sábado, dezembro 11, 2010

Sócrates deve ter a coragem de ir a eleições

Neste momento o governo já não segue qualquer programa eleitoral ou programa de governo aprovado no parlamento, governa ao sabor da maré, vai gerindo a situação em função da vontade dos banqueiros ou da instabilidade do mercado. Nenhuma das medidas adoptadas foi alvo de qualquer debate nacional e muito menos eleitoral, algumas são mesmo diametralmente opostas às assumidas no programa eleitoral.

Pior, Sócrates não governa segundo um programa mas sim segundo ideias pontuais, bitaites, sugestões dos banqueiros ou imposições externas. O ministro das Finanças aponta os cortes de vencimentos do Estado como exemplo para o sector privado e defende uma reforma da legislação laboral, a ministra do Trabalho garante que a legislação laboral não será alterada e Sócrates propõe que os ordenados dependam da produtividade e da qualidade, isto é, nem mesmo dentro do governo há norte.

Portugal é uma democracia e em democracia os primeiros-ministros não governam primeiro e perguntam aos eleitores depois, governam com legitimidade democrática que advém das propostas que apresentaram aos eleitores. É evidente que uma situação de crise é uma excepção e que poderão ter que ser adoptadas medidas de contingência que não tinham sido previstas, mas isso não significa que um governo possa transfigurar-se e entrar em roda livre durante três anos.

Se na legislatura anterior Sócrates tinha legitimidade para levar por diante reformas que mereciam a oposição de muitos portugueses porque essas mesmas reformas constavam no seu programa eleitoral e foram sufragadas pelos portugueses que lhe confiaram uma maioria absoluta, agora deve considerar que com uma maioria relativa ou segue igualmente o seu programa ou considera que não pode governar com medidas de que nunca falou. Em democracia os programas políticos são aprovados a anteriori, em eleições democráticas e não a posteriori.

Independentemente de concordar ou discordar desta ou daquela medida, de ter uma péssima opinião acerca da competência e dimensão de muitos membros do governo, acho que se Sócrates quer continuar a governar ao sabor das sugestões pontuais dos assessores que foi buscar às consultoras, das opiniões dos banqueiros que periodicamente vão aos gabinetes ministeriais dizerem o que desejam, das pressões ou falsas pressões europeias que servem para impor medidas que não tinha anunciado, deve ter a humildade e coragem de não esperar por uma decisão de Cavaco Silva de dissolver o parlamento ou pela aprovação de uma moção de censura, deve ter a humildade e coragem de ir a eleições.

Indo a eleições pode colocar à consideração dos portugueses o seu novo programa, as suas novas ideias e já que uma boa parte do PS faz uma avaliação muito positiva do seu desempenho desde as últimas legislativas deve ter a coragem de pedir aos portugueses que avaliem as medidas de excepção que adoptou. Às vezes a política também é feita de coragem e esta não é apenas adoptar medidas duras porque o maior partido da oposição se abstém ou porque conjunturalmente não quer ir a votos, coragem é dizer aos portugueses as medidas duras e as reformas dolorosas que defende e sujeitá-las ao voto.

Umas no cravo e outras na ferradura

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Torre de Belém, Lisboa

JUMENTO DO DIA

Francisco Louçã

Que sem o empenho dos professores não há resultados no ensino, mas dizer que a melhoria dos resultados apurados pela OCDE se devem ao "esforço heróico" dos professores em defesa da escola pública é ridículo [CM], desde logo, porque nos leva a interrogar porque razão nos anos anteriores os professores não fizeram o tal esforço heróico em defesa da escola pública.

Parece que Louçã se esqueceu das críticas que fez no passado recente, quando dizia que as reformas introduzidas tiravam tempo aos professores para dedicar ao ensino. Bem, talvez por isso o esforço terá sido mesmo heróico.

COICES DO DIA

1. A sondagem da Aximage têm uma grande semelhança com os resultados das últimas eleições europeias, o eleitorado do PS prefere abster-se a votar em Pedro Passos Coelho.

«O PSD está à frente nas intenções de votos dos portugueses, tendo descolado do PS. Segundo uma sondagem CM/Aximagem, se as eleições fosse hoje, o partido de Passos Coelho recolhia 39,8% dos votos, longe dos 27,2% reunidos pelos socialistas. A abstenção situar-se-ia nos 38,5%.» [CM]

2. Um pesadelo pior do que a Wikileaks é existirem duas Wikileaks:

«A televisão sueca STV vai difundir no domingo um documentário, hoje citado pela agência noticiosa norte-americana AP. "O Openleaks é um projecto tecnológico que pretende ser um fornecedor de serviços para terceiros interessados em aceitar material de fontes anónimas", disse Domscheit-Berg, ex-porta-voz do Wikileaks, em entrevista à STV realizada em Berlim.» [DN]

3. As revelações da Wikileaks chegou às empresas e mostra os golpes baixos a que a Pfizer terá recorrido para fazer vergar a justiça da Nigéria:

«Entre o correio diplomático divulgado pelo Wikileaks estão telegramas que acusam a Pfizer de contratar investigadores para arranjar provas contra o procurador-geral da Nigéria, para o convencer a desistir de uma acção contra a farmacêutica, de acordo com o "Guardian".» [DN]

4. Sócrates parece ter percebido o erro de não se ter demarcado claramente de Carlos César e alinhou a sua posição com Cavaco Silva e com o seu secretário de Estado da Administração Pública:

«"Lamento a decisão do governo dos Açores". Esta frase do primeiro-ministro foi a resposta que deu, por duas vezes, à oposição quando interpelado sobre a posição do executivo açoriano de compensar os cortes de ordenados na função pública regional. "Não concordo com a decisão", frisou José Sócrates no debate quinzenal no Parlamento.» [DN]

5. Não sei porque razão a namorada de Cristiano Ronaldo ficou tão irritada com este vídeo:

O "Câmara Corporativa" tem toda a razão para chamar a atenção para o facto de Cavaco Silva ainda não se ter referido às conclusões da OCDE sobre a evolução do ensino em Portugal, parece que Cavaco só fala do ensino quando há matéria negativa para referir, é isso que explica que quando o relatório da OCDE foi negativo o Presidente da República até promoveu um roteiro da matemática.

O QUE É FEITO DAS CONCLUSÕES DO "CORTAR DESPESAS"?

Depois de tanto ter prometido com a sua página "Cortar Despesas" é tempo de o PSD divulgar os resultados, talvez venham a ser úteis para o OE de 2012.

LONDON TUITON FEE PROTEST [Boston.com]

JULIA BLACK

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Produtividade e competitividade

Agora que finalmente se percebeu que a solução dos problemas do país se situa (também e principalmente) na correcção do desequilíbrio externo a nossa classe política quase deixou de falar de défice orçamental para repetir até à exaustão as palavras produtividade e competitividade, termos que estavam reservados para parágrafos de ocasião nos programas eleitorais e de governo. Ainda assim é pouco, confundem-se os dois conceitos e tende-se a reduzir o problema da sobrevivência do nosso tecido empresarial a soluções simplistas, com se tudo dependesse dos custos salariais ou, como sugere a mais recente ideia de Sócrates, à qualidade do trabalho. Nem os custos de produção se reduzem aos dos salários dos trabalhadores, nem a produtividade depende apenas da intensidade do seu trabalho, nem a colocação dos produtos no mercado externo depende em exclusivo dos seus preços.

Vista de uma forma simplória a produtividade pode ser medida com base nos custos de produção e é evidente que quanto menos custar um factor de produção mais produtiva parecerá ser uma empresa. Os trabalhadores até poderão produzir menos, se os custos salariais forem reduzidos mais do que proporcionalmente à redução da produção a produtividade aumentará, pelo menos aparentemente. Significa isto que uma empresa que devido à má gestão é menos produtiva pode apresentar níveis de produtividade crescentes.

É verdade que a preocupação de qualquer gestor é reduzir os custos de produção, mas estes não se limitam aos custos salariais por mais significativos que estes sejam, da mesma forma que a redução dos custos salariais não implica necessariamente a redução dos salários, pode e deve ser conseguida também com uma utilização mais eficiente do factor trabalho, recorrendo a melhores métodos de gestão, a tecnologias mais produtivas, etc.. Só que vivemos num país onde os trabalhadores são melhor qualificados do que os empresários, como demonstrou um estudo cujas conclusões foram divulgadas há poucos dias.

A competitividade é um conceito muito mais abrangente do que a produtividade e resulta de uma grande variedade de factores, factores que serão ainda mais complexos se falarmos em competitividade externa pois neste caso não basta vender barato, é preciso saber vender e encontrar no mercado externo quem nos pode comprar. Já aqui defendi muitas vezes que dificilmente as nossas empresas serão competitivas se no mercado interna não existir uma cultura de concorrência, como é o caso. O nosso mercado não favorece as empresas competitivas e não estimula a sua capacidade competitiva, numa economia onde 25% da sua actividade é feita à margem das regras, onde o Estado é o grande cliente e onde é mais fácil conseguir um bom negócio lambuzando uma classe política instalada sobrevivem os oportunistas em detrimento dos competitivos. É por isso que as empresas mais badaladas e bem sucedidas não são as exportadoras, são as que se especializam no consumo interno, nas compras do Estado e nas Obras públicas. É por isso que em vez de nascerem exportadoras nas imediações das novas auto-estradas são os centros comerciais que se multiplicam como cogumelos.

Reduzir o debate da competitividade aos custos salariais, tentando com cortes salariais ou com a indexação dos salários à produtividade de alguns não passa de uma mezinha que tratará dos sintomas da doença para que se evite tratá-la a sério. Se queremos competitividade teremos de mudar substancialmente em domínios que vão das apostas do Estado no domínio das infra-estruturas, da promoção de novas qualificações profissionais, no combate à corrupção, na redução dos custos parasitas criados pelo Estado para alimentar as suas mordomias, na criação de condições favoráveis à constituição de empresas e ao investimento tecnológico.

Confundir produtividade com redução de custos salariais e esta com competitividade significa que estamos a iludir o problema e continuamos a centrar a sobrevivência da economia na lógica dos sectores de mão de obra intensiva, isto é, significa repetir os erros que o país comete desde há décadas.

Umas no cravo e outras na ferradura

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Frescos num tecto do Palácio Nacional da Ajuda

IMAGENS DOS VISITANTES D'O JUMENTO

Manhã de nevoeiro [A. Cabral]

JUMENTO DO DIA

Cavaco Silva, candidato presidencial

A intervenção do candidato Cavaco Silva a propósito dos prejuízos do tornado ocorrido em Tomar foi um mau momento do Presidente da República Cavaco Silva. o candidato falou enquanto presidente lançando a insinuação de que as promessas de ajuda poderiam não se cumpridas dando como exemplo o cumprimento das promessas em relação à Madeira. Simplesmente ridículo e vergonhoso.

COICES DO DIA

1. É inaceitável que o ministro Pedro da Silva Pereira se esconda atrás das competências autonómicas dos Açores [CM], tanto quanto sei não são os Açores que lançam dívida pública no mercado financeiro, nem terá que negociar com o FMI se o país for à bancarrota. Uma coisa é a autonomia e outra é a solidariedade nacional, a mesma solidariedade nacional que muitas vezes levou o resto do país a acorrer a situações de emergência nos Açores sem que na ocasião ninguém se tivesse lembrado de discutir competências.

2. O ministro da Justiça garante que o governo faz um combate contínuo à corrupção [CM]. Talvez faça, mas eu não tenho dado por isso.

3. Os passageiros de um navio de cruzeiro que passeavam no Oceano Antárctico não ganharam para o susto, curiosamente foram ajudados pelo navio 'National Geographic Explorer' que recentemente esteve acostado no cais de Santa Apolónia:

Um susto parecido parece ter apanhado esta jovem russa que fez bungee jumping desde o telhado de um prédio:

4. Manuel Alegre é um candidato presidencial que tem mais sensibilidade social em relação a uns portugueses do que a outros, só isso pode justificar que elogie a sensibilidade social de Carlos César [CM] quando ficou muito pouco socialmente preocupado com os cortes dos vencimentos dos funcionários públicos. A última vez que tinha protestado contra este género de medidas foi para criticar o congelamento dos ordenados dos políticos [DN].

5. A actriz e modelo Donna D’Errico acusou as autoridades do aeroporto de Los Angeles, nos Estados Unidos, apenas lhe pediram para passar por um scanner corporal por a acharem atraente [CM]. Estes funcionários do aeroporto de Los Angeles são uns idiotas, no Google imagens tinham ficado melhor servidos!

6. É inaceitável que o ministro Pedro da Silva Pereira se esconda atrás das competências autonómicas dos Açores [CM], tanto quanto sei não são os Açores que lançam dívida pública no mercado financeiro, nem terá que negociar com o FMI se o país for à bancarrota. Uma coisa é a autonomia e outra é a solidariedade nacional, a mesma solidariedade nacional que muitas vezes levou o resto do país a acorrer a situações de emergência nos Açores sem que na ocasião ninguém se tivesse lembrado de discutir competências.

7. A ministra do Trabalho, Helena André, lembra cada vez mais o ministro da comunicação de Sadam, por mais evidentes que sejam os sinais de que Sócrates pretende reformar a legislação laboral insiste em dizer que esta mesma legislação ficará como está [DN].

8. Manuel Alegre foi explicar aos alunos e professores da Universidade da Beira Interior (UBI) porque é melhor candidato a Presidente da República que Cavaco Silva, é porque sabe «quantos cantos tem Os Lusíadas». Não tenho a certeza de que ganhe um único voto com tanta arrogância [Portugal Diário].

KIDARA

FUNDACJA AZYLU POD PSIM ANIOLEM

quinta-feira, dezembro 09, 2010

O relatório PISA e os que preferem pisar o país


No meio de tantas más notícias e sabendo-se que uma das causas das nossas dificuldades se encontram no ensino foi agradável saber que um relatório da OCDE conclui que o ensino em Portugal deu um pulo qualitativo significativo nos últimos anos, sendo esta evolução medida pela avaliação dos conhecimentos dos alunos em diversos domínios.

Pouco me importa quem ganha ou perde eleitoralmente, da mesma forma que não avalio eleitoralmente os sucessos de muitas empresas portuguesas, o trabalho meritório de muitos portugueses, sejam serralheiros, escritores, políticos ou portugueses, é destes resultados que se faz o progresso e quando for caso disso saberemos avaliar o trabalho dos governantes, neste como em muitos outros domínios.

É evidente que a fixação dos professores, que a crescente competência dos que gerem as escolas, o empenho dos profissionais do sector são factores determinantes para este sucesso. Da mesma forma que também o foram a aposta no sector, o esforço no combate ao abandono escolar, os investimentos na renovação do parque escolar, a introdução de novas tecnologias nas escolas, as reformas feitas no sector ainda que algumas tenham sido feitas de forma atabalhoada.

O importante agora é que se perceba que foi possível melhorar de forma significativa e que o potencial do que se pode melhorar ainda é muito grande, basta olhar para o ranking das escolas para se perceber que com recursos idênticos as assimetrias nos resultados são ainda muito grandes, muito para além do que se pode explicar como consequência de assimetrias económicas, sociais ou de natureza urbana ou geográfica.

Mas se o estudo serviu para mostrar que ocorreram melhorias significativas no ensino, também pôs em evidência a miséria humana que por grassa, demonstrando que há neste país muita gente mais empenhada que se vá ao fundo do que no seu progresso. Algumas posições que ouvi roçam o miserável, desde um conhecido sindicalista dos professores a um conhecido professor blogger. Mas se os que falaram despudoradamente puseram a miséria à vista, o mesmo se pode dizer de alguns silêncios, personalidades que nunca perderam a oportunidade para desqualificar o ensino e as políticas governamentais do sector.

Recordo-me, por exemplo, das acusação de facilitismo sucessivamente feitas por Pedro Duarte, o deputado do PSD que habitualmente representa este partido nas questões da educação, de Santana Castilho que nos seus artigos no Público ou nos seus comentários televisivos sempre tomou posições que a serem válidas Portugal estaria no fim da lista da avaliação da OCDE, e de muitas outras personalidades que não perderam uma oportunidade para achincalhar o ensino em Portugal até mesmo Manuel Maria Carrilho na sua primeira entrevista a Mário Crespo depois de regressar de Paris optou por desancar no ensino. A excepção a este comportamento miserável foi António Nogueira Leite que se despiu de opções partidárias e teve a coragem de elogiar os resultados.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Feira da Ladra

IMAGENS DOS VISITANTES D'O JUMENTO

Praia de Carcavelos [P. Santos]

JUMENTO DO DIA

Manuel Alegre

O candidato presidencial tem alguma razão ao criticar Cavaco por ter tomado posição relativamente aos suplementos de vencimento decididos nos Açores quando ficou calado em relação à tributação dos dividendos antecipados [DE], ainda que o próprio Alegre não tenha tomado uma posição clara em relação às decisões de Carlos César, ninguém sabe qual a sua opinião sobre este assunto. O problema é que Alegre critica Cavaco Silva pelo silêncio em relação à tributação dos rendimentos, mas esquece que ao contrário do que chegou a defender o governo recuou e nada propôs no momento de votar uma proposta do PCP o PS votou contra.

COICES

1. Anda por aí um debate em torno dos resultados da avaliação do progresso dos sistema de ensino elaborado pela OCDE, o PISA, onde Portugal aparece como resultados surpreendentes. Uns desvalorizam os resultados numa tentativa de desvalorização das políticas governamentais, outros exibem-nos até à exaustão como prova da competência governamental de Sócrates. De fora da avaliação ficam os gestores das escolas, todo o corpo de funcionários do ministério da Educação, os professores, o empenho dos pais e até os próprios alunos, parece que em Portugal só há ministros, políticos da oposição e o Mário Nogueira. Pior, parece que há mais gente empenhada em ver Portugal enterrado do ue em vê-lo progredir e sair da crise, uma vergonha.

2. O Kremlin sugere que as organizações não governamentais proponha o nome de Julian Assange para prémio Nobel da Paz [DN]. A dúvida está em saber se Bin Laden não irá antecipar-se e ter ele a iniciativa pois é um dos grandes ganhadores desta erupção de liberdade no Ocidente.

3. O ministro da Justiça reforçou os poderes de José Magalhães, o conhecido político que ganhou grande notoriedade por saber ir à internet [DN]. Este Magalhães anda e à conte de saber qual a diferença entre um bit e um byte ainda chega a Presidente da República.

4. Rui Pedro Soares gostou tanto das notícias do SOL que decidiu lançar um semanário que será dirigido por Emídio Rangel [i]. Agora resta saber quais as entidades que estarão dispostas a suportar os habituais prejuízos, ao que parece será a Mediapro Portugal, um grupo de comunicação espanhol que, entretanto, desmentiu a sua participação neste negócio [Jornal de Negócios].

5. Mais uma greve na TAP em vésperas de Natal e de Ano Novo [Jornal de Negócios]. É por estas e por outras que conheço muita gente que já deixou de correr o risco de viajar na TAP em vésperas de festividades, um dia destes a TAP vai fazer férias como as escolas e para neste períodos.

O livro de desenhos de aves “Birds of America”, de John James Audubon, foi vendida ontem em Londres pela Sotheby’s por 8,7 milhões de euros [Público].

6. Depois de Teixeira dos Santos ter defendido uma redução nos salários ao apontar os cortes nos vencimentos dos funcionários públicos como um exemplo dado pelo Estado, Sócrates anda às voltas para encontrar uma forma de promover uma redução salarial sem perder votos e sem recuar na legislação laboral. A ideia que teve foi propor que os contratos tenham uma cláusula prevendo que uma parte dos ordenados dependa da produtividade e da qualidade do trabalho [DN]. Esta proposta parece muito bonita, o problema é que a qualidade e a produtividade de um trabalhador também depende da qualidade dos gestores e parece que, tal como sucedeu no Estado, Sócrates esquece este pequeno pormenor.

GRAFIK

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Antevisão de um debate

No próximo dia 29 Cavaco Silva e Manuel Alegre estará frente a frente para um debate eleitoral que ficará o princípio do fim das carreiras de dois políticos cujas carreiras estão associadas a e outros dois políticos, Soares e Sá Carneiro. Alegre só agora apareceu porque Soares não desapareceu, Cavaco ainda por cá anda porque Sá Carneiro desapareceu. Cavaco não deverá sobreviver a mais uma comissão de inquérito ao acidente de Camarate e Manuel Alegre, que foi um acidente que ia acabando com Sócrates, deverá desaparecer da vida política ainda antes de Mário Soares.

Com as eleições presidenciais o debate será morno e a RTP não arriscará a saúde dos candidatos pelo que além dos jornalistas estará presente na mesa duas enfermeiras e um médico especialista em geriatria, nos bastidores para além dos habituais assessores as equipas de apoio contarão com um cardiologista.

Assim, quando o jornalista perguntar a Cavaco Silva se sempre é verdade o que as más línguas dizem, que nos bons tempos do BPN tinha o seu gabinete de trabalho nas instalações deste banco a enfermeira de apoio à candidatura de Cavaco Silva segura-lhes as mãos, mede o ritmo cardíaco e antes que este responda assegura-se de que não se está sentindo mal como sucedeu durante a tomada de posse de António Guterres.

Iguais cuidados clínicos deverá ter a equipa de apoio a Manuel Alegre quando o jornalista perguntar ao candidato se a sua afirmação de que apenas cumpriria um primeiro mandato resulta de pensar que Cavaco Silva foi tão forreta a gerir a garrafeira do Palácio que está convencido de que para um segundo mandato teria de beber o famoso vinho de Lisboa em tempos prometido pelo Sá Fernandes.

EM relação ao futuro há poucas perguntas a fazer aos dois candidatos, a Manuel Alegre talvez perguntem seno caso de ser eleito e não ter tempo para pescarias vai pescar à linha no tanque dos jardins do palácio, e a Cavaco se vai comprar um elevador especial para subir às palmeiras de Belém agora que os artelhos já não lhe deixam agarrar os troncos com os pés.

Se por essa ocasião a TVI vai ter dois candidatos na Casa dos Segredos, a RTP apresentará o seu reality show com dois candidatos na Casa dos Jarretas.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Baixa de Lisboa vista do Elevador de Santa Justa

IMAGENS DOS VISITANTES D'O JUMENTO

São Pedro de Moel [J. Barbosa]

Bragança [A. Moura]

Monchique [A. Cabral]

JUMENTO DO DIA

José Sócrates

Em poucos dias José Sócrates desmente membros do seu governo, sucedeu com o caso das benesses nos Açores ao abrir a porta à decisão de Carlos César enquanto o secretário de Estado da Administração Pública alinhava claramente com as posições de Cavaco Silva, agora admitiu alterações na lei laboral quando há poucos dias a ministra dizia que as negociações com os parceiros sociais se destinava a estudar as possibilidades oferecidas pela actual legislação.

Ou Sócrates está cada vez mais só no governo e terá de mandar calar os membros do seu governo ou existem divergências e nesse caso a remodelação é inevitável.

TÍTULO 01

1. O João Miranda diz que alguém vai pagar a conta do jornal de Pedro Soares e Emídio Rangel, António Nogueira Leite procura na internet por uma fotografia de um pato-real e pergunta quem é o pato. Cá por mim que a ementa mudou, já estava a ficar farto de coelho de capoeira:

2. O debate entre Cavaco Silva e Manuel Alegre realizar-se-á no dia 29 e será transmitido no dia 29 [CM]. Agora as dúvidas que se colocam é saber se vai ser servido bolo-rei durante o debate e se a RTP vai designar jornalistas ou enfermeiras especializadas em geriatria para entrevistar os candidatos. Espera-se que nas equipas de assessores que acompanham os candidatos façam parte cardiologistas pois com a sua idade nunca se sabe o que pode acontecer.

3. A Carris encontrou uma solução brilhante para poupar nas despesas sem cortar nos vencimentos dos seus dirigentes [CM], vão promover o despedimento de 150 trabalhadores por mútuo acordo. Se a moda pega aí vem uma vaga de despedimentos nas empresas públicas para manter os altos vencimentos, dá-se uma indemnização, uma pré-reforma e a Caixa Geral de Aposentações que se aguente com a despesa.

4. Depois de sindicalistas, blogues de professores, associação de professores de diversas áreas científicas e comentadores de jornais andarem a dizer que os resultados das avaliações do ensino secundário eram empolados pelo ministério com recurso ao expediente dos testes fáceis, vem a OCDE concluir que os conhecimentos dos estudantes portugueses estão mesmo a aumentar [CM]. E agora Mário?

5. Já temos a certeza graças à confirmação do Instituto de Meteorologia, aquilo que se passou em Tomar foi mesmo um tornado e não apenas uma corrente de ar [Público].

6. Jesus assegurou que o Benfica iria ser campeão europeu, afinal estava a referir-se à Liga Europa [Público].

7. O Tribunal da Relação de Lisboa considerou que dar duas bofetadas à mulher não constitui violência doméstica mas apenas violação da integridade física. Agora esperamos que os magistrados nos digam quantas bofetadas e/ou pontapés têm que ser dadas e por quantas vezes são dadas para que considerem que há violência doméstica [Público].

PEARL HARBOR, 69 YEARS AGO TODAY [Boston.com]

TAPISHA

DRIVE DRY: LET'S DATE