sábado, outubro 18, 2008

Orçamento, eleitoralismo e hipocrisia


Se recuarmos no tempo e relermos as exigências da oposição este orçamento seria considerado o OE que mais foi de encontro ao que a oposição tem exigido.

O PSD exige crescimento económico, preocupação com os pobres e menos impostos? Foi isto que o OE deu, reduções nos impostos, aumento das prestações para os mais pobres, manutenção dos investimentos do Estado.

O PCP quer aumento dos vencimentos, manutenção do emprego público e mais emprego no sector privado? Aí está tudo o que o PCP e o BE exigiram, não há novas medidas de reforma para o Estado, um aumento significativo para os funcionários e o lançamento de obras públicas que vão criar emprego de fatos de macaco a lembrar a cintura industrial de Lisboa.

Só que há um pequeno senão, para o ano há eleições para tudo e mais alguma coisa e o ideal seria o governo não ter dado ouvidos aos apelos de Cavaco Silva e das oposições, deveria ter esquecido as eleições, os pobres e a crise e prosseguido as reformas. Mas não o fez, optou por fazer a vontade ás oposições, foi eleitoralista.

O orçamento ideal não era este, deveria prosseguir na linha da obsessão orçamental, limitar os aumentos dos vencimentos a níveis inferiores abaixo da taxa de inflação, suspender as obras públicas e aumentar os impostos onde ainda houvesse margem para o fazer. Assim sim , teríamos um orçamento, sério, rigoroso e não eleitoralista.

Manuela Ferreira Leite bater-se-ia por reduções de impostos, retratar-se-ia junto dos funcionários públicos fazendo-os esquecer da forma canalha como foram tratados pelo governo de Durão Barroso, proporia redução de impostos da mesma forma que já se esqueceu de quando reteve abusivamente o iva dos exportadores para ajeitar o défice. Quase aposto que até encontraria solução para avançar com algumas obras públicas, para que a economia não resvalasse para a recessão.

Jerónimo de Sousa denunciaria o aumento do desemprego causado pela quebra dos investimentos do Estado, apareceria à frente das manifestações da função pública (como já o fez no passado) a exigir melhores vencimentos e promoveria umas manifestações organizadas pelos seus reformados que exibiriam bandeiras negras contra a fome.

Como o OE contém quase tudo o que a oposição exigia é eleitoralista. Até têm razão. As exigências da oposição são feitas a pensar votos, portanto, se Sócrates dá aquilo que a oposição exigia com objectivos eleitoralistas está igualmente a ser eleitoralista.

A verdade é que Sócrates tratou o cão com o pêlo do próprio cão e, como tem sido habitual, foi brindado com a ajuda resultante da incompetência das oposições. Em vez de apresentar exigências para o OE retirando a autoria das medidas a Sócrates a líder do PSD optou pela letargia silenciosa, andou mais preocupada com a escolha de Santana para candidato a Lisboa do que com o OE. Jerónimo de Sou optou por dar um ar mais sério e deixou de organizar manifestações com tiques neo-fascistas, como as esperas ao primeiro-ministro e as falsas manifestações espontâneas à porta do PS, ainda por cima tem andado atarefado a assegurar que todas as teses serão aprovadas pró unanimidade no próximo congresso. Louça deixou de ter anedotas novas e Paulo Portas parece que anda fugido.

Sócrates deu o que a oposição exigiu mas deixou de o fazer quando se aproximou a temporada orçamental. Agora queixam-se de eleitoralismo e até têm razão, só que dos parvos não reza a história e em matéria de oposição os líderes dos partidos dessa mesma oposição foram mesmo parvos, como se diz na gíria “foram comidos por parvos”.

Nem Cavaco Silva se escapou, com tanto apoio aos pobrezinhos vai ter que apoiar o OE ou calar-se, afinal, Sócrates até alabardou o burro à vontade do dono.

Umas no cravo e outras tantas na ferradura

FOTO JUMENTO

O ilusionista Peter Werdell no Chiado
(Lisboa Mágica World Festival)

IMAGEM DO DIA

[Linda Davidson-The Washington Post]

«Reporters intently watch the final presidential debate live in an adjacent media filing center at Hofstra University in Hempstead, N.Y. » [Washington Post]

JUMENTO DO DIA

Manuela Ferreira Leite

Horas depois da divulgação (de pelo menos metade) do OE já Manuela Ferreira Leite chumbava o documento pelo que a divulgação temporã de que o PSD vaio votar contra não é novidade. Nem sequer são novidades o argumentos que fundamentam essa posição, acusar o OE de ser eleitoralista e de que foi feito de trás para a frente tanto se pode usar para o OE como para a posição do PSD que a um ano das eleições não poderia ser outra.

Só que a estratégia do PSD poderia ser inteligente e mais séria. Seria mais séria se estudasse o documento e só depois tomasse posição. Mais inteligente se fizesse a comunicação social esperar pela posição, não gastando todos os cartuchos antes de um debate onde a posição do PSD será desvalorizada pois esgotou-se ainda antes de começar.

Depois do silêncio é a busca do mediatismo que trai Manuela Ferreira Leite que é tão séria a analisar o OE como a escolher o candidato à autarquia de Lisboa.

UM PAÍS RIDÍCULO

Só num país ridículo, diria mesmo muito ridículo, é que uma PJ vai investigar os agentes dos GOE que resolveram o sequestro na agência do BES, visando acusá-los de homicídio. Se fosse o MP a tomar a iniciativa ainda se compreenderia, cabe à PGR velar pelo respeito da liberdade democrática, ma ser uma polícia a tomar a iniciativa de investigar outra é demais.

É tempo de os senhores da PJ deixarem de se comportar como monopolista do combate ao crime, pois como se tem visto, como sucedeu com o caso da vigilâncias ilegais, esta polícia está longe dos padrões de qualidade que seriam de esperar. É tempo de a PJ fazer seus os resultados de outras entidades e de usar os seus poderes para perseguir outras forças policiais cujo prestígio a incomodem.

Se a PJ quer prender homicidas então que prenda os que andam por aí à solta porque a PJ não conseguiu resolver os casos, como o da jovem que foi assassinada em Sacavém. Em vez de se preocupar com o sucesso das outras polícias que se preocupe com os seus insucessos.

A LEI QUE RENDE INJUSTIÇA

«Numa altura em que se discutem as rendas "incrivelmente" baixas das casas da Câmara de Lisboa, um diploma com três anos atenta olimpicamente contra o princípio da igualdade. E, já agora, da racionalidade: como pode um Governo dizer que quer incrementar o mercado de arrendamento quando mantém em vigor uma lei que decreta a perseguição e o sacrifício dos senhorios? Não é preciso decerto ser constitucionalista nem sequer jurista para perceber que estamos perante uma aberração jurídica. O NRAU é uma obscenidade em forma de lei, uma lei que rende injustiça. E se nunca é tarde para reconhecer erros, a sua revogação virá sempre tarde de mais.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

CRISE FINANCEIRA

«Sabem os peritos o que é a crise? Depois de milhares de explicações parece que não. Os mais fracos confessam. Um ou outro admite que ninguém sabe verdadeiramente o que se passa
Ontem pelo mundo inteiro as bolsas caíram. Hoje, quinta-feira de manhã, continuam persistentemente a cair. O que quer isto dizer? Que os "planos" da "Europa" e da América não fizeram qualquer efeito? Que é preciso tempo para fazerem efeito? Que estão errados? Que são irrelevantes? Sabem os peritos o que é a crise? Depois de milhares de explicações, parece que não. Os mais fracos confessam. Um ou outro chega a admitir que ninguém percebe verdadeiramente o que se passa. Um economista célebre dizia anteontem na CNN: "Talvez meia dúzia de pessoas..." Talvez. Talvez nem isso. Até porque parte do problema está escondido. O crédito "tóxico" (que extraordinário eufemismo) foi criado e negociado à margem da contabilidade "respeitável" para uso externo. Onde pára, quanto pesa, que espécie de caos vai provocar? Não perguntem.

Estranhamente, a perplexidade geral beneficiou os políticos. Em Portugal, Sócrates, muito apertado, e em risco de perder a maioria, emergiu de repente como uma espécie de "pai da pátria", tranquilizante e forte. Em Inglaterra, Gordon Brown, em vésperas de uma derrota histórica, produziu um plano "salvador", convenceu a "Europa", impressionou a América e passa agora (desconfio que por dias) pelo génio providencial do Ocidente. Sarkozy, que ainda andava há meses pelas ruas da amargura, resplandece em reuniões sobre reuniões, como se dele (ou delas) dependesse alguma coisa. A crise acabou por se tornar a salvação dos políticos falhados. Correndo gravemente de Paris para Bruxelas, de Bruxelas para Londres ou de Londres para Washington, falam e voltam a falar e a plebe, apavorada, que sempre os detestou, acredita neles.

Pior do que isso, a gente do poder e a que mandou na economia e nas finanças durante 30 anos pede "confiança". É preciso "confiança"; a "confiança" é essencial; a "confiança" é, garantidamente, a redenção. Mas "confiança" em quê e em quem? Não com certeza num sistema que se derreteu e numa ordem global insustentável e absurda. Não num sistema "regulamentado", na essência, por quem dirigiu este. E em quem? Nas virtudes de entidades como o "povo", a nação - e o contribuinte? Também não. A "confiança" que se pede é precisamente entre os mesmos beneméritos da política e das finanças, que organizarem e provocaram o desastre. Para os "negócios" recomeçarem, tranquilamente, como dantes. Só que desta vez não irá ser tão fácil.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Vasco Pulido Valente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

VERDADE OU POESIA

«A um ano das eleições legislativas, o PSD tem de clarificar se quer ir a jogo com Manuela Ferreira Leite ou não

Os antigos escolhiam os chefes que eram capazes de fazer chover e de conseguir outros milagres aparentes. Ou, numa versão mais laica, escolhiam para os dirigir os que pareciam ser bafejados pela sorte (ou pela fortuna, como se dizia). A comunicação com os deuses (ou a sorte) notava-se em especial em épocas difíceis ou problemáticas, quando os pobres mortais se reuniam atemorizados, receosos da fúria dos elementos ou olhando para o futuro com pavor.

Lembrei-me de tudo isto a propósito do Orçamento para 2009, unanimemente considerado como um dos mais eleitoralistas orçamentos da história da democracia e que, paradoxalmente, dificilmente poderá ser criticado pelo Presidente da República ou pelas oposições. Se a situação financeira do nosso tempo fosse outra ou se não fosse real a previsão de recessão europeia e até mundial em 2009, outro galo cantaria. Mas sobre isto nada poderia acrescentar ao editorial de Pedro Guerreiro, no Jornal de Negócios da passada quarta feira, pelo que para ele remeto, assino por baixo e passo à frente.

O tema desta vez é o PSD. Notarão os mais fiéis dos meus leitores que há meses que do PSD não digo nada. O PSD também nada tem dito e, por isso, estamos quites. Mas nos últimos tempos tudo mudou. Quase de um dia para o outro, Manuela Ferreira Leite começou a levar bordoada de dentro de casa, pelas mais variadas razões, mas em todo o caso criando-lhe problemas adicionais de afirmação e liderança. Nada disto é estranho neste partido, em regra habitado pela gritaria típica de creches em autogestão, quando não há quem mande. Poderia, aliás, dizer-se que um célebre provérbio deve sofrer uma pequena mudança para se aplicar ao PSD: "Casa onde não há pai, todos ralham e ninguém tem razão". Eu sei, não rima. Mas está correcto. E sempre achei que nestas coisas é melhor dizer a verdade do que escrever poesia.

Não tenho dúvidas de que Ferreira Leite definiu uma estratégia preguiçosa. Com a subida do preço dos combustíveis, aumento da inflação, subida das taxas de juro, economia a estagnar (lembram-se?), a opção foi estar calada e deixar que o fruto apetecido caísse de maduro ou podre no regaço. O resultado foi não aproveitar esse tempo para consolidar presença e prestígio político e agora estar metida num colete de forças, em que a crise geral mundial obriga a um esforço de coesão e unidade nacional. Malhar no Governo vai ser menos produtivo. Pelo contrário, se o próprio Gordon Brown, que estava morto e enterrado, se dá agora ao luxo de dizer que não é Flash Gordon, mas apenas Gordon, imagine-se o que Sócrates não poderia dizer.

Não tenho também dúvidas de que a líder do PSD não tem especial jeito para dirigir um bando de anarquistas com acesso a jornais e que foi pelos cabelos que aceitou um lugar que comprovadamente não desejava e que nada fez por alcançar. Isso sente-se e, evidentemente, contribui para tornar ainda mais difícil a sua acção. Um fraco rei faz fraca a forte gente. Imagine-se então o que uma rainha pouco motivada faz de gente que nem é forte.

Também para mim é claro que a evolução dos acontecimentos joga contra ela. Sobretudo é-lhe nefasto o facto de não ter estado na primeira linha quando a crise mundial se sentiu, não ter reunido especialistas e dado a imagem de que estava atenta, activa e capaz de fazer propostas. O seu silêncio à espera de que o socratismo apodrecesse pregou-lhe uma partida. O primeiro-ministro fez habilmente uma pausa, semeou pequenas notas destinadas (sem sucesso) a acalmar o povo, viu o que estavam a fazer os outros, saltou para cima da onda e cavalgou os acontecimentos. E agora não vejo como a líder do PSD o vai conseguir agarrar.

Por tudo isto se compreende bem que haja muito ruído. Tanto mais que cada um dos apoiantes de Manuela Ferreira Leite (como os de Cavaco no início do seu consulado), no fundo, no fundo, acha que ela não é capaz por si só de se agigantar e vários aspiram a ser o mentor, o tutor, o conselheiro, numa palavra o artista que faz a marionete ter movimento. Por isso, cada dia que passa - descobrindo que não a dirige ou comanda, que bem ou mal ela faz o que acha certo e não o que pretendem mandar-lhe fazer - mais um se afasta ou começa a criticar. Isso pode ser um modo de ela mostrar poder, mas deve reconhecer--se que é mais fácil que isso ocorra quando se está no Governo do que na oposição. Cavaco pôde refugiar-se na sua solidão, porque mandava no país e tinha muito para distribuir. Manuela não tem nada para distribuir e até no PSD manda pouco.

Será assim. Mas o PSD tem de perceber que pela frente surge um adversário que nasceu virado para a lua. Sócrates - com crise grave nas economias mundiais e se estiver à altura - tem a improvável maioria absoluta ao seu alcance e dependendo (quase) só dele. Por isso, a um ano das eleições legislativas, o PSD tem de clarificar de uma vez por todas se quer ir a jogo com Manuela Ferreira Leite - e então tem de se unir à volta dela, cada barão engolir o que não gosta, e rezar para que ela afinal tenha sorte ou faça chover. Ou então nos próximos meses (e já não são muitos) tem de fazer um golpe palaciano (que isso não vai lá com congressos) e dizer-lhe que afinal estão todos enganados e que vai ser preciso indicar alguém como candidato a primeiro-ministro e dar a esse novo líder o apoio que manifestamente não estão a dar a esta.

Claro que posso ser eu quem tem razão. O PSD não tem salvação. Mas, a bem do sistema político português, desejava que, em vez de dizer a verdade nisso, eu estivesse a fazer poesia.» [Público assinantes]

Parecer:

Por José Miguel Júdice.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

PARA O QUE SERVE MANUELA FERREIRA LEITE

«Os portugueses consideram que José Sócrates tem melhores condições do que Manuela Ferreira Leite para realizar obras públicas, de acordo com uma sondagem CM/Aximage.

Numa altura em que o País discute a construção de infra-estruturas de extrema importância e de elevado investimento, como é o caso do novo aeroporto de Lisboa, a Terceira Travessia do Tejo e o TGV, a diferença entre os líderes é significativa: 45,6% dos entrevistados apostam no primeiro-ministro para levar avanteestamissão,enquanto 19,4% pensam que a líder do PSD está mais capacitada.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Não serviu para ministra da Educação, não serviu para ministra das Finanças e agora esta sondagem diz que nem serve para gastar dinheiro. Para o que servirá a actual líder do PSD?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a MFL que tire conclusões.»

CHAMEM A POLÍCIA!

«O pobre Teixeira dos Santos, ainda atordoado depois de duas conferências de imprensa no vazio, não resistiu a tanta pressão e as lágrimas vieram-lhe aos olhos. Nem conseguia articular palavra com palavra. Sócrates, esse, disparava para todo o lado. Era inadmissível, era preciso investigar tudo exaustivamente, procurar os culpados, sem dó nem piedade. Aí Teixeira dos Santos arrebitou. Sim, claro, como é que não lhe tinha passado pela cabeça que podia ter sido tudo uma conspiração. Claro, só podia.

Uma trapalhada daquelas só mesmo no tempo de Santana Lopes. Aí foi Sócrates quem arrebitou e disparou: "Pois é. Não o viu no Parlamento quando lá foi ontem à noite? Cheira-me a malandrice. Esta trapalhada bate aos pontos a história da colocação dos professores. Mal aterrarmos em Bruxelas ligue ao Costa, que está mal da barriga, e diga-lhe para pôr a PJ no terreno." O ministro das Finanças já limpava os olhos quando levou um último recado: "Para a próxima não goze com o ‘Magalhães’ e não dê benefícios fiscais a carros eléctricos. Ainda não existem!" » [Correio da Manhã]

Parecer:

Cada um tem direito a cometer a sua santanice.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Goze-se. »

MANUELA SEGURA SANTANA

«Manuela Ferreira Leite vai segurar Pedro Santana Lopes como a sua escolha para candidato à Câmara Municipal de Lisboa nas eleições autárquicas de 2009. O DN sabe que a presidente do PSD e o antigo primeiro-ministro têm falado por telefone, depois de já se terem encontrado pessoalmente para discutir o assunto, há duas semanas, na São Caetano à Lapa, sede do partido.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Estão bem um para o outro.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Manuela qual foi o negócio que fez com Santana.»

HÁ MAIS GENTE A PEDIR AJUDA À AMI

«Nos primeiros seis meses do ano, 4695 portugueses procuraram apoio social junto das estruturas da AMI. Um número que representa 64% do valor total de pessoas que recorreram à AMI durante todo o ano de 2007 e um dado revelador do empobrecimento crescente das famílias em Portugal. Uma realidade para reflectir, em especial hoje, que se assinala o Dia Internacional da Erradicação da Pobreza.» [Diário de Notícias]

Parecer:

O Governo já devia ter adoptado medidas de excepção.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao Governo que intervenha.»

TUDO SERVE PARA OS SINDICATOS DOS PROFESSORES PROTESTAREM

«O Ministério da Educação, através das Direcções Regionais está a enviar orientações, no âmbito do programa e.escolinhas, para que os professores dêem todas as informações do Magalhães aos encarregados de educação e que tratem de todo o processo de inscrição. As tarefas passam por facultar os documentos de adesão aos pais, receber e validar as fichas e termos de responsabilidade depois de preenchidos e efectuar a inscrição dos alunos no sítio da Internet do programa, obtendo do sistema o código de validação para cada um.

"Isto está a deixar os professores indignadíssimos", afirmou, ao JN, Manuel Micaelo, coordenador do primeiro ciclo do Sindicato de Professores da Grande Lisboa. "Obviamente, isto não é conteúdo funcional da profissão e esta vai ser mais uma burocracia que impede os professores de se dedicarem às suas verdadeiras funções de docentes", explicou o sindicalista, salientando que "somos professores, não somos delegados de uma empresa ou técnicos informáticos".» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Agora a vítima do PCP é o Magalhães

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ao mau cagador até as calças empatam...»

AINDA HÁ ADMINISTRADORES SENSÍVEIS

«A companhia aérea indiana Jet Airways vai readmitir os 1.900 trabalhadores que despediu na quarta-feira, depois de o presidente da transportadora ter confessado que vê-los em lágrimas o perturbou.

"Não consigo dormir à noite, perturba-me o facto de os ver em lágrimas. Por isso apresento as minhas desculpas por este terrível sofrimento e traumatismo", declarou Naresh Goyal em conferência de imprensa. » [Jornal de Notícias]

Parecer:

Não foi cá, foi na Índia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento aos nossos.»

PROFESSORES DIVIDIDOS POR CAUSA DA DATA DA MANIFESTAÇÃO

«Se na primeira grande manifestação a Plataforma Sindical conseguiu aglutinar esses esforços, agora existe uma notória divisão, com troca de acusações entre os defensores de dia 8 e os de dia 15.

Esta quarta-feira, o líder da Fenprof, Mário Nogueira, deixou a mensagem, dizendo que o outro movimento «sai de qualquer calendário útil no plano da negociação»: «Em nome da Plataforma, apelamos à participação de todos os educadores e professores para que se juntem a esta iniciativa no dia 8 de Novembro, sem sectarismos, sem divisões. O tempo é de unidade. Não é de facilidades ao ME e ao Governo, que baterá palmas aos que apostam na divisão dos professores». » [Portugal Diário]

Parecer:

O PCP levou longe demais o aproveitamento político.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

ELEITORALISMO À AÇOREANA

«O Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP) adiantou, a três dias das eleições regionais, o pagamento de 75 por cento de ajudas aos agricultores açorianos (conforme consta do site do organismo na internet). Apesar de se tratar de subsídios que têm extensão nacional, o instituto não procedeu de igual forma em relação aos produtores agrícolas do Continente e da Madeira.» [Público]

Parecer:

Lamentável.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Desaprove-se.»

ELEMENTOS DA PJ AMEAÇAM ADVOGADO

«O advogado de Leonor Cipriano no caso das alegadas agressões por inspectores da Polícia Judiciária durante os interrogatórios ao caso Joana, criança que desapareceu da aldeia de Figueira, em Portimão, em 2004, anunciou que vai pedir protecção policial para a sua equipa, testemunhas de acusação e a queixosa, depois de ter recebido alegadas ameaças de elementos da Judiciária.» [Público]

Parecer:

Isto está a ficar bonito.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proponha-se ao MP que investigue as acusações.»

CRAVINHO CONTA-NOS UMA ANEDOTA

«O ex-deputado socialista afirma, em declarações ao PÚBLICO, que “o programa de investimentos foi pensado e concebido em circunstâncias que mudaram e que é preciso reanalisar”. Em causa está a restrição global nos mercados de crédito e a “grande dependência da economia portuguesa dos mercados financeiros internacionais”, que pode levar a “um racionamento de crédito que obriga a que haja um critério muito firme sobre os projectos que devem e não devem ser financiados”.João Cravinho teme que os grandes projectos públicos, pela sua dimensão, absorvam recursos financeiros do mercado financeiro e tornem ainda mais apertada a restrição para as empresas e famílias no acesso ao crédito.» [Público]

Parecer:

Esta de as obras públicas absorverem a capacidade de crédito deve ser para rir.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a competente gargalhada.»

PORTUGAL É O PAÍS DA UE ONDE A POBREZA MAIS CAIU

«O director para o Protecção Social e Integração da Comissão Europeia, Jérôme Vignon, notou "impaciência" na 7.ª Mesa-Redonda sobre a Pobreza e a Exclusão Social, que nos últimos dois dias decorreu em Marselha. "Os resultados até agora não são brilhantes." A taxa de pobreza da União Europeia (UE) está nos 16 por cento desde 2000. Em Portugal caiu, e mais do que em qualquer outro país. » [Público assinantes]

Parecer:

Uma notícia inconveniente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Divulgue-se.»

UM GRUPO DE INTERNAUTAS CHINESES QUEREM COMPRAR A ISLÂNDIA

«Un grupo de internautas chinos, aprovechando el estado de bancarrota de Islandia, está intentando comprar el país a través de la web de subastas online Ebay.

Todos surgió como una broma, pero el asunto está convirtiéndose en algo serio y ya se han sumado varios miles de internautas chinos a la iniciativa. "¿Vas a comprar una casa en China? Te estamos esperando en Islandia. Convirtámosla en un país comunista", reza la web de uno de los impulsores de la idea.» [20 Minutos]

A INTERNET É PARA A PORNOGRAFIA?

http://www.20minutos.es/noticia/420518/0/internet/domina/porno/

«El porno es el contenido que domina Internet. Los datos son claros, muy claros, pero las matemáticas no siempre son la forma más eficaz de transmitir un mensaje. Dos vídeos hacen suya esta idea y se explayan sobre el con humor y erotismo.

El primero de ellos es el clásico The Internet is For Porn, en el que dos personajes del exitoso juego World of Warcraft, uno masculino y otro femenino, discuten sobre los principales usos de la Red. Él defiende que no hay conexión sin calentón, mientras que ella no puede soportar esa idea.

En el otro vídeo, creado por la revista online Good y reseñado esta semana por el blog Bio[x]iD repasa los datos que sustentan la idea de que la pornografía domina Internet de una forma muy gráfica. » [20 Minutos]

O JUMENTO NOS OUTROS BLOGUES

  1. O "Politikae", o "Palavrossavrvs Rex" e o "Pátio das Conversas" destacam o post "a omertà lisboeta".
  2. O "Café Margoso" pescou a melhor imagem de McCain.
  3. O "Catarse" destaca o comentário relativo à manife do PCP em nome dos professores.

CAFÉ MARGOSO

Já repararam que um dos melhores blogues em português tem sede lá parta o sul do Atlântico, na cidade do Mindelo? Pois é não deixa de ser curioso que num país com problemas bem maiores do que o nosso há boa disposição e respira-se cultura.

Neste fim de semana chuvoso o ideal era uma praia de Cabo Verde, já que a (minha) praia dos Três Pauzinhos deve estar imprópria para banhos, mas já que isso não é possível aqui fica a sugestão, visite beba um café no Mindelo.

Aqui fica o último post:

Três fósforos um a um acesos na noite
O primeiro para ver o teu rosto inteiro
O segundo para ver os teus olhos
O terceiro para ver a tua boca
E toda a escuridão para recordar tudo isso
Apertando-te nos braços.»

CACHORROS

MARCUS MALY-MOTTA

DUAS OPINIÕES

Recebi por mail:

«Diz o Louçã:

- blá, blá,blá,blá… Sr. 1º Ministro, para resumir, estamos tão mal que até as universitárias já têm que se prostituir!

Sócrates:

- O Sr. já nos habituou às suas distorções da realidade… (blá, blá,blá). o Sr. deveria antes dizer que estamos tão bem que até as prostitutas já são universitárias!!»

MAOMÉ E A URINA DAS MENINAS

100W

sexta-feira, outubro 17, 2008

A omertà lisboeta


Um dos lados mais curiosos e preocupantes do escândalo em torno do aluguer de casas da Câmara Municipal de Lisboa foi o silêncio com que reagiram os partidos, silêncio que se tem generalizado à comunicação social. O assunto já teria caído no desconhecimento se não houvesse uma investigação a decorrer na Procuradoria-Geral da República.

Alguém descontente decidiu estragar o negócio e complicar a vida a Santana Lopes, o que desencadeou a vingança e veio para a comunicação social o nome da vereadora do PS. Este tipo de vinganças e o silêncio a que se remeteram as forças políticas é um comportamento tipicamente “siciliano”, é uma verdadeira omertà à escala da autarquia lisboeta.

Porque razão os nossos partidos, que costumam andar nos caixotes do lixo da política, não aproveitaram este petisco para fazerem oposição? Por uma razão muito simples, porque muito provavelmente todos beneficiavam deste esquema.

Enquanto os cidadãos suportaram a duplicação do IMI e a redução do período de isenção, pagam taxas elevadíssimas por todos os serviços camarários, havia um grupo de gente ligada aos partidos com presença na CML que beneficiavam de casas a baixo custo. Como explicou a vereadora Ana Sá Brito em relação à sua casa, havia contratos e a renda era actualizada como, aliás, não podia deixar de ser, aplicava-se a lei em vigor.

Mas na verdade as casas eram alugadas com rendas quatro ou mais vezes inferiores às que os cidadãos de Lisboa pagavam. No ano em que a vereadora alugou uma casa com uma renda de cerca de vinte contos eu aluguei um T1por quatro vezes mais e também a minha renda era actualizável.

Pelo pouco que se soube a CML mantinha um mini-mercado de arrendamento para amigos, os jotas, os assessores, os directores e os vereadores iam sabendo de casas bem localizadas e que iam caindo no património da autarquia e rapidamente eram distribuídas segundo critérios que ninguém conhece e que foram mantidos em silêncio, para que não estragassem o negócio.

A verdade é que ao longo dos anos todos os partidos e autarcas da capital pactuaram com o negócio, distribuindo benefícios indevidos pelos amigos, mantendo tudo em silêncio para que os lisboetas desconhecessem que estavam a ser tratados como cidadãos de segunda por gente oportunista e sem escrúpulos.

Não admira que agora vigore a omertà em torno deste assunto, é evidente o pacto de silêncio entre a gente da Praça do Município. Resta saber quantos mais segredos estão a ser escondidos por este pacto de silêncio.