sábado, novembro 12, 2011

O voto cobarde

 O governo que conta com maioria absoluta apresentou um OE e o PS de José Seguro absteve-se, como interpretar esta decisão de voto? Só há uma interpretação possível, o PS não foi contra este orçamento, transigindo na opção económica fundamentalista dos que defendem o empobrecimento dos trabalhadores, admitindo o corte institucional de 1/7 dos rendimentos dos funcionários públicos. Desde o anúncio das medidas do OE o PS deu uns gritinhos contra o IVA de 23% na restauração, aceitou implicitamente o corte inconstitucional de pelo menos um subsídio e dias antes do início da discussão atirou o tapete ao chão aceitando a abstenção incondicional.

Esta decisão é uma nódoa na história do PS pois ao não se afirmar contra um OE mais digno dos primeiros anos do Estado Novo do que de uma democracia este partido aceitou a destruição de facto dos valores constitucionais. Seguro parece estar mais preocupado com a sua boa imagem de bom rapaz merecedor da primeira comunhão do que com os eleitores do PS, com os seus pergaminhos políticos ou com o seu passado. Seguro parece ser mais uma marioneta de Passos Coelho do que o líder de uma oposição que não existe.

Mas se António José Seguro queria dar uma boa imagem de si acabou por ser gozado por Miguel Relvas. Quando Passos Coelho pediu a Passos Coelho que mantivesse um subsidiozinho para os coitados dos funcionários públicos ficou eufórico quando Relvas abriu a porta a essa possibilidade e até parece posto os spin do PSD ao serviço do líder do PS, durante dois dias o Seguro foi a vedeta dos jornais. Só que em pleno debate o mesmo Relva puxou o tapete a Seguro e deu-lhe com uma almofada quando disse que não haviam almofadas para aumentos da despesa. Enquanto Relvas iniciava uma batalha de almofadas o pobre do Seguro estatelou-se no chão, sem ter uma almofada para lhe amparar o traseiro.

Seguro permitiu a revisão do acordo com a troika pelos partidos do Governo e sem (aparentemente) ter sido ouvido, admite que o governo faça uma interpretação extremista dessa segunda versão do acordo, permite que o nome do seu partido continue a ser usado como um dos partidos da troika e no fim ainda aceita um OE digno de Salazar.

Os funcionários públicos, os trabalhadores portugueses que irão para o desemprego, as vítimas das medidas brutais desta pinochetada orçamental não têm nada que ver com as ambições de Seguro, com as suas preocupações em relação à imagem, com as suas relações de amizade com Passos Coelho ou com a sua inveja em relação a Sócrates. O que esses portugueses viram foi um PS que soçobrou perante a direita, que não teve nem coragem de apoiar, nem de chumbar o OE e acabou por votar de forma cobarde ao abster-se.

Umas no cravo e outras na ferradura




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Coruche
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Ourique [A. Cabral]
  
Jumento do dia


João Palma, líder de um sindicato absurdo

Compreende-se a indisposição do dr. João Palma, mas não será exagero acusar o bastonário da Ordem dos Advogados de falta de educação só porque disse que os magistrados ganham mais do que os generais ou os professores catedráticos?
 
Não só é verdade como os magistrados ganham mordomias que, no mínimo, são abusivas, é o caso, por exemplo, do famoso subsídio de residência livre de impostos.

«Na altura em que o incidente ocorreu, o bastonário da Ordem dos Advogados falava dos privilégios remuneratórios dos magistrados em relação aos professores catedráticos e aos militares em topo de carreira. João Palma levantou-se e abandonou o local, para espanto dos cerca de 400 advogados presentes.

"Abandonei os trabalhos em protesto e desagrado pelas palavras do sr. bastonário, porque os magistrados exigem respeito. Marinho Pinto é um caso perdido em termos de educação e devia voltar à escola primária. O bastonário revela não só falta de democracia, como também falta de educação", referiu João Palma.» [DN]
    
 

 Um plano alvar

«O Plano Estratégico dos Transportes foi ontem publicado no Diário da República. São 26 páginas que repetem os mesmos parágrafos três e quatro vezes e nas quais é notória a vocação propagandista que, em detrimento de concretização e de fundamentação estruturada das propostas, anima as intervenções do ministro da Economia. Aliás, a menção frequente a "opções erradas" e "investimentos duvidosos", à "situação económico-financeira a que o País foi conduzido" e "descontrolo e desgoverno das finanças públicas" faz crer que, em vez de uma estratégia para os transportes, é de um manifesto eleitoral que se trata - como se a prioridade deste Governo fosse diabolizar o anterior e não governar.

E isso é tanto mais preocupante quando 26 páginas não é muito para explanar a situação das várias empresas estatais que se pretende "sanear" e para apresentar as soluções que se preconizam para um sector que se admite estratégico e fundamental. Citam-se os passivos actuais e a dívida de cada empresa, assim como a estimativa da oferta, contabilizada em passageiros, e da procura efectiva. Atentando ao facto de a oferta ser muito superior à procura, parte-se para a ideia de "racionalização", que, nas propostas tornadas públicas do grupo nomeado para a operacionalizar, aponta para um corte brutal de serviços. Notória é a ausência de menção ao mercado potencial de cada transporte e à possibilidade de captação de mais clientes. Ou aos motivos que poderão levar as pessoas a não optar pelos transportes públicos, e cuja análise deveria ser primordial num plano que afirma caber ao Estado "uma correcta articulação entre as políticas de transporte e as políticas económicas, de ordenamento do território, energéticas, ambientais e sociais". Não: parece que o discurso da competitividade, tão caro ao ministro Álvaro Santos Pereira (que aliás insiste em articular "competividade", como articula "precaridade" e "empreendorismo"), só serve para justificar a entrega dos transportes públicos aos privados - porque, dogma intocável para este Governo, a gestão privada é sempre boa e a pública sempre má.

Há, é claro, nas empresas de transportes um problema grave de passivo e de dívida que é preciso encarar, e decerto existem, como aliás o Tribunal de Contas apontou em 2010, vários aspectos na respectiva gestão, da política de títulos e preços às chamadas "regalias" dos trabalhadores, que é preciso rectificar. Mas um plano que visa sobretudo ou mesmo só "despachar" as empresas para privados, sem sequer explicar em que condições (convindo citar exemplos de sucesso noutros países - a existirem, claro) e como isso se articulará com a necessidade de investimento em infra-estruturas, enverga a ineficiência congénita da gestão pública que é fetiche da sua visão liberalóide. Seria cómico se não fosse dramático - se não tivéssemos como ministro da Economia alguém que, na melhor tradição ditatorial, diz "é assim ou acabam-se os transportes públicos".» [DN]

Autor:

Fernanda Câncio.
  
 Almofadas de contrafacção

«Com o gosto do Parlamento por discussões que dão sono, "almofada" entrou no debate político. Miguel Relvas deitou a palavra à discussão e Seguro repousou nela as esperanças socialistas. Até que, ontem, Passos Coelho tirou o assunto da cabeceira: "Este Orçamento não tem almofadas." Tudo acabará num bocejo, a menos que Seguro, como na abstenção, descubra formas violentas e se queixe por a almofada do Governo o asfixiar. Aí, a política descambaria em fronhas carregadas... Pintando a manta e estendendo o pé para lá do cobertor, íamos encontrar diferenças entre o "não faças nada sem consultar a almofada" e o "quem quiser bom conselheiro consulte o travesseiro." É certo que há muito o têxtil veste o léxico político - virar a casaca, por exemplo - mas nunca se tinha dedicado tanto à roupa de cama. Com o jeito tão português de complicar, fomos para um artigo do enxoval que pouco esclarece: em vez de debatermos almofadas, já que se trata de Finanças, mais valia falar de maus lençóis. Ainda se fosse Economia, admitia-se que o Álvaro divagasse sobre as tão citadas almofadas: de penas (como metáfora da indústria tradicional), ortopédicas e hipoalergénicas (indústria high-tech) ou de sumaúma (sugerindo parcerias comerciais com os países que o produzem, Brasil e Angola)... Enfim, se a roupa de cama continuar assim, um padrão tradicional entre os nossos políticos, receio que o palácio de São Bento se mude para o Vale do Ave.» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.
   
 2/3 do lado de quê?

«É típico do debate público em Portugal que uma afirmação que alguém faz seja repetida por outros – agentes políticos, comentadores e jornalistas – sem que ninguém se dê ao trabalho de verificar se corresponde à verdade.

Por consequência, o debate desenvolve-se frequentemente com base em pressupostos falsos, que induzem toda a gente em erro. E quando surge um desmentido factual, raramente os que divulgaram a falsidade têm paciência para perder tempo com esclarecimentos. Desconstruir uma afirmação falsa torna-se, assim, muito difícil, quando não impossível. Mas é preciso não desistir.

Regresso, por isso, a um tema a que aludi aqui na semana passada quando afirmei que é falso que o Memorando da ‘troika' obrigue a que a redução do défice seja feita em 2/3 do lado da despesa. E retomo o assunto por duas razões: primeiro, porque não é uma questão menor - este é um dos principais argumentos do Governo para insistir no corte do 13º e do 14º mês dos funcionários públicos e dos pensionistas; segundo, porque o ministro Miguel Relvas apareceu esta semana nas televisões repetindo esse argumento falso e o mesmo fez o primeiro-ministro no Parlamento. Insisto, pois, na reposição da verdade. E faço mais: apresento provas, através das citações apropriadas, para resolver de vez o assunto.

O que diz, então, o Memorando da ‘troika'? Na versão de Maio, o que está lá escrito é isto: "... para atingirmos os objectivos traçados para 2012-13, é necessário tomarmos medidas correspondentes a cerca de 5% do PIB em 2012-2013 (...). Quanto à conjugação de políticas (‘policy mix'), as medidas do lado da despesa representam 3,5% do PIB e as medidas do lado da receita representam 1,4% do PIB" (cfr. pág. 2). Nada mais.

A conclusão é clara e objectiva: o Memorando limita-se a constatar e a quantificar o esforço programado, do lado da despesa e do lado da receita, tal como previsto nas medidas acordadas em Maio. Não se define nenhuma regra de 2/3 para a repartição do esforço entre despesas e receitas que tenha obrigatoriamente de ser respeitada em qualquer pacote futuro de medidas adicionais, sejam elas quais forem - isso não está previsto, isso não existe!

Mas há mais. Convém lembrar que existe hoje uma nova versão do Memorando, com data de 1 de Setembro. Nessa versão "actualizada", já negociada pelo actual Governo, foi inscrita uma referência expressa à necessidade de medidas adicionais em 2012, para corrigir o alegado "desvio". Será que foi aí que a ‘troika' impôs a tal regra dos 2/3, de que tanto fala o Governo? Não há como ler para ter a certeza: "Serão tomadas (para 2012) outras medidas, principalmente no lado da despesa, para preencher o hiato resultante dos desvios em 2011, que podem ser de cerca de 0,6% do PIB" (cfr. pág. 3). E não se diz mais nada. Conclusão: não há, também aqui, nenhuma referência à regra dos 2/3.

A explicação é simples: a "regra" que o Governo diz que está prevista no Memorando não existe. Não há, portanto, nenhuma chave de repartição aritmética que obrigue o Governo a adoptar medidas tão injustas apenas porque são "do lado da despesa". Isso não passa de uma invenção destinada a tentar transferir para as costas largas da ‘troika' as responsabilidades que são do Governo pelas medidas injustas que escolheu.

Bem sei, não é por o assunto ficar aqui esclarecido, com provas factuais, que deixaremos de ouvir dizer que "há no Memorando da ‘troika' uma regra que impõe uma redução do défice feita em 2/3 do lado da despesa". A diferença é que, a partir de hoje, se tornar a ouvir dizer isso, saberá que está a ser enganado. E saberá também quem é que o quer enganar.» [DE]

Autor:

Pedro Silva Pereira.
 
 Chamem a polícia

«Noticiou a imprensa que a PJ resgatou quatro portugueses sujeitos a trabalho escravo em Espanha, tendo detido o "gang" suspeito da autoria do crime.

Não se afigura, no entanto, provável que alguma Polícia venha um dia a resgatar os milhões de portugueses a quem o Governo pretende impor meia hora diária de trabalho não remunerado. É que tal medida não constitui tão só uma redução ilegal, por vias travessas, do salário/hora de milhões de trabalhadores, mas verdadeiro trabalho escravo, de acordo com a Convenção n.º 29 da OIT, de 1930, que define trabalho forçado como "todo o trabalho ou serviço exigido de uma pessoa sob a ameaça de sanção e para o qual não se tenha oferecido espontaneamente".

Ora não só a meia hora diária de trabalho será obrigatória, implicando, pois, o seu incumprimento uma sanção, "maxime" o despedimento, como não consta que algum dos visados para ela "se tenha oferecido espontaneamente". Além disso não será remunerada, o que particulariza (as grilhetas caíram em desuso) o trabalho forçado como trabalho escravo e rebaixa a pessoa a mera coisa de que é possível, como o Governo fez, livremente pôr e dispor.

Se, em Portugal, as leis (e a moral) fossem para todos, incluindo o Governo - e não é, como, com a cumplicidade do Tribunal Constitucional, se viu no confisco dos subsídios de Natal e férias -, a PJ já estaria, como no caso ontem noticiado, a bater à porta do ministro Álvaro.» [JN]

Autor:

Manuel António Pina.
  

 Acções do BCP no troco do pão?

«Os títulos do BCP valorizam 7,00% para 0,107 euros e chegaram a fixar, hoje, um mínimo histórico nos 0,097 euros por título. Esta foi a primeira vez que o maior Banco Privado Português, em termos de activos sob gestão, negociou abaixo dos 10 cêntimos por acção.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Já faltou mais.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Agora António

«O sociólogo António Barreto afirmou que Portugal precisa "de um Governo de unidade nacional como de pão para a boca", considerando que "desde há dois anos que se justifica um Governo de maioria de, pelo menos, três partidos".» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Sabe a favas depois de almoço.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se uma promoção de favas no Pingo Doce!»
  
 Anedótico

«Numa interpelação à mesa, cerca de meia hora depois da abertura dos trabalhos deste segundo dia de apreciação do Orçamento na Assembleia, Passos Coelho tomou a palavra para informar que “nenhum ministro anda desaparecido ou em parte incerta, deixando o Parlamento com menor consideração do que aquela ela nos merece”. » [Jornal de Negócios]

Parecer:

E ridículo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Coloque-se um anúncio na página oficial do governo dizendo "Procura-se ministro Paulo Portas, dão-se alvíssaras a quem o encontrar".»
  
 "As raposas mudam de pêlo, não mudam de hábitos"

«Aprendi também a não responder a quente. Aprendi a aguardar e a deixar correr o tempo porque os actos falam mais e melhor do que as palavras. Aprendi também uma máxima muito antiga, mas que foi a profissão de advogado que me ensinou: As raposas mudam de pelo, mas não mudam de géneros nem de hábitos", observou.

Disse lamentar "profundamente que a ministra da Justiça tenha feito a intervenção que fez, nos termos em que a fez, e que se tenha ausentado quando usava da palavra o presidente do secretariado" do VII Congresso dos Advogados Portugueses, Mário Diogo.» [JN]

Parecer:

O bastonário no seu melhor.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se o merecido sorriso.»
 

 Feeding 7 billion and our fragile environment [Boston.com]










 Remembrance Day [Link]







   




sexta-feira, novembro 11, 2011

Esta orgia vai acabar mal

Aquilo a que o país está a assistir é muito mais do que o justificável pela crise financeira, a direita chegou ao poder num momento de crise e desencadeou uma autêntica orgia de ataque aos mais elementares direitos constitucionais, é uma verdadeira caça ao cidadão português com direitos. O país assiste atónito a esta revisão constitucional de facto, os únicos preceitos constitucionais em vigor são os que conferem legitimidade ao governo em funções, todos os outros podem ser eliminados em nome da crise.

O Tribunal Constitucional já declarou inconstitucional um corte definitivo dos vencimentos dos funcionários públicos, o governo achou que um corte era pouco e acrescentou o corte dos subsídios por dois anos, entretanto o governo já vai sugerindo que o corte pode ser definitivo e é dessa forma que comunica a Bruxelas. Isto é, temos um governo que ignora a Constituição, que julga que basta invocar a crise para atribuir a um qualquer Vítor Gaspar plenos poderes para espremer os portugueses.

Um dia destes os mesmos que acharam que em nome da crise poderiam mandar o Tribunal Constitucional à fava vão concluir que em nome da superação da crise também podem reprimir qualquer sinal de oposição à acção governativa. Por este andar os tribunais plenários ainda serão recuperados em nome da necessidade de meter o país na linha, de forma a não parecermos a Grécia.

A orgia é tal que todos os dias se organizam seminários patrocinados pelo governo onde os representantes das associações empresariais se divertem a propor mais cortes de direitos, menos salários, mais horas de trabalho. Todos apoiam os cortes no Estado e nos direitos dos funcionários púbicos, se uns dizem mata, outros acrescentam esfola. Estão convencidos de que depois dos trabalhadores do Estado será a vez dos trabalhadores do sector privado, querem retirar em dois anos tudo o que foi conquistado em trinta, tudo isto sem PIDE ou repressão, estão convencidos de que os portugueses são mansos.

Mas estão enganados quanto à mansidão dos portugueses e arriscam-se a desencadear uma revolução social que discuta a sério as causas do nosso subdesenvolvimento e se isso suceder até o Gaspar se vai arrepender de ter defendido o TGV, nessa altura poderá dar muito jeito aos que irão fugir do que fizeram.

Mas mesmo que os portugueses sejam mansos não serão parvos e os que hoje sugerem aos portugueses que emigrem para zonas de conforto, vão andar pagar com língua de palmo o que agora querem poupar. Podem colocar um Salazar no lugar de ministro das Finanças, podem gozar que nem uns perdidos com os juízes do Tribunal Constitucional, até podem meter orelhas de burro ao Seguro, mas não podem impedir os portugueses de sair, não poderão impedir os portugueses de beneficiar da livre circulação dos trabalhadores e se não forem os sacanas a fugir serão os mais capazes deste país a abandoná-lo aos oportunistas.

Daqui a cinco anos dificilmente conseguirão um medito, um engenheiro, um arquitecto, um operário especializado disposto a trabalhar em Portugal, os mais qualificados terão abandonado o país, os mais promissores terão ido para as universidades estrangeiras. Ficarão cá os colegas do Passos Coelho na Universidade Lusíada, os jotas que trabalham para o Ângelo Correia ou que são colegas do Marques Mendes.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Pelourinho da Praça do Município, Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento




Fonte romana da Aldeia de Arcos, Montalegre [A. Cabral]
  
Jumento do dia


Pedro Passos Coelho

Para além de ser cada vez mais evidente que Passos Coelho ganhou as eleições mas não está à altura do cargo e que quem manda no governo é um Vítor Gaspar que cada vez mais imita os tiques do Salazar, começa a ser altura de questionar a lucidez intelectual de Passos Coelho. Com a sua política de Estado Novo vai conduzir o país ao colapso económico.

«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou esta quinta-feira que o objectivo do Governo é caminhar para uma “redução em 43% da despesa pública” até ao final da Legislatura, ou seja, 2014. O governante classificou a redução “sem precedentes” no primeiro dia de debate sobre o Orçamento de Estado para 2012.» [CM]
    
 

 O único maluco do país conformado

«Uma coisa que me irrita nos pobres - coisa antiga, já Maria Antonieta tinha dado por ela (não é bem verdade, mas não estou aqui para discutir a lenda) - é a falta de imaginação deles: se não têm pão, por que não comem brioches? Outra coisa, nos pobres: a imprevidência. Andam ó-tio-ó-tio por o Metro fechar mais cedo, mas lembrarem-se de trazer o automóvel para a Baixa, está quieto! Depois do trabalho os pobres podiam ir comer umas gambas ao Pinóquio, ouvir fado para Alfama e quando lhes desse na gana metiam-se no carro sem dependerem dos transportes públicos. Mas não, preferem protestar contra as medidas de austeridade do Governo. E por falar neste, ele também embarca no pessimismo geral: vai para seis meses que tomaram posse e não há um ministro que anuncie a mudança da frota automóvel. Com exemplos destes, todos se encolhem, até Joe Berardo, que não há meio de exigir: "Se querem a minha colecção, passem-me um cheque em branco." Ao que, numa bravata linda, um verdadeiro secretário de Estado da Cultura aparecia na televisão: "Toma!" e estendia o cheque. Era um Portugal assim que eu queria, afoito. Se é para a desgraça, vamos de cabeça. Mas na "manif" marcada para um dia destes, nenhum sindicato avança com o aumento de 10%. Nem a Guarda exige um aeroporto internacional e Mortágua uma Faculdade de Medicina. Tudo nas encolhas! Magnificamente maluco só mesmo Jardim, que dá férias à ilha porque toma posse.» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.
  
 Ensaio sobre a cegueira

«Na Madeira, o Carnaval é sempre que um homem quiser. E o homem, Jardim, quer que seja todos os dias. Assim, os cerca de 30 mil funcionários públicos madeirenses (mais de 10% da população total!) tiveram ontem direito a três horas de tolerância de ponto para assistir "pessoalmente ou através dos meios de comunicação social" à tomada de posse do querido líder.

O piedoso acto realizou-se às 17 horas na Assembleia Regional, mas a dispensa de serviço foi dada a partir das 14, imagina-se que para os funcionários entrarem em estágio de preparação para muitas e emocionantes horas de discursos e elogios mútuos.

Três é exactamente o número de horas de trabalho a mais que os "cubanos" do cont'nente terão que agora prestar gratuitamente todas as semanas em nome crise financeira do país, incluindo a grossa parte dela por que é responsável o Carnaval orçamental madeirense, onde abunda, não o em trabalho gratuito, mas a ociosidade remunerada: ainda há pouco tempo, em Agosto, Jardim tinha dado (isto é, demos todos nós) mais uma tolerância de ponto, com direito a "ponte", para os funcionários verem o Rali Vinho Madeira...

A "troika" descobriu na Grécia uma ilha turística onde há 700 falsos cegos que o Governo subsidiava anualmente com 6,4 milhões de euros. Em Portugal descobrirá um continente com 10 milhões de cegos que subsidiam anualmente, com muitos mais milhões de euros, o Governo turístico de uma ilha.» [JN]

Autor:

Manuel António Pina.
  

 Até os bispos já falam em jogos sombrios do capital

«Os bispos portugueses temem que “sombrios jogos de capital” coloquem em causa a democracia, em Portugal e na Europa. Na mensagem final da 178.ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, que teve lugar em Fátima, os prelados lembram a importância da solidariedade nos tempos actuais, que consideram de elevada perigosidade.» [CM]

Parecer:

Isto vai Gaspar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 Condado americano declara falência

«Em reunião realizada ontem à noite, a Comissão do Condado de Jefferson, o maior do Alabama, decidiu por quatro votos a favor e um contra apresentar a declaração de falência, deixando assim de pagar os três mil milhões de euros que tem em dívida.» [DE]

Parecer:

Por cá a Madeira dá folga para a tomada de posse do Alberto.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se o Alberto para Jefferson.»
  
 Passos Coelho está muito preocupado com os polícias

«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, anunciou hoje que existe uma verba de cerca de 7 milhões de euros para corrigir as "situações mais gritantes" das "injustiças" criadas pelo "incumprimento" do estatuto remuneratório das forças de segurança.

"Não poderemos deixar de corrigir as situações mais gritantemente injustas e, nessa medida, como o senhor ministro da Administração Interna explicará com mais detalhe, englobamos uma verba de cerca de sete milhões de euros para que nas forças de segurança as situações mais gritantes possam ser corrigidas", disse Passos Coelho.» [i]

Parecer:

São um elemento central na sua política, indispensáveis para a versão democrática do Estado Novo que Gaspar defende.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 O que se passa com o grupo de trabalho do serviço público de televisão

«Dos 10 elementos que compõem o grupo de trabalho criado pelo ministro Miguel Relvas para estudar o conceito de serviço público de comunicação social – cujos resultados iriam ser conhecidos esta sexta-feira –, três saltaram fora da equipa nos últimos 10 dias. E todos eles por razões diferentes. Miguel Relvas não comenta esta hecatombe no grupo de trabalho.

O primeiro foi João Amaral, director-geral do grupo editorial Leya, que alegou razões “pessoais”, numa carta entregue ao presidente deste grupo, João Duque, na reunião de 26 de Outubro, dois dias depois da administração da RTP ter revelado publicamente o plano de sustentabilidade da estação pública, que prevê a venda de um dos canais, a RTP1. O i tentou entrar em contacto com João Amaral, mas tal não foi possível até ao fecho da edição.

Seguiu-se Francisco Sarsfield Cabral, ex-director de Informação da Renascença, a 30 de Outubro. Ao i, Sarsfield Cabral explicou que o motivo desta demissão prende-se com “a falta de sentido que foi apresentar o plano de reestruturação da RTP quando ainda o grupo de trabalho não tinha terminado as suas propostas”. “Como já estava definido o conceito de serviço público e eu já tinha entregue o meu contributo, achei que já não havia nada a fazer ali”, explicou, acrescentando não estar “zangado com ninguém, percebo que, dadas as circunstâncias, o governo queira vender um dos canais, mas sou contra essa privatização”.» [i]

Parecer:

Não deve ser fácil estudar um assunto sabendo-se de antemão que as conclusões já foram redigidas pelo Relvas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Governo cede nos subsídios

«As autarquias vão manter a autonomia para contratar novos trabalhadores. A proposta do Governo que proibia as novas contratações de funcionários, vai ser eliminada do Orçamento do Estado para 2012 (OE2012).» [DN]

Parecer:

Com o dinheiro dos subsídios Passos já pode atender as suas clientelas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Passos Coelho se já sabe quantos funcionários da administração central vão ser despedidos para que os seus amigos autarcas continuem a esbanjar dinheiro.»
 

 Recycling Around the World [The Atlantic]