sábado, julho 21, 2012

Memorandos e bitaites


A regra de relacionamento entre Estados e instituições internacionais assenta em acordos, tratados, memorandos e outros instrumentos diplomáticos. Foi isso que sucedeu com o pedido de ajuda internacional, Portugal pediu essa ajuda, negociou com as instituições envolvidas, estas quiseram ter o acordo de dois partidos para além do partido do governo e quando concordaram com as propostas ambas as partes, instituições internacionais e partidos portugueses assinaram um memorando de entendimento.
  
Hoje ninguém além de alguns ministro, muito provavelmente apenas o ministro das Finanças, sabem o que de facto está acordado entre os estarolas que de vez em quando visitam a província ocupada e alguns ministros portugueses. Alguns ministros porque não há memória de ter ocorrido qualquer reunião do conselho de ministros para aprovar alterações ao memorando inicial.
  
Os que estavam na oposição e exigiam a tradução para português e a divulgação pública do memorando esquecem-se agora de informar os portugueses do que alteraram no memorando, nenhum português para além dos governantes ou entidades escolhidas por Passos Coelho conhecem as medidas acordadas entre o ministro Gaspar e os três estarolas da troika. Pior, os estarolas da troika que no passado exigiram negociar directamente com os partidos da oposição colaboram agora com o governo na marginalização da oposição, incluindo o partido que estava no governo quando o memorando foi negociado.
  
Chegamos ao ridículo de os cidadãos de um país saberem que medidas poderão vir a ser adoptadas porque os jornalistas vão encontrando essas medidas nas análises que os estarolas fizeram publicar pelas suas instituições. O ridículo de tudo isto é que os mesmos jornalistas que há um ano se juntaram à oposição na crítica ao facto de o memorando estar em inglês não repararem que é nessa mesma língua que agora tentam perceber os bitaites que os três estarolas internacionais vão fazendo sobre o acordo com Portugal.
  
Os portugueses estão a ser governados com base num acordo que é secreto, que é composto de bitaites e cuja negociação foi recusada a quatro partido parlamentares cujos deputados representam mais de metade dos portugueses. As medidas avulsas que os estarolas da troika vão negociando, não se sabe bem com quem (se com o Gaspar, o Passos Coelho, o Moedas ou mesmo o António Borges),  são adoptadas à margem do parlamento que representa os portugueses e tem competência exclusiva em muitas das matérias em causa e, tanto quanto se sabe, poderão ser igualmente do desconhecimento do Presidente da República.
  
O governo não está a cuidar da dignidade do país ao aceitar transformar bitaites em medidas, muitas vezes medidas brutais de austeridade. O governo não está a respeitar a democracia parlamentar ao propor à troika medida que são matéria da competência política do parlamento. O governo não está a respeitar o principal partido da oposição marginalizando-o da renegociação do memorando.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

  
Tocando na Baixa de Lisboa
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 

   
Rua do Divino Salvador de Navió, Minho [A. Cabral]   
 


Desfile das tripulações da "The Tall Ships Races Lisbon 2012" na Rua Augusta, Lisboa
  
[80 imagens: Galeria 1, Galeria 2, Galeria 3, Galeria 4]
   
A mentira do dia d'O Jumento
 
    
Jumento do dia
  
Juiz do Tribunal do Montijo
 
Há muito que todos perceberam quem estava a ser julgado no tribunal do Montijo, bastava ler o Correio da Manhã para se perceber que muitos interrogatórios conduzidos pelos magistrados visavam investigar o eventual envolvimento de José Sócrates. O verdadeiro arguido sem direito a defesa neste julgamento era Sócrates, mas como os magistrados não o podiam condenar por nada porque nada provaram a não ser que a justiça portuguesa só serve para gastar dinheiro aos contribuintes e pagar mordomias aos magistrados, arranjaram uma forma de abrir um Caso Freeport II.

Enfim, ao menos desta vez o pessoal da justiça foi mais ou menos frontal, não encomendaram uma carta anónima.

«O Tribunal do Montijo, reunido no Barreiro, absolveu Manuel Pedro e Charles Smith, mas valorizou os indícios de que estes tinham tido intervenção num alegado pagamento de luvas a José Sócrates, crime pelo qual não estavam acusados.» [Público]
   
 Tenho de reconhecer que já não sei nada de educação

Na visita aos veleiros estacionados em Santa Apolónia vi visitantes dos mais variados, até porque tendo a borla sido repetidamente anunciada era de esperar uma invasão de tugas, nos tempos que correm ninguém perde uma borla.

Mas o que mais me impressionou foi ver turmas de crianças de infantários, ainda com fraldas, a visitar veleiros, começando, como não podia deixar de ser, pelo Navio-Escola Sagres para que os nossos rebentos comecem cedo a saber quem fomos. O problema é que duvido que crianças de fraldas passados três dias ainda se lembrem do que viram.

Impressionou-me ver as crianças a serem içadas e descidas em escadas que até para adultos são difíceis, correndo o risco de terem uma queda grave. Convenhamos que um grande veleiro operacional não é propriamente o local mais indicado para passear turmas de crianças, ainda por cima em dias de grande calor e numa placa de cimento que mais parecia uma frigideira. Mas parece que estava tudo bem, os educadores estavam sorridentes  e  lá iam com as crianças numa mão e uma garrafa de litro e meio de água na outra.

O politicamente correcto impede-me de comentar a visita de uma turma de deficientes que diria quase profundos ao mesmo navio, deficientes que adultos que circulavam no cais agarrados por um professor. Imaginem o que foi subir e descer as escadas para passar de uns convéns para os outros, jovens e adultos de oitenta e mais quilos, sem grande mobilidade e com grande descoordenação de movimentos.

 Os acumuladores de gatos
 
   
Gato emboscado no Jardim Gulbenkian
  
Quem acompanha a programação do canal do National Geographic tem tido a oportunidade de ver episódios dedicados aos acumuladores, o termo usado pelos psicólogos americanos para definor uma patologia do domínio psiquiátrico que se caracteriza por juntar toneladas de lixo ou dezenas ou centenas de animais em casa.

Nos EUA não existem acumuladores como os de Lisboa pois naquele país seria proibido usar as ruas das cidades para criar centenas de gatos. É o que está sucedendo cada vez mais em Lisboa, o fenómeno cresce de forma exponencial e com as ruas a carecer de limpeza mistura-se a sugidade por limpar com a da bicharada.

Há verdadeiras e verdadeiros profissionais da criação de gatos e pombos, levantam-se pela madrugada, usam luvas para se protegerem das doenças, levam carrinhos de ir às compras e cumprem diariamente um programa de visitas para abastecer os bichos de água e comida. Os resultados são evidentes, animais doentes a multiplicarem-se sem qualquer controlo, ruas porcas e infestadas de pulgas, carros cobertos de cacas de pombo ou de pegadas de gatos, algerozes entupidos. toneladas de poeiras no ar a provocarem intoxicações aos lisboetas, zangas com vizinhos que viram as suas ruas transformadas em pocilgas.

Mas não é só a Câmara Municipal de Lisboa que nada faz para combater este fenómeno, quem visitar os jardins da Gulbenkian de manhã cedo encontrará estas boas almas a chamar pelos seus gatinhos para lhes darem comida. O resultado é que estes jardins são uma ratoeira para as aves que não estão preparados para estes caçadores que matam por matar. Mas como o conceito dos responsáveis pelos jardins são da era vitoriana, o que conta é a colecção de plantas, as aves que tanto valorizam a biodiversidade daquele espaço e que tanta beleza lhe acrescentam parecem ser considerados residentes oportunistas que podem ser dizimados pelos gatos. Aliás, este fenómeno é comum a todos os espaços verdes da cidade, onde há arbustos para os gatos se esconderem e aves para serem caçadas encontramos vítimas dos muitos milhares de gatos que infestam a capital.

Quando querem aparecer na fotografia todos gabam as aves de Lisboa, de Monsanto ou do Jardim Gulbenkian, sabem de cor quantas espécies existem ou foram vistas, exibem metas ambiciosas para o aumento da biodiversidade. Mas a verdade é que são umas bestas e quem manda em Lisboa ou nos Jardim Gulbenkian são os gatos de velhas malucas e tão irresponsáveis como os irresponsáveis líderes da cidade.
 
 Aquecimento no Campeonato do Mundo de Atletismo de Juniores


 

  
 Tempos modernos
   
«Notícia dos nossos dias, no El Mundo, sobre Humilladero, vila andaluza perto de Málaga. O jornal não diz, mas em castelhano antigo "humilladero" era o lugar onde os camponeses eram julgados pela caça furtiva nas terras do senhor. Frente ao cruzeiro, o homem ouvia o castigo, de joelhos, humilhado. Em 1930, na Andaluzia, diz El Mundo, três por cento dos proprietários controlavam 48 por cento das terras. Também por causa dessa desproporção, aconteceu uma guerra civil, veio o franquismo e, finalmente, a democracia. Em 2012, na Andaluzia, os tais três por cento (ou filhos deles) controlam... 55 por cento das terras. Hoje, um em três dos habitantes de Humilladero não tem emprego. Mas isso são estatísticas. Vamos à carne e ao grito: "Saiu-nos a nós, Maria, saiu-nos a nós!", diz El Mundo que Antonio Ruiz disse à irmã, por estes dias. Parecia que lhes tinha saído o Euromilhões ou El Gordo, mas não. Era lotaria, mas de emprego. Há meses, à câmara de Humilladero vinha uma pessoa por dia pedir ajuda; agora, vêm oito por dia. A câmara decidiu remediar, dá empregos por um mês e a 600 euros. Com esta bizarria: como são 300 pedidos por um posto, faz-se uma tômbola no salão da câmara. Foi isso que ganharam António e Maria, saiu-lhes na rifa emprego efémero de jardineiro e de trolha. A "alcadesa", que faz o que pode, chama-se Noelia Rodríguez Casino. Não me apetece fazer ironia com o nome, tenho a foto dos dois irmãos olhando-me a quatro colunas.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.   

 O bom caminho
   
«Como já se percebeu, a 5ª revisão do programa de assistência financeira, agendada para Agosto, não vai ser igual às outras: o Eurogrupo ("sem que Portugal o tivesse pedido", na versão angélica do ministro das Finanças) instou a ‘troika' a assegurar que o programa português "permanece no bom caminho"; o próprio Vítor Gaspar entregou-se a um enigmático jogo de palavras sobre os objectivos desta 5ª revisão (destinada, segundo ele, a "melhorar", "favorecer" e "facilitar" as condições de sucesso do programa); as instituições da ‘troika' multiplicaram comentários, sinalizando que o momento é de grandes decisões; e até o primeiro-ministro, que marginalizou o maior partido da oposição nas quatro revisões anteriores, acha que desta vez é preciso envolver o PS.
  
Se perguntar não ofende, impõe-se uma perguntinha óbvia: porquê? Porque é que a 5ª revisão há-de ser diferente das outras? Se o programa está "no bom caminho", se a sua execução mereceu quatro avaliações positivas e se está tudo a correr tão bem, porque é que, subitamente, é necessária uma revisão tão profunda? A explicação é simples: ao contrário do que diz a versão oficial, o programa não está no bom caminho, a execução não tem sido assim tão positiva e não está tudo a correr bem.
  
Como sintetizou o secretário-geral do PS no debate do Estado da Nação, "os portugueses cumpriram, mas o Governo falhou". A opção do Governo por uma austeridade "além da troika", para além de contrariar as promessas eleitorais, foi um erro de tremendas consequências: gerou um tão elevado grau de destruição da economia e do emprego que prejudica gravemente a recuperação da confiança, sem a qual não é possível cumprir o objectivo de regresso pleno aos mercados em Setembro de 2013. Ao agravamento da recessão (-3% este ano) e ao disparar do desemprego (acima dos 15%), junta-se o fracasso no cumprimento das metas do défice que, apesar de todos os sacrifícios, aumentou (!) para 7,9% no primeiro trimestre (mais 0,4 p.p. do que no trimestre homólogo do ano passado). E não adianta negar: sem medidas adicionais, o Governo não vai cumprir a meta de 4,5% fixada para este ano. Por isso, a primeira decisão a tomar é sobre o que fazer com este desvio. Só que as coisas estão ligadas: se a ‘troika' for tolerante com o falhanço deste ano mas mantiver a meta para o próximo ano (défice de 3%), então o exercício orçamental de 2013, que já era difícil, tornar-se-á virtualmente impossível sem o acentuar da espiral recessiva. É por essas e por outras que na 5ª revisão está tudo em causa: metas, calendário, programa orçamental - e mesmo o eventual prolongamento da assistência financeira, ou seja, um novo pedido de ajuda externa.
  
E não se diga que o Governo "fez a sua parte" ao cumprir o programa previsto, pelo que os maus resultados hão-de dever-se a "razões externas". Pelo contrário: nem o Governo cumpriu o programa como estava inicialmente previsto, nem o agravamento da recessão se deve ao contributo negativo da procura externa líquida (até se regista um bom desempenho das exportações e uma forte redução das importações). O agravamento da recessão deve-se, isso sim, à queda abrupta da procura interna, que é consequência da estratégia de empobrecimento adoptada pelo Governo, bem para lá da execução do programa. É por isso que estes maus resultados derivam, essencialmente, de razões internas, ligadas ao excesso de austeridade que destruiu os equilíbrios, já de si precários, do Memorando acordado com a ‘troika'. Nenhuma revisão do programa de ajustamento será bem sucedida se este erro estratégico da política orçamental do Governo não for corrigido. E não será corrigido se não for reconhecido.» [DE]
   
Autor:
 
Pedro Silva Pereira.
     
  
     
 Freeport II
   
«O Tribunal do Barreiro decidiu esta sexta-feira mandar extrair uma certidão para que o Ministério Público avance ou não com a abertura de uma investigação ao ex-primeiro-ministro, José Sócrates no âmbito do processo Freeport, relacionado com o licenciamento daquele empreendimento em Alcochete.» [CM]
   
Parecer:
 
O ideal «, o ideal seria o director do CM escolher uma equipa de jornalistas do seu jornal e obter na Lusófona equivalências a procuradores do Ministério Público sendo quele jornal a investigar. Após a investigação seguir-se-ia o mesmo procedimento para designar os juízes e o tribunal até poderia ser numa sala cedida pelo mesmo jornal.

Bem, o melhor talvez seja suspender a democracia por uns dias, considerar a prova e a culpa produzida por aquele jornal, adoptar uma lei de excepção permitindo a condenação à morte, algo que poderia ser conseguido a partir de uma petição promovida pelo jornal, não havendo mais obstáculos fuzilava-se o ex-primeiro-ministro junto às parede do Jardim Gulbenkian para que os jornalistas do CM tivesse o exclusivo e pudessem exibir o fuzilamento no canal do MEO:
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
      
 Gata de ministro britânico das Finanças usa coleira de cristal
   
«Apesar da austeridade que assombra a Europa, a gata Freya, de George Osborne, ministro das Finanças britânico, foi fotografada a usar uma coleira de cristais que imitam diamante. As fotografias divulgadas pelo jornal britânico Daily Mail foram tiradas no dia em que o ministro anunciou que austeridade pode durar até 2020.» [DN]
   
Parecer:
 
O que usará o Gaspar do deputado Honório Novo?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se.»
   
 Espanha a caminho do resgate
   
«O Ibex 35, o principal índice accionista espanhol, fechou hoje a perder 5,82% para 6632,6 pontos, o pior desempenho desde 14 de Maio de 2010. A banca foi o sector mais prejudicado durante a sessão de hoje. Entre os títulos que mais se destacam pela negativa estão o Bankia (-10,43%), Banco Popular (-7,95%), BBVA (-7,80%) e Banco Santander (-7,32%).
  
Ao mesmo tempo, no mercado secundário de dívida, a ‘yield' associada às obrigações do Tesouro espanhol a 10 anos agravam-se até aos 7,269%, um nível insustentável de financiamento para um País.
  
Além disso, o prémio de risco das obrigações espanholas a 10 anos face às 'bunds' alemãs aumentava 31 pontos base para os 602,2 pontos base, superando pela primeira vez a barreira dos 600 pontos. » [DE]
   
Parecer:
 
E desta vez as agências de rating até estão quietinhas porque se estivessem activas como sucedeu com Portugal há muito que a Espanha tinha pedido ajuda internacional.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
      

   
   

  

   

   

  

sexta-feira, julho 20, 2012

Quase tudo gente honesta


Junto-me à indignação do ministro da Justiça e de comentadores como Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa, o governo não é corrupto. Para se poder acusar o governo de corrupto teríamos de estar perante o trânsito em julgado de um governante, de vários governantes ou do governo no seu todo por um crime de corrupção. Ora, em Portugal tal condenação para além de ser meramente teórica e especulativa só seria possível daqui a mais de dez anos, isto é estaríamos mais perante uma condenação histórica do que jurídica, nessa altura já o Paulo Portas teria netos.
  
Um dos aspectos mais curiosos deste debate é que os distraídos comentadores e o próprio ministro das Finanças consideram que os valores éticos e morais do país são os definidos no Código Penal. Coincidência das coincidências todos estes rapazes eram opositores do aborto e nunca avaliaram as mulheres que abortam segundo os preceitos do Código Penal, condenaram-nas com base nos seus valores religiosos.
  
Em Portugal a moral, a ética e todos os valores que nos definem enquanto seres sociais e socializados não decorrem dos nossos valores, da educação que recebemos ou dos nossos valores cívicos, tudo está reduzido ao código penal, somos homicidas depois do crime provado e após o trânsito em julgado. Isto é, não há canalhas porque a canalhice não está prevista no Código Penal, das mesma forma estão cheios de sorte os filhos da puta, os xulos e muitos outros espécimes que a qualquer momento podem dizer que por enquanto ser filho da puta não é crime.
  
Veja-se o caso do exemplar e ilustre dr. Relvas, a primeira coisa que disse não foi que a sua licenciatura corresponde ao que os portugueses pensam de uma licenciatura, uma qualificação que além das aptidões profissionais adquiridas demonstra que o seu possuidor foi alguém que se dedicou ao estudo e que mereceu o grau depois de o demonstrar inequivocamente em exames. Os exames foram a treta que se percebeu, o currículo era uma anedota, mas o ilustre dr. Relvas veio logo dizer que o seu diploma foi conseguido de acordo com a lei em vigor, era o equivalente académico ao ouro legal.
  
Quando alguém trai os seus valores não é um traidor, é um cidadão exemplar e com direito a um lugar no céu porque não violou qualquer norma do Código Penal. Quando alguém engana dois milhões de eleitores não é um aldrabão, é um político exemplar porque no Código Penal não há qualquer norma condenado políticos aldrabões e terminada a legislatura até pode pedir uma pensão vitalícia por conta dos serviços prestados à pátria.
  
O mesmo governo que reagiu ao bispo das Forças Armadas como se fossem virgens ofendidas teve a distinta lata, através do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, de justificar os cortes dos vencimentos dos funcionários públicos (e dos pensionistas) porque eram responsáveis pelas despesas do Estado. Portanto, até transito em julgado por condenação por corrupção os ministros e os governos não são corruptos. Mas os funcionários públicos e os pensionistas são corruptos e devem ser condenados a cortes nos vencimentos porque foram eles que compraram os submarinos, que roubaram no BPN, que compraram os carros de combate que estão enferrujando. São tão corruptos que foram condenados sem qualquer julgamento ou direito a defesa e devem ser acusados publicamente dos seus crimes por um ministro tido por um santo homem, cumpridor de todas as obrigações cristãs com excepção da procriação e que é conhecido por ser honesto acima de qualquer suspeita.
  
Corruptos são, os portugueses esses malandros que compram submarinos sem ter dinheiro e que levaram o país à falência por gastarem o que não tinham e quando se gasta o que não se tem isso significa que roubaram. É por isso que o governo distinguiu os portugueses em dois grupos, os banqueiros foram cidadãos exemplares e são ajudados, os patos-bravos têm direito a bolsas de horas de trabalho escravo e a despedir  por inaptidão as operárias que não queiram ser suas prostitutas privativas. Para todos os outros sobrou uma condenação a mais impostos, cortes salariais e desemprego. Os ministros são todos honestos, malandros são os do rendimento mínimo e os desempregados porque não querem trabalhar.
  
Volto a contar a anedota do compadre que foi apanhado numa rusga a um bordel, uma das meninas desculpou-se dizendo que era manicura, a outra era cabeleireira até que o nosso amigo exclamou "querem ver que a puta sou eu?". Portas é um cavalheiro desonesto, o filho da puta que comprou os submarinos que agora são pagos com subsídios são os enfermeiros que o Paulo Macedo está a contratar a trezentos euros por mês!

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

   
Figura de proa do "Europa", The Tall Ships Races Lisbon 2012
      
A mentira do dia d'O Jumento
 

A vaga de solidariedade com o dr. Relvas alarga-se a todo o mundo com as crianças a multiplicarem iniciativas apelando a Relvas que vá estudar. Trata-se de um autêntico tsunami mundial de solidariedade com um político que em jovem não teve tempo de estudar porque se bateu pela liberdade dos portugueses, depois não teve tempo de estudar porque ia a todas as manifestações espontâneas organizadas pelo Mário Nogueira, mais tarde voltou a não ter tempo para estudar porque a defesa da liberdade do pessoal das secretas e dos jornalistas do Público o impediram de agarrar npos livros.

Crianºças de todo o mundo acusam Passos Coelho de impedir Miguel Relvas de estudar, não compreendem porque razão Passos Coelho chegou a licenciado estudando e o Miguel Relvas foi forçado a licenciar-se sem estudar. Há crianças chinesas a ocupar a Grande Muralha da China, os astronautas da estação espacial recusam-se a embarcar no voo de regresso, o pessoal do submarino Arpão ameaça fugir com a embarcação para os cofres do BPN, a ministra da Justiça ameaça propor para Procurador-Geral alguém, que não ama o MP, o Paulo Macedo diz que só aumenta os enfermeiros quando o Relvas provar que já estudou a tabuada, o Gaspar recusa-se a explicar mais desvios enquanto o Relvas não estudar, o pelotão da Volta à França ameaça acabar a prova antes desta chegar a Paris, o cão do Obama ameaçar recusar a nacionalidade portuguesa enquanto o Relvas não estudar.

Vai estudar Relvas! é o que se ouve por esse mundo fora e o que mais se zurra neste humilde palheiro.

Jumento do dia
 
Miguel Macedo, ministro da Administração Interna   
 
Como manda o figurino o desconhecido ministro da Administração Interna prometeu a ajuda do governo à Madeira, para logo acrescentar que existem programas comunitários. Enfim, o ministro prometeu ajuda diplomática!

Aquilo de que o pobre Macedo não esperava é que fosse o primeiro-ministro a dizer depois que ainda é cedo para se falar de ajuda à Madeira. Tem razão, com o dinheiro dos outros primeiro convém perguntar.

«O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, prometeu o apoio do Governo português à Região Autónoma da Madeira. Ainda não foi feito o levantamento do valor dos danos provocados pelos incêndios, mas o governante lembrou que há programas de apoio comunitário que podem ser accionados nestes casos.» [DN]

«O primeiro-ministro, Passos Coelho, considerou hoje ser ainda cedo para um balanço sobre a necessidade de auxílio de emergência à Madeira, assolada por incêndios que descreveu como "a nova tragédia do Funchal".


"Ainda é cedo para estar a fazer esse balanço. Ele será feito pelas autoridades regionais", disse Pedro Passos Coelho, à chegada esta noite a Maputo, interrogado sobre se haverá um plano de emergência ou de ajuda financeira para a Madeira.» [i]
 
 Esclarecimento a Constança Cunha e Sá
 
Informa que apesar de Fernando Ulrich ser um rapaz simpático, presidente de um banco tão competente que até propôs uma suão com o BCP e tudo o mais o dito senhor não é licenciado em nada e portanto num tempo de doutores da treta e de falsos doutores os senhor Fernando Ulrich é isso mesmo, senhor. Como se pode informar na Wikipedia o senhor Ulrich andou no então Iscef entre 1969 e 1974 e não concluiu o curso.
 
Já agora sugere-se ao sr. Fernando Ulrich que quando o tratam por doutor devia esclarecer que não o é, a humildade só lhe fica bem. Aliás, seria conveniente que o senhor Fernando Ulrich evitasse  falar de matérias sobre as quais percebe menos do que de lagares de azeite. Talvez por ser tão ignorante o senhor Ulrich se revela uma besta quadrada ao considerar os funcionários públicos como sendo responsáveis pelas decisões do Estado.
 
Ainda por cima se esperava do senhor Ulrich um pouco mais de imaginação, o argumento que usou além de ser falso, manhoso e canalha nem sequer é original, é de Paulo Portas, um rapaz que comprou submarinos e que agora acha que devem ser os funcionários a fazê-lo.
 

  
 D. Januário e os outros
   
«Que, como há 50 anos, um bispo tenha de novo erguido a voz, fazendo "política" em vez de se remeter à sacristia, eis o escândalo que agita hoje esta espécie de tempos democráticos e de liberdade de expressão em que vivemos.
  
Também em 1958 a Igreja institucional se demarcou da carta do bispo do Porto a Salazar. Revelaria mais tarde D. António que até "da Cúria vaticana alguém [lhe] disse: "Bem sabemos que isso é doutrina da Igreja; mas se, de um lado e de outro sabemos isso, para que estar a pregá-lo?".
  
Em muitos aspectos, essa carta é hoje de novo singularmente actual: voltaram à rua o "mendigo, o pé-descalço, o maltrapilho, o farrapo (...), os subalimentados"; e o "financismo 'à outrance'", o "economismo despótico", o "benefício dos grandes contra os pequenos", o "ciclo da miséria" são outra vez "o centro da Nação".
  
Por isso, mais actuais que nunca são também os versos de Sophia: "Porque os outros se mascaram mas tu não/ Porque os outros usam a virtude/ Para comprar o que não tem perdão./ Porque os outros têm medo mas tu não./ Porque os outros são os túmulos caiados/ Onde germina calada a podridão./ Porque os outros se calam mas tu não./ Porque os outros se compram e se vendem/ E os seus gestos dão sempre dividendo./ Porque os outros são hábeis mas tu não./ Porque os outros vão à sombra dos abrigos/ E tu vais de mãos dadas com os perigos./ Porque os outros calculam mas tu não".» [JN]
   
Autor:
 
Manuel António Pina.
   
  
     
 Frente anti-Crato
   
«Professores, pais, directores, funcionários, psicólogos e inspectores de educação juntaram-se numa frente comum por causa das medidas do ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, que aceitou receber representantes destes agentes na próxima segunda-feira, numa espécie de cimeira da Educação.» [CM]
   
Parecer:
 
Volta Lurdinhas, estás perdoada.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
      
 Censura em tempo de incêndio
   
«Pelo menos três casas já foram consumidas pelas chamas no Rochão, na freguesia da Camacha, no concelho de Santa Cruz, localidade onde os bombeiros já retiraram de casas várias pessoas. O incêndio na freguesia de Gaula, também em Santa Cruz, que começou hoje de manhã, continua descontrolado. Os bombeiros suspeitam da presença de uma mãe e dos três filhos numa casa em risco e o lar de idosos, com 90 ocupantes, foi evacuado.Os acessos ao aeroporto do Funchal já se fazem sem condicionantes.» [DN]
   
Parecer:
 
Vamos ver um Alberto João m ais manso do que o costume, a elogiar Passos Coelho e Paulo Portas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
   
 Pela boca morre o peixe
   
«No dia 12 de julho, o presidente do Governo regional da Madeira falou sobre o protesto marcado para o dia seguinte da Associação dos Bombeiros Profissionais, que reclamavam melhores condições de trabalho e de vida dos bombeiros das associações do Funchal, Santa Cruz e Machico. E disse que havia um excesso de bombeiros na ilha.
  
"Quanto aos bombeiros, a questão é muito simples: em vez de quererem ser bombeiros municipais, foram-se fazendo associações. Depois o Governo foi-lhes fazendo as sedes, o equipamento que têm também foi o Governo que pagou e algumas associações, não todas, foram metendo gente sem ser preciso. E agora são eles (associações) que têm que resolver o problema", argumentou o governante madeirense. "O Governo não ia pagar 50 bombeiros onde só basta ter 30", frisou Jardim.» [DN]
   
Parecer:
 
Este Alberto anda com algum azar, se é que não é ele que já começa a dar azar à Madeira.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Leve-se o Alberto à bruxa.»
   
 Crato vai ser demitido
   
«Questionado pela deputada bloquista Ana Drago sobre se algum professor do quadro iria ser colocado no regime de mobilidade interna, o ministro ilustrou a incerteza dizendo: "Eu nem sequer lhe posso garantir que o [primeiro-ministro] Passos Coelho considera que eu continuarei a ser a melhor escolha para este governo".» [i]
   
Parecer:
 
Algo vai muito mal num governo quando um ministro não sabe se o primeiro-ministro o vai manter ou dispensar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Crato se não considera ser falta de dignidade estar num governo sem saber se o primeiro-ministro o defende.»
   
 A Deloitte voltou a ter negócios na Saúde
   
«Segundo a informação disponível no site base.gov.pt, desde 2010 que a Deloitte não era contratada pelo Ministério da Saúde. Desde 2008, ano em que surgem as primeiras contratações, a empresa prestou 14 serviços a organismos tutelados pela Saúde. Destes, dez foram adjudicados quando o actual presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, a central de compras que fez as recentes aquisições, era partner da empresa, responsável pela área de sector público, ciências da vida e cuidados de saúde, segundo a nota biográfica publicada em “Diário da República” aquando da nomeação para os SPMS em 2011. Raul Fonseca Mascarenhas exerceu funções na Deloitte entre Abril de 2008 e Junho de 2010, período em que a consultora facturou 787 mil euros a entidades do Ministério da Saúde como o Infarmed ou a DGS.» [i]
   
Parecer:
 
Os partners da Delloite estão de parabéns.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao responsável pela compras do ministério da Saúde se devemos mandar os parabéns pelo repentino sucesso comercial para ele ou para a sede da empresa.»