sábado, março 17, 2012

Os roteiros esquecidos do cavaquismo


Se Cavaco Silva anda tão interessado em roteiros e prefácios vingativos não se deve limitar aos roteiros que ele inventou para em fim de vida política tentar rever a imagem a tempo de ficar na história. Homenagens como a que fez a Salgueiro Maia ou roteiros como o da exclusão ou os dedicados à juventude não passa de tentativas de branqueamento da imagem passada de Cavaco Silva feita com detergente orçamental pago pelos contribuintes portugueses.
 
Os verdadeiros roteiros da passagem de Cavaco Silva pelo poder não são esses ou apenas esses, há outros que convém recordar:
 
O roteiro do enriquecimento fácil:

É um roteiro muito interessante, até poderia ter um ponto de partida muito original, a Quinta da Coelha onde vivem alguns dos mais bem sucedidos homens de negócios do país, senão mesmo da Europa. Aliás, o Algarve está cheio desses símbolos do novo-riquismo promovido pela gestão corrupta dos fundos comunitários.

O roteiro da corrupção:

Poderia começar pela sede do BPN, logo ali ao lado Cavaco Silva poderia fazer uma visita simbólica ao seu velho amigo Duarte Lima, a residir no EPL. Poderia, então, seguir para a residência d um dos homens que com Duarte Lima e Dias Loureiro fez parte do trio maravilha do cavaquismo, o homem que no tempo de Cavaco Silva acumulou as responsabilidades pela arrecadação das receitas do Estado com a gestão dos dinheiros do PSD. O resultado foi brilhante, o Estado ficou teso, o PSD com sedes novas e o Costa podre de rico.

O roteiro da destruição da economia portuguesa:

Cavaco Silva poderia dedicar-se à arqueologia económica e visitar numerosos lugares onde havia uma animada actividade económica quando chegou a primeiro-ministro e que hoje são desertos. A agricultura que sacrificou  a troco de subsídios para a máquina laranja do latifúndio, as pecas que sacrificou sem contrapartidas, os estaleiros navais, enfim, um grande número de sectores que se afundaram nos tempos do grande primeiro-ministro.

O roteiro do desprezo pela condição social:

Este roteiro poderia ser iniciado no concelho de Setúbal que conheceu a fome e as bandeiras negras, de seguida Cavaco poderia visitar o Alentejo, que o seu governo condenou à pobreza porque não votava PSD. EM ano de seca Cavaco até poderia recordar um outro ano em que sem FMI ficou na memória colectiva como um ano de fome, o Alentejo estava seco, em Setúbal as empresas não pagavam salários, no Vale do Ave as empresas faliam, em todo o país as crianças desmaiavam nas escolas por terem fome.

O roteiro da mistura do Estado com o partido:

Cavaco não teria de fazer grandes deslocações, bastaria atravessar a rua e ir a essa obra do seu regime que é o CCB, agora normalizado com outro símbolo do cavaquismo à frente da sua gestão, um dos septuagenários maravilha deste país. Era no CCB que Cavaco promovia as grandes sessões de apresentação das centenas de novos militantes do PSD. Aí se apresentavam as novas aquisições, desde os muitos chefes dos serviços do Estado que tinham "aderido" ao partido, aos artistas de revista comprados com s dinheiros dos subsídios concedidos pelo secretário de Estado da Cultura, um tal Santana Lopes.

Se o que Cavaco quer é escrever prefácios para rever a história e branquear a sua imagem, não lhe faltam roteiros por documentar em livro. Não lhe faltarão oportunidades para referir comportamentos criminosos que ficarão na história da democracia portuguesa para referir nos seus prefácios.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Pombos na cidade
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Ao sol de Inverno [A. Cabral]
  
  
Jumento do dia


Pedro Passos Coelho

O incidente da gorja do Monteiro dos Transportes à Lusoponte teria ficado sanado e Passos Coelho seria agora alvo de todos os elogios se tivesse tido a coragem de demitir um secretário de Estado incompetente, duvidoso e pouco defensor dos interesses públicos. Em vez disso Passos Coelho tentou enganar os portugueses com argumentos esfarrapados, os Monteiro dos Transportes tentou fazer os portugueses passar por parvos e até uma jornalista do Público parece ter dado em parva.

Passos Coelho ignorou que se apanha mais depressa um mentiroso do que um coxo, agora ninguém duvida que a Lusoponte recebeu uma gorja, que o secretário de Estado dos Transportes, ou é incompetente, ou é idiota ou é corrupto, que o primeiro-ministro exibe muitos gadjets electrónicos mas vai para os debates mal preparado e que este governo só é muito austero com os pobres.

Desmontada a mentira os goebelzinhos da propaganda governamental estão a tentar reparar o irreparável, mandaram o Sol dizer que o desgraçado do Passos Coelho meteu água por causa de um sms mal escrito e para que tudo pareça perfeito fazem uma jornalista tontinha do Público fazer passar a mensagem de que o reembolso já estava há muito combinado e até prevê juros pesados.

A jornalista está mesmo tontinha pois sobre o mesmo diz agora o contrário do que disse há poucos dias, o governo esquece que disse que estava tudo bem e Passos Coelho perdeu a oportunidade de iludir o que é cada vez mais óbvio, tira aos pobres para dar aos ricos.
 
  
O Joãozinho rezando

Chegou-me por email:

Senhor todo poderoso: nestes 2 anos o Senhor levou o meu cantor favorito Michael Jackson! O meu actor preferido Patrick Swayze! A minha dançarina preferida Lacraia! Este ano levou a minha cantora favorita Amy Winehouse! Quero lembrar ao senhor que os meus políticos preferidos são: ANGELA MERKEL, NICOLAS SARKOZY, CAVACO SILVA, PEDRO PASSOS COELHO, PAULO PORTAS, ...
   
 
 

No fundo do túnel

«Os primeiros resultados da opção do Governo por uma austeridade “além da troika” aí estão: segundo o INE, no 4º trimestre de 2011 a recessão na economia portuguesa atingiu os -2,8% e o desemprego disparou, de 12,1% no final do 1º semestre, para 14% no final do ano.
  
Nunca se viu uma coisa assim: mais 96 mil desempregados em apenas seis meses! Segundo o Eurostat, Portugal foi, a seguir à Grécia, o país da União Europeia em que se destruiu mais emprego no último trimestre de 2011 (-3,1%) e as coisas continuaram a piorar no início deste ano, com a taxa de desemprego a atingir uns impressionantes 14,8% em Janeiro.
Como é evidente, mais do que ao abrandamento da economia europeia ou à aplicação do Memorando negociado com a ‘troika', tudo isto se deve, em larga medida, ao estrangulamento causado pela escassez de crédito à economia e, sobretudo, aos efeitos gravemente recessivos de uma vasta bateria de medidas de austeridade do Governo não previstas no Memorando inicial e em muitos casos comprovadamente injustificadas: imposto extraordinário sobre o 13º mês; aumento do IVA da energia e da restauração para a taxa máxima de 23%; aumentos brutais dos transportes públicos e das taxas moderadoras; eliminação dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e dos pensionistas. Mas além disto, que já não é pouco, é preciso contar também com o efeito acumulado de todo um conjunto de outras decisões pontuais do Governo, igualmente não previstas no Memorando e indiscutivelmente responsáveis pelo desemprego de muitos milhares de pessoas: o desmantelamento do programa Novas Oportunidades e a suspensão do programa de requalificação do parque escolar, por exemplo, correspondem a decisões políticas totalmente evitáveis, que só vieram agravar ainda mais a evolução do desemprego.
Menos referidas, mas não menos relevantes para a evolução negativa da economia e do emprego, são as situações de manifesta inoperância do Governo, e em especial do ministério da Economia (mesmo na área das obras públicas, ainda não capturada por outros ministérios). Veja-se o caso extraordinário do Túnel do Marão, investimento de importância reconhecidamente vital para o desenvolvimento da região de Trás-os-Montes: depois de executada a construção em cerca de 70%, as obras, que até aí mobilizavam cerca de 100 empresas (quase todas PME) e garantiam mais de 1300 empregos directos, estão pura e simplesmente paradas praticamente desde que o actual Governo entrou em funções, há já mais de 8 meses (!!), com graves prejuízos para o Estado, para a região, para a economia e para o emprego. Chamado esta semana ao Parlamento para dar explicações, o secretário de Estado das Obras Públicas (sim, o mesmo do caso Lusoponte...) disse que havia um litígio, sem fim à vista, com a concessionária e com o consórcio bancário responsável pelo financiamento da obra - o qual contratou o financiamento em condições muito favoráveis para os interesses do Estado e agora não o quer cumprir. Pelo meio, percebeu-se que o Estado tinha aceite substituir-se ao consórcio bancário, avançando ele próprio com um pagamento de 200 milhões de euros que não lhe era devido - mas, estranhamente, não tratou de assegurar o reinício das obras, que continuam e vão continuar paradas. Por este caminho, o que não vai parar é o aumento do desemprego.» [DE]

Autor:

Pedro Silva Pereira.
   
  
Dança da chuva

«As crises são propícias a gerar conflitos. Casa onde não há pão… E em particular conflitos irrisórios, sem sentido, inúteis. É o caso da mesquinha vingança epistolar de Cavaco Silva ou da disputa ministerial pelos dinheiros do QREN. A este propósito vem-me à memória a célebre frase de Jorge Luís Borges que, comentando a guerra das Malvinas, disse que mais pareciam "dois carecas à luta por um pente". Aplica-se aqui perfeitamente. Dada a política anti-investimento seguida por este governo, é irrelevante quem "mande" nos fundos do QREN. Eles não vão servir para nada, já que a componente financeira local, por diminuta que seja, simplesmente não existe. O país está sem liquidez.

Mas as crises são também propícias ao disparate e à irracionalidade. E não há maior irracionalidade do que a crença em entidades sobrenaturais que supostamente governam a vida do comum dos mortais e até o tempo que faz. Vem isto a propósito da fé da ministra da agricultura na simpatia do divino para com os problemas da seca em Portugal ou do apelo de um bispo qualquer que afirmou que era preciso rezar muito para que a precipitação líquida possa ter lugar.

Algumas tribos de índios norte-americanos eram especialistas na matéria. Habitando as zonas áridas do sul, estes indígenas elaboravam complexos rituais e danças com o propósito de fazer chover. Em vão. A eficácia, como não podia deixar de ser, era nula. Hoje servem para divertir os turistas, muitos deles descendentes daqueles que exterminaram os dançarinos do passado. Não foi com danças que escaparam a um destino cruel.

Alguns investigadores consideram que a crença em entidades sobrenaturais está inscrita no nosso código genético. Milhares e milhares de anos em que a humanidade viveu e sofreu com fenómenos naturais inexplicáveis e um meio ambiente hostil terão gerado uma propensão para acreditar na existência de um controlador superior de tais processos. As religiões mais não são do que a tradução política e cultural dessa inclinação genética.

Com o evoluir do conhecimento e da ciência muita da argumentação religiosa foi caindo por terra e a crença virou-se para uma crescente abstração, de que o chamado "Design Inteligente" é o mais recente dos subprodutos. Neste caso, a divindade é um algoritmo.

Pessoalmente, considero a crença um vírus. O qual, uma vez inoculado na mente, perturba, tantas vezes de forma demencial, a capacidade de raciocínio e observação do portador. Daí que tudo pareça plausível, mesmo as coisas mais fantasiosas como sejam as aparições e os milagres. Também há quem acredite em fantasmas, reencarnações, bruxas, nos astros, nas folhas de chá e por aí adiante. A matéria é tão inesgotável quanto uma perfeita perda de tempo.

A influência deste tipo de vírus nas nossas sociedades, avançadas, tecnológicas e da ciência, continua a ser brutal. Quanta energia inútil consumida em debates alucinados, justificações sem nexo nem propósito? Quanta intolerância, guerras, barbaridades, cometidas em nome das religiões? Quanta perseguição, condicionamento, pavores e perturbações mentais? Quantos abusos? A religião pode ser muito moralista, mas não é moral, nem ética. Desde os padres católicos que abusam das crianças, aos aiatolas que perseguem fanaticamente as mulheres e qualquer expressão de liberdade individual, é difícil entender qual a utilidade efetiva e benéfica para a humanidade de tais práticas. Diz-se que as religiões têm uma função social. Alimentam a alma e dão de comer aos pobres. Mas em troca de quê? Os sem-abrigo que o digam pois antes de lhes servirem a parca refeição são obrigados a rezar.
Como libertário, acho que cada pessoa pode perfeitamente acreditar naquilo que quer. Mas o problema é que as crenças pessoais muitas vezes têm implicações na vida coletiva. Retome-se o caso da fé da ministra da agricultura na benevolência da sua divindade. Ficou à espera, demasiado tempo à espera, e entretanto o país foi secando nalguns casos até ao ponto do irrecuperável. Diz agora que como não foi superiormente atendida a tempo (será que não rezou o suficiente?) vai a Bruxelas, essa divindade mais acessível, pedir fundos. E faz bem. A chuva que Portugal precisa urgentemente é mesmo a de dinheiro. É que anda tudo seco.» [Jornal de Negócios]

Autor:

Leonel Moura.
   
    

Ministro idiota

«Quase três horas depois, e segundo a mesma fonte, a própria assessora de imprensa de Miguel Macedo terá dito que ele viria falar aos jornalistas e que a reunião estava quase a terminar. "A assessora do ministro disse que a reunião estava a terminar e que ele falava, mas o ministro saiu e disse que não prestava declarações".
   
Segundo relato de vários jornalistas presentes - rádios, imprensa e televisão - o ministro terá dado indicação de que, se quisessem, deveriam ser os representantes locais a falar com os media, mas que ele, ministro, não falaria. "Não vou fazer comentários", disse Miguel Macedo à saída.
Pouco depois, a assessora do ministro veio dizer aos jornalistas que, afinal, o ministro da Administração Interna sempre "abria uma excepção" e falaria. Porém, nessa altura, os profissionais fizeram saber que já não estavam interessados em ouvir Miguel Macedo e saíram do local em conjunto.» [Expresso]

Parecer:

Quem se terá lembrado de promover este Macedo a ministro?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um sorriso cínico.»
   

   




sexta-feira, março 16, 2012

Querida Santinha da Ladeira

Quero pedir-te perdão porque os membros do governo comportam-se como teus devotos mas ainda não perceberam que é a ti e não á fulana de Fátima que devem venerar. E peço-te perdão por que este país já está a sofrer em demasia por causa do Gaspar que já não pode pagar pela forma como te tratam.

Eu compreendo que estejas ofendida com a Cristas que em vez de te fazer uma promessa anda em rezas a tudo quanto é santo que não a ajudou a impedir a lei da interrupção voluntária da gravidez. Mas os portugueses não têm culpa de a senhora ter tão pouco jeito para ladainhas como tem para as couves-galegas e já que o Senhor não lhe dá a chuva que pede nas suas preces, escusas de te vingar e mandar trovoada e granizo.

Eu compreendo que aquele Gaspar até à mina santinha tira do sério, o homem não diz coisa com coisa e manda tanto no seu ministério que o secretário de Estado deu quatro milhões à Lusoponte e ninguém falou do ministro. Mas mesmo não o merecendo venho interceder junto da santinha por esta pobre alma penada que veio dar à nossa costa. É que pior do que ter um Álvaro super ministro e a fazer super asneiras é ter um Álvaro sem pastas e com tempo para andar a dizer super disparates.

Eu sei que o Aníbal sempre te ignorou e que até concorreu contigo na devoção do povo mas não te ofendas, não te vingues dessa pobre alma que depois da austeridade do Gaspar deixou de ser uma alma penada para passar a ser uma alma depenada, o coitado já nem tem para a despesas e transformou a piscina da Quinta da Coelho num tanque de criação de douradas. Devias ter pena do homem, já há por aí quem diga que é o Nunes Liberato o verdadeiro presidente, tantos são os momentos em que o Aníbal parece não dizer coisa com coisa.

Ajuda o Gaspar apesar de não merecer, tens de compreender que o rapaz deve ser tido melhor nota a Religião e Moral do que a Econometria quando andou na Universidade Católica, mas não te vingues da sua devoção aos santos oficiais promovendo desvios colossais e erros de previsão. O coitado não acerta uma desde que chegou a ministro. O rapaz não tem culpa, foi a avó Prazeres que quando era pequenino e ia passar férias a Manteigas lhe fez a cabeça, sabes bem como era a mentalidade das beatas das Beiras.

Tem pena do Paulo Portas, percebo que é irritante, que é como as velhas portuguesas, com a idade ficam todas louras, mas não o condenes a vaguear pelo purgatório, eu sei que o rapaz merece umas palmadas nas nádegas, mas condená-lo a andar por aí a negociar com os chineses que o Sócrates trouxe ou a vender o Magalhães do mesmo Sócrates é pior do que o Inferno e pior ainda do que o Inferno é obriga-lo a andar pelo mundo a vender os pastéis de nata do Álvaro. Perdoa-lhe querida santinha, deixa lá o rapaz aparecer por cá com mais frequência.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


"Casa das Varandas", Rua dos Bacalhoeiros, Lisboa

«Para nascente da Rua dos Bacalhoeiros ao lado da Casa dos Bicos fica um prédio famoso. A CASA DAS VARANDAS imóvel adquirido por Domingos José de Sousa (capitão e cavaleiro professo da Ordem de Cristo) e reedificado conforme hoje se encontra a prová-lo está um documento de 01.03.1803 no ajuste entre ele um canteiro e um cabouqueiro, e também o recibo passado por estes empreiteiros em 09.08.1805. Neste imóvel existiram várias "Hospedarias": "ESTRELA"; "VARANDAS"; "ALENTEJANA"; "BEIRA ALTA"; "AURORA SETUBALENSE" e até em 1895 o "NOVO HOTEL MARQUES".» [Ruas de Lisboa com alguma História]
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento


Banda no Mindelo, Cabo Verde [A. Cabral]
    
Jumento do dia


Sérgio Monteiro, (ainda) secretário de Estado dos Transportes

Num país de gente séria o primeiro-ministro não teria sido surpreendido com a generosidade do seu secretário de Estado dos Transportes e Gorjetas ,muito antes de ir ao parlamento teria chamado esse autêntico banco alimentar exclusivo da fome de dinheiro do Ferreira do Amaral e exigir-lhe-ia a fundamentação para a gorja dada à Lusoponte. Perante a ausência de uma explicação credível teria demitido o secretário de Estado por tristeza e má figura.
  
Mas em vez de condenar o infractor, demonstrando aos portugueses que os interesses do país estão acima de qualquer laço de amizade ou de partido, o primeiro-ministro optou por encobri-lo de forma desastrada e apoiar o gesto do seu secetário de Estado, numa prova de que Pedro Passos Coelho é o primeiro-ministro mais imparcial que Portugal já teve, tanto aumenta os impostos e tira os subsídios aos que já têm fome, como também dá quatro milões a quem já está podre de rico.
 
Contente com o carinho do chefe o secretário de Estado anda tão contente que pensa que os portugueses são uns idiotas e até já encontrou uma fórmula brilhante para explicar a sua gorjeta, diz o palerma que não houve um duplo pagamento, mas sim um duplo recebimento. O alarve ainda não percebeu que houve metade daquilo que se designa por corrupção, a Lusoponte recebeu muito mas aparentemente não deu nada em troca ao político. O problema é que em Portugal um funcionário que receba um chouriço vai preso, mas se daqui a dois ou três anos o Monteiro aparecer em administrador da Lusoponte será tratado como um bom chefe de família.

 Chafurdar no vómito

Este país está cheio de gente rasca, já não são sós os pirralhos a quererem chafurdar no vómito ao irem fazer queixinhas ao PGR acusando o anterior primeiro-ministro de responsável pela crise financeira internacional, são alguns jornalistas a terem o mesmo passatempo no julgamento do Caso Freeport e os sindicalistas de toga a inventarem acusações contra os ministros que lhes tiraram algumas mordomias.
 
Pobre país.

 Tolerância de ponto no Natal? Não, obrigado


Este governo está a ficar parvo, vítima das suas asneiras já nem consegue dar a cara pelas suas posições em questões tão simples como dar ou tirar tolerâncias de ponto. Tirou quatro dias aos trabalhadores mas como acha pouco está eliminando as tolerâncias que tradicionalmente eram concedidas, começou pela do Carnaval e agora foi incapaz de justificar a da Semana Santa pelo que nada disse e antecipou em nove meses a decisão quanto à tolerância de ponto do Natal.
  
Se o governo fosse coerente não daria nenhuma tolerância de ponto, aliás, todos sabemos que se pudesse até tiraria os sábados e não tenho a certeza de que alguns membros deste governo não seriam a favor do esclavagismo.
   
A desculpa é tão atabalhoada que até parece que não temos um governo em que há ministros que consideram as rezas uma componente importante do seu desempenho político. Qualquer português que tenha feito a primeira comunhão sabe que a Semana Santa tem mais importância para os católicos do que o Natal, há muito convertido numa festa comercial onde se mistura algum cristianismo com muito comércio.
   
Tal como sucedeu com o Carnaval na próxima Quinta-feira Santa o país vai viver a duas velocidades, a do sector privado que vai de folga e a do sector público que depois de ter dado o exemplo com os cortes salariais é chamada a ser exemplar na escravatura.
   
Sejamos honestos o governo não precisa de dar tolerância de ponto para que as famílias se reúnam no Natal, tanto quanto se sabe ainda não conseguiu tirar o direito às férias, tentou cortar alguns dias mas parece ter recuado. Além disso, sabe muito bem que esse dia costumava servir para fazer contas, portanto, tirar o subsídio de Natal aos funcionários e agora dizer-lhes tomem lá a segunda-feira para irem às compras sem dinheiro é gozar com o país. O governo tenta dar uma ajuda ao comércio mas esquece que o dinheiro ficou nos seus cofres graças a impostos e a roubos salariais.
   
É uma pena que os sindicatos da Função Pública não os tenham no sítio e não rejeitem esta esmola governamental, deveria ser criado um movimento nacional “Queremos trabalhar na véspera do Dia de Natal”.
  

Separação de poderes à portuguesa

A separação entre o poder executivo e os tribunais em Portugal é muito engraçada, quando vestem a toga os nossos juízes cumprem a constituição, mas depois vestem o fato de sindicalistas e usam os tribunais onde são juízes para tentar levar os governantes a julgamento.
  
Esta versão judicial da "Ivone costureira, Ivone patroa" deve-se ao baixo nível de gente que num dia são sub-directores da PJ de um director que dá informações aos jornais, no dia seguinte são juízes e logo a seguir são sindicalistas. Um dia destes ainda vamos ter alguém que é juiz de manhã, ministro à tarde e Presidente da República à noite, nesta República das bananas onde abundam corruptos, oportunistas, filhos da mãe e idiotas tudo vale.

O ordenado de Catroga

Agora os portugueses já sabem porque razão o idoso Catroga vai ganhar 50 mil euros, que é muito mais do que 50 mil pentelhos. Não só sabem como ficaram a perceber que todos estão a contribuir para esse vencimento, como diria o beneficiário da gorja é o efeito redistributivo da austeridade, uns fartam-se de trabalhar passam fome para pagar impostos que servem para financiar as empresas que dão ordenados chorudos a ricaços que não fazem a ponta de um corno.
 
Depois, se os pobre se revoltarem e os oportunistas tiverem de fugir para o Brasil, ou para outras paragens porque por aquelas bandas já não mandam ditadores, vão queixar-se à mãe!

Passos Coelho e as renováveis

Quando estava em causa a instalação de uma fábrica de baterias o governo era contra a aposta nas renováveis. Depois de ter empregue os amigos na EDP o governo defende mais as renováveis do que o Sócrates. Compreende-se, os amigos estão a renovar as contas bancárias.
 
 

 Democracia e demagogia

«Entre a democracia, que pressupõe a transparência na vida pública e a responsabilidade pela gestão dos dinheiros públicos, e a demagogia, vai uma fronteira muito pequena. Ser um bom democrata e defender as virtudes da democracia não significa ser um bom demagogo. Fiscalizar os actos praticados pelo poder político na gestão da coisa pública é sem dúvida uma tarefa fundamental, quando se pedem tantos sacrifícios aos portugueses.
 
Não é tarefa fácil ser-se democrata, mais a mais nesta democracia onde nenhum dos pilares que a estruturam se mantém intocável. A crise de confiança instalada entre o cidadão e os vários poderes públicos, incluindo, naturalmente, o poder judicial, fala por si.
 
A demagogia vive e sobrevive no "ventre" da democracia e aproveita-se de todas as fragilidades desta.
 
Mas para se ser um bom demagogo é preciso ter arte e engenho. Os dirigentes da Associação Sindical dos Juízes, com a queixa-crime que anunciaram deduzir contra alguns ministros do Governo Sócrates, por gastos a mais com cartões de crédito, telefones e outras despesas, não estão a ser bons democratas. Antes uns fracos e frágeis demagogos, com uma consciência de ajuste de contas. E o mais grave é que nem sequer foram bons dirigentes sindicais, desprestigiando a classe dos juízes com esta iniciativa. Tenho sérias dúvidas se os juízes portugueses se revêem neste lamentável acto do seu sindicato. A legitimidade do voto não é ilimitada e não permite tudo.
 
Este é um momento negro para a justiça, que aos olhos do cidadão fica muito mal na fotografia. E nem é tanto pela queixa-crime. É por tudo o que está por detrás desta deplorável iniciativa.» [CM]

Autor:

Rui Rangel.
  
Vida selvagem na EDP

«Há um tipo de assobio que não é de pássaro, nem de pífaro, nem de patife - esse é aquele apito que avisa a aproximação da polícia. Refiro-me ao assobio dos whistleblowers, aquela espécie rara e vital para o equilíbrio do ecossistema que habita nas pradarias de betão da América e que podemos ver nas reportagens sobre a selva capitalista. Ontem deu-se um avistamento desses. Greg Smith, diretor executivo do Goldman Sachs, despediu-se com uma carta em que denuncia os hábitos do mais rentável banco de investimento do mundo. Além de revelar os instintos deste predador da savana económica - "o banco só pensa em fazer dinheiro" -, acrescenta um detalhe: o banco "engana os clientes".
  
Já sei que não é preciso ver um leão comer uma gazela para saber que o leão come gazelas. No entanto, esta crueza animal ganha importância quando fica registada em imagens ou palavras que mordem. Foi isso que Greg Smith fez: assobiou alto e, por isso, denunciou. A Goldman, que faz negócios em Portugal, é um bicho perigoso, e agora temos essa certeza confirmada pelo líder da manada.
  
O que me conduz à EDP. Nos últimos dias falou-se muito sobre o secretário de Estado da Energia que se despediu do Governo. Li há meses a entrevista em que ele dizia serem excessivas as rendas pagas às empresas de energia. Na verdade, o que Henrique Gomes disse foi o que a troika também dissera. Será, portanto, que este governante é um whistleblower português?
É fácil confundir espécies na vida animal. Por exemplo, tartaruga e cágado baralham-se muito. Há até casos em que o nome popular não bate com a definição científica. É o caso da tartaruga-do-amazonas: morfologicamente é cágado, mas tem nome de tartaruga. Acontece o mesmo com Henrique Gomes. Ele falou como político que estava a gerir o que é público (e por isso merece especial respeito), mas está a ser interpretado como fosse um insider que, sabendo tudo, deu com a língua nos dentes.
  
Não é o caso. O secretário de Estado deu a sua visão (externa e, por muito que nos custe, parcial) dos factos, enquanto a EDP fez o mesmo: protege os contratos assinados com o anterior Governo, que se lambia por criar campeões nacionais. O que é estranho nesta história é Passos Coelho ter hesitado sobre o seu lugar nesta selva. Começou por querer ser o herói que caça o predador e acabou por dar um tiro no pé: pediu um estudo, meteu-o na gaveta e deixou o secretário de Estado entregue às feras. Entrada de leão, saída de sendeiro.
  
Convém perceber que a EDP não é um contribuinte normal: tem força. Para negociar não pode ser obrigada - tem de ser convencida -, a não ser que se encontrem irregularidades. Como não é o caso, resta a Passos negociar: ceder numas coisas para ganhar noutras. Por enquanto, só perdeu: perdeu um governante (veremos os efeitos internos) e perdeu espaço de manobra.» [DN]

Autor:

André Macedo.
  
Ou há moralidade

«O omniministro Miguel Relvas informara os portugueses de que as excepções aos cortes salariais na TAP e na CGD foram só "adaptações". Ontem Vítor Gaspar desmentiu-o: os cortes serão aplicados "sem excepções nem adaptações". E repetiu, não fosse Miguel Relvas fazer-se desentendido: "Sem excepções nem adaptações!". E no entanto...
  
E, no entanto, na TAP e na CGD não haverá cortes salariais. Talvez não se trate, de facto, de "excepções nem adaptações", mas de outra coisa qualquer a que o ministro um dia dará o nome apropriado. Mas ou há moralidade ou não comem todos e RTP, ANA, STCP e IN/Casa da Moeda também já exigiram essa outra coisa qualquer, independentemente do nome que tenha.
  
Se a coerência fosse o forte do ministro das Finanças, pelas mesmas razões que TAP e CGD, designadamente o risco da perda de quadros, a coisa qualquer deveria aplicar-se em todas as empresas públicas e em todos os ministérios e institutos. E, do mesmo modo, todas as empresas privadas deveriam, como a Lusoponte, poder meter ao bolso 4,4 milhões, todos os bancos serem contemplados, como o BPN, com uma doação de 600 milhões, todas as construtores serem, como a Mota-Engil, subsidiadas para pagar os aumentos do IRC...
  
O Tribunal Constitucional haveria de, diligentemente, descobrir um expediente jurídico como o da "constitucionalidade temporária" dos confiscos dos subsídios de férias e Natal para tudo isso estar nos conformes.» [Jornal de Notícias]

Autor:

Manuel António Pina.
   

 Manifestações de mansidão lusa

«Oito autocarros da Carris foram apedrejados no Bairro dos Sete Céus, na Alta de Lisboa, entre a noite de quarta-feira e a madrugada desta quinta-feira.

Na origem dos apedrejamentos deverão estar alterações nas carreiras, recentemente implementadas, e o aumento do preço dos passes. Os moradores queixam-se de que a zona deixou de ser servida como anteriormente.» [CM]

Parecer:

O mal é quando começa.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Será que o ministro da Administração Interna está ao serviço ou foi juntar-se à Cristas nas ladainhas pela chuva?»
  
 Um nome bem posto

«Miguel Boieiro, presidente da Câmara Municipal de Alcochete na altura do arranque do processo de licenciamento do Freeport, disse esta quinta-feira que José Sócrates era ministro do Ambiente e, portanto, tinha de ser ouvido no julgamento, que conheceu esta quinta-feira nova sessão.» [CM]

Parecer:

As garças-boieiras costumam comer carraças.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao Boieiro que apresente provas e não insinuações de perdedor ofendido.»
  
 Profissão original

«Nat Garvey, uma britânica de 24 anos, tem um emprego fora do comum: testar brinquedos sexuais. E pode-se dizer que, apesar de insólito, é um trabalho lucrativo, já que anualmente equivale a mais 25 mil libras (cerca de 30 mil euros) na conta bancária de Garvey.» [CM]

Parecer:

Apetece-me sugerir a profissão a alguém mas não posso.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se.»
  
 Duarte Lima entrou para o clube dos famosos

«No site da interpol, informação sobre o ex-deputado é apresentada com carimbo vermelho, cor que significa os crimes mais graves. A maioria dos cidadãos nacionais são procurados pela justiça brasileira.
 
O nome de Duarte Lima só agora foi colocado na lista online onde constam os dos homens mais procurados do mundo. Ao lado do advogado português há mais onze portugueses acusados de crimes contra a vida - que é o crime por que está acusado Lima no Brasil -, crime organizado, uso e posse de armas, tráfico de seres humanos e fraudes.» [DN]

Parecer:

Um momento alto do cavaquismo.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao seu padrinho político.»
  
 Obrigadinho ó Passos!

«"A decisão do Governo é que durante o ano de 2012 não haverá tolerâncias de ponto à exceção do dia 24 de dezembro", anunciou o secretário de Estado da presidência do Conselho de Ministros, Luís Marques Guedes.» [DN]

Parecer:

Os sindicatos dos funcionários públicos deviam rejeitar a tolerância de ponto.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Crie-se um movimento contra a esmola.»
  
O Alberto começa a dar o dito por não dito

«"Não há uma dívida de seis mil milhões, são cinco mil milhões e tal, e indevidamente, a República Portuguesa atribui à Região duas dívidas que rejeitamos e não pagamos: a da ANA (Aeroportos e Navegação Aérea), onde apenas a Região tem 20%, e as dos municípios, que são entidades públicas diferentes da administração regional", disse Jardim quando discursava no encerramento do debate do Orçamento e Plano do arquipélago para 2012, propostas que foram aprovadas na generalidade apenas com os votos da maioria do PSD.» [DN]
Parecer:

Começa a ser evidente que o Alberto não vai pagar um tostão, quando chegar o dia do pagamento da primeira tranche já a troika estará longe de Portugal e o Passos Coelho fará o que o senhor da Madeira lhe mandar, perdoa-lhe a dívida o que, aliás, não é nada de novo nos governos do PSD.
 
Sem dívidas a direita estará em condições de avançar para a independência da Madeira.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
António Borges administrador do Pingo Doce

«A Sociedade Francisco Manuel dos Santos, accionista da Jerónimo Martins, propôs hoje o alargamento do conselho de administração da empresa para 11 membros, com a entrada do economista António Borges e do responsável financeiro Alan Johnson como vogais.» [DE]

Parecer:

È compatível com o exercício de responsabilidades governamentais?

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Passos Coelho.»
  
A anedota do dia

«No encerramento do debate de urgência marcado para discutir o QREN, Santos Pereira descreveu o PS como estando minado pelas guerras internas. Garantiu que está empenhado em combater os interesses instalados na economia nacional e as rendas excessivas. Zorrinho disse que o ministro não tem sentido de Estado.» [Jornal de Negócios]

Parecer:

Este anda, anda e ainda sai mais cedo do que o combinado.
  
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»