sábado, outubro 22, 2011

Crise na Quinta da Coelha

Quando à falta de colónias e subsídios europeus o parasitismo empresarial português tinha encontrado mais um balão de oxigénio no empobrecimento de funcionários públicos e pensionistas, eis que veio Cavaco e estragou a festa. Estava tudo a correr bem, Cavaco tinha levantado os limites à austeridade, O ministro que mora em Lisboa mas tem subsídio de residência estava a garantir que o pessoal do cassetete ficava bem disposto, as centrais sindicais já tinham convocado a greve geral da praxe e até o líder da oposição dava por aprovado um orçamento que desconhecia. Os muitos milhões tirados à função pública até animaram Mira Amaral que já pedia mais dinheiros para fazer o sacrifício de levar o BPP limpinho, com capitais e à borla.

É então que Cavaco se lembrou de ler o OE, olhou para o espelho e ficou com a sensação de que lhe estava a nascer um bigode à Augusto Pinochet, chamou o seu pequeno chefe da Casa Civil para lhe dar conta do susto e ficou ainda pior, que vez do seu obediente chefe julgou ver entrar no seu gabinete o antigo chefe da Dina. Ele que passou a vida a dizer que é social-democrata que foi para Presidente para ajudar o país com os seus conhecimentos de economia, sentia-se como mais um polícia de intervenção, um caceteiro encarregado de explicar aos cidadãos de forma elucidativa os princípios da política económica do Gaspar.

Não podia ser, tiravam-lhe subsídios, nem a pensão miserável da esposa escaparia à perda de um subsídio e só contavam com ele para tropa de choque, tinha de tratar da sua imagem, até porque era uma oportunidade de voltar a assumir o estatuto de presidente de todos os portugueses. Pensou e fez, juntou-se ao bispo das forças armadas e desancou no orçamento. Estragou o caldinho aos vizinhos da Quinta da Coelha.

Nem o obediente Catroga resistiu à tentação de desancar no vizinho, até porque o que o vizinho da Quinta da Coelho disse não era uma mera pentelhice, era uma verdadeira vulva política, algo parecido a apelar ao pessoal para se juntar aos enrascados.

E foi o que se viu, na Quinta da Coelha passou a haver mais pedrada do que em Chelas, com as Ildas esbaforidas a meter os putos em casa. O caso é tão grave que nem o Marques Mendes resistiu à tentativa concretizada de parricídio político.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Mosca no Castelo de São Jorge, Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Poupança de energia [Aj Carvalho]

«Esta manhã reparei que os candeeiros de iluminação pública existentes na rua onde moram os pais do Ministro da Economia e imediações tinham o autocolante que a imagem em anexo mostra.

Os postes possuem duas lâmpadas, uma lá bem no alto para iluminar as ruas e uma outra virada para o passeios. Pelo que apurei os "focos" foram desligados há duas semanas e os autocolantes colocados na ocasião. Curiosamente não encontrei situações idênticas na cidade, será que a câmara decidiu mostrar serviço ao "Álvaro", quando tiver tempo para visitar a família e os pais...»
  
Jumento do dia


Miguel Macedo, ministro mau exemplo
Se Miguel Macedo tivesse um QI próximo do normal teria percebido que todos os portugueses considerem miserável que morando em casa próprio tenha usado o endereço do Porto para sacar um subsídio de residência aos contribuintes. Fazer parte de um governo que retira subsídios é incompatível com estes oportunismos, se o ministro não tem a dignidade de pedir a demissão, então que tenha a coragem de prescindir do subsídio conseguido de forma oportunista e abusiva.
 
Se o ministro julga que o assunto está esquecido engana-se, circula nas caixas de email de todos os portugueses e começa a ser o símbolo do oportunismo neste governo.

«O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, recebe todos os meses cerca de 1400 euros por subsídio de alojamento apesar de ter um apartamento seu na área de Lisboa onde reside durante toda a semana. A assessoria de imprensa do Ministério da Administração Interna (MAI) afirma que o subsídio é legal, uma vez que o governante tem a sua residência permanente em Braga.» [Público]
    
 

 Pela calada do dia

«Na quarta-feira, Gomes Canotilho disse que "as formalidades constitucionais estão a ser ultrapassadas", assistindo-se, a pretexto de um estado de sítio financeiro, a uma "revisão de facto" da Constituição - e isto sem grandes reacções.

Ontem, no DN, três outros constitucionalistas (Reis Novais, Bacelar Gouveia e Otero) reiteraram a inconstitucionalidade do corte dos 13.º e 14.º meses na função pública. É certo que dois deles repetem o que haviam dito sobre o corte dos salários e pensões efectuado no Orçamento de 2011 pelo anterior Governo (e viabilizado pelo PSD), e que no mês passado o Tribunal Constitucional estabeleceu estar esse mesmo corte dentro dos limites da lei fundamental, podendo tal ser interpretado como "licença" para o que se segue. Mas, lendo o acórdão, isso não resulta óbvio: se o TC frisa não estarem os funcionários em igualdade de circunstâncias, pelo seu vínculo ao bem público, com o resto dos cidadãos, e que "a emergência" nacional "justifica" o seu sacrifício, deixa também claro que esse sacrifício tem de ser temporário e não pode perder de vista o princípio da proporcionalidade (valorizando o facto de o corte só incidir sobre salários a partir de 1500 euros e ir "só" até 10%).

Ora dificilmente se considerará proporcional, ou "não excessivo", cortar dois salários a quem já perdeu entre 3,5% e 10% do seu rendimento (mais meio subsídio de Natal de 2011) e fazer recair esse corte em quem recebe a partir de 486 euros. Afinal, como releva Reis Novais, a Constituição existe para garantir o princípio da justiça, e dificilmente haverá noção de justiça que não se indigne ante a sobrecarga brutal de um grupo com um problema do qual ele não pode ser mais responsabilizado que o resto das pessoas. Esta é aliás a visão do PR, que afirmou estar em causa o princípio da equidade fiscal. Significa isso que vê o anunciado corte como inconstitucional. Num PR que levasse a sério o respeito pela Constituição que jurou por sua honra defender, tal implicaria ou veto ou pedido de fiscalização preventiva ao TC. Mas como Cavaco passou os mandatos a brincar aos pedidos de fiscalização, pode estar só a demarcar-se da medida, por sabê-la impopular, sem querer pagar o preço de a chumbar ou de a enviar para fiscalização preventiva - o que não só deixaria o Governo em pé de guerra como implicaria, no caso de o TC se pronunciar pela inconstitucionalidade, uma reformulação do OE no sentido de generalizar os sacrifícios agora demandados a funcionários públicos e pensionistas ou seja, aumentar (mais) impostos.

Mas eis que surge a sua dilecta Ferreira Leite a propor, em alternativa à ablação dos subsídios, a suspensão da gratuitidade da educação e saúde "por dois ou três anos". É só o fim da Constituição, e o concretizar (!) dos mais desvairados sonhos de Passos. E uma inovação fantástica em matéria de golpes de Estado: mudar de regime sem mudar de governo. Nem de PR. » [DN]

Autor:

Fernanda Câncio.
  
 Morreu o tirano e nosso sócio

«Então, Kadhafi foi apanhado com vida, e morto para que as câmaras o vissem bem morto. Foi morto pelos seus, ou que ainda há pouco eram dos seus a aplaudi-lo e não a enfiar-lhe um balázio da sua própria pistola folheada a ouro. Tudo como deve ser morto um tirano: pelos seus, com a certeza de ficar bem morto e um corpo que, espera-se, será feito desaparecer. Nunca confiando com a morte dos tiranos. Obama, Cameron e Juppé (ministro dos Negócios Estrangeiros francês) congratularam-se - e com razão, o morto, além de palhaço, o que é só uma questão de gosto, era um tirano dos autênticos, com mortes em casa e na casa dos outros. Mas também era líder de um país com petróleo e isso há que ter em conta, como não nos ensinam nas escolas onde útil e moral seriam aulas sobre cinismo, a mais cívica das educações. Ontem, teria ajudado os nossos jovens a não se surpreenderem com o alívio pela morte não do nosso aliado, que nunca foi, mas do nosso sócio, que foi (de Lisboa, Madrid, Paris, Londres, Washington...) Mas, repito, que lhe escondam o corpo! Mal comparado, o tirano Júlio César também foi morto pelos seus (até Brutus...), mas no enterro o amigo Marco António fez um discurso que mudou a opinião da populaça romana sobre César, que de tirano morto virou saudoso chefe. Todos os cuidados são poucos com aquelas cabecinhas populares que ontem nas ruas de Tripoli saudavam a troika salvadora: "Alá, o Comité Revolucionário e a OTAN!"» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.
  
 O desvio das atenções

«Depois de o Primeiro-Ministro ter justificado o corte no 13º mês com o “desvio” na execução orçamental do 1º trimestre - à luz de dados divulgados na véspera pelo INE - o Expresso noticiou que a decisão já estava preparada antes de conhecidos esses números e que a sua verdadeira justificação era outra: precaução e vontade de “ir mais longe do que a troika”.

Desde o início, portanto, a teoria do "desvio colossal" foi adoptada como um conveniente pretexto para as medidas duras decididas pelo Governo, com o intuito de responsabilizar o Governo anterior por decisões impopulares, contrárias aos compromissos eleitorais e não caucionadas pelo memorando da "troika".

Só assim se compreende, aliás, a estranha dificuldade que o Governo sempre teve em explicar, de modo fundamentado, a origem exacta desses "desvios", que os boletins mensais da DGO não pareciam confirmar mas os dados do INE indiciavam. O enigma só começou a ter resposta quando se soube, já no final de Setembro - e por terceiros - que no défice imputado ao 1º semestre constavam dívidas escondidas da Madeira (cerca de 600 milhões de euros, quase metade por decisão do Governo Regional de... 30 de Junho!). Ficou claro que o Governo não explicava o "desvio" por razões de conveniência política: para adiar o mais possível a divulgação da situação da Madeira e para continuar a alimentar a ideia falsa do despesismo do Governo do PS no 1º semestre.

Percebe-se agora porque é que o Governo falou tanto do "desvio" dizendo afinal tão pouco. De facto, a maior parte do "desvio" identificado (3400 milhões de euros) não respeita à execução efectiva do 1º semestre mas sim à execução prevista para o 2º semestre. Daí a confusão deliberada entre desvio "encontrado" e desvio "estimado". Segundo o INE, o défice no 1º semestre, em contabilidade nacional, foi de 7 mil milhões de euros, o que compara com a meta indicativa da troika de 5400 milhões. A diferença terá sido, portanto, de 1600 milhões de euros (valor que inclui os 600 milhões da Madeira). Como está bem de ver, entre os 1000 milhões de défice adicional do 1º semestre e os 3400 milhões de que se fala para o final do ano estão não só os 600 milhões da Madeira mas também... mais 1800 milhões de euros de "desvios" previstos para o 2º semestre, em plena gestão do actual Governo. Embora o Governo fale como se este ano só tivesse um semestre, a verdade é que o "desvio" previsto para o 2º semestre é muito maior do que o registado no primeiro!
 
Quanto aos "desvios" do 1º semestre (os mil milhões que estão para lá das dívidas da Madeira) o OE para 2012 faz, finalmente, alguma luz sobre o assunto: 200 milhões de euros de encargos financeiros (comissões) com a própria ajuda externa (até aqui ocultos como "consumos intermédios"); 220 milhões resultantes da não distribuição de dividendos por parte da CGD e do BdP (para responder à situação criada com a descida dos ‘ratings' em consequência do chumbo do PEC IV); simples adiamento para o 2º semestre da obtenção de pelo menos 400 milhões de euros de receitas não fiscais (vendas e concessões) em resultado da crise política (recorde-se que o Primeiro-Ministro foi forçado a demitir-se a 23 de Março, ainda no 1º trimestre). A verdade pode ser inconveniente mas o alegado "desvio" no 1º semestre, na parte que ultrapassa a dívida escondida da Madeira, é, no essencial, consequência financeira directa do chumbo do PEC IV e da crise política que se lhe seguiu. E muito inferior ao desvio que o Governo espera ter no 2º semestre.

A lógica obsessiva de confronto com o PS pode servir para desviar as atenções das responsabilidades do Governo actual pelas suas próprias escolhas mas não contribui em nada para que se compreenda a complexidade dos problemas que o País enfrenta. E pior: é, em si mesma, uma medida temporária.» [DE]

Autor:

Pedro Silva Pereira.
    

 Mentira com o rabo de fora

«O primeiro-ministro afirmou, esta sexta-feira, que se recusa a "alimentar" a polémica com o Presidente da República, Cavaco Silva, sobre a questão da retenção dos subsídios de Natal de férias. Passos Coelho, que falava no IV Congresso da Ordem dos Economistas, em Lisboa, afirmou contudo que "seria tão injusto quanto imprudente fazer a consolidação orçamental que não predominantemente pelo lado da despesa".» [CM]

Parecer:

Se Passos Coelho fala em consolidação orçamental como pode dizer que o corte dos subsídios é apenas para enquanto durar o programa de estabilização? Percebe-se que o Tribunal Constitucional já declarou que um corte de vencimentos a título definitivo será inconstitucional, pelo que se espera que o primeiro-ministro esclareça se aceitou governar com esta constituição ou vai pedir ao povo os poderes de um ditador.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Passos Coelho que esclareça as dúvidas.»
  
 Recessão inferior a três pontos em 2012?

«O indicador coincidente da actividade económica do Banco de Portugal (BdP) caiu em Setembro 3 por cento relativamente ao ano anterior, agravando a tendência negativa que se regista desde o início do ano.» [CM]

Parecer:

Só mesmo o Gasparoika acredita nas suas mentiras tecnicamente científicas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 O Álvaro Batanete em grande forma

«ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, afirmou hoje que o Ministério que tutela tem "reformas muito incisivas" para o crescimento e emprego a serem ainda planeadas e que "quando incomodam, causam ruído".» [DN]

Parecer:

Este Álvaro é mesmo um Batanete!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada, que se oiça apesar do ruído provocado pelas imensas reformas promovidas pela pobre figura.»
  
 Divisões na Quinta da Coelha

«Eduardo Catroga criticou hoje o Presidente da República por levantar "nesta altura" a questão da falta de equidade fiscal na opção do Governo em cortar os subsídios à Função Pública mantendo intactos os do sector privado.» [DN]

Parecer:

O ambiente vai estar tenso na quinta da Coelha, imagina-se Catroga a dizer no quintal que está farto das pentelhices do Cavaco.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Ferro defende voto contra

«ex-líder socialista Ferro Rodrigues advertiu hoje que o PS poderá votar contra o Orçamento caso o Governo recuse propostas de alteração e defendeu a demissão do executivo caso tente tornar definitivas as medidas de austeridade temporárias.» [DN]

Parecer:

Haja alguém que o defensa apesar da probabilidade de 0.0001% de Seguro o fazer.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
  
 A culpa não é do super Álvaro

«Rui Rio acrescentou que o "primeiro-ministro teve oportunidade de fazer um governo equilibrado e acabou por criar "dois ministérios, o da Agricultura e da Economia, que são praticamente ingovernáveis, nem que se ponha lá um super homem". O autarca falava minutos antes de dar uma conferência sobre o tema "Política e Economia: ideias para enfrentar a crise", integrada no projecto "Porto de Desafios", do Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (ISCAP), no âmbito das comemorações dos 125 anos desta escola. » [DN]

Parecer:

Pois, mas o Batanete não se queixou.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Desta vez o PSD não comentou

«O Eurostat confirmou hoje, na sua segunda notificação sobre procedimento dos défices excessivos, que as indicações de que as dívidas omitidas pela Administração Regional da Madeira tiveram um impacto perto dos 0,6% do Produto Interno Bruto no défice português no ano passado, o que levou a que Portugal registasse, a par da Letónia (também 0,6%), a mais acentuada revisão em baixa relativamente à notificação anterior, de Abril passado.» [DE]

Parecer:

Sempre que o défice era corrigido, até quando tal se devia a questões de mudança de regras contabilísticas, o PSD festejava com grande algazarra, agora ficou calado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Solicite-se um comentário ao Gasparoika e Cia.»
  
 Mira Amaral dis aos funcionários que têm um patrão falido

«Em relação ao Orçamento do Estado para 2012, que afecta sobremaneira a Função Pública, o antigo membro do governo defendeu que “a Função Pública tem de se lembrar que têm um patrão falido, e que se fosse um patrão privado, falia, e as pessoas perdiam o emprego”.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

É o mesmo patrão falido que lhe ofereceu um banco e ainda vai avançar com mais uns milhões.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se Mira Amaral à bardamerda.»
  
 Começa o forró

«A Câmara de Barcelos quer manter os subsídios de férias e de Natal para os cerca de 800 funcionários da autarquia em 2012. O executivo aprovou nesta sexta-feira uma proposta nesse sentido. A ideia é pedir ao Governo e ao Parlamento um regime de excepção ou, caso esta não seja concedida, pagar através do orçamento municipal.» [Público]

Parecer:

Vamos todos para Barcelos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao autarca se há dinheiro e vagas.»
  

 21st-Century China [The Atlantic]











   








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sexta-feira, outubro 21, 2011

Somos o Chile para não sermos a Grécia?

Em democracia quando os governos pretendem adoptar medidas duras de austeridade porque são inevitáveis ou por opção de política económica dialogam com as forças sociais e os partidos da oposição, tentam concertar posições, convencer da justeza das suas propostas, encontrar acordos. Em ditadura dispensa-se o diálogo, conta-se com a repressão para eliminar qualquer oposição. No Portugal de 2010 Passos Coelho muito antes de divulgar a sua política de austeridade ameaçou eventuais promotores de tumultos, reforçou o orçamento das polícias, optou por não negociar com nenhum partido da oposição e, nem sequer com o que tinha assinado o acordo com a troika.


Em democracia as políticas económicas têm sempre alternativas que correspondem a diferentes posições económicas, ideológicas ou partidárias, a redução do défice pode ser conseguida por diversas vias, a explicação das opções é política e económica. Em ditadura as opções de política económica são sempre apoiadas numa inevitabilidade divina, na total ausência de alternativas. No Portugal de 2011 a política económica é apresentada por um ministro que não acredita em qualquer alternativa à sua política.

Em democracia valores como a equidade e a justiça prevalecem, distribuem-se os sacrifícios em função da capacidade dos cidadãos. Em ditadura escolhem-se os inimigos políticos a sacrificar, elegem-se culpados pelas crises, julgam-se sumariamente os culpados. No Portugal de 2011 elegeram-se culpados, inventaram-se privilegiados, defendem-se julgamentos de responsáveis.

Com este Orçamento de Estado o governo diz pretender afastar-nos da Grécia. Mas pela forma como o OE foi apresentado, pela natureza das medidas adoptadas, pela forma como discrimina os cidadãos, pelo desprezo que revela por princípios como a justiça e a equidade, pelo reunir de forças polícias, pelo desprezo revelado em relação ao diálogo, ainda não sabemos que conseguiremos afastar-nos da Grécia e já estamos quase no Chile de Augusto Pinochet.

Duvido que que gente como Vítor Gaspar perceba isso, mas antes sermos a Grécia falida e berço da democracia, do que o Chile do ditador Augusto Pinochet.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Castelo dos Mouros, Sintra
Imagens dos visitantes d'O Jumento


"Timoneira" [A, Cabral]
  
Jumento do dia


Marques Mendes, líder falhado do PSD

Marques Mendes, um conhecido assalariado de um homem do BPN acusado por Menezes de fazer pressões para evitar a intervenção do BdP, vem defender aquilo que é habitual em ditaduras, quando o ditador chega ao poder e necessita de justificar a ditadura começa por julgar e condenar os seus antecessores. É evidente que o little não pode julgar seja quem for a não ser os seus camaradas do PSD, mas ao vir com o argumento dos jotas do seu partido alinha numa estratégia de distracção que apenas tem por objectivo desviar a atenção dos portugueses de um OE de fazer inveja ao Pinochet.

«O ex-presidente do PSD Luís Marques Mendes defende que ex-governantes socialistas do Executivo de José Sócrates, agora deputados, deviam estar a ser julgados pela "gestão danosa de orçamentos" e pelo "caminho de ligeireza e irresponsabilidade".» [DN]

 Quem o dizia era Sá Carneiro


Daqui e daqui.

 Susto no Multibanco

Ir ao Multibanco e dar de caras com aquela coisa feia chamada José Manuel Fernandes devia ser proibido, mas parece que o assalariado do Manuel dos Santos acha que um livro vendido entre cebolas e alfaces e que supostamente versa sobre liberdade de informação acha que justifica tal investimento publicitário, um sinal de que o merceeiro está mesmo disposto a ganhar dinheiro para fazer passar algumas ideias.
 
Esperemos que o assalariado do merceeiro não se esqueça de convidar alguém para escrever sobre liberdades individuais, nem quero imaginar quem vai aparecer no Multibanco.
     
 

 Uma carta fora do baralho

«Afinal, Portugal não é a Grécia. É o Chile. De há 30 anos. Não vamos apenas recuar no rendimento per capita, mas também na História, na integração europeia e, seguramente, na qualidade da democracia. Em prol de quê? - Em prol de uma fé. E a troco de quê? - A troco de uma mão cheia de nada.

Deixem-me personalizar porque é caso para isso. Conheço o pensamento de Vítor Gaspar, porque várias vezes me cruzei com ele, em seminários, e porque ele se interessa por história económica e várias vezes entrámos em diálogo. Sempre concordámos em discordar. Também conheço o seu pensamento porque por onde ando há outros economistas assim, também dos bons. Posso talvez dizer que em cada 100 economistas ou historiadores económicos que conheço, cinco pensam como o ministro das Finanças e um é fora de série. A presença de um deles num debate é sempre fonte de animação.

Mas há dois grandes problemas. O primeiro é que estes economistas, no fundo, não estão muito interessados em causalidades. Estão mais preocupados com equilíbrios. Não acham importante determinar se vem primeiro o ovo ou a galinha. Há um défice, um desequilíbrio? Corrija-se. Mas as causas são… Não interessa, corrija-se para recuperar a confiança, criar um círculo virtuoso e restabelecer o crescimento. Onde foi isso visto? Aqui e ali. Mas como prova que a recuperação foi o resultado da contracção, se o mundo entretanto mudou? Porque a teoria assim o diz.

O segundo problema, porventura maior, muito maior, é que esses economistas não chegam, nem perto nem longe, aos governos dos países avançados e europeus como Portugal. Os ministros das Finanças europeus são políticos, não teóricos e sobretudo não teóricos da fasquia dos 5%, brilhantes, é certo, de Vítor Gaspar. Quanto muito chegam a governadores de bancos centrais. Tivemos azar.

E tivemos azar por culpa de muita gente e, em última análise, do actual primeiro-ministro. Ele ouviu à saciedade que era preciso "mudar o rumo", que vivíamos "acima das possibilidades", que era preciso um "corte radical com o passado". E acreditou nisso tudo. Primeiro, acreditou nas "gorduras do Estado" - até ver que as havia, mas que eram macroeconomicamente marginais. Ficou sem eira nem beira. Até que Vítor Gaspar lhe apresentou um plano, o único plano que havia para pôr tudo em linha como recorrentemente lhe pediam.

O plano de Vítor Gaspar já chocou muita gente, porque é chocante. E não o fez só à esquerda, pois o PSD também ficou chocado e muito. Mas não se consegue mexer. Nem o PS. A principal razão porque o plano é chocante é que ele assenta numa carta que não estava no baralho: a contracção sem limites de salários - e mais aumento de impostos. Assim qualquer um sabe governar.

Passos Coelho não parece ter percebido o que se estava a passar, como revelam duas das suas declarações. A primeira foi quando disse que os funcionários públicos "ganham mais 10 a 15% que trabalhadores privados". Sim, ganham, mas não todos e porque os de rendimentos mais baixos ganham mais e as mulheres ganham o mesmo que os homens.

Se queria corrigir essa "injustiça" teria de ter feito de outro modo. E não podia, pois tinha de ir aos salários mais baixos. A segunda foi quando disse que a medida era para dois anos, o que o ministro das Finanças prontamente desmentiu. Obviamente. Um choque destes para durar tem de durar. Não há milagres.

Ou seja, este Orçamento equilibra as contas, segundo o memorando da troika, à custa de uma contracção permanente, feita num acto, brutal, do rendimento disponível. E a troco de quê? Já lá vamos.

Passos Coelho ainda será dos poucos que acredita que a culpa disto tudo não é dele, que "não tem de pedir desculpa aos portugueses". Vítor Gaspar já sabe que não, claro. A dimensão do "ajustamento", como lhe querem chamar é de tal forma grande, é de tal forma brutal que, como é evidente, ultrapassa qualquer estrago que tenha sido feito pelo Governo anterior. Percebe-se esta lógica simples, não se percebe? Julgo que não é preciso ir mais longe.

O actual Governo, uma vez por todas, tem de assumir as suas opções. As suas opções radicais. E profundamente anti-europeias. 

O mantra por trás destas opções é também, por seu lado, incompreensível. Trata-se de "recuperar a confiança dos mercados". Este mantra, dito em 2011, não revela uma completa falta de percepção do que se está a passar na economia internacional? Revela.

E, claro, ninguém com tanta fé notou que os mercados nada notaram sobre o que por cá se está a fazer. Inclusivamente, até podem responder negativamente, esses mercados, por causa da enorme contracção que aí vem, desta desgraçada economia.

Mas insistamos nos mercados e voltemos ao Chile. Nos anos 1980, um grupo de rapazes de Chicago entrou pela ditadura chilena adentro e "cortou com o passado", fazendo um "ajustamento profundo". Os pormenores não cabem aqui, mas quatro questões importantes cabem: o país era então uma ditadura; não estava integrado num espaço económico e monetário alargado; havia uma enorme taxa de inflação; e os mercados internacionais não estavam de rastos. E o desemprego subiu a perto de 25%, sem subsídios, claro, que isso é para os preguiçosos.

A estratégia de Vítor Gaspar, sufragada por Passos Coelho, é profundamente desactualizada e mesmo errada. Ela insere-se num quadro mental em que os gastos do Estado provocam inflação, quando estamos numa fase de baixíssima inflação; pressupõe o financiamento nos mercados internacionais de capitais, quando estes estão retraídos em todo o Mundo.
 
Há alternativa? Claro que há. A Europa não se gere pelos 5% de ideias económicas que infelizmente foram parar ao Ministério das Finanças. Nem de perto, nem de longe. Passos Coelho tem muito que aprender. Já está é a ficar sem tempo para o fazer. Vítor Gaspar tem um bocado de razão em pensar como pensa. É isso que acontece sempre, entre economistas. Mas deitou essa razão por borda fora, ao ir tão longe, tão fora da realidade do país, do euro e da Europa. Precisamos de recentrar o País, para o que convém começar por reconhecer as causas das coisas.» [Jornal de Negócios]

Autor:

Pedro Lains.
  
 Quem parte e reparte...

«O Director-Nacional, os três Directores adjuntos e o Inspector Nacional da PSP aumentaram-se a si próprios já no ano passado, colocando-se logo no novo regime remuneratório da polícia, deixando para trás a esmagadora maioria do efectivo que não transitou para esta tabela, em vigor desde início do ano. Só para o "chefe" máximo foram mais de 800 euros mensais.» [DN]

Autor:

Apouca vergonha vai-se instalando no país.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se e abra-se um processo disciplinar ao comportamento dos ex-responsáveis da PSP..»
  
 Despedimentos nos transportes públicos
 
«Governo admitiu ontem que a reestruturação dos transportes públicos, nomeadamente as fusões entre as várias empresas do sector, vai obrigar à "redução de efectivos", disse ao DN/Dinheiro Vivo fonte oficial do Ministério da Economia. Contudo, "não há ainda condições para avançar nenhum número no que respeita a despedimentos", acrescentou.» [DN]

Autor:

E depois do sector empresarial serão os funcionários públicos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 O Álvaro é um problema?

««Temos um ministro das Finanças com enorme peso político e omnipresente e depois temos um ministro da Economia que não tem experiência de fazer e que viveu distante da realidade portuguesa e até da realidade empresarial durante muitos anos, dificuldades que são perceptíveis», apontou o centrista.» [TSF]

Autor:

E só agora repararam?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
     

 Portugueses são dos povos mais infelizes

«Só os chineses e os húngaros surgem depois dos portugueses, no estudo da OCDE sobre a satisfação com a vida, baseado em inquéritos realizados em 40 países.» [Expresso]

Parecer:

Pudera!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao Gaspar que deixe de ter aquele ar de sem abrigo e faça um sorriso.»
  
 Mais vagas para boys?

«O Governo chefiado por Pedro Passos Coelho tem como ministros de Estado o ministro das Finanças Vítor Gaspar e o ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas. A criação do CEIE constitui o único ponto do comunicado do Conselho de Ministros hoje divulgado, que refere que esta entidade contará também com a participação de quatro representantes de organizações do sector privado, a convidar.

O CEIE terá por missão "a avaliação das políticas públicas e das iniciativas privadas, e a respectiva aprovação, em matéria de internacionalização da economia portuguesa, da promoção e captação de investimento estrangeiro e de cooperação para o desenvolvimento".» [Jornal de Negócios]

Parecer:

É evidente que o conselho vai ter mais um staff e como de costume é contratado no sector privado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 Moody's baixa ratinga da República .... Espanhola

«Há dois dias, a Moody’s anunciou um corte do “rating” da dívida soberana de Espanha. No dia seguinte, no relatório sobre as implicações adicionais da sua decisão, com informação complementar sobre titularizações e títulos hipotecários emitidos pelas entidades financeiras espanholas, a agência de notação financeira cometeu uma “gaffe”… chamando República a Espanha.» [Jornal de negócios]

Parecer:

Ignorantes!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 O Mário Nogueira acabou de acordar

«"É mentira aquilo que tem sido dito pelo Governo de que este corte brutal, violento, que vão fazer nos salários a partir de Janeiro, a acrescentar ao violento corte deste ano, é para evitar despedimentos", garantiu hoje o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, no final de uma reunião com a direcção do PCP em Lisboa.

"Para poder reduzir o orçamento desta forma, milhares e milhares de professores vão ficar fora do sistema de ensino no próximo ano, muitos deles dos quadros", acrescentou.» [JN]

Parecer:

Pobre sindicalista membro do CC do PCP, começou por ser simpático com o Cratino e agora é que mede as consequências das políticas a que fechou os olhos.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se o espectáculo que nos tem sido proporcionado por Mário Nogueira.»
  
 Maldito desvio colossal

«De acordo com os dados da execução orçamental, hoje divulgados, o valor provisório do défice do Estado situou-se em 6.562 milhões de euros. É uma melhoria de 2.743 milhões de euros em comparação com o período homólogo do ano anterior e de 641 milhões de euros em relação ao mês anterior.

A receita efectiva do Estado está a crescer 5,1%, mais 0,3 pontos percentuais em relação ao mês anterior, o que se justifica pelo comportamento da receita da IRC. Já a despesa efectiva está a crescer 3,8% face ao ano passado, acima do se tinha verificado até Agosto.» [Público]

Parecer:

Parece que as gorduras do Estado estão a aumentar e o Gasparoika não as consegue eliminar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Gasparoika se o desvio colossal está a aumentar.»