sábado, janeiro 24, 2009

Repensar o desenvolvimento

Agora que o pais investe o que tem e o que não tem numa tentativa de salvar o que se pode de uma crise financeira e económica cuja dimensão ainda ninguém conhece, talvez merecesse a pena reflectir sobre o modelo de desenvolvimento que tem sido adoptado.

Se há verdade indesmentível sobre o que se tem passado na nossa é o constante aumento das desigualdades. Se há crescimento a prioridade está em aumentar a competitividade externa à custa dos rendimentos dos que trabalham, se a crise regressa a mezinha utilizada é a mesma, a contenção salarial é uma imposição pois dela depende a competitividade.

Nada tem sido feito para alterar um modelo económico que gera desigualdades e cuja viabilidade depende dessas mesmas desigualdades. Os pobres até poderão viver um pouco melhor, o salário mínimo até poderá aumentar dez ou quinze euros, mas os pobres continuam pobres, se comparados com os mais ricos até estão muito mais pobres, a diferença entre o vencimento do presidente da CGD e um funcionário de balcão do mesmo banco é hoje infinitamente maior do que em 1973.

Sócrates tem tentado provar que o seu governo é de esquerda porque aumentou este ou aquele apoio social, mas a verdade é que estas medidas poderão dar a ilusão estatística de que há menos pobreza mas não resolvem o problema, ainda por cima são financiadas por impostos cobrados à classe média, principalmente à classe média baixa. Nenhuma destas medidas resulta na redução da pobreza, apenas iludem a realidade.

Porque hão-de os mais pobres fazerem sacrifícios se sabem de antemão que serão excluídos dos benefícios do crescimento económico quando este regressar. Afinal de contas a diferença entre o salário mínimo e o subsídio de desemprego nem é assim tão grande, o mesmo sucedendo com o rendimento mínimo.

A solução passa por uma visão global do problema do desenvolvimento, não bastando esperar que o desenvolvimento tecnológico ou o investimento na educação resolverão problema por si. De que serve a escolaridade passar para os 12 anos se o Estado posta em grandes obras públicas que requerem trabalhadores pouco qualificados? De que serve apostar na educação dos filhos se serão os que têm melhores rendimentos a ocupar as vagas das boas universidades, precisamente as públicas onde as propinas são simbólicas?

Desde os anos 70 que em Portugal se confunde intencionalmente crescimento com desenvolvimento com os resultados cada vez mais desastrosos que estão à vista de todos.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Flores no Parque das Nações, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Alejandro Rustom / REUTERS]

«Un estudiante venezolano muestra su trasero como protesta contra el presidente Hugo Chávez.» [20 Minutos]

JUMENTO DO DIA

Cláudia Anaia, "socialista católica"

Sempre que em Portugal um grupo não quer que algo seja decidido invoca sempre as prioridades do momento, foi o que fizeram agora os "socialistas católicos" a propósito do casamento gay. Para estas cabecinhas durante os quatro anos de legislatura o parlamento apenas deve dedicar-se ao que entendem ser prioritário. Vá lá, arranjem argumentos menos cínicos e idiotas. O mais engraçado destes senhores é que acham que o país se deve centrar em temas importantes como a saúde, a justiça ou o desemprego, mas ao mesmo tempo defendem que tudo pare para durante uns meses os portugueses andarem às turras até um referendo.

AINDA ESTÁ VIVO

E pela indumentária ainda vai correr a meia-maratona.

O TABU É SERENO

«O primeiro-ministro anunciou, enquanto secretário-geral do PS, que na sua moção para o próximo congresso do partido propõe a legalização do casamento civil das pessoas do mesmo sexo. O anúncio teve lugar domingo passado. O assunto foi objecto de destaque nas notícias, nomeadamente quanto à hipótese de essa legalização incluir ou não a possibilidade de adopção. Esse destaque não resultou, no entanto, naquilo que normalmente se segue ao anúncio de uma medida considerada polémica: não houve declarações inflamadas da oposição (nem à esquerda nem à direita), nem debates na TV com gente contra e a favor. Os representantes das associações LGBT, que deviam ser disputados em noticiários televisivos, não deram sinal de vida na pantalha - à excepção da TVI, ninguém os chamou. Nem a sempre instantaneamente excitada blogosfera deu sinal de indignação. Será que afinal a medida é pacífica?» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

O ATOLEIRO

«Para quem me acompanha e tem a bondade de ler os textos que aqui vou escrevendo há mais de dois anos, não será surpresa a tese que segue: Portugal tem riscos sérios de viabilidade, se os portugueses não se aperceberem que os países, como as civilizações, são mortais. O problema é que - intoxicados por anos de relativo ou grande progresso, sossegados pela falta da memória de crises graves, habitados por uma cultura de direitos sem responsabilidades, incapazes de sentir o interesse colectivo, formados nos tempos das reivindicações que se seguiram ao 25 de Abril - os portugueses não querem perceber os riscos, nem mesmo acreditam nos perigos.

Esta não é uma coluna autobiográfica; mas em todo o caso, devo dizer em minha defesa - perante o que de brutal vou escrever a seguir - que tenho actividade profissional sem cessar há mais de 37 anos (sem contar o tempo de estudos), raro é o dia em que não trabalho (de forma remunerada ou em actividades de responsabilidade social) mais de dez horas, tudo o que ganhei numa vida de esforço e algum sucesso está investido em empresas familiares da economia real que dão emprego a centenas de famílias, não especulo na bolsa, pago os meus impostos sobre tudo o que ganho, continuo a investir praticamente todos os meus rendimentos, não levo uma vida de ostentação, luxo ou lazer.

Os sectores económicos por onde tenho passado (advocacia, media, hotelaria) são altamente competitivos e concorrenciais, e posso com algum orgulho dizer que triunfei neles sem fazer batota, sem pactuar com ilegalidades, sem corrupção ou vícios sociais idênticos.

Julgo, por tudo isso, que ganhei o direito a criticar este estado de coisas em que Portugal se atola. Como povo somos pouco produtivos, trabalhamos menos que a generalidade dos nossos concorrentes, aceitamos e praticamos com mais facilidade comportamentos ilegais ou desonestos, damos muito pouco à sociedade, não respeitamos os bens públicos, a evasão e a fraude fiscais não são censuradas pela colectividade, a batota é considerada como um sinal de inteligência.

Tudo isto está no processo causal do lodaçal em que nos vamos afundando, lentamente, como em areias movediças. Todos os anos perdemos competitividade, nos afastamos mais dos povos mais evoluídos, diminuímos a densidade de formação, desperdiçamos recursos. Achamos que não devemos pagar impostos, mas que o Estado nos deve proteger nas nossas dificuldades e, por isso, não pensamos no dia de amanhã que não seja para sonharmos com mais uma viagem de férias, mais consumo, mais desperdício, mais exigências, menos esforço.

Estamos agora perante a mais grave crise que os portugueses enfrentaram pelo menos nos últimos 80 anos. O que significa que não existe praticamente um português que tenha na sua memória a sensação de brutal perda total e generalizada do que julgávamos adquirido. Estamos gravemente doentes como povo, mas ainda não estamos mortos. Se percebermos, se mudarmos de hábitos, se reagirmos, ainda nos podemos salvar.

O problema é que estamos a enfrentar esta crise com as respostas erradas e, pior ainda, com as perguntas erradas. A luta política chegou ao nível mais rasteiro, com uma classe política incapaz de fazer sacrifícios (Quando a redução das dotações aos partidos? Quando a redução do número de câmaras e de juntas de freguesia? Quando a redução do número de deputados, membros de assembleias municipais e assembleias de freguesia?) e todos os partidos estão irmanados na tentativa de encontrar bodes expiatórios para evitarmos enfrentar as verdadeiras causas da nossa decadência e por isso termos de mudar de vida.

Claro que a ganância e a fraude têm culpas no cartório. Sem dúvida que as injustiças sociais destroem a coesão nacional. É evidente que baixas remunerações dificultam a motivação e o altruísmo. Mas o que vamos viver em 2009 existe apesar disso. E podia não existir mesmo com isso tudo de negativo.

O problema reside em todos e cada um de nós. Temos de trabalhar mais. Temos de obrigar os que não cumprem os seus deveres perante a sociedade a pagar por isso. Não podemos continuar a sustentar um Estado com pessoal a mais, com direitos superiores aos que existem no mundo privado e que são muito menos produtivos. Não podemos continuar a ter um regime laboral que favorece os patrões que abusam e os trabalhadores que não se esforçam.

No fundo, temos de perder poder de compra e direitos sociais, não podemos continuar a "adoecer" estrategicamente quando nos convém prolongar um fim-de-semana, temos de trabalhar mais horas com a mesma ou menor remuneração, temos de correr mais riscos e com isso receber mais prémios, temos de ser mais responsáveis e responsabilizados.

O drama é que isso são reformas que os portugueses sabem ser inevitáveis, que aceitam para os outros, mas que recusam para si. As lutas dos funcionários públicos para manterem empregos em que não trabalham, dos professores para não serem avaliados, dos sargentos para continuarem a existir sem soldados e tantos outros exemplos aí estão a fazer-me desanimar.

2009 tem de servir para mudarmos com o choque. Se o conseguirmos, abençoo a crise. Se não o fizermos, não acredito que Portugal sobreviva como país independente. E a miséria chegará por ondas cada vez maiores.» [Público assinantes]

Parecer:

Por José Miguel Júdice.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

ANTÓNIO COSTA QUASE COM MAIORIA ABOSLUTA NAS SONDAGENS

«Se as eleições autárquicas fossem hoje, António Costa ganharia, com quase maioria absoluta, a presidência da Câmara Municipal de Lisboa. Mas a grande surpresa seria a independente Helena Roseta ao consquistar 16,5 por cento dos votos. » [Correio da Manhã]

Parecer:

Ou estou muito enganado ou ainda antes das eleições Santana Lopes opta por ir para deputado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

CDS DECIDE APOIO A SANTANA EM FEVEREIRO

«A concelhia do CDS-PP de Lisboa vai reunir-se na primeira semana de Fevereiro para decidir o aval a uma eventual coligação com o PSD nas eleições autárquicas, apoiando assim Pedro Santana Lopes.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Quando desistir já Santana desistiu da candidatura.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se por Fevereiro.»

O PSD É CONTRA O AUMENTO DOS VENCIMENTOS DOS FUNCIONÁRIOS

«O vice-presidente do PSD António Borges afirma ao DN que o aumento anunciado pelo Governo para a função pública de 2,9% "é uma medida eleitoralista", que vai "ter um impacto muito negativo na economia portuguesa". O economista sublinha que, em anos muito mais favoráveis, o Executivo não deu aumentos deste montante aos funcionários públicos. "Eles merecem muito mais, mas só num contexto de reforma da Administração Pública que, foi prometida, mas não foi feita."» [Diário de Notícias]

Parecer:

Agora?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Elogie-se António Borges pelo sentido de oportunidade e sugira-se-lhe que divulgue a sua declaração de rendimentos.»

PROPOSTA DE SUSPENSÃO DA AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES FOI CHUMBADA

«A maioria PS chumbou, esta sexta-feira, o diploma do CDS-PP para suspender a avaliação dos professores. O diploma foi rejeitado com os votos contra de 116 deputados do PS.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Mais uma derrota de Mário Nogueira.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se pela próxima proposta .»

SINDICALISTAS DA FENPROF ACUSAM PCP DE INTROMISSÃO

«Quatro dirigentes do Sindicato dos Professores do Norte (SPN) demitiram-se do PCP, acusando o partido de se imiscuir na vida interna da estrutura sindical, disse à Lusa uma das demissionárias.

«Os sindicatos são estruturas independentes quer o PCP goste ou não goste», disse à Agência Lusa Júlia Vale, membro do secretariado nacional e do conselho nacional da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e dirigente do SPN. » [Portugal Diário]

Parecer:

Essa intromissão é mais do que evidente da mesma forma que o é o facto de o conflito estar a ser orientado no sentido do impasse e não da defesa do interesse dos professores.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao avô Boca Doce.»

JÁ HÁ BONECAS COM AS FILHAS DE OBAMA

«La nueva primera dama de Estados Unidos, Michelle Obama, está molesta por la aparición de dos muñecas con los nombres de sus hijas.

Las dos muñecas de 30 centímetros de alto, que se venden a diez dólares, acaban de ser sacadas al mercado por una empresa y se llaman ´Sweet Sasha´ (Dulce Sasha) y ´Marvellous Malia´ (Maravillosa Malia).» [20 Minutos]

MOROZOVA ANNA

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Pequenas iniciativas empresariais

Não basta apostar no investimento ou mesmo na formação para que uma boa parte da população consiga aceder a níveis de rendimentos razoáveis. Além disso o custo suportado pelos contribuintes nos apoios a investimentos privados que criam emprego é muito elevado, muitas vezes gera apenas emprego qualificado e não oferece garantias de manutenção dos postos de trabalho a médio prazo.

Muitos portugueses que estão no desemprego dificilmente conseguirão voltar a ter emprego ou, se o conseguirem, a ter um emprego estável e remunerado como aquele que perderam nos últimos anos. Os próximos anos serão difíceis para quem perdeu o emprego, não só terão dificuldades de encontrar ofertas de emprego como quando a economia recuperar o nível de qualificação exigido pelos novos investimentos será mais elevado.

Todavia, muitos trabalhadores que por falta de qualificações não encontram emprego seriam capazes de lanças pequenas iniciativas empresariais, como o tem demonstrado o sucesso do microcrédito. São pequenas empresas que criam emprego estável, que estabiliza o tecido social de regiões fortemente atingidas pela desertificação social ou penalizadas por sucessivas crises económicas.

Se em condições económicas normais estas iniciativas deveriam merecer mais apoio por parte dos governos, numa crise gerada pelas dificuldades de acesso ao crédito a criação de pequenas iniciativas empresariais deveriam ser uma prioridade governamental.

Em Portugal as pequenas iniciativas empresariais são fortemente penalizadas pela corrupção na infinidade de instituições envolvidas no licenciamento de projectos, pelas normas e burocracias feitas à medida dos grandes projectos e pelas autoridades que preferem dar milhões a projectos que proporcionam vistosas cerimónias de inauguração.

Lançar uma pequena empresa em Portugal, cumprindo todas as regras é um inferno, quando as licenças camarárias são emitidas já caducaram as dos organismos governamentais e quando todas as licenças foram concedidas já o pequeno investimento se multiplicou ao ponto de se tornar insuportável. Isto na hipótese de o pequeno investidor ter recorrido a poupanças pois se investiu com recurso ao crédito bancário quando começar a produzir já os juros duplicou a dívida.
Para promover estas iniciativas é necessário apoiar, simplificar procedimentos e desburocratizar os serviços do Estado, para além de desenvolver uma cultura de serviço do cidadão ainda inexistente. É necessário igualmente proporcionar o acesso ao crédito com juros razoáveis e sem o oportunismo das chorudas comissões de análises do processo e outros truques dos bancos para ficarem com parte do crédito que concedem ainda antes de o disponibilizarem.

Se o Estado dá avales de milhares de milhões de euros aos banqueiros porque não adopta medidas equivalentes para pequenas iniciativas de emprego? Se joga dinheiro à rua com falsa formação profissional porque não promove formação de apoio e estímulo a estas iniciativas?

Este desprezo do Estado pelas pequenas iniciativas empresariais é um erro, perde-se a oportunidade de criar muitos milhares de empregos com um investimento mínimo e, ao mesmo tempo, o Estado vai jogando dinheiro à rua com formação profissional para inglês ver, subsídios de desemprego, apoios sociais dos mais diversos tipos e investimentos públicos para empregar serventes de pedreiro.

O desenvolvimento não está apenas nas mães dos grandes empresários ou dos banqueiros, esse modelo de desenvolvimento marginaliza muitos portugueses que têm tanto direito aos apoios do Estado como os banqueiros que investiram as poupanças dos seus clientes em operações desastrosas, ou empresários que estão não estão em condições de enfrentar a crise porque quando tiveram lucros se esqueceram de apostar na modernização das suas empresas, optando por aplicações financeiras ou pelo consumo privado.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Mértola

IMAGEM DO DIA

[Reuters]

«Former President George W. Bush looks out over the US Capitol as his helicopter departs Washington» [Telegraph]

[Bernat Armangue/Associated Press]

«An Israeli soldier waited Wednesday at a southern Israel bus stop close to the Israel-Gaza border. The last Israeli troops left the Gaza Strip before dawn Wednesday.» [The Wall Street]

[Olivier Laban-Mattei/Agence France-Presse]

«A man smoked a cigarette Thursday as he rested with his son at a Gaza City school run by the United Nations Relief and Works Agency for Palestinian refugees. The U.N. urged Israel to reopen Gaza crossings following its withdrawal Wednesday.» [The Wall Street]

JUMENTO DO DIA

Cavaco Silva, Presidente da República

Se quando cumpriu dois anos de presidência Cavaco Silva mereceu o meu elogio, agora que terminou o seu terceiro ano do seu mandato a minha opinião mudou, tivemos dois anos de Cavaco Silva na Presidência da República e um terceiro ano de cavaquismo presidencial.

Coincidência ou não, desde que Manuela Ferreira Leite chegou à liderança do PSD o Palácio de Belém tornou-se no centro da intriga política. Cavaco até tem mantido uma postura tranquila e cada vez mais distante do Governo, mas enquanto o Presidente se abstém de grandes críticas ao Governo, a "fonte de Belém" tem-se desdobrado em lançar a intriga nos jornais.

Tudo começou com a escolha de Manuela Ferreira Leite, na ocasião o Expressão noticiou o envolvimento da Presidência da República o que suscitou um desmentido, mas o Expresso manteve o que tinha escrito. O ponto mais alto aconteceu com a primeira comunicação sobre o Estatuto dos Açores, que chegou ao conhecimento dos portugueses graças a uma notícia do Público baseada numa "fonte de Belém". Como se não bastasse a intriga da "fonte de Belém" chegou-se ao cúmulo de ver Manuela Ferreira Leite antecipar por várias vezes as declarações públicas de Cavaco Silva, denunciando um acesso privilegiado às opiniões de Cavaco Silva e, pior do que isso, ter autorização para antecipar as declarações de Cavaco Silva.

Este terceir ano foi a oportunidade de Cavaco Silva cumprir a promessa que fez dezenas de vezes durante a campanha presidência, que os seus conhecimentos de economia serviriam para ajudar o Governo e o país. A verdade é que o país e o mundo mergulharam numa das maiores crises da história e de Cavaco Silva nem uma única palavra, atento às sondagens de opinião Cavaco Silva parece estar mais preocupado com a sua imagem e uma futura reeleição do que com o país, parece recear que o seu envolvimento na busca de soluções o prejudique. É isto o cavaquismo na sua essência, foi assim que Cavaco governou Portugal, mais preocupado com a sua imagem e o seu sucesso eleitoral do que com o futuro do país.

Neste terceiro ano Cavaco Silva mudou de estratégia, a cooperação estratégica que ninguém viu deu lugar ao puro calculismo político, ao cavaquismo presidencial. Enquanto o país enfrenta a crise Cavaco Silva gere a sua imagem a pensar nas próximas eleições presidenciais.

28 PERFEITOS ANOS

«Ontem, as minhas filhas fizeram 28 anos. Sempre considerei, após pesarosas pesagens e comparações, que é a melhor idade que um ser humano pode ter.

Quando tinham 27, calei-me bem calado: não as podia animar. Só ontem, logo à meia-noite, lhes disse que os parabéns que lhes dava era por terem sobrevivido os 27 anos. É uma idade em que não se tem 25 anos há dois anos; em que nem sequer se tem já 26 - uma idade intermédia e desinteressante, em que nem se é jovem nem nada.

Mas 28 anos é a idade mais bonita que há. A partir dos 28, o declínio é tão suave - está tão bem concebido até aos 37 - que até a travessia dos 30 é fita. E porquê? Porque o pior ou já passou ou ainda demora muito tempo a chegar. Só a partir dos 37 se compreende porquê. E, mesmo assim, pouco. Graças a Deus.

Só sabe quem já teve. 28 anos é 7; é 14; é 21 e, melhor do que tudo, são 28. São todas boas idades, mas difíceis. Com 7 já não se tem 5. Com 14 é um armário que não era aos 11. Com 21 parece tudo ginja, mas o fulgor dos 19 já lá vai. E só não é mais deprimente porque toda a gente com mais de 21 anos está deprimida e mente.

Quando elas tinham 2 anos, eu tinha 14 vezes mais anos que elas. Agora que têm 28, nem sequer o dobro tenho. A idade das duas juntas é maior do que a minha (53): é um consolo. Estamos cada vez mais próximos.

Chamam-se Sara e Tristana e pode dizer-se que tenho um fraquinho por elas - oh, sei lá - há mais de 28 anos já.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Miguel Esteves Cardoso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

BUSCAS EM CASA DE FAMILIAR DE SÓCRATES

«Elementos da Polícia Judiciária e magistrados do Departamento Central de Investigaçãp e Acção Penal (DCIAP) fizeram hoje de manhã buscas na casa e empresas de Júlio Carvalho Monteiro, tio do primeiro-ministro José Sócrates, e do advogado Vasco Vieira de Almeida.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Ou muito me engano ou no fim da próxima legislatura e antes das eleições legislativas ainda vamos a assistir a novas investigações no caso Freeport.

É evidente que seja ou não Sócrates suspeito neste caso o processo deve ir até ao fim sem limites quanto aos suspeitos que possam estar envolvidos, ninguém está acima da lei. Mas que seja desta que as investigações cheguem ao seu final, sem mais demoras, ainda que se admita que neste caso o calendário possa ter sido influenciado pela resposta das autoridades britânicas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se aos senhores procuradores que avancem com um partido e façam política como os outros portugueses, porque apesar de algumas golpadas sem grande sucesso Portugal ainda tem uma democracia.»

A ETA TAMBÉM É CONTRA O TGV

«A 3 de Dezembro de 2008, o empresário Ignacio Uría foi morto à porta de casa pela organização terrorista basca. Foi a primeira vítima mortal da campanha da ETA contra a construção da linha de comboio de alta velocidade (TGV) no País Basco, mas pode não ser a última. Ontem, no comunicado publicado no jornal Gara, em que reivindicava essa "execução", a ETA ameaçou de morte os responsáveis do "projecto destruidor". E lançou farpas aos media espanhóis. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Parece que a ETA não quer nem investimento nem uma via que una o País Basco ao resto de Espanha.

GONÇALO AMARAL LANÇA CONFUSÃO NO PSD

«A distrital do PSD de Faro, liderada por Mendes Bota, vai avançar com o processo da candidatura de Gonçalo Amaral à Câmara de Olhão e enviá-lo para a Comissão Coordenadora Autárquica. Como o nome do ex-inspector da PJ já foi rejeitado publicamente tanto pela líder do partido como pela comissão presidida por Castro Almeida, a estrutura algarvia deve colocar a candidatura "nos braços" de Manuela Ferreira Leite. Ou seja, demitir-se-á de encontrar uma alternativa ao nome aprovado na terça-feira à noite pela Comissão Política Distrital do PSD de Faro.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Parece que é um hábito.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Gonçalo Amaral se já começou a escreve o seu novo livro, o caso Olhão.»

VAMOS GANHAR MAIS (CEDO O QUE É NOSSO)

«Há um preço a pagar: em meados de 2010, os reembolsos de IRS também serão, em princípio, menores. Acresce ainda, que para a generalidade dos contribuintes o imposto sobre os salários deverá baixar, à custa das chamadas medidas anti-clicas aprovadas pelo Governo, após a apresentação do Orçamento de Estado para 2009. E, já este ano, o Executivo permitirá a dedução à colecta do IRS de mais juros pagos pela compra de casas, principalmente nos escalões mais baixos do imposto.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Não passa de um truque.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proponha-se ao ministro das Finanças a assumir que no futuro não manipulará as tabelas de retenção na fonte.»

NO MELHOR PANO CAI A NÓDOA

«Partes do processo de pedofilia da Casa Pia, em que se incluiu toda a investigação ao embaixador Jorge Ritto em 1982 - dada como desaparecida quando em 2002 rebentou o escândalo - foram descobertas no sistema informático da Comissão Nacional da Protecção de Dados (CNPD). Também ali apareceu um depoimento de Ferro Rodrigues ao Ministério Público (MP) dado em 2003. Trata-se de 18 ficheiros descobertos em pastas partilhadas no computador da responsável pelas relações públicas, Clara Guerra, a que qualquer funcionário podia aceder. Luís Silveira, presidente da comissão, contactado pelo DN, recusou-se a comentar, justificando que o caso "foi entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR)". Esta entidade, por seu lado, garantiu que ainda não houve "denúncia formal" e que "não foi determinada a abertura de inquérito".» [Diário de Notícias]

Parecer:

Parece que aqueles que velam pela protecção dos nossos dados são, afinal, muito curiosos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se.»

JUIZ ESTRAGA "NEGÓCIO" DA OPERAÇÃO FURACÃO

«A decisão do juiz Carlos Alexandre, em não ratificar uma proposta de suspensão de um caso da "Operação Furacão", está a provocar o pânico noutros arguidos do processo que estão numa situação semelhante. Ao que o DN apurou, junto de uma fonte directamente ligada ao caso, o Ministério Público vai avançar com mais propostas, esperando pela decisão do juiz. O que deve prevalecer? A perseguição criminal ou o pagamento dos impostos em dívida? As opiniões de juristas, contactados pelo DN, dividem-se.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Gosto de ver as opiniões favoráveis aos infractores por parte de algumas personalidades que vivem do negócio da advocacia fiscal.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se.»

OS IRMÃOS CASTRO NAMORAM OBAMA

«El que fuera presidente de Cuba durante casi 50 años, Fidel Castro, ha roto su silencio tras cinco semanas de ausencia para alabar al nuevo presidente de EE UU, Barack Obama. Así, el líder cubano elogió la "honestidad" del mandatario estadounidense, de la cual dijo que no alberga "la menor duda".

Castro, cuyo silencio había despertado rumores sobre su salud, hizo estas afirmaciones en un artículo en Gramma, el diario oficial del régimen, donde periódicamente publica lo que él denomina sus "Reflexiones". » [20 Minutos]

OBAMA ESTÁ INTERESSADO NO SOFTWARE OPEN SOURCE

«President Barack Obama is a smart guy. Where others zig, he zags. It's perhaps not surprising, then, that he's been asking around about the benefits of open source, according to Sun Chairman Scott McNealy, who has been asked by President Obama to author a white paper on the benefits the U.S. government can derive from open source.» [CNet]

CANDIDATA BRASILEIRA A MISS UNIVERSO TEVE DE AMPUTAR OS PÉS E AS MÃOS

«A two-time Miss World finalist has had her hands and feet amputated after being struck down with an infection.

Brazilian model Mariana Bridi, 20, had emergency surgery this week after she fell ill with a virus that spread to her blood.» [Mail online]

UM BLOGUE EM ESTADO DE COMA?

A Grande Loja do Queijo Limiano, um blogue que para muitos era o blogue dos magistrados e que a determinada altura tinha muitas ambições, que se foram esvanecendo depois do PS ter ganho as eleições legislativas.

É sempre pena que uma voz de cale ou comece a gaguejar.

IMAGEM OBTIDA COM UM iPHONE [Link]

«The cheap CMOS sensor of an iPhone does not expose the whole thing at once, it scans from left to right. If you take a picture of something that moves very fast (like an airplane prop) you can get some crazy pictures out of it since each column represents a slightly different time.»

DAVID MESTER

CABELEIRAS PARA ANIMAIS DOMÉSTICOS [imagens]

ALCOÓLICOS ANÓNIMOS