sábado, janeiro 15, 2011

Cavaco nunca será o presidente de todos os portugueses

Uns melhores, outros piores, todos os anteriores Presidentes da República mereceram o reconhecimento colectivo dos portugueses, não admira que quando se recandidataram tiveram o apoio dos dois maiores partidos ou apenas tiveram que enfrentar alternativas simbólicas. De todos se disse que foram presidentes de todos os portugueses e exerceram o cargo a pensar no país e não na sua própria imagem.

Pelo contrário, Cavaco não foi nem será um presidente de todos os portugueses, mereceu e voltará a merecer o respeito institucional mas mais pelo cargo do que pela sua própria pessoa. Ganhou as presidências à segunda tentativa e mais por falta de inércia da esquerda do que por mérito próprio, poderá voltar a ganhar as presidenciais porque uma boa parte da comunicação social e das personalidades esquecem os seus princípios na hora da luta pelo poder, mas nunca ganhará o respeito e consideração dos que não votaram nele, é o meu caso, não votei Eanes mas respeitei-o. Cavaco poderá volta a ser o Presidente de Portugal mas não será o presidente de todos os portugueses.

Um presidente que o quer ser de todos os portugueses não promove ou dá cobertura a intrigas com o objectivo de lançar falsas suspeitas sobre um governo eleito democraticamente pelos portugueses, não hesitando em influenciar o curso de eleições legislativas quando se apercebeu de que a manobra foi denunciada.

Num país onde uma boa parte dos cidadãos enfrenta dificuldades económicos e onde uma percentagem significativa está no limiar da pobreza um presidente de todos os portugueses não se arma em mísero professor na hora de explicar como ganhou numa operação financeira dúbia porque ultrapassa tudo o que é razoável em termos económicos. Um presidente de todos os portugueses não hesita em demonstrar a sua honestidade.

Um presidente de todos os portugueses não usa a crise financeira para jogos políticos ou para responsabilizar um governo porque não é da sua cor, escondendo-se atrás de supostos avisos que terá dado há sete ou mais anos. Um presidente de todos os portugueses está preocupado com as soluções e não com jogos políticos em torno de culpas.

Cavaco Silva poderá ganhar as eleições presidenciais, mas não ganhará o reconhecimento de todos os portugueses, na história deste país não ficará ao lado de homens como Eanes, Soares ou Sampaio, terá um lugar próprio de quem nunca conseguiu ser grande. Os presidentes de todos os portugueses puseram os princípios acima dos votos, colocaram os interesses nacionais acima dos pessoais, lutaram pelo interesse de todos e não pelo enriquecimento do grupo que os apoiou.

Cavaco ficará na história como um ganhador, um ganhador de eleições, um ganhador em negócios de acções, um ganhador em manobras palacianas. Mas não conseguirá ganhar a admiração de todos os portugueses.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Sanlúcar de Guadiana (frente a Alcoutim)

IMAGEM DO DIA

Panelas de ferro [A. Cabral]

A MENTIRA DO DIA D'O JUMENTO

JUMENTO DO DIA

Cavaco Silva

Talvez por já não ter ideias novas Cavaco Silva teve uma recaída santanista e sugere a criação do ministério do Mar e até fala de criação de emprego. Não sei muito bem de que recuros de exploração imediacta está a falar Cavaco Silva e a não ser que esteja a pensar em nanadores-salvadores não consigo perceber a que empregos se refere.

É verdade que o mar tem recursos imensos, o problema é que para além da pesca, da produção de energia, do turismo e da exploração pterolíferea teremos de esperar pelo desenvolvimento tecnológico para se poder falar da exploração desses recursos. Falar do mar nestes termos e criar um ministério inútil como se viu no passado é pura demagogia de um velho político que só diz babuseiras.

«Cavaco Silva defendeu esta sexta-feira que deve ser novamente criado um Ministério do Mar. O candidato presidencial considera que é preciso eliminar burocracia para aproveitar esse recurso que «tanta riqueza e tantos empregos podia gerar».

Durante um almoço-comício em Viana do Castelo, Cavaco Silva lembrou que quando foi primeiro-ministro criou «o Ministério do Mar, que teve como responsável o saudoso comandante Azevedo Soares, e depois uma pessoa aqui presente, engenheiro Duarte Silva».» [Portugal Diário]

PORQUÊ VOTAR CAVACO?

(Via 'O pior e o melhor de Matosinhos')

ESTOU A GOSTAR TANTO DA CAMPANHA DE CAVACO SILVA

Que vou votar com esperança de o ver numa segunda volta.

O QUE SERÁ NECESSÁRIO PARA SE PODER QUESTIONAR A HONESTIDADE DE CAVACO SILVA?

Roubar o ouro do Banco de Portugal, fugir para junto de Dias Loureiro em Cabo Verde, mudar as direcções do Sol, do Público, da RTP, da SIC, da TVI e do Correio da Manhã e eleger um novo presidente do sindicato dos magistrados do Ministério Público.

Cavaco tem razão ao dizer que temos de nascer duas vezes para sermos mais honestos do que ele, até diria que o candidato só errou por defeito.

AS ALDEIAA DA COELHA E DA ROUPA BRANCA

CAVACO BIPOLAR

«Num dos debates da pré-campanha, o candidato-presidente afirmou que para alguém ser tão honesto como ele teria de nascer duas vezes. A expressão, sinónimo de uma mudança radical de vida, usa-se para designar crentes que se atribuem uma vida de pecado e se convertem com virulenta convicção. Tem pois a ver com a passagem para o oposto, em discurso e acção, do que se defendeu e praticou.

Ora quem acompanhe o percurso público de Cavaco não pode deixar de reparar que se há alguém que parece renascer todos os dias, e até várias vezes ao dia, é o candidato-presidente. Ao ponto de nos fazer temer um distúrbio psíquico. Temos pois um candidato-presidente que na mesma frase se congratula por o leilão da dívida pública estar a correr bem e agoira a existência próxima de uma crise económica, social e, sublinha, política; que avisa ser fundamental ter cuidado com o que se diz "por causa dos mercados" mas se promove como sendo o homem providencial para a borrasca que anuncia - e previsivelmente quer desencadear.

Um candidato que num dia diz que só ele fala verdade sobre a situação do País, insinuando que o Executivo mente, para no seguinte aconselhar: "Não devemos atrapalhar o trabalho que o Governo está a fazer." Um presidente que promulga as novas regras de contratualização do Estado com o ensino privado e na campanha acolhe os protestos dos colégios privados contra essas regras; que, para justificar o não veto do casamento das pessoas do mesmo sexo, afirma num fórum radiofónico não poder, de acordo com o seu entendimento da função, exarar vetos ideológicos, quando mais não fez que proclamar, em vetos e notas a promulgações, a sua particular ideologia. Um candidato que se garante "acima dos partidos" e que apadrinhou a mais canalha manobra de derrisão das instituições já vista em democracia, permitindo, sem um ai, que, a um mês das legislativas de 2009, se afirmasse que temia estar a ser vigiado/escutado pelo Governo, tendo de seguida promovido o seu assessor comprovadamente envolvido no caso; um candidato que se arroga "da verdade" mas recusa prestar quaisquer esclarecimentos sobre um negócio chorudo feito com um banqueiro acusado de desviar criminosamente dinheiro alheio para beneficiar "pessoas importantes". Um candidato que diz não responder a perguntas que reputa de insultuosas enquanto chama louco a quem pergunta.

É tudo política, dir-se-á, como quem diz que a política é contradição, mentira e pulhice, e que quanto mais escorregadio e falso se for mais eficaz e mais bem sucedido se será nessa área. Faz sentido, então, que quem tem da política essa noção torpe e faz dela a sua vida há 30 anos, propondo-se para mais cinco, se esmere em renegar o que é e faz - como quem renasce. Mas não: Cavaco só há um, o presidente que quer governar. E que para isso fará - já o provou - o que for preciso.» [DN]

Parecer:

Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

NEM MAIS UMA PALAVRA. OU QUANDO A CRISE SERVE PARA LAVAR TOLOS

«O mestre do ilusionismo voltou a armar fantasia. De repente, a direita, uma direita, viu o poder ao virar da esquina. Não chegam ao essencial: antes está Cavaco. Sempre assim foi e é assim que eles alimentam o engodo.

Cavaco viu-se apertado, como nunca. Ele sabe que nós sabemos - nós, povo - que a dúvida fez mossa. Fez e faz. Faria enquanto não surgisse um outro alinhamento. O BPP caiu na sopa, o FMI temperou o caldo. E, como prometido, nem mais uma palavra.

Cavaco tem dito que vem aí o fim do mundo. Começou a dizer. Porque antes, ai de quem falasse em crise nacional e, muito menos, em turbulência política! Quem o fizesse estava a aguçar o apetite dos mercados e, sobretudo, a desconsiderar os nossos financiadores. Os pregadores deste mal eram cobertos de irresponsabilidade e despojados de qualquer sentido patriótico. Eis o que o BPN fez a Cavaco.

Com esforço, podemos admitir que o homem acordou para a realidade - num processo de contágio que chega, finalmente, ao sítio do fim. É uma interpretação possível e sustentada em contabilidade própria sobre as suas intervenções de emergência: vai em doze, número redondo e indicado para a crise passar de crescente a aguda.

Esperemos que não chegue a terminal. Mas admitindo que a política acabe por contaminar a crise económica e social, não se deve confiar excessivamente no tom e no verbo de um candidato acossado que persegue a conservação do poder. O reforço desse poder.

Se assim acontecer, como é previsível, espera-se um outro Cavaco? Dificilmente. Ele esperará que Angela Merkel, o mensageiro do FMI, Jean Claude Trichet, Pedro Passos Coelho, Paulo Portas, o cardeal Patriarca, José Mourinho, Eduardo Catroga e, quem sabe(?), o próprio José Sócrates lhe batam à porta do Possolo. Dizendo-lhe a coisa simples: você consta da política e, portanto, da crise. Da solução mas também do problema. A propósito: o caso BPN não conta num confronto eleitoral? Só num país de tolos» [DE]

Parecer:

Por Raul Vaz.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

COELHO DIZ QUE SÓ CHEGARÁ AO GOVERNO COM ELEIÇÕES

«O líder do PSD esteve ontem ao lado de Cavaco Silva para "tranquilizar os espíritos intranquilos". Em Vila Real, Passos Coelho declarou que "só através de eleições" chegará ao Governo. "Apoiamos o professor Cavaco Silva, mas não é para que nos dê o Governo de Portugal", afirmou.

Logo de seguida, no mesmo comício, Cavaco abordava o tema dos "problemas complexos" no plano político, económico e social que podem acorrer "no futuro". Num tom bastante mais ligeiro, não voltou a conjugar a palavra "crise" com a de "política", como fez no dia anterior na Guarda. » [DN]

Parecer:

Pois, se recusou um acordo de governo é natural que tenha que ser por eleições, esperemos agora que compreenda que as legislaturas têm o seu prazo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso amarelo.»

RISCO DE PORTUGAL É DOS QUE MAIS CAI

«O preço dos ‘credit default swaps' (CDS) sobre obrigações nacionais a cinco anos recuava 2,4 pontos para 495,83 pontos base, e era um dos que mais caía no mundo, segundo o monitor da Bloomberg. Este instrumento funciona como um seguro no caso de incumprimento de um Estado ou de uma empresa e é por isso uma forma de avaliar o risco de Portugal.

Quer isto dizer que por cada 10 milhões de euros aplicados em dívida lusitana, os investidores têm de pagar 495,83 mil euros anuais para se proteger com este seguro. É a terceira descida mais acentuada em todo o mundo, depois da Venezuela e da Grécia.» [DE]

Parecer:

Finalmente boas notícias.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

ESTADO COMPRA DÍVIDA DO ESTADO

«O Fundo de Regularização da Dívida Pública, instrumento que é o destinatário das receitas das privatizações, subscreveu bilhetes do tesouro no valor de 1500 milhões de euros. Esta operação, realizada em Dezembro do ano passado, foi a primeira do género e teve como objectivo o "fomento de liquidez em mercado secundário", segundo o boletim mensal do Instituto de Gestão da Dívida Pública (IGCP).

Este fundo tem como finalidade o abate de dívida pública através das receitas da venda das empresas do Estado. No entanto, uma norma introduzida no Orçamento do Estado de 2010 permitiu que pudesse ser usado para subscrever ou comprar valores mobiliários de dívida soberana. Para além de fomentar a liquidez, pretende-se que intervenha em operações de derivados financeiros em nome de uma eficiente gestão da dívida directa do Estado. A emissão de 1500 milhões de euros subscrita por este fundo não consta da lista de leilões de bilhetes de tesouro do IGCP, contudo, está incluída no saldo directo da dívida pública. Não foi possível obter quaisquer esclarecimentos junto das Finanças e do IGCP sobre esta operação até ao fecho da edição.» [i]

Parecer:

Supostamente é para pagar a dívida pública que serve o dinheiro das privatizações.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

SALÁRIOS BAIXOS NÃO

«De visita a Portugal, o comissário europeu da Concorrência, Joaquín Almunia, deixa alguns conselhos às autoridades do país: é preciso apostar na competitividade mas salários baixos não ajudam a esse objectivo. Indispensável é a consolidação orçamental, para reduzir o endividamento.

«Baixar salários é um tipo de competitividade que não é próprio de países europeus».» [Portugal Diário]

Parecer:

Os nossos empresários querem ser investidores europeus com escravos chineses.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

COELHO FOI VISITAR AS SUAS FUTURAS INSTALAÇÕES

«Às 10:30, hora marcada pela campanha, cerca de duas dezenas de jornalistas esperavam à porta do Palácio de Belém, a chegada de José Manuel Coelho. O candidato madeirense chegou depois, acompanhado pelo mandatário e por um amigo. Sem bandeiras, sem carros funerários... sem aparato nenhum.

«Venho ver as minhas futuras instalações», disse sorridente, depois de lembrar que «matematicamente ainda é possível» ganhar as eleições e vir mesmo a ocupar o palácio como residente habitual. «Mas eu sei que é um combate quase impossível, contra os pesos-pesados da política. É como uma equipa da terceira divisão que vem a Lisboa jogar com o Benfica. O mais certo é perder 10-0», brincou.» [Portugal Diário]

Parecer:

Ao menos diverte.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

BERLUSCONI INVESTIGADO POR ENVOLVIMENTO COM JOVENS PROSTITUTAS

«O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, está em risco de ser alvo de acusações criminais, por aliciamento a prostituição, no caso da jovem dançarina que participou em festas na sua casa em Milão, revelaram os investigadores do caso.

Em comunicado, a equipa de procuradores confirmou ter convocado Berlusconi assim como os seus advogados neste processo em que “Il Cavaliere” é suspeito de ter “interferido de forma inadequada” quando em Maio passado tentou libertar de uma esquadra a rapariga, então com 17 anos, que tinha sido detida em Milão por suspeitas de roubo.

Berlusconi, que foi ele mesmo buscar a rapariga à esquadra, admitiu publicamente conhecê-la, e até ter telefonado à polícia de Milão. Mas nega ter cometido qualquer crime ou agido de forma imprópria. Sustenta que se limitou a prestar ajuda a uma pessoa que precisava de ajuda e que não exerceu qualquer influência nem pressionou os agentes para que Karima fosse libertada.» [Público]

Parecer:

O que diria o senhor Palma se fosse em Portugal...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»

PETER DAM

GOOGLE SCIENCE FAIR

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sexta-feira, janeiro 14, 2011

Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência

A notícia da primeira página do SOL caiu que nem uma bomba, ainda os últimos jornais estavam a chegar às bancas e já se preparava uma segunda edição com mais pormenores, soube-se que José Sócrates e mais alguns membros e ex-membros do governo socialista tinham adquirido vivendas de luxo numa urbanização algarvia, a quinta das roseiras. As suspeitas adensam-se quando se sabe que o negócio foi feito através de uma off-shore pertencente a um ajunto de José Sócrates, amigo de confiança e homem da máxima de confiança do primeiro-ministro.

Os jornalistas dos jornais da concorrência empenham-se agora na investigação de todo o património imobiliário de José Sócrates, incluindo o dos seus familiares. O líder sindical do Ministério Público já tomou posição pública defendendo que havendo suspeita de enriquecimento ilícito e fraude fiscal deve haver lugar a uma investigação levada até às últimas consequências, apelando ao Presidente da República que exija do Procurador-Geral da República que disponibilize todos os meios necessários à investigação.

Quando o Público divulga a informação de que José Sócrates terá ganho mais de 100 mil euros num negócio de acções fora da bolsa, com acções compradas a preço de favor que depois foram compradas por um banco de amigos que entretanto faliu devido a sucessivas fraudes o país indignou-se. Pedro Passos Coelho convocou a comunicação social para exigir a José Sócrates que esclareça de forma cabal todos os seus negócios, ameaçando que se não o fizer apresentará uma moção de censura.

Respondendo aos jornalistas durante uma visita à Feira Nacional da Agricultura o Presidente da República desdramatizou a situação, assegurando que usaria dos seus poderes para evitar uma crise política, desafiando os portugueses a confiarem na justiça, acrescentando que espera que tudo seja esclarecido. Questionado sobre se confiava na honestidade do primeiro-ministro respondeu que cabe à justiça esclarecer essa questão e que não cabe ao Presidente a emissão de certidões de honestidade.

Confrontado com os pedidos dos jornalistas para que esclareça os seus negócios José Sócrates convocou uma conferência de imprensa onde em vez de esclarecer as dúvidas optou por afirmar a sua inocência. Assegurou que pagouy todos os impostos e que se alguém o pretendesse confirmar que fosse consultar o seu site, assegurando que já lá tinha explicado tudo, acrescentando que para serem mais honestos do que ele teriam de nascer três vezes. Questionado sobre quando fez a escritura respondeu que tem uma memória muito complicada, ainda se lembrava do sermão do padre de uma das muitas missas semanais e ocasionais em que esteve presente há cinco anos, mas não tinha a mais pequena ideia de onde se fez a escritura, que não se lembra de onde comprou a casa e só tinha uma leve ideia de quem a comprou. Para encerrar o assunto lembrou que não passa de um mísero engenheiro que nada percebe de negócios de casas e ainda por cima com termos técnicos em inglês.

O Bloco de Esquerda não perdeu tempo e informou em comunicado que vai propor a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito para aferir se o primeiro-ministro usou dinheiro seu no negócio de acções ou se o mesmo banco que as vendeu a preço de favor também adiantou o dinheiro, tendo o primeiro-ministro limitado a sua intervenção a indicar o NIB da conta para onde deveriam ter sido transferidos os lucros fáceis. O PSD decidiu, entretanto, aprovar a comissão se esta também se debruçar a eventual fraude fiscal no recurso à off-shore de um amigo para comprar a vivenda no Algarve.

Na Quadratura do Círculo o filósofo Pacheco Pereira defendeu que mais do que qualquer outra acusação ao primeiro-ministro, a confirmarem-se estas afirmações são a prova da falta de carácter de José Sócrates. Na SIC a jornalista Manuela Moura Guedes antecipou programa noticioso que estava a preparar indo já hoje a versão Balsemão do Jornal da Sexta.

PS: É quase tudo mentira mas se fosse tudo verdade isto ia ser um grande regabofe!

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Pisco-de-peito-ruivo [Erithacus rubecula], Lisboa

IMAGENS DOS VISISTANTES D'O JUMENTO

Paletes de paletes [A. Cabral]

JUMENTO DO DIA

Pedro Passos Coelho

O líder do PSD escolheu Vila Real para assegurar que não tem uma factura a apresentar a Cavaco pelo apoio do seu partido, coisa em que neste país ninguém acredita, nem mesmo quando Cavaco fala em crises políticas de forma mais ou menos descarada, chegando ao ponto de escolher o dia em que o país se safou de boa no mercado financeiro para o fazer.

Mas o lado mais lamentável deste apoio não está nesse mesmo apoio que é mais do que óbvio, está no facto de ter escolhido o distrito de cujas listas de deputados foi excluído pelos cavaquistas de Manuela Ferreira Leite, uma candidata que mais não era do que uma moça de recados de Cavaco Silva nas eleições legislativas.

Passos Coelho poderá não apresentar a factura mas é um facto que ao esquecer a sua dignidade suporta um preço bem mais elevado do que o esperado.

«"Deixem-me sossegar os espíritos mais perturbados. O PSD não tem nenhuma factura para apresentar", disse Pedro Passos Coelho hoje, durante uma acção de apoio à candidatura de Cavaco Silva a Belém.» [Diário Económico]

CAVACO TAL E QUAL CAVACO TEM SIDO

«Nem o FMI chega nem a gente almoça. Todo o santo dia, todos os dias da semana, o apelo ensurdecedor: "Sobe, sobe, marujinho/ / Àquele mastro real/ Vê se vês falência de Espanha/ O FMI em Portugal." Nunca um país teve tantas almas penadas com a mão em pala e os olhos no horizonte - a posição favorita dos economistas em Portugal. Excepto, claro, quando se trata daquele professor de Economia que é candidato - embora nunca político, porque isso nunca o foi, credo! - e nessa condição de candidato é o único economista do mundo que se faz fotografar em cima do capô de um automóvel a agradecer aplausos. Esse, o do capô, é suficientemente cágado para não apelar: "Acima, acima gajeiro/ Acima ao tope real!/ Topa falência de Espanha/ O FMI em Portugal." Não, esse costuma fazer de conta que quer a nau catrineta chegada a bom porto. Mas em dias, como ontem, em que se acalmam mares e ventos, dias em que surge a ténue esperança de a nau chegar a terra, esse, o cágado, retira a máscara e declara: "Não podemos excluir a possibilidade de ocorrer uma crise grave em Portugal, não apenas no plano económico e social, mas também no plano político." Se é isto um político responsável vou ali e já venho. Vergonha para os políticos portugueses - e falo dos de todos os partidos que estão dispostos a governar - que não souberam apresentar alternativas a este sonso. » [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

EU JÁ O TINHA DITO

«Na Aldeia da Coelha, Cavaco Silva tem por vizinhos Oliveira Costa e Fernando Fantasia, homens-fortes da SLN. Um loteamento que nasceu à sombra de muitas empresas e off-shores. A escritura do lote do Presidente da República não se encontra no Registo Predial de Albufeira. O próprio não se recorda em que cartório a assinou. Um dos promotores da urbanização, velho amigo e colaborador de Cavaco, diz que a propriedade foi adquirida "através de um permuta com um construtor civil".» [Visão]

Parecer:

Diz-me quem já visitou a casa que está muito acima das posses de um governante ou, como Cavaco prefere designar-se, de um mísero professor!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investiguem-se os negócios do seu antigo adjunto envolvido na promoção desta urbanização.»

PROSTITUTAS HOLANDESAS VÃO PASSAR A PAGAR IMPOSTOS

«As medidas de austeridade europeias chegaram às prostitutas da capital holandesa. Estas já foram avisadas para estarem à espera de uma visita dos cobradores de impostos em 2011. A actividade legalizada na Holanda desde 2000, até agora livre de cobranças, vai deixar de o ser.» [ CM]

Parecer:

Cá o mais difícil vai ser conseguir que os filhos paguem.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proponha-se idêntica decisão em Portugal.»

DESESPERO, DIZ CAVACO

«"É um desespero muito grande", prosseguiu Cavaco Silva. "Façam as investigações que quiserem, publiquem tudo, no dia 23 [dia das eleições] talvez eu possa ler".

Segundo a revista, "o Cavaquistão da Coelha" tem origem em 1993. Teófilo Carpeto Dias, que foi assessor administrativo de São Bento quando Cavaco Silva era primeiro-ministro, adquiriu duas sociedades 'offshore', uma das quais promovia a urbanização da Coelha. A revista explica a forma como Carpeto Dias acabou por comprar um dos lotes da urbanização, que viria a ser habitada também por Cavaco Silva, Oliveira Costa e Fernando Fantasia, ex-homens-fortes da Sociedade Lusa de Negócios. » [DN]

Parecer:

Com tanto coelho a saltar por tudo quanto é lado o nome da urbanização é apropriado. Agora vamos esperar que Cavaco mostre à comunicação social a sua vivenda digna de um mísero professor.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cavaco se percebe tanto de escrituras como de acções com nomes esquisitos em inglês.»

HÁ QUE PROTEGER OS MAGISTRADOS AMIGOS

«O líder parlamentar do PSD, Miguel Macedo, confirmou hoje a intenção de votar contra a proposta de lei que altera o Estatuto dos magistrados judiciais, alegando que introduz cortes acrescidos nos vencimentos.» [DN]

Parecer:

Lembre-se que o presidente do sindicato dos magistrados do MP, a crer em declarações de Ângelo Correia, é militante do PSD.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Reprove-se.»

CHINA COMPROU DÍVIDA PORTUGUESA

«A China admitiu ter comprado hoje dívida pública espanhola em leilão depois de ter feito o mesmo por Portugal na quarta-feira, num gesto que visa dar aos investidores confiança nas economias dos dois países.» [DN]

Parecer:

Está esclarecida a dúvida de Cavaco Silva.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informe-se Cavaco Silva e aproveite-se a oportunidade para lhe perguntar se no seu tempo de primeiro-ministro recebia uma lista de compradores da dívida portuguesa.»

CAVACO VOLTOU A TER MEMÓRIA

«Em Valpaços, a Igreja entrou na campanha. O candidato apoiado pela direita foi recebido esta manhã na Praça do Município pelo presidente da câmara, João Mateus, mas foi ao pároco da terra a quem Cavaco Silva pediu, em primeiro lugar, ajuda no combate à abstenção nas eleições Presidenciais de dia 23 de Janeiro. "A última vez que aqui estive fui à missa com o pároco que encontrei aqui e ainda me lembro do sermão", disse Cavaco Silva do cimo das escadas do edifício dos Paços do Concelho perante os populares que o olhavam de baixo. "Espero que ele apele ao exercício do vosso sentido cívico", disse, antes de agradecer de braços no ar o apoio da população. Só depois de desejar o apoio da igreja, Cavaco Silva dirigiu-se ao presidente da câmara, apelando à ajuda do autarca para a mobilização para o voto. » [i]

Parecer:

Não se lembra de nada nos negócios de acções, não se lembra de onde fez a escritura da sua luxuosa casa no Algarve, mas lembra-se do sermão (há quem lhe chame homilia) que o padre de Valpaços. Notável!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

O AMOR À PORTUGUESA NUMA PRISÃO FRANCESA

«Florent Gonçalves, um luso-descendente director da prisão de Versalles, em Paris, foi demitido por manter uma relação com uma prisioneira. Emma, a reclusa, está a cumprir 9 anos de pena por ter servido de isco para uma vítima do "gangue dos bárbaros", noticia o Expresso.O ex-director da prisão, de 41 anos disse estar apaixonado pela reclusa, com quem mantinha relações sexuais dentro da prisão. Emma, de 21 anos, tinha também seduzido um guarda que foi igualmente demitido.» [i]

MISS INGLATERRA COMBATE NO AFEGANISTÃO

«Depois de ter vivido as "glórias" do seu reinado, Miss Inglaterra 2009 prepara-se agora para uma missão mais árdua: seguir com as tropas britânicas para o Afeganistão.

Na verdade, estas andanças militares não são nenhuma novidade para Katrina Hodge, de 25 anos. Muito antes de ter sido consagrada rainha da beleza das terras de sua majestade a rainha de Inglaterra, a jovem já havia pegado em armas e rumado ao Iraque. A vida militar de Katrina iniciou-se aos 17 anos, influenciada pelo seu irmão, também ele soldado.» [JN]

NO "ASPIRINA B"

O post "Independência dos magistrados ou dependência dos magistrados? ":

«A independência dos magistrados, em todos os sentidos, é uma das condições de existência de uma democracia material.

Munidos deste conceito elementar, fomos confrontados com a notícia de que todos os funcionários públicos terão cortes nos seus salários, o que muita gente lamenta, mas entende, em face das circunstâncias. É uma medida necessária, dir-se-á, mas, evidentemente, dura para muita gente.

Há, no entanto, uma classe que preocupa alguns de forma acrescida . Por isso lemos que o PSD vai chumbar cortes nos salários dos magistrados.

Por que é que se anuncia a protecção excepcional daqueles que menos sofrerão com estas medidas? Porque cortar o salário de um funcionário dos correios não ameaça o poder, ou a fome dele, ou a expectativa do seu exercício, mas cortar os salários dos magistrados “pode comprometer a independência destes profissionais”, justificação que deve ser entendida ao contrário.

Dos estudos que tenho na memória, recordo-me que os magistrados portugueses, quando analisamos o seu vencimento (no fim de carreira) em comparação como o salário médio nacional, ficam à frente de países do terceiro mundo, como a Bélgica, a Finlândia, a Noruega, a França, a Suécia, a Holanda, ou a Alemanha.

É uma classe bem paga, o que tem a ver com a função que exerce.

Sabemos, também, que os magistrados não estão num feudo acima da lei, antes estando sujeitos, precisamente, à lei e a nada mais do que a lei.

Se a situação do país exige cortes salariais que atingem toda a função pública, a que propósito é que os magistrados devem ser poupados?

Ninguém compra a conversa da santa independência dos juízes, porque, absolutizando o princípio, nunca, jamais, em tempo algum, poderia discutir-se a sua remuneração ou questões singelas como a tributação do subsídio de residência ou a pertinência do mesmo em casos que não exigem uma deslocação.

Quem luta para que os cortes salariais atinjam todos mas não os magistrados não está preocupado com independências, está preocupado com utilidades.

Tem-se medo, precisamente, da independência dos magistrados. E o medo é de quem não a tem, certo?»

HAITI, ON YEAR LATER [Boston.com]

DRAGO CEROVSEK