sábado, novembro 05, 2011

Capitalistas da treta

Enquanto o governo privatiza tudo e mais alguma coisa em nome da suposta superioridade da gestão privada o país assiste à exibição de uma fila de empresários junto à sopa dos pobres, pedindo dinheiro dos contribuintes. Os nossos orgulhosos empresários e banqueiros mais parecem uns sem abrigo à espera da carrinha do Banco alimentar contra a Fome.

Quem diria que o garboso Ulrich, um dos banqueiros que mais aprecia dar lições de moral ao país e que desde há uns anos anda armado no modelo de virtudes da alta finança nacional, haveria de ser um dos que mais precisa da ajuda do Estado para se recapitalizar e assegurar aos seus depositantes que as suas poupanças não serão tragadas pelos créditos mal parados ou as garantias da treta de negócios menos bem sucedidos.

O mesmo governo que exibiu a Parque Expo como o exemplo da má gestão estatal prepara-se agora para “nacionalizar” a Europarques e os seus mais de trinta e dois milhões de prejuízos. Os exemplos multiplicam-se e ao mesmo ritmo que os contribuintes e trabalhadores do Estado vão dando folga financeira ao ministro Gaspar este vai-se multiplicando em acções generosas. De um lado vão ao pote do contribuintes e dos trabalhadores, do outro vão salvando empresários e banqueiros que foram maus gestores, incapazes e irresponsáveis.

Assim como o pobre é maneta enquanto o rico é deficiente as empresas públicas são geridas com incompetência e fonte de todos os males, as empresas privadas estão em dificuldades por causa da crise e dos salários elevados e os seus gestores são modelos de virtudes.

O mesmos banqueiros que não revelaram grande imaginação na gestão dos seus bancos mostram-se agora muito criativos na tentativa de transferir, sem mostrarem o mais pequeno pudor, os seus prejuízos para os contribuinte. A última grande ideia foi a criação de um bad bank, passavam para um banco do Estado todos os activos tóxicos, isto é andaram a empregar dinheiro a vigaristas a troco de falas garantias

Os mesmos altos gestores, capitalistas e banqueiros que criticaram os governos por incompetência geriram mal as suas empresas, criticaram a falta de rigor mas aceitaram falsas garantias a troco de dinheiro que arranjaram facilmente, criticaram a falta de previsão mas foram incapazes de prever o desastre, criticaram o país por ter de pedir ajuda internacional mas agora querem enganar os contribuintes trocando os seus impostos por lixo.

Umas no cravo e outras na ferradura




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Sacavém
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Tancos [A. Cabral]
  
Jumento do dia


Pedro Silva Pereira

Pedro Silva Pereira, ex-ministro da Presidência, garante que se o PS fosse governo não cortaria os subsídios. Pois, mas foi o seu governo que cortou uma parte do vencimento dos funcionários públicos ao mesmo tempo que lhes aumentou os descontos e retirou direitos. Além disso, começa a ser notícia na comunicação social que Seguro estará a negociar o OE exigindo que se corte apenas um subsídio, o que deixa implícito que concorda com o corte do outro ou pelo menos o aceita.

«O ex-ministro Pedro Silva Pereira defendeu quinta-feira à noite o voto contra o Orçamento, frisando que se o PS estivesse no Governo nunca cortaria os subsídios de férias e de Natal dos trabalhadores do sector público.» [DN]

 Os 'spin' de Coelho e Relvas ao serviço de Seguro

Começa a se evidente que a abstenção de Seguro no orçamento estava combinada em momento anterior à divulgação deste e que agora são os 'spin' do governo a passar a ideia de que devemos ficar gratos a Seguro. Por este andar ainda vai fazer mais sentido que Seguro vá para vice do PSD do que manter o estatuto de líder da oposição pois não o tem sido.

 Há coisas difíceis de entender

O Estado vai extinguir a Parque Expo porque dá prejuízo mas vai ficar com o Europarque para ficar com os prejuízos da AEP. Enfim, uma questão de critérios duvidosos.
  
 

 Nesta luta (a)final

«O casamento entre o capitalismo e a democracia acabou." A frase, do filósofo esloveno Slavoj Zizek durante uma entrevista à Al Jazeera, surgiu dois dias antes do anúncio-choque do PM grego sobre a intenção de convocar um referendo sobre as medidas de austeridade. A reacção às palavras de Papandreou dos chamados "mercados", assim como dos governos "dominantes" da Europa - e até de muitos jornalistas -, gritaria de irresponsabilidade e loucura embrulhada num minicrash das bolsas (com os bancos a mergulhar devido à sua exposição à dívida grega e à hipótese de o país decidir não pagar), pareceu encomendada para ilustrar as de Zizek. E houve mesmo quem, como o colunista polaco Waldemar Kompala, do jornal Rzeczpospolita, não se coibisse de lhe dar razão com todas as letras: "Enquanto a crise durar, a UE deve ser gerida com eficácia, mesmo não democraticamente." (via The Guardian).

Ora sucede que, como toda a gente já reparou, há muito que a Europa está a ser gerida, ou coisa que o valha, não democraticamente, e não é por causa disso que a coisa se tem revelado eficaz - a não ser que a eficácia se deva medir, precisamente, na destruição do ideal democrático. É que se é por aí, está a correr lindamente. Quando se reage com fúria e incredulidade à possibilidade de um Estado perguntar à população, submetida a brutal austeridade, qual o caminho que escolhe, isso só pode querer dizer que ou se considera que aquele povo em particular não pode ser dono de si ou se está a negar a ideia de democracia tout court.

Sobre a existência de um racismo em relação aos povos do Sul não restam dúvidas; afinal, já fomos acusados por Merkel de trabalhar menos horas, de termos mais férias e de nos reformarmos mais cedo. E se se trata de uma falsidade, como a própria imprensa alemã demonstrou, não é menos óbvio que essa ideia de que cá por baixo temos mais direitos do que os que merecemos tem feito o seu caminho, mesmo nas nossas cabeças. Até chegarmos a isto, ao momento em que vemos dito e escrito e repetido como óbvio esta coisa obscena: que há povos aos quais não se pode permitir decidir para que lado querem ir, porque outros - melhores, mais responsáveis, mais "trabalhadores", mais ricos - decidem por eles.

Quem paga manda, disse Ferreira Leite num célebre momento parlamentar. A crer nisso, a defender isso, os alemães e os franceses talvez devessem perguntar-se quem afinal está no lugar de quem paga e portanto de quem manda. Falo dos trabalhadores alemães e dos trabalhadores franceses, aqueles para quem ainda há férias pagas e horários de trabalho de oito horas e a quem ainda se pergunta o que acham. É que, como as crises financeiras, as de regime costumam ser sistémicas. E tendo Zizek razão, é só uma questão de tempo até que o processo de chinezação em curso chegue lá acima. Ou, visto de outra forma - e alguma esperança - até que se ressuscite a Internacional.» [DN]

Autor:

Fernanda Câncio.
  
 Ensaio sobre a cegueira alheia

«O DN publica hoje a lista Forbes dos 70 mais poderosos do mundo. Como todas as listas Forbes, esta também é pouco imaginativa: percorri os 70 nomes e não encontrei o do grego George Papandreou. Como se o órgão com mais poder de um cardíaco não fosse, exactamente, o coração fracote e em vias de ser decisivo. Papandreou é poderoso: quando a Grécia espirra, a Alemanha e a França juntas apanham gripe. Quando Papandreou ameaça com um referendo, o euro desaba e Wall Street abana, e ele não é um dos poderosos do mundo?! E nem se pode explicar a sua ausência entre os 70 por o poder da Grécia vir de calotes: na lista há um bandido indiano e um mexicano chefe de cartel de droga... Brinco com coisas sérias, diz aquele senhor da mesa do canto. Ah, eu é que brinco. A Grécia (11 milhões de habitantes) está à beira do colapso e quando passar ao colapso não tem euros para comprar um barril de petróleo mas só iogurte para trocar por frutos secos e pode perder a liberdade e a democracia. A Grécia está tão desesperada que o mais responsável dos seus políticos, o primeiro-ministro que toma medidas imprescindíveis, também propõe referendos e retira-os no dia seguinte. E essa Grécia agonizante não vê um sobressalto entre os seus políticos, um trabalhista Demóstenes Attlee que se junte a um conservador Diógenes Churchill, uma oposição e um governo que se transformem em gregos depressa e sem condições - e eu é que brinco?» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.
  
 Injustiça brutal

«A eliminação, dita transitória, dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos, dos trabalhadores das empresas públicas e dos pensionistas constitui uma injustiça brutal e intolerável na distribuição dos sacrifícios.

Para além da medida ser discriminatória, violando grosseiramente os princípios da igualdade e da equidade fiscal, é chocante o modo como atinge pessoas com rendimentos muito baixos, implicando reduções de rendimento logo a partir dos 485 euros por mês. E as coisas estão ligadas: a escolha de um universo tão restrito conduziu a uma enorme violência no esforço imposto aos grupos atingidos, em claro desrespeito do princípio da proporcionalidade.

Não têm qualquer fundamento os argumentos do Governo. Foi dito, primeiro, que não teria vantagem para o défice cortar nos salários privados porque eles "não são pagos por dinheiros públicos". Mas é óbvio que, não existindo alternativa, sempre seria possível intervir por via fiscal, como se fez este ano com o subsídio de Natal, garantindo mais equidade.

Foi dito, depois, que não era possível a via fiscal porque o Memorando da "troika" exige que a consolidação seja feita em 2/3 do lado da despesa. O problema deste argumento é ser falso: o Memorando não "exige" que a consolidação seja feita em 2/3 do lado da despesa, limita-se a "constatar" que o programa de medidas negociado em Maio envolvia um esforço feito em 2/3 do lado da despesa, o que é muito diferente. Não está definido nenhum princípio de repartição que tenha de ser respeitado em qualquer pacote futuro de medidas adicionais e, menos ainda, independentemente da natureza estrutural ou temporária dessas medidas.
 
O que está em causa é uma orientação antiga do PSD. Já na negociação do Orçamento para 2011 o PSD revelou idêntica obsessão por medidas do lado da despesa, em detrimento de medidas fiscais, ainda que mais equitativas. Na altura, entre ultimatos e braços-de-ferro sobre benefícios fiscais, foi essa intransigência do PSD que forçou o Governo minoritário do PS a incluir uma redução de 5% nos salários da função pública visto que, de outro modo, com soluções mais equitativas do lado da receita, esse Orçamento não teria passado. Não é a "troika" mas sim o PSD que determina estas opções.

Argumento muito invocado é o da segurança no emprego. Mas ele não vale para os pensionistas, nem para as empresas públicas e não se aplica aos muitos trabalhadores do Estado com contrato individual de trabalho ou com vínculos precários (como os professores contratados). E mesmo para os que beneficiam de uma segurança reforçada no emprego, não justifica uma tão violenta penalização salarial.

Alegou-se, ainda, que os funcionários públicos ganham, em média, mais do que no privado. Mas os estudos existentes assumem que a comparabilidade é limitada e que tal conclusão não é válida para todas as categorias de funcionários e de vencimentos. Seja como for, qualquer critério de distribuição de sacrifícios em razão não dos rendimentos de cada um mas da natureza do seu empregador ou dos rendimentos médios do sector respectivo só pode conduzir a injustiças inaceitáveis.

Não convence, também, o argumento de que seria preciso "poupar o sector privado", a bem da economia. Além do preconceito ideológico, este argumento envolve um equívoco: o corte proposto não penaliza o Estado em detrimento das empresas, o que faz é penalizar umas famílias em detrimento de outras, prejudicando toda a economia. Menos ainda convence o argumento de que os sacrifícios são para todos: a meia-hora de trabalho adicional no sector privado não tem uma penosidade comparável ao corte nos rendimentos do sector público.

O Governo apresentou muitos argumentos, é certo. Mas em nenhum conseguiu apresentar uma boa razão. Pode compreender-se: o facto é que este Orçamento configura uma injustiça brutal. E contra factos não podia haver bons argumentos.» [DE]

Autor:

Pedro Silva Pereira.
   

 Itália à beira da crise

«A Itália acordou na cimeira do G20 em Cannes a monitorização cuidadosa do seu compromisso para a redução do défice pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e Comissão Europeia, afirmou esta sexta-feira uma fonte ligada ao processo. Analistas económicos defendem que este é o primeiro passo para a oitava economia do Mundo pedir um resgate financeiro. » [CM]

Parecer:

Afinal a crise não é um atributo exclusivo de países governados pela esquerda.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Obrigadinho Seguro!

«O secretário-geral do PS afirmou hoje que terá como preocupação central que o Orçamento do próximo ano poupe um dos dois salários que o Governo pretende cortar aos trabalhadores do sector público e aos pensionistas.» [DN]

Parecer:

Seguro decidiu ajudar os funcionários públicos concordando com o governo no corte de um subsídio, uma decisão discriminatória e inconstitucional. Obrigadinho.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se o Seguro apanhar gambozinos.»
  
 António Costa mais troikista do que o Gaspar

«Em causa está a possibilidade de reduzir a semana de trabalho para quatro dias, com um corte salarial correspondente a 20% do vencimento base e a eliminação ou limitação da recolha do lixo na cidade ao sábado. As medidas constam de um despacho do presidente da Câmara, António Costa, a que o Económico teve acesso.

No despacho, datado de 14 de Outubro, o edil manda as direcções municipais apresentarem um estudo, no prazo de 30 dias, sobre o impacto financeiro em 2012 destas medidas que vão afectar os cerca de dois mil trabalhadores do serviço de higiene urbana de Lisboa e milhares de outros funcionários afectos aos serviços não operacionais da câmara. Com o estudo já em marcha, aguardam-se as conclusões para a próxima semana, as quais visam "habilitar o Executivo a poder tomar decisões com impacto no próximo exercício".» [DE]

Parecer:

A verdade é que Lisboa já é a cidade mais porca da Europa pelo que mais diz de lixo menos dia não se fará sentir. Lamenta-se no entanto que em vez de cortar nas despesas eleitoralistas, como os passeios dos velhinhos a Fátima, a CML corte nos ordenados.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se.»
  
 Bacelar Gouveia: corte nos subsídios é inconstitucional

«Jorge Bacelar Gouveia disse hoje à agência Lusa, no Porto, que a suspensão dos subsídios de Natal e de férias é "inconstitucional", porque atinge apenas uma parte da população activa.

"A suspensão dos subsídios de Natal e de férias é obviamente inconstitucional, porque atinge apenas uma parte daqueles que deveriam suportar esse encargo nacional. A culpa não é dos funcionários públicos", afirmou Bacelar Gouveia à Lusa, à margem de uma conferência na Universidade Lusíada sobre "A centralidade do direito constitucional".» ,[DE]

Parecer:

Só o Seguro é que não sabe e por isso anda a negociar o inegociável.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Exija-se a Cavaco Silva que mande o OE para o Tribunal Constitucional.»
  
 O quê?

«O Governo português está a pensar criar um banco estatal - bad bank - com os crédito à habitação tóxicos detidos pelos bancos nacionais, à medida que procura injectar liquidez nas empresas públicas que precisam de dinheiro.

De acordo com fontes do governo e dos bancos portugueses, citadas pelo Wall Street Journal, as empresas públicas estão a enfrentar um sério e pior do que o esperado fecho da torneira do crédito, após os bancos estrangeiros terem cortado o financiamento às instituições nacionais.

Em entrevista ao WSJ, o presidente-executivo do BES, disse que a banca propôs ao Governo a criação do "bad bank", e sugeriram que os activos deste banco fossem os empréstimos contraídos pelo Estado ao sector público.» [Dinheiro Vivo]

Parecer:

Este será o maior golpe da direita nos portugueses, transferir os prejuízos da banca, muito deles resultantes de má gestão ou de créditos concedidos a compadres, para os contribuintes.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se.»
  
 Mais patetices do Batanete da Rua da Horta Seca

«O ministro da Economia afirmou hoje que o tecido empresarial português está a reinventar-se, mas que todos terão que trabalhar mais para superar a crise e ninguém pode sentir-se descansado.

As declarações de Álvaro Santos Pereira foram preferidas após uma visita a três empresas de Oliveira de Azeméis - à fábrica da Simoldes, à unidade de plásticos Polisport e à empresa do designer de calçado Luís Onofre -, onde o governante afirmou: "Estas empresas mostram como o país se está a reinventar. Setores como o calçado, o têxtil e os moldes são verdadeiros campeões nacionais, que nos orgulham e mostram que em Portugal existe uma revolução silenciosa a acontecer na indústria portuguesa e que as empresas estão cada vez mais a apostar na internacionalização e em produtos de alto valor acrescentado".» [i]

Parecer:

O homem é mais eficaz do que a Santinha da Ladeira, Já chegou há meses, pouco mais fez do que dizer larachas e palermices, mas já consegue ver a economia a reinventar-se graças ao seu brilhantismo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Um Alegre manso

«O ex-candidato presidencial Manuel Alegre afirmou hoje que o Orçamento do Governo configura uma "revolução conservadora e ultraliberal", mas compreende a decisão do PS se abster na votação face à situação difícil e complexa da União Europeia.

"Quero que fique claro que continuo a apoiar a liderança de António José Seguro", afirmou Manuel Alegre à agência Lusa, depois de interrogado sobre a decisão dos socialistas se absterem na votação da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2012.» [i]

Parecer:

Pobre Alegre, no tempo de Sócrates por muito menos aliou-se ao BE contra o governo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso caridoso.»
  
 Grandes luminárias

«A simplificação tarifária nos transportes públicos proposta pelo grupo de trabalho que estuda a reestruturação do sector vai levar a que muitos utentes passem a pagar mais entre 10% e 25% pelos transportes face ao que pagam hoje.



Esta actualização automática – e que não invalida os futuros aumentos nos transportes – ocorre porque os passes individuais vão desaparecer, sendo trocados por passes que servem para utilização em mais do que uma empresa, mesmo que o utente precise apenas de utilizar o metro para os seus trajectos – ou o autocarro. Se normalmente compra um passe só para o Metro de Lisboa, por exemplo, que custa 32 euros, o seu ‘equivalente’ no futuro custará perto de 36 euros, segundo apurou o i. Um cenário que não se cinge aos utentes que viajam internamente na cidade.


Também o fim previsto das ligações suburbanas da Carris vai empurrar muitos utentes para títulos mais caros – um para os transportes de Lisboa e outro para os operadores privados que sirvam essa ligação, ou um misto dos dois –, quando antes um único passe da transportadora lisboeta era suficiente» [i]

Parecer:

Os grandes defensores dos mercados defendem o absurdo de um consumidor pagar por serviços que não usam para dessa forma aumentarem os preços de forma encapotada.
  
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Recuse-se o oportunismo.»
  
 Quem se mete com a KPMG leva?

«"A KPMG está a reavaliar a relação que está disponível para ter com a EP enquanto a administração for a atual", afirmou Luís Magalhães, durante uma audição na Comissão Parlamentar de Economia e Obras Públicas.

Luís Magalhães disse que houve quebra de confidencialidade por parte da EP ao divulgar um estudo sobre as projeções dos fluxos financeiros das concessões rodoviárias, sendo este um dos argumentos que será tido em conta na reavaliação da relação com a empresa pública, que dura há 10 anos.

O eventual fim da "relação custa-nos a nós, mas também vai custar ao Estado", argumentou o administrador da KPMG, acrescentando que "quem se mete com a KPMG leva".» [i]

Parecer:

De arrogante este idiota não tem nada, começou por dizer que os dados não eram da KPMG e acaba com ameaças.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se o senhor da KPMG à bardamerda e recorde-se-lhe que na política há ciclos e que um dia vai engolir a sua arogância pois ou a KPMG muda de gestor ou o melhor será abandonar o país.»
  
 O Alberto vem buscar mais dinheiro

«Fonte do gabinete de Jardim disse à Lusa que a audiência cumpre o formalismo de apresentação de cumprimentos por parte do presidente do XI Governo da Madeira, depois de ter tomado posse perante a Assembleia Legislativa da região, uma cerimónia que acontece a 09 de Novembro.



Segundo a mesma fonte, neste encontro serão também "tratados vários assuntos pendentes, na sequência dos contactos diários que têm acontecido entre Lisboa e o Funchal".» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Com o desvio colossal pago pelos funcionários públicos o Alberto já pode sacar mais uns milhões para alimentar o negócio madeirense de sifões de retrete.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  

 World Population: Where it's thick and where it's thin [Boston.com]










 

 Kraen
 




sexta-feira, novembro 04, 2011

O logro colossal

O Passos Coelho do livrinho, da revisão constitucional e das negociações do OE 2011 é muito diferente do Passos Coelho do programa eleitoral do PSD e ainda mais diferente do actual Passos Coelho defensor do empobrecimento colectivo. Não está em causa questionar até que ponto Passos Coelho foi mentiroso pois já é evidente que o actual primeiro-ministro destronou Sócrates em poucos dias do estatuto de governante mentiroso. Também não está em causa o facto de se terem ganho eleições enganando os portugueses porque infelizmente isso começa a estar em causa.

O que está em causa é o facto de em poucos meses Passos Coelho ter mudado de opções de política económica três vezes, ainda que o modelo de capitalismo que defende seja tendencialmente o mesmo. Poder-se-ia dizer que a mudança de circunstâncias justificariam tal mudança de posições, mas em Portugal não sucedeu nada de substancialmente novo, a dívida soberana não resultou de nenhum cataclismo natural, a falta de competitividade da economia é endémica e a crise financeira internacional começou já vai para tês anos.

Passos Coelho tem poucos conhecimentos de política económica, a sua concepção da economia é um somatório de bitaistes que vai lendo aqui e acolá, começa a ser mais ou menos evidente que o pensamento económico de Passos Coelho é fortemente influenciado pelas suas companhias. Quando se fazia acompanhar de Ângelo Correia pensava de uma forma, quando começou a ser visto ao lado de Nogueira Leite ou João Duque começou a pensar de outra forma e desde que anda com o Vítor Gaspar temos um Passos Coelho totalmente diferente dos anteriores.

Este pensamento errático de Passos Coelho coloca dois problemas: o da legitimidade política e o de saber quem manda em Portugal. É evidente que é Passos Coelho que se reúne semanalmente com Cavaco Silva, que aparece nas fotos de família dos Conselhos Europeus ou que faz as comunicações dramáticas a informar os portugueses de que vai tirar o escalpe aos burgueses dos funcionários públicos, mas também é cada vez mais evidente que num governo que vive para a dívida e para o orçamento quem manda mesmo é o ministro das Finanças.

O fundamentalismo liberal que preside apolítica económica é de Vítor Gaspar, é o ministro das Finanças que inventa desvios para justificar os seus exageros, é ele que decidiu desvalorizar os trabalhadores portugueses, é ele que decide a quem se corta direitos e rendimentos. Passos Coelho serve apenas para dar a cara no pressuposto de que é ele que consegue os votos. Vítor Gaspar está para o governo de Passos Coelho como Salazar estava para o governo saído das eleições de Carmona em 1928, tal como sucedeu na ocasião Gaspar quer superar a crise em dois anos e detém o controlo sobre a despesa de todos os ministérios, uma exigência que Salazar também fez a Carmona.

Isto coloca um problema de legitimidade, o país está a ser governado com base numa política que foi escondida dos cidadãos quando estes foram chamados a pronunciar-se em eleições legislativas, e está a ser mandado por alguém que nem conhecia nem foi proposto para primeiro-ministro.

Umas no cravo e outras na ferradura




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Cascais
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Botes azuis [A. Cabral]
  
Jumento do dia


Ludgero Marques, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP)

Os nossos empresários são campeões da luta contra a intervenção do Estado, não se cansam de elogiar a gestão privada por oposição à má gestão das empresas do Estado. Mas de vez em quando sabe-lhes bem entregarem os seus fracassos ao cuidado do dinheiro dos contribuintes.
 
É de prever que o nosso Batanete da Rua da Horta Seca se revele bem mais generoso com a AEP do que se tem revelado em relação aos direitos dos trabalhadores. Aposta-se numa interrupção breve do liberalismo, o suficiente para os contribuintes pagarem os prejuízos da Europarques.
 
«A Associação Empresarial de Portugal (AEP) avançou ontem com a entrega do Europarque aos bancos credores, devido à impossibilidade de resolver a situação do pagamento da dívida.

De acordo com o comunicado do conselho de administração da AEP, "não tendo sido possível encontrar uma saída em tempo útil, ao contrário do que esperava, a AEP, como detentora da maior participação do Fundo Social da Associação Europarque, informou atempadamente as instituições que integram o sindicato bancário e o Governo, através da Senhora Secretária de Estado do Tesouro e das Finanças, da impossibilidade da Associação Europarque em honrar os pagamentos a que estava obrigada".

Nas últimas semanas foram surgindo notícias de que a AEP, associado com a maior participação no Fundo Social do Europarque (cerca de 51%), estava com dificuldades em cumprir com o pagamento do empréstimo para a construção deste empreendimento, o que poderia levar a esta situação. Refira-se que o avanço do Europarque foi possível porque o Estado concedeu um aval, em 1995, ao sindicato bancário que viabilizou a construção, em Santa Maria da Feira e que totaliza 35 milhões de euros.» [DE]

 A melhor piada sobre a crise

«Dizia hoje um amigo meu:

"Estou numa situação financeira tão má, tão má, mas mesmo tão má, que se a minha mulher decidir ir-se embora com outro homem … terei de ir com eles!" »
    
 

  O lado sombrio

«Alguns dos motivos por que não leio o "Avante!" são os mesmos por que talvez devesse lê-lo. De facto, com não rara ingenuidade, ali fica frequentemente à vista, a justificar posições do PCP em matéria de política internacional, um rosto tenebroso que aparentemente (e só uso esta palavra por respeito pela história do PCP) se oculta sob a máscara de tolerância que o partido internamente exibe. Como compreender, por exemplo, que o PCP se bata contra as leis ultra neo-liberais do trabalho em Portugal apoiando, ao mesmo tempo, a exploração selvagem do trabalho assalariado na China?

Desta vez, o órgão oficial do PCP não hesita em usar o ominoso texto anti-semita dito "Protocolos dos sábios de Sião", gigantesca fraude congeminada no século XIX pela polícia política czarista, para "explicar" a actual situação internacional. "A história dos 'Protocolos' poderia, em princípio, parecer um conto de fadas, mas os quadros dos anúncios que aí se promovem são bem reais", diz o "Avante!", repetindo despudoradamente Hitler no "Mein Kampf": "Eles [os 'Protocolos'] são baseados num documento forjado [...]: é a melhor prova de que são autênticos".

Para o PCP, a "ameaça judaica" com que os nazis justificaram a sua política de extermínio mantém-se e idem aspas o "plano [judaico] de dominação mundial", agora também do... Vaticano.

Eis um rosto repugnante, o do anti-semitismo, que o PCP deveria ter vergonha em exibir.» [JN]

Autor:

Manuel António Pina.
     

 Apelo ridículo

«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou ontem que Portugal não seguirá a decisão do governo grego de realizar um referendo sobre o plano de resgate europeu e apelou à união dos portugueses.» [DN]

Parecer:

Como pode Passos Coelho sentir-se com autoridade moral ou política para apelar á união dos portugueses se adopta uma pinochetada orçamental rejeitada por quase todas e se para tentar justificar o injustificável tentou dividir os portugueses mentindo ao referir-se á diferença entre vencimentos no Estado e no sector privado.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se para um saco do Pingo Doce gentilmente oferecido pela fundação do Barreto.»
  
 A chantagem sobre a Grécia resultou

«O voto da moção de confiança vai continuar a ter lugar amanhã, e o primeiro-ministro grego está a tentar formar um governo de unidade nacional que incluiria o maior partido da oposição, os conservadores da Nova Democracia, está confiante que a votação da moção de confiança vai avançar amanhã à noite.

Um membro veterano do Pasok, Kostas Yeitonas, explicou hoje a uma estação de televisão grega que hoje aconteceram duas coisas muito importantes na Grécia: "Papandreou recuou e disse que não vai realizar o referendo, e Antonis Samaras [líder da oposição] acordou em apoiar o pacote de resgate, o que é algo muito bom para nós no parlamento. Também ele, recuou e deu um passo atrás. Samaras tinha condenado anteriormente o resgate para Grécia, e disse que este "condenava a Grécia a uma maior recessão".» [DN]

Parecer:

Lamentável.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Diga-se à Grécia que coma e cale-se.»
  
 O PS vai abster-se no OE?

«António José Seguro vai hoje à reunião da Comissão Política do PS defender as vantagens de o partido se abster no Orçamento do Estado para 2012. Mas com uma ressalva: o PS apresentará alternativas e exigirá ao Governo que na discussão na especialidade sejam atenuadas algumas medidas de austeridade. Nomeadamente na subida do IVA para a restauração e na penalização salarial dos funcionários públicos.» [DE]

Parecer:

A abstenção é o voto da cobardia, significa que ou Seguro está a favor mas não tem coragem para aprovar, ou está contra e falta-lhe a mesma coragem para o assumir. Tudo o resto é treta, Seguro sabe muito bem que o governo vai ceder nos restaurantes e manter os cortes nos vencimentos, só que quer dar ares de quem faz exigências, quer fazer do debate uma farsa para encobrir a sua falta de dimensão política.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Esqueça-se o PS.»
  
 Grécia: direita oportunista

«O primeiro-ministro grego está pronto a retirar a sua proposta de referendo sobre a permanência da Grécia na zona euro e a negociar com o líder da oposição, Antonis Samaras. Mas este exige a demissão de Georgios Papandreou e a realização de eleições dentro de seis semanas.» [Público]

Parecer:

A mesma direita que levou o país à bancarrota não esperou muito para se aproveitar da crise para tentar regressar ao poder.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»