sábado, setembro 13, 2008

A "ajuda" de Cavaco Silva


Com um eleitorado `esquerda Cavaco Silva não se cansou de falar em “cooperação estratégica” e na possibilidade de “ajudar o governo” com a sua experiência enquanto economista, foi com estas duas promessas e graças à ausência de uma candidatura alternativa credível que chegou a Belém. Pelo caminho tinha ajudado a destruir Pedro Santana Lopes designando-o por “má moeda”.

Até ao momento Cavaco Silva tem feito uma presidência à medida das suas ambições políticas, mais preocupado com a realização do seu projecto pessoal de poder do que a pensar no país ou mesmo em ser um Presidente de todos os portugueses. Nunca foi solidário com as reformas difíceis com que concordo e que ele próprio não teve coragem de promover enquanto foi um primeiro-ministro que governava em função da sondagens. No início do mandato fez uns roteiros inconsequentes, ainda se criou uma fundação para combater a exclusão de que nunca mais se ouviu falar, mas acabou por aí o seu empenho na resolução dos problemas do país.

Na política externa, domínio em que sempre defendeu ter competências próprias, pouco ou nada tem feito, aproveitou o palco proporcionado pelos êxitos da Presidência Europeia e fez algumas viagens a destinos fáceis, aproveitando para fazer algumas peregrinações pessoais, mais parecendo que a política externa da Presidência da República é orientada por um Palácio de Belém que parece uma agência de turismo religioso.

O seu apoio às reformas (não necessariamente às políticas do governos) tem sido ambíguo, apoia-as timidamente se não sentir contestação social, de preferência longe do país. Fá-lo de forma genérica de forma a não perder simpatias eleitorais e perante audiências estrangeiras, como sucedeu agora na Polónia. Veja-se o caso das reformas da Educação, no início apoiou-as e até elogiou a ministra, mas quando as políticas sofreram contestação esfumou-se o emprenho do Presidente, nunca mais falou do sector e, tanto quanto me lembro, nunca mais foi visto numa escola.

E o que dizer da ajuda que tem dado no domínio da economia? Nunca disse de que reformas carecia o país, nunca se pronunciou sobre uma reforma em concreto e nunca se comprometeu com qualquer proposta governamental ou da oposição. Trata-se de um domínio eleitoralmente perigoso e a postura de Cavaco Silva é evidente, apoia os resultados e opta pelo silêncio durante a aprovação e lançamento das medidas. Desde que tomou posse nunca disse uma palavra pelo tema.

Se o eleitoralismo era uma tradição na governação com Cavaco Silva chegou à Presidência da República, todas as suas posições ou a sua ausência pautam-se por preocupações eleitorais, o Presidente da República só diz o que os eleitores gostam de ouvir, apoia timidamente o Governo quando este é simpático, desaparece nos momentos difíceis, se os problemas do país são os alhos ele prefere dissertar sobre os bugalhos. A relação entre a Presidência e o Governo é mais explicad pela evolução das sondagens do que pela Constituição da República, Cavaco apoia Sócrates quando isso lhe trás simpatias e afasta-se, desaparece ou questiona as medidas quando são antipáticas. Fala em privado quando isso lhe convém, recorre ao jornal Público quando quer pressionar o Governo.

A Presidência poderá dizer que opta por colaborar em privado mas os últimos tempos demonstram que Cavaco não hesita em recorrer à comunicação social para dar recados em público, principalmente quando estes ajudam a Manuela Ferreira Leite, aliás, já por várias vezes a líder do PSD teve a oportunidade de usar e antecipar as posições da Presidência da República, aconteceu com os números das obras públicas e com o Estatuto dos Açores. Das quatro vezes que Manuela Ferreira Leite apareceu foi para antecipar o que Cavaco Silva ia dizer poucos dias depois.

Se Cavaco preferia o silêncio das reuniões com Sócrates isso só sucedeu até que o silêncio da Manuela Ferreira Leite se tornou evidente, à medida que a líder do PSD desapareceu Cavaco Silva aumentou o ruído animando a oposição da direita que passou a viver a agenda e entretendo a comunicação social que quase esqueceu Manuela Ferreira Leite. Se com o Governo a famosa “cooperação estratégica” nunca foi visível, com Ferreira Leite é cada vez mais evidente, até se tem a sensação de que as intervenções de ambos são combinadas e devidamente agendadas.

A dúvida está em saber se Cavaco Silva aposta nesta estratégia até às eleições legislativas ou se está apenas preocupado em lançar Manuela Ferreira Leite nas sondagens, salvando a sua amiga e criando condições a prazo para deter a Presidência e o Governo. Se este for o objectivo de Cavaco Silva isso significa que num momento crítico para o país, que enfrenta uma grave crise internacional, o Presidente da República não hesita em apostar numa crise interna que se pode prolongar por mais de dois anos, até que consiga instalar Manuela Ferreira Leite no poder.

Se este for o objectivo Cavaco Silva poderá salvar o seu partido, mas fá-lo à custa do país e, muito provavelmente de si próprio já que dificilmente conseguirá renovar o seu mandato. A não ser que Cavaco Silva não tenha por objectivo permanecer em Belém e está a fazer os possíveis para que o PSD governe quando deixar Belém.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura-

FOTO JUMENTO

Alfama, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Gary Hershorn-Reuters]

«The moon rises over lower Manhattan as the "Tribute in Lights" comes into view on the evening of the seventh anniversary of the attack on the World Trade Center in N.Y.» [Washington Post]

JUMENTO DO DIA

Cavaco Silva

Começa a entender-se o silêncio de Manuela Ferreira Leite, já que as suas intervenções são, em regra, desastres políticos, Cavaco Silva chamou a si o papel de oposição política, ainda por cima com a capacidade para desestabilizar o país, vai à Polónia elogiar as reformas feitas pelo Governo e quando regressa ao país desata em actos de hostilidade. Ontem o país discutiu o comunicado a propósito das declarações do ministro da Administração Interna, hoje dá uma entrevista ao Público para fazer ameaças ao Parlamento.

Para Cavaco já pouco interessa a estabilidade política, não receia as consequências de acumular a instabilidade política com uma grave crise internacional, para o Presidente o poder pessoal está acima disso e a possibilidade de acumular a Presidência com uma falsa primeira-ministra está a levá-lo a ultrapassar todos os limites do aceitável.

Nunca um Presidente desceu tão baixo na nossa democracia parlamentar, recorrendo ao blogue não oficial de Belmiro de Azevedo onde, numa entrevista que parece combinada, fazer ameaças ao Parlamento. Será que Cavaco está convencido de que vive num regime presidencial?

A FAMÍLIA SOCIALISTA

«De facto, não é fácil perceber. Quando há um par de meses Manuela Ferreira Leite afirmou numa entrevista à TVI que o casamento visa a procriação, baseando nisso a sua recusa do casamento das pessoas do mesmo sexo, o líder parlamentar do PS, Alberto Martins, certificou, com escândalo e mofa, não ser essa a concepção dos socialistas. Esqueceu-se porém de clarificar qual é, ao certo, a concepção de casamento e de família dos socialistas. Os mesmos socialistas que recusaram, na lei da PMA, permitir a uma mulher "sem homem" o recurso à inseminação artificial mas que defendem para a mulher o direito de abortar por sua vontade até às 10 semanas, os mesmos socialistas que recusam uma concepção "anacrónica do casamento" na nova lei do divórcio (e desafiam nisso o Presidente da República) mas andam há anos a driblar o assunto do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Por mais que se repita que estas questões "não são prioritárias" (e ainda alguém há-de explicar porquê) seria conveniente vislumbrar alguma coerência naquilo que sobre elas pensam. Sobretudo quando aqui ao lado um primeiro-ministro socialista em segundo mandato anuncia são só uma alteração à lei do aborto como uma lei que permita o suicídio assistido - e isto quando a recessão económica em Espanha acaba de ser declarada. Afinal, os assuntos ditos "não prioritários" - que têm a ver com a liberdade individual nas opções mais íntimas da vida e incluem as tais "concepções de família" -, e as opções políticas que sobre eles se fazem desempenham um papel cada vez menos irrelevante na definição do que afinal é a família socialista - quem lhe pertence, o que quer, para onde vai.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

O FIM DA NOSSA HISTÓRIA?

«Portugal está sem destino. Deixou de ser um país colonial. Já não é um "bom aluno da "Europa". Pior ainda, apesar de muito esforço e muita propaganda, não se conseguiu "modernizar". O "atraso" continua e até aumentou. Não se vive hoje como se vivia durante Salazar, mas também não se vive numa mediocridade tranquila. Pelo contrário, o mundo muda e a insegurança cresce. O mundo muda e Portugal não se adapta: o desemprego cresce; as pensões diminuem, a educação é um artifício, o serviço de saúde vai pouco a pouco empobrecendo e a fisco oprime toda gente. No meio disto, o país não quer, nem está à espera de nenhuma reviravolta dramática. A "Europa", por que antigamente suspirava, obriga à imobilidade. É uma espécie de paragem definitiva, para além da qual nada existe - é pelo menos, por enquanto, um verdadeiro "fim da história".

De resto, trinta e tal anos de regime criaram um cinismo político geral. À volta do PS e do PSD há meia dúzia de fanáticos, que ninguém leva a sério, e uma corte de carreiristas, que ninguém respeita. Tendo governado o país simultânea ou alternadamente, nem o PS nem o PSD inspiram hoje qualquer confiança. Colonizaram o Estado e a administração local por interesse próprio e cometeram (ou permitiram que se cometessem) erros sem desculpa. Desorganizaram a sociedade, ou mesmo impedirem que ela se fosse por sua vontade organizando, e levaram Portugal a uma espécie de paralisia de que não se vê saída. Apesar de um ou outro protesto melancólico e corporativo, o público já não se interessa pelo seu futuro, ou pelo seu presente, colectivo.

Nem Sócrates, nem Ferreira Leite percebem, no fundo, o que se passa. Sócrates persiste em repetir a sua velha ladainha, inteiramente desacreditada, com o entusiasmo de 2006. Ferreira Leite (a "tia Manuela", como agora popularmente lhe chamam) critica a evidência e recomenda os remédios do costume. Cada um à sua maneira, os dois falam uma nova "língua de pau", que os portugueses não ouvem ou que não registam. Talvez por isso, não falam muito e quando falam, excepto pelas querelas de partido e pelo vaguíssimo contraste entre o maior "liberalismo" de Ferreira Leite e o improvisado "neo-keynesianismo" de Sócrates, concordam no essencial. O PS e o PSD são o regime e não podem ou tencionam tocar no regime. A reforma de Portugal, se por absurdo vier, não virá dali.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Vasco Pulido Valente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

VITÓRIA OU MORTE

«Há pouco mais de um ano, António Costa apresentou-se às eleições com uma estratégica "socrática": o PS deve ser o "partido natural de governo" do município, contrapondo-se a forças políticas à sua direita e à sua esquerda, sendo capaz de atrair independentes de várias proveniências ideológicas e de várias gerações, unidos num projecto reformista e de saneamento financeiro, com coragem e determinação. Aspirava à maioria absoluta de mandatos.

A estratégia teve êxito na captação de apoios - a equipa de mandatários, por exemplo, exprimia de forma clara a concretização com sucesso da estratégia. Mas a especificidade do eleitorado lisboeta, o momento muito negativo do ciclo político do Governo que se vivia em meados de 2007, a surpreendente resiliência de Carmona Rodrigues, a menor presença de voto de protesto contra o PSD do que se antecipava e um conjunto de outros factores tiveram como consequência que, em número de vereadores, o PS ficou claramente aquém do que esperava e do que a consistência das políticas e das estratégias justificaria.

Por isso o PS em Lisboa entrou "socrático" na sexta-feira que antecedeu as eleições e acordou "costista" na segunda-feira de manhã. A tendência natural de António Costa sempre foi - é sabido - a frente popular à portuguesa, que Jorge Sampaio concretizou, ganhando assim a Marcelo Rebelo de Sousa as eleições que iria perder se o não fizesse. Essa foi uma e a primeira das razões pelas quais, no dia 16 de Julho, segunda-feira, após a eleição da véspera, logo às 9h00 da manhã, mandei entregar a José Sócrates em S. Bento uma carta em que pela primeira vez lhe dizia que talvez fosse melhor deixar-me sair do projecto da frente ribeirinha para que me convidara uns meses antes.

Com seis mandatos em 17 na vereação, "impedido" de se aliar ao "pestífero" Carmona, com Roseta radical como sabe e gosta de ser, com as feridas do "alegrismo" ainda vivas, sem poder trabalhar com o PSD, com o PCP - que não brinca em serviço e sabe que em Lisboa ainda é forte - renitente a pedidos de namoro sem consequências, o objectivo passou a ser claro: "nenhuns inimigos à esquerda" e ordem de batalha em três etapas, com o objectivo de que, no Outono de 2009, a esquerda possa enfrentar unida as eleições. Pela frente irá ter um bloco liderado pelo PSD, que entretanto naturalmente pode absorver o voto "carmonista" e lançar um candidato com experiência autárquica, visibilidade mediática, e que possa abrir a sectores envelhecidos da população.

A primeira etapa foi engolir Sá Fernandes. Tarefa relativamente fácil, que ele estava ansioso por ser engolido. Durou um ano. Agora entrou-se na segunda fase: seduzir Helena Roseta, condicionada, além do mais, pela reforma da legislação autárquica que PS e PSD vão implementar para se defender. A terceira etapa, mais à boca das urnas, é integrar no projecto o PCP, desta vez com mais realismo, entregando-lhe poder a nível de freguesias, de cultura e de outras áreas que lhe interessam em especial, o que o PS vinha recusando.

A jogada foi de mestre. Na abertura do ano político, Roseta e a sua gente aceitaram passar o Rubicão. E, como Artur Portela escrevia - quiçá sem razão - da ala liberal marcelista nos anos 70 (o destino dos afluentes é engrossar a corrente do rio), podem dizer o que disserem que ninguém se equivoca: Roseta voltou a entrar nos carris e ser-lhe-á destinado um papel na coligação de esquerda, até porque um plano de habitação local a começar em Outubro de 2008 não estará executado em 2009...

A jogada foi de mestre, também, porque Costa passou a ter - no crucial ano que antecede as eleições - uma maioria na vereação, que lhe permitirá resistir ao natural "filibusteirismo" das oposições contra as políticas populares com que vai tentar reforçar as condições para uma vitória... que passará a só ser possível por maioria absoluta de vereadores.

Favas contadas, portanto? Infelizmente para ele, talvez não. Por um conjunto de três razões, nenhuma delas dependendo da sua acção. O grande problema das lúcidas e transparentes estratégias ideológicas é que queimam todos os barcos e passam a depender demasiado de factos de terceiros.

Em primeiro lugar, Costa fica muito refém da estratégia de Sócrates. Se este continuar a ter uma estratégia "socrática", com inimigos à esquerda e à direita, se apostar na maioria absoluta sem coligações pré ou pós-eleitorais, antecipo dificuldades para que o Bloco Esquerda se entregue, esvaído, qual "berloque de esquerda", nos braços doces e fortes do "costismo". Se o fizer, pode cair na armadilha em que o PCP caiu com Sampaio e o PCF com Mitterrand: trocar o farnel próprio por um prato de lentilhas... e acabar a passar fome.

Depois, o PCP. Nunca, há pelo menos 20 anos, o PCP esteve tão perto de consolidar-se como o bloco liderante da esquerda, apesar das cócegas e das pequenas caneladas da esquerda-caviar. A estratégia "nenhum aliado à direita" e o PS como inimigo principal - sobretudo por causa do descontentamento com as reformas - está a dar frutos. E Lisboa valerá uma missa, ainda por cima sendo para entronizar o rei dos outros? Admito que o PCP possa vender cara a aliança e que a não faça.

Depois o PSD: em Lisboa, sem aliança PS/PC, a direita unida tem ganho sempre. Paradoxalmente, o PSD não precisa de maioria absoluta. Basta que dê pelouros ao PCP e que ambos a nível nacional ataquem, cada um pelo seu lado, o PS. A música era boa e o tempo até melhorou. Talvez Fernando Seara só por isso tivesse estado na Festa do Avante. Vá lá saber-se...»
[Público assinantes]

Parecer:

Por José Miguel Júdice.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

MAIS UM CANDIDATO PARA LIDERAR O PSD

«Nuno Morais Sarmento foi de férias para Moçambique. Mas deixou uma bomba para rebentar ao retardador. Numa entrevista a ser publicada amanhã no semanário Expresso, o antigo ministro da Presidência dos governos de Durão Barroso e de Santana Lopes assume que um dia poderá vir a liderar o PSD.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Mais uma facada em Manuela Ferreira Leite.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Será que ninguém no PSD acredita na vitória eleitoral?»

CAVACO DIZ QUE NÃO TENSÃO COM O GOVERNO

«O Presidente da República, Cavaco Silva, negou hoje, em Vila Real, qualquer tensão com o Governo e Parlamento por causa dos Estatutos dos Açores e disse que ainda ontem trabalhou com o primeiro-ministro, José Sócrates.Questionado pelos jornalistas sobre um alegado "clima de tensão" com o Governo e Parlamento devido ao Estatutos dos Açores, o Presidente da República disse que as perguntas "não têm razão de ser". Cavaco Silva admitiu hoje, em entrevista ao PÚBLICO, utilizar o veto político se as alterações ao Estatuto dos Açores não responderam às suas dúvidas e divergências sobre o equilíbrio de poderes entre os órgãos constitucionais.» [Público]

Parecer:

Por este andar não vai haver tensão nem nada.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Cavaco que actue com mais transparência e se deixe de gerir tensões.»

JUIZ BONDOSO

«Mais do que valorizar o crime de homicídio na forma tentada, o juiz algarvio que na tarde de quarta-feira mandou em liberdade o homem que, no interior da esquadra da PSP de Portimão, atingiu outro com três tiros entendeu que o agressor tinha motivos para temer pela sua segurança. Das medidas de coacção que lhe podiam ser aplicadas a mais severa de todas era a prisão preventiva, mas acabou por ser contemplado apenas com um termo de identidade e residência bem como apresentações diárias na polícia.» [Público assinantes]

Parecer:

Nunca os juízes portugueses foram tão bondosos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Coloque-se o despacho do juiz na página d Associação Sindical dos Juízes.»

GOVERNO ESPANHOL VAI PLANTAR 45 MILHÕES DE ÁRVORES

«O governo espanhol anunciou nesta sexta-feira que vai plantar 45 milhões de árvores em pouco mais de três anos para reflorestar 61,3 mil hectares de território e lutar contra as mudanças climáticas que afetam o planeta.» [BBC Brasil]

Parecer:

Pode ser que se engane e plante algumas deste lado da fronteira.

SACERDOTE AMERICANO APANHADO A VENDER COCAÍNA NUM CAMPUS UNIVERSITÁRIO

«Un sacerdote católico de la Universidad de Illinois se enfrenta a una pena de 30 años de cárcel, tras ser detenido y acusado de vender cocaína en el campus, informaron este viernes medios locales. Cristopher Layden, de 33 años, fue detenido el pasado miércoles, después de que la policía encontrara tres gramos de cocaína en un registro al Centro Católico St.John y en la propia residencia del sacerdote en la rectoría del campus, según informa el diario Pantagraph, de Illinois. » [20 Minutos]

O JUMENTO NOS OUTROS BLOGUES

  1. O "Toda a mulher adora receber flores" gostou da fotografia de Kat Love.
  2. O "Colheita 63" também acha que a cooperação estratégica entre Cavaco e Sócrates já foi.

A NASA EVOCA O 11 DE SETEMBRO COM IMAGEM [Link]

AGATA FITAS

ESPERA A!

EMENTA

via

SHIT FOIUNTAINE

OXYDO

sexta-feira, setembro 12, 2008

Silêncios


Não deixa de ser curioso que ande tanta gente preocupada com o silêncio de Manuela Ferreira Leite, quando, na verdade, quase todos os dirigentes políticos estão a evitar as suas aparições em público. A única excepção é Jerónimo de Sousa, precisamente aquele que, através do jornal Avante, mais se queixa de os órgãos de comunicação social o boicotarem, atitude que até se compreende, as iniciativas do PCP são tantas que se os jornais e televisões lhe desse a cobertura desejada passariam a designar-se por Avante n.º2, Avante n.º 3 e por aí adiante.

Sócrates, que é acusado por um PSD inspirado em Pacheco Pereira, de manipular a comunicação quase não apareceu desde que regressou de férias, qualquer pilha-galinhas que ande a roubar caixas do Multibanco tem tido mais tempo de antena. Até chego a pensar que Sócrates manipula a comunicação social para aparecer pouco e sem ter que responder a muitas perguntas. Até o imagino a telefonar para o Pinto Balsemão ou para a Manuela Moura Guedes a pedir que não encontrem, tudo gente oprimida pela asfixia constitucional promovida pelo primeiro-ministro.

No caso de Paulo Portas o desaparecimento é tão evidente que já se justifica pedir à polícia inglesa que nos volte a emprestar o ‘Eddie’ e a ‘Keela’ (na fotografia), os cães pisteiros que especialistas em encontrar gente com cheiro a morto. O facto é que a ausência de Paulo Portas tem sido tão prolongada que o líder do PP já deve ter poupado uns milhares, só em camisas, fatos e gravatas. Ainda por cima, nem se queixa de andar a ser boicotado pela comunicação social controlada e asfixiada por Sócrates.

O próprio Louçã, que dantes quase não dormia a pensar na anedota com que haveria de cativar a atenção da comunicação social no dia seguinte, anda muito parco em aparições. Louçã e o Bloco de Esquerda andam tão desaparecidos que ainda alguém se vai lembrar de fazer um abaixo-assinado para que Ana Drago volte a aparecer. Enfim, já que Louça não quer aparecer…

Enfim, um dia destes aparecem todos e ainda vamos ter saudades dos tempos em que Manuela Ferreira Leite andava desaparecida e evitava abrir a boa, seguindo a sabedoria popular porque estamos no tempo das moscas.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

Convento da Arrábida

IMAGEM DO DIA

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[Rebecca Blackwell-AP]

«Girls hold hands to keep balanced while walking the rails of flooded train tracks in Thiaroye Sur Mer, Senegal. Heavy rains have caused flooding across West Africa, displacing families and leading to outbreaks of water-borne diseases such as cholera.» [Washington Post]

JUMENTO DO DIA

Cavaco Silva

Já toda a gente percebeu o empenho de Cavaco Silva e dos seus assessores na sobrevivência eleitoral de Manuela Ferreira Leite, é evidente que a líder do PSD tem intimidades suficientes em Belém para antecipar as posições oficiais de Cavaco Silva. Só assim se entende a rapidez com que o Presidente da República respondeu a uma suposta crítica de um ministro, procedimento pouco adequado, o melhor teria sido o Presidente pedir esclarecimentos a Sócrates e só depois tomaria uma posição.

Mas Cavaco preferiu responder taco a taco abrindo as hostilidades. Talvez o ministro da Administração Interna não tivesse a intenção mas é um facto que Cavaco e os seus brilhantes assessore caíram na casca de banana. Lá se foram os bons princípios de Cavaco, a sua disponibilidade para ajudar e a famosa cooperação estratégica.

O REAPARECIMENTO REPENTINO DE FERREIRA LEITE

Em dia de aparente conflito institucional entre Governo e Presidente, que até motivou um comunicado da Presidência da República, Manuela Ferreira Leite agenda uma conferência de imprensa, mantendo o segedo quanto ao tema.

Desiludiram-se os que pensavam que Ferreira Leite iria falar do incidente motivado pelo ministro da Administração Interna, afinal a líder do PSD veio falar de uma suposta intenção do PS de acabar com os votos dos emigrantes por correspondência. Um tema importante? Não, o que, afinal, Ferreira Leite tentou foi dar ares de que a sua agenda não depende da Presidência da República. Mas os jornalistas não perceberam e lá fizeram o frete de ir a uma conferência de imprensa sem qualquer conteúdo.

QUANTO CUSTA O LITRO DE DEMOCRACIA

«O petróleo está outra vez mais barato. E já nos sentimos menos angustiados quando vamos a uma área de serviço. Mais barata, a gasolina é mais democrática - independentemente do número de octanas. Mas a democracia, hoje em dia, está a ficar parecida com uma bomba de gasolina. Se o preço do combustível subir muito, os camionistas bloqueiam estradas, a economia mete a marcha-atrás, o consumidor fica aflito - e os governos entram em pânico. Felizmente para todos, o século XXI trouxe uma grande invenção, que é a democracia a gasóleo. Angola ou Rússia são bons exemplos desse tipo de democracia. Tal como a gasolina pode ser medida em octanas, essas "democracias" são medidas através da incidência do partido no poder. Nas primeiras eleições em 16 anos, verificou-se que a democracia angolana tem agora 82 por cento de índice de partido no poder. Na Rússia, esse índice anda à volta dos 70 por cento. O ponto comum aos dois regimes é, evidentemente, serem movidos a petróleo.

Por isso é interessante perguntar quanto custa o litro de democracia nos dias que correm. Em Angola, os observadores da União Europeia declararam que as eleições não foram livres nem justas, mas decorreram num clima de serenidade, apesar de tudo. Já o nosso Presidente, o nosso primeiro e o nosso presidente da Comissão Europeia foram mais entusiásticos. Em particular o nosso primeiro, que se declarou "satisfeito" com um processo que considerou "transparente, livre e democrático". E se fosse ali no Beato (onde em tempos se imaginou que havia petróleo) valeria aquela coisa de não haver cadernos eleitorais ou boletins de voto suficientes? É tudo uma questão de critério. As eleições angolanas foram consideradas um exemplo para África porque, ao contrário do Quénia e do Zimbabwe, lá não dão pancada na oposição. Mas, ao contrário do Quénia e do Zimbabwe, a oposição não estava em posição para ganhar.

O preço da democracia em África, portanto, é barato. Num certo sentido, é possível pensar que o preço da democracia estará cada vez mais indexado ao preço do crude. Se não dependesse tanto do petróleo e do gás russos, a UE estaria a usar outro tom com Moscovo. Mas que capacidade de resistência teriam as democracias europeias se a Rússia cortasse a torneira do combustível este Inverno?

A crise actual é o resultado de um processo que está virado do avesso há muito tempo - basta lembrar o Kosovo. Só se ouve falar na importância da adesão da Geórgia e da Ucrânia à NATO. No entanto, como muitos analistas têm defendido, o importante é alargar mais para leste a União Europeia e não a NATO. Mas a Europa não dará um passo em relação a Kiev, por causa dos russos. E isso mesmo com Moscovo isolada - até agora só a Nicarágua reconheceu a independência da Abkházia e da Ossétia do Sul. Enquanto os EUA falam cada vez mais na expansão da NATO na Europa, os europeus falam cada vez menos no alargamento da UE.

Há dias, o colunista do Financial Times Gideon Rachamn escreveu que defender a democracia na Ucrânia e na Geórgia "é uma forma de manter a esperança que a Rússia, um dia, vire as costas ao autoritarismo". Aproximar a Ucrânia da UE permite manter viva a expectativa, de que a Rússia deixe um dia de ser imune ao contágio democrático. No longo prazo, o que conta é a forma como a Rússia evoluirá, mas isso deixou de ser uma preocupação.

A nossa convicção na democracia parece estar a desaparecer. E isso enfraquece o peso da UE a nível global. Estamos menos dispostos a dar o litro pela democracia, em nome do realismo do litro de gasolina. E o que acontecerá quando o litro de democracia ficar demasiado caro?» [Público assinantes]

Parecer:

Por Miguel Gaspar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

CAVACO E OS SEUS ASSESSORES ESTÃO MUITO SENSÍVEIS

«O Presidente da República emitiu ontem um comunicado dizendo que o exercício dos seus poderes constitucionais "não pode, em caso algum, ser entendido como um factor de atraso na entrada em vigor de diplomas legais, nem pode justificar o retardamento da concretização de medidas de governo". Em causa estão declarações, anteontem, na Assembleia da República, do ministro da Administração Interna.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Nem leram bem as declarações do ministro.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Cavaco que se informe melhor.

VALENTIM LOUREIRO PEDE QUE LHE CORTEM O PESCOÇO

«Valentim Loureiro disse esta quinta-feira que lhe podem cortar o pescoço se se provar «um cêntimo de prejuízo» para a Câmara de Gondomar no caso do complexo desportivo em Rio Tinto, que deu origem a mais uma acusação contra o autarca, noticia a Lusa.

«Cortem-me o pescoço se um dia se provar que houve um cêntimo de prejuízo para a câmara neste processo. Podem-me cortar o pescoço, que eu faço uma carta a dizer que o autorizei», afirmou o presidente da Câmara de Gondomar, em conferência de imprensa. » [Portugal Diário]

Parecer:

Uma excelente ideia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Compre-se a faca.»

O JUMENTO NOS OUTROS BLOGUES

  1. O "Alcáçovas" também gostou dos cartoons do Raim's Blog.
  2. O "Pátio das Conversas", "A Sombra do Convento", o "Câmara de Comuns" e o "Lusitânia Insólita" vão apostar no novo jogo da Santa Casa.
  3. O "Colheita 63" deu destaque ao comentário a propósito da globalização das ideologias.
  4. O "Photomics" elogia O Jumento. Trata-se de um blogue temático dedicado à foitografia que passarei a acompanhar a partir da lista de links.

ATLETAS PARAOLÍMPICOS [imagens]

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