sábado, novembro 17, 2012

Frenesim


Ainda bem que este governo tem tão poucos ministros, mesmo com alguns desaparecidos e outros a comportarem-se mais como cigarras do que como formigas, não há semana em que o país não seja confrontado com mais um grandioso projecto para os próximos vinte anos, mais um programa infalível contra o desemprego, isso quando não são surpreendidos por mais um desvio colossal do Gaspar bem como a competente correcção.
   
Não é por falta de ideias que este governo é uma desgraça, porque ideias é coisa que não faltam, produzem-se mais ideias e mais projectos numa semana do governo do Santana Lopes de Massamá, do que em todos os planos de fomento do salazarismo. Num dia tudo se resolve com a TSU, na semana seguinte o desemprego deixa de ser prioridade e agora é que a coisa vai, custe o que custar, junta-se uma alteração de escalões a uma sobretaxa e os portugueses, um povo de idiotas a quem o Gaspar tem de pagar uma dívida, ainda fica a pensar que com uma redução de 0,5 na sobretaxa de 5% vais pagar menos IRS em 2013 do que pagou em 2012.
   
Mas como o OE de 2013 vai falhar, uns dirão que por falta de comunicação, o governador do BdP porque a evasão fiscal roubou o bolo, eis que o governo já lançou um grandioso projecto, sem a refundação do Estado não haverá nem pilim, nem crescimento. Ainda ninguém sabem muito bem qual o papel dos genitais na refundação do Estado já se percebeu que quem foi refundado foi o Miguel Relvas, o ministro foi promovido de cadáver a zombie graças ao esquecimento da tal remodelação que parecia indispensável.
    
Mas se uma remodelação da Presidência da República é tão indispensável como uma remodelação do governo porque razão há-de o Relvas partir e o Cavaco ficar? O mesmo dir-se-á de um outro cadáver político que muita gente já dava por incinerado, enganaram-se os que pensavam que o Álvaro voltava ao Canadá a meio do ano lectivo, o homem está aí para lavar e durar. E enquanto o Gaspar está dividido entre o crescimento económico e um plano C para o caso de o B falhar, já que o A já falhou e ainda faltam dois meses para começar a ser aplicado, o Álvaro já descobriu mais uma solução para o desemprego.
   
O Gaspar diz que a coisa passa com uma refundação, o Álvaro assegura que é com uma reindustrialização. Um dia destes a Cristas vai propor a reagriculturação, o Miguel das formigas defenderá a repoliciação. Enfim, ou o Gaspar paga rapidamente a sua dívida ao país ou pagamos à troika, senão vamos passar a vida de re em re e nunca mais nos livramos deste frenesim de imbecilidades.

Umas no cravo e outras na ferradura

 
 
   Foto Jumento
 
Photobucket
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 
Photobucket
   
Aldeia de Monsanto [A. Cabral]   

Jumento do dia
   
  Pedro Passos Coelho e Cavaco Silva
 
Quando um governo legitimamente eleito, ainda que beneficiando de ajudas políticas duvidosas por parte de quem não tem grande consideração pelo passado de competência das instituições que representam, opta por uma política de austeridade brutal para supostamente conseguir em dois anos o que seria normal conseguir em quatro espera-se que os seus membros deem o exemplo.

O governo poderia ter poupado milhões recorrendo a funcionários públicos para preencher as necessidades de técnicos por parte dos gabinetes ministeriais  o PSD tem milhares de militantes na Função Pública, uma boa parte das chefias do Estado milita no PSD, Se o argumento da confiança política não é legitimo muito menos é o da competência, desde sempre que o Estado tem sido uma escola de quadros do sector privado e não o inverso, o Estado não precisa de advogados juniores ou de consultores da treta para produzir leis com a qualidade. A degradação da qualidade jurídica das leis é precisamente o resultado do recurso intensivo a alguns conhecidos escritórios de advocacia da praça.

Portanto, o governo poderia ter dado o exemplo nos cortes salariais. Mas não, optou pela golpada e inicialmente até os funcionários públicos recrutados para o gabinete do ministro das Finanças beneficiavam da excepção à austeridade decidida para os portugueses.

O governo optou pelo oportunismo e o Presidente da República parece avaliar o grau de satisfação dos portugueses pelo rosto das vacas da Ilha Graciosa, permite tudo a um governo que desrespeita ostensivamente a Constituição, que condiciona o futuro do país e a sua soberania à implementação de uma agenda ideológica que não levou a votos, aceita promulgar leis cuja inconstitucionalidade nem na aldeia dos macacos do Zoo de Lisboa suscita dúvidas.

Já não é a credibilidade do governo e da Presidência da República que estão em causa, com a actuação destes desastrados é a democracia que começa a estar em causa, há um risco cada vez maior de fartos de oportunismo por parte dos detentores de cargos eleitos os portugueses decidirem serem eles a suspender temporariamente esta democracia, não para fazer reformas como defende a Dra. Ferreira Leite, mas para testar a qualidade e consistência das paredes do novo Campo Pequeno.
 
«Há novos dados sobre o número de pessoas nomeadas pelo atual Governo que receberam subsídios de férias em 2012 - ao contrário do que aconteceu com a generalidade da função pública, por via do Orçamento do Estado.
  
O número é mais de dez vezes superior ao que foi revelado em setembro último. Aos 131 assessores de gabinetes ministeriais admitidos então pelo Governo somam-se agora, segundo informação oficial enviada ao PS, 1323 nomeados para outras entidades do Estado (institutos, etc.).
  
Assim, o total dos "boys" que beneficiaram desta exceção ao cumprimento do OE 2012 ascende a 1454. Um número equivalente a cerca de um terço do número total de nomeações governamentais (3511, segundo um recenseamento que o PS tem vindo a fazer e que não inclui, por ausência de dados oficiais, as nomeações no Ministério da Solidariedade e da Segurança Social).» [DN]


  
 Os dias do fim
   
«Uma das coisas divertidas da passagem de Angela Merkel por Lisboa – para além da “photo opportunity” do letreiro “governo de Portugal” – aconteceu quando a chanceler, na conferência de imprensa ao lado de Passos Coelho, lembrou a origem da crise do euro. Deve ter sido esquisito para quem está habituado a culpar “o Sócrates” ter ouvido a todo-poderosa Angela explicar que, por causa da crise financeira desencadeada nos Estados Unidos, e da sua propagação à Europa, os governos europeus desataram a apostar no investimento público para conter o descalabro das suas economias. Só que entretanto os investidores começaram a desconfiar de algumas economias (as mais frágeis) e a duvidar da fiabilidade de alguns para pagar as respectivas dívidas. Esta foi a explicação de Merkel, perante um Passos Coelho que arrumou a um canto o discurso habitual do “vivemos acima das nossas possibilidades” e se concentrou no verdadeiro desastre nacional – um grave problema de produção. Claro que Merkel não recordou a parte em que a desconfiança dos investidores dispara quando o governo grego assume que as suas contas estavam aldrabadas e, mais tarde, essa desconfiança vai para o inferno no dia em que Angela (e já lá vai tanto tempo) começa a defender que os investidores deveriam ser co-responsabilizados pelas falências dos países. E estamos nisto.
   
O “isto” revelado ontem pelo Eurostat é capaz de ser suficiente para apagar o optimismo que restava nas almas mais crentes na bondade das políticas europeias em curso – embora a cegueira política e económica seja difícil de erradicar, e não faltam na história exemplos disso.
   
A zona euro está em recessão oficial, com a contribuição da sua outrora quarta economia, a Espanha, da terceira, a Itália, e daquele país atavicamente contra os preguiçosos do Sul chamado Holanda. No primeiro trimestre de 2013, a exemplar Alemanha e a velha França deverão juntar-se à depressão geral.
   
A questão já não é do Sul e atinge em cheio o motor europeu. A Europa enquanto espaço económico de sucesso, o território da prosperidade, acabou. Um dia destes chegará a altura de declarar a falência e repartir os despojos e as responsabilidades. A moeda disfuncional euro já não serve para nada. Contrariamente ao pensamento dominante, o fim do euro pode não significar de forma automática o fim da União Europeia enquanto espaço de partilha de algumas políticas; pelo contrário: manter o euro rebentará com tudo em muito pouco tempo.» [i]
   
Autor:
 
Ana Sá Lopes.   

 Lissabon, 12/11/2013
   
«De: Pedro Passos Coelho. Cara amiga Angela, escrevo-lhe decorrido que está um ano da sua visita. Não estou no Forte de São Julião, mas está um dia lindo com um mar de perder de vista.
   
Há um ano Portugal era para si um exemplo de sucesso da sua ideia europeia e estávamos no bom caminho. Pois devo dizer-lhe: tinha muita razão! Logo no dia seguinte à sua partida, avisámos a ‘troika' de que não íamos cumprir o novo défice acordado para 2012 e o Banco de Portugal veio confirmar o nosso bom rumo, prevendo uma recessão mais acentuada para 2013. No entanto, como V.Exa. bem afirmou "50% da política económica é psicologia". Portanto, ignorámos a realidade e no ‘réveillon' comemos 12 passas a repetir com veemência: "Estamos no bom caminho, vamos ter sucesso!" A partir daí começou a parte melhor, a execução do orçamento de 2013. Continuamos a cumprir de forma excelente. Recordando bem as suas palavras amigas sobre as PME, devo dizer-lhe que várias faliram logo no primeiro trimestre.
   
A consolidação orçamental está na mesma linha da do ano passado e dentro do previsto no memorando: 2/3 do lado da receita e 1/3 do lado da despesa. Está a correr lindamente, ou seja, temos menos receita do que o estimado, mas mais inspectores de finanças e execuções fiscais. Quanto à despesa, não há motivos para preocupação, pois Seguro mandou-me uma mensagem no facebook a dizer para eu ir refundando o Estado que ele está só à espera do aval do Dr. Soares. Isto está tão bom que, repare, o PIB não está a retrair, mas sim a ajustar-se. Disse-nos que admirava as capacidades dos Portugueses, pois devo dizer-lhe que já comprámos bilhete de ida para cerca de 5% dos 18% que estão desocupados por aqui. Visto que, segundo a sua ideia, ainda faltam mais quatro belos anos de austeridade, não se preocupe que no próximo ano mandamos-lhe mais uns milhares.
   
Antes de me despedir, gostaria ainda de a informar do seguinte: perante tamanho sucesso de um Governo liderado pelo PSD, o Dr. Portas percebeu que tinha de fazer qualquer coisa para evitar que o seu partido regressasse ao táxi. Assim, imagine, foi refundar O Independente. A primeira edição foi ontem e o meu Governo caiu. Mas, como sabe, há males que vêm por bem. Estou de férias e a senhora disse que queria passar umas belas férias em Portugal. Pois venha daí até ao Algarve. É Novembro, não está muito calor, mas está aquele sol radioso que nos faz preguiçar (é pecado, eu sei). Não sei se vamos regressar aos mercados, mas podemos sempre ir ao mercado da Manta Rota ver se ainda há peixe... ou só espinhas. Seja como for, gritemos bem alto: "Está tudo a correr bem!" Psicologia, lembra-se?
   
‘Hochachtungsvoll',

Pedro.» [DE]
   
Autor:
 
Francisco Proença de Carvalho.
      
 União ou divisão?
   
«É fatal. A cada greve somos confrontados com a pergunta: para que serve esta greve? Não é pergunta que se nos seja colocada quando assinamos uma petição, quando nos manifestamos, quando escrevemos a nossa opinião.
   
E não deixa de ser extraordinário que no dia em que conhecemos uma recessão de 3,4%, em que a taxa de desemprego atinge os 15,8% e que há notícias de um défice de 9% a pergunta que invade as televisões e os jornais seja sobre a utilidade da greve. Para que serve esta greve? Serve para unir.
   
A greve serviu, desde logo, para mostrar que a divisão nos protestos não se faz entre a UGT e a CGTP, mas entre os protestos organizados e aqueles que se escondem atrás das manifestações para lançar caos. E que por mais que tenhamos uma visão crítica sobre a posição da CGTP em muitos momentos da concertação social nas últimas décadas, não é ali que a linha se traça.
   
Esta greve procura uma dupla solidariedade. Solidariedade dos que ainda podem fazer greve e que, perdendo (mais) um dia de salário, protestam. E solidariedade, também, dos que, prejudicados pela greve, acrescentam à sua fragilidade mais um problema e ainda assim compreendem. Ao contrário do que os discursos divisionistas do PR e do PM procuraram alimentar, a greve geral serve para unir o esforço dos que (ainda) podem fazer greve aos esforços dos que não podem, dos que trabalham em precariedade, dos tantos que não têm emprego.
   
Mas o principal ganho desta greve é decididamente ser uma greve internacional, em simultâneo em Portugal, em Espanha e noutros países europeus. Percorrendo os principais jornais internacionais vemos referências à greve da Europa do sul, à união europeia dos sindicatos contra a política de austeridade. O que esta greve mostra é que os sindicatos e os trabalhadores já compreendem que a Grécia é Portugal, que Portugal é a Espanha, e que, estando unidos nas políticas de austeridade europeia, estão unidos nos resultados. E que, por já compreenderem que a crise é europeia, estão unidos na greve. Por enquanto ainda são os únicos.» [DE]
   
Autor:
 
Mariana Vieira da Silva.
     
 A força dos factos
   
«A semana começou festiva, com o caricato cerimonial de elogios aos “progressos” do programa de ajustamento português.
   
Primeiro, foi a visita da Chanceler Merkel, principal inspiradora das políticas europeias de austeridade; depois, foi a declaração do líder do Eurogrupo, senhor Juncker, que se disse até "muito impressionado" (!) com tanto progresso. Tivesse a semana acabado logo ali e a coisa, se calhar, até passava. Mas não. Teimosamente, a semana continuou - e o pior foi o resto: a realidade revoltou-se contra a ficção e tratou de arrasar a fantasia do "sucesso" do programa de ajustamento.
   
Tudo começou com as novas previsões do insuspeito Banco de Portugal: afinal, o desvio no défice de 2012 (que pagaremos com mais austeridade em 2013) será ainda pior do que admite o Governo e a recessão no próximo ano deverá atingir 1,6%, mais grave do que a previsão de 1% feita pelo ministro das Finanças (em que ninguém, de boa-fé, pode acreditar face ao enorme aumento de impostos que está previsto).
   
Vieram, depois, as notícias sobre mais derrapagens no défice real deste ano, que antecipam um agravamento da execução orçamental no 3º trimestre, a qual o Governo estaria já a reconhecer em privado embora continue a negar em público.
   
Seguiram-se os dados oficiais do INE: a recessão agravou-se no 3º trimestre para uns trágicos -3,4%, em termos homólogos; a "reindustrialização" de que tanto fala o Ministro da Economia deu em Setembro numa queda da produção industrial de 12%; as próprias exportações inverteram a tendência positiva, começando a cair em Setembro; e o desemprego subiu dramaticamente para 15,8% - um aumento nunca visto de 3,7 p.p. e de quase 200 mil desempregados em apenas cinco trimestres, desde que o actual Governo entrou em funções, com esta sua absurda estratégia de austeridade "além da troika". Veio, depois, o sucesso político da Greve Geral e os lamentáveis incidentes provocados diante do Parlamento, com imagens de confrontos que, queira-se ou não, correram Mundo, ameaçando o quadro de paz social que até aqui distinguia a situação portuguesa.
   
Finalmente, apesar da intervenção do BCE, da bênção de Merkel e do discurso oficial sobre a alegada "recuperação da credibilidade internacional", os juros da dívida portuguesa no mercado secundário voltaram a subir, situando-se em torno dos 9% a dez anos, bem acima dos 7,6% que se verificavam no célebre dia 11 de Março de 2011, dia em que o dr. Pedro Passos Coelho, então líder do maior partido da oposição, anunciou que ia "chumbar" o PEC IV (apoiado pelas instituições europeias) e atirar assim o País para a crise política - e, consequentemente, para o pedido de ajuda externa.
   
Mais défice, mais recessão, mais desemprego, mais contestação social, juros mais altos nos mercados financeiros - foi essa a resposta pronta da realidade à ficção encenada no início da semana. É certo que, ao contrário do que se diz, é sempre possível contra factos esgrimir argumentos. Mas não argumentos que resistam à força incontornável dos factos. E a realidade é só uma: isto não está a resultar.» [DE]
   
Autor:
 
Pedro Silva Pereira.
   
 Portugal já arde?
   
«Foi uma semana em cheio. Aquela em que o Governo assumiu o Estado de sítio ao receber Merkel num forte e não na sede do Governo, para em sua augusta presença jurar que queremos muito fazer do trabalhador português um alemão, e que, portanto, os insultos mentirosos que a chanceler disse na terra dela sobre os povos do Sul, e que a própria imprensa alemã desmentiu, para o Executivo português são verdade e inspiração. Aquela de uma greve geral em que o PM chamou cobardes aos grevistas, ao elogiar a coragem dos que trabalham, enquanto reconhecia ter ficado surpreendido com a brutalidade dos números do desemprego para logo nos sossegar com o facto de ter "corrigido" as previsões: espera que ele suba mais, porque é algo "por que temos de passar". Aquela em que Passos, ao discursar na inauguração de uma fábrica que ardeu, a comparou ao país para nos certificar de que não estamos enganados: temos um PM que sonha com uma reconstrução radical a partir de escombros fumegantes, um glorioso amanhã que cantará depois de todo o desemprego e pobreza todos por que temos de passar até que, milagre, dos portugueses nasçam alemães - ou lá o que é.
   
É a mesma semana na qual se noticia um défice de 9% até setembro; em que o desemprego avança mais uma décima, para 15,8%; em que o Banco de Portugal prediz para 2013 uma recessão de 1,6% (mais 0,6% que a inscrita no OE) e juros da dívida portuguesa voltam a subir. É a semana em que Cavaco quebra o silêncio, não para se manifestar preocupado com a catástrofe social em curso, não para declamar "chegámos a uma situação insustentável" e "estamos à beira de uma situação explosiva" (como, relembra-nos, disse em janeiro de 2010), mas para se demarcar de quem protesta de forma pacífica e constitucionalmente consagrada assegurando que ele, ao contrário dos calões, quiçá sabotadores e traidores à pátria, dos grevistas trabalha no duro, recebendo um colega no seu palácio.
   
É, tudo isto numa semana. Faz então sentido que tenhamos também nela ficado a saber que, enquanto se corta na saúde e na educação e nos apoios sociais e se propõe cortar ainda mais, para as polícias há um incremento de 10,8 por cento em 2013. E não, não venham dizer que é para fazer face a "um previsível aumento da criminalidade"; esta tem vindo a decrescer, notavelmente, nos últimos dois anos. Nem há de ser para enfrentar "a meia dúzia de profissionais da desordem" identificados pelo ministro Macedo na "manif" de quarta (e à conta dos quais centenas de cidadãos foram perseguidos e espancados pelo crime de estarem ali). É mesmo contra nós todos, contra o País que, como a fábrica da Sicasal, deve renascer das cinzas, que o Governo se aprovisiona. Quem nos condena a "passar pelo desemprego" como quem diz "o que arde cura" e "se morreres, morreste" não arrisca passar por nós sem boa proteção.
   
"Há tolerância mas também há uma linha vermelha", disse ontem Passos. Tão verdade.» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.
 
 Da indignação fútil
   
«Diz-se dos portugueses que são gente muito pacata. Talvez. Mas também se exaltam com frequência a propósito de nada. Veja-se esta semana. O país, com destaque para as redes sociais e comentadores, foi percorrido por vagas de indignação por causa de umas pedras, da senhora Jonet e do vídeo do Professor Marcelo.
   
Comecemos pelas pedras. A coisa é de tal forma banal que não devia merecer grande atenção. Uma manifestação sem arremessos e cargas policiais não é digna desse nome. Pelo menos desde Maio de 68 que o modelo, o toca e foge, está em vigor em todo o mundo. De recordar que, nas revoltas do século 19, eram sobretudo as barricadas que predominavam. Atirar pedras à polícia faz parte do processo de crescimento dos jovens nas democracias modernas. É como um desporto radical. 
   
A fúria, sobretudo plumitiva, contra os energúmenos, as bestas, os terroristas ou anarquistas, que se atreveram a provocar distúrbios em frente ao parlamento, é pois claramente exagerada. 
Houve mesmo quem falasse de perigosos infiltrados estrangeiros. Declaração que pertence aos mecanismos da demagogia populista e merece sempre algumas consultas de psiquiatria. Já a esquerda revoltou-se contra a brutalidade policial, esquecendo que o jogo é mesmo esse. CGTP e Ministro da Administração Interna, bem sintonizados, fecharam com as habituais declarações "sérias" e responsáveis. Ou seja, tudo de uma banalidade extrema.
   
A pequena violência gerada por estas manifestações é incomparavelmente menor do que a grande violência criada pelas medidas de austeridade. Antes uma bastonada do que ficar sem emprego e casa.
   
Grande indignação também a propósito dos bifes da senhora Jonet. Não entendo. É sabido que para a elite económica os pobres são uma coisa que brota da natureza. São uma parte fundamental da ecologia. Temos cães, gatos e pobres. Não há nada a fazer, senão dar-lhes de comer e uma sapatada de vez em quando para que saibam quem é o dono. Isabel Jonet tem feito o seu papel. Dá de comer e de vez em quando um berro. Só se indigna com as suas palavras quem não entende a lógica de um sistema que é tanto social quanto de mentalidade. Não por acaso esta gente é muito crente. Ser pobre ou rico deve-se a Deus que é quem trata destes assuntos. 
   
Resta o caso Marcelo. Voluntarista e muito acelerado, o Professor não pára quieto. Aliás, qualquer pessoa que se tenha dado ao trabalho de pegar numa máquina de calcular, chegará à conclusão de que os nossos dias têm 24 horas, mas os do Professor têm muito mais. Entre outras coisas, o homem lê mais de uma dezena de livros por semana. A maioria bastante chatos, diga-se de passagem.
   
Perante um governo que, para além de aumentar impostos e dizer que temos de empobrecer rapidamente, não faz rigorosamente mais nada, Marcelo achou por bem, ao menos, explicar aos alemães que não somos tão preguiçosos como se diz. Sucede que o exercício lhe saiu bastante mal. O vídeo é miserável e dá dos portugueses uma imagem provinciana, atrasada e incompetente. Os poucos alemães que o viram tirão ficado ainda mais convencidos de que é mesmo preciso pôr ordem nesta horda primitiva.
   
A indignação que circula por aí esquece que Portugal tem uma das direitas mais incultas e provincianas da Europa. Que se fica pelos Descobrimentos e pelo faduncho. Na verdade, nunca passaram da fase dos carros e das cilindradas. Estamos a falar de uma elite que não entendeu o papel da cultura na afirmação das identidades políticas. Bastaria olhar para Espanha ou França para se perceber como a direita sabe usar a cultura para benefício de uma imagem moderna e evoluída. Por cá, nesta área política, a cultura é vista como um bando de perigosos esquerdistas e chupistas atrás de subsídios.
   
O vídeo de Marcelo, feito por um "boy" do PSD, reflete perfeitamente essa visão "kitsch" e pindérica que predomina na direita portuguesa. Não indigna porque outra coisa não seria de esperar. Aliás, o homem mais culto do PSD chama-se Santana Lopes. Gosta de revista à portuguesa. E está tudo dito.
   
Concluindo. Haja calma. Guarde-se a indignação para coisas mais substanciais.» [Jornal de Negócios]
   
Autor:
 
Leonel Moura.
   
     
 Ai já perceberam?
   
«O presidente da Associação Nacional de Professores Contratados (ANVPC), César Israel Paulo, afirmou esta quinta-feira que os docentes sem vínculo foram “traídos pelas federações sindicais” que negociaram com o Ministério da Educação e Ciência (MEC) o processo de vinculação extraordinária.
     
Acusa-os de terem “defendido os interesses dos professores do quadro e não de todos os docentes, como lhes era exigido”.
   
A Federação Nacional de Professores (Fenprof) e a Federação Nacional de Educação (FNE) não deram o seu acordo à última versão do decreto-lei que vai reger o processo de vinculação de professores contratados, designação por que são conhecidos os docentes que, não sendo do quadro, são chamados ano após ano a responder a necessidades permanentes do sistema. 
   
Ainda assim, César Israel Paulo não se conforma com o facto de, “entre outras alterações, que até poderiam ser positivas”, as federações terem conseguido mudar o artigo que definia as prioridades no concurso de colocação nas escolas.
   
Na versão inicial estava previsto que os docentes que viessem a garantir o vínculo, num concurso previamente organizado para o efeito, concorreriam à colocação, para dar aulas no próximo ano lectivo, em igualdade de circunstâncias com os colegas que já estão no quadro. Mas o que era considerado justo pela ANVPC foi desde o início contestado pela FNE e pela Fenprof, na medida em que permitia que contratados com mais anos de serviço ultrapassassem docentes que, na sua perspectiva, haviam sacrificado a sua vida pessoal, concorrendo para longe das respectivas residências, para garantirem a entrada no quadro.» [Público]
   
Parecer:
 
Custou... mas perceberam que serviram de carne para os canhões do artilheiro Mário Nogueira.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se que percebam toda a dimensão do logro em que caíram.»
      
 Os deputados do PSD não sabem o que querem?
   
«O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, anunciou esta sexta-feira que a maioria parlamentar PSD/CDS-PP propôs ao Governo a redução da sobretaxa de IRS de 4 por cento para 3,5 por cento, a aplicar no Orçamento de Estado em 2013.» [CM]
   
Parecer:
 
Primeiro queriam fazer-nos o favor de a sobretaxa ser cobrada de uma vez para não repararmos no resto do ano, agora querem fazer-nos um descontinho de 0,5% e ainda teremos de agradecer um aumento de apenas 3,5%.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Diga-se aos deputados do Montenegro que deixem de ser miseráveis.»
   
 Pobres alemães
   
«O vice-ministro do Trabalho e Assuntos Sociais alemão afirmou hoje que mil alemães trabalham por três mil gregos, afirmação que gerou revolta e incidentes graves na Grécia.
   
Hans-Joachim Futchel, enviado à Grécia pela chanceler alemã, falava à margem de um encontro que decorre em Salónica, para promover as relações bilaterais entre os dois países.  
   
O ministro, com esta declaração, quis dizer que as autoridades locais na Grécia têm funcionários a mais. “Há que dar respostas especialmente aos parceiros que estão a financiar processos na Grécia, sobre porque é que não há uma exploração mais eficaz da mão-de-obra”, acrescentou.» [i]
   
Parecer:
 
Pois, vimos durante a guerra como trabalharam que se desunharam para destruir a EUropa, incluindo a Grécia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
   

   
   
Photobucket
  
Photobucket
   
Photobucket
   
Photobucket
  
Photobucket

sexta-feira, novembro 16, 2012

Um presidente que falhou


Aos poucos a direita portuguesa vai tentando branquear as responsabilidades pelas opções, pelas consequências da gula pelo poder, pela tentativa de “endireitar” a democracia portuguesa depois de quatro décadas de síndrome de abstinência por falta de um regime ditatorial. O governo vai apagando as suas opções extremista endossando para a troika a responsabilidade pelas suas opções de política económica.
 
Mas a alteração de posição mais incrível, ou talvez não, é de Cavaco Silva, um homem que sonhou ficar na história do país com o símbolo do progresso, mas esbanjadas as transferências de fundos comunitários luta desesperadamente por levar o mandato até ao fim, ainda que um dia destes tenha de disputar influência política com o presidente da Junta de Freguesia de Belém.
 
O homem que raramente tem dúvidas e que nunca se engana vem agora admitir que se enganou nas suas previsões quando fez a sua mensagem de Ano Novo de 2010. O homem que tudo fez para derrubar o governo anterior, que traçou os cenários mais pessimistas, que ignorou ostensivamente a existência de uma crise internacional para assacar todas as responsabilidades ao governo de então, o homem que sempre que era questionado sobre a realidade económica remetia os portugueses para os avisos que tinha feito em artigos, discursos ou Facebook, o homem que tudo tinha escrito no seu site, enganou-se por defeito.
 
Compreende-se que Cavaco se tenha enganado e que agora tente dizer que a situação é brutal, como se entre 2010 e finais de 2010 a história de Portugal tivesse uma “branca”. Durante esses dois anos nada sucedeu, não ocorreram eleições presidenciais, não se realizaram eleições legislativas, não houve um chumbo do PEC IV porque Cavaco não tinha sido avisado, não houve um discurso de vitória presidencial, não, nada sucedeu em Portugal.
 
Começa a ser tempo de Cavaco Silva perceber que se não vai ficar na história como um grande Presidente não é por culpa de Passos Coelho não estar à altura de o ajudar a terminar o mandato com dignidade, como ele um dia ousou dizer que ia ajudar Mário Soares. É porque não tem perfil nem dimensão política para o cargo. Os bons Presidentes são aqueles que exercem o mandato a pensar no país, são aqueles que choram, que se enganam , que lutam pela camisola.
 
Um Presidente que fala para dizer que avisou, que não consulta o TC com o argumento que outros não consultaram, um Presidente que Preside a pensar mais em si, é um Presidente que falhou. Não falhou apenas na mensagem de Ano Novo, falhou como Presidente.

Umas no cravo e outras na ferradura

 
 
   Foto Jumento
 
Photobucket
 
Beato, Lisboa
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 
Photobucket
   
Castelo Branco [A. Cabral]

Jumento do dia
  
Cavaco Silva
 
O homem que se candidatou a Presidente da República para ajudar os portugueses com os seus conhecimentos de economia vem agora dizer que em 2010 falou com base em previsões erradas. Mas não era ele que todos os dias dizia que estava tudo escrito nas estrelas, que já tinha previsto tudo?

Parece que o dia em que a senhora Merkel veio a Lisboa vai marcar o mandato de Cavaco Silva, desde esse dia que mudou o discurso só falta assumir que Passos já não é aquele detestável pirralho do PSD, é o seu herdeiro partidário e ideológico. Cavaco é um Presidente de cada vez menos portugueses.
 
«Nessa altura, Cavaco alertou para a ideia de que o país caminhava para uma "situação explosiva", procurando, como explicou na conferência da TSF em parceria com a Caixa Geral de Depósitos e a COTEC, "alertar os agentes políticos para inverter o que rumo que estávamos a seguir".
   
"Nós estamos numa situação de recessão que não conhecíamos há algum tempo, na medida em que em dois anos a economia portuguesa caiu cerca de 4,5%. É uma situação muito, muito pior do que aquela que já se antecipava - mas alguns não quiseram acreditar - e que hoje temos de enfrentar", afirmou Cavaco Silva.» [DE]
   
     
 Fraco é favor
   
«O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, disse, esta quarta-feira, ser necessário fortalecer o poder político, que é "fraco e desacreditado", considerando que o que conduziu à actual crise em Portugal foram erros políticos e não económicos ou financeiros.
   
Durante o discurso de abertura na conferência ‘Do Estado Social ao Estado Liberal’, realizada no âmbito do ciclo de conferências ‘FEP – Politicamente’, na Faculdade de Economia da Universidade do Porto, Rui Rio considerou que o que levou a que Portugal chegasse a "uma crise profunda", não foram "erros de natureza financeira nem erros de natureza económica", mas sim "erros de natureza política", defendendo que "toda a origem está na política e no regime e o resto é uma consequência".
   
"Nós temos actualmente em Portugal partidos políticos desacreditados e incoerentes na sua acção. Nós temos um fortíssimo enfraquecimento da qualidade dos agentes políticos. Nós temos uma crescente incapacidade política para resolver os problemas que temos na frente. Temos um poder político, no seu todo, mais fraco e desacreditado", alertou.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Cada vez mais candidato a líder do PSD e a primeiro-ministro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver,»
      
 Trabalhador e muito amante da polícia
   
«O Presidente da República condenou hoje veementemente os confrontos que aconteceram ontem, em dia de Greve Geral, nas escadas da Assembleia da República. Sublinhando que não tinha visto as imagens Cavaco Silva destacou o desempenho das forças de segurança frente aos manifestantes, lamentou o sucedido e manifestou-se mais uma vez preocupado com a situação do País. O Presidente da República falou no final da abertura da Conferência Mar de Negócios, no Parque das Nações, em Lisboa.» [DN]
   
Parecer:
 
Não há imagens que justifiquem esta postura extremista de Cavaco, um incidente promovido por provocadores só tem este destaque porque alguém os quer confundir com toda a realidade. A greve geral foi ordeira e sem incidentes nos locais de trabalho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se os resvalar contínuo de Cavaco para a direita, assumindo-se cada vez mais como o Presidente de Passos mais uma dúzia de portugueses.»
   
 Também já exportamos médicos bem qualificados
   
«O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) revelou hoje que há "médicos experientes", alguns com 50 anos, com vencimentos muito baixos e que são obrigados a emigrar para sobreviver. 
  
"São médicos que custaram muito dinheiro a formar, que são necessários ao país e aos doentes, mas que estão neste momento com vencimentos base baixíssimos e sem a possibilidade de equilibrar o seu orçamento com as horas extraordinárias", disse José Manuel Silva, que falava à Lusa a propósito da vinda a Portugal de uma empresa francesa para recrutar clínicos.» [DN]
   
Parecer:
 
O ajustamento está a correr tão bem que o país além de automóveis, sapatos e ouro usado também já exporta médicos qualificados.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «mandem-se os parabéns ao Gaspar e ao Álvaro pelo sucesso das suas reformas.»
   
 Até tu Medina?
   
«O antigo ministro das Finanças Henrique Medina Carreira disse hoje que um segundo resgate financeiro a Portugal "acabará por ser necessário", alertando contudo que ainda não é altura política para se falar no assunto.» [DN]
   
Parecer:
 
O regresso da ave de mau agoiro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Cavaco surpreendido
   
«Nessa altura, Cavaco alertou para a ideia de que o país caminhava para uma "situação explosiva", procurando, como explicou na conferência da TSF em parceria com a Caixa Geral de Depósitos e a COTEC, "alertar os agentes políticos para inverter o que rumo que estávamos a seguir".
   
"Nós estamos numa situação de recessão que não conhecíamos há algum tempo, na medida em que em dois anos a economia portuguesa caiu cerca de 4,5%. É uma situação muito, muito pior do que aquela que já se antecipava - mas alguns não quiseram acreditar - e que hoje temos de enfrentar", afirmou Cavaco Silva.» [DE]
   
Parecer:
 
Desculpas de mau pagador.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Cavaco que leve o seu mandato enquanto o aguentar com a dignidade que o cargo e o desempenho competente e digno dos seus antecessores merecem.»
   
 Alguém anda a tratar mal os investidores estrangeiros?
   
«O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, defendeu hoje que os investimentos em que os colombianos estão envolvidos em Portugal devem ser "bem tratados do início até ao fim".» [i]
   
Parecer:
 
Este Portas chega a ser ridículo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Diga-se a esse Paulo Portas para que não seja imbecil.»
   
 Passos tem um fraco por polícias
   
Photobucket
  
«Em dia de greve geral, Cavaco Silva e Passos Coelho tiveram que sair à rua para cumprir agendas que não dependiam de si. Serviu para mostrar que a conta da segurança do chefe do Governo é a maior.
   
Na quarta-feira, de manhã, a visita do primeiro-ministro à fábrica da Sicasal, em Vila Franca do Rosário, no concelho de Mafra foi rodeada de um dos maiores aparatos policiais desde que Pedro Passos Coelho chegou ao Governo. 

À saída da auto-estrada, na Malveira, dois carros da Brigada da GNR e meia dúzia de militares esperavam a passagem dos carros do primeiro-ministro. Já dentro da vila, o acesso da EN8 à rua da fábrica estava condicionado a quem tivesse “convite ou cartão de acesso”. A imprensa tinha ainda que mostrar a carteira profissional, a um dos três militares da GNR.
   
Ao longo dos menos de mil metros de acesso à fábrica, havia mais cinco elementos da GNR, colocados a espaços, e ainda uma dupla de cavaleiros a fazer patrulha na área. Ao portão da Sicasal, novo dispositivo: pelo menos sete GNR mais cinco polícias de uniforme azul e boné na cabeça, estrategicamente colocados em fila, como se de uma parede se tratasse.
  
Arruaceiros, manifestantes ou um habitante que fosse? Não, ninguém. Ou Vila Franca do Rosário desconhecia a vinda do ilustre visitante ou decidiu, em uníssono, ignorar.
   
Já dentro do recinto da fábrica, uns minutos antes de Passos Coelho chegar, uma grande comitiva aguardava-o. Já havia seguranças a vaguear por ali e mais cinco ou seis elementos da PSP. A visita de Passos Coelho mobilizou para ali pelo menos duas dezenas de elementos da GNR e uma dúzia da PSP, sem falar nos seguranças à civil.
   
Quando o primeiro-ministro chegou (à hora certa), descerrou a placa a assinalar a sua visita e subiu ao segundo andar. Um segurança fez questão de andar a espreitar pelos corredores junto à sala da administração, onde Passos bebia café com Álvaro Silva, o dono da Sicasal, para se certificar de que tudo estava “limpo”.
   
Na sala dos discursos, os seguranças, sempre de fato completo de bom corte e cabelo bem aparado, são menos perceptíveis entre o batalhão de convidados em fatos de tons escuros. Mas em alguns, o auricular – de fio translúcido e retorcido que sai de trás da orelha e desce pelo pescoço junto ao colarinho da camisa – não deixa dúvidas. Colocam-se nos extremos da sala, junto a portas e janelas. 
   
E hão-de misturar-se a seguir, com jornalistas, vestidos com as batas de plástico branco e boné de pala descartáveis. Raramente falam, raramente esboçam um sorriso.» [Público]
   
Parecer:
 
Um dia destes Passos Coelho passa a usar farda de polícia, deve ter um fraquinho de criança.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   

   
   
Photobucket
  
Photobucket
   
Photobucket
   
Photobucket
  
Photobucket

quinta-feira, novembro 15, 2012

Se fosse empresário investia em Portugal?

Imagine-se um potencial investidor em Portugal, não sendo nem familiar do José Eduardo dos Santos, nem vinculado ao governo chinês. Investia em Portugal?  Num tempo em que tanto se fala em investimento e em crescimento, sem que se saiba de qualquer investimento e com a contracção económica a ser bem maior do que a prevista, esta é uma pergunta que merece uma resposta. Se fosse um investidor como avaliaria a situação económica, social, financeira e política do país?
  

Um investidor espera que um governo promova a estabilidade laboral e não apenas as medidas que conduzam a perdas de direitos e de salários. Ora, este governo promove a instabilidade laboral, promove a emigração dos quadros mais qualificados e adopta medidas fiscais que visam o empobrecimento dos trabalhadores e a transferência de riqueza destes para os mais ricos. Nesta condições as empresas perdem quadros em favor da emigração ou de concorrentes que pagam à margem das obrigações fiscais.
 
Um investidor espera que um governo seja claro quanto aos objectivos políticos e macroeconómicos, algo que o governo de Passos Coelho. O episódio da TSU mostra como este governo num dia diz que quer promover o emprego e uma semana depois implementa um aumento brutal dos impostos cuja única consequência é a destruição de emprego. É cada vez mais evidente que o governo tem uma agenda golpista que se alimenta do agravamento da crise financeira, isto poderá ser bom para alguns banqueiros que precisam de se salvar, mas não augura nada de bom para quem deseja investir em Portugal.
 
Um investidor espera que a política financeira do Estado seja rigorosa e assegure estabilidade nas previsões públicas e privadas. Não é isto que este governo faz, as previsões não resultam de qualquer modelo económico credível, são as mentiras que convêm às políticas adoptadas que, por sua vez, obedecem mais a um programa ideológico de extrema-direita do que a qualquer corrente de pensamento económico.

Um investidor espera estabilidade social, algo que este governo não promove nem parece estar interessado em promover. É um governo assente numa coligação que já não existe, é um governo que quer governar à margem dos equilíbrios proporcionados por uma Constituição, é um governo que despreza a concertação social quando estão em causa as suas opções ideológicas, é um governo que trata o parlamento como se fosse um estábulo, talvez porque os deputados da sua maioria deixaram de formar grupos parlamentares para constituírem uma récua.
 
Nesta condições só mesmo um louco investe em Portugal e, pior do que isso, uma boa parte dos que investiram estarão pensando em abandonar o país. Não será de admirar se muito em breve se descobrir que em Portugal já haja quem ande a recolher o dinheiro que tem depositados nos bancos, seguindo, nisto como em tudo, o exemplo do que sucedeu na Grécia.
 
Investir em Portugal é apostar num governo em que nem os mais fiéis militantes da direita confiam.

Umas no cravo e outras na ferradura

 
 
   Foto Jumento
 
Photobucket
 
Grafitti, Lisboa
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 
Photobucket
   
Lisboa 1974 [A. Moura]   
 
Jumento do dia
  
Cavaco Silva
 
O mínimo que se espera de um Presidente da República num dia de greve geral, no mesmo dia em que se sabe que o desemprego está nos 15,8% e a contracção económica não para de ultrapassar previsões, é que fique calado. A greve é um direito constitucional conseguido por aqueles que não pediam atestados de bom comportamento à PIDE e de um Presidente da República exige-se o seu respeito.

O cidadão Cavaco pode trabalhar se bem lhe apetecer, ainda que se saiba que é um múltiplo pensionista, nessa qualidade tanto pode pronunciar-se sobre o sorriso das vacas como sobre o exercício do direito à greve. Mas como Presidente pode continuar a dizer baboseiras sobre vacas e salas de ordenha, mas sobre o exercício do direito à greve deve abster-se de fazer comentários.

Infelizmente Cavaco não para de confirmar que era um político sem a devida preparação para o exercício do cargo de Presidente da República, algo que os portugueses já perceberam como se pode concluir pelas sondagens. Cavaco tem tido um papel desastroso desde que surgiu a crise financeira e não para de surpreender os portugueses pela negativa. Uma tristeza.


«O Presidente da República afirmou hoje que o direito à greve “deve ser respeitado”, mas acrescentou que em dia de paralisação geral decidiu trabalhar, reunindo com o homólogo colombiano para contribuir para um futuro com mais emprego e crescimento.

“O direito à greve dos trabalhadores está consagrado na nossa Constituição e deve ser respeitado. Mas apesar da greve, da minha parte na deixei de trabalhar reunindo com o senhor Presidente da República da Colômbia e fazendo o possível para com o fortalecimento das relações entre os dois países contribuir para que, no futuro, o crescimento do produto seja mais elevado (…) e que o desemprego seja menor do que aquilo que o INE hoje anunciou”, afirmou Cavaco Silva.» [i]
      
 O fura greves

Photobucket

Convenhamos que Cavaco até parece que tem estado em greve geral desde que se conseguiu livrar do Sócrates e entregar o poder ao seu partido. Ou está em greve ou não tem nada para fazer. o governo entrega-lhe tudo feito. Até já deve ter vendido o jipe em que levava os processos para a Quinta da Coelha.

 Um pedido ao Jumento...
 
  
«Caro Jumento, venho por este meio apelar a sua generosidade pedindo uma singela contribuição financeira para comprar um  Redbull a este trabalhador incansável chamado Anibal Cavaco Silva. De tanto vergar a mola hoje enquanto o malandro do povo anda na greve, fico com medo que lhe ande a faltar o fôlego. 
   
Seja patriótico e ajude Cavaco Silva  vergar a mola! Não deixe este país parar!
   
Um abraço e distribuição de coices com fartura no seu blogue, porque neste país não anda a faltar gente que os anda a merecer,
   
Filipe

«Apesar da greve, não deixei de trabalhar» - Cavaco Silva»
 
 A direita em todo o seu esplendor
 
Aos poucos a direita que tem o poder para nos governar ou fazer que nos preside vai assumindo toda a extensão dos seus valores ideológicos. Se do lado de Belém a mensagem é do género bacoco, do lado de São Bento continua a sentir-se os tiques de uma extrema direita envergonhada.

Cavaco que, como se sabe sempre foi um grande lutador, desde os tempos do fascismo que não perdia uma oportunidade para fazer uma greve, explicou pesaroso que trabalhou pelo crescimento. Esperemos que não tenha trabalhado muito pois o seu modelo de crescimento é sobejamente conhecido dos portugueses, talvez a sua família tenha crescido, para não falar dos seus amigos do BPN, já quanto ao país é o que se vê.

De São Bento nada de novo, dantes havia muitas cigarras e poucas formigas, agora as pobres formigas têm de ser corajosas para poderem trabalhar. Salazar fazia melhores discuros, eram mais inteligente e de imbecil nada tinha.
 

  
 O sabujo
   
«O discurso de Passos Coelho, pretendidamente de boas-vindas a Angela Merkel, ultrapassou a indispensável cortesia para se transformar numa inqualificável sabujice. A alemã esteve seis horas em Lisboa apenas para apoiar e aplaudir a política do primeiro-ministro português. Afinal, a sua política. E aquele perdeu completamente o mais escasso decoro e o mais esmaecido pudor. Qualquer compatriota bem formado sentiu um estremecimento de vergonha ante o comportamento de um homem, esquecido ou indiferente à circunstância de, mal ou bem, ali representar um país e um povo.
A submissão a Angela Merkel e ao sistema de poder que ela representa atingiram o máximo da abjecção quando Passos estabeleceu paralelismos comparativos entre trabalhadores alemães e portugueses, minimizando estes últimos, e classificando aqueles de exemplares. A verdade, porém, é que as coisas não se passam rigorosamente como ele disse. Os portugueses trabalham mais horas, recebem muito menos salário, descansam menos tempo, dispõem de menores regalias e de cada vez mais reduzida segurança.
  
O sistema de poder que Angela Merkel representa e simboliza, imitado por Pedro Passos Coelho, fornece a imagem e a prova de um clamoroso défice político. Além de ser uma dissolução ética. A associação entre a alemã e dirigentes portugueses não é de agora: José Sócrates (apesar de tudo recatado na subserviência) caracterizava-se por uma fórmula intermédia, que queria resistir à fragmentação da identidade. Quero dizer: demonstrava um outro carácter.
   
Nem mais tempo, nem mais dinheiro, disse a chanceler à jornalista Isabel Silva Costa, na RTP. O estilo peremptório não suscita dúvidas. Pode Passos Coelho proceder a todo o tipo de reverências e de abandonos da decência que ela não dissimula o facto de mandar, e de impor uma política, uma doutrina e uma ideologia. Aliás, dominantes na Europa. A passagem por Lisboa constituiu uma distanciação do povo: cancelas, baias, dispositivo policial invulgar, um corredor absurdo que, no fundo, implicam a ausência ou a fraqueza de mecanismos institucionais.
  
Há qualquer coisa de inanidade nesta encenação que aparta governantes de governados. O receio de haver algo de grave contra a visita é a extensão do medo que envolve os membros do Governo. Todos eles sabem os riscos que correm de ser insultados, logo-assim põem pé na rua. A dualização da sociedade está, também, a dar cabo da identidade colectiva. A simbiose do Estado e do povo foi dissolvida. Há dois Portugais em Portugal, assim como há duas Europas na Europa. Merkel e Passos representam uma delas, certamente a mais ameaçadora. Na outra, estamos nós, os ameaçados. A contra-conduta, a dissidência não são, somente, actos políticos; sobretudo, representam urgentes condutas morais.» [DN]
   
Autor:
 
Baptista- Bastos.   

      
 Vem aí o dua de "São receber"
   
«Para um pobre trabalhador o dia de que ele mais gosta é o dia de ‘São Receber’, recorda a canção dos Xutos e Pontapés.
  
Para Portugal esse dia está a chegar e, num clima em que ninguém dá nada a ninguém, não admira que o País aponte de novo todas as baterias para mais uma negociação do quadro de fundos comunitários e se bata com unhas e dentes por mais uma boa vintena de milhares de milhões de euros. Desta feita, parece adquirido que Portugal vai perder pelo menos uns dois mil milhões de euros ao pacote habitual. Sobram cerca de 1,3% do seu PIB para gastar em sete anos, o que é mais um abono de família que um salário mínimo.
   
E mesmo a nível da UE não é propriamente um plano Marshall. Os americanos empenharam 5% do seu PIB enquanto os ricos europeus reservam menos de três décimas do PIB europeu para o efeito. E mesmo assim volta-se a afiar de novo a faca a estes fundos, desta vez com uma pergunta incómoda aos velhos "amigos da coesão": Afinal, para quem servem os fundos estruturais?
   
Depois de muitos pacotes milionários desde os anos 80, o País está agora nas ruas da amargura. Reza o argumento que Portugal melhorou umas quantas infraestruturas mas não criou bases sólidas de crescimento, não aumentou competitividade e hoje nem se consegue financiar sozinho. É preciso desmontar aqui uma boa dose de populismo e ignorância. Desde logo, a crise da dívida nada teve a ver com a forma como se aplicaram os fundos. A Irlanda foi o país modelo da coesão e está no mesmo saco de gatos que nós.
   
Depois há mitos que se repetem sucessivamente que não se ajustam à realidade. O país no último quadro de apoio gastou apenas 6% do total em infraestruturas - bem menos do que a média europeia. E nunca é demais recordar que as empresas alemãs e francesas foram as grandes beneficiárias da nossa "obsessão" por infraestruturas. Depois, desde o III QCA (2000/6), Portugal orientou claramente os fundos para os sectores de valor acrescentado e bens transaccionáveis. Os fundos permitiram melhoria das qualificações e uma forte redução da taxa de abandono escolar, que ainda é uma vergonha nacional. Também aqui, não é preciso refundar nada.
   
Sim, há uma margem de desperdício, e há sempre um ou outro cliente habitual à mesa dos fundos, como por exemplo as associações empresariais. Mas quando surge um novo governo parece que é preciso inventar a roda.
  
Com o actual colete-de-forças orçamental, do qual não nos livraremos tão cedo, os fundos comunitários são o único plano de crescimento para a próxima década. O governo podia usá-lo como investimento público, compensando o choque na procura, apostando na eficiência energética ou na redução de custos de transporte para mercados relevantes. Mas - numa opção coerente com a ‘troika' - quer resolver tudo pelo lado da oferta.
   
Usando os fundos como garantias para reduzir custos de financiamento das empresas e inclusive criando um banco de fomento nacional. Aqui há um risco e um equívoco. O risco é financiar a própria banca por portas travessas e não as PME. Depois, com esta ênfase no financiamento, o governo parece esquecer por momentos a narrativa de que o crédito foi parte da nossa doença na década anterior. E se hoje em dia as empresas não obtêm crédito isso é por causa da notação da dívida do país e porque não têm procura para os seus produtos. Não é um problema puro de liquidez.
    
Esse debate far-se-á em Portugal. Mas, qualquer que seja a escolha, os fundos europeus são sempre uma oportunidade. Nas negociações dos últimos dois envelopes financeiros, os políticos imbuídos daquela ilusão de prosperidade inelutável, avisaram: "Esta é a última oportunidade". Desta vez é melhor não dizer nada. Com a Grécia, Portugal é o último dos moicanos nos "amigos da coesão" e, pelos caminhos que a actual crise está a tomar, aí vai ficar por muitos anos. "Aaaai a minha vida", como lamenta o cantor dos Xutos.» [DE]
   
Autor:
 
Luís Rego.
   
     
 Tudo corre às mil maravilhas
   
«A economia nacional recuou 3,4% entre julho e setembro, face ao mesmo período do ano passado. A estimativa rápida relativa ao terceiro trimestre foi divulgada esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística, precisamente no dia em que o país cumpre uma greve geral. 
   
Na comparação com o segundo trimestre, a economia portuguesa recuou 0,8%. Ora, contas feitas, o PIB está a cair há oito trimestres consecutivos.» [Agência Financeira]
   
Parecer:
 
Em vez de greves gerais o povo devia ir em romaria a Fátim para agradecer á virgem e pedir-lhe para que intercedesse no sentido de o Gaspar ter direito a governar o país durante 48 anos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Agradeça-se ao Gaspar tudo quanto está fazendo pelo país que tanto gastou com ele.»
   
 Mais uma boa nova para o Gaspar
   
«A taxa de desemprego subiu no terceiro trimestre para os 15,8%, face aos 15% observados no trimestre anterior, com o número de desempregados em Portugal a ultrapassar os 870 mil, divulgou o INE nesta quarta-feira.» [CM]
   
Parecer:
 
Este ajustamento está melhor do que o esperado, mais uns tempos e o desemprego chega ao milhão, altura em que o povo deve juntar-se para pedir que o Nobel da economia seja entregue ao Gaspar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Prepare-se a candidatura do brilhante Gaspar ao Nobel da economia.»
   
 Já é demência
   
«Pedro Passos Coelho afirmou esta quarta-feira que os dados revelados pelo INE relativos à contração do produto português em 3,4% em termos homólogos e 0,8% em relação ao trimestre anterior e o aumento da taxa de desemprego para 15,8% são "números em linha de conta com as previsões do Governo".
   
"Dentro das más notícias, aquilo que os portugueses precisam de saber é que elas estão de acordo com aquilo que estávamos à espera", explicou Passos Coelho, à margem da inauguração das novas instalações da Sicasal, na sequência de um incêndio que devastou as antigas fábricas em 2011.» [DN]
   
Parecer:
 
Em linha com as previsões do governo? Mas a previsão do governo para a contracção da actividade económica em 2012 não era de 1,8%?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
   
 Desgraça imparável
   
«Alguns documentos internos do Governo apontam para que o défice orçamental dos primeiros nove meses do ano tenha chegado aos 9% no PIB, o que terá feito soar os alertas no Executivo, noticia hoje o "Diário Económico".
   
O mesmo jornal reitera que a meta do défice até Setembro não foi cumprida, o que torna cada vez mais difícil cumprir a nova meta do défice de 5% do PIB acordada com a troika. O Governo terá já assumido que o défice vai derrapar, mesmo depois de contabilizado o encaixe com a ANA e outras medidas temporárias.
    
Além do défice estar a derrapar nos primeiros nove meses do ano, a situação difícil das contas públicas terá continuado no mês passado. Segundo o “Diário Económico”, as receitas fiscais continuam em queda em Outubro, e uma vez diluído o efeito da retenção do subsídio de férias, a despesa também não estará a correr tão bem como até aqui.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:
 
Este Gaspar é mesmo um economista brilhante!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Elogie-se o Rabaça de direita.»
   
 Grande maldade
   
«A meta trimestral do défice até Setembro, acordada com a ‘troika', não foi cumprida, tal como avançou ontem o Diário Económico, o que terá feito soar as campainhas no Governo. Nos ministérios o valor é comentado quase em surdina, mas o Diário Económico sabe que alguns documentos internos apontam para um défice que poderá ter chegado perto dos 9% do PIB.
   
O falhanço no mês de Setembro torna cada vez mais difícil cumprir a nova meta do défice de 5% do PIB acordada com a ‘troika'. Aliás, e tal como o Diário Económico avançou ontem, o Executivo já assume que o défice vai derrapar para além da nova meta, mesmo depois de contabilizado o encaixe com a ANA e outras medidas temporárias.
   
Partindo do valor de Setembro, o Governo tem apenas três meses até ao final do ano para equilibrar a execução orçamental. Não até aos 5%, que serão atingidos via medidas temporárias, mas sim até um défice real em torno dos 6%.
  
O mês de Outubro terá reforçado os sinais negativos da execução orçamental. As receitas fiscais continuam em queda, e uma vez diluído o efeito da retenção do subsídio de férias, a despesa também não estará a correr tão bem como até aqui. » [DE]
   
Parecer:
 
No dia que devia ser o do fracasso da greve geral o país é confrontado com as consequências da competência do brilhantíssimo Gaspar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao cardeal se já está preparando a beatificação do São Gaspar e se já têm um altar reservado na Sé para o dedicar ao novo futuro santo e a inaugurar quando o dr. Paulo Macedo organizar a devida missa por acção de graças.»
     

   
   
Photobucket
  
Photobucket
   
Photobucket
   
Photobucket
  
Photobucket