sábado, março 30, 2013

É melhor deixarem o governo como está!


Os políticos da oposição, os jornalistas e os opinion maker ainda não perceberam que o país é governado por loucos. Quem manda no governo é um louco e quem pensa e faz que manda é um imbecil que obedece cegamente ao louco. Não admira, portanto, que haja por aí tanta gente a querer a remodelação do governo, o CDS aproveita e alarga a sua influência, o louco fanático livra-se dos ministros que supostamente ajudam a ridicularizar o seu projecto e até o presidente pode dizer que faz mais qualquer coisinha do que interpretar as expressões do gado bovino nacional.
  
A verdade é que num governo onde os ministros se distinguem por diferentes graduações de incompetência os ministros Álvaro e Miguel Relvas são os menos maus. Dizer que o Relvas sai porque é um falso licenciado é ignorar que para as grandes universidades americanas as licenciaturas da maioria dos membros deste governo quase nem provam que não são analfabetos. Dizer a um professor de Harvard que um dos ideólogos económicos deste governo, um ta Moedas, é um engenheiro civil com um MBA e alguma experiência bancária levaria o pobre homem a pensar que estaríamos contando uma anedota.
 
Tanto quanto se sabe o único sucesso deste governo foi a concertação social que pelo menos até há algumas semanas atrás era um dos louros do sôr Álvaro, aliás, não há alto responsável europeu ou dessa coisa chamada troika (que soa mais a truca truca do que a economia) que não refira a concertação social como um dos grandes trunfos daquilo a que insistem em chamar ajustamento. O acordo de concertação social só foi retirado do currículo do sôr Álvaro quando o Cavaco sentiu necessidade de dizer que fazia alguma coisa pelo país quando não está no estábulo estudando o gado. Agora dizem por aí que devemos o acordo de concertação ao Cavaco, aliás, o país ficou a saber que há um velhote com 70 anos a trabalhar doze horas por dia e ainda tem que se deitar às tantas para ouvir o que o Sócrates diz dele.
 
A substiuição do Relvas é uma perda irreparável, se agora o Miguel Relvas dava um toque de rigor a um governo canalha, com a sua saída deixaremos de ter com que brincar. Não podemos embirrar com os tiques do Portas porque está sempre nos antípodas, o Passos não passa de um Coelho com moléstia, é raro o ministro que aparece em público e se quisermos ouvir o Gaspar falar temos de ir a Washington ou a Bona.
 
Queixarmo-nos da licenciatura do Relvas é o mesmo que reclamarmos porque o canário que comprámos é coxo, nem votaram no PSD para Relvas ser professor, nem se compram canários para dançar. Sejamos honestos, o Miguel Relvas é competente e se alguém tem dúvidas compare o comportamento da comunicação social em relação a este governo com o que se assistiu no tempo de Sócrates, os nossos jornalistas parecem ter sofrido uma mutação genética, o Relvas transformou-os de pitbulls em caniches. Tirem o Relvas do governo e vão perceber como esta mutação é reversível, é o Relvas que tem os cordelinhos da comunicação social na mão.
 
Sempre que se pede uma mudança a este governo o Gaspar aproveita para piorar as coisas. O Tribunal Constitucional considerou inconstitucional o corte nos subsídios e o Gaspar vingou-se com a TSU. O melhor povo do mundo rejeitou o esquema da TSU  e o Gaspar decidiu um aumento brutal do IRS. Como o aumento dos impostos foi um falhanço vamos ficar com um Estado digno da idade da pedra. Sempre que os portugueses conseguem impor o que quer que seja a este governo de louco o resultado é desastroso. Vão ver, o Gaspar ainda mete um gorila do Zoo de Lisboa nos Assuntos Parlamentares e um dos seus discípulos de sacristia na Economia. 

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Igreja de São Nicolau, Lisboa
     
Jumento do dia
  
Paulo Portas
 
Se é verdade que Paulo Portas estava a negociar uma remodelação com Passos Coelho o seu comportamento na reunião do CDS é grave e significa que o país vive uma crise política que está sendo ocultado pelos responsáveis dos dois partidos da coligação. Começa a ser evidente que Passos Coelho e Paulo portas não querem assumir a responsabilidade nem pela crise, nem pela incompetência e aguardam a oportunidade para atribuir a terceiros a culpa pela crise.

Os juízes do Tribunal Constitucional são sérios candidatos a encobrir a incompetência do primeiro-ministro, o cinismo do seu número 3 e a desgraça em que meteram a economia portuguesa.
 
«Paulo Portas e Pedro Passos Coelho já debateram, há uma semana, a remodelação no Governo, mas sem planos de demissões. A discussão entre os dois líderes dos partidos da maioria teve como temas centrais os cenários políticos caso o Tribunal Constitucional trave algumas normas do orçamento do Estado, mas ambos mostraram-se dispostos a não provocar uma crise política.
  
O semanário adianta que a intenção dos dois políticos é aproveitar o prolongamento das maturidades da dívida portuguesa para abrir um novo ciclo que deverá incluir uma remodelação no Governo, há muito defendida por Portas.

Miguel Relvas e Álvaro Santos Pereira são os dois nomes mais mencionados pelos centristas para a remodelação, e Passos Coelho admite uma possibilidade de mudança. Quanto ao ministro das Finanças, o primeiro-ministro já afirmou que não quer abdicar de Vítor Gaspar e o próprio CDS admite que deve permanecer até a troika abandonar o País.» [Notícias ao Minuto]
 
 O ciumento

A que verdades se refere um Pedro Santana Lopes que parece um misto de ciumento e de ressabiado?

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 A sugestão do dia

Que se adopte uma lei que estabeleça mínimos de QI exigíveis para o desempenho do cargo de primeiro-ministro a fim de impedir que um qualquer imbecil possa ser eleito para o cargo.


  
 Obviamente
   
«Houve um tempo em que um Governo enviar pareceres de juristas ao Tribunal Constitucional era, para o PSD, "uma violenta e desproporcionada pressão". Houve um tempo em que deputados sociais-democratas viam, mesmo em opiniões encomendadas a juristas como Lobo Xavier e Saldanha Sanches, inaceitáveis manobras para condicionar o TC - dizia-o, imagine-se quem?, Miguel Relvas, em dezembro de 2006, a propósito do pedido de fiscalização da constitucionali- dade da Lei das Finanças Locais e de cinco pareceres enviados pelo Governo socialista ao palácio Ratton.
  
Ah, mudam-se os tempos. E mudam-se de tal modo que seis anos depois tivemos um Orçamento do Estado inconstitucional "de papel passado" e um Governo a achar normal mantê-lo e a seguir reforçar a dose, como quem vê que é mole e portanto carrega. Ou seja: o TC deu - por via da bizarra suspensão do efeito da declaração de inconstitucionalidade quanto ao corte dos subsídios a funcionários públicos e pensionistas, na prática uma suspensão da Constituição - aquilo que se chama "uma abébia" a Passos e Gaspar, e eles, em vez de agradecer e pedir desculpa pelo erro, agiram como se fosse uma licença para infringir a lei fundamental, para a ignorar, para dela escarnecer - e do TC.
  
O escárnio chegou a tal ponto que uma deputada do PSD afirma que o TC "está vinculado ao memorando" enquanto Passos exige "responsabilidade" aos juízes, soprando aos jornais que se o TC chumbar o Orçamento se demite (que desgraça, deus, como sobreviveremos?). Um PM que tomou medidas que toda a gente - a começar pelo Presidente da República, que aliás o disse mesmo antes da apresentação do OE 2012, para a seguir nada fazer - sabia que eram inconstitucionais, e portanto violou com toda a consciência a lei fundamental, esbulhando dois mil milhões de euros a centenas de milhares de cidadãos em nome do desígnio sagrado do controlo do défice (que ficou SÓ dois pontos percentuais acima do fixado), acha-se em condições de dar lições de responsabilidade. E logo aos juízes da mais alta instância da nação.
  
Fá-lo, claro, porque não parece haver margem para que o TC não declare inconstitucionais normas do OE 2013. Mas pode o TC de novo suspender a Constituição, permitindo ao Governo, mais uma vez, safar-se, à gargalhada, com o roubo? Ou, perante a ameaça da "crise política", declarar inconstitucionais apenas uma ou outra das normas menos "dispendiosas", permitindo que outras igualmente abusivas passem?
  
É certo que os juízes devem ser superiores a tudo, mesmo à justa fúria que as afirmações do PM lhes causarão. Mas só há uma instituição por cujo regular funcionamento lhes cabe zelar - a sua própria - , como garante último do respeito pela lei fundamental (e pelo regime democrático, portanto). Serem responsáveis é cumprirem o seu mandato - sobretudo quando os outros irresponsável e vergonhosamente desrespeitam os deles. Façam o que têm a fazer. Ou demitam-se.» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.   

 Sócrates, os outros e ele próprio
   
«Então, Sócrates voltou. Vou zurzi-lo. Um ex-primeiro-ministro de Portugal não dá explicações sobre como pode ir estudar dois anos para Paris. Parolos podem parolar sobre isso, mas gente da classe média que já teve filhos a estudar durante cinco anos em Paris sabe que isso é honestamente possível. Não se explica tal a um Octávio Ribeiro, diretor do CM, que insiste há meses com esse tema. Olha-se-lhe é para a cara dele e à pergunta que nela vem estampada ("E V. Exa toma mais alguma coisinha?") e responde-se: "Não, só a conta." E não se lhe deixa a gorjeta de uma explicação numa entrevista com jornalistas decentes. Tirando esse deslize, Sócrates foi moderado, criticou no PR falhas de solidariedade institucional. Ora com Cavaco um animal feroz levantaria outra coisa: aquele que é hoje o Presidente de Portugal ganhou de um banco, num ano, mais do dobro do que lá tinha depositado - e, depois de ter sido provado que o banco era de bandidos, não devolveu as mais-valias. Essa é a questão-chave, porque reconhecida e aceite, do desconforto dos portugueses com os seus políticos. Já com os chefes do Governo e da oposição, Sócrates limitou-se a mostrar, em contraexemplo, que Passos tem sido uma cucurbitácea, lá fora, e Seguro, um banana, cá dentro. Daí as minhas críticas por ele ir para essa coisa falsa que é político comentador político. Um político assim deveria ir ao congresso do seu partido e lutar pelo seu lugar.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
   
  
     
 Soares mudou de opinião
   
«José Sócrates respondeu com “inteligência e muita paciência”: Foi assim que Mário Soares classificou a entrevista do ex-primeiro-ministro à RTP. Entrevista essa que o fez dar “a mão à palmatória”, acabando por ficar a favor do regresso de Sócrates, naquele que pode ser o mês decisivo para o Governo.

Mário Soares admitiu ter sido “absolutamente contra” o regresso do ex-líder socialista à cena política, mas a forma como Sócrates encarou a entrevista fez com que mudasse de de ideias: “telefonei-lhe mal acabou a entrevista e disse-lhe isso mesmo”, confessou Soares ao Expresso.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Até o Relvas deve ter  mudado, se soubesse o que sabe hoje teria demitido o director de informação da RTP.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Relvas se depois do que viu também vai a Paris pedir uma equiparação da sua licenciatura em ciência política.»
      
 A melhor análise
   
«"Cerca de 50 por cento do tempo da entrevista foi para atacar o Presidente da República. Estou convencido que alguém está interessado em chamar José Sócrates a Portugal para usá-lo a atacar o Presidente da República. Só quem é tolinho é que não vê que há ali um propósito claro de fazê-lo vir para atacar o Presidente da República, em nome de Cavaco Silva não pactuar com certas coisas seja de que governo for", opinou Jardim.» [DN]
   
Parecer:
 
Ver o Alberto João dizer que alguém foi buscar o Sócrates para atacar o seu velho amigo Silva é de rir até às lágrimas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   
 O homem estudou mesmo
   
«Segundo a mesma fonte, haverá "novidades em breve" sobre a regularidade da equivalência da licenciatura em Ciência Política do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, atribuída pela Universidade Lusófona.

O jornal Expresso afirma hoje que a Universidade Lusófona entregou a 18 de Janeiro à Inspecção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) a reanálise de todas as licenciaturas atribuídas com recursos a créditos, incluindo a do ministro Miguel Relvas.

Em relação à legislação relativa à atribuição de créditos por via da experiência profissional, a mesma fonte do ministério da Educação também confirmou que esta está em curso e que também haverá "novidades em breve".

No verão do ano passado, o ministro da Educação, Nuno Crato, pediu à Inspecção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) para investigar as dúvidas que se levantaram sobre a licenciatura em Ciência Política do ministro Miguel Relvas, que a completou num ano com equivalências a 32 das 36 cadeiras do curso por via da experiência profissional, adianta o Expresso.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Não deixa de ser curioso que num momento em que tanto se fala da remodelação do "doutor" o ministério implodido venha informar que vão haver novidades sobre o assunto, isto é, o ministério noticia que vão haver notícias sobre algo que já deixou de ser notícia para ser anedota. Mais um sinal do adiantado estado de decomposição de um governo reconhecidamente incompetente  enquanto o país se afunda e milhares de professores receiam o despedimento o ministro está mais preocupado com a imagem de uma personagem como Miguel Relvas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se o espectáculo dado pela protecção de Crato a Miguel Relvas.»
   

   
   
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sexta-feira, março 29, 2013

A direita e a comunicação


A direita portuguesa tem uma relação estranha relação com o conceito de comunicação, quando um dos seus é imbecil e incompetente em vez de o dizerem optam por alertá-lo para um problema na comunicação, o imbecil faz tudo bem mas como não o sabe comunicar os portugueses não entendem as benfeitorias que tem feito. Se alguém de esquerda é competente ou o parece a direita não questiona essa competência com factos e argumentos, ignora tudo isso e desvaloriza-o elogiando-o por ser um grande comunicador que prepara muito bem as suas intervenções.
  
Conclusão, os políticos de direita são brilhantes e competentes mas como não sabem comunicar até aprecem imbecis e incompetentes, em compensação os políticos de esquerda são imbecis e incompetentes mas porque são bons comunicadores até parecem brilhantes e incompetentes.

É por isso que os portugueses não percebem como é bom o desemprego estar quase nos 20% o que abriu a tantos portugueses um mundo de oportunidades, os funcionários públicos não percebem como o governo lhes está preparando uma oportunidade única na vida, os  empresários que fecham  o seu pequeno comércio ainda não viram que o governo os está empurrando para o imenso mercado mundial.
  
Quando se corta nos custos da saúde e os portugueses protestam é porque o governo não soube explicar que quanto menos se trata um doente mais depressa ele morre e menor é o sofrimento. S o Gaspar aumentou o IVA nos produtos alimentares foi porque estava preocupado com as gorduras do povo, com a obesidade, ele é o especialista no corte das gorduras, corta nas gorduras do estado despedindo professores e nas gorduras do povo cortando-lhes na alimentação, mas é um incompreendido e ninguém lhe agradece. Se o Miguel mandou os polícias bater nos jornalistas estava preocupado com o seu bem-estar, queria que o pessoal quebrassem com o mau hábito da sedentariedade, pediu aos polícias um esforço adicional para forçar os jornalistas a correrem, a praticarem exercício físico.
  
Veja-se o caso de Cavaco Silva, para ele um presidente serve para comunicar, excepto quando aproveita o estatuto presidencial para se sentir um peregrino com o privilégio de se extasiar, ele mais a dona Maria, com o papa. A comunicação em Cavaco tem sempre dois momentos, num primeiro momento diz e mais tarde diz que disse, ele comunica em circuito fechado, comunica para ele próprio e conhecendo bem as sua fraquezas previne-se dizendo agora o que daqui a uns tempos lhe dá jeito dizer que já disse. A única excepção a esta regra foi quando o seu adjunto comunicou ao Público que o Sócrates conhecia todas as comunicações domésticas dos Silvas, o que prova que Sócrates além de ser coiso ainda é voyeur. 

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Mértola
   

Jumento do dia

Cavaco Silva, presidente da República
 
As acusações que Sócrates fez a Cavaco Silva enquanto Presidente da República foram graves e não foram insinuações, foram acusações objectivas, directas e claras. No caso da acusação de conspiração dirigida à Casa Civil da Presidência da República Sócrates foi ainda mais longe, essa acusação roça mesmo a acusação de crime.

Perante tais acusações alguém que nada teme ou deve ou respondia frontalmente ou ignorava, em circunstância alguma fazia relatório do que tem feito ou considerava tais acusações como intriga. Cavaco dificilmente se pode assumir como Presidente da República, não é um Presidente de todos os protugueses e o seu valor não resulta da sua imagem mas sim da imagem deixada pelos seus antecessores. O Presidente da República continuará a deter o cargo, mas para uma boa parte dos portugueses tem menos importância do que o presidente da junta de freguesia.
 
Cavaco não está à altura do cargo que desempenha.
 Inveja da Alemanha ou vergonha de ser alemão?
 
Inveja dos alemães?
 

Ou vergonha de ser alemão?

 
O ministro das Finanças boche enganou-se, em vez de afirmar que os europeus têm inveja dos alemães devia ter dito que ainda sente vergonha de ser alemão pois tem muitos mais motivos para isso do que para qualquer pobre europeu ter inveja dele. Este senhor ainda não entendeu o significado da palavra dignidade.


 Sair do euro, fugir do IV Reich

É cada vez mais evidente que sair do euro deve deixar de ser um receio para passar a ser um dever de soberania, não se pode trocar a independência nacional por uma qualquer zona de conforto onde o bem-estar é conseguido obedecendo à Alemanha.

 Que tristeza de partido
 
O melhor que o governo do Gaspar arranjou para responder às críticas de Sócrates foi uma pequena aldrabice numérica e mandaram um tal Menezes filho do outro de Gaia para se meter em bicos de pés e dizer as baboseiras encomendadas. Terá sido culpa do eucalipto? Este PSD secou mesmo.


  
 Os reféns do euro 
   
«Logo no início da Grande Depressão, lembro-me de ouvir dizer que não éramos gregos, nem os nossos bancos eram como os irlandeses, nem éramos espanhóis ou italianos - cada um com neuroses fáceis de rotular. Agora não somos certamente cipriotas ou sequer malteses, outros infernos fiscais à espera que o martelo bata. Na verdade, somos cada vez menos portugueses. A nossa nacionalidade foi penhorada.
   
Tenho um feeling de que, perante tanto desespero e raiva, haja cada vez mais gente por aqui que gostaria de ser outra coisa qualquer noutro sítio qualquer. Não preciso apontar país nenhum em concreto para onde estas pessoas gostariam de fugir. Mas sei que as pessoas e as empresas desses países com rating AAA têm hoje um valor facial - não um valor intrínseco - maior do que a subespécie cipriota ou grega. Somos lixo, não é?, embora eles (sempre eles) sejam piores. Que alívio...
  
A tragédia destas últimas semanas é essa: tornou-se claro que a ideia política que ainda move a moeda única já não é isolar o risco financeiro - a falência de um banco qualquer - do risco soberano, protegendo todos os 17 países. Esse grande objetivo europeu passou para segundo plano. O impulso da Zona Euro agora é mais barato e reles: separar o risco dos países do Norte do perigo de implosão dos territórios do Sul - para que a conta fique mais barata. A doutrina é só uma: levantar um cordão sanitário. Nas palavras do supremo Schäuble: só os países solventes podem dizer que têm bancos solventes.
  
Mas não se julgue que Schäuble está sozinho. O ministro das Finanças holandês, líder do Eurogrupo, disse o mesmo. Aliás, aqui sobressai um detalhe relevante para enquadrarmos este novo capítulo da crise europeia: o ministro holandês é socialista, é membro do Partido Trabalhista, o que confirma que esta não é só uma questão ideológica - liberais de um lado, socialistas do outro. Hoje é cada vez mais uma disputa territorial. É um conflito entre nações que desconfiam umas das outras, algumas até se odeiam. É por essa razão que um euro cipriota é oficialmente um euro menor: está em prisão preventiva, só consegue sair para a civilização em ínfimas porções de mil euricos. O resto tem de ir escondido nas truces.
  
Chipre, também com culpas próprias, foi subitamente condenado a uma espécie de gueto financeiro que transformou os cipriotas em prisioneiros a cumprir uma pena indefinida. Talvez uma semana, quem sabe um ano. Têm de sobreviver a prestações e sem garantias de nada: são corridos do euro ou ficam? Na realidade, são apenas filhos de um país menor. É interessante que, primeiro, o Eurogrupo tenha procurado impor uma ilegalidade grosseira - a captura dos depósitos abaixo dos cem mil euros - e agora cometa outra: limita excecionalmente a circulação de capitais, o que na prática implica restringir a liberdade das pessoas. Assim estamos. Reféns de uma moeda. A moeda má.» [DN]
   
Autor:
 
André Macedo.   
   
  
     
 Peneda escreve ao ministro alemão
   
«O presidente do Conselho Económico e Social (CES), José Silva Peneda, escreveu uma carta aberta ao ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schauble, na qual acusa o governante de parecer querer despertar "fantasmas de guerra" europeus.

A carta de Silva Peneda, publicada hoje no jornal Público, refere-se às declarações de Schauble, que, em entrevista televisiva na segunda-feira, disse que as críticas feitas à Alemanha se devem "à inveja" dos outros países.

"Vossa excelência, ao expressar-se da forma como o fez, identificando a inveja de outros Estados-membros perante o 'sucesso' da Alemanha está de forma subjetiva a contribuir para desvalorizar, e até aniquilar, todos os progressos feitos na Europa com vista à consolidação da paz e da prosperidade, em liberdade e em solidariedade. Com esta declaração, vossa excelência mostra que o espírito europeu, para si, já não existe", escreveu o antigo ministro do Emprego e da Segurança Social.

Silva Peneda lembrou as declarações do anterior presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, que, recentemente, afirmou que os "fantasmas da guerra que [se pensavam] estar definitivamente enterrados, pelos vistos só estão adormecidos" e acusou Schauble de, através das suas palavras, "parecer querer despertá-los".

"Queria dizer-lhe também, senhor ministro, que comparar a atitude de alguns Estados a miúdos que, na escola, têm inveja dos melhores alunos é, no mínimo, ofensivo para milhões de europeus que têm feito sacrifícios brutais nos últimos anos, com redução muito significativa do seu poder de compra, que sofrem com uma recessão económica que já conduziu ao encerramento de muitas empresas, a volumes de desemprego inaceitáveis e a uma perda de esperança no futuro", acrescentou o presidente do CES.» [DN]
   
Parecer:
 
Bem escrito.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
      
 Portugal não é o Chipre
   
«Um conselheiro do Governo de Nicósia explicou à AFP que o Executivo decidiu cortar um quarto do salário do Presidente Nicos Anastasiades. Além disso, irá estabelecer uma equipa para investigar a crise bancária.

O Presidente Nicos Anastasiades "já autorizou a redução do seu próprio salário em 25%", explicou à imprensa Constantinos Petrides. O subsecretário da presidência acrescentou ainda que os ministros verão a sua remuneração reduzida em 20%. Além disso todos irão renunciar ao 13.º mês.» [DN]
   
Parecer:
 
Pois não, em Portugal o presidente manda o OE para o TC apenas quando os seus rendimentos foram atingidos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Pobre Cavaco
   
«No rescaldo de um violento ataque do ex primeiro-ministro José Sócrates, o presidente da República publicou na sua página do Facebook um texto onde conta o que tem feito nas últimas semanas. Cavaco Silva ignorou as acusações feitas por Sócrates na entrevista de ontem à RTP e elogiou as empresas que criam emprego em Portugal.» [DN]
   
Parecer:
 
Um Presidente com classe ignorava por não se sentir atingido.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cavaco se quando fala em intriga se está referindo a atituds suas como as do caso das famosas escutas.»
   
 Os próximos a irem ao castigo
   
«As yields das obrigações eslovenas denominadas em dólares (não em euros) fixaram ontem um máximo de 6,382%, segundo a Bloomberg. Por outro lado, o custo dos credit default swaps (cds, no acrónimo), que funcionam como seguros contra o risco de incumprimento da dívida, subiu ontem para 327 pontos base, acima do custo dos cds para Itália (308) e de Espanha (303). N semana passada, o custo dos cds estava em 250 pontos base, um preço que se mantinha desde o princípio de janeiro.

Os investidores temem que a Eslovénia seja o próximo membro da zona euro na lista de resgatados segundo o novo "template" do Eurogrupo para resgates de sistemas bancários nacionais. O Fundo Monetário Internacional apontou recentemente que o Tesouro esloveno necessitará de 3 mil milhões de euros de financiamento este ano e mais mil milhões para a reestruturação dos bancos em apuros. O anterior governo, que caiu em final de fevereiro, apontava para o sector bancário um plano de limpeza de ativos tóxicos no montante de 4 mil milhões de euros.» [Expresso]
   
Parecer:
 
Isto vai acabar mal.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
   
 Malandrices do pequeno Menezes
   
«Invocando números dos Orçamentos do Estado para 2005 e para 2012, Luís Menezes alegou que "em 2005 os encargos com as PPP eram de cerca de 16 mil milhões de euros, e em 2012 esse valor foi de quase 33 mil milhões de euros", concluindo: "O que aconteceu nos últimos seis anos de governação socialista foi uma quase duplicação dos encargos dos portugueses em PPP".» [i]
   
Parecer:
 
Seria bom que o Menezes mais pequenino explicasse a que PPP correspondiam os encargos inscritos no OE de 2012, se das PPP que já existiam ou das do Sócrates.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao Menezes pai que ensine o Menezes filho um pouco de OE e de aritmética.»
   

   
   
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quinta-feira, março 28, 2013

O presidente que já não o devia ser


Infelizmente é quase impossível derrubar um Presidente da República porque se o fosse há muito que Cavaco Silva o deixaria de ter sido. Mas os mesmos portugueses que elegeram um Presidente não têm forma de o demitir se chegarem à conclusão de que essa eleição foi um erro.

Cavaco Silva é hoje um presidente da República que se arrasta, que vive para se auto-justificar, que cumpre o mandato como se fosse arrendatário de um prédio urbano de onde não pode ser despejado porque tem a renda em dia. Os que não votaram nele nunca o reconheceram como Presidente de todos os portugueses, nunca o foi nem demonstrou ter estatura política para o ser, não tem a classe de um Sampaio, a honestidade de um Eanes e a dimensão de um Soares.

Ainda por cima a sua inteligência política é escassa, um presidente cujo braço direito conspirou contra um primeiro-ministro eleito por uma maioria absoluta não tem autoridade moral para dizer que a intriga política ou partidária não cria um emprego. Intriga, jogos partidários? Haverá pior intriga do que sustentar acusações falsas? Haverá pior jogo partidário do que dizer uma coisa quando o governo é de um partido e dizer o contrário quando é de outro partido?

Invocar a situação de crise para reduzir os jogos partidários a uma inutilidade desnecessária dizendo que esses jogos que mais não são do que a essência da democracia na cria emprego? Isso é dizer que a democracia é um passatempo de países ricos em que a criação de emprego não é um problema. Foi por pensar assim que Cavaco chegou a chamar a Belém o sindicalistas dos magistrados para se inteirar sobre supostas pressões do governo sobre a justiça? Pois, nesse tempo Portugal era rico e vivia-se no pleno emprego.

Na democracia portuguesa a Presidência da República é o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, é a primeira trincheira na defesa da democracia, é por isso que ao Presidente foram atribuídos poderes de veto, poder para sujeitar os diplomas do governo e do parlamento ao Tribunal Constitucional. Ora, se um Presidente desvaloriza os jogos partidários só resta aos portugueses recorrerem ao rei de Espanha se sentirem a democracia ameaçada.

Porque será que Cavaco precisa de estar constantemente a justificar as suas actuações, a explicar que faz muita coisa sem ninguém ver e a dar lições à democracia portuguesa? Nem Eanes, nem Soares, nem Sampaio alguma vez tiveram este tipo de comportamento. Pois, mas também nunca tiveram negócios na SLN, nunca tiveram assessores a conspirar, foram grandes Presidentes.

Enfim, os presidentes são como o vinho, há anos bons e anos maus, há anos de vintage e anos em que o vinho parece ter sido feito a martelo.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular, Entre-campos, Lisboa
     
Imagens dos visitantes d'O Jumento
 
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Quotidiano na aldeia [A. Cabral]   

Jumento do dia
  
Cavaco Silva, presidente da República
 
É evidente que quem tem mais a perder com a intervenção pública do cidadão José Sócrates é o presidente que tudo fez para dificultar a acção de uma maioria absoluta e pouco contente esforçou-se por interromper a segunda legislatura, pouco lhe importando as consequências para o país.

Se Cavaco Silva fosse mais arguto optava pelo silêncio o que não seria mais do que tem feito há mais de um ano, a não ser quando os seus próprios interesses estão em causa, toda e qualquer intervenção nesta ocasião poderia ser interpretada como receio. Mas há mesmo receio e convencido de que a instituição presidencial tem o prestígio acumulado pelos seus antecessores em vez de o proteger optou por o usar em benefício próprio, intervindo de forma estranha a título preventivo.

Cavaco foi esperto, optou por falar de "intriga política" o que nos dias que correm também se aplica às reuniões do CDS. Mas nesse caso quem está lançando a intriga é um presidente que lança insinuações sem dizer de forma clara ao e a quem se refere. Portugal não precisa de um presidente que ou nada diz ou quando o faz opta pela falta de transparência e pela insinuação.

Compreende-se que Cavaco ande nervoso, estava convencido de que podia escrever tranquilamente os seus prefácios no pressuposto de que Sócrates ficaria calado, agora percebeu que isso pode não suceder e atira insinuações a título preventivo, tentando desvalorizar o que venha a ser dito. Convenhamos que este Cavaco Silva tem demasiados problemas para que seja necessário recorrer a intrigas para o questionar.

Cavaco Silva está aprendendo uma dura lição, cá se fazem, cá se poderão pagar e não há beija-mão ao papa que nos livre dos pecados terrenos. Só se espera que Cavaco viva os anos suficientes para que os portugueses saibam tudo o que há para saber, por mais confidencial que seja, depois se verá quem foi o intriguista-mor deste pobre país.

Os democratas não costumam negar a importância do jogo partidário da democracia, não consideram que as crises sejam argumento para negar os partidos. Mas esse é o comportamento dos democratas e como diria o outro a democracia é uma cena que não lhe assiste.

De um Presidente espera-se o respeito pelo jogo da democracia devendo ficar acima desse jogo, espera-se que actue em função dos interesses do país e não segundo pequenos ódios pessoais próprios de alguém sem estatura política e intelectual, espera-se que sirva Portugal e que não esteja no lugar apenas para gerir a imagem obedecendo a uma ideia saloia de que vai ficar na história. Cavaco só ficará na história de Portugal se for criado um apêndice para as figuras menores.
 
«Cavaco Silva sublinha a importância dos agentes políticos terem uma noção “precisa do rumo que a economia deve trilhar” e salienta que as “intrigas e jogadas político-partidárias” não criam emprego. O papel do Presidente da República é, nestes momentos, “ter uma estratégia de intervenção meticulosamente pensada e executada.”

O Presidente da República criticou, durante uma visita à fábrica da Gelpeixe, em Loures, as televisões por não mostrarem casos de sucesso empresarial e deixou alguns recados aos partidos políticos.

“Se a nossa televisão dedicasse mais espaço a revelar os sucessos empresariais por esse país fora, estou convencido que Portugal estaria melhor, estaria diferente. E porquê? Se esses sucessos fossem mostrados na televisão seria mais fácil empreender, replicar”, seria “melhor a imagem de Portugal no estrangeiro. E, em consequência, teríamos mais investimento e mais criação de emprego em Portugal”, afirmou Cavaco Silva.» [Jornal de Negócios]
 
 A entrevista  a Sócrates

Não será melhor fazer o inventário das porcelanas e dos cristais do Palácio de Belém?

 Momento musical dedicado ao cavaquismo
 
 
 A entrevista  a Sócrates (2)
 
A grande vitória de Sócrates não está em de ter regressado e ter dado uma entrevista mas sim no facto de todos os que assinaram petições tentando impedi-lo estiveram sentadinhos e a roer as unhas enquanto o viram do primeiro ao último minuto. A verdade é que quem não viu mandou gravar e não há ministro, primeiro-ministro, presidente da República que não tenha visto a entrevista de José Sócrates.
 
 Notícias do melhor povo do mundo
 
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 Amália Rodrigues: Lisboa não sejas francesa


 Uma pergunta à Mocidade Portuguesa
 
Depois do cheque que pretendiam entregar a Sócrates também vão produzir mandatos de captura? Faz todo o sentido, poderiam ir ao pessoal do cavaquismo entregar um a cada um dos velhos amigos que ganharam dinheiro sujo do BPN ou da SLN.


  
 O mundo que nós ganhámos
   
«A crise financeira que atravessamos tem dado azo à revelação de alguns grandes enganos da política europeia e à criação de novos. Todavia, ainda se vai a tempo das necessárias correcções, fortalecendo as relações económicas e políticas no interior do continente. O euro pode e deve ser salvo.

A política europeia é complexa. Os governos nacionais aparecem recorrentemente como actores unitários, representativos dos estados de onde provêm, quando são saídos de disputas eleitorais. A história da integração europeia é a história das relações entre a França, a Alemanha e a Grã-Bretanha, mas é também – e porventura em maior grau – a história das relações entre os eleitores de De Gaulle, Mitterrand, Thatcher, Blair, Schmidt ou Kohl. Delors e Barroso não são a mesma coisa. Não ver isto é não ver o passado. Nem o futuro.

Há algum tempo que o euro comanda a agenda da política europeia. Isso deve-se entender, pois uma união monetária a funcionar correctamente é a peça fundamental que falta na integração europeia. Sem ela, a integração económica e financeira é incompleta porque os governos com moeda própria podem jogar, e jogam, com as taxas de câmbio para exportar crises para os países vizinhos. Um dos motes da criação do euro foi precisamente impedir que a França desvalorizasse facilmente a sua moeda e assim prejudicasse as exportações alemãs.

Todavia, o euro foi mal criado, não por incompetência política, mas por escolha estratégica: é aquele que os governos alemães dos anos 90 quiseram. O plano foi disfarçado muito competentemente de várias formas, incluindo a criação de um ramo de ciência económica cheio de alçapões e incongruências, emanado das raízes do BCE. Essa má ciência económica dizia para não nos preocuparmos com eventuais desequilíbrios dentro de uma união monetária que não é uma união económica, pois os desequilíbrios podiam ser corrigidos por “reformas estruturais”, que trariam convergência económica e investimentos em “bens transaccionáveis”, e “desvalorizações salariais”, que trariam convergência de “custos unitários de trabalho”. O primeiro dos termos não foi inventado para a ocasião, mas os outros três sim, assim como esta macroeconomia tão simples quanto tragicamente incompleta. E houve mesmo directivas para que os bancos centrais da zona euro se concentrassem no estudo do mercado de trabalho (e, diga-se em abono da verdade, também do mercado do produto).

Enquanto isto era feito, enquanto todos dormíamos à sombra desta construção monetária baseada em princípios de barro, o sistema financeiro europeu foi evoluindo no contexto que as instituições políticas lhe deram. Algumas vozes se levantaram contra o perigo, mas ninguém, dos mais responsáveis aos simples cidadãos, como aqueles que hoje sofrem directamente as consequências, souberam ouvir. A compreensão do problema, todavia, não levaria a nada de diferente, uma vez que as deficiências da construção do euro só podiam ser corrigidas na sua sede, onde todos viviam à sombra das novas invenções teóricas.

Mas houve mais. Enquanto todos viviam nessa miragem de integração financeira e dinheiro barato, sucessivos governos da Alemanha, país de onde tudo isto em grande medida emanava, fizeram um silencioso trabalho de casa, pervertendo o sistema em favor próprio, com eficientes “desvalorizações salariais”. Parece contraditório, mas não é: os fortes podem baixar salários.

O plano do euro desenhado nos anos 90 nunca iria funcionar. Mas poucos esperariam que o desastre seria o que está a ser, sobretudo nas zonas periféricas da moeda única. A crise financeira internacional não resultou do euro e este, de certo modo, até poderá ter impedido piores desenvolvimentos, sobretudo a nível político. Imagine-se o que seriam as negociações sobre estabilidade monetária na Europa conduzidas por bancos centrais pressionados por governos com interesses diferentes. E não é difícil imaginar, pois foi isso que aconteceu nos anos de triste memória entre 1973 e 1992, acontecimentos que, precisamente, deram o último impulso à criação da moeda europeia. Visto deste modo, o euro é também uma oportunidade que tem de ser explorada.

Mas a história dos enganos ainda não está completa. Quando a crise bancária e financeira se transformou em crise das dívidas soberanas e esta atingiu os países mais fracos da periferia, os desenhadores do euro fraco resolveram impor que os necessários ajustamentos estruturais fossem acompanhados pelo Fundo Monetário Internacional, pelo Banco Central Europeu e pela Comissão Europeia. Só mesmo num contexto de forte aflição, alguém se lembraria de entregar a condução de políticas nacionais a instituições que nada percebem de governação. Mas foi isso que aconteceu, com implicações graves do ponto de vista da capacidade de resolver a crise da zona euro.

Esse caminho foi percorrido também porque foi ao encontro da vontade de forças políticas dentro dos países intervencionados. Durante as últimas décadas, a construção do chamado Estado social em países como a Irlanda, Espanha ou Portugal implicou a transferência de recursos entre partes da sociedade. Os avanços na saúde, na educação e na protecção à velhice não foram mais do que isso, a tributação dos mais ricos para o financiamento dos mais pobres, e não há ginástica estatística que o esconda. A crise das dívidas soberanas e dos défices públicos abriu a porta para a ascensão ao poder daqueles que querem reverter esse processo. Há uma comparação internacional que torna isso mais claro, que é dos Estados Unidos, pois esse processo já leva duas décadas e só recentemente começou a ser interrompido. Assim, a fórmula inventada para a solução da crise financeira nas periferias foi misturada com uma agenda de reversão dos equilíbrios sociais.

As políticas seguidas na periferia para atacar a crise do euro foram anunciadas como as únicas possíveis. Todavia, a duração e o alargamento do problema acabaram por desmentir essa ideia, uma vez que os cinco países intervencionados, incluindo agora Chipre, foram-no de forma diferente. O leque de opções não é vasto, mas suficientemente amplo para obrigar ao regresso da política, a nível nacional e europeu, para que as necessárias escolhas sejam sufragadas democraticamente.

Ao fim de quatro anos, o impasse continua. Mas estamos mais ricos relativamente àquilo que sabemos sobre a má construção do euro, sobre a incapacidade de gestão das crises por parte dos seus desenhadores, sobre a inutilidade das troikas, sobre o nível de intervenção de interesses nacionais e sobre as necessidades de melhorar o enquadramento institucional. É obrigatório reconhecer o profundo nível de desconhecimento macroeconómico do Fundo Monetário Internacional, a imensa necessidade de uma Comissão Europeia com forte carácter, e a inevitabilidade de um Banco Central Europeu com um novo papel. É obrigatório também perceber que nada disto será conseguido sem uma nova política a nível europeu, o que, como anteriormente, resultará de alterações a nível nacional. A França de Hollande, a Espanha não alinhada, a Itália sem Berlusconi e sem Monti, a Irlanda de centro-esquerda e agora Chipre, aparentemente menos submisso, são um forte contributo para isso. As próximas eleições alemães serão outra oportunidade de ouro, que se pode todavia não desenvolver.

E Portugal? Portugal tem de mostrar que tem política e que não tem medo. Precisa de mostrar que sabe dar cartas no quadro europeu. Precisa de mostrar que tem soluções alternativas. Precisa de um novo governo. Precisa da intervenção do Tribunal Constitucional. Precisa de eleições. E precisa, acima de tudo, de um Partido Socialista que saiba sacudir os interesses que a ele se colam com grande facilidade quando caminha para o poder. Quem alguma vez tiver aceitado um cargo numa empresa privada, dos bancos à construção, das telecomunicações ao retalho, deve ficar de fora. E quem tiver ajudado ao problema político, em outros tempos, de fora deve ficar. São os partidos que fazem a mudança, e estes têm de estar bem assentes em interesses dos muitos e não dos poucos. No meio disto tudo, se a esquerda mais à esquerda subir em eleições, isso não é necessariamente mau. A Europa precisa de olhar para Portugal de outra maneira, e Portugal para a Europa. Será mais uma contribuição para trazer a política às muitas opções sobre o futuro do euro.

O euro não é património do punhado de políticos que o construíram com deficiências, nem dos maus teóricos que os apoiaram. É património da integração europeia.» [i]
   
Autor:
 
Pedro Lains.   

 Invejosos?
   
«Não há limites para a falta de bom senso dos líderes políticos alemães. Perante as críticas que se avolumam, no Sul da Europa, contra a gestão alemã da crise, o ministro das Finanças alemão responde da forma mais absurda que podia: “Sempre foi assim. É como numa classe [na escola], quando temos os melhores resultados, os que têm um pouco mais de dificuldades são um pouco invejosos.” Desta forma, Wolfgang Schäuble revela o que pensa: eles (os alemães) são os bons alunos – e portanto mais inteligentes ou mais trabalhadores – e os outros (os países do Sul da Europa) são os maus alunos – e portanto mais burros ou mais malandros. E mais uma vez os líderes políticos alemães atacam-nos recorrendo à moral; nós temos inveja do sucesso da Alemanha. Trabalhamos pouco, somos gastadores, queremos viver do dinheiro dos outros e somos invejosos. Este é o discurso rasca a que muitos políticos alemães têm recorrido para evitar o debate sério e urgente sobre a forma como a União Europeia está construída. As elites alemãs são as maiores vencedoras do euro, do alargamento a Leste e da liberalização do comércio com a China. E os povos do Sul da Europa os principais derrotados. O euro acrescentou competitividade à Alemanha e retirou-a à nossa economia. O alargamento a Leste e a liberalização do comércio com a China foi benéfico para a indústria alemã e destruidor para a indústria que prevalecia no Sul da Europa. E como se estes desenvolvimentos no processo de integração europeia não fossem vantagem suficiente para a economia alemã, o governo alemão recorreu ainda a uma política organizada de compressão dos salários dos trabalhadores alemães, contribuindo desta forma para agravar as dificuldades da nossa indústria e aumentando as vantagens da sua. Este modelo de integração europeia gerador de fraco crescimento industrial no Sul só foi possível durante vários anos por causa do fluxo de dinheiro barato do Norte da Europa para a periferia, o outro lado dos défices comerciais. É óbvio que isto não duraria. Chegados aqui, os alemães emprestam-nos mais dinheiro não porque estejam preocupados connosco mas porque querem evitar que os seus bancos sejam afectados pela bancarrota dos nossos países. O dinheiro que cá chega serve apenas para garantir que os seus bancos não sofrem perdas. Quanto ao nosso povo, o problema é nosso.» [i]
   
Autor:
 
Pedro Nuno Santos.
   
  
     
 Afinal o PSD também faz esperas
   
«À porta da televisão pública estará a JSD, para lhe entregar a "fatura dos 6 anos de "desgovernação", em sinal de protesto, depois da contestação, via petição online, ao seu regresso para comentador político semanal na TV pública.» [CM]
   
Parecer:
 
Há muito que a JSD não passa do caixote do lixo da política portuguesa, a função dois putos é fazerem o trabalho sujo para depois serem premiados com lugares de assessores. De um governo esperar-se-ia melhor actuação, é muito feio recorrer aos pirralhos para tentar silenciar opositores políticos, tentando confundir manifestações sindicais com golpes baixos. Há quem chame a isso fascismo. Mas deste governo já se espera tudo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se e agradeça-se a clareza da JSD, assim percebe-se que governo temos.»
      
 A Europa mijou-se
   
«Os governos europeus asseguram que a taxa sobre depósitos bancários que vai ajudar a financiar o pacote de ajuda a Chipre não será adotada em futuros resgates, segundo um documento confidencial citado pela agência Bloomberg.» [CM]
   
Parecer:
 
Depois do que tem sido dito pelos mais altos responsáveis esta posição é uma grande mijadela de dirigentes europeus incompetentes como nunca se viu na União Europeia desde a fundação da CEE:
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ofereçam-se fraldas de incontinente a Durão Barroso.»
   
 A direita anda muito nervosa
   
«António Pires de Lima acredita que o regresso de José Sócrates com um comentário na RTP representa o interesse do antigo primeiro-ministro em regressar ao Governo. Hoje, no Conselho Superior da Antena 1, o centrista considerou que Sócrates vai voltar a liderar o PS e comandar o partido nas legislativas de 2015.

"Vai fazê-lo de uma forma sem contraditório, pois é um espaço de comentário político, branqueando o que foi a sua atuação enquanto primeiro ministro, manipulando informação", considerou.» [DN]
   
Parecer:
 
Medrosos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao senhor das bebedeiras se Sócrates tem tido dreito ao contraditório em muito do que se diz dele ou se teve em casos como o Freeport, inventado pelo seu partido.»
   
 Vomitou!
   
«A relação entre Manuela Moura Guedes tornou-se muito tensa quando, em 2009, José Sócrates classificou o Jornal Nacional de 6.ª Feira, apresentado pela então subdiretora de Informação da TVI, como "travestido", "feito de ódio e perseguição pessoal" e que "aquilo não é um telejornal, é uma caça ao homem".

A jornalista, que acabou por sair da TVI em outubro de 2010, remata, dizendo, agora ao Dinheiro Vivo, que José Sócrates "devia estar no seu exílio dourado. Regressa para quê?"» [DN]
   
Parecer:
 
Pobre senhora.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ofereça-se um saco à senhora.»
   
 Pingo Doce não considera Passos Coelho um "líder sério"
   
«Em entrevista à revista Visão, Pedro Soares dos Santos diz que os portugueses precisam aceitar que "o País faliu". "Estamos a ser geridos num processo puro de falência e ainda não nos contaram a verdade toda", declarou, defendendo que "estamos numa situação de falência muito mais grave do que aquela que nos mostram".

"No dia em que conhecerem a real situação, os portugueses vão saber qual o rumo que terão de seguir. E, claro, precisamos de um líder sério que nos indique o caminho certo", afirmou, antevendo que "vai ser muito difícil" Pedro Passos Coelho "continuar, pois tem vindo a perder o suporte da concertação social".» [DE]
   
Parecer:
 
Tem razão, Passos Coelho é uma brincadeira de mau gosto.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se se fosse accionista maioritário, como o tontinho do seu papá se sente, quem sugeria para director-geral do país, Vítor Gaspar? Será que nestas declarações há influência de António Borges, um dos seus pares na administração do Pingo Doce?»
   
 A democracia é uma fantasia
   
«O Presidente da República, Cavaco Silva, defendeu hoje que só o investimento e as exportações é que podem podem ajudar a economia nacional a sair da crise. "Quase tudo o resto é fantasia", afirmou.» [Expresso]
   
Parecer:
 
É mau que um presidente, ainda que um presidente de letras pequenas diga que tudo o que não seja investimento é uma fantasia. A desorientação não é boa conselheira e em Belém seria bom que estivesse alguém com envergadura suficiente para perceber que o parlamento será sempre mais importante do que a bolsa de valores. Aliás, quem ganhou tanto dinheiro em acções fora da bolsa devia saber disso.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
   
 O presidente que se cuide
   
«O antigo diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) Jorge Silva Carvalho disse hoje à Lusa que "não sente qualquer desconforto" em ir trabalhar para a Presidência do Conselho de Ministros, serviço onde foi reintegrado.» [Expresso]
   
Parecer:
 
Quem irá o espião espiar a partir da Presidência do Conselho de Ministros?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Cavaco que faça o upgrade do seu programa anti-vírus.»
   
 O ministro mais caro do mundo
   
«Foi um caso muito falado e que levantou muitas perplexidades, particularmente na oposição. Mais de um ano depois, o governo responde às dúvidas do PS e divulga o contrato celebrado no dia 29 de Fevereiro de 2012 entre a empresa estatal Parpública e o conhecido e polémico economista António Borges, a que o i teve acesso em primeira mão.

Com um extenso programa de privatizações inscrito no Memorando de entendimento com a troika e outras da exclusiva responsabilidade da maioria PSD/CDS, como a RTP e os CTT, o executivo de Passos Coelho, um dos mais reduzidos da democracia, decidiu contratar António Borges como consultor para esta área específica. O contrato foi assinado entre a Parpública e a empresa ABDL L.da, uma sociedade por quotas entre António Mendo Castel-Branco Borges e Diogo José Fernandes Homem de Lucena, em que António Borges tem uma quota de 15 012,02 euros e Lucena uma de 4987,98 euros.

De acordo com o contrato, em vigor desde o dia 1 de Fevereiro de 2012, a Parpública paga à referida sociedade uma verba mensal de 25 mil euros mais IVA, acrescida do reembolso de despesas “indispensáveis para a concretização do trabalho e previamente autorizadas, designadamente no caso de viagens ao estrangeiro, as quais deverão ser documentadas e respeitar as normas aplicáveis ao sector público”.» [i]
   
Parecer:
 
Enfim, as PPP custaram dinheiro mas andamos nelas de carro, nas PQP não ficou nada.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se um peditório nacional para ajudar António Borges a largar a sua propriedade e a comprar mais puros sangue lusitanos.»
   

   
   
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