sábado, novembro 08, 2008

Alguém ouviu falar do Orçamento de Estado?


Quase ninguém, ainda o debate parlamentar não se tinha iniciado e já o assunto estava esquecido, José Sócrates vai ter um ano pré-eleitoral com um orçamento feito à medida da ocasião o que não é nada de novo, Sócrates está a ser um excelente aluno de Cavaco Silva.
Sócrates tem sido um exímio gestor da agenda política, aparece e desaparece sucessivamente e quando estamos a discutir um assunto já ele colocou outro na mesa. Nos últimos tempos tem sido ajudado pela crise financeira, pelas eleições americanas e, mais ainda, por Manuela Ferreira Leite.

Desde que assumiu a liderança do PSD Manuela Ferreira Leite é o principal tema da política portuguesa, a sua estratégia de comunicação leva a que seja ela o centro das atenções, estando sob avaliação permanente, o que não a favorece nada. Começou por manter o silêncio para, quando as sondagens começaram a ser-lhe negativas, passar ao banzé.

Quando Manuela Ferreira Leite estava calada a expectativa não estava em saber qual seria a sua posição e não no que iria dizer. EM situações de crise com as das lotas ou dos camionistas ficou calada à espera da evolução dos acontecimento, a partir daí ninguém os portugueses deixaram de se questionar sobre quais seriam as suas propostas, a notícia era se falava ou não falava.

Depois de mudou de estratégia, o silêncio transformou-se em banzé, a líder do PSD deixou de gerir o seu calendário, passou a falar sem reflectir, sempre que a oportunidade aparece a líder do PSD diz logo o que lhe vem à cabeça. Foi o que sucedeu com o Orçamento de Estado, mal a famosa pen drive chegou ao parlamento e ainda sem ter tido tempo para ler ou reflectir sobre o documento já estava a dizer que o OE era uma desgraça e o PSD votava contra. O resultado foi o PSD ter perdido todo o protagonismo no debate orçamental, o tema ficou encerrado naquele momento. Aquele que há meses que era apresentado como o grande momento de Manuela Ferreira Leite esvaziou-se em minutos, com uma posição extemporânea e irresponsável.

Enquanto o debate orçamental se arrastava no parlamento a líder da oposição andou atrás dos acontecimentos, condicionada por sucessivas asneiras políticas, como ter designado a crise financeira como “crisesinha” ou ter permitido a Santana Lopes chamar a si o protagonismo político, com a sua escolha mal amanhada para candidato a Lisboa. Agora Santana Lopes já diz que não se vai candidatar à liderança do PSD o que faz supor que Manuela Ferreira Leite fez com ele um acordo manhoso.

Como se não bastassem as asneiras de Ferreira Leite a crise financeira e as eleições americanas lá têm ou desviado a atenção do debate nacional ou remetido a líder do PSD para uma posição em que anda atrás dos acontecimentos. Lá mandou a mensagem a Obama, mas todos sabemos que uma boa parte do PSD preferia McCain, quanto mais não fosse por ser o candidato mais à direita e apoiado por um Bush de quem muitos dos amigos de Ferreira Leite eram admiradores, como é o caso de Pacheco Pereira.

Com a crise financeira Manuela Ferreira Leite tem-se limitado a ser comentadora e, como sucedeu com as garantias aos bancos, apoiante retardatária das medidas adoptadas pró Sócrates. Ainda por cima, teve o azar de ter sido o BPN a estoirar, afinal aquele banco ser nem mais nem menos a alma financeira de muitos cavaquistas, antigos colegas dela no governo de Cavaco Silva. Manuela Ferreira Leite foi colega de Oliveira e Costa no ministério das Finanças do XI Governo Constitucional. Assumiu esse cargo em 9 de Janeiro de 1990, era Miguel Beleza o ministro das Finanças.

Se a estratégia de comunicação se Sócrates visa evitar o debate político sério, sendo gerida de forma que sejam lançados assuntos sucessivos sobre a mesa, a desastrosa actuação de Manuela Ferreira Leite tem sido uma ajuda preciosa já que a líder do PSD, com as suas asneiras e inflexões, tem ocupado uma boa parte das atenções, que estão mais interessadas em identificar os seus disparates e trapalhadas do que em avaliar a qualidade das suas propostas que, por revelarem objectivos meramente eleitoralistas nem sequer têm merecido atenção. Foi o que sucedeu agora com o seu apoio às reivindicações dos professores, promoveu uma montagem que pareceu ter reunido com professores do PSD para tomar uma posição atrasada, cuja sinceridade não convenceu ninguém.

Umas no cravo e outras na ferradura -

FOTO JUMENTO

Cais da Carrapateira, Alcácer do Sal

IMAGENS DO DIA

Há dias em que é impossível escolher uma única fotografia como imagem do dia. Ontem foi um destes dias:

[Stan Honda/Agence France-Presse ]

«President-elect Barack Obama left a gym in Chicago. Mr. Bush said Thursday that he and Mr. Obama would discuss major issues like global economic turmoil and the war in Iraq "early next week." Mr. Obama and his staff began receiving intelligence briefings and received security clearance from the Justice Deptartment. » [The New York Times]

[Denis Sinyakov-REUTERS]

«Cadets in historical uniforms take part in a military parade in Moscow's Red Square, marking the anniversary of a historical parade in 1941 when Soviet soldiers marched through the Red Square to the front lines of World War II. » [Washington Post]

[Kevin Lamarque / Reuters]

«Mensajes para Obama. Un hombre escribe en un muro que ha sido levantado en Washington, DC, para dejar mensajes para el presidente electo estadounidense, Barack Obama, frente al monumento a Lincoln.» [20 Minutos]

Se pudesse também assinava...

[Yasuyoshi Chiba-AFP]

«Congolese girl cries as she walks with her mother near Kibati. » [Washington Post]

O que terá levado esta criança do Congo a fugir com aquele que provavelmente seria o seu melhor vestido? No meio da guerra vestiu o que poderia ser o seu bem mais precioso.

[Santiago Ferrero / Reuters]

«A salvo. Uno de los inmigrantes rescatados de una patera con 67 pasajeros, tras su llegada al puerto tinerfeño de Los Cristianos.» [20 Minutos]

Deixei esta imagem para propor uma reflexão: o que estarão a ver aqueles olhos?

è uma interrogação que me coloco a mim próprio sempre que vejo fotografias de rostos de emigrantes que foram detidos ou resgatados da morte no sul de Espanha, o olhar é sempre o mesmo. O que sentirá alguém que juntou tudo o que tinha para pagar uma viagem clandestina para a Europa rica, alguém que deixou para trás a família num aldeia algures em África na esperança de conseguir alguns euros trabalhando clandestinamente num país europeu, dinheiro que tiraria os filhos e demais familiares do circulo de pobreza.

É um olhar onde se mistura medo, desilusão, incerteza, desesperança, é o olhar de alguém derrotado pela vida, pelo azar de ter nascido num país pobre, muito provavelmente em guerra, sem alimentos, escolas ou cuidados de saúde. É o olhar de alguém que esteve à beira de quebrar o círculo vicioso da miséria e perdeu.

JUMENTO DO DIA

Santana Lopes

Santana Lopes está de regresso e no seu melhor, depois de ter perdido o partido e ainda antes de Manuela Ferreira Leite fazer aprovar a sua candidatura já diz que vai ganhar dois mandatos, em contrapartida promete (a Ferreira Leite?) que deixará a liderança do PSD descansada, oq eu até se compreende, o ordenadão de autarca, mais a vivenda em Monsanto e um carro de luxo sempre é melhor do que penar na liderança do PSD. É o regresso do menino guerreiro:

FÁTIMA FELGUEIRAS

Não li o processo, não conheço a senhora, não tenho por ela nem simpatia nem antipatia, não costumo condenar ninguém com base na acusação, o que sei é do que foi acusada e pelo que foi condenada. Os mesmos que fazem as acusações são os que quando são suscitadas dúvidas apelam à nossa confiança na justiça. É o que faço e a justiça tem dois lados, o da acusação que durante meses usou a comunicação social e o da defesa, o resultado foi uma pena por um pequeno crime.

Se confio na justiça tenho que confiar na decisão do juiz e esta diz que Fátima Felgueiras é inocente na maior parte do rol de crimes que lhe foram imputados. Era mesmo culpada e a acusação foi incapaz de recolher provas suficientes ou foi incompetente? Pouco me importa, face à sentença só tenho que questionar a competência dos acusadores e quanto gastaram aos contribuintes para que a montanha pariu um rato.

Costuma-se dizer que os poderosos escapam sempre à justiça. Ora, Fátima Felgueiras há muito que não era poderosa, foi abandonada por pelos seus velhos companheiros, neste caso esta desculpa nem pega.

Começa a ser evidente que tudo poderá ter sido uma peixerada local que ganhou dimensão nacional.

O ORÇAMENTO FOI APROVADO

O facto de o debate do OE ter decorrido sem qualquer atenção por parte da comunicação social e do cidadão comum, até mesmo dos próprios partidos, significa que foi mais uma derrota para a oposição. Depois de Manuela Ferreira Leite ter prometido que mostrava o que valia quando o OE fosse debatido teremos que concluir que a líder do PSD falhou, da mesma forma que falharam os partidos da extrema-esquerda que ficaram engasgados com algumas medidas mais simpáticas.

Os partidos da oposição não resistiram ao apelo mediático no dia em que o OE foi entregue ao presidente da Assembleia da República. Manuela Ferreira Leite cometeu o erro elementar de dizer que o PSD votava contra ainda antes de o ter lido. Com isso encerrou o debate pois nada de interesse havia para saber. Se tivesse reservado a sua posição para o momento da votação Ferreira Leite teria sido o centro das atenções até ontem, assim acabou por desaparecer.

É ridículo que Manuela Ferreira Leite tenha dito que votava contra sem ter lido o OE e, ao mesmo tempo, ter garantido a Santana Lopes que seria candidato a Lisboa. Depois queria chamar a atenção para o debate orçamental, dizendo que Santana Lopes era assunto para mais tarde. É evidente que mais ninguém lhe perguntou o que pensava do OE e quanto a Santana Lopes a única dúvida está em saber se Pacheco Pereira volta a virar o logo do PSD de pernas para o ar.

O PARLAMENTO DE BOLSO DA MADEIRA

Mal os senhores do PSD-Madeira ouviram dizer que Cavaco Silva estava a acompanhar o problema perceberam que tinham cometido uma ilegalidade ao proibir a entrada de um deputado eleito pelo povo. Agora decidiram fechar o parlamento regional até que uma queixa-crime siga o seu curso, isto é, puseram o parlamento na dependência de uma decisão do Ministério Público.

Aquilo não é um parlamento é um parlamento de bolso. Um parlamento pequeno na dimensão política da maioria que por lá manda, uma parlamento que se abre e fecha quando lhes apetece. É a democracia segundo Manuela Ferreira Leite que nunca terá coragem de tomar posição.

O VOTO DOS PROFESSORES

Basta visitar um dos muitos blogues de professores para se perceber que por detrás de muitas movimentações está a luta do PCP e do BE pelos votos dos professores, quase todos eles sugerem que não se vote nos outros partidos de forma clara e mesmo descarada.

Só que os professores não podem decidir as eleições e pouco poderão contribuir para desgastar eleitoralmente Sócrates, há muito que perderam o apoio dos pais e mesmo a encenação recentemente montada pela JCP mostra que os alunos estão alheios ao assunto.

Este é o caminho mais perigoso para os professores, ao alinharem na estratégia política do BE e do PCP comprometem toda e qualquer hipótese de diálogo. Se o PCP vencer as próximas eleições os professores estão na primeira linha dos derrotados. Nessa ocasião vamos ver os sindicatos desistirem da luta e pedincharem pequenas alterações das reformas, para mais tarde as anunciarem coo uma grande vitória.

CASO PERDIDO

«Parece, pois, que quer o deputado do PND quer a maioria PSD resolveram fazer jus às palavras e exemplo de Alberto João Jardim e oferecer mais um edificante espectáculo ao País. Entretanto, há quem clame pela intervenção do Presidente da República (o mesmo que quando esteve na Madeira aceitou, sem um ai, a interdição da visita ao parlamento) e quem evidencie - o representante da República na Madeira, assim como vários juristas, incluindo o penalista Costa Andrade e os constitucionalistas Jorge Miranda e Vital Moreira - o óbvio: a Assembleia não pode suspender o deputado com o fundamento invocado (que nem se sabe ao certo qual é); tal só poderá suceder após uma acusação formal por parte dos tribunais. Traduzindo, um deputado é representante eleito do povo, e não está sujeito a ordens e caprichos de uma qualquer maioria. Acresce que, por mais que se procure no Código Penal, não se encontra o crime de "desfraldar bandeira nazi", por mais que o gesto surja infeliz. E se apelidar de "nazi-fascista" um governo ou um partido pode ser considerado difamatório, trata-se de um excesso de linguagem (não tão incomum ultimamente, embora com outros destinatários, e tendo como protagonistas comentadores, políticos e sindicalistas avulsos), em princípio protegido pela famosa imunidade parlamentar e pelo princípio constitucional da liberdade de expressão. O que é mesmo crime é "o impedimento ou o constrangimento, por meio da violência ou da ameaça de violência, do livre exercício de funções de um órgão de soberania ou de um membro desse órgão". Está previsto no artigo 333.º do Código Penal, e no caso de um membro do "governo próprio dos governos regionais", susceptível de pena de prisão até três anos. Mas pelos vistos ninguém na Madeira, nem a polícia, sabe disso. É duvidoso que valha a pena explicar.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

UM GOLPE DE ESTADO DOS PEQUENITOS

«A vitória de Obama e o desejo de (Onde está o Wally?) encontrar nos países europeus alguém com o seu carisma e capacidade empática; a fraqueza legal do diploma que determinou a nacionalização do BPN (e a memória das nacionalizações de há 30 e tal anos). Aí estavam dois temas que me apeteceria abordar. E que, pela sua intensidade, fizeram desaparecer do mapa dos media o assunto a que decidi dedicar desta vez a minha atenção. Para que não fique esquecido.

O caso é verdadeiramente importante e num país normal não desapareceria da circulação com esta rapidez. Estou a falar de declarações do general Loureiro dos Santos e do coronel Vasco Lourenço sobre os riscos que corre a democracia devido ao mal-estar que grassa em cidadãos que, em relação aos outros, têm a particularidade de estar legalmente autorizados a usar armas de fogo.

Estas declarações deixaram-me estupefacto. Cheguei mesmo a pedir que adiassem o golpe de Estado para depois da minha morte. Não me apetecia voltar a ser detido e não tenho dúvidas que - gostando eu de dizer o que penso - seria por certo dos primeiros a malhar com os ossos na cadeia.

Mas ainda fiquei mais estupefacto quando li alguma imprensa a dizer que o general Loureiro dos Santos tinha moderado o seu discurso, pois afirmara que o Governo já estava sensibilizado e seguramente que iria concretizar as soluções possíveis. Isto é, moderar o discurso é neste caso afirmar que a ameaça tinha surtido efeito. O que deve ser lido como uma nova ameaça: se o Governo não concretizar a solução, a tropa virá para a rua e - como nos Tambores de Bronze, de Jean Larteguy - alguns mais exaltados (no romance estavam bêbedos, o que por vezes coincide...) podem fazer disparates.

Vamos a ver se nos entendemos. Admiro o que as Forças Armadas fizeram em vários momentos da nossa História. Saúdo os que em África lutaram dando tempo para que o Poder Político encontrasse uma solução. Admito que estejam a ser vítimas de injustiça. Até percebo que lhes faça pena que um hospital deixe de ser a maior unidade das Forças Armadas e que tenham saudades do tempo em que havia hospitais supostamente especializados para cada ramo das Forças Armadas. Não quero discutir aqui e agora a minha tese de que o Exército e a Força Aérea seriam dispensáveis, mantendo-se apenas uma guarda costeira, uma força de intervenção rápida, forças militarizadas e de segurança e meia dúzia de oficiais generais.

Do que se trata é de outra coisa. Em pleno século XXI, na Europa, pessoas que se presumem estar no exercício normal das suas faculdades mentais fazem-se porta-vozes do mais arcaico procedimento dos militares, o de ameaçar usar as armas em proveito próprio. Devemos, pois, assumir que estão a querer avisar-nos, a nós, civis, de que o risco existe e é real.

Tratar este tipo de declarações como afirmações ridículas de generais saídos de álbuns do Tintim é faltar ao respeito a dois militares que podem ter muitos defeitos, mas que foram dos primeiros a perceber que a tropa que se apossou do poder estava a dar cabo de Portugal e tiveram a coragem - que faltou a muitos outros - de lutar para alterar esse estado de coisas. Pelo meu lado, levo a sério o aviso.

O que significa o óbvio. Parte relevante das nossas Forças Armadas deseja transformar Portugal de modo acelerado num país do Terceiro Mundo, quando no Terceiro Mundo se fazem esforços para acabar com as quarteladas como forma de fazer política. E esta realidade deve ter consequências. Eis algumas delas:

1. O Governo não pode, evidentemente, ceder às exigências dos militares, a partir do momento em que Loureiro dos Santos e Vasco Lourenço verbalizam o risco de golpes de Estado, tiroteio para o ar, pronunciamentos e outros disparates, palavra esta que uso retirando-a da boca do general Loureiro dos Santos para que se não engasgue. Mostra a sabedoria das nações que quando se começa a ceder às ameaças da tropa é cada vez mais difícil parar.

2. O Governo deve saber ler os sinais dos tempos. Tropas ociosas são em regra mais propícias a disparates do que tropas ocupadas. Também isto nos revela a sabedoria das nações. Admito a minha ignorância, mas não consigo vislumbrar muitos motivos de actividade para tanta tropa em Portugal. Mas, seja como for, talvez não fosse disparate que o Governo encontrasse algumas ocupações, entre as quais não me parece que fosse uma desonra mobilizá-los para assegurar a ordem pública em bairros problemáticos.

3. Tropa ociosa e em excesso é sempre um risco e um custo para o erário público. Não percebo a razão de tanto quartel, tanto carro de funções, tanta burocracia armada. Acho que o Governo deveria fazer aplicar com rapidez um programa em que seja fechada a generalidade dos quartéis, e se mandem para casa, com ordenado garantido, parte significativa dos militares, permitindo-lhes que possam aplicar as suas qualidades na vida civil e com isso contribuindo para aumentar a riqueza nacional.

4. O Governo e a Assembleia da República devem, além disso e com prazo certo, concretizar uma reforma profunda da instituição militar. Admito que não cheguem até onde eu sugiro, mas sem dúvida que se pode reduzir drasticamente os quadros do Exército e da Força Aérea, fechar hospitais militares (ou integrá-los no sistema nacional de saúde), acabar com os estados-maiores das armas, diminuindo assim os custos do sistema.

Se calhar nem assim conseguiremos evitar leviandades de militares aborrecidos, injustiçados e armados. Mas talvez, sendo menos, possam fazer apenas golpes de Estado muito pequeninos. Ao estilo do famoso Portugal dos Pequenitos.» [Público assinantes.]

Parecer:

Por José Miguel Júdice.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «»

OITO ANOS?

«Pedro Santana Lopes assume vontade de trabalhar para a cidade. O ex-primeiro ministro revelou ao Correio da Manhã que pretende apostar numa governação de oito anos .» [Correio da Manhã]

Parecer:

Santana Lopes não faz a festa por menos?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Deus livre Lisboa de mais oito anos de Santana.»

MANUELA TENTA OS VOTOS DOS PROFESSORES

«A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, defendeu hoje a suspensão do actual modelo de avaliação dos professores e a aprovação de um novo modelo de avaliação externa e sem quotas administrativas. » [Diário Digital]

Parecer:

E o Menezes é que era populista.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Diga-se a Manuela Ferreira Leite que se desiluda, os professores conhecem-na»

FÁTIMA FELGUEIRAS VAI DEVOLVER 177€ AO ESTADO

«O Tribunal de Felgueiras condenou Fátima Felgueiras a uma pena de multa de 40 dias à taxa de 50 euros e a restituir ao Estado 177 euros, além de três anos e três meses de prisão suspensa por igual período e perda de mandato. Horácio Costa, um dos denunciantes do processo, considerou a pena leve e afirmou que "o crime compensa".» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Conclusão: o Estado gastou centenas de milhares de euros para Felgueiras ser condenada a devolver 177.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se uma subscrição pública para ajudar Fátima Felgueiras.»

SERRÃO E ABRUNHOSA APOIAM CANDIDATURA DE MANUEL MONTEIRO

«Abrunhosa e Serrão participaram, no Café Vianna, numa tertúlia do Movimento de apoio à candidatura de Manuel Monteiro, às próximas eleições legislativas, convocada para discutir "o afastamento dos cidadãos da política".

Para além de subscreverem a proposta do dirigente político, Manuel Serrão e Pedro Abrunhosa fizeram questão de declarar publicamente o seu apoio à candidatura de Monteiro, tendo subscrito a sua lista de proponentes.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Desta vez Manuel Monteiro arrisca-se a entrar em São Bento.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se pelas legislativas.»

ESPANHA ESTARÁ PRESENTE NA REUNIÃO DO G20

«El presidente del Gobierno español, José Luis Rodríguez Zapatero, asistirá a la cumbre del G-20 que se celebrará el próximo 15 de noviembre en Washington, según un comunicado de la Presidencia francesa de la UE remitido a los Veintisiete socios comunitarios.

Fuentes del Gobierno han informado de ese comunicado, que se ha enviado a los países de la UE tras el Consejo europeo extraordinario que se ha celebrado en Bruselas para preparar esa cumbre. El comunicado de la Presidencia francesa explica que en el seno del G-20 los estados de la Unión Europea cuentan tradicionalmente con cinco plazas.

Por ello, añade que se ha decidido que, además de los cuatro miembros natos del G-8 (Francia, Reino Unido, Alemania e Italia), España esté presente en al cita de Washington "como octava potencia económica mundial".» [20 Minutos]

A OBAMANIA COMEÇOU NA FLORIDA

«Una pareja de Florida fue la primera en poner a su hijo, nacido en la madrugada del miércoles, el nombre de Obama, en referencia al presidente electo de EEUU, Barack Obama.

Sanjae Obama Fisher nació a la 01.00 gmt del miércoles, mientras se difundían los primeros resultados de las elecciones presidenciales, en un hospital de la ciudad de Hollywood, al norte de Miami, informaron medios locales.» [20 Minutos]

O JUMENTO NOS OUTROS BLOGUES

  1. "O Vento quente de mudança" destaca o post "eles não gostam de blogues".
  2. O "Pátio das Conversas" quer meter a burra Palin aqui no palheiro. Pois, se a senhora pensasse com a barriga das pernas talvez soubesse onde fica a África.
  3. Ainda os parabéns pelos cinco anos d'O Jumento, desta vez do "Beijos XXI". Obrigado.

AS FOTOS DA NOITE DE ELEIÇÕES NO FLICKR DE OBAMA [Link]

ADAM S.

BARNEY, UM CÃO COM MAU PERDER?

«This still image from a video by American Urban Radio Networks' April D. Ryan shows Barney, US President George W. Bush's dog, biting Reuters political reporter Jon Decker at the White House. Decker spotted Barney and his handler out for a walk and asked for permission to pet the Scottish Terrier for which Decker received a bite on his index finger. Decker's injury was inspected by White House Physician Dr. Richard Tubb who prescribed antibiotics as a precaution.» [Washington Post]

Fiquei desiludido com este comportamento de Barney, o famoso cachorro de George Bush, até aqui estava convencido que era o único membro inteligente desta administração americana. Coincidência, ou talvez não, as boas-vindas à página da Casa Branca eram ilustradas com uma imagem do rancoroso Barney.

Resta-me fazer uma sugestão a George Bush, se não conseguir mudar o comportamento do Barney que o ofereça ao Zé das Frites, o velho amigo que ajudou a ser eleito presidente da Comissão Europeia, o nosso Zé é especialista em mudanças de 180 graus.

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MOVIMIENTO POR LA PAZ

sexta-feira, novembro 07, 2008

Eles não gostam de blogues


Os políticos não gostam de blogues, as recentes declarações de António Costa não me surpreendera, nem mesmo as de Pacheco Pereira, ele próprio um blogger conhecido. Aliás, o poder não gosta de blogues, não admira que o Procurador-Geral tenha dito numa entrevista que tinha dado instruções à sua assessora de imprensa para não dizer o que se escreve nos blogues.

Não admira que os políticos desprezem os blogues, a não ser os que são escritos por alguns notáveis. Na verdade os políticos portugueses têm o maior desprezo pelas opiniões dos eleitores, preocupam-se com os votos e, antes das eleições, com as intenções de voto das sondagens, mas nunca vi um político do poder interrogar-se sobre o que pensam ou opinam os portugueses.

O incómodo que os blogues provocam nalguns políticos lembra-me o tempo em que ajuntamentos de três pessoas equivaliam a uma manifestação. Se o cidadão anónimo se limita a expressar a sua opinião ao vizinho, ao colega de trabalho ou ao companheiro da bica está bem, mas se lhe ocorrer fazer chegar essa opinião a umas dezenas, centenas ou mesmo milhares de pessoas isso incomoda os políticos. Começa-se logo a questionar quem é tal pessoa e se o blogger quiser continuar anónimo como sempre foi na vida anda muito boa gente a tentar identificá-lo.

O blogger não só é indisciplinado e pensa de forma livre como não está ao alcance das máquinas partidárias, ainda por cima diz o que pensa de um político sem lhe pedir para se pronunciar. Ao contrário do blogger, o jornalista está sempre ao alcance do assessor de imprensa (que em regra é um jornalista) o que permite aos políticos amaciar ou mesmo impedir que saiam muitas notícias. Além disso há sempre uns beberetes onde os políticos criam intimidades com jornalistas e articulista.

O que os políticos odeiam nos blogues não são os disparates que às vezes vemos, nem são esses blogger que os políticos mais temem. O que eles receiam mesmo é a opinião livre, aquilo a que eles não estão nada habituados é que o cidadão comum faça chegar a sua opinião a outros cidadãos comuns, sem que essa opinião seja filtrada pelos assessores.

Em suma, o que os políticos detestam mesmo é que os cidadãos tenham opiniões e que, ainda por cima, se consigam fazer ouvir.