sábado, setembro 08, 2012

Imagine-se


Imagine que num país democrático um governo decida violar deliberada e intencionalmente uma Constituição, impondo ao país uma agenda política que não apresentou em qualquer programa eleitoral, que não negociou com uma maioria alargada ou que não consta em qualquer instrumento legal nacional ou internacional legitimamente adoptado, isto é, adoptado de acordo com o regime democrático e com as suas regras, princípios a que obedece a União Europeia, espaço onde não se aceitam ditaduras.
   
Imagine-se que nesse mesmo país um Presidente da República a quem a Constituição da República obrigou na sua posse a jurar respeitar e fazer respeitar essa mesma Constituição decide ignorar os princípios constitucionais, dispensando de qualquer verificação pelo Tribunal Constitucional os diplomas governamentais que contêm normas deliberadamente inconstitucionais.
   
Imagine-se que nessa democracia assente, em princípio, no princípio da separação de poderes os magistrados do MP estão organizados num sindicato com forte intervenção na vida política partidária, que organiza congressos com programas luxuosos, que se envolve em processos mediáticos tomando posições que condicionam os seus intervenientes e até chega a reunir com o presidente para denunciar supostas pressões governamentais. Imagine-se que altos magistrados se envolvem em iniciativas político-partidárias.
 
Imagine-se que para condicionar a opinião pública esse governo recorria a esquemas de propaganda semelhantes aos usados por Goebbels, acusando uns de privilégios e de maior responsabilidade pela crise financeira, lançando impostos sobre outros para devolver o dinheiro aos patrões com o argumento de que isso foi uma determinação dos malditos juízes do Tribunal Constitucional, e que para passar a mensagem o governo contava com o apoio de patrões da comunicação social que contam receber em troca uma estação pública de impostos mais um subsídio de milhões a título de um falso serviço público.
   
Num quadro destes quem vela pelo respeito da democracia, quem assegura a normalidade democrática, quem garante que o poder respeita a vontade dos eleitores?
   
A democracia cria mecanismos que asseguram que em qualquer caso existam soluções democráticas, assenta n uma constituição cujos princípios todos respeitam, para que as instituições funcionem regularmente estão definidos os limites dos seus poderes e para assegurar o equilíbrio entre estes define-se como regra a separação de poderes. Se tudo isto deixa funcionar como é que a democracia sobrevive enquanto tal, sem se transformar num regime autoritário.
   
É evidente que não há polícia política mas se alguém criticar o Presidente da República pouco pode dizer sob pena de ser perseguido pela justiça por ofensas ao PR, crime previsto no Código Penal. Se criticar o governo para além dos limites que este aceita pode ser perseguido por ofensa ao governo, crime previsto no Código Penal pois trata-se de uma ofensa a uma instituição.
   
Resta aos portugueses aos juízes, estes poderão declará-los inocentes, negando a fazer o papel que no passado fizeram os juízes dos tribunais plenários. Mas quando alguém chegar a julgamento já foi arruinado por custas judiciais e despesas com advogados, a justiça em Portugal não se faz na barra dos tribunais, faz-se no Correio da Manhã e na conta bancária e ninguém resiste à difamação e à ruína.
   
É evidente que qualquer semelhança entre este exemplo teórico e a realidade que vivemos será uma pura coincidência, por cá os magistrados do MP não se metem em político, o governo é escrupuloso na forma como respeita os princípios constitucionais e o Presidentes tem sido um verdadeiro “pitbull” de guarda à Constituição da República. Mas imagine-se que numa qualquer República Centro Africana ou na terra de um qualquer Bokassa esta situação fosse real. Como se poderia sair de uma ditadura disfarçada de democracia e defendida pelos princípios e mecanismos judiciais criados para defender a democracia?

Umas no cravo e outras na ferradura


   
 Toni reage à austeridade (aditamento)
   
  
   Foto Jumento
 

Moura
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 

   
Lamego [J. Ferreira]
 
Jumento do dia
  
Nuno Crato
 
Alguém que subsidia turmas das escolas privadas com uma dúzia de alunos e que uma das poucas medidas que até agora adoptou foi aumentar o número de alunos nas turmas do ensino público deveria ter o bom senso de se pronunciar sobre se há ou não professores a mais. É óbvio que Nuno Crato tem uma visão do ensino que fica aquém do defendia o Estado Novo, o que tem vido a promover na escola pública representa um retrocesso civilizacional pois algumas das medidas representam um recuo a valores do século XIX.

É óbvio que para Nuno Crato a escola é para meninos inteligentes, de preferência das classes altas e que tudo o que o país gaste em ensino para pobres é dinheiro mal gasto. Alguém que parece defender desta forma bem pode dizer que despede professores porque estão a mais, despede-os porque considera que gente para ensinar pobres está a mais no país que ele imagina.
 
«Uma semana depois de se saber que 40 mil docentes ficaram sem lugar nas escolas, o ministro da Educação, em entrevista ao semanário Sol, defende que há profissionais a mais e que a "redução de professores é inevitável nos próximos anos", perante a queda de 14% no número de alunos.
   
Contudo, Nuno Crato entende que os números não têm a proporção avançada, porque muitas das pessoas que concorreram já tinham dado aulas pontualmente mas não eram sempre professores. Por outro lado, o titular da pasta da Educação frisa que ainda há vários horários por preencher.» [DN]
   
 A maldade do dia
 
 
 Pobre Mário Nogueira

Quando o Crato chegou a ministro o Mário Festejou.
Quando o Crato fechou escolas o Mário aceitou.
Quando o Crato mexeu nos curriculos o Mário calou.
Quando o Crato aumentou o número de alunos por turma o Mário silenciou.
Quando o Carto despediu quarenta mil professores o Mário acordou e sussurrou.

 Sacanice
 
O que Passos Coelho anunciou para 2013 é a sacanice exigida pelos empresários que têm manifestado o apoio aos cortes dos subsídios dos funcionários públicos, o Estado saca os subsídios a estes cabendo aos privados o direito de sacar os subsídios ao sector privado. Seria interessante saber a opinião do minorca que lidera o BCP, o vice-presidente do CDS que trafica o alcoól da Superbock e outras personagens que acharam que o TC devia ter obedecido ao governo, vão continaur a ser contra o corte dos subsídios no sector privado ou agora que vai directamente para os seus bolsos já são mais aberto à ideia.

A medida anunciada por Passos Coelho é uma sacanice, financia a redução da TSU que vai dar fortunas a grupos como os bancos, a PT, a SONAE, a EDP ou o Pingo Doce à custa dos subsídios dos trabalhadores.

O que Passos Coelho fez foi dizer não ao Tribunal Constitucional mantendo o corte dos subsídios para além de 2012 e aproveitar-se do acórdão para forçar os trabalhadores a financiar uma descida da TSU que desde sempre defendeu. Isto é oportunismo.
 
 E agora Aníbal?

É evidente que Passos Coelho vai desrespeitar descaradamente o acórdão do Tribunal Constitucional, não só inventou uma suposta igualdade entre sectores público e privado com base em falsidades (os empregados na administração do BCP também poderão ter que ir para uma frente de guerra como as Forças Armadas?) como remeteu os pensionistas para o estatuto de cidadãos sem direitos constitucionais pois são desprezados na exigência do respeito pelo princípio da igualdade.

Cavaco não só desrespeita deliberadamente a Lei Constitucional do país ignorando um acórdão do Tribunal Constitucional a cujo respeito está obrigado, como ignora as palavras do Presidente da República.

Perante uma medida inconstitucional só resta a Cavaco Silva duas posições, ou demite um governo que quer governar com medidas ilegítimas e desrespeita a lei fundamental do país de forma deliberada e continuada ou envia o OE para o Tribunal Constitucional antes de o promulgar.

Ou os portugueses confiam nas instituições, ou serão forçados a recorrer a todos os meios para defender uma democracia e os princípios constitucionais que estão a ser ignorados deliberadamente por quem tomou posse jurando sobre a Constituição.

Quando Cavaco Silva tomou posse jurou:

«Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa.»

Passos Coelho jurou:

«Eu abaixo assinado juro afirmo solenemente pela minha honra que cumprirei com lealdade as funções que me são confiadas.»

Não parece que Cavaco tenha feito cumprir a Constituição quando promulgou o OE para 2012 de olhos fechados, da mesma forma que o conceito de lealdade de Passos Coelho é muito duvidoso num momento em que assume claramente o desrespeito pelo acórdão do Tribunal Constitucional.

 

  
 Pormenores
   
«Europa, fim do terceiro ano da crise da dívida. Com Grécia, Irlanda e Portugal sob resgate, mais o pedido de Chipre, o esperado da Eslovénia e a Espanha e a Itália a caírem ao charco ameaçando arrastar tudo consigo, o BCE lá decide mexer-se. Vai mesmo haver mais dinheiro - aquilo de que Passos jurou a pés juntos não querer nem precisar e que Rajoy exigiu e conseguiu.
   
Sustenham o suspiro de alívio, porém. O mesmo discurso do BCE continua a vincar a necessidade da manutenção dos ajustamentos "estruturais" e da austeridade. De uma assentada, pois, prometem-nos a luz ao fundo do túnel e que não sairemos dele.
  
Vejam-se os números ontem divulgados pelo Eurostat: a Europa está a entrar na segunda recessão em três anos, e Portugal lidera (entre os países que apresentaram números: a Grécia não fez esse favor) com uma contração de 1,2%. Logo atrás vem, com 1,1%, a Finlândia (a tal que não empresta dinheiro aos pobres). Mas a contração portuguesa, diz-nos a cartilha da troika e de Passos, sucede porque ainda não somos suficientemente "competitivos" - ainda gastamos muito em salários que já são dos mais baixos da UE e indemnizações por despedimento, ainda temos duas ou três empresas fundamentais no sector público, ainda não demos completamente cabo da educação e da saúde para todos e ainda não arruinámos a segurança social. Ou seja, ainda não estamos miseráveis o suficiente para "atrair o investimento", mas "vamos no bom caminho", aliás único. Qualquer outro, a começar pelos que passem pelo investimento público, é, como sabemos, o "regabofe". Aliás, foi essa, a via do investimento "com o dinheiro dos outros", "que nos trouxe aonde estamos", não foi?
   
Foi, claro. Não interessa nada se essa era a via ditada pela Comissão Europeia até ao início de 2010 como reação à crise financeira internacional (repetir: isso nunca aconteceu). Ou que um estudo publicado em julho pelo FMI conclua que "retirar o estímulo fiscal demasiado rápido a economias em contração pode prolongar as respetivas recessões sem gerar a esperada poupança. Isto é particularmente verdadeiro se o ajustamento fiscal está centrado em cortes no investimento público (...) e se é de grande envergadura." E termina, como quem faz um desenho: "Ajustamentos feitos de uma só vez (frontloading) durante uma recessão tendem a ter custos muito mais elevados, além de atrasarem a redução da dívida face ao PIB. O que pode exacerbar a desconfiança dos mercados na dívida soberana em tempos de baixa confiança, deitando a perder os esforços da austeridade." Até parece uma descrição do que nos está a suceder, mas é mentira de certeza. Só pode: íamos lá ter uma clique de iluminados a levar-nos resoluta e cegamente para o fundo, enquanto clamam prisão para quem apostou no investimento público, e, de repente, algures nos próximos meses, anunciarem que tudo o que era mentira passa a ser verdade (e vice-versa) sem nunca, bem entendido, mudarem os culpados? Nããã.» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.   
    
     
 Uma excelente ideia
   
  
«Tan Chaoyun, que vive em Shenzen, na província chinesa de Guangdong, decidiu tomar a decisão radical de rapar o cabelo aos seus quatro filhos gémeos, de seis anos de idade, em forma de números de 1 a 4, porque estava preocupada com o facto de os professores não os conseguirem distinguir facilmente na sala de aula, adianta o "Mirror".
   
"Os meus filhos são praticamente iguais, até para mim é difícil distinguir uns dos outros", afirmou Tan Chaoyun, revelando que a única diferença entre eles é a forma das pálpebras.» [DN]
   
Parecer:
 
Os nossos ministros também  são tão iguais na imbecilidade e incompetência que Passos Coelho também devia levar o seu governo e ele próprio ao Baieta para os numerar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
      
 Obrigadinho ó Ganda Nóia
   
«Marques Mendes acredita que este ano não haverá mais austeridade, mas que no próximo ano poderá haver novas medidas.
   
"Mais austeridade para as pessoas este ano, em princípio, não. Já para o próximo ano eu não diria a mesma coisa. Eu julgo que vai ter de haver alguma austeridade para as pessoas. Eu diria que, face à decisão do Tribunal de Contas, é inevitável", afirmou, na TVI24. O comentador frisou que, além do aumento de impostos, "há outras soluções técnicas".» [DE]
   
Parecer:
 
O país não sabia o que fazer, mas veio o Ganda Nóia e descobriu a pólvora pela segunda vez, o país vai ter que adoptar austeridade em 2013. Resta agora esperar que o Ganda Nóia e outras nódoas polítics que por aí andam peça desculpa aos portugueses pelo falso optimismo que andou a vender.

Mas no dia em o Ganda Nóia achou que devia manipular os que ainda acreditam nessa coisinha com duas perninhas e duas patinhas teve azar, quase à mesma hora que disse não esperar mais austeridade para 2012 soube-se que o Santinho de Massamá iria anunciá-la.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 GNR falha no casting
   
   
«O comandante-geral da GNR, tenente-general Newton Parreira, exonerou nesta manhã de sexta-feira o comandante do comando territorial de Braga, coronel Francisco Manuel Mota Gonçalves, por o mesmo ter autorizado a participação de militares fardados daquela força de segurança numa encenação teatral, intitulada ‘O Funeral de Portugal’, e realizada no âmbito da Guimarães, Capital Europeia da Cultura.
   
Mota Gonçalves foi chamado ao quartel do Carmo, em Lisboa, depois de nesta quinta-feira à tarde o comando-geral da GNR ter ordenado a abertura de inquérito de averiguações à entrada dos guardas na peça de teatro de rua, pela qual foram pagos de acordo com a tabela de serviços gratificados em vigor na GNR. » [CM]
   
Parecer:
 
Só neste país os agentes da autoridade fazem de profissionais de teatro a título de serviços remunerados, incluindo a representação artística uma sala de tiros usando armas da GNR e munições pagas pelos contribuintes.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Janela de oportunidade para a nova administração da RTP
   
«A Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CReSAP) teve 23 horas para aprovar a nova administração da RTP: Alberto da Ponte é um gestor com larga experiência noutros sectores, Luiana Nunes é uma "boa" financeira, embora jovem e com curta experiência, e José Araújo é um indivíduo da casa que percebe do negócio. 
  
Para o presidente da comissão, João Bilhim, os currículos dos três gestores da RTP avaliados denotam uma grande complementaridade e potencial, o que pode dar pontos ao futuro da equipa.
   
"O resultado deste grupo pode ser superior ao resultado em termos individuais, porque eles têm um homem da casa que percebe do negócio, uma boa financeira e ainda um indivíduo que não percebendo do negócio é uma mais-valia", defende o responsável.
   
Toda esta avaliação foi feita num prazo recorde. "Recebemos o pedido do Governo às 9h do dia 5 e terminámos a avaliação à uma da manhã do dia seguinte", explicou ao Expresso João Bilhim, presidente da Comissão. Um prazo reduzido, que segundo o próprio, se deveu à polémica à volta do caso e ao interesse de Portugal. 
   
"Nós temos normalmente dez dias para dar um parecer, mas felizmente houve essa janela de oportunidade do nosso lado, dada a imprevisibilidade da situação", explicou João Bilhim.» [Expresso]
   
Parecer:
 
É lindo ver o João Bilhim usar as expressões do regime para caracterizar a sua alta eficácia e ainda vir para a comunicação social elogiar escolhas e auto elogiar-se.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
   
 Ao que chegou a luta antoi tabagista
   
«No documento, que este organismo do Ministério da Saúde colocou no seu site, lê-se que "o aumento dos preços dos produtos do tabaco é a principal estratégia para limitar o consumo de tabaco, em particular entre os jovens e os grupos populacionais com menores recursos".» [Expresso]
   
Parecer:
 
A verdade é que a esmagadora maioria dos viciados em tabaco não se consegue libertar da dependência e acabam por ser vítimas do aumento dos impostos. Desta forma os impostos acabam por funcionar como uma condenação por consumo de uma substância que o Estado não proíbe porque tem lucros no seu negócio.

O aumento dos preços, que em Portugal já são brutais são discriminatórios porque atingem de forma desigual os portugueses e promovem o contrabando e o risco de consumo de tabaco adulterado introduzido no mercado pelas redes de contrabando. Estes senhores não estão preocupados com os cidadãos que fumam, parece que desejam sacrificá-los discriminá-los, explorá-los e em última análise matá-los.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se contra esta abordagem nazi do tabagismo.»
   

   
   

  

   

   

  

sexta-feira, setembro 07, 2012

Quem disse que não há mais margem para austeridade


Há mais margem para mais austeridade? Claro que há, basta estender a todos os portugueses o que se fez aos funcionários públicos, exigindo de cada um deles, desde o mais rico ao mais pobre um esforço proporcionalmente idêntico e o país sairá da crise. Vale a pena recordar, os funcionários públicos tiveram aumentos nas suas contribuições para a aposentação e ADSE, tiveram um corte de 10% nos vencimentos e, por fim, perderam os subsídios. Em cima de tudo isto sujeitaram-se aos aumentos de todos os impostos como todos os portugueses.
   
Há quem diga que este é o preço de terem emprego certo o que é mentira, ou que ganham mais 15% do que a média dos portugueses, o que é uma manipulação goebbeliana da verdade, Há alguma empresa ou grupo profissional do sector privado que tenha sido alvo de um despedimento colectivo de 40 mil profissionais, sem qualquer indeminização como sucedeu com os professor? Há alguma profissão que no sector privado tenha remunerações que em média sejam inferiores às praticadas no Estado?
   
Mas a questão não está entre os pobres ou entre sector público ou privado da classe média, mas sim na dimensão discriminatória e sacana da austeridade. A verdade é que muitos portugueses têm sido deliberadamente excluídos do esforço de austeridade, para este governo há portugueses de primeira e portugueses de segunda.
   
Compare-se, por exemplo, os rendimentos anuais líquidos de Eduardo Catroga antes e depois da crise ou das medidas de austeridade. A verdade é que há neste país muita gente a ganhar com a crise e os que não estão a ganhar estão a evitar prejuízos maiores transferindo-os para os portugueses mais pobres através de medidas de austeridade.
   
Um bom exemplo deste oportunismo é o que se passa com os bancos, durante anos desviaram lucros, fugiram aos impostos, ajudaram os seus clientes a desviarem a riqueza para as off shore, emprestaram o dinheiros a juros baixos aos seus sócios, familiares e amigos. Agora financiam-se à custa de um empréstimo internacional ao país e já conseguiram um perdão dos juros que serão suportados pelos contribuintes.
   
É evidente que há mais margem para austeridade e os funcionários estão aí para servir de prova disso, que se sacrifique o Eduardo Catroga e outros na mesma proporção e não só o programa de austeridade terá mais recursos como ainda será infinitamente mais justo.
   
Os que dizem que não há mais margem para mais austeridade são os mesmos filhos da puta que defenderam que um grupo restrito de portugueses fosse condenado a pagar sozinho a crise do país. O resultado dessa política económica canalha estão à vista, um desvio colossal nas receitas fiscal e o sacrifício exigido aos funcionários públicos de nada serviu, o país está bem pior do que antes do resgate, a economia está destruída, os banqueiros são os mesmos filhos da puta a que já nos habituaram e o país está à beira do colapso e sem presidente ou governo capaz de fazerem frente à situação.

Tô tiste


Estou triste, estou eu e uma boa parte dos portugueses, estamos tão triste que nem o cavalo do D. José consegue resistir a este ambiente de tristeza, o pobre o bicho chora tanto que quem passa pelo Terreiro do Paço em pleno mês de Agosto já vai equipado de chapéu de chuva.
   
Com um governo destes que aumenta os impostos e cobra menos dois mil milhões do que o esperado e agora que pretende recuperar a receita a melhor solução que encontra é precisamente aumentar os impostos aos que ainda pagam?
   
Vejam o coitado do Alberto da Ponte, um brilhante gestor que conseguir pôr os portugueses a beber mais Sagres do que Superbock e que tinha sido promovido a número dois de uma multinacional vês obrigado a regressar ao país para ganhar menos do que o Santinho de Massamá, como é que o pobre homem não pode estar triste? Se ainda, ao menos, ganhasse tanto como o Catroga, mas não, fazer o frete aos chineses rende mais do que fazer de “Ponte” entre o bolso dos portugueses e o bolso da Ongoing.
   
Como é que não se fica triste quando depois de andarmos dois anos entusiasmados com a possibilidade de transformar o país numa imensa multinacional do pastel de nata, até já imaginava o país cheio de bandeiras lusas encomendadas à China, com a esfera armilar substituída pela massa folhada do delicioso pastel e vem agora o sôr Álvaro dizer que não, que já não vamos ser as pastelândia da Europa, agora vamos ser o novo Brasil, ouro na panasqueira, petróleo em Alcobaça, pirites no Alentejo, gás natural ao largo de Tavira. A nossa vocação não é para pasteleiros e outras coisas do género e muito menos enfermeiros na Florida algarvia dos velhos boches, o que nós somos mesmo é mineiros.
   
Compreendo a tristeza do nosso Ronaldo, como não podia deixar de ser o nosso número um, o capitão da equipa da alma lusa, não podia deixar de transmitir ao mundo o ambiente aqui do balneário ibérico, estamos tristes, somo um povo de tristes. Vai-se para professor e acaba-se em aluno da administrativa do centro de emprego, vai-se para enfermeiro acaba-se em auxiliar da mulher a dias, vai-se ganhar dez milhões e aumentam-nos os impostos para o dobro. É mesmo de qualquer um ficar triste.
   
Como se pode ficar alegre se olhamos para Belém e vemos o Cavaco, se olhamos para a RTP e vemos o Relvas, se olhamos para São Bento e vemos o Passos, ficamos tristes da cabeça aos pés, da alma ao aparelho reprodutor, somo um povo triste e sem vontade de fazer filhos.

Umas no cravo e outras na ferradura -


 
   Foto Jumento
 

Tomar
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 

   
Angra do Heroísmo [J. Ferreira]
 
Jumento do dia
   
Alberto da Ponte
   
Não é todos os dias que um glorioso administrador luso, quase  apresentado como número dois (até faz lembrar o António Borges quando se pavoneava com o título pomposo de vice da Goldman Sachs de que nunca foi) de umas das maiores multinacionais do planeta, que está na sede da empresa a definir a estratégia mundial de uma marca e reportando-se directamente ao presidente larga todos os seus privilégios perante o apelo da pátria.

No meio de tanta ambição pessoal Alberto da Ponte deu um exemplo ao país, até porque ser presidente de uma empresa cujo futuro está nas mãos do Relvas é como estar disposto a aceitar servir o país à frente do departamento de limpeza da CML.

Alberto da Ponte está de parabéns e é um exemplo para o país, que venham todos os Albertos da Ponte perdidos por esse mundo fora para servir humildemente o país. Obrigado Alberto, obrigado Miguel.
    
 Cinismo

Os responsáveis do CDS assumem-se como os grandes opositores ao aumento dos impostos mas Paulo Núncio, o centrista dos Assuntos Fiscais vai ao parlamento anunciar uma redução dos escalões do IRS, isto é, um forte aumento dos impostos a coberto de uma falsa reforma do imposto. Aliás, os últimos anos o IRS tem aumentado brutalmente graças aos truques manhosos de Paulo Núncio.

 Confusões linguísticas?
 

Fica-se com a impressão de que o pessoal do CM faz de tradutor do governo, designadamente, do Gaspar e o Álvaro e confundem deliberadamente restrições salariais com cortes salariais, coisas que podem ser bem diferentes. Fica-se agora à espera que os patrões do CM dêm um exemplo de competitividade e sigma a sugestão dos cortes salariais aplicando-os aos seus jornalistas.
 
 Alberto da Ponte na RTP

Agora, sempre que virmos um programa da RTP temos de ir ao balão, ouvir aquela estação embebedará mais do que um barril de cerveja Sagres.

 RTP

Relvas arranjou uma "ponte" entre o património dos portugueses e o da Ongoing?
   

  
 A máscara enfim caiu
   
«Nos exames trimestrais, já se tornou habitual cedermos a iniciativa política. Deixarmos até que a língua portuguesa seja trocada pelo inglês sem tradução - mesmo nos documentos oficiais. É a vida. Jogamos fora cá dentro: encolhemos os ombros, engolimos as medidas, curvamos a espinha. Na verdade, é tudo simbólico: lavamos as mãos do nosso próprio destino. Eles mandam, nós cumprimos.
   
O que acha a troika desta boa vontade? Ora bem, se Relvas é o ministro das equivalências e Borges o equivalente a ministro, então a troika, mais coisa menos coisa, equivale ao nosso Governo. Tudo normal, portanto. Será mesmo assim? Esta semana, num encontro com um grupo de sindicalistas, a troika sublinhou que afinal a responsabilidade das medidas é do Executivo português, não dela. O bom, o mau e o péssimo do memorando de entendimento deve ser atribuído só ao Governo. É ele que executa e presta contas.
   
Naturalmente, a frase caiu mal. Soou a traição, embora na realidade, contra todas as indignações, tenha calhado muito bem. Devíamos ter festejado o acontecimento. Aquela frase é uma boa frase. Aquela frase dá-nos algum espaço de manobra, responsabiliza-nos e abre um debate que até agora parecia chutado para as margens da espuma partidária.
   
A este gesto que a troika fez sem querer, sem pensar e talvez sem medir as consequências podemos chamar de nation building - a expressão que as Nações Unidas usam para dar algum poder aos países ajoelhados. Significa capacitar os nativos que eles têm de começar a andar pelo próprio pé. Não vale a pena culpar os outros, embora isso faça parte do processo de cura: negação, raiva (histeria), negociação, depressão, aceitação. Já passámos pelas primeiras quatro fases, embora com a ordem trocada e sem nunca aprofundar o terceiro passo - a negociação.
   
É essa possibilidade que agora se reabre diante de nós. Não passámos a ter avenidas floridas à nossa frente, a margem continua estreita, as metas impossíveis, a Zona Euro uma bomba relógio. Mas caiu por terra o imperativo moral (moralista) do Governo - verguem-se, ó culpados - que se abatia sobre os portugueses. O memorando deixou de ser o tapume teórico e a escritura que justificava todas as medidas e agruras. Perdida em parte a desculpa, não resta ao Governo senão assumir a ideologia em nome próprio, com virtudes e defeitos, embora no contexto económico atual. O que equivale a dizer: resta a Passos Coelho governar além da troika, não para a troika - para o País. Caiu finalmente a máscara. Pode até ser bom. Pode moderar os piores instintos.» [DN]
   
Autor:
 
André Macedo.
   
 Querem deslocalizar o pau de marmeleiro
   
«É uma estátua de duas toneladas de bronze distribuídas por dois homens e um pau de marmeleiro, glorificando uma lenda que uma cidade fez sua. O seu tipo de justiça, com um varapau, está para Fafe como o chapéu está para Fernando Pessoa, é um pormenor, só isso, e até cai bem. A justiça de Fafe, lenda antiga, só corporizada em 1981 com a tal estátua que foi colocada nas traseiras do tribunal. Agora - é essa a notícia - o presidente da Câmara quer deslocalizar a estátua, não por razões económicas como acontece às fábricas, mas por incompatibilidade de vizinhança. A justiça pelas próprias mãos ficaria mal ao lado de um tribunal... Como se não vivêssemos num país com um cemitério chamado dos Prazeres e um aeroporto chamado Sá Carneiro. Nos 31 anos de vizinhança, nunca um pleito do tribunal de Fafe, mal influenciado pela estátua, saiu para as traseiras à bordoada, tal como os aviões não se puseram a despenhar no Porto ou os enterros a dançar em Campo de Ourique. Os nossos líderes, com mil desses falsos cuidados connosco, ofendem-nos a inteligência. E, no caso de Fafe, até tresleem. O Visconde de Moreira de Rei, usando o varapau, tal como contou o Barão de Espalha Brasas, cujo poema épico deu início à lenda, foi, afinal, um precursor da justiça moderna, proporcionada e pedagoga. Tendo sido provocado a duelo, não escolheu a espada ou a pistola, que são fatais, mas o pau, que não mata e, bem aplicado no lombo, educa.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
     
  
     
 Unicer aprova escolha da Centralcer para a RTP
   
«António Pires de Lima (filho), presidente da Unicer (Super Bock), aprova a escolha governamental de Alberto da Ponte - seu arqui-rival durante anos na presidência da fábrica da Sagres, a Sociedade Central de Cervejas - para a presidência da RTP.» [DN]
   
Parecer:
 
E o que é que o país tem que ver com a opinião do senhor das bebedeiras Superbock?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
      
 Agora é que o dizes?
   
«Barroso defendeu hoje em Bruxelas que os Estados-membros devem melhorar a sua competitividade sem pôr em causa o Estado Social.
   
José Manuel Durão Barroso, que falava na abertura de uma conferência de dois dias sobre Emprego, organizada pela Comissão Europeia, disse discordar daqueles que defendem que, face aos desafios de competitividade que a Europa enfrenta, deveria ser equacionado o modelo social e a economia social de mercado.
   
"A Comissão discorda desta análise, precisamente porque sabemos, e podemos vê-lo na prática, que alguns dos países mais competitivos na Europa e do mundo são precisamente aqueles que são mais ativos em termos da europa social que queremos construir", disse.» [DE]
   
Parecer:
 
Barroso no seu melhor, à rasca e a fugir do barco da austeridade como se fosse uma ratazana.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Durão Barroso que instruções foram dadas ao representante da Comissão na Troika.»
   
 Terá sido ideia de José Sócrates
   
«Um capitão que assessorou tecnicamente a Marinha no processo de aquisição dos submarinos afirma num documento reservado que o Ministério da Defesa aceitou reduzir as capacidades dos dois submarinos comprados a um consórcio alemão sem baixar o preço dos submergíveis.
   
O relatório datado de Abril de 2004 - consta de um dos inquéritos judiciais a este negócio, arquivado em Junho - alerta ainda para falhas na negociação do apoio logístico no pós-compra, o que implica que os aparelhos terão um custo mais elevado de manutenção e operação. A Marinha estima que a manutenção dos dois aparelhos vá custar sete milhões de euros por ano.
  
"Constata-se que o preço dos dois submarinos (712 milhões de euros) não sofreu qualquer alteração em relação ao valor da adjudicação [em 2003], embora, como já se explanou no presente documento, a configuração dos submarinos tenha sido degradada", escreve o capitão-de-mar-e-guerra Rui Rapaz Lérias, o oficial mais antigo no Grupo de Projecto dos Submarinos, que assessorou tecnicamente a Marinha neste dossier. O documento foi elaborado uns dias depois da assinatura do contrato de aquisição dos submarinos pelo então ministro da Defesa, Paulo Portas. E é justificado por Rapaz Lérias com a necessidade de que "fique definitivamente registada a responsabilidade das partes envolvidas no processo de tomada de decisão que se desenrolou nos últimos três meses antes da assinatura do contrato", numa altura em que estava prestes a deixar as funções de director de projecto.
   
O militar lamenta ainda muitas das opções aceites pelo grupo de apoio ao ministro da Defesa, integrado pelo contra-almirante Cardoso Caravana, que assessorava. Entre estas está a mudança do fornecedor do sistema electrónico de guerra dos submarinos, um equipamento que considera nuclear para o valor militar dos aparelhos, que acabou "entregue a duas empresas sem qualquer experiência na produção de sistemas" como este, o que constitui "um risco tecnológico relevante". O objectivo da alteração era poupar cerca de três milhões de euros, mas o militar considera que neste caso a mudança não se justificava, "tanto mais que o preço dos submarinos propriamente ditos se manteve". Critica também que se tenha aceitado pagar um milhão de euros por alguns "melhoramentos" dos submarinos, considerando que as alterações "foram claramente sobrevalorizadas". 
   
O capitão sublinha que discordou que o grupo de apoio tenha decidido "retirar do âmbito do fornecimento contratual todos os bens relativos ao apoio logístico de terra, designadamente as ferramentas especiais, os sobresselentes de terra para os dois primeiros anos de operação, os equipamentos de medida e teste, o equipamento auxiliar de manutenção e o equipamento oficinal". E critica a forma como foi negociado o apoio logístico pós-compra, o que, realça, "terá implicações nefastas nos custos de sustentação dos submarinos".
   
Relativamente à formação e treino que o consórcio alemão ficou obrigado a dar, Rapaz Lérias critica o montante cobrado (4,557 milhões de euros), que considera "muito elevado", insistindo que se poderiam ter poupado mais de 300 mil euros. Também enfatiza que o grupo de apoio ao ministro da Defesa Paulo Portas retirou dos serviços a prestar pelos alemães o alojamento dos militares em formação e treino, uma despesa que estima em 1,5 milhões de euros.» [Público]
   
Parecer:
 
É uma pena que José Sócrates nunca tenha sido relacionado com o negócio dos submarinos, a esta hora tudo estaria investigado e nenhum estatuto livraria Sócrates de escutas ou lhe daria direito a certificados de inocência.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Mais gregos do que os gregos
   
«Em Portugal, o Eurostat revela que a contração do PIB foi de -0,1% no primeiro trimestre de 2012 e de -2,3 no segundo trimestre de 2011.» [Expresso]
   
Parecer:
 
Passos Coelho vai deixar de ser mais 'troikista' do que a 'troika' para passar a ser mais grego do que os gregos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Um Kg de açúcar vale 28 acções do BCP
   
«As acções do BCP caíram no início da sessão de hoje 11,8% para mínimos de três meses em 0,075 euros, reflectindo o efeito diluitivo do aumento de capital de 500 milhões de euros que será feito a um desconto de 53%, face à cotação de fecho de ontem.
   
A Administração do Millennium bcp deu ontem 'luz verde' ao previsto 'cash call' de 500 milhões de euros, reservado a accionistas ao preço de subscrição de 0,04 euros por acção, que implica um desconto de 53% face à cotação de fecho.» [DE]
   
Parecer:
 
Pobre Opus.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Opte-se pelo kg de açúcar, é um melhor investimento do que acções do Opus Millennium.»
   
 Nem todos são mais troikistas do que a troika
   
«A Hungria não vai aceitar um empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da União Europeia (UE) com as condições impostas pelas duas instituições, declarou hoje o primeiro-ministro, Viktor Orban, na sua página no Facebook.
   
"A esse preço (...) e dessa forma, não. Não precisamos de uma garantia financeira", indicou num vídeo divulgado na referida página, em alusão a um empréstimo de 15 mil milhões de euros que a Hungria está a negociar com o FMI e a UE.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Os húngaros não quererão o nosso Santinho de Massamá mais os Gasparoika?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»