sábado, dezembro 08, 2012

Mas que ganda nóia!


A situação política portuguesa começa a ser uma ganda nóia, comentadores bem informados que não sabem muito bem quem os informa, um governo eleito democraticamente que conseguiu transformar-se num governo fantoche, nossas senhoras da honestidade a serem alvo de buscas domiciliária, um Presidente Calado e um primeiro-ministro que a bem da inteligência nacional devia evitar abrir a boca.
   
Os responsáveis do governo passaram meses a falar de sucessos, o trio de imbecis da troika aclamaram os benefícios do sucesso português, o coxo de Bona não se cansa de usar a sua marioneta de nome Gaspar para elogiar a política portuguesa, agora o país sabe que está pior do que estava, a sua economia está em ruínas, o governo e o seu ministro das Finanças depois de tanto ajustamento estão dsajustados da realidade.
  
No centro desta ganda nóia está um homem a que temos de tratar por Presidente porque em má hora votámos maioritariamente nele. Não fala, não protege a Constituição, não dá conselhos, não manda ler o que disse no site, não recoda o que disse há anos, refugia-se em Belém e arrasta o mandato enquanto o povo e o país sofrem. É neste contexto que ganha importância um político que insiste m sobrevive, Marques Mendes.
  
Compreende-se com um país numa ganda nóia aquele que ficou com a alcunha do Ganda Nóia está como peixe dentro de água. Está de tal forma à vontade que já deixou para traz o professor Marcelo. O professor Marcelo opina, faz vídeos de ninguém vê e recomenda livros dos amigos. Mas é o Ganda Nóia que sabe tudo, que antecipa as decisões governamentais.
  
Mas quando o Ganda Nóia se atira ao Gaspar dizendo que o ministro goza com os portugueses ficamos sem saber se Marques Mendes é porta voz oficioso de Passos Coelho ou se é Cavaco Silva que o usa como Chihuahua, para dar umas dentadinhas no governo? Quando Marques Mendes ataca violentamente Vítor Gaspar o que prtende?
  
Marques Mendes pode estar a correr em pista própria e posiciona-se para uma futura liderança do PSD, prevendo uma queda breve de Passos Coelho. Neste quadro teria o apoio presidencial que à falta de melhor candidato em quem se apoiar pode recorrer ao seu velho ministro.
  
Marques Mendes pode estar muito simplesmente a atacar um Gaspar que Cavaco deve detestar, até porque o ministro das Finanças não se limita a discordar de Cavaco, despreza as suas opiniões e quando é solicitado para as comentar quase ignora a existência do Presidente dizendo que desconhece o que este disse.
   
Estará Cavaco silencioso como se diz ou todo este alarido feito pelo seu Chihuahua é mais uma forma de este país estar cada vez mais uma ganda nóia?

sexta-feira, dezembro 07, 2012

Umas no cravo e outras na ferradura

 
 
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Maldito vício, Lisboa
   
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Minho [A. Cabral]   

Jumento do dia
  
Passos Coelho
 
Portugal não tem um primeiro-ministro, tem uma coisa que desempenha o cargo mas a verdade é que o governo tem dois números inteiros, o dois e o três, e um número imaginário, a coisa de Massamá. O homem diz que vai cobrar no ensino, em Cabo Verde desmente e quase diz que nem falou do ensino e agora volta a confirmar. Quantas lambadas terá dado o 2 ao número imaginário quando este regressou de Cabo Verde?

Isto já não é um debate do foro da política e é perda de tempo fazê-lo no parlamento, isto é assunto para discussão no recreio do Júlio de Matos. Muito antes de termos de co-financiar o ensino teremos de co-financiar o tratamento psiquiátrico de um rapaz cuja camioneta não tem caixa suficiente para tanta responsabilidade e já começa a dar de si, primeiro começou a perder o cabelo, agora começou a perder do lado de dentro da cabeça e os neurónios começam na ser tão escassos como o cabelo da franja.
 
«O primeiro-ministro diz que os cortes na despesa "cumprirão a Constituição" e que há margem para maiores reduções na Educação.

O primeiro-ministro Passos Coelho garante que o programa de cortes permanentes de pelo menos quatro mil milhões de euros na despesa do Estado "não deixará de cumprir a Constituição", mas recusou-se a avançar com qualquer medida concreta até Fevereiro, quando terá que apresentá-las à ‘troika'.

Questionado pela oposição sobre o que pretende fazer na Educação, depois de ter dito em entrevista à TVI que havia margem para mexer nesta área ao nível da repartição financeira dos seus custos, Passos diz que foi mal interpretado: "limitei-me a uma constatação, apesar do ensino obrigatório ser gratuito há uma parcela de material escolar, por exemplo, que não é coberta pela acção social. A Constituição dá-nos margem diferente na Saúde e Educação e iremos explorar estas margens", disse, lembrando que já há uma parte de co-financiamento das famílias, sobretudo no ensino superior.» [DE]
    
 As buscas à casa de Medina Carreira

Seria incoerente criticar Medina Carreira com base nesta manobra da justiça quando costumo desconfiar de tudo o que a justiça portuguesa faz envolvendo a comunicação social, neste país basta uma carta anónima para gastar milhões de euros aos contribuintes como se viu no caso Freeport, é uma justiça especializada em destruir pessoas muito antes de as levar a julgamento onde têm o direito de se defender, isto não é justiça é uma anedota de mau gosto.
  
Mas tenho de confessar que gostei de ver o austero e exemplar Medina Carreira a usar argumentos que dificilmente teria aceite, por exemplo, em José Sócrates.
  
Será que vai mesmo acabar a impunidade como prometeu a ministra da Justiça?

 Dúvidas que me assaltam
 
Cavaco já terá chamado alguém a Belém para se inteirar sobre o que se passa na RTP ou para saber mais coisas da visita judicial ao Medina? Nem mesmo um sindicalista judicial?
 

  
 Passos sozinho
   
«Nem o Presidente da República nem o parceiro de coligação apoiam o volte-face na estratégia do primeiro-ministro e do ministro das Finanças – que de um momento para o outro decidiram recusar pedir à troika a revisão do programa português à luz das novas condições obtidas pela Grécia, vulgo mais tempo e juros mais baixos.
 
Cavaco Silva, que está longe de ser um modelo de clareza, teve uma posição inequívoca na quarta-feira à noite: “Eu não vejo razão para que não seja reduzida a comissão que é cobrada a Portugal pelos empréstimos que recebeu do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, matéria que, aliás, penso que já tinha sido falada há algum tempo. Tal como não vejo razão para que não seja alargado o período de reembolso dos empréstimos do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira.” O Presidente da República não poupa Vítor Gaspar, que anunciou a renegociação para depois recuar – ver como Cavaco alude à “matéria que já tinha sido falada há algum tempo”.
 
O Presidente admite que o governo pode estar em maus lençóis, mas lembra a Passos e a Gaspar que têm a obrigação de defender o país: “A vida na União Europeia é uma negociação permanente e eu sei isso por experiência própria. As negociações são, às vezes, muito, muito difíceis, mas nós não podemos desistir. Por isso há interesses que Portugal, independentemente da situação da Grécia, não pode deixar de continuar a defender.” Um governo que desiste não está, diz claramente o Presidente da República, a defender o interesse nacional. Embora Cavaco Silva não seja adepto de soluções radicais, deve estar consciente de que este é um argumento suficiente para que seja invocada aquela famosa alínea da Constituição que diz que o Presidente pode demitir o governo “se estiver em causa o regular funcionamento das instituições”, aliás, como defende Mário Soares que, aos 88 anos, ocupa o lugar de verdadeiro líder da oposição.
 
Mas não é só o Presidente a dizer que a desistência de Passos e Gaspar põe em causa o interesse nacional. O parceiro de coligação, Paulo Portas, veio dizer claramente que “concorda com o Presidente”. Ora, se Paulo Portas concorda com o Presidente, o governo em funções perdeu legitimidade institucional para prosseguir esta política. Portas pode ser o número 3 do governo – como Passos Coelho docemente indicou –, mas acabou de escrever directamente à troika e partiu a coligação num tema crucial. O governo é hoje uma coisa fantasmagórica.» [i]
   
Autor:
 
Ana Sá Lopes.   

 A reviravolta
   
«A situação portuguesa é diferente da que se vive na Grécia? Certamente. Mas é para lá que corremos o risco de caminhar se o Governo insistir neste rumo de arraso da economia.
  
O primeiro-ministro acha que tem um "problema de comunicação": ele bem tenta explicar, com as suas longas respostas, só que ninguém o entende. Ao que parece, problema idêntico persegue também o ministro das Finanças: por mais devagar que fale, instala-se a "confusão". Segundo o próprio, tudo se deve à "simplificação excessiva de assuntos complexos". Infelizmente, o problema é outro. E é pior.
  
O que se passou esta semana com a reviravolta na posição do Governo português sobre a aplicação a Portugal das novas condições de ajuda à Grécia é absolutamente lamentável. A verdade é esta: a invocação do princípio da igualdade de tratamento dos países sob assistência financeira (à semelhança do que já sucedeu anteriormente, permitindo a redução dos juros devidos por Portugal) pareceu uma boa ideia ao Governo português até ao dia em que se manifestou o desagrado do ministro das Finanças alemão. A partir dessa altura, tudo mudou: o seguidismo subserviente do Governo veio mais uma vez ao de cima, fazendo temer o pior quanto à defesa dos interesses nacionais.
   
Todos ouvimos e percebemos bem o que disse o Ministro das Finanças na Assembleia da República, no dia seguinte à decisão do Eurogrupo sobre as novas condições de ajuda à Grécia. Nem podia ter sido mais claro: "Portugal e Irlanda - Países de programa - serão, de acordo com o princípio da igualdade de tratamento (...), beneficiados pelas condições abertas no quadro do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira".
  
Também ouvimos e percebemos o que disse o próprio primeiro-ministro, na sua entrevista à TVI, quando invocou o princípio da igualdade de tratamento e discorreu sobre o impacto, que classificou como positivo, da aplicação a Portugal de várias das condições acordadas para a Grécia: quantificou mesmo um benefício de mais de 20 milhões de euros com a redução das comissões devidas à ‘troika', considerou importante um prolongamento do prazo de reembolso do empréstimo e classificou também como importante, do ponto de vista da tesouraria, um prazo generoso de carência dos juros.
   
Desta posição passou o Governo, do dia para a noite, para a teoria oposta: afinal, não é prudente reclamar igualdade de tratamento para que não haja confusões: nós não somos a Grécia. Lá, está tudo a correr mal; aqui, está tudo a correr bem.
  
A situação grega, sem dúvida, é e sempre foi muito diferente da portuguesa. Mas isso não significa que o princípio da igualdade de tratamento não deva ser invocado, desde logo, para evitar um injustificado tratamento discriminatório dos diferentes países sob assistência financeira. E também porque não pode negar-se que muitas das condições agora acordadas para a Grécia seriam igualmente úteis e adequadas para Portugal, até para favorecer as próprias condições de sucesso do Programa.
  
E vai sendo altura de abandonar a fantasia de que aqui está tudo a correr bem. Vejamos: a meta do défice, já se sabe, não vai ser cumprida pelo Governo (segundo a UTAO, em Setembro o défice real estava em 6,6%); a dívida pública, que segundo o Memorando inicial deveria atingir o pico em 2013, com 115,3%, vai afinal chegar aos 127,6% em 2014; a economia, para a qual o Memorando inicial previa uma recessão de -1,8% este ano vai afinal cair 3% e nos próximos dois anos, em vez de crescer 1,2% em 2013 e 2,5% em 2014, vai, na previsão optimista do Governo, cair de novo 1% em 2013 e apenas crescerá 0,8% em 2014; o desemprego, por fim, que o memorando inicial admitia que pudesse chegar, no máximo, aos 13,4%, em 2012, está já nos 15,8% e o próprio Governo prevê que chegue aos 16,4% no próximo ano. Não: não só não estamos a cumprir, como não está tudo a correr bem. E só não vê quem não quer.
  
Ainda assim, a situação portuguesa é diferente da que se vive na Grécia? Certamente. Mas é para lá que corremos o risco de caminhar se o Governo insistir neste rumo de arraso da economia e se não tiver a coragem bastante para defender na Europa os interesses nacionais.» [DE]
   
Autor:
 
Pedro Silva Pereira.
      
 O Presidente com medo
   
«É comum considerar-se que a hipótese de mandar um governo abaixo dissolvendo o Parlamento é "o poder" do Presidente. Chamam-lhe até "a bomba atómica". Já ser a última barreira entre a aprovação de uma lei que desrespeita fundamentos básicos da Constituição - a equidade, a proporcionalidade, a justiça - e a sua entrada em vigor não é muito valorizado. É pena: o sistema dá ao Presidente a prerrogativa de enviar as leis ao Tribunal Constitucional para certificar que, mesmo quando um governo e uma maioria de deputados decidam ignorar a Lei Fundamental, ele estará lá para se atravessar por ela - ou seja, pelo povo, contra a possibilidade de injustiça, o que é dizer de tirania. Não é uma escolha: é a mais nobre das suas obrigações.

O atual PR, porém, demonstra um entendimento muito seu dessa obrigação. Quando em 2008 parou o País para se insurgir contra o Estatuto dos Açores, descobrimos que ao enviar o dito para o TC não solicitara a fiscalização da norma que mais o encanitava. Quando pediu a apreciação do diploma que alargava o casamento civil aos casais do mesmo sexo, "esque- ceu-se" da exclusão da adoção - a única parte da lei que suscita sérias dúvidas constitucionais. E, quanto aos orçamentos de 2011 e 2012, reputados por muitos especialistas e por si próprio (disse-os "iníquos" por penalizarem excessivamente os funcionários públicos) como inconstitucionais, promulgou-os sem demora, deixando a outros o ónus de pedir a fiscalização sucessiva (pós-entrada em vigor) - onde o OE 2011 passou por um triz, mas o de 2012 chumbou.

Ou seja: Cavaco deixou passar orçamentos que considerava desrespeitarem a Constituição, passando pela vergonha de num deles isso ser confirmado pelo TC. Porquê? Segundo o PR, porque nenhum seu antecessor enviou um orçamento para o TC e porque o País não pode ficar "sem orçamento".

Ora, primeiro, com a fiscalização sucessiva o OE pode ser inviabilizado a meio do exercício - o que é muito pior. Depois, nenhum antecessor de Cavaco reputou de inconstitucionais normas de um orçamento - e nunca outro suscitou tantas dúvidas, e tão graves. Além disso, o PR cuja Casa Civil se queixou de ser escutada por um governo, que usou um seu discurso de posse para forçar a demissão do executivo em funções e que usa as publicações de Belém para ajustar contas com um ex-PM, acusando-o de manobras inconstitucionais - coisas todas elas nunca vistas -, teme o quê, ser o primeiro? O PR que preferiu receber pensões ao seu salário, que dá recados políticos no Facebook e vai a cerimónias públicas brincar com a situação do País tem receio de estrear um estilo?

Valha-nos Pacheco Pereira, o mais famoso tradutor de Cavaco. "Se o PR enviar o Orçamento para o TC, o Governo ataca-o", disse na última Quadratura. Como ninguém perguntou "e então?", ficámos a saber que há quem ache normal que um Presidente da República tenha medo de um Governo. Falta então saber porquê - se não for só por feitio.» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.
     
     
 RTP: mais um processo a conduzir por gente independente
   
«A Administração da RTP suspendeu preventivamente o ex-director de Informação Nuno Santos e abriu um processo disciplinar para despedimento.
   
Em comunicado, Nuno Santos revela que foi informado da suspensão e do processo na manhã desta sexta-feira, pouco antes de ir à audição que tem marcada na Entidade Reguladora para a Comunicação Social.
   
"Consumou-se o saneamento político!", diz o jornalista, acrescentando estar "impedido, sem razão, de trabalhar".» [Público]
   
Parecer:
 
Será que os inquiridores também se licenciaram na Lusófona.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pegue-se na máscara de gás, o país está a ser asfixiado por um gás vindo de São Bento.»
      
 O Marques Mendes passou-se
   
«O antigo presidente do PSD disse ontem no seu comentário na TVI24 que o ministro das Finanças "está a gozar com o pagode" sobre os ditos e desmentidos sobre o falado tratamento igual à Grécia que poderia ser dado a Portugal pelo Eurogrupo.
  
"O que é que fez Vítor Gaspar? Veio dizer estas três coisas: 'não, isto fez-se em Portugal uma inqualificável confusão', palavras dele, e acrescentou 'isto é uma tentativa de simplificar em excesso coisas que são muito complexas'. Deve ser só para a cabeça dele, portanto, está ele a insinuar que não está aqui ao nível de nós mortais, comuns mortais, e portanto é um equívoco", disse Marques Mendes no seu comentário semanal na TVI24.» [DN]
   
Parecer:
 
Ou será que se prepara para crucificar o Gaspar numa tentativa desesperada e inútil de salvar o já cadáver político?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Pobre Álvaro
   
«O ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira, afirmou hoje que a contracção do Produto Interno Bruto (PIB) nos primeiros nove meses do ano se deveu à crise do país e ao agravamento da recessão na Europa.
  
O Produto Interno Bruto (PIB) diminuiu 3% no conjunto dos três primeiros trimestres de 2012, com o abrandamento das exportações e a redução menos acentuada das importações a darem uma contribuição menos positiva para o desempenho no terceiro trimestre, segundo dados do INE hoje divulgados.
  
"Neste momento, nós estamos a passar por um período de bastante dificuldade e a recessão na Europa está a ser pior do que o esperado e isso tem uma consequência directa no PIB português", afirmou Álvaro Santos Pereira aos jornalistas, à margem da Universidade Política do PSD, uma iniciativa da concelhia do PSD de Lisboa, que decorre em Sintra.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:
 
Era tão fácil mentir aos portugueses inventando falsos sucessos antes de saíres estatísticas fiáveis.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao sôr Álvaro que desapareça da nossa vista.»
     

   
   
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O gozo


É difícil imaginar o que estará a passar-se na cabeça de Paulo Portas, apenas sabemos que intelectualmente o líder do CDS deixa Pedro Passos Coelho a um canto, que como político não só é um sobrevivente como sabe eliminar os que se lhe atravessa no seu caminho. Neste jogo de xadrez em que se está transformando o relacionamento entre Portas e Passos Coelho o líder do CDS tem levado a melhor.
   
Portas fez uma abertura melhor, os seus ministros ficaram com pastas de grande importância, o próprio ficou com uma pasta onde é tradição os titulares ficarem com boa imagem junto da opinião pública, alargou a sua esfera de influência à custa do esvaziar das competências da “vedeta” que Passos Coelho foi buscar ao Canadá para a pasta da Economia, uma pasta importantíssima que foi esvaziada.
   
O nível intelectual da abertura de Passos Coelho está no patamar do principiante, convencido de que o Vítor Gaspar era um discípulo dos deuses germânicos apostou tudo nas suas teses extremistas. Acabou por ultrapassar a fase da abertura com as suas peças mal colocadas e algumas à beira de serem perdidas, o Relvas é uma torre fora da protecção dos peões, bispos e cavalos. O Álvaro tem-se portado como um cavalo fora do sítio e o Miguel Macedo é outro cavalo no meio deste tabuleiro. As peças de Paulo Portas têm jogado melhor e estão melhor posicionadas.
   
A estratégia de Paulo Portas tem sido inteligente, deixa a iniciativa aos inexperientes e vaidosos do PSD, tem-lhes “metido uma palhinha no rabo” e os rapazes incharam ao ponto de fazerem asneiras sucessivas. Convencido de ter o líder do CDS na mão Passos Coelho chega ao ponto de quase o humilhar, fez chantagem para o calar na questão do OE e fez questão de o rebaixar quando disse que Vítor Gaspar, a maior desgraça deste governo, era o seu número dois.
   
Sem o apoio de Portas o PSD nunca teria a maioria, reduzir um parceiro de uma coligação governamental ao estatuto de figura decorativa, realçando que é o nº 3 e ignorando o seu estatuto de líder do outro partido da coligação foi mais uma ofensa que põe em causa a dignidade de Paulo Portas. O líder do CDS engoliu a primeira com o argumento do interesse nacional, mas gente como Passos Coelho pensa que não há diferença entre estar no governo e ir beber uns shots a uma discoteca e não resiste à tentação de gozar.
   
O que Passos fez foi gozar com Paulo portas, dizer-lhe que é insignificante. Passos Coelho está convencido de que pode usar a crise que ajudou a agravar-se em seu favor, a estratégia do n.º 2 parece ser afundar o país para o forçar a aceitar todas as suas teses extremistas e não resta a Paulo portas outra saída senão sujeitar-se a tudo em nome do interesse nacional.
    
Só que o país não é uma discoteca e a democracia é mais forte do que Passos e Gaspar pensam, não há nada mais fácil de conseguir neste país do que encontrar economistas mais competentes do que o Gaspar ou políticos mais inteligentes do que Passos Coelho. Passos Coelho é um péssimo jogador, não percebeu a abertura e o meio do jogo de Paulo Portas e convencido de que podia gozar com o líder do CDS ensaiando um cheque pastor vai pagar esse gozo muito caro. Neste momento Paulo Portas tem todas as condições para começar a preparar um cheque mate a Passos Coelho, fazendo-o engolir as humilhações, os atentados à dignidade e o que tem gozado de Portas.

Umasno cravo e outras na ferradura

 
 
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Grafitti, Xabregas, Lisboa
   
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Moinho [A. Cabral]   

Jumento do dia
  
Hélder Rosalino
 
Este Rosalino só não fica com a alcunha de ácido sulfúrico porque o seu nome já se parece com uma alcunha, aliás, é bem pior do que muitas alcunhas. O homem deu para diluir tudo e mais alguma coisa, aumenta brutalmente os impostos e como é um espertalhão do banco do senhor Costa acha que engana as pessoas diluindo um subsídio para compensar a perda de rendimentos.
 
«Todos os pensionistas vão ter um dos subsídios diluído pelos doze meses do ano, disse hoje o secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, após nova ronda negocial com os sindicatos, em Lisboa.» [DN]
    

  
 O que será, que será...
   
«A RTP é para privatizar por inteiro. É para privatizar só um dos canais. É para privatizar com todas as antenas de televisão e rádio, mas só 49% do capital e com uma renda fixa de 140 milhões de euros paga pelos contribuintes. É para privatizar até ao final do ano. É para privatizar até ao fim do próximo ano. É para vender aos angolanos. É para entregar a uma TV brasileira. É para um fundo do Panamá. É para a Cofina. É para vender só a concessão. É para juntar à Lusa. É para ficar pública mas sem publicidade. É para ter 12 minutos de publicidade. É para ter seis minutos de publicidade. É para oferecer a RTP Internacional. É para fechar a RTP Memória.
   
E a Caixa? Simples: é para privatizar por inteiro. É para privatizar só uma fatia minoritária. É para negociar com capital chinês. É para vender o negócio que tem em Espanha. É para vender o banco emissor de moeda que tem em Macau. É para vender tudo o que ainda tem em todas as empresas que ainda tem. É para sair a correr de Moçambique e Cabo Verde e também Angola. É para se transformar num banco de investimento, num banco de fomento, numa coisa qualquer. Numa agência? Não: é para fechar agências.
  
E a refundação do Estado social? Não é refundação, é reforma. Não é reforma, é corte, é redução de quatro mil milhões de euros. Não são quatro mil milhões: são 4,4 mil milhões. Não é uma decisão, é uma meta. Não é uma meta, é um debate para fazer em três meses. Pronto: em seis meses. Não é para aplicar em 2013. Talvez seja para aplicar no segundo semestre de 2013. É preciso mudar a Constituição. É preciso fintar a Constituição. É preciso cortar na saúde, na educação e nas funções de soberania. Não, a educação é que é para ser paga, claro, além do que já é pago pelos impostos. É isso? Não é nada disso. Chico Buarque explica: o que não tem governo nem nunca terá; o que não tem vergonha nem nunca terá; o que não tem juízo... lá lá lá lá lá...
  
E a renegociação da dívida grega? Simples, será estendida a Portugal. O princípio da igualdade de tratamento ficou decidido em junho pelo Conselho Europeu. Sim? Sim, sim, diz Gaspar devagarinho. Não, não, diz Gaspar com muita pressa. Quer dizer, a seu tempo, emenda Gaspar. Não será nada disso, impõe-se Schäuble. E o número dois do Governo como reage? O número dois? Quem é o número dois do Governo? É Gaspar? É Relvas? Certo. Errado. O número dois é Gaspar, mas também é António Borges, o ministro não ministro, conselheiro, comparsa. Tudo claro: não há ziguezagues. As curvas deste Governo são retas para os negócios. Será o que será. O que não tem conserto nunca terá.» [DN]
   
Autor:
 
André Macedo.   

 Jesus, Gaspar e o "sinal terrível"
   
«Quando a Grécia obteve melhores condições para a dívida, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, disse que essa melhoria seria estendida a Portugal. Naturalmente os nossos ministros rejubilaram. Mas eis que o patrão destas coisas, o alemão Wolfgang Schäuble, veio dizer que não. Disse que "seria um sinal terrível" para Portugal querermos suavizar os empréstimos. Seria como ir à Feira da Ladra, perguntar pelo custo da moldura, ouvir "50 euros" e nem regatear. Contrapropor 30 euros seria um sinal terrível... Não entendi. Já entendi melhor Vítor Gaspar ter aderido - depois do aviso de Schäuble - à tese do "sinal terrível." Isto é, entendi o feitio, ele é um tipo amável que não gosta de indispor alemães. Mas continuei a não perceber a lógica da coisa. Até ontem à noite. O Benfica foi jogar ao antro do Barcelona, o "més que un club", o que em catalão quer dizer: já nem sabemos enfiar 1-0 ou 2-1, connosco todos levam 4 ou 5. É, quem joga com o Barcelona apanha com taxas de juro a 4 ou 5 por cento. Ora o que começou por acontecer ontem foi que tivemos condições gregas, baixaram as taxas, suavizaram os prazos, não puseram a jogar Xavi, Iniesta e Messi. E o que aconteceu? Sinais terríveis: festival de golos perdidos de Lima e Ola John. E o Benfica foi eliminado. Percebi: os portugueses não podem ter condições facilitadas. Abusam e perdem tudo. Por isso o meu sonho desde ontem é o Benfica despedir o Jesus e contratar o Gaspar.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
   
     
 Solução engenhosa
   
«O reforço de 42,8 milhões de euros no orçamento das universidades para compensar o aumento dos encargos com a Caixa Geral de Aposentações será feito à custa de um corte de 22,5 milhões no ensino básico e secundário.
   
A proposta da maioria PSD/CDS-PP aprovada no Orçamento do Estado para repor "cerca de 75 por cento" do financiamento do ensino superior - 42 milhões de euros -- foi apresentada a 16 de novembro pela deputada do PSD, Nilza de Sena, e do CDS-PP, Michael Seufert, que já indicavam que a compensação poderia sair tanto do ensino básico e secundário, como da dotação provisional.» [DN]
   
Parecer:
 
Despedem-se uns quantos professores e prontsh, o dinheiro aparece e não é preciso aumentar o IRS.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pobre Mário Nogueira, está transformado num saco de boxe dos amigos que tanto se esforçou por ajudar a eleger, lamente-se o destino do desgraçado.»
      
 12 mil milhoes em evasão fiscal
   
«O Governo perde todos os anos mais de 12 mil milhões de euros em fuga aos impostos, o triplo daquilo que pretende cortar na despesa pública em dois anos (2013 e 2014), mostra um estudo independente do consultor britânico Richard Murphy, diretor da Tax Research UK, elaborado para o grupo Aliança Progressista de Socialistas e Democratas do Parlamento Europeu.
   
A investigação, hoje divulgada no âmbito da apresentação do plano de ação europeu "para uma resposta mais eficaz da UE contra a fraude e a evasão fiscais", mostra que a perda fiscal associada à existência de atividades clandestinas ou paralelas na economia (que como tal não estão dentro do perímetro do Fisco) representa 23% da receita fiscal total (12,3 mil milhões de euros de prejuízo fiscal), um nível que está acima dos 22,1% de média da União Europeia. Portugal é assim o sétimo pior caso no ranking da Tax Research UK.» [Dinheiro Vivo]
   
Parecer:
 
Mais milhão, menos milhão, é muito dinheiro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lute-se contra esta chaga social.»
   
 Acabaram os jobs fo the boys, diz ele
   
«O presidente da Comissão de Recrutamento e Selecção da Administração Pública (CRESAP) disse hoje à Lusa que a meritocracia passou a ser a regra nas nomeações de topo na função pública, concordando que acabaram-se os 'jobs for the boys'. » [DN]
   
Parecer:
 
POis, o último job for the boys foi o dele...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   
 Só boas notícias
   
«O Banco Central Europeu (BCE) considera provável que a zona euro continue em crise no próximo ano, anunciou hoje o presidente da instituição, Mario Draghi.» [DN]
   
Parecer:
 
Lá se vai o famoso sucesso do ajustamento gaspariano.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se qo Gaspar quem vai lixar a seguir.»
   
 O n.º 3 tira o tapete ao n.º 1
   
«O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros disse hoje que concorda com a posição do Presidente da República de que Portugal deve beneficiar de algumas das regras negociadas com a Grécia, como o alargamento do prazo de reembolso.
  
Questionado sobre se concorda com a posição tomada por Cavaco Silva sobre a possibilidade de Portugal beneficiar das novas regras adotadas para a Grécia pelos parceiros europeus, Paulo Porta respondeu: "Concordo”.
   
O Presidente da República defendeu na quarta-feira que Portugal deveria ver reduzida a comissão que paga pelos empréstimos europeus e ter um alargamento do prazo de reembolso, apesar de viver uma situação muito diferente da Grécia.» [i]
   
Parecer:
 
Este Portas é um espertalhão.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Veja-se a cara com que o n.º 2 ficou.»
   

   
   
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quinta-feira, dezembro 06, 2012

A União Europeia não conhece Portugal


Que a senhora Merkel não conheça bem a história da integração europeia é compreensível, a senhora vivia na RDA e o seu extremismo é o fruto do congelamento de décadas das ideologia da direita nos países de leste. Mas a Comissão Europeia que lidera a troika e tem criado nos seus gabinetes obscuros uma escola de economistas de fazer inveja ao laboratório de Mengele em Aushwitz é inaceitável. Até porque à frente da União Europeia está um rapaz que pertenceu a um governo cujo primeiro-ministro geriu os fundos comunitário durante dez anos e antes disso tinha eliminado c competitividade da economia com uma revalorização eleitoralista que nos mandou para a porta do FMI.
 
A União Europeia não conhece Portugal? Mas o TGV não era uma promoção da União Europeia, não tinha co-financiamento da EU e as suas linhas não tinham sido aprovadas em Bruxelas? Não foi a Comissão Europeia que por várias vezes fez pressão, a mesma pressão e chantagem que agora faz para que o país se sujeite às experiências inovadoras dos seus economistas neofascistas, não era a EU que avisava que os fundos destinados ao TGV não poderiam ter outro destino?
 
Não foi a Comissão Europeia que usou o subdesenvolvimento português e o oportunismo de governos que se especializaram na pedincha comunitária para a troco de gorjetas o país prescindir da sua capacidade produtiva em sectores tradicionais? Quem pagou o desmantelamento da frota pesqueira, o arranque da vinha, o abandono de muitas produções agrícolas, a eliminação comercial de muitas espécies vegetais nacionais?
 
Não foi a Comissão Europeia que negociou no âmbito do Gatt o desmantelamento pautal para promover a globalização e promover as exportações dos países mais industrializados para a China a troco da importação de produtos de sectores como o do têxtil ou do calçado? Enquanto a Alemanha enriqueceu exportando carros de luxo e fechando os olhos ao dumping social da China ou à subfacturação e agora até nos força a vender indústrias estratégicas ao Partido Comunista Chinês, usando Portugal como exemplo da sua abertura ao investimento dos comunistas corruptos chineses na Europa.
 
Não foi a União Europeia que fechou os olhos à corrupção que ia desviando os fundos comunitários destinados a assegurar o aumento da competitividade da economia portuguesa? Quantas investigações fez a EU à forma pouco transparente como eram gastos alguns fundos comunitários e de que a comunicação social portuguesa foi dando conta com frequência? A corrupção em Portugal beneficiou do apoio tácito da UE pois os dinheiros desviados para a corrupção revertiam rapidamente aos parceiros comunitários son a forma de aquisições de bens de luxo. Afinal, Durão Barroso é o actual presidente da Comissão e no passado foi o primeiro-ministro de um governo que comprou submarinos num negócio que a justiça alemã considerou estar envolvido em corrupção.
 
Com o comportamento dos economistas extremistas da Comissão Europeia e do BCE a integração portuguesa entrará para os anais da vergonha da história política e económica da Europa, é uma história de golpes baixos, de oportunismo e de uso e abuso do poder por parte dos países mais poderosos da Europa e da burocracia parasitária e neofascista de Bruxelas.

Umas no cravo e outras na ferradura

 
 
   Foto Jumento
 
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Estátua na Rua Augusta, Lisboa
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 
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Maçarico-das-rochas (Actitis hypoleucos) [A. Cabral] 

Jumento do dia
  
Sôr Álvaro
 
O sôr Álvaro de quem se diz ser ministro da Economia  e ao que parece que é mesmo anda muito preocupado com o desemprego. Com os milhares e milhares de desempregados que perderam o emprego ou com os que vão perder em consequência das medidas do seu governo? Não, o sôr Álvaro manifestou-se pela primeira vez preocupado com o risco de alguns trabalhadores ficarem sem emprego em consequência da greve dos estivadores!

Ó sôr Álvaro, e se voltasse para o Canadá livrando os portugueses da sua presença desnecessária e ridícula?


«Os efeitos que a greve dos estivadores provocam sobre a atividade dos portos portugueses poderá levar os operadores a reduzirem o quadro de pessoal, disse hoje o ministro da Economia Álvaro Santos Pereira.
   
"Isso é uma decisão dos operadores. No entanto, é muito claro que esta greve está a afetar alguns portos de forma muito acentuada. Obviamente que, se há menos movimentação de carga e se os portos são muito afetados na sua atividade, é muito natural que alguma coisa tenha que ser feita", afirmou o governante.» [DN]

    
 Zeca Afonso - Adeus ó Serra da Lapa




  
 A embaixada inútil
   
«De viagem por Cabo Verde, aonde foi com uma luzida corte de parceiros de Governo, o dr. Passos Coelho passeou, durante quinze minutos, pelas ruas do Mindelo. Conversou animadamente com a população, afagou uns meninos e ficou todo contente quando uma miúda, a uma pergunta sua, disse-lhe o nome. Pedro, é isso mesmo. Rejubilou. Foi quando um jornalista, candidamente, o interrogou sobre há quanto tempo não fazia o mesmo em Portugal. Momento embaraçoso por um lado, e patético por outro. O pobre Passos, sem pudor nem escrúpulo por atropelar a verdade, retorquiu: mas eu ando sempre na rua, com uns e com outros. Uns e outros devem ser os batalhões de guarda-costas, que o seguem diligentes e, amiúde, particularmente agressivos.
   
O homem não tem emenda e, além de estar a milhas para servir de exemplo a coisa alguma, é o responsável do nosso infortúnio. Foi a Cabo Verde em negócios, como vai sendo comum. Aquele país, povoado por gente admirável, é um alfobre de cultura, que produziu gente como Baltazar Lopes, Ovídio Martins, Arnaldo França, Corsino Fortes, Manuel Lopes, ou o Manuel Ferreira, de Hora di Bai, e desse extraordinário Voz de Prisão. Uma terra que tem gerado grandes músicos e grandes cantores - não mereceu, nesse aspecto, aos nossos governantes, uma atenção especial e devida. É pena. Os laços culturais entre os dois povos estabeleceram-se numa relação de que o Brasil foi intermediário. O movimento "claridoso", reunido em torno da revista Claridade, reencarnou-se nas experiências de Jorge Amado e de Graciliano Ramos, mas, também, no neo--realismo português. Nomes como Mário Dionísio, Joaquim Namorado, Redol, Manuel da Fonseca e Carlos de Oliveira eram, e são, conhecidos no mundo cultural caboverdeano.
   
Creio que Pedro Passos Coelho transporta, neste capítulo, uma ignorância comovente. E se, com o vistoso grupo de companheiros de Governo, tivesse levado na viagem dois ou três escritores, dois ou três músicos, a campanha teria outro luzimento e objectivos mais sólidos.
   
Infelizmente, porém, o primeiro--ministro é mais propenso aos números do que aos enfados do conhecimento geral. De contrário, saberia que a identidade social, moral, ética e estética de Cabo Verde tem mais a ver com a consistência cultural do que com a incerteza e a fluidez da economia. Houve políticos portugueses, como Soares ou Sampaio, que entenderam as diferenças fundamentais. Mas o triste advento do dr. Cavaco alterou o fio condutor dessa experiência. Uma interrupção de dez anos, que correspondem à década durante a qual o algarvio foi primeiro-ministro foi, demonstradamente, calamitosa. E nem Guterres nem Durão Barroso, homens medianamente lidos, colmataram o vazio pesaroso e dramático. Esta memória para dizer que a embaixada a Cabo Verde foi supérflua, e apenas serviu para Passos passear sem gorilas. » [DN]
   
Autor:
 
Baptista-Bastos.   

 Maternidade Alfredo da Costa
   
«A primeira casa da minha filha faz hoje 80 anos. É uma efeméride comum, a primeira casa da minha filha foi também a de muitos milhares de lisboetas. Mas permitam-me personalizar o dia em que a minha filha conheceu a sua primeira casa. Ela escondeu os olhos, só os conheci mais tarde, mas até foi bom, tive todo o tempo para os dedos dela. Dos pés e das mãos, a agarrar. Agarravam o ar disparatadamente como que a possuir a vida. Desejei-lhe essa vontade pelos anos fora. Ela começou onde eu queria. Numa casa com nome de um goês, puxada para a vida por um cabo-verdiano e da barriga de uma angolana. Como eu queria. Mundo. Não mundo ao calha, de turista. Mundo com sentido, de viajante. Prometi-me que ela iria conhecer o sentido de aquele goês, aquele cabo-verdiano e aquela angolana terem desaguado numa casa de Lisboa. E de ser importante tanto o mundo quanto a âncora que a casa era. Gostei de a primeira casa da minha filha ser uma casa amada pela cidade. Hoje, vou telefonar-lhe para o país onde está, confirmando que a sua primeira casa vai fechar. Ela vai perguntar-me porquê. Eu vou dizer-lhe que não sei, mas parece que tem de ser, números. Coincidência, números é aparentemente a profissão que ela escolheu. Sobre o destino da primeira casa da minha filha não posso nada. Sobre a minha filha posso, vou dizer-lhe outra vez aquilo que ela sabe: nunca podem ser só números.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
   
     
 Deixa mostrar o cartaz ó Serra!
   
«Passos Coelho discursava esta manhã numa conferência sobre segurança quando um grupo de estudantes ergueu um cartaz a pedir a demissão do chefe do Governo. A segurança preparou-se para atuar mas, desta vez foi o próprio primeiro-ministro a impedir a intervenção.» [SIC]
   
Parecer:
 
Isto começa a ser ridículo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Alguem que serre o passo ao Passos!»
         
 A impunidade ainda não acabou?
   
«O presidente do Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC), Oliveira Martins, afirmou hoje a sua insatisfação com a persistência de corrupção em Portugal e defendeu que é preciso aumentar a investigação criminal e a prevenção.» [DN]
   
Parecer:
 
A ministra da Justiça deve ter-se esquecido das suas promessas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Já se dá leite de vaca a bebés
   
«Mães sem dinheiro para comprar leite em pó estão a alimentar bebés de poucos meses com leite de vaca, ou juntam mais água às fórmulas artificiais, o que pode prejudicar a saúde das crianças.
   
Estes casos são do conhecimento dos serviços sociais da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, que cada vez mais atendem mães com "grandes carências", a maior parte devido ao desemprego, como disse à Lusa a assistente social Fátima Xarepe.
  
"Todos os dias recebemos pedidos de ajuda", disse, explicando que os mais frequentes são para a compra de leite em pó, de medicamentos, como vitaminas ou vacinas que não constam do Plano Nacional de Vacinação, e produtos de higiene.» [CM]
   
Parecer:
 
Mais uma conquista gasparista.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se os parabéns ao Gaspar e ao Passos Coelho pelo que os seus excessos estão custando aos portugueses que andavam a comer demais, começando por esses bebés gulosos que estão agora aprendendo que o país não pode ir além do leite de vaca.»
   
 A OIT também não acredita no gasparismo
   
«A Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirma que a redução de salários e a aposta nas exportações não serão suficientes para resolver os problemas económicos portugueses.
  
O facto de os países europeus estarem muito dependentes entre si nas políticas económicas recessivas que aplicam faz com que se verifiquem bloqueios mútuos ao crescimento, diz a organização.
  
“Quando vários países europeus com fortes relações comerciais entre si aplicam ao mesmo tempo políticas de desvalorização fiscal, o resultado é uma austeridade concertada que resulta numa recessão simultânea”, considera a organizaçãonum artigo publicado esta quarta-feira, no seu site, e onde Portugal é citado como exemplo desse círculo.» [i]
   
Parecer:
 
Quem acredita?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Acendam-se a luz para se ver melhor se alguém levanta o braço.»
   
 Cavaco está muito mudado
   
«Questionado pelos jornalistas sobre se o Governo está a conduzir bem as negociações, Cavaco Silva afirmou não ter elementos para fazer a avaliação.» [Público]
   
Parecer:
 
Já permite que o governo o ignore em negociações internacionais.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «»
   

   
   
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