sábado, novembro 06, 2010

Pois, ninguém quer o FMI

Se a situação não fosse tão grave até ficaria divertido vendo as “elites” nacionais a rejeitarem o FMI, até parece que estão muito preocupados com as dificuldades dos mais pobres e receiam que as receitas do FMI agravem ainda mais a situação dos mais carenciados. Agitam a antiga imagem de papão do FMI para assustar os portugueses tentando dar a entender que as receitas nacionais resolvem o problema sem que sejam tão duras.

Se eu fosse um líder partidário também recearia a vinda do FMI, os governantes podem gerir a austeridade condicionando as medidas a critérios eleitorais, o mesmo quer o líder do PSD que prefere negociar o OE de forma a que as suas clientelas não sejam atingidas pelas medidas mais duras, enquanto a extrema-esquerda continua a prometer o céu na terra à custa do dinheiro que os grandes capitalistas nos emprestam a juros de mais de 6%.

Se eu fosse banqueiro também não quereria ver o FMI por estas bandas, comprando o dinheiro a 1% ao Banco Central Europeu para o vender ao Estado a mais de 6% ou aos consumidores a 14%, enquanto quase nada se paga pelas poupanças depositadas nos seus cofres, a pior coisa que poderia suceder aos banqueiros era o Estado poder negociar taxas mais baixas fora do sistema financeiro e, em contrapartida, ter de adoptar medidas que acabem com um modelo consumista que coloca toda a economia nas mãos da banca.

Se eu fosse sindicalista profissional à décadas também não quereria que viesse alguém de fora impor modelos de organização económica que pusesse o meu poder em causa. O actual modelo alimenta centenas de sindicalistas profissionais que a troco da paz social nas empresas impõem a estas o pagamento de mordomias e a protecção dos empregados em prejuízo dos desempregados.

A vinda do FMI obrigava a adoptar medidas em função da economia e não de interesses corporativos de estratégias eleitorais, dos interesses da banca ou das grandes cadeias de distribuição, isso seria uma desgraça para os interesses instalados que estão a conduzir a economia portuguesa à bancarrota.

O argumento de que as medidas do FMI seriam mais duras é uma mentira, há anos que os portugueses ou parte deles sofrem medidas de austeridade e todos sabem que no próximo anos terão de sofrer medidas ainda mais duras para compensar o atraso e ineficácia das actuais. O problema não está nas medidas, está na perda de poder daqueles que vivem e enriquecem à custa do empobrecimento do país e dos portugueses.

O problema é que a situação é tão grave e a incompetência é tão generalizada que a vinda do FMI é quase inevitável.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Sintra

IMAGENS DOS VISITANTES D'O JUMENTO

Garça-real (Sterna maxima) [de A. Cabral]

JUMENTO DO DIA

Vieira da Silva

É patético, diria mesmo triste ouvir um ministro da Economia dizer que não tem previsões sobre quando vem o FMI, quando dele se esperavam orientações para a economia e segurança sobre as medidas do governo.

É destas papetices que os especuladores gostam e à custa das quais estão a enriquecer à custa dos portugueses.

«À margem da assinatura de contratos de incentivo à internacionalização da Iniciativa QREN, Vieira da Silva declarou não ter "nenhuma previsão sobre a possibilidade da entrada do FMI em Portugal", nem faz " ideia nenhuma de que documento se esteja a falar".

Portugal "tem condições nos dois planos fundamentais que estão colocados à nossa sociedade, a consolidação das contas do Estado, que é a prioridade do momento, e a afirmação da capacidade da nossa economia se renovar e projectar para o exterior, com a ambição de reduzir os défices estruturais que a têm marcado ao longo de muitas décadas", afirmou o governante.» [CM]

HÁ PROFISSIONAIS MAIS NECESSÁRIOS DO QUE OUTROS?

A proibição de acumular salários com pensões é daquelas medidas que soam bem ao ouvido, mas não passa de uma mera manifestação de populismo oportunista de que não resultará nem poupanças, nem benefícios. Como era de esperar, mal a norma foi adoptada começaram logo as excepções, primeiro foram os médicos, a seguir serão outros. É o mesmo governo que nomeou pensionistas para altos cargos que agora tenta ficar bem na fotografia adoptando uma norma cega.

Vamos acabar numa situação ridícula com o governo a considerar que os médicos são necessários e os políticos e muitos outros profissionais são dispensáveis. Agora o governo "melhora" a sua imagem, quando abrir excepções ou eliminar uma norma idiota vai acabar por pagar com juros.

Confundir uma pensão que resulta de décadas de descontos com uma pensão ganha com meia dúzia de meses na administração do Banco de Portugal é ridículo, é confundir um direito com um abuso, tratando os dois de igual forma.

A HORA É DE CASO A CASO, DE CASO A CASO

«Durante o debate sobre o OE, Manuela Ferreira Leite (MFL) aconselhou o fingimento aos políticos portugueses. Isso de proclamar a zanga entre os partidos, disse ela, atiça a desconfiança dos mercados, entidades que definiu de forma sintética: "Quem manda é quem paga." Por isso, MFL lançou ao Governo e à bancada do PS: "Finjam, finjam que estamos todos muito amigos." A crispação política é tão irresponsável (de todos, mas é natural que MFL se vire mais para os adversários) que qualquer apelo à prudência é bem-vindo. Embora, os tais mercados não precisando de justificação (quem paga é quem manda, não é?), eles façam sempre o que lhes dá na real gana. Daí, minutos depois do conselho de fingimento, MFL ter chamado a Portugal "doente quase morto", sem receio que os tais mercados agarrassem no pretexto para voltar ao seu desporto favorito: cortar nos ratings... Olhem, também não sei o que fazer com os míticos mercados. Já não fingimentos com os portugueses, estou certo, dava resultado. É hora (hora foi sempre, mas agora o ferro está quente) em que todo o insulto ao bom senso deve ser extirpado. Assim, quando hoje o Bloco de Esquerda perguntar à ministra da Cultura por que razão a presidente do conselho de administração da Fundação Cidade de Guimarães ganha o dobro do Presidente da República, Gabriela Canavilhas deve ter resposta pronta: "Pois já não ganha." » [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

IQJ*

«
Ontem à tarde, no Twitter, o investigador do Instituto de Ciências Sociais Pedro Magalhães referia que Portugal subira um lugar, de 41.º para 40.º, no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU. Logo de seguida retuítou (difundiu) um tuíte de José Manuel Fernandes, ex-director do Público, com o linque de uma notícia do Expresso que anunciava uma descida de seis lugares para o país no IDH. Tentando perceber o motivo da discrepância, Magalhães foi investigar e descobriu que os critérios do IDH mudaram, pelo que as posições dos países também. Assim, apesar de ter melhorado os seus indicadores, Portugal passou de 34.º em 2009 para 40.º em 2010. A página relativa ao país, que ostenta um gráfico, não permite dúvidas: Portugal tem vindo sempre a subir (embora pouco desde 2000) de 1980 a 2010.

A origem do erro, a agência Lusa, acabou por corrigi-lo ao fim da tarde. Os sites dos jornais foram alterando as respectivas notícias sobre o relatório. Mas, se de algum modo a mudança de critérios faz compreensível a confusão da agência, há algo que não se percebe: sabendo-se quais são os parâmetros - longevidade, escolaridade, rendimento per capita - que o ranking da ONU considerava até agora (foram-lhe este ano acrescentados mais três, entre eles a desigualdade de género) - não parece ter ocorrido a ninguém uma pergunta básica, a saber, que hecatombe se teria passado por cá entre 2008 e 2009 para justificar uma queda de seis lugares. Assim de repente ninguém se recorda, não é? Aliás, pelo contrário: nos indicadores da OCDE e do Eurostat Portugal tem vindo a diminuir, mesmo se ligeiramente, o índice de pobreza; o Governo tem sido periodicamente acusado de "facilitismo" na escola e de "fraude" na educação de adultos, com vista, alegadamente, à melhoria dos indicadores escolares do País, logo, se esses indicadores estivessem a piorar dificilmente ocorreria a alguém fazer esse tipo de denúncia; não demos conta de estar a morrer mais e mais cedo.

Que explica, então, o automatismo acéfalo, em alguns casos despudoradamente triunfante, com que se reproduziu uma informação tão negativa? A resposta a esta pergunta não é fácil nem exclusivamente conjuntural. Para além da óbvia má vontade da generalidade dos media em relação ao Governo em funções, há algo mais fundo que leva os portugueses, a começar pelos jornalistas, a estar sempre prontos a acreditar no pior possível sobre si e o seu País, sobretudo quando vem "de fora". Medo de existir ou desculpa para ser medíocre, este penchant provinciano pelo auto-insulto e pelo desmerecimento tem no jornalismo um nome bem menos romântico: incompetência e enviesamento. Comprazamo-nos pois com isso - no ranking da qualidade jornalística, tem sido sempre a descer.

*Índice de Qualidade Jornalística» [DN]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A INCOMPETÊNCIA PAGA-SE CARO

«O executivo comunitário anunciou esta manhã os reembolsos que os Estados-membros devem fazer por irregularidades nos pagamentos e verificação das despesas dos fundos agrícolas, e desta feita Portugal é o terceiro país europeu mais penalizado, a seguir à Grécia e à Roménia, ao ter de devolver para o orçamento comunitário 45,73 milhões de euros.

Em causa estão sobretudo "fragilidades no SIP-SIG (Sistema de Identificação Parcelar e Sistemas de Informação Geográfica), deficiências na análise de risco para controlos, insuficiência quantitativa e qualitativa dos controlos in loco, aplicação incorrecta de sanções, inadequação das orientações e deficiências nos controlos administrativos, em relação à despesa das ajudas de superfície, incluindo medidas de desenvolvimento rural relacionadas com superfície", responsáveis pelo reembolso de mais de 40 milhões de euros. »
[CM]

Parecer:

É o preço a pagar pela incompetência na gestão de organismos públicos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao ministro da Agricultura e ao jovem troglodita do Terreiro do Paço.»

ALEGRE CRITICA CAVACO POR NÃO DEFENDER A SOBERANIA NACIONAL

«Manuel Alegre, candidato à presidência da República, lançou hoje duras críticas a Cavaco Silva devido ao silêncio do Presidente sobre a situação económica actual.

"É preciso não vergar os joelhos perante a ameaça dos mercados financeiros internacionais. Perante esta situação de cerco não se ouve uma uma palavra do sr. Presidente da República. Estamos perante o mais violento ataque à soberania nacional desde o 25 de Abril e o Presidente da República, o afamado economista, não diz uma palavra", referiu em Lamego.» [DN]

Parecer:

O problema é que Alegre se esquece de criticar quem fez um orçamento a olhar para os mercados ou os que gastaram o dinheiro.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Alegre porque omite aspectos tão importantes.»

CAVACO CONDENA O MODELO ECONÓMICO CAVAQUISTA

«Chegou, e partiu também, conduzido pela filha Patrícia, num monovolume Mercedes preto, ao antigo Centro Comercial Guérin, n.º 12 da Av. da Liberdade, agora sede da candidatura presidencial. E foi no rés-do-chão, apinhado de apoiantes, alguns notáveis, e sob um calor atabafante que Cavaco Silva inaugurou o espaço. O candidato, que se bate pelos mais desfavorecidos, aproveitou para frisar que os problemas concretos dos portugueses "não podem ser resolvidos com ilusões". É preciso, disse, "mudar a orientação económica do País".» [DN]

Parecer:

Talvez por causa da idade Cavaco esquece que o modelo económico que agora condena é o seu.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso condescendente.»

BRUXELAS PEDE MAIS MEDIDAS

«A aprovação do Orçamento na generalidade não chegou para convencer Bruxelas. A Comissão Europeia exigiu ontem que Portugal seja ainda mais ambicioso nos objectivos do défice de 2010 e 2011. Mas espera ainda que o Governo anuncie em breve um plano para flexibilizar o mercado de trabalho e o processo de formação de salários. Tudo para convencer os mercados de que as contas públicas e o problema estrutural de competitividade vão ser atacados.

Ontem, dia em que os juros sobre a dívida soberana bateram novos máximos (6,65%),o porta-voz do comissário para os Assuntos Económicos, Olli Rehn, deixou-o claro em declarações ao DN: "Agora que aprovaram o Orçamento é preciso compensar o impacto [das medidas de austeridade] com reformas que possam dar uma dinâmica à economia portuguesa". Para Amadeu Altafaj Tardio, "não cabe à Comissão dizer com pormenor aos Estados o que fazer. Mas Portugal deve atacar a rigidez do mercado laboral e fazer alterações ao processo a formação de salários".» [DN]

Parecer:

Bruxelas está a dar razão a Pedro Passos Coelho.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Solicite-se um comentário ao governo.»

MAIS UMA "PORRADA" EM QUEIROZ

«Carlos Queiroz foi condenado pelo Conselho de Disciplina da Federação, no decorrer do processo disciplinar que lhe foi instaurado no chamado "Caso polvo". A pena a aplicar ao ex-seleccionador é de três meses de suspensão e uma multa de 1250 euros.

Amândio de Carvalho moveu um processo contra Queiroz, depois de o treinador, em entrevista ao "Expresso", o ter acusado de "pôr a cara na cabeça do polvo", em alusão à sucessão de acontecimentos, que levaram ao afastamento do seleccionador. Defesa do arguido pedia absolvição e arquivamento do processo.» [DN]

Parecer:

Este folhetim parece não ter fim.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Não batam mais no ceguinho.»

MÉDICOS JÁ PODEM ACUMULAR PENSÕES E VENCIMENTOS

«Para estes médicos a proibição de acumular salários com pensões de reforma na Função Pública, que se aplicará a deputados, magistrados e ao Presidente da República, "não tem efeito na saúde", afirmou Ana Jorge, na quinta-feira, à margem da audição nas Comissões» [DE]

Parecer:

Virão mais excepções, é uma questão de tempo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se por mais excepções a esta decisão populista, cega e idiota.»

BE FALTA A RECEPÇÃO DO PRESIDENTE CHINÊS

«O BE não estará presente na receção ao Presidente da China, no sábado, no Parlamento, porque o regime chinês é "uma ditadura com créditos firmados na violação dos Direitos Humanos", disse à Lusa o líder da bancada parlamentar bloquista.

"A nossa posição tem a ver com uma avaliação muito crítica que fazemos do Estado em causa, uma ditadura que tem créditos firmados na violação de Direitos Humanos, de direitos individuais e sindicais", afirmou o líder parlamentar do BE, José Manuel Pureza.» [i]

Parecer:

Os antigos maoistas da UDP, defensores acérrimos de coisas como a revolução cultural, estão muito mudados.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

ALBERTO JOÃO IRRITADO

«O presidente do governo regional da Madeira, Alberto João Jardim, acha que o Estado português “é ladrão” porque não permite a acumulação de pensões de aposentação com qualquer tipo de salário no sector público.» [Público]

Parecer:

Tem alguma razão, quando o governo abre uma excepção para os médicos está a dizer que há profissões que fazem falta e outras não.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver quanto tempo dura esta norma.»

A FELÍCIA CABRITA ESTÁ A INVESTIGAR

Ao ler Fernando Moreira de Sá escrever, no "Albergue Espanhol" que a "jornalista Felícia Cabrita, quem poderia ser, está a investigar" dei comigo a pensar que nestes meses em que a minha antiga vizinha andou desaparecida das primeiras páginas teria andado a estudar no Centro de Estudos Judiciários e, entretanto, já integrava os quadros do Ministério Público.

Mas não, o Sol esclarece que o "Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) está a investigar indícios de que houve pagamento de luvas no valor de seis milhões de euros". Fico mais descansado, ainda que não me admire que um dia destes a jornalista comece a divulgar escutas telefónicas, provavelmente resultado das suas investigações.

TOOR ANATOLY

NA RUA?

E NO PERU O APANHADO FOI UM PADRE

sexta-feira, novembro 05, 2010

Há mais economia para lá do défice

São políticos, ex-ministros, comentadores, governantes, jornalistas, enfim, muitas dezenas, senão mesmo centenas de grandes, médias, pequenas e pequeninas cabeças a reflectirem sobre a crise, eu diria que sobre mais um patamar da crise em que Portugal vive há décadas.

Quase todos eles se concentram na dívida e no défice públicos como se este fosse o nosso grande problema, todos propõem soluções que mais não são do que atirar um par de barbatanas a alguém que não sabe nadar e se está a afogar. Os ex-ministros batem-se num concurso cujo prémio vai para aquele que propor as medidas mais duras, Cavaco Silva tornou sincronizou as suas ambições com a negociação orçamental e para que ninguém duvidasse de que reuniu o Conselho de Estado de boa fé até se serviu das tecnologias de bolso de Eduardo Catroga.

Os mesmos que criaram mediadores de crédito e controladores financeiros são agora campeões de uma nova modalidade radical praticada pelos putos governamentais como o Castilho o tiro ao chefe da Função Pública. O país está a entrar numa espiral de demagogia e esquece que o grande problema não está apenas no que se gasta, está acima de tudo no que não se produz.

Ninguém se preocupa por o mundo estar à beira de mais uma crise alimentar com os preços dos cereais a subir, aumento de preços que acarretará aumentos dos preços na generalidade dos produtos agrícolas, começando pelos sectores das carnes que mais não são do que cereais transformados e dos lácteos, até no sector do açúcar há sinais preocupantes com as perdas na produção brasileira a que no caso da Europa se junta um erro de previsão digno da loura das anedotas que Teixeira dos Santos contratou para fazer as contas do seu ministério. No mercado do petróleo os sinais também não são os melhores, a tendência é de alta e se a economia americana crescer é certo e sabido que os preços subirão, isso se antes não vier um inverno rigoroso no hemisfério norte que desencadeie um aumento da procura no hemisfério norte.

O grande problema da economia portuguesa está na sua incapacidade de aumentar a riqueza e isso consegue-se exportando mais e produzindo mais daquilo que se importa. E para se produzir mais devem criar-se condições favoráveis à actividade das empresas.

Portugal perde demasiado tempo a ouvir Teixeira dos Santos e tem um ministro da Economia que não vale a pena ouvir dando lugar a muitas saudades de Manuel Pinho, um ministro que foi obrigado a demitir-se porque se fartou das traquinices parlamentares de um deputados que desde que nasceu tem carteira profissional de deputado.

Por aquilo que ouço o governo aposta mais na exportação de chefes de serviços públicos enlatados em azeite do que em produtos transaccionáveis em que os nossos parceiros comerciais estejam interessados. Aposta mais em comboios que nos permitam fugir mais depressa do país do que em infra-estruturas por onde possam ser escoados os nossos produtos. Aposta mais em poupar uma mão cheia de figos com a extinção de serviços públicos do que na melhoria da sua prestação ao nível das trocas comerciais.

Só se lembram das exportações no momento em que dá jeito criar cenários optimistas para fundamentarem previsões de crescimento económico em que ninguém acredita. Mas mesmo neste capítulo tudo assenta no optimismo em relação à procura externa, nem uma medida ou uma decisão que revele preocupação com a competitividade das empresas.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Pormenor de fachada de igreja de Tavira

IMAGENS DOS VISITANTES D'O JUMENTO

Ponte Vasco da Gama [de A. Cabral]

JUMENTO DO DIA

Pedro Silva Pereira

Começa a ser ridículo ver os que durante anos não tiveram o cuidado de não esbanjar exibirem-se agora como os campeões da poupança, ainda por cima quando exibem medidas sem quaisquer consequências do que a mediatização populista que representam.

Se o Estado precisa de um quadro e não pode empregar alguém que receba uma pensão vai acabar por contratar outra pessoa que não receba pensões, provavelmente até terá de lhe pagar mais. Isto é, o Estado poderá criar emprego mas não poupa nada. Isto não passa de um apelo ao voto da populaça que tende a ver tudo o que é ganhar mais do que 500 euros um abuso.

Note-se que ainda há poucas semanas a ministra das Finanças dizia que pretendia contratar médicos reformados. Mas o ministro Silva Pereira pode ficar descansado quanto às consequências do seu populismo, certamente não recorre ao SN quando ele ou os seus familiares estão doentes e se o faz está-se mesmo a ver que tem um tratamento vip, basta telefonar à sua colega ministra da Saúde.

«"Trata-se de uma medida de racionalização e de moralização da despesa pública. É sobretudo isso que está em causa", declarou Pedro Silva Pereira no final do Conselho de Ministros, ocasião em que também salientou que o executivo "já tinha sinalizado de pretender avançar neste domínio".

"A única questão sobre a qual havia ainda dúvida [de ordem constitucional] era saber se essa proibição de acumulação entrava em vigor imediatamente para as situações já constituídas ou se haveria algum deferimento em função do prazo das autorizações já concedidas no passado para acumulação", justificou o titular da pasta da Presidência.» [DN]

A SUBIDA DA POSIÇÃO DE PORTUGAL NO RANKING DO AMBIENTE DE NEGÓCIOS

Ontem foi mais um dia de orgulho nacional porque Portugal subiu no ranking do ambiente de negócios, aliás, desde há alguns anos a esta parte temos assistido a muitas subidas do género. O problema é que ao mesmo tempo que sobe nestes rankings o país vai-se afundando e os pobres são cada vez mais pobres, o suposto desenvolvimento tem expressão nos rankings mas não se sente nos indicadores económicos.

Estes rankings determinados com parâmetros conhecidos não favorecem a adopção de medidas que apenas visam manipular a posição do país?

O ORÁCULO DO COSTUME

«O que tem de pior o jornalismo português é o microfone estendido ao homem da casa ardida a quem se pergunta: "O que é que sente?"... Mas isso é coisa que o país pode ultrapassar, afinal jornalistas como os do microfone são minoria na profissão. Mau seria, porém, que do outro lado do microfone houvesse um país disposto a só responder a perguntas que puxam ao sentimento, mau seria que o país fosse só lamechice evasiva. Ora, país talvez não, mas há alguém poderoso que fala com a vacuidade do microfone "o--que-é-que-sente?". Estou a falar, claro, de Cavaco Silva, que escreveu no seu Twitter que vê "com muita apreensão o desprestígio da classe política e a impaciência com que os cidadãos assistem a alguns debates". Escreveu--o ao fim de uma tarde de debate no Parlamento - e com a indiscrição suficiente para que, mal acabada a sessão, logo aos jornais chegasse a frase. Sente "muita apreensão" diz Cavaco que sente, quando o que se lhe pede é que aja mais e guarde para si o que sente. Ou, se quiser dizer, que aponte as falhas concretas e os culpados reais. Que o mais importante dos portugueses na classe política - que foi para isso que os portugueses o escolheram - assinale "o desprestígio da classe política" é uma conversa pior que inútil, porque não resolve e só achincalha. Ser Presidente não é atirar-nos com as suas inquietações e voltar ao pedestal. » [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

A ANEDOTA DO DIA

«A ministra da Saúde assegurou esta quinta-feira que a redução da transferência de verbas para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) de 6,4 por cento, proposta no Orçamento do Estado para 2011, "não coloca em causa a qualidade dos cuidados a prestar".

"A redução da transferência para o SNS de 6,4 por cento, proposta no Orçamento do Estado para 2011, em relação à dotação inicialmente prevista no Orçamento de Estado para 2010 (...), não coloca em causa nem a quantidade nem a qualidade dos cuidados a prestar", afirmou Ana Jorge, citada pela agência Lusa na audição conjunta das Comissões Parlamentares do Orçamento e Finanças e da Saúde de discussão na especialidade do OE para 2011.» [CM]

Parecer:

Se a redução das verbas não põe em causa a qualidade dos serviços porque razão a ministra não reduziu a despesa à mais tempo?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «»

SOBE, SOBE, JURO DA DÍVIDA SOBE

«Os juros exigidos pelos investidores no mercado secundário para comprar dívida pública portuguesa a dez anos sobem hoje pela sétima sessão consecutiva, e aproximam-se do seu máximo histórico.

Os investidores exigem agora 6,46 por cento para comprar títulos de dívida soberana com maturidade a dez anos, muito próximo do máximo histórico de 6,512 que atingiu a 28 de Setembro, véspera da entrega do Orçamento do Estado para 2011 na Assembleia da República.» [DN]

Parecer:

Quando o ministro das Finanças disse que quando os juros atingissem os 7,5% recorreria ao FMI deu uma preciosa indicação aos especuladores, estes sabem que podem forçar a subida dos juros até àquele montante o que permite aos bancos financiarem-se com taxas reduzidas para depois venderem o dinheiro ao governo português. Como é óbvio os especuladores sabem que com o recurso ao FMI os juros baixariam pois o governo teria acesso a financiamento com juros mais baixos.

Com estas subidas nas taxas de juro torna-se óbvio que os que consideram que o acordo orçamental era condição para acesso mais fácil ao financiamento externo, os especuladores sabem quanto podem cobrar antes de Portugal recorrer ao FMI.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se os parabéns ao competentíssimo ministro das Finanças.»

PORTUGAL SOBE NO RANKING DO AMBIENTE DE NEGÓCIOS

«A síntese do relatório do Banco Mundial, ao qual a agência Lusa teve acesso, está disponível no site http://www.doingbusiness.org/.

No relatório, intitulado "Doing Business-2011", Portugal sobe 17 posições no ranking que avalia o ambiente de negócios, tendo passado do 48.º para o 31.º lugar, em 183 países.

Portugal surge também em posição acima de outros países do sul da Europa: Portugal é 31.º, enquanto a Espanha é 49.º, a Itália 80.º e a Grécia surge em 109.º".

"No conjunto das economias da OCDE, Portugal progride também do 22.º para o 19.º lugar, melhorando num ano 3 posições. No quadro da União Europeia, Portugal, que na edição do ano passado estava colocado em 18.º lugar, passa agora para 13.º, subindo cinco posições".» [DN]

Parecer:

O problema é que ao mesmo tempo afunda-se na economia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Sócrates porque razão tanto sucesso não se faz sentir na vida dos portugueses, principalmente dos mais desfavorecidos.»

VLADIMIR FEDOKTO