sábado, janeiro 12, 2013

Uma merda


Um dos aspectos mais ofensivos do estudo do FMI é que até ofende a dignidade dos portugueses, como é possível que uma organização internacional como FMI tenha apresentado aquela merda? Sim, merda, porque um falso estudo sem qualquer fundamento, sem rigor e sem inteligência é isso mesmo, é uma merda. Sejamos honestos, aquele estudo do FMI não tem qualquer seriedade e a senhora Lagarde devia chegar ali ao Hotel Ritz e mandar aqueles idiotas todos para casa.
 
Como é possível que um país da União Europeia seja tratado com tanta leviandade? Sugere-se o despedimento de uma boa parte da Função Pública com o falso argumento de que há gente a mais, defende-se a privatização das escolas, propõem-se barbaridades atrás de barbaridades. Será que os responsáveis do FMI em Portugal ainda não perceberam quão imbecis são os seus interlocutores locais? Ainda não perceberam que estão dando cobertura a um projecto de extrema-direita concebido em discotecas entre shots e apalpões nas gajas?
 
Se alguma vez tivesse apresentado aquele estudo à minha professora de Política Económica corria um sério risco de neste momento ser, pelo menos, secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, senão mesmo ministro. Teria levando um chumbo tão redondo e vergonhoso que só me restaria juntar os papéis e ir solicitar uma equivalência à Lusíada para depois me inscrever na JSD e mais tarde ir gerir uma das empresas do Ângelo Correia.
 
Durante muitos anos a imagem do FMI esteve associada às personagens da Escola de Chicago, mas goste-se ou não do Milton Friedman o senhor foi um dos maiores economistas do século XX, ou do sistema capitalista para sermos mais rigorosos. Goste-se ou não das suas ideias tinham fundamento, estavam estudadas, eram opções credíveis e tecnicamente bem fundamentadas.
 
Depois da passagem do FMI por Portugal, com economistas cinzentos e paspalhos como o Salassie o FMI arrisca-se a passar a ser associado à Escola da Lusófona, o estudo que apresentou sobre um país europeu da EU tem tanta seriedade ou credibilidade como tem o diploma do Miguel Relvas, as suas propostas têm tanto rigor intelectual como as bojardices do Passos Coelho e as suas conclusões valem tanto cientificamente como as do engenheiro Trocos.
  
Parece que o FMI está a passar um mau bocado, há tempos um director passou um mau bocado porque se perdeu de desejos por fornicar a criada negra do hotel, agora parece que é um tal Salassie que quer fazer a todo um país o que o director queria fazer à criada de Nova Iorque.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
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"Eles andaram aí", Quartel General da Região Militar de Lisboa
Largo de São Sebastião da Pedreira
   
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Forno comunitário, aldeia do Juncal [A. Cabral]   

Jumento do dia
   
Passos Coelho
 
Passos Coelho diz que o relatório está muito bem feito mas não é a mesma. Isso significa que quem e stá a rezar a missa nesta pobre paróquia é um mero sacristão e que em vez de usar a Bíblia optou por propor o seu catecismo de imbecilidades ao um FMI de idiotas que se dispuseram a fazer o frete e ainda deverão ter cobrado generosamente pelo brilhante serviço.

Isto começa mesmo a parecer-se com o Corno de África.
 
«O primeiro-ministro considerou nesta sexta-feira que o relatório do FMI sobre cortes na despesa "está muito bem feito", subscrevendo as palavras do secretário de Estado Carlos Moedas, mas afirmou que ele não é "a Bíblia do Governo".» [CM]
   
 Um governo duvidoso
 
Partidos honestos teriam feito as suas propostas durante a campanha eleitoral não ocultando as suas intenções dos eleitores como fizeram os partidos bandalhos do PSD e do CDS. Um governo honesto teria explicado as circunstâncias que o levaram a ser brutalmente troikista, assumindo, se fosse caso disso, as suas responsabilidades.
  
Mas estamos perante gente pouco honesta e ainda menos frontal, é óbvio que conduziram o país para um beco para mais facilmente imporem a sua agenda de extrema-direita e na hora de a assumir optaram por pedir um frete aos bananas do FMI que adoram estar instalados no Ritz a viver à grande e à francesa à custa dos papalvos para quem sugerem a escravatura como solução.
  
Como se explica o silêncio de Vítor Gaspar que optou por mandar para a frente um pau mandado de Passos Coelho, enquanto se reguardava da opinião pública, não assumindo a paternidade da ideia, do projecto político de um Estado Novo e do documento.
  
Isto ainda vai acabar muito mal.
 

  
 No fundo do fundo
   
«Há semanas, os media portugueses juravam que nunca mais um acrónimo internacional sonante e cartões de visita de "consultor" os fariam propagar balelas. Assim, quando por exemplo o diretor do Jornal de Negócios divulga um relatório do FMI e o qualifica de "análise correta", em sintonia com as direções de outros jornais económicos, é de acreditar.
  
Pena que o documento esteja cheio de propostas inconstitucionais - desde quando é que é "correto" infringir a lei? -, de falsificações grosseiras da realidade (diz que o atual governo "melhorou a avaliação dos professores"), de afirmações risíveis pela sua total descontextualização (como a de que Portugal apresenta nos últimos 30 anos um dos mais elevados incrementos de despesa na saúde das economias avançadas - o Serviço Nacional de Saúde foi criado em 1979, estúpidos), assim como de contradições e conclusões abusivas e infundamentadas.
  
O DN de ontem iniciou o levantamento de erros e distorções, sobretudo na área da educação; no i demonstrou-se o ridículo de dizer que o sistema de pensões deve ser alterado para incrementar o envelhecimento ativo - somos o país da UE com mais idosos acima dos 65 que trabalham, 14,4% contra 4,8% de média -; o próprio Negócios desmontou a ideia de que as prestações sociais beneficiam sobretudo os mais abonados. Mas há muito mais: o FMI reconhece estar o gasto em subsídio de desemprego abaixo do da generalidade da UE e que não se deve, num momento de crise severa, mexer nos apoios sociais no fito exclusivo da poupança; a seguir propõe passar o subsídio, ao fim de 10 meses de desemprego, para 400 e poucos euros. Objetivo? Cortar "de 300 a 600 milhões".
Pior: na página 62, calcula-se a poupança resultante da preconizada generalização dos contratos de associação (baseada na asserção, "justificada" com resultados do PISA de há uma década e a não consubstanciada melhor performance das escolas privadas com contrato de associação, de que o sistema público é ineficiente) em 580 milhões de euros. Como? Citando o relatório do Tribunal de Contas que estima ser cada aluno em escolas com contratos de associação mais barato 400 euros que nos estabelecimentos públicos, e multiplicando esse valor pelo 1,5 milhão de estudantes portugueses de todos os graus de ensino abaixo da universidade. Num tocante acesso de honestidade, o FMI reconhece em rodapé que um outro estudo - encomendado por este governo - calcula a diferença em apenas 50 euros; mas escusa-se a justificar a escolha da verba mais alta, como a reparar que o TC reconhece estarem as suas conclusões desatualizadas (devido aos cortes efetuados desde 2010). Quanto ao facto de o outro estudo dizer que cada turma dos 2º e 3º ciclos no público custa menos 15 mil euros que em contrato de associação, nem vê-lo.
  
Ideologia travestida de parecer técnico, diz-se. Também, claro. Mas sobretudo incompetência e desonestidade. De quem o fez, de quem o avaliza e de quem o não denuncia.» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.   

 Enquanto nos apanham distraídos
   
«Um pouco de noticiário internacional, desta semana. Os rebeldes radicais islâmicos passaram a linha divisória de metade do Mali e avançam para a capital, Bamaco. Por seu lado, os rebeldes islâmicos da República Centro-Africana avançam sobre a capital, Bangui. O Mali é um país maioritariamente muçulmano, a 90 por cento, onde a tendência é, portanto, os radicais substituírem os moderados. A República Centro-Africana é um país cristão, a 80 por cento, onde a tendência é, portanto, os muçulmanos (dez por cento) substituírem os cristãos. O Mali é o país-chave da África Ocidental, a República Centro-Africana é o último país não muçulmano antes de o crescente atingir o coração de África, o Congo-Kinshasa. A tendência geral nesta região é, pois, da afirmação islâmica e, dentro desta, da supremacia dos radicais sobre os moderados. Isto preocupa a Europa? Preocupa, ela apoia a ONU, que vai mandar tropas para o Mali. Em setembro. Querem apostar quem chega primeiro a Bamaco, a ONU ou os barbudos do deserto?... Desculpem estar-vos a distrair das reações dos mercados às dívidas soberanas. Quem não acordou e até se embalou com a primavera árabe (quer dizer: o fim do único país do Magrebe decente a respeitar as mulheres, Tunísia; e a entrega do Egito aos fascistas muçulmanos), deve marimbar-se para este desastre de África. Europa política, nada. Europa de negócios, bem: a Alemanha ultrapassou a França em venda de armas. Parabéns à prima.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
   
  
     
 Isto está a ficar feio
   
«"Há dois relatórios do FMI que são contraditórios. Quer dizer, há uma semana eles fazem um ‘mea culpa' e dizem que se enganam" nos cálculos para estimar o impacto da austeridade, e depois permitem a divulgação de um documento a defender mais medidas, referiu à Lusa o deputado europeu, em Limassol, Chipre, à margem de uma cimeira do Partido Popular Europeu, do qual é vice-presidente.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Ninguém se entende na maioria.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
      
 A OCDE não faz fretes?
   
«A OCDE ainda não recebeu qualquer pedido do Governo para estudar o Estado português e avançar com sugestões de reforma. Segundo apurou o Negócios, mesmo que o pedido seja realizado nos próximos dias, o relatório já não chegará a tempo da discussão com a troika, agendada para Fevereiro.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:
 
É muito pouco provável que a OCDE se prestasse a golpadas destas e é isso que justifica a opção de Gaspar. Este golpe baixo e pouco credível foi mais do que combinado entre o Gaspar, o Moedas e o Salassie.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
     

   
   
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sexta-feira, janeiro 11, 2013

Quem são os culpados?


O que o governo enterrou em quatro bancos corresponde ao que cortou em subsídios durante dez anos e a uma parte substancial do aumento da dívida soberana durante esta legislatura, mais de dez mil milhões de euros. Referimo-nos ao BPN, BANIF, BCP e BPI, bancos geridos por gente muito querida do actual regime, que ainda passa reveillons com ministros em hotéis de Luxo no Rio de Janeiro, que ao longo de mais de duas décadas foram apresentados como gestores modelos, exemplo das grandiosas reformas liberais de Cavaco Silva e que durante décadas ludibriaram o país escapando-se ao pagamento de impostos graças a governantes corruptos que lhes fizeram todos os favores.
 
São os pensionistas os responsáveis pela insustentabilidade da dívida soberana, são os funcionários públicos que ganharam demais e levaram a banca à falência, foram os subsídios que impediram os bancos de financiar a economia? É evidente que não, o país está a ser enganado e o povo a ser sujeito a sacrifícios que não constavam no memorando para que um governo ultra direitista use os recursos nacionais para proteger e ajudar os seus a voltar a enriquecer.
 
Pouco importa se há gente a ficar no desemprego, quem fique sem casa onde viver ou quem não tome os medicamentos de que necessita, os accionistas do BCP, do BPI ou do BANIF são cidadãos de primeira que não podem ser sujeitos a qualquer sacrifício e muito menos assumir as consequências da sua incompetência ou oportunismo à frente dos bancos. Com o falso argumento de que os bancos não podem falir estão usando os recursos nacionais em seu favor, ao mesmo tempo que investem nas suas agências de comunicação para comprarem a opinião pública. Os sacrificados não só estão a pagar os seus lucros, como ainda pagam a propaganda usada para serem ludibriados.
 
Foram os professores que decidiram atirar a economia portuguesa contra uma parede e adoptar uma política fiscal incompetente da qual resultou uma perda de mais de 4.000 milhões de euros em receitas fiscais, precisamente o montante que agora querem poupar destruindo de forma arbitrária três décadas de progresso social? É despedindo 50.000 professores que aumenta a qualificação dos portugueses, um dos grandes obstáculos à nossa competitividade? É despedindo 120.000 funcionários que os nossos empresários ficam competitivos, competentes e inteligentes de um dia para o outro?
 
Não era o ajustamento português que estava a correr às mil maravilhas e era diariamente elogiado pelos três bananas da troika que vieram para Portugal comer à nossa custa em hotéis de cinco estrelas, instalando funcionarecos aposentados que andam armados em experts do FMI no Ritz? Não era Portugal que estava muito melhor do que a Grécia? Os rapazolas da troika não previram, tal como o Gaspar, que no segundo semestre de 2012 já haveria criação de emprego e crescimento económico?
 
O povo português é o culpado da incompetência do governo, dos três bananas da troika e dos falsos experts do FMI?

Umas no cravo e outras na ferradura


 
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Preparando o truque, Rua Augusta, Lisboa
   
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Quotidiano [A. Cabral] 

Jumento do dia
   
Fernando Seara, "prostituto" autárquico (?)
 
Os lisboetas ficaram a saber que Fernando Seara está disponível para lhes fazer o especial favor de se candidatar à autarquia da capital mas a confirmação aguarda a conclusão de um negócio em que o candidato vende a sua pessoa para que o PSD o use em Lisboa e, em contrapartida, receberá um tacho se perder as eleições. Isto é, com este negócio Seara tem assegurada a sua venda, o PSD tem o prazer de o usar e ele em troca recebe um benefício.

Estamos perante um negócio que difere muito pouco do negócio de uma prostituta. A prostituta vende o corpo e Seara vende a imagem, a prostituta vende a sua arte de dar prazer e embalar o cliente enquanto Seara vende a sua arte de embalar os eleitores, a prostituta vende o jeito para enganar o cliente fazendo de conta que fornica enquanto Seara engana o eleitor dizendo que está muito empenhado em gerir a capital, a prostituta recebe dinheiro e o Seara recebe uma forma de receber dinheiro.
 
A capital do país merecia mais do que uma "prostituta" autárquica.
 
«Fernando Seara está dado como certo no PSD como candidato a Lisboa para defrontar o socialista António Costa, apurou o Diário Económico. A direcção social democrata há muito que assumiu ser o actual autarca de Sintra o candidato preferido para entrar na corrida contra o ex-ministro e peso-pesado do PS, mas Seara ainda não assumiu publicamente porque tem mantido conversas com dirigentes do partido (incluíndo Passos) para obter contrapartidas.
   
Sem querer confirmar o nome de Seara, o  vice-presidente do PSD e coordenador autárquico Pedro Pinto reconheceu ontem ao Diário Económico que a candidatura a Lisboa "fica fechada formalmente este mês" com a aprovação pela direcção do partido. Pedro Pinto deixa assim implícito que o nome está decidido. Outras fontes social democratas confirmaram ser Fernando Seara, que negociou contrapartidas para o caso de sair derrotado nas eleições autárquicas deste ano. O autarca de Sintra dá a cara pela candidatura a Lisboa, um ‘duelo' que o PSD sabe ser difícil, e recebe em troca a garantia de que, no caso de derrota, terá outro caminho político à sua espera, como, por exemplo, um lugar no Parlamento Europeu.» [DE]
   
 120.000? Porque não aí uns 235.439 ou 235.440?
 
Um relatório que sugere o despedimento de 120.000 funcionários públicos só pode ser da responsabilidade de um incompetente, o imperador Salassie está mesmo convencido de que é um senhor da guerra e que Portugal fica no Corno de África. Alguém tem de dar uma lição de geografia a este rapaz que está mesmo convencido de que o único economista que por cá anda é ele próprio.
 
 Um governo de doidos

Um governo que encomenda um frete ao FMI, que parece ter combinado com o Salassie o que queria que constasse no relatório e depois estraga tudo mandando uma cópia do coiso para o Jornal de Negócios só pode ser um governo formado por doidos varridos, gente irresponsável que parece andar a brincar com um país.

 Apocalipse Agora ... Portugal

 
 O coiso do FMI

O suposto relatório do FMI revela uma qualidade de análise que se situa muitos pontos abaixo das análises do Artur, o famoso especialista da ONU, chamar a isto um relatório é abusivo, o suposto relatório é um coiso que assinala o momento de maior incompetência, imbecilidade e má-fé de uma organização financeira internacional. DO FMI esperava-se mais rigor, melhor qualidade e maior exigência no recrutamento dos técnicos que contrata para usarem a sua chancela.
 
 O que é feito do Gaspar
  
O verdadeiro autor do coiso do FMI nem aparece a dar a cara.

De que serve ter um ministro com tanto poder se lhe falta a coragem para propor as suas soluções, inventando desvios colossais e encomendando relatórios para as impingir sem assumir as responsabilidades?

 O senhor O'Connors

A última vez que este rapazola da Comissão foi para fazer chantagem sobre os portugueses, dizia que ou aceitavam o golpe da TSU ou não vinha mais dinheiro. Depois desapareceu. Agora regressou para apoiar o relatório do FMI. Enfim, a Comissão Europeia tem um porta-voz de serviço para fretes e golpes sujos, é o homem do comissário dos Assuntos Monetários, gente das relações pessoais do Vítor Gaspar.


  
 'You've got mail': despedido
   
«O relatório, o documento, a coisa que o FMI produziu sobre a refun- dação do Estado, o restyling, o corte, barba, cabelo e total body waxing à função pública (virilhas incluídas), foi conhecido ontem através do Jornal de Negócios. Eu sei que vivemos tempos de gravidade zero - o Governo levita, esbraceja, não tem os pés na terra, está tudo de pernas para o ar -, ainda assim o alarido político provocado pela notícia justificou-se por inteiro. Talvez até tenha sido curto, o alarido. Então o relatório do FMI é conhecido assim, como se fosse um meteorito que aterra (o que digo?), que rebenta sem aviso no meio do Rossio? Alô Governo, está alguém aí aos comandos?!
  
Faço aqui uma declaração de interesses: eu queria, desejava que o Governo se aguentasse, não caísse, pudesse aproveitar a extraordinária queda dos juros dos títulos da dívida pública (6,3% a dez anos) para ganhar tempo. Talvez a recuperação económica, a milagrosa inversão do ciclo, pudesse acontecer na segunda metade de 2013 - pronto: em 2014 -, nem que fosse timidamente, ridiculamente, lentamente, como diria Gaspar. Nem que fosse de geração espontânea. Era isso. Mas para isso era preciso tempo.
  
Num país onde os governos duram em média dois anos e meio e só um sobreviveu duas legislaturas completas (o de Cavaco), a crise deveria, poderia levar-nos a perceber que os governos em Portugal não se renovam, capitulam, depois de deixar tudo pior do que encontraram. A estabilidade política não é tudo, é até pouco, mas hoje esse pouco, a estabilidade, é certamente alguma coisa, nem que fosse para que não desperdiçássemos os três anos de penúria a que temos sido sujeitos.
  
Mas agora aparece o relatório do FMI e eu hesito. Isto é como a administração de uma empresa pedir um estudo a uma consultora e o dito relatório aparecer nas caixas de correio de todos os empregados. You got mail: está despedido! Downsizing, sinergias, economias de escala, outsourcing. Está lá tudo. Para 50 mil professores, milhares de polícias e outros funcionários públicos é isso que ficaram a saber: rua. Os pensionistas também foram informados que vão perder talvez 20% das pensões. Em inglês. O prime-minister talvez lhe chame discussão séria, eu chamo-lhe incompetência. A primeira palavra oficial a ouvir-se sobre este tema tinha de ser de Passos. Só podia ser de Passos. Os estudos seriam conhecidos em anexo, não seria o Governo a converter-se num anexo do FMI.

Agora temos pela frente dois meses em que o documento será fuzilado - até sem razão, embora tenha defeitos e preconceitos - num ambiente radicalizado. É dos livros: as reformas do Estado social nunca resultam em ambientes hostis. É isso que temos: brutalidade. Passos abdicou de fazer política, faz guerrilha, esconde-se atrás do FMI. Com as pontes queimadas, aposta apenas no laço negativo (o medo) que ainda cola o País. É pouco, não é nada. Apenas Seguro lhe garante o lugar.» [DN]
   
Autor:
 
André Macedo.   

 Brincar aos governos
   
«Talvez a pergunta mais importante que se deva colocar relativamente ao relatório do Fundo Monetário Internacional sobre o Estado português, intitulado “Rethinking the State. Selected Expenditure Reform Options”, ontem divulgado, seja a de saber como é que a direcção do Fundo se permite fazer um papel destes. Uma pergunta secundária, sendo mais comum, é a de perceber por que é que o governo português se dá ao trabalho de montar este tipo de esquemas.
  
A política económica e financeira do governo é há muito marcada pela iniciativa do ministro das Finanças, cujo poder está na directa proporção da falta de conhecimento dos seus colegas de governo sobre a economia portuguesa na actual crise. Ora, acontece que Vítor Gaspar, depois de ter entrado no País como o técnico exímio que iria marcar a diferença e tudo mudar, com a sua “contracção expansionista”, isto é com a ideia de que as economias devem ser apertadas para depois crescerem, e a sua “profunda reforma estrutural”, revelou-se uma desilusão para muitos e muitos dos antigos apoiantes, dentro e fora dos partidos de governo, têm vindo a abandonar o barco.
 
Entre as instituições que, aparentemente, se afastaram de algumas opções governativas, conta-se a Comissão Europeia (embora não necessariamente o seu Presidente, Durão Barroso). Será por isso que o relatório agora lançado à opinião pública sobre o Estado seja da autoria exclusiva do FMI e não tenha a assinatura dos restantes membros da troika. Bem sei que o que aqui se diz especulativo, mas é também legítimo. De qualquer forma, temos uma acção isolada, o que facilita a sua análise.
 
O Fundo Monetário Internacional foi criado para gerir as finanças internacionais, permitindo salvar países com dificuldades nas suas contas externas, mas com potencial para as ultrapassar. Tal papel tem sido fundamental, uma vez que a economia internacional é necessariamente pautada por desequilíbrios decorrentes do mau funcionamento dos mercados financeiros ou de problemas de crescimento económico, que têm de ser corrigidos. Sem o FMI, as crises financeiras levariam à saída dos países afectados do circuito económico internacional e isso deve a todo o custo ser evitado.
 
Acontece que os empréstimos concedidos pelo FMI têm de ser acompanhados por medidas de condicionalidade, isto é, por medidas que vigiem os governos ajudados. São essas medidas que permitem que os juros sejam mais baixo pois diminuem o risco dos empréstimos. Esse princípio é fundamental: nunca poderia ser de outro modo. Todavia, o FMI tem para mostrar, nesta matéria, resultados muito negativos, por uma razão acima de todas as outras, que é a de que as suas intervenções são maioritariamente feitas em países menos desenvolvidos, o que significa que juntam a inexperiência dos técnicos do Fundo à incapacidade política dos países sob intervenção. Recorrentemente surgiram caldeirões de políticas pouco recomendáveis, em muitos casos com o apoio de governos ditatoriais. De notar que países como a Argentina ou, mais recentemente, o Brasil, se foram libertando desse círculo vicioso, à medida que as respectivas instituições políticas nacionais ganharam maturidade. A alternativa ao FMI nem sempre é brilhante, mas também nem sempre é pior.
 
O Fundo Monetário Internacional conhece bem os problemas do passado e vive num momento de reflexão que levará a alguma transformação. Mas está a levar demasiado tempo, o que não abona seguramente a eficiência da organização – porventura seria bom que concentrassem alguma da atenção que destinam aos países à sua própria reforma.
 
A presente crise internacional e, em particular, a enorme disfunção da zona euro, levou o FMI a entrar em contacto com economias mais desenvolvidas, como é o caso de Portugal, da Irlanda ou da Grécia. Até à crise internacional de 1973, tal não tinha acontecido pois o sistema de Bretton Woods, de que o FMI faz parte, funcionou relativamente bem com as economias mais avançadas. Na década de 1970, algumas intervenções do Fundo foram feitas junto de países desenvolvidos, como a Grã-Bretanha, mas foram intervenções episódicas.
 
Quando chegaram a Portugal, os técnicos do FMI, se não se precaveram, foram seguramente surpreendidos com a qualidade das instituições nacionais, e com o nível de conhecimento das matérias, mas não se fizeram rogados: utilizaram aquilo que havia para fazerem o seu trabalho. Note-se que o enquadramento institucional do Fundo pode não ser o mais apropriado, mas que depois os seus funcionários no terreno têm certamente qualidades para se adaptarem. Só que aqui apareceu outro problema, que foi o de o Fundo, juntamente com as instituições a que se associou, nomeadamente, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia, passar a desempenhar o papel de porta-voz de interesses nacionais. É certo que os interesses assim veiculados são aqueles que têm pontos em comum com os dos credores, mas não deixam de ser interesses próprios. Foi por isso, para citar apenas um exemplo, seguramente um dos mais importantes, que as privatizações apareceram no memorando português mas não no irlandês.
 
Em contacto com um país desenvolvido, como Portugal, os técnicos do FMI acabaram por fazer o papel de caixa-de-ressonância das ambições nacionais ou, melhor dizendo, das ambições dos grupos com que dialogaram. Aquando da realização do Memorando de 2011, esse facto foi evidente, mas não tão grave, uma vez que o Fundo teve a companhia das outras instituições da troika, e um leque mais alargado de interlocutores, no governo e na oposição.
 
No relatório aqui em análise, o FMI teve como interlocutor exclusivo o governo português, ao seu mais alto nível, que lhe deu um objectivo concreto, à partida, a saber, um corte para sempre de 4 mil milhões de euros nas despesas do Estado (sem sermos informados como esse valor foi calculado).
 
Tendo esse propósito como base, o que o relatório faz é estabelecer comparações de médias de despesas em vários itens, sem se preocupar com a fidedignidade dessas médias e das comparações, para depois concluir sobre “cortes”. Trata-se de um trabalho preliminar, de amplo espectro e sem profundidade. Para dar um exemplo relevante, o relatório contém um quadro em que se comparam os salários médios da função pública de vários países com os respectivos níveis de PIB per capita, mas não tem em consideração diferenças de qualificações entre o público e o privado. Todavia, num país que só na actual geração atingiu o pleno da escolaridade obrigatória, como Portugal, a função pública, com os seus médicos, juízes, professores e enfermeiros, tem um nível de escolaridade acima da média da população nacional, ao contrário do que acontece nos países com três ou mais gerações de literacia plena. Um azar, para os “peritos”.
 
O caderno de encargos implícito no relatório do FMI não se traduziu apenas na definição do montante a cortar, mas também, objectivamente, no leque de matérias em que as comparações são feitas. O Estado português tem outras despesas que não as sociais relacionadas com pensões, saúde, educação e segurança, mas o relatório passa totalmente ao lado disso. E nada diz sobre o impacto do corte de 4 mil milhões no produto nacional e, por essa via, nas receitas futuras do Estado. Num relatório que se quer completo, a ausência de tanta coisa importante só pode estar associada ao caderno de encargos.
 
Em conclusão, e respondendo às questões com que começámos, que um governo fraco use um esquema destes para fazer agenda e impor uma política, ainda se compreende. O que não se compreende de modo nenhum é que o FMI entre num jogo assim. Não admira que a Comissão Europeia não tenha entrado nele – embora nada garante que não o venha a fazer, pressionada pela Alemanha ou por Durão Barroso.
 
É duro ter de falar assim de instituições com pergaminhos. Mas é também necessário quando são capturadas por interesses que nada interessam ao progresso das nações e da Europa.» [i]
   
Autor:
 
Pedro Lains.
   
  
     
 Até tu Junkers?
   
«O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, afirmou hoje, em Bruxelas, que gostaria que fosse feito um reajustamento nas condições orçamentais e financeiras que acompanham o programa de ajustamento português.

"Propus, no caso de Portugal, um reajustamento no que toca às condições financeiras e orçamentais que acompanham o ajustamento", afirmou Jean-Claude Juncker, na comissão de Assuntos Económicos do Parlamento Europeu, em resposta a uma questão colocada pela eurodeputada socialista Elisa Ferreira.» [DN]
   
Parecer:
 
Pois, mas o nosso Gaspar não quer nem mais tempo, nem mais dinheiro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
      
 A anedota do dia
   
«No relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado ontem, a organização sublinha que parte da dificuldade do uso do sistema de mobilidade especial da função pública (quadro de excedentários) reside no "complexo modelo de avaliação" que este implica.
   
Assim, sugere que, para agilizar o quadro de excedentários, poderia ser introduzido um sistema de "exames nacionais online para os funcionários públicos que consiga gerar critérios objectivos para escolher os trabalhadores a integrar na mobilidade especial."» [DE]
   
Parecer:
 
Será que o FMI fez exames aos fedelhos e pensionistas que contratou para trabalharem em Portugal? Parece que nãpo, para se ser especialista do FMI em Portugal basta saber que dois e dois são quatro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao imperador Salassie que em vez de propor exames aos funcionários que os proponha para os ministros e comece pelo Gaspar, para não referir o Coelho que até o exame da carta deve ter tido dificuldades em fazer.»
   
 Agora percebe-se o que é ir além da troika
   
«O secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros afirmou hoje que terá de haver uma redução de pessoal no Estado. Questionado sobre o que acontecerá às cerca de 100 mil pessoas que o FMI recomenda que devem abandonar o funcionalismo público, Marques Guedes diz, em conferência de imprensa após o Conselho de Ministros, não ter "uma varinha mágica nem uma bola de cristal para responder a essa pergunta". Acrescentando, no entanto, que "a redução de pessoal tem sempre de ser feita através da saída de pessoas do Estado". "Se lhe chamamos despedimento, rescisão por mútuo acordo, ou outra coisa qualquer, é apenas uma questão de linguagem", realça o secretário de Estado.

O responsável explica que a "questão aqui não é saber se vale a pena fazer, o país tem de fazê-lo, e não é por causa dos compromissos assumidos com a troika, é pela sustentabilidade do sistema. Agora temos é de encontrar a forma menos dolorosa de o fazer".

"Contudo, o importante é reduzir encargos com pessoal e que essa redução, do número de funcionários e dos encargos com pessoal estava já prevista no programa do Governo, tendo sido também um compromisso assumido no memorando de entendimento assinado com a troika".» [DE]
   
Parecer:
 
O PSD sempre defendeu o despedimento colectivo de 150.000.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Derrubem-se os incompetentes.»
   
 A ida da PSP à RTP foi um abuso policial
   
«O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, já tem em mãos o parecer da Procuradoria-geral da República sobre o caso RTP. Os procuradores dizem que as polícias, e neste caso específico, a PSP, não podem solicitar às estações de televisão imagens não editadas ou transmitidas para usarem em investigações criminais.» [Expresso]
   
Parecer:
 
Isso era óbvio, o ministro só pediu o parecer para transformar um abuso grosseiro de que ele próprio teria de assumir as responsabilidades numa dúvida jurídica.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Processem-se os responsáveis pelo crime cometido pela polícia.»
   
 Marco desmarcado para Gaia
   
«Marco António Costa, o secretário de Estado da Segurança Social que era dado como candidato pelo PSD à câmara de Gaia, não vai avançar. A decisão ficou hoje fechada, após uma conversa entre Marco António Costa, Passos Coelho, Jorge Moreira da Silva, responsável pela preparação das autárquicas, e Luís Filipe Menezes, presidente do PSD-Gaia.

"Esta decisão resulta de conversas entre vários responsáveis políticos e de eu ter sido sensível às preocupações manifestadas pelo senhor primeiro-ministroe e por pessoas ligadas ao sector social, que me fazem subjugar a minha vontade pessoal  ao sentido de dever nacional a que estou obrigado", afirmou Marco António Costa ao Expresso.

Luís Filipe Menezes, o atual presidente da Câmara de Gaia e candidato ao Porto, viu nas últimas semanas a Provedoria de Justiça pôr em causa a legalidade da candidatura de "dinossauros" a outras câmaras. O risco destas candidaturas (a de Menezes é apenas uma delas) acabarem em tribunal está a suscitar preocupação no PSD. » [Expresso]
   
Parecer:
 
Pobre Marco, terá de continuar subalterno do Lambretas, algo muito pior do que ir para vereador sem pelouro.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Até tu Carreiras?
   
«O presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, pediu ontem a demissão do secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro. O social-democrata não gostou de ouvir o governante elogiar o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) em que os técnicos propõem ao governo medidas para cortar na despesa pública e quer que Carlos Moedas abandone o executivo.
  
“Um membro de um qualquer governo que tem a ‘inteligência’ de produzir uma afirmação desta natureza, perante um relatório com este teor, só pode ter uma atitude – abandonar as funções governativas, deixar a política e assumir que aspira a ser consultor técnico”, escreveu Carlos Carreiras no Facebook ao lincar uma notícia que dava conta das declarações de Carlos Moedas ontem à tarde sobre o relatório do FMI. As palavras do presidente da Câmara de Cascais, que é também presidente do Instituto Francisco Sá Carneiro, ficam-se pela rede social. Contactado pelo i sobre o conteúdo do desabafo do Facebook, Carlos Carreiras preferiu não acrescentar mais comentários.» [i]
   
Parecer:
 
Pobre Moedinhas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demita-se essa gorjeta governamental.»
   
 A anedota do dia
   
«A presidente da Assembleia da República afirmou hoje esperar que a 10º comissão de inquérito ao caso Camarate seja tão eficiente que possa ser a derradeira e declarou que nunca é tarde para conhecer a verdade.

"Que esta comissão seja tão eficiente que não precise que outras lhe sucedam e também afirmando um princípio de base que a todos é comum, que nunca é tarde demais para conhecer a verdade dos factos", afirmou Assunção Esteves.» [i]
   
Parecer:
 
A senhora será arqueóloga?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   

   
   
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