balanço do ano de 2016. Estava tão convencido da desgraça que até escreveu que não conhecia nenhum governo do tipo geringonça que tivesse trazido progresso. Também ele achou que devia pressionar Marcelo. Enfim, coube a Cavaco o papel de cereja neste bolo.

Passos Coelho esperava e desejava o diabo, agora manda dizer que o diabo é o Marcelo, alguém tem que levar com as responsabilidades dos seus falhanços.

Umas no cravo e outras na ferradura




 Jumento do Dia

   
Catarina Martins

Dizer que não se podem demolir casas enquanto há pessoas sem casa para justificar a oposição à demolição de casas na Ilha da Culatra é puro oportunismo, Catarina Martins foi apenas conquistar votos e disse o que o povo queria ouvir. Estamos perante uma populista mais simpática do que outros populistas agora muito na moda, mas igualmente populista.

Dizer que há um restaurante privado numa ilha onde dantes havia construção clandestina para sugerir que a demolição de casas clandestinas construídas na Ilha da Culatra é desonestidade intelectual. O objectivo das alterações não visam desertificar nas ilhas.

Catarina Martins vai a todo o lado e o argumento é sempre o mesmo, a descentralização de competências do Estado abre a porta á privatização, a destruição de casas na Ilha da Culatra é para favorecer fins privados, tudo o que os governos fazem é para favorecer essa coisa maldita que são as empresas privadas. Já enjoa.

«O projeto do Governo, o projeto do PS que tem estado sob debate e como sabem já mereceu algumas alterações, é um projeto perigoso porque pensa a descentralização sem pensar a democracia. E este é o maior problema do nosso país. Descentralização sem democracia é centralização no presidente da câmara de todos os poderes e isso é que o Bloco não pode permitir", avisou Catarina Martins no encerramento da Conferência Nacional Autárquica, que decorreu este sábado « em Lisboa.

Segundo a coordenadora bloquista, a proposta do Governo de descentralização de competências para as autarquias e entidades intermunicipais - aprovada em Conselho de Ministros na quinta-feira - resulta numa municipalização que abre a "porta da privatização de serviços públicos que o Bloco não permitirá" já que "na generalidade dos municípios em Portugal não tem escala para gerir a maioria desses serviços".» [Expresso]

«A coordenadora do Bloco de Esquerda visitou na manhã deste domingo os núcleos de Hangares e Farol.

Catarina Martins acredita que os critérios para a decisão de demolir as habitações estão errados e assentes em especulação imobiliária.

O Bloco de Esquerda pede ao Governo que volte a analisar o caso e assinala que muitas das casas são a única habitação de dezenas de famílias.» [RTP]

 As mensagens SMS

Ouço um assessor do presidente da República dizer num programa da TSF/TVI que é a favor da privacidade mas se há alguma coisa deve poder-se aceder às mensagens SMS do Centeno e fico muito preocupado. 

Um dia destes vamos ouvir uma qualquer heroína do combate ao crime exigir que os cidadãos sejam proibidos de apagar os SMS ou mesmo a obrigar as operadoras a gravar todas as conversas telefónicas, para que as polícias as possam consultar se existirem dúvidas sobre a honorabilidade de alguém.

Mas não é só das polícias ou dos deputados armados em polícias que devemos ter receio, quando um bancário administrador de bancos (há quem chame banqueiros a estes empregados dos próprios banqueiros) quebra a a descrição, a regra mais sagrada do seu negócio, para dar as mensagens de SMS a ler a Lobo Xavier, sem qualquer autorização por parte de quem os escreveu, temos razões para duvidar até dos amigos e familiares.

Tal como se evita falar ao telefone, não vá o telefone estar sob escuta, ainda mais perigoso é não apagar as mensagens SMS ou enviá-las com alguém com os valores do António Domingues. E no meio desta podridão moral em que deputados e bancários nos lançam estão preocupados em saber se Centeno garantiu ou não ao miserável bancário que ficava dispensado de uma declaração que sío interessa aos estagiários do CM.

 Esta senhoras não ouviu falar do Caso Marquês




 Ganda Trampa!





      
 A seguir acaba-se com a escumalha holandesa?
   
«O líder da extrema-direita na Holanda, Geert Wilders, disse este sábado, em Spijkenisse — a sul de Roterdão e baluarte do seu “Partido para a Liberdade” — que quer acabar com a “escumalha marroquina” que existe no país. Rodeado de forte dispositivo policial, aquele que é o favorito nas sondagens disse ainda em inglês querer “tornar a Holanda nossa outra vez“. As declarações do holandês fizeram lembrar o slogan de Trump durante as presidenciais norte-americanas: “Please, make the Netherlands ours again.”

Geert Wilders, que lidera as sondagens para as legislativas numa campanha eleitoral que começou esta quarta-feira, referiu-se à “escumalha marroquina na Holanda”, acrescentando: “É claro, nem todos são escumalha, mas há muita escumalha marroquina na Holanda que deixa nossas ruas perigosas, sobretudo jovens… e isso tem que mudar”. O líder populista dirigiu-se aos holandeses, dizendo que “se querem recuperar o país, se querem tornar a Holanda num país para os holandeses, na nossa casa, só podem votar [no ” têm de votar na extrema-direita.» [Observador]
   
Parecer:

O que não falta são escumalhas e a holandesa não fica atrás das outras.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

domingo, fevereiro 19, 2017

Semanada

O país ficou a saber que um Tal António Domingues, um bancário ofendido, deu os sms privados de conversas com Centeno ao “Don Corleone” da direita portuguesa, não tardou a que a direita ganhasse novo fôlego, porque com os resultados económicos conseguidos era preciso fazer qualquer coisa para desviar as atenções.

Como achou que ainda cheirava mal com a sujidade em torno da CGD Cavaco Silva achou que ainda podia acrescentar o seu odor ao ambiente e veio lançar mais um dos seus livros, desta vez ainda pior do que os anteriores. Cavaco receou que já nos tivéssemos esquecido de que existiu, andou por cá e de que foi um péssimo presidente, lançou um livro para ficarmos com a certeza de que é um vinho azedo e ao contrário do Vinho do porto quanto mais velho pior.

“As boas equipas são aquelas que ganham sem jogarem bem”, uma frase de Jorge Jesus que ficará para a história do pensamento tuga e que pode muito bem explicar a resiliência de Passos Coelho. Tal como o treinador do Sporting também o líder do PSD parece esperar ganhar eleições sendo um péssimo líder da oposição.

A direita quer mais uma comissão de inquérito para apurar se Centeno e Costa falaram verdade na questão fundamental para o futuro da Nação, a declaração de rendimentos dessa personagem chamada Domingues, de quem ninguém se lembrará daqui a umas semanas e com quem só algum doido varrido vai trocar SMS. Divertido seria promover uma comissão de inquérito para tentar encontrar um governante que no passado só tenha falado verdade.