sábado, julho 04, 2009

Chantagem

A poucos meses das eleições o país foi sobressaltado pela ameaça de Maria João Pires renunciar à nacionalidade portuguesa, a conhecida pianista está zangada com o poio insuficiente que o Estado terá dado à sua iniciativa em Belgrais.

Pelo pouco que sei a iniciativa em Belgrais é meritória, como são meritórias muitas outras iniciativas lançadas em todo o país, na maioria das vezes por iniciativa de cidadãos anónimos que, sem qualquer preocupação com a notoriedade e sem acesso ao poder e à comunicação social, dão o seu melhor pela cultura. Mas não é só no domínio da cultura quie são muitos a dar o seu melhor ao país, é no desporto, nas ONG que combatem a pobreza, é nas corporações de bombeiros, são milhares de cidadãos anónimos que dão o que têm e o que não têm à comunidade, nada exigem ou recebem em troca e, na maioria das vezes, ficam no anonimato.

Não é a primeira vez que um notável da cultura se zanga com o país, algo que não se passava no passado, nem mesmo no tempo da ditadura. Ainda recentemente Saramago andava zangado por Portugal mas tudo parece ter ficado bem quando recebeu a Casa dos Bicos. Enfim, ainda bem que não temos muitos galardoados com o Prémio Nobel, senão teríamos de transformar o Mosteiro dos Jerónimos num condomínio, e mesmo assim ainda correríamos o risco de algum pedir a nacionalidade espanhola porque a ala que lhe foi atribuída não tem vista para o Tejo.

Maria João Pires tem todo o direito de pedir apoios públicos, sujeitando-se às regras a que se sujeitam todas as iniciativas do género, até tem o direito de se esquecer de renovar o BI e o passaporte e apresentar-se como brasileira, já que há muito que é brasileira. O que não fará muito sentido é chantagear o país com uma possível renúncia à nacionalidade para receber o que pretende.

Note-se que não é a primeira vez que a pianista recorre a este expediente, já em 2006 o jornal Público dava conta da sua mudança para o Brasil onde pretendia criar um projecto semelhante ao de Belgrais. Já nessa ocasião culpava o país dessa queixando-se de tortura.

Infelizmente Portugal não é um país rico e tem regras aplicáveis a todos os cidadãos e iniciativa, a burocracia e a escassez de recursos não é uma excepção, é uma regra. Ao ameaçar renunciar à nacionalidade Maria João Pires está a fazer chantagem sobre o país, exige qu lhe sejam dados os recursos que pretende, recursos que são pagos pelos impostos dos portugueses, muitos deles bem mais pobres e menos conhecidos que Maria João Pires.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Castro Marim

JUMENTO DO DIA

Bernardino Soares

O líder parlamentar do PCP averbou uma grande vitória, comas suas provocações e o recurso a mentiras conseguiu levar o ministro Manuel Pinho ao gesto que determinou a sua demissão. Agora Bernardino tenta justificar-se, armado em sonsinho diz que se portou muito bem. A verdade é que alguém que nunca trabalhou na vida, vive à custa do erário público e passa o tempo a dar entrevistas à porta de empresas que vão encerrar conseguiu provocar a demissão de alguém que trabalhou como poucos para salvar algumas das mais importantes empresas portuguesas.

De vitória comunista m vitória comunista o país vai-se afundando, mas para Bernardino Soares, um admirador confesso do fascista da Coreia do Norte, essa é a via para o paraíso.

CAVACO E O RESPEITO PELAS INSTITUIÇÕES

Cavaco poderia ter ficado calado mas como estava em causa a demissão de um ministro de um governo contra o qual se bate aproveitou para tecer um comentário bafiento sobre o respeito pelas instituições. Só é pena ter-se esquecido de que o maior desrespeitador das instituições da República é um tal João Jardim a quem ele recentemente teceu os maiores elogios.

Pura hipocrisia e oportunismo político.

AVES DE LISBOA

Pombo-torcaz [Columba palumbus]
Local: Quinta das Conchas

FLORES DE LISBOA

Quinta das Conchas

MORRER POR

«Um inquérito da Universidade Católica sobre "os valores em Portugal" divulgado esta semana certifica que entre 1999 e 2009 passou para metade o número de portugueses que dizem "fazer-lhes sentido" morrer "para salvar a vida a alguém". Eram 80% há dez anos e são 46% agora. Os artigos de jornal lidos sobre o inquérito não dão pistas para tão vertiginosa alteração. Morreu toda a gente capaz de morrer por outrem? Ocorreu algo em Portugal que demonstrasse que ninguém merece tal sacrifício - nem sequer, note-se, a ideia dele? Houve uma epidemia galopante de realismo e sinceridade (à qual 46% dos portugueses serão mesmo assim imunes)? Terá sido o facto de o inquérito de 99 ter sido efectuado presencialmente e o de agora por telefone a operar o busílis? » [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

UM RETRATO

«A"Europa" dos 27 ameaçou dar uma resposta apropriada e comum à prisão de quatro funcionários da embaixada britânica (de nacionalidade iraniana) pelo governo de Ahmadinejad. Anteontem, o primeiro- ministro sueco, baixando com sapiência o tom, só pediu "solidariedade" com Londres e recomendou pleonasticamente que a "União" se conservasse "unida". A Inglaterra gostaria que os 27 retirassem os seus 27 embaixadores de Teerão. Outros países, que nunca mandaram nas paragens, nem bombardearam os nativos, preferem não ofender Ahmadinejad e, principalmente, não o encorajar à violência. De qualquer maneira, Ahmadinejad não precisa que o encorajem à violência e antes mesmo da "Europa" se resolver (quase com certeza a não fazer nada), já declarou que a excluirá das negociações sobre o programa nuclear iraniano.

Este episódio - à superfície menor - mostra claramente a fraqueza intrínseca da "Europa", que uma potência asiática de segunda ordem consegue intimidar e coagir sem esforço. A "Europa", como é notório, não tem uma força militar e hoje, com a crise, também não tem, se alguma vez teve, um peso económico determinante. Mas, sobretudo, não tem coesão. Se até à queda do muro de Berlim e ao colapso da URSS havia, pelo menos no Ocidente, um objectivo geral (resistir e enfraquecer o império soviético), agora cada membro trata de si próprio com total indiferença pelo parceiro do lado. Embora ainda sirva alguns fins de ordem económica, a "União" está sem destino. Politicamente, morreu. A retórica - que floresce do Báltico ao mar Negro e do Atlântico à fronteira da Bielorrússia - não substitui a realidade.

O "alargamento" anulou a hipótese (de resto, longínqua) de uma comunidade (ou Comunidade) homogénea, como, por exemplo, a dos 15. Incorporando a Europa do Norte e a Europa Central e Oriental, a "União" incorporou países com um passado e uma cultura, que não pertencem em grosso à tradição do Ocidente. Desde a história remota (sujeição ao império russo, otomano ou austro-húngaro) à história de anteontem (ocupação nazi e comunista) pouco os liga ao que durante séculos foi a vida de Viena para cá. Com o "alargamento", a "Europa" acabou por se tornar um agregado frágil, que nenhum Delors seria capaz de "harmonizar". Basta ir a Praga ou Budapeste para ver. A patética irrelevância da "União" perante um regime como o de Ahmadinejad é mais do que um acidente, é um retrato.» [Público assinantes]

Parecer:

Por Vascom Pulido Valente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

PROGNÓSTICOS ANTES DO FIM DO JOGO

«A grande questão estratégica que se coloca em Portugal nestes tempos não é a de saber se as eleições legislativas serão ganhas pelo PSD ou pelo PS. O que está em jogo é afinal o modelo do sistema político português, tema a que venho dedicando ao longo dos anos alguma reflexão. Para este efeito, a Democracia Portuguesa pode ser dividida nas seguintes fases: (i) período de hegemonia político-militar criptocomunista (até 25/11/75); (ii) período de hegemonia do PS como "partido natural de Governo" (até Outubro de 1979); (iii) período de bipolarização imperfeita com hegemonia do PSD (desde 1979 a 1995, com o curto período do "bloco central"); (iv) período de bipolarização quase perfeita (desde 1995 até 2009) com domínio do PS.

Pode assim concluir-se que a bipolarização tem sido o factor definidor do sistema político português, sobretudo se pensarmos nos tempos que se seguem ao fim da tutela militar (após a revisão constitucional de 1982). Mas nos últimos anos - o que já era prenunciado pelo resultado das eleições de 2005 - o sistema político passou a ter de conviver com um grupo de partidos situados à esquerda do PS, claramente anti-sistémicos, que provavelmente obterão mais de 20 por cento dos votos de forma mais ou menos consistente. E isso altera muito os dados da questão.

O resultado desta evolução é que o sistema tende a funcionar sem equilíbrio, por se estar a forjar uma solução de tripolarização: um bloco à direita que alcança entre 30 e 40 por cento, um bloco à esquerda que atinge 20 a 25 por cento e um bloco ao centro com resultados entre 35 e 45 por cento. Assumindo-se este cenário, o PS desloca-se para o centro político, mantendo a sua memória histórica de esquerda quando muito; mas por isso também, e se assim agir, só o PS pode aspirar à maioria absoluta, ainda que ela seja muito mais improvável do que em situações de bipolarização, ainda que imperfeita.

Este modelo pode não se concretizar, como é evidente, por várias razões. Mas a única hipótese plausível parece ser a do PS desistir de tentar ser o "partido natural de Governo" e procurar criar finalmente a bipolarização perfeita, em que do lado esquerdo do espectro político se possam integrar todos os partidos numa aliança de governo. Nesse cenário, o PS poderia aspirar a um resultado entre 25 e 30 por cento, apenas, ainda que sendo o partido liderante da coligação de esquerda.

Até onde sou capaz de antecipar, esse cenário é pura ficção. O PS não estará disposto a aliar-se à sua esquerda, como não esteve no tempo do cavaquismo, pelo menos enquanto o PCP e o BE não mudarem radicalmente. E nada permite pensar que estes partidos o façam, sobretudo quando a crise económica se agrava em Portugal e se não vê como pode ser ultrapassada a breve trecho em sede de desemprego.

É evidente que uma vitória do PSD pode levar a pensar que voltámos à bipolarização imperfeita que vivemos com Cavaco Silva. Mas a realidade é que, com um PS situado mais ao centro, não vejo a possibilidade de uma maioria absoluta de direita, pelo que um governo do PSD com o CDS será sempre frágil por não deter a maioria na Assembleia da República e por ter de enfrentar a crise no próximo ano.

A instabilidade típica de situações de tripolarização conflitual sem maioria absoluta vai tornar o país ingovernável durante ano e meio, até às eleições presidenciais. E essa será uma situação trágica, sobretudo por nos encontrarmos a viver a mais profunda crise económica da democracia, porque o país precisa de reformas profundas para sobreviver e porque em Belém está alguém que, pelas suas características, resistirá à presidencialização do regime, que poderia ser feita pela decisão de escolher um primeiro-ministro da sua confiança, dando-lhe carta branca e enfrentando se necessário os partidos centrais.

Os portugueses sabem, mais ou menos conscientemente, que é assim. E já demonstraram que, instintivamente, tendem a encontrar pelo seu voto soluções que potenciam os valores da estabilidade e da adequação à realidade conjuntural. Assumindo-se essa sabedoria, a grande questão que vão ter de decidir não é - como indiquei atrás - optar entre o programa do PS ou o do PSD; e nem é sequer escolher entre Sócrates e Ferreira Leite. É, numa palavra, decidir - sendo a tripolarização um dado inevitável - se a querem com ou sem maioria absoluta de um partido. A bipolarização (de que sem falsas modéstias considero ser um dos responsáveis teóricos), infelizmente deixou de ser viável na conjuntura em que vivemos.

E quanto a isso, tudo depende dos portugueses, mas ainda também de Sócrates. Se ele ceder à pulsão que levou à derrota nas europeias e tentar conquistar terreno à esquerda vai perdê-lo à direita, ao ponto de tornar possível a vitória do PSD, até com maioria absoluta, em coligação com o CDS. Se, pelo contrário, assumir que o seu combate é à direita, aceitando que o voto dos que se situam à esquerda do PS só virá por medo e nunca por adesão, pode ganhar. Será, portanto, obrigado a ganhar as eleições com um projecto reformista, para salvar o Estado Social, retomando o impulso que foi perdendo a partir da substituição de Correia de Campos e que se mede pelas cedências que a ministra da Educação foi fazendo aos professores.

Terá nos três meses que se seguem, numa palavra, de demonstrar ao país moderado que merece governar quatro anos mais e que o pode fazer com estabilidade. A não ser que os portugueses queiram a bipolarização e se mobilizem para dar a maioria absoluta ao PSD e CDS. Se isso entrar na alma colectiva, acho que Sócrates nada poderá fazer para evitar a derrota.» [Público assinantes]

Parecer:

Por José Miguel Júdice.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

MARIA JOÃO PIRES RENUNCIA À NACIONALIDADE PORTUGUESA

«A mais internacional e premiada pianista portuguesa quer renunciar à nacionalidade devido aos "coices e pontapés que tem recebido do Governo português".

A decisão da artista de 65 anos, instalada em Salvador da Baía, no Brasil - onde tem autorização de residência - foi motivada pelos problemas de apoios e financiamentos ao projecto educativo que fundara em Belgais, Castelo Branco. A filha de Maria João Pires, Joana Pires, que preside neste momento à associação, deverá manter o espaço, ainda grande parte dos materiais tenham sido arrestados no passado mês de Junho por ordem judicial.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Como são poucos os nossos artistas acham que devem ter direito a tudo e tratados acima de todos os outros.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informe-se Maria João Pires que talvez o país seja pequeno para ela ainda que haja portugueses com mais razões de queixa e que não se envergonham de continuar a ser portugueses. Acrescente-se que em Portugal só fazem falta os que cá estão ou independentemente do lugar onde vivem estão com o país.»

A CORERÊNCIA SEGUNDOM JERÓNIMO DE SOUSA

«O líder parlamentar comunista, Bernardino Soares, anunciou que o PCP vai votar favoravelmente a candidatura de Alfredo de Sousa ao cargo de Provedor de Justiça, proposta pelo PS e pelo PSD.

"O PCP vai apoiar a eleição do candidato a Provedor de Justiça, o conselheiro Alfredo de Sousa, considerando que é uma personalidade que reúne condições para exercer este importante cargo e procurando contribuir, como sempre afirmámos, para que o problema fique finalmente resolvido", declarou Bernardino Soares aos jornalistas, no Parlamento.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

O PCP votou contra Jorge de Miranda por ter sido escolhido pelo PS mas vai votar Alfredo de Sousa porque foi escolhido pelo PSD e pelo PS.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Jerónimo de Sousa se a decisão tem a ver com o apelido.»

AFINAL O QUE É UM MINEIRO

«O gestor afirma ainda que, «hoje em dia, e com a evolução tecnológica, o conceito de mineiro já não é o de outros tempos. Uma equipa de operação de mina, é uma equipa multidisciplinar constituída por condutores-manobradores de máquinas, operadores de sistemas de transporte, serralheiros, mecânicos, electricistas, mineiros propriamente ditos, técnicos de segurança, encarregados... hoje os camiões circulam dentro das próprias galerias».

Reagindo a estas declarações, o Bloco de Esquerda disse à Lusa que aqueles trabalhadores não são mineiros, pelo que as afirmações de Louçã permanecem válidas, e reitera o que disse ontem no Parlamento, pois «continua a não existir extracção de minério». » [Portugal Diário]

Parecer:

Para Louçã não basta trabalhar nas minas para ser mineiro...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Louçã o que entende por mineiro.»

BORISOV DMITRY

PAT

sexta-feira, julho 03, 2009

Uma campanha muito dura

É muito provável que a próxima campanha eleitoral para as legislativas sejam uma das mais duras da democracia portuguesa, estão muitas coisas em jogo e desde os grupos corporativos aos partidos, passando pelas ambições pessoais da família Silva muito se joga nessas eleições.

Aliás, há quatro anos que estamos em campanha, basta ver as palavras de ordem dos activistas dos professores para se perceber que a par do estatuto e da avaliação dos professores a Fenprof e os chamados grupos independentes de professores tentam dirigir a sua luta com vista às eleições. Qualquer acordo seria impossível para gente que desde a primeira hora pedem aos portugueses para que não votem no PS (e na fase inicial no PSD), isto é, usam a luta dos professores para apelar ao voto no PCP e no BE.

Bata analisar o calendário de algumas lutas para se perceber que o PCP usou a crise económica e as reformas lançadas pelo Governo para lançar vagas sucessivas para a luta na rua, quando não são os professores são os polícias, quando não são os polícias são os funcionários, ao longo de quatro anos os sindicatos das corporações do Estado revezaram-se na organização de vagas de assalto.

Mas o PCP não luta apenas contra Sócrates, há muito que travava uma guerra surda com o BE, um partido com meia dúzia de militantes que o ultrapassou nas urnas nas eleições europeias e tudo aponta que o ultrapasse nas próximas eleições, numa sondagem para as autárquicas no Porto feita recentemente o BE tinha o dobro das intenções de voto do PCP. Por isso o PCP não hesitou em pôr em risco o futuro da Autoeuropa em Portugal para acabar com a hegemonia do BE na comissão de trabalhadores. Aliás, é esta luta surda que impede o PCP de fazer alinaças nas autárquicas de Lisboa, para além do facto deste partido preferir alianças pós-eleitorais com o PSD.

Cavaco Silva nunca se esqueceu da velha ambição de deter todo o poder em Portugal, só que ao contrário do que sucedia no tempo de Sá Carneiro para o actual presidente o que está em causa não é o PSD governar o país, é ele próprio tornar-se no líder do país. Agora que acredita em tal hipótese mandou às malvas a sua postura institucional e entra na luta política. Já não são os seus assessores a andarem pelas redacções dos jornais promovendo a intriga contra o Governo, é o próprio presidente que vem a público lançar insinuações sobre o primeiro-ministro a propósito dos negócios da PT.

O PSD que temia o desastre, que tanto falou em refundação da direita e até chgou a iniciar a reformulação do programa ganhou ânimo com a crise financeira. Ferreira Leite chegou à liderança e ficou calada, ficou calada quando os camionistas tentaram parar o país, ficou calada quando os pescadores fecharam as lotas. Só falou para adiar as obras públicas, as comissões são a fonte de sobrevivência de um partido que só se consegue unir quando cheira a poder e a dinheiro.

O PS, formado à base de betinhos, barões e baronetes tremeu com as europeias, os boys andam desorientados, os nobres estão com receio de perderem os títulos nobiliárquicos. Manuel Alegre entreteve-se a promover a transferência de votos do PS para o Bloco na esperança de chegar a presidente com o apoio da extrema esquerda e até António Costa parece ter feito xixi nas calças e desatou a atacar os ministros que foram seus colegas de Governo.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Montijo

A MENTIRA DO DIA D'O JUMENTO

Manuel Pinho não perdeu tempo e mal foi demitido vestiu logo o seu taje de luces e começou a ensaiar uns passes para a nova temporada taurina.

JUMENTO DO DIA

Manuel Pinho

Independentemente da competência de Manuel Pinho, sobre a qual não tenho dúvidas, é evidente que o ex-ministro da Economia vestia mal o fato de político comportando-se como se estivesse na intimidade de um conselho de administração. Só que há uma grande diferença entre uma amena cavaqueira e um debate parlamentar, na tasca da esquina o Bernardino Soares é um palerma qu elogia o regime norte-coreano, no parlamento representa os portugueses ou, pelo menos, aqueles que o elegeram. É penha que Manuel Pinho não tivesse a formação democrática necessária para perceber esta diferença e, mesmo com a experiência adquirida em quatro anos, não tenha percebido que os deputados podem dizer os maiores disparates e até ofender quem bem entendem.

ESTRATÉGIA ERRADA

Sócrates ainda não percebeu que os debates parlamentares pouco são seguidos pela opinião pública, os comentadores é que lhe dão grande importância, a imagem que passa para o cidadão comum é a das piadas e picardias que ocorrem.

É um erro Sócrates usar os debates para divulgar as medidas, acabando por dar a ideia de que adopta medidas avulso, em função da conjuntura política e as sua para se defender nos debates parlamentares. Seria mais inteligente recorrer à conferência de imprensa para divulgar estas medidas.

Eu sei que as conversas em família são de má memória, mas isso não implica que em Portugal um primeiro-ministro recorra a esta fórmula, até porque Cavaco já reintroduziu as conversas em família e até para falar dos seus assuntos familiares, como sucedeu com a intervenção chorosa e a apelar ao coração ingénuo dos portugueses quando falou dos seus supostos (nunca comprovados) prejuízos com o BPN.

TESTEMUNHOS PARA MEMÓRIA FUTURA

Antes da crise económica e da ascensão da sua amiga Ferreira Leite a Líder do PSD não perdia uma oportunidade de surfar no trabalho do Governo e elogiar as suas reformas, apresentava-se aos olhos do mundo como o presidente de um país que se modernizava:

«O Presidente da República, Cavaco Silva, elogiou no Chile as «reformas profundas» que estão a ser feitas pelas autoridades portuguesas em áreas como a administração pública, justiça e segurança social, informa a agência Lusa.

«As autoridades portuguesas estão a avançar com reformas profundas na administração pública, na justiça, na segurança social e em muitos outros domínios», afirmou, numa intervenção perante empresários portugueses e chilenos.

Destacou ainda os investimentos «muito, muito fortes» em domínios como a educação e formação profissional, sublinhando que são «uma condição de sucesso para vencer os reptos da globalização». «A estrutura da economia portuguesa está a 'cambiar' muito rapidamente. Os têxteis, o calçado, já não são os principais produtos da exportação portuguesa. São os 'coches' - a grande fábrica Volkswagen, uma das mais modernas da Europa, está instalada em Portugal - maquinarias e equipamentos», afirmou.» [Portugal Diário]

Há quem chame a isto oportunismo mas na política portuguesa tudo vale.

A DEFESA DESASTRADA DE MANUELA FERREIRA LEITE

O papel desempenhado por Luís Arnaut que veio a público tentar desculpabilizar Manuela Ferreira Leite (como se esta fosse uma adolescente na idade das borbulhas) é aquilo a que na gíria se designa por figura de urso. Manuela ferreira Leite tentou de forma oportunista explorar o negócio entre a PT e a Media Capital e até conseguiu arrastar o presidente nesta estratégia, pouco se incomodou por estar a interferir num negócio privado ou por de forma indirecta pôr em causa a dignidade e prestígio pessoal dos administradores das empresas envolvidas.

A verdade é que o negócio até mereceu o apoio de José Alberto Moniz que foi um dos primeiros a vir a público pronunciar-se sobre o mesmo, a verdade é que Manuela Ferreira Leite não hesitou em mentir esquecendo que se apanha mais depressa um mentiroso do que um coxo. A dúvida está entre ficarmos indignados com a mentira da líder do PSD ou por ela nos ter tratado por parvos ao dizer algo que se demonstrava ser mentira em poucos minutos. Só mesmo alguém idiota atribui uma decisão sua que mereceu elogios no Povo Livre ao governo que a antecedeu.

AUTOEUROPA: ESTALOU O VERNIZ AO PCP

«Toda a gente sabe, embora os interessados não gostem que se diga, que os grandes meios de comunicação social (e não só) andam com o BE ao colo. Mas ao sr. António Chora, trazem-no em ombros.

Compreende-se bem que assim seja. Se para o grande capital é precioso um tampão eleitoral que previna uma maior deslocação de votos para o PCP e a CDU - votos que julgam ir recuperar mais tarde ou mais cedo -, muito mais precioso é um quadro operário cuja cabeça esteja feita, de cima a baixo, pela ideologia da classe dominante.

Na luta de classes há episódios marcados por um duplo valor: um valor intrínseco e um valor simbólico. É o caso actual da Autoeuropa, da resistência dos seus trabalhadores, e da violenta chantagem que sobre eles vem sendo exercida, sobretudo desde que rejeitaram o pré-acordo negociado entre a Administração e a CT. Desde Sócrates e o seu Governo à UGT e aos grandes meios de comunicação social, com destaque para o diário de Belmiro de Azevedo, não houve dia em que não fosse proferida uma ameaça, que não houvesse uma tentativa de encostar os trabalhadores à parede, que não fossem os trabalhadores aconselhados a juntar novas cedências às que há muito vêm sendo forçados a fazer. E não houve dia em que o sr. Chora, embora com todas as cautelas, não viesse fazer coro nesse processo.

Onde se pedia a um dirigente firmeza na defesa de interesses de classe, da parte do sr. Chora o que se ouve é a repetição dos argumentos da administração, a reiterada disponibilidade para vender direitos, o ataque aos trabalhadores que tiveram o atrevimento de o desautorizar, a argumentação anti-comunista.

O sr. Chora, e com ele certamente o BE, acha retrógrado o sindicalismo de classe (que escreve entre aspas), e acha que deve «adaptar-se» (25.01.09, www.esquerda.net). Adaptar-se aos «novos sistemas de trabalho», à «flexibilidade», às «novas polivalências», aos «novos horários de trabalho respeitando as cargas de trabalho». Para essa «adaptação» não é necessária luta, porque palavras dessas são música para o grande patronato.

A luta da Autoeuropa seguirá o caminho que os seus trabalhadores quiserem. Depende, decisivamente, da sua unidade e da sua consciência de classe.

Coisa que o sr. Chora não sabe o que é.» [Avante]

Era demais para o PCP suportar os elogios ao BE a propósito do acordo na Autoeuropa, para o PCP é preferível que a fábrica encerre as portas em Portugal em nome da sua liderança do que suportar ser ultrapassado pelo BE.

Alguém ainda duvida de que para este PCP os interesses do partido estão muito acima dos dos portugueses?

Os professores, os polícias e outrois profissionais que deixam enquadrar as suas lutas por gente como o Mário Nogueira que apenas está interessada nos interesses mesquinhos do PCP que reflictam um pouco sobre este artigo, mais primário e objectivo não poderia ser.

AVES DE LISBOA

Gaio [Garrulus glandarius]
Local: Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian

FLORES DE LISBOA

Quinta das Conchas

BENFICA ATÉ NO DEFESO JÁ PERDE

«Em Portugal, do qual o Benfica é uma perfeita metáfora, os líderes tomam as grandes decisões como os patos-bravos decidem o preço do metro quadrado: em almoçaradas. Não sei se as Grandes Opções do Plano se decidem assim, mas datas eleitorais dos clubes, sim: "A malta demite-se e trama a oposição, qu'é qu'achas? Passa-me a santola..." Num país assim até seria giro viver, a irresponsabilidade encontraria um ponto de equilíbrio, não fosse essa figura nacional que é o jurista. Há uma única ciência exacta em Portugal, exacta no sentido de poder encontrar o infinitamente pequeno (o artiguinho) que muda tudo e essa ciência quem a tem é o jurista. Ele não só é capaz de levar as assembleias de condóminos pelas madrugadas dentro mas também pode paralisar um grande clube. Líderes com leves ideias e juristas com providências cautelares na cartola, essa mistura de duas especialidades nacionais pode ser explosiva. Deu com um clube, por que não com o país? O Jel, o do megafone que tem um companheiro que canta "tutururuti...", esse grande maluco, já disse que vai concorrer às autárquicas. É falta de ambição. Com um bom jurista, Jel conseguia um destino nacional.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A ANEDOTA DO DIA

«O PSD esclareceu ontem, pela voz de José Luís Arnaut, que o partido não se opôs ao negócio entre a PT/TVI e que a líder só reagiu quando o primeiro-ministro "mentiu na Assembleia da República".

"A líder não se pronunciou sobre o mérito do negócio, até porque o não conhecia", disse Arnaut, lembrando que "Manuela Ferreira Leite só se pronunciou sobre José Sócrates ter mentido e ocultado o facto". O responsável recordou ainda que foi ao primeiro-ministro quem levou ao Parlamento a questão da linha editorial da TVI e a possível saída de José Eduardo Moniz, ao responder a um deputado do CDS» [Correio da Manhã]

Parecer:

Manuela Ferreira Leite meteu os pés pelas mãos e acabou por mentir descaradamente quando se sentiu apertada, agora vem a pobre alma do José Luís Arnaut tentar confundir-nos. A verdade é que tanto Mentirosa Ferreira Leite como o presidente (amigo) lançaram suspeitas sobre o negócio, Cavaco falou mesmo de tranaparência. Esta desculpa desajeitada só demonstra o incómodo do PSD pela asneira da líder.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Arnaut se Mentirosa Ferreira Leite falou verdade ou se mentiu, essa é a questão.»

OLIVEIRA E COSTA FOI AO DIAP

«O ex-presidente do Banco Português de Negócios (BPN), Oliveira e Costa, encontra-se esta quinta-feira no Departamento Central de Investigação e Acção Penal para ser ouvido.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Deve ter sido para os magistrados lhe explicaram porque razão continua preso e Dias Loureiro, o tal em cuja inocência o presidente tanto confiava, ficou em liberdade.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Oliveira e Costa como se sente ao ver o seu parceiro de administração em liberdade.»

DIAS LOUREIRO VOLTA A SER OUVIDO NO DCIAP

«De acordo com a agência Lusa, nas mesmas instalações está também a ser ouvido o ex-administrador da SLN, Dias Loureiro, que já ontem tinha sido ouvido no DCIAP e constituído arguido, num processo relacionado com o chamado negócio de Porto Rico, do BPN. Ao ex-conselheiro de Estado foi aplicada a medida de coacção menos gravosa, Termo de Identidade e Residência. » [Portugal Diário]

Parecer:

Ainda ontem dizia que não esperava voltar a ser ouvido.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Dias Loureiro se fiou a saber de mais negócios daqueles que lhe passavam ao lado quando era administrador executivo do BPN.»

GRANADEIRO NA LISTA NEGRA DO PSD

«O líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, afirmou esta terça-feira durante o debate do Estado da Nação que «a aliança Granadeiro-PS-Governo é prejudicial para a democracia».
Paulo Rangel criticou «o comportamento politicamente promíscuo de altos quadros da PT, que, na qualidade de administradores de empresas com supervisão do Estado, interferem activamente no debate político». »
[Portugal Diário]

Parecer:

Já começa a ser elaborada a lista das vinganças do PSD.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Rangel se não acha que ainda é cedo para começar a elaborar a lista, ainda por cima em público.»

SANTANA LOPES PEDE AJUDA A DEUS

«Apresentado como o "desnivelamento do eixo central" na zona da Praça Duque de Saldanha, o projecto será realizado caso existam "condições financeiras" favoráveis. Por isso, a aposta não consta das prioridades da "primeira fase" do mandato de Santana Lopes, que, ao longo do seu discurso, pediu duas vezes a Deus para "ajudar" a coligação "Lisboa com sentido" a vencer as eleições de 11 de Outubro. Os primeiros planos incidem sobre a acção social. Mas, adiantou, nada impede que a obra tenha início "na primeira parte do mandato". Até porque "vai ser mais simples" e Santana tem a certeza de que "quem embargou a outra [José Sá Fernandes] não vai embargar esta". » [Público assinantes]

Parecer:

Bem precisa, o apoio do diabo Ferreira Leite pode não ser suficiente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Santana que reze uns terços.»

MORFI

O PRIMEIRO DIA DA PRESIDÊNCIA SUECA DA UNIÃO EUROPEIA

OK CONDOMS