sexta-feira, setembro 22, 2017

Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Luís Marques Guedes

Numa tentativa de apaziguar o tom das críticas à forma como o PSD transformou o problema da imigração numa bandeira da campanha autárquica, a juntar à dos ciganos, o deputado Marques Guedes tenta trazer o assunto para o parlamento. Só é pena que o assunto não tenha nascido agora e nestes termos, mas muito antes, na Festa do Pontal.

Marques Guedes faz bem em tentar transformar em sério um assunto que começou por não o ser pela forma como foi abordado, talvez para corrigir mais um tiro com que Passos Coelho acerta no pé. O lamentável é que de forma muito subtil a cole Belém a esta posição do PSD, uma forma desastrada de colocar Marcelo a ajudar involuntariamente Passos Coelho.

Entretanto, este deputado de um partido que se deixou aprisionar pela extrema-direita chique dá vontade de rir ao dizer que o PS foi capturado pelo PCP e pelo BE. São truques que já não têm impacto nos eleitores e só ofendem a sua inteligência.

«O PSD propôs esta quinta-feira que o Parlamento faça "marcha atrás" nas alterações à lei da imigração, aprovadas pelo PS, PCP, BE e PEV e acredita que o Presidente de República "está atento a esta matéria".

Em conferência de imprensa na Assembleia da República, o deputado e ex-ministro do PSD Luís Marques Guedes acusou o PS de deixar-se "capturar por uma pequena minoria" do PCP e do BE, partidos de "matriz comunista", e de quebrar um consenso de anos, com PSD e CDS, em matéria de imigração e segurança.

As alterações ao regime jurídico de entrada, permanência, saída e afastamento de estrangeiros foi aprovado na Assembleia da República pela maioria de esquerda e entrou em vigor no final de julho.» [Expresso]

 As habilidadezinhas de linguagem de um habilidoso


 Treinando para invadir o jardim de São Bento?


Só falta ouvir o Passos a dizer "brrum, brrum"

 Dúvida do dia

Quem ganha com a presença de Passos Coelho na campanha da Teresa Leal Coelho, o candidato desesperado a primeiro-ministro ou a candidata desastrada à autarquias de Lisboa. Neste caso pode-se mesmo dizer que não se estragam duas casas de família, esperemos que este "casamento político" se mantenha por muitos e bons meses. Até poderiam arma-se em estudantes universitários e simular uma praxe com um casamento entre os dois, com o Cavaco Silva e a dona Maria a fazerem de padrinhos.

      
 No melhor pano cai a nódoa
   
«O Ministério Público colombiano deteve um alto quadro de nacionalidade portuguesa do Grupo Jerónimo Martins. Chama-se Pedro Jorge da Costa Coelho e é suspeito dos crimes de corrupção privada e conspiração.

A notícia está a ser avançada pela imprensa de Bogotá, que cita fontes oficiais da Fiscalía General de la Nación (ministério público).

De acordo com as autoridades, o empresário, que é referido como diretor mundial de operações dos supermercados Ara, é suspeito de exigir dezenas de milhares de euros para a adjudicação de contratos de construção de supermercados na Colômbia.

Ao Expresso, o Grupo Jerónimo Martins confirma a detenção do diretor de operações da Ara.

"Recentemente, a Jerónimo Martins Colombia tinha denunciado às autoridades colombianas a existência de um potencial caso de corrupção privada, em benefício próprio e em prejuízo da Companhia, detectado pelos sistemas internos", diz o gabinete de comunicação.» [Expresso]
   
Parecer:

É uma pena que se denuncie a corrupção privada na Colômbia enquanto em Portugal parece que nada sucede no setor privado. Lá fora denunciam, cá dentro despedem com carta de recomendação e indemnização.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Coitado, tem perdido dinheiro em Portugal
   
«Alexandre Soares dos Santos, líder do grupo Jerónimo Martins, aplaude o trabalho feito pelo ministro das Finanças nos últimos dois anos de legislatura, mas diz que a recuperação das contas públicas está a ser feita à custa dos lucros das empresas.

“Avalio a quadratura do círculo à custa do lucro reduzido das empresas. Estamos sobrecarregados com impostos de toda a espécie. Fala-se muito no IRC, mas há todas as outras taxas. Em condições normais, não fosse eu português, não fazia sentido termos um investimento no Pingo Doce”, disse em entrevista ao programa “ECO24”, na quarta-feira à noite.

Segundo o empresário português, têm sido os mercados polaco e colombiano a alavancar os lucros da Jerónimo Martins nos últimos anos. “Não crescendo, fico com uma equipa de management sem promoção. A única coisa que nos tem ajudado é a Polónia e a Colômbia, para onde temos transferido o nosso pessoal. Não vejo oportunidades em Portugal, isto no meu campo de consumer goods“, explicou.» [Expresso]
   
Parecer:

Quem ouve este labrego fica a pensar que o homem se tem sacrificado e o país tem uma grande dívida para com ele.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Diga-se ao senhor que vá à bardamerda.»

 Medina escolheu primeiro que a Teresa?
   
«Fernando Medina tem o dia dedicado à economia e às startups, mas o ministro que convidou para estar a seu lado foi o das Finanças. Mário Centeno é a estrela desta quinta-feira junto do presidente da câmara socialista. Mas não será a única. A campanha de Teresa Leal Coelho precisa de impulso, por isso, o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, faz a segunda ação com a candidata que escolheu para a câmara de Lisboa. Assunção Cristas começou o dia na baixa, a visitar uma associação de apoio a idosos, e seguiu para uma arruada junto às Amoreiras. Em Campo de Ourique é onde o bloquista Ricardo Robles estará à tarde, no Jardim da Parada. João Ferreira, da CDU, faz uma arruada em Arroios, a partir do Campo Mártires da Pátria.» [Observador]
   
Parecer:

Coitada da Teresa Leal Coelho, tem de ser acompanhada por um Passos tóxico.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Onde é que fica a Nâmbia?
   
«O Presidente dos EUA, Donald Trump, disse estar interessado em aumentar o investimento do país em África para ajudar a criar postos de trabalho e oportunidades nos dois lados do Atlântico.

As declarações surgiram num almoço com líderes africanos, em Nova Iorque, em que elogiou o sistema de saúde da Nâmbia. Só há um problema: não existe nenhum país africano com esse nome.

Trump referiu-se, inclusivamente, ao (não existente) país por duas vezes durante o seu discurso, diz a CNN. "Na Guiné e na Nigéria lutaram contra o horrível Ébola", disse. Acrescentou, porém, que o "sistema de saúde da Nâmbia é autossuficiente".» [DN]
   
Parecer:

Este Trump é mesmo um imbecil.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 E o rabinho lavado com água de malvas?
   
«Catarina Martins assumiu com clareza as pastas ministeriais que o seu partido gostaria de liderar caso integrasse o governo. “Internamente, no Bloco, sempre dissemos que as pastas que gostaríamos de ocupar seriam a das finanças e a do trabalho”, afirmou sem reservas durante a entrevista à TSF esta quinta-feira de manhã.

Um objetivo a que o PS, aparentemente, não colocaria objeção: o próprio Pedro Nuno Santos, em entrevista recente ao Expresso, afirmou que não o choca a ideia de ter Catarina Martins numa futura equipa governativa.» [Observador]
   
Parecer:

Rapariga convencida.... Já estou a imaginar a Mortágua em ministra das Finanças a aumentar o IRS para o dobro nos 4.º e 5.º escalões para criar um IRS com taxas negativas nos primeiros dois escalões.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mais uma gargalhada.»

quinta-feira, setembro 21, 2017

VRSA: A debochada eleitoral do duo "São 2"



Numa pequena autarquia um presidente de câmara tem duas estratégias para renovar os mandatos, opta pelo respeito dos valores democráticos e promove o desenvolvimento ou opta por promover a pobreza e usa os poderes do município para comprar apoios e votos. Num pequeno município sem empresas que produzam bens de valores acrescentado a autarquia não só é o principal empregador como concentra nela os poucos quadros locais. 

Um município destes nas mãos de um autarca com vocação para Maduro depressa se torna numa pequena ditadura saloia. Gera-se miséria e promove-se uma ONG local para promover caridade a troco de votos. Criam-se empregos municipais desnecessárias e nelas colocam-se amigos como dirigentes e empregam jovens a troco de votos. Compram-se os vereadores da oposição, decapitam-se os partidos da oposição dando empregos camarários a troco da mudança para o partido do presidente. 

O absurdo chega-se ao ponto de montar um esquema com Cuba e depois comprar-se os militantes do PCP a troco de empregos na autarquia, nem o Maduro da Venezuela consegue destruir desta forma qualquer oposição. O nosso Maduro em vez de ir falar de economia portuguesa a Havana devia antes ir explicar ao congénere de Caracas como é que se elimina a oposição. Pelo que vi dos dotes de cantor do Maduro Venezuelano até podia aproveitar para lhes dar umas aulas de canto, nem que para isso metesse uma palhina no rabo do ditador venezuelano, talvez este ficasse com a voz mais macia.

Como os empregados da CM, “proibidos” de ter opiniões políticas ou de participar em atividades da oposição, podem ser insuficientes, mesmo somando às famílias de ciganos “importadas” do Alentejo, recorre-se ao aumento da dívida para alimentar duas ou três famílias empresariais locais, cujos empregados são mobilizados entre o partido do poder ou entre aqueles que se desvinculam dos partidos da oposição.

Numa localidade com cerca de 10.000 em 2009 a CM chegou a ter 1.000. Se a estes somarmos os empregados dos empresários alimentados pela autarquia, mais os pobres que beneficiam da caridade camarária, não é de admirar que se consiga uma maioria absolutíssima numa terra onde a única tradição da direita era a PIDE local. A compra de opositores com os meios da autarquia foi tão brutal que os partidos da oposição têm dificuldades em apresentar listas.

O regabofe estende-se à junta de freguesia, onde o presidente número 2 da lista da São à câmara acumulou durante 4 anos as funções de presidente de Junta e director regional da juventude, pelo meio teve tempo de fazer diversos trabalhos para a câmara e para a SGU e apenas um deles foi sujeito a registo na base de dados da contratação pública uma vez que os outros foram sempre inferiores a 5 mil euros e ainda arranjou tempo para dar uma mãozinha em Castro Marim para mais uns trabalhinhos de valor inferior a 5 mil cada. Um verdadeiro super-homem.

Não admira que as arruadas da São tenham mais gente do que as da Teresa Leal Coelho, em Lisboa, com a vantagem de no Algarve não ser necessário recorrer a jovens da JSD pagos à jorna, os do Algarve ficam contentes com os ordenados camarários, os subsídios ocupacionais ou a sopa dos pobres, nem precisam de recorrer à  guarda pretoriana das Hortas, até porque daria demasiado das vistas.

O PSD e a comunidade cigana, um partido tripolar

Não é verdade que o PSD de André Ventura e Passos Coelho seja um partido xenófobo ou coisa parecida, a relação deste partido com os ciganos é do domínio da psiquiatria, aliás, muito do que se tem passado naquele partido encontra explicações mais lógicas nos domínios da psicologia e da psiquiatria do que da ciência política. O tempo explicará muito melhor aquilo a que estamos a assistir, mas não deixou de pensar que há alguma relação entre a cadeira de Salazar e a bandeirinha do Passos, a um convenceram de ainda governaram, ao outro não se consegue tirar da cabeça que sem maioria parlamentar não se governa.

Mas voltando aos ciganos e se André Ventura ganhar em Loures (cruzes canhoto!) vamos vê-lo a visitar famílias ciganas, assegurando que é o melhor amigo desta comunidade e quase aposto que não vamos ouvir gritos de racista ou apupos. O PSD é o partido português que melhor sabe lidar com a comunidade cigana, só que em relação a esta comunidade o PSD comporta-se como um partido tripolar.

A postura do PSD em relação aos subsídios a ciganos não é uma novidade, a referência do André Ventura a esta classe não foi mais do que um falso lapsos linguae que lhe foi sugerido por algum spin doctor. Em todas as eleições legislativas o PSD chama a si a bandeira da eliminação do rendimento mínimo, deixando sempre de forma implícita a que comunidade se refere. Nas eleições que levaram a direita ao poder em 2011 esse foi mesmo um dos temas centrais da campanha. Só que desta vez um candidato do PSD ergueu a bandeira durante umas eleições autárquicas.

Se fosse feita uma sondagem aos ciganos que vivem na antiga freguesia de Nossa Senhora de Fátima em Lisboa, agora junta de freguesia das Avenidas Novas, quase aposto que nas legislativas o PSD teria 10% e nas autárquicas 90%. Isto porque o mesmo partido que nas legislativas assume tiques de extrema-direita em relação aos ciganos sugerindo cortes nos subsídios, nas autarquias, pelo contrário, é o partido mais generoso, somando ao rendimento mínimo muitas outras ajudas, que vão desde vales para a farmácia a vales para a mercearia.

Em Vila Real de Santo António o PSD assumiu uma terceira abordagem, ali foram buscar várias famílias de ciganos ao Alentejo, instalando-as em casas construídas pela CM. Ali, o PSD tem como guarda pretoriana doPSD local, que representam cerca de 1% de votos incondicionais, o que num concelho com cerca de 1000 votantes é suficiente para decidir eleições. Além disso nunca faltam aos jantares de apresentação das candidaturas, assegurando a sala composta, como sucedeu no passado dia 14, na apresnetação da candidatura local.

Portanto, desiludam-se, a partir do dia 1 de Outubro o PSD volta a ser o partido amigo da comunidade cigana e André Ventura será um dos seus militantes modelo dessa amizade.

VRSA: Memórias

Lembro-me de em criança os pais de alguns colegas de escola serem presos por ocasião do 1.º de Maio, de ver a fotografia de Delgado com flores na loja do Gravanita, de ouvir dizer que o PCP metia o Avante debaixo da porta da PIDE, lembro-me de uma terra de gente corajosa. Dizem-me que a Luís e a São e mais algumas famílias endinheiradas ou com vontade de o ser conseguiram impor o medo, que em vez de falar as pessoas cochicham, que até se tem medo de colocar likes em mensagens políticas.

Lembro-me de uma terra cheia de atividade, de todos os espaços da margem ocupados, desde as rampas da doca ao cais do Zé Rita apinhada de traineiras e enviadas a descarregar ou a aguardar a vez. Lembro-me da terra a cheirar a atum, da azáfama das carroças carregadas com atuns enormes desembaraços com a ajuda dos guindastes do cais do Parodi. Lembro-me do “Papelitos Verdes” com o carro de mão carregado de mercadorias a caminho da Alfândega, lembro-me das ruas com gente nas noites de Inverno, das sessões de cinema no Cine Foz e no Glória, lembro-me da Tia Maria das ervilhanas, sentada no chão na esquina do Trindade Coelho e do Cabra a vender castanhas assadas junto ao cantinho do Marquês, lembro-me das provas de vela e do treino de ginástica no Clube Náutico do Guadiana.

Agora os ginastas engordaram e dedicam-se às facadinhas matreiras, as ruas estão desertas, a vila quase não revela atividade económica, as lojas andam pachorrentas à espera que apareça algum espanhol, os “peseteiros” deram lugar aos fornecedores da câmara da São, da indústria passou-se ao comércio e deste ao esquema de negócios camarários para os que caíram nas graças da São e do Luís.

Sento-me em frente à escola secundária e na hora da saída fico deprimido, em cinquenta anos parece que o nível cultural regrediu, onde se praticava desporto ao mais alto nível vejo agora muitos jovens no limite da obesidade mórbida. Onde estão os teatros, o desporto, a cultura, o orgulho, a irreverência e o amor pela liberdade de outros tempos. Como é possível que em pleno século XXI haja medo em Vila Real de Santo António? Como se pode explicar que depois de tantas décadas haja menos sensação de liberdade do que no tempo do Baía, que se vejam tantos sinais de pobreza?

Para onde foram tantos milhões de dívida da autarquia, mais de 300 milhões de euros gastos em três mandatos numa terra tão pequena. Como é que se gastou tanto dinheiro, se tenha conseguido uma medalha (não falta aqui nada?) na dívida e no atraso nos pagamentos aos fornecedores sem se deixar obra, porque o edifício da Câmara, uma pequena escola e uma morgue não explicam tão grande buraco financeiro?



Umas no cravo e outras na ferradura



 Jumento do Dia

   
Catarina Martins, líder do BE

Catarina Martins cuspiu para o ar e depois ficou muito admirada porque Jerónimo de Sousa fez suas dores que não lhe pertenciam. É a consequência de se falar com ar de quem autoridade sobre todas as matérias, mas evitando dar a cara.

Acabou por assegurar que o BE não ataca o PCP, isto é, um grupo de movimentos que nunca reconheceram o estatuto de partido comunista ao PCP, a que se juntaram alguns dissidentes daquele partido, vem assegurar que a seus objetivos políticos não colidem com o PCP ou com a sua existência. Enfim, o disfarce levado ao limite.

«A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, disse nesta terça-feira não perceber o porquê de o secretário-geral comunista ter tomado as dores dos "autarcas que se calaram perante as maldades da troika", rejeitando atacar o PCP, com quem tem caminhos convergentes.

O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, iniciou a campanha eleitoral da CDU em defesa dos autarcas e do trabalho desenvolvido localmente, acusando Catarina Martins de ignorância quando disse, na segunda-feira, estar "absolutamente chocada" com o "silêncio cúmplice" da generalidade das autarquias enquanto eram destruídos os serviços públicos.

"Eu critiquei autarcas que se calaram perante as maldades da troika. Jerónimo de Sousa tomou-lhe as dores, não percebo bem porquê e decidiu atacar o Bloco de Esquerda. Nós temos outros adversários e temos também caminhos convergentes para fazer juntos", respondeu Catarina Martins aos jornalistas, no final do comício desta noite da campanha autárquica em Gondomar, no distrito do Porto.» [Público]

 Ainda que mal pergunte

O ue será feito do programa de comentários de Paulo Portas na TVI? Lembro-me de ser notícia que o estúdio já estava desenhado e montado...

      
 Mais dois doutores da mula russa?
   
«A Inspeção Geral da Educação está a investigar as licenciaturas de mais dois altos dirigentes da Proteção Civil devido ao volume de equivalências concedidas, avança o jornal “i” esta quarta-feira.

Luís Belo Costa e Pedro Vicente Nunes, nomeados este ano comandantes operacionais de agrupamento distrital do Centro Sul e do Centro Norte, são licenciados em Proteção Civil pelo Instituto Politécnico de Castelo Branco - a mesma instituição de ensino superior que concedeu por equivalências quase 90% da licenciatura do demissionário comandante nacional da Protecção Civil, Rui Esteves.

Segundo o IPCB, os dois altos dirigentes da Proteção Civil também concluíram uma parte significativa da sua licenciatura através da atribuição de equivalências por experiência profissional. A Inspeção Geral da Educação foi na terça-feira ao Politécnico de Castelo Branco para recolher os processos académicos de ambos.» [Expresso]
   
Parecer:

Este instituto de Castelo branco é um verdadeiro regabofe.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

quarta-feira, setembro 20, 2017

Guinadas

Marcelo foi a Andorra para brincar com Passos Coelho enquanto lhe mandava um recado, queixa-se o Presidente em tom de brincadeira que de vez em quando dá umas guinadas à direita e por cá ninguém repara, sugerindo que PSD e CDS não aproveitavam a boleia. A mensagem era clara, ainda que transmitida em tom de brincadeira e lembrando os melhores tempos de Marcelo, quando se divertia a criar fatos políticos.

Se fosse em tempos de fartura de poder Passos Coelho teria dito logo “estão a ver, o gajo é mesmo um catavento, nunca se sabe para que lado o vento vai soprar!”. Mas depois de dois anos de sofrimento e com tudo a correr-lhe mal Passos deixou de ser o primeiro-ministro arrogante, convencido que sem o seu apoio ninguém seria presidente. Agora é uma espécie de sem abrigo, um líder político sem ideias, que anda nos caixotes do lixo das ideologias em busca de salvação, ultimamente até se tem sujeitado a apoiar o Ventura e a praguejar contra os imigrantes, o equivalente para um” social-democrata” a comer uma sopinha servida pela Isabel Jonet.

Desta vez Passos Coelho engoliu o orgulho e comeu o pão que o diabo amassou, esqueceu mais de dois anos de ofensas, deixou para trás o orgulho ofendido com a dispensa de participar nas presidências e a raiva de ver Costa a segurar o chapéu de chuva para que Marcelo não ficasse molhado com a morrinha que caiu e aproveitou o discurso de Marcelo. 

Em mais um momento de Pilatos Marcelo elogiou os dois governos a propósito da notação da S&P e Passos não perdeu tempo para deixar de andar à bolina, para andar de vento pela poupa. Curiosamente, Marcelo não partilhou a opinião de Passos, que desta vez em vez de praguejar contra as reversões chamou a si todo o mérito, culpando o atraso de dois anos.  Mas Marcelo engoliu em seco e colou-se rapidamente a Marcelo.

Resta agora saber se Marcelo se cola a um Passos cuja agenda política recorre cada vez mais a causas típicas do populismo da extrema-direita ou se prefere dar uma contra guinada à esquerda fugido de Passos como se fosse sarna. Enquanto a própria Assunção Cristas de demarca de Passos, deixando de apoiar a candidatura a Loures e tendo um discurso mais convergentes em temas como a imigração ou o OE, Passos não perdeu tempo para aproveitar as lufadas vindas de Belém e foi a Viana do Castelo iniciar a campanha autárquica com a sua nova bandeira da imigração.

Parece que Passos aproveita o discurso de Marcelo de uma forma estranha, cada vez que o Presidente dá uma guinada à direita Passos dá outra para a extrema-direita e se não fossem os rapazes esganiçados da JC até se diria que a social-democrata é a líder do CDS. Quer em Lisboa, quem no resto do país a Assunção Cristas esta á ganhar aos pontos a um Passos Coelho que com os assessores a fugirem dele começa a ser um político vulgar e sem ideias que tem de recorrer ao Aguiar-Branco para parecer alguém.