sábado, novembro 20, 2010

É a economia e a política, estúpidos

Quando a PT decidiu pagar chorudos dividendos em 2010 poupando os seus accionistas aos impostos previstos no OE para 2011 Teixeira dos Santos ficou muito incomodado, algumas vozes oficiosas do PS, designadamente, na blogosfera apontam o dedo à imoralidade da PT e dos que se lhe seguiram como a Jerónimo Martins, e Pedro Passos Coelho veio em defesa da legitimidade da decisão.

As regras da economia deram lugar a um discurso moral, de um lado os que acham que essas empresas deveriam ter pedido ao governo um aumento ainda maior dos impostos e feito questão de adiar os dividendos por forma a maximizar os impostos, do outro os moralistas do mercado que só são defensores dos mercados quando isso serve o interesse daqueles que mais benefícios obtêm desse mesmo mercado.
Nesta circunstâncias costuma-se usar

uma frase já esbatida, “é a economia estúpido”, a que agora acrescentaria “é a política idiota”. Tanto quando sei os problemas das contas do Estado não são recentes e se Teixeira dos Santos só agora descobriu que há rendimentos sagrados cujo estatuto divino os têm isentado do pagamento de impostos é porque tem andado a dormir. Se Pedro Passos Coelho acha imoral qualquer pressão sobre rendimentos que muito beneficiaram da crise económica e agora se escapam às consequências dessa mesma crise, ao mesmo tempo que não diz uma palavra aos cortes no rendimento das 300.000 famílias que Teixeira dos Santos seleccionou para serem sacarificadas em nome da consolidação orçamental é, no mínimo, hipócrita.

Se Teixeira dos Santos ficou tão incomodado porque a PT antecipou o pagamento de dividendos porque não pede aos portugueses que não antecipem compras de grande valor para evitar o adicional de 2% de iva que vão ter de suportar em 2010? A verdade é que esta antecipação das compras, designadamente, de bens de luxo como automóveis, trará um aumento significativo da receita fiscal nos finais de 2010. Ma neste caso Teixeira dos Santos acha que o comportamento de antecipação dos consumidores, que resultam numa transferência de receitas fiscais de 2011 para 2010, já lhe convém, ajeita o défice de 2010 e permite-lhe recuperar a sua própria imagem de ministro incompetente, exibindo o seu sucesso na arrecadação de receitas fiscais.

Tudo isto revela como os nossos políticos, governantes e líderes da oposição, já abdicaram da seriedade e o país é governado como se fosse uma canoa, ao sabor das ondas e sem instrumentos de navegação. Nem o governo tem política económica, nem a oposição oferece um discurso económico credível, em vez de desenharem uma política que respeite a diversidade de comportamentos legítimos dos agentes económicos, tratam-nos como pecadores, condenam uns pelos comportamentos pecaminosos e por não terem o sentido nem da caridade nem da penitência, a outros aplicam-se castigos por serem responsáveis pela crise.

Em vez de cidadãos e agentes económicos os políticos estão a especializar-se em segmentar os portugueses tratando-os em função do seu possível comportamento eleitoral, o governo empobrece aqueles que muito provavelmente não votarão PS nas próximas duas décadas, o PSD protege os seus eleitores perdoando os accionistas que recebem dividendos isentos de grandes cargas fiscais.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Flor de eucalipto, Estádio Universitário, Lisboa

JUMENTO DO DIA

Teixeira dos Santos

Depois de ter cortado o vencimento de alguns funcionários públicos para compensar as consequências financeiras da sua gestão incompetente das contas públicas o ministro das Finanças tenta agora transformar esse corte de vencimentos numa estratégia económica, sugerindo que foi o exemplo dado pela Função Pública para a contenção de custos salariais em toda a economia.

Isto é puro oportunismo de um ministro incompetente que é incapaz de controlar as despesas do Estado e trata agora de sanear a sua má imagem à custa dos sacrifícios que impôs aos funcionários públicos.

«A recomendação do ministro da Finanças é para a economia como um todo, incluindo o sector privado.

Na assinatura de dois empréstimos entre Portugal e o Banco Europeu de Investimento (BEI), Teixeira dos Santos sublinhou que a politica de contenção salarial recomendada inclui o sector privado "já que o sector público já deu o exemplo".» [DE]

JORNALISMO TOTALITÁRIO

«Esta semana, o Correio da Manhã e o DN publicaram peças em que se reproduziam excertos daquilo que era apresentado como uma conversa da eurodeputada socialista Edite Estrela com Armando Vara gravada em Junho de 2009 e cuja transcrição, dizia-se, "está" no processo "Face Oculta".

Os excertos reproduzidos diziam respeito a opiniões da eurodeputada sobre os seus colegas de grupo parlamentar que, porque alegadamente insertas num processo criminal entretanto público, foram consideradas por estes dois jornais como constituindo facto de interesse público e portanto publicável. Os jornais não entenderam, perante o teor da dita conversa, fazer algumas perguntas básicas, como: que está isto a fazer num processo criminal? Que relevância tem para a obtenção de prova? É legal manter esta conversa no processo? Chega para ser legal que a escuta tenha sido, após transcrita, validada por um juiz? Se esta escuta não tem qualquer relevância para o processo em causa, que critério presidiu à sua não destruição?

Não, os jornais não perguntaram nada. Ou por outra, este jornal onde escrevo decidiu perguntar aos "visados" pelas opiniões de Edite Estrela que opinião têm das opiniões dela. Alguns escusaram-se. Mas Ana Gomes, por exemplo, achou a coisa de gargalhada. Sim: à inflamada denunciadora da violação dos direitos humanos em Timor, Guantánamo e aviões da CIA em geral, à mulher que ninguém cala - e bem - a propósito do abuso de força pelos Estados, a escuta sem critério e a reprodução mercantil de conversas privadas em Portugal dá uma louca vontade de rir.

A risota de Ana Gomes é o retrato da bonomia com que a generalidade das pessoas assiste à edificação de um totalitarismo que as devia aterrar. Um totalitarismo que estabelece o sistema judicial como centro do poder - um poder insindicado e insindicável, que recusa qualquer questionamento como "interferência" e "pressão" - e o jornalismo como o seu braço armado, reagindo a qualquer crítica com o anátema da censura; um totalitarismo que transforma dois dos mais preciosos garantes da democracia nos seus carrascos. Como todos os totalitarismos, este afirma-se incidindo primeiro num grupo, para depois alargar o seu âmbito. Quem não faz parte do grupo atacado encolhe o ombros: "Não é comigo"; a banalização da perseguição acaba por a naturalizar: "Eles merecem."

Há quem não se ria: no domingo, José Leite Pereira, director do Jornal de Notícias, referia-se à "notícia" do Correio da Manhã como "jornalismo de sarjeta" e "crime". Segunda- -feira, ao receber o Prémio Gazeta de Jornalismo, o repórter da Visão Miguel Carvalho dizia: "Sei que o jornalista não pode mudar o mundo. Mas continuo a pensar que é nosso dever tentar exercer a profissão como se isso fosse possível. E para isso não basta ser livre. É preciso ter coragem." Coragem, então. Precisamos de muita. Antes que o jornalismo, ou isto que tomou o seu nome, mude mesmo o mundo - e não para melhor. » [DN]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

VIDA A MAIS, POLÍTICA A MENOS

«Há excesso de política. Há excesso de conflitos políticos, interpelações políticas, intrigas políticas. A democracia é feita disso, é certo. De múltiplas e livres vozes. Mas a realidade em Portugal não é essa. As vozes são menos diversas e muito menos livres do que parecem. As palavras são muitas, jorram em catadupas, mas dizem todas a mesma coisa. Nesse sentido, não há palavras a mais, como afirma o Presidente, pois faltam muitas outras que não são da ordem da política. Palavras sobre tanta coisa importante condenada à sombra por causa da ocupação totalitária dos intermináveis discursos da política.

Na origem estão os media e a sua lógica implacável. Quem não passa na televisão não existe. Um pouco de história mostra como a adaptação da política aos media começou por ser de desconfiança e resistência para acabar numa entrega total. Hoje a informação confunde-se com a política. Os jornalistas tornaram-se políticos; os partidos agências de informação. Com esta amálgama insalubre, o verdadeiro pântano de que falou um dia um primeiro-ministro em apuros, tudo se tornou campo da política. Veja-se como em Portugal, com exceção do futebol, praticamente não se fala de mais nada. Não são só as capas dos jornais, as rádios ou os telejornais que nos invadem, dia a dia, hora a hora, com as últimas notícias deste mundo muito agitado mas que raramente sai do mesmo lugar. Na sua vastíssima maioria essas notícias são aliás absolutas não-notícias. Declarações que nada adiantam e muito atrasam. Intrigas partidárias, achas para a fogueira, conflitos inócuos. Que arrastam tudo e todos para altercações sem sentido nem destino. Que perturbam atividades e vidas de forma inexorável.

E, no entanto, há muito que a política nacional não produz um pensamento digno de registo. Faltam ideias novas, lá onde abundam as velhas tramoias. O país está suspenso e deprimido com tanto mau augúrio. À direita Portas está claramente "burnout" e Passos Coelho ainda não passou da infância da arte. No PS começam a saltar os "carapaus de corrida" que pensam mais nas suas insípidas carreiras do que no país. À esquerda sonha-se com um passado feito de pesadelos.

Veja-se o caso de Manuel Alegre. Candidato da esquerda, ou melhor dito de parte dela, tornou-se comentador das declarações dos seus rivais e sobretudo das frases soltas de Cavaco Silva. Das suas próprias ideias diz nada, e quando diz alguma coisa é um susto. Que não restem dúvidas, esta candidatura representa o enterro, provavelmente por muito tempo, de qualquer possibilidade de renovação da esquerda em Portugal. Se é isto o que a esquerda tem de melhor para oferecer aos portugueses então estamos conversados.


Mesmo a economia, que em tese devia ter a sua lógica própria, mais não é do que política feita por outros meios. Estes últimos meses demonstram como o tão falado "nervosismo" dos mercados é afinal o mais trágico dos argumentos da política - só superável pela guerra -, capaz de vergar e destruir países inteiros. Os factos falam por si. Até à senhora Merkel a Alemanha era o motor de uma Europa pensada como um todo. Agora a Alemanha pensa-se como uma parte separada do resto. A crise atual resulta, em grande medida, do renascimento do nacionalismo na direita alemã. Ou tiram de lá a senhora depressa ou isto acaba mal para todos.

O mundo está a mudar velozmente. Os velhos eixos quebram-se para dar lugar a outros protagonistas e a realidades sociais, culturais, políticas e económicas sem paralelo. O ocidente está a desaparecer e o oriente a emergir. O conhecimento e a tecnologia estão a fabricar um planeta distinto e a gerar novos modos de existência. A velha política não tem respostas para isto. A nova política ainda não nasceu. O excesso de tagarelice política tem por efeito paradoxal impedir um pensar a política como problemática, como biopolítica, como vivência coletiva. Até porque, bem vistas as coisas, há muito mais vida para além da política. Falta é espaço para ela se exprimir.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Por Leonel Moura.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

HILLARY DEVIA DAT UM "TOMATE" A OBAMA

«O polémico assessor político James Carville, principal responsável pela campanha eleitoral que levou Bill Clinton a conquistar a Casa Branca em 1992, lançou um ataque à falta de coragem de Barack Obama, dizendo que se a secretária de Estado Hillary Clinton "lhe desse um dos seus tomates ele passaria a ter dois".» [CM]

Parecer:

Imaginem se um assessor de Teixeira dos Santos sugerisse que o ministro desse um dos seus a Sócrates.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Coitado do Sócrates, ficava com um tomate de cabelos brancos.»

OBAMA GOZA COM O INGLÊS DE SÓCRATES

«Barack Obama agradeceu a José Sócrates a forma como tem tentado combater a crise económica em Portugal e no mundo e a presença dos soldados portugueses no Afeganistão.

"Queria agradecer ao primeiro-ministro português e aos portugueses por serem os anfitriões. O seu inglês é muito melhor que o meu português", brincou, lembrando que o membro mais popular da Casa Branca é português, referindo-se ao cão de água da família.» [DE]

Parecer:

Esta de relacionar Sócrates com o Bo tem a sua graça

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Obama que tire um curso de português na Universidade Independente.»

171 MIL TÊM VERGONHA DE PEDIR O RENDIMENTO MÍNIMO

«Medo do estigma da pobreza é uma das principais razões que afastam cerca de 171 mil portugueses do rendimento social de inserção (RSI) a que teriam direito. O número de pessoas que está a beneficiar do apoio, em Portugal, ronda os 400 mil, representando 4% da população total. Este valor representa apenas 70% da população que teria direito ao apoio, diz ao i o economista Carlos Farinha Rodrigues, à margem de uma conferência internacional sobre pobreza e exclusão social, ontem em Lisboa. » [i]

Parecer:

O grande problema é saber como se acaba com esta pobreza.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento a Teixeira dos Santos, o senhor Corte.»

CVEO DA RYANAIR RECEBE FMI VESTIDO DE CANGALHEIRO

«Em vez de faltar à festa de inauguração do luxuoso terminal onde a companhia que lidera não terá operações, O’Leary, apareceu vestido a rigor e descreveu-o como “um agradável espaço para receber os técnicos do FMI”.

Isto durante uma entrevista que concedeu vestido de agente funerário, enquanto o primeiro-ministro da Irlanda, Michael O’Leary se preparava para inaugurar o projecto a que muitos já chamam “terminal de chegadas do FMI”.

A ironia está no facto de o Fundo Monetário Internacional, a União Europeia e Banco Central Europeu estarem a analisar as contas do sistema financeiro irlandês e a delinear um plano de ajuda no contexto do Fundo de Estabilização Financeira da UE. Os custos de recapitalização da banca irlandesa poderão levar o défice do país a superar a fasquia dos 30%.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Haja humor.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se o merecido sorriso.»

REDES SOCIAIS PODEM PROVOCAR ASMA

«A ligação ao Facebook foi a causa de sucessivos ataques de asma de um jovem italiano de 18 anos. A esta conclusão chegou uma equipa médica do Hospital A. Cardarelli, em Nápoles, Itália. Segundo alertou, a ligação às redes sociais pode ser uma nova fonte de stresse psicológico.

O estudo foi elaborado por uma equipa de cinco médicos italianos do Hospital A. Cardarelli, em Nápoles, Itália.

Tudo começou quando a namorada de um jovem de 18 anos terminou a relação com ele e decidiu eliminá-lo da sua página no Facebook. A situação deixou o jovem deprimido. Mais triste ficou quando soube que, após tê-lo eliminado da sua página na rede social, aceitou como amigos muitos outros rapazes.

Acto contínuo, o jovem criou um outro perfil e, disfarçado dessa forma, conseguiu que a ex-namorada o aceitasse de novo no Facebook. A verdade é que, sempre que o jovem entrava na página da sua "ex", manifestava uma respiração entrecortada.» [Jornal de Notícias]

Parecer:

Terá sido do Facebook ou da estupidez do rapaz?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a habitual gargalhada.»

ONDE ESTÁ A "LISTA PINOTA"

«A "Lista Pinota" desapareceu ou nunca existiu. O documento que supostamente incluía, entre outros, os nomes de diversos políticos, juízes e polícias que recorriam aos préstimos de prostitutas e homossexuais que seriam "angariados" pelo repórter de imagem da RTP que lhe dá nome não está na posse dos procuradores do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e também não aparece no computador onde supostamente estaria guardado. A investigação da PSP, que desencadeou o caso, passou agora a ser suspeita.

No DCIAP existiu a vontade de chamar a depor as pessoas que, alegadamente, estavam incluídas na "Lista Pinota". Esses testemunhos poderiam servir para incriminar o suspeito. Só que, quando recentemente se ultimaram os procedimentos para começar a chamar as pessoas constantes no documento, este não foi encontrado. Nem em papel nem em suporte informático. Agora, a principal suspeita recai mesmo sobre alguns intervenientes nos trabalhos policiais. O procurador responsável pelo caso quer saber se alguém da polícia apagou (destruiu) os registos ou se, por outro lado, os mesmos nunca existiram. Um ou outro caso, a confirmarem-se, configuram sempre um crime.» [Público]

Parecer:

Uma lista muito inconveniente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao MP se já procuraram na mesa da Felícia Cabrita, no semanário SOL.»

THORSTEN JANKOWSKI

sexta-feira, novembro 19, 2010

Dão-se bombons

Dou um bombom se me souberem dizer o nome do ministro da economia, darei dois se conhecerem uma única linha da sua política para a agricultura portuguesa, duplicarei o número de bombons se além do nome do titular da pasta da agricultura também souberem o do ministro da ambiente, se me disserem o nome de um dos secretários de Estado destes dois ministérios darei ainda uma tablete de chocolate. Bem, não continuarei a fazer ofertas porque em Lisboa não há grandes lojas de chocolates, capazes de garantir a qualidade e a quantidade que seria necessária.

Este governo tem um primeiro-ministro, o Teixeira dos Santos conhecido pelas piores razões, um ministro dos Negócios Estrangeiros competente, um ministro das Obras Públicas que aparece de vez em quando a falar do TGV, e um tal Vieira da Silva que cada vez que fala nos deixa intrigados, sem sabermos se disse mesmo alguma coisa. Dos secretários de Estado pouco ou nada se sabe e ainda bem que assim é porque pelos poucos que conheço concluo que o governo sai a ganhar com o seu anonimato.

Sócrates chegou ao fim do seu primeiro governo traumatizado pelo síndroma Luís Cunha e quando se esperava um segundo governo capaz de governar para os portugueses, contrariando as adversidades que enfrentaria no parlamento, o primeiro-ministro estabeleceu como primeiro critério para a escolhas dos seus ministros a confiança pessoal, não correndo quaisquer riscos. De certa forma fez bem é o nome dele que servirá para ganhar ou perder eleições.

O resultado é um governo apático, incapaz de dizer para onde vai, que espera por um milagre económico para disfarçar as consequências financeiras da incompetência da pior equipa ministerial das Finanças de que há memória em Portugal. Com vários meses em que pode governar sem oposição, usando da chantagem da crise e sabendo que o governo não poderá cair antes das eleições presidenciais, Sócrates evitará qualquer remodelação.

Sócrates parece convencido de que é imbatível e tal como o Pinto da Costa acha que ganha campeonatos independentemente do treinador que estiver à frente da equipa, também Sócrates está convencido de que ganha eleições por mais incompetentes que sejam os ministros que escolheu. Até aqui tem tido razão, poucos políticos teriam os que teriam sobrevivido aos ataques que lhe foram feitos.

Só que uma coisa é uma guerra com magistrados manhosos e jornalistas enjoativos, outra é uma crise financeira de grandes dimensões como a que o país está a enfrentar. E se Sócrates conseguiu enfrentar sozinho os ataques de que foi alvo no plano da política interna, se quiser sobreviver à crise financeira e dar esperança ao país vai precisar de uma equipa governamental bem mais competente do que aquela que escolheu. Agora os problemas são a sério, não basta uma boa estratégia de comunicação, é necessária gente competente e experiente e não a gaiatagem arrogante e mal-educada que domina alguns ministérios como o das Finanças.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Outono na Quinta das Conchas, Lisboa

IMAGEM DO DIA

[REUTERS/ Philippe Wojazer]

«Un hombre mira el cartel indicativo de la obra 'Stephanie Seymour, Model, New York City, 1992', una de las fotografías de Richard Avedon (1923-2004) que sale a subasta el próximo sábado en París. Los fondos recaudados se destinarán para sufragar los gastos de la la Fundación Avedon.» [El Pais]

IMAGENS DOS VISITANTES D'O JUMENTO

Vila do Bispo [A. Cabral]

JUMENTO DO DIA

Teixeira dos Santos, ministro das Finanças

O nosso ministro das Finanças é tãi incompetente que anuncia um corte de vencimentos, apresenta um projecto de orçamento e só muito depois e quando foi questionado é que esclarece que o corte dos vencimentos é definitivo. Isto é incompetência, pouca vergonha e falta de respeito pelos cidadãos que foram vítimas do seu triste desempenho à frente das contas públicas.

Se Sócrates se atrasar muito a demitir este senhor serão os eleitores a demiti-lo nas próximas eleições. Uma coisa é aceitar sacrifícios em nome do país, outra é suportá-los porque Sócrates insiste em ter ministros incompetentes e pouco frontais.

«O Executivo quer cortar entre 3,5 a 5 por cento nos ordenados a partir de 1500 euros ilíquidos. Ao todo, serão abrangidos 350 mil trabalhadores em funções públicas e cerca de 100 mil do sector empresarial do Estado.

Os cortes variam entre 50 euros e 420 euros mensais para remunerações de 4200 euros ilíquidos. À redução salarial acresce um ponto percentual de aumento nas con-tribuições para a Caixa Geral de Aposentações (CGA).

A frase de Teixeira dos Santos surgiu numa pergunta do deputado do BE José Gusmão. Ao CM, o parlamentar assegura que o BE quer suscitar a fiscalização constitucional da proposta.» [CM]

ÀS VEZES SINTO NOJO

É o que se sente quando se lê a crónica de Correia da Fonseca publicada no Avante sob o título "Palavras em Rangum". Dispensa comentários:

‘(…) acontece que Suu Kyi é mulher e que para mais tem aquele arzinho fisicamente frágil que nos dá cuidados quando a imaginamos presa. É certo que na sua própria residência, que é capaz de ser mais confortável que a minha. Mas imagino que deve ser terrível para uma mulher, para mais senhora de boa disponibilidade financeira, não poder sair de casa para ir às compras no hipermercado mais próximo. Não sei, é claro, se há algum hipermercado nas proximidades da residência de Aung San Suu Kyi, mas é praticamente certo que o haverá em tempo próximo, quando a democracia por ela desejada chegar enfim a Mianmar, pois é também para isso, para a abundante instalação de hipermercados, que a democracia serve, também para isso foi reinventada.’ [Avante, via Câmara Corporativa]

Para o PCP qualquer ditadura é sinal de paraíso.

UMA APOSTA COM OS LEITORES D'O JUMENTO

Aposto que no final deste ano Teixeira dos Santos mais o gaiato da secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais vão festejar o seu excelente desempenho na cobrança de impostos como o iva ou o IA. Também aposto que se vão esquecer de esclarecer que essa receita adicional é o resultado da antecipação de compras para evitar pagar o IVA a 23%, isto é, uma boa parte do aumento das receitas fiscais não passa de uma antecipação de receitas de 2011 o que significa que nos próximo ano o défice vai ter de suportar esta antecipação mais os truques para ajeitar o défice de 2009.

PRENDA ORIGINAL

«O Presidente da República vai oferecer ao chefe de Estado norte-americano um decantador em cristal desenhado por Siza Vieira e uma pequena escultura de bronze do cão de água português, da autoria de Luís Valadares. Há quase dois anos, quando se instalou na Casa Branca, o presidente norte-americano ofereceu às filhas Malia e Sasha um cão de água português, o ‘Bo’. » [CM]

Parecer:

Sem comentários.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cavaco Silva se não tem umas acções do BPN para oferecer a Obama.»

BOFETADA PARLAMENTAR

«A deputada argentina Graciela Camano perdeu a cabeça, esta quarta-feira, na discussão sobre o Orçamento do seu país, na Câmara dos Deputados, em Buenos Aires.» [CM]

Parecer:

Não sei se com razão, mas foi muito bem dada.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Manuel Pinho que da próxima vez faça o mesmo ao Bernardino.»

CORTE DEFINITIVO DOS VENCIMENTOS É CONSTITUCIONAL?

«O Bloco de Esquerda (BE) está neste momento a redigir um texto que irá apresentar a outros grupos parlamentares para suscitar a fiscalização sucessiva da constitucionalidade dos cortes entre 3,5 e 10 por cento nos salários da função pública e do sector empresarial do Estado.

Questionado pela agência Lusa sobre esta iniciativa do BE e sobre a constitucionalidade dos cortes salariais, Jorge Bacelar Gouveia declarou: "Se essas medidas tiverem um carácter excepcional, temporário, admito que não seja inconstitucional, porque a Constituição tem de ter a flexibilidade de se adaptar às circunstâncias de crise. Mas se a intenção é prolongar definitivamente para o futuro, sem horizonte de fim essa redução, se as medidas forem admitidas como definitivas, perpétuas, eu acho isso que é claramente inconstitucional", acrescentou.» [DN]

Parecer:

Lá muito constitucional é que não é certamente.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

JÁ POSSO MANDAR O MINISTRO PARA O C.

«Quando um cabo da GNR, irritado com o facto de não ter conseguido uma troca na escala de serviço, se dirige ao seu superior, dizendo "não dá pra trocar, então prò c...", está a cometer um crime de insubordinação ou apenas a desabafar? Este debate percorreu o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa e o Tribunal de Instrução Criminal, chegando, a 28 de Outubro deste ano, ao Tribunal da Relação de Lisboa, que encerrou o caso: o cabo não deve ser julgado, porque a expressão utilizada é um "um sinal de mera virilidade verbal".

Foi no dia 4 de Agosto de 2009 que, no gabinete do sargento da GNR que liderava um subdestacamento, o cabo solicitou uma troca de serviço com outro militar. Perante a recusa do seu superior hierárquico, tal como vem descrito no acórdão do Tribunal da Relação, o militar disse: "Não dá para trocar, então pró c..." E de seguida: "Se participar de mim, depois logo falamos como homens."» [DN]

Parecer:

É o que apetece.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Depois do trânsito em julgado, para que não subsistam dúvidas, mande-se o Teixeira dos Santos para o mesmo sítio para onde o soldado da GNR mandou o superior.»

UM BURLÃO BEM SUCEDIDO

«Fazia-se passar por filho de um casal de administradores, umas vezes da Soares da Costa, noutras da Jerónimo Martins, e prometia investimentos remunerados a uma taxa superior à da banca. De um total de três milhões de euros que recebeu ficou com dois milhões e entre os burlados até constam jogadores de futebol.

Escriturário desempregado, com 42 anos, era através da companheira, bem relacionada junto de pessoas de elevada capacidade financeira do Porto, que terá chegado até junto das vítimas. No total, a Polícia Judiciária (PJ) fala em pelo menos dez lesados que entregaram ao burlão um montante de três milhões de euros.

No decurso da investigação da polícia, conseguiu apurar-se que o referido montante terá sido gasto em proveito próprio. "Bon vivant, apreciava uma vida de luxo, investindo em imobiliário, automóveis, diversão nocturna, jogo e em viagens", afirmou ao DN fonte da PJ.» [DN]

Parecer:

Os gulosos caíram no conto do vigário.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada, da próxima não sejam gulosos.»

EL PAIS: "RECIBIÓ OTRA ZURRA ANTE PORTUGAL"

«Acostumbrada a batallas de campeonato, resulta que a España no le van las treguas. Se desplomó frente a Argentina y recibió otra zurra ante Portugal, dos adversarios obligados a encarar estos partidos con la penitencia de su penoso tránsito por Sudáfrica y sus tormentosos tiempos recientes. No es que la selección de Del Bosque se haya acomodado con su estrella en el pecho, pero la defensa de sus títulos siempre es un reto para los contrarios. Hoy, ganar al campeón es mucho más que un amistoso. Frente a la selección más reputada no hay tiempo para la molicie habitual en este tipo de cartelera. España ya debería saberlo. La cita en Argentina fue una decisión federativa calamitosa con un equipo en tanga, aún de jarana por el éxito mundialista y sin entrenamientos previos. A Lisboa la selección ya fue rodada, pero le faltó hueso, el punto febril que sí tuvo Portugal, que tiró serpentinas. Un sedante tras la zozobra vivida con Carlos Queiroz. Como ya lo fue para Batista y Argentina tras el sainete de Maradona. En el fútbol todo es efímero y España no puede permitirse rehabilitar a nadie. Las hermandades, en los despachos. La de anoche es la mayor goleada recibida desde 1963 (2-6 ante Escocia en el Bernabéu). Otro dato elocuente: es la primera vez que a Casillas le meten cuatro goles con La Roja.» [El País]

Parecer:

E bem dada!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

BRUXELAS EXIGE REFORMAS NO MERCADO DE TRABALHO

«A reforma laboral exigida por Bruxelas está a causar visível incómodo no Executivo de José Sócrates. Ontem, depois de Jean- -Claude Junker (presidente do Eurogrupo) ter reclamado mais de-talhes a Lisboa do que vai fazer, Teixeira dos Santos afirmou que ainda que é possível aumentar a flexibilidade do mercado de trabalho, com recurso apenas aos mecanismos já previstos na lei:"É possível melhorar a flexibilidade do mercado de trabalho fazendo pleno uso dos elementos que o código laboral prevê", afirmou» [DN]

Parecer:

O ridículo ver Teixeira dos Santos a opinar sobre um dossier que não é dele e de que não percebe nada, aliás, este ministro não devia opinar sobre nada.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ofereça-se um saco de rolhas a Teixeira dos Santos.»

NÃO HÁ METRO NO DIA DA GEVE GERAL

«As estações de metro estarão encerradas no dia 24 de Novembro. Foi assim que decidiu o tribunal arbitral eleito para discutir os serviços mínimos a prestar pelo metro de Lisboa no dia da greve geral. "Não são fixados quaisquer serviços mínimos relativamente à circulação de composições", avança o acórdão, estabelecendo apenas piquetes para serviços de segurança e manutenção.

Ao Económico, o árbitro da parte dos trabalhadores, Jorge Estima, sublinha que "o metro estará completamente fechado", invocando motivos de segurança como uma das justificações. É que um cenário de circulação limitada das carruagens poderia levar à acumulação de passageiros nas estações trazendo riscos acrescidos, explica Jorge Estima.» [DE]

Parecer:

O quê? Ir trabalhar e ainda por cima ter que ir a pé?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Sócrates e a Teixeira dos Santos se nos emprestam carro e motorista.»

ANÚNCIO COM BEYONCÉ CONSIDERADO "SEXUALMENTE PROVOCADOR NO RU

«"Sexualmente provocador" é a designação atribuída ao anúncio do perfume Heat, da cantora norte-americana Beyoncé. A transmissão do anúncio foi impedida de passar nas televisões britânicas antes da 19.30 horas. Veja o vídeo.» [JN]

PASSOS COELHO DIZ QUE É PRECISO ESTIMULAR A ECONOMIA

«O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, considerou hoje, quinta-feira, que os portugueses devem estar preparados para um crescimento negativo da economia em 2011, porque as medidas de austeridade adoptadas em Portugal têm "um potencial recessivo".» [JN]

Parecer:

Com as medidas orçamentais que acordou com Sócrates só se for com festinhas no rabo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso condescendente.»

IGOR VOLGIN