sábado, setembro 22, 2012

Até dia 15


A direita portuguesa continua a ser burra como de costume, o governo disse que ia modelar a sacanice, o sogro do novo dono do Pavilhão Atlântico fez uns arranjinhos nos bastidores, o Portas e o Passos fizeram uma encenação de arrufos de namorados, o Vítor Gaspar foi para a Alemanha elogiar os manifestantes portugueses, os mesmos a quem elogiava a paciência, os caciques locais e regionais do PSD e do CDS deram uns guinchos para aliviar o sofrimento exemplar dos idiotas das bases, Até o Nogueira Leite disse que se pirava. Só António Borges, o único português que arranjou dois empregos incompatíveis depois de ter exercido sucessivamente dois cargos igualmente incompatíveis, andou desaparecido e em vez de dar assessoria às bestas do governo deverá ter optado por escovar os seus cavalo em Alter.
   
A direita portuguesa nunca teve a inteligência do povo português em grande consideração, influenciada para muitas décadas por um salazarismo cuja categoria intelectual nunca conseguiu repetir (Salazar deve estar quase a ressuscitar de tantas gargalhas que dará na campa ao ver as baboseiras deste governo). A política não é coisa para povo mas sim para políticos encartados, nem que para isso tenham recorrido às equivalências da Lusófona. A direita acha que o povo é uma massa de idiotas, facilmente enganados e que troca as preocupações por uma boa festa com direito a bebedeira e foguetório, pensam que o país é um imenso Chão de Lagoas.
   
O governo usa e abusa da a ameaça da troika para forçar os portugueses a aceitar a reformatação do país segundo um projecto escondido e que nada tem que ver com a solução da crise financeiro ou com o crescimento sustentado. O excesso brutal de austeridade visa uma alteração brutal na distribuição do rendimento, fazendo o país recuar a um modelo social dos tempos do princípio do século XX. Foi para isso que serviu o excesso de austeridade já imposto, mas como o projecto falhou o governo dos imbecis volta a repetir a dose, desta vez aumentada pois é preciso recuperar os mais de 4.000 milhões de euros de receita fiscal que o incompetente do Gaspar foi incapaz de cobrar.
   
O muito mais do que a troika é um projecto canalha de tirar aos pobres não apenas para resolver a crise financeira mas também para aumentar a riqueza dos que já são ricos. Se alguém pensa que gente como o Moedas, o António Borges, o Passos Coelho, o Vítor Gaspar ou o doutoríssimo dr Migue, Relvas vão abandonar este projecto está enganado. Esta gente adopta algumas medidas da treta que não atingem a riqueza de ninguém e pela calada vão continuar a implementar o projecto doentio que os tem norteado.
   
Mais tarde ou mais cedo o povo vai aperceber-se do logro montado pelos partidos de direita com o apadrinhamento do sogro do dono do Pavilhão Atlântico. Quando isso suceder voltaremos todos para a rua, mas seremos muito mais do que 600 mil e não voltaremos a casa sem que este governo canalha tenha caído e a certeza de que vão provar de uma lei inconstitucional como eles tanto gostam para que possam ser julgados pelos crimes contra a economia e contra o povo que cometeram. Alguém tem de pagar pela desgraça, pelos doentes que deixaram de ir aos médicos, pelos que perderam as casas, pelos que tiraram os filhos das escolas e pelos que se suicidaram só para que o país fosse sujeito às experiências conduzida por gente incompetente, mal preparada e mal formada.

Umas no cravo e outras na ferradura-



 
   Foto Jumento
 

Pormenor da estátua do Marquês de Pombal, Lisboa
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 

   
Ilhéus, Brasil [A. Cabral]   
A mentira do dia d'O Jumento
 

Paulo Portas e Pedro Passos Coelho vivem uma segunda lua-de-mel depois de terem renovado os votos da sua união de facto apesar de o primeiro dar mostras que querer fugir com o motorista. Mas como o país deve ver um casal feliz não só celebraram como festejaram, com bolo de casamento e tudo mais a preceito. O Jumento conseguiu a fotografia dos bonecos que decoravam o bolo de casamento com que os conjugues apadrinhados pelo tio Silva consumaram a renovação dos votos.

Jumento do dia
   
Cavaco Silva
 
Cavaco Silva está-se esforçando por ficar com a imagem de quem se bateu pela estabilidade num momento de crise política o que só lhe fica bem, mas tem um pequeno problema, os portugueses podem estar a passar um mau bocado por causa dos estarolas do seu partido mas não se esquecem do percurso recente do ainda e para infelicidade dos portugueses Presidente da República (a letra grande é mais por respeito à instituição do que ao titular.
 
Só que os portugueses não esquecem que esta crise não é de hoje que o mesmo Cavaco tudo fez para promover  a crise política depois de ter estalado a crise financeira europeia e ainda antes da Europa ter adoptado qualquer resposta adequada à situação. Não esquecem que Cavaco foi um dos artífices da perda da soberania nacional e que o mesmo que dantes se queixava de que havia austeridade a mais agora tudo faz para que os portugueses engulam contra vontade doses de cavalo de austeridade.

Cavaco lá sabe se está preocupado com o interesse nacional ou se está protegendo um governo do seu partido e que tem sido simpático com ele e com a família. Mas a verdade é que Cavaco está mais preocupado em evitar um chumbo constitucional a mais uma pinochetada do Gaspar, tudo fazendo para dar coerência a um pacote de austeridade brutal.

Se Cavaco queria ficar na história de Portugal já o conseguiu, até já podem encomendar as placas pois desde São Sebastião da Pedreira até ao Parque das Nações há muitos locais apropriados para o record 
«O Presidente da República, Cavaco Silva, defendeu nesta sexta-feira que a estabilidade política é "da maior importância" para Portugal, considerando estar "ultrapassada" a "eventualidade" de uma crise política, que seria "dramática".» [CM]
   
 Você confia nele? Eu não.



Este homem é perigoso para a economia e para a democracia e para o país:  
  • Elabora o Orçamento de Estado com previsões erradas ou falseadas.
  • Não acerta uma e conduziu o país a mias uma vaga de austeridade, errou na previsão da recessão, provocou mais desemprego do que o previsto e falhou nas receitas fiscais por mais de quatro mil milhões de euros.
  • Quer reformatar a sociedade portuguesa empobrecendo uns e enriquecendo outros, sem que tal projecto tenha sido do conhecimento prévio dos cidadãos.
  • Está-se aproveitando da crise para impor ao pais o seu projecto de sociedade e de economia.
  • Revela uma subserviência para com o ministro das Finanças da Alemanha que ofende a soberania nacional e a dignidade dos portugueses.
  • Propõe ou aceita medidas nas actualizações do memorando sem as discutir com os parceiros sociais ou com os partidos da coligação ou com os que assinaram o memorando e despreza totalmente as regras constitucionais.
  • Tem-se revelado incompetente a gerir a administração fiscal com as consequências financeiras que estão à vista.
Há uma grande difeerença entre ser um bom técnico e ser um bom ministro, uma diferença tão grande que uma boa parte dos bons técnicos não têm a mais pequena aptidão para serem ministros por ser uns "anormalões". Muitos dos bons alunos não são apenas inteligentes, são indivíduos que não são bons da cabeça, são gente que se refugiou da sociedade nos livros.
  
Um bom economista sabe de modelos, de econometria, de indicadores mas não sabe necessariamente muito de política económica, pode desconhecer as regras de convivência em democracia, pode não conseguir distinguir entre um individuo em quanto indicador económico e um concidadão. Este tipo de economistas são mais técnicos do que economistas, são como os estudantes de medicina que têm mais vocação para gerir laboratórios de análises clínicas do que para serem médicos, no caso do nosso Gaspar, se fosse médico estaria mais a vê-lo a escarafunchar num cadáver num laboratório de anatomia ou de medicina legar do que a tratar de doentes.
  
Tal como há médicos mais vocacionados para a medicina legal do que para salvar vidas, alguns até são loucos suficientes para fazerem experiências em seres humanos, também há economistas que nunca deveriam sair dos gabinetes de estudos por serem demasiado perigosos para lidar com cidadãos. Parece ser esse o caso de Vítor Gaspar.
  
Alguém que manifesta total indiferença com o sofrimento humano, que não pestaneja perante o rasto de miséria, desgraça e destruição que deixa atrás de si, que não parece estar incomodado porque devido às suas experiências há quem acabe na miséria, há quem vá viver para a rua e mesmo quem opte pelo suicídio, e em cima de tudo isto não se cansa de elogiar a capacidade de sofrimento dos portugueses não pode lidar com pessoas, a sair dos gabinetes só se for para gerir o Zoo de Lisboa, não sabe lidar nem manifesta sentimentos em relação ao ser humano.
 
 Miguel de Vasconcelhos
 
«Miguel de Vasconcelos e Brito (c. 1590 [1] — 1 de Dezembro de 1640 [2]) foi secretário de Estado (primeiro-ministro) da duquesa de Mântua, vice-Rainha de Portugal, em nome do Rei Filipe IV de Espanha (Filipe III de Portugal). Era odiado pelo povo por, sendo português, colaborar com a representante da dominação filipina. Foi a primeira vítima da Revolução de 1640, tendo sido defenestrado da janela do Paço Real de Lisboa para o Terreiro do Paço. Assim como previa a revolução, o povo, que aguardava no Terreiro do Paço, só saberia que a revolução tinha sido bem sucedida quando Miguel Vasconcelos fosse defenestrado.» [Wiki]

É o que sucede aos traidores que se poem ao serviço do estrangeiro.
 
 Uma pergunta a Cavaco Silva

Para que serviu a reunião do Conselho de Estado?
 

  
 Recuar para onde?
   
«Para começo de conversa, convém recordar a alguns espíritos mais desatentos que na origem desta súbita convulsão politica e social contra o Governo não está nenhuma medida de austeridade destinada a reduzir o défice nas contas públicas, ou a cumprir o Memorando a que o País está vinculado, ou sequer a satisfazer uma exigência da ‘troika’ ou do Tribunal Constitucional.
   
Por muito que isso custe aos que se especializaram em deitar culpas de tudo para os outros, e em especial para o governo anterior, o que está aqui em causa, antes do mais, é uma medida livremente escolhida pelo actual Governo: descontar um mês de salário a todos os trabalhadores para oferecer às empresas (sejam elas quais forem) a redução da Taxa Social Única (TSU). Foi contra esta injustiça grosseira e contra este monumental disparate económico que o País inteiro se levantou.
   
Acontece que esta medida, mais do que qualquer outra, teve o efeito de revelar aos portugueses a verdade sobre quem nos governa. Os portugueses puderam ver, em directo e ao vivo, que o primeiro-ministro tentou justificar esta medida insuportavelmente violenta para as famílias com estudos que até hoje ninguém viu e com previsões em que ninguém acredita, nem pode acreditar - sobretudo depois de se perceber que os resultados pretendidos dependem todos do sucesso dos apelos pungentes do primeiro-ministro aos empresários para fazerem o favor de baixar os preços...
   
Mas esta medida não revelou apenas a ligeireza, a impreparação e falta de bom senso do primeiro-ministro: expôs também, à luz do dia, e de forma definitiva, toda a verdade sobre aquela que é a orientação política que guia desde o início a acção do Governo PSD/CDS: uma estratégia clara de empobrecimento, executada através de uma austeridade brutal, muito além da ‘troika', sem nenhum horizonte que não seja um decepcionante modelo de baixos salários. É a tomada de consciência colectiva desta estratégia absurda e sem futuro - escandalosamente escondida na última campanha eleitoral por entre muita conversa contra o aumento dos impostos e as "gorduras do Estado" - que suscita agora uma indignação profunda, que ameaça gravemente as condições de aplicação do programa de assistência financeira e já abala a própria coligação.
   
Os danos causados pelo primeiro-ministro são provavelmente irreparáveis. Mas alguma coisa é preciso fazer. E a primeira de todas parece óbvia: recuar. E recuar, neste caso, significa uma única coisa: desistir da ideia de baixar a TSU das empresas à custa dos trabalhadores. Por estranho que pareça, o primeiro-ministro continua a não dar sinais de ter percebido a dimensão do sarilho que arranjou. Ao fim de duas semanas de contestação geral, insiste ainda em "modelar" apenas a medida, de modo a não atingir os trabalhadores de mais baixos rendimentos. Quando muito, parece admitir uma estrutura progressiva das taxas contributivas aplicáveis aos trabalhadores.
    
A ideia parece ser esta: mudar alguma coisa para que o essencial continue na mesma. Ora, sejamos claros: "modelar" não é "recuar".
   
Pode até compreender-se que o primeiro-ministro, depois de anunciar solenemente esta medida ao País e de ter sido desafiado ostensivamente pelo seu próprio parceiro de coligação, pretenda ainda preservar a sua imagem de autoridade e salvar a face. Mas, como já alguém disse, a política é a arte do possível. E a prioridade do primeiro-ministro, nesta situação, não poder ser salvar a face. O seu dever primeiro é outro: salvar o Governo, dando ouvidos ao País.» [DE]
   
Autor:
 
Pedro Silva Pereira.   

 Acordai!
   
«O debate parlamentar desta sexta feira será um primeiro teste ao Conselho de Coordenação da Coligação, ontem criado. Porque, seja qual for o seu futuro desenho, ele exprime-se na articulação das bancadas dos partidos coligados que hoje serão submetidas à mais cáustica provação.
Bem pode o comunicado saído da reunião de ontem reafirmar compromissos na concretização de estratégias. Bem pode o comunicado reafirmar empenhamento nas reformas estruturais e na equidade na repartição dos sacrifícios. O que temos é uma parceria obrigada pelas terríveis circunstâncias a engolir em seco as, até à véspera, devastadoras desconfianças.
É claro que Miguel Relvas reafirmou ontem toda a confiança em Paulo Portas, "claro que sim". Mas só um CCC implacável, investido de um poder maior que o de Gaspar, evitará que Portas volte a "desautorizar" Passos. Talvez agora Portas viaje um pouco menos. Só um Portas mais doméstico e mais empenhado na divisão de tarefas evitará a necessidade alegadamente manifestada por Luis Montenegro, na última reunião da Comissão Política Nacional do PSD, de "domesticar o CDS".
   
O pretendido esvaziamento de tensão na coligação só produzirá efeitos políticos relevantes se for acompanhado de acções concretas que respondam ao que Marques Mendes definiu como " a necessidade de baixar os níveis de conflitualidade política e social", sem o que, ele o disse, daqui a seis meses estamos gregos.
   
Mas nestas horas de uma paz encabulada falta o momento Nick Clegg. Vale a pena procurar na internet a versão satírica de um video no qual o vice-primeiro ministro britânico pede desculpas por não ter cumprido uma promessa eleitoral de 2010.
   
O liberal Nick Clegg permitiu a comercialização do video e pediu que o produto da venda reverta para uma organização de beneficência. É uma lição de cidadania que bem vinha a calhar num país onde, como lembrou Bagão Félix, parece estar em marcha "a machadada final no regime previdencial".
   
Acordai!» [TSF]
   
Autor:
 
Fernando Alves.
      
 Não aprenderam com sábado
   
«Recapitulando: o homem que chumbou o PEC IV de Sócrates por não haver um limite para os sacrifícios, acha hoje que os sacrifícios não têm limite. É sempre desagradável ser-se traído por uma verdade nas palavras que corresponde, afinal, à mais pura ignorância sobre as coisas. Porque se Pedro Passos Coelho conhecesse realmente a situação do país em 2011, não teria feito a campanha eleitoral que fez. Bastaria dizer: sou mais sério que Sócrates. E os apoiantes votavam nele na mesma porque já não podiam ver o outro nem pintado.
   
Frio e profundamente mal informado, Passos Coelho deitou o anterior Governo abaixo, num momento em que a fraqueza da Europa se agudizava ainda mais com esse gesto. E assim se assumiu a troika como inevitável.
   
Provavelmente não escaparíamos a um apoio "tipo troika" mas importa neste caso recordar o desejo clarificador de Passos há pouco mais de um ano: eleições, porque não adiantava perdermos tempo. E é exatamente esta lógica que faz sentido relembrar agora: manter este primeiro-ministro é perder tempo. Passos Coelho acentuou uma cruzada ultraliberal que não se julgaria possível ao PSD. Percebe-se cada vez melhor que não pretende salvar o país, mas sim vender o país sem precaver o futuro - na energia, nos aeroportos, na água, etc.. Pretende aumentar o emprego através de uma sistemática degradação dos salários como se este fosse o caminho para atrair investidores. E repare-se: os portugueses até aceitaram menos feriados, mais impostos sobre o trabalho e cada vez menos indemnizações por despedimento. Só não imaginavam que também seria necessário perderem uma parte do salário a favor das empresas.
   
Um empresário tem o dever/obrigação de tentar vender melhores produtos, procurar novos mercados, inovar, motivar as suas equipas e, dessa forma, evitar a falência. Uma empresa tem, em geral, recurso ao crédito e ativos para dar como garantia. Um trabalhador, sozinho, não pode dizer aos filhos para comerem só amanhã, não pode deixar de pagar a casa ou a luz. Não perceber a diferença entre a capacidade das empresas e a dos trabalhadores não é o grau zero, é mesmo abaixo de zero.
   
No fundo, precisávamos que o primeiro-ministro, o ideólogo Borges, o executor Gaspar, e depois a troika, o FMI e todos os que nos querem ameaçar com o cancelamento dos empréstimos, respondessem a uma coisa simples: os 7% de aumento na taxa social única são essenciais para abater o défice ou não? Se sim - com a famosa modelação que proteja os salários mais baixos - estou disponível para ficar sem eles (desde que sejam metidos onde devem, ou seja, na Segurança Social). Salvar Portugal exige muitos sacrifícios, não haja ilusões. Mas se não servem para essa recuperação (como é a proposta original da TSU), então não nos venham dizer que finalmente encontraram a fórmula mágica para criar empregos e reanimar a economia. Fazem-no à custa dos trabalhadores com menores salários da Zona Euro?
   
Esta tragédia é ainda maior porque não se vê como é que alguém vai explicar aos "mercados", ao comissário Rehn, ou aos senhores do FMI em Washington, que os portugueses afinal estão a virar "à grega". Obviamente ficam "gregos" se os empurram para uma medida absolutamente estúpida e ainda por cima têm um Governo que, em vez de os proteger, vai fazer queixinha deles... Querem submeter um país inteiro por causa da TSU? O mesmo país que ia aguentando tudo, estoicamente, em nome da responsabilidade e do futuro dos filhos e netos? O mesmo povo que até sábado era "extraordinário" e compreendia tudo?
   
Infelizmente a Espanha vai estoirar, a Grécia não se aguenta em pé, e quando a Europa estiver com estes países quase-cadáveres nas mãos, talvez perceba que tem de nos dar mais tempo para o ajustamento, a juros mais baixos através da garantia do Banco Central Europeu. Porque Portugal tem de ser responsável pelas suas dívidas e ter a coesão necessária para sair desta emergência. E o Governo tem de ajudar a isso e não o contrário. Ainda que Vítor Gaspar tenha em Berlim falado da "dignidade" dos portugueses, a procissão está ainda à porta do adro. Porque as notícias mantêm-se: a TSU é para "modelar". Não aprenderam nada com o dia de sábado.» [JN]
   
Autor:
 
Daniel Deusdado.
    
     
 Tratar o cão com o pelo do próprio cão
   
«O PS vai hoje levar a plenário as propostas iniciais do PSD sobre crédito à habitação. Os partidos da maioria chegaram a propostas conjuntas, algumas mais recuadas que as iniciais. E por isso os socialistas querem confrontar o PSD com o seu “recuo”.
   
“O PSD vai ter de votar contra a sua própria proposta original. Tem de ser explícito que houve um recuo e que o PS estava disponível para aprovar as propostas iniciais”, diz ao i o deputado socialista Duarte Cordeiro.» [i]
   
Parecer:
 
No país reformatado pelo Gaspar os pobres não têm direitos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
      
 Os jornalistas do CM estão cheios de sorte
   
«O secretário-geral do PS confrontou o primeiro-ministro se era verdade que, na sequência das alterações a introduzir no IRS, os portugueses iriam perder metade do salário - como noticia o Correio da Manhã.
   
"Senhor deputado [António José Seguro], eu não sou director do Correio da Manhã. Portanto, penso que o senhor deputado se equivocou no destinatário da pergunta", afirmou.» [CM]
   
Parecer:
 
Se o director do CM fosse o imbecil o CM seria comprado pelo Borda d'Água!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Felicitem-se os jornalisstas do CM pela sorte que têm.»
   
 O país perdeu a oportunidade de se livrar do incompetente
   
«A coligação esteve nos últimos dias a ferro e fogo depois das críticas públicas de Paulo Portas à medida da TSU negociada pelo Governo com a troika. No domingo, a primeira reacção de Passos Coelho foi a de considerar que deixara de ter condições para se manter à frente do Governo.
   
Nesse mesmo dia, após a declaração de Portas, Passos Coelho disse ao seu círculo político mais próximo de que estava a ponderar a demissão, pois entendia que a discordância pública do líder do CDS lhe retirava autoridade perante o país para continuar a liderar as difíceis medidas de ajustamento orçamental e maior austeridade – e que, ao mesmo tempo, o líder do CDS acabara de destruir a coesão política do Governo.» [Sol]
   
Parecer:
 
Que grande encenação, é um agarrem-me senão bato-lhe.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Relvas, perdão, dr. Relvas se vai requerer a equivalência à licenciatura de encenador.»
   
 Começa a perceber-se o recuo de Nogueira Leite
   
«O secretário-geral do PS insistiu duas vezes na pergunta sobre se o Governo pretende incluir a CGD nas privatizações que o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, anunciou recentemente.
   
Passos não respondeu directamente, mas garantiu que "quando quiser anunciar algo sobre a CGD não deixará de o fazer" e que o Executivo "não o fará sorrateiramente". Por fim, pediu para não haver especulação sobre esta matéria.» [DE]
   
Parecer:
 
A CGD será o grande pote tanto desejado pela direita oportunista.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Derrube-se este governo antes que ele derruba Portugal.»
      

   
   

  

   

   

  

sexta-feira, setembro 21, 2012

Quando a evasão fiscal é legitimada

«Carlos Moedas aproveitou ainda a presença de empresários na plateia da conferência para mostrar o desagrado do Executivo com a reacção que estes tiveram às mudanças na TSU. "Durante meses sem fim ouvimos muitas empresas referindo restrições de liquidez que enfrentam no momento de pagar os salários ou investir. No entanto, a crer nas palavras de alguns empresários por estes dias, essas restrições desapareceram de um dia para o outro, não sendo já necessário aliviar custos para promover a competitividade", disse o governante. Carlos Moedas foi ainda mais longe, ao afirmar que há um grupo de empresas que criticam a medida por considerarem que a mesma vai ajudar as empresas mais dinâmicas. "Sei que para algumas empresas, incumbentes, bem instaladas e com domínio de mercado, esta medida pode representar uma ameaça, uma vez que poderá dar mais força às empresas ágeis e dinâmicas", acrescentou.» [DE]
   
Se um cidadão precisa de fazer uma reparação em casa e o pedreiro o confrontar com dois preços, 2500€ com factura ou 2000€ sem factura, que opção deve fazer? Em condições normais, com um governo justo e que respeita a situação económica e a inteligência dos cidadãos a resposta é óbvia. Mas com um governo que brinca aos cortes salariais e já os arredonda para um ou dois vencimentos vale a pena exigir a factura para depois passar fome?
  
Quando um governante chama bem instaladas às empresas que têm lucros porque são bem geridas e onde os direitos laborais são respeitados e acha que deve tirar dinheiro aos trabalhadores para viabilizar patrões com dificuldades por causa da recessão provocada pela incompetência do ministro das Finanças, ou porque são patrões incapazes está a promover a evasão fiscal. Se a má gestão compensa, se as empresas menos competitivas devem ser apoiadas com o pouco dinheiro que pagam aos seus trabalhadores como se pode criticar as empresas que fogem aos impostos, que diferença há entre não pagar o IRC ou roubar um salário aos trabalhadores porque o patrão ficou sem dinheiro porque foi às putas?
   
Quantas empresas vão reduzir os salários dos trabalhadores e pagar essa “diferença” por fora se o governo decidir que nos salários até aos 700 euros não haverá alterações da TSU? Muitas empresas que são competitivas por terem patrões competentes que gostam de pagar bem e  a horas aos seus trabalhadores, que dão mais importância à paz social do que aos lucros adicionais oportunistas (empresas de que o Moedinhas não gosta) só poderão manter os níveis salariais dos seus trabalhadores suportando uma maior carga fiscal que resultaria dos aumentos ou passando a pagar uma parte dos salários através de um saco azul.
   
Para além da contracção do consumo a redução da TSU patronal terá como consequência uma importante perda de receitas fiscais e contributivas em consequência do aumento da evasão fiscal. Pior do que isso, a redução da TSU patronal legitima a evasão fiscal, quem vai denunciar um patrão que foge aos impostos e contribuições para poder manter o nível de compra dos seus trabalhadores?
   
Este governo de gente mazinha, mal formada, tarada e mal preparada está destruindo os fundamento da sociedade portuguesa, destrói o regime constitucional desrespeitando ostensivamente a Constituição e os acórdãos do Tribunal Constitucional, usando supostos recados da troika para fazer chantagem sobre o país e sobre as suas instituições impondo-se como o governo de ditadura que deve continuar em funções sob pena de a troika não enviar dinheiro, destruindo o sistema fiscal português através da desorganização da máquina fiscal e da promoção da injustiça fiscal.
   
Este governo já não é um problema político, é um furúnculo na democracia portuguesa que deve ser lancetado quanto antes pois ao ritmo a que cresce pode transformar-se num cancro incurável ou numa septicemia. Demitir este governo começa a ser tão urgente como levar um doente com um AVC uma urgência. Alguém com poder para isso que livre Portugal desta peçonha antes que tenha de ser o povo a fazê-lo.

Umas no cravo e outras na ferradura-


 
   Foto Jumento
 
 
O Jumento na calçada da Av. da Liberdade, Lisboa
(trata-se da assinatura de um calceteiro que pode ser vista junto ao monumento dos combatentes)
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 

   
Pedra bolideira, aldeia de Monsanto [A. Cabral]   
 
Jumento do dia
  
Casalinho candidato à liderança do PSD
 
É lindo ver o Semedo,juntar-se à sua noiva política para sugerir ao PS que rasgue o memorando com a troika e se junte a um governo do BE. É bom recordar que este Semedo foi um dos deputados do BE que mais assanhadamente lutou para colocar a direita no poder, mas parece que como anel de noivado quer oferecer à noiva a destruição do PS e a bancarrota total do país, porque pior do que o Passos S«só mesmo este raivoso do Semedo.

Já agora poderia sugerir um governo em que ele fosse primeiro-ministro de manhã, a noiva fosse à tarde, cabendo a Seguro cuidar do governo à noite para que o casalinho tratasse dos afazeres domésticos. Haja sentido do ridículo e o Semedo que se deixe de tretas pois o seu BE é um morto vivo que se podia juntar ao Passos Coelho na fila para os enterros.

Nada mudou ou vai mudar neste BE, temos dois artistas a fazer de Louçã. Se Os Semedos tanto desejaram a direita no poder (quem não se lembra do nojo que foi a comissão de inquérito Às supostas pressões onde este noivo teve um papel muito porquinho) então que se junte ao governo. É bom recordar que se realizaram eleições legislativas para a direita ser poder graças ao voto favorável do BE a uma moção de censura, os Semedos são co-responsáveis pelo mais troikismo do que a troika, pelo custe o que custar ou pelo despedimento de dezenas de milhares de professores, talvez por isso o Semedo exija que seja rasgado o memorando.
 
«O BE desafiou o PS para romper com o memorando e a formar uma "aliança social e política ampla" e um Governo de esquerda, "com socialistas, comunistas, bloquistas e independentes", apelando também a "disponibilidade do PCP nesta matéria".
   
Na apresentação da moção de estratégia que a direção vai apresentar à proxima convenção do Bloco, João Semedo lançou o repto: "Deixamos claro que a alternativa de um Governo de esquerda se constrói com uma base muito simples: romper com o memorando da troika. É este o desafio que lançamos ao PS."» [Notícias ao Minuto]
 
 Algumas perguntas a Durão Barroso

É verdade que a Comissão Europeia e o BCE enquanto membros da troika estão fazendo chantagem sobre os portugueses condicionando o apoio financeiro à estabilidade política, o que significa que estão impondo o actual governo ao país e tentando impedir qualquer outra solução constitucionalmente e democraticamente legítima?

A Comissão Europeia autorizou o governo a fazer chantagem sobre os portugueses usando a chantagem da troika para impor-se aos cidadãos, ao parlamento e à Presidência da República?

É verdade que a União Europeia deixou de ser uma associação de países democráticos para passar a ser uma coligação de ditadores e de apoiantes dos Pinochets que obedeçam à senhora Merkel?
 
 Comunicado do PSD-CDS
 
O PSD e o CDS depois de reunidos informam que não chegaram a fazer amor, nem sequer chegaram aos preliminares, mas que a união de facto prossegue, até porque o pessoal da troika insiste em apadrinhar tal união com sucessivos elogios e avaliações positivas. Assim sendo, o PSD e o CDS continuarão a partilhar o mesmo lar, ainda que durmam em camas diferentes limitando a actividade sexual à masturbação, como sucedeu com a entrevista de Passos Coelho ou a comunicação do Paulo Portas.

Os conjugues informam os portugueses que preferem permanecer na união de facto que garante a Passos uma residência oficial fora de Massamá e a Paulo Portas o conforto judicial que não teria fora do governo.
     
 Até do Santana Lopes já sinto saudades!
 

 A remodelação
 
A comunicação social informa que Passos Coelho está a mexer no governo, algo que se vai revelar um dos seus momentos santanistas, de alguém que com a Ajuda do Dias Loureiro para escolher o sôr Álvaro espera-se o pior. Não seria de admirar se substituísse o Vítor Gaspar pelo cavalo de D. José ou o sôr Álvaro pelo elefante das moedinhas do Zoo de Liboa o que, aliás, colocaria um grave problema ao zoo, se qualquer imbecil pode substituir outro imbecil, mais difícil será substituir o elefante, a não ser que recorra ao PSD onde há muita gente habituada a pedir moedinhas.
  
Uma boa ideia para resolver o problema do zoo seria demitir o António Borges de ministro secreto do governo e incumbi-lo da nobre tarefa do paquiderme, não porque o António Borges seja um paquiderme, mas porque depois de ter passado pelo Goldman Sachs, onde se armou em vice-presidente, está garantido que o homem sabe contar moedinhas. Tanto soube contar que desde que é administrador do Pingo DOce o Soares dos Santos já poupou uma fortuna em custos salariais à conta do corte na TSU, uma medida defendida pelo assessor de Passos Coelho desde os tempos em que era do FMI.
  
Outra alternativa seria o Moedas, não porque saiba contar moedas, mas porque seria interessante dizer "quem dá uma moedinha ao Moedas para que ele dê ao badalo?". Enfim, não seria grande negócio pois ninguém no seu juízo normal estará interessado no badalo do Moedas, mas seriam muitos os que iriam ao Zoo só para poder ver a sua cara de parvo.
 
 Lições de economia de um Jumento

Se o país deixar de comer, de andar de carro, acabar com o SNS, reduzir o ensino público ao terceiro ano de escolaridade, deixar de pagar ordenados a funcionários públicos e promover a escravatura terá um excedente na Balança Comercial digno de um tigre asiático.
   
Uma justificação possível para Passos Coelho: os portugueses sentir-se-ão felizes, poderão aproveitar o tempo que lhes sobra para fazerem filhos, promovendo a natalidade e assegurando uma nova geração de escravos.
  
Uma justificação para o Moedas: "onde andam os empresários que ainda ontem me asseguravam que isto só vai lá com o regresso da escravatura".
  
Explicação técnica do brilhante Gaspar: "entre o emprego e a escravatura vai alguma distância, mas agrada-me a ideia dos portugueses serem escravos, é uma medida robusta na linha do que tenho vindo a propor, a sugerir e mesmo a impor".
  
A posição de Cavaco Silva: "As vacas da Serra do Caldeirão parecem andar tão felizes como as da Graciosa".
   
A posição de Seguro: "discordo do exagero da medida, o ideal era os trabalhadores serem assalariados de manhã e escravos da parte da tarde".

 Passos Coelho e Ângelo Correia
 
Pior do que termos um primeiro-ministro pouco inteligente é termos um primeiro-ministro pouco inteligente ensinado pelo Ângelo Correia. é quase o regresso dos neandertais.
 
 O imperador Marco António
 
 
Marco António é muito mais do que um mero secretário de Estado, ainda que seja um secretário de Estado diferente dos outros já que esteve para ser ministro mas não o chegou a ser porque as negociações com o Portas lhe estragaram o negócio e o Mota Soares ultrapassou, digamos que o Mota fez-lhe um bigode de Lambreta.
 
Mas o Marco António é um secretário de Estado poderoso, para além de ter um padrinho alimentado a crude é o representante do vice-rei do Norte no Governo do passado Passos. Isso permite-lhe estar a cima de quaisquer regras e mesmo da troika. E os que com ele trabalham estão bem defendidos da austeridade ou de reestruturações do Estado.

O Memorando com a Troika prevê que se estude a possibilidade de ser o fisco a cobrar as contribuições? Que se lixe o estudo e a troika porque aqui quem manda é o Marco António e onde o Marco manda não há nem  estudos, nem memorando e muito menos troika e os que o servem estão ainda a cima da austeridade, é gente que está acima da carne seca.

A segurança social está a saque e falida, as dívidas não são cobradas e a evasão é mais que muita, mas os afilhados do Marco António são isso mesmo, filhados de um imperador e os filhados do Marco mesmo com o país na miséria não podem usar sabão azul. A austeridade«, o memorando e a troika que vão à bardamerda, fica tudo na mesma e os afilhados do Marco ainda são premiados!

Os rapazolas da troika andam a dormir ou o seu mandato é ajudar a destruir Portugal?
 
 Isto está tudo triste...
  

Todos menos o imbecil que quando devia andar escondido vai para o teatro rir à gargalhada.

 O PSD já goza com Paulo Portas

   
 Falta de honestidade do lambecusismo luso
   
«Nem todos beneficiam? Sem dúvida. Mas as escolhas públicas nunca beneficiam toda a sociedade. Quando Mário Soares aceitou as desvalorizações impostas pelo FMI, em 1983, o resultado também foi uma violenta quebra de vendas no mercado interno e recessão; e um claro favorecimento de quem vendia para o exterior. Ou seja, o que a Troika está a impor não é novidade para ninguém, excepto para Soares, o primeiro-ministro que mais vezes chamou o FMI...» [Jornal de Negócios]
  
Que o imbecil o tenha dito até se compreende, mas se for um economista a dizê-lo estaremos perante um caso de falta de honestidade intelectual. Até é lamentável que uma semana depois se venha bajular Passos Coelho recorrendo um dos golpes sujos já que ao usar Mário Soares o primeiro-ministro estava a vingar-se das críticas que Mário Soares tem vindo a fazer.
  
Eis algumas diferenças entre a TSU e a desvalorização:

  • A desvalorização era apoiada em restrições às importações através de direitos niveladores altíssimos e de contingentes, era um tempo em que faltava manteiga nas mercearias e se esperava durante meses pela entrega de um carro. Agora há livre circulação e o efeito da desvalorização fiscal é limitado.
  • O argumento usado é o da criação de emprego e ao contrário do que sucedia no passado as exportações portuguesas até estão em alta e são os próprios exportadores a dizerem que não precisam de esta ajuda. Quem apoia a medida são empresários da treta como o presidente do BPI.
  • A desvalorização da moeda atingia todos os rendimentos e todo o dinheiro por igual. O corte da TSU só atinge os trabalhadores, deixando intactos todos os outros rendimentos, isto é, apenas condiciona o consumo dos mais pobres, precisamente os que compram mais nacional.
  • Na época o grande problema era a falta de divisas, actualmente é a falta de meios para suportar a dívida do Estado.

Percebeste ó idiota ou és tão burro que precisas de mais alguns?
   

  
 Os bons empregos conseguem-se ao jantar
   
«Tenho um amigo que navega muito em sites estrangeiros por questões terapêuticas. Em vez de ir ao psicólogo recompor-se das agruras encontrou um método mais barato: passa os olhos por oportunidades de carreira fora de Portugal e assim mantém uma perspetiva equilibrada sobre a realidade. O que ele descobriu é bom: nem todos os países têm um outlook tão negro como o nosso - há negócios, há crescimento, há emprego por esse mundo fora -, e só perceber isso já é um grande alívio.
   
Esta semana, por exemplo, a Economist publicava um anúncio de emprego inesperado. A Rainha de Inglaterra - na verdade o Ministério das Finanças - acaba de lançar um concurso para o cargo de governador do Banco Central de Inglaterra. O atual governador, Marvyn King, termina o mandato em junho, é preciso encontrar um substituto e nada melhor do que um anúncio para escolher o mais capaz. Quem souber de macroeconomia e for "bom comunicador" (cito o reclame) pode enviar o CV. Deixo aqui o e-mail: boe.governor@hmtreasury.gsi.gov.uk.
  
Por razões evidentes, não estou a pensar em Gaspar. Estou apenas a confirmar que somos especiais. Não me lembro de uma única oferta de emprego para cargos de topo nacionais. Nem no Banco de Portugal, nem em qualquer regulador, nem sequer em empresas públicas. Julgo até que poderia ser considerado perigoso um anúncio assim. Nós temos outro método de escolha. Resolvemos tudo em segredo, a meio de uma jantarada, e é nessa atmosfera íntima que se estabelece a cumplicidade que garante o êxito de Portugal.
   
Este método de recrutamento tem imensas vantagens. Não se perde tempo com maçadas: pesquisas, entrevistas, etc. Os candidatos são quase sempre os mesmos, capazes até de acumular responsabilidades extraordinárias em sectores da mais diversa natureza. E há sempre uma justificação para as contratações: uma relação direta entre o contratado, quem contrata e a confiança pessoal que unirá os dois para sempre. É uma forma muito particular de transparência em assuntos do Estado.
  
Nos próximos dias, só para dar um exemplo, vamos ficar a saber quem são os administradores nomeados pelo Governo para o BCP e o BPI. São lugares muito relevantes que permitem estar onde ainda está algum dinheiro. Não falta gente capaz de os desempenhar. Gente que sabe de banca, risco de crédito e essas minudências. O problema é que estes gestores (em regra) não jantam com as pessoas, digamos, mais adequadas. Resta-lhes navegar na Internet e ler os classificados da Economist. Talvez um dia se safem ao serviço da Rainha.» [DN]
   
Autor:
 
André Macedo.   

 Cenários e sombras
   
«Portugal vive uma encruzilhada excecional. O Conselho de Estado irá amanhã debruçar-se sobre a situação mais delicada que a III República encontrou desde a sua estabilização constitucional em 1976. Em 1974-75, a convulsão revolucionária dividia o País. Hoje, a "terapia" da austeridade irracional, comandada pelo diretório de Berlim, e executada insensatamente por Lisboa, uniu a nação numa recusa unânime e transversal. A paisagem política é desoladora. O PSD está devorado por uma "guerra civil". A coligação perde em coesão o que sobra em pugilato verbal. O líder da oposição pede mais tempo.
  
Existem apenas três cenários sobre a mesa: a) Remodelação; b) Novas eleições; c) Novo governo apoiado pela presente composição do Parlamento, com pilotagem presidencial. Todos cenários de sucesso duvidoso. A remodelação parece a saída mais óbvia, mas tem um obstáculo letal. Um corpo pode sobreviver sem os membros, mas não sem a cabeça. Uma remodelação séria teria de afastar Passos, Portas, Gaspar (e informar Relvas de que os seus serviços já não são necessários). Estamos a falar de um novo Executivo. Infelizmente, o cenário das eleições defronta-se com a escassez do tempo e a falta de alternativas, quando o provável partido vencedor afirma não ter pressa. O cenário "Monti", um gabinete de quadros de competência reconhecida, teria de conquistar um improvável apoio do Parlamento, já que o Presidente, para além de muito desacreditado, há muito perdeu a capacidade constitucional de propor governos da sua iniciativa. Resta saber, ainda, se haveria um Monti português com capacidade de estabelecer empatia com um povo que não o elegeu.
  
A verdade, contudo, é que este governo atrelou o País à quadriga de Merkel, e à sua estratégia de uma Europa dual. De metecos e cidadãos. Devedores e credores. A um rumo que não vai vencer, mas que pode partir a Zona Euro (ZE) ao meio. Sobre todos os assuntos relevantes Portugal tem estado do lado errado: união bancária; papel do BCE; intervenção do Mecanismo Europeu de Estabilidade; euro-obrigações; união política. Neste momento, a sobrevivência do País passa por ficar dentro da ZE, mesmo que esta entre em rutura. Portugal precisa de ficar ao lado dos países que conservem o euro, usando-o para promover o desenvolvimento (até para pagar dívidas é preciso que a economia tenha vida), e não temam o federalismo constitucional. Só se estivermos preparados para a rutura da ZE poderemos evitá-la. Berlim pode não ligar à força dos argumentos, mas percebe o argumento da força. O memorando de entendimento tem de ser revisto, mas no quadro de uma mudança radical da estratégia europeia. O Presidente, os partidos e o Parlamento têm de ter a inteligência, imaginação e humildade necessárias para permitir, contribuir e apoiar uma solução capaz de superar o impasse do Executivo nesta encruzilhada da nossa opção europeia. Se o regime não conseguir resolver o problema da governação, então a avalanche da realidade não poupará o regime.» [DN]
   
Autor:
 
Viriato Soromenho-Marques.
    
     
 Coligação faz terapia de grupo
   
«"Não podemos fazer de conta que não existe um problema. Não podemos ser cínicos", disse Passos Coelho, de acordo com sociais-democratas que participaram na reunião da Comissão Política Nacional do PSD realizada entre as 21h00 horas de quarta-feira e as 2h00 horas de hoje, e da qual saiu um convite à direcção do CDS-PP para uma reunião destinada a renovar o apoio ao acordo político de coligação.
  
Dirigentes sociais-democratas adiantaram à agência Lusa que o presidente do PSD referiu ter ficado espantado com a intervenção feita no domingo pelo presidente do CDS-PP e ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, em que este se demarcou das alterações à Taxa Social Única (TSU).» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Isto vai parecer uma reunião de cornudos anónimos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
      
 O CDS já não defende o governo no parlamento
   
«Em defesa do Governo vieram dois deputados do PSD e nenhum do CDS. Adão Silva falou para dizer que o que o Executivo estava a fazer “é patriótico” e garantir que Passos Coelho tudo fará para assegurar a “manutenção desta paz social”. Carlos Abreu Amorim optou por uma abordagem mais agressiva lembrando ao BE que as manifestações “não têm dono”. E que até nem tinham a TSU como alvo. Uma manifestação “não tanto contra o Governo e a situação actual presente, mas as políticas dos últimos anos”.» [Público]
   
Parecer:
 
EM vez disso o PSD usou o Amorim, o gordinho do PND é o mais parecido com um deputado do CDS interessado em defender o desenTSUado Passos Coelho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   
 Este Estado é uma "ginjeira"!
   
«As mudanças nas estruturas do Estado estão a multiplicar os regimes de excepção e a criar super-instituições com poderes reforçados. O Instituto da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) e a Estrutura de Acompanhamento dos Memorandos (ESAME) são os dois casos mais recentes.
No âmbito da crise da dívida soberana e do resgate da troika, o papel do IGCP, o instituto responsável pela gestão da dívida pública do país, ganhou destaque. O Governo decidiu transformar a entidade numa empresa pública e conceder-lhe novas competências. Além de gerir a dívida do Estado, o IGCP passará agora também a ser responsável pela gestão da dívida das empresas públicas que dependam do Orçamento do Estado (OE) e da sua carteira de investimentos financeiros.
   
Apesar de passar a ser equiparado a uma instituição de crédito e poder prestar serviços bancários a entidades de administração directa e indirecta do Estado e empresas públicas, o IGCP fica fora da supervisão do Banco de Portugal e apenas responde ao Ministério das Finanças.
   
O organismo tem ainda luz verde para adquirir bens e serviços até 200 mil euros sem ajuste directo e sem qualquer restrição na escolha da empresa contratada para esse fim. A administração do IGCP escapa também ao limite dos vencimentos no Estado, recebendo pela regra da média dos vencimentos dos últimos três anos no cargo ocupado anteriormente.
   
No caso da ESAME – entidade criada por este Governo para acompanhar o cumprimento do acordo de Portugal com a troika e fazer a ponte com os credores externos –, o perfil da estrutura foi modificado recentemente, e assemelha-se à de um gabinete ministerial. Esta mudança é visível, por exemplo, nos recrutamentos de pessoal. O anterior regime previa que a ESAME recrutasse funcionários públicos, ou celebrasse contratos a termo e prestações de serviços. Contudo, todos os profissionais recrutados, mesmo que viessem do privado, estavam subordinados ao regime geral de direitos e deveres da Administração Pública.
   
Salários diferenciados
   
Com os novos estatutos, a estrutura dirigida por Carlos Moedas , secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, passa a reger-se pelas normas aplicadas ao pessoal dos gabinetes governamentais, uma mudança justificada pelo Governo, no próprio diploma, com a «similitude e a especificidade das suas funções».
   
No caso dos vencimentos, o limite máximo a atribuir aos elementos recrutados no sector privado – quando estes optem pelo estatuto remuneratório do posto de trabalho de origem –, passa a ser a remuneração-base prevista para o respectivo governante.
   
A ESAME já tem profissionais com remuneração acima da tabela da Função Pública – como é o caso de Pedro Ginjeira do Nascimento, um elemento recrutado para a categoria de especialista com um vencimento de 5.776 euros–, mas José Abraão, Federação Sindical da Administração Pública, explica que a equiparação a membros de gabinete «reduz ainda mais as restrições para recrutamentos acima da tabela» nas vagas que ainda estejam por ocupar. A estrutura pode nomear até 30 elementos e apenas nove lugar estão actualmente ocupados.» [Sol]
   
Parecer:
 
A austeridade é para os portugueses de estatuto inferior.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao Gaspar que mande tatuar no braço dos portugueses que estão sendo sujeitos à austeridade uma tatuagem com um "i", de "inferior".»
   
 Pobre Passos....
   
«Os aumentos foram anunciados na semana passada pelo ministro das Finanças, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados da quinta avaliação do Programa de Assistência Económica e Financeira, tendo o intuito de entrar em vigor já este ano para ajudar a corrigir o desvio orçamental e cumprir a meta revista do défice orçamental de 5 por cento.
  
Entre os aumentos anunciados na altura está um aumento da tributação em 1,5 pontos percentuais das taxas liberatórias sobre juros, dividendos e royalties por exemplo, que passam a ser taxados a 26,5 por cento, tal como a parte do saldo entre as mais e as menos-valias em sede de IRS que seja superior a 500 euros.
   
"Além do agravamento da tributação sobre os rendimentos de capitais e das mais-valias, e sobre os prédios urbanos de afectação habitacional cujo valor patrimonial tributário seja igual ou superior a um milhão de euros, é agravada a tributação sobre as transferências para paraísos fiscais e intensificado o combate à fraude e a evasão fiscais, através do reforço do regime aplicável às manifestações de fortuna dos sujeitos passivos (IRS)", diz o comunicado do Conselho de Ministros aprovado esta quinta-feira.» [CM]
   
Parecer:
 
Obrigado a aplicar mais impostos aos seus protegidos numa tentativa vã de salvar a pele, no fim disto tudo apenas um português não vai ser desprezo e ódio pela personagem, o Miguel Relvas., perdão, dr. Miguel Relvas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Não se comente os actos do imbecil.»
   
 O Paulo Portas tem razão para ser um homem feliz!
   
«À saída de um seminário sobre ‘Autarquias Inteligentes’, em Cascais, Miguel Relvas foi questionado se confiava no líder do CDS e parceiro de coligação, Paulo Portas, tendo respondido: "Claro que sim".» [CM]
   
Parecer:
 
Nem toda a gente tem tão grande privilégio!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   
 A revista Economist também aguarda pela data do funeral
   
«As prováveis mexidas na TSU poderão salvar o país de uma crise política total mas já não salvam o primeiro-ministro, Passos Coelho, dos danos provocados à coligação de governo nem à sua posição pessoal junto do eleitorado. Esta é a análise da revista Economist que defende que Portugal é o exemplo acabado dos riscos de forçar austeridade para lá do tolerável. 
   
Nos próximos dias até ao Orçamento para 2013, a influente revista britânica espera que Passos "modifique mas não retire totalmente o seu plano" para a TSU, o que "pode poupar o país a uma crise política destrutiva". Porém "é demasiado tarde para salvar o primeiro-ministro dos danos já infligidos na coligação de governo e da sua própria posição junto dos eleitores agastados".
   
"Em duas curtas semanas, Portugal passou de um aluno modelo (...) para um exemplo dissuasor dos perigos que enfrentam os governos ao tentar forçar austeridade além dos limites de tolerância dos já muito sofridos eleitores". É assim que a influente revista The Economist descreve o novo estatuto de Portugal na crise do euro, numa avaliação do impacto que tiveram as recentes mexidas políticas do governo.» [DE]
   
Parecer:
 
Deve ser difícil ser um cadáver político e insistir-se que se está vivo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Marque-se o funeral da criatura.»
   
 Para que servem os presidentes dos partidos e o primeiro-ministro?
   
«"O PSD e o CDS consideram apropriado melhorar os níveis de articulação entre as direcções dos partidos, os grupos parlamentares e o Governo. Nesse sentido, foi decidido constituir um Conselho de Coordenação da Coligação", anunciaram hoje os dois partidos após o encontro de quase duas horas para debater o actual estado da coligação.» [DE]
   
Parecer:
 
Não servem para nada.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Apele-se a Cavaco Silva para que acabe com a palhaçada.»
   
 Nogueira Leite disposto a pagar mais impostos?
   
«"As medidas são degradáveis mas não nos podemos esquecer que estamos a ajustar 15 a 20 anos de desmandos", afirmou o vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) à entrada para um evento no Grémio Literário em Lisboa.
   
Quando questionado pelos jornalistas sobre o eventual aumento da contribuição dos trabalhadores para a Segurança Social, Nogueira Leite preferiu não se referir directamente a esta medida, uma vez que "ainda não é conhecido o pacote completo do Governo", mas considerou que Portugal "não é independente financeiramente temporariamente" pelo que "o apoio financeiro dos credores tem contrapartidas". » [DE]
   
Parecer:
 
Parece que este é outro Nogueira Leite.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Nogueira Leite se as contrapartidas podem ser a transformação de um povo em cobaia dos técnicos da troika e se acha que a experiência da TSU resulta do memorando ou da quebra de 4.000 milhões de receitas fiscais em consequência da incompetência do Vítor Gaspar.»
   
 O pessoal dos fretes vai aparecendo
   
«"O que está em cima da mesa é um bolo de 2.000 milhões de euros” e que “o impacto que isto terá na economia depende do que as empresas façam", sublinhou à Reuters o CEO do BPI. 
   
Na sua opinião, pode ser que isto até “ajude a aguentar” uma empresa que esteja em dificuldades, dependendo do caso. “Uma empresa que esteja razoável, mas com dificuldade em vender os seus produtos, pode aproveitar para baixar os preços", acrescentou.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:
 
Parece que são poucos os que têm lata para dar a cara por canalhices.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Boicote-se o banco dos canalhas.»
   
 Governo usa a Troika para fazer chantagem sobre cidadãos
   
«Portugal passou na quinta avaliação da troika na semana passada, mas a tranche correspondente (no valor de 4,3 mil milhões de euros) só será desbloqueada depois de garantida a estabilidade política no país, disse ao i fonte governamental.» [i]
   
Parecer:
 
Um dia destes vão dizer que só há dinheiro se os portugueses aceitarem o Gaspar como ditador.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se o Passos Coelho mais o Gaspar mais a Troika e mais a tranche à merda, que viva a democracia, a liberdade e a independência nacional!»