sábado, dezembro 24, 2011

Cambalacho político

A democracia faz sentido enquanto as instituições e as suas regras são respeitadas, só faz sentido respeitar as primeiras quando estas respeitam as segundas. É para que a democracia funcione enquanto forma de governo que há uma Constituição que determina os limites com que o poder, mesmo quando eleito democraticamente, e os direitos dos cidadãos que em caso algum devem ser desrespeitados. A Constituição é como um código da estrada para os políticos, ninguém pode decidir a meio de uma viagem que se passa a circular pela esquerda ou que são os deste lado que têm prioridade.

E para que a Constituição regule a democracia existe um tribunal constitucional a que se pode recorrer para aferir se um governo desrespeitou os seus princípios. E para que este mecanismo funcione cabe ao Presidente da República velar pela aplicação da Constituição, é por isso que tem o poder para enviar os diplomas do governo ou aprovados pelo parlamento para que o Tribunal Constitucional se pronuncie sobre a sua constitucionalidade.

O Tribunal Constitucional foi chamado a pronunciar-se sobre o corte de uma parte dos vencimentos e concluiu pela inconstitucionalidade de um corte definitivo. Portanto, não restam dúvidas de que o corte dos subsídios, que configura um corte arbitrário e discriminatório de rendimentos, é igualmente inconstitucional. Mesmo o argumento da sua inevitabilidade pode ser questionado à luz do que sucedeu com o corte de metade do subsídio de Natal de 2011 que veio a confirmar-se não ter passado de um abuso de poder.

Mas já se percebeu que o PS não vai recorrer ao Tribunal Constitucional e Cavaco Silva pode esquecer-se de tudo o que disse e homolugar o diploma sem consultar o Tribunal Constitucional, coisa que fez quando estiveram em causa valores bem menos importantes. Isto significa que muitos portugueses irão passar fome porque um governo retirou-lhe parte dos seus rendimentos de forma prepotente, desrespeitando a Constituição da República e contando com a cobardia do maior partido da oposição e a conivência do Presidente da República.

Numa situação de verdadeiro cambalacho político como aquela a que poderemos assistir quais os direitos de um cidadão, de que lhe serve viver em democracia para que serve a Constituição? Neste contexto A Constituição da República poderia muito bem ser distribuída como rolo promocional do papel higiénico da reforma pois uma constituição que não é para aplicar tem a mesma utilidade que o papel higiénico. E num país onde a constituição é equiparada a papel higiénico pelos que a deviam respeitar e fazer respeitar então teremos de concluir que a democracia é aquilo que se limpa com papel higiénico.

O que pode fazer um povo quando três políticos decidem suspender a democracia ignorando a Constituição?

Não vale a pena protestar porque os jornalistas estão comprados pela prometida venda da RTP, não vale gritar ao primeiro-ministro porque este é autista, de nada serve protestar contra Seguro porque o líder da oposição é palerma e é inútil ir a Belém porque por aquelas bandas parece ter-se medo do governo, vá-se lá saber porquê. Vivemos, portanto, numa democracia sem direitos em que a regra é o come e cala e, para o caso de alguém ignorar esta regra, o governo teve o cuidado de no OE de 2012 reforçar o orçamento das polícias.

Há dias muita gente ficou indignada com as palavras de Otelo, mas parece esquecerem que ao ficarem calados porque com este cambalacho político o governo defende os interesses de alguns à custa de todos os outros estão a aprovar outras actuações que violem a Constituição e a legalidade democrática. É bom que os que agora metem a Constituição numa sargeta e suspendem a democracia não venham invocar os seus valores e o respeito pela legalidade e pelas instituições democráticas quando já estiverem a precisar de fraldas para incontinentes. Esta combinação entre cambalhacho político e desrespeito pela instituição democrática basilar que é a Constituição num país aruuinado pela corrupção e oportunismo político só pode dar maus resultados.

Umas no cravo e outras na ferradura


 

 Boas Festas   
 

Foto Jumento


Pai Natal na Rua Augusta, Lisboa

PS: A fotografia foi tirada em 2004, tanto quanto se sabe o Pai Natal não só terá pedido mudança de nacionalidade depois de ter pedido asilo político, depois de ter emigrado receando ser expulso pelo Passos Coelho, com o apoio do Relvas e através da agência de emigração do Paulinho Rangel.
  
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Abrigados do vento [A. Cabral]
  
Jumento do dia


Gasparoika, ministro (incompetente) das Finanças

Parece que o Gasparoika não gostou de ter uma nota sofrível na sondagem do Expresso e os seus assessores de imagem já estão a tentar recuperar dos danos, até porque com uma avaliação ao nível do suficiente o ministro das Finanças nunca conseguirá o estatuto de salvador que Salazar já teve.
Mas o pessoal da Ongoing não brinca em serviço, até porque com a crise económica a poder resultar em crise social corre um sério risco de estar a trabalhar para o boneco e ficar sem a RTP. O problema é que os portugueses não matam a fome dos filhos com os auto elogios do Gaspar e este tipo de manobras não vão salvar nem o Gasparoika, nem o governo incompetente e manhoso a que pertence  e cuja liderança disputa aos dirigentes partidários.

O próximo ano vai mostrar como este obscuro economista especialista em papers não é tão competente como quer fazer querer. E se a hora de começar a trabalhar é às cinco da manhã o problema é dele, dele e da mulher.

«Vítor Gaspar diz que ainda não é capaz de avaliar a sua actuação como ministro, mas faz um balanço do seu dia-a-dia.

O ministro começa a trabalhar por volta das cinco da manhã. Às 7h30 entra no ministério de onde procura sair por volta das 20h.

"Quando estou sob pressão, quando tenho um conjunto de tarefas extenso para desempenhar, começo efectivamente cedo, por volta das cinco da manhã. Trabalho um par de horas. Por volta das 7h15 venho para o Ministério, onde chego pouco antes das 7h30. Procuro trabalhar até por volta das oito da noite, um voto que não sou capaz de cumprir todos os dias", explica Vítor Gaspar ao Expresso.

Para o ministro, que diz ter abdicado de alguns aspectos da vida familiar e pessoal em prol da gestão da pasta das Finanças, "a exigência é grande". "O tempo que passo com a família reduziu-se, estou a fazer menos desporto e o tempo que tenho para reflectir e pensar com distância sobre o que se está a passar, sobre a actualidade, perdeu-se também", confessou.

Vítor Gaspar faz ainda uma confidência: "Pessoalmente, gosto muito de pensar devagar, tenho vícios de pensar devagar e tenho muito poucas oportunidades para pensar devagar".» [DN]

 Sugestão de emprego para candidatos à emigração: distribuidor da FedEx


 Momento de puro prazer

 
A venda da quota do Estado na EDP à China soube a uma prenda do Passos Coelho, ver esta canalhada que tanto insinuou a propósito das relações do Governo de Sócrates com a República Popular da China vir em procissão defender o negócio que toda agente sabia não ser o desejado é quase um delicioso e açucarado sonho de Natal. Os Batanetes não resistiram à tentação de engrandecer o seu adorado líder bufando para o Financial Times as negociatas privadas com a senhora Merkel e acabaram por se tramar.
 
A EDP foi bem vendida, depois do historial de corrupção nos negócios com empresas alemãs e sabendo-se que a proposta germânica era miserável não é difícil de adivinhar que alguém teria muito a ganhar à custa do país. Obrigadinho Financial Times!
 
Quem se deve estar a rir literalmente à grande e à francesa é o Sócrates, os que o gozaram pelos seus negócios estão agora a rastejar perante a Venezuela e a comportar-se como cachorrinhos com os chineses, só não lambem od ditos cujos ao Kadafi porque o desgraçado foi abatido, senão há muito que o Relvas ou o Portas já teriam ido à tenda prestar-lhe vassalagem.
 
Quem se deve estar a rir são os comunistas chineses, o FMI e a direita europeia usou a crise para atirar Portugal para a miséria obrigando-o a vender a EDP e é um país comunista a aproveitar a situação. Pobre Europa! Está entregue a idiotas como a Merkel ou os nossos Batanetes. Passos Coelho tinha toda a razão, as privatizações estão a promover a democratização da economia, um dia destes em vez de se decidir no mercado decide-se tudo no comité central do PCC.

 Mais um na lista das marcas da direita: Fernando Ulrich e o BPI


 O menino bem que está à frente dos destinos do BPI, um banco que cheira que tresanda a corrupção angolana, gosta muito de fazer política e foi um dos gestores mais destacados na ajuda à direita. Este bancário, que tem menos habilitações académicas do que muitos dos seus balconistas, não se cansou de atacar o governo anterior por má gestão e falta de previsão, mas agora sabe-se que o fino BPI está atolado em dívidas soberanas e vai precisar dos contribuintes para sobreviver.

O bancário que ao longo de anos distribuiu dividendos, falou ao país de cima para baixo e tratou governantes com arrogância exibe agora os sacrifícios dos seus próprios trabalhadores como exemplo das suas capacidades de gestão. Ser cliente do BPI é ajudar gente como Fernando Ulrich a fazer política com o dinheiro alheio, a compensar os seus maus negócios com o dinheiro dos contribuintes e a explorar e exibir a exploração dos seus colaboradores.

Boicotar o senhor Fernando Ulrich e o seu banco é uma obrigação ética e moral de todos os que se opõem à injustiça e à bestialidade política.
  
 DN: argumento canalha

  
E os jornais escreverem o que os goebelzinhos do Relvas mandam não prejudica o país?
  
 E vão 38 mentiras!


Nem foi preciso esperar por 2012 para Passos Coelho dizer às escondidas dos portugueses que o OE para 2012 dificilmente vai ser cumprido e que o défice é será maior do que os 4,5%. Isto significa que o orçamento é uma imensa mentira como esta foi montada para vir a justificar mais medidas de austeridade que o Gasparoika sempre defendeu.

Este governo não está a combater a crise está a aprofundá-la para ter motivos para a coberto do memorando com a troika que é sucessivamente revisto em segredo operar um regresso ao 24 de Abril de 194. Este governo recorre tanto à mentira que começa a ser ilegítimo.

Que autoridade tem Passos Coelho para exigir limites constitucionais ao défice quando faz um orçamento aldrabado, com base em previsões que sabe estarem erradas e ainda antes do ano começar já admite que n
não vai cumprir o OE? Isto não é governar, é uma verdadeira palhaçada digna de um circo de rua.
  
 Repararam?

Que nesta sexta-feira o governo quase desapareceu na comunicação social? Até parece que decretaram uma tolerância de povo privativa.
  
 

 O problema estrutural

«Estamos já tão habituados a que nos baixem o rating que quando, como sucedeu esta semana, nos informam de que passámos de "democracia plena" para "democracia com falhas" num índice internacional - o da revista The Economist - ninguém parece muito preocupado, indignado ou sequer interessado (fosse há um ano, ai).

Caindo um posto, do 26.º para o 27.º, e trocando de lugar com Cabo Verde, Portugal fica em segundo na secção de democracias defeituosas, ainda assim acima da França (29.º), da Itália (31.º) e da Grécia (32.º). A Espanha tem dois lugares de vantagem (25.º), mas após tombo de sete. No topo está a Noruega e no fim do pelotão a inevitável Coreia do Norte. No relatório que sustenta o índice, frisa-se o contraste entre a luta das Primaveras Árabes pela democracia e as sombras que sobre ela impendem no seu berço, a Europa Ocidental, onde eleitos são substituídos por tecnocratas (Itália e Grécia) e o perigo do populismo e da xenofobia se adensa sob a égide da austeridade.

É aliás à crise económica e do euro e ao facto de o País ter perdido autonomia governativa que o relatório atribui o downgrading português. O índice é decerto discutível (como aliás todos os relacionados com percepções) mas vale a pena ler a parte em que se fala da noção de democracia e da forma de lhe aferir o grau. "A democracia pode ser vista como o conjunto de princípios e práticas que institucionalizam e em última análise protegem a liberdade", diz a Economist. E define as democracias com falhas como "países com eleições livres e justas e respeito pelas liberdades cívicas básicas, mas com fraquezas significativas noutros aspectos da democracia, incluindo problemas de governação, uma cultura política subdesenvolvida e baixos níveis de participação política". Bingo. Sucede é que esta descrição já se aplicava a Portugal desde o lançamento do índice, em 2006, e só agora nos passaram para os que precisam de melhoras.

Ora se esta democracia tem neste momento problemas muito graves de legitimidade governativa (quer ao nível de quem está a tomar decisões fundamentais - "poderes ou organizações estrangeiras", Economist dixit - quer do mandato, já que o programa que foi levado a sufrágio não coincide com o imposto), a ausência de reacção a essas ameaças demonstra que estruturalmente o País não preza a democracia e talvez nem perceba bem o que é e para que serve. Como o questionário da Economist lembra, a qualidade de uma democracia não depende apenas da dos governos. O apoio popular de que é alvo, a noção de que é a melhor forma de regime e de que beneficia a performance económica, não sendo contrária à manutenção da ordem, assim como a rejeição da ideia de que um executivo de "especialistas" e "tecnocratas" é preferível a um de políticos são aspectos fulcrais na saúde democrática. Não é uma coisa decidida "pelos de lá de cima"; é de nós que depende. E se tem defeitos são os nossos.» [DN]

Autor:

Fernanda Câncio.
   
 Uma EDP no fundo do túnel

«Claro que eu podia ir pela ironia do PCP considerar "gestão danosa" a venda da EDP aos chineses (a EDP nas mãos dos comunistas não augura nada de bom, é?). Claro que podia ir pela ironia do Governo - que quer tirar o Estado português das empresas - entregar a EDP a uma empresa que pertence toda ao Estado chinês... Mas seria demasiado fácil, nos tempos que correm o que mais há são ironias. Por isso, se quiser ficar por elas, e eu gosto, tenho de cavar fundo para encontrar uma ironia histórica. Vamos então falar da Grande Depressão, não desta que está a ser combatida com a austeridade e pelo corte das despesas públicas. Falo da outra, a Grande Depressão, da década de 1930, que o Presidente Franklin Roosevelt combateu com grandes obras públicas. E, dessas obras, a maior foi um plano de gigantescas barragens. E o pai delas, incluindo a famosa Barragem Hoover, em 1935, sobre o rio Colorado, foi o engenheiro John Lucien Savage (1879-1967). Hmm..., John L. Savage, John L. Savage, o nome diz-me qualquer coisa... Isso, foi aquele engenheiro americano que, em 1945, foi à China, percorreu o rio Iang-Tsé, e determinou o lugar para construir a barragem das Três Gargantas (Three Gorges), uma das maiores do mundo. Hmm..., Three Gorges, Three Gorges, o nome diz-me qualquer coisa... Ah, certo, aquela CTG (China Three Gorges) que comprou, ontem, a EDP. Ainda bem que Roosevelt não poupou em investimentos. A ironia é que o dia de ontem começou aí.» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.
  
 O desmentido

«Pronto, está esclarecido: era mesmo mentira. O ministro das Finanças explicou no Parlamento que a decisão de criar o imposto que cortou o equivalente a metade do 13º mês foi uma opção livre do Governo e não o resultado de uma imposição da troika, ao contrário do que tinha sugerido o primeiro-ministro numa das suas recentes entrevistas televisivas.

Como é sabido, quando lhe perguntaram se em vez de lançar um imposto extraordinário (que prejudica as famílias e a economia) o Governo não teria feito melhor em recorrer apenas à receita, também extraordinária, dos fundos de pensões da banca (já que o seu montante é mais do que suficiente para garantir o cumprimento das metas do défice), o primeiro-ministro, para não assumir o erro grosseiro da sua opção precipitada, deitou as culpas para a troika. E explicou: "Se não o tivéssemos feito (o corte no 13º mês) nem sequer nos tinham deixado utilizar os fundos de pensões para pagar o défice". A resposta pretendia afastar a ideia de que havia escolha entre as duas receitas extraordinárias. Percebe-se: se o Governo não tinha margem de escolha (porque a troika, alegadamente, não a permitia), também não podia ser acusado de decidir mal. E assim, de uma assentada, passava igualmente para as costas da troika a responsabilidade pelo absurdo que é taxar os rendimentos das famílias muito acima do necessário.

A desculpa inventada pelo primeiro-ministro até parecia perfeita, útil e agradável. Só tinha um pequeno problema: era falsa. Completamente falsa. Eu próprio tive ocasião de demonstrar aqui, na semana passada, que a explicação do primeiro-ministro não batia certo nem com o que ele disse no Parlamento quando anunciou o corte no 13º mês, logo em 30 de Junho, nem com a cronologia do processo de decisão do Governo. Entretanto, diversas fontes da própria troika, citadas pela comunicação social, vieram também negar, peremptoriamente, a versão do primeiro-ministro. Mas o golpe fatal foi dado pelo desmentido do ministro das Finanças, com aquele jeito que ele tem de demorar o tempo todo de que precisa para escolher as palavras. E a palavra que escolheu foi "opção": houve, de facto, uma "opção" - disse ele - e "a opção foi do Governo". Arrasador.

Sucede que essa opção que o primeiro-ministro não queria assumir foi um erro grave. Na verdade, o ministro das Finanças revelou que, com as receitas extraordinárias, o défice de 2011 ficará "na casa dos 4%" do PIB. Ora, para este resultado a receita esperada com o imposto extraordinário só contribui com 0,5% (Cfr. Quadro II.2.2. do Relatório OE 2012, pág. 26). Sendo assim, é evidente que mesmo sem o imposto sobre o subsídio de Natal a meta do défice não só seria cumprida como ficaria ainda mais de 1% abaixo (!) dos 5,9% previstos no Memorando de Entendimento! Este foi, portanto, um erro grave do Governo, que saiu desnecessariamente muito caro às famílias e à economia portuguesa.

A troika, já se percebeu, tem "as costas largas". Mas não pode aceitar-se esta permanente tentativa do Governo de confundir as suas próprias escolhas com os compromissos assumidos com a troika. A verdade é esta: este absurdo imposto extraordinário sobre o 13º mês não está no Memorando de Entendimento negociado com a troika em Maio, tal como não está lá o aumento do IVA da energia e da restauração para os 23%; nem os aumentos de 25% nos transportes públicos; nem o aumento para o dobro das taxas moderadoras; nem a regra da consolidação orçamental feita em 2/3 do lado da despesa; nem a eliminação dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e dos pensionistas em 2012 e 2013; nem a eliminação do escalão de 12,5% no IRC; nem a proibição dos incentivos fiscais para o projecto de mobilidade eléctrica da Nissan; nem o limite de 8 a 12 dias para as indemnizações por despedimento. Como bem disse o ministro das Finanças - e escolho também as palavras - vai nisto tudo uma "opção". Uma opção do Governo.» [DE]

Autor:

Pedro Silva Pereira.
 
 Os trabalhadores que paguem a crise
 
«A aposta nos salários baixos dos portugueses não acrescentou competitividade à economia nacional e, no entanto, é esse caminho que está a ser reforçado. No custo dos serviços e produtos com que Portugal quer competir no exterior aumenta mais a cada ano que passa o peso dos factores energia e transportes do que aumenta o peso da massa salarial.

Nestes custos de produção, o poder político não trabalha para diminuir o seu peso procurando contrabalançar diminuindo o factor salários. É nesta política que se insere a meia hora de trabalho a mais, que se insere o corte dos feriados ou a diminuição do tempo de férias para os trabalhadores assíduos. Mais 23 dias de trabalho por ano são quase 10% a mais para o mesmo salário anual e em muitos casos para um salário anual inferior (trabalhadores da Função Pública ou de empresas públicas já sabem que no próximo ano vão receber menos dois salários).

A questão ideológica que está por trás destas decisões não é a da necessidade de aumentar a produtividade, porque essa serve a Direita e a Esquerda. Mas ela poderia ser conseguida à custa de maior concorrência na venda de energia (electricidade e produtos petrolíferos), por exemplo. Só que existe uma clara opção de seguir pelo caminho mais fácil.

Como ter um emprego passou a ser visto como uma coisa luxuosa, não parece demais sobrecarregar os trabalhadores. Nalguns casos, para manter o nível de emprego, há trabalhadores que viram o valor da sua hora de trabalho diminuir mais de 30% em dois anos. De uma forma geral, vamos acabar com esse valor/hora a níveis do que tínhamos há 20 anos.» [DV]

Autor:

Paulo Bardaia.
  
 Ni hao, meus senhores

«Ontem foi um dia histórico. Menos pela saída do Estado Português do que pela entrada da China na EDP. A Europa está a ficar para tia, falida e pudica, de um mundo que agora gira entre Nova Iorque e Pequim. Portugal tomou uma opção: entrou nesse eixo. E isso abre um novo mar - um mar onde seremos as rémoras dos tubarões. [Jornal de Negócios]


Ontem foi um dia histórico. Menos pela saída do Estado Português do que pela entrada da China na EDP. A Europa está a ficar para tia, falida e pudica, de um mundo que agora gira entre Nova Iorque e Pequim. Portugal tomou uma opção: entrou nesse eixo. E isso abre um novo mar - um mar onde seremos as rémoras dos tubarões.

A privatização foi um "jackpot" para a EDP e para o Estado. Porque traz aquilo de que ambos mais carecem: capital. O capital sem pátria, que preferíamos que fosse nosso, mas nosso não há. Há este, é pegar ou largar. Nós pegámos. A dependência tornou-nos pragmáticos: andamos a aprender com os angolanos. Mas a China é outra coisa: é um potentado. E quanto a proselitismos, basta olhar para a Zona Euro. O dinheiro chinês é o mesmo dinheiro que a União Europeia e o FMI foram mendigar há semanas para alavancar o Fundo de Estabilização da Zona Euro. Foi um vexame: a senhora Lagarde e o senhor Regling levaram tampa. Portugal fechou negócio. A diferença não é o espaço geográfico, é ser capital para investimento em vez de capital para pedinte.

É claro que os chineses são um problema, mesmo para quem não tem consciência. Não são uma democracia. Não respeitam direitos humanos. Nem ambientais. Mas a Europa hipotecou a consciência quando se tornou frágil. Olhai para Espanha: prepara-se para vender 10% da Repsol a chineses, a russos ou ao Qatar. Pois é: o país dos "campeões nacionais" está de rastos, com construtoras como a Sacyr a vender-se para pagar dívidas e bancos como o Santander a precisarem de aumentos de capital gigantes para tapar os buracos abertos pelos seus apregoados sucessos.

Sempre esperámos a ascensão dos BRIC. Nunca esperámos que ela acontecesse em simultâneo com o declínio acelerado da Europa e a erosão lenta dos Estados Unidos: a quebra do mundo ocidental. E agora, por muito que nos custe, e custa, vamos pedir dinheiro a países pobres onde há muitos ricos. Países de petróleo, da abundância de recursos naturais, países como a China. Que não é uma democracia. Que emergirá como nova potência mundial para uma nova bipolaridade. Sem disparar um único tiro.

A Three Gorges capitaliza e financia a EDP, salvando-a de uma dívida preocupante em tempo de maus "ratings". Mais: a China traz fábricas, financia bancos, anuncia participar na solução do BCP. Mas nós, sobretudo, selámos uma aliança. Não com o Diabo. Não com qualquer anjo. Passos Coelho foi corajoso - e temerário.

É preciso garantir que tudo o que foi anunciado será cumprido - há razões para ser céptico em relação aos chineses. Se for, seguiremos no lastro. Para África, inclusive. E para o Brasil. É esse o nosso "interesse": o "mercado de língua portuguesa", de que falava o primeiro-ministro há dias. A PT vale pelo Brasil, a EDP vale pelo Brasil e pelas renováveis, a TAP vale pelo Brasil e África, a Galp vale pelo Brasil e Moçambique, o BPI vale por Angola. É o nosso factor competitivo, foi o nosso destino, a solução de escape enquanto falidos.

Os chineses investem em ciclos longos e actuam em rede. Percebemo-los mal e vamos ter de aprender a dialogar com eles, ou seremos enganados. Mas agora, numa galeria longínqua em Pequim, já nos olham como chinesinhos, seus aliados.

Angela Merkel deve ter aprendido ontem uma lição. Isto não está a acontecer a Portugal, está a acontecer à Europa, paralisada nas suas pequenas ordenanças. E nós? Nós estamos a ver se nos salvamos, desesperadamente procurando fora da Europa o que a Europa não nos consegue providenciar. Portugal não se vendeu porque não se vende o que não se tem. Bem-vindos ao mundo novo, ele é pouco admirável mas segue em lentas translações. Correr riscos é melhor do que morrer devagar.»

Autor:

Pedro Santos Guerreiro
  
 Estado de sítio

«Nunca se deve encurralar uma fera. Mesmo os portugueses, que são mansos, não gostam de ser encurralados. Mas é isso que está a suceder. Todos os dias o governo aperta ainda mais o cerco, retirando meios de subsistência, paralisando a economia, não apresentando qualquer saída positiva. Tanto ministro e secretário de estado e ninguém é capaz de proferir uma única palavra de esperança ou anunciar uma medida estimulante. Estiveram um dia inteiro fechados num forte e a única coisa que saiu foi maior facilidade em despedir. Como dizia o meu amigo Ernesto, esta gente tem pelos no coração.

Perante isto, os primeiros sinais de agitação da fera mansa começam a surgir. São os pórticos das autoestradas destruídos a tiro; o vandalismo crescente; os ataques no ciberespaço; o ódio à polícia cada vez mais descarado; a criminalidade que aumenta em quantidade e brutalidade.

Aliás, os brandos são os piores. É dos telejornais que os maiores assassinos, aqueles que saem à rua com uma arma e desatam a matar pessoas, são invariavelmente descritos pelos vizinhos como excelentes pessoas. Sempre pensei o mesmo da brandura dos portugueses. Ela esconde uma raiva funda que a qualquer momento pode rebentar. E, em boa verdade, desde o 25 de Abril nunca estiveram reunidas tantas condições, sociais, económicas, políticas e psicológicas, para que "salte a tampa" a alguns portugueses.

A primeira vez que Passos Coelho falou em tumultos achei que estava a exagerar. Ele tentava refrear os ímpetos do sindicalismo e do PC, mas conhecendo o "modus operandi" destes, sempre formalista, pareceu-me que estava mais a pedir agitação do que a preveni-la.

Umas quantas semanas depois, muitos cortes, subidas de impostos e um declarado desdém pela sorte dos portugueses e já acho que o medo dos tumultos faz mesmo sentido. Não tanto na versão camarada da "agit-prop", mas em atos de sabotagem, violência gratuita e mesmo naquilo que por estes dias se apelida de terrorismo.

Acresce um outro fator de caráter sociológico que pode vir a tornar-se determinante para o aumento da violência social. A situação da juventude. Após o Maio de 68, a Europa conseguiu refrear o radicalismo dos jovens metendo-lhes dinheiro no bolso e dando-lhes coisas para comprar. A juventude tornou-se consumidora e, nessa condição, conservadora. A austeridade imposta por troikas e governo afeta sobretudo os jovens e estes não têm mais dinheiro, nem futuro. A tal ponto que o próprio primeiro-ministro, mostrando muita falta de sensibilidade humana e política, diz que o melhor é irem-se embora porque o país não tem nada para lhes oferecer. Em resultado, uma nova geração de jovens está em vias de se radicalizar e agir em conformidade. Os epítetos de anarquistas, agitadores, vândalos e outros de ocasião, podem sossegar jornalistas e políticos mas não bastam para iludir o desassossego crescente. A juventude portuguesa não está numa situação muito diferente dos jovens árabes que incendiaram vários países. E vão provavelmente começar a fazer estragos.

Como se não bastasse, a oposição política é um deserto de ideias. Não existem alternativas no campo partidário e nem sequer temos intelectuais ou figuras com reconhecimento cultural e público com capacidade e crédito para mobilizar o descontentamento. Os portugueses que sofrem a investida de uma governação que só pensa como lhes extorquir ainda mais do parco rendimento, estão totalmente abandonados à sua sorte. Ou seja, e como disse no início, estão encurralados numa curva da história.

Antigamente estas situações resolviam-se com guerras ou em alternativa com revoluções. A guerra, embora seja constante, é surda, distante e subterrânea. Não é previsível que possa eclodir nas ruas da Europa. Pelo menos no médio prazo. Quanto a revoluções, elas passaram para o campo do tecnológico e muito dificilmente surgirão, à antiga, com barricadas e movimentos de massas enfurecidas.

É por tudo isto que, do caldo de frustração e beco sem saída em que nos encontramos, antevejo um tempo de pequenos e medianos atos subversivos que irão desestabilizar a nossa sociedade. Mas claro, isto sou eu a pensar neste fim de ano nada entusiasmante. Boas festas.» [Jornal de Negócios]

Autor:

Leonel Moura.
  

 Deputados de férias

«Os deputados encerraram ontem os trabalhos parlamentares de 2011 e as comissões e plenários só serão retomados a 3 de Janeiro de 2012, segundo a agenda da Assembleia da República. » [CM]

Parecer:

Uma semanita de férias...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se, poupa-se no aquecimento, iluminação e higienização da sala.»
  
 E agora quem comeu os robalos?

«Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) leiloaram hoje 200 quilómetros de cabos eléctricos sem utilidade, negócio que deverá render mais de 170 mil euros e assumido por uma empresa em que o sócio maioritário é o sucateiro Manuel Godinho.» [DN]

Parecer:

Já estarão a fazer escutas ao Álvaro ou aos amigos do Passos Coelho?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso cínico.»
  
 Passos Coelho, o resistente

«A China Three Gorges foi a opção, e além dos 2,7 mil milhões de euros que paga pela eléctrica a empresa aplicará mais seis mil milhões em Portugal. De nada valeram as pressões da chanceler alemã e da Presidente brasileira a favor das empresas dos seus países.

Os 2,7 mil milhões de euros pelos 21,35% da EDP garante ainda à China Three Gorges duas linhas de crédito de quatro mil milhões e investimentos de dois mil milhões até 2015. Mais: também está prometida uma fábrica de turbinas eólicas e um banco para apoiar o investimento chinês em Portugal.» [DN]

Parecer:

Cada vez admiro mais este homem, melhor do que ele só os pastorinhos de Fátima.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso cínico.»
  
 A Europa arde por todos os cantos

«Furioso com a aprovação da penalização da negação do genocídio arménio por parte da França, primeiro-ministro turco pôs hoje em causa o pai do Presidente Nicolas Sarkozy e a actuação dos franceses na Argélia.» [DN]

Parecer:

Esta combinação de líderes europeus faz lembrar os anos anteriores à II Grande Guerra.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se e proteste-se contra esta Europa de ricos irresponsáveis.»
  
 Teixeira dos Santos já passou pelo Omo da direita

«No mercado interno, como é costume, Teixeira dos Santos não foi capaz de vencer a batalha do critério sobre o espalhafato, nem da realidade sobre cenários fabricados em material plástico. Mas tudo isso já passou. O que importa é que Teixeira dos Santos, o economista de facto e gravata (mas podia ser em ‘t-shirt') e já não o ministro em camisa de forças, reapareceu. Continua a não ser do PS, felizmente para nós continua a não vincular as suas posições pelo PS - e infelizmente para o PS, o PS continua a com ele não poder contar para se transformar num partido mais esclarecido.» [DE]

Parecer:

Bastou vir a público apoiar as sacanices orçamentais da direita e até o DE já elogia este economista sem grande currículo académico que ficou conhecido graças aos governos a que pertenceu. O DE esquece as suas responsabilidades e os sucessivos erros de previsão, esquece que só se começou a falar de divergências mais ou menos na mesma altura em que as ratazanas costumam abandonar os navios.

Lamentável.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  
 EDP: Mexia elogia coragem do governo


«O presidente da maior eléctrica de Portugal considerou que "o negócio é um sucesso para o Estado e para os portugueses", já que rendeu "um milhão de euros acima do valor em bolsa".

"O negócio dá um acesso a 8,7 mil milhões de euros", sublinhou o responsável pela EDP que considera a venda aos chineses como "uma decisão política corajosa". » [Dinheiro Vivo]
  
Parecer:

Ainda vou ver este Mexia convidar o Jerónimo de Sousa para partilhar o pequeno-almoço.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Graxista!»
  
 A anedota do dia

«No seu comentário semanal na TVI 24, Marques Mendes revelou que "um grupo português com um grupo chinês vão ter uma parceria para avançar neste seguinte sentido: O grupo chinês instalará uma importante fábrica de automóveis aqui em Portugal e o grupo português instalará uma fábrica para construção de autocarros eléctricos na China".

O advogado considera que este negócio é uma consequência directa da venda de 21,35% da EDP à China Three Gorges: "Estamos a falar de volumes financeiros muito e muito significativos, que vem na ocorrência desta decisão de hoje".» [DV]

Parecer:

Só esta aventesma acha que a construção de uma fábrica de automóveis e outra de autocarros se decide de um dia para o outro.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Ainda ontem aprovaram o orçamento e já não acreditam nele?

«O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho receia que as medidas do Orçamento do Estado para 2012 não sejam suficientes para cumprir o défice orçamental de 4,5% no próximo ano, segundo o jornal Sol.» [DV]

Parecer:

Ele e o incompetente do Gasparoika não receiam, têm a certeza e já a tinham ainda antes de o aprovarem, é mais uma mentira colossal a juntar às anteriores.
  
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se contra a incompetência, falsidade e sacanice do governo.»
  

   




sexta-feira, dezembro 23, 2011

Contrado social ou revolução?

É verdade que o país se encontra numa situação difícil, que são necessárias medidas de austeridade, que tem de aumentar a competitividade externa e que se deve pensar o crescimento sustentado a médio prazo. Mas isso não implica que a competitividade seja conseguida à custa do esclavagismo implementado por decreto e apoiado em forças policiais, que o desenvolvimento passe pela expulsão de quadros, pela destruição do sistema de ensino e pela promoção da mão de obra barata, ou que só tenham de ser os mais pobres a suportar a austeridade. Esta política é injusta, canalha e por isso só pode conduzir ao conflito social.

Mete nojo ver gente como o Fernando Ulrich que durante anos exibiram riqueza, distribuiriam fortunas em dividendos, quase nem pagaram impostos e distribuíram vencimentos e prémios milionários virem agora exigir cortes salariais ao mesmo tempo que querem o dinheiro dos contribuintes sem quaisquer riscos ou contrapartidas.

Mete nojo ver um António Pires de Lima que apenas se preocupa em obter o máximo de lucros numa empresa que nunca teve prejuízos e que vive da miséria alheia babar-se porque a meia hora de trabalho escravo lhe proporciona um aumento de produtividade de 7% e ainda exige o despedimento de mais de cem mil funcionários públicos.

Uma coisa é algumas empresas precisarem de aumentar a produtividade e não há nenhum trabalhador que deseje ver a empresa que o emprega ir à falência. Outra coisa é aumentar os lucros de quem nunca teve prejuízos, ou aumentar os lucros dos que os conseguem de forma fácil, à custa de direitos que há décadas deixaram de ser uma conquista dos trabalhadores para serem valores civilizacionais.

Os trabalhadores portugueses não são inimigos do seu país, nunca fugiram para o país, não instalaram sedes em Roterdão, não trabalham em bancos off-shore de Cabo Verde, não escondem o seu dinheiro em off-shores e quando é necessário defender o país são eles que pegam em armas e morrem na frente de batalha. Quem tem um longo historial de desprezo pelo país são alguns dos nossos empresários, esses sim só dão um chouriço quando recebem um porco, esses sim que fogem e que mandam as suas poupanças para o exterior, esses sim que preferem pagar impostos na Holanda a pagá-los em Portugal.

Os que pensam que os portugueses são mansos e aceitam tudo poderão estar a cometer um erro grave e a empurrar o país para o conflito social. Têm mais olhos do que barriga, estão convencidos de que o aumento do orçamento das polícias basta para amedrontar os mais nervosos, mas poderão estar enganados e poderão estar a acender o rastilho do conflito social e a desencadear um processo revolucionário descontrolado, desenquadrado de qualquer organização política ou sindical e sem ideologia que o suporte.

Esta gente é irresponsável e pensa que está no século XIX,, quando se resolviam os problemas a tiro, não percebe que ou percebem que tanto os sacrifícios como os benefícios das políticas devem ser repartidos socialmente com justiça, que deve haver diálogo social na adopção das medidas, deve, em suma, haver um contrato social, a alternativa poderá ser a revolução. Este assunto não é nada de novo, nos últimos anos foi mesmo alvo de alguns debates e as situações nem eram tão difíceis.

Para os nossos estarolas e empresários irresponsáveis a actual situação tem pelo menos uma vantagem, com a remodelação o Campo Pequeno está mais confortável. Aprendam com a história enquanto é tempo e ainda houverem professores em Portugal!

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Há quem os compre na Feira da Ladra, Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Lisboa [A. Cabral]
  
Jumento do dia


Paulo Macedo, Opus ministro da Saúde

Este Paulo Macedo é muito generoso, depois de promover um aumento brutal das taxas moderadoras assume uma grande preocupação social. Enfim, longe vão os tempos da propaganda fácil à frente da DGCI, depois da subida aparentemente, meteórica arrisca-se a uma enorme queda.
  
«O Ministério da Saúde nega a possibilidade de haver um novo aumento nas taxas moderadoras, nos próximos dois anos.

Mesmo que seja necessário reforçar as receitas da saúde, seguindo a indicação da troika que pretende um aumento de 100 milhões de euros de receitas, o ministério da Saúde garante que esse acréscimo não será feito através de um novo aumento das taxas moderadoras.

Segundo revelou fonte da tutela ao Jornal de Negócios, “não se pode exigir mais dos cidadãos”, pelo que em caso de necessidade o ministério diz que ira recorrer a outras medidas que garantam o reforço do financiamento do sector.» [i]

 Dúvida

Porque será que quanto mais horas reúne o governo menos sabe Passos Coelho o que dizer aos portugueses?

Estiveram uma imensidão de horas a reunir com a indumentária decretada pela Assunção para os seus funcionários e no fim dessa penosa reunião em vez de discutirmos o crescimento estamos a equacionar a hipótese de comprar os velhos paquetes da gloriosa marinha mercante portuguesa para carregar os professores para Angola.

Não teria sido melhor o governo ter poupado na energia para aquecer o salão do forte e ir de férias de Natal? Teriam poupado o país às baboseiras do intelectualmente anorectico.
  
 ...Like there is no tomorrow!
  
  
 Seres humanos ou zombies?

  
Uma pergunta a fazer a Bernardino Soares, um grande admirador deste "paraíso terreno" em que foi transformada a Coreia do Norte.
 
 Mentira n.º 37

 
A anorexia intelectual de Passos Coelho leva-o a ser pouco criterioso com as mentiras, dizendo algumas que não enganam ninguém. Foi o caso da mentira a propósito do negócio do fundo de pensões dos bancários que o Batanete de São Bento pretende desbaratar pensando que assim se salva da desgraça económica em que meteu o país com a sua mania idiota de ser mais troikista do que a troika.

Desde logo se viu que a troika não se ia meter em assuntos do governo como se estivessem a gerir um infantário, dizer que a troika só autorizou o negócio depois de se certificar do corte do subsídio de Natal é uma daquelas mentiras que ofendem mais por nos considerarem parvos do que pela própria mentira.

Lamentavelmente Passos Coelho não passa só por mentiroso, passa a imagem para o exterior de que neste país somos todos idiotas governados por um anoréctico mental. O pior é que o governo já parece uma pita de carrinhos de feira onde todos se atropelam uns aos outros e foi o próprio Gasparoika a vir desmentir Passos Coelho. 
 
 Sugestão de destinos de emigração

Ainda que o principal destino de emigração sugerido por muitos portugueses seja um local desconhecido habitualmente designado por “a puta que os pariu” e ainda que este humilde palheiro não disponha de recursos para seguir a sugestão do estranho Rangel e criar uma agência de emigração especializada em inúteis, aqui ficam algumas sugestões de emigração para o nosso governo para evitar que andem em busca do tal destino mítico que os levaria de volta ao regaço das ditosas progenitoras.

Para o Álvaro a sugestão é fácil, a inevitável Florida em que ele se inspirou no momento em que achou que o Algarve poderia ser um imenso lar da terceira idade para todas as Merkel da Alemanha e arredores. O nosso querido Batanete da Rua da Horta Seca não teria dificuldades em encontrar emprego, com o seu curso na distinta universidade de Vancouver sempre poderia empregar-se nalguma equipa de basquetebol pois entre matemática e economia aplicável é muito provável que ainda tenha um mestrado em basquetebol.

Como o nosso Portas é demasiado inquieto para estar sempre no mesmo sítio e nos últimos anos nem para quieto, até parece que anda a fugir de alguma coisa, a solução ideal seria um emprego que o levasse aos quatro cantos do mundo. A sugestão vai para que se torne empregado de quarto de um navio de cruzeiro, ainda que tenha o inconveniente de ele ter a fobia dos submarinos.
     
 Desmoralizador e revelador
  
Com duas palavras o El País disse quase tudo sobre a ideia peregrina de Passos Coelho de mandar portugueses embora por supostamente estarem a mais. Teriam dito tudo se tivessem acrescentado sacana pois Passos Coelho só sugere a emigração para os quadros, para os outros desempregados pensa como Salazar e deseja que fiquem mesmo sem emprego, quanto maior for o número de desempregados maior será a pressão para fazer baixar os salários.

«En una de estas entrevistas, el primer ministro acabó por recomendar a los profesores “excedentes” con que cuenta el país, en un consejo desmoralizador y revelador, que se busquen empleo en otro sitio. En otras palabras: que emigren.» [El País]

Mas o mais divertido desta ideia do africanista de Massamá não está na gravidade do problema de anorexia intelectual de que Passos Coelho Padece, é o nível dos sabujos que se apercebendo da estupidez do líder vieram em seu auxílio, numa tentativa de torná-lo credível vieram apoiá-lo na brilhante ideia, até houve um que não tendo podido lamber o primeiro-ministro optou por sugerir a criação de uma agência de emigração.
 
 Sentir gozo
 
 
É ver um governo de gente que roça a extrema-direita vender a joia da coroa a um país comunista, é ver liberais que querem libertar a economia do Estado vender o que resta de uma empresa pública portuguesa a uma empresa pública chinesa, é ver um António Mexia ter que jurar obediência e defender os interesses de comunistas, pior ainda, sujeitar-se a um controlador designado pelo Partido Comunista Chinês.
 
Quando Sócrates estava só no esforço de salvar o país de uma submissão à troika e procurava fontes de financiamento Cavaco questionava quem nos estaria a dar dinheiro. Agora já sabe e é um gozo vê-lo ficar calado.
 
É um gozo ver os representantes do capitalismo ocidental que se aproveitaram da crise para forçar Portugal a vender-lhes o país ao preço da uva mijona ficarem a ver os chineses se aproveitarem do seu oportunismo e ganharem os concursos fazendo melhores ofertas.
 
 O povo é sábio!


Os portugueses não sofrem de anorexia intelectual e já perceberam que estão a ser governados por um governo que faz lembrar a família dos Batanetes. Não só não são parvos como parecem ter sentido de humor pois é isso que explica que tenham atribuído a Portas uma nota melhor do que a de Passos Coelho.
  1. Não se deixaram enganar pela propaganda do Paulo Macedo e reduziram-no ao estatuto de "grunho". O homem está a usar a estratégia com que fez sucesso na DGCI mas esqueceu-se de um pequeno pormenor, de arranjar alguém que lhe fizesse o trabalho.
  2. O cratino deve ter tido a pior nota da sua vida, anda ali revés Campo de Ourique à beira da negativa, mais uma avaliação e passa para o vermelho, até porque o seu silêncio cobarde a propósito da sugestão de Passos Coelho para os professores emigrarem vai notar-se.
  3. Se o Gaspaoika sonhava com um novo salazarismo agora a designar por gasparismo bem pode roçar o rabo nas paredes do Terreiro do Paço, o povo não vê nele o salvador da pátria e deu-lhe uma nota vulgar. Como diriam as agências de rating continua em observação e tem perspectiva negativa, depois de fazer um orçamento com estimativas de crescimento aldrabadas mais tarde ou mais cedo leva com o merecido carimbo de incompetente.
  4. Parece que a relva foi cortada rente, se for mal regada começa a secar.
  5. Olhando para as negativas amarelas dir-se-á que este governo parece uma turma de repetentes, está cheia de gente que ninguém dava por eles e ao fim de seis meses confirmaram plenamente as expectativas, são nódoas que nenhum detergente elimina.
  6. Pobre Álvaro foi chegar, ver e vencer, agora vai ser o primeiro professor a seguir a sugestão de Passos Coelho e volta a emigrar para o Canadá, de preferência para Vancouver que fica do outro lado.
  7. Se a Assunção fosse um legume só não seria um nabo porque este é escrito no masculino.   
  
 

 A mala de cartão de Passos Coelho

«Naquela sua mistura de ingenuidade e impreparação explosiva, Passos Coelho aconselhou os professores desempregados que querem continuar a ser professores a emigrar para os PALOP. Interessante este primeiro-ministro: não disse ter assinado um acordo diplomático, político ou empresarial - o que ele quisesse - para reforçar o ensino de português em Angola, no Brasil ou na China. Numa frase leviana e sem o contexto adequado, indicou a porta de saída do País a milhares de pessoas que, presumo, não lhe merecem muito mais esforço intelectual.

É verdade que muitos destes professores não são na realidade professores - são licenciados em História, Jornalismo, Direito, Sociologia, Antropologia, etc., que, não tendo encontrado trabalho na sua área de especialização, a certa altura da vida acabaram por dar aulas para se sustentarem com alguma dignidade. O excesso de oferta desta mão-de-obra (qualificada mas indiferenciada) não é, por isso, de agora - é um problema antigo do País que todos os governos alimentaram -, e talvez tivesse feito sentido o primeiro-ministro explicar, com cuidado, como esta desadequação ao mercado de trabalho reflecte a encruzilhada económica portuguesa e como ele, Passos Coelho, se propõe mudar este terrível estado das coisas.

Não foi isso, no entanto, que o primeiro-ministro fez. Como sempre acontece nestes casos, a asneira deu lugar a uma sucessão de disparates para tentar desculpar a inacreditável superficialidade da abordagem. Primeiro, o sempre galvanizante Paulo Rangel lembrou-se de criar uma Agência da Emigração, o que me abstenho sequer de comentar tendo em conta a natureza lunática do empreendimento. Depois, lá veio Miguel Relvas - o limpa-neves do Governo - elogiar o esforço dos quadros portugueses (é sempre oportuno falar ao coração) na reconstrução de Moçambique, como se fosse isso que estivesse em causa.

Não é, evidentemente, o que está em causa; mas a intenção do ministro adjunto não era esclarecer ou iniciar um debate que até poderia ser útil - apenas baralhar os factos para enterrar o mais depressa possível a polémica. Voltemos, então, ao essencial. Portugal tem feito um enorme esforço de qualificação. Melhorou muito, mas ainda tem muitíssimo a fazer, e isso passa por reformas na educação, na organização do Estado e até na lei laboral. Não há soluções imediatas para um problema tão vasto; mas ao meu primeiro-ministro eu peço que me indique um caminho político e não que, em desespero, nos faça regressar aos tempos da mala de cartão.» [DN]

Autor:

André Macedo.
  
 Calem-se. Calem-se. Calem-se. Calem-se

«Para um governante, hoje, só soletrar a palavra "emigração" é tolice. Sobre o assunto, calem-se. E não me culpem da estreiteza do facto, não fui eu que escolhi ser político, não fui eu que escolhi uma profissão onde o parecer quase vale o ser. Eu posso escrever aqui: "Portugueses, suicidem-se!", só me comprometo a mim, permitindo que me despeçam porque uma coluna de jornal não é para parvos. Mas os governantes são mais do que eles. As suas palavras não podem ser entendidas como uma ofensa àqueles a quem eles devem o que são. Ora esta questão foi tratada (ou assim legitimamente entendida) como um convite à emigração. Já o disse aqui duas vezes e vou repetir a obviedade: os portugueses não precisam que lhes indiquem quando e se devem emigrar - tal como respirar está-lhes no ADN. Os portugueses estão acabrunhados e com medo do amanhã, a última coisa que precisam é que os empurrem para fora do seu país. Eles irão ou não, como entenderem. Eles. Os governantes que se candidataram, ainda há pouco, a governá-los a todos, não podem, agora, querer descartar parte deles. O número e a qualidade dos governantes que caíram na tolice revelam uma estratégia de comunicação: pois despeçam os estrategas. E, sobre a emigração, calem-se. Também já aqui o disse, até há o que fazer para ajudar os portugueses que queiram emigrar. O que fazer, há; de conversa, nada. Calem-se. Digo-o tão repetidamente porque preciso que governem.» [DN]

Autor:

Ferreira Fernandes.
  
 O ministro de Tudo

«O ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, tem vindo progressivamente a assumir-se como o ministro de Tudo e Mais Alguma Coisa. Poderia pensar-se que sofreria da voraz síndroma "cheliomyrmex andicola", também dita síndroma da marabunta; mas não: o próprio Passos Coelho nele delegou, satisfazendo o seu insaciável apetite político, competências em áreas tão dispersas quanto as da igualdade de género, administração local, desporto, diálogo intercultural ou juventude, permitindo-lhe igualmente atribuir subsídios, condecorações, pensões por serviços excepcionais e relevantes e, até, a "pensão por méritos excepcionais na defesa da liberdade e da democracia", matéria em que o ministro Relvas exibe, como se sabe, invejável currículo.

Para além disso, falando Passos Coelho frequentemente por parábolas, a Miguel Relvas cabe ainda a interpretação autêntica das suas palavras. Assim, já veio explicitar que os portugueses que sigam o conselho do primeiro-ministro e emigrem rapidamente e em força para Angola ou Brasil (Relvas acrescenta Moçambique) aí encontrarão o Eldorado, pois"os portugueses [que] têm uma visão universalista têm sempre sucesso".

A emigração de jovens "portugueses com formação superior" para esses países deve porém ser, frisa Paulo Rangel, uma "segunda solução". A primeira é, obviamente, tentar emigrar para o PSD e, daí, para um "job" num instituto ou numa empresa pública.» [JN]

Autor:

Manuel António Pina.
     

 Cavaco concede (só) dois indultos

«Dos 225 pedidos que foram analisados este ano, o Chefe de Estado concedeu um indulto de redução de pena de prisão e um de revogação de pena de expulsão.» [CM]

Parecer:

É mais fácil sair a sorte grande...

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cavaco se a pena de expulsão que perdoou foi a dos professores.»
  
 Até a natureza chora
 
«Segundo escreve a agência oficial KCNA, “até a natureza está de luto pela morte de Kim Jong-Il”, e cita testemunhos de populares que afirmam ter assistido ao súbito derreter do gelo no lago de Chon, perto do vulcão Monte Paektu, na terra-natal do falecido líder. O estrondo foi tal que, diz quem viu, “parecia fazer tremer o céu e a terra”. Toda a montanha ficou coberta por uma misteriosa e brilhante aura, relataram ainda as testemunhas.

No mesmo local, uma tempestade de neve formou-se do nada e, tal como apareceu, desapareceu de repente. Da sua passagem, ficou, inscrita numa rocha, a mensagem: ”Monte Paektu, montanha sagrada da revolução. Kim Jong-il”.

Mas há mais: em Hamhung, no norte do país, uma garça azul foi vista a “vergar-se de dor” aos pés de uma estátua do ‘Querido Líder’.» [CM]

Parecer:

A natureza e o Bernardino Soares.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 Boa!
 
«A Parpública – Participações Públicas (SGPS) já comunicou à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que o Conselho de Ministros procedeu esta quinta-feira à “selecção da China Three Gorges Corporation para efetuar a aquisição da totalidade das 780 633 782 acções representativas de 21,35% do capital social da EDP – Energias de Portugal, S.A. (EDP)”. O comunicado acrescenta que a proposta chinesa foi apresentada “em termos que satisfazem adequadamente o Governo”. Para terminar, esclarece o mesmo documento que “a referida alienação será efectuada pelo preço global de 2.693.186.548 euros, incorporando um prémio de 53,6% em relação ao preço de mercado no dia 21 de dezembro”.» [CM]

Parecer:

Temos medricas, depois da notícia do tráfico de influências o governo português cedeu aos chineses.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Mexia se já aprendeu mandarim.»
  
 Que não falte energia aos membros do governo, diz Cavaco

«O Presidente da República desejou hoje que não falte a "energia" aos membros do Governo, para que tenham a "resistência física e psicológica" para levar pela frente a governação mais escrutinada da democracia portuguesa.» [DN]

Parecer:

Será porque está agradado com gente enérgica como o do Audi e a Assunção ou estará preocupado porque na hora de fugirem pode faltar-lhes as pernas?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Passos Coelho que pratiquem exercício, um dia destes ainda vão precisar de estar em forma..»
  
 O José fica

«O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) indeferiu o recurso apresentado pela autoridades norte-americanas sobre a não extradição de George Wright para os Estados Unidos determinada pela Relação de Lisboa, disse à Lusa fonte ligada ao processo.» [DN]

Parecer:

Se os americanos insistirem e o José concordar daqui a uns anos mandamos as cinzas do George para o poderem julgar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
  
 O PSD vinga-se do Berardo

«A comparticipação do Estado no orçamento da Fundação Berardo para 2012 será de 2,1 milhões de euros, um corte de 15 por cento em relação a 2011, disse à Lusa fonte da secretaria de Estado da Cultura (SEC).

Este valor representa ainda "um corte de 30 por cento em relação a 2010" para a Fundação de Arte Moderna e Contemporânea - Coleção Berardo, de acordo com a assessoria da SEC.» [DN]

Parecer:

Mais um que vai ser convidado a emigrar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao Berardo que se dirija à agência de emigração do Paulinho Rangel.»
  
 A Madeira continua a arder a bom ritmo

«As tradições natalícias dos madeirenses e a permissão de lançamento de foguetes no verão são as razões apontadas para o aumento das importações de produtos pirotécnicos na Madeira e que em 2011 ultrapassou os 3.600 quilos.» [DN]

Parecer:

Grande Alberto!

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Até o Saraiva da CIP acha que o Álvaro foi inábil

«"Sendo importante as reformas em cima da mesa, para nós importa manter as empresas vivas para criar emprego. As outras medidas são importantes e por isso estamos disponíveis para um acordo global para crescimento, competitividade e emprego", sublinhou António Saraiva, antes do início da reunião da concertação social.

No entanto, e no caso concreto da meia hora, António Saraiva admitiu que o Governo foi inábil, mas espera que haja margem para "um diálogo construtivo".» [DE]

Parecer:

Inábil? Não, idiota como, aliás, parece ser costume, onde o homem mete a mão tudo se parte, é um paquiderme.
  
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso.»
  
 A derrota que a Merkel não esperava

«Com o título ‘Chineses arrebatam EDP à E.ON', o Financial Times da Alemanha escreve que a decisão de vender os 21,35% do capital público à China Three Gorges representa um "revés" para a E.ON. Mas não só. Foi também uma "derrota" para o Governo da chanceler Merkel.

"Com a entrada [na EDP], a China constrói o seu poder nos mercados de energia global. Não só é a energia extremamente importante para o enorme crescimento económico do país, mas também ter os conhecimentos técnicos de uma empresa estrangeira. Ao mesmo tempo é um revés para E.ON e uma derrota o governo alemão", escreve o jornal na sua edição online.» [DE]

Parecer:

O seu mais recente afilhado não teve coragem e depois de se saber do tráfico de influências ao mais alto nível o homem encolheu-se.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso cínico.»
  
 Sobreiro é a árvore nacional

«A partir desta quinta-feira, o sobreiro é a Árvore Nacional de Portugal, depois de um projecto de resolução aprovado, por unanimidade, na Assembleia da República e de uma petição pública com 2291 assinaturas.» [Público]

Parecer:

Esperemos que agora seja adoptada uma ave nacional.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se o pernalonga.»
     

 No "Vai e Vem"


«Portugal desceu em 2011 um lugar no “índice da democracia no mundo”, sendo agora o 27.º em 167 países, no relatório da Economist Intelligence Unit patrocinado pela revista britânica The Economist.

A descida de Portugal resulta de ter passado de uma “democracia plena” para uma “democracia com falhas”. Segundo o relatório, a principal razão para o declínio da democracia portuguesa, em 2011, deve-se à “erosão da soberania e da responsabilidade democrática associadas aos efeitos e respostas à crise da zona euro”.

Os indicadores em que a democracia portuguesa surge mais débil são a ”participação política“, o “funcionamento do governo” e a “cultura política“. O “processo eleitoral” e as “liberdades cívicas” são aqueles em que atinge melhor performance.

A descida de Portugal compreende-se. De facto, entre nós, a participação política é débil e a cultura política um desastre. Exemplos disso surgem todos os dias. Veja-se:

- O ministro Álvaro apareceu de novo para dizer que as críticas ao governo vêm dos ”interesses instalados”. Não disse quais são esses interesses. Calcula-se que sejam os dos desempregados, dos jovens, dos reformados…e de outros portugueses “instalados” na pobreza.
 
- A ministra da Justiça promoveu uma “auditoria” ao apoio judiciário, sem esperar pela verificação dos dados pela Ordem dos Advogados e sem notificar os advogados acusados, para se pronunciarem sobre as alegadas irregularidades. Também avançou com um concurso considerado ilegal. Como se não bastasse, não disfarça a animosidade que vota ao procurador-geral da República e diz do bastonário da Ordem dos Advogados o que Maomé não disse do toucinho.
 
- O ministro dos Assuntos Parlamentares fala da televisão pública como se se tratasse de uma televisão do governo.

- O ministro das Finanças contradiz com a maior naturalidade o primeiro ministro, no Parlamento, sobre quem mandou cortar os subsídios.
 
- Um deputado da maioria entra em transe no Parlamento, a defender o primeiro ministro nas declarações que fez sobre os professores desempregados e manifesta solidariedade com «todos os emigrantes menos um» - «o novo estudante de filosofia em Paris» – referindo -se ao anterior primeiro-ministro, afirmando que esse «não merece a solidariedade de ninguém», palavras que mereceram fortes aplausos das bancadas do PSD e do CDS-PP.
 
De facto, a cultura política e a democracia andam um bocado por baixo. Quem o diz é a revista liberal The Economist….Os liberais de cá não são como os de lá…»
  

   






 John Lewis Christmas Advert 2011




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