sábado, julho 24, 2010

Entregar a dama por engano

Pedro Passos Coelho lembra-me um daqueles jogadores de xadrez que têm mais olhos do que barriga e que numa jogada mal calculada com que pensam chegar ao xeque-mate entregam a dama por engano. Convencido de que as próximas legislativas seriam favas contadas decidiu aproveitar-se das pressões internacionais para forçar o actual governo a antecipar medidas de austeridade e, como se isso não bastasse, achou que poderia alterar o quadro constituccional do país para se assegurar que não existam constrangimentos constitucionais ao seu projecto de rifar tudo o que no Estado possa dar lucros ao privado.

Só que as sondagens são uma coisa e as eleições são outras, a agenda política e a crise financeira internacional impedem eleições agora e a economia tem os seus ciclos, umas vezes desce e favorece Passos Coelho, outras vezes sobre e favore Sócrates, o líder do PSD que faz passar a mensagem de que foi o melhor aluno num curso de economia (ainda que de uma universidade do tipo fast-food) parece ter esquecido este pormenor. Convencido da vitória certa achou que era a sua hora de se afirmar e desde então só fez disparates.

Embrulhou-se nas SCUT onde umas vezes diz que não há SCUT para ninguém, outras diz que devem ser para todos e por fim vota ao lado da esquerda conservadora só com o objectivo de criar dificuldadades à governação. Compreende-se, qualquer regra prejudicaria alguns concelhos geridos pelo PSD e como não é possivel dizer na lei que se deverão manter as SCUT sempre que estejam em causa autarquias do seu partido, Pedro Passos Coelho opta pela indecisão. Enfim, um mau princípio este de querer governar e ao mesmo tempo promover o desgoverno.

Numa decisão criticada por toda a sociedade, incluindo muito dos seus apoiantes incondicionais, optou por lançar a revisão constitucional em Setembro, avançando com um projecto mal elaborado, feito por gente que vive noutro país e que nunca será aceite pelos outros partidos ou mesmo pela sociedade. Numa estratégia combinada à mesa do café, Pedro Passos Coelho acha que pode impor uma nova constituição a troco de um orçamento que até pode ser viabilizado por partidos que não alinham no seu projecto.

O ideal para Passos Coelho era que o PS se armasse em conservado e decidisse boicotar a revisão constitucional, o líder do PSD poderia dizer o que já anda a sugerir, que os outros partidos se recusam a modernizar o país. Mas tem azar, o PS vai a jogo e responde com propostas de revisão incómodas porque mexem nos poderes presidenciais, um tabu mesmo para o PSD em tempo de presidenciais. Ainda por cima Passos Coelho não pode recusar o debate pois tomou ele próprio a iniciativa de questionar os poderes presidenciais sem repseitar o mandato do presidente que apoia, mas nunca se perdeu de amores pelo antigo líder da JSD.

Ao forçar o debate o PS obriga o PSD a discutir temas que lhe serão incómodos, como a questão do despedimento ou as mexidas num sistema nacional de saúde aceite pelo país. O mesmo líder que há pouco tempo boicotou as taxas moderadoras nas cirurgias não tem autoridade moral para agora tentar privatizar tudo o que na saúde pode dar lucro ao grupo Mello, o mesmo líder partidário que se afirma como esperança para os desempregados não pode empenhar-se em abrir a porta ao desemprego.

Pedro Passos Coelho confunde um país com uma associação de estudante e decidiu, aconselhado por gente de pouca dimensão intelectual, entrar em jogadas que lhe poderão sair caras. Agora vai mesmo ter de concretizar os seus projectos liberais em sectores tão sensíveis como a saúde e o desemprego. Pedro Passos Coelho estava tão convencido do xeque-mate que corre um sério risco de ter entregue a dama. Isso não significa que tenha perdio o jogo, ainda pode empatar ou ganhar com mais dificuldades, significa apenas de que agora é ele que poderá ter de se remeter à defensiva, pois deu a iniciativa no jogo ao adversário e no xadrez a iniciativa pode ser uma vantagem.

Sócrates não é propriamente um político fraco, sobreviveu ao que nenhum político português teria sobrevivido e, pior ainda, já demonstrou que é nos momentos difíceis que se apresenta em melhor forma. Aquilo que parecia um passeio de Pedro Passos Coelho até ao poder pode vir a transformar-se numa penosa via sacra.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Coruche

PORTUGAL VISTO PELOS VISITANTES D'O JUMENTO

Porta (Imagem de A. Cabral)

JUMENTO DO DIA

Manuel Alegre

Um bispo de Lisboa decidiu pedir aos políticos que descontem 20% do que ganham para um fundo social, numa iniciativa que seria muito nobre se não passasse a ideia errada de que todos os políticos ganham fortunas. Faria mais sentido que o bispo pedisse idêntico gesto aos cristãos, começando por aqueles que são mais fundamentalistas como, por exemplo, os da Opus Dei. Poderia, por exemplo, pedir a Teixeira Duarte, a Paulo Teixeira Pinto e outros que desse o exemplo cristão.

Ninguém respondeu ao repto do bispo, só Manuel Alegre decidiu aproveitar a proposta e declarar que estava disponível para aderir. Como a sua concretização não depende de um decreto-lei e nada impede Manuel Alegre de começar a dar o seu contributo fico à espera que cumpra com a sua palavra e dê a ordem de transferência ao seu banco de 20% dos seus rendimentos declarados para efeitos de IRS.

«Quinta feira “ouvi o bispo D. Carlos Azevedo fazer um apelo às pessoas para a solidariedade. Dirigiu-se aos cristãos, mas cristãos ou não cristãos todos têm essa responsabilidade de ajudar os outros num momento de crise”, declarou o candidato presidencial apoiado pelo PS e pelo Bloco de Esquerda.

Já sobre a proposta do bispo auxiliar de Lisboa para que os políticos descontem 20 por cento do seu salário para a criação de um fundo de solidariedade, Manuel Alegre interpretou que Carlos Azevedo “não falou apenas dos políticos” e disse estar disposto a corresponder ao apelo.» [Público]

"PRIVATIZAR" O ENSINO OU A SAÚDE

Pela forma que algumas entidades falam da "privatização" da saúde ou do ensino até podemos ficar a pensar que em Portugal estes sectores estão vedados ao sector privado, mas não é verdade, o que não falta por aí são clínicas privadas, hospitais privados e escolas privadas. Se quem quiser investir no sector privado pode fazê-lo então porque tanta preocupação por parte de Pedro Passos Coelho em acabar com a gratuitidade dos serviços públicos.

É evidente que não está nada preocupado em reduzir a despesa pública, se assim fosse não teria boicotado as taxas nas cirurgias. O que pretende então Passos Coelho? Quer que os serviços públicos sejam mais caros para todos os que os possam pagar para desta forma "enxotar" a clientela para os hospitais privados. O mesmo é dizer que o que Pedro Passos Coelho pretende é que os que podem pagar serviços públicos os paguem a empresas privadas. Sucede que em Portugal o grupo mais interessado neste negócio é o grupo Mello, precisamente o grupo que colocou vários dos seus quadros na equipa de Pedro Passos Coelho.

Se Pedro Passos Coelho estivesse preocupado com a viabilidade do SNS teria apoiado as taxas nas cirurgias.

PARA PIOR BASTA ASSIM!

«Ao longo dos anos fui aprendendo que não é possível obter uma boa resposta se não se souber colocar a pergunta certa. O ensinamento é pertinente quando se trata de analisar as propostas de revisão constitucional avançadas pelo PSD quanto à organização do poder político. É que não se consegue perceber a que problema do funcionamento da nossa democracia é que tais propostas visam de facto responder.

Já foi sublinhado que as soluções avançadas, entre si, são contraditórias, como seja o caso de simultaneamente limitar o poder do Presidente da República de dissolução do Parlamento ao mesmo tempo que se confere a uma coligação negativa dos partidos da oposição a faculdade de desencadearem uma ida antecipada às urnas. Noutro passo, visa-se repor uma solução abandonada na revisão constitucional de 1982, a saber, a de conferir um poder próprio ao Presidente da República de demitir o Governo por discordância política, recriando assim um sistema de dupla responsabilidade política do Governo perante o Chefe do Estado e o Parlamento em concorrência directa.

O Conselho Nacional do PSD extirpou do projecto o primeiro abcesso mas, ao que parece, manteve o segundo!

Ora, mais do que saber se das propostas avançadas resulta um reforço da componente presidencial ou da componente parlamentar do nosso sistema de Governo, o que importa verdadeiramente apurar é a concepção de funcionamento do sistema de governo semipresidencial a que correspondem as propostas feitas. E é essa concepção que não resulta clara nem perceptível, ficando-se antes com a sensação de que o PSD coligiu um vasto leque de soluções avulsas a que não corresponde nenhum fio condutor consequente.

Os sistemas de governo semi-presidenciais assentam na existência de dois órgãos de soberania cuja legitimidade decorre do sufrágio directo e universal: o Presidente da República e o Parlamento, deste dimanando o Governo. A sua força é simultaneamente a sua fraqueza: essas duas legitimidades são expressas autonomamente e podem não ser coincidentes no seu sentido político. Quando tal sucede, vivemos as chamadas situações de coabitação (como sucede, aliás, entre nós, presentemente). Situações que potenciam um conflito de orientação política entre os dois órgãos eleitos por sufrágio universal.

Para evitar tal conflitualidade, a revisão constitucional de 1982 reforçou a dependência política do Governo perante o Parlamento (ao qual cabe apoiar ou sancionar as orientações da política governativa) e construiu a figura do Presidente da República como um poder moderador e regulador do sistema de governo no seu conjunto, perante o qual o Executivo responde essencialmente no plano institucional e à luz dos mecanismos constitucionais postos à disposição do Presidente (em especial o direito de veto, a fiscalização preventiva da constitucionalidade e o poder de livre dissolução do Parlamento como razão última).

Como o provam estes 28 anos de vigência deste modelo, uma tal divisão de responsabilidades não eliminou totalmente as tensões potenciais entre legitimidades eleitorais não coincidentes, mas, pelo menos, delimitou as esferas de actuação de cada órgão de soberania e minimizou os campos de potencial afrontamento.

Logo, a pergunta impõe-se: que razão ponderosa leva o PSD a querer recolocar a relação entre os dois órgãos de soberania (Presidente e Parlamento) num terreno que amplia o potencial de discórdia e, assim, multiplica a probabilidade de afrontamentos de que resultará sempre acrescida instabilidade governativa?

Como se tal não bastasse em termos de condicionamento da acção governativa, a proposta do PSD consagra a moção de censura construtiva, mas apenas a título facultativo! O mesmo é dizer, aparenta reforçar a estabilidade governativa (designadamente de governos minoritários, como é o caso do actual), já que o seu derrube no Parlamento só seria possível se as oposições maioritariamente se pusessem de acordo no nome de um primeiro-ministro alternativo, mas, ao torná-la meramente facultativa e não obrigatória, como sucede na Alemanha ou em Espanha, tal traduz-se numa alteração inútil em termos práticos, já que em nada altera a situação presente.

Fica assim sem se perceber o que ganharia a nossa democracia com soluções que potenciam mais instabilidade governativa e maior risco de confronto entre órgãos de soberania. E não vale a pena virem acusar-me de conservador: é que para melhor está bem, mas para pior já basta assim! » [DN]

Parecer:

António Vitorino.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A (IN)UTILIDADE DA PJ

«Estamos num momento de viragem, e torna-se urgente que se pense de forma séria - e sem reserva mental - a questão da investigação criminal em Portugal. Pensar esta questão sem reserva mental implica, em meu entender, que se preste uma atenção particular a dois problemas. São - é necessário dizê-lo de forma clara - dois problemas complexos e para os quais ainda é difícil encontrar uma resposta conclusiva.

O primeiro destes problemas é o da partilha da informação na investigação criminal. Na verdade, é hoje em dia voz corrente entre os profissionais das forças e serviços de segurança (FSS) que muita da informação partilhada tem de ser negociada. Ou seja: um processo que deveria, creio eu, ser natural e fluido é, muitas vezes, objecto de uma (às vezes difícil) negociação entre profissionais que - à partida - devem estar a trabalhar para um mesmo objectivo. Ora esta pode ser uma questão que assume proporções algo gravosas se considerarmos que as duas grandes polícias (PSP e GNR) se encontram na tutela do Ministério da Administração Interna (MAI) e que a polícia de investigação criminal (PJ) se encontra na tutela de um ministério diferente, o Ministério da Justiça (MJ). O segundo problema é o da partilha de meios na investigação criminal. Na realidade, é também voz corrente entre os profissionais das FSS que existe uma contradição operacional entre a distribuição de efectivos no terreno e os meios de investigação a que cada um tem acesso. Ou seja: se a PJ tem vindo a especializar-se progressivamente numa criminalidade que já não está muito "na rua", a verdade é que continua a ser a PJ que detém os meios essenciais a muita dessa investigação que, recorde-se, é muitas vezes iniciada pelos profissionais da PSP e da GNR. Esta também é uma questão importante uma vez que os profissionais da PSP e da GNR são, regra geral, os primeiros a chegar aos locais de ocorrência. O que se percebe: são eles quem está "na rua". Por fim, um terceiro problema - e que ainda está seguramente na memória recente de muitos - é o da relação com o Ministério Público (MP). Também aqui se percebe bem o problema dos nossos magistrados: perante milhares de processos que podem ter em mãos, olhando depois para o número de profissionais da PJ e percebendo que estes - por mais boa vontade que demonstrem - não possuem humanamente capacidade para dar resposta a todas as suas solicitações, o que fazer então? A resposta tem sido óbvia: começar a recorrer aos profissionais da PSP e da GNR que - com o passar do tempo - também têm vindo a ganhar experiência na investigação criminal.

Por tudo isto, creio que seria de grande interesse para todos que se pensasse - de forma séria e sem reservas, repito - como reorganizar o papel da PJ num futuro modelo de Sistema de Segurança Interna. Deixo - a título de exemplo - duas pistas para discussão: Não seria porventura mais útil ter uma agência altamente qualificada funcionalmente independente no quadro do MAI? E não seria porventura mais interessante que o modelo de colaboração entre essa agência e o MP assentasse numa clara definição de prioridades. À semelhança do que se faz - e em meu entender bem - na Inglaterra com a SOCA (Serious Organised Crime Agency)? Fica, pois, o repto.» [DN]

Parecer:

Por Paulo Ferreira de Almeida.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

LULA PODE CHORAR TANTO? DEPENDE...

«Lula, na hora da despedida (a 3 de Outubro haverá presidenciais no Brasil e ele não se recandidata), deu uma entrevista à TV Record. Chorou por duas vezes. Não é ridículo um estadista chorar tanto em público? Depende. Não posso saber, e se calhar nem o próprio, se Lula estava a ser sincero. Não vou julgar carácter, vou ser científico. Há aparelhos (choradómetros, chamam-se assim) para medir a legitimidade do pranto dos políticos. Político serve para governar, e se ele governou mal ou pouco, não, não pode chorar em público. Isto é, poder, pode, mas o choradómetro decreta: desampara-me a loja com a tua lamechice. Já político que pode dizer, como Lula fez na entrevista, que os empresários brasileiros "nunca tiveram a quantidade de obra que têm agora" pode chorar. Que pode dizer que herdou expectativas que diziam que "a sua roça não vai dar nada, não vai plantar", e acaba no sucesso, internacionalmente reconhecido, em que "a planta brota, cresce, e eu tou colhendo", pode chorar. O Brasil, eterno país do futuro, eram décadas de promessas não cumpridas, em que, na melhor das hipóteses, o balanço era cínico: "Roubo mas faço" (foi anúncio de um governador paulista, década de 1950). Lula pode dizer melhor: "Choro mas fiz." Na entrevista, disse também: "Eu vou entregar um outro país." E vai mesmo.» [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

RAZÃO ENTEENDÍVEL

«Passos Coelho impôs-se ao PSD e apresentou-se ao País em ruptura com a linha política (?) que o seu partido seguia desde 2004. Se o fez por convicção ou pragmatismo (a coisa estava esgotada), é cedo para saber, até porque se demarcou da linha mas não de algumas das pessoas que a de-senvolveram. Mas fê-lo, e em nome da ideia de "uma verdadeira alternativa política".

A alternativa de Passos Coelho, acha qualquer pessoa que acompanhe o seu percurso e discurso há uns tempos, é a liberal. Liberal nos costumes e, sobretudo - até porque de liberalismo nos costumes estamos já bem servidos com o PS - liberal na economia.

Mas é aqui que a coisa, clara como água, se turva. Passos Coelho, que já defendeu a privatização da CGD e da RTP e que pugna por aquilo a que dá o nome de "liberdade de escolha" na saúde e na educação, quer que o princípio da gratuitidade tendencial nessas duas áreas acabe e que cada um pague "segundo as suas possibilidades", o que só pode significar que as pessoas que seriam excluídas, pelo seu nível de vencimento, do acesso livre a escolas e hospitais públicos, passariam a poder investir uma parte do que pagam em impostos noutros sistemas (ou isso ou ficariam pobres, ao pagar duplamente o valor desses dois serviços essenciais) e que o sistema público seria depauperado e limitado. Ao mesmo tempo, porém, a direcção do PSD vem, pela boca de Miguel Relvas, negar que se queira acabar com o Estado Social, atacando o governo por ter fechado serviços - escolas e centros de saúde - em nome de uma lógica economicista. Portanto, o PSD quer oferecer menos Estado, mas manter os serviços todos abertos por esse país fora e sem olhar a despesas. Lá original é.

Mas nada ultrapassa a história dos despedimentos. Passos quer que a expressão "justa causa" deixe de fundamentar a possibilidade de despedir e esta passe a assentar em "razões atendíveis". Mas aos que o acusam de querer consagrar a arbitrariedade responde, manso: que não, não quer que se possa despedir sem mais nem menos, que ideia!, é preciso haver motivos, que hão-de ser explicitados na lei ordinária. No seu afã de negar o óbvio, a direcção do PSD chega mesmo a invocar uma lei de Vasco Gonçalves (sim, o dos saneamentos) - quiçá para que acreditemos que a defesa da classe operária é o seu sol na terra.

A gente percebe: não é fácil ganhar eleições a dizer com todas as letras que se vai consagrar a arbitrariedade nos despedimentos (ao mesmo tempo que, pormenor, se apoia um candidato presidencial que representa praticamente tudo o que não se defende); mas isto começa a parecer-se de mais com a fábula da rã e do escorpião. Resta saber se a rã continua crédula.» [DN]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

SEM RAZÃO ATENDÍVEL

«A maioria das coisas acontecem à Vanessa sem razão atendível. Há fases em que se passa o mesmo na política portuguesa: Passos Coelho - para a Vanessa o mais queridinho dos líderes da conjuntura política - não tinha qualquer razão atendível para inflamar o partido com um projecto de revisão constitucional que, como o próprio reconhece, lhe pode sair caro no território da popularidade.

Mas a ordem natural das coisas é uma sucessão de ausências de razões atendíveis. No caso da Vanessa, é o transtorno infundado e nunca a razão atendível - e muito menos a justa causa - o que comanda boa parte das suas acções. » [i]

Parecer:

Por Ana Sá Lopes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

FINALMENTE UMA PRISÃO PREVENTIVA POR VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

«Após três anos a sofrer em silêncio, ‘Maria’ ganhou coragem e anteontem foi ao Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) apresentar queixa contra o ex-companheiro. E rapidamente os responsáveis do Ministério Público viram que a denúncia espelhava um medo real.

De acordo com fontes policiais, a detenção do agressor ocorreu anteontem, pelas 17h00, na avenida D. João II. Na mesma altura em que ‘Maria’ apresentava queixa no DIAP, o ex-companheiro – que a seguiu até ao Campus da Justiça – ameaçava matá-la, pelo que os responsáveis da 7ª Secção (Unidade Especial de Combate à Violência Doméstica) ordenaram o reforço da segurança e emitiram um mandado de detenção. O agressor ainda tentou escapar aos elementos da Divisão de Investigação Criminal da PSP de Lisboa, mas acabou detido após perseguição.» [Correio da Manhã]

Parecer:

Finalmente!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aplausos.»

DESCUIDO INOPORTUNO E COINCIDENTE

«Um casal de amantes que praticava relações sexuais junto à janela do apartamento, em Lübeck, Alemanha, distraiu-se e acabou por cair de uma altura de cerca de cinco metros.

Os vizinhos garantem que o casal estava a praticar actos sexuais, no entanto, a mulher refutou esta ideia, afirmando que os dois estavam só a brincar.

Segundo o jornal alamão Bild, a queda obrigou a receber tratamento hospital, dado que sofreram ferimentos significativos, mas o curioso foi a mulher que é casada ter encontrado o marido no hospital, internado a recuperar de uma queda que sofrera há alguns dias. » [Correio da Manhã]

QUEIROZ COM PROCESSO DISCIPLINAR

«O seleccionador de Portugal considerou inoportuna a presença, a 16 de Maio, no hotel da selecção dos médicos da Autoridade Antidopagem de Portugal. Apesar de se tratar de um procedimento habitual, Queiroz não concordou e dirigiu-se aos médicos com um palavreado agressivo e insultuosa. Luís Horta, que não estava presente, foi o maior alvo do descontentamento. Por parte dos responsáveis da FPF, departamento médico da selecção e jogadores sujeitos ao controlo registou-se total colaboração.

O comportamento de Queiroz, considerado ofensivo e difamatório, foi alvo de um inquérito aberto pelo IDP. Durante cerca de mês e meio foram ouvidas várias testemunhas, desde funcionários do hotel até elementos do staff federativo, alguns dos quais confirmaram de forma concreta os excessos do seleccionador. Concluído, o inquérito foi enviado para a Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto, que por sua vez o remeteu para a Federação. A Gilberto Madaíl foi pedido que agisse em conformidade com a gravidade da situação.» [DN]

Parecer:

Parece que Carlos Queiroz precisa de duas de mão de verniz, o que tem estala com muita facilidade.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a devida pintura com verniz.»

LULA CHORA ENQUANTO FAZ BALANÇO DA ECONOMIA

«A pouco menos de seis meses de deixar a Presidência, Lula da Silva emocionou-se e chorou durante uma entrevista à TV Record, na qual fez um balanço dos seus oito anos no poder. "Eu vou entregar um outro país. Um país de gente menos pobre, um país com os trabalhadores ganhando mais, um país com a democracia consolidada, um país mais forte do que aquele que alguma vez tivemos", disse o Presidente à jornalista Adriana Araújo. Depois, recordou um evento em que foi dado um empréstimo de milhares de dólares a uma cooperativa de reciclagem de papel: "Aí disse: agora sim, esse país..." E começou a chorar. O que não é a primeira vez que acontece. "Eu acho que estou ficando mais velho", indicou. "Tenho ficado mais emocionado porque as coisas estão acontecendo. Passamos o tempo inteiro plantando e de repente a planta brota, cresce e eu estou colhendo." Antes, Lula lembrou que as conquistas são de todos: "As pessoas passaram a perceber que o Brasil é delas." E que ainda há muito a fazer. » [DN]

MAIS UM DISPARATE NO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA

«As novas tabelas de emolumentos devidos por actos notariais ou registrais, aprovadas a 1 de Julho em Conselho de Ministros, prevêem aumentos que, nalguns casos, quintuplicam. Por exemplo, o registo de um prédio rústico, que agora custa 25 euros, vai passar a custar 250 euros.

Os novos aumentos deverão entrar em vigor a 1 de Agosto.São "aumentos que violam o princípio da proporcionalidade. Por isso, considero que são inconstitucionais", disse ao DN o bastonário da Ordem dos Notários, Alex Himmel. "Trata-se de preços anormalmente empolados pelo Estado", frisou o responsável.» [DN]

Parecer:

Depois das custas judiciais é a vez dos registos deixarem de estar ao alcance dos mais pobres, parece que o que mais preocupa os ministros da justiça são os "sacos azuis" do ministérios, sacos azuis com que se pagam as mordomias dos funcionários e magistrados.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Discorde-se.»

A NOVA BATALHA DE LOUÇÃ

«O Bloco vai solicitar a apreciação parlamentar do decreto-lei do Governo para alargar o horário das grandes superfícies.

"Diz-nos o Governo que este caminho permitirá a criação de novos postos de trabalho, quando a realidade nos diz, as estatísticas nuas e cruas indicam, que, desde 2005, apesar da proliferação de grandes superfícies comerciais, o número de empregos no sector do comércio tem diminuído", defendeu o deputado do BE Pedro Filipe Soares, acrescentando que a apreciação será pedida logo que o diploma seja promulgado.» [Diário Económico]

Parecer:

As coisas que preocupam o nosso líder do proletariado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se o competente sorriso condescendente.»

UMA MÁ NOTÍCIA

«Considerando o pior cenário dos testes de resistência, que contempla um choque adicional de risco soberano, o rácio de capital do BPI cairia para 10,2%. E o do BCP diminuiria para 8,4%.

Estes números demonstram que o Millennium bcp estará preparado para um choque mais adverso. Recorde-se que o BCP foi alvo recentemente de rumores que apontavam para problemas financeiros. O banco inclusivamente apresentou queixa contra “desconhecidos” devido a estes rumores.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Para Louçã e Passos Coelho dava jeito uma crise na banca.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Registe-se com agrado a boa saúde da banca portuguesa.»

MAIS UMA MÁ NOTÍCIA

«O primeiro-ministro de Espanha, José Luis Zapatero, afirmou hoje que o produto interno bruto (PIB) do país cresceu mais no segundo trimestre do ano, face aos números registados entre Janeiro e Março.

“Crescemos no primeiro trimestre e no segundo trimestre vamos ter um crescimento maior”, afirmou o responsável, citado pela Bloomberg, numa conferência de imprensa que está a decorrer em Barcelona.

O PIB espanhol cresceu 0,1% nos primeiros três meses de 2010 e o Governo tem uma previsão de contracção económica de 0,3% para este ano.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Há dias em que a direita e a esquerda conservadora não pode sair à rua.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «»

PAIS NEGROS COM FILHA LOURA

«Um casal negro está a enfrentar os olhares do mundo. Tudo porque a filha, recém-nascida, é branca e além do mais, loura. O pai já disse que confia na fidelidade da mulher, enquanto a ciência procura perceber o mistério.

Os médicos estão absolutamente espantados com o nascimento de Nmachi, mas garantem que a criança não é albina. A mãe, Angela, só tem olhos para o seu rebento. “Ela é linda, um bebé milagre”.» [JN]

Parecer:

Cheira-me a barrete.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se pela explicação.»

GOYDIN ANTON

sexta-feira, julho 23, 2010

Sai mais um processo judicial para a mesa três!

Imaginem que se em vez de terem feito o teste do stress aos banco o tivessem feito aos nossos políticos, magistrados, jornalistas, comentadores (do tipo Marques Mendes) e outras personalidades da nossa praça, ou estou muito enganado ou deixariam de ter acesso ao crédito da opinião pública.

Sócrates devia ter-se retirado mas não se retirou, devia estar preso mas não está, devia ter sido demitido compulsivamente por ter promovido escutas a Cavaco mas não foi, devia ter cedido o lugar a outra personalidade do PS mas não cedeu, devia estar politicamente enterrado mas parece estar pronto para outra. A economia devia estar em recessão mas cresce, os bancos deviam estar sem acesso a recurso financeiros mas emprestam, a classe operária devia estar na rua em luta contra o PEC mas não está, os empresários deviam vir a público apoiar Passos Coelho mas hesitam.

Algo está errado, uma boa parte dos comentadores televisivos foram presidentes ou altos dirigentes do PSD, uma boa parte dos colunistas dos jornais já se imaginam em secretários de Estado, das três estações de televisão uma pertence ao n.º 1 do PSD, a outra ficou famosa pelas diatribes da família Moniz, e a terceira, que até é pública, parece a versão televisiva do Povo Livre, os jornais mais lidos (Sol, Expresso, Público e Correio da Manhã) já não sabem o que fazer para atingir Sócrates. Das duas uma, ou os portugueses só ligam a telenovelas e futebol ou fazem zapping para não os aturar.

Quer gostemos ou não de Sócrates a verdade é que o líder do PS saiu melhor do que a encomenda, tem resistido a tudo e a todos e ainda teve tempo para despachar e humilhar a grande sumidade do Bloco de Esquerda num debate televisivo ao ponto de quase o mandar para o sofá da psicóloga Joana Amaral Dias, hoje o ódio de Louçã e do Bloco a Sócrates deixou de ter que ver com diferenças ideológicas, é mais do foro da psiquiatria.

Sucedeu o mesmo com Manuela Ferreira Leite que pensou que surfando na vaga da crise financeira ia parar a São Bento, de facto foi para São Bento mas para uma cadeirinha ao lado de Pacheco Pereira numa das filas do fundo do hemiciclo parlamentar, em vez de ir a Belém todas as quintas-feiras para tomar um chazinho com Cavaco terá de se contentar com uns carapaus alimados da Dona Maria quando o rei faz anos, sim porque depois dos grandes prejuízos que a família Silva teve com os seus investimentos financeiros até nos carapaus é preciso poupar.

Agora que tudo estava sob rodas, com Relvas a estagiar como ministro da presidência, os Mellos a fazer contas aos ganhos na saúde, Passos Coelho a meditar sobre a diferença entre presidir a uma associação de estudantes e governar um país, Cavaco a ajudar o país confirmando acordos de Abril relativos aos pagamentos da dívida de Angola a empresas portuguesas, as coisas parece correrem mal. Nas SCUTS é o PSD que vai acabar por ter de pagar portagem, o projecto de revisão constitucional revelou-se um abrolho, a sua apresentação em Setembro equivale a festejar o Natal na Terça-Feira Gorda, a economia cresce, os banqueiros estão tranquilos, os investidores estão optimistas, os eleitores vão a banhos.

Passada a festa Pedro Passos Coelho a parecer-se a um balão murcho, começa a perder ar, está na hora de vir em socorro da direita, é tempo de aparecer mais um processo judicial, depois do Freeport e do Face Oculta resta-nos confiar na criatividade dos magistrados para escolherem um nome interessante. Sai mais um processo judicial para a mesa três!

Sai m ais um processo judicial para a mesa três!

Imaginem que se em vez de terem feito o teste do stress aos banco o tivessem feito aos nossos políticos, magistrados, jornalistas, comentadores (do tipo Marques Mendes) e outras personalidades da nossa praça, ou estou muito enganado ou deixariam de ter acesso ao crédito da opinião pública.

Sócrates devia ter-se retirado mas não se retirou, devia estar preso mas não está, devia ter sido demitido compulsivamente por ter promovido escutas a Cavaco mas não foi, devia ter cedido o lugar a outra personalidade do PS mas não cedeu, devia estar politicamente enterrado mas parece estar pronto para outra. A economia devia estar em recessão mas cresce, os bancos deviam estar sem acesso a recurso financeiros mas emprestam, a classe operária devia estar na lua em luta contra o PEC mas não está, os empresários deviam vir a público apoiar Passos Coelho mas hesitam.

Algo está errado, uma boa parte dos comentadores televisivos foram presidentes ou altos dirigentes do PSD, uma boa parte dos colunistas dos jornais já se imaginam em secretários de Estado, das três estações de televisão uma pertence ao n.º 1 do PSD, a outra ficou famosa pelas diatribes da família Moniz, e a terceira, que até é pública, parece a versão televisiva do Povo Livre, os jornais mais lidos (Sol, Expresso, Público e Correio da Manhã) já não sabem o que fazer para atingir Sócrates. Das duas uma, ou os portugueses só ligam a telenovelas e futebol ou fazem zapping para não os aturar.

Quer gostemos ou não de Sócrates a verdade é que o líder do PS saiu melhor do que a encomenda, tem resistido a tudo e a todos e ainda teve tempo para despachar e humilhar a grande sumidade do Bloco de Esquerda num debate televisivo ao ponto de quase o mandar para o sofá da psicóloga Joana Amaral Dias, hoje o ódio de Louçã e do Bloco a Sócrates deixou de ter que ver com diferenças ideológicas, é mais do foro da psiquiatria.

Sucedeu o mesmo com Manuela Ferreira Leite que pensou que surfando na vaga da crise financeira ia parar a São Bento, de facto foi para São Bento mas para uma cadeirinha ao lado de Pacheco Pereira numa das filas do fundo do hemiciclo parlamentar, em vez de ir a Belém todas as quintas-feiras para tomar um chazinho com Cavaco terá de se contentar com uns carapaus alimados da Dona Maria quando o rei faz anos, sim porque depois dos grandes prejuízos que a família Silva teve com os seus investimentos financeiros até nos carapaus é preciso poupar.

Agora que tudo estava sob rodas, com Relvas a estagiar como ministro da presidência, os Mellos a fazer contas aos ganhos na saúde, Passos Coelho a meditar sobre a diferença entre presidir a uma associação de estudantes e governar um país, Cavaco a ajudar o país confirmando acordos de Abril relativos aos pagamentos da dívida de Angola a empresas portuguesas, as coisas parece correrem mal. Nas SCUTS é o PSD que vai acabar por ter de pagar portagem, o projecto de revisão constitucional revelou-se um abrolho, a sua apresentação em Setembro equivale a festejar o Natal na Terça-Feira Gorda, a economia cresce, os banqueiros estão tranquilos, os investidores estão optimistas, os eleitores vão a banhos.

Passada a festa Pedro Passos Coelho a parecer-se a um balão murcho, começa a perder ar, está na hora de vir em socorro da direita, é tempo de aparecer mais um processo judicial, depois do Freeport e do Face Oculta resta-nos confiar na criatividade dos magistrados para escolherem um nome interessante. Sai mais um processo judicial para a mesa três!

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Peniche

A MENTIRA DO DIA D'O JUMENTO

O Jumento acompanhou os trabalhos da Comissão Nacional do PSD que discutiu o projecto de revisão constitucional que se prolongou por longas horas pois os conselheiros não conseguiam chegar a qualquer conclusão quanto à extensão do conceito de "motivo atendível" para efeitos de despedimento.

A dúvida estava em saber se uma secretária recusar-se a ir para a cama com o patrão era ou não um motivo atendível para que pudesse ser despedida. De um lado estavam os que questionavam se o facto de se ser secretária implicava um relação e de intimidade e confiança idêntica à do casamento, se assim fosse tal como a não consumação do casamento era motivo para o divórcio a recusa de ir para a cama com o patrão seria também a recusa da consumação da confiança e intimidade exigidas para o desempenho de determinadas funções. Se no casamento a recusa da consumação é motivo atendível para o divórcio então faz sentido que a recusa da consumação laboral seja igualmente motivo atendível para o despedimento.

Se os mais liberais, como Miguel Relvas, defendiam aquela posição, a corrente social democrata liderada pelos barrosistas questionava se deveria haver reciprocidade, isto é, se o patrão não consumasse o acto porque se metia nos copos ou porque a mulher não o permitia então poder-se-ia colocar a questão de neste caso haver motivo atendível para a secretária despedir o patrão.

Passos Coelho impôs a calma e garantiu que o PSD sempre foi pela liberdade e que com esta alteração não tinha por objectivo aumentar a população, isso é problema que preocupa Cavaco Silva, mas sim assegurar a criação de emprego e a manutenção de relações laborais estáveis, se tudo corresse bem no relacionamento entre o patrão e a secretária esta só teria a ganhar pois ao ir para a cama com o patrão deixaria de estar numa situação de precariedade.

JUMENTO DO DIA

José Pedro Aguiar-Branco

O deputado do PSD e ex-candidato à liderança do PSD discordou das linhas gerais do projecto de revisão constitucional, discordou ainda do momento da apresentação, mas optou por bater no governo numa reunião destinada a debater a revisão constitucional e acabou por aprovar o projecto e o calendário propostos.

A isto chama-se ser coerente e ter coluna vertebral, em nome da unidade e da obediência ao chefe (até porque com as sondagens cheira a poder) o país que se lixe!

«Outro ex-candidato a líder, José Pedro Aguiar Branco, optou por eleger a Assembleia da República como o local mais certo para fazer conhecer as suas posições mas também votou a favor. Manifestou contudo a discordância sobre a maioria da linhas gerais do ante-projecto de revisão constitucional. Em declarações à entrada para o Conselho Nacional, Aguiar Branco preferiu atacar o Governo sobre a derrapagem das contas públicas. "o Governo não está a fazer o trabalho de casa", disse Aguiar Branco.» [Correio da Manhã]

OBRIGADO CAVACO, AS PME ESTÃO-TE ETERNAMENTE GRATAS

Parece que Cavaco não foi a Angola para cortar a fita na inauguração de uma fábrica, também cortou fitas a acordos entre o governo português e o governo angolano em Abril:

(Sapo Notícias)

Se não fosse a preciosa ajuda de Angola o que seria da economia Portuguesa. Obrigado Cavaco, Deus te pague!

(dica do "Correio Preto")

APOSTA

Com Pedro Passos Coelho a dar sucessivos tiros nos pés aposto que não tarda muito para que surja uma erupção de notícias relacionadas com o caso Freeport e/ou o caso Face Oculta, se não forem novas escutas será a reedição de notícias velhas. Há que recuperar a imagem do tal rapaz que ainda não percebeu qual a diferença entre gerir uma associação de estudantes e governar um país.

POIS, É MAIS FÁCIL DRAMATIZAR DO QUE PROPOR SOLUÇÕES

Afinal, Medina Carreira só sabe que não sabe, enfim, nada mau para um velho sabichão:

«Quanto ao trabalho, não sei se a proposta do PSD é boa ou é má. A única coisa que sei é que, se não conseguirmos criar em Portugal condições de concorrência com os outros países da Europa, não temos condições de investimento em Portugal. Se é preciso mexer nas leis do trabalho, nos impostos, na burocracia, na corrupção ou no arrendamento... eu não sei exactamente o que fazer. Sei é que temos de criar condições de concorrência, senão não há investimentos em Portugal.» [Renascença via Câmara Corporativa]

Se Medina Carreira não sabe o que fazer estamos mesmo tramados, era a última esperança do país, ainda que ande há anos a tentar tirar-nos a esperança.

O ACIDENTE QUE É O 'REI GHOB'

«Fez uma casa maluca, que ofereceu aos olhos dos habitantes de Carqueja, e fazia vídeos malucos, que oferecia ao mundo no YouTube. Os vizinhos estão muito surpreendidos porque o pensavam só "excêntrico", que é como agora se chama aos malucos. Gente que faz casas malucas, vídeos malucos e é conhecida pelos vizinhos como maluca há em doses pequenas para tranquilizar a nossa normalidade e até é geralmente útil para colorir a vida. Mas há também malucos como o "rei Ghob", de Carqueja. Não são de prever, nem como parte pequena e original, e quem dá por eles - quem dá por eles mesmo a sério, não nós que só nos interessamos pela notícia freak - sofre-os como a um acidente. Não vale a pena queixarmo- -nos das autoridades que deviam prever, dos vizinhos que deviam alertar, dos familiares das vítimas que deviam estar atentos... É que gente desta é mesmo como um acidente. Acontece. E infeliz de quem lhe esteve próximo. O pior que se pode fazer com os "rei Ghob" é estudá-los e tentar compreendê-los - além de tarefa inútil, exige demasiado tempo porque cada caso é um caso. Hoje, o acidente calha assim, amanhã, assado, por isso se chama "acidente", isto é, o que é imprevisto, casual, fortuito. A única conta que conta é o rol das vítimas. » [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

O ESTADO DA NAÇÃO

«A vida política tem algo a ver com o que se passa no futebol: a incerteza do resultado e por vezes o resultado injusto de um desafio, é o que leva à sua apaixonada mas por vezes injusta análise, por esta ser quase sempre influenciada apenas pelo resultado do último jogo. Tem isto a ver com o debate do Estado da Nação que todos os anos se efectua no Parlamento.

No seu primeiro mandato como primeiro-ministro, o estilo liderante e determinado com que José Sócrates exercia a política era frequentemente referido pelos analistas e pela opinião pública como uma qualidade apreciada, recebendo mesmo rasgados elogios vindos de sectores de onde não seria prevísivel virem tão simpáticas referências. Isso deveu-se evidentemente ao sucesso conseguido com a governação na época, desde o êxito na rápida redução do deficite público, passando pela introdução do "simplex" na administração pública, até à corajosa reforma do sistema de segurança social.

Mas tal não deixa de contrastar com as análises hoje feitas, provavelmente pelas mesmas pessoas, quer quanto ao seu arrogante estilo, quer ainda quanto às suas insuficientes qualidades para governar o país. Havendo tanta gente neste momento a debater o Estado da Nação, e tendo lido e ouvido tanta injustiça a seu respeito, confesso que sinto uma grande necessidade de chamar a atenção de que é preciso ser justo: o seu a seu dono!

Se é verdade que o país atravessa uma grave crise também é preciso compreender que ela tem duas origens, ambas estruturais: uma interna e outra externa. A interna é a resultante de desequilíbrios financeiros acumulados no país ao longo das últimas décadas, por um lado resultantes da perda de competitividade da nossa envelhecida economia e, por outro, da repercussão no país da acentuada quebra da economia europeia, por sua vez resultante da pouco sustentada adesão de alguns países ao euro, e de um alargamento excessivamente rápido da União Europeia. A externa é o resultado da crise iniciada em 2008 nos EUA, que começou com o ‘subprime', e que veio posteriormente pôr a nu os efeitos mundiais da catastrófica desregulamentação do sistema financeiro norte-americano.

Basta ler as noticias que diariamente vêm dos EUA e da Europa, e comparar os seus indicadores económicos e sociais com os nossos, para compreender que a crise que hoje enfrentamos no país pouco tem a ver com o eng. José Sócrates mas é, pelo contrário, o resultado de uma crise generalizada por todo o Ocidente. A sua culpa é a culpa de todos os dirigentes por todo o mundo que não tiveram a capacidade de prever a gravidade dos desequilíbrios que estavamos a viver. Mas na política é como no futebol: o resultado do último jogo é que conta! » [DE]

Parecer:

Por Murteira Nabo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A ANEDOTA DO DIA

«Com a revelação das escutas telefónicas do processo "Face Oculta", o jornal Sol, dirigido por José António Saraiva, não prejudicou a investigação em curso mas perturbou-a. É esta a tese do Ministério Público, que acusou cinco jornalistas e a advogada do semanário pelo crime de violação do segredo de justiça devido às notícias publicadas sobre a tentativa da PT para comprar a TVI.

Segundo a procuradora Maria de Lurdes Pereira, do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), os arguidos - Vítor Rainho, Felícia Cabrita, Ana Paula Azevedo, Luís Rosa, Graça Rosendo e a advogada Fátima Esteves - "causaram forte perturbação na investigação" de Aveiro. Porquê? Eis a explicação: "Porque suscitou boatos de que teriam sido elementos da investigação [do caso Face Oculta] que teriam procedido à divulgação das transcrições das conversas" que constavam do processo, explica a procuradora do DIAP, para quem a existência de tais boatos chegou mesmo a "lançar sobre os investigadores de tal processo públicas acusações de 'espionagem política'".» [DN]

Parecer:

Um dia destes ainda vão lembrar-se de acusar Manuela Moura Guedes de ter perturbado a investigação do caso Freeport.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

PS E CDS COMPLETAM LEI DO PSD

«Afinal o Presidente da República não será o único ocupante do Palácio de Belém a ter um corte no seu ordenado (5%, como os restantes titulares de cargos políticos); os seus assessores também terão.

À última hora, por acordo entre o PS e o CDS, os membros do gabinete de Cavaco Silva vão ser incluídos no leque de assessorias políticas alvo desta medida simbólica de poupança orçamental. E o mesmo deverá acontecer com os assessores dos gabinetes dos governos regionais, também por acordo entre os dois partidos.

De fora deverão ficar as assessorias dos grupos parlamentares da Assembleia da República. O CDS não admite incluí-las, dizendo que cada bancada tem autonomia para gerir como quer os vencimentos dos seus assessores, em função da subvenção que recebe do Estado. » [DN]

Parecer:

Bem feito!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

OBRIGADO CAVACO!

«No saldo da viagem, o Chefe do Estado já leva uma vitória: um passo em frente na resolução das dívidas pendentes. Por isso, mostra-se satisfeito quando reencontra aqui alguns dos empresários que se queixaram, numa audiência com o Presidente antes da visita, desta situação: "Encontrei alguns empresários portugueses com um sorriso bem diferente daquele que tinha detectado no Palácio de Belém."

Cavaco confirmou que "já foram assinados vários acordos" para a liquidação da dívida e adiantou que "as autoridades [angolanas] querem que até ao final desta semana ocorram reuniões com todos os empresários das grandes empresas". O que está previsto é que o pagamento seja feito numa tranche inicial correspondente a 40% da dívida e as restantes tranches de forma faseada. Quanto às pequenas e médias empresas, Eduardo dos Santos adiantou que os credores receberão o dinheiro num prazo de dois meses.» [DN]

Parecer:

Estou sem palavras perante tão grande ajuda dada por Cavaco aos empresários portugueses que já podem sorrir.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Cavaco que se informe do que o governo tinha acordado muito recentemente com Angola.»

FERNANDO ULRICH: CAMPANHA DO SANTANDER FOI LAMENTÁVEL

«Refere, no entanto, que a campanha que o Santander Totta fez na altura em que circulavam os rumores, assumindo-se como um banco sólido, foi "absolutamente lamentável". "Considero absolutamente lamentável que outro banco estivesse a fazer nessa altura uma campanha a dizer que é sólido", acrescenta. "A campanha do Santander Totta foi de uma infelicidade total. Foi incorreto com Portugal e com os portugueses" e até com os bancos portugueses, porque nessa campanha esteve a comparar-se com eles.

"Não estou a insinuar que foram outros bancos a gerar os rumores de problemas no BCP mas há climas que se criam e não se deve contribuir para isso", conclui.» [Expresso]

Parecer:

É bom recordar que o actual e o anterior presidente do Santander Totta têm merecido o estatuto de oportunistas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Questione-se o Banco de Portugal porque não interveio face a uma campanha publicitária que lançava dúvidas sobre a solidez dos bancos portugueses.»

AMOR E SUBMARINOS

«Engoliu em seco, bebeu água três vezes e disse que não estava a perceber. Foi a primeira reacção do presidente da Inteli, empresa contratada para fazer a peritagem às contrapartidas no concurso dos submarinos, quando no mês passado lhe perguntaram no tribunal central de instrução criminal ("Ticão") se conhecia, ou tinha algum relacionamento pessoal com alguém ligado ao processo. José Rui Felizardo acabou por negar tudo na inquirição. Mas o presidente da Inteli assumiu este mês uma posição diferente. Quando, na semana passada, a SIC fez uma notícia sobre o relacionamento amoroso entre o presidente da empresa da peritagem das contrapartidas e a procuradora-adjunta do inquérito, o mesmo Rui Felizardo assumiu a relação amorosa com a procuradora Carla Dias, que já então mantinha, e explicou mesmo que a hierarquia do Ministério Público fora informada.» [i]

Parecer:

Enfim, as procuradoras não são de ferro.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Desejem-se as maiores felicidades ao par.»

A DIREITA ENLOUQUECEU

«Em artigo de opinião publicado hoje na revista "Visão", Freitas do Amaral critica Bruxelas, considerando "inexplicável que, numa óptica anglo-saxónica, a Comissão Europeia e o Tribunal do Luxemburgo queiram acabar com as 'golden shares', fazendo de conta que não percebam que estas constituem um 'veto jurídico' necessário aos países sem força económica bastante para usar e abusar do "veto político'. Dois pesos, duas medidas!", acusa.

Para Freitas do Amaral, "a PT, a EDP, a Galp (e a TAP!) estão entre os nossos 'campeões nacionais'." Aliás, prossegue, "se formos para o neoliberalismo apátrida, não faltam congéneres suas que as poderão adquirir como quem compra um maço de cigarros ou uma caixa de fósforos". Mas Portugal "não pode ficar sem elas, pois são para nós empresas estratégicas, são o melhor que fomos capazes de pôr de pé nas últimas décadas, em boa parte com o dinheiro dos nossos impostos."» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Uns querem privatizar tudo, outros querem nacionalizar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Freitas do Amaral onde ia arranjar o dinheiro.»

A BLOOMBER NÃO PERCEBE NADA DE HISTÓRIA

«Elogio ou não, Salazar recebe o título de “melhor investidor sem ganhos”, já que foi o responsável pela aquisição de 695 toneladas de ouro em 24 anos. E tudo com receitas de exportações como volfrâmio e atum enlatado.

Como o ouro valorizou 26% no ano passado e este é o décimo ano de valorizações consecutivas, a decisão do antigo ditador deixa o país com um activo cada vez mais valioso, diz a Bloomberg. Mas também um de que não pôde beneficiar nas situações de maior aperto por que já passou.

João Lima da Bloomberg explica assim, que Salazar poderia ser lembrado como “o melhor investidor português”, se as regras do Banco de Portugal (BdP) “permitissem ao país beneficiar do seu negócio mais astuto: A maior reserva de ouro da Europa”, face à dimensão da sua economia.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Uma opinião muito duvidosa e reveladora de uma grande ignorância, sendo lamentável que hajam jornalistas que nada sabem de história e que fazem história económica desta forma.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao rapaz da Bloomberg se sabia que as exportações eram ajudadas por uma ditadura e que ao mesmo tempo de vendia volfrâmio à Alemanha Salazar recebia ouro, parte dele de origem duvidosa.»

FERREIRA LEITE REAPARECEU

«A deputada do PSD Manuela Ferreira Leite manifestou-se esta quarta-feira «absolutamente contra» cortes nos vencimentos de assessores, afirmando não entender «o benefício em termos financeiros e morais» da medida e criticando o PS por a querer estender a mais gabinetes, avança a Lusa.

«Eu sou absolutamente contra este tipo de medidas», afirmou a parlamentar e antiga líder social-democrata durante a comissão de Orçamento e Finanças, enquanto se discutia a proposta do CDS-PP para reduzir em cinco por cento os salários dos gabinetes da Presidência da República, do Governo, dos Governos Regionais, dos presidentes e vereadores de Câmaras Municipais e Governadores Civis e depois de o PS ter apresentado uma proposta para abranger novos gabinetes. » [TVI]

Parecer:

Mas só quando foram atingidos os rendimentos dos assessores de Cavaco Silva. Cá por mim assessores como Fernando Lima trabalhavam a troco de uma mão cheia de figos, não merecem nem valem mais do que isso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Ferreira Leite se concorda com tudo o resto que o seu líder e sucessor tem vindo a propor.»

NO "CORREIO PRETO"

O post "Labor de uns para uma medalha presidencial":

«Em Angola, Cavaco Silva ouviu o presidente José Eduardo dos Santos a anunciar que o país estava disposto a pagar as dívidas a começar pelas pequenas e médias empresas". E logo os jornalistas - tanto os que acompanham a visita do chefe de Estado e os outros que ficaram por Lisboa - trataram de traçar loas aio sucesso de Cavaco Silva. Mas infelizmente o jornalismo vive de memórias curtas. Curtíssimas.

O plano da dívida angolana foi traçado em Março deste ano por Luanda e acordado com Teixeira dos Santos, em Abril, durante a visita do governante português a Luanda. Nesse plano, constava o pagamento em três fases. A primeira destinava-se precisamente às PME portuguesas. O anúncio foi feito por Carlos Feijó (na foto), ministro de Estado e Chefe da Casa Civil da Presidência, um dos homens com verdadeiro poder em Angola.

Mas ainda antes, Teixeira dos Santos anunciava a criação de uma linha de crédito a Angola para pagar as dívidas às PME portuguesas.

O que é curioso é a forma como se faz passar a mensagem que Cavaco Silva foi cobrar as dívidas, conseguindo um retumbante sucesso. »

STELMAKH EDUARD

A MODA DOS BEIJOS DOS FUTEBOLISTAS PEGOU

CANAL +