sábado, junho 13, 2009

Porquê os políticos têm medo da Web2

Os políticos portugueses dão-se mal com a Web2 e não só ainda não entenderam o seu peso na formação e dinamismo da opinião pública como têm grande dificuldade e relutância em assumir o risco de apostar num espaço de liberdade que está longe da semi-clandestinidade com que inicialmente foi abordada. São raras as excepções de políticos que assumem o risco, um dos poucos políticos a apostar na Web2 foi Paulo Rangel.

A abordagem que Pacheco Pereira tem feito dos blogues diz bem como os políticos se dão mal com a possibilidade de qualquer cidadão se expressar para uma audiência maior do que a mesa de um café, enquanto a blogosfera esteve que reservada a políticos e jornalistas foi uma maravilha, quando se multiplicaram os blogues de cidadãos anónimos começámos a ouvir cobras e lagartos, multiplicaram-se as tentativas para criar códigos e regras de conduta.

Os nossos políticos são grandes defensores da liberdade de expressão na condição de lhes ser reservada a comunicação para as grandes massas, para o cidadão comum a liberdade de expressão deve limitar-se à mesa do café. Não admira que políticos como António Costa assuma publicamente o seu desprezo ou ódio aos blogues.

Para um político é fácil gerir as suas relações com uma dúzia de jornais, as relações entre eles e os jornalistas são verdadeiros negócios, dão-se informações e em troca beneficia-se da ausência de crítica. Com os blogues isso é impossível e numa classe política com muitos telhados de vidro o risco de um blogue denunciar o que um jornal abafou é muito grande.

Alguns políticos têm ensaiado algumas tentativas de participar na Web2 mas os resultados têm sido fracos, são poucos os blogues do género que são visitados e o que sucedeu com o blogue de Luís Filipe Menezes, onde foram colocados textos plagiados, revela bem a dificuldade dos nossos políticos dizerem algo que ultrapasse o banal. Outro exemplo é a página de Sócrates, aparentemente é uma tentativa de participar na Web2 mas não passa de uma página publicitária, esquece que os cidadãos têm opiniões e não são apenas espectadores e admiradores.

A Web2 portuguesa tem uma importância bem maior do que a que resulta da sua dimensão, é aí que encontramos as novas ideias, onde projectos políticos são estimulados ou destruídos, é, sem dúvida, um dos sectores mais dinâmicos da opinião pública. São cada vez mais os portugueses que para formarem a opinião se envolvem nos debates promovidos por blogues, ou outros meios da Web2.

Só que os nossos políticos estão convencidos de que ganham eleições, com golpes de bastidor, outdoors apelativos e a amabilidade da comunicação social. Além disso fogem do cidadão com opinião como o diabo foge da cruz, para os nossos políticos o cidadãos é um estúpido a quem está reservado o papel de ouvir e de votar. Mesmo sabendo que as eleições também se ganha e se perdem na Web2 os políticos têm medo de apostar neste domínio, ainda estão no tempo dos comícios e das arruadas onde ao cidadão comum cabe o papel de bater palmas e agitar bandeiras.
Os políticos não participam de forma consistente na Web2 por três razões: porque acham que os cidadãos são estúpidos, porque acham que os cidadãos devem continuar estúpidos e, acima de tudo, porque têm medo dos cidadãos.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Parque das Nações, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Bernard Troncale/The Birmingham News via Associated Press]

«Caden Parrish, 4, saluted his father’s arriving coffin at a Birmingham, Ala., base Thursday. Army Spc. Charles Parrish, 23, was fatally wounded in Iraq, June 4.» [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

João Rendeiro

Aquele que antes de cair em desgraça era para muito o mago da alta finança veio agora apresentar uma solução para salvar os depositantes que o banco enganou. Se fosse nos EUA estaria na cadeia já com julgamento e transito em julgado, mas como estamos em Portugal anda em liberdade e tem direito a entrevistas às televisões em prime time.

AVES DE LISBOA

Pombo-comum [Columba livia]

FLORES DE LISBOA

Flor do Jardim Tropical

TUDO CALADO

«Enquanto o dr. Cavaco e o dr. Barreto pregavam em Santarém, Portugal dava um extraordinário espectáculo da sua otávica irresponsabilidade.

O dr. Cavaco e o dr. Barreto estiveram anteontem em Santarém, onde o dr. Cavaco pregou a nossa regeneração pela verdade e o dr. Barreto pregou a nossa regeneração pelo exemplo. Foi com certeza uma festa muito bonita e consoladora para quem gosta daquele género de oratória. Infelizmente, ao mesmo tempo, pouco sensível à elevação moral dessas duas patrióticas figuras, Portugal dava com a maior indiferença um extraordinário espectáculo da sua atávica irresponsabilidade. Como se sabe, da meia dúzia de empresas de sondagens só uma se aproximou dos resultados da eleição de domingo. De resto, todas se enganaram grosseiramente. Não previram a vitória do PSD, não previram (evidentemente) a substancial queda do PS e não previram a sobrevivência e os dois deputados do CDS.

Em Inglaterra, por exemplo, isto teria sido um escândalo. Durante uma semana a televisão e os jornais não se calariam. O mundo inteiro pediria explicações. Haveria indignação e haveria censura. Porque, se em princípio se pode admitir um pequeno erro, não se pode admitir a uma classe profissional inteira (bem paga ainda por cima) um fracasso quase absoluto. Cá pela terra, ninguém abriu a boca. A televisão nem na noite de 7 falou a sério do assunto e a imprensa desta última semana arrumou-o com um parágrafo de passagem. Os portugueses gostam dos portugueses. Os portugueses não querem prejudicar portugueses. Para comover esta família mole e complacente que nós somos é preciso um roubo ("uma roubalheira") que acicate a sua ancestral miséria. Quanto ao resto, cada um que trate da sua vida.

E, no entanto, o erro geral das sondagens deturpou fatalmente a eleição de 7. A aparente solidez da posição do PS convenceu milhares de socialistas de que não valia a pena votar? A aparente fraqueza do PSD convenceu milhares de militantes da seita a ficar em casa ou a começar mais cedo as férias dos feriados? Se o CDS ia de facto desaparecer abjectamente com o máximo de 4 pontos (para uma empresa muito especial era menos de 1), merecia mais do que uma consideração sentimental? Nunca se descobrirá o que sucedeu. Dizem os técnicos de sondagens que a abstenção atrapalhou o quadro. Mas não existem eles precisamente para resolver essas dificuldades? Pior: o precedente da subestimação sistemática do eleitorado do CDS não acendeu uma luzinha numa qualquer tremelicante cabeça? O dr. Cavaco e o dr. Barreto escusam de se cansar. O país não lhes liga.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Vasco Pulido Valente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

PENSO EU DE QUE...

«Já sei, a dimensão da abstenção nas eleições de domingo tornou-as numa sondagem de má qualidade. Mas, em todo o caso, resta um facto que, pela sua dimensão e consistência, tem de ser considerado relevante: todos os partidos de esquerda que estão a governar perderam as eleições, ao passo que todos os partidos de direita que governam, com excepção da Grécia, ganharam as eleições.

Os juízes e advogados sabem que os factos são em regra objectivos, mas as interpretações nem sempre são unívocas. Por isso cada um de nós pode tentar encontrar uma explicação para isto, admitindo-se até que se defenda que cada caso é um caso e que em cada país jogou um factor especial, de tal modo diverso que será impossível deles extrair uma regra geral. Poderá ser assim, mas sinceramente parece-me improvável que - pelo menos em termos estatísticos - não haja uma explicação geral.

Arrisco uma hipótese: os governos de esquerda têm sido obrigados a concretizar políticas de direita. Não o fazem por serem masoquistas, estúpidos, traidores ou por terem enlouquecido. Fazem-no porque não há hoje alternativa, como não havia ontem. Por esse motivo, quando confrontados com a crise gravíssima que estamos a viver, a reacção dos eleitores vai claramente no sentido de preferirem a real thing, sobretudo porque os governos de esquerda que estavam a esforçar-se por colocar ordem na casa, ao depararem com a crise e a contestação sociais, optaram em regra por uma mudança na prática, moderando o reformismo, diminuindo o rigor, adiando as medidas difíceis.

Deram, portanto, uma súbita guinada; mas isso não os fez recuperar os eleitores que lutam contra as reformas, contra o rigor, contra os sacrifícios. O resultado (injusto, talvez) foi alienar eleitores à direita que deixaram de acreditar que fosse verdade o que estava a ser dito e feito no período anterior. Daí a subida do voto em partidos extremistas (à direita e à esquerda, como a Frente Nacional no Reino Unido e o Bloco de Esquerda em Portugal), partidos xenófobos (como na Holanda), partidos folclóricos (como o Partido dos Piratas na Suécia) ou partidos de contracultura (como os ecologistas em França).

Não é por isso de estranhar que assim tenha sido, numa eleição que manifestamente é aquela em que a liberdade dos votantes melhor se exprime, pela noção evidente que têm da inconsequência e irrelevância do seu voto.

Isto explica em grande parte o que ocorreu em Portugal, mas não explica tudo. O resultado português foi também produto de um factor tendencialmente estrutural e de dois factores conjunturais. O primeiro é a evolução para a formação em Portugal de um bloco radical de esquerda que, pela primeira vez, ultrapassou 20 por cento dos votos, mas que continua em progressão. Logo após as eleições de 2005 previ que assim seria, creio que de forma pioneira. Há que contar com isso e com os efeitos disso.

Os outros factores foram o efeito Paulo Rangel e o anti--efeito Vital Moreira. Em 28 de Abril, num texto intitulado "Rangel e a sua circunstância", antecipei um sucesso político para o então líder parlamentar do PSD. A minha profecia pecou por cautela (ainda que tenha sido a única pessoa a prever que se tornasse a "coqueluche" que hoje é) e os resultados eleitorais confirmaram-me na convicção de que há que contar com ele para suceder a Manuela Ferreira Leite se o resultado nas legislativas for mau. Por si só, Rangel valeu muitos pontos percentuais, pelo menos a diferença entre uma (prevista) vitória à tangente sobre o PS e a clara vitória que ocorreu.

Pelo seu lado, Vital Moreira revelou-se um erro de casting. Surgiu fundamentalmente como uma forma de ganhar votos à esquerda: era uma espécie de Manuel Alegre viável. Só que um partido de governo não ganha votos mostrando uma linha política diferente e produtora de cacofonia, ganha-os mantendo uma coerência, mesmo que seja - como no caso de Berlusconi - a coerência da buffonnerie.

Vital foi também um erro por outra razão. Vindo de uma outra época mediática, com uma linguagem inadaptada ao tempo dos sound bites, a fazer os combates contra o seu passado e tentando demonstrar que lhe continuava essencialmente fiel, não conseguiu fazer mais do que alienar apoios à direita e provocar crispação à esquerda, sem mobilizar as bases socialistas que o não conhecem do circuito da carne assada e das missas-comícios.

A direita ganhou na Europa; não foi a esquerda que perdeu. A esquerda ideológica não ganhará nunca uma eleição na Europa, visto que não as ganha sequer na conjuntura que poderia ser-lhe mais favorável.

Agora, José Sócrates tem uns amigos a dizer que é preciso mudar de políticas e outros a afirmar que é preciso continuá-las. Pelo meu lado, aqui vai gratuitamente um conselho desinteressado: a questão não é continuar ou mudar, pois os últimos meses foram claramente tempos em que a dinâmica reformista do Governo diminuiu. Vê-se agora que a táctica não resultou. Antes de perder a dinâmica reformista, Sócrates caracoleava próximo da maioria absoluta. Depois começou a piscar o olho à esquerda, como se à direita já tivesse o terreno garantido. Criou assim um vazio, e a natureza política tem horror ao vazio.

Para ganhar as eleições do Outono, o PS tem de assumir sem estados de alma que é um partido centrista com uma memória histórica de esquerda e agir em conformidade. Deve apostar em temas como a ecologia (onde o Governo pode mostrar obra), garantir que, apesar das manifestações, o esforço reformista para salvar o Estado Social continuará, fazer a pedagogia da governabilidade e abrir-se à sociedade.

Claro que pode, pelo contrário, fazer tudo para roubar votos ao Bloco de Esquerda e para agradar a Manuel Alegre. Com isso passará a ter boa imprensa. Mas provavelmente irá perder à direita as eleições que quiser ganhar à esquerda. Penso eu de que...» [Público assinantes]

Parecer:

Por José Miguel Júdice.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

RONALDO PODIA ALIMENTAR 8,6 MILHÕS DE ETÍOPES

«O Programa Mundial de Alimentação (World Food Programme), da Organização das Nações Unidas, não passou ao lado da milionária transferência de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid. No seu «site» oficial, um responsável do programa fez as contas e percebeu que os 94 milhões de euros oferecidos ao Manchester United serviriam para financiar cerca de 520 milhões de refeições escolares! » [Portugal Diário]

Parecer:

Mas parece que se ficou pela Paris Hilton.

CARLOS BARRIUSO AMO

THE GREEN PARTY (FINLÂNDIA)

sexta-feira, junho 12, 2009

Os dez erros de Sócrates

O primeiro erro de Sócrates é estar convencido de eu ele próprio não comete erros como se a história lhe viesse dar razão em todas as suas decisões. Está convencido de que tem um instinto infalível em política o que o leva a cometer erros de palmatória, o último exemplo foi a afirmação em pleno parlamento de que não iria perdoar as multas que a DGCI estava a aplicar aos idosos que se tinham esquecido de entregar a declaração de rendimentos. Foi o que se viu, três semanas depois o ministro das Finança vinha divulgar, tarde e a más horas, o perdão das multas.
O segundo erro são as suas escolhas políticas, em duas eleições, a presidencial e as europeias, fez escolhas desastrosas que apenas serviram para servir a vitória aos adversários. Sócrates está convencido de que é o Pinto da Costa da política, que ganha o campeonato com qualquer treinador.

O terceiro erro é o fundamentalismo que imprime às suas reformas ao ponto de estar mais empenhado com a implementação dessas reformas do que com os seus resultados. É incapaz de perceber que as reformas só são viáveis se não tiverem como pressuposto a humilhação dos seus destinatários, o resultado é conseguir a unanimidade na oposição às reformas. A forma como muitos bons professores foram excluídos da categoria de titular é um dos exemplos desse autismo de Sócrates.

O quarto erro é a confiança nos seus seguidores ao ponto de algumas personagens apagadas se tornarem em figuras mediáticas acabando por se tornarem em pequenos títeres só porque se julgam ser a mão de Deus. A directora da DREN e o presidente da ASAE são dois bons exemplos de como personagens de valor mediano se tornaram em símbolos de regime.

O quinto erro de Sócrates foi confiar em Cavaco Silva ao ponto de o ter ajudado a eleger-se logo à primeira volta, julgou que a semelhança das suas personalidades seria uma garantia de apoio militante do Presidente. Enganou-se, Cavaco Silva é um político modesto a quem a sorte colocou no centro da vida política portuguesa e que está convencido que poderá vir a ser a grande personalidade da história moderna do país. Para Cavaco os seus objectivos estão acima de tudo o mais e não perderá a mais pequena oportunidade para acumular as atribuições de Presidente da República com o exercício indirecto das funções de primeiro-ministro.

O sexto erro de Sócrates é não saber como e quando remodelar o governo, estando convencido de que é preferível levar maus ministros até ao fim do que dar o braço a torcer fazendo uma remodelação. Fez apenas duas remodelações pontuais, uma por causa de um problema de saúde de Freitas do Amaral e outra para calar Manuel Alegre. A substituição do ministro da Saúde foi um desastre, substituiu o melhor dos seus ministros e Alegre continuou alegremente e ajudar o líder da extrema-esquerda.

O sétimo erro de Sócrates é a escolha dos seus colaboradores mais próximos, preocupado com a sua imagem tem preferência por políticos fracos que nunca lhe poderão fazer sombra. Só isso justifica o protagonismo de ministros como o das Obras Públicas, uma verdadeira anedota inventada pró Sócrates.

O oitavo erro de Sócrates foi ter sido incapaz de ter percebido cedo de que teria de enfrentar o PCP e o BE, tendo permitido que estes partidos se apresentassem como símbolos da liberdade enquanto recorriam a estratégias fascistas de guerrilha política para o denegrir, como sucedeu no milheiral do Algarve ou nas muitas esperas organizadas por Mário Nogueira.

O nono erro de Sócrates foi nunca ter enfrentado as corporações de frente, denunciando as suas estratégias e confrontando-as com as consequências dos seus actos, isso permitiu que a corporação da justiça se tenha entretido a promover um golpe de Estado em lume brando, para isso promoveram a libertação desnecessária de centenas de criminosos e usaram as fugas ao segredo de justiça numa estratégia de pura propaganda fascista.

O décimo erro de Sócrates foi ter pensado que ganhou as eleições porque os portugueses se renderam aos seus encantos, nunca tendo percebido que a vitória lhe foi entregue por falta de comparência do adversário.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Parque Eduardo VII, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Manu Fernandez/Associated Press]

«A model was reflected on the catwalk as she showed off a creation from Rosa Clara during Barcelona Bridal Fashion Week Tuesday.» [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA

Jerónimo de Sousa

Jerónimo de Sousa começou por desvalorizar o facto de o PCP ter sido ultrapassado pelo BE chamando a atenção para o aumento dos votos no seu partido. Mas só aguentou uma semana e ontem lá veio dar uma desculpa para esta vitória amarga da CDU, a culpa foi dos jornalistas e da comunicação social que em vez de falarem do PCP para passar a sua mensagem penas se preocupava com a possibilidade de ser ultrapassado pelo BE.

Nem noutros tempos a velha guarda do PCP explicaria melhor esta situaçã9 que envergonha qualquer militante, um partido com mais de 50 mil militantes e uma enorme capacidade de organização foi ultrapassado por uma associação excursionista.

AVES DE LISBOA

Fuinha-dos-juncos [Cisticola juncidis]
Local: Parque das Nações

FLORES DE LISBOA

Flor na Cidade Universitária

TÍTULO 10

«Os governantes já não ligam às eleições. Cada vez se esforçam menos em disfarçar. Na Europa houve um tremor de terra de encolher de ombros. No Reino Unido mais unido de sempre pela rejeição do Labour, a indiferença de Gordon Brown foi majestática. O PÚBLICO de ontem anunciava que ele agora vai "tentar resgatar a confiança nacional".

Cada vez há menos gente a votar; menos interesse nos resultados; cada vez os políticos se empenham menos. Começam a tratar os actos eleitorais como sondagens de luxo. E criticam-nas quando a abstenção é alta, apesar de terem ido votar todos os cidadãos que queriam.

A abstenção alta não é grave. Mas esta atitude é. Tratam o povo que se deu ao trabalho de ir votar (e que representa legitimamente o país inteiro, até ao último dedo do pé) como um petulante focus group. Votámos em partidos esquisitos só porque queremos "mandar uma mensagem". Ficámos em casa só porque estamos amuados. E o que mais irrita é a condescendência com que os derrotados admitem que sim, que até temos razão em estarmos chateados e que escusamos de continuar a fazer beicinho porque eles vão tratar disso já na segunda de manhã.

As eleições não são centros de recados nem fotografias dum instante político. Não são sondagens. Não são o Twitter. Se tratam as eleições como se não servissem para nada senão para informar, como é que depois podem queixar-se da abstenção ou até usar as eleições para se legitimarem? Cuidado. » [Público assinantes]

Parecer:

Por Miguel Esteves Cardoso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

SOMOS CAMPEÕES EUROPEUS DAS BAIXAS

«Os portugueses que metem baixa por motivos de saúde ficam, em média, 12 dias por ano em casa. É um recorde europeu, apenas ultrapassado pela Bulgária, segundo um estudo sobre saúde que incluiu 24 países.

De acordo com o inquérito da consultora Mercer sobre benefícios de saúde no trabalho, Portugal está muito acima da média europeia, que se fixa nos 7,4 dias por ano. A vizinha Espanha, pelo contrário, ocupa o top três dos países em que menos dias se tira de baixa» [Correio da Manhã]

Parecer:

Temos que meter o Carlos Queiroz a treinar os nossos "doentes".

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a proposta.»

DIAS LOUREIRO FOI HOMENAGEADO E MEDALHADO EM ALBERGARIA

«O presidente da Câmara de Aguiar da Beira, Fernando Andrade (PSD), referiu ontem que o concelho "tem o melhor quartel de bombeiros do País" devido "à acção do trabalho de Dias Loureiro", que na altura era ministro da Administração Interna.

Pelo "bem que fez à terra onde nasceu" e por ter sido presidente da Assembleia Municipal entre 1997 e 2005, o ex-conselheiro de Estado e ex-administrador da Sociedade Lusa de Negócios, que detinha o Banco Português de Negócios (BPN), foi homenageado e recebeu a medalha de mérito municipal. Dias Loureiro agradeceu e salientou que "em política não há gratidão", uma afirmação que reflecte o seu estado de espírito sobre a sua saída do Conselho de Estado e as acusações de que é alvo no caso BPN.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Pode ser que o quartel de bombeiros venha a servir para ajudar a apagar i incêndio do BPN.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

A ANEDOTA DO DIA

«Em declarações aos jornalistas durante uma visita à Feira Nacional de Agricultura, o presidente do CDS-PP criticou duramente as sondagens publicadas antes das eleições para o Parlamento Europeu e disse que vai "colocar o problema ao Presidente da República", até porque "o erro não foi só" sobre o seu partido.

"Se eu comprar leite estragado queixo-me, se me venderem um carro avariado eu exerço a garantia, as sondagens publicadas foram uma viciação da vontade eleitoral, diziam que o PS ganhava, perdeu, diziam que o CDS morria e o CDS cresceu, não é aceitável que isto se repita nas legislativas", afirmou o líder centrista, frisando que este será um tema que o seu partido "não deixará de abordar e de colocar em cima da mesa".» [Diário de Notícias]

Parecer:

É divertido ver o director da Amostra ir queixar-se das sondagens a Cavaco Silva, por este andar ainda vou a Manuela Ferreira Leite pedir uma audiência ao Presidente para protestar contra as contas da água.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a competente gargalhada.»

BEGÓCIO DAS EXPLICAÇÕES ESTÁ EM ALTA

«A partir de terça-feira e até 23 de Junho, 156 860 alunos vão ser postos à prova na primeira fase dos exames nacionais. E se alguns começam a preparar a época desde o início do ano lectivo, a maioria apenas se preocupa na véspera do exame, inscrevendo-se à pressa nas explicações. Uma situação que para a professora Maria Saraiva de Menezes "é uma causa perdida". A autora do livro "30 Conselhos para Educar o Seu Filho" considera que as inscrições em cima da data revelam "a atitude portuguesa da irresponsabilidade de tentar a sorte à última hora".

Os próprios centros de explicações não garantem sucesso de resultados para os alunos que chegam nos últimos dias. "Nunca podemos garantir, mas o ideal é que cheguem no início do ano", aconselha Paulo de Menezes, director pedagógico da Academia Estudo Inteligente, em Lisboa. Aqui, 80 alunos estudam para os exames, em blocos de hora e meia por dia, três dias por semana. A maioria chegou ao longo do terceiro período.» [Diário de Notícias]

Parecer:

É uma consequência da má qualidade do ensino. As empresas do sector são uma pequena gota no imenso negócio da ignorância estudantil.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proponha-se que se passe considerar incompatível ser professor do ensino público e ministrar explicações e sugira-se ao fisco que faça uma auditoria ao negócio clandestino das explicações.»

FENPROF FALA GROSSO

«A Fenprof poderá abandonar as negociações com o Ministério da Educação, marcadas para esta sexta-feira, caso Maria de Lurdes Rodrigues não recue em relação ao Estatuto da Carreira Docente e ao modelo de avaliação de desempenho.

«A Fenprof admite ser inútil e até negativa a participação em reuniões que apenas serviriam para iludir os professores, fazendo parecer que há negociação sem, de facto, haver», pode ler-se no comunicado enviado às redacções. » [Portugal Diário]

Parecer:

Mário Nogueira que vá negociar com o próximo primeiro-ministro, talvez seja Manuela Ferreira Leite que tudo tem feito para eleger.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se à ministra que suspenda todas as negociações em que participe Mário Nogueira, é perder tempo, há muito que o PCP decidiu que este conflito não deve ter fim.»

ANGIE CHIARA

SURFRIDER FOUNDATION