sábado, abril 28, 2012

Outra vez o oásis

Se tivesse sido Passos Coelho a prever que no segundo semestre a economia portuguesa vai crescer ninguém o levaria a sério, é verdade que é licenciado em gestão de empresas mas deve ter aprendido tanto de economia como teria aprendido numa daquelas universidades americanas com cadeiras do género basket I, basket II e basket III, o sô Álvaro que o diga. Não se pode confiar em alguém que não sabe o que ministro disse no dia anterior e que se tivesse de se apresentar num exame da quarta classe antiga com a preparação com que vai aos debates parlamentares seria chumbado. Mas enfim, podemos ficar tranquilos quanto à validade das suas habilitações, também foram obtidas quase na terceira idade mas foi na Universidade Lusíada e não na Independente, que é mais ou menos a mesma diferença que há entre ir de Metro ou ir de autocarro da Carris.
  
Mas quem fez a brilhante previsão foi alguém que os portugueses elegeram para em presidente (em má hora, mas para mal dos nossos pecados foi mesmo eleito), foi o professor Cavaco Silva, doutorado em Economia em Londres, pensionista do Banco de Portugal, antigo professor da Católica depois de se ter pirado da Nova, o homem que pouco ou nada sabe desses nomes em inglês do mercado de acções, mas sabe de economia que se farta.
  
A Europa está à rasca, o Cameron pede um programa para o emprego, o Monti pede o mesmo, o Rajoy borrifa-se nas regras do défice, o Sarkozy está à beira de ir tirar um curso acelerado de puericultura para ajudar a bela Bruni a cuidar do Sarkozinho, mas há um país feliz por ser o que sofre de boa vontade as medidas de austeridade mais dura, um país que achou que a dose da troika era pouca e que adora austeridade, o primeiro-ministro desse país é o nosso Passos, o maior apoiante dos ditames do banco central alemão.
  
As estradas do país estão sem trânsito, os cafés e restaurantes estão às moscas, os portugueses andam na rua sem o tradicional sorriso, parecem zombies nos supermercados em busca das promoções, as escolas abrem nas férias para matar a fome aos seus alunos, as receitas fiscais descem abruptamente, as cadeias de vestuários criam linhas para os portugueses tesos, o fisco vende 90 casas por dia e a banca vende outras tantas.
  
Pois é neste país condenado pelo Vítor Gaspar à miséria temporária, onde os optimistas previam uma recessão de 3,3% que o brilhante professor de economia prevê crescimento económico. Compreende-se a razão porque Passos Coelho e Gaspar não queriam ouvir falar de uma agenda de crescimento, se com as medidas brutais a economia começa a crescer seis meses depois, imaginem o que seria se em vez de austeridade tivesse sido adoptada uma política expansionista, teríamos um crescimento de deixar os chineses de olhos em bico e depois seria uma chatice, em vez de serem eles a comprar a EDP teríamos de ser nós a adquirir a Barragem das Três Gargantas. Ficarmos sem o Catroga seria uma perda irreparável, ainda por cima dizem que os chineses não são lá muito fartos em pentelhos.
  
Cavaco tem razão, este país é um oásis, temos um presidente que mete mais água que a Fonte Luminosa, não faltam camelos, há palmeiras por todo o lado e nem sequer falta quem tenha experiência em trepá-las. Depois de prémios Pritzker que nos enche a peitaça de orgulho e nos leva a olhar a Merkel de cima para baixo (ainda que não se ganhe grande coisa olhando para baixo) arriscamo-nos a ganhar a Framboesa de Ouro, o prémio atribuído ao pior filme porque é isso que está a ser este segundo mandato presidência do Cavaco, um filme mau, de mau gosto, pouco honesto e com um artista que já não sabe estar em palco.

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Fuinha-dos-juncos, Lisboa
Imagens dos visitantes d'O Jumento






  
Garças-reais, Alcochete [A. Cabral]
  
A mentira do dia d'O Jumento

O presidente da República Cavaco Silva foi ao Minho dizer que devemos ter esperança, que acredita que no próximo semestre poderão vir a ser encontrados dinossauros vivos no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Jumento do dia


Cavaco Silva

Com o desemprego a crescer exponencialmente, o défice público a aumentar, a recessão nos 3,3% só algum demente prevê que a economia cresça no segundo semestre. Só um demente se tem em tão alta consideração que considera que o seu optimismo leva os portugueses a consumirem para a economia crescer. Só um demente tudo faz para a economia se afundar quando não gosta do governo e recorre à falsa análise económica quando o governo é do seu gosto.

Este Cavaco Silva acha mesmo que consegue mudar o rumo da economia com um mero discurso de quem, já todos se esqueceram , ao qual a maioria nem prestou atenção e uma boa parte dos que o ouviram riram-se à gargalhada.

Este Cavaco faz lembrar o Miguel Relvas quando assegurou que se a direita ganhasse as eleições baixariam as taxas de juro da dívida portuguesa.

«"Eu tenho alguma esperança de que já no segundo semestre deste ano, a nossa economia possa inverter e possa começar a crescer", disse o Presidente da República discursando na sessão solene nos paços do concelho.
  
O PR adiantou que em Penela, "como em muitos outros concelhos do país", existem hoje "sinais muito positivos" de empreendedorismo, inovação, criatividade e de iniciativas de aproveitamento dos produtos locais e de empresas exportadores "que conseguem conquistar mercados" no exterior. "Sinais positivos de que Portugal, com certeza, vai ultrapassar as suas dificuldades", disse o PR.» [CM]

Finalmente um bom remate à baliza de Passos Coelho


Toponímia

A propósito da Rua do Caga Fogos um visitante sugeriu que pelos impostos com que tem queimado os portugueses fosse dedicada ao Vítor Gaspar. Mas não queremos que os outros ministros se mordam com inveja e vamos sugerir a criação de algumas ruas, a Rua do Caga Berços para dedicar ao Lambretas, a Rua do Caga Pastéis para dedicar ao inconfundível sô Álvaro, a Rua do Caga Tachos para dedicar à insubstituível Dra. Paula, a Rua da Caga Taxas para dedicar à bela Cristas, a Rua do Cada Murros para lembrar o Macedo das polícias, a Rua do Caga Missa para lembrar o Opus Macedo.
 
 

Manifesto sobressalto

«"É altura de os Portugueses despertarem da letargia em que têm vivido e perceberem claramente que só uma grande mobilização da sociedade civil permitirá garantir um rumo de futuro."(1)

"É oportuno tomar uma posição clara contra a iniquidade, o medo e o conformismo que se estão a instalar na nossa sociedade."(2)

"Precisamos de uma política humana, orientada para as pessoas concretas, para famílias inteiras que enfrentam privações absolutamente inadmissíveis num país europeu do século XXI."(3)

"Portugal é já o país da União Europeia com maiores desigualdades sociais."(4)

"Precisamos de um combate firme às desigualdades e à pobreza que corroem a nossa unidade como povo."(5)

"O rumo político seguido protege os privilégios, agrava a pobreza e a exclusão social, desvaloriza o trabalho."(6)

"A expectativa legítima dos Portugueses é a de que todas as políticas públicas e decisões de investimento tenham em conta o seu impacto no mercado laboral, privilegiando iniciativas que criem emprego ou que permitam a defesa dos postos de trabalho. [...] Exige-se, em particular, um esforço determinado no sentido de combater o flagelo do desemprego."(7)

"As medidas e sacrifícios impostos aos cidadãos portugueses ultrapassaram os limites do suportável. Condições inaceitáveis de segurança e bem-estar social atingem a dignidade da pessoa humana."(8)

"Sem crescimento económico, os custos sociais da consolidação orçamental serão insuportáveis. [...] Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos."(9)

"O contrato social estabelecido na Constituição da República Portuguesa foi rompido pelo poder."(10)
"Precisamos de gestos fortes que permitam recuperar a confiança nos governantes e nas instituições."(11)
"Queremos apelar ao Povo português e a todas as suas expressões organizadas para que se mobilizem e ajam, em unidade patriótica, para salvar Portugal, a liberdade, a democracia."(12)

"É necessário um sobressalto cívico."(13)

"Queremos reafirmar a nossa convicção quanto à vitória futura, mesmo que sofrida, dos valores de Abril no quadro de uma alternativa política, económica, social e cultural que corresponda aos anseios profundos do Povo português."(14)

"Façam ouvir a vossa voz. Este é o vosso tempo. [... ] Mostrem que não se acomodam nem se resignam."(15)

(Ímpares: discurso de tomada de posse de Cavaco Silva, 9 de março de 2011; Pares: Comunicado da Associação 25 de Abril, 23 de abril de 2012)

Conclusão: "Com o espírito do 25 de Abril, juntos iremos vencer. Obrigado." - Cavaco Silva, 25 de abril de 2012.» [DN]

Autor:

Fernanda Câncio.
  
Revolução no discurso

«38 anos depois, a manhã do dia 25 de Abril voltou a surpreender os portugueses com uma revolução – só que, desta vez, a revolução aconteceu no discurso do Presidente da República.

A coisa foi tão ostensiva que não podia passar despercebida. Ouvido este discurso tão optimista, é impossível não recordar que, com outro Governo, este mesmo Presidente usou as suas intervenções justamente para promover uma visão parcial, distorcida e negativa do País, em que chegou ao ponto de arquitectar a doutrina míope da "década perdida". É impossível não recordar como tantas vezes desautorizou as tentativas de sublinhar o progresso que o País fez e como ele próprio se opôs, em momentos críticos, a que fosse contestada a avaliação negativa de Portugal injustamente feita pelas agências de ‘rating' e pelos mercados capturados pela especulação financeira (com o argumento memorável de que "não se pode insultar os mercados"...). Tal como é impossível não recordar que, por muito menos (no tempo em que trabalhadores e pensionistas ainda recebiam o 13º e o 14 mês por inteiro...), este mesmo Presidente, em vez da pedagogia da consolidação orçamental, optou por fazer sonoras advertências sobre os limites para os sacrifícios exigidos aos portugueses - assunto que agora, vá-se lá saber porquê, não lhe ocorreu retomar.

Subitamente, numa manhã de Abril, parece que tudo mudou. O Presidente descobriu que existe lá fora "a intenção deliberada de fornecer um retrato negativo do nosso país, de evidenciar apenas uma parte da realidade". Pior: descobriu (imagine-se!) que "essa percepção negativa é veiculada internamente, constituindo um factor de desmobilização dos cidadãos e prejudicando as expectativas dos agentes económicos". Por sorte, o Presidente chegou agora também à conclusão, aliás muito oportuna, de que "corrigir a falta de informação ou até a desinformação que subsiste no estrangeiro" já não é vender ilusões, nem recorrer à ficção ou à propaganda. É, isso sim, e cito: "fornecer um retrato realista e positivo de Portugal".

Perguntar-se-á: de onde veio este espírito positivo com que o Presidente espera agora mobilizar o ânimo dos portugueses e convencer o Mundo? Os argumentos apontados no discurso do Presidente poderão surpreender os espíritos mais sensíveis mas resumem-se nisto: as razões para acreditarmos no futuro residem no progresso que o País fez principalmente na última década - a tal que se dizia perdida!

Não resisto a recordar a enumeração do Presidente: a duplicação do investimento em Investigação e Ciência ao longo da última década e os progressos em número de diplomados, doutorados, centros científicos e tecnológicos e indicadores de produção científica; os exemplos de inovação e modernização tecnológica, incluindo em muitas empresas dos sectores tradicionais; os avanços no domínio energético, sobretudo nas energias renováveis; o dinamismo nas áreas da cultura, da arquitectura, das artes plásticas, da moda e das indústrias criativas; a afirmação do prestígio de Portugal, através da eleição para o Conselho de Segurança, das presidências portuguesas da União Europeia e do próprio Tratado de Lisboa.

Acredite-se ou não, até o próprio investimento em infra-estruturas foi elogiado pelo Presdiente quando registou que "no passado, soubemos dotar-nos de infra-estruturas necessárias e de qualidade" que agora nos destacam positivamente no confronto com outros Estados da União Europeia" e contribuem para que Portugal ofereça "condições competitivas para atrair o investimento estrangeiro". Uma surpresa? Certamente. Mas as revoluções são mesmo assim.» [DE]

Autor:

Pedro Silva Pereira.
  
A reforma do Estado da socialista Cristas

«A ministra Assunção Cristas, ao melhor estilo socialista, decidiu resolver um problema de despesa pública – de saúde pública e segurança alimentar – com mais um imposto que, necessariamente, acabará por ser pago por todos os consumidores. Ai está um bom exemplo da nossa história, pelo menos, na última década.

Assunção Cristas, uma ministra que cumpre a quota do CDS-PP, é bom lembrar, fez aprovar ontem, em conselho de ministros, uma nova taxa a aplicar aos estabelecimentos de comércio alimentar, por grosso e a retalho, de valor não estabelecido, destinada a financiar um fundo sanitário e de segurança alimentar. Importa-se de repetir? Mais uma taxa, e bem poderia dizer um imposto? Para quê?

Em primeiro lugar, já existem taxas e impostos que suportam a saúde, segurança e higiene alimentar e, que se saiba, Portugal foi dos países mais rigorosos na transposição de directivas comunitárias sobre esta matéria. Pagos por quem tem de os pagar, os produtores. Agora, a justificação é a de que a distribuição tem também de contribuir, mas a ministra sabe o que está realmente a dizer, é que serão os consumidores a financiar esse novo fundo.

Assunção Cristas não está a dizer toda a verdade para justificar um confisco, idêntico a tantos outros, tantas vezes denunciados pelo CDS-PP quando estava na oposição. "Connosco, não contem com mais impostos que asfixam a economia, as empresas e as famílias", diziam Paulo Portas e Assunção Cristas em campanha eleitoral. Pois...

Qual é a verdade, que não está do decreto-lei? Os animais que morrem nos campos, por morte natural ou por uma qualquer praga ou doença, têm de ser recolhidos, obviamente por razões sanitárias e de higiene e segurança. Duas empresas, privadas, prestam esse serviço ao Estado, que custará qualquer coisa como 12 milhões de euros por ano. Ora, como a ministra não tem dinheiro para pagar este serviço, até agora financiado pelo orçamento, preferiu a opção mais fácil, e tentacular. Lança um novo imposto sobre um sector, a distribuição, que, sabe, vai fazê-lo repercutir no consumidor. É quase tão fácil como agravar o IRS, é dinheiro em caixa.

Portanto, dito de outra forma, Cristas arranjou maneira de pôr os consumidores a subsidiar os produtores numa matéria que, obviamente, lhes compete a eles. Não é responsabilidade de um produtor garantir que os seus produtos alimentares cumprem as regras de saúde de higiene? E isso já não deveria estar repercutido no preço de venda à distribuição?

A Distribuição não precisa de defesa, pelo contrário. Embora seja importante distinguir as árvores - Continente e Pingo Doce - da floresta - um sector a atravessar uma profunda crise, o novo imposto alimentar ‘produzido' por Assunção Cristas é uma forma, expedita, de sacar mais dinheiro aos contribuintes/consumidores em vez de avaliar os recursos financeiros que já são alocados a esta área e utilizá-los da melhor forma, de forma mais eficaz e eficiente. E sabe-se como a agricultura é um terreno muito fértil para fazer desaparecer dinheiro.

Se esta é a reforma do Estado que nos está prometida, o Governo não ter dificuldade em arranjar mais taxas e/ou impostos que sejam justificados pela necessidade de um qualquer produto ou sector. E ainda por cima, com as contas públicas garantidas.» [DE]

Autor:

António Costa.

PS: porque será que o autor trata a Cristas por socialista ou associa ao PS a criação de taxas? Se o homem quer criticar a Cristas então que a critique pois até tem razão para fazê-lo, mas faça-o sem que implique terceiros nas asneiras da bonitona do CDS, até porque em matéria de criação de taxas a direita é campeã. Neste ponto António Costa não foi lá muito honesto, percebe-se que lhe custe engolir algumas medidas da sua direita e do seu governo, mas deixe os que nada têm que ver com as e os Cristas e com as suas asneiras e abusos.

Coisas estúpidas

«Vivemos numa sociedade de muita opinião, muita controvérsia, muitas ideias discordantes. E ainda bem. Mas é frequente surgirem atitudes que ultrapassam a disputa ideológica ou a diferença de perspetiva e não são mais do que mera estupidez. Escolhi três exemplos recentes.
  
Rui Rio surgiu em cena como um daqueles políticos que aparecem para "pôr ordem na casa", conquistando de imediato a adesão popular e o apreço dos que gostam de autoritarismo. Na Câmara do Porto investiu contra funcionários calaceiros e alguma corrupção, enquanto na cidade, para além de enfrentar o poderoso Futebol Clube do Porto, se dedicou com particular agressividade a combater a cultura e os seus vícios. Muita gente aplaudiu.
  
Ao despejar brutalmente a chamada Escola da Fontinha, Rui Rio não cometeu só um erro político motivado pela sua intolerância ideológica. A coisa foi bastante estúpida. E porquê?
  
Porque fazendo carreira no populismo mostrou as garras contra o povo. A Escola fica num bairro pobre onde faltam atividades e apoios. A Escola fornecia um serviço importante para a comunidade tomando conta de crianças e jovens, ocupando idosos e gente desamparada. Mas pior. Rui Rio não parece entender o que é uma cidade moderna. Que não se faz só de prédios, centros comerciais, ruas e normas, mas necessita de lugares de encontro livre, solidário e criativo. Pelo menos desde a década de 70 que por essa Europa fora são muitas as cidades que cedem edifícios abandonados a jovens e cidadãos de forma a garantir alguma coesão social. O oposto é o ócio, a droga e a delinquência. É isso que Rui Rio quer? Se é, terá.
  
Não menos estúpida foi a condenação recente a pena de prisão de um jovem por partilhar três músicas na Internet. Estupidez que não cabe tanto ao juiz que mais não fez do que cumprir a lei. Ainda que lhe tenha faltado algum bom senso. A estupidez está, por inteira, na lei.
  
Esta tendência de tudo criminalizar gera as maiores perversidades. Veja-se o caso da droga que ao passar do experimentalismo lúdico dos anos 60, para caso de polícia, gerou o crime organizado que hoje mina todas as sociedades desenvolvidas.
  
Quanto mais se criminaliza a droga, mais o crime aumenta. Será que também aqui é isto que se pretende com a partilha de música na Internet? Vamos transformar a maioria dos jovens em criminosos?

Mas é o caso de Alan Turing que, esta semana, ganha o grande prémio da estupidez. Poucas pessoas saberão quem foi Turing. E, no entanto, a ele devemos o nosso modo de vida, esta nossa sociedade das máquinas e da informação.

Alan Turing nasceu em Londres a 23 de Junho de 1912. Cedo se interessa por lógica matemática. Conheceu, estudou e partilhou conhecimentos com Bertrand Russell, John von Neumann e Ludwig Wittgenstein. A ele se deve, entre tantas outras coisas, a redefinição do conceito de algoritmo, hoje profusamente usado em cálculos, processos e máquinas. Em 1936 cria a chamada "Turing Machine" que está na base dos computadores modernos.

Apanhado na II Grande Guerra, trabalha no departamento de Criptoanálise em Bletchley Park, centro que procurava decifrar as mensagens encriptadas pela máquina Enigma dos alemães. O papel de Turing é decisivo e reconhecido, dando assim um contributo essencial para o desfecho da Guerra.
  
Nos anos seguintes, então famoso no meio académico e muito apreciado, Turing continua o trabalho, sendo notáveis e pioneiros os seus textos sobre Inteligência Artificial.

Sucede que Alan Turing era homossexual. Em 1952 é preso, julgado e condenado à castração química. Para além da humilhação, o processo é cruel e causa inúmeros efeitos secundários como perda de cabelo, feminização e osteoporose.

A 8 de Junho de 1954 suicida-se com uma maçã com cianeto.

Mas a história não acaba aqui. Após uma campanha pública, Gordon Brown aceita pedir desculpa pelo tratamento que foi dado a Alan Turing e propõe que seja concedido um perdão oficial. Agora, no ano em que se comemora o centenário do seu nascimento, David Cameron, o atual primeiro-ministro inglês, vem dizer que não há lugar a nenhum perdão porque, à época, era proibido ser homossexual. Haverá atitude mais estúpida?» [Jornal de Negócios]

Autor:

Leonel Moura.
   

Merkel já "despachou" o Sarkozy?

«A chanceler alemã fez saber hoje, através do seu porta-voz, que está disponível para "trabalhar com qualquer presidente francês, qualquer que le seja".» [DN]

Parecer:

Pobre Sarko, abandonado pela tia.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Esta direita tem um belo conceito de solidariedade..»
  
Quem queria acabar com os institutos?

«O Governo decidiu alargar o regime especial dos institutos públicos a, pelo menos, quatro novas entidades, libertando-as da obrigação de indexar os salários dos seus gestores aos praticados na administração central.

As alterações aprovadas ontem, em Conselho de Ministros, fazem com que suba para 14 o número de organismos com este estatuto, que permite que passem a reger-se pelas regras remuneratórias das empresas do Estado, possibilitando-lhes pagar vencimentos mais elevados.

De acordo com o comunicado divulgado ontem pelo Governo, este regime especial, que já tinha sido atribuído a dez entidades aquando da revisão da lei-quadro (em Janeiro), passou a abranger todos os "institutos públicos cujos diplomas orgânicos prevejam expressamente a existência de atribuições relacionadas com a gestão (...) de apoios e de financiamento assegurados por fundos europeus".

O PÚBLICO apurou que este grupo inclui, pelo menos, quatro organismos. São eles o Instituto de Gestão do Fundo Social Europeu, o Turismo de Portugal, o Instituto do Emprego e Formação Profissional e ainda o Instituto Financeiro de Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura e Pescas. Com este alargamento, passam a ser pelo menos 14 as entidades com direito a este estatuto, uma vez que as outras dez já tinham sido incluídas, entre as quais o Instituto Nacional de Estatística e o Infarmed, por exemplo.» [Público]

Parecer:

O governo não só não acaba com os institutos como lhes dá mais liberdade para gastar.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
Este Gaspar parece ter qualquer coisa contra a democracia

«O ministro das Finanças mostrou ontem abertura para "emendar" o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) na Assembleia da República. A oposição acusou o Governo de estar a violar a Lei de Enquadramento Orçamental (LEO), uma vez que o PEC vai para Bruxelas no mesmo dia em que chega ao Parlamento.

O documento será aprovado na reunião do conselho de ministros extraordinário, de segunda-feira, juntamente com o Documento de Estratégia Orçamental (DEO) e "serão submetidos à Assembleia da República e enviados imediatamente de seguida como documentos de trabalho sujeitos a emenda para a Comissão Europeia e restantes instituições integrantes da ‘troika'", disse Vítor Gaspar, no Parlamento.

De acordo com o calendário actual, o PEC teria de ser entregue no Parlamento até 30 de Abril. Esse prazo vai ser cumprido, mas a oposição alega que não está a ser respeitado o prazo de 10 dias úteis para ser apreciado antes do envio para Bruxelas. O Governo responde que o que vai seguir para a Comissão Euroeia é apenas um documento de trabalho, que pode ser alterado no Parlamento.» [DE]

Parecer:

Pois Parece.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Gaspar que faça um curso acelerado de democrata. quanto mais não seja para constar no currículo.»
  
José Seguro "agarra" Passos Coelho

«António José Seguro tomou esta atitude perante os jornalistas, depois de o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, durante o debate quinzenal, ter recusado a acusação do PS de estar a apresentar o PEC nas costas do Parlamento, sustentando que Portugal está dispensado da sua apresentação por estar sob assistência financeira.

“Nós não iremos apresentar PEC nenhum e até estranho que o senhor deputado [António José Seguro] tenha ressuscitado os mal-amados PEC. Estando o Governo sob assistência financeira, está dispensado de apresentar o PEC e não irá apresentar nenhum PEC, afirmou o chefe do executivo na parte final do debate quinzenal da Assembleia da República.

Após estas declarações de Pedro Passos Coelho, o secretário-geral do PS respondeu para contrariar as palavras do primeiro-ministro. “Vou ler uma portaria de 17 de Abril de 2012”, no qual se escreve que “a 30 de Abril” há “submissão do PEC à União Europeia. Esta portaria é deste Governo, não tenho mais nada a dizer”, disse António José Seguro.

Perante a insistência dos jornalistas, o secretário-geral do PS ainda referiu que é público que “o Governo convocou para segunda-feira, precisamente dia 30 de Abril, um Conselho de Ministros extraordinário para adoptar um conjunto de documentos importantes, tendo em vista enviá-los para Bruxelas”.» [Público]

Parecer:

Este incidente só prova como tem sido um erro a passividade de Seguro e que Passos Coelho só tem sobrevivido graças a essa passividade.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelos próximos episódios.»
  
Egipto vai legalizar sexo com mulheres mortas

«Os maridos egípcios vão ter, em breve, o direito de fazer sexo com as esposas mortas, até seis horas após o último suspiro da mulher. O pacote legislativo em estudo baixa, ainda, para 14 anos a idade mínima legal para casar.

O novo parlamento do Egito, dominado pelos islamistas, está a preparar um pacote legislativo que choca vários setores da sociedade do país. Das medidas reveladas, a mais controversa pretende aprovar o "sexo de despedida", legalizando a possibilidade do marido fazer sexo com a mulher, até seis horas após a hora da morte da companheira.» [JN]

Parecer:

Digamos que é mais ou menos a mesma coisa que alguns dos nossos jornalistas fazem, fazem mais notícias sobre o Sócrates do que sobre o Passos Coelho.

Devem andar por aí uns solidários com os lutadores pela democracia egípcios muito felizes por terem derrubado a ditadura brutal do Mubarak para agora terem este exemplo de democracia dos extremistas islâmicos. 
  
Cavaco vai mesmo ajudar o seu pobre país

«O Presidente da República insistiu hoje na promoção da imagem do país no estrangeiro e garantiu que está a fazer diligências nesse sentido. “A retórica é capaz de dar bons discursos, mas não resolve o problema do desemprego”, disse depois de inaugurar a sede do NEVA – Núcleo Empresarial de Vagos.» [Público]

Parecer:

Já era sem tempo que Cavaco chegasse à conclusão de que havia uma maioria e um presidente, reunindo-se as condições para que ele concluísse que o país merecia ser ajudado. O Jumento apurou que as agências de viagens chinesas já não têm charters disponíveis, que os produtores alemães estão preocupados com o efeito da simpatia de Cavaco nos seus clientes pois isso pode levar à substituição da cerveja pelo vinho a martelo luso, que os brasileiros receiam a fuga dos turistas para o Carnaval de Torres deixando o sambódromo às moscas, até os escoceses receiam um futuro difícil para o Whisky pois a bebida da moda vai ser o nosso bagaço.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Agradeça-se a Cavaco Silva e proponha-se uma missa de acção de graças para agradecer a Deus porque em boa hora o povo elegeu o senhor da Quinta da Coelha.»
  
A Paulinha tenta desviar a atenção

«A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, considerou "grave e preocupante" o número de reclusos nas cadeias portuguesas, no dia em que se iniciou o curso para 240 novos guardas prisionais.

"Não estamos ainda tecnicamente em sobrelotação, mas a situação é grave e preocupante", disse aos jornalistas Paula Teixeira da Cruz no final da sessão inaugural do curso de formação do corpo da guarda prisional, que decorreu no Estabelecimento Prisional de Lisboa.» [JN]

Parecer:

Isto começa a ser ridículo, nunca se viu um ministro a abrir cursos de guardas prisionais e por este caminho o António Costa ainda se vai lembrar de convidar Cavaco Silva para abrir o próximo curso de jardineiros da Câmara Municipal de Lisboa. Mas compreende-se o "investimento" da ministra, sempre é mais tranquilo falar de falta de camas nas cadeias do que de chantagens sobre o Tribunal Constitucional.

Mas a ministra tem uma solução para resolver a sobrelotação nas cadeias, faz como o seu colega lambretas fez nas creches e nos lares de idosos, basta duplicar as camas, onde dorme um preso passam a dormir dois.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a sugestão à Paula.»
  
As coisas que o Mexia sabe... e fica a saber

«Henrique Gomes, que está numa audição na Comissão Parlamentar de Economia para falar sobre o processo relativo às rendas excessivas na produção de electricidade, questionou como é que o presidente da EDP teve acesso a um estudo realizado por uma unidade da Universidade de Cambridge, no âmbito dos compromissos assumidos com a troika no memorando de entendimento.

Henrique Gomes sublinhou que Mexia conhecia o estudo horas depois de o documento ter sido entregue pelo ministro da Economia ao Governo. Em causa estava a identificação de rendas excessivas na produção eléctrica em Portugal.» [Público]

Parecer:

Digamos que o Mexia como toda a gente que tenha dinheiro para pagar a informação a quem a tem disponível para a vender anda bem informado. Além disso, o Mexia até já foi ministro de um governo do PSD pelo que é de esperar que até tenha direito a um desconto e consiga a informação sem ter que comprar agentes secretos descuidados, é mais fácil comprar adjuntos ou mesmo governantes que em tempo de austeridade até deverão estar em saldo.
  
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se ainda que tudo isto nos dê vontade de chorar.»
  

   




sexta-feira, abril 27, 2012

Andam, andam e ainda vão lá

À medida que perdem o medo de que Sócrates regresse vão-se ouvindo umas vozes dizendo coisas quase inacreditáveis, uma colunista do Diário Económico elogia os resultados do SNS e Cavaco Silva quase propôs que o Palácio de São Bento passasse a ser conhecido por Palácio de São Sócrates. Até o pequeno Gaspar já deixou de falar em desvios colossais e assume que a política económica errou por fazer apostas erradas, até se deixou de falar do parque escolar e desde que a Assunção Cristas meteu uns amigos na Parque Expo até esta empresa é quase exemplar. Dir-se-ia que por este andar ainda o Vasco Graça Moura subscreve o acordo ortográfico.

Andam, andam e ainda vão começar a fazer comparações.

Andam, andam e ainda vão comparar os investimentos em obras públicas dos últimos anos com os do tempo de Cavaco Silva, ainda vão comparar os custos do IP5 com os das auto-estradas e contar o número de portugueses que morreram naquela estrada. Andam, andam e ainda vão avaliar os custos da evolução da sinistralidade caso estes investimentos não tivessem sido feito.

Andam, andam e ainda comparar os custos e a qualidade das novas escolas feitas noutros tempos, todas iguais e em pré-fabricados de má qualidade com as que foram feitas recentemente e que tanto irritam gente que ainda está no tempo em que a escolaridade obrigatória ia até ao 3.º ano.

Andam, andam e ainda vão comparar os custos e resultados do SNS há quinze anos atrás com os actuais, tendo em consideração a evolução dos custos, das novas doenças, das novas tecnologias e os novos tratamentos e ainda vão concluir que no passado

Andam, anda e ainda vão contabilizar os custos do processo Freeport, onde estava em causa uma mera suspeita de desvio de meia dúzia de euros, com o que foi gato no caso das luvas nos submarinos que segundo o MP alemão foram de muitos milhões, ainda vão concluir que usaram o dinheiro dos contribuintes para perseguições políticas enquanto deixaram os criminosos prosseguirem as suas vidas tranquilamente.

Andam, andam e ainda vão comparar os investimentos no país em universidades e investigação e ainda chegam à brilhante conclusão de que Portugal conseguiu mais com menos dinheiro.

Andam, andam e ainda vão fazer com que os mesmos que votaram na direita tenham saudade dos Sócrates, conheço muitos que se fartaram de atacar Sócrates e agora estão a ganir com a perda dos subsídios, muitos milhares de professores que serão despedidos em consequência das medidas do Crato vão ter saudades da avaliação que, aliás, em pouco difere da que actualmente se faz, muitos dos pequenos empresários cuja associação foi tão mediática na campanha eleitoral estão agora falidos e arrependidos de terem apelado a salvadores da pátria

Umas no cravo e outras na ferradura




Foto Jumento


Tavira
Imagens dos visitantes d'O Jumento


S. João da Pesqueira [M. Henrique]
 
Se a rua se chamasse "Caga Tacos" diria que poderia ser dedicada ao Marques Mendes, se fosse "Caga Postas de Pescada" assentaria que nem uma luva ao primeiro-ministro, mas "Caga Fogo"? Aceitam-se sugestões.
  
A mentira do dia d'O Jumento
 
Foram vários os ministros que chegaram adoentados à reunião do Conselho de Ministros, Foi-lhes diagnosticada uma alergia aguda a cravos.

Jumento do dia


Vítor Gaspar

Graças a Deus que temos um ministro das Finanças tranquilo quando a receita fiscal desce acima dos 5% e a despesa tem um aumento superior a 3%, a crer na postura de Gaspar era impossível estarmos mais optimistas.

«O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, afirmou hoje no Parlamento que tanto a despesa como as receitas fiscais estão sob controlo e que só a Segurança Social é que necessita de "ser acompanhada com particular cuidado".


O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, afirmou hoje no Parlamento que tanto a despesa como as receitas fiscais estão sob controlo e que só a Segurança Social é que necessita de "ser acompanhada com particular cuidado".» [DN]

 RTP 2 - Os donos de Portugal 

   
 Uma sugestão ao ministro Crato


[Via 'VAI E VEM']
 
O ministro fez muito bem em descredibilizar a obra feita pelo anterior governo na renovação das instalações das escolas do ensino secundário, o que o país carece é de operários baratos e sem qualificações e para isso basta muitos exames, professores à moda antiga e uma boa terceira classe.

Depois de ter arrasado Sócrates no parque escolar é tempo de matar pela raiz o suposto sucesso na aposta na investigação referido por Cavaco Silva. O governo já fez bem em centrar o foco na ligação da investigação á realidade das empresas, é uma forma de desvalorizar tudo o que se fez, insinuando que o grande investimento no sector não tem resultados para o país.

Mas dava jeito encontrar uma despesa do tipo dos candeeiros do Siza Vieira, o governo devia vasculhar as despesas da Fundação para a Ciência e Tecnologia, podia verificar se a rapaziada não andará alimpar o dito cujo com aquele papel preto da Renova que custa os olhos da cara, ou talvez certificar-se de que os investigadores compram as suas batas e equipamentos na loja chinesa mais perto.

Há que dar cabo da imagem desse maldito fantasma chamado José Sócrates, força Cratino!

Uma perguntinha ao governo

Há actas das reuniões entre Vítor Gaspar e António Borges ou das reuniões que estes tiveram com os brasileiros que pretendem comprar a Cimpor ou com outros investidores estrangeiros que tenham investido em empresas portuguesas, como a REN ou a EDP?

Se essas actas não existirem como se pode avaliar o comportamento dos nossos governantes, incluindo os ministros secretos como o António Borges?
  
 

Positivo, negativo e realista

«O Presidente da República resolveu dedicar o seu discurso deste ano do 25 de Abril ao lado positivo de Portugal e ao apelo à coesão social. Fez bem mas não chega. Esqueceu-se, lamentavelmente, do lado negativo, determinante para a conquista de um futuro melhor e para não perdermos o que de positivo ainda temos.
Vamos esquecer o facto de o Presidente da República ter substituído, de um ano para o outro, a mensagem de não aguentamos mais austeridade por um em que apela à coesão. Esqueceu-se que há hoje pessoas a viverem dificuldades bastante mais graves do que há um ano e, pior ainda, sem qualquer perspectiva. Esqueceu-se ainda que as políticas que foram seguidas durante este último ano pelo Governo de Pedro Passos Coelho foram e continuam a ser muito rápidas a mudar a vida dos grupos mais frágeis, como os empregados no sector privado e público, e muito lentas ou mesmo ausentes a, pelo menos, reduzir o poder de grupos que garantem rendas e não lucros à mesa do Orçamento do Estado e sufocam a iniciativa realmente privada e de mercado. 
"Em momentos como este, é essencial assegurar a coesão do País", disse o Presidente da República nas comemorações mais divididas em 38 anos de vida do 25 de Abril de 1974, com a ausência dos capitães da revolução e de Mário Soares. Faltou ao Presidente dizer porque é que essa coesão está a ser fragmentada.
Sim o Presidente tem razão ao destacar a "capacidade notável" dos portugueses para se adaptarem às dificuldades assim como ao igualmente notável espírito de solidariedade. Podia até sublinhar também a extraordinária capacidade de sacrifício dos portugueses e a sua inteligência, capaz de perceber e apoiar o que é preciso fazer para Portugal ser um país melhor.
Portugal é de facto um país extraordinário. Muitas vezes o ouvimos de estrangeiros que cá vivem e de portugueses que emigraram. É um dos melhores países da Europa para viver.
Mas há o outro lado, o lado negativo, porque também ouvimos que Portugal é um dos piores países para trabalhar. Onde os lóbis ganham sempre, onde o mérito não é reconhecido, onde o Estado sufoca os pequenos para garantir rendas a quem tem poder, onde a classe política não consegue na prosperidade como na austeridade romper com os poderes instalados que inviabilizam o desenvolvimento.
Foi este lado negativo de Portugal que, lamentavelmente, o Presidente se esqueceu de revelar. E lamentavelmente porque é este lado negativo que está a ameaçar a coesão social, o sucesso do programa de ajustamento e o futuro desenvolvimento do país.
O Presidente esqueceu-se de alertar que o desenvolvimento económico não chegará se a agenda estrutural se limitar a alterar a legislação laboral nos sectores privado e público. Como já alguns políticos e economistas têm alertado, as leis do trabalho são a única e exclusiva preocupação do Executivo. Porque não disse o Presidente uma palavra sobre a urgente necessidade de reduzir as rendas no sector da energia ou limitar as rendas que os contribuintes pagam às Parcerias Público-Privadas, para dar apenas dois exemplos? Ou porque nada disse o Presidente sobre a necessidade de o Governo ser menos arrogante com a oposição e os sindicatos? Se alguém está a ameaçar o nosso principal activo no exterior, a coesão política e social, esse alguém é Pedro Passos Coelho. A coesão não é um dado adquirido, precisa da atenção contínua de quem tem o poder e de medidas que mantenham o sentimento de justiça na austeridade.  
O importante não é ser positivo ou negativo nas mensagens e no que se diz sobre Portugal. O importante é ser realista e observar a realidade. E a realidade mostra-nos cada vez mais que a austeridade está a ser mais para uns do que para outros e, exactamente por isso, está a traçar o caminho para o fracasso e para a desunião entre os portugueses. É pena que o Presidente não tenha contribuído para que o Governo seja mais corajoso ou menos displicente, mais amigo da coesão.
 
P.S.: A edição de hoje, que oferecemos aos leitores, é dedicada à Saúde que vive também momentos de grande mudança. A saúde dos portugueses é hoje melhor do que nunca e melhor do que a observada em muitos países mais desenvolvidos. Um sucesso que se deve em grande parte profissionais que trabalham no sector mas que está ameaçado pela desorganização, irracionalidade das infra-estruturas e pelo poder de alguns grupos de pressão. Manter os resultados gastando menos é hoje o grande desafio.» [Jornal de Negócios]

Autor:

Helena Garrido.
    

The tutu project

  
«"Há nove anos, eu e a minha mulher mudámo-nos para a costa leste, para começar uma vida nova, e seis meses depois foi-lhe diagnosticado um cancro de mama", conta Bob Carey. "Durante todos estes anos, fiquei surpreendido com a sua força e espírito para enfrentar a doença", diz, revelando que a partir dessa altura começou a preparar o "Tutu Project" para a fazer rir, porque, conta, "rir é o melhor remédio para as adversidades com que a vida, por vezes, nos surpreende".
  
Para o efeito, criou uma página online (www.thetutuproject.com) e deixou-se fotografar, com o seu tutu cor-de-rosa, nos mais diferentes locais dos Estados Unidos, como em campos de trigo, junto a uma montanha russa, perto da praia ou mesmo no meio de uma rua de Nova Iorque, para que Linda o veja e ria, muito, amenizando assim a sua dor, igual à de tantas outras mulheres por esse mundo fora.» [DN]
   
A Taxa Cristas vai render

«O governo aprovou hoje a taxa alimentar para aplicar aos estabelecimentos de comércio alimentar.


A ministra da Agricultura diz que a taxa alimentar deve representar entre 12 a 13 milhões de euros.


"O Governo estima que a taxa alimentar representará entre 12 a 13 milhões de euros, sendo que dependerá do valor do metro quadrado que ainda não está concretizado, e que poderá variar entre 5 a 8 euros por metro quadrado ao ano", afirmou ao Económico Assunção Cristas, no final do Conselho de Ministros de hoje.» [DE]

Parecer: 

O governo aumenta impostos e multiplica as taxas.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Lambretas se não vai também criar a Taxa Lambretas para financiar as suas camaratas de idosos.»
  
Sarkozy sente-se honrado por lhe chamarem fascista

«Com a campanha para a segunda volta das presidenciais ao rubro, o presidente cessante e recandidato, Nicolas Sarkozy, voltou hoje a radicalizar o discurso para tentar inverter a curva das sondagens, que o dão como derrotado no dia seis de maio. 

Num comício, hoje, ao início da tarde, nos arredores de Paris, atacou duramente e muito diretamente o jornal "Le Monde", a principal referência da imprensa francesa, por este vespertino ter criticado a sua "estratégia perigosa" de namoro ao eleitorado da extrema-direita.  

Na mesma reunião, Sarkozy criticou igualmente o jornal comunista "l'Humanité" por o ter comparado ao marechal Philippe Pétain. Numa manchete, quarta-feira, este diário relacionou-o com o célebre colaboracionista francês do nazismo por Sarkozy ter dito que no dia primeiro de maio iria celebrar "o verdadeiro trabalho" numa manifestação distinta, em Paris, dos sindicatos e da esquerda. 

No comício, Nicolas Sarkozy reafirmou: "sinto o apoio da maioria silenciosa". Garantiu "abominar o fascismo", mas disse: "se um comunista me chama fascista, é uma honra!".» [Expresso]

Parecer:

Idiota.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Sarkozy se também se sente honrado se lhe chamarem corno , porque isso significa que tem uma mulher jeitosa e desejada por outros.»
 
  


 Ao que isto chegou

  
Não há memória de um ministro chegar ao ponto de andar a comunicar que os reembolsos do IVA já estão a ser processados. Que se saiba ninguém se queixou destes reembolsos, queixaram-se sempre dos meses anteriores e nessa altura o ministro não soube dar explicações, escondeu-se atrás de um falso argumento técnico, o de que o governo não podia alterar a data por questões técnicas. Ora, se não podia mexer na data ao que se deve este comunicado? Será que a partir de agora o ministro emite um comunicado a propósito de todo e qualquer reembolso?

 
 No "VAI E VEM"

«Vendo bem as coisas, os militares de Abril, e com eles Mário Soares e Manuel Alegre, fizeram bem em não comparecer às cerimónias no Parlamento pelos motivos que invocaram: o Governo está a destruir as conquistas de Abril. É que com essa atitude provocaram reacções em cadeia. Vejamos:
 
- O Governo encheu-se de brio e quis mostrar o seu amor à revolução, surgindo ostensivamente de cravo ao peito;
 
- O Presidente não levou o cravo mas fez uma revisão da matéria e concluíu que os últimos anos (quase todos dos Governos Sócrates) foram de grandes progressos na Ciência e noutros campos, e que vale a pena dizer isso lá fora.
 
- O Governo, que estava à espera que o Presidente voltasse a falar de “iniquidades” e de “limites para os sacrifícios”, ficou confuso, não percebeu nada do que o Presidente queria dizer com aqueles elogios do passado recente, mas resolveu comentar que o discurso foi muito bom.
 
- A esquerda, embora com nuances, também estava à espera que o Presidente falasse da situação actual e se referisse aos problemas dos “mais fracos e desprotegidos” e criticou o discurso do Presidente por essa ausência.
 
- O PS, que fez o melhor discurso da sessão, era o mais confundido com o discurso do Presidente. Aos primeiros “acordes” da voz presidencial ouviu-se vozearia vinda da bancada socialista, atónita, certamente a pensar que estava a ouvir mal. Na bancada do PSD, os deputados abanavam a cabeça de reprovação pelo barulho dos socialistas (os do PSD furiosos com o Presidente mas a fingirem-se zangados por causa do ruído, no fundo desejando que ninguém ouvisse os elogios do passado que o Presidente estava a fazer).
  
- Sem querer criticar o elogio do Presidente à obra dos seus últimos governos, o PS lamentou que o Presidente não se tivesse detido mais no momento (leia-se, no Governo) actual.
 
- Houve ainda os que compararam o discurso de hoje do Presidente com o da sua posse, altura em que o “passado recente”, que hoje elogiou, lhe parecia um desastre.
 
Conclusão:
 
Se os militares de Abril tivessem ido às comemorações, e Soares e Alegre também, os ministros não tinham (quase em uníssono) posto o cravo na lapela (talvez apenas um ou outro); o Presidente tinha criticado o governo e falado em “iniquidades” e “limites para os sacrifícios”; o PS tinha elogiado amplamente o discurso do Presidente; e o Governo não teria gostado mas teria dito que é a ele que compete governar.
 
Parece um pouco “esquizofrénico” mas a ausência dos militares de Abril mudou a “realidade”… »