sábado, outubro 13, 2012

O sofrimento de Paulo Portas


Como deverá ter sido humilhante ouvir um deputado do PCP ler-lhe uma carta e os seus aliados de coligação rirem-se dele à gargalhada, como se estivessem a rir de uma anedota de louras e a loura fosse o próprio Paulo Portas. Como deverá ser humilhante ser gozado em pleno hemiciclo por gente que lhe é intelectualmente inferior e que só ainda estão no poder graças à sua paciência.
 
Como deverá ter sido humilhante ter feito recuar a TSU por se ser contra um aumento de impostos e logo de seguida o Vítor Gaspar vingar-se da sua ousadia e forçá-lo a aceitar o mais brutal aumento de impostos de que há memória na Europa Ocidental, forçando-o ao enxovalho público.
 
Paulo Portas pensou que podia confiar em Pedro Passos Coelho e Miguel Relvas com a mesma confiança que o tinha feito em relação a Durão Barroso e a Manuela Ferreira Leite e enganou-se, percebeu tarde a gente com que se tinha metido e mal as sondagens revelaram um CDS a resistir à crise melhor do que o PSD foi promovido a inimigo interno do governo.
 
Como será difícil a Paulo Portas perceber tardiamente a gente com que se tinha metido, estando agora rodeado de inimigos que tudo farão para o destruir e preso a uma política económica conduzida por um extremista que não está disposto a aceitar os seus erros e ainda acredita que vem aí a sua salvação com a mesma convicção com que Hitler acreditava, desde o fundo do seu bunker e com os soldados os soldados russos a chegar, que ainda tinha exércitos capazes de levar o III Reich à vitória.
  
Como será difícil a Paulo Portas manter-se num governo que ele suporta convencido de que está defendendo o país quando percebe que esse governo já não governa e uma boa parte dos ministros estão mais ocupados a destruí-lo do que a enfrentar a oposição.
 
Como será difícil a Paulo Portas derrubar um governo de gente capaz de tudo para atingir os seus fins sem a a garantia de que Cavaco Silva livra o país deste trio formado por Passos, Relvas e Gaspar, permitindo-lhes continuar a ter o poder económico e judicial ao seu dispor para perseguir os seus adversários ou, como ameaçou a ministra da Justiça, para acabar com a impunidade, o que em linguagem de extrema direita pode significar eliminar politicamente os seus adversários.
   
Como deve ser difícil a Paulo Portas ver a gente com que se meteu e lembrar-se do tempo em que dizia com quem aceitava ir ou não para o governo. Como deve estar arrependido de tanta coisa que disse e fez, agora que está sendo vítima da vingança daqueles que ajudou a serem governo.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 


Simbologia maçónica no Cemitério do Alto de S. João, Lisboa

   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 

   
Óbidos [A. Cabral]   
 
 Mentira do dia
  
   
Jumento do dia
  
Pedro Passos Coelho
 
Houve um tempo em que Passos gostava de criticar Sócrates por usar o PowerPoint ou pela forma como conduzia os debates parlamentares. Mas pela boca morre o peixe e quando percebeu que está queimado recorre ao estilo de Sócrates, só que lhe falta a coerência, a inteligência e um passado governamental credível.

Ficou evidente que neste debate parlamentar Passos Coelho foi tão mal preparado como é costume, não é surpresa, o homem não parece ter recursos intelectuais que lhe permitam uma boa prestação intelectual e já faltou mais para inventar uma desculpa e faltar aos debates. Mas ficou evidente que os seus spin doctors passaram a noite em claro para encontrar frase feitas, que façam passar a imagem de um grande líder.

O problema é que as arrastadeiras em que o Governo se apoia não passam de idiotas e estão fartos de porem o pobre Passos a dizer asneiras. É de loucos dizer a Passos que é um homem de honra, que cumpre os seus compromissos. Quais? Os compromissos que assumiu com os eleitores? O compromisso para com o programa de governo que fez aprovar no Parlamento? O compromisso de respeitar a Constituição? Ainda por cima nesta semana soube-se dos negócios com a Tecnoforma, uma empresa que terá falido.
     
 A gestão da imagem do Gaspar
 
Um dos aspectos mais interessantes de Vítor Gaspar é a forma cuidadosa como gere a sua imagem, quer pelos momentos que escolhe para intervir, quer pela forma como o faz.

Curiosamente o ministro das Finanças segue uma estratégia única desde o primeiro dia, promove a sua imagem à custa do Pedro Passos Coelho. É sistemático, Passos Coelho espeta-se numa intervenção, o país discute as baboseiras do primeiro-ministro e de seguida o Gaspar vem arrumar a casa fazendo passar a mensagem da inteligência face à imbecilidade, do rigor à falta de seriedade, da competência à imaturidade, Gaspar é o bom, Passos está a mais. Incrivelmente Passos Coelho não só permitiu que Gaspar arrumasse com o Relvas, no que foi ajudado pelo próprio, não percebdenddo que quem mais destruiu a sua imagem foi o ministro que mais aprecia.

Tudo começou com o famoso desvio colossal, Passos lançou a dúvida, Gaspar esclareceu e decidiu o que o Passos Coelho pensou. Desde então as intervenções foram sistemáticas, a última foi a conferência de imprensa para acabar com a TSU.

Passos é o incompetente, Gaspar representa a competência. Gaspar tem a confiança e apoio dos alemães, Passos vai sobrevivendo em Belém. Gaspar decide, Passos diz baboseiras. Gaspar manda, Passos faz que manda.

Para que serve Portugal ter um primeiro-ministro?
 
 Onde anda Cavaco Silva?


"Há limites para os sacrifícios que se podem exigir aos portugueses." Cavaco Silva a propósito do PEC IV.

O que mais impressiona nesta crise e que por isso também ficará para a história é o sentido da dignidade e da coerência de políticos como Cavaco Silva e Paulo Portas.
 

  
 Aurora dourada
   
«Quarta à noite, a SIC Notícias teve uma emissão em cheio. Primeiro foi Soares dos Santos a lamentar que "os políticos não possam sair à rua sem ser insultados". O dono do Pingo Doce, que em fevereiro de 2011 chamou mentiroso ao então primeiro-ministro, acusando-o de "gostar de truques", está preocupadíssimo com a falta de respeito do povo pelos governantes e com o facto de a coisa pública tender a afugentar as pessoas pela forma como antecipam vir a ser (des)tratadas. Pelos vistos não lhe ocorre que o baixar do nível quando vem é para todos.
   
Mas isto foi só o amuse-bouche. A seguir veio o prato principal: Gomes Ferreira a entrevistar o ex-secretário de Estado Paulo Campos sobre as PPP. No final do programa, entendeu perguntar: 1. Tem contas offshore? 2. Fez investimentos? 3. Não espera vir a ter outra fonte de rendimento que não o seu trabalho? Perante as negativas sucessivas de Campos, que chegou à indignidade de revelar que para prover à educação dos filhos está, apesar de auferir o salário de deputado, a pedir "mensalmente" ajuda aos pais, Gomes Ferreira, invocando o que estaria na mente dos espectadores, perguntou ainda: "Mas quem teve funções tão importantes e esteve numa pasta tão importante, como é possível que seja assim?"
  
Ficámos pois a saber que no douto entender do entrevistador os espectadores, ou seja, toda a gente, acham que seja quem for que tenha "funções importantes" é suspeito de encher à pala disso contas bancárias, de preferência offshore, e deve pois sujeitar-se a interrogatórios policiais na TV. Assim, explicou Gomes Ferreira - que a dada altura admitiu (!) "poder estar a exagerar" -, o exigem "a curiosidade e o interesse público", para si uma e a mesma coisa.
   
Como jornalista, acho que se devem fazer perguntas incómodas sempre que necessário. Mas não me passaria pela cabeça questionar Gomes Ferreira, dadas as suas importantes funções de editor e comentador de economia num canal nacional, sobre se foi já alvo de "favorecimentos", se tem rendimentos "que não do seu trabalho" ou está em condições de garantir que não virá a trabalhar para uma entidade que possa ter beneficiado por via delas. Ou se estaria à vontade caso as suas conversas telefónicas fossem escutadas - como perguntou a Campos.
   
Inquirições destas só se podem fazer quando se possuem elementos que permitem acusar, os quais é obrigatório apresentar - até para permitir a defesa. Fazer insinuações caluniosas não é trabalho jornalístico, é nojo. Deplorável também que Paulo Campos as tenha admitido.
   
Mas, como o PS - o partido de Campos - demonstrou ontem, Gomes Ferreira é só um sintoma particularmente agudo da doença. Ao exigir saber quanto o Executivo gasta em telefones, deslocações e mais não sei o quê, o partido de Seguro mostra estar disponível para se juntar aos que gritam "gatunos". Talvez alguém devesse tentar explicar-lhe que a tocha que traz na mão é também para a sua pira - e, o que é muito mais imperdoável, para a da democracia.» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.   

 A rainha Christine vai nua
   
«Gastava-se demais. O FMI deu a solução: gastar menos. E explicou-a: gastando menos, a economia caía (até eu percebi: menos investimento, logo menos obras, menos emprego...), mas era poupança que levava a o relançamento (também compreendi: se o Estado emagrece, então precisa de menos impostos, e a economia, como Fénix renascida, logo dançaria com ramos de margaridas). A explicação não foi tão poética, mas foi assim que a ouvimos. O problema é que a Christine Lagarde não é dada a rimas, ela é mais números. Tivesse ela aproveitado a nossa ânsia de música, ainda continuávamos alegremente iludidos. Mas a francesa de perfil seco sacou da calculadora: "Por cada euro de austeridade, a economia cairia 0,50 euros", decretou. O resto da humanidade olhou para a fórmula como um boi para um palácio, fingiu que percebeu e sorriu porque a Lagarde também sorria quando enunciou a fórmula. Um euro de poupado e só meio euro de queda, parecia boa e prometedora aquela relação... Ora, agora, ficámos a saber que por cada euro de austeridade, afinal, a economia cai entre 0,9 e 1,7 euros. Mesmo tansos como nós sabem calcular o tamanho do engano: o FMI errou do dobro ao triplo! Mais uma vez ficou demonstrada a vantagem da poesia. Tivesse o FMI ido por ela, ainda hoje podia continuar a iludir-nos, dizendo que o engano era pouco, em vez de ramos de margaridas eram de crisântemos... Mas como insistiu nos números, tramou-se. São uns sábios da treta.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
      
 O CDS num beco sem saída
   
«Há pouco mais de um ano, PSD e CDS, ansiosos de chegar ao poder, não hesitaram em atirar o país para uma irresponsável crise política (mesmo sabendo que isso iria sujeitar Portugal a um pedido de ajuda externa…) em nome de uma ideia política muito sedutora: não aumentar mais os impostos.
   
Chega a ser caricato ter de recordá-lo hoje, mas a verdade é que foi esse o argumento fundamental para a rejeição do PEC IV e foi esse o mote da animada campanha eleitoral dos partidos da direita, que tanta gente levou ao engano.
   
Sabemos o que aconteceu depois: chegados ao poder, PSD e CDS aumentaram brutalmente todos os impostos e fizeram-no muito para lá do que estava previsto no Memorando inicial da "troika": inventaram a sobretaxa extraordinária do IRS, equivalente a metade do subsídio de Natal de 2011; decidiram aumentos astronómicos do IVA, incluindo nos sectores da restauração e da energia (visando alcançar um aumento da receita do IVA cinco vezes superior à prevista no Memorando!) e, além do mais, confiscaram abruptamente salários e pensões de funcionários públicos e reformados, em grosseira violação dos princípios constitucionais da equidade e da proporcionalidade.
   
É em cima de tudo isto, que não é pouco, que este mesmo Governo PSD/CDS - para responder ao seu falhanço nas metas da execução orçamental deste ano - se propõe promover, no Orçamento para 2013, o que o próprio Governo já qualificou como um "enorme" (!) aumento de impostos, incidindo agora com especial violência no IRS e no IMI.
   
Talvez porque já ninguém acredita que a actual liderança do PSD esteja sequer interessada em honrar as suas promessas, as atenções centram-se no CDS. O que não deixa de ser revelador: ao que parece, ao fim de quase ano e meio de governação desastrada, ainda há quem espere do CDS o que já não espera do PSD. Afinal, o CDS proclamou-se como "partido do contribuinte", combateu sempre o aumento da carga fiscal e, ainda há pouco, o próprio líder do CDS, em carta dirigida aos militantes, afirmou solenemente, preto no branco, que "o nível de impostos já atingiu o seu limite". A pergunta torna-se, pois, incontornável: como é que alguém que, ainda há poucas semanas, disse que o nível de impostos "já atingiu o seu limite", pode conviver agora com este "enorme" aumento de impostos? A resposta é tão incontornável como a pergunta: não pode. E Paulo Portas sabe-o melhor do que ninguém.
   
Passou talvez despercebido o que o líder do CDS disse há dias, quando perguntado pelo manifesto incómodo do partido com o rumo da política orçamental do Governo. Por entre juras de patriotismo e de sentido das responsabilidades, o que Paulo Portas garantiu foi isto: "não deixarei o CDS sem identidade". E é isso, verdadeiramente, o que está em jogo: a identidade do CDS. E que não haja ilusões: a identidade do CDS como "partido do contribuinte", se acaso ainda pode ser salva, não o será, certamente, se aceitar, para lá de todos os limites, este "enorme" aumento de impostos (mesmo que o CDS possa exibir, no fim do braço-de-ferro no seio do Governo, a magra compensação de se manter a cláusula de salvaguarda nos aumentos do IMI).
  
Quer isto dizer que o CDS está num beco sem saída? De modo nenhum. O beco em que está o CDS é, sem dúvida, estreito: tendo provocado a crise política no ano passado e forçado o pedido de ajuda externa, o CDS não pode agora, de um momento para o outro, deixar o país sem Orçamento e sem Governo. Mas tem forma de o fazer, sem perder de vez o que ainda resta da sua identidade. Afinal, todos os becos têm pelo menos uma saída: aquela por onde se entrou. É tudo uma questão de querer sair. » [DE]
   
Autor:
 
Pedro Silva Pereira.
     
 Ando com as tensões altas
   
«Lembram-se de Romário, aquele brasileiro baixinho que fazia golos tão simples como se estivesse a passar a bola para um colega que estava no fundo da baliza? Pois no dobrar dos anos 80 para os 90, entre sair do Vasco da Gama e brilhar no Barcelona, ele passou pelo PSV, e foi entrevistado em Eindhoven por um amigo meu jornalista que, a título de aquecimento, abriu a conversa perguntando-lhe como é que ele estava a dar-se na Holanda e obteve como resposta um longo rol de lamentações.
   
Romário queixou-se do clima, da comida, da língua e dos hábitos - na verdade, não deve ser fácil um latino habituar-se a uma sociedade em que o convite para ir jantar a casa de alguém é acompanhado da pergunta sobre quantas batatas vamos comer -, antes de entrar nas questões profissionais, ou seja, no futebol.
   
Depois de se assegurar de que o meu amigo não iria publicar o seu desabafo, o brasileiro queixou-se dos colegas, que nunca lhe serviam a bola em condições: "A princípio, até pensei que era de propósito, para me queimar. Mas não. Já entendi que se não passam bem é porque não conseguem. Não é por mal que não fazem melhor. É porque não sabem".
   
Converti esta frase numa espécie de mantra, que me tem ajudado muito a ter paciência quando confrontado com exasperantes situações de falta de profissionalismo ou de pornográfica incompetência.
   
Se pressinto que vou levantar a voz e estou prestes a explodir, repito mentalmente, as vezes que for preciso, o mantra -"Não é por mal que não fazem melhor. É porque não sabem" -, até me acalmar.
   
Quando, há coisa de ano e meio, nos apercebemos de que as nossas finanças públicas estavam em pior estado que o chapéu de um trolha, foi claro para quase todos nós que até endireitarmos as contas iria ser preciso apertar o cinto e aguentar com abnegação o fel da austeridade.
  
Estou até convencido de que, em nome do sucesso do milagre regenerador do grande sacrifício nacional, aceitaríamos com estoicismo que Passos Coelho sublinhasse a sua chegada a S. Bento com o anúncio de que os subsídios de férias e de Natal ficavam sine die por conta do esforço de consolidação orçamental.
  
O problema é que, ao longo destes quase 16 meses, contrariando a sábia recomendação de Maquiavel (o mal deve ser feito todo de uma vez, ao contrário do bem, que deve ser administrado em prestações), o Governo não para de anunciar a conta- -gotas mais medidas de austeridade - e são cada vez mais as vozes de economistas (como João Duque e Augusto Mateus) a avisar que daqui a um ano, quando estivermos a discutir o OE de 2014, vamos estar na mesma (ou seja, pior) porque os remédios amargos que estamos a tomar não estão a atacar o mal de que padecemos, mas antes a aliviar alguns dos seus sintomas.
  
O drama é que se estas vozes estiverem certas, repetir o meu mantra - "Não é por mal que não fazem melhor. É porque não sabem" - não só não me acalmará como ainda por cima vai fazer subir mais a minha tensão arterial.» [Jornal de Notícias]
   
Autor:
 
Jorge Fiel.
   
 Tributar o pai, a mãe, o avô, a avó, o gato e o periquito
   
«Não é apenas mais IRS. É mais tudo. Tudo o que mexe e tudo o que é inanimado. O destro e o canhoto. O que se tem e o que se perde. Quando rasteja e quando voa. Paulo Portas nunca pensou que acabaria a mandar tributar o pai, a mãe, o avô, a avó, o gato e o periquito do défice, que em 2004 atribuiu a Sousa Franco.
   
O aumento do IRS é avassalador, não apenas por causa da sobretaxa, mas através da redução do número de escalões do imposto. Essa redução faz sentido teórico: Portugal é dos países com mais escalões (oito, contra seis em Espanha, quatro no Reino Unido ou dois na Irlanda). Mas, na prática, é apenas uma forma encapotada de aumentar o imposto. 
   
Para aumentar a tributação não há como fugir ao IRS e ao IVA, que geram quase dois terços das receitas fiscais do Estado. Estando o IVA já encostado ao máximo da Europa (a Dinamarca tem uma taxa superior, de 25%), ataca-se o IRS. A versão preliminar do Orçamento do Estado, a que vários jornais tiveram acesso na tarde de quinta-feira, poderá ainda ser alterada até ao raiar de segunda-feira, dia da apresentação final. Mas confirmando-se os novos cinco escalões, topa-se o nível dos aumentos. O olhar humano tenderá a olhar para os limites mínimo e máximo dos novos escalões e compará-los com os antigos. Mas é no "miolo" que está o que interessa. 43% de todo o IRS liquidado em Portugal (dados de 2010, apurados pela Deloitte) foi suportado por contribuintes com rendimentos entre 17.979 e 41.349 euros, sujeitos a uma taxa normal de 34,88%. Grande parte deles pagará agora 37% (novo escalão entre os 20.000 e os 40.000 euros).
   
Mas não são só as taxas. São as deduções específicas, as deduções à colecta, os benefícios fiscais. É o regime simplificado dos recibos verdes. É, nos outros impostos, taxas liberatórias nas rendas. O tabaco. O IMI, apesar do recuo na cláusula de salvaguarda. Este será o Orçamento mais extensivo de sempre, tributa quase à peça. É como se, além de tributar um sapato, tributasse a sola, a meia-sola, o salto, o couro e cada atacador. 
   
Este é o lado A do Orçamento. O lado B é o do corte da despesa, que está por detalhar. Mas também aqui, é preciso olhar para os grandes números. A fatia de leão, já se sabe, são salários e prestações sociais. É assim que hoje ficamos a saber que ao corte de pensões e de ordenados na Função Pública, haverá também uma redução líquida dos subsídios de desemprego e de doença. E que 3% dos funcionários públicos passarão para o quadro de excedentários, onde receberão salário menor - antes de sair. Paga tudo, minha gente, em pé, deitado e acamado, activo, inactivo e emprateleirado. 
   
O risco de tudo isto está mais do que diagnosticado: o aumento da economia paralela; e a espiral recessiva, em que se aumenta cada vez mais os impostos para uma receita cada vez menor numa economia progressivamente recessiva e repleta de desempregados. Até porque, se o Governo mantiver a sua previsão de quebra do PIB em 1% para o próximo ano, estará provavelmente a ser optimista. 
   
É assim que, em Lisboa, se trabalha no problema financeiro e se dissimula o problema político. Mesmo sabendo que a solução está fora daqui. Está em Berlim, em Bruxelas, em Frankfurt, em Washington, está até em Tóquio, onde decorre a reunião anual do FMI. Sim, FMI, o tal que diz que se enganou, afinal a sua prescrição falha... E vai fazer o quê? Brincar com o periquito?» [Jornal de Negócios]
   
Autor:
 
Pedro Santos Guerreiro.
   
     
 Um governo à rasca
   
  
«Ao contrário do anunciado pelo Governo, a troika não aceitou, nem rejeitou a ideia de utilizar a concessão da ANA - Aeroportos de Portugal para reduzir o défice deste ano.
   
Embora não tenham assumido uma posição explícita sobre o assunto, os representantes da Comissão Europeia, do BCE e do FMI alertaram para os riscos decorrentes de um parecer negativo do Eurostat em relação a esta questão.
  
"Há, contudo, riscos negativos para o objetivo de um défice de 5%, em particular se a venda da concessão do aeroporto não for classificada como uma medida de redução do défice pela autoridades estatísticas", lê-se no relatório da quinta missão da troika em Lisboa, divulgado hoje em Bruxelas.» [Expresso]
   
Parecer:
 
Aos poucos vai-se desmoronando a imagem de competência de Vítor Gaspar, aliás, quando é Miguel Relvas que se pronuncia sobre esta questão fica evidente que o ministro das Finanças começa a ter medo de falar em público. Só a ideia de que o ministério das Finanças contava com a opinião técnica da troika poderia contar nesta questão deixa os cabelos em pé a qualquer um, isto é competência do Eurostat e nem o FMI que é uma entidade que nada tem que ver com a UE, nem o BCE que é independente em relação à Comissão Europeia e o próprio representante da UE na troika é um mero funcionário de uma direcção-geral que não tem competências nesta matéria.

Esta gente acha que tem a cunha dos rapazolas da troika e podem gozar com todas as instituições europeias como o têm feito com as instituições internacionais, ainda não perceberam que os rapazolas da troika, tal como o próprio Durão Barroso, não passam de uns bananas de serviço.

Vítor Gaspar terá de encontrar outros truques para esconder a sua incompetência colossal.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se de dó.»
      
 O sismo fiscal
   
«As medidas de austeridade anunciadas para o Orçamento do Estado para 2013 (OE2013) correspondem a um sismo fiscal de magnitude oito com efeitos destruidores sobre a economia, diz António Bagão Félix.
   
O pacote fiscal que está previsto, e tendo em conta a escala de Richter, de 1 a 10, "estará na escala sete, oito ou seja, com efeitos destruidores muito grandes, sobretudo na economia" diz em entrevista à Lusa o atual Conselheiro de Estado e antigo ministro nos governos de coligação PSD/CDS liderados por Durão Barroso e Santana Lopes.
   
Bagão Félix lembra que as medidas anunciadas, designadamente a redução dos escalões do IRS, e consequente aumento do imposto, e a criação da sobretaxa do IRS, "não são alternativas à questão da Taxa Social Única (TSU)".» [DN]
   
Parecer:
 
Até tu Bagão? Um dia destes ainda vamos ver o Bagão ao lado de Carvalho da Silva numa manifestação convocada pelo Jerónimo de Sousa com o apoio de Louçã e com o Seguro a apelar à participação e Cavaco Silva a defender o direito à indignação.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 As poucos vão lá
     
«Dizendo que o PCP tem usado expressões "menos próprias" e "insultuosas" para qualificar a ação do Governo, Passos Coelho considerou que isso torna o partido "cúmplice" para "não dizer instigador de atitudes de maior violência" - palavras que suscitaram pateada no plenário.» [DN]
   
Parecer:
 
Chegou o argumento da violência, aos poucos vão revelando a sua verdadeira ideologia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se pelo pior.»
   
 A CIP já se arrependeu
   
«Segundo uma versão preliminar do Orçamento do Estado para 2013 (OE2013), a que a Lusa teve acesso, o imposto sobre tabaco de enrolar, charutos e cigarrilhas vai subir no próximo ano.
  
"A CIP rejeita esse aumento, se não for reduzida a TSU [contribuição das empresas para a Segurança Social] para as empresas de bens e serviços transacionáveis", disse à Lusa uma fonte oficial da CIP.
   
A confederação dos patrões propôs no mês passado um aumento genérico de 30 por cento do imposto sobre o tabaco. Esta proposta tinha "o único e exclusivo fim de compensar uma redução seletiva da TSU para as empresas de bens e serviços transacionáveis".» [DN]
   
Parecer:
 
A CIP parece não etr percebido que esta austeridade é apenas para tapar o buraco nas receitas fiscais resultante desse colosso de incompetência que é ministro. Além disso, é ingenuidade da CIP pensar que a um aumento brutal do imposto sobre o tabaco corresponde um aumento das receitas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Mais uma frase imbecil
   
   
«Passos Coelho afirmou hoje que pertence a uma "raça de homens" que honra os compromissos assumidos pelo País.
   
Pedro Passos Coelho falava na parte final do debate quinzenal na Assembleia da República, ainda em resposta a anteriores acusações ao Governo feitas pelo líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã.
   
"Eu pertenço a uma raça de homens que não se vira para aqueles que lhe emprestaram o dinheiro e dizem depois que não aceitam chantagem porque querem ver o dinheiro de volta, ou que dizem depois não há o direito de se coagir por se dever", apontou.» [DE]
   
Parecer:
 
Terá pago as dívidas da empresas de que era sócio? Este está mesmo desesperado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se.»
   
 Mais 20 horas?
   
  
«O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, adiantou hoje que está marcado para segunda-feira um Conselho de Ministros para fechar a proposta de Orçamento do Estado para 2013.
  
"Na segunda-feira o documento será definitivo, fruto do trabalho desenvolvido anteriormente e dos Conselhos de Ministros, como sabem também está marcado um Conselho de Ministros para segunda-feira", afirmou o governante aos jornalistas, à margem de uma convenção anual de aeronáutica, em Lisboa.» [DE]
   
Parecer:
 
Veremos quantas mais horas serão necessárias para que o Gaspar volte a ler o OE.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 O problema é da comunicação, diz ela
   
   
«Ministra da Justiça reconhece que o Governo devia gerir melhor o tempo e diz que os ministros são francos entre si.
   
Paula Teixeira da Cruz está há pouco mais de um ano à frente da pasta da Justiça e reconhece que o Governo tem comunicado mal. Admite que o Executivo podia ter gerido melhor o tempo, não fecha a porta a corte de funcionários na Justiça e não revela se pretende ou não cumprir o seu mandato até ao fim.» [DE]
   
Parecer:
 
Pois, os seus colega deviam comunicar tão bem como ela o faz cada vez que abre a boca e parece fazer parte de uma anedota de louras.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Portas não fala do OE
   
 

«Em mais de 20 minutos de discurso, Portas não fez uma única referência ao Orçamento do Estado, centrando-se na campanha regional, e aos microfones dos jornalistas, no final do comício, disse não se pronunciar sobre esta matéria "antes de segunda-feira".
   
O líder centrista, e Ministro dos Negócios Estrangeiros, começou o seu discurso, na freguesia da Ribeirinha, perante cerca de mil militantes e simpatizantes do CDS, garantindo que quem disse que não iria aos Açores nesta campanha eleitoral não o conhece.» [DE]
   
Parecer:
 
Digamos que ministro dos Negócios Estrangeiros não fala de assuntos nacionais quando está nos Açores.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Passos não teve tempo para discursar sobre OE
   
«O debate quinzenal de hoje começou com a leitura por Pedro Passos Coelho de um discurso escrito, do qual ficou a faltar a leitura da última parte. Isto porque o primeiro-ministro não leu a parte final da intervenção, a única que falava do Orçamento do Estado para 2013, tendo lido apenas a parte do discurso que falava sobre os desafios da Europa, uma vez que o debate desta manhã foi de preparação do próximo Conselho Europeu.
  
De acordo  com o Jornal de Negócios, a informação dada pela assessora de imprensa indica que Passos Coelho não leu a última parte do discurso por falta de tempo.
   
O Expresso transcreveu e revela no seu site a parte do discurso que Passos não leu, mas que foi distribuída aos jornalistas.
  
"Mas o que temos de fazer exige no momento actual custos e sacrifícios que também não podemos minimizar. O esforço que o Orçamento do Estado para 2013 implicará para todos os portugueses, principalmente para os que têm mais meios para lhe corresponder e para o próprio Estado, é a nossa resposta para salvaguardar a presença europeia, as instituições do Estado social e as condições de recuperação da economia nacional. As opções são extremamente limitadas e os nossos graus de liberdade são reduzidos. Nessa medida, explorámos todas as combinações e alternativas, procurando as que, cumprindo as nossas metas, fossem também menos pesadas no presente e mais eficientes no futuro. Ninguém nos pode acusar de não ter ponderado nem tentado as diferentes possibilidades. Era esse o nosso dever para com os portugueses e era essa a nossa obrigação diante dos sacrifícios e da determinação de que todos os dias dão provas."» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Isto não é um primeiro-ministro, é uma anedota governamental.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   
 Finalmente!
   
«Para evitar excepções nos cortes dos subsídios, o Governo criou uma regra específica que permite que o Banco de Portugal (BdP) possa suspender o pagamento do 13.º mês no próximo ano.
  
De acordo com a versão preliminar da proposta de lei do Orçamento do Estado (OE) para 2013, a que o PÚBLICO teve acesso, o Governo reconhece que o BdP é autónomo nesta matéria e que, “no quadro das garantias de independência estabelecidas nos tratados que regem a União Europeia, tomará em conta os objectivos globais de redução de despesa pública prosseguidos pela presente lei”.
   
E é nesse sentido que o Governo cria uma norma específica que habilita o Banco de Portugal “a decidir, em alternativa a medidas de efeito equivalente já decididas, suspender o pagamento do subsídio de férias ou quaisquer prestações correspondentes ao 13º mês aos seus trabalhadores durante o ano de 2013”. Para isso, derroga as obrigações decorrentes da lei laboral e dos instrumentos de regulamentação colectiva aplicáveis à instituição liderada por Carlos Costa.» [Público]
   
Parecer:
 
Resta agora esperar que o senhor Costa aplique aos seus o que propõe para os outros.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Insista-se no fim do tratamento de favor aos funcionários públicos do Banco de Portugal.»
   
 Bruxelas não confia no golpe fiscal do Gaspar
   
«A Comissão Europeia entende que reduzir o défice com uma estratégia orçamental assente mais do lado da receita – com aumento de impostos – do que do lado da despesa traz mais riscos em 2013. Bruxelas pede ao Governo “medidas de contingência” para precaver uma potencial queda nas receitas, como está a acontecer este ano. E adverte ainda para a “fissuras” no “consenso político e social”.» [Público]
   
Parecer:
 
Faz bem em confiar, Vítor Gaspar já demonstrou incompetência qb nesta matéria.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Gaspar em que medidas de contingência está pensando.»
   
 CDS a pedir contas à troika?
   
«O eurodeputado democrata-cristão Nuno Melo questionou a Comissão Europeia e o BCE sobre qual a "consequência" retirada do reconhecimento pelo FMI de que as medidas de contenção estão a ter um impacto maior do que o previsto. 
  
O eurodeputado do CDS-PP recusou, contudo, que o requerimento que dirigiu às instituições que pode questionar (não tem competência para questionar formalmente o FMI) seja uma "invocação da renegociação, em relação a prazos, em relação ao que seja".
  
"É importante saudar o reconhecimento da falha na previsão, mas falta saber do ponto de vista académico a consequência que retiram a em relação ao efeito dessa falha da previsão no impacto da economia de um país intervencionado como Portugal", afirmou Nuno Melo aos jornalistas no Parlamento português.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:
 
Até parece que o Nuno Melo anda a ler O Jumento.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 PSD a caminho do desaparecimento
   
«No último mês, o Partido Social Democrata acentuou, de forma significativa, a queda nas intenções de voto. Desde Junho de 2011 que as intenções de voto no partido liderado por Pedro Passos Coelho têm vindo a diminuir: de 42%, em Junho de 2011, para 33,3% em Setembro de 2012.
   
Porém, entre Setembro e Outubro de 2012, período que ficou marcado pela apresentação de novas medidas de austeridade, entre as quais um "enorme aumento de impostos", segundo as palavras de Vítor Gaspar, as intenções de voto no PSD caíram de 33,3% para os 24,9%, de acordo com uma sondagem realizada pela Aximage para o Correio da Manhã.
   
Assim, se as eleições fossem hoje, PSD e CDS, em conjunto, não alcançariam maioria absoluta. Na verdade, a votação dos dois partidos totalizaria 32,8%, ficando abaixo das intenções de voto do Partido Socialista: 33,7%.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:
 
Parece que o funeral do Passos está já a ser preparado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Derrube-se o incompetente.»
   
 Madeira não cumpre programa de assistência
   
«O Governo Regional da Madeira não está a cumprir de forma significativa as condições estipuladas no programa de ajustamento celebrado com a República, algo que continuou na segunda avaliação ao programa madeirense, diz a Comissão Europeia.
   
"A segunda avaliação ao programa de ajustamento da Madeira revela um significativo grau de incumprimento. (...) A região da Madeira está a demonstrar um significativo grau de incumprimento nas condições do programa de ajustamento com o Governo", diz o relatório da Comissão Europeia sobre a quinta avaliação do Programa de Assistência Económica e Financeira de Portugal.
   
Bruxelas reconhece que o desempenho orçamental está afetado por uma queda nas receitas fiscais derivada de fatores externos à região, mas sublinha que "a redução da despesa está muito aquém" do estipulado.
   
"Em particular, a redução de 2% do número de funcionários públicos não está a decorrer a um bom ritmo e os projetos de investimento ainda estão por cortar. As autoridades regionais ainda não formularam uma estratégia adequada para resolver os pagamentos em atraso há mais de 90 dias que esteja em linha com a estratégia nacional", afirma a Comissão Europeia.» [Dinheiro Vivo]
   
Parecer:
 
Não faz mal, daqui a uns tempos o Passos inventa mais um desvio colossal e o Gaspar faz as contas e conclui que é necessário cortar mais dois vencimentos aos funcionários públicos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Gaspar se tenciona cortar os vencimentos de Janeiro e Fervereiro ou vai cortar 20% em cada mês.»
        
 Doentes oncológicos sem dinheiro para comer
   
«A União Humanitária dos Doentes com Cancro alertou hoje para a existência de doentes oncológicos sem dinheiro para comer, uma situação que agrava a sua condição física já debilitada pela doença e pelos efeitos dos tratamentos.» [DN]
   
Parecer:
 
Seguindo o raciocínio do sobredotado de Massamá é uma oportunidade para fazerem dieta e assim melhorarem a sua saúde.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se.»
     

 Restaurantes protestam fechando o WC
   
«A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) promete organizar todas as formas de protesto possíveis para chamar a atenção do Governo sobre a situação do sector. "Temos casos gravíssimos. De pessoas desesperadas. A partir de agora, não aceitamos mais que haja um Governo cego e mudo. Vamos exigir que o Governo assuma a responsabilidade pelo mau orçamento que está a fazer", disse à Lusa o secretário-geral do organismo, José Manuel Esteves.
  
A situação é "desesperante" refere o responsável e por isso "todas as formas de luta estão em cima da mesa: encerramos um dia, fechamos as casas de banho, penduramo-nos no arco da rua Augusta... o que for decidido será feito".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Depois cheira tão mal que os clientes vão pensar que estão numa reunião do conselho de ministros.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
      

   
   

  

   

   

  

sexta-feira, outubro 12, 2012

Uma manif para exigir responsabilidades à troika


Mais do que uma manifestação a exigir a saída da troika faria sentido ir para a rua exigir à troika que assuma as suas responsabilidades na destruição da economia portuguesa, noutro contexto ate julgo que neste momento já há motivos para levar os responsáveis da troika a tribunal pelas consequências, sociais, económicas e humanas do que fizera, as suas propostas aceites sob chantagem financeira resultaram em graves prejuízos económicos e humanos, há empresas que foram destruídas, há gente que foi despedida, há mesmo quem se tenha suicidado em consequência das opções impostas pela troika.

Faz sentido exigir à troika as suas responsabilidades pois sem ninguém o fazer é a própria troika que antecipa e desastre e ao seu mais alto nível começa a descartar quaisquer responsabilidades, dizendo que as políticas que impuseram, apoiaram ou estimularam são da exclusiva responsabilidade do governo. Quem o disse foi o Durão Barroso, o mesmo Durão Barros que há poucos dias fez uma clara manifestação grosseira de ingerência nos assuntos internos de um Estado-membro ao anunciar que as medidas orçamentais já tinham sido aprovadas pela troika, medidas que eram do desconhecimento dos deputados, dos parceiros sociais e dos portugueses, medidas cuja aprovação carecem a aprovação pelo parlamento. Durão Barroso comportou-se como um sargento do exército de Hitler numa quinta ucraniana.

Esta intervenção de Durão Barroso nada tem de espontâneo, é um acto cobarde motivado por um relatório do FMI onde se reconhecem os erros cometidos. O FMI reconhece o erro nos seus cálculos, o presidente da Comissão Europeia foge das responsabilidades em relação ao seu próprio país como se fosse uma ratazana dos esgotos. Ainda há poucos dias, quando os portugueses rejeitaram na rua o golpe baixo da TSU um tal O’Connors, porta-voz do comissário europeu para os assuntos monetários veio fazer chantagem pública sobre o país, ameaçando com a suspensão da ajuda caso a medida fosse rejeitada.
 
Quando as coisas corriam bem os rapazolas da troika multiplicavam-se em seminários e entrevistas, elogiando o resultado do seu trabalho e tentando influenciar a opinião pública em favor de um governo que se revelou mais obediente do que a República de Vichy. Quando perceberam que a coisa ia dar para o torto aproveitaram-se da ambição desmedida do Gaspar e deram-lhe a tarefa de ler as suas avaliações. Desde então o representante do FMI foi substituído e os rapazolas da troika quase desapareceram. Cobardes.
 
É tempo de os portugueses irem para a rua exigir ao FMI, à Comissão Europeia e ao BCE que assumam as consequências económicas, sociais e humanas das experiências mengelianas que à margem dos valores constitucionais de um Estado-membro soberano impuseram a um governo servil. É inaceitável que as estas organizações insistam em impor uma política errada, cobrar juros abusivos e fugir às suas responsabilidades.
 
É bom lembrar que a "ajuda" da troika nada tem de ajuda, Portugal paga juros altos e em cima disso paga qualquer coisa como 655 milhões de euros em comissões. É com este dinheiro que os três rapazolas da troika se instalam em hotéis de 5 estrelas e que as suas dezenas de assessores são pagos a peso de outro. Tudo isto para dizerem baboseiras, para sugerirem soluções que viram noutros países ou, muito simplesmente, para arrastarem os rabos pelos gabinetes. Agora dizem que tudo foi responsabilidade do governo para fugirem às responsabilidades?
 
Há culpas e responsabilidades, Durão Barroso deve assumir as suas como fez a líder do FMI e não fazer como o senhor Draghi que insiste em tentar influenciar a opinião pública com supostos sucessos de um país à beira do caos. Estes senhores e os técnicos das organizações internacionais que sõ os co-responsáveis pelo desastre devem assumir as suas responsabilidades. O povo português deve ir para a rua para que o mundo olhe para o que estes canalhas fizeram e continuam a fazer a um país que lhes pediu ajuda.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

Flor do Parque Florestal de Monsanto, Lisboa
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 

   
Cascais [A. Cabral]   
A mentira do dia d'O Jumento
 

Jumento do dia
  
Alberto João Jardim
 
Para esta gente do PSD informar é fazer sabotagem económica?

Mais um pouco e o jornalista vai a tribunal plenário responder pela ousadia.
 
« O Conselho de Governo da Madeira apresentou hoje queixa contra a RTP devido a uma reportagem na qual turistas são confrontados com a existência de casos de dengue na região, considerando que a situação configura um crime de “sabotagem económica”.» [Público]

 O Conselho de Ministro do OE durou 20 horas
 
Desiludam-se os que pensam que houve um debate animado ou que o Portas se bateu por menos impostos, demorou vinte horas porque o Vítor Gaspar insistiu em ler o documento do princípio ao fim!
      
 Ó Gaspar!

Vai dando aí a cara pelo governo que eu vou desaparecer durante uns tempos, ficar ainda mais queimado do que já estou é uma cena que não me assiste.

 E ninguém os atira ao rio?

No princípio do ano o Gaspar assegurava que no segundo semestre haveria crescimento e criação de emprego, até Cavaco Silva andou por aí dando a grande novidade, ainda que só as simpáticas vacas da Graciosa tenham acreditado nele.

Em Abril o relatório da execução orçamental já evidenciava o desastre apresentando dados suficientes para se perceber a incompetência colossal do Gaspar em matéria orçamental, ao mesmo tempo que os indicadores do crescimento e do emprego demonstrada a mentira dos pressupostos do OE. Mas Passos tranquilizou os portugueses, tudo se explicava por uma qualquer situação conjuntural, que qualquer conclusão só poderia ser tirada em Maio.

O discurso era tão optimista que até o ar radiante das vacas da Graciosa podia ser entendido como manifestações de antipatia em relação ao governo, que nem mais tempo e nem mais um tostão, que a Grécia estava cada vez mais longe, que estávamos a exportar como um tigre asiático, que o ajustamento estava a produzir resultados. O Gaspar era a vedeta num encontro do FMI em Londres, não parava andando de seminário em seminário.

Chegou o mês de maio, o desvio colossal nas receitas fiscais estava provado mas deram-se umas justificações grosseiras para adiar o problema, afinal o BCE estava a adoptar as medidas a que o Gaspar e o Passos sempre se opuseram, enfim, talvez ajudassem. O BCE mudou de política e o Estado até foi beber uma ginginha aos mercados ainda que com prazos de pagamento a coberto da intervenção externa. O governo teve um orgasmo, até o coxo alemão dava pulos de contente, o Gaspar era um verdadeiro Cristiano Ronaldo da economia, tinha acabado de mandar um missil aos mercados financeiros e fez um golaço.

A quinta avaliação, aquela em que todos falhavam, aquela que mandou a Grécia para a sarjeta do Euro correu às mil maravilhas, a coisa estava tão boa que até nos deram mais um anito, agora era uma questão de estimular o crescimento, já parecia haver o dinheiro que não havia quando o Gaspar gozava com o Álvaro por este propor precisamente medidas para o crescimento.

Milagre! O mesmo Gaspar que prometia crescimento em resultado da austeridade já estava cheio de guita, bendito Gaspar! E o dinheiro apareceu, tira-se aos trabalhadores, funcionários e pensionistas e dá-se aos patrões, principalmente aos que estão à rasca para pagar os salários. Mas o pobre do Gaspar teve azar, os crentes em vez proporem um santuário no local do milagre foi em peregrinação para as ruas pedindo que o Gaspar e o Passos fossem atirados para a fogueira.

Agora percebe-se o milagre, um desvio colossal nas contas públicas apesar da brutalidade da austeridade adoptada, o conhecem-se os custos económicos e sociais da tese do "custe o que custar", hoje qualquer estudante do primeiro ano de economia proporia que fossem retirados os títulos académicos o Gaspar. Mas o que deve ser motivo de admiração não é as medidas brutais do OE para 2013, é o facto de os membros deste governo ainda não terem sido forçados a fugir no primeiro avião enquanto se borram pelas calças abaixo.

Os portugueses têm sido como cobaias de um Mengele da economia num laboratório de Auschwitz e não acontece nada a esta gente, continuam a destruir a economia, a levar famílias para a miséria, a destruir empresas, a expulsar os jovens para o estrangeiro e a empurrar portugueses para o suicídio e não lhes acontece nada, continuam a fazer o que querem em total impunidade? Não respondem nem politica nem criminalmente pelo que estão fazendo?
 
 Ainda não
 
São cada vez mais as vozes da direita que dizem que o governo é uma "merda" mas que deve continuar porque não haverá alternativa à incompetência, loucura e impreparação de Passos. Compreende-se a paciência deles, ainda há muitos negócios para fazer.

Não é por acaso que quando estava em dificuldades com a crise do roubo da TSU o primeiro-ministro calou muito boa gente lançando a possibilidade de privatizar a CGD, a mensagem era clara  se quiserem comer à custa do país ajudem-me a ficar no governo.
 
Um caso paradigmático da forma como o governo tem usado as privatizações para se manter à tona do poder é a mais do que problemática privatização da RTP, ora avança, ora recua e com estes truques do Relvas o governo mais mantendo na linha uma boa parte da comunicação social, os que quem comprar a saldo apoiam Passos na esperança de irem ao pote, os que não querem a privatização apoiam Passos para que este não se vingue.

É óbvio que toda esta gente quando se sentir satisfeita e percebendo que Passos prejudica o futuro da direita tudo vão fazer para o atirarem para uma lixeira de um dia para o outro.
 
 O governo que gosta muito dos pobrezinhos
  

Este governo gosta tanto dos pobrezinhos e tem tanta preocupação com os pobres que tudo faz para que hajam mais pobres, em Portugal só há lugar para ricos e para pobres, os outros que emigrem.
 
É por isso que por cada medida que adopta, e cada vez que o faz já se sabe que é mais um vencimento que tira à classe média, o governo adopta um esquema para dar uma gorjeta aos pobres. Se aumenta os transportes arranja um esquema para fazer descontos aos pobres, se corta nos subsídios deixa de fora os mais pobres, se liberaliza as rendas garante ao Cavaco que vai arranjar um esquema para ajudar os pobres, se aumenta a electricidade cria-se um subsídio para que os pobres paguem menos.
 
É evidente que de vez em quando e se engana ou se esquece, aumentou o IVA sobre uma boa parte dos produtos alimentares e tramou os pobres, mas daí não resultam problemas de maior, só mostra que o governo cuida da saúde dos pobres e assegura que façam dieta. A Cristas esqueceu-se do tal esquema para ajudar os pobres nas novas rendas mas até agora não tem tido tempo, andou mais ocupada a permitir que as áreas ardidas sejam embelezadas com verdejantes campos de eucaliptos.
 
Um dia destes a cidade de Lisboa, esse imenso antro de classe média parasita, vai ser abandonado, ficam os bairros populares, os bairros de realojamento e os prédios de luxo. Os outros serão abandonados porque a classe média teve de emigrar para a Suíça. Se em Portugal um director de serviços do Estado já ganha menos à hora do que uma empregada doméstica então o melhor ée irmos todos para empregadas domésticas na Suíça.
 
Pode ser que quando formos pobrezinhos possamos pedir a inscrição no clube dos descamisados do Passos Coelho, com uma boa cunha até talvez possamos entrar para a polícia de choque e talvez os nossos filhos possam beneficiar de isenção de propinas por conta do biscate na função de gorilas das universidades.
 
 Cheira mal na capital de Portugal
 
A causa está no adiantado estado de decomposição da coligação governamental, é tal que o seu governo já está num processo de putrefacção irreversível. Este governo já não é um problema político, é um grave problema de higiene pública e Cavaco Silva em vez de ter de demitir o primeiro-ministro arrisca-se a ser multado pela ASAE por insistir em o servir aos portugueses.


 Para mitigar o aumento brutal de impostos






  
 Os impreparados
   
«Faz impressão ver o Governo anunciar aumentos de impostos quase todas as semanas. Novas tabelas de IRS. Avaliações de casas a eito para fazer disparar o IMI. O fim de subsídios, associações, fundações (poucas) e outra tralha também. O fim de deduções e benefícios fiscais. Mais privatizações e concessões que desafiam as regras. Faz impressão ver Vítor Gaspar a rapar, a rapar, a rapar tudo o que mexe e ainda respira e depois a corrigir, a emendar, "a mitigar" diz ele, a recuar, a balbuciar estudos, previsões (furadas) e estimativas (furadas) quando chega à Europa rica vindo da Europa pobre.
  
O problema deste Governo começa aí. O problema do País vem de trás, claro, e teve com Sócrates o ponto mais alto da fanfarronice. Mas o problema deste Governo nasceu no dia em ganhou corpo. Passos Coelho chegou ao poder às apalpadelas. Chegou porque já ninguém confiava em Sócrates, não porque ele, Passos, fosse melhor, soubesse mais, tivesse uma ideiazinha qualquer. Passos posicionou-se, foi bem posicionado, só isso; o resto estava colado a cuspo.
  
A escolha de herr Gaspar para o Ministério das Finanças caiu dos céus europeus. Ele seria a estrela que nos indicaria o caminho, garantiria a confiança dos mercados, a bênção de Frankfurt. Passos conhecia-o? Tinham estudado a situação do País? Tinham avaliado o programa, as medidas, os efeitos, os riscos? Nada, claro, mas com uma agravante: estamos falidos. Os erros hoje sentem-se logo na pele. Tudo - tudo dói.
   
Passos e Gaspar navegam à vista. Vivem em ajustamento permanente. Ajustam-se às dívidas, ajustam-se às exigências da troika, ajustam-se um ao outro (deixam Portas sozinho), ajustam-se também um pouco à rua - os portugueses são o único povo do mundo que trata a TSU por tu. A "austeridade expansionista" que nos entala não é apenas um disparate económico, é uma ratoeira mortal que empobrece o País, agrava a dívida do Estado (119% do PIB e a subir), leva as empresas à falência e esmaga as famílias. Pior: reduz a hipóteses de podermos seguir outro caminho.
  
É por isso que hoje reagimos mal a tudo. Reagimos mal até ao que poderíamos engolir por termos finalmente compreendido que esta Europa nos semiabandonou. Como Passos não tem programa político, nem voz na Europa, as decisões dele só tapam os buracos que aparecem, embora nem isso consiga. Não renovar os contratos a milhares de trabalhadores da função pública faria sentido (entre outras medidas) se o Governo o tivesse decidido no âmbito de um programa lançado no primeiro dia de Governo: rever as funções do Estado, oferecer menos serviços, mas cobrar muito menos impostos também. Ou seja, se tivesse proposto um novo contrato social capaz de reduzir a despesa pública numa legislatura dando espaço à iniciativa privada. Um plano assim exigiria preparação. O que temos em vez disso? A troika: improvisação, hesitação, asneira.» [DN]
   
Autor:
 
André Macedo.   

 O grande equívoco
   
«Afinal havia uma razão para o Governo, durante muito tempo, ter afirmado que não pretendia mais dinheiro e mais tempo para o programa internacional de ajuda externa!
   
Nós é que não percebemos. Se bem se recordam, foram muitas as vozes (algumas delas autorizadas) que diziam que era improvável o cumprimento das metas sem que fossem "renegociados", pelo menos, os prazos de duração do programa.
   
A estes "apelos" o Governo respondia sistematicamente que não era necessário, que iríamos cumprir todas as metas, que era "prejudicial" o alargamento dos prazos e mais prejudicial ainda o aumento do montante da ajuda.
   
O coro alargou-se. Que não, que o Governo estava a ser "cego", que era evidente que as pessoas e a economia não iriam suportar um programa tão exigente, e que se assim fosse o aumento da recessão era uma inevitabilidade de tal modo que teria consequências, nomeadamente na diminuição efectiva da arrecadação das receitas.
   
Perante tudo isto, o Governo mantinha inalteradas as suas posições de princípio, isto é, continuava a afirmar que não seria necessário nem mais dinheiro nem mais tempo. A execução estava a correr bem e estava tudo preparado para o cumprimento integral do programa.
   
Eis senão quando a troika vem realizar a sua quinta avaliação. Correu, ao que se sabe, tudo muito bem, de novo fomos positivamente avaliados e fomos informados de que nos tinha sido concedido mais um ano para cumprir o acordo.
   
Ficamos aliviados! Afinal quer a troika quer o Governo acabavam por considerar que era necessário dar mais tempo ao País para a consolidação.
   
Até nos esquecemos, neste período (pequeno é verdade) das sistemáticas posições governamentais de que não era necessário mais tempo! Eles lá saberiam porquê!
   
Mas rapidamente também nós ficamos a saber porquê! Foi anunciada a revisão da TSU. As empresas passavam a pagar menos e correlativamente os trabalhadores passavam a descontar mais. Foi a "gota de água"!
Segundo uns, tratava-se de uma medida alternativa à decisão do Tribunal Constitucional; segundo outros, era uma medida de incentivo à competitividade e ao crescimento; outros, ainda, diziam que era um "misto" das duas causas.
   
Não chegou a ser! Foi retirada da agenda política e orçamental, aliás nunca lá devia ter estado, nos termos em que nos foi apresentada.
   
Mais uma vez, as pessoas respiraram de alívio. Afinal não iriam ser cortados 7% aos seus rendimentos brutos para financiar directamente a descida de 5,75% às empresas e financiar o défice (julgo que da Segurança Social, em 1,25%).
   
Durou muito pouco este "estado de alma". E a notícia veio de Bruxelas (ou teria sido de Lisboa?) quando o presidente da Comissão Europeia anunciou que haviam sido aprovadas as medidas alternativas à TSU já apresentadas pelo Governo.
   
Nós é que ainda as não conhecíamos... Mas as dúvidas foram dissipadas através de uma conferência de imprensa do ministro das Finanças, Vítor Gaspar.
   
No princípio da mesma parece-me que ainda esperávamos algumas boas notícias. Pois então não nos tinha sido dado mais um ano? Só que, no decurso da mesma, fomos percebendo, com o estômago um pouco apertado, que afinal "havia outras", mais duras, mais complicadas e que significavam "um enorme aumento dos impostos".
  
As contas não batiam certo. O Orçamento para 2013 tem o objectivo de reduzir o défice de 5% para 4,5%. Já perguntei e volto a perguntar se 0,5% assume um valor equivalente a cinco mil milhões de euros...
  
Foi-nos "dado" mais um ano. Como compreender o "enorme" aumento dos impostos neste contexto, que se traduz em mais "medo", mais "insegurança" e mais "empobrecimento" para o futuro?
   
Sabíamos que estavam em curso negociações tendentes a diminuir os custos com as PPP, que os cortes nas fundações iriam dar resultados significativos, que as despesas com as "gorduras" do Estado estavam a avançar... Mas não! Quanto às fundações, vamos ter agora um novo Conselho; quanto às PPP, parece que talvez para 2014 venhamos a ter algumas notícias...
  
Se não fosse uma "tragédia", até podia dizer-se que nós é que não percebemos, ao contrário do Governo, o alcance de nos ter sido dado mais um ano para nos "ajustarmos"...» [DN]
   
Autor:
 
Celeste Cardona.
      
 As cobaias somos nós
   
«Na página 41 do último World Economic Outlook do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olivier Blanchard e David Leigh efetuam algo que é muito raro na literatura de uma instituição: um exercício de autocrítica. Com efeito, o relatório confessa que na presente crise económica e financeira global o FMI, a Comissão Europeia e a OCDE (exatamente por esta ordem decrescente) têm errado constantemente o cálculo dos efeitos recessivos das políticas de austeridade. O que se reflete na Zona Euro e nos países, como Portugal, que se têm distinguido como compulsivos campeões dessas receitas. O erro é constante porque radica numa questão de método. Isto é, no cálculo do impacto sobre o produto interno bruto (PIB) causado por cada euro retirado à despesa pública. O cálculo tem sido efetuado na base de uma redução de 0,5 euros do PIB, por cada euro cortado ao Estado, quando, sustentam os autores, essa redução do PIB pode variar de facto de 0,9 a 1,7 euros. A conclusão é tão simples quanto inquietante. As atuais políticas de austeridade, para além de moralmente injustas e de legitimidade política discutível, correm o risco de ser tecnicamente erradas, pois agravam o problema que pretenderiam resolver. Em vez de trazerem o saneamento das contas públicas, aceleram uma espiral recessiva que, no final, aumentará a dívida pública (que se mede em relação percentual ao PIB), assim como todos os outros indicadores de sofrimento social, como o desemprego, os fluxos de emigração e a erosão da qualidade de serviços públicos descapitalizados pela própria austeridade. A gestão da crise está a ser feita sem saber nem prudência suficientes. Como um alquimista louco que misturasse aleatoriamente substâncias em busca de ouro. Só que o laboratório é o mundo real. E as cobaias somos nós.» [DN]
   
Autor:
 
Viriato Soromenho-Marques.
     
 CDS: é o eucalipto estúpido!
   
«O CDS de Paulo Portas exibe os pergaminhos de ser o partido dos valores da "História de Portugal", do território e das pessoas que o habitam. Pois, chegou a hora de Portas o provar. Porque o CDS está a fazer, através de Assunção Cristas, ministra da Agricultura e Ambiente, e de Daniel Campelo, secretário de Estado das Florestas, um demencial ataque ao território. Num ano em que a área ardida mais que duplicou face ao ano anterior, o Governo quer liberalizar a plantação de eucaliptos em qualquer terreno, esquecendo que nada tem sido mais grave do que as vastas áreas plantadas em monocultura, como a do eucalipto, para que os fogos se tornem incontroláveis, os solos cada vez mais pobres e o despovoamento do Interior irreversível.
   
A Proposta de Lei de Cristas e Campelo permite aos proprietários de terrenos com menos de cinco hectares mudar de espécie florestal sem qualquer tipo de autorização. Todos sabemos qual é a mais rentável: o eucalipto. Quem quer esperar 80 anos por um sobreiro, ou 50 para vender madeira de carvalhos ou nogueiras? E no entanto, estas são as espécies que garantem a biodiversidade portuguesa, a fertilidade dos solos, uma boa gestão dos recursos hídricos e mais resistência ao avanço do fogo.
   
Um exemplo: 95% da área que é hoje pinhal tem menos de cinco hectares. Com esta proposta o Governo autoriza, em nome da "desburocratização", a liberdade de se mudar do menos rentável pinheiro para o eucalipto... Esquecendo que o eucalipto é uma árvore australiana e se tornou por cá numa invasora imparável.
   
Além disso, até aqui, as áreas ardidas não podiam ser replantadas com eucaliptos se antes ele não estivesse lá. A partir desta proposta do Governo, luz verde ao eucalipto... Querem melhor convite para pôr a arder o que resta de castanheiros ou carvalhos? Preparem os carros de bombeiros para o próximo verão... Mas pior ainda: mesmo nas áreas acima dos 10 hectares, apesar da autorização para se plantar eucaliptos ser ainda exigida, ela fica automaticamente aprovada se os serviços públicos não responderem em 30 dias. Ora, com a redução de funcionários, está aberta a porta para que passe tudo tacitamente... Um parêntesis: sabem quanto custa o combate aos incêndios por hectare? 25 euros. Este ano arderam 110 mil hectares, área duas vezes e meia maior do que a do ano passado. Combates pagos por todos nós. Qual a solução? Carros, bombeiros, helicópteros... Falso: é a floresta, estúpido!
   
Com esta medida, o CDS dá mais um salto no tempo: passa do "Partido da Lavoura" para o partido do "petróleo verde" inaugurado pelos governos Cavaco (lembram-se da GNR a bater em populares em 1988 em Valpaços, por estes serem contra a eucaliptização?). O rasto de miséria e devastação do território desta Proposta de Lei do Governo será, a prazo, ainda mais nociva que a dívida, os défices e a troika, juntos.
   
Exportamos muito papel e isso é bom? As coisas têm de ser q.b.. Porque as consequências de mais eucaliptos, para além de mais fogos, são a desertificação dos solos, envenenamento das albufeiras com as cinzas, diminuindo cada vez mais a qualidade da água potável. Uma terra sem minerais por décadas ou séculos... E terreno onde esteve eucalipto, só nasce eucalipto. Nem precisa de se plantar. Mas arrancá-los custará milhões.
   
A campanha do trigo de Salazar, no Alentejo, foi um êxito social e económico na altura. Hoje, nas terras usadas para a autossuficiência salazarista, resta pouco. O trigo plantado pelo ditador visionário em solo sem capacidade para o produzir provocou uma ferida na terra que vai demorar sete mil anos a regenerar. E agora vejam o alcance desta medida do Governo: permitir eucaliptos até nos mais férteis solos agrícolas nacionais - apesar da nossa dependência alimentar.
   
Bem sei que Paulo Portas daqui a 30 ou 40 anos já não estará na política ativa e hoje isto dá votos - a malta gosta de sacar umas massas com uma árvore que cresce sozinha e que de 10 em 10 anos se vai cortar fácil. É dinheiro em caixa sem trabalho nenhum. Mas é o fim do Interior e da agricultura de que precisamos. Portas ficará na História como o homem da "Lavoura" sim, porque, afinal, acabou de vez com ela.» [JN]
   
Autor:
 
Daniel Deusdado.
   
     
 Pense bem
   
«Cerca de 3.600 novos doentes com cancro do pulmão são diagnosticados anualmente em Portugal, ou seja 10 casos por dia, 85% dos quais não sobrevivem ao fim de cinco anos, disse esta quarta-feira à agência Lusa Fernando Barata, presidente do Grupo de Estudo do Cancro do Pulmão.» [CM]
   
Parecer:
 
Um bom motivo para deixar de pagar o imposto sobre o tabaco.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Divulgue-se.»
      
 Nem mais tempo nem mais dinheiro, dizia o imbecil
   
«A diretora do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, recomendou que perante a exigência de redução drástica do défice, "às vezes é preferível dispor de um pouco mais de tempo".
   
Em conferência de imprensa, a responsável admitiu que dadas as circunstâncias "não é sensato centrarmo-nos em metas nominais e sim aplicar medidas para permitir a função dos estabilizadores", especialmente nos países com mais dificuldades.» [DN]
   
Parecer:
 
Veremos se os imbecis não aproveitam.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
   
 20 horas para aprovar um mau OE
   
«Conselho de Ministros aprovou  a proposta de Orçamento do Estado para 2013, depois de uma reunião de cerca de 20 horas que começou às 8h de quarta-feira, disse à agência Lusa fonte governamental.» [Expresso]
   
Parecer:
 
Veremos quanto tempo vai demorar a perceber-se que as previsões consideradas pelo Gaspar são intencionalmente falsas ou para se concluir que as receitas não correspondem ao previsto.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Não se perca tempo a discutir um OE elaborado por economista pouco confiável e sem qualquer passado que ateste rigor, compreensão da realidade ou mesmo consideração pelo sofrimento do seu próprio povo.»
   
 De que segredos tem medo Passos Coelho
   
«Pedro Passos Coelho indeferiu o pedido dos ex-espioes Jorge Silva Carvalho e Joao Luis, para que lhes fosse levantado o dever de sujeição ao segredo de Estado para efeitos de defesa em tribunal.
   
"De acordo com a lei de bases do Serviço de Informações da Republica, lei 30/84, a satisfação de interesses pessoais não e motivo atendível para a desclassificaçao de documentos", afirmou ao Expresso fonte do gabinete do primeiro-ministro.» [Expresso]
   
Parecer:
 
É uma pena que hajam coisas que devem ser escondidas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a PAssos que segredos não quer ver divulgados.»
   
 Zorrinho põe penso no pé de Seguro
   
«O líder parlamentar do PS considerou hoje que a redução do número de deputados, no âmbito da reforma do sistema político, não é matéria "tabu", mas advertiu que o assunto não é prioritário na agenda dos socialistas.
   
Carlos Zorrinho falava aos jornalistas no final da reunião do Grupo Parlamentar do PS, em que adiantou que a questão da redução do número de deputados foi objeto de discussão "com muita serenidade".» [i]
   
Parecer:
 
Se o assunto não era urgente na agenda do PS porque razão se escolheu o 5 de Outubro?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se.»
   
 Até tu Ângelo?
   
«À medida que aumenta a austeridade, aumentam as fissuras no seio do PSD e na base política que apoiou Pedro Passos Coelho, quer para a presidência do PSD, quer para a liderança do país. Se de alguns barões do partido é conhecida a antipatia pelas ideias do primeiro-ministro, a verdade é que nos últimos tempos são cada vez mais as vozes que se levantam contra o aumento da austeridade – de Marcelo Rebelo de Sousa a Marques Mendes, passando por Eduardo Catroga ou Ângelo Correia.
    
Ontem foi a vez de Ângelo Correia – que foi dos principais promotores da candidatura de Passos à liderança do PSD – pedir não só uma remodelação do executivo, mas também de acusar a equipa governativa de falta de estudo. Numa entrevista na RTP2, o antigo patrão de Passos Coelho disse mesmo que este é o governo “possível”: “O governo está fragilizado, quer o PSD quer o CDS, por uma razão que é básica: todo o discurso do PSD e do CDS antes das eleições é outro completamente diferente do feito depois das eleições”. E, para o social-democrata, esta “mudança de discurso dos líderes” dos dois partidos tem uma causa comum: “Falta de estudo e preparação suficiente para serem líderes nacionais. Este não é um mau governo, é o governo possível.”» [i]
   
Parecer:
 
Se é o pai da criança que o diz...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   
 Passos instrutor de aviões
   
«O projecto aprovado em 2004, no valor de 1,2 milhões de euros, destinava-se a formar centenas de técnicos municipais para trabalharem em sete pistas de aviação, parte delas fechadas, e em dois heliportos da região Centro. No total, estas pistas tinham dez funcionários, agora têm sete.
  
A Tecnoforma, empresa de que Passos Coelho foi consultor e depois gestor, conseguiu fazer aprovar na Comissão de Coordenação Regional do Centro (CCDRC), em 2004, um projecto financiado pelo programa Foral para formar centenas de funcionários municipais para funções em aeródromos daquela região que não existiam e nada previa que viessem a existir. Nas restantes quatro regiões do país a empresa apresentou projectos com o mesmo objectivo, mas foram todos rejeitados por não cumprirem os requisitos legais. As cinco candidaturas tinham como justificação principal as acrescidas exigências de segurança resultantes dos ataques às torres gémeas de Setembro de 2001.
   
O programa Foral era tutelado por Miguel Relvas, então secretário de Estado da Administração Local, e na região Centro o gestor do programa Foral (e presidente da CCDRC) era o antigo deputado do PSD Paulo Pereira Coelho, que foi contemporâneo de Passos Coelho e de Relvas na direcção da Juventude Social Democrata (ver PÚBLICO de segunda-feira).
   
O projecto da Tecnoforma destinado a formar técnicos para os aeródromos e heliportos municipais espalhados pelo país começou a ser preparado no início de 2003, deparando-se desde logo com dificuldades várias ao nível da aprovação dos cursos pelo Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC), a única entidade que os podia homologar, e da possibilidade de ser financiado pelos fundos europeus do programa Foral. 
   
No Verão desse ano, a administração da Tecnoforma negociou o assunto com a secretaria de Estado da Administração Local e a 31 de Julho escreveu ao seu titular, Miguel Relvas, ao cuidado da sua então secretário pessoal (Helena Belmar), que agora ocupa as mesmas funções no gabinete de Passos Coelho. “Na sequência das reuniões que têm vindo a ser realizadas com a área dos Transportes e com a Secretaria de Estado da Administração Local fomos incumbidos de apresentar um projecto nacional” de formação de técnicos de aeródromos e heliportos municipais, lê-se no ofício.
   
Seis meses depois, a 23 de Janeiro de 2003, Miguel Relvas e Jorge Costa, então secretário de Estado das Obras Públicas (com a tutela do INAC) assinaram um protocolo que visava criar as condições para que o INAC aprovasse um conjunto de cursos para técnicos de aeródromos e heliportos municipais, que eram, palavra por palavra, os anteriormente propostos pelas Tecnoforma; e arranjar maneira de o programa Foral os pagar. 
   
O documento estipulava também que o gabinete de Miguel Relvas deveria sensibilizar as empresas privadas de formação profissional, para se envolverem na formação desses técnicos, e autarquias que possuíam aeródromos e helipistas, para inscreverem os seus funcionários nos cursos. 
   
Dezassete dias depois, a 9 de Fevereiro, a Tecnoforma, invocando aquele protocolo, candidatou-se, com dossiers de centenas de páginas, a financiamentos do Foral para realizar aqueles mesmos cursos nas cinco regiões do país. A candidatura maior, que previa 1063 formandos (correspondentes a um total entre 300 e 400 pessoas distintas, porque algumas poderiam frequentar vários cursos) foi entregue na região Centro e apontava para um custo global de 1,2 milhões de euros. E foi a única, que foi aprovada. 
   
Foi aliás a mais cara de todas as que foram financiadas no quadro do programa Foral nos seis anos que este durou (2002-2008). O protocolo patrocinado por Miguel Relvas não foi objecto de qualquer espécie de divulgação e nenhuma empresa, além da Tecnoforma, se candidatou formar os tão necessários técnicos de aeródromos e heliportos municipais.» [Público]
   
Parecer:
 
Este Passos estava mesmo talhado para voar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Ângelo porque não lhe cortou as asas.»
   
 Rating da Espanha quase no lixo
   
«A agência de notação financeira Standard & Poor´s cortou na quarta-feira em dois níveis a nota (rating) da dívida de Espanha, que ficou assim apenas um patamar acima do nível considerado especulativo, conhecido por “lixo” na gíria dos mercados.» [Público]
   
Parecer:
 
Em Portugal foi a direita que tudo fez para mandar o país para o lixo, na Espanha é o povo que tudo faz para mandar a direita para o lixo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver os nossos ministros a apelar ao povo que coma e cale por causa das agências de rating, não é Moedas e Borges?.»
   
 Durão Barroso cobarde
   
«O presidente da Comissão Europeia disse esta quinta-feira, em Bruxelas, ser fundamental que se perceba que os Governos nacionais são responsáveis pelas medidas de austeridade que aplicam, e não a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu ou o Fundo Monetário Internacional.
   
José Manuel Durão Barroso, que intervinha numa conferência sobre o "Estado da Europa" consagrada ao tema da política de austeridade, sublinhou que "as decisões não são tomadas pelas instituições europeias, mas sim pelos Governos da Europa, e isso é muito importante em termos de responsabilidade, porque esta é parte do problema", já que alguns governos tentam passar a ideia de que as medidas que adotam lhes são impostas, "o que não é verdade".» [JN]
   
Parecer:
 
Se é como Barroso diz porque razão um tal O'Connors fez chatagem sobre Portugal no caso da TSU ou porque motivo o próprio Barroso se antecipa ao governo português para informar que Bruxelas já aprovou um brutal programa de austeridade?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se que a Europa não tenha arranjado melhor presidente para a Comissão.»
   
 É melhor calar a opinião?
   
«O jornal Público noticia esta quinta-feira que uma funcionária do Hospital de Braga foi alvo de um processo disciplinar por parte da administração da instituição devido a uma opinião depreciativa manifestada num comentário publicado no Facebook, num grupo reservado a funcionários do hospital. 
   
O comentário foi feito no final do mês de Abril, poucos dias depois da publicação do regulamento de fardamento, na plataforma do Facebook chamada “Hospital de Braga”, que conta com mais de 1000 membros, entre actuais e antigos funcionários. E foi precisamente entre colegas que a trabalhadora alvo do processo disciplinar comentou a inexistência de armários para os funcionários guardarem as roupas durante o horário de trabalho. 
   
"Quando há, são os mesmos de onde retiram as fardas que usaram nos seus afazeres profissionais", apontava a funcionária, citada pelo Público, que pediu para manter o anonimato, criticando também o facto de a administração do hospital não ter em conta esta questão higiénica, apesar de ter publicado um regulamento que limitava, por exemplo, o uso de vernizes para unhas.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
É óbvio que a desorientação deste governo vai levá-lo à repressão, outra coisa não se pode esperar de um governo cujo primeiro-ministro escolhe um momento de manifestações para enfiar um boné da PSP e assistir a um simulacro policial de repressão de uma manifestação.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pela tentação da repressão em nome da estabilidade e do bem da Nação.»
   
 O maior despedimento colectivo na história do Gaspar
   
«O Governo pretende avançar com a dispensa de 10 mil a 15 mil contratados a prazo na função pública ao longo do próximo ano, avançou fonte governamental ao Dinheiro Vivo.
   
Este corte estará refletido no Orçamento do Estado para 2013, a apresentar na segunda-feira, e decorre da proposta das Finanças que ainda está a ser negociada com os sindicatos do sector público.» [Dinheiro Vivo]
   
Parecer:
 
Há muito que o Gaspar o deseja, era apenas uma questão de oportunidade para dizer a uns portugueses que depedem os outros para que eles não sejam mais sacrificados. O que o Gaspar unca fará é assumir a responsabilidade pelos erros grosseiros de política económica que tem cometido e, pelo que se vê, ainda não percebeu que é um economista falhado e que os seus papers apenas servem para reciclagem para papel de embrulho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Derrube-se o governo canalha.»
   
 Levantamento de rancho na GNR
   
«O presidente da Associação Nacional de Sargentos (ANS), José O'Neil, confirmou à Lusa o protesto dos sargentos, sublinhando que foi organizado pelos próprios, não estando ligado a qualquer associação.
   
As instalações do Comando-Geral da GNR, da Unidade de Controlo Costeiro, do Comando Administrativo e Recursos Internos, em Lisboa, e da Escola Prática da GNR, em Queluz, foram algumas das unidades onde os sargentos recusaram almoçar.
   
Entre os motivos do descontentamento estão a indefinição da idade para entrar na reserva e reforma, o não pagamento dos retroativos desde 2010 referente aos índices remuneratórios, congelamentos nas promoções, falta de investimento na formação e a tentativa de afastar os sargentos de comandar os postos da GNR, segundo a ANS.» [DN]
   
Parecer:
 
Coisa nunca vista.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Será que o valente Miguel Macedo vai dizer que é coisa de cigarras?»
    

      
No Câmara Corporativa
«Chamou-me ontem a atenção a secura com que Passos Coelho exonerou uma das suas 11 secretárias pessoais — tanto mais que, segundo o Correio da Manha, a sua “ligação à São Caetano à Lapa (…) é antiga, tendo Helena Belmar da Costa sido uma das secretárias do então secretário-geral do partido, Miguel Relvas, na liderança de Durão Barroso e de Santana Lopes, hoje ministro Adjunto.” 

“O gabinete de imprensa de São Bento não tem qualquer comentário a fazer”, foi dito pelos estarolas ao Correio da Manha. Mas alguém lá de dentro não deixou de utilizar o tablóide como ventoinha: “Helena Belmar da Costa era da estrita confiança do primeiro-ministro, mas abalou esse estatuto com um episódio que envolverá a utilização abusiva de bens de Passos Coelho.”

E era de tal modo da “estrita confiança do primeiro-ministro” que o nome desta secretária pessoal é hoje também citado pelo Público, quando, no princípio do século, era secretária pessoal do secretário de Estado da Administração Local, um tal Dr. Relvas. Para a senhora em causa era encaminhada a correspondência da Tecnoforma, empresa de que Passos Coelho era administrador, a qual tinha em mãos (mais) um projecto inovador para o país (aprovado na região centro, presidida por um compincha da JSD, e indeferido na CCDR de Lisboa e Vale do Tejo, presidida então pelo socialista Fonseca Ferreira):
  
    “O projecto aprovado em 2004, no valor de 1,2 milhões de euros, destinava-se a formar centenas de técnicos municipais para trabalharem em sete pistas de aviação, parte delas fechadas, e em dois heliportos da região Centro. No total, estas pistas tinham dez funcionários, agora têm sete.”

A ex-secretária pessoal de Passos Coelho e do Dr. Relvas está certamente em condições de escrever uma bela biografia dos estarolas — assim não queira adoptar o “silêncio coniventepatriótico” de Paulo Portas.

PS — Uma síntese de que isto anda tudo ligado está aqui.»