sábado, agosto 21, 2010

Os eleitos são de Massamá

Jesus Cristo era filho de mãe virgem e “pai” carpinteiro, nasceu numa manjedoura aquecido por uma vaca e por um burro. Ninguém aceitaria que o filho de um Deus tivesse nascido numa família poderosa e rica, mesmo que séculos depois a Igreja use a ostentação de riqueza como símbolo de poder.

Francisco Louçã não pode invocar origens humildes o que para um líder do proletariado não é ofensa nenhuma, Karl Marx era teso mas não por ser pobre e contava com o apoio de um Engels burguês, Lenine era burguês e uma boa parte dos gloriosos líderes do proletariado foram adoptados pela classe vanguarda, como é, por exemplo, o caso de Fidel Castro. Esta conversão é um símbolo de pureza na liturgia marxista-leninista.

Jerónimo de Sousa é metalúrgico ainda que há décadas que os únicos calos da mão foram resultado da esferográfica, mas essa condição de proletariado foi exibida como símbolo de pureza marxista-lenisnista. Não tem artigos publicados em revistas como exibe Louçã que desta forma se cola aos grandes ideólogos do marxismo-leninismo, mas pode exibir a pureza ideológica do comunismo, pureza que é assegurada pelo nascimento numa manjedoura tal como Cristo.

Como glorioso líder do futuro Pedro Passos Coelho tinha de ter uma dessas qualidades que simbolizam a pureza própria dos profetas, o problema é que não foi aquecido por um burro e uma vaca, não é operário nem exibe grandes dotes eleitorais. Salvou-o a imaginação do Botas que descobriu que é de Massamá, portanto temos um homem que traz o símbolo da pureza dos superiores, é de Massamá.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Esquilo no Parque Florestal de Monsanto

JUMENTO DO DIA

Pedro Passos Coelho

Um dos alicerces do estalinismo é a inefabilidade do líder, o chefe é um Messias com inteligência ilimitada que nunca pode ser questionado ou responsabilizado por quaisquer erros. Se fosse noutros tempo Paulo Teixeira Pinto seria tramado, em vez de ser responsabilizado pelo brilhante projecto de revisão constitucional do líder seria acusado de erro premeditado para prejudicar a imagem do líder, fando-o passar por idiota, julgado e fuzilado, as suas fotografias seriam eliminadas e não se falaria mais do assunto. Agora tem alguma sorte, limita-se a ser enxovalhado pela mensagem passada pelos jornais que simpatizam pelo líder, ficamos a saber que Passos Coelho continua a ser brilhante e que o projecto de revisão constitucional foi uma aselhice do ex-administrador do BCP.

Só que este linchamento jornalístico ocorre depois de Pedro Passos Coelho ter feito seu o projecto de revisão constitucional, de ter acusado o PS de resistência à mudança e de nervosismo. Foi necessário perceber que perdeu credibilidade e uma descida abrupta nas sondagens para o líder do PSD recuar e mandar dar um golpe baixo em Paulo Teixeira Pinto.

Resta agora saber quem vai ser o culpado por Pedro Passos Coelho ter ido a Espanha defender os interesses da Telefónica.

O HOMEM TRANSPARENTE

«Toda a gente conhece aquele filme em que um cientista toma a poção da invisibilidade: fatos que se movem sem ninguém lá dentro, cigarros fumados pelo ar e tropelias a suceder-se sem que se vislumbre o autor. A performance recente de Passos Coelho, com relevo para o espantoso comício do Pontal, recordou-me esse clássico de 1933 baseado no livro de H. G. Wells e sobretudo a sua remake de 2000, O Homem Transparente.

Militante do PSD há muito, Coelho só se tornou notório na cena política aquando da disputa de 2009 à liderança do partido. Durante o tempo de Ferreira Leite, demarcou-se habilidosamente do discurso da líder e da via da "Verdade" que ela sintonizou com Belém, aparentando uma atitude de quem queria discutir políticas e não caracteres; ao assumir a liderança, adoptou a postura de "homem de Estado". Foi por ali acima nas sondagens e, encorajado pela maioria absoluta virtual, avançou com uma proposta de revisão constitucional que sublinhava a flexibilização dos despedimentos. O resultado foi o expectável: uma quebra de dez pontos percentuais que o colocou pouco acima de um partido desgastado por cinco anos de governação e por uma crise económica brutal. Aflito, Passos Coelho desmultiplicou os lugar-tenentes em declarações contraditórias e patéticas (a palma vai para Relvas), mas pareceu ter o bom senso de se proteger do recuo ideológico. Até ao Pontal. O homem que apareceu no Pontal enterrou o liberalismo na areia juntamente com a "indispensável" revisão constitucional; atreveu-se ao mau gosto de, ontem defensor incondicional do "direito a escolher na saúde" e do recurso aos privados e crítico daquilo a que chama "o Estado social", associar a tragédia da clínica privada de Lagoa às "filas de espera" (ou coisa que o valha, tal a ininteligibilidade); perante o estado de guerra no ministério público saltou para o lado do sindicato acusando o Governo de "como nenhum outro interferir na justiça" - repetindo assim as acusações e insinuações da direcção do PSD que derrotou.

A única coisa em comum entre o Passos Coelho de antes do Pontal e de depois do Pontal é, então, o fato de presidente do PSD e a vontade (que vem com ele) de chegar ao poder - sendo que até a pressa que agora o consome contrasta com a arguta paciência que lhe era atribuída. Face a tal revelação, ver o salvífico e responsável Coelho que foi a São Bento apoiar o PEC 2 fazer a ameaça de chumbar o Orçamento do Estado para 2011 por causa do PEC 1 (viabilizado pelo seu partido em 2009 e compromisso do País perante a UE) não pode surpreender: como o cientista do filme, Passos Coelho parece achar que não deixa rasto. Uma constatação tanto mais irónica quanto houve quem visse nele um homem de ideias. E claras, ainda por cima. Eram transparentes, afinal. » [DN]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

TUDO SOBRE O CRIME DO RIO

«A bandeira brasileira é das mais estranhas. Tem constelações que, por lei, mostram "o céu, na cidade do Rio de Janeiro, às 8 horas e 30 minutos do dia 15 de Novembro de 1889", dia da instauração da República. Parece verso de canção de Vinicius. Mais seca é a legenda que atravessa o firmamento no meio da bandeira: "Ordem e Progresso". É da frase do filósofo positivista francês Auguste Comte, que inspirou os republicanos brasileiros: "O amor por princípio e a ordem por base; o progresso como objectivo." A frase inteira está no frontão do Templo Positivista do Brasil, no velho bairro da Glória, no Rio. Os franceses derretem-se ao topar com essa antiga influência. O templo tem colunas como o Panteão de Paris, mas depois é o desastre. Há um ano ruiu o telhado e ainda lá está o buracão, como para deixar que espreitem o céu carioca os poucos positivistas actuais - reuniões semanais de 15 pessoas, lideradas pelo actual presidente da igreja, Danton Voltaire de Souza. Esta semana, mais uma notícia do abandono: foi roubada a primeira bandeira brasileira, que estava guardada no templo onde ela foi criada. Não houve grande emoção nacional. O templo fica na Rua Benjamin Constant, outro filósofo francês. É de Constant esta frase: "Infeliz daquele que, nos primeiros instantes de um amor, não acredita que ele vai ser eterno." Bonito, mas vamos ser positivistas: nada é eterno. » [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

DE MANTA ROTA A MASSAMÁ

«Passos Coelho não pode dizer, como Cavaco Silva, que "subiu a vida a pulso" - o pai é médico e aos 20 e poucos anos ele próprio era deputado da nação. Mas é o primeiro dos sucessores de Cavaco Silva no PSD a replicar com afinco o fabuloso e (para Cavaco) absolutamente eficaz mito do homem comum, frugal e remediado, o "homem que veio do povo" para ser eleito pelo povo. No sábado, a primeira página do "Expresso" mostrou ao país a casa alugada na Manta Rota. Uma casa - "modesta", segundo o "Correio da Manhã" - numa praia algarvia sobrepovoada em Agosto é uma excelente metáfora de um contraste "de classe" com um primeiro-ministro socialista, habituée das cinco estrelas do Sheraton Pine Cliffs de Albufeira.

À noite, no "Pontal" de Quarteira, o inefável Mendes Bota revelou entusiasticamente a estratégia. O homem - "este homem", gritou Bota - "é um verdadeiro exemplo do português simples" e, fundamental para esta geografia política, "vive em Massamá, não vive num condomínio fechado". Massamá, um dormitório no concelho de Sintra a rebentar de "portugueses simples", é portador de um índice de simplicidade triliões de vezes superior à fracção do prédio Heron-Castilho, no centro de Lisboa, dirigido às classes AA+ da proficiência económica, propriedade do primeiro-ministro. Enquanto símbolo de modéstia, situa-se alguns degraus acima (em valor relativo de simplicidade) de Cavaco Silva: a Travessa do Possolo pode ter este lindo nome, mas fica no centralíssimo bairro da Estrela, onde o valor do metro quadrado é assinalável. Mendes Bota não escondeu ao que vinha: "Este homem é um português que passa férias junto aos normais portugueses, não passa férias em hotéis de luxo e cinco estrelas. Este homem compreende o povo porque vem do povo!" Quem não ouviu, vá ao YouTube. Está lá tudo.

Este recurso à velha narrativa cavaquista aparece agora como sugestivo antídoto contra a carga liberal associada ao projecto de revisão da Constituição, o primeiro grande erro político da liderança "passista". Mas Cavaco Silva não era, nem nunca foi, um liberal. Conhecia o povo genericamente pobre de onde vinha e que se agarrava ao Estado, para o melhor e até para o pior. Em Massamá, Passos já devia ter percebido que um programa liberal não passa e que num país muito pobre e povoado de "homens simples" há pouco mais certezas do que um serviço de saúde público, escolas para todos e um subsídio de desemprego em tempos de crise.
No Pontal, Passos esforçou-se muito por emendar a mão atacando o "mau Estado social do PS". Foi a melhor parte da "rentrée", mas não chega: para ganhar as eleições não chega viver em Massamá. É preciso compreender Massamá.»
[i]

Parecer:

Por Ana Sá Lopes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

TÍTULO 13

«Numa turbulência de adjectivos, certos jornais, especialmente um, regozijaram-se com a subida do produto interno bruto da China.

Com infogramas, caixas coloridas, gráficos, animaram as páginas correspondentes ao airoso acontecimento. Uma vuvuzela quase ensurdecedora, e de significado duvidoso, a dissimular um jornalismo de mau porte, que tem sido, nos últimos anos, característica fundamental da nossa Imprensa.

Muitos anos de batucar prosa, organizar, paginar jornais, dão-me, segundo modestamente creio, uma certa autoridade para falar deste assunto. Claro que nada tenho a ver com as "dissecações" que o Pacheco Pereira costuma fazer. O Pacheco Pereira é um ignorante em matéria de jornalismo, e um preopinante tocado pela ânsia doentia de protagonismo. Politicamente, sabe-se o que ele é. Como "técnico" de ideias gerais, especialmente de jornalismo, é um pascácio. Depois do primeiro atordoamento, as pessoas começaram a ver a espessura intelectual do sujeito.

Adiante, que se faz tarde. A alegria esfuziante dos jornais (especialmente um, adivinhem qual) sobre o poder económico da China não é uma ambiguidade, é uma leviandade e uma gravíssima omissão. A China, cujos dirigentes mascaram a política e a ideologia com a bizarra expressão: um país, dois sistemas, constitui a representação típica do mais atroz ataque aos direitos humanos. As luzes das grandes cidades, a introdução das grandes marcas e das multinacionais, as montras refulgentes, os concursos de moda e de beleza as raparigas muito belas, vestidas à maneira ocidental (o que quer que esta palavra queira dizer) ocultam uma sociedade sinistra. Milhões e milhões de pessoas trabalham sem horários ou com horários falaciosos, auferindo salários de escravo. As execuções por "crimes económicos" são conhecidas, embora pouco conhecidas, porque a revelação destas atrocidades não interessa aos "negócios."

A violência e a desumanização nas aldeias, onde a miséria, a fome e o desespero são os retratos malditos de um sistema que não é carne, nem peixe, nem arenque vermelho, envergonham aqueles que ainda têm um pingo de dignidade. Como se regista e vê, os jornais deixaram de referir a China como um atentado à decência humana. Desde que os seus dirigentes abriram as portas ao "mercado" e aos imensos interesses da compra-e-venda, operou-se um silêncio nos meios de comunicação que chega a ser afrontoso.

Ao enunciar, com alegre irresponsabilidade, a grande vitória económica da China, aquele jornal que não quero nomear, dizia, levemente cabisbaixo: "Num regime nada perfeito, é uma arma de peso considerável." Que raio de jornalista é este que redigiu a frase infamante? As pessoas deixaram de contar, eu sei, para aqueles que existem nos números e nos cifrões. Mas que haja um jornalista, por muito afecto aos fascínios do "mercado", capaz de produzir uma frase desta natureza, então, a coisa é mais grave do que eu próprio julgava.

Vivemos numa "democracia de superfície" cujas mal-formações irão agravar-se com as exigências do capitalismo, cada vez mais predador. Pouco são, hoje, aqueles, jornalistas, intelectuais, escritores, artistas, que se opõem a esta medonha vaga de fundo. Mas há alguns. E é nesses alguns que devemos apoiar as nossas esperanças: estimulá-los, agradecer-lhes. Muita coisa de ordem moral, humana e decente está em jogo. A Imprensa possui um papel crucial nesta nova batalha das ideias. Que os seus profissionais não se deixem abater por circunstanciais históricos, e que defendam, com bravura, a grandeza do homem.

O volte face que se operou, em termos informativos, relativamente à China tem a ver com a manipulação e com a ignorância. Há tempos, o dr. Fernando Nobre, por quem nutro admiração e respeito, disse, numa programa na SIC, depois de assistir à exibição de um documentário sobre o sistema de saúde nos Estados Unidos: "É isto que não quero para o mau país." Acusava o facto de milhões de norte-americanos, sem seguro de saúde, estarem à mercê dos abandonos sociais. A grande rábula de os "privatistas" apoiarem as suas teses no direito de cada cidadão escolher o seu médico, é uma aldrabice monstruosa. Pedro Passos Coelho prevê, para Portugal, um processo e uma situação semelhantes. Não há que fugir a esta evidência.

O Pacheco, obviamente, é antagonista do jornalismo de causas. É um homem que abjurou, e que encontrou, no hálito da Direita mais reaccionária, o calor do seu querer. Fere, por ignorância, uma das grandes e mais honradas tradições da Imprensa portuguesa. E os paladinos da "distanciação" colaboram, miseravelmente, nesta ofensiva, sem se aperceber (ou apercebem-se?) de que empurram para o abismo uma das grandes profissões de defesa do humano.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Baptista-Bastos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

ABUSO NAS ESPLANADAS DA BAIXA

«Grande parte das esplanadas da Baixa lisboeta infringe a lei, colocando o triplo do número de mesas autorizado pela Câmara de Lisboa. Quem cumpre as normas queixa-se de concorrência desleal, pois os infractores só pagam à autarquia a taxa anual de um terço do espaço que ocupam. Os peões sentem-se incomodados sem espaço no passeio para andar, enquanto o autarca da freguesia de S. Nicolau alerta que as viaturas dos bombeiros não podem passar e a segurança da Baixa fica em risco. O vereador José Sá Fernandes garante ao DN que "um novo regulamento vai fazer isto entrar tudo nos eixos, já em 2011".

António Manuel, presidente da Junta de Freguesia de S. Nicolau, salienta que "o mais problemático é na Rua dos Correeiros, porque é estreita. Por vezes, põem as mesas a ocupar a rua desde um lado ao outro. As pessoas têm de andar aos 'esses' para passar entre as mesas. E os veículos de socorro dos bombeiros não conseguem passar".» [DN]

Parecer:

O argumento do Zé dá vontade de rir, com a Rua Augusta cheia de polícias municipais é evidente que os abusos são tolerados.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

MP INVESTIGA BLINDADOS ... CINCO ANOS DEPOIS

«A Comissão Permanente de Contrapartidas (CPC) e o Ministério da Defesa não se entendem na avaliação do programa de construção das viaturas blindadas de rodas Pandur II, cujo contrato representa para o Estado um custo de 364 milhões de euros.

Os sucessivos atrasos na entrega das Pandur ao Exército e à Marinha levaram o Ministério da Defesa a ameaçar com a resolução do contrato com a Steyr-Daimler-Puch (que pertence ao gigante General Dynamics). Mas documentos a que o i teve acesso mostram divergências na avaliação da evolução do programa militar, sobretudo no que diz respeito à produção dos blindados na empresa portuguesa Fabrequipa.

No final de 2009, a CPC, órgão presidido pelo embaixador Pedro Catarino que tem a função de acompanhar a execução de todos os programas associados ao contrato com a Steyr, apresentou um relatório em que se pode ler: "Atendendo às circunstâncias e às várias vicissitudes ocorridas durante este período, pode considerar-se que houve uma evolução positiva do programa durante o ano de 2009, designadamente na área da produção nacional (contrapartidas directas), onde a Fabrequipa correspondeu às expectativas ao conseguir produzir o número de viaturas que o novo calendário aprovado exigia." » [i]

Parecer:

Isto não é um Ministério Público, é um Ministério da Arqueologia!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proponha-se a mudança de nome.»

ALUNOS SÃO CADA VEZ MAIS FRACOS

«De um lado da trincheira está a professora universitária que reprovou quase 70% dos seus alunos; do outro, a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa que lhe retirou a regência das cadeiras por considerar que a docente aplicou uma "avaliação exorbitante". São os dois flancos de uma batalha travada entre a professora de Técnicas de Laboratório e Segurança, Elvira Gaspar, e o director da faculdade, Fernando Santana. Resta agora saber qual dos dois pratos desta balança é mais pesado. Serão os professores demasiado exigentes? Ou, pelo contrário, estarão os estudantes menos bem preparados para o ensino superior?» [i]

Parecer:

E os docentes, não serão também?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proceda-se a uma avaliação comparativa que inclua também os docentes.»

IAN CAMERON

TEM A CERTEZA DE QUE A CRIANÇA ADORMECEU?

SEA SHEPHERD

sexta-feira, agosto 20, 2010

As ratazanas foram de férias?

Quando as primeiras sondagens prometiam o céu a Pedro Passos Coelho multiplicavam-se os apoios ao líder do PSD, não faltavam conhecidos economistas e políticos na reforma a darem a cara pelo novo líder, alguns até foram baptizar-se nas jornadas parlamentares do PSD e fizeram um tão grande esforço intelectual que lhes deu para o disparate.

Com o tempo desvaneceu-se o brilho de Pedro Passos Coelho e Mendes Bota já apresenta o novo líder com um modesto cidadão de Massamá que prefere atum com feijão fradinho às iguarias do Tavares Rico. Passos Coelho animou-se com as sondagens e achou que podia impor o seu país liberal propondo uma nova constituição, pior ainda, foi para Espanha defender os interesses de um tubarão espanhol, o resultado foi a queda das sondagens e, muito provavelmente, a perda de credibilidade.

Toda a gente sabe que encomendou a revisão da constituição, que antes de ir a Espanha foi Aznar que o visitou na semana que antecedeu a assembleia de accionistas da PT e que há uma estranha coincidência entre as propostas do líder do PSD e os interesses de grupos empresariais que estão bem representado no seu grupos de apoiantes mais próximos.

De repente começam-se a ouvir vozes críticas e alguns dos nomes mais sonantes que o apoiaram começam a deixar de se ver, um conhecido economista deixou de intervir e Ângelo Correia parece ter perdido a excitação inicial. O próprio PSD deve andar desorientado, leram nos jornais que Passos Coelho iria ao Pontal mobilizar as bases para o apoio ao seu projecto de revisão constitucional e regressaram de lá com um par de botas de borracha para poderem caminhar no lodaçal político prometido pelo líder.

Como é tempo de férias ainda não percebi se já há gente a abandonar o navio ou se as ratazanas, essa espécie tão bem sucedida na política portuguesa, foram de férias.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Bairro da Bica, Lisboa

A MENTIRA DO DIA D'O JUMENTO

O famoso discurso de Mendes Bota na Festa do Pontal apresentando Pedro Passos Coelho como o rapaz simples de Massamá que em vez de se ter mudado para a Lapa optou por continuar ligado às suas origens humildes num bairro na periferia de Lisboa, mantendo hábitos saudáveis como ir à praia de camisola de alças e de havaianas levando sandes de courato e melancia para o almoço, vai servir de base ao trabalho da agência de imagem do líder do PSD.

Ao contrário de um Sócrates Burguês, familiar de gente que anda em Aston Martin, que passa férias em resorts de luxo e pratica surf nas melhores praias do Havai, teremos um Pedro Passos Coelho que vai da Massamá até à Costa da Caparica com passe social, carregado com o farnel preparado pela mãe com as sobras do jantar do dia anterior, para praticar surf em pranchas improvisadas.

JUMENTO DO DIA

Isabel Alçada, ministra da Educação

Recusar o encerramento de escolas com poucos alunos é populismo oportunista e irresponsável, é ir atrás de sentimentos populares em busca de votos e em prejuízo do futuro das crianças, talvez por isso a oposição não recuse a medida e venha acusar o governo de precipitação. São os mesmos que se opuseram ao encerramento de maternidades como a de Elvas com argumentos bacocos.

Mas o facto de a medida se justificar isso não implica que não seja bem explicada e fundamentada, tudo em nome de uma vaga reformista cujos promotores acham que está acima da vontade popular. Uma reforma que mexe com crianças deveria ter sido bem explicada aos pais com dados que demonstrassem que manter estas escolas era comprometer o futuro dos seus filhos.

A ministra da Edução negociou muito com municípios e sindicatos mas esqueceu-se de explicar a decisão aos pais.

O HOMEM DE MASSAMÁ VISTO PELOS SEUS

«Parece mesmo que me deixaram sozinha em casa, merde! Eu bem que não queria postar aqui esta imagem sem outro post de alguém pelo meio, mas... Oh, very Well then, the hell with it! Tomem lá, vá! "Republic's dream" mostra uma (nada) jovem República (mas ainda muito em forma!) aos pés do "escolhido".

Roam-se de inveja os socialistas, porque eu sei que já encontrei o meu primeiro-ministro, e, um dia destes, ele há-de "voltar" para afastar o nevoeiro deste pântano profundo!»
[Albergue Espanhol]

PS: gostei especialmente das laranginhas no canto superior direito. Para ficar perfeito só falta o grande líder estar a usar uma camisola de alças com buraquinhos enquanto come uma sandes de courato.

PEDRAS PARA O IRÃO

«Cem cidades de todo o Mundo, entre elas Lisboa, serão no próximo dia 28 palco de protestos contra a selvajaria (como nomear o inominável?) das execuções por lapidação no Irão, onde, nas últimas décadas, 150 pessoas, a maior parte mulheres, foram apedrejadas até à morte e mais 25 aguardam actualmente idêntico destino, entre elas Sakineh Ashtiani, de 43 anos, mãe de dois filhos, acusada de adultério. A iniciativa "100 cities against stoning" é do International Commitee Against Execution e o protesto de Lisboa, nascido na Net, visa chamar ainda a atenção para as sentenças de morte aplicadas no Irão tanto a opositores políticos como a homossexuais ou adúlteros "por um sistema de justiça que não respeita os mais elementares direitos de defesa das suas vítimas". O protesto está marcado para as 18 horas, no Largo Camões. Eu teria preferido a sugestão do leitor de um dos blogues que divulgaram a iniciativa: levar à embaixada do Irão um monte de pedras conformes ao artº 104º do Código Penal iraniano, isto é, "não tão grandes que matem à primeira nem tão pequenas que não mereçam a classificação de pedras".» [JN]

Parecer:

Manuel António Pina.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

MAIS UM PROCESSO CONTRA QUEIROZ

«A notícia, avançada há instantes pela TVI, revela que o vice-presidente se queixa de palavras proferidas por Queiroz durante uma entrevista ao semanário ‘Expresso’, onde o seleccionador referiu-se a Amândio de Carvalho como “a cabeça de um polvo” que o queria expulsar da FPF e do seu cargo.

O dirigente da Federação apresentou queixa no Conselho de Disciplina do organismo, sendo que o processo deverá ter início logo após a conclusão do outro que opõe o seleccionador à Comissão Nacional Antidopagem.» [CM]

Parecer:

Estes processos começam a lembrar-me as investigações do MP, como não têm coragem de despedir Queiroz multiplicam os processos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se o espectáculo triste e sujo dado ao país pela FPF.»

UM MILHÃO DE DÓLARES PARA QUEM APARECER NU JUNTO A OBAMA

«O milionário britânico Alki David está a oferecer um milhão de dólares (776 mil euros) à primeira pessoa que conseguir aparecer sem roupa junto a Barack Obama. Mas o voluntário ou voluntária a exibir a sua nudez ao presidente dos EUA terá de ostentar no peito o nome do site Battlecam - uma forte aposta do empresário -, que deve transmitir este 'evento' em directo.» [CM]

Parecer:

Uma boa oportunidade para os portugueses pois Obama estará em Lisboa no dia 20 de Novembro.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelos candidatos.»

PINTO DA COSTA ESTÁ A PERDER QUALIDADES?

«"Quero jogar a Champions e aqui. Estou contente por ter decidido jogar pelo Benfica. Vou deixar tudo em campo e estou com muitas ganas de triunfar e desfrutar de um clube como este. Espero que saia tudo bem e que conquiste o título.Prometo uma grande época", disse o argentino de 20 anos,recusando-se a comentar o assédio portista na recta final das negociações com os encarnados.

"Só quero falar do Benfica, porque foi a equipa que escolhi. Houve propostas de Itália, Espanha e Portugal, mas quando fui informado sobre o projecto do Benfica decidi em dois segundos", frisou, antes de se descrever como futebolista: "Gosto muito de chegar à baliza, sou rápido e potente e gosto de desfrutar o jogo".» [CM]

PORTUGAL É O 27.º MELHPOR PAÍS DO MUNDO

«A revista norte-americana 'Newsweek' revelou a sua primeira lista dos melhores países do mundo tendo em conta cinco categorias distintas. No topo está um país nórdico, a Finlândia, havendo ainda outros três nas primeiras dez posições.

"Se nascesse hoje, que país lhe iria proporcionar a melhor oportunidade de viver uma vida saudável, segura, razoavelmente próspera e com capacidade de ascensão?" Foi a esta pergunta que a revista norte-americana Newsweek quis responder no seu primeiro ranking dos melhores países do mundo. A resposta acabou por ser Finlândia, com Portugal a surgir no 27.º posto, logo atrás da Grécia.» [DN]

Parecer:

Por aquilo que leio na comunicação social estava convencido de que estava entre a Guiné-Bissau e o Burkina-Faso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Registe-se.»

TÍTUESPANHA: TOURO SALTA PARA AS BANCADAS

TARRAFAL: VERDADES EM MENTIRAS DO CAMPO DE TRABALHO DE CHÃO BOM

«O Tarrafal funcionou, "numa primeira fase, de 1936 a 1954, como cárcere para presos políticos de Portugal; e mais tarde, de 1962 a 1974, com o nome de Campo de Trabalho de Chão Bom, como penitenciária de nacionalistas de Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde. Ao todo estiveram aí encarcerados mais de 340 antifascistas portugueses e cerca de 230 nacionalistas africanos (106 angolanos, 100 guineenses e 20 cabo-verdianos)". Entre os reclusos houve ainda uma dezena de estrangeiros, "arrebanhados em rusgas em Portugal". As vítimas mortais, na contabilidade de José Vicente Lopes, foram 37.

Colónia penal criada em 1936, o Tarrafal ficou conhecido como "campo da morte lenta", nome plenamente justificado pelas terríveis condições - de clima, saúde, alimentação e regime carcerário, marcado pela extrema violência. "Se Hitler tivera Auschwitz e Dachau, Salazar tinha, salvo o exagero da comparação, o Tarrafal." Dos 340 portugueses (comunistas, anarquistas, republicanos), morreram 34 - exatamente 10 por cento, um valor que fala por si. Os nomes mais frequentemente referidos são os de Bento Gonçalves e Mário Castelhano, os líderes do PCP e da CGT, a central anarcossindicalista. A historiografia oficial contabiliza 32 mortos, mas o autor contou 33 campas no cemitério do Tarrafal, incluindo a de Artur Oliveira, um "rachado", designação dada aos traidores. O outro morto foi um guarda prisional angolano, vítima de tétano. A maioria, porém, sucumbiu à biliosa, ao paludismo e à perniciosa.

Após a vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial, a pressão internacional obrigou Salazar a encerrar o campo em 1954. Viria a ser reaberto por diploma de 1961. A respetiva portaria foi assinada pelo então ministro do Ultramar, Adriano Moreira, e recebeu a designação oficial de Campo de Trabalho de Chão Bom, com capacidade para 500 reclusos. Foi a guerra colonial que ditou a abertura deste e de outros campos: Missombo e São Nicolau, em Angola, Machava e Madalane, em Moçambique, e ilha das Galinhas, na Guiné.» [Expresso]

Parecer:

O mais curioso é que Adriano Moreira ainda tenha direito a um estatuto de senador da democracia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Registe-se.»

FCP NA LIGA DOS CAMPEÕES?

Quem o diz é o i, o tal jornal que é dado à bufaria.

QUEIROZ CONDENADO

«O seleccionador nacional de futebol, Carlos Queiroz, já foi notificado da suspensão de um mês e multa de 1000 euros, aplicada nesta quinta-feira pelo conselho de disciplina (CD) da Federação Portuguesa de futebol (FPF). A notícia foi confirmada ao PÚBLICO pelo advogado de Carlos Queiroz, Rui Patrício.

Tal como o PÚBLICO avançou ontem, o seleccionador foi ilibado da acusação de perturbar o controlo antidoping, mas considerado culpado por injúrias aos médicos e ao presidente da Autoridade Antidopagem de Portugal (Adop).» [Público]

Parecer:

Vale a pena comparar a decisão em relação a Queiroz com a que foi adoptada para os jogadores do FCP envolvidos nos incidentes ocorridos no Estádio da Luz.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Compare-se.»

TOMAS RUCKER

AUSTRALIAN SEX PARTY