sábado, setembro 04, 2010

A justiça espectáculo

O processo Casa Pia acabou como começou, com um imenso espectáculo onde os artistas principais foram mudando ao longo dos anos e com os juízes a parecer seguir o modelo daquelas séries em que são os telespectadores a telefonar por uma linha de valor acrescentado para escolher o final que desejam. O que se passou na sala do tribunal pouco importa, o julgamento decorreu na comunicação social e o tribunal de primeira instância foram os jornais e as televisões. Pouco importa se os arguidos eram ou não inocentes ou se a decisão foi não justa, tudo foi inquinado por esta justiça espectáculo a que a juíza presidente do colectivo não escapou no memento em que simulou a leitura do acórdão, o importante não era os arguidos saberem porque estavam a ser condenados, era passar a informação aos jornalistas, eles sim os principais "espectadores" deste espectáculo.

Até a leitura da sentença obedeceu mais a preocupações jornalísticas do que de justiça, em vez de um acórdão vimos um comunicado de imprensa, não será de admirar que um dia destes um juiz recorra ao PowerPoint para dizer da sua justiça, recorrendo a música e animações para dramatizar o acórdão. Há algo de estranho quando um colectivo lê uma síntese do acórdão que supostamente está elaborado e devidamente assinado e informa que esse mesmo acórdão será distribuído apenas na próxima quarta-feira. É compreensível a opção por ler um resumo, é duvidoso que o acórdão não tenha sido distribuído pelos advogados e Ministério Público. Quem ounos garante que estava mesmo concluído ou que não vai ser corrigido em função das posições dos diversos intervenientes? Dir-me-ão que isso é impossível, que os juízes estão a cima de qualquer suspeita, mas nesse caso eu recomendarei que a vacina tomada pelos magistrados seja ministrada a todos os portugueses, com prioridade para os jornalistas já que nos últimos tempos têm assumido o papel de magistrados.

Curiosa foi a posição dos representantes oficiais das corporações da justiça. Depois de anos em que o processo foi inquinado por múltiplas manobras de pressão sobre os juízes, depois de linchamentos na praça pública e de tentativa de provocar uma vaga justiceira que destruísse algumas personalidades políticas, o representante sindical dos juízes vêem pedir aquilo que nunca foi pedido, pediu reserva por parte de magistrados e advogados. Isto é, enquanto o julgamento podia ser condicionado, enquanto a opinião pública podia ser manipulada, enquanto qualquer cidadão podia ser difamado não se pediu reserva, foi um regabofe, agora que é hora de balanço e de questionar e avaliar a justiça pedem aos que sabem da matéria para ficarem calados. Quando estava em causa o linchamento de cidadãos não havia probleema, a reserva dica "reservada" para a hora de avaliação dos magistrados, esses estão acima de qualquer condenação.

Como era de esperar, o sindicalista do Ministério Público veio sugerir que o processo fosse um case study invocando o tempo que demorou a ser julgado. A sugestão do sindicalista procurador-político deixa no ar a sugestão de que a causa da duração do julgamento terá resultado dos requerimentos e recursos da defesa, isto é, do suposto excesso de direitos de defesa previstos no nosso direito penal, argumento muita vezes usado para encobrir a incompetência de procuradores que, por exemplo, não conseguem levar uma escuta válida a um julgamento. Só que o conhecido sindicalista deve acrescentar um segundo case study que é a estratégia de multiplicação por centenas o número de acusações para dificultar a defesa, para levar os arguidos à falência muito antes de terminar o julgamento. Até poderia acrescentar a alteração da acusação quando as supostas provas caíram, como se num par de hora fosse possível aos arguidos saber onde estavam a tal hora naquele dia, há cinco anos atrás.

Não me cabe julgar ou condenar os arguidos isso é tarefa dos tribunais, o problema existe quando deixamos de confiar nos tribunais. Aqueles que defenderam a condenação a partir das primeiras violaçõesm manhosas do segredo de justiça poderão estar satisfeitos pois o colectivo confirmou a sua decisão. Eu fiquei com dúvidas quanto à forma como a justiça (polícia, magistrados do MP, juízes e mesmo alguns advogados) actuou em todo este processo. Isto não foi justiça, foi um espectáculo medíocre.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Flor do parque florestal de Monsanto, Lisboa

JUMENTO DO DIA

João Palma, o sindicalista melhor remunerado pelos contribuintes

Desta vez João Palma tem razão, o processe Casa Pia deve ser considerado um case study, só que o primeiro capítulo desse case study refere-se não aos excesso da defesa dos arguidos mas sim aos excessos da acusação, que, como se compreende, não merece qualquer comentário por parte do mais original dos sindicalistas portugueses.

João Palma deveria explicar aos portugueses que ao multiplicar por dezenas ou mesmo centenas as acusações, sem grandes provas e com o objectivo claro de dificultara a defesa aos arguidos obrigou ao prolongamento do julgamento. Quando se acusa um arguido de cem crimes e este é condenado por dois sem apresentação de provas, isto é, com base em testemunhos e na convicção dos juízes, o case study são os noventa e oito crimes de que o arguido foi ilibado.

«O presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) sublinhou, esta sexta-feira, a necessidade de saber-se o porquê do arrastamento do julgamento Casa Pia por quase seis anos e defendeu alterações ao Código Penal, para que a «Justiça seja mais célere».

Sem comentar as penas aplicadas a seis dos sete arguidos, João Palma assinalou que o processo Casa Pia, o mais longo da história da Justiça portuguesa, «é um 'case study' que poderá ser bem analisado, com seriedade e vontade, para se melhorar a Justiça». «Todo este arrastar do julgamento são boas indicações para que o legislador - Assembleia da República e Governo - possam analisar e criar alterações», disse à Agência Lusa. » [Portugal Diário]

JULGAMENTO DO CASO CASA PIA

Quando um arguido é acusado de 100 crimes, pronunciado por 50 e condenado por 2 fico com dúvidas, fico com a sensação de que os arguidos não foram condenados em primeira instância, neste processo a primeira instância foi na rua e nas redacções dos jornais.

Por tudo o que vi estou convicto de que se tivesse sido escolhido um cidadão anónimo de forma aleatória e a este fossem feitas centenas de acusações dificilmente conseguiria provar a sua inocência em todas. Ainda que o ónus da prova caiba à justiça a verdade é que neste processo foram os arguidos a terem que provar a sua inocência, tendo mesmo que enfrentar alterações na acusação já no final do julgamento. Isto foi assim porque partido do princípio de que uns falam sempre verdade só resta aos outros provar que falam mentira e isso sucedeu em relação a centenas de acusações.

Alguém acredita que as vítimas, mesmo no pressuposto de que falaram verdade, sabiam de todas as datas em que ocorreram os abusos? Eu não acredito, pelo que a multiplicação de acusações em datas aleatórias só poderá ter servido para levar a um julgamento tão longo que arruinasse os arguidos, impossibilitando-os de fazer a defesa. Se em cima disso e na fase final do julgamento a acusação altera essas datas dificilmente um arguido, por mais inocente que fosse conseguiria escapar a uma acusação.

Ou estou muito enganado ou um dia destes este processo será reaberto.

JOSÉ TORRES [1938-2010]

CHEGA

«Na edição online de ontem do jornal francês Libération, uma das notícias (sobre uma professora judia suspensa numa escola pública) ostentava um aviso: "O Libération decidiu não abrir este artigo a comentários." Uma busca rápida não encontra mais explicações, nem no artigo nem no sítio do jornal, sobre o critério utilizado para abrir ou fechar caixas de comentários. É pena: parece cada vez mais evidente que as regras existentes em cada sítio noticioso para esta matéria deveriam estar claramente afixadas - com as leis aplicáveis a ser lembradas aos comentadores, nomeadamente quanto à responsabilidade criminal e civil.

Em Portugal, os sítios noticiosos regem-se pelas mesmíssimas leis que se aplicam às edições em papel (a Lei de Imprensa e, naturalmente, o códigos Penal e Civil), como vários juristas e colunistas (caso de Pacheco Pereira) têm vindo, nos últimos tempos - sobretudo desde que o comentário "livre", ou seja, sem moderação nem edição, se generalizou - a lembrar. Ninguém, no entanto, o diria: os comentários dos jornais, TV, revistas e rádios são caudais de injúrias, calúnias e ordinarice, sem que os responsáveis dos meios pareçam capazes de - ou interessados em? - reagir. Os motivos desta inércia (e/ou inépcia) são de duas ordens. Comerciais, desde logo: os comentários "abertos" geram mais tráfego, atraindo publicidade, e se os concorrentes "abrem", é preciso acompanhá-los. Mas também ideológicos: se a democracia coloca todos em pé de igualdade, toda a gente deve poder dizer o que lhe aprouver; restringir de algum modo essa expressão é "censura", ou seja, anti-democrático. Pouco importa então que fosse impensável, para qualquer editor, publicar na edição "nobre" a maioria das coisas que "deixa passar" no on line - ninguém quer afrontar "a voz do povo".» [DN]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

AFINAL, A QUESTÃO NÃO É DINHEIRO...

«Num mundo tão perigoso (rebelião em Maputo, guerra das drogas no México, droga da guerra do Afeganistão...), já desesperámos de encontrar sinais positivos. E, no entanto, há - e à porta de casa. No caso Carlos Queirós versus Federação Portuguesa de Futebol (FPF), um lodaçal de palavras grossas e medidas hipócritas - já para não falar no mais grave: incompetência do empregado e do empregador -, nesta Guerra de Alecrim e Manjerona (na velha peça de teatro com esse nome um dos personagens chama-se Semicúpio, e por isso aqui a trago), no mais fantástico conflito nacional, pois, eis que surge a boa nova! Carlos Queirós disse à SIC: "Há pessoas com princípios, não é uma questão de dinheiro." E voltou a dizer: "Não admito que digam que o que está em causa é dinheiro." E ainda disse: "Se fosse uma questão de dinheiro se calhar a situação já estava resolvida." Portanto: não é uma questão de dinheiro. Está dito. Ficou dito. É a tal boa nova. Eu confesso que estava convencidíssimo do contrário. A FPF querendo ver-se livre de Queirós não podia fazê-lo por causa dos 3,5 milhões de euros de indemnização. Daí ter encenado esta estrangeirinha. Agora, como já se sabe que não é uma questão de dinheiro, a FPF pode fazer-lhe um jantar de desagravo (com mil euros faz-se coisa de arromba) e manda-o embora de borla. E Queirós, com a honra salva e porque não é uma questão de dinheiro, vai. » [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A DESGRAÇA QUE NÃO NOS ABANDONA

«Portugal tratou sempre mal os portugueses. "País padrasto, pátria madrasta", escreveu João de Barros, o imenso autor das "Décadas." Poucos ou ninguém o lêem. No entanto, Barros é um dos maiores entre os maiores. As "Décadas" contêm tudo o que é género literário, numa cosmovisão absolutamente invulgar. Foi maltratado, como os portugueses maiores. As classes dirigentes nunca apreciaram quem as superasse, em inteligência, prospectiva e sonho. Camões morreu cheio de fome, desprezado pelos que mandavam e pelos que obedeciam cegamente. O poeta era tido como um vagabundo, depois de ser considerado um arruaceiro e um brigão sem emenda.

"Vais ao paço, pedir a tença / e pedem-te paciência", retratou-o Sophia, com o coração feito lágrimas, num dos grandes poemas consagrados a Camões. As classes dirigentes desdenham-nos. E nós vamo-las enriquecendo. Éramos menos de um milhão quando o alvoroço da aventura, mas, também, a fome, nos embarcou em cascas de nós. Heróis escorbúticos sem eira e de pouco beira, porém com uma valentia que, hoje, nos causa espanto.

Fomos por aí fora e fizemos um leito de nações. Dormimos com a preta, com a parda, com a chinesa, com a índia, com tudo o que era mulher e saciasse a nossa sede de sexo, de calor humano - de rações, por escassas que fossem, de ternura e de braços nos abraços. Mal ou bem, pertencemos a esta estirpe: guerreiros e santos, mais guerreiros do que santos, caldeámos o ser na violência, na malandrice e na poesia.

Aqueles que sempre nos destrataram, têm-nos enviado, ao longo dos séculos, para paragens longínquas, a fim de defender "a pátria." Não era a pátria que defendíamos: eram as roças dos outros, os interesses dos outros, a fortuna dos outros. Nem, sequer, com a glória ficávamos.

Dependuravam-nos, e nos peitos dos pais cujos filhos haviam morrido sem saber rigorosamente porquê, umas medalhas absurdas, e davam-nos uns abraços sem honra, nem grandeza nem glória. Fizemos, em todas as áfricas onde estivemos, o que se faz nas guerras: matámos, estropiámos, cometemos barbaridades inconcebíveis. E fomos mortos, estropiados, perdemos o viço da juventude. Para quê?

Depressa nos esquecemos dessa saga de misérias. E, até, desprezámos aqueles que tinham lá estado, ou esquecemos os mortos que lá tinham permanecido, os nomes perdidos, as idades perdidas, as vidas perdidas. Portugal trata mal os portugueses. Os portugueses são os primeiros a tratar mal os portugueses. Portugal não é uma entidade abstracta: somos nós todos, naturalmente uns com maiores responsabilidades do que outros.

Não nos gostamos, essa é que é essa. O despeito, a inveja, o ciúme conduz a tudo o que há de pior no ser humano. E o português médio possui uma razoável dose daquelas maleitas. É endémico. E as coisas estão cada vez piores. Reparem no caso Saramago. Odiavam-no porque era famoso, rico, e não escondia as opções morais e ideológicas que o tinham formado. As reticências repugnantes que certos articulistas (para já não falar em políticos) apõem à obra do grande escritor são pequenos indícios da nossa pequenez. Disseram tudo do homem, chegaram a entrar na intimidade e nas decisões de carácter particular por ele tomadas. Mentiram, caluniaram descaradamente. Dois medíocres assanhados chegaram, um a impedir que fosse candidato a um prémio europeu; outro a promover a ideia tolíssima de se lhe retirar a nacionalidade.

É gente deste jaez e estilo que nos tem governado, séculos e séculos a fio. Contra esta imbecilidade generalizada, com um esforço inaudito e enorme desperdício de energias se têm oposto todos aqueles que, através da palavra e dos actos, têm, realmente, desenhado a fisionomia cultural, ética e moral do País.

E chega a ser confrangedor o nível das elites actuais. Tenho assistido, através das televisões, a parte das sessões que o PSD tem promovido, como cursos de verão, em Castelo de Vide. É mais do mesmo. Surpreendente é o facto de Marcelo Rebelo de Sousa ter considerado como "social-democrata" a política de Pedro Passos Coelho. Não sei, gostaria de saber, se a história da social-democracia europeia figura naqueles cursos. Acaso um ou dois preopinantes saiba do assunto. Nem lhes interessa dilucidar o problema. É nesta "pérfida embrulhada", para citar outro português maior, Jorge de Sena, que vamos sobrevivendo. Omissão, mentira, embuste, cambalhotas intelectuais. E não é apenas José Sócrates o paladino destas tropelias.

Há, claramente, uma escassez de pedagogia. Um afã doentio do poder pelo poder. Um inquieto corrupio pela expectativa da nova distribuição de prebendas. Eles não se interessam por nós. Temos de fazer com que eles entendam que estamos cansados de os aturar. E temos, nós próprios, de entender que há alternativas a esta desgraça que nos não abandona. » [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Baptista-Bastos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

UMA QUESTÃO DE VISÃO

«Numa escala de 1:500 uma parede é simplesmente um risco; na escala 1:100 tem dois riscos, ou seja espessura; na escala 1:50 já se distinguem a alvenaria, o revestimento e diversos pormenores como, por exemplo, os rodapés ou os puxadores das portas. Nalguns elementos é preciso mergulhar ainda mais e ir até escalas de 1:10 ou mesmo 1:1 em que os objetos têm a dimensão real. Está bem de ver que se todo o projeto for feito à escala 1:1 o desenho tem a dimensão exata da casa. Hoje com as novas tecnologias digitais e trabalhando nós em milímetros isso é possível e até bastante comum. A qualquer momento podemos ver e imprimir o mais pequeno dos detalhes.

A nossa perceção das coisas tem muito a ver com isto. No passado o mundo tinha uma assinalável minúcia no que nos era próximo e tornava-se num mero risco no que estava longe. O planeta, os continentes, os países eram abstrações, simples riscos nos mapas e nas mentes. Em pormenor conhecíamos a nossa rua, os nossos amigos e familiares. O resto eram esquissos sem detalhe. Mas hoje, graças às novas tecnologias da comunicação e da informação as coisas já não são bem assim. Veja-se como, por estes dias, nos encontramos dentro de uma mina no Chile e vivemos esse drama como se fosse o dos nossos vizinhos. Ou como o Google Earth, e outros programas do género, nos oferecem uma visão de grande proximidade de qualquer lugar, permitindo passear em ruas que desconhecemos e onde nunca iremos fisicamente. A perceção mudou, o planeta está agora desenhado à escala real.

Embora não pareça vem isto a propósito da mais recente campanha do Partido Comunista que pretende promover a produção nacional. Sem ideias novas o PC agarra-se a velhas e distorcidas questões. Os comunistas afirmam pretender valorizar a nossa agricultura e indústria como se estas atividades pudessem ser separadas do contexto global em que de facto se encontram. Trata-se de uma visão antiquada, conservadora e muito perniciosa. Que serve para iludir a realidade e limitar a própria capacidade produtiva que dizem querer fomentar.

A nossa economia, da grande à pequena, precisa de tomar consciência de que o seu destino já não é a mercearia da esquina ou o comércio local, mas o mundo. Que qualquer produto, seja ele uma hortaliça ou um prego, só pode sobreviver se alargar os seus horizontes e tiver a ambição de invadir o planeta. De nada vale queixarmo-nos de que as grandes superfícies estão cheias de alfaces e laranjas que vêm de lugares tão longínquos quanto a Austrália ou a América Latina. Quando aqui mesmo ao lado os agricultores do Oeste não conseguem escoar a sua fruta. Ou que a roupa que vestimos nos chega da China ou da Tailândia, quando as fábricas de têxteis do Norte fecham e lançam no desemprego milhares de pessoas. Trata-se de um drama humano, é certo, mas ainda mais de um drama de incompetência e falta de perspetivas.

Uma tal visão desatualizada, localista e nacionalista, está aliás na origem desses tantos fracassos empresariais. Nuns casos por pura ignorância, noutros por força de hábitos e resistência à evolução, noutras ainda por ideologia caduca. Sem capacidade para perceber o novo contexto operacional muitas destas pequenas fábricas e pequenas produções agrícolas, não conseguem competir. E não serão os subsídios ou apoios estatais que as podem salvar.

Daí que uma efetiva promoção da produção de base nacional deva passar obrigatoriamente por um falar verdade, por esse mergulho na escala do real, em que hoje as coisas acontecem. Uma verdadeira política progressista deve contribuir para elucidar as pessoas, para lhes abrir os olhos e as mentes para a vastidão do seu campo de ação. Não para continuar a promover ilusões sobre uma realidade que já não existe. E, acrescento, ainda bem. O mundo é agora a nossa rua. » [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Leonel Moura.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

PROSSEGUE A TRAPALHADA CONSTITUCIONAL DE PASSOS COELHO

«O deputado e constitucionalista Jorge Bacelar Gouveia levantou ontem a voz contra processo interno de elaboração do projecto de revisão constitucional do PSD e defendeu que este deve ser objecto de consulta ao grupo parlamentar. Depois das críticas em surdina à condução do processo, são as primeiras críticas públicas, de dentro do partido, à condução deste dossier.

O documento foi na quarta-feira objecto de alterações no seio da comissão liderada por Paulo Teixeira Pinto. Mas a pedido de Pedro Passos Coelho, o grupo de trabalho fez, desta feita, um pacto de silêncio sobre o seu conteúdo. A última palavra sobre o projecto caberá ao líder e à Comissão Política do partido. O que não impede que a proposta final só seja apresentada depois de discutida com o grupo parlamentar social-democrata.

A forma como o documento tem sido gerido e elaborado já tinha sido contestada dentro do grupo de trabalho, mas subiu ontem de tom com as críticas de um dos seus membros, no caso Bacelar Gouveia, que não participou no encontro de quarta-feira. Em declarações à Lusa, o deputado laranja queixou-se de ter visto todas as suas ideias recusadas pela comissão de revisão constitucional e defendeu que "quem tem o poder de apresentar projectos de revisão constitucional não é a Comissão Política, são os deputados". Defendeu que "o grupo parlamentar não pode ser ostracizado deste processo. É indispensável que haja uma colaboração do grupo parlamentar e que os deputados também sejam chamados a dar o seu contributo. Não são apenas uma mera correia de transmissão", reforçou.» [DN]

Parecer:

Mas o projecto não tinha já sido aprovado pelo conselho nacional que é o órgão máximo do PSD?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

ONU REÚNE DE MERGÊNCIA POR CAUSA DOS PREÇOS DOS CEREAIS

«O receio de que os preços dos bens alimentares continue a subir levou a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) a marcar uma reunião de emergência com responsáveis políticos a nível mundial para 24 de Setembro, revela a BBC.

O encontro foi originado pelo anúncio feito ontem pela Rússia de que iria estender as restrições à exportação de trigo. O país é um dos maiores produtores mundiais, mas viu grande parte das colheitas destruídas devido a uma vaga de calor e de incêndios, o que fez o preço do trigo disparar cerca de 50% desde final de Julho.» [DE]

Parecer:

Por cá ninguém parece preocupado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Acompanhe-se a evolução dos preços e as consequências sociais como é o caso do que está a suceder em Moçambique.»

SEAN BAGSHOW

BUKLGARI

sexta-feira, setembro 03, 2010

O crescimento económico a qualquer custo.

É fácil conseguir o crescimento económico, basta juntar as receitas de Medina Carreira, as proposta que Ângelo Correia explicou a Pedro Passos Coelho, promover o despedimento de 150.000 funcionários em tempos proposto por Miguel Cadilhe, adoptar o projecto de revisão constitucional desenhado por Paulo Teixeira Pinto e seguir as brilhantes sugestões avulsas do bem sucedido Carrapatoso.

Outra solução seria o Estado empregar todos os desempregados dando prioridade aos professores, aumentar os funcionários tal como propõe Carvalho da Silva e multiplicar os apoios sociais seguindo as propostas do PCP e do BE.

Não pretendo com o sarcasmo dar razão a uma outra solução sarcástica feira por Manuela Ferreira Leite, a de que a melhor forma de fazer as reformas seria suspender a democracia durante uns tempos o que, aliás não é nada de novo, a democracia já esteve suspensa durante quarenta e oito anos e no pós-25 de Abril ocorrerem também algumas suspensões temporárias.

Só que Manuela Ferreira Leite brincou com as dificuldades de implementar determinadas reformas no contexto de uma democracia, muito dos nossos liberais feitos em MBA apressados parece terem perdido a lucidez ao ponto de num momento de desorientação do PSD levarem este partido a embarcar num delírio quase colectivo. Em vez de propor a suspensão da democracia adoptaram um projecto de revisão constitucional esquecendo que Portugal tem mais de dez milhões de portugueses enquanto que o Tribunal Constitucional apenas tem uns quantos juízes.

É evidente que Portugal precisa desesperadamente de crescimento económico, mas é importante não perder a lucidez ao ponto de esquecer que o crescimento económico só faz sentido se for conseguido com produção de riqueza e garantindo que esta riqueza é repartida por todos os portugueses, não podendo ser medida apenas pelo PSI20.

De nada serve ao país a que os Mellos criem mais riqueza investindo na saúde privada se isso apenas é conseguido à custa da transferência dos sectores mais lucrativos do SNS. Aliás, esta proposta aparentemente liberal em nada difere dos que acham que criam riqueza promovendo o emprego público, os pressupostos económicos são exactamente os mesmos.

De pouco serve aos portugueses que estão desempregados se conseguirem emprego à custa dos que estavam empregados e foram despedidos para que os primeiros sejam contratados com salários mais baixos. Ou que o aumento das exportações seja conseguido à custa da suspensão da modernização do país passando a “gastar” na promoção de exportações à custa da desvalorização do trabalho dos portugueses aquilo que se investia na modernização das infra-estruturas.

Não há grande diferença entre as propostas dos liberais e as da extrema esquerda. Uns querem que a riqueza seja investida em impostos no pressuposto de que estes serão reinvestidos com melhores resultados do que os conseguidos pelo sector privado. Os outros querem que deixem de ser cobrados impostos para que seja possível vender mais ao estrangeiro à custa dos saldos da mão-de-obra portuguesa.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Felosa-comum [Phylloscopus collybita], Campo das Cebolas, Lisboa

JUMENTO DO DIA

Laurentino Dias

Um dia destes ainda vamos ver Laurentino Dias assumir o papel de seleccionador por inerência de funções.

«O secretário de Estado do Desporto afirmou-se hoje, quinta-feira, solidário com a decisão da Autoridade Antidopagem de Portugal de aplicar um castigo de seis meses a Carlos Queiroz.

Em conferência de imprensa convocada para entregar à comunicação social o processo que envolveu o seleccionador nacional, Laurentino Dias defendeu o castigo, dizendo que concorda com a suspensão de Queiroz. » [Jornal de Notícias]

EM NOME DO "POVO"

«Dez mortos, entre os quais crianças, e várias dezenas de feridos é o balanço provisório dos tumultos motivados pela subida dos preços dos bens essenciais em Moçambique, onde pão, arroz, electricidade e transportes sofreram aumentos que chegam aos 20%. Isto num dos países mais pobres do Mundo, com um salário mínimo que anda pouco acima de 50 euros por mês. Os protestos vinham sendo há dias convocados por SMS e, ontem, Maputo acordou ocupado por polícias, apoiados por blindados, que não estiveram com meias medidas e abriram fogo sobre os manifestantes. Os antigos guerrilheiros hoje no Poder em Maputo esqueceram rapidamente o sentido de uma palavra terrível como "fome", gritada para as câmaras da RTP por uma mulher desesperada: "Na Presidência estão comendo bem, por que é que nós havemos de morrer de fome?". Para o provavelmente bem alimentado ministro do Interior da Frelimo, que ordenou à Polícia que atirasse a matar sobre os seus concidadãos (o tal "povo"), milhares de pessoas acossadas pela fome saqueando mercados por comida são (disse-o na TV) "aventureiros, malfeitores e bandidos" a abater.» [JN]

Parecer:

Por Manuel António Pina.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

ESTOU ESCLARECIDO

«Através de um modelo social muito mais preventivo. É preciso apostar mais na qualificação das pessoas, na formação e educação das populações mais desfavorecidas. Depois tem que se explicitar qual é a rede de protecção social mínima que se garante às pessoas em termos desses apoios e dos serviços públicos que se prestam à população, incluindo os de saúde. Tem que se envolver neste projecto as instituições de solidariedade social, certificando-as. E tem de se investir em novos sistemas mais justos e equilibrados, como o de uma conta individual de reforma. Sistema em que cada pessoa e a sua entidade patronal descontam para uma conta que será gerida por um instituto público. Isto para pessoas que entrem de novo no sistema ou para as que já lá estejam e optem por este esquema.» [DN]

Parecer:

Carrapatoso explica muito bem em entrevista ao DN como se deve acabar com o estado social.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se o senhor para o sítio mal cheiroso.»

MAIS UM A CRITICAR O PROJECTO E REVISÃOM CONSTITUCIONAL DO PSD

«O deputado social-democrata e constitucionalista Jorge Bacelar Gouveia criticou o processo interno de elaboração do projecto de revisão constitucional do PSD e defendeu que este deve ser levado para consulta ao grupo parlamentar.

Em declarações à Agência Lusa, Bacelar Gouveia queixou-se de ter visto todas as suas ideias recusadas pela comissão de revisão constitucional e defendeu que o projecto do PSD não deve ser apresentado formalmente sem antes haver uma consulta aos deputados do partido.» [Portugal Diário]

Parecer:

Esperemos mais um pouco que ainda vamos Passos Coelho alinhar nas críticas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se.»

A INÉRCIA DO FISCO

«Entre 2006 e 2008, cerca de 129 mil processos de execução fiscal relativos a uma dívida superior a mil milhões de euros prescreveram nos serviços de Finanças de Lisboa e Porto. Com base numa amostra dos 126 maiores desses processos, a Inspecção-Geral de Finanças (IGF) concluiu que metade deveu-se à "inércia dos serviços" e que, nesses distritos, "não existem mecanismos de validação das prescrições".» [Público]

Parecer:

Há muito que Lisboa e Porto são paraísos fiscais, o ministro das Finançaas é que tem andado muito distraído.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento desta notícia ao "grande repórter" Paulo Pinto Mascarenhas agora a trabalhar no "i"»

BORIS M.

quinta-feira, setembro 02, 2010

As voltas das presidenciais

Se nas próximas presidenciais haverá apenas um candidato eleito, são vários os candidatos e mesmo líderes políticos que não se candidatando serão ganhadores ou perdedores nestas eleições. Na primeira (e provavelmente única) volta das presidenciais está muito mais em jogo do a escolha de um presidente ou dos candidatos que disputarão a segunda volta, aliás, nesta volta os candidatos da esquerda estão mais preocupados com os ganhos políticos pessoais ou partidários do que com a escolha a que se candidatam.

O PCP tem razões para não morrer de amores por Manuel Alegre que ainda há poucos meses juntava-se a Louçã para promover iniciativas à medida do líder do BE, com o argumento de unir a esquerda tentava atrais personalidades do PCP tidas por "reformistas" com o objectivo claro de dividir este partido. Foi mais fácil a Álvaro Cunhal convencer os militantes do PCP a votarem em Mário Soares do que poderá vir a ser para Jerónimo de Sousa levá-los a votar em Alegre, até porque os tempos são outros e Cavaco nada tem que ver com Soares Carneiro. Aliás, duvido muito de que o PCP prefira Alegre a Cavaco, do segundo sabe-se o que se espera, o primeiro é uma caixinha de surpresas que podem ser desgradáveis.

O PCP não lança um candidato presidencial para se entreter, com Louçã a tentar dividir o PS chamando a si os louros dos votos de uma derrota de Manuel Alegre resta-lhe conseguir um bom resultado. O PCP não vai querer que um dos mais prováveis sucessores de Jerónimo de Sousa seja humilhado nas presidenciais quando tem uma excelente oportunidade de derrotar as intenções de Francisco Louçã.

A hipótese de haver uma segunda volta reside no nível da abstenção e da incidência desta nos eleitorados alvo dos diversos candidatos. Cavaco conta com algum descontentamento no eleitorado mais conservador e mesmo no eleitorado do PSD, ambos desiludidos com algumas das suas intervenções. Mas Alegre não tem melhor sorte e terá muitas dificuldades em convencer uma boa parte do eleitorado do próprio PS a votar na sua candidatura. Manuel Alegre corre mesmo o risco de ver uma parte do eleitorado do BE votar no candidato do PCP e uma boa parte do eleitorado do PS dividir-se pelos restantes candidatos ou abster-se. Um cenário possível com um elevado nível de abstenção à esquerda será uma derrota humilhante para Manuel Alegre, favorecendo claramente o candidato do PCP que não só conseguirá o pleno dos eleitores do seu partido como conseguirá votos nos eleitorados do PS e do BE.

Para Louçã sair vencedor destas presienciais não é necessário que Alegre vença ou chegue à segunda volta, interessa-lhe que Cavaco Silva para poder culpar o PS pela derrota do seu candidato devido ao pouco empenho dos seus dirigentes e militantes, aliás, já está a fazê-lo muito antes das eleições. Neste cenário Louçã conta com a frustração de Manuel Alegre que prosseguirá com a sua vingança contra José Sócrates a quem nunca perdoou pela derrota sofrida nas directas para a liderança do PS.

Mas se a derrota de Manuel Alegre for expressiva o BE tem a sua primeira grande vitória sobre o BE, Manuel Alegre perceberá que a liderança do PS não trem culpa dos eleitores não o desejarem. Louçã arrepender-se-á por ter optado por golpes baixos em vez de se ter candidatado e Alegre perceberá que está na hora de se dedicar à pesca.

A grande dúvida em relação às próximas presidenciais poderá não ser saber quantas voltas vão haver, mas sim quem são os grandes derrotados e os vencedores na primeira e única volta. Há claramente dois candidatos à vitória, Cavaco Silva e Xico Lopes, bem como dois candidatos à derrota, Manuel Alegre e Francisco Louçã.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Benfica, Lisboa

JUMENTO DO DIA

António Costa

António Costa argumenta que de uma má escolha nas presidenciais pode resultar uma crise política, justificando o apoio a Alegre por este saber distinguir as competências presidenciais das do governo. O que António Costa se esqueceu de dizer é que o risco de uma crise política resulta de haver um governo que perdeu a maioria absoluta muito graças precisamente a Manuel Alegre, o tal que agora sabe qual o papel de um presidente mas que em tempos era ao mesmo tempo deputado de um partido e líder da oposição ao governo desse mesmo partido.

«O presidente da Câmara de Lisboa advertiu hoje que uma crise política poderá ocorrer com uma má escolha nas eleições presidenciais e disse apoiar Alegre porque sabe distinguir as competências do chefe de Estado das dos governos.

António Costa falava aos jornalistas antes de um jantar de trabalho da candidatura presidencial de Manuel Alegre, em que deixou várias advertências sobre as consequências de uma reeleição do atual Presidente da República, Cavaco Silva.

"É muito importante que nesta época de crise não acrescentemos crise política à crise económica e social que se está a atravessar. A crise tanto pode ocorrer com um desentendimento na votação do Orçamento do Estado, como pode ocorrer com más escolhas nas eleições presidenciais", declarou o número dois da direção do PS.» [Expresso]

UMA TENDA PARA DOIS KADHAFIS

«Em Roma, sê romano, na terra de Silvio Berlusconi paga a umas raparigas giras para te irem visitar. De visita a Roma, Muammar Kadhafi contratou uma agência para lhe arranjar 500 jovens para o escutar. Seria Berlusconi puro, não fosse o conselho às raparigas para terem decoro nos decotes e elas terem saído com um Alcorão de oferta. Às raparigas, o líder líbio prometeu uma Europa muçulmana. A Itália, ele propôs uma união com "uma só etnia e uma só religião". À Europa, ele vendeu a ideia de estancar a emigração africana, para que a Europa não venha a ser "negra". É muita geopolítica numa só cara onde a barbicha rala, o ar desabusado e os óculos escuros insistem em identificá-lo mais com o sexagenário milionário que aluga acompanhantes em agências. Em três dias, Kadhafi fez de Aníbal Barca, o general cartaginês que quis unir Roma e o Norte de África, e fez de Tárique, o general berbere que tentou islamizar a Europa entrando por Gibraltar. Muammar Kadhafi só se esqueceu de fazer do líder africano que ainda no começo do ano propôs, na Organização de Unidade Africana, um governo único para África. A haver este, como explicaria Kadhafi a sua bipolaridade: era o africano que quer juntar-se aos italianos (logo que estes se islamizassem) ou era o líbio que afasta os negros dessas misturas?» [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A MÚSICA QUE DEIXA OS JAMAICANOS COM OS PÉNIS RASGADOS

«Lembra-se da "tarraxinha e do "creu"? Pois bem, comparado com o "daggering" são verdadeiras brincadeiras de meninos. Em bares e festas privadas a moda pegou, com homens e mulheres a simularem movimentos sexuais enquanto dançam. Na grande maioria das vezes, a dança é violenta e as mulheres adotam uma posição submissa (humilhantemente submissa, diria eu). A própria expressão "daggering" revela muito: "dagger" significa punhal e, diria eu novamente, é mesmo à punhalada que o pénis intervém nesta dança.

Além dos choques e quedas aparatosas, uma das lesões cada vez mais comuns é o tecido do pénis ereto romper-se com o embate violento no osso pélvico da parceira. Até a mim - que não tenho o dito cujo - me dói só de pensar no rasgão. » [Expresso]

Parecer:

Por Paula Cosme Pinto.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

PSD DIVIDO ANTES DE COMEÇAR A NEGOCIAÇÃO DO ORÇAMENTO

«As negociações do Orçamento do Estado ainda não começaram, mas a cúpula do PSD dá sinais sinais de divisão. António Nogueira Leite, o homem que Passos Coelho escolheu para negociar com o Governo o PEC II, confessou ter ficado surpreendido com a "cedência" do partido na oposição aos cortes nos benefícios fiscais.

A imposição de tectos às deduções na saúde e educação foi um dos pontos que separaram José Sócrates de Passos Coelho. O líder do PSD recusou sempre o "aumento encapotado de impostos" e ameaçou chumbar o Orçamento se o Governo não recuasse nesta proposta - o que precipitaria uma crise política.

Porém, segunda-feira, na universidade de Verão do PSD, Miguel Relvas abriu a porta à negociação, admitindo cortes que afectem os mais ricos. O secretário-geral e porta-voz disse que "o grande problema" é o Executivo querer mexer a partir do terceiro escalão. "Isso é que não aceitamos."

Ao DN, Nogueira Leite exigiu que essa afirmação seja explicada. "Eu pensava que [a oposição ao fim dos tectos nas deduções] era uma questão de princípio em que só se cederia in extremis." E disparou: "Nunca vi começar um processo negocial com uma cedência."» [DN]

Parecer:

Alguns benefícios fiscais são muito queridos a alguns grupos de empresas do negócio da saúde...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelo desenvolvimento.»

ACABARAM-SE AS VUVUZELAS

«O som monocórdico e estridente das vuvuzelas não vai poder ser ouvido nos estádios onde se disputem jogos de competições europeias e Liga dos Campeões, já que a UEFA decidiu proibir a entrada das cornetas.

Com a medida a UEFA explica que pretende proteger a cultura e tradição dos adeptos que cantam nos estádios de futebol europeus dos "efeitos negativos" das cornetas de plástico sul-africanas que se tornaram famosas durante o Mundial de 2010.» [DN]

Parecer:

Finalmente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Acabem-se com as vuvuzelas.»

MAIS UMA DOR DE CABEÇA PARA A SIC

«A linguagem pode ser terna mas também crua, dizendo com todas as letras aquilo que há a dizer sobre sexo. Cinco mulheres, de várias faixas etárias falam da sua intimidade no projecto As Mulheres e o Sexo, que a produtora Stopline está a desenvolver para televisão e novas tecnologias.

As crónicas de Ana Maria Anes, 37 anos, no jornal O Independente, que deram origem ao livro 7 Anos de Mau Sexo, são o ponto de partida desde projecto, protagonizado por cinco mulheres sem experiência na representação. Joana Lobo Anta, Mia Nacamae, Adriana Queiroz, Rute Palma e Bruna Bastos seguem as coordenadas do guião, mas nem sequer tiveram de decorar os textos palavra a palavra. » [DN]

Parecer:

Agora é que a Manuela Moura Guedes faz mesmo falta à TVI para aumentar as audiências.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à Manuela Moura Guedes se tem alguma sugestão para a TVI.»

PROCESSO CASA PIA: MAIS UMA DOR DE CABEÇA PARA A JUSTIÇA

«Grande parte dos desembargadores já interveio no processo durante as primeiras fases: inquérito e instrução. Segundo a lei, não podem apreciar os recursos da decisão de julgamento.

O presidente do Tribunal da Relação de Lisboa, Luís Vaz das Neves, admite que tem pela frente um problema: feitas as contas, com alguma margem de erro, refira-se, metade dos juízes que fazem parte das secções criminais não pode apreciar os eventuais recursos do julgamento do processo Casa Pia. Uma vez que já tiveram intervenção noutras fases do caso (inquérito e instrução), a lei impede-os de voltar a apreciar algo que tenha que ver com o processo. "Temos essa questão dos impedimentos que já estamos a tentar ultrapassar. As secções criminais têm cerca de 50 juízes, é preciso fazer o levantamento de quem já interveio no processo Casa Pia", explicou ao DN Luís Vaz da Neves.» [DN]

Parecer:

Este processo vai ser eterno.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

FIDEL CASTRO ASSUME-SE CULPADO DE EPRSEGUIÇÕES A HOMOSSEXUAIS

«O ex-presidente cubano Fidel Castro admitiu ser o "responsável último" pela discriminação que o seu governo dirigiu há quase cinco décadas contra os homossexuais em Cuba, numa entrevista publicada ontem pelo jornal mexicano La Jornada.

Na entrevista concedida em exclusivo ao jornal mexicano, Fidel Castro assume a culpa pela discriminação e marginalização de que foram alvos os homossexuais após a revolução cubana, altura em que foram acusados de serem "contrarrevolucionários" e obrigados a trabalhos forçados.

O antigo chefe de Estado cubano lamentou não ter prestado "atenção suficiente" a uma perseguição que ocorreu em momentos de "grande injustiça" e de não ter corrigido essa situação.» [DN]

Parecer:

E não acontece nada a quem perseguiu, torturou e matou?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a opinião a Jerónimo de Sousa.»

MAIS UMA PARA QUESTIONAR JERÓNIMO DE SOUSA

«Cortou o seu próprio dedo, coseu os lábios e fez inúmeras greves de fome. Tudo para protestar contra a expropriação das suas terras no estado de Bolívar, decretada pelo Governo de Hugo Chávez. Ontem de madrugada, o agricultor venezuelano Franklin Brito morreu no Hospital Militar de Caracas, em que tinha sido internado à força em Dezembro de 2009, depois de ter iniciado aquela que seria a sua última greve de fome.

"Franklin Brito deixa de ser carne para converter-se em símbolo e bandeira para todos os atropelados pelo orgulho do poder, para os ofendidos pela prepotência dos governantes, para os que acreditam que a verdade e a justiça estão sempre acima das circunstâncias e conveniências", dizia o comunicado da família. A mulher e os quatro filhos aguardavam ontem os resultados da autópsia - a morte terá sido devido a paragem cardíaca - e a entrega do corpo.

O Governo reagiu à notícia através do ministro da Agricultura, Juan Carlos Loyo, que indicou que Brito não estava em greve de fome, mas em "jejum voluntário", já que nunca se tinha procedido a qualquer expropriação. Loyo indicou ainda que o agricultor "foi usado de boa vontade" para fins políticos por parte da oposição e que por isso pôs em risco a sua vida. Resta saber como o caso será usado na campanha para as eleições de Setembro (ver texto secundário).» [DN]

Parecer:

Nestas "democracias" a greve da fome é um jejum voluntário.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Solicite-se mais uma vez a opinião de Jerónimo de Sousa.»

HISTÓRIA DA NASA NO FLICKR

«As imagens podem ser encontradas numa galeria intitulada "The Commons", em www.flickr.com/photos/nasacommons, espaço que a NASA acredita poder incentivar antigos funcionários ou visitantes das instalações a contribuírem para a construção de uma memória comum.

Os utilizadores que visitarem a galeria de fotos da NASA no Flickr podem adicionar palavras-chave às imagens, bem como identificar objectos e pessoas que reconheçam, tendo ainda a possibilidade de comunicar com outros visitantes.» [DN]

PARIS HILTON PENSAVA QUE A COCAÍNA ERA UMA PASTILHA ELÁSTICA!

«Paris Hilton , que foi detida no sábado passado por posse de cocaína, afirmou às autoridades que pensava que a droga encontrada na sua bolsa era uma embalagem de pastilha elástica.

Segundo avançou a Folha online, citando a cadeia de televisão CNN, Paris Hilton, que foi detida no passado sábado com 8 gramas de cocaína na sua bolsa, afirmou às autoridades que pensava que o saco de plástico onde se encontrava a droga era uma embalagem de pastilha elástica.» [DN]

Parecer:

Ou aspirina...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

A NOVIDADE DO DIA

«O presidente do conselho de administração da Vodafone Portugal, António Carrapatoso, defendeu hoje um "novo projecto político para Portugal", considerando que o PSD "está bem posicionado".

"É preciso um novo projecto político para Portugal. Julgo que o PSD está bem posicionado como alternância política para assumir essa responsabilidade", argumentou António Carrapatoso aos jornalistas. » [Jornal de Negócios]

Parecer:

Que se saiba o Carrapatoso sempre teve esta opinião excepto no que se refere à alternância pois quando o PSD foi poder nunca fez este tipo de afirmações.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se uma gargalhada via Vodafone.»

PSP TEM PÁGINA DE FÃS NO FACEBOOK

«A Polícia de Segurança Pública acaba de lançar uma página de fãs oficial no Facebook. O sítio reúne as restantes páginas da PSP em redes como o Twitter ou o Youtube, bem como possui links directos para operações e serviços da Polícia (como o e-polícia, que permite apresentar queixa online).

No mural, é possível ver já alguns press releases publicados, com ligação para o site oficial da PSP. "A partir de hoje estamos mais próximos e mais interactivos no Facebook! Aos nossos seguidores, bem-vindos!", pode ler-se na página, onde também já foram partilhadas fotografias. »
[JN]

Parecer:

Porque não?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proponha-se uma página de fãs do sindicato dos magistrados do Ministério Público.»

MÁRIO NOGUEIRA PROMETE TRAZER PROFESSORES PARA A RUA

«A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) marcou o início do ano lectivo dos docentes com a apresentação do «Guia de Sobrevivência do Professor Contratado», considerando que a precariedade e desemprego atingem «proporções de calamidade» no sector.

Daí que tenha já previstas algumas acções de rua em torno desta matéria para este ano e defenda como «absolutamente necessário» o lançamento de um concurso em 2011 para integrar nos quadros professores contratados que respondem a necessidades permanentes das escolas. » [Portugal Diário]

Parecer:

Será para apoiar o Xico Lopes?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Diga-se ao Mário Nogueira que tenha juízo.»

PINTO MONTEIRO DEU EXPLICAÇÕES A CAVACO SILVA

«Pinto Monteiro esteve esta tarde em Belém, a pedido do Presidente da República. No final do encontrou, o procurador-geral da República recusou revelar o conteúdo exacto da conversa que teve com Cavaco Silva. Disse apenas que lhe deu «explicações» sobre dúvidas que o chefe de Estado achou «necessárias e úteis».

«O senhor Presidente da República, que é o mais alto magistrado da nação está, obviamente, preocupado com o estado da Justiça», disse, acrescentando: «Dei explicações que o senhor Presidente entendeu necessárias e úteis».

«O interesse do senhor Presidente é exactamente o meu, é que a Justiça funcione melhor. Não há nada de especial que eu tenha para dizer, nem as conversas com o Presidente da República são para revelar na íntegra», anotou ainda Pinto Monteiro aos jornalistas. » [Portugal Diário]

Parecer:

Se Pinto Monteiro deu explicações a Cavaco foi porque este as pediu e seria interessante saber quais os motivos de interesse do Presidente da República.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cavaco sobre se questionou o PGR relativamente às investigações do caso BPN, já que da última vez que se interessou por um processo chamou o sindicalista por causa do Freeport.»

"REENTRÉE" DE MANUEL ALEGRE SERÁ NO CCB

«A “rentrée” política da candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República vai ter lugar a 11 de Setembro no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, numa iniciativa onde não deverão estar os líderes do PS e do BE.» [Público]

Parecer:

O local foi bem escolhido, uma "obre de regime" do governo de Cavaco Silva e bem perto do Palácio de Belém. Digamos que vai ser o mais perto da Presidência da República que Manuel Alegre vai conseguir estar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

HÁ SECTORES A SAIR DA CRISE

«Apesar de muitos outros indicadores mostrarem que a economia portuguesa ainda está longe de estar em forma, a verdade é que nos primeiros meses do ano foram vários os sectores que já registaram crescimento e que sustentam a visão optimista do Executivo socialista.

O crescimento das exportações, que aumentaram 15,08% no primeiro semestre, é um dos indicadores utilizados pelos membros do Governo para garantir aos portugueses que, ao contrário do que tem sido afirmado pela oposição, a economia nacional não está estagnada. Segundo o INE, só entre os meses de Março e Maio, Portugal exportou bens no valor de 9,2 mil milhões de euros, um valor que representa um aumento de 18,4% face aos dados do mesmo período de 2009.» [DN]

Parecer:

Ao contrário do que desejam alguns políticos nem tudo são más notícias.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Registe-se.»

TENHAM CALMA, DIZ-LHES MARCELO

«O actual líder vai resistir "ao frenesim laranjinha" (para derrubar já Sócrates) e esperar para ser primeiro-ministro. É a convicção de Marcelo Rebelo de Sousa, que aponta como desafios imediatos do PSD reeleger Cavaco e explicar o que propõe na revisão constitucional.

O seu, a seu tempo. Poderia ser a frase-resumo da tese que o ex-presidente do PSD defendeu ontem, quarta-feira, aos jovens formandos da Universidade de Verão do PSD, que decorre até domingo em Castelo de Vide. Pese embora “o frenesim laranjinha” que se faz sentir em cada ano que passa, Pedro Passos Coelho deve esperar.»
[JN]

Parecer:

É que os putos estão mesmo convencidos de que Passos Coelho é invencível.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelas novas sondagens.»

KRZYSIEK