sábado, maio 17, 2008

O banquete das oposições


Um dos aspectos mais sórdidos da classe política portuguesa é não conseguir esconder o desejo de quando o país se afunde quando estão na oposição. Na convicção de que em Portugal não se ganham eleições, são os governos que as perdem, os partidos da oposição não fazem propostas nem têm programa, estão à espera que suceda alguma desgraça ou que a economia se afunde, para aparecerem então como salvadores.

A recente luta da oposição para que o governo corrigisse as previsões do crescimento económico foi um bom exemplo disso, durante semanas protestaram e quando as correcções foram feitas foi o arraial que se viu. Primeiro excitaram-se com a crise financeira mundial, a excitação foi tão grande que a primeira vítima até foi Luís Filipe Menezes, os cavaquistas animaram-se com a hipótese de poderem disputar o poder e tiveram a coragem que lhes faltou nas últimas directas do PSD.

Mais à esquerda esta postura não é novidade, a importância das crises do capitalismo para a transformação da sociedade tem honras de princípio ideológico. Não admira que muitos responsáveis do PCP vejam a fome como uma excelente oportunidade de erguer bandeiras negras ou o aumento dos desempregados como a oportunidade de ter mais “mão-de-obra” disponível para engrossar manifestações que permitem a Jerónimo de Sousa dizer que a maioria está nas ruas e não no parlamento.

A classe política portuguesa vive do poder, a política é uma carreira que só atinge a plenitude dos rendimentos que pode proporcionar quando se chega ao poder. Para os nossos políticos o que importa não é o bem-estar do país, o país está bem quando estão no poder, também não é o bem-estar dos portugueses, os portugueses estão bem quando eles enriquecem no poder.

Quando o país enfrenta uma crise estrutural profunda e sofre o embate de uma crise financeiro a que é alheio os políticos da oposição nada propõem, a sua única proposta é serem eles a governar. Comportam-se como predadores do poder.

Talvez seja tempo de o país avaliar os seus políticos e perceber que é tempo de renovar a sua classe política, dando lugar aos mais novos, aos que ainda não estão viciados na lógica do enriquecimento fácil, uma classe política com ideias novas e mais generosa do que a tralha que por anda por aí.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura - -

FOTO JUMENTO

Fontanário, Lisboa

IMAGENS DO DIA

[David Moir / Reuters]

«Piercings de récord. Elaine Davidson, que ostenta el título en el Libro Guinness de los Récords de la mujer con más piercings en el mundo (5.920 piezas), posa en Edimburgo.» [20 Minutos]

[M. Tesikas/Reuters]

«Manifestation de retraités à Melbourne, Australie, le 16 mai 2008. » [20 Minutes]

[J. Lee/Reuters]

«Un papillon survole le pied d'une fillette décédée sous les décombres de son école à Beichuan, Chine, le 15 mai 2008. » [20 Minutes]

A MENTIRA DO DIA D'O JUMENTO

Sócrates já está a pensar em mais altos voos e com o cargo da presidência de Bruxelas ocupado pelo peixe-voador do Durão Barroso resta-lhe candidatar-se a tuganauta, o primeiro astronauta português. Depois de ter decidido deixar de fumar já reúne todas as condições para andar lá por cima, basta-lhe agora enfiar o barrete aos examinadores, coisa que como sabemos não será tarefa difícil para José Sócrates.

JUMENTO DO DIA

Ridículo

Pedro Santana Lopes:

«E considerou "inaceitável que haja ainda em Portugal quem se julgue com direito de se propor para a governação do país sem antes dizer claramente aos portugueses o que pensa ser mais adequado para a condução dos destinos do país". "Não podemos brincar nem escamotear quando estão em causa assuntos destes", declarou Santana.» [Público assinantes]

GOSTEI DESTA IMAGEM DA GUERRA CIVIL DE ESPANHA

«Miliciana. Fotografía del archivo histórico de Efe, tomada el 21 de julio de 1936 en la azotea del hotel Colón de Barcelona, de la miliciana Marina Ginestá, afiliada a las juventudes comunistas. Ginestá tenía 17 años cuando el fotógrafo Juan Guzmán la retrató. Un documentalista de la agencia, Julio García Bilbao, la ha localizado en París; ahora tiene 89 años de edad.» [20 Minutos]

É um tema a que não posso nem consigo ser indiferente, existo em consequência dessa guerra.

O que me impressiona nesta imagem é o facto de não ter que ler a legenda para saber a que época se refere, onde foi tirada (também lá tenho família) e de que lado da guerra estava a miliciana. Recorde-se que muitos jovens, alguns com poucos mais de dez anos, foram enviados para campos de concentração depois de terminada a guerra, tendo aí sido fuzilados.

PURITANOS!

Imagino que as reuniões de alguns políticos que ficaram horrorizados com o cigarro de Sócrates estão livres de fumo, incluindo as dos que são defensores da liberalização da erva. Alguns destes senhores lembram-se um velho colega de residência o universitária, quando dava o golpe na fila da Cantina Velha e alguém protestava desatava aos gritos "Puritano, puritano!". De repente este país de bons costumes ficou cheio de puritanos.

APOSTA

Alguém quer apostar em como muito brevemente o PCP vai voltar às velhas e quase esquecidas manifestações das bandeiras negras da fome? Aqui fica o desafio para o caso de alguém querer aumentar o pecúlio deste palheiro.

BAIRRO DA LATA LIVREIRO

Ao longo de décadas o formato da Feira do Livro de Lisboa tem-se mantido inalterável, à revelia da mudança dos tempos, pequenas barracas onde os livros são empilhados à moda da Feira da Ladra, dando a ideia de um imenso bairro da lata livreiro. É tempo de os livreiros cuidarem da dignificação da Feira do livro de Lisboa e investirem na sua imagem e qualidade.

O QUE HÁ NUM NOME?

«Sucede que, pelos vistos, uns 70% dos portugueses - a maioria dos quais chorará baba e ranho pela sorte de Julieta e Romeu e se indignará contra a incompreensão que os condena - consideram ter algo a decidir sobre as paixões dos outros. Estas almas acham, segundo o tal do inquérito requisitado pela Coordenação do HIV/sida ao Instituto de Ciências Sociais, que "as relações homossexuais são totalmente erradas". Desconte-se o facto de esta resposta corresponder a uma pergunta despropositada ("acha que as relações homossexuais são erradas?") - a resposta é deprimente. Tão deprimente que as perguntas seguintes deviam ser: "Acha que o sexo entre pessoas do mesmo sexo deve ser proibido?"; "Que pena acha que deveria ser aplicada a quem for apanhado?"» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A CRISE SEM REMÉDIO

«O que pode fazer o Governo para moderar as dores que já sentimos e se vão agravar com a crise? Muito pouco ou nada. O PS corre o sério risco de perder as eleições em 2009 por culpa de... Alan Greenspan, ex-presidente do banco central dos Estados Unidos, e de George W. Bush. Pelas asneiras feitas pelos grandes bancos americanos, com a cumplicidade das autoridades. É, desta vez, “a finança, estúpido”.

José Sócrates tinha tudo planeado. As dolorosas reformas acabavam na Primavera deste ano e a partir daqui os “portugueses, a quem se devem os sucessos”, como gosta de dizer, começavam a receber os prémios, vestidos de ofertas do Governo mas muito apoiados nas empresas e nos bancos. Nunca esperou ser invadido por um tsunami gerado pelos insuspeitos e respeitados grandes banqueiros do mundo. E na tempestade, como uma vez disse Daniel Bessa, o pequeno barco que é Portugal sofre sempre mais, deixa entrar mais água, faz mais rombos que um grande e rico paquete como os Estados Unidos. O comandante do pequeno barco pouco pode fazer, excepto esperar que as águas se acalmem sem muitas vítimas e sem que ele próprio caia à água.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Helena Garrido.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

BETINHO, COCÓ E CARETA

«Os factos são simples. O Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) elaborou ou mandou elaborar um Dicionário do Calão, que também está disponível num site com o sugestivo (e premonitório?) nome tu-alinhas.pt que o IDT direcciona para crianças com mais de 11 anos. Recordo que as principais missões do IDT são "planear, coordenar, executar e promover a avaliação de programas de prevenção, de tratamento, de redução de riscos, de minimização de danos e de reinserção social" e "apoiar acções para potenciar a dissuasão dos consumos de substâncias psicoactivas".

Entre as mencionadas missões não consta, portanto, a edição e divulgação de dicionários.

Segundo a opinião de uma confederação de pais, o citado dicionário transmite uma "imagem convidativa das drogas". As citações de algumas definições convencem-me: se há exagero nessa opinião é no sentido de ser demasiado moderada para o que constitui um inconcebível escândalo e uma intolerável utilização de dinheiros públicos para fins não apenas estranhos, mas opostos aos que competem ao IDT.

Querem exemplos? Vejam (e cito do Diário de Notícias): "curtir - sentir o prazer da droga"; "queimar - é aquecer com o isqueiro a heroína ou a cocaína, até fazer a bolha brilhante, cativante e vaporosa..."; "betinho, cocó ou careta - é aquele que não consome droga e, por isso, é considerado conservador, desprezível e desinteressante".

Perante isto o presidente do tal IDT terá informado que este disparate foi feito com a colaboração do Ministério da Educação (!), que "tem alguma utilidade" (!!), que serve para os jovens não ficarem mal informados (!!!) e para não se sentirem menorizados por não saberem afinal o que significam estes termos (!!!!).

Convém clarificar que sou favorável à alteração do regime legal do consumo e da venda de drogas. Acho que as drogas deveriam ser legalizadas, regulamentadas, taxadas. Considero que os que caem sob a influência de drogas devem ser tratados em termos de saúde pública e não como criminosos. Não estigmatizo nem nunca estigmatizarei os que se drogam e entendo que todos temos o dever cívico de contribuir para diminuir este flagelo. Por exemplo, sou favorável a programas de troca de seringas nas cadeias.

Perceber-se-á, portanto, que a minha reacção não se baseia em preconceitos ideológicos ou em tentativa de aproveitamento destes factos para finalidades políticas conducentes ao reforço da penalização do consumo de drogas.

Estou profundamente chocado, apesar da minha idade já me ter tornado numa pessoa que começa a não se espantar com muita coisa. O relativismo em que vivemos e a tendência para cada notícia destruir a anterior fez com que este assunto passasse quase sem comentários. Em minha opinião, o que se passa com este tipo de acção do IDT é, mal comparado, o que se passa por vezes com antropólogos que se dedicam a estudar povos primitivos e que, parafraseando Camões, se transformam de "amador em coisa amada". Realmente, muitas vezes apaixonam-se de tal modo pelo objecto de investigação que perdem o distanciamento e o espírito científico, convencendo-se de que os sistemas sociais e os modos de vida desses povos são um exemplo de perfeição que se pode comparar com vantagem com as sociedades contemporâneas.

Quero acreditar que o dr. João Goulão, que preside à instituição, não é favorável à promoção do consumo de drogas por jovens a partir dos 11 anos. Quero mesmo acreditar que não é intelectualmente destituído nem padece de incapacidade profunda de discernir a realidade. Chego ao ponto de admitir que as declarações esfarrapadas e insensatas com que nos brindam os media não foram feitas por ele ou, tendo-o sido, não se destinavam a gozar connosco.

Por isso, para mim do que se trata é de uma tentativa que faz lembrar aqueles pais que julgam que educam os filhos se optarem por infantilizar os seus comportamentos como se tivesse dez anos, e tentam ser "porreiros", "compinchas", "cool". Com isso perdem o sentido da distância e não percebem que os nossos filhos menores não precisam que os pais sejam cúmplices nos criancices, mas da certeza de que se precisarem de ajuda os pais não falham, porque estão atentos, tentam evitar os erros dos jovens e alertá-los para os riscos.

O dr. Goulão, no fundo, parece querer ser "um gajo porreiro", um verdadeiro "mano", "estar na onda", pois "está-se bem", "méquié", "tudo em altas", pois está-se a "flipar". Acho que aspira mesmo a ser um "granda boss". E que não ousem espantar-se com ele e dizer "kecenameu". O presidente do IDT pensa que, se os dependentes da droga o olharem como uma espécie de pai vivaço, porreiraço, modernaço, a sua missão será mais fácil. Não é; o efeito será precisamente o oposto.

As coisas são o que são. Por muito menos do que isto, responsáveis políticos se demitem por esse mundo fora. Com muito menos responsabilidade, pelas mortes em Entre-os-Rios, demitiu-se o ministro Jorge Coelho.

Por tudo isto arrisco ser estigmatizado na próxima edição do já célebre dicionário. Acho que é imperdoável o que o IDT fez, que a culpa não pode morrer solteira e que o dr. Goulão deve ser mandado para a vida privada para fazer os dicionários que quiser, mas não com o dinheiro dos meus impostos.

O IDT e os insensatos que fizeram este dicionário consideram-me seguramente conservador, desprezível e desinteressante. Paciência. É isso que pensa este betinho, cocó e careta.» [Público assinantes]

Parecer:

Por José Miguel Júdice.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

O MUNDO DUPLICOU

«O nosso mundo duplicou com a abertura da Índia e da China. Desde há anos que este processo se iniciou, mas o seu impacto tem sido especialmente sentido nos últimos dez anos.

A abertura dos países asiáticos duplicou, sensivelmente, a população do nosso "mundo económico". São países com uma mão-de-obra abundante, embora pouco sofisticada, e escassez de capital, incluindo capital humano (ou trabalhadores especializados). Ou seja, a nível mundial, duplicou a oferta de mão-de-obra e aumentou a procura de capital e de pessoas muito qualificadas (nomeadamente, dos executivos). Se a oferta global do factor trabalho aumentou drasticamente, então a pressão sobre a baixa dos salários será também muito grande nas economias mais desenvolvidas. Simetricamente, a forte escassez de capital e investimentos e, acima de tudo, de pessoas altamente qualificadas faz subir a sua remuneração pela pressão no mercado.

A primeira implicação da "duplicação do mundo" é uma forte redistribuição do rendimento dentro de cada país. No mundo ocidental, há uma clara estagnação salarial e as remunerações do capital (incluindo o capital humano) têm subido significativamente. Em certo sentido, deste lado do mundo, os mais educados e mais ricos ficaram ainda mais ricos e os pobres ainda mais pobres.

No entanto, do outro lado do mundo, na China e na Índia, os salários têm aumentado e a pobreza tem diminuído, de forma sustentada e significativa. Os efeitos são, assim, exactamente simétricos no Ocidente e no Oriente.

Há também alterações nos preços dos bens: os bens industriais pouco sofisticados, intensivos em mão-de-obra menos qualificada, têm baixado de preço de forma muito clara. Da torradeira à televisão, os preços de hoje seriam impensáveis há dez anos. E, dentro em pouco, o preço de um carro utilitário e estandardizado irá pelo mesmo caminho. Tudo isto é positivo para todos os consumidores. Como os asiáticos têm melhorado a sua situação económica, deixando de passar fome, os preços dos bens alimentares têm subido (também por isso) de forma muito acentuada. Com a economia mundial a crescer a taxas nunca observadas, devido aos países asiáticos, o preço da energia tem igualmente aumentado. Estes efeitos podem ser desagradáveis mas acontecem por boas razões.

A teoria económica diz-nos que o comércio livre é benéfico para todos (mesmo para os mais pobres do Ocidente, por exemplo) se for acompanhado de medidas internas de redistribuição do rendimento. É necessário que os governos redistribuam os ganhos daqueles que beneficiaram com a globalização, para compensar aqueles que perderam com a maior abertura ao comércio.

Se esta redistribuição do rendimento é sempre difícil de pôr em prática, actualmente, a dificuldade é acrescida com a mobilidade internacional dos factores. Quanto maior for a mobilidade do factor, mais fácil é emigrar para o país com menores taxas de imposto e mais altas remunerações. E não estou a mencionar nada de ilegal ou sequer de ilegítimo. Genericamente, o capital é mais geograficamente móvel que o trabalho. Mas mesmo assim, há trabalhadores portugueses, por exemplo, que têm emigrado para Espanha.

Esta mobilidade internacional dos factores cria uma dificuldade adicional para tributar os rendimentos. Esta dificuldade de tributar é exactamente acrescida para os factores que mais ganharam com a mundialização das economias, porque são exactamente os mais móveis geograficamente.

Tudo isto conduz a seis observações a concluir. Primeiro, que a redistribuição do rendimento é necessária. Segundo, que essa redistribuição do rendimento dificilmente se fará por impostos directos e terá que se realizar pela despesa pública, redireccionando-a para aqueles que mais necessitam. Terceiro, que populismos sobre rendimentos de executivos apenas conduzem à sua saída, ficando o país menos apto a concorrer eficientemente nos mercados de alta qualidade (por alguma razão muitos dos nossos melhores jovens quadros estão a trabalhar em Londres e Madrid). Quarto, uma coordenação internacional na tributação directa é indispensável, para que a globalização seja social e politicamente sustentável. Quinto, fechar as fronteiras seria penalizar globalmente cada um dos países e, especificamente, os trabalhadores asiáticos.

Por último, a qualificação dos trabalhadores portugueses é ainda mais urgente para que eles façam parte dos ganhadores naturais da globalização.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Luís Cunha.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

UMA PROPOSTA QUE FAZ SENTIDO

«A Frente Sindical da Administração Pública (FESAP) propôs ontem ao Governo a transformação da ADSE num regime aberto. A ideia da FESAP passa por tornar este sistema de protecção social, de que beneficiam os quadros do Estado, acessível a todos os contratados, que neste momento descontam para a Segurança Social.

A FESAP pretende assim tornar obrigatória a inscrição na ADSE de "todas as pessoas contratadas para funções públicas, independentemente da natureza do seu vínculo", disse ao CM fonte da estrutura. Além de beneficiar um elevado número de funcionários, a alteração permitiria um reforço da sustentabilidade financeira da própria ADSE, uma vez que aumentaria o número de contribuintes a descontar para aquele regime, defendem.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Esperemos que a abertura manifestada pelo secretário de Estado tenha resultados.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

MENEZES NÃO RECEBE MANUELA FERREIRA LEITE

«O ainda presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, afirmou esta sexta-feira que receberá em Gaia todos os candidatos à liderança do partida, à excepção de Manuela Ferreira Leite.

“Se a dra. Manuela Ferreira Leite quiser vir a Gaia, tem a sede do partido à sua disposição e tudo farei para mobilizar os militantes para a irem ouvir. Mas, sinceramente, pessoalmente não estou interessado”, afirmou o também presidente da Câmara de Gaia. Nos últimos dias, o Menezes já recebeu os candidatos Santana Lopes e Passos Coelho.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Francamente, não se recebe assim uma senhora com aquela idade.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Menezes que em vez da sede do partido disponibilize uma sala de convívio de um lar da terceira idade.»

COINCIDÊNCIAS

«A história é conhecida de todos. Menos os pormenores. Nunes Correia, ministro do Ambiente, teve um desastre na A6, em Vendas Novas. Atrás dele ia o secretário de Estado João Ferrão, que não ia no carro do ministro porque não queria levar com o fumo do habitual charuto de Nunes Correia. Sorte a dele.

Quando o carro começou a derrapar e a dar umas violentas cambalhotas, Nunes Correia e a adjunta que o acompanhava ficaram presos pelos cintos de segurança de pernas para o ar. Quando o motorista os conseguiu libertar aconteceu o inevitável: caíram os dois. Nunes Correia, com uns peneus bem salientes, aguentou-se à queda. Pior ficou a adjunta. O ministro, mal saiu da viatura, molhado e ainda abalado com o acidente, olhou para o automóvel praticamente destruído, pôs a mão na chapa e exclamou: "Que belo carro."

O automóvel, diga-se, era um Toyota Lexus. Que obviamente salvou o ministro, a adjunta e o motorista. Mais tarde, já à saída do Hospital de Évora, Nunes Correia tinha outro carro e outro motorista à sua espera. O ministro olhou, voltou-se para o motorista do acidente, ainda abalado com o desastre, e disse-lhe com ar sorridente: "Vou consigo para casa." Foi um gesto bonito.

MAIS UM ACIDENTE

Borges foi o senhor que se seguiu

Foi uma sexta-feira fatídica na A6, perto de Vendas Novas. Pouco depois de Nunes Correia, ministro do Ambiente, ter tido o tão badalado acidente, António Borges, economista e mandatário de Manuela Ferreira Leite no distrito de Portalegre, despistou-se exactamente no mesmo lugar. As consequências não foram tão graves, mas António Borges não ganhou para o susto. No local ainda estava o motorista do ministro e a Brigada de Trânsito da GNR. Há dias.

TESTEMUNHA

Manuela viu tudo na A6

Atrás de António Borges e, claro, da comitiva do ministro Nunes Correia, circulava Manuela Ferreira Leite, candidata à liderança do PSD, que se deslocava a Portalegre para mais uma sessão de campanha eleitoral. Viu os carros do ministro e do seu apoiante fora de cena. E respirou de alívio.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Conclusão, só Manuela Ferreira Leite não se espetou.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vai espetar-se nas directas.»

O METRO DO PORTO DEVE ANDAR A BRINCAR

«A Metro do Porto vai ser alvo de uma penhora. A acção está marcada dia 28 deste mês. O valor dos bens a penhorar? Um euro... Precisamente a quantia que a empresa deve a um passageiro, Carlos Alves, desde Outubro de 2005. Há mais de dois anos e meio que a Metro foi condenada a pagar um euro, repondo a verba que o cliente tinha sido obrigado a desembolsar para substituir dois bilhetes (andante) que ficaram inutilizados sem razão aparente. Carlos Alves não se conformou, recorreu para os tribunais, e acabou por vencer a acção. Dois anos e meio depois de decretada, a sentença continua por cumprir.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Se os gestores do Metro do Porto tivessem que pagar do seu bolso todos os custos resultantes de um processo idiota há muito que teriam encerrado o caso. Mas como vivem à custa dos contribuintes podem andar a brincar aos tribunais.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demitam-se os responsáveis por este processo ter chegado ao ponto a que chegou, e solicite-se uma indemnização pelas perdas resultantes de uma gestão irresponsável.»

VIGARICE AUTÁRQUICA

«A nova Lei dos Serviços Públicos Essenciais, que entra em vigor no próximo dia 26, proíbe a cobrança de tarifas de aluguer dos contadores de água, electricidade e gás. A menos de duas semanas da sua entrada em vigor, as autarquias já encontraram forma de "contornar" a lei no caso da água nas facturas, a taxa de aluguer de contador muda de nome (ver infográfico) e aparece agora como tarifa de disponibilidade, de salubridade ou de conservação e manutenção dos sistemas. » [Jornal de Notícias]

Parecer:

Os autarcas esquecem que também são Estado e dão um mau exemplo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Corrija-se a lei de forma a que os autarcas se deixem de vigarices.»

NEM TUDO CORREU BEM À OPOSIÇÃO

«O primeiro-ministro afirmou esta sexta-feira que a descida da taxa de desemprego homóloga de 8,4 para 7,6 por cento, menos 0,8 por cento, foi a maior dos últimos oito anos em Portugal, noticia a agência Lusa. » [Portugal Diário]

Parecer:

Agora que a oposição já festejava com champanhe as consequências locais da crise económica estes dados do desemprego vieram estragar a festa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento à deputada do PSD que no parlamento falou em aumento do desemprego.»

MIMOS ENTRE PASSOS COELHO E SANTANA LOPES

«"Prefiro não ter experiência governativa do que ter a má experiência governativa que o dr. Pedro Santana Lopes teve", afirmou Pedro Passos Coelho aos jornalistas, à margem de um almoço com os seus mandatários do distrito de Lisboa.Pedro Passos Coelho respondia à ideia de que não está preparado para ser presidente do PSD e candidato do partido a primeiro-ministro em 2009 por nunca ter exercido funções de Governo. Pedro Santana Lopes defendeu quinta-feira à noite, no Porto, que "não é tempo para entregar a governação de Portugal a quem, por força das leis e das condições da vida, não teve ainda tempo para se preparar" e que "já chega de surpresas e de exercícios inesperados de poder". » [Público]

Parecer:

Santana já se esqueceu do espectáculo triste que deu.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Santana que quer mesmo levar outra abada.»

OBESOS CONTRIBUEM PARA A CRISE ALIMENTAR

«Um estudo conduzido por pesquisadores britânicos sugere que as pessoas obesas estão contribuindo para o agravamento da crise dos alimentos e a degradação do meio ambiente.

Os especialistas, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, calcularam que os obesos têm um consumo de calorias 18% maior do que a média. » [BBC Brasil]

DESPACHO DO SECRETÁRIO DE ESTADO FOI ESQUECIDO

«O Plano de Actividades da Direcção-Geral dos Impostos (DGCI) para 2008 foi publicado na Intranet deste organismo sem que dele constasse o despacho do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que o homologava, mas também onde este responsáveltecia várias recomendações aos funcionários do fisco para que estes fossem menos agressivos perante os contribuintes. O Ministério das Finanças diz que se tratou de um "lapso".

O despacho de Carlos Lobo já havia sido tornado público pelo Diário Económico. Segundo este jornal, no documento, o secretário de Estado pedia aos funcionários para serem menos agressivos e para que cumprissem, à risca, a lei. Carlos Lobo lembrava que "os serviços centrais da DGCI deverão elaborar e divulgar aos serviços não só instruções com fins de natureza operacional, mas também de índole técnico-jurídica, de modo a proporcionar uma actuação uniforme e uma efectiva e adequada aplicação da lei, para evitar a prática de actos diversificados e susceptíveis de prejudicar a imagem da administração fiscal". » [Público assinantes]

Parecer:

É o despacho mais idiota que alguma vez um SEAF escreveu.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se a infantilidade do advogado agora no desempenho de funções de secretário de Estado.»

TÍTULO 38

  1. O "Pensamentos" sugere a leitura do post "tempos de crise".
  2. O "Arquipélago" faz parte dos que apenas lêem o que lhes interessa para poder comparar-me ao Alberto João. Percebo que queria ver o país pelo cigarro de Sócrates, se assim não fosse tinha lido que já se escreveu sobre o assunto. Há sempre quem goste de ver apenas o que lhe dá mais jeito. Quanto à comparação com o Alberto resta-me evocar aqui uma célebre frase do Almirante Pinheiro de Azevedo.
  3. O "Alcáçovas" gostou de ver Sócrates transformado em vedeta internacional graças a um cigarro.
  4. O "Câmara dos Comuns" gostou de ler o comentário do Senhor Luís a propósito do cigarrinho.

NATIONAL GEOGRAPHIC: LIVING WITH VOLCANOES [imagens]

ALVOVE

COMO METER UMA MINI ESCAVADORA EM CIMA DE UM CAMIÃO

DESPINDO-A COM UMA MÁQUINA

CONVÉM AFASTARMO-NOS DE UM AVIÃO

ADEPTO DO RANGERS [imagens][imagens]

LOS COCHES