sábado, janeiro 05, 2013

Derrube-se o governo, faz mal à saúde


O secretário de Estado da Saúde tinha toda a razão ao defender que os maus hábitos dos portugueses aumentam os custos do SNS, mas, lamentavelmente, escolheu o momento e contexto errados. Esta verdade merece um debate sério até porque o pior não são os custos orçamentais, é o sacrifício de vidas e a perda de qualidade de vida de muitos portugueses e não apenas o aumento dos custos.
 
Empenhado em explicar aos portugueses que o seu secretário de Estado tinha razão o director-geral da Saúde apressou-se a preparar uma ementa para comer bem e muito barato. Digamos que o ministério da Saúde está a imitar o Continente e decidiu lançar uma promoção de 75% em cartão do cidadão, comendo pouco e bem e bebendo água os portugueses poupam 25% na despesa  com bem alimentares e mais 25% nos impostos do próximo ano. Para conseguir o desconto basta comer de acordo com a ementa do chef George, só não se percebeu se a ementa é do próprio, foi encomendada a um chefe de cozinha francês (ou françóis como diz o Nacib da telenovela Gabriela) ou se pediu a a alguma tia.
 
Esta preocupação dos responsáveis pela saúde resulta de uma confiança perigosa que há muito é cometida pelo director-geral de Saúde, em vez de gerirem os serviços de saúde estes responsáveis acham que o cargo lhes dá o direito de serem eles a gerirem os próprios portugueses e os seus hábitos. A senhora Jonet sugere que os pobres andam a comer bifes a mais e os filhos lavam os dentes em água corrente (imagine-se o que sucederá com os filhos dos pobres, até devem lavar os dentes em Superbock!), o secretário de Estado sugere que se quisemos pagar menos impostos então sejamos elegantes e o director-geral de Saúde já nos sugere ementas de pobres.
 
Por acaso até concordo com os dois no plano das ideias, mas o facto de concordar com os princípios não me leva a aceitar os métodos e estes roçam o extremismo. Em nome da crise já nos dizem o que devemos comer, um dia destes vão concluir que a bem da crise devem nascer mais portugueses e daí a proibirem a venda de contraceptivos, como o fez o ditador Ceausescu da Roménia é um passo. O director-geral do Desporto deverá querer adoptar os métodos da RDA e por este andar ainda vão querer chamar amado líder ao Passos Coelho, ou será antes ao Gaspar que entretanto será promovido a número um pelo próprio Passos?
  
Uma coisa é as boas ideias, outra é a forma como estas são impostas aos cidadãos. Porque não apostamos na ginástica como fazia o nazismo? Porque não criamos uma mocidade portuguesa para que os jovens cresçam mais saudáveis e longe das drogas? Boas ideias nos regimes fascistas não faltam e segundo a lógica do secretário de Estado estas boas ideias viabilizariam o Estado social, seria um Estado fascista social, mas com a vantagem de continuar a ser social. Se recuarmos no tempo não faltam no salazarismo ementas e cardápios de bons hábitos, até havia no ensino secundário um curso de Formação Feminina onde as filhas dos pobres e remediados (nesse tempo ainda estava em formação a classe média eu o Gaspar quer agora acabar e é por isso que não se pode confundir o actual ministro das Finanças com o Salazar, o ditador criou muito do que o Gaspar pretende destruir) aprendiam o que o George quer agora ensinar através da Internet.
 
Agora ficamos à espera que no site do ministério das Finanças o ministro nos ensine a fazer remendos nas calças para que possamos poupar mais. O Portas poderá ensinar-nos como aproveitar o champanhe que sobrou na passagem do ano e o Relvas vai sugerir-nos o que fazer aos livros que sobraram depois de nos termos licenciado na Lusófona.
 
Só resta concluir que este governo faz mal à saúde, é o que demonstram todas as estatísticas, esperemos portanto que Cavaco Silva siga as sugestões metodológicas do George e o mande abaixo, até porque na sua idade a saúde não aguenta com tanto corte nas pensões e mais as ofensas do governo.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
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Expositor, Feira do Relógio, Lisboa
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 
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Rio Minho [A. Cabral]

Jumento do dia
  
Francisco George, director-geral de Saúde
 
Faz todo o sentido que a Direcção-Geral de Saúde sugira uma alimentação saudável aos portugueses, até se aceite que chame a atenção para o facto de sugerir que uma alimentação saudável pode ser tão barata que qualquer família que dependa do rendimento mínimo pode andar de barriga cheia. O que não faz sentido é que o director-geral use o site institucional para levar o seu fundamentalismo ao ponto de instituir um receituário para transformar a cozinha de cada português numa cozinha da Santa Casa.

Sugerir aos portugueses que bebam água é partir do princípio de que somos todos idiotas, que não sabemos que a água é melhor do que um refrigerante e mais barata. Por este andar ainda vamos ver o director-geral vestido como um jovem estudante dos tempos da revolução cultural chinesa, um fato de ganga é bem mais barato do que um fato do Rosa & Teixeira e uma  gravata de seda, muito mais barato e produzido em Portugal.

Será que o senhor George também se vai preocupar com os mais ricos e colocar no seu site um receituárioa para demonstrar que uma refeição à base de caviar e dos melhores vinhos também pode ser saudável? Poderia sugerir uma dúzia de receitas em que cada refeição fica por mais de 1000 euros e que não prejudica a saúde. Até porque ninguém está a ver o amigo Relvas a seguir uma das sugestões do George quando almoça com o brasileiro condidato à TAP ou nas jantaradas no Copacabana Palace como o compadre Dias Loureiro.

O secretário de Estado da Saúde disse e muito bem que bons hábitos tornariam o SNS mais barato, se o George quer defender esta tese faz muito bem, mas faça-o de forma mais frontal e corajosa, não use a crise para fazer os portugueses passarem por pelintras.
 
«Depois de propor no seu site 14 receitas para refeições muito económicas, com um custo que varia entre os 2,78 € e os 7,18 € para quatro doses, com alimentos recomendados como sopa, produtos hortícolas, pescado congelado, ovos e fruta, chegou agora a vez de a DGS destacar a água como a principal bebida, a acompanhar as refeições e também fora delas.
  
A Direção-Geral da Saúde, liderada por Francisco George, recomenda que se comecem as refeições principais com uma sopa de hortícolas, que em alguns casos se pode transformar na refeição principal com a adição de leguminosas (feijão, grão, ervilhas), carne ou peixe.
  
O pão de qualidade deve ser escolhido, lembra a DGS, para as pequenas refeições, ou a acompanhar o almoço ou o jantar. De preferência de mistura, que é "fonte importante de energia, vitaminas e fibra". Ao contrário das bolachas, croissants e outros produtos de pastelaria, sublinha a DGS, o pão possui valores reduzidos ou nulos de gordura e açúcar, o que deveria fazer dele o alimento central das pequenas refeições ao longo do dia.» [CM]

 Parque da Gorongosa



Dedicado ao meu amigo T. Selemane.
   
 A orgia
 
Quando um professor catedrático de economia, ainda que sem habilitações universitárias acima da licenciatura e exercendo a importante função académica apenas atempo parcial 0%, uma inovação aritmética de João Duque, um professor de finanças que só fala de economia, diz que o país tem de ser governado sem Constituição, isto é que em Portugal devem ser eliminados todos os direitos e garantias, é porque a orgia da extrema-direita, onde 50 mil euros compram a alma de qualquer um, está a chegar ao seu ponto mais baixo.
  
Esta gente é louca, ainda não percebeu que governando com base num programa bem pior do que o memorando que levou à derrota do PS, entregando a gestão do país aos rapazolas extremistas do BCE e da Comissão Europeia e indo contra a vontade da maioria dos portugueses apenas conseguem levar o país ao colapso. Esse colapso pode significar a ruína e a guerra civil.

 O governo ajuda ao despedimento

Como Portugal tem um grave problema de excesso de emprego o governo decidiu usar o excesso de dinheiro dos contribuintes que tem cobrado apesar da descida dos impostos para promover o despedimento de trabalhadores.

O BCP, o modelo de gestão privada, de competência e de brilhantismo na gestão decidiu reestruturar-se para ter ainda mais lucros, lucros que para não colocar problemas de maior ao fisco fará passar pela Madeira, onde escapam aos impostos. A melhor forma de ter mais lucros é reduzir os custos e a forma mais fácil de reduzir os custos é despedindo trabalhadores. Mas como não pode despedir negociou uma indemnização e é aqui que entra o Vítor Gaspar.

Quanto maior fosse a indemnização maior seria o número de funcionários disponíveis para serem despedidos e o Gaspar decidiu acrescentar à indemnização paga pelo banco mais um subsídio mensal a ser pago durante dois anos, isto é, aos meses de indemnização pagos pelo banco pela rescisão voluntária o Gaspar acrescenta doze meses de salários a título de subsídios de desemprego.

Isto é, o amigo Gaspar impõe a todos os trabalhadores um máximo de 12 dias de indemnização por cada ano de trabalho, mas ao pessoal do BCP paga à cabeça 24 meses, qualquer coisa como quase o triplo! Enfim, o Gaspar gosta dos trabalhadores, mas só os dos bancos e quando com a sua ajuda puder poupar a despesa aos seus amigos banqueiros. Até porque é fácil, corta num escalão do IRS, dá aos banqueiros e depois estes dizem dos outros que "ai aguentam, aguentam!".

Grande Gaspar, com tanto frete vai ter um futuro radioso num alto cargo na banca.


  
 Espiral de calculismo
   
«O Expresso noticiara-o já há duas semanas: Cavaco ia promulgar o Orçamento e enviá-lo para o Tribunal Constitucional para fiscalização sucessiva. Mas o PR esperou até ao fim do prazo de promulgação. Para quê o compasso de espera, se a presidência vem de seguida (incrivelmente) esclarecer que não solicitou prioridade ao tribunal para que se não "perdesse mais tempo"? Muito simples: o Presidente gosta de suspenses. E achou que era giro anunciar a fiscalização no discurso de ano novo.
  
E que discurso. Considerando que estamos em "espiral recessiva" (o que, como se sabe, o PM desmente), Cavaco aponta o Orçamento como dela causador, enquanto o reputa de fundamental. Confusos? Vejamos: diz ser necessário equilibrar as contas públicas, mas adverte para o facto de que em 2012 se tornou claro "tender" esse processo "a ser socialmente insustentável". E explica porquê: "A austeridade orçamental conduz à queda da produção" e, portanto, "à obtenção de menor receita fiscal". Como isso torna mais difícil equilibrar as contas públicas, "segue-se", diz o PR, "mais austeridade para alcançar as metas do défice público, o que leva a novas quedas da produção e assim sucessivamente." Ou seja, à austeridade em catadupa de 2012, que arruinou a economia, segue-se austeridade ainda mais brutal de 2013, que só pode dar ainda piores resultados na economia e portanto nas receitas fiscais. "Um círculo vicioso que temos de interromper", conclui Cavaco, corajoso. E que faz ele para isso? Aprova a nova austeridade. E como justifica tal insanidade? Metendo, é claro, os pés pelas mãos, ao recusar a ideia do perdão da dívida, frisando que é preciso honrar os compromissos internacionais (os mesmos que disse não poderem ser honrados com este caminho, porque não há maneira de o fazer com uma economia morta) e recusando a possibilidade de "uma grave crise política".
  
Grave crise política é, depreende-se, o que Cavaco acha que decorreria de um chumbo do Orçamento em fiscalização preventiva (antes da promulgação). Mas um chumbo daqui a três meses é melhor? E é indiferente que um Orçamento que se suspeita ser inconstitucional (mais outro) entre em vigor? Das duas uma: ou Cavaco, apesar de ter pedido a fiscalização de três normas - por acaso duas delas tendo a ver com o corte do subsídio de férias a pensionistas e funcionários públicos, que ele deixara passar, em dobro e sem pedido de fiscalização, no OE 2012 -, aposta no facto de o tribunal não ter coragem para, em março/abril, declarar mais uma vez a inconstitucionalidade de confiscos que "sustentam" o Orçamento; ou perante a inevitabilidade dos pedidos de fiscalização da oposição e prevendo que a execução orçamental vai ser - de novo - um desastre, sabe que a crise política é inevitável mas quer poder dizer que fez tudo para a evitar. E emergir como quem "avisou" - talvez mesmo o salvador. Do resto, que é só Portugal, quer ele lá saber.» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.   

 A mensagem
   
«O Presidente acha que o Orçamento é inconstitucional, mas promulgou-o. Diz que estamos numa espiral recessiva, mas acredita que vamos ter crescimento já este ano.

Garante que não há alternativa a este Memorando, mas quer firmeza na exigência de novas condições. Avisa que não se pode somar uma crise política a uma crise económico-financeira, mas foi isso que ele próprio fez ainda há pouco, em 2011. Palavras para quê? É um Presidente português emaranhado nas suas contradições e no seu calculismo em busca da popularidade perdida.

A mensagem do Presidente é bem pior para _o Governo do que para a oposição, é certo. _A denúncia da "espiral recessiva" atinge entre _os olhos o Ministro das Finanças e contradiz frontalmente a narrativa do Governo, isolando-o cada vez mais. A afirmação de que "sem crescimento económico" os sacrifícios dos portugueses não valerão a pena, equivale a dizer que este Governo, com esta política, não faz sentido. _É uma sangria escusada. Um absurdo em forma de Governo. A oposição, naturalmente, aplaude - o que é que havia de fazer? Mas permito-me insistir na pergunta: é para isto que serve um Presidente?

O raciocínio presidencial, embora tortuoso, _é cristalino nos seus propósitos: o Presidente joga _a maior parte das suas "fichas" no falhanço do Governo (espiral recessiva, ausência de crescimento, falta de firmeza nas negociações com os parceiros europeus...). Se as coisas correrem mal, como tudo indica, aí o teremos, no seu papel preferido, a lembrar: "eu bem avisei!". Mas à cautela, como aquele jogador que já não se pode dar ao luxo de arriscar e perder, guarda ainda as "fichas" bastantes para apostar e capitalizar no cenário oposto (cumprimento do Memorando, crescimento já este ano, sacrifícios premiados, recusa da crise política...). E então dirá que tudo valeu a pena e ele _é que tinha razão em ter esperança. O ano pode ser novo, mas o Presidente é o mesmo.

Curioso é que toda a mensagem do Presidente _se refere ao desempenho do Governo e ao rumo _da governação. É uma escolha. E uma interpretação da função presidencial. Afinal, é sempre mais fácil falar das competências dos outros. Mas é pena que o Presidente não tenha dito rigorosamente nada sobre o exercício das suas próprias competências. Sobre o que fez pelo País no ano que passou. Ou sobre o que se propõe fazer no ano que agora começa. Sobre isso, não lhe ocorreu nada para dizer ao País. O seu tema de sempre é só um: posicionar-se face à governação. E eu torno à minha pergunta: é para isto que serve um Presidente?

Num único caso o Presidente falou das suas competências: para dizer que vai pedir a fiscalização sucessiva da constitucionalidade do Orçamento. Mas nem sobre isso se dispôs a dar explicações cabais. E fez mal, porque o Presidente deve uma explicação aos portugueses. Depois da sua conivência com o facto consumado da inconstitucionalidade do Orçamento de 2012 (que tirou rendimentos a muitas famílias de forma ilícita e injusta), era dever do Presidente justificar, de forma clara e rigorosa, uma nova recusa da fiscalização preventiva e a promulgação de um segundo Orçamento inconstitucional. Mas não o fez. Nem de forma suficiente, nem de forma convincente. Limitou-se a invocar obscuras "consequências negativas", de ordem económica e externa, no caso de o novo Orçamento não entrar em vigor no dia 1 de Janeiro. Mas nada disse sobre as "consequências negativas", de ordem económica e externa, que seguramente ocorrerão se disposições muito relevantes do Orçamento forem declaradas inconstitucionais a meio do ano, numa altura em que a execução orçamental já estará mergulhada em mil e um outros problemas para resolver. E, sobretudo, nada disse aos portugueses atingidos pelo Orçamento sobre uma das consequências possíveis da sua opção pela fiscalização sucessiva, em detrimento da fiscalização preventiva: o risco de mais um corte de rendimentos inconstitucional se tornar num facto consumado. Sobre isso, sim, teria sido útil ouvir o Presidente.» [DE]
   
Autor:
 
Pedro Silva Pereira.
   
  
     
 Tirar a barriguinha de misérias
   
«A instituição liderada por Guilherme d’Oliveira Martins critica ainda a falta de transparência no que toca aos orçamentos dos gabinetes ministeriais, pedindo ao Governo para melhorar este aspecto. "A inexistência de um tecto máximo para a despesa dos gabinetes e a manutenção da sua opacidade revelam que persistem anomalias, situação que deve ser ultrapassada em nome do rigor e da transparência orçamental", refere o relatório.

No mesmo capítulo da transparência, o Tribunal de Contas salienta que “não constam critérios sobre a atribuição de regalias, como o cartão de crédito, uso de viatura e despesas do telefone”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Esta gente chega ao governo e não resistem a tirar a barriguinha de misérias à custa dos contribuintes.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «»
      
 Pobre Alberto da Ponte
   
«O presidente da RTP, Alberto da Ponte, afirmou ontem à redacção da televisão e rádio públicas que a decisão sobre o futuro da RTP será conhecida no dia 10, mas o Público avança esta sexta-feira que o gabinete de Miguel Relvas garantiu que “quem decide a agenda do Conselho de Ministros não é o presidente da RTP”, não se comprometendo com prazos.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Anda a beber muitas Sagres?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Agurde-se por um gesto de dignidade do presidente da RTP.»
   
 Santana faz o frete
   
«O provedor da Santa Casa da Misericórdia, Pedro Santana Lopes, considera, a propósito da mensagem de Ano Novo do Presidente da República e pedido de fiscalização sucessiva do Orçamento do Estado de 2013, que Cavaco Silva se “encostou à oposição”, prática que diz ser recorrente nos segundos mandatos dos chefes de Estado. O responsável frisou ainda, no programa ‘Política Hoje’, da TVI24’, “que não há nenhum país do mundo com divergências entre Governo e chefe de Estado".» [Notícias ao Minuto]

«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, pediu aos membros do Governo e aos elementos do PSD para que guardassem silêncio quanto ao pedido de fiscalização sucessiva ao Tribunal Constitucional por parte do Presidente da República. Com isto o líder do Executivo pretende atenuar tensões e evitar conflitos institucionais, avança a edição desta sexta-feira do semanário Sol, até porque teme um cenário de ingovernabilidade caso o Palácio de Ratton chumbe o Orçamento do Estado para 2013.» [Notícias ao Minuto]

«O PSD está a preparar a argumentação que sustente a constitucionalidade das três normas do Orçamento do Estado para 2013 que estão a ser fiscalizadas pelo TC, adianta hoje o DE.

O jornal diz saber que o texto com a argumentação está a ser preparado para ser enviado para o Palácio Ratton, como defesa às dúvidas levantadas por Cavaco Silva e pela oposição quanto à constitucionalidade das três normas, mas, de acordo com o DE, ainda falta o aval do primeiro-ministro Passos Coelho, que estará a ponderar se, politicamente, o texto pode ser entendido como uma pressão sobre os juízes do Tribunal Constitucional. » [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Começou o ataque a Cavaco.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
   
 E não há uma espiral de recessão?
   
«As compras feitas com cartão Multibanco caíram 8,5% no mês de Dezembro, face ao período homólogo de 2011, cifrando-se num total de 75 milhões de operações.

Globalmente foram gastos 2,908 mil milhões de euros em compras, um decréscimo de 267 milhões de euros no montante total movimentado em dezembro de 2012 na rede multibanco, uma redução de cerca de 5% face a igual período em 2011, informa também a SIBS.

No caso dos levantamentos, contudo, o número de operações apresentou um aumento residual (0,3%), mas o montante levantado reduziu em -2,2% e o valor médio reduziu em -2,6%.» [DE]
   
Parecer:
 
Não, não há.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se os parabéns ao Gasparoika.»
   
 Lobo Xavier já fala como conselheiro do governo
   
«O centrista António Lobo Xavier, que foi empossado, na quinta-feira, presidente da Comissão para a Reforma do IRC, defendeu-se das críticas de que foi alvo, nomeadamente por parte do Bloco de Esquerda, argumentando que o seu trabalho “será julgado de uma forma ampla” e “discutido em sede própria”. No programa ‘Quadratura do Círculo’, da SIC Notícias, o responsável aconselhou ainda o Governo a ter um “plano B” face ao Orçamento do Estado para 2013.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Digamos que o governo lançou uma OPA à Quadratura do Círculo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Passos quanto estaria a pagar se o Pacheco Pereira estivesse à venda.»
   
 Só agora?
   
«Os funcionários públicos terão este ano cortes progressivos no subsídio de férias para salários entre os 600 e os 1100 euros, limiar a partir do qual o subsídio é suspenso na totalidade. O ano passado, os cortes foram aplicados aos dois subsídios para todos os funcionários públicos, mas os trabalhadores no ativo do Banco de Portugal não foram atingidos.
  
A possibilidade de o banco central suspender os subsídios de férias dos seus trabalhadores foi incluída no Orçamento do Estado para 2013, através de uma norma específica.
  
De acordo com a lei do Orçamento do Estado para 2013, o Banco de Portugal pode "decidir, em alternativa a medidas de efeito equivalente já decididas, suspender o pagamento do subsídio de férias ou quaisquer prestações correspondentes ao 13.º mês aos seus trabalhadores durante o ano de 2013".» [DN]
   
Parecer:
 
A verdade é que o senhor Costa gosta muito de apoiar a austeridade aos outros e resistiu enquanto lhe foi possível a que ele e os seus continuem a ganhar fortunas à custa do país ficando de fora de toda e qualquer medida de austeridade.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao senhor Costa se vai aplicar o OE ou se vai consultar primeiro o BCE.»
   
 Pobre Álvaro
   
«O ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira, confirmou hoje que vai negociar com a 'troika' um período de transição na convergência para os 12 dias de indemnização por despedimento.

"O que temos falado com os parceiros sociais e terá de ser falado com a 'troika' é haver um período de transição, em que durante a fase inicial o valor das indemnizações num contrato de trabalho seja mais elevado e depois possa baixar para os 12 dias" disse aos jornalistas.» [DN]
   
Parecer:
 
Primeiro é cilindrado no governo pelo Gaspar que o cala e propõe o corte para doze dias e à bruta, agora que o Gaspar percebeu que seria derrotado nas ruas manda o Álvaro dar a cara, negociar e consertar a concertação social.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Álvaro quando é que tem coragem de mandar o Gaspar à bardamerkel.»
   

    
O ano de 2013 visto pelo pensamento positivo
 
Na revista Sábado e no Abrupto, de José Pacheco Pereira:
   
«O ano de 2013 vai ser o ano da viragem que dará razão ao Governo e às folhas de Excel. No fundo, sabemos todos que a Microsoft não teria um software tão famoso, se ele não funcionasse. Ao lado do Excel, as previsões da oposição são feitas com as cartas do Tarot e vendo os programas da Maya. 

Dizem que as coisas estão muito mal, mas não estão tão mal como isso. Vejam os manifestantes do 15 de Setembro. São contra o governo? Não, foram contra a TSU, um “erro de comunicação” identificado pelo professor Marcelo e rapidamente corrigido. Para além disso, os mesmos manifestantes são contra as greves e contra os funcionários públicos. Estão os pobres urbanos a favor da revolução? Enganam-se, já os viram a falar contra a greve dos transportes quando as televisões os procuram nas estações? Por eles, acabava o direito á greve já amanhã, juntando-se a Ferraz da Costa numa diatribe sobre o excesso de indisciplina nas empresas públicas e a libertinagem permitida pela Constituição. O Salazar é que os punha na ordem. 

Estão os jovens indignados? Estão, estão, contra aqueles que por tornarem “rígido” o “mercado do emprego”, ocupam os empregos enquanto eles são “precários”. Vejam lá se eles vão às manifestações da CGTP? Não vão, porque eles leem blogues, e sabem que os sindicalistas querem continuar a ser “sanguessugas” dos nossos impostos, a ganhar sem trabalhar. Para além disso, os jovens sabem muito bem que o estado não vai garantir-lhes as reformas no futuro e, por isso, para que é que têm que estar a pagar hoje as reformas milionárias acima dos 1300 euros? Os velhos que se cuidem, porque estão a prejudicar os mais novos, como disse o senhor Primeiro-ministro aos jovens da JSD, cheios de confiança nos seus “projectos de futuro” e de carreira. No fundo, sabem que são os “seus” que estão no poder. 

Há gente zangada nos restaurantes, nos professores, nos trabalhadores das diversões, nos polícias, nos médicos, nas forças armadas? Não se iludam, são apenas grupos corporativos que estão a perder os privilégios que tinham e a ter que pagar impostos que nunca pagaram. Aliás, são os poderosos que mais estão contra este governo. É o lóbi dos restaurantes que não quer passar facturas, todos representantes de um sector sem interesse para a economia exportadora que queremos construir. Militares? Isso são os restos do PREC e um anacronismo que é preciso corrigir. Já acabamos com o Serviço Militar Obrigatório, agora para que é que são precisas as forças armadas a não ser como uma polícia “pesada” anti-motim? São como os juízes do Tribunal Constitucional, um grupo que julga em causa própria, para defender as suas chorudas reformas, mesmo que para isso tenha que matar a economia. Aliás os verdadeiros inimigos do governo são gente sem valor que se habituou toda a vida a viver do estado e que está apenas a defender a sua reforma atacando vilmente este corajoso governo. Não é Bagão Félix? 

 Falam contra os bancos e acusam o governo de lhes dar tudo o que pode? Esquerdismo à Louçã, porque a saúde do sistema financeiro é fundamental para a nossa economia e os bancos fazem a sua parte. Há quem coloque o dinheiro no estrangeiro e em offshores? É apenas a natural expressão do receio que tiveram com a bancarrota de Sócrates, a quem apoiaram apenas por engano. No fundo estão a comportar-se racionalmente como deve fazer o grande capital. E a verdade é que, à medida que os seus nomes aparecem no “Monte Branco”, portam-se como devem e pagam os seus impostos. Não é muito, mas eles percebem bem como este governo está ao serviço dos “interesses da economia”, que são também os seus. Tudo gente patriótica. 

Só uns intriguistas é que podem dizer que o governo não cumpre contractos com os trabalhadores, ao mesmo tempo que é mole com os offshores e respeitador dos contratos blindados das PPPs. É verdade que muitos dos seus autores, - da blindagem,- estão no governo ou trabalham para o governo nas grandes firmas de advogados e consultadoria, mas isso é porque são competentes e confiáveis. Foram-no antes e são-no hoje. O que é que queriam, que o governo os colocasse á margem, com tudo o que eles sabem e podem? Intrigas e inveja. 

2013 vai ser o ano do pensamento positivo, vai mostrar que o optimismo é a melhor atitude a ter na vida. Há crise, sim senhor, mas nós aguentamos. Os portugueses no meio de grandes dificuldades em ajustar-se vão cortar no supérfluo, deixar de comer bifes, lavar só metade dos dentes, e ir ao hospital quando já estão de maca. No fim, vamos chegar vivos. Vamos aguentar. Vamos continuara a dar mostras de civismo e das qualidades de paciência que tornaram o “bom povo português” um exemplo que a Europa segue com carinho e inveja. Na Europa, também tudo está mudar. O país e Vítor Gaspar tem um prestígio incalculável, que é o melhor asset para Portugal. Ele é a Merkel, o Schauble, o Draghi, o Trichet a debitarem elogios e a aprenderem muito connosco. Não cumprir o défice deixou de ser muito importante. Vamos fazer duas ou três emissões com sucesso em 2013, pequenas, a vários prazos, prudentes, e depois os alemães vão colocar-nos a mão por baixo e defender-nos dos mercados, porque com esse sucesso, já podemos ser apoiados pelo BCE. Foi o que nos prometeram, para podermos apresentar a saída da troika como um grande trunfo político. Esperemos que resulte. O resto não interessa, mesmo que isto não seja bem voltar aos mercados, mas só a cabeça negra da oposição dirá isso. E não me venham com tretas sobre a sustentabilidade, porque sustentáveis só temos que ser até ao “que se lixem as eleições”. Depois a culpa passa outra vez para o PS. 

Com a saída da troika o governo pode aparecer aos olhos dos eleitores como tendo cumprido o memorando “que outros assinaram”, e, retomado a “soberania” nacional, que “outros perderam”. É verdade que continuamos a ser obrigados a fazer a mesma política mesmo sem a troika, mas deixam-nos uma pequena folga para haver eleições sem ser em estado de calamidade. A troika zela pelos seus e o Pacto Orçamental está lá sempre para por na ordem as tentações keynesianas. Para além disso, como disse Passos Coelho, os números vão ser ter baixos que alguma vez têm que subir.

Vamos continuar a confiar nos dois partidos corajosos que nos vão retirar da bancarrota para onde nos atirou o Sócrates. Vejam a inteligência de Portas, a teimosia convicção de Passos Coelho, a tenacidade de Relvas contra a campanha miserável que lhe fazem, o saber profundo de Vítor Gaspar, a lealdade daqueles deputados que, contra ventos e marés, votam tudo o que é preciso, a fidelidade quase canina dos propagandistas, bloguistas amigos, também assessores, também a trabalhar com os gabinetes nas agências de comunicação e imagem, um serviço muito importante para não haver “falhas de comunicação”. E se as há, é porque não contratam os serviços que deviam, os especialistas nessa arte de “persuasão” que as almas danadas da oposição chamam de manipulação. 

 Eles sim são homens de princípios. E se estão surpreendidos pelo “canino” na fidelidade, é porque desprezam o melhor amigo do homem, ali, a dar a dar, e que ladra e morde quando é preciso. Fazem-nos muita falta neste tempo de crise, em que, aparentemente solitários, os homens que nos governam, têm consigo a maioria silenciosa dos melhores portugueses e os seus cães. Pensamento positivo, que o pior já passou.

 MAS, HÁ UM PEQUENO PROBLEMA…

É que não acredito numa linha do que está escrito antes.»
     
   
   
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sexta-feira, janeiro 04, 2013

O petroleiro


Um dos maiores erros dos nossos políticos é pensarem que se consegue inverter os ciclos da economia com bitaites, os ministros tendem a pensar que são pessoas muito importantes que banqueiros e investidores ouvem com grande ansiedade. A verdade é que um Passos Coelho não é uma Merkel, talvez seja um Bardamerkel, um grande primeiro-ministro atrai grandes investidores, um pequeno primeiro-ministro recebe telefonemas de pequenos banqueiros a meterem cunhas para serem envolvidos de negócios onde se recebem comissões.
  
De nada vale a Gaspar prometer crescimento no segundo semestre de 2013, ele sabe muito bem que não havia qualquer relação entre o aumento das exportações e o seu ajustamento brutal, que o aumento forçado da poupança não se traduz em investimento e que os investidores não confundem salários competitivos com escravos à beira de uma revolta. Este ano será tão mau ou pior do que 2014, a dívida soberana continuará a crescer de forma exponencial, a gangrena no tecido económico não sarará, o desemprego continuará a aumentar, o aumento das taxas de IRS não se traduzirá num aumento equivalente na receita fiscal, o défice continuará fora de controlo.
  
Portugal tem um governo em que os portugueses não acreditam, tem um primeiro-ministro sem habilitações ou capacidade para o desempenho do cargo, tem um ministro das Finanças que falhou e não admite os seus erros, tem uma coligação presa por arames e, como se tudo isto fosse pouco, tem um Presidente da República que todos querem ver pelas costas. Nestas condições só um investidor louco aposta.
  
Veja-se quem apostou nas privatizações portuguesas, o Partido Comunista da China, um investidor sul americano de quem se diz que se esqueceu de apresentar garantias e uma empresa que tem um aeroporto no Camboja. Diz-se que há um problema de financiamento da economia portuguesa, mas é pior do que isso, esse é um problema de financiamento da tesouraria, para além disso não há investimento, de vez em quando faz-se uma inauguraçãozita mas isso são sobras do José Sócrates a que o Paulo Portas gota de comparecer para exibir os brilhantes resultados da sua diplomacia económica.
  
A economia portuguesa é um petroleiro que os timoneiros malucos deste governo aceleraram em direcção ao cais e agora tentam inverter a marcha soprando para a proa. Gente irresponsável tem conduzido uma economia como se isto fosse um bote e agora percebem que o curso dos acontecimentos é irreversível. Passos Coelho disse que se estava lixando para as eleições e estava mesmo, estava-se lixando para as eleições, para o país e para os portugueses, colocou a economia portuguesa numa trajectória de desgraça que agora não conseguirá inverter.
  
Bem podem alterar o código do IRC financiando a descida este imposto com o IRS com com propinas no ensino básico, tal como já quiseram financiar a TSU à custa dos trabalhadores. Levarão uns meses para concluir os trabalhos do grupo de trabalho, mais uns meses para corrigir os excessos propostos pelo representante do patronato (que vai propor que o IRC deixe de ser um imposto para passar a ser um subsídio financiado pela refundação do Estado), mais uns tempos para que se aprove e só depois o Paulo Portas em o Miguel Relvas vão gastar uns milhões em viagens para fazerem a tal diplomacia económica. Mesmo que tudo corra bem um investimento resultante deste novo código produzirá o primeiro parafuso daqui por uns cinco anos, muito depois de o Passos Coelho ter regressado ao conforto das empresas do Ângelo Correia.
  
O petroleiro vai bater mesmo no cais e afundar-se, na ponte estão dois artistas, o Passos e o Gaspar, que fazem lembrar Francesco Schettino, o comandante do Costa Concordia, e a sua namorada romena, o primeiro perdeu-se de amores pelo segundo e Portugal naufragou.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
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Azulejos de Eduardo Nery, Campo Grande, Lisboa
   
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 
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Espantalho [A. Cabral]   

Jumento do dia
  
Durão Barroso
 
Durão Barroso tem um problema de bipolaridade, à frente da Comissão em Bruxelas é mais duro que os duros, os seus comisários quase defendem que os portugueses sejam chicoteados, e os representantes da Comissão e do BCE roçam o neo-nazismo económico. QUando vem a Portugal o presidente da Comissão quase parece o presidente de uma ONG dedicada a combater a pobreza.
 
Estamos perante um caso grave de cobardia, interessado num futuro político em Portugal o ainda presidente da Comissão tenta ilibar-se de responsabilidades e ignora o discurso canalha da sua Comissão.
 
«O presidente da Comissão Europeia defendeu hoje em Lisboa "sensatez nas decisões e na maneira de as comunicar" como fator essencial para o sucesso dos programas de ajustamento, que requerem condições políticas e sociais de sustentabilidade". E disse que em Portugal se vive uma situação de "verdadeira emergência social".» [DN]
   
 Cavaco e o nadador-salvador
 
Cavaco Silva faz lembrar um nadador-salvador que deixa que o afogado morra para que depois seja mais fácil salvá-lo. Cavaco mandou o OE para o TC, disse cobras e lagartos da política económica que lhe está subjacente, mas quer certificar-se de que essa política incompetente que critique seja viabilizada, para isso não só evitou o veto político ou pedir a fiscalização preventiva, como nem se deu ao trabalho de solicitar prioridade ao TC:
  
É óbvio que Cavaco não quer impedir que o OE seja aplicado e quer que o acórdão do TC sirva para deitar para o lixo sendo produzido quase sob chantagem institucional, é também óbvio que Cavaco quer que o país entre na espiral de recessão, no conflito social e na crise política grave, tal como o nadador que acha mais fácil salvar um morto, Cavaco também acha que aparece mais facilmente como salvador da pátria quando o governo cair em desgraça e o país estiver à beira do colapso.
 
 O BANIF

Será que a direita que tanto criticou a supervisão bancária no caso do BPN e a decisão do nacionalizar está certa do que está fazendo no BANIF?


  
 O abismo de Gaspar é a nossa desgraça
   
«No último Conselho de Ministros aconteceu isto. Vítor Gaspar disse que a lei que fixa as indemnizações laborais deve ser revista já, imediatamente e a correr (reduzida de 20 para 12 dias por cada ano de trabalho), porque foi isso que o País acordou com a troika. Ele, que é ministro das Finanças, fez o que já se espera dele: está cá como fiscal e, portanto, fiscaliza, zela, obriga, dobra, insiste, força, cumpre, não pensa, executa. Cegamente.
  
A seguir veio Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia, isto é, o ministro responsável pelas coisas que crescem ou talvez um dia possam crescer. Disse o Álvaro: a lei tem de ser mudada, sim, mas aprovemos um regime transitório: baixamos para 18 dias agora e, daqui a cinco anos, chegamos aos tais 12 dias, até porque os efeitos económicos imediatos são poucos. Razoável este ministro. Afinal, a lei das indemnizações é recente, foi negociada a custo com a UGT.
  
Portanto, as contas eram estas: havia uma lei que tornava demasiado caros os despedimentos, o que favorecia os mais velhos com emprego e deixava de fora os mais novos e recentes a chegar ao mercado de trabalho. Mudou-se então a lei para dar oxigénio a uma estrutura ossificada que não incentivava o mérito e, paradoxalmente, estimulara o aparecimento de recibos verdes por todo a lado. Era uma má lei não apenas por comparação a outros países da União Europeia, mas porque os resultados eram desastrosos: quem estava no quadro tinha muito (apesar do recurso crescente aos despedimentos coletivos), quem estava fora não tinha nada. Era aqui que estávamos até ao acordo com a UGT que, aliás, implicou outras alterações.
  
Volto agora ao tal Conselho de Ministros. Gaspar está impossível, irredutível, não deixa ninguém falar. Exige o cumprimento incondicional do acordo com a troika. "Temos de mudar a lei e já! Não há alternativa! Qual é a parte que não percebeu, sr. ministro Álvaro?!" Estou a inventar este diálogo. Gaspar não disse nada disto; ou se disse eu não sei. O que sei, e os factos ontem confirmaram, é que Passos, depois de ouvir os ministros das Finanças e da Economia, optou por ser árbitro, embora daqueles que viciam o jogo. Não decidiu o que fazer, como lhe competia: inscreveu no diploma os 12 dias que Gaspar exigia e chutou a proposta de lei para o Parlamento. No entanto, não há disfarce possível. Se os deputados do PSD e do CDS aprovarem esta mudança, estarão a violar o acordo do Governo com a UGT e a matar o diálogo com o único sindicato que ainda aceita negociar. A ser assim, será a radicalização do debate em troca de nada. O ministro das Finanças foi longe demais. Não é ministro, é uma ravina política, é um abismo fiscal.» [DN]
   
Autor:
 
André Macedo.   
   
  
     
 Marques Guedes ridículo
   
«O secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros afirmou hoje que o Governo continua empenhado em alcançar o maior consenso possível sobre as compensações por despedimento, que inclua os parceiros sociais e a 'troika'.

Em conferência de imprensa, no final do Conselho de Ministros, Luís Marques Guedes alegou que "não houve nenhum consenso em concertação social" sobre esta matéria e que foi "precisamente por não ter sido possível atingir-se um consenso até ao final do ano que o Governo teve de apresentar na Assembleia da República a proposta que cumpre a orientação que está nos compromissos dos memorandos" quanto à redução das compensações por despedimento.» [DN]
   
Parecer:
 
Dizer que se vai negociar com os parceiros sociais uma lei enviada para o parlamento sem qualquer negociação prévia é pensar que os parceiros sociais são deputados. É óbvio que o governo percebeu o erro que cometeu, abusou da prepotência de Gaspar e só agora reparou que está num beco sem saída.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
      
 Contribuintes ajudam BCP a despedir
   
«O BCP já recebeu do Ministério da Economia o estatuto de "empresa em reestruturação", o que permitirá à totalidade dos 600 trabalhadores que saírem do banco através de rescisões amigáveis aceder ao subsídio de desemprego.
  
A informação foi prestada à Lusa por fonte oficial do gabinete do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, que acrescentou que o banco foi informado da decisão no final de Dezembro.

A decisão do secretário de Estado do Emprego, Pedro Martins, foi tomada depois de auscultadas várias entidades (IAPMEI - Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação, Instituto da Segurança Social e parceiros sociais), que deram pareceres favoráveis, disse a mesma fonte.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:
 
Compreende-se a razão porque o presidente do BCP tem sido um firme apoiante das políticas brutais do Gaspar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Boicote-se o BCP.»
   

   
   
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