sábado, setembro 26, 2009

Avaliação de serviço

Cavaco Silva

Apesar de não ter sido “convidado” para esta campanha eleitoral Cavaco Silva optou por ser o centro da campanha eleitoral, transformado estas eleições naquilo que já pareciam, a primeira volta das presidenciais. Cavaco corre mesmo o risco de ter perdido as presidenciais ainda antes dos votos, sendo para muitos portugueses um senhor que está em Belém a fazer as vezes de presidente.

Agora os portugueses querem saber o que levou Cavaco a ultrapassar todos os limites, isso depois de meses de intriga e insinuações com o objectivo de destruir Sócrates. Os portugueses querem saber se apenas um dos seus assessores esteve envolvido no jogo sujo contra Sócrates, ou se Belém está envolvido em muitos mais processos pouco claros.

Estão também interessados em ver as investigações do caso BPN irem até ao fim para confirmarem ou desmentirem os boatos que circulam, mas ninguém diz em público.

Francisco Louçã

Apesar de não haver intervenção em que não diga “eu sei isto”, “eu sei os números” ou “eu sei aquilo”, a verdade é que não sabia o que tinha escrito no seu programa e já se tinha esquecido de que investira nos produtos financeiros que condenou. Derrotado nos debates com Sócrates e Paulo Portas, Louça partiu coxo para a campanha eleitoral, usando uma boa parte das suas energias numa tentativa vã de recuperar a suposta superioridade intelectual e moral perdida nos debates.

Não resistiu à tentação de ler nas sondagens a oportunidade de lançar a sua revolução por doses e propôs a expropriação do sector energéticos. Apesar de saber tanto de números esqueceu-se de contar os pequenos accionistas da GALP e da EDP e, pior do que isso, todos os que têm acções que seriam desvalorizadas no dia das expropriações. Esqueceu-se também de contar os contribuintes que beneficiam das deduções fiscais que quer acabar.

Ferreira Leite

Foi igual a si própria, um desastre, sem programa ou, pior do que isso, retalhos de um programa, sem projecto e sem ideias teve que se alimentar das idiotices do filósofo da Marmeleira e encostar-se às intrigas e insinuações vindas de Belém.

Ferreira Leite sabe muito bem que Cavaco não tem amigos, é um saloio que teve a sorte de ser governante da fartura e convenceu-se de que podia ficar na história de Portugal. Se pensou que Cavaco não lhe faria o que já fez a Fernando Nogueira enganou-se, o homem de Boliqueime não hesitou em imolar Ferreira Leite para salvar a sua própria pele.

Paulo Portas

Paulo Portas percebeu muito mais cedo do que Manuela Ferreira Leite o que ia suceder ao PSD, deixou de apelar ao votos dos eleitores do PS e concentrou as suas atenções nos eleitores tradicionais do PSD. Porta percebeu que não lhe cabendo a ele impedir a maioria absoluta cabia-lhes impedir o Bloco Central, deu o tudo por tudo para vir a ser o interlocutor de Sócrates se este não conseguir a maioria.

Paulo Porta fez uma das melhores campanhas e certamente a melhor campanha eleitoral da sua vida. Mostro que era o candidato credível à direita, demarcou-se do lodaçal cavaquista e mostrou uma tão grande energia até ao último dia que muitos portugueses deverão estar muito interessados em conhecer a poção mágica a que recorreu para conseguir tal prestação física e intelectual. Se a campanha eleitoral fosse uma prova de ciclismo já teria sido chamado para o controlo anti-doping.

Jerónimo de Sousa

O líder do PCP sabe muito bem que as revoluções não se fazem em campanhas eleitorais e que nesta perspectiva os votos dos consultores financeiros, de professores ressabiados ou de betinhos da Quinta da Marinha poderão ser úteis para eleger deputados, mas de nada servem para o futuro. Enquanto Louça apostou no voto fácil, Jerónimo de Sousa evitou entrar nesse jogo, prefere fica atrás do BE do que fazer de PRD.

Fez uma das melhores campanhas, revelou mais educação e princípios de que apoiantes como o Mário Nogueira, desfez parte da má imagem deixada pelos métodos pouco claros a que recorreu para se opor a Sócrates durante a legislatura.

Poderá ficar atrás de Louça, mas está certo de que no longo prazo Louça irá fazer companhia a Arnaldo Matos ou a Hermínio Martinho.

Sócrates

Não vergou às pressões de Cavaco Silva, algo a que o homem de Boliqueime está pouco habituado, por isso teve contra si as corporações, os partidos da oposição, Cavaco Silva e a matilha de assessores de Belém.

Independentemente dos resultados eleitorais é certo que derrotou Cavaco Silva, cujo cargo de presidente está cada vez mais por um fio. Derrotou igualmente Louça de forma clara e Ferreira Leite por uma margem inferior ao esperado.

Uma vitória eleitoral será uyma vitória de Sócrates, uma maioria absoluta será a derrota de muito boa gente.

Umas no cravo e outras na ferradura

TERMINOU A CAMPANHA ELEITORAL

SUGESTÕES PARA OS NOSSOS POLÍTICOS RELAXAREM

Para que os nossos políticos se relaxem (os que já não são relaxados) durante o dia de reflexão:

Cavaco Silva: Dire Straites/Making Movies

Paulo Portas: Eric Clapton/Cocaine

Manuela Ferreira Leite: Folclore algarvio/ Tia Anica de Loulé

Francisco Louçã: Pink Floyd/Another Brick In The Wall

Jerónimo de Sousa: Música da Guerra Civil de Espanha/¡Ay Carmela!

José Sócrates: Paco de Lucia/Entre dos aguas

FOTO JUMENTO

Arruada do PS no Chiado, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Jewel Samad/Agence France-Presse/Getty Images]

«President Barack Obama and first lady Michelle Obama welcomed Italian Prime Minister Silvio Berlusconi to the G-20 dinner in Pittsburgh Thursday. Mr. Berlusconi, currently chairman of the G-8, urged that the two forums be kept separate amid calls for the G-20 to take on a more prominent role.» [The Wall Street Journal]

A MENTIRA DO DIA D'O JUMENTO

Graças ás escutas feitas pelo SIS aos assessores mais desbocados do Palácio principalmente, principalmente os que costumam rondar a redacção do Público, O Jumento conseguiu apurar que tudo o que se passou, incluindo a demissão de Fernando Lima, não passou de uma encenação de Cavaco Silva para assegurar o apoio do PS e a vitória nas próximas presidenciais.

Tal como já tinha sucedido com a candidatura de Fernando Nogueira a primeiro-ministro Cavaco achou que deveria afundar a campanha de Ferreira Leite, isto porque sempre achou que o PSD dificilmente conseguira pôr os ovos todos no mesmo cesto. Aliás, a escolha de Ferreira Leite justificou-se porque agora Cavaco pode dizer à sua velha amiga que ao promover a sua derrota estava a fazer-lhe um favor pois pode finalmente ter um descanso merecido e tempo para o netinho.

O Jumento só não conseguiu apurar se tudo estava combinado com Sócrates ou se estamos perante um gesto de generosidade institucional, as escutas foram interrompidas porque no momento em que o assessor de Cavaco ia explicar se o presidente lhe tinha mandado dizer que o Sócrates estava feito com a manobra passou o José Manuel Fernandes, um feroz adversário do cavaquismo e fez-se silêncio.

JUMENTO DO DIA

Cavaco Silva

Quando se esperava que Cavaco Silva ficasse calado o semanário Expresso vem dizer que fontes de Belém dizem que Cavaco está mesmo convencido de que houve escutas. Depois de ter enterrado a sua velha amiga, Cavaco Silva tenta salvar a face. De asneira em asneira Cavaco Silva caminha para a renúncia do mandato.

ANTÓNIO JOSÉ TEIXEIRA

Ao ouvi-lo a comentar a campanha eleitoral na SIC Notícias achei que se em vez dele estivesse um balão de oxigénio ligado ao PSD não se teria notado a diferença. É uma pena que estes comentários não sejam novamente ouvidos depois das eleições.

Só que os nossos AJT ainda não perceberam que os eleitores já não lhes ligam, já não confiam neles.

AVES DE LISBOA

Felosa-comum [Phylloscopus collybita]

FLORES DE LISBOA

No Parque Eduardo VII

RECTA FINAL

«Ocupados como estamos com a campanha eleitoral, com os discursos dos candidatos e os episódios mediáticos que têm marcado estas duas últimas semanas, quase nem nos apercebemos de que o mundo continua a girar à nossa volta.

Progressivamente vão-se consolidando os sinais de uma retoma económica ainda frágil, mas que vai chegando a vários quadrantes geográficos e sectores económicos. No final desta semana ocorre a terceira reunião do G20, ocasião para fazer o balanço das políticas de estabilização financeira e de combate à crise, bem como de dar um impulso à nova arquitectura financeira global, para a qual foram dados importantes contributos pelas propostas sobre regulação e supervisão divulgadas pela Comissão Europeia.

No domingo, mais de 80 milhões de alemães vão a votos e as sondagens indicam que o perfil político do futuro Governo não está ainda estabilizado, oscilando entre uma grande coligação e um acordo de partidos do centro-direita.

E faltam apenas oito dias para que os irlandeses decidam do destino final do Tratado de Lisboa, através de novo referendo.

Algumas incógnitas importantes serão, pois, preenchidas nestes próximos dias.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por António Vitorino.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

CUSPIR NO VOTO QUE PEDEM

«Há duas semanas, aqui, espantei-me com a fórmula com que Francisco Louçã se apresenta, agora: "Sou socialista, laico e republicano." Perguntei: então, quando é que deixou cair o "revolucionário"? É que eu não me lembro de ele ter declarado essa passagem, de revolucionário para ex-revolucionário, corte que marca um antes e um depois, e que permitiria, por exemplo, ser um leal membro de um governo a que ele, ainda há pouco, chamava burguês. Faltava a Louçã - dizia eu, então -, "a ele, que dá tanta importância à ideologia, que o diga na teoria, antes de ser definitivamente comprovado, na prática, que mudou." Repito: gostava de ouvir Francisco Louçã dizer já não ser revolucionário e que acredita que eleger deputados para a Assembleia da República (esta mesma, a democracia representativa) é a melhor forma de governar (já sabemos, eu, Churchill e mais uns quantos, que má, mas a melhor). Sim, Louçã? Alguns portugueses precisam, com urgência (até domingo), que Louçã tire isso a limpo. Digo alguns porque eu, não. Não preciso, ouvi o cabeça de lista do Bloco de Esquerda por Castelo Branco, onde o BE pode eleger um deputado, dizer que "a democracia representativa está falida". Então, está a candidatar-se a quê? » [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A DEMOCRACIA DESPREZADA

«Factos: a 18 de Agosto, o Público lançou em manchete uma "notícia" sobre a "suspeita" de que a Presidência estaria ser vigiada/escutada pelo Governo. A "notícia", toda baseada nas afirmações de uma fonte anónima "da Casa Civil", nada apresentava como evidência das "vigilâncias" e não continha sequer contraditório - nomeadamente o dos "acusados", PS e Governo - prosseguindo no dia seguinte com a descrição de como um adjunto do PM teria, na viagem presidencial à Madeira em 2008, "espiado" o pessoal da presidência sentando-se em mesas "para onde não tinha sido convidado" e crimes da mesma estirpe.

As duas "notícias" do Público foram reproduzidas em todos os media sem desconstrução (no peculiar mecanismo de câmara de eco do sistema mediático), sob o silêncio esmagador da Presidência. A 9 deste mês, durante a entrevista "íntima" que deu à SIC, Louçã acusou Fernando Lima, assessor de Cavaco para a comunicação, de ser a fonte das "notícias". A SIC ignorou, no noticiário, a existência de tais declarações e todos os media, à excepção do DN, que pegou no assunto dois dias depois, fizeram o mesmo. A 13 de Setembro, porém, surgia a primeira coluna do Provedor do Leitor do Público sobre o assunto. Nesta, Joaquim Vieira afirmava ter investigado o caso e concluía não só pela inexistência de contraditório e consubstanciação nas "notícias" como revelava que estas tinham surgido a partir de uma única fonte em Belém, através de um contacto mais de um ano antes; que a única investigação efectuada no caso, pelo correspondente na Madeira Tolentino de Nóbrega e que infirmava a tese das vigilâncias, tinha sido ignorada; que apesar de a "denúncia" ter mais de um ano, o único "espião" citado, o tal adjunto do PM, não tinha sido ouvido pelo jornal. Vieira anunciava voltar ao assunto na semana seguinte, mas o que dizia era já muitíssimo grave: "Salvo melhor prova, tudo não passa de um indício, sim, mas de paranóia, oriunda do Palácio de Belém. Só que tal manifestação é em si já notícia, porque revela a intenção deliberada de alguém próximo do PR de minar a relação institucional (ou a "cooperação estratégica") com o governo."

Apesar da gravidade inusitada destas acusações, voltou a reinar nos media o silêncio sobre a matéria. Até sexta-feira passada, quando o DN publicou a evidência daquilo que Vieira denunciara, com o nome da fonte: Fernando Lima. Só perante essa prova inquestionável se espalhou a coragem para dizer o óbvio: que é inaceitável um jornal fazer o que o Público fez e que ainda o é mais que o Presidente da República o tenha permitido. Como se existisse um temor reverencial por tudo o que emana ou parece emanar da Presidência, um temor que impede de dizer o que está a nu. E um temor não menos brutal de ser suspeito de "defender" o Governo. Ora isto não é asfixia, é anóxia, e não é pequena ou média, é enorme e nada tem de democrática. Que haja quem, perante isto, tenha a suprema desvergonha de querer virar o bico ao prego e acusar as vítimas e os que denunciaram a tramóia é apenas, infelizmente, expectável. Sabemos o que sucedeu, sabemos quem despreza a democracia. Saibamos desprezá-los na exacta medida do seu desprezo por nós. » [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

"O MISTERIOSO CASO DE BELÉM"

«O impecável e severo dr. Cavaco, com o propósito de não interferir na eleição do próximo domingo, deixou cair um romance policial no meio da campanha - um romance policial daqueles que, segundo a propaganda do género, "não se conseguem largar" ou "não se devem a ler à noite". A campanha, evidentemente, acabou. Ninguém já fala da miséria que aí está e por aí vem. Não se juntam dois portugueses que não seja para discutir "O Misterioso Caso de Belém". Não há debate na televisão que não deslize, no primeiro minuto, para os tremendos pormenores da intriga. E os comentadores, a julgar pelo que escrevem, não pensam noutra coisa. Nenhum Presidente mudou até hoje a situação política do país com tanta eficiência e tanta rapidez como o dr. Cavaco.

Portas, Sócrates, Louçã e Jerónimo tentaram não pegar na batata quente (desculpem a mistura de metáforas). Todos se recusaram - por enquanto - a dizer uma palavra sobre o assunto. Sócrates, por exemplo, instruído pelo melodrama da Freeport, declarou a coisa "uma brincadeira de Verão". Mas Manuela Ferreira Leite, que é inexperiente e do PSD, e ainda por cima amiga de Cavaco, caiu na asneira de levar a sério cada versão e digressão da história e, quando deu por ela, tinha manifestamente perdido qualquer autoridade para se pronunciar sobre fosse o que fosse e muito menos sobre o pobre estado da economia e das finanças. O prestígio de pessoa séria e prudente que ela pouco a pouco adquirira não resistiu às lendas sobre "escutas" nem ao tropo obrigado da "indignação democrática", em que ela, sinceramente, não se distingue.

As consequências disto para o dr. Cavaco são imprevisíveis. Em primeiro lugar, neste momento o PSD com certeza que não lhe agradece o esforço. Em segundo lugar, o comportamento errático de um Presidente da República (como Eanes lhe explicará) não se desculpa com facilidade. Do Presidente da República, o grosso do país quer um "sim" ou um "não". E Cavaco, às vezes, pareceu achar que sim, que o andavam a vigiar (não desmentiu nada e prometeu um inquérito aos serviços de informação); e às vezes pareceu achar que não, que não o andavam, de facto, a vigiar, e demitiu Lima, o fidelíssimo Lima, presumivelmente como autor único e provado de "O Misterioso Caso de Belém". Claro que só se vai saber a verdade na última página. Entretanto, ficaram vários cadáveres pelo caminho.» [Público]

Parecer:

Por Vasco Pulido Valente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

DOUG WINSOR

sexta-feira, setembro 25, 2009

Não ganharão

Os que em vez de fazerem propostas credíveis para ajudar os portugueses a superar a crise, que se limitaram a sonhar com o agravamento da situação económica das famílias portuguesas excitando-se com as más notícias e ficando em silêncio quando surgiram as primeiras boas notícias, não ganharão.

Os que instrumentalizaram a justiça, que em vez de usarem os instrumentos colocados à disposição dos tribunais para tornar Portugal um país mais justo e democrático usaram-nos para manipular a opinião pública usaram-nos para denegrir os governantes que ousaram tocar-lhe nas pequenas mordomias, não ganharão.

Os aprendizes de jornalismo que julgam os portugueses tão idiotas que votam ao sabor da sua manipulação da informação, não ganharão.

Os que consideram que o Estado serve para assegurar o bem-estar das suas corporações com o dinheiro dos contribuintes, tornando o serviço público refém dos seus interesses ou de estratégias partidárias, não ganharão.

Os que ganharam dinheiro a rodos com negócios pouco transparentes com o BPN e que agora esperam voltar ao poder ou deter todo os poderes, não ganharão.

Os que sabendo da justiça e necessidades de reformas como as do Sistema Nacional de Saúde, optaram pelos argumentos populistas que tiravam partido da ignorância popular em vez de analisarem essas reformas com honestidade intelectual, não ganharão.

Os que dirigem jornais e enquanto pensavam que bajulando o governo influenciavam as decisões governamentais e que quando estas decisões prejudicaram os seus patrões transformaram jornais credíveis em pasquins, não ganharão.

Os que pretendem governar sem apresentarem qualquer projecto político ou limitando-se a manobras de bastidores, não ganharão.

Os que estão mais interessados no seu próprio enriquecimento, que põem os seus interesses acima dos do país não ousando derrubar governos que lhes toquem nos interesses, não ganharão.
Os que não hesitam em boicotar empresas indispensáveis ao país só para impor a sua lógica partidária nas relações laborais, não ganharão.

Os que usam a credibilidade das instituições democráticas para promoverem conspirações contra a democracia, não ganharão.

Não sou nem nunca fui militante do PS, nem sequer sou simpatizante deste partido, mas este foi um dos poucos governos portugueses das últimas três décadas que governou, que teve a coragem de promover reformas que há muito deveriam ter sido implementadas, que enfrentou problemas como a dependência energética, que apostou consequentemente na modernização.

Certamente cometeu erros, provavelmente demasiados, mais do que os que teriam sido cometidos se tivesse tido uma oposição credível, se todos os sindicatos tivessem negociado a pensar no interesse dos profissionais e do país. Talvez tenha sido arrogante, talvez não tenha sabido travar a arrogância de alguns serviçais, mas foi o mesmo governo que nunca se esquivou a debates no parlamento, que deu condições de igualdade à oposição.

Nenhum governo, nem mesmo os de Marcelo Caetano, mereceram uma oposição tão feroz por parte da esquerda conservadora, nenhum foi tão odiado pelos grupos corporativos, alguns deles herdeiros de mordomias vindas do tempo do fasscimo. Mesmo assim e apesar de um contexto económico adverso teve a coragem de governar, porque governar é decidir o que em cada momento e a pensar no futuro deve ser decidido.

Uma derrota do PS e de Sócrates seria uma vitória dos interesses corporativos que sempre se opuseram ao desenvolvimento do país, seria uma derrota do futuro de Portugal. Uma derrota do PS significa que este país nunca será capaz de dar os passos necessários para romper com a pobreza e o desenvolvimento. Por isso vou votar PS e no dia seguinte voltarei a ser a voz crítica independentemente de quem ganhar estas eleições.

Umas no cravo e outras na ferradura

A DOIS DIAS DAS ELEIÇÕES

FOTO JUMENTO

Lisboa

IMAGEM DO DIA

[Toby Melville/Reuters]

«A pedestrian passed graffiti art on a wall in north London Thursday. British media have attributed the new work to acclaimed street artist “Banksy.”» [The Wall Street Journal]

A MENTIRA DO DIA D'O JUMENTO

Num gesto de grande generosidade e como sinal de remorso pelo desprezo a que o PSD tem votado a investigação Manuela Ferreira Leite decidiu doar o seu cérebro à ciência. Os cientistas estão particularmente interessados em perceber como alguém com tão vasto currículo e provas intelectuais dadas ao longo de uma vida conseguiu dizer tantas asneiras durante a campanha eleitoral.

JUMENTO DO DIA

Francisco Louçã

Francisco Louçã, o maior desastre eleitoral destas legislativas, já canta vitória, diz que tirou a maioria absoluta a José Sócrates.

REINCIDÊNCIA

Ninguém se recordou mas não é a primeira vez que Cavaco Silva trama um dos seus para salvar a sua própria pele, já o tinha feito com Fernando Nogueira. Desta vez foi para tentar abafar uma conspiração que parece ter sido ele a promover, da outra vez deixou cair Fernando Nogueira por estar convencido de que não ganharia as presidenciais se Nogueira vencesse as legislativas.

É assim o homem de Boliqueime, primeiro está ele, a seguir está ele e depois está ele, não são só os que se atravessam, no caminho da sua ambição pessoal a serem atropelados, os que o apoiam também não se escapam. Tramou Nogueira da mesma forma que desta vez tramou o Fernando Lima e a própria Manuela Ferreira Leite.

Com amigos destes ninguém precisa de inimigos, é este o homem que hoje é presidente da República.

AVES DE LISBOA

Alvéola-branca [Motacilla alba]
Local: Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian

FLORES DE LISBOA

No Jardim Botânico

TIRAR O TAPETE AOS SEUS

«Fernando Lima foi demitido. Tanto ano de trabalho comum e de leais serviços apontariam para outra solução: Lima pedia demissão, o Presidente lamentava mas aceitava a demissão. Essa seria a fórmula low-profile adequada à maneira pública e de fazer política a que os dois nos habituaram, Lima e Cavaco. Mas não. Lima foi demitido. É que a tal fórmula, a de pedido de demissão, deixaria pairar uma suspeita: Lima estava a proteger Cavaco... Ora, o essencial era defender Cavaco Silva. Então, o bode expiatório aceitou a degola. Com esta consequência: demitido, confirmou que tinha havido, mesmo, uma cabala para culpar o Governo de escutas em Belém. E confirmou já. Quer dizer, a cabala acabaria por ser verificada daqui a poucas semanas, com a inexistência de provas de escutas e, por outro lado, com a existência das manobras de intoxicação vindas de Belém. Mas essa versão, a acontecer só daqui a semanas, arrastava Cavaco para a cumplicidade na cabala. Daí, a urgência de demitir Lima, já e na fórmula que só o culpa a ele. O que tinha um senão: demitir Lima antes de domingo penalizava o PSD. Ponderado tudo, que fez Cavaco Silva? Demitiu já. Isto é, obrigou o PSD a procurar um candidato leal para as próximas presidenciais.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

O SILÊNCIO DO PRESIDENTE

«Ao longo de toda a sua já longa carreira política Cavaco Silva sempre se apresentou como um tecnocrata que serve o País e que não faz política partidária. Essa carreira começou em 1985, ano em que Cavaco foi à Figueira da Foz fazer a rodagem do carro e saiu eleito presidente do PSD. Desde então até à sua veemente recusa em ser associado a Santana Lopes nas legislativas de 2005, o Presidente da República construiu uma imagem de um homem sério a tentar contribuir positivamente para os destinos do País. Ora, este caso das escutas atinge esta imagem de Cavaco no seu cerne. Porque razão o Presidente avisa num dia que irá pedir "mais informações sobre questões de segurança" logo a seguir às eleições, para depois no outro demitir Fernando Lima, seu assessor desde 1985? À falta de mais esclarecimentos, estas reacções de Cavaco Silva aos acontecimentos acabam por não confirmar nem desmentir nada. Logo, não o isolam completamente dos graves actos alegadamente praticados por pessoas próximas a que nunca se soube que o Presidente tivesse estado ligado.

A manter-se este silêncio do Presidente da República, a eficácia do discurso partidário do PSD fica seriamente comprometida, se não mesmo completamente invalidada. A saber, o slogan da "política de verdade" e a bandeira da "asfixia democrática" que o PSD e Manuela Ferreira Leite elegeram como porta-estandartes para estas legislativas deixam de fazer qualquer sentido. É certo que a líder do PSD não está estritamente envolvida neste caso. Tal como não será responsável pelos comportamentos de António Preto e Helena Lopes da Costa. Mas é evidente que as notícias vindas a público comprometem a postura de seriedade que Ferreira Leite tenta emprestar ao seu partido e à sua candidatura a primeira-ministra de Portugal. Aliás, deve ser por isso que muitas campanhas se abstêm deste tipo de slogans: há sempre, em qualquer partido, demasiados telhados de vidro para se empreender uma campanha sob o signo da "verdade". É mais seguro para os líderes políticos, e muito mais importante para o bem-estar dos cidadãos, defender políticas credíveis. São estas que podem fazer a diferença para o futuro do País. » [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Marina Costa Lobo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

FUNDOS INTOCÁVEIS

«Ainda ontem vinha na primeira página do PÚBLICO: "Portugal perdeu 71 milhões de fundos europeus." De todos os 27 países da União Europeia, Portugal foi o mais perdulário. É a história do costume: atrasou-se na utilização das verbas e, quando finalmente ia deitar a mão à massa, ela já lá não estava, porque as regras comunitárias não são como as nossas.

É difícil não sentir alguma vaidade em sermos os menos sôfregos da Europa. Podemos ser pobres mas, quando dizemos "fiquem lá com os vossos fundos, que nós não precisamos dessa merda", as nossas palavras são ditas com convicção. Se somos os mais perdulários, também somos os menos pedinchões e os menos oportunistas. Há até um certo desdém aristocrático com que mesmo os mais miseráveis se podem defender.

Mas depois pensa-se um bocado e começa-se a desconfiar. Em primeiro lugar, 71 milhões de euros é muito pouco dinheiro. Dá 7 euros por cada português - pouco mais de 50 cêntimos por mês. 50 cêntimos por mês é o que todos os portugueses perdem em trocos mal contados e pelos sofás abaixo.

Depois, nota-se que 64 desses avaros 71 milhões eram para a agricultura. Ai eram? É que os fundos da UE, quando se destinam à nossa agricultura, é mais para nós plantarmos o que eles querem do que aquilo que nos convém. Por exemplo, nada. Ou uma espécie de soja que mais ninguém quer produzir, para fazer andar os automóveis que eles nos querem vender. Na volta, é capaz de haver fundos comunitários em que não vale mesmo a pena tocar.» [Público]

Parecer:

Por Miguel Esteves Cardoso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

MARCELO TEME ATAQUES A CAVACO NO DIA 28

«O comentador político Marcelo Rebelo de Sousa afirmou esta quinta-feira que "é um grave erro de José Sócrates- quer ganhe, quer perca-, que na noite das eleições, ele ou alguém por ele, ataque o Presidente, ou comece os ataques ao Presidente da República [ a pensar nas eleições presidenciais]. O presidente é, goste-se ou não se goste, o referencial de estabilidade em Portugal. E com um governo minoritário que inevitalmente vai sair das eleições, é ele o fusível da democracia portuguesa".» [Correio da Manhã]

Parecer:

Bruxo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelas perguntas sobre segurança que Cavaco prometeu fazer.»

INVESTIGADORES DO CASO FREEPORT FICAM

«A directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) decidiu hoje não afastar os dois procuradores titulares do processo Freeport, indeferindo o pedido do arguido Carlos Guerra.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Que façam o serviço até ao fim.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pela conclusão das investigações.»

O ALBERTO JOÃO ESTÁ DESESPERADO

«Alberto João Jardim instou hoje o Presidente da República a "definir-se" sobre a possibilidade dos comunistas poderem participar na governação do país através de coligações com o Partido Socialista.

O líder do PSD/M e cabeça-de-lista social democrata às eleições legislativas nacionais do próximo domingo falava no comício da campanha, em frente à Sé do Funchal, considerado um dos maiores do partido na capital madeirense, em que o primeiro-ministro José Sócrates foi o principal alvo das criticas.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Coitado do Cavaco, depois da alhada em que se meteu ainda tem de aturar o Alberto.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Cavaco se se concentre nas perguntas sobre segurança.»

PACHECO JÁ LEMBRA O MINISTRO DA INFORMAÇÃO DE SADAM

«Durante o jantar, Pacheco Pereira, mandatário da candidatura liderada por Isaura Morais, estabeleceu a mudança de executivo como uma "obrigação nacional e patriótica".

"As eleições do próximo dia 27 de Setembro vão ser uma primeira vitória para o dia 11 de Outubro", frisou Pacheco Pereira.» [Diário de Notícias]

Parecer:

Passou-se.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

FERREIRA LEITE EM GAIA SEM MENEZES

«Luís Filipe Menezes foi esta quinta-feira o grande ausente da campanha do PSD para eleições legislativas. À mesma hora em que Manuela Ferreira Leite visitava a empresa ALERT [uma empresa de tecnologias de informação para a saúde] na terra liderada pelo autarca, Menezes estava num centro de emprego, bem perto, e garantiu à RTP que decidiu não estar presente porque não foi convidado.

«Não há convites», reagiu Manuela Ferreira Leite. «Sei que não está aqui por tinha outras tarefas». «Mas Menezes estaria disposto a vir apoiá-la se fosse convidado...», insistem os jornalistas. «Não tenho dúvidas que o Dr.º Menezes me apoia; sempre foi um social-democrata convicto e muito empenhado neste novo projecto». » [Portugal Diário]

Parecer:

Cá se fazem, cá se pagam.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Coitada da senhora.»

MAIS UMA ARGOLADA DE CAVACO

«A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) esclareceu esta quinta-feira que não recebeu confirmação final do Vaticano da visita do Papa a Portugal, o que a impediu de fazer um anúncio «concertado» com a Presidência da República na próxima semana, como pretendia.

Em comunicado, o porta-voz da CEP, padre Manuel Morujão, confirma que a Presidência da República «recebeu directamente» do Vaticano a confirmação e acordou com a Santa Sé «o teor e o momento da divulgação».

Afirmando estar a par da vinda do Papa, a conferência adianta que «tinha decidido fazer a comunicação de tão importante evento na próxima semana» e que «não recebeu» a última confirmação oficial «para poder acertar com a Presidência da República a sua concertada comunicação». » [Portugal Diário]

Parecer:

Está tão nervoso que se precipitou, talvez para distrair a atenção dos portugueses.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aconselhe-se Cavaco a manter a calma.»

LOUÇÃ JÁ CANTA VITÓRIA

«Francisco Louçã reagiu com satisfação à sondagem TVI/Rádio Clube Português efectuada pela Intercampus, ainda que esta demonstre uma queda nas intenções de voto no Bloco de Esquerda: há uma semana eram 12 por cento, esta quinta-feira são 9,4 por cento.

«Estes números demonstram que o PS, com a vantagem que tem, não alcança a maioria absoluta. Isso é, para nós, uma extraordinária vitória. Esta sondagem confirma o BE como a força que tira a maioria absoluta ao PS e fico muito feliz se estes resultados se confirmarem no domingo», disse, no final de um debate na Universidade de Aveiro. » [Portugal Diário]

Parecer:

Um pouco cedo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelos resultados eleitorais.»

LA KATRINA

WORLD DOG GAMES