sábado, setembro 22, 2007

Mourinho, Pinto da Costa, Roman Abramovich e Portugal

Pinto da Costa não gostou que as honras do título europeu fossem para Mourinho, no FCP os triunfos sempre foram do seu presidente, no clube criou-se a convicção de que os resultados não dependiam dos treinadores. Mourinho foi-se embora.

Abramovich não podia admitir que os louros do renascimento do Chelsea fossem do treinador depois de ter investido tantos milhões. O resultado foi o mesmo que no FCP, Mourinho partiu.

Mourinho tem uma qualidade e uma característica pouco apreciadas em Portugal, sabe liderar as suas equipas e gosta de ficar com os louros do seu trabalho. Por cá isso escasseia, os gestores desprezam os recursos humanos e desde as universidades à Administração pública a regra é os louros ficarem na posse dos “chefes”.

Mourinho deu-nos uma lição.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Coruche

IMAGENS DO DIA

[Tracy Wilcox - AP]

«University of Florida students protest at the Plaza of the Americas in Gainesville, Fla., against the treatment of student Andrew Meyer, who was tasered during a Sen. John Kerry speech on Monday.» [Washington Post]

[Patrick Kovarik - AFP]

«Italian supporters cheer for their team prior to a Rugby World Cup match against Portugal at the Parc des Princes stadium in Paris.» [Washington Post]

Enfim, se os adeptos da imagem são italianos eu terei nascido em Chicago!

JUMENTO DO DIA

Advogado ou relações públicas?

É evidente que os Mac Cann não escolheram o bastonário da Ordem dos advogados para ganharem na barra dos tribunais no caso de serem acusados formalmente, o que pretendem é vencer na comunicação social para que não haja acusação. Rogério Alves consegue um cliente que lhe proporcionará projecção como advogado graças à projecção mediática conseguida graças ao seu estatuto na Ordem dos Advogados.

As ordens também servem para que os bastonários consigam bons clientes.

DRA. ZEZINHA, IMPORTA-SE QUE A MANDE PASSEAR?

«Maria José Nogueira Pinto anda muito bem-disposta. Ou a vida lhe anda a correr bem, ou foi à Zara - que é, diz ela, a sua terapia. Agora resolveu assumir-se salazarista - porque o homem "sabia mandar" - e declamar a trilogia do regime, "Deus, Pátria, Família". Foi ao Expresso, que ouviu o seu elogio ao actual primeiro-ministro à mistura com sua abominação pelas "lojas de chineses" na Baixa, "à frente de uma salada de garoupa fria".

A Baixa Pombalina, recorde-se, é a mais recente especialidade de Nogueira Pinto, que assumiu como seu o plano de revitalização efectuado sob o seu mandato de vereadora do CDS/PP e que agora, depois de se ter incompatibilizado com o então edil Carmona, de ter saído do CDS/PP e proclamado o seu voto no socialista António Costa, pretende retomar. Até porque, confessa, apesar de no privado "se ganhar mais", é no sector público que há "mais poder". E a Zezinha assume sem complexos, muito despachada, que gosta de poder. De mandar.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Fernanda Câncio mandou a Zezinha dar uma volta e deve ter resultado, ao que sei a Zezinha foi dar uma volta à Turquia na companhia das meninas bem do Clube VII.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

O APITO PRESIDENCIAL

«O ritmo das notícias que se vão sucedendo e a dispersão natural dos interesses dos amáveis leitores explicam que a questão dos vetos presidenciais de Agosto tivesse sido rapidamente esquecida. E, no entanto, nesses dias, a generalidade dos observadores da cena política portuguesa não tiveram dúvidas (sobretudo - valha a verdade - os que são antigovernamentais) sobre o que se iria seguir, a partir do que lhes parecia que tais vetos significavam.

A ideia era simples, atraente e compreensível. O contido, prudente e experiente Presidente da República, um homem cerebral e que raríssimas vezes comete erros, dera o sinal: acabara a fase da cooperação estratégica, Sócrates que se cuidasse, uma nova fase política estava a começar, Cavaco passava a liderar a oposição, a "estrelinha" socratiana começava a empalidecer.

E realmente três vetos - sobretudo se interpretados como o foram pela comunicação social - davam que pensar. Até porque, em teoria pelo menos, não era essencial nem absolutamente evidente que viesse a optar pelos riscos de vetar, sobretudo quando a opinião pública o não exigia e num dos casos até contra o mais largo consenso possível de ser obtido.
A solução do Governo, para os vetos a diplomas legais que não tinham sido votados pelas oposições, foi aceitar as razões presidenciais. Com isso manteve a linha estratégica que vem seguindo: tudo menos um conflito com Belém. Resta o caso mais bicudo, o da responsabilidade extracontratual do Estado, em que a votação uniu todos os partidos do Parlamento.

Perante isto, aliás mesmo antes disto, a tese conspirativa sobre Cavaco Silva foi esmorecendo. E, realmente, como poderá o Presidente não gostar de quem lhe quer bem? Como não se acalmar ao ver que lhe dão razão? Como pode uma figura paterna como o locatário de Belém não se rever no filho (dilecto?) que ocupa as traseiras do Palácio de S. Bento? E que interesse estratégico teria Cavaco Silva em liderar uma guerrilha contra o Governo?

Tudo simples, portanto? A tese estival da crise institucional a adensar-se ter-se-ia evaporado com o começo das brumas outonais? A cordata resposta da maioria socialista amansou a fera? Talvez não. Vejamos, então.

Cavaco Silva quer ser reeleito, como Soares o foi, se possível com um landslide. A última coisa que lhe interessa é uma crise política grave ou a paralisia do pendor reformista do Governo. Se Sócrates ganhar as próximas eleições, ele será reeleito a seguir sem qualquer dificuldade. Se a vitória for por maioria absoluta, ainda melhor. Um a zero a favor da cooperação estratégica.

Mas a reeleição assegurada baseia-se em que os portugueses tenham algum receio do excesso de concentração de poder nas socráticas mãos. A vitória do PS nas legislativas em 2009 será dobrada de uma vitória nas autárquicas, que terão lugar no mesmo dia, e que pode ser histórica. Votar em Cavaco funcionará então como uma espécie de contrapeso. Mas, se os portugueses não tiverem medo da concentração de poderes, poderá ser mais dificil a (inevitável) reeleição presidencial. É preciso, pois, que nos próximos dois anos se vá formando na opinião pública a ideia de que Belém evita os erros e controla os excessos de S. Bento. Vantagem para a mudança do clima político, um igual no placard.

A isto acresce que a oposição morreu. Portas, antes mesmo de entrar em combate; o PSD por exaustão, cada vez mais exangue em guerrilhas inconsequentes; o próprio Bloco de Esquerda a caminhar paulatinamente para o regaço meigo e quente dos socialistas. Resta o PCP, igual a si próprio, mas que a alteração da lei autárquica vai desfazer. Cavaco tem de se substituir a esses bandos de incompetentes e sangrar um pouco o Governo, quanto mais não seja para que a política possa ter alguma graça. E para que o landslide não venha a ser de Sócrates. Dois a um a favor do conflito potencial.

Apesar de tudo, vêm aí tempos difíceis. Os analistas estão a rever em baixa as previsões para a economia europeia em 2008, as ondas de choque das subprime continuam e pode antecipar tsunamis, o preço do petróleo sobe, o custo do dinheiro na Europa também, o euro está cada vez mais forte. A estratégia governamental (apertar o cinto durante dois anos para depois o alargar, criando a conhecida sensação de alívio) pode fracassar e o período eleitoral pode ser alcançado (sobretudo se o terrorismo e a questão nuclear iraniana se complicarem) com um risco de que Sócrates possa perder para Marques Mendes ou ganhe tão fraco que a esquerda se una e possa gerar um candidato presidencial moderado anticavaquista. Fragilizar mais Sócrates pode ser perigoso. Dois a dois, portanto.

Complicado? Talvez não. Não é preciso ir a penalties. O desempate é a favor de Cavaco e, dentro de certos limites, não é contra Sócrates. E está bem ao estilo cavaquista: mostrar um constante apoio ao Governo, ir entremeando algumas críticas ou exigências, aproveitar todos os erros para marcar pontos, evitar qualquer excesso, nunca se deixar colocar do lado errado da opinião pública. Ser, numa palavra, um bom Poder Moderador. E ir navegando à vista, acelerando ou travando conforme as coisas forem evoluindo. Sempre com cautela para que o seu filho (dilecto?) aprenda a lição, mostre humildade, mas não sofra demasiado nem seja repudiado.» [Público assinantes]

Parecer:

as previsões políticas de José Miguel Júdice.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A FUNDAÇÃO MÁRIO SOARES ESTÁ METIDA NO NEGÓCIO DO PETRÓLEO?

«Ontem, o ex-presidente da República esteve presente na apresentação do I Lisbon Energy Forum 2007, uma iniciativa da Galp e da Fundação Mário Soares que reunirá em Lisboa no início de Outubro altos dirigentes de algumas das maiores petrolíferas do mundo. Mário Soares disse ter acompanhado o presidente da Galp Energia numa recente deslocação à Venezuela, por insistência de Ferreira de Oliveira, e porque a Fundação e a empresa já tinham o projecto comum de preparar a cimeira. Como conhecia bem vários ministros, incluindo o do Petróleo, e o próprio Presidente Hugo Chávez, "isso foi im- portante para as conversações que lá tivemos". Foi o que Soares respondeu na sequência de uma questão colocada sobre o processo de negociações entre a Galp e a PDVSA. O ex-presidente da República sublinhou as várias deslocações que tem feito à América Latina, a países como a Venezuela, o Brasil e o Equador, onde obtém conhecimentos pessoais que, depois, ajudam a "abrir portas". "E foi isso o que sucedeu na Venezuela", acrescentou.» [Diário de Notícias]

Parecer:

É bom recordar que quando Durão Barroso queria vender a GALP à Carlyle de Carlucci, um dos negócios mais duvidosos do seu reinado, a Fundação Mário Soares tinha uma quota na empresa criada para concretizar o negócio. Note-se que a GALP tem capitais privados e que há melhores sectores para promover acções de caridade.

Enfim, compreende-se a razão porque Mário Soares tem sido tão simpático para com Hugo Chavez.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Soares quanto é que a família ganhou com o negócio.»

MENEZES CONCORRE CONTA A INTELLIGENTZIA DO PSD

«Luís Filipe Menezes garante que é candidato a líder do PSD e depois a primeiro-ministro "contra aquilo que parece ser toda a intelligentzia" do partido. No livro Coragem de Mudar, que será hoje lançado em Lisboa e que resulta de uma entrevista dos jornalistas Carlos Magno, Joaquim Letria e Inês Serra Lopes, Menezes apoia a criação dos círculos uninominais já para as eleições legislativas de 2009. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Digamos que é um combate entre a burritzia e a intelligentzia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se para ver se Menezes fica ko ou se vai continuar a dar golpes em Marques Mendes até às próximas legislativas.»

INTERNET EM PORTUGAL É DAS MAIS BARATAS DA EUROPA

«Na velocidade intermédia dos quatro megabits por segundo, o preço médio praticado pelas operadoras de telecomunicações em Portugal era 35% mais barato do que o verificado na média da União Europeia (UE), em Junho. O país estava em quarto lugar entre os que têm preços mais baixos. Os dados são da autoridade reguladora do sector, a Anacom.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

É uma pena que a ANACOM compare os preços e nada diga sobre a qualidade, já que as empresas não cumprem com as velocidades contratadas e ninguém as incomoda.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se à ANACOM que verifique se as velocidades consideradas nos estudo se verificam.»

ATÉ GORDON BROWN TOMOU POSIÇÃO ACERCA DE MOURINHO

«Outra claúsula da rescisão é que não haverá declarações polémicas das partes. Assim se compreende que o treinador, à entrada do estádio, tenha afirmado estar "estar satisfeito" com oacordo e disposto "a aproveitar o tem-po livre para descansar". Nessa altura ainda não tinha conhecimento das inúmeras mensagens de estupefacção e de solidariedade, incluindo uma de Gordon Brown, que divulgou o seguinte comunicado: "O primeiro-ministro é um adepto do futebol e alguém que gosta de ver os jogos da Premiership, portanto sabe que Mr. Mourinho tem um grande registo de sucesso, deu um grande contributo para o futebol inglês num curto período de tempo e é alguém com grande carácter no futebol".» [Público assinantes]

Parecer:

Coitado do Chelsea.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Assista-se ao jogo do Chelsea com o Manchester United.»

MAIS UMA DE BUSH:AGORA "MAOU" NELSON MANDELA!

«"Escuché a alguien decir '¿Dónde está Mandela?' Bueno, Mandela está muerto porque Sadam Husein mató a todos los Mandelas", dijo Bush - quien tiene una reputación de gazapos verbales - en una conferencia de prensa celebrada el jueves en Washington.» [20 Minutos]

MUSEU DO HOLOCAUSTO: "AUSCHWITZ THROUGH THE LENS OF THE SS" [Link]

Imagens do álbum de fotografias de Karl Höcker, braço direito de Richard Baer, o chefe do campo de Auschwitz entre Maio de 1944 e a libertação do campo em 1945.

FOTOARTAK

SOMOV EGOR

ANASTASIA DURASOVA

NIKOLAI BIRYUKOV

SLA 2

NÚCLEO TCJ PARANÁ

[2][3][4]

Advertising Agency: Exclam, Curitiba, Brazil
Creative Director: Lipsio Carvalho
Art Director: Eduardo Tavares
opywriter: Guilherme Ghesti
Photographer: Zivianni Fotografia

ADIDAS

Advertising Agency: TBWA\Whybin, Auckland, New Ze
alandExecutive Creative Director: Andy Blood
Art Directors: Guy Roberts, Corey Chalmers, Andy Blood
Copywriter: Andy Blood, Corey Chalmers, Guy Roberts
Photography: Ross Brown at Match
Retouching: Andy Salisbury at Cake
Illustration: Lewis Tamihana Gardiner, Phil Dron, David Partidge
Cultural guidance: Selwyn Muru, Inia Maxwell at tikanga.com

HARVEY NICHOLS

Advertising Agency: TBWA\Tequila Hong Kong
Executive Creative Director: Mark Ringer
Creative Director: Bosco Yau
Art Directors: Tony Tsang, Flora Tsui
Copywriter: Mark RingerAccount handlers: Joanne Lao, Florence Kong, Pauline Wong
Photographer: Connie Ki

sexta-feira, setembro 21, 2007

O ministério otário

Se o conceito de otário pudesse ser aplicado a ministério esta definição da gíria aplicar-se-ia que nem ginjas ao ministério das Finanças. Ao longo de anos os seus responsáveis tiveram políticas miserabilistas, quando se esbanjou dinheiro com objectivos eleitoralistas o ministério poupou para se construíssem rotundas e hospitais, na hora de poupar o ministério deu sempre o exemplo, mesmo quando esses cortes foram actos de gestão desastrosos.

Foi preciso Sousa Franco chegar a ministro das Finanças para que durante um breve período esta tendência fosse investida, o tempo necessário para investir na máquina fiscal, opção também seguida por Manuela Ferreira Leite. Além de uma boa opção política, resultou da percepção de que o Estado entraria em colapso financeiro, sem esse mínimo de modernização Portugal nunca teria entrado no Euro e se o tivesse conseguido já teria sido convidado a sair.

Até há pouco tempo as condições de trabalho em muitos serviços do ministério das Finanças, designadamente nos serviços da Administração Fiscal eram vergonhosos, aliás, essas situações ainda existem. Ainda há pouco tempo havia serviços onde os pombos faziam ninhos em arquivos de processos fiscais. É uma tradição no ministério das Finanças os funcionários do ministério das Finanças trabalharem nas piores condições, sem direito a horas extraordinárias e sem horário, faz-se o que for necessário nas condições que existirem.

Com Sousa Franco as condições melhoraram, muitos serviços foram modernizados, os trabalhadores passaram a ser tratados com mais dignidade, a máquina fiscal ficou mais eficaz. Foi o resultado de o ministério das Finanças ter tido à sua frente alguém que estava mais empenhado em modernizar do que em dar exemplos de miserabilismo, sabia o que queria e defendeu o seu projecto.

O actual ministro, que entrou nas lides governamentais pela mão de Sousa Franco, não parece partilhar da cultura de gestão do “professor”, ontem na entrevista à RTP deu provas disso. Quando foi questionado sobre a redução do número de funcionários públicos na Administração Pública não explicou nada, socorreu-se do seu ministério usando-o para dizer que dava o exemplo, tranquilizou a jornalista dizendo que iriam haver mais de 700 disponíveis.

Não ouvi do ministro critérios ou objectivos, limitou-se a seguir a tradição miserabilista do Terreiro do Paço, limitou-se a usar o seu ministério como exemplo de poupança. Pouco lhe importou o ambiente de instabilidade que desencadeou, não definiu critérios, limitou-se a fazer o que é tradição no ministério das Finanças, mesmo que seja um acto de gestão irracional, o ministério das Finanças é a Madre Teresa de Calcutá do Governo, dá o exemplo de pobreza.

É evidente que poderão haver funcionário a mais, funcionários sem perfil, ou funcionários que usam o atestado médico para quase não trabalharem. Eu até poderia dar o exemplo de militantes do PS ou do PSD que quando metem os pés nos serviços é para passarem o tempo até que o partido volte ao poder e possam arranjar mais um tacho reservado a boys. Só que o ministro não definiu critérios, o único critério que deixou no ar foi o do exemplo franciscano.

Em vez de ter feito um voto de pobreza o ministro das Finanças deveria ter esclarecido os portugueses e os seus próprios funcionários, explicado que havia critérios.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Óbidos

IMAGEM DO DIA

[Steve Crisp / Reuters]

«Ciudad en las nubes. La niebla matinal sobre una zona de edificios en construcción en Dubai.» [20 Minutos]

JUMENTO DO DIA

As confidências do ministro da Saúde ao "Portugal Socialista"

Depois de ter acusado os oftalmologistas de trabalharem pouco, o ministro da Saúde decidiu acusar os médicos de se baldarem. Talvez seja verdade, mas é um facto que a classe médica não ser conhecida como um bando de gandulos, a existirem, essas situações serão pontuais e devem ser condenadas.

É grave que um ministro da Saúde lance um estigma destes sobre toda uma classe e ainda por cima, o faz numa entrevista ao órgão do seu partido, como se estivesse a fazer queixinhas. Parece que começa a ser moda dos ministros deste governo identificar as classes profissionais como inimigos das políticas governamentais.

MENDES & MENEZES

«Não é que Marques Mendes e Luís Filipe Menezes sejam idênticos. Mendes é mais previsível e Menezes mais irrequieto. Ambos têm ínfimas possibilidades de ganhar eleições legislativas, e a Menezes soma-se o estigma de ser um novo Santana Lopes. Eles não são iguais. Contudo, na medida em que só podem esperar que o Governo tropece, são igualmente irrelevantes.O debate foi espelho disso. Nas curtas mas obrigatórias fantasias sobre o país, oscilaram entre o "não me resigno" e o "quero a economia a crescer a três por cento". Perfilham portanto dessa curiosa doutrina segundo a qual a economia do país é um reflexo dos estados de alma dos "líderes". Muito em voga entre a direita europeia após a eleição de Sarkozy, ela serve sobretudo para baralhar o esgotamento da doutrina ainda dominante, segundo a qual é necessário dar cada vez mais poder às empresas para que o bem- estar económico se difunda, por capilaridade, à sociedade inteira.» [Público assinantes]

Parecer:

o comentário de Rui Tavares àquilo a que alguém se lembrou de chamar pomposamente debate.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

PSD ESQUECEU-SE DE MANDAR A CONTA À SOMAGUE?

«Uma oficial de justiça chegou ontem à sede nacional do PSD, por volta das 08h30, para executar uma penhora num valor próximo dos 2500 euros. O montante reportava-se a uma dívida contraída para a campanha de Fernando Negrão em Setúbal, nas eleições autárquicas de Outubro de 2005. Segundo assegurou ao CM o secretário-geral social-democrata, Miguel Macedo, o PSD pagou o valor em dívida, garantindo que a penhora acabou por não ser executada. O dirigente admitiu que foi a primeira vez que tal aconteceu. O credor era uma empresa ligada ao sector gráfico.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Miguel Macedo tem razão, quem pagou uma pequena fortuna também pagaria esta ninharia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Averigua-se»

NOTÁVEIS DO PSD NÃO VIRAM O DEBATE ENTRE MENDES E MENEZES

«Entre a apatia e o desinteresse. Foi assim que diversos nomes sonantes do PSD encararam o debate televisivo da noite de terça-feira, na SIC Notícias, entre Luís Filipe Menezes e Luís Marques Mendes. Nem todo o cortejo de polémicas que antecedeu este frente-a-frente parece ter contribuído para despertar a atenção de muitos sociais-democratas, como ficou bem patente numa ronda de contactos que o DN ontem estabeleceu junto de militantes bem conhecidos do partido. Quando falta pouco mais de uma semana para a eleição directa do líder.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Compreende-se, nem são candidatos nem tinham nada a aprender.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Santana se é mesmo verdade que não viu nem gravou.»

ELECTRICIDADE EM PORTUGAL CUSTA MAIS 8 EUROS QUE EM ESPANHA

«Por outro lado, as restrições que existem ainda em matéria de capacidade de interconexão, não permite que a energia mais barata produzida em Espanha chegue em quantidade suficiente para induzir uma baixa dos preços em Portugal. Nos meses de Julho e Agosto, o Mibel funcionou apenas em 20% das horas, devido a limitações na interligação. Nos outros 80%, as redes estavam saturadas o que não permitiu o funcionamento do mercado integrado. Para lá da gestão comum dos dois mercados, a integração far-se-á ainda ao nível das empresas de transporte e de operação no mercado. Depois da troca de participações entre a REN (Redes Energéticas Nacionais) e a Rede Eléctrica Espanhola, a empresa portuguesa irá cruzar posições com a Enagás (gestora da rede de gás espanhola), revelou o presidente José Penedos na mesma conferência. A REN deverá ficar com até 3% da Enagás que poderá comprar 5% da empresa nacional.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Como pode haver um mercado ibérico se as ligações entre as duas redes são insuficientes? Os responsáveis que promoveram o Mibel ou se esqueceram deste pormenor ou estavam a gozar com os consumidores.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Suspenda-se o Mibel até que existam infra-estruturas que o viabilizem.»

MINISTRO DA SAÚDE DIZ QUE MÉDICOS SE BALDAM

«O ministro da Saúde diz numa entrevista publicada esta semana, no "Acção Socialista" que "havia médicos escalados para horas extraordinárias que nem sequer punham os pés no hospital". "E não foram dois, três ou quatro casos. Era algo que se estava a tornar banal", afirmou Correia de Campos. Adiantando que, em todo o país, só 11 médicos deixaram o Serviço Nacional de Saúde (SNS), o ministro diz acreditar que, daqui a dois anos, regressarão. Afirmações logo contestadas, ao JN, por membros da classe.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

A acusação pode ter muito fundamento mas a ser feita deve ser sustentada em provas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao ministro que seja mais comedido nas palavras.»

REITOR DE COIMBRA PÕE O DEDO NA FERIDA

«O reitor Seabra Santos defendeu ontem, na abertura solene das aulas da Universidade de Coimbra, que o Ensino Superior teria melhores reformas legais, se "quase todos os responsáveis políticos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) "não fossem do Instituto Superior Técnico (IST). "A concentração de quase todas as responsabilidades políticas do Ministério em pessoas provenientes de uma só escola não é uma boa solução", avaliou.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Tem razão, o ministro Mariano Gago não raras vezes deixa de ser ministro das universidades para passa a ser ministro do Técnico.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao ministro que tenha um mínimo de imparcialidade.»

PORQUE SERÁ?

«Até agora, nenhuma autarquia mostrou interesse em se juntar ao Sistema Nacional de Compras Públicas. Este sistema abrange formalmente apenas a Administração Central e institutos públicos, mas as autarquias podem também utilizá-lo para as suas compras, se assim o desejarem. Na leitura de Francisco Velez Roxo, presidente da Agência que gere aquele sistema, a Administração Local tem feito grandes progressos na gestão de compras, mas tem ainda espaço para poupar mais.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Seria interessante comparar os preços das aquisições da Administração Local com as da Administração Central. independentemente de outras explicações parece evidente que os autarcas prefiram comprar a quem vota neles.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Compare-se.»

O ENSINO NÃO NOS DÁ APENAS DESILUSÕES

«O sonho de estudar Engenharia Automóvel era antigo e, para isso, Rafael Silva sabia que tinha de optar pela Informática. Aos 18 anos, este aluno do colégio Dr. Luís Pereira da Costa, de Monte Redondo (concelho de Leiria), orgulha-se de ter acabado o 12º ano com distinção e de ter realizado um projecto inovador um robô, que pode ser manipulado à distância, através de um computador portátil, e deslocar-se em territórios inacessíveis, como grutas ou locais onde tenham ocorrido sismos, por exemplo. À disciplina de Projecto, Rafael obteve 20 valores, a mesma nota que teve noutras quatro.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Talvez merecesse a pena o ministério estudar estes casos de sucesso, apurando o tipo de relação que ao longo do percurso escolar se estabeleceu com a escola e com os professores. Faria igualmente sentido que a ministra tivesse uma palacra com estes alunos, bem como com os professores envolvidos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a proposta.»

O NOVO DIRECTOR-GERAL DOS IMPOSTOS: JOSÉ AZEVEDO PEREIRA

O nome do novo director-geral foi divulgado pelo ministro das Finanças numa entrevista à RTP, dele pouco mais se sabe do que o nome, o curso onde se licenciou, que fez o doutoramento numa universidade vulgar, que está ligado ao ISGB (Instituto Superior de Gestão Bancária) e pouco mais.

Sendo a DCGI uma organização com mais de 13.000 funcionários e centenas de serviços, estes dados são insuficientes para avaliar as suas aptidões para gerir uma "grande empresa" que desconhece. Se em vez de cobrar impostos a DGCI tivesse como funções fazer aplicações financeiras com as receitas fiscais diria que o futuro director-geral teria uma formação razoável, ainda que duvide que a Goldman Sachs perdesse muito tempo a ler o seu currículo. Mas para gerir uma empresa tão grande sem qualquer experiência de gestão teremos que duvidar da escolha.

É evidente que tem o benefício da dúvida só que neste caso a dúvida é grande, diria mesmo que é muito grande. Há um grande risco de José Sócrates ter dado um tiro no pé, em vez de ter escolhido em função da capacidade de gestão foi procurar o mais parecido que havia no mercado com o dr. Macedo, mas a baixo preço.

Os argumentos usados pelo ministro são aquilo a que se poderiam chamar argumentos da treta, aliás, foi visível a sua atrapalhação no momento de justificar a escolha. Consultor qualquer um pode ser, é o que há mais em Portugal. Quanto a gestor até o senhor Moreira da mercearia onde vou pode dizer que é, trata-se de uma empresa do sector alimentar com quatro empregados, o senhor Moreira, uma empregada e as duas filhas, uma a tempo inteiro e a outra nas horas vagas.

Isso significa que nem o ministro das Finanças, nem José Sócrates perceberam o que se passou na DGCI nos últimos três anos. Em vez de procurarem alguém com perfil para director-geral escolheram o que encontram de mais parecido com o dr. Macedo, resta esperar que tenham tido sorte.

Enfim, esperemos que ao menos o futuro director-geral dos Impostos saiba onde fica o seu serviço de Finanças pois para conhecer a DGCI vai levar algum tempo, tempo durante o qual o petroleiro, que já andava a navegar devagar, vai ficar parado.

PS. Um pequeno mau momento naquela que foi uma boa entrevista do ministro das Finanças.

ADITAMENTO: O CURRÍCULO" DO NOVO DG - UM CLONE DO DR. MACEDO?

O mail que anda a circular:

"José Azevedo Pereira, o nome que o Governo escolheu para assumir a pasta de Director-Geral dos Impostos (DGCI) tem um percurso profissional predominantemente ligado à academia e aos mercados financeiros, mas sem ligações directas ao universo da fiscalidade e à administração pública.

José Azevedo Pereira, o nome que o Governo escolheu para assumir a pasta de Director-Geral dos Impostos (DGCI) tem um percurso profissional predominantemente ligado à academia e aos mercados financeiros, mas sem ligações directas ao universo da fiscalidade e à administração pública.

Ribatejano, nasceu em Santarém em 1961, tendo aí completado o ensino básico e secundário. Em 1979 desce a Lisboa, para ingressar no curso de gestão do ISEG/UTL, a escola onde mais tarde viria a desenvolver a actividade profissional principal, a docência. É também nos corredores do ISEG que, entre 1979 e 1984 se cruza pela primeira vez com Paulo Macedo. O mediático ex-director-geral dos impostos era um ou dois anos mais novo, mas quem por lá andou na mesma altura, garante que foi aí que se cimentaram laços que perduram até hoje.

O bom desempenho escolar durante a licenciatura facilita-lhe o ingresso directo na vida académica: José Azevedo Pereira começou por ser assistente estagiário na Universidade dos Açores, um ano depois na Universidade Nova de Lisboa e, finalmente, no ISEG.

Foi ao estrangeiro – Manchester, Inglaterra – fazer o doutoramento, com uma tese sobre instrumentos de dívida e opções. No reingresso na vida lectiva volta a cruzar-se com Paulo Macedo. José Azevedo Pereira enquanto professor dos quadros do Departamento de Gestão, Paulo Macedo enquanto professor convidado.

Consultoria, finanças, mas pouca fiscalidade

Sem ligações directas ao universo da fiscalidade nem à administração pública - lecciona finanças empresarias e matemáticas financeiras e desenvolve investigação na área das finanças imobiliárias - conta, contudo, com algumas experiências empresariais: além de consultor, foi director financeiro de uma empresa importadora e administrador da EPAC, uma empresa pública da área da Agroalimentação e Cereais que foi dissolvida no final de 1999.

Mais recentemente, dirigiu, por encomenda de Paulo Macedo, uma auditoria às dívidas fiscais titularizadas durante o mandato de Manuela Ferreira Leite.

Uma herança pesada A partir de dia 27, Azevedo Pereira receberá do colega de carteira e de Departamento uma herança difícil de gerir. Paulo Macedo deixou a máquina fiscal mais ágil e moderna, o que facilitaria a vida de qualquer sucessor, mas imprimiu-lhe uma marca pessoal muito forte. Por isso, diz-se no meio da fiscalidade, onde José Azevedo Pereira se estreia na próxima semana, que se conseguir fazer um bom trabalho, os méritos tenderão a ser atribuídos ao seu antecessor; se falhar, dará azo a manifestações saudosistas.»

Para além de o novo dg ser muito provavelmente (pelo menos) uma quinta escolha (para além do dr. Macedo que fez tudo para permanecer registaram-se mais três hipóteses) é uma escolha do próprio dr. Macedo, o seu último acto de gestão. O dr. Macedo foi substituído por um clone do próprio dr. Macedo, a clonagem chegou ao fisco.

MONACO YATCH SHOW [Link]

Para quem tem muito, mas mesmo muito dinheiro.

Será que dá para encomendar um emandar a factura para a Somague ou para o ex-cônsul de Portugal no Brasil?

VASILY BULANOV

OLGA SHELEGEDA

GEORGI STRATIEV

MILEN LESEMANN

SERGEI GOLUBEV

GASTRONOMIA REGIONAL DE PONTE DE LIMA

NOMEADOS PARA OS EMMYS

BODEGA SÉPTIMA

[2][3][4]

Advertising Agency: delriofont, Buenos Aires, Argentina
Creative Director: Juan Ignacio Ravaioli Font
Art Director: Marcelo Scatamacchia
Copywriter: Dino VelziIllustrator: Lisandro Poncielli
Account Director: Fabiana Del Rio
Account Executive: Nadia Petrone

HP PHOTOSMART

Advertising Agency: Publicis, Bucharest, Roman
ia
Creative Director: Razvan Capanescu
Art Director: Catalin Rulea
Copywriter: Andreea Curt
Illustrator: Cristian Buliarca

IPANEMA GISELE BUNDCHEN

[2][3]