sábado, agosto 27, 2011

Auxiliemos os nossos ricos

Quis o destino que na mesma semana em que tanto se falou da possibilidade de não serem apenas os pobres a serem sacrificados pelas medidas de austeridade foi publicada a rectificação do Orçamento para que o Estado financie os bancos com 12.000.000.000 € euros empestados pela EU e pelo FMI. Note que o dinheiro não foi emprestado aos bancos, foi emprestado ao Estado português que depois o empesta à banca, isto é, passa a constituir dívida soberana pela qual respondem os contribuintes portugueses.

Na mesma semana em que os contribuintes suportam um empréstimo de 12.000.000.000€ aos bancos, o mesmo é dizer a uma boa parte dos nossos ricos, á quem questione um contributo fiscal adicional por parte dos nossos ricos. Este dinheiro serve para recapitalizar a banca, isto é vai compensar a desvalorização do capital dos bancos, isto é , do património dos nossos ricos e na mesma semana em os portugueses dão esta preciosa ajuda patrimonial aos mais ricos há um Presidente da República que com ar pesaroso aceita uma tributação adicional do rendimento dos mais ricos mas rejeita qualquer tributação sobre o seu património.

E quem são estes senhores ricos cujos rendimentos devem ser salvaguardados da austeridade e cujo património deve ser protegido? São os que venderam a Vivo e distribuíram dividendos antes que estes fossem tributados, são os donos da petrolífera que tem beneficiado do monopólio dos combustíveis e da sonolência da Autoridade para a Concorrência, são os banqueiros que quase não pagaram impostos ao longo de anos e ganharam fortunas ajudando a riqueza do país a fugir para off-shores, são os que mais beneficiaram do modelo económico que conduziu o país ao beco sem saída em que se encontra.

Não podem contribuir com poucas centenas de milhões de euros adicionais em receitas fiscais sobre a riqueza mesmo depois de os mais pobres terem sido sujeitos a sacrifícios como o aumento dos impostos, a perdas de apoios sociais ou a perda do emprego. Mas podem receber 12.000.000 de euros garantidos por aqueles cujos sacrifícios despreza e com os quais rejeitam qualquer forma de solidariedade.

Há uma designação para este tipo de gente: filhos da mão, isto para não ofender as progenitoras que não têm necessariamente culpa.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Bairro da Bica, Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Nisa [A. Cabral]
  
Jumento do dia


Álvaro

O Álvaro é cada vez mais a anedota do governo de Passos Coelho, até agoira só disse parvoíces e da primeira vez que teve de falar a sério foi o que se viu quando foi a Madrid negociar o TGV. Agora achou que deveria ser ele a fazer-nos esquecer o contínuo descontrolo da despesa e promete o corte "histórico" na despesa. Se é o Álvaro que o diz...

«O ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira, prometeu nesta sexta-feira um "corte histórico" no Estado da parte da despesa, assegurando que é intenção do Governo "dar o exemplo" aos portugueses.» [CM]
 

 
  

 Era tão bom aprender a lição

«Houve em tempos uma campanha, "Ler jornais é saber mais", que dizia o essencial: jornais. No plural. Com jornais é como com médicos. Ouvir uma segunda e terceira opinião cura-nos da estupidez, com jornais, tal como com médicos pode salvar-nos a vida. Na semana passada, a revista francesa L'Express revelava que o relatório médico de Nafissatou Diallo, a mulher que acusava Strauss-Kahn, dizia: "Causa dos ferimentos: violação". Ora, esta semana, o procurador de Nova Iorque que investigava o caso nem o levou a tribunal, por total falta de provas. Então não havia pelo menos a "prova" do relatório médico para se discutir em tribunal? Quem só leu L'Express deve ter ficado estupefacto. Mas a resposta deu-a a agência Reuters, que foi buscar um procurador americano para explicar o que são os relatórios médicos preliminares. E ele disse: "Se eu for de bicicleta, caio, e digo ao médico que fui agredido, ele escreve no relatório 'Causa: agressão'". Cabe, depois, à polícia e aos procuradores investigarem (nomeadamente confirmando com médicos se aquele tipo de ferimento pode ser de agressão ou de outra causa). Foi o que fez o procurador de Nova Iorque. Investigou e fez um relatório de quase 60 mil caracteres dos quais mais de 6 mil (tamanho de cinco crónicas minhas) foram dedicados às "provas médicas". Conclusão do procurador: nada de provas. A certeza do L'Express vinha-lhe de não saber do que estava a falar. Acontece tanto. » [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.
  
 A partidarite aguda dos boys do governo... e a tragédia do Estado!

«1.Conforme prometido, regressamos hoje a um assunto que considero central para a melhoria da qualidade da nossa democracia e para a moralidade da nossa conta pública: a colonização do Estado pelos partidos políticos, nomeando companheiros e camaradas políticos sem apelo nem agravo. Sem um critério compreensível e (muitas vezes) justificável. E a consagração das diretas para a eleição dos líderes dos dois principais partidos veio agravar o problema: quem ganha tende a recompensar os militantes que trabalharam a máquina partidário, aliciando concelhias, secções ou distritais (depende da nomemclatura particular de cada partido) para arregimentar a sua falange de apoio. Infelizmente, Passos Coelho não teve coragem (nem vontade?) para resolver esta tragédia nacional.

2. Inicialmente, a criação de um site em que o governo divulgaria as nomeações para os vários gabinetes ministeriais , bem como as respetivas remunerações, pareceu-me uma ideia louvável. Muito meritório. Porém, foi uma mera ilusão: o site é, apenas e só, uma operação de marketing bem pensada. Desde logo, revela descoordenação: há ministérios que estabelecem a comparação com o governo anterior, enquanto que outros omitem essa informação. Ou se fazia a comparação global, ou não se fazia - assim cheira que o governo esconde alguma coisa. Parece que a transparência é encarada apenas como um slogan bonito, que o executivo de Passos Coelho usa quando lhe é conveniente. Depois, há dados que indignam, sobretudo em tempos de austeridade, em que os portugueses, trabalhadores e honestos, são pilhados fiscalmente: há secretarias de Estado e ministérios em que, mesmo sendo duvidosa a própria utilidade de ter um ministro ou secretário de Estado para aquele setor, são nomeados assessores, colaboradores e - imagine-se! - inventaram a figura dos especialistas para darem emprego a mais gente. Veja-se o caso do Desporto: eu tenho dúvidas sobre a utilidade de ter um secretário de Estado dedicado a essa área, tal como no caso da Cultura. Que diabo!: então, o secretário de estado adjunto do Adjunto faz o quê? Lê os jornais e os blogues? Mas, imagine só o leitor, que o nosso excelso secretário de Estado do desporto nomeou - nada mais, nada menos - que três adjuntos e 5 especialistas! E sei que muito dos chamados especialistas, nunca trabalharam na área...mas,para o governo, são especialistas. Porventura, o significado da palavra "especialista" foi alterado com o acordo ortográfico.

Assim, um governo com sentido de Estado, corajoso e - mais importante - solidário com os sacrifícios dos portugueses, deveria fazer o seguinte:

a) Repensar o que é público e o que é privado, para não existirem promiscuidades indesejáveis, focando a atuação do Estadono essencial, nomeadamente na promoção da justiça social;

b) Definir, de uma vez por todas, quais são os cargos de confiança política, que devem mudar com a alteração de governo. Só - mesmo só! - estes deveriam estar abrangidos pela discricionaridade política na sua nomeação, enquanto os restantes deveriam encontrar-se submetidos às regras da contratação pública, observando-se os princípios da transparência, da imparcialidade e da igualdade na selecção dos candidatos.

c) Deveria prever-se um limite legal para as nomeações de assessores por atividade, permitindo-se mais para o Primeiro-ministro e menos para o Desporto ou a Cultura e outras áreas. Sempre que excedesse tal limite, o ministro ou o secretário de Estado teria de justificar, explicitando as razões concretas que levam à nomeção do assessor em causa. Gostaria, ainda, que o Parlamento, no exercício das suas funções de fiscalização do executivo, interrogasse a utilidade de tantos assessores. O problema é que os senhores deputados também têm o fetiche de ter assessores para tudo e para nada... Tenho noção de que este meu desejo é, nos dias que correm, uma utopia. Podem apelidar-me de sonhador. Mas, graças a Deus, que tendo em conta os mails de leitores que recebo, não sou o único.... » [Expresso]

Autor:

João Lemos Esteves.
     

 A Ongoing contrata ex-secretário de Estado do Tesouro de Sócrates

«A Ongoing contratou Costa Pina, que desempenhou as funções de secretário de Estado do Tesouro, no Governo de José Sócrates, fazendo parte da equipa de Teixeira dos Santos.» [DE]

Parecer:

Esta Ongoing é muito pluralista, dantes sabia dos segredos da secreta e agora fica a conhecer os segredos financeiros do Estado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Kadafi

«Kadafi já tinha manifestado em público a sua admiração por Condoleezza Rice. Mas uma descoberta recente revela que o líder líbio teria muito mais do que uma simples admiração pela ex-secretária de Estado norte-americana, a quem chegou a chamar a sua "querida mulher negra de origem africana".

Na tomada de posse do palácio presidencial de Kadafi, em Trípoli, os rebeldes líbios descobriram um álbum de fotografias inteiramente dedicado a Condoleezza Rice e que alguns média norte-americanos classificaram como uma "paixão adolescente".» [JN]

Parecer:

Não lhe gabo o gosto.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 "Irene" ameaça Nova Iorque, Obama fala em temporal histórico

«Barack Obama alertou esta sexta-feira para a probabilidade de o furacão Irene, que se aproxima da costa Leste dos Estados Unidos, causar uma tempestade “histórica”. O mayor de Nova Iorque, Michael Bloomberg, já deu ordens para que sejam evacuadas partes da cidade.» [Público]
    
 Já estão à venda cigarros anti-incêndio
 
«Os cigarros mal apagados são uma das causas de incêndios e uma simples distracção pode causar danos irreparáveis em habitações ou em espaços exteriores. Para atenuar os riscos, a Comissão Europeia elaborou em 2010 uma norma de segurança europeia que introduz alterações no papel para garantir que os cigarros se auto-extingam quando não estão a ser activamente fumados. Em Portugal já estão no mercado cigarros com requisito LIP (menor propensão para ignição) e a partir de 17 de Novembro todos os cigarros comercializados na União Europeia terão que cumprir esta exigência.» [Público]
    

   




sexta-feira, agosto 26, 2011

Argumentos sacanas

Independentemente da opinião que se possa ter sobre o assunto vale a pena ver o que se vai dizendo e escrevendo sobre a possibilidade de os mais ricos darem o seu contributo para combater a crise, uma hipótese que nem sequer tinha sido colocada em Portugal, um dos países em dificuldades.

Compare-se, por exemplo, as reacções dos comentadores económicos quando Vítor Gaspar divulgou as medidas “brutais” da sua política económica “robusta” com os comentários escritos com punhos de renda que fazem quando se coloca a hipótese de as medidas atingirem os rendimentos dos mais ricos. Quando as medidas atingiram a classe média e os mais pobres o ministro das Finanças foi eleito para herói, agora desdobram-se em explicações de como os ricos já pagam ou deve ficar de fora.

Tristemente o melhor exemplo desta abordagem é-nos dada por Cavaco Silva, quando Sócrates governava condicionava a política económica com o argumento de que haviam limites para os sacrifícios dos mais desfavorecidos sem que alguma vez tenha defendido que tais sacrifícios deveriam ser partilhados por todos os portugueses. Agora que todos se pronunciaram sobre o assunto lá veio dizer que não inviabilizaria medidas que atingissem os ricos desde que não condicionassem o crescimento.

O raciocínio de Cavaco assenta no pressuposto sacana que ao longo dos anos condicionou a política económica deste país, o dinheiro dos ricos é capital enquanto o dinheiro dos pobres é desperdício, o dinheiro dos primeiros é indispensável ao crescimento enquanto o dinheiro dos segundos é mal gasto e causa das crises.

Outra mentira que está a ser propalada é a de que os ricos já foram chamados a participar ao sacrifício por via do IRS, até porque pagam taxas substancialmente superiores, só que se esquecem de dizer que que muitos rendimentos não são tributados em sede de IRS, em limite Américo Amorim ou Belmiro de Azevedo podem apresentar uma declaração de rendimentos de IRS idêntica à dos seus empegados pior remunerados.

Américo Amorim ganhou dezenas de milhões de euros quando foi encontrado petróleo no Brasil e as suas acções na GALP foram valorizadas, mas não pagou um único tostão em impostos. Mas se um pobre decidir vender a sua casa e esta tiver um valor superior ao que tinha tido no momento da compra terá de pagar mais-valias.

Limitar os sacrifícios ao IRS, como parecem defender muitos incluindo Cavaco, é uma sacanice, eles sabem que os rendimentos da classe média e das classes mais pobres são tributados na sua totalidade em sede de IRS. Mas nos caso dos mais ricos o IRS incide sobre apenas parte dos seus rendimentos e na maior parte dos casos não é mais do que simbólico.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Arraiolos
Jumento do dia


Passos Coelho

Foi necessário ser confrontado com o apelo dos ricos franceses para pagarem mais impostos e as críticas de Marcelo Rebelo de Sousa para que Passos Coelho percebesse quão escandalosa tem sido a sua política económica ao deixar os ricos de fora de qualquer sacrifício. Parece ter percebido os riscos de uma contestação social às suas medidas e terá descoberta que necessita de exibir a vontade de coesão social.

O problema é que quando os ricos forem beliscados já os pobres pagam tudo mais caro e ainda ficaram sem metade do subsídio de Natal. Mesmo assim ainda só fala numa possibilidade.
   
«Fonte oficial do gabinete do primerio-ministro diz que o assunto deve ser discutido no debate da lei do enquadramento orçamental.

Assegurando que o Governo "não descarta qualquer possibilidade", a mesma fonte adiantou que "é provável que o assunto seja levantado durante a discussão do documento de enquadramento orçamental", que acontecerá nos próximos dias.» [DE]
     

 Governo põe travão a empresas municipais

«No Memorando de entendimento, o Governo ficou obrigado não só a apertar a criação de novas entidades deste tipo, mas também a colocá-las devidamente no perímetro orçamental. Por isso mesmo, diz o comunicado do Conselho de Ministros, a proposta do Governo visa "também o reforço dos poderes de monitorização da administração central sobre o sector público empresarial local".

Entre as medidas obrigatórias consta a de "limitar admissões de pessoal para obter decréscimos anuais em 2012-2014 de 1% por ano na administração central e de 2% nas administrações local e regional", mas também a elaboração de "um relatório avaliando as operações e a situação financeira do SEE a nível das administrações central, local e regional" - para além "uma redução dos custos financeiros".» [DN]

Parecer:

A troika mandou.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande quem pode, obedeça quem deve.»
  
 O Medina está de volta

«Madina Carreira, antigo ministro das Finanças, presidiu à Comissão Reforma Tributação Património que publicou um estudo em 1999 chamado Projecto Reforma Tributação Património. O primeiro-ministro da altura António Guterres, e o então ministro das Finanças António Sousa Franco, pretendiam taxar os bens móveis, acções, obrigações, títulos e depósitos.» [DN]

Parecer:

Para defender os ricos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Agradeça a generosidade ao senhor Medina.»
  
 Paulo Portas "mete férias" e vai paa a Madeira

«Continua a troca de mimos entre PSD e CDS com a Madeira em pano de fundo. E para que a coisa azede ainda mais sucedem-se as visitas de Paulo Portas à autonomia regional, onde vai encerrar as próximas jornadas parlamentares do CDS, marcadas para 5 e 6 de Setembro, e regressará para a última fase da campanha eleitoral, em Outubro. O líder do CDS-M, José Manuel Rodrigues, disse ao i que a visita já foi combinada com Portas, mas espera pelas jornadas parlamentares para confirmar a data.

Estas visitas provocam mal-estar no PSD, parceiro de coligação no governo da República. Guilherme Silva, da Comissão Política Regional do PSD-Madeira, diz que "a região autónoma não precisa de políticos nacionais" e que as visitas do líder nacional do CDS mostram que não compreende o sentido da autonomia regional: "Se entendesse bem a autonomia, Paulo Portas não teria este tipo de postura." O deputado que representa a Madeira na Assembleia da República ainda acrescenta que "para o PSD estas visitas são ajudas, pois confirmam que o PSD é o único partido que garante a autonomia e os nossos resultados dos últimos anos provam que os madeirenses percebem isto".» [i]

Parecer:

Isto está a ficar bonito.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Reserve-se lugar na primeira fila do espectáculo.»
  
 Seguro pontual com duas semanas de atraso

«O secretário-geral do PS, António José Seguro, apelou hoje ao primeiro-ministro a "voltar atrás" e aprovar as propostas socialistas que irão ser apresentadas no sentido de uma "repartição mais equitativa de sacrifícios".» [i]

Parecer:

Depois de não o ter exigido de forma clara no momento certo e depois do apelo dos ricos franceses esta exigência de Seguro merece um sorriso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  

   




quinta-feira, agosto 25, 2011

Mesquinhez lusa

Basta uma mera comparação entre a edição do dia de um jornal espanhol com a de um jornal português para nos apercebermos como este país está a ficar cada vez mais pequeno. Num jornal como o El Pais ou o El Mundo, para não dizer que na comunicação social espanhola em geral, não encontramos um debate tão aceso porque o fulano tal foi para adjunto do ministro, não ficamos a saber as contas a prazo que constam das declarações de rendimentos dos membros do governo e muitas outras idiotices que enchem as primeiras páginas dos jornais que por cá são considerados como de referência.

Também não encontramos descobertas bombásticas de meia dúzia de facturas escondidas num quarto escuro, não me recordo de um grande jornal usar a primeira página para um “grande repórter” bufar o nome de um blogger e não se regista a promiscuidade de jornalistas que praticam jornalismo militante durante a manhã, são bloggers sacanas durante a tarde e fazem intriga no Twitter durante a noite.

As instituições fazem o seu trabalho sem viverem para a comunicação social, não se sabe o que fez a ASAE lá do sítio ou quantas doses de marijuana apreende a Guardia Civil em Ayamonte. Por cá quatro quintos dos jornais, desde o mais tablóide ao sério Público são lixo, intriga, golpes baixos e opiniões idiotas. Em vez de informação temos calhandrice, em vez de debate de ideias temos jogo sujo.

Com o baixo nível que se regista no debate nacional não admira que o país não saia da cepa torta, as políticas não são discutidas com seriedade, os cidadãos em vez de informados são induzidos sistematicamente em erro e manipulados. Veja-se por exemplo as notícias que nestes dois dias surgiram a dar conta que os ricos pagam muito em IRS.

Os mais ricos de França pediram para pagar mais impostos sobre a sua riqueza, não apenas mais IRS sobre os rendimentos declarados para efeitos de IRS que como se sabe é uma pequena parte dos seus rendimentos pois em limite alguns poderão fazer o que em tempos se soube de um presidente do Benfica, declarar o ordenado mínimo. Muito do aumento da sua riqueza não é ventilada para efeitos de IRS e o senhor Amorim que com a valorização das acções da GALP pode ganhar centenas de milhões de euros num único dia pode em limite declarar o ordenado mínimo e ir pedir o rendimento mínimo de inserção mais uma ajuda ao Álvaro para o passe social.

Pois nestes dois dias nenhum jornal abordou o problema com o mínimo de honestidade e desdobraram-se as notícias informando que os mais ricos pagam 50% de IRS numa tentativa clara de iludir os tolos. O embuste tem sido tão grande que só falta a TVI criar uma conta bancária para onde os portugueses devem mandar os seus donativos para ajudar o Amorim, o Belmiro e o Soares dos Santos.

São esses mesmos jornalistas que no dia-a-dia transformam este país num verdadeiro aterro sanitário, ludibriando os portugueses e dando uma preciosa ajuda para o nosso subdesenvolvimento. Compreende-se, é esse mesmo subdesenvolvimento que enriquece uns e alimenta as gorjetas de outros.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Lagos
Jumento do dia


Macário Correia

Pela forma como se queixa até parece que deveria ter sido convidado com as mesmas mordomias com que foram convidados os que participaram no casamento do herdeiro da coroa britânica.
 
«O presidente da Câmara de Faro, Macário Correia, lamentou esta quarta-feira não ter sido informado ou convidado a participar numa visita que o ministro da Saúde realizou ao hospital local, o que atribuiu ao "lapso ou inexperiência de alguém.» [Correio da Manhã]

 Os novos Boys

Corre por aí a ideia de que quando um ministro convida para adjunto alguém que até à véspera do convite apoiava ou militava noutro partido está a dar um sinal de pluralismo. Seria assim que esses colaboradores mantivessem intactas as suas opiniões políticas e no caso, por exemplo, dos comunistas permanecessem fiéis à sua ideologia e ao seu partido no que respeita à sua postura. Assim, seria de esperar que quando fossem solicitados a opinar manifestassem a sua oposição ao seu ministro já que enquanto adjuntos políticos estão no gabinete para emitirem opiniões políticas.

Ninguém está a ver um simpatizante ou militante do PCP ir para o gabinete do Miguel Relvas para ser fiel à sua ideologia e muito menos à disciplina partidária. Se nos partidos de direita não se exige muito dos seus militantes, naqueles que seguem o ideal comunista a disciplina vai muito além da participação cívica dos cidadãos, inclui também a sua postura profissional e mesmo familiar. É por isso que não passa pela cabeça de um militante comunista furar uma greve convocada pela CGTP, ou dar informações ao patrão que sirvam para tramar um sindicalista do seu partido.

Não partilho da opinião que se vai lendo sobe os adjuntos, mal estaria um governo se os seus membros não os tivessem ou que os seus adjuntos tivessem de ganhar o ordenado mínimo, um governo competente tem de ter ministros competentes e a competência destes depende em larga medida da equipa que o apoia. Ora, se um país quer ter um governo competente deve assumir-se que isso tem custos.

Sendo lugares de confiança política é natural que os ministros confiem esses cargos a pessoas que lhes merecem confiança política e é natural que os encontrem nos seus partidos. Não me parece legítimo criticar Miguel Relvas por convidar um comunista para adjunto, todos sabemos que teriam muitos voluntários pra o cargo em qualquer partido da oposição. Mas se um comunista aceita colaborar com Miguel Relva das duas uma: u traiu a sua ideologia ou aceitou apoiar a direita porque considera isso estrategicamente importante para o seu partido, ou seja, considera que a sua luta contra um determinado partido, que neste caso é o PS, tem a ganhar com a colaboração dada à direita. Isto é, ou temos um traidor ou alguém para quem não há limites e está disposto a fazer o trabalho sujo que muitos outras recusariam.

Em todas as sociedades há gente disposta a desempenhar um papel idêntico ao que desempenham os peixes limpa-fundos nos aquários, comem a caca dos outros para manter o espaço limpo. Invocar o direito ao trabalho ou o pluralismo partidário para justificar tal postura só merece uma gargalhada de desprezo.
 
 

 O PS na clandestinidade

«Onde se encontra António José Seguro? Que estará a fazer António José Seguro? Porque não aparece António José Seguro? O PS sumiu-se? As perguntas, aflitas e arquejantes, cruzam-se nas Redacções dos jornais, das televisões, das rádios. Os políticos interrogam-se, por telefone, por mail, por facebook. Até o dr. Sarmento, de hábito muito bem informado, anda tão perplexo e agitado, talvez mais agitado e perplexo do que é costume, vive mergulhado nas trevas da ignorância, acerca de tão augusto problema. Falou com Lobo Xavier, também este gravemente atingido pela inquietação, que não conseguiu esclarecer a funesta dúvida, a qual apoquentava o seu patrão, o eng.º Belmiro, atacado de persistentes insónias.

Começou a dizer-se, à boca pequena, que o circunspecto Seguro se encafuara num gabinete do Largo do Rato, folheando dossiês sobre dossiês, a fim de se preparar para a abertura das hostilidades com Passos, e aceitando o martírio para conquistar a glória. Outros sussurravam que se encontrava, em sigilo, com Mário Soares, para receber lições de como ser astuto sem o demonstrar, e justiceiro com a displicência de um felino.

A mortificação de Seguro tinha razão de ser. E a procura de ajuda espiritual era um forte esteio. Os embates que tivera com Passos haviam-se saldado por melancólicos desaires. E os avanços, os projectos, as decisões, as propostas, os decretos, as leis em catadupa, insinuosamente expostos ou claramente apresentados pelo presidente do PSD desorientavam o adversário.

Que fazer? A leninista interrogação obtinha respostas dúbias. Pouco mais do que ter birras restava a António José Seguro. O seu partido assinara um memorando draconiano e mandam as regras do bom nome que os compromissos se respeitem. Não será bem assim, tanto mais que Passos tem-se adiantado ao que foi estipulado, excedendo a combinação. O Governo comete injustiças das mais bravas e dolorosas e o PS de Seguro está desaparecido sem combate. Como se diz num velho samba: "ninguém sabe / ninguém viu" o que é feito desta gente. Ao menos um arrobo de protesto, um gesticular de indignação, por modesto que fosse. Nada. E o PSD aproveita todas as oportunidades para aparecer, seja nas praias algarvias, seja em declarações absurdas mas úteis para a "visibilidade." O dr. Relvas até foi à Colômbia, apoiar moralmente a selecção de subvinte, enquanto o PS nem um ramo de rosas pálidas enviou como congratulação de "sermos" vicecampeões.

Onde estará Seguro? Onde se esconde o PS? Paralelamente tristes, votam-nos a uma melancolia atroz, que nem a satisfação provocatória do Governo consegue amenizar. Claro que nada disto é eterno ou estável. Porém, a cada dia que passa perdemos um sonho, uma réstia de esperança, um pequeno gomo de fé, uma fatia de confiança.» [DN]

Autor:

Por Baptista-Bastos.
     
 
 PS ao ralenti

«O PS requereu hoje a ida do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, ao Parlamento para explicar o "rumo" do Governo relativamente à ligação de alta velocidade entre Lisboa e Madrid, argumentando que tem havido "ziguezagues" e "demonstrações de ignorância". » [DN]

Parecer:

Este PS parece ter três velocidades a fazer oposição, devagar, devagarinho e parado. oi necessário que o assunto estivesse quase esquecido para reagir.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Que meigo que o Mário Nogueira anda

«A Fenprof vai hoje ao Ministério da Educação analisar a situação dos docentes que vão ficar desempregados devido à aplicação de novas regras dos horários e alertar para o que pode representar "o maior despedimento de sempre" de professores.

O secretário-geral da Fenprof Mário Nogueira transmitiu preocupação em relação a profissionais contratados há muitos anos e mesmo dos quadros que podem ficar fora do serviço no próximo ano lectivo.

"Milhares de professores contratados estão em vias de ficar desempregados, o que pode significar o maior despedimento de sempre de professores, contratados mas com 18 ou 20 anos de serviço que, devido a alterações às normas de elaboração de horários, vão ficar fora do serviço", mas também de profissionais que estão nos quadros, referiu Mário Nogueira.» [DN]

Parecer:

Até mete dó, o senhor que organizava manifestações diárias contra Sócrates parece agora um leãozinho amestrado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Pobre classe operária

«E por cá, o que pensa o homem mais rico? Américo Amorim, o maior bilionário português segundo o estudo anual da Exame, disse apenas que não se considera rico, quando questionado se aceitaria um imposto sobre os maiores patrimónios.

"Não me considero rico. Sou trabalhador", declarou o líder da Corticeira Amorim ao "Jornal de Negócios".» [Expresso]

Parecer:

O Amorim tem razão, é um operário que tem por funções a armazenagem de "papel".

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se o operário Amorim à bardamerda.»
  
 A lição que veio da direita francesa

«As medidas de austeridade anunciadas esta tarde pelo primeiro-ministro francês, François Fillon, totalizam 11 mil milhões de euros, e visam alcançar um défice de 4,5% em 2012 e de 3% no ano seguinte.

O governo mantém, assim, as anteriores metas para o défice orçamental, apesar de ter revisto em baixa as estimativas de crescimento da economia para 2011 e 2012. O PIB francês deverá crescer 1,75% este ano e no próximo. » [Jornal de Negócios]

Parecer:

Temos mesmo a direita mais burra, oportunista e cobarde da Europa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao brutamontes Gaspar.»