sábado, abril 09, 2011

Louçã: do político sinistro ao político sinistrado

  

Longe vão os tempos em que Louçã estava na moda, as jovens trotkystas eram lindas e viçosas, os jovens da Mackenzie eram simpatizantes do BE, todos os dias contava piadas novas, desdobrava-se entre entrevistas à comunicação social onde assegurava que nunca usaria gravata. À medida que as votações do BE subiam os jovens da McKenzie envelhecera, as beldades do BE foram sendo substituídas por senhoras que me recordam as mulheres anafadas dos kolkhozes que apareciam em foto da revista “Vida Soviética”, Louçã começou a exigir nacionalizações e a assumir-se como o grande líder da esquerda.

Convencido do seu sucesso sonhou com a destruição do PS e do PCP, pensou usar Manuel Alegre e chegou a dar entrevistas em que dizia que tinha por objectivo dividir o PS, promovia uma falsa união da esquerda de onde excluía o PS e o PCP e exibia militantes anti-Sócrates do PS ou um Carvalho da Silva zangado com o PCP. Atacava Sócrates dizendo que o líder do PS era da direita e tirava o tapete ao PCP atacando as relações deste partido com a China ou com as FARC colombianas. Era a esquerda moderna por oposição ao PS da direita e ao PCP dos ditadores.

A estratégia tinha sucesso, o BE ia de vento em popa até ao dia em que Louçã teve mais olhos do que barriga e fez de Manuel Alegre o seu candidato presidencial, se ganhasse receberia o prémio, se perdesse a culpa seria do PS, de caminho cilindrava a candidatura de Francisco Lopes. Teve azar, Manuel Alegre perdeu e Francisco Lopes foi um dos grandes vencedores, o PCP sobreviveu, Alegre voltou a apoiar Sócrates e o grande derrotado das presidenciais foi Francisco Loução de adoptou uma estratégia presidencial sem sequer ouvir os seus pares. Louçã pensava que ia à lã do PS e acabaou por ser tosquiado.

Em queda nas sondagens, derrotado nas presidenciais, com ameaças de cisão no BE e com a direita a recusar-lhe o protagonismo televisivo Francisco Louçã sentiu a necessidade de dar um golpe de mágica que lhe devolvesse o protagonismo, ouviu o PCP falar numa hipótese de moção de censura e não se conteve, mais uma vez esqueceu-se de ouvir os seus pares e a meio de uma intervenção parlamentar tirou o coelho da cartola, que ia apresentar uma moção de censura daí a mais de um mês.

Pensava voltar a ter o protagonismo que tinha nos tempos em que a direita o usou para fazer oposição ao PS, mas teve azar, caiu no ridículo. A queda só não foi maior porque Jerónimo de Sousa foi condescendente e votou favoravelmente a sua moção, deixou de ser amparado pela direita e passou a ser útil ao PCP que poupou o ridículo da apresentação da moção de censura.

Ridicularizado pela apresentação da moção de censura, descredibilizado pelas sucessivas alianças parlamentares com o PSD e o CDS Loução percebeu que para sobreviver só lhe restava uma aproximação ao PCP. A perder votos para o PS e para a direita resta-lhe enterrar o machado de guerra eleitoral com o PCP, desta forma assegura tréguas à esquerda minimizando o risco de perder votos para o PCP. E o grande líder da esquerda moderna que há pouco tempo recusou-se a receber o presidente chinês no parlamento tenta agora uma união de facto com o defensor local da anexação do Tibete.

Longe vão os tempos em que Louçã parecia ser um perfume agradável, envelheceu, o perfume oxidou e começa a cheirar mal, deixou de estar na moda, parece um frasco de perfume que foi vendido aos ciganos para o saldarem na feira de Carcavelos a algum cliente descuidado e com o nariz entupido. Está convencido de que aquilo que julga o seu brilhantismo ofusca Jerónimo de Sousa e esquece que será vítima da sabedoria do líder do PCP, ao dar-lhe credibilidade o velho serralheiro está a acabar com a credibilidade do professor com muitos artigos publicados

Louçã está a ser vítima das suas estratégias sinistras, estratégias que passam sempre por tentativas de destruição dos seus adversários e dos seus aliados, em que não tem escrúpulos de servir a direita julgando estar a servir-se dela, em que um dia diz que é moderno por oposição à ortodoxia do PCP, em que estabelece alianças para actuar como o cuco pondo os ovos em ninhos alheios, mas mais uma vez vai ser tosquiado. O político sinistro não passa de uma borboleta cujo curto ciclo de vida o vai transformar num político sinistrado.

Umas no cravo e outras na ferradura




FOTO JUMENTO


Baixa de Lisboa
IMAGENS DOS VISITANTES D'O JUMENTO


Homem invisível na Plaza Mayor, Madrid [A. Cabral]
JUMENTO DO DIA


Jerónimo de Sousa

Jerónimo de Sousa não deve saber fazer contas pois se o soubesse não andaria a falar de um governo de esquerda do PCP com o BE, a não ser que sonhe que os eleitores do PSD vão um dia votar numa ditadura do proletariado, agora mais moderna pois conta com a participação do BE.
  
«Uma reunião onde não se fez «qualquer soma aritmética», antes, a avaliação da «realidade social e particularmente a necessidade da convergência de todos aqueles patriotas e democratas, forças políticas e sociais que devem demonstrar que já basta de 35 anos de política de direita».

  
O encontro permitiu estabelecer as bases para «uma ampla convergência em relação à legislação social, à questão da ofensiva social que aí vem, a esta situação económica cada vez mais dependente do capital financeiro».
 
O PCP quer «encetar um processo de exigência de uma política patriótica e de esquerda e um governo capaz de a concretizar».» [Portugal Diário]

 UM GOVERNO ORIGINAL, SIM SENHOR
  
  
(via CC)
  
Pois, os governos anteriores quando tinha de reunir ou iam para a Caparica ou alugavam o Estádio Nacional.

 PIADAS POR EMAIL
  
Frases do dia:

 
- I'm feeling moody, standard and poor;
  
- Sócrates não é Fitch!

 

 CONTAS SEM CABEÇA

«Eis o célebre pedido de ajuda externa. E o coro (que inclui, incrível ou não, textos noticiosos) a certificar que "era inevitável", mais o coro das "partes" que se acusam mutuamente de calculismo político e irresponsabilidade. O PSD que diz que o Governo apresentou as medidas em Bruxelas sem as concertar com a oposição porque queria que fossem chumbadas e ter assim uma desculpa para se demitir e "safar-se" de pedir ajuda externa; o Governo que diz que o PSD arranjou uma desculpa para o forçar a demitir-se e desencadear a necessidade de um pedido de ajuda externa, de modo a capitalizar esse pedido duplamente, nas urnas e como álibi da austeridade e do seu verdadeiro programa político (aquele que está para surgir, num dia de nevoeiro - lá para depois das eleições).
  
Comecemos pelo pedido: inevitável ou não? Muito difícil responder. Porque o que o determina, a escalada imparável das taxas de juro impostas a Portugal, não parece ter nem uma relação directa e necessária com o estado da contas públicas (até porque, afiançam alguns decisores e observadores internacionais, o grande problema português é a dívida privada) nem com as medidas tomadas pelo Governo (e sempre, lembremos, aplaudidas pela UE e consideradas "suficientes"). Afinal, os juros subiram mesmo depois de vários pacotes de austeridade e da descida do défice e, mais relevante ainda, toda a gente sabe (enfim, quase toda) que as intervenções externas na Grécia e na Irlanda não lograram baixá-los. A coisa certa a dizer será pois que o pedido de ajuda era inevitável porque, aparentemente, nada do que fosse feito poderia evitá-lo (e uma crise política não tinha grandes hipóteses de ajudar).
  
O que nos leva aos "culpados". Há os que sustentavam a inevitabilidade do pedido, e das suas duríssimas medidas, e obstaculizaram medidas menos duras que visavam evitá-lo. Há os que contestaram sempre a inevitabilidade da ajuda e ao mesmo tempo da austeridade "interna" - a saída, dizem, é investir para estimular a economia e apoiar as vítimas da crise (estes têm toda a razão, mesmo, só se esquecem de explicar de onde viria o dinheiro, ou seja, a ajuda). E há o Governo, que se demitiu por não o deixarem tomar as medidas que, alega, evitariam o pedido e que, já demitido, disse não ter legitimidade (nem vontade) para o fazer.
  
O braço-de-ferro acabou. A dois meses de eleições, o Governo tem de negociar a ajuda em termos que comprometem o próximo - ninguém sabe bem como - e os partidos que impediram as medidas de austeridade do PEC vão agora aceitar, com ou sem ranger de dentes, outras decerto muito piores. Resta esperar que o que aqui nos conduziu tenham sido mesmo cálculos estritamente venais. Supor que alguém, e alguém com responsabilidades, pode ter querido e provocado isto pelo que julga ser o bem de Portugal é demasiado deprimente. » [DN]

Autor:

Fernanda Câncio.
  
 SUPRESAS

«Nas duas últimas semanas, os acontecimentos sucederam-se de tal forma vertiginosa que se tornou difícil sequer acompanhar a lógica da sua evolução.
  
Mas uma coisa é certa: ninguém pode invocar surpresa na verificação do facto simples de que adicionar uma crise política à difícil situação económica e financeira do País acabaria por se traduzir numa rápida degradação das condições de financiamento quer do Estado quer dos bancos portugueses.
  
Como várias vezes escrevi nesta coluna, uma crise política não é o epicentro das nossas dificuldades, mas o efeito catalisador do desencadear de uma crise política seria imparável. Como se viu sem surpresa!
  
As instituições europeias, as organizações financeiras internacionais e os mercados não olham para Portugal em função das nossas querelas políticas internas mas sim como um Estado, com o qual se relacionam e a quem pedem responsabilidades.
  
É por isso fútil tentar explicar a degradação das condições de financiamento da nossa economia verificada após a rejeição do PEC IV e da demissão do primeiro--ministro por uma alegada falta de confiança no Governo em funções. Só que, além de fútil, é perigoso.
  
Com efeito, seria pura estultícia criar a convicção nos portugueses de que o "passe de mágica" da substituição do Governo seria condição para alterar as condições de acesso aos mercados financeiros internacionais por parte dos nossos agentes económicos e do próprio Estado. Basta meditar na dolorosa experiência irlandesa para o perceber sem dificuldade.
  
De igual modo, o agravamento das condições de financiamento potenciado pela crise política vai trazer no bojo duas consequências que também não poderão ser tidas como surpresas.
  
Por um lado, não terão viabilidade soluções "transitórias" ou "intercalares" que dissociem o acesso ao financiamento disponibilizado pelo Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) da adopção de um programa de ajustamento da economia portuguesa que, com toda a probabilidade, irá além do que se continha no PEC IV, rejeitado no Parlamento. Como se verá quando o compararmos com o "PEC de tipo novo" que nos será revelado dentro de semanas.
  
Por outro lado, as condições políticas presentes em Portugal fragilizam a posição negocial do Estado português na definição desse inevitável programa de ajustamento associado ao acesso ao FEEF. Neste capítulo, o que seria uma surpresa seria que, em plena campanha eleitoral, se gerasse um consenso alargado sobre esse programa sabendo, como se sabe, que foi a rejeição do PEC IV que constituiu precisamente o pretexto para o desencadear da crise política que desembocará nas eleições de 5 de Junho...
  
Tal como seria uma surpresa que quem, até ao momento, pecou por omissão no desenrolar da crise acabasse por romper o seu silêncio distante e calculista e assumisse, por uma vez, a responsabilidade e o risco de criar as condições institucionais para a saída da complexa situação em que vivemos e para a qual também contribuiu a sua própria inércia. » [DN]

Autor:

António Vitorino

 A (IN)JUSTIÇA DA CRISE

«A crise económica e financeira, que obrigou Portugal a submeter-se à humilhação de pedir ajuda internacional, tem vários culpados.
  
Os políticos são o alvo mais fácil e têm, de facto, muitas responsabilidades pelas decisões económicas erradas que conduziram o País até à bancarrota. Mas há mais. Os bancos nacionais tiveram um papel especial, tal como os grandes bancos internacionais tiveram comportamentos irresponsáveis que motivaram a crise económica mundial, nascida com o subprime.
  
Depois da entrada no euro, que provocou uma descida dos juros, os bancos não lidaram bem com a nova realidade do dinheiro barato. Com políticas comerciais agressivas - que passaram por reguladores permissivos -, promoveram o endividamento das famílias, das empresas e do Estado. O crédito parecia um rio sem fim, fácil de navegar.
  
Pois a festa do consumismo não podia durar para sempre. A factura chegou e para todos. Os bancos também estão a sofrer com a falência do País. Só têm liquidez vinda do Banco Central Europeu (BCE) e, como recomendou ontem o regulador, devem aumentar os rácios de capital para reforçarem a solidez do sistema financeiro. E, entretanto, vão enfrentar mais ‘stress tests'.
  
Perante este cenário complexo, os banqueiros mudaram de posição. Ameaçaram fechar o crédito ao Estado e abandonaram José Sócrates na resistência à intervenção externa. E, com discursos combinados, apareceram a pedir a ajuda do estrangeiro com máxima urgência. Aparentemente, foram as dificuldades da banca que motivaram a rendição de Sócrates.
   
Os bancos contribuíram para a falência financeira do País e agora estão preocupados em salvar a sua pele. Parece injusto mas é a vida. Nenhuma economia moderna funciona sem um bom sistema financeiro. Portanto, esta ajuda a Portugal tem de prever uma área de intervenção para os bancos. A liquidez tem de ser recuperada porque, caso contrário, o sistema financeiro vai sofrer mas toda a economia também. Além disto, os banqueiros portugueses já provaram a sua competência. A banca não revelou até hoje problemas de solidez, ao contrário por exemplo da Islândia e Irlanda. Houve no passado casos criminais que devem ser julgados na justiça.
  
Há uma grande lição a tirar desta bancarrota: quem está altamente endividado, não é independente. Portugal está a perder soberania nacional. Mas os bancos portugueses também estão a aprender esta lição à força. Muitos estão a vender os anéis e outros, no final desta crise, vão ter nome português mas donos estrangeiros. Afinal, a crise chega a todos.» [DE]

Autor:

Bruno Proença.



 A ESTRATÉGIA DA INOCÊNCIA

«Em declarações à agência Lusa, a porta-voz da presidência da Comissão Europeia afirmou ser "falso" que, quando o primeiro-ministro José Sócrates apresentou em Bruxelas o chamado PEC IV, "tenha ficado também estabelecido que a esse acordo se seguiu um pedido de ajuda externa de 80 mil milhões de euros".
  
O semanário Sol noticiou hoje que José Sócrates teria estabelecido com Bruxelas, quando assinou o acordo com as medidas do chamado PEC IV a 11 de Março, que se seguiria um pedido de ajuda externa no valor de 80 mil milhões de euros.» [DN]

Parecer:

É evidente que a direita tenta agora dizer que nada fez pela crise financeira.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se por mais tentativas e pela procissão dos comentadores a rezar o mesmo.»

 JÁ HÁ TEMA PARA A CAMPANHA ELEITORAL

«"O nosso objectivo é concluirmos [aprovar a ajuda] no Ecofin de meados de Maio [dias 16 e 17]", disse Olli Rehn, acrescentando que o auxílio financeiro deverá chegar 10 dias depois. Para este responsável europeu "este calendário é suficiente para cobrir as necessidades financeiras de Portugal".
  
O programa de ajuda a Portugal atingirá provavelmente os 80 mil milhões de euros e poderá abranger um período de três anos, estimou ainda, em Godollo, Hungria, o comissário europeu dos Assuntos Económicos. Ressalvando repetidamente que, "nesta fase, são estimativas muito, muito provisórias", o comissário europeu arriscou também, no entanto, apontar um prazo para a extensão do programa: "Estamos a falar de um programa multianual, muito provavelmente um programa de três anos", declarou.» [DN]

Parecer:

É a primeira vez que um acordo com o FMI é discutido e avaliado numa campanha eleitoral.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se.»

 NARCISO MIRANDA EM BUSCA DO SEU MOMENTO DE GLÓRIA

«O socialista Narciso Miranda desafiou hoje José Sócrates a renunciar à recandidatura ao cargo de primeiro-ministro nas próximas eleições legislativas, uma vez que este disse, há cerca de 15 dias, que não estaria disponível para governar com o FMI.
 
Depois do anúncio de quinta-feira por parte do primeiro-ministro de que Portugal iria pedir ajuda externa, Narciso Miranda recordou à Agência Lusa algumas declarações de José Sócrates.» [DN]

Parecer:

Em Portugal está a tornar-se uma moda, quem não tem grande valor ganha protagonismo falando mal de Sócrates.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso de pena e recorde-se ao antigo autarca do norte as circunstâncias em que faleceu o prof. Sousa Franco.»

 TEIXEIRA DOS SANTOS NUNCA MAIS É DEMITIDO?

«O ministro das Finanças sublinhou hoje à chegada à reunião do Eurogrupo em Budapeste que a assistência financeira que Portugal pretende não será “um auxílio de meia dúzia de meses” e a oposição terá de ser "envolvida".
  
“O país precisa de facto de um auxílio que não é um auxílio só de meia dúzia de meses, é por um período mais alargado”, disse Fernando Teixeira dos Santos, acrescentando que o país também “precisa de um programa com um horizonte mais alargado”.» [i]

Parecer:

Bastaria uma comparação destas declarações com as que fez num passado recente para que Teixeira dos Santos fosse demitido.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demita-se.»

 QUEM LHES PDEIU PARA CONVIDAREM O PS

«Bloco de Esquerda e PCP decidiram hoje prosseguir com o diálogo para encontrar posições convergentes e afirmam-se abertos a “um envolvimento amplo” para além dos dois partidos, mas ambos afastam a possibilidade de futuros entendimentos com o PS.
  
As direções dos dois partidos reuniram-se hoje na Assembleia da República, a convite do Bloco, naquele que terá sido o primeiro de vários encontros que BE e PCP deverão manter nos próximos meses, mesmo após as eleições, às quais concorrem em separado.» [i]

Parecer:

Não me recordo de alguém ter metido uma cunha a Jerónimo ou a Louçã para convidarem o PS.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 ESPANHA: POLÍCIA VAI IDENTIFICAR OS CÃES QUE FIZERAM O "SERVIÇO"

«Na cidade basca de Hernâni, o problema das fezes de cães nos passeios vai ficar de uma vez por todas resolvido. Uma nova legislação obriga a que se efectue testes de ADN a todos os cães. Depois, caberá à polícia recolher as fezes nos passeios e enviá-las para identificação genética, para assim identificar o dono do animal. As multas vão ser pesadas.
 
Já lhe chamam, com ironia, a nova "CSI Canina". A nova lei é "pesada" para os donos dos cães. Foi publicada, recentemente, no Boletim Oficial de Gipuzkoa. no País Basco. Os proprietários de cães passam a ser obrigados a realizar os testes de ADN aos seus animais na Universidade do País Basco, pelos quais pagarão valores entre os 35 e 75 euros. » [JN]

 ECONOMISTAS PARESENTAM QUIXA CONTRA AGÊNCIAS DE RATING

«Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s são as agências visadas pela acção, que dará entrada na Procuradoria-Geral da República durante a próxima semana.
  
O documento é subscrito pelos docentes da Universidade de Coimbra José Reis (professor de Economia) e José Manuel Pureza (de Relações Internacionais e também líder parlamentar do Bloco de Esquerda) e Manuel Brandão e Maria Manuela Silva, economistas do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).
  
José Reis realça que as agências que “intervêm no mercado português”, as três referidas na denúncia, “dominam mais de 90 por cento do mercado” internacional, pelo que “é preciso saber se as leis da concorrência são respeitadas”.
  
Duas dessas agências – Moody’s e Standard & Poor’s – têm inclusive um “mesmo fundo de investimento como proprietário”, adverte o economista, e as decisões que as entidades tomam, “que influenciam as taxa de juro”, têm um impacto significativo no endividamento dos países, “podendo afectar a sua estabilidade” financeira e económica.
  
No documento a entregar na segunda-feira na Procuradoria-Geral da República é dito que “quanto maior for o risco inerente a uma emissão de dívida, maior será o retorno exigido pelos investidores, ou seja, maiores serão os juros” impostos pelos mesmos. » [Público]

Parecer:

Seria interessante uma investigação à escala europeia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»



 MEXICO'S DRUG WAR [Boston.com]


















 naFNAF
  




sexta-feira, abril 08, 2011

Os amigos locais dos especuladores

Os especuladores do mercado da dívida soberana têm contado com uma preciosa ajuda das agências de rating, com as habituais “fontes anónimas” que dia sim, dia não inventaram pedidos de ajuda e como alguns opinion maker internacionais que se divertem a prever a falência de alguns países europeus ou mesmo da zona euro. Mas se não é novidade que a especulação tem os seus agentes habituais, o mais grave é que têm ganho muitos milhões à custa do país à custa de alguns amigos locais que com as suas intervenções e decisões os ajudaram a roubar muitos milhões ao país. Os especuladores têm contado com a ajuda preciosa de algumas amigos locais:

Teixeira dos Santos: os sucessivos erros de previsão, o descontrolo na intervenção no BPN para salvar os banqueiros que agora fizeram chantagem sobre o país para salvarem a sua própria pele, a incapacidade técnica de decidir em tempo úteis o que deve ser considerado despesa (submarinos, intervenção no BPN, etc), conferências de imprensa desastrosas, incompetência na determinação do momento adequado para a adopção de medidas económicas, são erros sucessivos que só ajudaram a aumentar as dúvidas sobre o país. O momento mais alto dos erros de Teixeira dos Santos foi a famosa declaração de que iria pedir ajuda quando a taxa de juro do mercado secundário atingisse os 7%, isto é, disse aos especuladores até onde poderiam ir e depois fez pior, calou-se e deixou que os mercados provocassem sucessivas subidas dos juros passando a andar a reboque dos acontecimentos.

Luís Cunha, Medina Carreira, João Duque e outros economistas: se muitos economistas portugueses, como Nogueira Leite, Miguel Beleza e muitos outros, optaram por uma postura cuidadosa e austera, outros não contiveram os seus ódios pessoais ou as suas ambições políticas e optaram por aumentar o seu protagonismo assumindo o papel de profetas da desgraça. Declarações a defender a vinda do FMI e a destruição sistemática da credibilidade do Estado e do país funcionou como adubo para os especuladores.

Soares dos Santos: deste o antigo regime que um empresário não tinha um papel político tão activo, o hiper-merceeiro do Pingo Doce parece ter criado uma fundação que serviu para pagar a algumas personalidades públicas e tem vindo a desencadear uma campanha sistemática, chegando ao ponto de usar os altifalantes das suas mercearias para como perguntas do tipo “saiba se vai ter pensão” lançar o pânico nos seus clientes.

Cavaco Silva: na campanha presidencial apelou ao voto para tranquilizar os mercados, mas no momento da vitória fez um verdadeiro pré-anúncio da crise política que confirmou de forma clara no dia da posse. O mesmo que achava que uma segunda volta prejudicava o país não parece ter hesitado em lançar a crise política, tendo sido óbvio o envolvimento de gente da sua confiança na decisão do PSD de chumbar o PEC IV e lançar a crise política.

Pedro Passos Coelho: a estratégia da actual liderança do PSD era clara, forçar um pedido de ajuda internacional para que um acordo com o FMI obrigasse o PS a aceitar o projecto político há muito defendido pelos liberais do Compromisso Portugal, despedimentos, desmontagem do Estado Social, liberalização total do mercado de trabalho, cortes nos vencimentos. Quando recuou no projecto de revisão constitucional passou a apostar tudo na crise financeira e não hesitou em derrubar o governo para que no dia seguinte passasse a pressioná-lo para pedir ajuda. Conseguido este objectivo já há vozes no PSD a defender o despedimento de funcionários públicos.

Os quatro irmãos da banca: os banqueiros do BCP, Santander, BES, BPI salvaram-se da borrasca entregando a intervenção no BPN ao Estado, recorreram aos avais do Estado quando perderam o acesso ao financiamento externo e quando as agências de rating os atingiu não hesitaram em fazer chantagem sobre o Estado. Agora querem que seja o Estado e os cidadãos a pagar uma factura elevada para que não tenham de assumir a responsabilidade por uma estratégia irresponsável de promoção do crédito ao consumo. De um lado ganharam ao comprar dívida soberana, do outro são os primeiros especuladores que recearem o risco força o Estado a pedir ajuda internacional. Salvaguardam-se e esperam que vir a ganhar com um acordo internacional de resgate que vá de encontro às suas teses liberais.

Umas no cravo e outras na ferradura





FOTO JUMENTO


Graffiti dedicado a José Saramago, Campo das Cebolas, Lisboa
IMAGENS DOS VISITANTES D'O JUMENTO


Algeroz, Alcochete [A. Cabral]
IMAGEM DO DIA
  

[Kamran Jebreili/Associated Press]

«BAAAAAACK SEAT: A sheep travelled by car in Kabul, Afghanistan, Thursday.» [The Wall Street Journal]

JUMENTO DO DIA


Alberto João Jardim

Se o país tivesse uma dívida proporcional à da RA da Madeira e as contas públicas fosse geridas em ambiente de bandalheira como sucede naquela ilha tropical nem um pedido de resgate nos salvaria. Mas como o Alberto João pode continuar a gastar à "fartazana" e se uma maioria parlamentar depender dos seus deputados de mão a "fartazana" ainda será maior, pode vir agora armado em esperto falar do pedido de resgate.
  
O que o PSD Madeira e o Alberto João merecem é que o país aplique à Madeira o equivalente às medidas de austeridade que serão aplicadas ao país e na proporção da sua dívidas. Poderia começar-se por adaptar a lei das finanças regionais aos constrangimentos financeiros do país, acabar com o iva reduzir e fechar a zona franca da Madeira.
 
Começa a ser tempo de acabar com o paraíso das contas públicas madeirense e sujeitar o governo regional aos apertos que todos os portugueses sentem. Talvez assim os madeirenses percebessem o nível de quem os governa.
  
«O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, afirmou hoje que o pedido de ajuda financeira externa demorou muito e é um "tratamento de choque" que permite antever a recuperação do país.

 
Questionado pelos jornalistas à entrada da Quinta Vigia, a presidência do executivo madeirense, sobre o pedido anunciado pelo primeiro-ministro, Jardim declarou: "É tarde", acrescentando que "deveria ter sido até à apresentação do Orçamento do Estado", em Outubro.» [DN]

 UMA PIADA QUE ME CHEGOU POR EMAIL

A crise política começou e Cavaco não disse nada.

O Sócrates ameaçou demitir-se e Cavaco nada disse.

O Sócrates demitiu-se mesmo e Cavaco continua sem nada dizer.

Pergunto eu, não será melhor alguém passar lá em casa a ver se está tudo bem?

Nos dias de hoje todo o cuidado é pouco com idosos sozinhos em casa.

 

 O MOMENTO DO PRESIDENTE

«Num par de semanas o "rating" da República e dos bancos desceu tanto como desde o início da crise soberana.
  
A situação passou de difícil, mas com solução desde que houvesse empenho, para desesperada. Neste momento, a solução terá de vir da única instituição nacional em plenas funções. A Presidência tem de acordar.
  
A crise política foi o erro que não podíamos cometer, cometido no pior momento possível. Quatro partidos discordaram desta visão, considerando que este era o melhor caminho e o melhor momento. No chumbo do PEC, várias vozes se ouviram a dizer que a dissolução da Assembleia e a convocação de eleições clarificadoras iria até contribuir para aumentar a confiança dos mercados e dos portugueses. O resultado desastroso desta irresponsabilidade está à vista.
  
Agora, os mesmos que apressadamente defenderam a dissolução da Assembleia pedem a um Governo, a quem ataram as mãos, que avance para um solução para a qual não tem mandato, nem legitimidade.
  
A discussão de saber se o Governo pode ou não accionar um pedido de ajuda ao FEEF e ao FMI parece ignorar que este pedido tem de ser acompanhado de um programa de ajustamento macroeconómico, que exige o comprometimento do País por vários anos, em medidas que, em muitos casos, são da exclusiva competência da Assembleia da República.
  
Parece também ignorar que esse programa não pode ser igual ao PEC. O que em 11 de Março era suficiente para dar confiança ao BCE, à Comissão e obter apoio dos líderes dos principais países europeus, agora será considerado pouco. Neste momento, para ter acesso à ajuda do FEEF e ao aval do FMI, vai ser preciso mais.
 
O FMI não vai querer fazer a consolidação necessária num período razoável. Não é essa a sua forma de actuar. Vai querer fazer pelo menos o dobro disso. Vai ser exigido a Portugal um esforço muito superior, o que significa atrasar a recuperação da economia e do emprego, e maiores sacrifícios.
   
Estamos numa situação aparentemente sem saída em que, mesmo que fosse constitucionalmente possível a um Governo de gestão solicitar apoio internacional, este teria de adicionalmente negociar medidas particularmente mais duras do que as que constavam do PEC, documento que foi formalmente recusado por cinco diferentes moções aprovadas no Parlamento português.
  
Será que um Governo de gestão se pode comprometer internacionalmente a fazer aquilo que, quando era um Governo de plenos poderes, não foi considerado legítimo que fizesse? Será que pode partir para negociações sem um acordo prévio? Será que o FEEF e o FMI, depois do chumbo do PEC, aceitam negociar com um Governo, enquanto no país se discute se este tem legitimidade para avançar com as mesmas negociações?
  
Com ou sem acordo, o que se exige neste momento é o empenho em conseguir, dentro dos limites possíveis, restabelecer a confiança internacional.
  
Da parte do Governo e do partido que o suporta, o apoio às difíceis medidas do PEC é uma garantia de empenho na consolidação reconhecida internacionalmente. Falta o necessário compromisso dos outros partidos da esfera governativa.
  
PSD e CDS chumbaram o PEC, mas não apresentaram qualquer alternativa. Neste momento não é nada claro que soluções apresentam estes partidos para o que é o problema mais premente da economia portuguesa.
  
Se for Governo, o PSD vai proceder a aumentos de impostos? A redução de despesas sociais? A descida de salários? A despedimentos na Função Pública? Ou está verdadeiramente convencido de que medidas de poupança no economato e extinção de organismos, mantendo os funcionários e os custos dos mesmos, podem ser suficientes?
  
Ao fim de um ano e meio na oposição, quinze dias depois do chumbo do PEC e a menos de dois meses de eleições, ninguém consegue saber que respostas quer o PSD dar a estas perguntas, nem distinguir que rumo quer Pedro Passos Coelho dar ao País. Não é claro que medidas está disposto a tomar, nem quais os objectivos que o movem, ou que compromissos aceita assumir, esquecendo que os Portugueses não o vão certamente eleger com um cheque em branco para fazer o que quiser. Nem vão querer elegê-lo se ele os convencer de que não sabe o que quer.
  
Mais do que discutir se devemos ou não pedir ajuda, o que temos é de nos pôr de acordo sobre o necessário consenso no caminho da consolidação, consenso que será essencial quer essa ajuda seja ou não pedida. O PEC é uma boa base de proposta, já apresentada pelo Governo e subscrita pelo PS. Falta o PEC SD - o PEC do PSD. Falta perceber qual é a alternativa, para perceber como se podem conciliar posições, conseguindo uma frente clara de consenso que dê garantias a quem nos empresta dinheiro.
  
Neste momento, em que Governo e Parlamento estão demitidos, tem de caber ao Presidente a iniciativa de tentar conciliar posições e conseguir consensos. Cavaco Silva, com o seu discurso de tomada de posse incendiário, foi parte do problema criado. Este é o momento para que passe a fazer parte da solução. No momento actual, o pedido de ajuda ao FEEF só poderá ser feito se o Presidente conseguir chamar à responsabilidade os partidos e os obrigar a compromissos credíveis. Sem garantias prévias de que esse compromisso é viável, qualquer pedido de ajuda é mero folclore. Um folclore em que FEEF, FMI, BCE e outras instituições não vão gostar de se ver envolvidos.
   
A iniciativa de qualquer programa, neste momento, terá de vir de Belém, chamando os partidos, negociando consensos, avançando para a solução do problema criado pelo erro que promoveu. O Presidente tem de começar a ser o garante de estabilidade que prometeu ser e não está a ser. Tem de acordar e usar o poder da presidência activa que prometeu para promover soluções e consensos. A Presidência, como única instituição em plenas funções, terá de assumir a sua responsabilidade na resolução do problema que a dissolução da Assembleia criou.» [Jornal de Negócios]

Autor:

Manuel Caldeira Cabral.

 REVOLUÇÃO AMANHÃ. ÓPTIMO!

«OBE e o PC vão encontrar-se amanhã. Paira a hipótese de se unirem nas eleições, com o BE a admitir a ideia e o PC ainda a fazer-se rogado. Só a hipótese existir é, para usar uma palavra cara aos dois, uma revolução. É certo que o que move isto são contas: os mesmos eleitores que deram 31 deputados ao BE (16) e PC (15), se votassem numa só sigla dariam 39... Mas é o fim de uma atitude facciosa que bebe em história antiga e para lá das nossas fronteiras. Os comunistas trataram sempre os partidos à sua esquerda como grupelhos a soldo, o que nos anos de chumbo acabava mal (a Guerra Civil espanhola teve episódios trágicos). Por cá, o PCP considerou-os aliados "objectivos" da reacção, isto é, do inimigo. Já o BE - que, grosso modo, é a junção de maoistas (UDP) e de trotsquistas (PSR) - tem história menos unânime. Para a UDP, os comunistas eram, há 30 anos, sociais-fascistas. Já os trotsquistas foram os campeões da unidade que apresentaram durante décadas à esquerda, mas sendo ridicularizados por serem os mais pequenos da área. O projecto de unidade sedimentado no BE foi fruto da aproximação de trotsquistas, maoistas e ex-comunistas, mas os primeiros podem reclamar-se de precursores. Amanhã, quando Francisco Louçã se encontrar com Jerónimo de Sousa pode ter a sua segunda unidade. Amanhã pode ser dia revolucionário: dia de caírem barreiras facciosas. Óptimo, fortalece a democracia portuguesa.» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.
  
 O APAGÃO DA VERGONHA

«Sou sócio do Benfica há mais de 40 anos, um dos legados que recebi e com gosto do meu pai. Embora nem sempre muito ligado à realidade do dia-a-dia do futebol do clube, talvez apenas o suficiente para acompanhar as conversas de café...
  
Sou sócio do Benfica há mais de 40 anos, um dos legados que recebi e com gosto do meu pai. Embora nem sempre muito ligado à realidade do dia-a-dia do futebol do clube, talvez apenas o suficiente para acompanhar as conversas de café e brincar com os amigos de outros emblemas, senti-me envergonhado com o apagão e a rega do passado Domingo com que se brindou os jogadores e adeptos do Porto, logo após a conquista do campeonato e num jogo que ganharam limpa e merecidamente.
  
Não aceito a argumentação que já li e ouvi, assente em toda a sorte de tropelias que o Benfica tem sido alvo num passado recente como justificação para tais desmandos que, lamentavelmente, apenas evidenciam mau perder. Mesmo que neste campeonato tenha havido toda a sorte de erros arbitrais a desfavor do meu clube, querer justificar tamanho atraso de pontos na classificação com esses erros é do mesmo nível daqueles meus alunos que atribuem o 5 que tiveram num exame apenas a uma correcção injusta ou falta de sorte mas não de estudo e que, depois, se admiram de na segunda época obterem uma nota similar.
  
A tristeza, assumida, da perda de um campeonato só faz bem. Porque obriga a trabalhar mais e melhor e dá outra expressão ao contentamento quando se ganha. Optou-se antes pela alternativa, mesquinha e tristemente bem portuguesa, de ao ver-se o vizinho com nova vaca, não se descansar enquanto não se a vir morta, ao invés de tentar arranjar uma maior. Os dirigentes do meu clube comportaram-se como se o fossem de um mero clube de amigos, remetidos a um incompreensível silêncio, como se nada tivesse acontecido e, pior, como se nenhuma explicação merecesse ser dada. Ao descer-se ao nível do que supostamente criticam perde-se toda e qualquer autoridade para se ser diferente.
  
E nesta época em que se quer elevar o futebol à condição de indústria, um negócio empresarial importante, o que aconteceu na Luz no Domingo é também, pouco mais do que anedótico. O que pensarão as marcas que patrocinam o clube? O que pensarão as empresas que dispõem de camarotes e que muitas tinham certamente entre os seus convidados adeptos do Porto? E que pensarão os pais de crianças na próxima vez que equacionarem levar os filhos a ver um jogo?
  
Nós, definitivamente, não gostamos de futebol. De outra maneira, como explicar que os meses de maior venda dos jornais desportivos sejam aqueles em que não há futebol, mas as telenovelas diárias dos jogadores a entrar e a sair. E que outra explicação pode ser dada que justifique o constante silêncio senão mesmo conivência em relação às claques que nada mais fazem do que afugentar as pessoas dos estádios. Vivemos apenas no domínio da clubite e para servir de escape a tudo aquilo que sofremos no dia-a-dia e, assim, inexoravelmente iremos de mal a pior.» [DE]

Autor:

António Gomes Mota.

 O CERCO A PORTUGAL E OS SEUS CÚMPLICES

«As agências de rating conseguiram o que queriam. Depois de darem muito dinheiro a ganhar em juros aos nossos credores, fizeram tudo para que Portugal aceitasse a vinda do cobrador de fraque. Feito o serviço que tornava os juros impraticáveis, a comissão liquidatária pode finalmente vir desmantelar o País.
  
A banca conseguiu o que queria. A chantagem resultou. A intervenção externa a permite que os bancos tenham dinheiro fresco e liquidez. Não é no País que estão a pensar. E na sua própria situação. E, mais uma vez, à custa do poder político e dos sacrifícios de todos nós. Já tinha sido assim com o BPN. Sempre foi assim com as vantagens fiscais. Assim continuará a ser.
  
PSD, Presidente da República e o exército de comentadores e economistas de serviço conseguiram o que queriam. Foram cúmplices do cerco ao país. Espero que nas décadas mais próxima não saia das suas bocas a palavra "patriotismo". O objetivo é claro: garantir que o odioso desta capitulação fica com o atual governo. O próximo primeiro-ministro terá apenas de aplicar o caderno de encargos que herdar. De caminho, asseguram-se os que temem qualquer tipo de imprevisto que, na próxima campanha, apenas de discutirá as responsabilidades passadas pelo estado em que estamos. Se foi a má governação ou o precipitar da crise política que nos trouxe até aqui. O futuro, esse, estará decidido mesmo antes dos votos.
  
A credibilidade das agências de rating não vale um cêntimo furado. A preocupação da banca com a situação do país é, sempre foi, nula. A guerra entre o PS e o PSD não tem a situação dos cidadãos deste país como centro do debate. Estamos sozinhos.
  
Nem sempre as gerações que se seguem são justas com os seus antepassados. Se forem, a história dirá que vivemos tempos em que dependemos de gente pequena e gananciosa. Mesquinhos demais para a grandeza das escolhas que tinhamos de fazer . Ambiciosos demais para a missão que deveriam ter como sua. Temos das elite políticas e económicas mais estúpidas e incapazes da Europa. Sempre foi esse o nosso drama. Não mudou nada.» [Expresso]

Autor:

Daniel Oliveira.
 
PS: No cerco estão incluídos todos os que ajudaram a invibilizar o PEC?



 GOVERNO TEM TODO O APOIO DE CAVACO

«O Presidente da República na sua página no Facebook escreveu "reafirmo, perante os Portugueses, que o actual Governo contará com todo o meu apoio para que não deixem de ser adoptadas as medidas indispensáveis a salvaguardar o superior interesse nacional".
  
Na sua página na rede social Facebook, o Presidente da República reiterou o seu apoio ao “actual Governo” para “que não deixem de ser adoptadas as medidas indispensáveis a salvaguardar o superior interesse nacional e assegurar os meios de financiamento necessários ao funcionamento da nossa economia”.» [Jornal de Negócios]

Autor:

Agradeça-se.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Obrigadinho!»

 VELHOTA DEIXOU GEÓRGIA E ARMÉNIA SEM INTERNET

«Uma septuagenária foi detida e responsabilizada por ter deixado a Geórgia e a Arménia sem Internet durante horas a fio. A mulher, de 75 anos, mal sabia que um golpe de uma pá num fio originaria um corte geral na rede electrónica.
  
Os factos ocorreram a 28 de Março. A mulher cavava na terra em busca de cobre para vender mais tarde. Um golpe mais forte com a pá foi o suficiente para cortar um simples cabo subterrâneo de fibra óptica e, consequentemente, tirar o acesso à Internet a toda a população da Geórgia e da Arménia.» [Jornal de Notícias]

  
 CAVACO ENVIA SUSPEN~SO DA AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES AO TC

«O Presidente da República, Cavaco Silva, requereu a apreciação pelo Tribunal Constitucional do diploma relativo à suspensão do actual modelo de avaliação dos professores.
  
"O Presidente da República requereu ao Tribunal Constitucional a fiscalização preventiva da constitucionalidade das normas dos artigos 1º, 2º, 3º e 4º do Decreto nº 84/XI da Assembleia da República, que aprovou a ´Suspensão do actual modelo de avaliação do desempenho de docentes e revogação do Decreto Regulamentar n.º 2/2010, de 23 de Junho´".» [CM]

Parecer:

Era o mínimo que se esperava.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cavaco se foram as críticas que o levaram a evitar a promulgação.»

 MAIS UM NA ALA DOS NAMORADOS

«O socialista Narciso Miranda defendeu hoje que o Governo caiu porque José Sócrates quis, considerando que foi um "golpe de mestre" para o PS que não serviu os interesses nacionais, avançando que a unidade existirá só dentro do congresso.
  
Em vésperas do XVII congresso nacional do PS, que sexta-feira, sábado e domingo decorre na Exponor, em Matosinhos, o ex-presidente de câmara daquele concelho, em entrevista à Agência Lusa, considera que o partido "tem, de facto, um excelente chefe mas precisa de um líder".» [DN]

Parecer:

Será coincidência o facto de os que aderem à ala dos namorados da direita serem personagens que detesto?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informe-se Narciso Miranda do seu óbito político e aproveite-se para se lhe pedir desculpa pelo esquecimento de fazer o seu enterro.»

 SINDICALISMO ANEDÓTICO

«O presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) disse hoje acreditar que, contrariamente ao sucedido na Grécia e Irlanda, a intervenção europeia em Portugal não implicará despedimentos na função pública nem "cortes dramáticos" nos apoios sociais.
  
"Quer a Grécia, quer a Irlanda são países que tinham atingido um estado de desenvolvimento mais avançado do que o nosso e onde os salários, nomeadamente o salário mínimo, são bem superiores, pelo que esperamos que, atenta a nossa situação económica e social, os reflexos dessas medidas não sejam tão drásticos e dramáticos como nesses países", afirmou Bettencourt Picanço.» [DN]

Parecer:

Vale a pena comparar a voz grossa que usava contra o governo com os termos dóceis com que fala agora, dantes exigia aumentos absurdos e agora mete o rabinho entre as pernas e diz que espera que não ocorram despedimentos. Se isso suceder deve agradecer a Passos Coelho.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso condescendente.»
  


 FLOWER POWER [Boston.com]









 KEVIN SHERER