sábado, janeiro 22, 2011

Obrigadinho

Obrigadinho Manuel Alegre, em cinco anos ajudou um Cavaco derrotado por Jorge Sampaio e pela história a chegar a Presidente da República, agora e apesar de ter sido o pior presidente da história da República está à beira de um ajudar a ser reeleito. Graças à sua ambição e vaidade a direita consegue por duas vezes ter um presidente da república por dois mandatos num país onde socialmente é minoritária, ainda por cima e para ser mais humilhante consegue-o com uma personalidade que saiu do poder detestado pela maioria dos portugueses. É obra.

Obrigadinho Manuel Alegre pelo esforço que fez para credibilizar a extrema-esquerda que nos últimos anos nunca hesitou em se aliar à direita mais conservadora, não hesitando em alinhar em golpes baixos como sucedeu com a comissão parlamentar de inquérito da TVI. Obrigadinho também por ter ajudado a derrubar ministros competentes colocando no seu lugar incompetentes da sua confiança, tendo para isso alinhado no apoio a todas as manifestações populistas organizadas pela direita e pela extrema-esquerda.

O problema é que ao ajudar o Bloco de Esquerda, ao ter poupado a direita aos seus discursos poéticos, ao salvar os partidos de direita promovendo a divisão no seu próprio partido, ameaçando-o de cisão durante cinco anos não conquistou um único voto à direita ou ao centro e perdeu a confiança de muitos dos seus companheiros, nem sequer conseguiu a confiança de uma boa parte da extrema-esquerda que vai votar em Fernando Nobre.

A esta hora ainda pode acalentar a esperança de ir a uma segunda volta ao mesmo tempo que já começou a encontrar os culpados por uma eventual derrota, já o começou na fazer em plena campanha eleitoral e o próprio Louçã já adiantou alguns. Mas se passar à segunda volta é porque muitos eleitores votaram contra Cavaco optando pelas candidaturas de Fernando Lopes, José Manuel Coelho, Fernando Nobre e Defensor Moura.

Obrigadinho Manuel Alegre, mas deixe lá, continua no primeiro lugar da fila de espera para todos os cargos a que acha ter direito, mesmo que os seus camaradas de partido ou os leitores não o desejem.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Melro-preto [Turdus merula] no Jardim Gulbenkian, Lisboa

IMAGEM DO DIA

Sineta, São Simão [A. Cabral]

JUMENTO DO DIA

Cavaco Silva

Que se saiba Cavaco Silva esteve empenhado na aprovação do orçamento e até sincronizou a apresentação pública da sua candidatura com a assinatura do acordo entre PSD e o governo, na ocasião estava pouco preocupado com as medidas orçamentais acordadas, apenas queria aparecer como o presidente que salvou o país.

Transvestido em candidato Cavaco Silva esquece-se do seu papel na aprovação do orçamento e vem agora apresentar propostas alternativas. Uma vez diz que alertou há sete anos, outras vezes alerta com sete semanas de atraso. Isto é oportunismo político pouco digno de alguém que ainda é Presidente da República.

«Cavaco Silva afirmou esta sexta-feira que, em alternativa aos cortes salariais, o Governo poderia ter criado “um imposto extraordinário para todos os portugueses acima de um certo rendimento”. O candidato presidencial considerou que os sacrifícios exigidos nos últimos tempos não se dirigem a todos os portugueses.» [CM]

TÍTUO PIOR QUE NOS PDOERIA SUCEDER

O pior que nos podia suceder em tempos de crise era temos um Presidente da República cuja legitimidade é questionada por suspeições que resultam da sua recusa em esclarecer alguns negócios muito bem sucedidos e com níveis de rentabilidade acima do economicamente admissível.

A CAMPANHA DOS RESTOS

«Não me lembro de outras eleições assim. Será talvez da minha memória, mas nunca ouvi tanta gente dizer "não sei em que vou votar, e tu?". Nunca vi tantos a prometer um-do-li-tá na cabine de voto, ou a garantir que a cruzinha vai para um dos candidatos "de protesto" - José Manuel Coelho ou Defensor Moura, Nobre ou mesmo Lopes. Nunca ouvi tanta gente pedir palpites, como quem, face ao menu num novo restaurante, pergunta à mesa, para ajudar à decisão, o que vai comer.

Sucede que neste particular restaurante os pratos, como naquela caritativa campanha em que o presidente-candidato tanto se empenhou, são restos requentados e, no caso, já sobejamente mastigados. Nenhuma surpresa, novidade ou expectativa; apetite zero, mesmo entre as hostes supostamente alinhadas - quem no PSD de Passos Coelho e no PP de Portas se lambe com a dianteira do Cavaco, se não por achar que abre caminho para eleições antecipadas? Quem no PS de Sócrates e no BE de Louçã tem água na boca face à retórica de Alegre? Se as presidenciais são quase sempre as eleições dos ajustes tácticos e dos apoios sem alma, estas são as do refluxo gástrico e da indigestão.

Mas, sendo tarde para protestar pelo que nos puseram à frente - até porque, afinal, somos responsáveis por isso - e não podendo mandar para trás tais acepipes, tentemos o requinte possível. Até porque sabemos que um deles, em excesso, nos promete uma supimpa intoxicação alimentar. De facto, ninguém, à parte Cavaco, "sua senhora" e núcleo duro, está realmente interessado numa vitória estrondosa do actual presidente; não faz salivar sequer os partidos que o apoiam - e cujas lideranças execram o candidato e o que representa, como ele a elas. Além disso, os que vêem o voto no candidato-presidente (que tem apostado nesse filão, chegando ao cúmulo de desvergonha de fazer campanha contra vários aspectos do Orçamento do Estado que não só promulgou como se gabou de ter ajudado a aprovar) como um protesto contra o Governo e a política de austeridade não devem ignorar que, sendo as alternativas governamentais o que são e as circunstâncias europeias e mundiais as que se conhecem, não podem senão esperar mais do mesmo ou, caso haja eleições antecipadas, bastante pior ainda - ou não se soubesse já, com detalhe, o que aqueles que agora se condoem com "os sacrifícios injustos" têm no forno, quentinho, à espera de sair.

Isso mesmo, afinal, nos garante o presidente-candidato, quando, num paroxismo do despudor destrambelhado que é o seu discurso quando sem script (e muitas vezes com) adverte para "os riscos" que uma segunda volta trará aos juros da dívida soberana: a sua eleição nada muda nem faz qualquer diferença quanto ao essencial daquilo que é "a situação do País". A não ser fazer-nos crer que, pobrezinhos, não podemos dar-nos ao luxo de ter da democracia mais que as raspas que Sua Honestidade Reverendíssima nos chega - e de longe. » [DN]

Parecer:

Por Fernanda Câncio.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

AS CONTINHAS DE UM GUARDA-LIVROS

«
Dizem as sondagens que Cavaco Silva passará à primeira volta. Diz o próprio, não dê vontade aos seus adeptos de ir pescar, que urge acabar já este domingo. Desejo legítimo, porque ele está na campanha para ganhar. E sendo ele o único capaz de ganhar na primeira volta, o que é menos certo na segunda, é natural que apele para que se resolva agora a vitória que está na mão e não mais logo quando ela pode voar. Razão tinha, mas argumentou como lhe é tão próprio, com um lápis atrás da orelha: "Nós não podemos prolongar esta campanha por mais três semanas. Os custos seriam muito elevados para o País e seriam sentidos pelas empresas, pelas famílias, pelos trabalhadores, desde logo, pela via da contenção do crédito e pela subida das taxas de juro", disse Cavaco Silva. A democracia custa demasiado, não é?... Pode entrar- -se para a política há 31 anos (ministro em 1980) e nunca se esquecer as continhas que se fez à vida para não ter uma opinião política até aos 35 anos. Soares, Cunhal, Sá Carneiro e Freitas (referências vastas), pensando assim ou assado, não esperaram por essa idade, nem que viesse 1974 para lhes dar autorização, para terem uma opinião. Pode ter-se tido um mandato presidencial e voltar a ter outro, mas, quando a alma é feita de cálculo, os seus discursos terão sempre o dom de nos tornar tacanhos. »
[DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

MAIS UM NEGÓCIO ESTRANHO DE CAVACO SILVA

«No dia 9 de julho de 1998, a notária Maria do Carmo Santos deslocou-se ao escritório de Fernando Fantasia, na empresa industrial Sapec, Rua Vítor Cordon, em Lisboa, para registar uma escritura especial. O casal Cavaco Silva (cerimoniosamente identificados com os títulos académicos de "Prof. Dr." e "Dra") entregava a sua casa de férias em Montechoro, Albufeira, e recebia em troca da Constralmada - Sociedade de Construções Lda uma nova moradia no mesmo concelho. Ambas foram avaliadas pelas partes no mesmo valor: 135 mil euros. Este tipo de permutas, entre imóveis do mesmo valor, está isento do pagamento de sisa, o imposto que antecedeu o IMI, e vigorava à época.

Mas a escritura refere, na página 3, que Cavaco Silva recebe um "lote de terreno para construção", omitindo que a vivenda Gaivota Azul, no lote 18 da Urbanização da Coelha, já se encontrava em construção há cerca de nove meses. Segundo o "livro de obras" que faz parte do registo da Câmara Municipal de Albufeira, as obras iniciaram-se em 10 de Outubro do ano anterior à escritura, em 1997. Tal como confirma Fernando Fantasia, presente na escritura, e dono da Opi 92, que detinha 33% do capital da Constralmada, que afirmou, na quinta-feira, 20, à VISÃO que o negócio escriturado incluía a vivenda.

"A casa estava incluída, concerteza. Não há duas escrituras." Fantasia diz que a escritura devia referir "prédio", mas não é isso que ficou no documento que pode ser consultado no cartório notarial de António José Alves Soares, em Lisboa, e que o site da revista Sábado divulgou na quarta-feira à tarde. Ou seja, não houve lugar a qualquer pagamento suplementar, por parte de Cavaco Silva à Constralmada. A vivenda Mariani, mais pequena, e que na altura tinha mais de 20 anos, foi avaliada pelo mesmo preço da Gaivota Azul, com uma área superior (mais cerca de 500 metros quadrados), nova, e localizada em frente ao mar. Fernando Fantasia refere que Montechoro "é a zona cara" de Albufeira e que a Coelha era, na altura, "uma zona deserta", para justificar a avaliação feita.

A Constralmada fechou portas em 2004. Fernando Fantasia não sabe o que aconteceu à contabilidade da empresa. O empresário, amigo de infância e membro da Comissão de Honra da recandidatura presidencial de Cavaco Silva, não se recorda se houve "acerto de contas" entre o proprietário e a construtora.

"Quem é que se lembra disso agora? A única pessoa que podia lembrar-se era o senhor Manuel Afonso [gerente da Constralmada], que já morreu, coitado..."

No momento da escritura, Manuel Afonso não estava presente. A representar a sociedade estavam Martinho Ribeiro da Silva e Manuel Martins Parra. Este último, já não pertencia à Constralmada desde 1996, data em que renunciou ao cargo de gerente. Parra era, de facto, administrador da Opi 92.

Outro interveniente deste processo é o arquiteto Olavo Dias, contratado para projetar a casa de Cavaco Silva nove meses antes de este ser proprietário do lote 18. Olavo Dias é familiar do Presidente da República, por afinidade, e deu andamento ao projeto cujo alvará de construção foi aprovado no dia 22 de setembro de 1997.

A "habitação com piscina" que ocupa "620,70 m2" num terreno de mais de1800, é composta por três pisos, e acabou de ser construída, segundo os registos da Câmara a 6 de agosto de 1999. A única intervenção de Cavaco Silva nas obras deu-se poucos dias antes da conclusão, a 21 de julho de 1999, quando requereu a prorrogação do prazo das obras (cujo prazo caducara em 25 de junho).

A família Cavaco Silva ocupa, então, a moradia, em agosto. A licença de utilização seria passada quatro meses depois, a 3 de dezembro, pelo vereador (atual edil de Albufeira, do PSD) Desidério Silva, desrespeitando, segundo revela hoje a edição do Público, um embargo camarário à obra, decretado em dezembro de 1997, e nunca levantado.

A VISÃO não conseguiu obter nenhum comentário do Presidente da República. » [Visão]

Parecer:

O melhor é dizer que quem fez o negócio foi Cavaco Silva, talvez assim apareça muito boa gente a esmiuçar o assunto e a exigir uma investigação pelo Ministério Público.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proponha-se.»

LADRÕES IDIOTAS

«Cinco homens, dois deles menores, foram presos em Silver Springs, no estado norte-americano da Florida, depois de assaltarem uma casa e levarem as cinzas de um morto e de mais dois cães, por as terem confundido com droga.» [CM]

À ATENÇÃO DO PESSOAL DO BPN E DA COELHA

«O mais conhecido construtor italiano de automóveis revelou hoje as primeiras imagens do Ferrari Four (FF), o seu novo modelo desportivo com tracção às quatro rodas e quatro lugares. A marca concebeu um microsite para o carro (http://www.ferrarifour.com/), com fotografias e um vídeo de um ensaio, que mostra algumas imagens do aspecto interior do automóvel e do seu desempenho em pisos molhados e com neve.» [DN]

A ANEDOTA DO DIA

«Admite, eventualmente, vir a ser penalizado pela impopularidade do Governo, pelo desgaste da imagem do primeiro-ministro?

Admito, com certeza. Admito que sim. Embora ache que as pessoas fazem uma diferença entre mim e o Governo. Na rua não ouvi tantas queixas como aquelas que estava a contar. Admito que sim. Mas a presença do PS também conta.» [DN]

Parecer:

Triste Alegre.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

TÍTUO MAU EXEMPLO DE CAVACO

«Cavaco Silva fez obras durante um ano na sua actual residência de Verão com a licença caducada e em desrespeito do processo inicialmente aprovado.

As obras foram concluídas em Agosto de 1999, mas o então professor de economia e ex-primeiro-ministro só obteve a licença para fazer as obras de alteração a 30 de Novembro desse ano. Onze dias antes, porém, já tinha requerido a licença de utilização da moradia, a qual foi emitida, sem a necessária vistoria camarária prévia, a 3 de Dezembro.

As irregularidades no licenciamento da construção da sua moradia, a vivenda Gaivota Azul, na urbanização da Coelha, concelho de Albufeira, a 600 metros da praia da Coelha, não são um caso inédito. Mas o acervo documental reunido nos três volumes do processo camarário consultado pelo PÚBLICO mostra um conjunto de procedimentos marcado por sucessivas violações das normas legais em matéria urbanística.

Numa declaração transmitida por um membro da candidatura, Cavaco Silva respondeu ontem às perguntas do PÚBLICO dizendo apenas: “Não alimento esse tipo de campanhas.”

Das irregularidades neste processo, umas são da responsabilidade da empresa Galvana — de que era sócio e representante Teófilo Carapeto Dias, um amigo de infância e antigo assessor de Cavaco. A Galvana era a proprietária e foi ela que iniciou a construção da moradia em Outubro de 1997. Outras são da responsabilidade do actual Presidente da República, que adquiriu, em Julho de 1999, os 1891 metros quadrados da propriedade, que resultaram da junção de dois lotes da urbanização, com a estrutura de uma moradia de três pisos concluída, paredes exteriores rebocadas e telhado quase pronto.

A construção arrancou devidamente licenciada, com um alvará emitido em nome da Galvana, válido até 25 de Junho de 1998. O projecto, do arquitecto Olavo Dias, começou por levantar alguns problemas, visto que a sua implantação incidia sobre dois lotes nos quais estavam previstas duas moradias, mas tudo se resolveu com uma alteração ao alvará de loteamento. A aprovação desta alteração, que fez com que o lote de Cavaco Silva tenha perto do dobro da área de todos os outros, deveria ter sido precedida de um parecer da antiga Comissão de Coordenação Regional do Algarve. Esse parecer, embora a câmara tenha deliberado no sentido de ele ser solicitado, não consta do processo.

A obra licenciada, com cave, rés-do-chão e primeiro andar, incluía cinco quartos duplos e um simples, todos com casa de banho, e totalizava uma “área bruta de construção” de 620m2, sendo a chamada “área útil” de 388m2 e a “área habitável” de 242m2. O projecto previa também uma piscina de 90m2.

Embargo em 1997

Logo em Dezembro de 1997, dois meses depois do começo, a obra foi embargada por despacho do presidente da Câmara, por a Galvana “estar a levar a efeito a alteração e ampliação” da moradia, ao nível da cave, “em desacordo com o projecto aprovado”.

Nessa altura, contudo, já a Galvana tinha entregue no município um “projecto de alterações pontuais”, subscrito por Olavo Dias a 28 de Outubro. O projecto de arquitectura chegou a merecer uma aprovação em Março do ano seguinte, mas o processo não teve andamento por falta dos projectos de especialidades, não sendo emitida a necessária licença para as alterações requeridas.

Quanto ao embargo, o mesmo foi ignorado pela Galvana que, conforme consta do Livro de Obra — um registo ofi cial no qual o director técnico anota regularmente a data de realização das partes mais importantes da obra — nunca suspendeu os trabalhos.

O incumprimento de uma ordem de embargo implicava à época, nos termos do artigo 4º do decreto-lei 92/95, “independentemente da responsabilidade criminal que ao caso couber”, a “selagem do estaleiro” e dos equipamentos em uso na obra. “Desrespeitar um embargo é um crime de desobediência previsto no regime de licenciamento e no Código Penal”, disse ao PÚBLICO um jurista especialista na área do urbanismo e edificação.

A avaliar pelos documentos camarários, a violação do embargo nunca teve qualquer consequência e a obra nunca foi objecto de desembargo. Foi assim, com os trabalhos legalmente embargados e com a licença caducada desde 25 de Junho de 1998, que Cavaco Silva se tornou proprietário do terreno e da moradia que nela se encontrava em fase adiantada de construção (ver caixa). Pela mão da mesma empresa de construção de Almada, a Manuel Afonso Ldª, que estava a trabalhar para a Galvana, Cavaco Silva prosseguiu os trabalhos em violação do projecto licenciado e sem licença válida. Dez meses depois de ter adquirido a propriedade, Cavaco Silva requereu à Câmara a passagem do processo para seu nome (o chamado averbamento) e um ano depois, a 21 de Julho de 1999, com os acabamentos da moradia praticamente concluídos, pediu a prorrogação da licença caducada há mais de um ano. No mesmo dia, solicitou também uma licença para “a execução das obras de alteração”.

No que respeita ao primeiro pedido, o da prorrogação da licença, a Câmara nem sequer respondeu, presumivelmente porque a obra continuava embargada e o projecto de alterações apresentado em 1997 nunca tinha sido licenciado.

Já no caso do novo pedido de licenciamento e com as obras terminadas desde o mês anterior, o proprietário entregou a 3 de Setembro de 1999 os projectos de especialidade referentes às alterações, incluindo o projecto de estabilidade e cálculos de betão. A 19 de Novembro pediu que lhe fosse passada a licença de utilização da moradia e só 11 dias mais tarde, a 30 de Novembro, é que o então vereador Desidério Silva, actual presidente da Câmara (PSD), assina a licença para a execução das obras de alteração há muito concluídas.

Logo a 3 de Dezembro, sem que haja registo da realização da vistoria camarária, destinada a verificar se o que foi feito é o que foi licenciado, Desidério Silva assinou a licença de utilização.» [Público]

Parecer:

Uma vergonha este candidato.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»

LANDSLIDES IN BRAZIL [Boston.com]

KRISTAPS KITNERS

LETUDIANT.FR

sexta-feira, janeiro 21, 2011

É a nossa vez de ajudar Cavaco Silva

Quando foi primeiro-ministro Cavaco Silva ajudou o país promovendo as reformas necessárias para melhorar a competitividade externa, designadamente, em domínios como o ensino ou a formação profissional, eleitos como prioritários na sequência da adesão à CEE.

Cavaco ajudou também a agricultura portuguesa, preparou-a para resistir num mercado competitivo e exigente com medidas como o desmantelamento das medidas de protecção acordadas com a CEE ainda antes do prazo previsto.

Ajudou também muita gente de poucas posses, alguns dos quais se vieram a transformar em banqueiros bem sucedidos, tão bem sucedidos que as acções das suas empresas chegaram a valorizar-se mais de 70% ao ano.

Como Presidente da República Cavaco Silva usou os seus vastos conhecimentos de economia (excepto no domínio das acções com nomes ingleses) para ajudar a economia portuguesa a resistir à crise financeira internacional.

Ajudou ainda a encontrar uma melhor localização para o novo aeroporto de Lisboa, o que levou à opção por Alcochete, por coincidência em terrenos vizinhos aos de um dos seus vizinhos na Quinta da Coelha.

Está na hora de os portugueses fazerem prova da sua gratidão e generosidade e ajudar Cavaco Silva, agora que ele precisa. Ajudemo-lo a terminar a carreira política antes que deixe de ter idade para gozar das suas pensões, carteira de acções e Quinta da Coelho e a terminar o mandato de Presidente da República com a dignidade que o cargo merece.

Umas no cravo e outras na ferradura

FOTO JUMENTO

Flor no Estádio Universitário, Lisboa

IMAGENS DOS VISITANTES D'O JUMENTO

Barco moliceiro, Aveiro [A. Cabral]

JUMENTO DO DIA

Teixeira dos Santos

Parece ser evidente que o governo aplicou a norma adoptada no OE para maximizar os cortes nos vencimentos e o argumento usado por Teixeira dos Santos é manhoso. O ministro disse que nenhum vencimento sofreria um corte acima dos 10% mas essa não é a questão, o problema é que nos vencimentos que não estão sujeitos ao maior corte os cortes aplicados foram maiores do que o esperado.

O governo foi pouco honesto e transparente e a Teixeira dos Santos não bastou cortar, aproveitou-se da falta de clareza da norma, que como agora se percebe era intencional, para cortar acima do que seria legítimo tendo em consideração as suas declarações iniciais. Bem, a verdade é que Teixeira dos Santos comportou-se de forma manhosa desde sempre pois no início nem sequer foi claro em relação a saber-se se o corte era pontual ou se era para ficar, como se veio a confirmar.

A explicação dada pelo ministério das Finanças para além de ser manhosa é eticamente inaceitável, não é admissível que as regras adoptadas no corte de vencimentos não sejam explicadas e só sejam do conhecimento de Teixeira dos Santos que responde com evasivas.

Cada vez gosto menos deste ministro.

«Milhares de funcionários públicos começaram hoje a receber pelas novas tabelas e menos do que estavam à espera. Isto porque, em vez de se aplicarem as reduções que tinham sido anunciadas sobre os vencimentos brutos - de 3,5% a 10%, dependendo do valor dos salários -, os serviços acabaram por impor uma taxa à milésima, fazendo com que os cortes tenham superado as contas que os próprios trabalhadores e as suas estruturas representativas tinham feito.

Dois exemplos: um salário que em Dezembro era de 2137 euros passou agora para 2045 euros, o que representa um decréscimo de 4,301%, em vez dos 4% que seriam de esperar. Um outro vencimento, de 2718,99 euros, passou para 2533,95 euros, o que correspondeu a uma diminuição de 6,805%, quase um ponto percentual a mais do que os trabalhadores do Estado estavam à espera.

É certo que os intervalos dos cortes nunca foram claramente definidos no Orçamento do Estado, mas o governo também nunca anunciou de que forma ia aplicar a redução salarial: se reduzindo o índice remuneratório anterior se aplicando um imposto. Acabou por recorrer à aplicação de uma taxa específica.» [i]

«A mesma fonte disse ainda "que não há taxa alguma superior ao que resulta da LOE [Lei do Orçamento do Estado] " e que a "redução, por efeito do artigo 19 da LOE, não pode em caso algum ultrapassar 10 por cento da remuneração global auferida nesse mês, nos termos desse artigo". » [Jornal de Negócios]

O DIA MAIS DIFÍCIL DA CAMPANHA DE MANUEL ALEGRE

Quis o destino que os cortes dos vencimentos de alguns funcionários públicos se tenham concretizado hoje, a três dias das eleições presidenciais. Cavaco Silva teve o cuidado de se demarcar desta decisão dois dias antes de cada funcionário público ter ficado a saber quanto lhe era confiscado e Passos Coelho até teve o cuidado de escolher o dia antes para ir passear ao lado do seu candidato.

Houve o cuidado de adiar a distribuição da folha de vencimentos o que habitualmente chega às mãos dos funcionários alguns dias antes de o vencimento ser depositado e a maioria apenas ficou a saber quanto recebeu pelo depósito no banco. Num mês em que foi descontado o dia da greve a que muitos funcionários aderiram e sem os dados relativos ao cálculo do vencimento são muitos os que ainda estão impedidos de conhecer o impacto da medida orçamental nos seus rendimentos.

A medida era necessária ? Aceito que era, mas tal como foi adoptada acabou por ser uma medida cirúrgica que teve por objectivo reduzir substancialmente a despesa sem mexer na despesa que é decidida pelos governantes ao mesmo tempo que se minimiza o seu impacto eleitoral, já que incide sobre os trabalhadores mais qualificados onde o descontentamento já era grande.

O governo poderia ter minimizado o impacto desta medida tornando-a mais equitativa mas preferiu concentrar o odioso da sua decisão num grupo reduzido onde as mudanças de decisão de voto são menores. Poderia ter distribuído a carga por todos os funcionários, poderia ter mexido nas taxas do IRS para não sobrecarregar apenas os trabalhadores do Estado e poderia ainda ter cortado nas pensões mais abastadas. Ao não fazê-lo minimizou os prejuízos eleitorais bem como o impacto da medida no consumo, isto é, optou por sacrificar um pequeno grupo.

Cavaco teve “sorte” quando a poucos dias das eleições foi adiado o julgamento do caso BPN, livrando-se do impacto que esse julgamento teria no debate eleitoral pois seria inevitável que muitos órgãos de comunicação social relembrassem as ligações entre alguns dos seus negócios e a fraude do Banco Central do Cavaquistão. Alegre teve menos sorte, o “atraso” na distribuição das folhas de vencimento adiou a discussão mas era inevitável o processamento dos vencimentos antes das eleições e acabará por ser a primeira vítima de um corte de vencimentos feito à medida das ambições eleitorais do seu partido.

A DÚVIDA DA SEMANA

As pressões de Cavaco Silva para discutir a localização do novo aeroporto de Lisboa terão sido um frete ao seu vizinho na Quinta da Coelha, que com ele fez negócios na mesma quinta e que graças à mudança de localização do aeroporto para Alcochete acabou por ganhar uma fortuna fabulosa graças à valorização dos terrenos que ali comprou?

A verdade é que o mesmo Cavaco que agora assegura que há muito tinha avisado de que não havia dinheiro no caso desta obra pública em vez de questionar a sua realização optou por questionar apenas a localização.

Ai se o tal empresário fosse amigo do Sócrates, o que não andariam por aí a dizer os Palmas e outros.

ENTRETANTO, NO DIA A DIA

«Dois reclusos não o eram tanto como se pensava. Estavam numa carrinha celular à porta do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, ambos com algemas. Estas pareciam - duas argolas, aço - das que se vê nos filmes, um tipo preso às barras da cama, ela aproveitando-se para se ir embora com a carteira dele, ele desesperado e impotente, sem poder desprender-se das tais algemas. As dos dois citados reclusos pareciam destas mas não eram. Explicação da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia: "Há umas algemas que são muito difíceis de abrir, são aquelas que têm qualidade. Há outras que são distribuídas nas forças de segurança, que são muito mais fáceis de abrir. Qualquer cidadão curioso consegue abrir aquelas algemas." Dois reclusos à porta do DCIAP podem não ser grandes cidadãos mas continuam com todos os seus direitos à curiosidade: puseram-se na alheta. Manifestamente não usavam as mesmas algemas dos filmes eróticos. Sá Gomes, director-geral dos Serviços Prisionais, mandou fazer uma vistoria geral às algemas. Ele próprio algemou-se e admitiu à Lusa que as conseguiu "abrir com facilidade". Não eram, pois, eróticas. A agência noticiosa completou a notícia da estranha experiência com esta frase: "O responsável sublinhou que 'foi a primeira vez que tal aconteceu'". Será que o director-geral quis que ficasse bem claro que nunca antes se tinha algemado?» [DN]

Parecer:

Por Ferreira Fernandes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

SOBRE "VALORES E PRINCÍPIOS"

«Tudo indica que as coisas, na Internacional Socialista (IS), funcionam assim: um partido que imponha uma feroz ditadura no seu país, que ocupe todos os escalões da Administração Pública com "boys" e homens de mão tornando-se um verdadeiro Partido-Estado, que pilhe os recursos colectivos e seja a cúpula política de uma gigantesca rede organizada de corrupção e nepotismo, "reflecte os valores e princípios que definem o nosso movimento" desde que vá mantendo o poder, nem que seja à custa de repressão e da violação sistemática dos direitos humanos.

Logo, porém, que se deixe apear e não ressuscite ao terceiro dia, passa imediatamente a não "reflectir os valores e princípios que definem o nosso movimento" e a IS já não o quer como membro.

Foi o que aconteceu ao RCD, partido do deposto ditador tunisino Ben Ali, que, três dias depois de este e família se terem metido no seu avião privado (acompanhados, segundo os media, de 1 500 barras de ouro do Banco Central) e fugido para a Arábia Saudita, foi expulso da IS por ter deixado de "reflectir os valores e princípios que definem o nosso movimento".» [JN]

Parecer:

Por António Pina.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Afixe-se.»

CAVACO JÁ NÃO QUER CRISE

«"A situação financeira é demasiado complicada e a situação económica demasiado difícil", argumentou, para afastar o cenário de uma crise. "O País não aguenta um Governo de gestão", afirmou. "Precisa de estabilidade, serenidade e tranquilidade." À noite, sublinhava que "o País está como que asfixiado por uma gigantesca dívida ao exterior". E a esta dívidajunta-se o "flagelo do desemprego", num quadro "que nos parece explosivo". Mas sem que use a "bomba".» [DN]

Parecer:

Por este andar ainda o apanhamos a fumar mais o José Sócrates.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso condescendente para com as alterações repentinas de ideias de Cavaco Silva, a idade já não o ajuda a saber muito bem o que disse no dia anterior.»

INICENTE IDIOTA

«"Sou acusado de desobediência [crime punido até um ano]), de me ter atirado para o chão e de resistir a uma detenção!", gritou José Manuel, de megafone em punho, frente aos 11 agentes das equipas de intervenção rápida da PSP ali presentes. "Mentira!", gritaram as dezenas de sindicalistas apoiantes. O julgamento do processo sumário de José Manuel foi marcado para dia 31, às 14.00, para poder ser preparada a defesa.

Marco Rosa - que dos dois foi o único a ser levado à esquadra algemado na terça-feira - está constituído arguido mas ainda "não está indiciado por crime nenhum", apesar de um agente da PSP se ter queixado de que o sindicalista o agrediu. O seu caso baixou a inquérito "e haverá agora um período de produção de prova que o Ministério Público precisa para o acusar do crime de agressão a agente da autoridade [pena até cinco anos] ou de outro crime", explicou a sua advogada Fátima Anjos.» [DN]

Parecer:

Não parece que tenha ocorrido nada mais dos que os habituais gritos e empurrões pelo que a actuação da política ao prender os dois sindicalistas só serviu para ser notícia e entreter os tribunais.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Arquive-se.»

ARGUMENTO MISERÁVEL

«Cavaco Silva fez esta quinta-feira, num almoço em Felgueiras, um apelo à sua reeleição à primeira volta. O candidato a Belém afirmou que prolongar a "campanha" teria "custos grandes para o País". Incluindo "a contracção do créditò" a a "subida das taxas de juro".

Não podemos prolongar esta campanha por mais três semanas, os custos seriam muito grandes para o País", sublinhou o candidato apoiado pelo PSD e CDS. Os penalizados seriam, enfatizou, "as famílias, as empresas e os trabalhadores". Pensem, disse ainda, "na actual situação económica do País, no que tem vindo a acontecer nos últimos dias".» [DN]

Parecer:

O mesmo é dizer que a crise se dá mal com a democracia. É lamentável que um Presidente da República que se recandidate use este tipo de argumentos para condicionar o votos dos cidadãos, desprestigiando o cargo a que concorre.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informe-se Cavaco que os seus amigos do BPN são mais responsáveis pela crise do que a democracia.»

GUTERRES ERA CONSULTOR DA CAIXA?

«António Guterres, antigo primeiro-ministro e actual Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, deixou a Caixa Geral de Depósitos (CGD), onde tinha assumido funções de consultor da administração em 2002.

A saída do banco estatal aconteceu em simultâneo com a passagem à reforma do ex-governante, que completou em Abril do ano passado 61 anos de idade. A reforma aconteceu em Junho do ano passado, altura em que pediu para se desvincular da Caixa Geral de Depósitos (CGD), embora em teoria pudesse manter-se em funções. » [DE]

Parecer:

Este país está cheio de truques para dar de ganhar à classe política.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Guterres quanto ganhava e quantas consultas deu.»

OPORTUNISMO

«No dia em que milhares de funcionários públicos recebem o primeiro recibo de ordenado com os cortes nos salários, o candidato à Presidência da República pediu consideração pelos "servidores da função pública". O termo foi o escolhido por Cavaco Silva, numa almoço em Felgueiras, para referir que no próximo domingo os portugueses devem escolher para Chefe de Estado que seja "atento à injustiças na repartição dos sacrifícios que são pedidos aos portugueses". O candidato apoiado pelo PSD, CDS-PP e MEP deu como exemplo "os servidores da função pública que merecem da nossa parte o melhor respeito e consideração".» [i]

Parecer:

Cavaco era o tal que dizia que o problema da Função Pública se resolveria quando os funcionários morressem.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se tanto oportunismo.»

ARMANI TROCA RONALDO POR NADAL

«Rafael Nadal e Megan Fox serão a imagem da próxima campanha Primavera/Verão 2011 de Giorgio Armani. O tenista espanhol sucede a Cristiano Ronaldo na promoção da marca. O vídeo da campanha, em Setembro, faz sucesso na net.» [JN]

CALOTES NA COMPRA DE AUTOMÓVEIS ULTRAPASSA OS 1.000 MILHÕES

«A cobrança duvidosa de créditos bancários ao sector automóvel aumentou em Novembro para os 1.098 milhões de euros. Este valor representa uma subida de 29 milhões face a Outubro de 2010 e é nível mais alto de sempre.

Os dados são do Banco de Portugal (BdP) que mostram que, em Novembro, os bancos nacionais tinham 15,52 mil milhões de euros emprestados às empresas do sector automóvel, o que inclui o comércio por grosso e a retalho, reparação de veículos automóveis e motociclos. » [Portugal Diário]

Parecer:

Grandes caloteiros.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Os bancos que se amanhem, com as taxas que praticam têm o prejuízo mais do que coberto.»

CAVACO ANDA SEMPRE CRECADO DE CATEIRISTAS

«"Nós não trazemos autocarros como o Sócrates!", gritava um apoiante aos jornalistas que comparavam a enchente que o líder do PS teve durante a campanha das legislativas no mesmo local.

Apesar da Rua de Santa Catarina não estar apinhada, muitos foram os populares que queriam ver Cavaco Silva ao vivo e a cores, mas que não conseguiram. A confusão foi tal que uma senhora acabou por cair ao chão mesmo em frente ao candidato, acabando por ser socorrida por um dos seguranças. E algumas pessoas queixavam-se de ter sido assaltadas. » [DN]

Parecer:

Dantes eram os carteiristas do BPN, carteiristas encartados pelo cavaquismo, agora são os carteiristas das arruadas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

TÍTUALEGRE, ANTÓNIO COSTA E LOUÇÃ JUNTOS

«O candidato presidencial Manuel Alegre faz hoje em Lisboa a tradicional descida do Chiado e tem no comício da noite a companhia do líder do Bloco, Francisco Louçã, e do "número dois" do PS, António Costa.» [DN]

Parecer:

Isto parece a tomada de posse de um futuro governo alegrista.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se mais uma gargalhada.»

VIACHESLAV POTEMKIN

CESAR