sábado, julho 02, 2011

Uma política económica robusta ou excesso na dose?

A economia portuguesa enfrenta problemas cujas terapias são contraditórias o que torna a solução um problema difícil. Para além disso algumas das causas desses problemas só poderão ser encontradas num cenário de médio e longo prazo. É necessário aumentar a poupança para financiar a economia e reduzir a dependência dos bancos em relação ao financiamento externo mas é o Estado que está resolvendo os seus problemas subtraindo com medidas de austeridade uma boa parte da capacidade de poupança dos portugueses. É indispensável promover o crescimento económico mas as medidas restritiva implicam que esse crescimento dependa da procura externa, incerta e onde as empresas portuguesas mais se defrontam com problemas de competitividade.

A troika ter teve o cuidado extremo para conciliar a necessidade de reequilibrar as contas públicas comprometendo o menos possível as expectativas de crescimento. Os economistas do BCE, da Comissão e do FMI perceberam que o grande problema da economia portuguesa reside no crescimento e também sabem que quanto maior for a contracção da actividade económica maior será a capacidade de o Estado arrecadar receitas fiscais. Aumentos brutais de impostos implicam arrecadar mais receitas a curto prazo e comprometer essas receitas a médio prazo em consequência da perda de rendimentos por parte das empresas e das famílias e do aumento da evasão fiscal.

Quando Pedro Passos Coelho afirma que vai ser mais radical do que a troika comete o erro de designar o acordo como radical. Mas radical está a ser o seu programa de governo e talvez esteja a ser radical demais. Antecipa a privatiação de empresas e alarga o âmbito das privatizações mas nada garante que dessa forma consiga mais receitas e só o primeiro-ministro sabe porque razões e com que objectivos pretende vender empresas públicas num momento em que sabe que as vai vender mais baratas? Se essas empresas fossem suas ou pertencessem ao grupo empresarial de Ângelo Correia procederia da mesma forma? Duvido. A troika previu as privatizações e fez as contas de forma a compatibilizar as necessidades de financiamento do Estado ou de cortar nas suas despesas com essas empresas com o imperativo de proteger os interesses do país. Passos Coelho diz que é mais radical e opta por vender mais empresa e num momento em que as venderá mais baratas.

É muito duvidoso que as medidas a que o ministro das Finanças designa por robustas sejam mesmo urgentes, pode argumentar que o Estado pode ir mais longe do que o acordado com a troika, pode querer ter uma margem de segurança para o se sucesso à custa do Natal dos portugueses, mas invocar uma situação inesperada para divulgar de forma atabalhoada um aumento brutal do IRS deixa muitas dúvidas. O ministro nem disse quanto esperava receber, disse isso sim quanto pretendia e nem soube explicar como o ia fazer, a robustez fica-se por ir ao pote que está mais à mão pois o ministro não fez um único comentário sobre as consequências dessas medidas robustas no crescimento económico.

Dizer, por exemplo, que as privatizações atraem o investimento estrangeiro é uma mentira. Mesmo que haja investimento estrangeiro na compra das empresas públicas daí não resulta a criação de um único emprego, antes pelo contrário, muitas dessas empresas vão despedir trabalhadores na sequência das privatizações. O que muito provavelmente vai suceder é serem grupos portugueses a comprarem-nas recorrendo ao financiamento externo, isto é, limitando a capacidade de recorrer ao endividamento externo para financiar novos investimentos. A economia portuguesa vai acabar por usar uma boa parte da capacidade de financiamento que lhe resta para promover negócios de grupos que apenas pretendem obter mais-valias quando venderem as empresas privatizadas num momento em que o mercado tenha recuperado

Tenho muitas, mas mesmo muitas dúvidas sobre as opções robustas de Gaspar e Passos Coelho.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Alfama, Lisboa
Jumento do dia


Cavaco Silva

De um presidente esperava-se que não copiava por uma questão de princípio, pelo menos deveria ser essa a mensagem que dele se esperava mesmo que tivesse copiado. Mas não, Cavaco Silva não copiava porque tinha medo e para os jovens a diferença entre copiar ou não copiar deve estar no medo.

 Olhar nos olhos

O Gaspar faz lembrar Cavaco Silva, parece ter receio de olhar os outros nos olhos, será tique ou teremos mais um Cavaco Silva?

 As pressões sobre a TVI e o negócio da RTP

Se o governo anterior foi marcado pelos diversos incidentes envolvendo a TVI, já é evidente que o actual ficará marcado pelo negócio da RTP, negócio que parece ter começado muito antes das eleições e que tudo leva a crer que se prolongará por muito tempo, tanto tempo quanto o que o PSD entender necessário manter uma boa parte das empresas de comunicação social nas mãos da nova central de comunicação. Enquanto nada de definitivo for decidido o governo terá nas mãos uma boa parte dos órgãos de comunicação social pois está sob chantagem, uns porque pertencem a grupos que estão interessados na privatização da RTP, outros porque pertencem a grupos interessados em não desestabilizar o negócio do mercado publicitário com uma privaização da RTP.
 
Compreende-se porque razão a maior das prioridades antes das eleições deixou de o ser quando Passos Coelho chega ao poder.

 Gostei da intervenção de Basílio Horta no debate do programa do Pedro

 
    
 

 Os chicos espertos

«As notícias sobre "os riscos" da privatização da RTP mostram o desespero dos canais privados de TV. Riscos para eles, obviamente, porque o grande argumento é só um.

O mercado não aguenta mais um canal a absorver publicidade. O mercado, entendamo-nos, são eles, SIC e TVI. Fora dele estão 10 milhões de portugueses que também não aguentam pagar por ano 300 milhões à RTP para facilitar a vida ou os erros de má gestão das privadas.

Já nos chega o défice agravado à conta dos 750 milhões de dívida da RTP. Porquê proteger este sector quando os outros estão sujeitos às saudáveis leis da concorrência e do mercado?

A protecção deve ser feita, sim, de forma a assegurar que os detentores dos canais tenham objectivos e projectos meramente profissionais e não sejam contaminados por outro tipo de influência. Não parecem recomendáveis espanhóis do PSOE que mandam lucros para Espanha ou empresários que têm de despedir levas de funcionários por má gestão em empresas cotadas na Bolsa, à beira de falir, que funcionam como empresas familiares. E a CMVM não actua... As televisões fazem muito a opinião pública. Por isso, nenhum Governo até agora teve coragem de se retirar da RTP e de afrontar as privadas. Tiro o chapéu a Passos Coelho! » [CM]

Autor:

Manuela Moura Guedes.
 
PS: Isto está a aquecer ao ponto de a Dona Moniz estar supostamente a trabalhar para a SIC e atacar as duas estações de televisão privada da forma como o faz. Estará a defender a Ongoing do marido ou a Cofina a que pertence o Correio de Manhã onde escreve, ou os dois?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «»
  
 Um liberalismo

«Tem-se dito e escrito que este Governo é o mais liberal de sempre da democracia portuguesa. Isso é verdade. Mas convém saber, com exactidão, em que consiste esse liberalismo.

O Governo é certamente liberal em termos económicos. O seu programa revela a vontade já anunciada de ir mais longe nas privatizações do que o memorando de entendimento requer, de substituir a intervenção directa pela regulação, etc. O Governo continua a ser liberal em relação ao modo como vê as restantes funções do Estado, especialmente na área social. Aí surge a ideia de passar para privados ou para o terceiro sector muitas das valências já existentes. Além disso, em vez de instituições justas e direitos de cidadania, o Governo propõe "caridadezinha", ou seja, cantinas sociais, roupas e medicamentos para os mais pobres.

Note-se, no entanto, que este não é um Governo que advogue a versão mais extremada do liberalismo anti-igualitário a que se chama "libertarismo". O libertarismo consiste na defesa de um Estado mínimo, sem quaisquer funções sociais ou redistributivas, e anti-paternalista nos costumes. Há alguns simpatizantes deste libertarismo entre a nova elite do PSD, mas são muito minoritários.

Na verdade, a visão dominante no Governo é mais liberal-conservadora do que libertarista. O liberalismo deste Governo fica reduzido à esfera económica e social e é conjugado com uma postura conservadora em matéria de costumes, tal como defende o CDS. Isso nota-se em muitas passagens do programa, como por exemplo no recurso retórico aos valores da família (ao mesmo tempo que lhe são retirados benefícios reais).

Um aspecto em aberto é o de saber se o liberalismo anti-igualitário e conservador deste Governo será ou não democrático. Parece-me significativo que Passos Coelho tenha nomeado como seu assessor político alguém que considero ser o nosso mais talentoso crítico da democracia: o meu amigo e ex-aluno Miguel Morgado. Uma das ideias fortes do Miguel é a de que "todos os Governos funcionantes são autoritários" e que, em democracia, não é possível a existência de autoridade. Isso leva-me a pensar que a grande tentação do actual Governo, no seu afã de ser "funcionante", consistirá em invocar uma espécie de estado de emergência - a lembrar Carl Schmitt - devido à ameaça de bancarrota, impondo autoritariamente à sociedade portuguesa uma liberalização radical da economia e das funções sociais do Estado, muito para além do memorando de entendimento e contra o espírito da Constituição. Para isso não será necessário um golpe de Estado no sentido clássico. A invocação da absoluta excepcionalidade do momento será suficiente, desde que os restantes órgãos de soberania, em especial o Presidente, deixem passar a procissão. » [DE]

Autor:

João Cardoso Rosas.
  
 Isto começa mal
  
 
«Os ministros Vítor Gaspar, Miguel Relvas e Paulo Portas são aqueles em que os portugueses depositam maiores expectativas quanto à possibilidade de fazerem um bom mandato no Governo.
 
No pólo oposto aparecem Àlvaro Santos Pereira, Miguel Macedo e Paulo Macedo como os ministros que menos confiança parecem ter gerado nos portugueses até agora. » [Expresso]

Autor:

Um governo que gera pouca esperança.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a gargalhada que o dr. Macedo merece.»
    

 Falso argumento para aumentar os impostos

«O dramatismo em torno do valor do défice público no primeiro trimestre, que segundo o INE chegou a 7,7% do Produto Interno Bruto (PIB), é excessivo e estará a ser baseado na leitura de dados algo voláteis e com problemas de sazonalidade.

Especialistas ouvidos pelo Dinheiro Vivo e os próprios números do INE mostram que o défice sobe sempre nos primeiros trimestres do ano devido ao método de contabilização dos impostos e de algumas despesas.

O desequilíbrio das contas públicas nos primeiros três meses deste ano superou em 1,8 pontos percentuais o valor médio previsto para 2011 (5,9%) - o compromisso estabelecido com a 'troika'.» [Dinheiro Vivo]

Parecer:

Ou então o Gaspar sabe pouco da coisa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pela evolução da execução orçamental.»
  
 Mais uma do malandreco do Sócrates
«A jornalista já não vai ter um programa na SIC, revelou a própria à agência Lusa, dizendo que tal se ficou a dever a uma decisão do presidente da Impresa.

"É verdade, não vou para a SIC. Não tenho vínculo com a SIC e não vou ter porque o dr. Balsemão não quer", declarou a jornalista à agência Lusa.» [DN]

Parecer:

E ninguém questiona a razão porque o programa da dona Moniz foi adiado para depois das eleições  e agora já não vai haver programa? Bem, pelo menos o Estado poupou uns milhares de euros, com a ida para a SIC a dona Moniz deixou de estar doente e a viver à conta dos contribuintes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Aníbal se não vai fazer um pequeno comentário, nem que seja no Facebook.»
  
 O Aníbal tinha medo de copiar

«O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, diz que foi para a política por "coisas do destino" e tinha "medo de copiar", reconheceu esta sexta-feira que "a matemática não é fácil", mas pediu aos jovens para estudar.» [CM]

Parecer:

Prefiro os que não copiam por uma questão de ética.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Aníbal se nunca perdeu o medo.»
  
 O ministro da Economia fala como um cavador
«E garantiu: "As obras públicas só serão feitas com base em critérios de competitividade. Não vamos fazer obras chutando os custos para os nossos filhos."» [DE]

Parecer:

Quando um dia Jorge Coelho falou de buracos orçamentais o então ministro das Finanças comentou dizendo que o líder socialista tinha linguagem de cavador. Sucede mais ou menos o mesmo com o Álvaro, só que pelos argumentos é um cavador evoluído.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Álvaro se comprou tudo, incluindo carros e casas, a pronto pagamento.»
  
 Imposto extraordinário pode ser inconstitucional

«O imposto extraordinário anunciado pelo primeiro-ministro é necessário face à derrapagem do défice, mas pode violar princípios constitucionais se for aplicado aos rendimentos do ano todo, devido à não retroactividade fiscal, defenderam especialistas ouvidos pela Agência Lusa.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, anunciou que o Executivo vai adotar, apenas este ano, um imposto extraordinário em sede de IRS equivalente a 50 por cento do subsídio de Natal, no excedente do salário mínimo nacional.» [DE]

Parecer:

Nem o Pedro nem o Gaspar pensaram no que decidiram.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 Caso Strauss-Khan: e agora?

«Fontes do processo citadas pelo The New York Times referem que a credibilidade da alegada vítima foi posta em causa, já que a guineense de 32 anos tem possíveis ligações a actividades criminosas como tráfico de droga e lavagem de dinheiro. Referem mesmo que foram feitos vários depósitos na conta da alegada vítima e que foram descobertos telefonemas da empregada a discutir sobre os eventuais benefícios de avançar com a acusação.» [DE]

Parecer:

Seria interessante ler novamente o muito que foi escrito por aí acerca de Strauss-Khan.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se o caso.»
   

   




sexta-feira, julho 01, 2011

Evasão fiscal, austeridade e preguiça governamental

Compreende-se que entre aumentar o IVA e aumentar o IRS o governo opte pelo aumento do imposto sobre o rendimento, um aumento do IVA poderia ter como efeito perverso a contracção do consumo e o aumento da evasão fiscal enquanto o aumento do IRS é mais confortável pois é só determinar quanto se quer cobrar e proceder à respectiva colheita no momento pretendido.

Também se compreende que entre um aumento da taxa máxima do IVA e uma reestruturação das listas para aumentar a taxa aplicável a alguns produtos que constam nas listas de produtos sujeitos a taxa reduzida ou a taxa intermédia, é nestes produtos onde um aumento do IVA terá menos impacto na retracção do consumo e onde a “colheita” envolve menos dificuldades pois este aumento de imposto será cobrado por meia dúzia de empresas, sabendo-se que muitas outras empresas irão repercuti-lo nos preços mas não o entregarão ao Estado.

“Compreende-se” ainda que se opte por cobrar impostos sobre o rendimento pois estes são os rendimentos que não fogem, ao contrário do que sucede com a riqueza onde a vigora a mentira de que esta é necessária para investir e que se for sujeita a impostos pode “fugir” para outras paragens.

Em nome da urgência em obter resultados os governos têm optado por serem preguiçosos, adoptam medidas que se concentram nas vítimas do costume, os que ganhando muito ou pouco não podem iludir o fisco. De foram ficam os muitos que iludem o sistema fiscal e há muito promovem a economia paralela. São uma classe social que beneficia há muito do estatuto de extraterritorialidade fiscal, que têm dinheiro para financiar políticos, que vivem à sombra dos truques inventados pelo contencioso fiscal, da corrupção e dos grandes escritórios de advogados, que têm acesso directo à produção da legislação fiscal garantindo esquemas legais que lhes permite ter sempre uma saída ou para não pagarem impostos ou para evitarem processos e, em caso de dúvida, recorrem aos tribunais e ainda beneficiam de processos arbitrais para dividirem a coisa a meio.

O lado mais sinistro desta política de austeridade é que os governos abandonaram o princípio da justiça e equidade fiscal, o Estado já não quer saber a quem cobra e se cobra com justiça, quer receita fácil e imediata e pouco importa que sejam os mais honestos e os que mais trabalham para este país sejam precisamente os que suportam as consequências de políticas erradas e da evasão fiscal.

O Estado pode não ter alternativas a adoptar medidas mas é irresponsável adoptá-las ignorando as consequências sociais, ignorando que os criminosos ficam de fora e beneficiam indirectamente estas medidas, que os cidadãos que não pagam impostos ficarão mais ricos e que as empresas que fogem ao fisco ficarão mais fortes e competitivas.
 
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PS: Ao contrário de muitos dos nossos jornalistas não fiquei impressionado com o Gaspar, o ministro disse o que já li em muitos blogues da direita, os adjectivos usados para as suas propostas não me deixaram impressionado e não gostei de o ver mastigar as frases enquanto receava olhar de frente para os deputados.


Fiquei com a impressão de que a falta de clarificação das medidas resultou claramente de falta de recursos técnicos e de impreparação, algo estranho quando está em causa retirar tanto dinheiro aos portugueses. A impreparação foi evidente quando ao longo do debate se começou em falar em metade do subsídio de Natal para depois se corrigir e dizer-se que o imposto adicional incidia sobre o total do rendimento de 2011. Foi também claro que os conceitos básicos de fiscalidade não são dominados pela equipa ministerial o que a levou a apresentar uma medida imprecisa, apenas se percebendo quanto pretende o governo arrecadar.

Por fim, não gostei da falta de rigor com que o ministro falou da dívida de Portugal, fê-lo como se fosse um mero blogger e apesar do ar muito sério com que discriminou a dívida nada mais disse do que aquilo que já foi escrito em todos os jornais e blogues e que tem sido repetido até à exaustão por Medina Carreira. De um economista e ministro das Finanças esperava que me explicasse quanta da dívida dos cidadãos, das empresas e do Estado é dívida a curto prazo, quanta da dívida dos cidadãos e das empresas é também dívida da banca ao exterior. Por exemplo, quando alguém pede dinheiro ao banco para comprar uma casa que vai pagar em 50 anos esta dívida é contabilizada como dívida do cidadão ao estrangeiro ou apenas como dívida externa da banca pois foi o banco que se financiou no exterior? Tenho a sensação de que nos números da dívida há duplicação de dados.

Teria ficado bem impressionado com o ministro se tivesse apresentado um conjunto de medidas fiscais que repartisse melhor o sacrifício e se tivesse sido capaz de avançar já com cortes nas despesas. O que fez não foi isso, limitou-se a ir ao pote que está mais à mão e para tal não é necessário tanto doutoramento, qualquer dona de casa deste país sabê-lo-ia fazer e se calhar até apresentava a medida num estado mais adiantado do que a confusão que foi lançada no país.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Faro
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Óbidos [A. Cabral]
  
Jumento do dia


Pedro Passos Coelho

É muito provável que haja razões para um corte no subsídio de Natal, tão provável como já o devia ser no orçamento do ano passado ou quando foram cortados os vencimentos dos funcionários públicos. Mas desta vez Pedro Passos Coelho não negociou demoradamente, não defendeu que em alternativa se deveriam cortar despesas, não criou nenhum site para receber sugestões de cortes na despesa pública, decidiu e informou.
 
Não está em causa a adopção das medidas mas sim a falta de princípios e o desprezo dos políticos pelo país, quando estão na oposição apenas desejam que o país se afunde, quando chegam ao poder aprovam o que dantes tinham aproado. Se Passos Coelho tivesse sido mais responsável e menos oportunista no passado o país teria chegado a esta situação? É óbvio que não, ele defende agora que tem uma maioria absoluta o que no passado podia chumbar porque o governo não contava com essa vantagem no parlamento.

E nem sequer se dá ao trabalho de pedir de pedir desculpa como fez quando era líder da oposição.

 Mentirómetro de Pedro Passos Coelho: mentiras nos. 4 e 5
 
Como era de esperar em dia de debate do programa do governo houve matéria para uma boa colheita. A coisa promete e parece que da próxima vez em que Passos Coelho tiver um duelo com Sócrates vai escolher os narizes para armas.
 

  
No dia 1 de Abril (o destino tem destas coincidências) Passos Coelho visitou uma escola e quando uma aluna lhe perguntou se ia cortar o subsidio de férias respondeu que isso era acusações de Sócrates que anda por aí dizendo que o PSD cortaria o subsídio de Natal. Enfim, foi a melhor mentira de 1 de Abril e só agora o percebemos.
 
 
Quando visitou o parlamento Passos Coelho garantiu que nunca mexeria nos impostos sobre o rendimento, caso fosse necessário um ajustamento fiscal aumentaria os impostos sobre o consumo. Qual ou quais deles?



 "i" de Ignorância

O Jornal "i" descobriu, vejam lá bem, que o governo de Sócrates mandou apagar os discos dos computadores e o históricos dos emails, até arranjou um funcionário do ministério das Finanças, muito provavelmente o colega de redacção da mesa ao lado, que estava muito indignado com este comportamento.
 
Há poucos dias dediquei um post a este assunto onde alertava precisamente para esta tradição dos nossos governos, dava mesmo o exemplo do último governo de Cavaco Silva que não deixou sequer uma disquete (naquele tempo ainda se usavam disquetes) com os ficheiros do orçamento e o novo governo teve que se desenrascar para apresentar um orçamento em meia dúzia de dias. A verdade é que em Portugal sucede sempre assim a notícia do "i" que até deu direito a um editorial indignado do seu director apenas revela ignorância ou má fé, coisas que, aliás, abundam com fartura na nossa comunicação social onde uma boa manchete vale mais do que uma boa notícia.
  
Recordo que no caso Watergate Nixon foi "apanhado" pelas gravações das conversas, isto é, enquanto por cá tudo é apagado nos EUA até as conversas telefónicas são guardadas. Será que o director do "i" tem a coragem de escrever um editorial defendendo que todas as conversas de membros do governo e do Presidente da República fiquem gravadas? Mereceria todo o nosso apoio, gostaríamos muito de ouvir, por exemplo, as conversas entre membros do governo e agentes da justiça ou entre o Relvas e os donos da Ongoig ou da Cofina.
 
Estou certo de que o país só teria a ganhar com esta transparência e até me parece bem mais importante do que chamar o ministro por Álvaro.

 Uma dúvida

O aumento do IRS correspondente a metade de um catorze avos da colecta anual de IRS (para não falar em prendas de Natal que parece incomodar o Gaspar) é mesmo necessária ou o ministro das Finanças encontrou uma forma de assegurar o seu sucesso, isto é criou um mecanismo de segurança para ele próprio à custa dos portugueses? No final do ano veremos.
    
 

 Control+Alt+Del ao programa do governo

«A Microsoft calcula que, todos os dias, sejam feitos 30 milhões de apresentações em Powerpoint pelo mundo fora. Eu já tive a infelicidade de ouvir algumas dezenas delas e, por isso, sinto-me à vontade para dizer que a morte de tédio por Powerpoint não é terreno desconhecido para mim. Sou cúmplice, vítima, já fui carrasco. Já adormeci, já tive de me beliscar para não adormecer e, em certa ocasião, num encontro sobre "as perspectivas de negócio" recheado de chavões financeiros, passei para o lado de lá: morte por Powerpoint. Na lista destas doenças modernas, há outra que deveria estar identificada mas não está: a morte por leitura de programa do Governo.

Por dever de ofício, tenho sido forçado a ler estes documentos mais vezes do que gostaria. A conclusão é sempre a mesma: não vale a pena, é tempo perdido. Suspeito de que nem os ministros se dão ao trabalho de ler o que lá vai dentro, excepto nas suas áreas - e nem isso é certo. Não é apenas preguiça, é a certeza da sua inutilidade. Da esquerda à direita, nenhum governo é inocente. O de Passos Coelho, voluntarista como todos eles são no início, é só o exemplo mais fresco. Sobre o mar, encontrei ontem esta pérola: "[Vamos] promover a interoperabilidade entre os múltiplos sectores ligados às actividades marítimas num conjunto de áreas que têm um papel de suporte e sustentação das cadeias de valor dos componentes prioritários." Frases deste calibre são às dezenas. O que me leva a confirmar que estes documentos são como os manuais de instruções dos aparelhos electrónicos - inúteis.

Acontece que vivemos um momento único - explosivo, como insiste (para quê?!) Cavaco Silva. As receitas políticas habituais não serviram, faliram, este Governo está obrigado a reinventar a fórmula e as rotinas para que o País faça, de facto, Control+Alt+Del. Apresentar um programa de Governo enxuto e claro teria sido um bom começo. O famoso memorando da troika, por exemplo, resume em 34 páginas tudo o que é preciso fazer até 2014. Se formos capazes de cumprir metade do que lá está, o País dará uma volta de 180º - veremos, depois, se para melhor. Para quê, então, 129 páginas cheias de nada quando os objectivos estão definidos? Para quê enfeitar se, no fim, não se ganha nada com isso?

Explico-me melhor. Numa aula de publicidade, o professor pediu aos alunos que fizessem um cartaz para que o vendedor de ovos pusesse à porta da quinta, à beira da estrada. Os alunos inventaram: néons, fotos de galinhas magníficas, etc. Chumbaram todos, menos o que fez um anúncio assim: "Aqui á ovos." Erro ortográfico? Claro: genuíno e verdadeiro, como se querem os ovos. E os governos.» [DN]

Autor:

André Macedo.
  
 As palavras, essa chatice

«Chegar às portagens e fazer o que quase todos fazem, sair, levantar a cancela e andar sem pagar, isso é explosivo. Transformar a capital do país, durante dias, palco de combate entre tropas de choque e manifestantes, granadas e cocktails Molotov, isso é explosivo. Votar à justa (155 em 300) porque a oposição não alinha, quando a alternativa era a bancarrota do país, isso é explosivo. Isso é explosivo e saber o que significa não exige consultar dicionários, basta ligar a televisão à hora do telejornal. A Grécia está explosiva. Portugal, não. As manifestações, ontem, por exemplo, em Viana, foram ordeiras. Os portugueses estão descontentes mas não se deixam desesperar. Podem estar zangados mas não estão irados. O Governo adopta soluções duras, sabendo que não será recebido à pedrada. A oposição que está no Parlamento com o fito de vir a ser Governo (e este alcançado por votos, não pela rua) é responsável. É este o retrato do País, cordato, não explosivo. Lembro-o porque, anteontem, o Presidente disse: "(...) se bem se recordam, há talvez mais de dois anos que disse que Portugal se aproximava de uma situação explosiva, lamentavelmente chegámos a essa situação explosiva." Não me recordo do que Cavaco Silva disse há dois anos e também não me vou recordar mais do que ele disse anteontem. Eu gostava, mesmo, era de um Presidente que não tropeçasse nas palavras.» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.
     

 Economia paralela representa 33 mil milhões

«A economia paralela em Portugal representa quase 20% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, o que equivale a 33 mil milhões de euros.

A conclusão é de um estudo apresentado hoje pela Visa Europe e pela A.T Kearney, sob o tema - Economia paralela na Europa, 2010.

Os sectores mais afectados são a venda de automóveis, restaurantes e bares, táxis, lojas com serviços não especializados e cantinas e serviços de catering» [DE]

Parecer:

E ninguém se preocupa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Agradeça-se a Paulo Macedo, foi ele que acabou com a evasão fiscal.»
  
 Sócrates mandou limpar computadores?

«Na semana que antecedeu a tomada de posse do novo governo, entre 13 e 17 de Junho, os funcionários dos gabinetes dos ministérios das Finanças e da Economia ficaram sem informação nos computadores com que trabalhavam, os emails profissionais deixaram de ter histórico ou lista de contactos e os discos rígidos foram limpos. "Foi como começar de novo, apesar de já trabalhar aqui há anos e de ir continuar a trabalhar aqui", disse ao i um funcionário de um gabinete do Ministério das Finanças. A ordem, tendo em conta testemunhos ouvidos pelo i, era a de não deixar qualquer informação nos computadores profissionais. "Um dia apareceu um técnico, perguntou-me se tinha guardado a informação de que precisava e fez uma limpeza total ao disco rígido, até instalou novamente o sistema operativo", explicou. » [i]

Parecer:

Esta notícia revela alguma ignorância do jornalista e má fé de quem o informou, esta é uma prática de todos os governos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao jornalista que queria ir ler os emails.»
  
 TAP vai ser privatizada sem lucro para o Estado

«A privatização da TAP vai gerar um lucro próximo de zero ao Estado português. A avaliação da empresa ainda está em curso, mas o Negócios sabe que o Governo está preparado para o cenário: as dívidas e os capitais negativos da TAP vão consumir praticamente todo valor da empresa. Privatizar para quê, então? Para salvar a empresa e "segurar" o aeroporto.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Mas vai poupar o prejuízo aos contribuintes.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Privatize-se.»
  
 Mais um saque

«"O Governo está a preparar a adopção, com carácter extraordinário, de uma contribuição especial para o ajustamento orçamental que incidirá sobre todos os rendimentos que estão sujeitos a englobamento no IRS, respeitando o princípio da universalidade, isto é, abrangendo todos os tipos de rendimento", declarou o primeiro-ministro.

"Esta medida, cujo detalhe técnico está ainda a ser ultimado, será apresentada nas próximas duas semanas. Mas posso adiantar que a intenção é que o peso desta medida fiscal temporária seja equivalente a 50% do subsídio de Natal acima do salário mínimo nacional", declarou o primeiro-ministro.» [JN]

Parecer:

O problema desta medida é que mais uma vez os mais ricos ficam de fora da austeridade.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
  
 Barroso quer funcionários da Comissão a trabalhar mais horas

«A Comissão Europeia quer obrigar os funcionários públicos europeus a trabalharemais com o mesmo salário, para assim acompanhar os esforços que estão a ser feitos ao nível dos Estados-membros da União Europeia.» [Público]

Parecer:

Parece que a austeridade chegou a Bruxelas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Só o horário?»
  
 Mais uma culpa a atribuir a José Sócrates

«Sob apertada supervisão dos mercados internacionais, o Conselho de Ministros deverá aprovar o novo plano traçado pelo ministro da Economia e das Finanças italiano, Giulio Tremonti. Entre as medidas previstas, segundo informações avançadas pela comunicação social italiana, está a limitação do uso de automóveis e aviões oficiais, um possível aumento de três meses em cada três anos da idade da reforma partir de 2013 e o congelamento dos salários dos funcionários públicos entre 2013 e 2014. As medidas estão a intensificar o clima de divisão no seio do governo italiano, que tem vindo a manifestar algum desgaste após uma série de derrotas eleitorais.» [DN]

Parecer:

Tudo é culpa de José Sócrates.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Avise-se o ex-primeiro-ministro vá vá ele lembrar-se de ir de férias para Itália e levar algum "enxerto" de porrada.»
  
 Montenegro pede PS responsável

«O líder parlamentar do PSD desafiou o PS a fazer uma oposição responsável ao Governo num altura em que "o País não pode falhar".» [DN]

Parecer:

Poderia ser menos exigente e pedir que o PS se comportasse como se comportou Pedro Passos Coelho.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Sarkozy levou um puxão


«O Presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi hoje violentamente puxado pelo casaco por um desconhecido durante uma deslocação ao sudoeste de França, mas o homem foi rapidamente agarrado pela segurança do chefe de Estado, segundo imagens difundidas pelas televisões. » [DN]
  
 Terei lido bem?
 
«O site do novo Governo vai, pouco a pouco, ganhando forma e já disponibiliza o perfil dos onze ministros de Pedro Passos Coelho. Mas dois deles, o do ministro de Estado e das Finanças e o do ministro da Saúde, referem na sua fonte que foram feitos pela agência de notícias Lusa.» [Público]

Parecer:

Agora é a agência Lusa que elabora o currículo do ministro e o envia para o próprio em vez do contrário?
 
PS: Já que se fala do site do governo parece que o último governo de José Sócrates desapareceu, também deve ter ido estudar filosofia:
 
 
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Gaspar se a fotografia também foi tirada por um fotógrafo da Lusa ou se pelo ar informal foi tirada pelo Álvaro.»
  
 Governos civis são ser postos à venda

«Na resolução que assinou há três dias e hoje publicada em Diário da República, o primeiro-ministro exonera os 18 governadores civis e dá instruções a Miguel Macedo para “com urgência” apresentar ao Conselho de Ministros os projectos de diploma legais relativos “à transferência das competências dos governos civis para outras entidades da Administração Pública; à liquidação do património dos governos civis; e à definição do regime legal aplicável aos funcionários” destas entidades.» [Público]

Parecer:

Começa a perceber-se a pressa na extinção dos governadores civis.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Passos se também vai vender as Berlengas.»
  

 Yura