sábado, julho 13, 2013

Jumento do Dia


  
Catroga, licenciado professor catedrático a tempo parcial 0%

E ninguém mete uma rolha pelas goelas abaixo do professor catedrático a tempo parcial 0%, um modesto ministro das Finanças de Cavaco Silva, cujo contributo para o bem colectivo foi pouco mais do que uma duvidosa privatização do BPA?

«Em entrevista à Antena 1 e ao Diário Económico, Eduardo Catroga diz que o CDS devia ser “amarrado” devido à sua tendência de “volatilidade”. O antigo ministro das Finanças culpou o primeiro-ministro pela crise política que se instalou, pois, defendeu, não teve mão no parceiro de coligação.» [Notícias ao Minuto]

O problema

Há quem veja em Cavaco um presidente e até votaram nele duas vezes, talvez seja da minha vista mas eu vejo nele um político sem dimensão, mesquinho, manhoso na forma como se relaciona com o país, mais preocupado consigo e com o seu partido do que com o país que o elegeu e que reage mais em função dos seus ódios do que do interesse nacional.
  
Há quem veja na decisão de não dizer nem sim nem não à remodelação que lhe foi apresentada pela coligação, mas eu vejo nessa decisão de Cavaco uma pequena vingança contra Paulo Portas, um político que ao lado de Mário Soares e José Sócrates está no pódio dos maiores ódios do cavaquismo. Cavaco Silva não molestou nem o PSD, nem o CDS, nem a coligação, limitou-se a impedir a ascensão de Paulo Portas, impediu ao líder do CDS de ficar com os frutos da chantagem que fez sobre Passos Coelho.

Há quem veja nesta proposta de compromisso uma tentativa de salvar o país, mas por mais que me esforce não vejo no gesto de Cavaco Silva qualquer preocupação com o país, o que vejo é Cavaco chamar a si a capacidade de salvar uma coligação abalada com o atestado de incompetência de Passos Coelho passado por Vítor Gaspar na sua carta de demissão. O que vejo é Cavaco Silva tentando salvar uma política de austeridade brutal já assumida perante a troika e inviável em termos constitucionais, o que vejo é um velho manhoso fazendo chantagem sobre o PS para que em vez de qualquer consenso force este partido a votar favoravelmente uma revisão constitucional de facto.

Há quem veja na iniciativa de Cavaco Silva uma tentativa de salvar o país, mas eu vejo um político manhoso que nunca conseguiu deixar de ser o ex-primeiro-ministro do PSD que mesmo vendo ruir o cavaquismo em consequência do Alzheimer, da Parkinson e da corrupção tenta salvar o seu partido da fraqueza de Passos e da hegemonia de Portas. O que Cavaco quer não é salvar o país, é salvar o PSD mesmo à custa do país e de muitos portugueses para depois dar o golpe de misericórdia em Passos Coelho e voltar à liderança por interposta pessoa. O que Cavaco está preparando é o golpe dpo baú que em tempos deu no governo do Bloco Central.
 
Há quem veja em Cavaco o grande primeiro-ministro que este país teve, eu vejo um político que esbanjou milhões, que fez obras criminosas como a IP5, que foi o pais das obras sem controlo da despesa como sucedeu com o CCB, um político que hipotecou o futuro esbanjando o dinheiro europeu, sem quaqluer critério e alimentando uma classe corrupta que nunca parou de crescer.
 
Há quem vez em Cavaco um grande político, eu vejo um homem inculto, um professor que raramente olhava os alunos nos olhos, um mau profissional que abandonou os alunos da Universidade Nova enquanto acumulava o vencimento com o da Católica onde cumpria as suas obrigações profissionais com um rigor que não seguia quando recebia o dinheiro dos contribuintes, vejo aquilo a que no algarve se designa por montanheiro.
 
Há quem veja em Cavaco uma solução para os problemas do país, eu vejo o maior problema, um problema que enquanto não for resolvido impede a resolução de todos os outros problemas.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Flor do Parque Florestal de Monsanto, Lisboa
    
 O porquê da decisão de Cavaco

Cavaco Silva não aceitou a remodelação proposta por Passos Coelho por receio de que os muitos milhares de fotocópias dos processos do ministério que Paulo Portas iria tirar, como fez em tempos no ministério da Defesa, poriam em causa as metas orçamentais acordadas com a troika!

 Haverá um limite para a calma do sôr Álvaro
 
Um  dias destes vai ser o Álvaro a perguntar se fica ou se vai já para o Canadá!
 
 Falta de educação presidencial é...

Emitir um comunicado enquanto o parlamento está reunido no mais importante dos debates anuais. Começa a haver a impressão de que a Dona Maria deu um golpe de estado e é ela a presidente, isto é mesmo um PREC da Dona Maria.
   
 Portas número dois e à direita do Senhor (na última ceia?)

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 Cavaco prescindiu da bomba H

Agora combate as crises políticas com bombinhas de Carnaval.

 Incompetência

Em muito pouco tempo Cavaco deixou cair a figura de mediador da crise, a sus proposta estava tão bem pensada que ninguém a percebeu e poucos dias depois já começa a sofrer alterações. Com o país à beira do colapso até parece que Cavaco entregou a presidência à Dona Maria.
 
 A "Carrasca" na versão inglesa da Wikipedia

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 Prova de morte
   
«Uma pessoa não se cansa de ler o discurso em que o político Cavaco Silva quis fazer prova de vida. A delícia começa logo na primeira frase: "Na semana passada, fomos confrontados, de forma inesperada, com uma grave crise política." Logo agora, que os partidos da coligação andavam a dar-se tão bem e nem tinha havido dois orçamentos inconstitucionais. E os resultados da governação? Joia. Aliás, os portugueses não podiam estar mais satisfeitos: tudo como deus com os anjos - é ver aquela salva de palmas na tomada de posse (ou será coroação?) do patriarca.

O segundo parágrafo também encanta: os portugueses, diz o político belenense, ficaram a saber o que sucede "quando se associa uma crise política à crise económica e social". Faltou acrescentar: "Os que nasceram depois de março de 2011, ou andaram perdidos no espaço." Ah, mas espera: esta crise é diferente das outras. E é por isso que não deve haver eleições antecipadas em setembro: porque teríamos um Governo de gestão durante dois meses e se isso sucedesse o mais certo, apesar de estar tudo tão no bom caminho, era levarmos com um segundo resgate (levar com o primeiro foi ginjas), além de que há "grande tensão e crispação entre as forças partidárias", pelo que seria difícil sair das urnas um Governo com consistência e solidez". Portanto, que sugere este político que foi dez anos PM depois de uma dissolução do Parlamento pelo então presidente Soares, que é PR há sete tendo feito tudo para que Sócrates se demitisse, e que ainda na semana passada, entre a demissão de Gaspar e a de Portas, certificou que quem manda governos abaixo é e só pode ser a Assembleia da República? Que deve haver eleições antecipadas não dentro de dois mas de 11 meses. E um acordo entre os partidos do Governo e o PS quanto ao rumo a seguir nos próximos anos - para isso a "grande tensão e crispação entre as forças partidárias" já não é problema, portanto.

Já quase tudo foi dito sobre esta proposta de um político que fala dos "agentes políticos" como se não fosse um deles; que andou os últimos dias a gozar com Passos e Portas (sendo bem merecido, é abjeto); que na prática demitiu o primeiro-ministro ao mesmo tempo que afirma manter o Executivo "a plenitude das funções"; que lançou o País numa campanha eleitoral de um ano apesar de querer transformar as eleições numa farsa; que trata dois partidos com assento parlamentar e mais de 20% dos votos como irrelevantes; que é difícil imaginar um cenário de maior confusão e instabilidade que o resultante deste pronunciamento. Mas talvez o mais saboroso de tudo seja que, ao propor o recurso a "uma personalidade de reconhecido prestígio que promova e facilite o diálogo" entre partidos, Cavaco esteja a assumir que não pode ser ele a fazer esse papel - que é o de Presidente. Não era que não soubéssemos; não sabíamos era que ele tinha noção.» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.
     
 A bomba
   
«Ao anunciar eleições antecipadas para daqui a um ano, o Presidente da República fez, na prática, o pré-anúncio da dissolução da Assembleia da República.

Não há como negar esta evidência: a partir de agora, pende sobre o Parlamento, e consequentemente sobre o Governo, uma bomba atómica em contagem decrescente. E isso muda tudo.
Diz o Presidente que, apesar da sua declaração bombástica, o Governo actual permanece em "plenitude de funções". Permito-me discordar: depois da intervenção assassina do Presidente, o Governo atingiu, isso sim, a plenitude das disfunções.

Vejamos: ainda abalado pelo fracasso reconhecido na carta de demissão de Vítor Gaspar e pela crise causada pela demissão (entretanto revogada) de Paulo Portas, o Governo viu o Presidente da República ignorar ostensivamente - ou seja, rejeitar com desprezo - a proposta de remodelação que o Primeiro-Ministro apresentou solenemente ao País como solução para a crise governativa.

Este facto não pode ser ignorado: para além do vexame público a que o Presidente sujeitou o Primeiro-Ministro e o proposto Vice-Primeiro-Ministro, a atitude de Cavaco Silva mantém em aberto a crise política e tem um significado óbvio: o Presidente retirou a confiança política ao Governo. Mais: ao anunciar eleições antecipadas para daqui a um ano, Cavaco decreta a caducidade da maioria parlamentar, converte o mandato do Governo num contrato a prazo e faz dele, na prática, um governo de gestão. E, como se não bastasse, o Presidente não dá sequer por adquirido que o actual Governo sobreviva até às próximas eleições legislativas, por alturas de Junho de 2014.

Pelo contrário, o Presidente admite expressamente a "morte súbita" do Governo ao abrir a porta a outras (enigmáticas) "soluções jurídico-constitucionais"! Há limites para o fingimento: depois do que disse o Presidente, este Governo tem o destino traçado e é tudo menos um Governo em plenitude de funções. E quanto mais depressa essa evidência for assumida, melhor.

Confrontado com o manifesto fracasso da solução governativa que ajudou a gerar, o Presidente da República resolveu, finalmente, lembrar-se do Partido Socialista. E eis que, de repente, uma crise que estalou no interior do Governo PSD/CDS, suportado no Parlamento por uma maioria absoluta, tem de ser resolvida pelo concurso do Partido Socialista! O mesmo Presidente que assistiu impávido e sereno à marginalização ostensiva do PS em sete revisões sucessivas do memorando de entendimento e em três documentos de estratégia orçamental, parece que descobriu agora, subitamente, a importância do envolvimento do PS para um consenso alargado na execução do Programa de Assistência Financeira. Acontece que isso ocorre já com o Governo feito em pedaços, com a economia mergulhada numa espiral recessiva, com 18% de desemprego, 10,6% de défice (no 1º trimestre) e 127% de dívida pública.

Pior: a iniciativa do Presidente sucede quando o Governo já se comprometeu com a "troika" a aprovar nos próximos dias mais um pacote de 4700 milões de euros de medidas de austeridade! 
Falemos claro: não há forma de reconstruir um consenso sobre a execução do memorando sem reconstruir o próprio memorando. Porque o memorando que existe já não é o que era: foi desvirtuado em sucessivas revisões que destruíram os equilíbrios da versão original, em nome de uma estratégia de empobrecimento e em obediência a uma cegueira ideológica, travestida de verdade científica.

Foi essa austeridade "além da troika" que, manifestamente, falhou. Ora, nenhum acordo será viável - e nenhum acordo valerá a pena - para insistir numa estratégia que falhou. É sobre isso que importa fazer escolhas. E é para isso que importa fazer eleições antecipadas. Eleições livres e justas. Porque nenhum acordo pode neutralizar o sentido das escolhas democráticas dos portugueses quanto ao futuro do seu País.» [DE]
   
Autor:
 
Pedro Silva Pereira.
   
   
 As aventuras nocturnas do Portas
   
«Segundo relata o jornal, já no início desta semana, Paulo Portas era “uma figura mais ausente do que presente” no Palácio das Necessidades. Antes de saber o veredicto do Presidente da República, o MNE já tinha tudo empacotado no seu gabinete e foi-se despedindo nomeadamente do pessoal do ministério e de embaixadores, descreve o jornal.

As noites, essas eram ocupadas em “viagens semiclandestinas por Lisboa”. Tratavam-se de “aventuras nocturnas pelo património do Estado na capital”, descreve o jornal.

Segundo o Público, Paulo Portas fez-se acompanhar por alguns dos seus colaboradores de confiança, tendo visitado “inúmeros edifícios em busca do lugar ideal para uma sede digna de vice-primeiro-ministro”.

Ontem, em dia de reunião de Conselho de Ministros, Paulo Portas acabou por faltar a boa parte da reunião. Dando um sinal de que está demissionário, o ministro dos Negócios Estrangeiros fez-se representar na reunião semanal do governo por Luís Morais Leitão, seu secretário de Estado.» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:

Ridículo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Horta-Osório é o melhor banqueiro do mundo
   
«Para chegar ao banqueiro português que lidera o Lloyds foram avaliados bancos de cem países e compararam-se os resultados entre 1 de abril de 2012 e 31 de março de 2013. "Decisões duras tomadas em momentos críticos ajudaram a reavivar o Lloyds. Agora, Horta-Osório pode concentrar-se em fazer o melhor do maior banco do Reino Unido", disse o porta-voz da Euromoney.

Foram 12 meses difíceis, com momentos turbulentos e no limite da resistência, mas os resultados começam a estar à vista. A capitalização bolsista do Lloyds atingiu 55 mil milhões de euros, ombro a ombro com o Santander, maior instituição financeira da zona euro, onde trabalhou quase duas décadas. No último ano, as ações subiram 117% - e foi a melhor ação de banca no mundo nos últimos 18 meses -, a dívida caiu abaixo de 50 mil milhões de libras, quando há dois anos tocava os 250 mil milhões, e para o ano deve haver lucro.» [JN]
   
Parecer:
 
E começou a sua brilhante ascensão a olimpo da banca vendendo swaps às empresas públicas portuguesas, geridas por admiradores do seu sucesso.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Horta-Osório quanto ganhou com as swaps.»
   
 Pobre Mário Nogueira
   
«Em comunicado, a Fenprof acusa o MEC de não respeitar "os compromissos que assumiu" e de fazer um "aproveitamento abusivo (...) para incluir matérias que não foram sequer abordadas".

O despacho contraria "um dos mais importantes compromissos do MEC, assumido em ata negocial": não considerar como atividades letivas aquelas que, não correspondendo a aulas, se desenvolvem junto dos alunos, tais como coadjuvação ou apoios.» [JN]
   
Parecer:
 
É a segunda vez que o Crato o engana.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Informe-se o Crato que se volta a enganar o Mário é obrigado a casar com ele.»

sexta-feira, julho 12, 2013

Jumento do Dia


  
Paulo Portas

Paulo Portas é um político como deve ser, sujeita-se a ser a merda que é em nome da salvação do país.

«O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas - que Passos garantiu que continua em funções no cargo - subiu à tribuna para explicar ao plenário as razoes que o levaram a recuar na saída do Governo. "Prefiro pagar preço da reputação, a não fazer o que posso e devo por um futuro melhor". E usando as próprias palavras que escreveu na carta com razões para o seu pedido de demissão, explicou que a "consciência" dos homens tem que ser "separada do interesse das instituições", lembrando um ensinamento de Adriano Moreira, fundador do CDS, e que "entre a razão do partido e a razão pessoal, deve prevalecer a razão de partido", citando aqui o histórico social-democrata Francisco Sá Carneiro.

Feitas as explicações, Portas aplaudiu a rapidez com que a maioria resolveu a crise política que viveu na última semana e lembrou, tal como já tinham feito os deputados do CDS, que a "solução sólida" que a maioria "entregou ao Presidente da República para avaliação, é uma solução governativa estável". E deixou o recado: "É uma solução que bem proximamente demonstrará a confiança, vencendo a censura que hoje foi aqui apresentada". Desta forma, Portas deixa claro que a remodelação que o torna vice-primeiro-ministro está apenas em banho-maria e que o CDS vai continuar a lutar por ela.» [DE]

O PREC da dona Maria

Um mundo está de pernas para o ar, quando era puto um beijo na boca no jardim da minha terra custou 500$00 de multa a muito jovem, agora aqueles dois cotas do barrocal algarvio vão a uma missa nos Jerónimos e debaixo das barbas do patriarca arrefinfam com um xuxo presidencial! Por este andar a dona Maria ainda aparece a fumar na cama e da próxima vez que o casal vá à missa em vez de estarem dois cadeirões aveludados está à sua espera um sofá cama.
  
Quando o país se distraía da crise é surpreendido por uma crise que mais parecia a festa da entrega dos globos de ouro, cada vez que chegava um artista pimba ouviam-se os fans a aplaudir. Não admira que a dona Maria pensasse que estava num festival de Vilar de Perdizes e tivesse desatado à marmelada. Quem tivesse passado junto aos Jerónimos, se não fosse o batalhão de jornalistas e seguranças teria pensado que a Igreja Universal do Reino de Deus tinha comprado a Igreja de Santa Maria de Belém, tanto aplauso só poderia ser explicado com mais um milagre do bispo Macedo.
  
Cavaco deve ter gostado tanto de fazer cenas em público e talvez por isso mudou de postura presidencial. Cansado da sua magistratura de influência, silenciosa, fora das vistas do público e sem direito aos louros pelos seus grandes resultados, Cavaco Silva adoptou a magistratura da peixeirada, agora em vez de falar com os partidos no recato do palácio põe a boca no trombone em plena televisão, o que não é mais do que a versão presidencial do cachucho nos Jerónimos.

De um dia para o outro o governo deixou de depender apenas do parlamento, como estava escrito na Constituição desde o ano não sei quantos, para entrar num PREC cavaquista. Nos anos 70 o governo de Pinheiro de Azevedo ficou famoso por ter feito greve, agora temos um governo em que não se sabe se é ou deixou de ser e são os ministros que dizem que estão trabalhando. No PREC cavaquista perguntamos aos ministros se ainda o são e se levantarem o braço é porque governam.

Compreende-se que Cavaco Silva seja solidário com os portugueses e corte nas despesas do palácio, mas convenhamos que substituir os assessores e adjuntos pela dona Maria pode dar maus resultados. Esta ideia de não se dizer se aceitou ou não a remodelação do governo, de se referir ao governo como sendo o "actual" governo e de propor um compromisso de salvação nacional que mais parece o Compromisso Portugal apoiado num governo dirigido por Passos Coelho só pode ter sido coisa da dona Maria. Enfim, as donas Marias começam a ser uma sina deste país.
 
Já tivemos um PREC revolucionários, com Pedro Santana Lopes o país evoluíu para o PREC das gajas, Passos Coelho abriu o PREC das discotecas, agora parece que o país entrou no PREC da DOna Maria.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Orquídeas selvagens do Parque da Bela Vista, Lisboa
    
 Manhoso

O Cavaco que há poucos dias anunciava a certeza do cumprimento do OE e que há poucos meses falava em criação de emprego e crescimento em 2012 é o mesmo Cavaco que tudo fez para atirar Portugal para o primeiro resgate atribuindo as culpas a Sócrates, culpa que recordou nesta comunicação ao país. É o mesmo Cavaco que sugere ao PS que apoie a direita e em troca levará eleições em 2014, isto é, quando estiver destruído enquanto partido. Se o PS não aceitar será o responsável também pelo segundo resgate.

Cavaco não quer assumir as suas responsabilidade e decidiu jogar com o país só para montar uma armadilha ao PS. Este é o verdadeiro Cavaco, o Cavaco de sempre, um político manhoso que se limita a usar as circunstâncias em favor da sua própria pessoa, foi sempre assim enquanto primeiro-ministro, voltou a sê-lo desde o primeiro dia de presidência.

Cavaco nunca foi, não é, nem nunca será presidente de todos os portugueses, não tem dimensão política para tal, não passa de um político menor e sem estatura para o cargo que desempenha. cavaco é um presidente dele próprio e da direita, se esta se sujeitar à sua pessoa.

Cavaco não quer salvar o país, se assim fosse teria impedido que Passos e Portas o ativessem atirado contra a parede, o que Cavaco quer é salvar o que resta da sua carreira política e salvar a direita, o país de Cavaco é pouco mais do que os que estiveram na missa e o aplaudiram como se fosse uma estrela das telenovelas.

 Ó Miguel Sousa Tavares...
 
Tu tinhas toda a razão!
 
 Portugal tem um "actual governo"

É este o conceito miserável de funcionamento regular das instituições segundo Cavaco Silva.
 
 O forró da direita
 
A direita domina as instituições do Estado e em todas elas faz figura triste, governo, Presidência da República e Presidência da Assembleia da República não se cansam de dar espectáculos tristes.
 
      
 O Cavaquistão
   
«Cavaco Silva inaugurou ontem um novo tipo de negociação política e um novo estilo de governo. A negociação política é a da praça pública: tudo o que acontecer, acontecerá mais ou menos em direto e não ocorrerá jamais no recato do Palácio de Belém, que abdica para todo o sempre daquilo que durante anos nos andou a vender, a famosa magistratura de influência. Afinal, as negociações de bastidores - discretas, silenciosas e até eficazes - não existem, não servem para nada, são um logro total. O método Cavaco é mais básico, rudimentar e às três pancadas. O Presidente da República fala com os partidos, sindicatos e parceiros sociais com toda a pompa e circunstância durante dias, com fim de semana pelo meio, note-se o requinte de sadismo. No final deste longo e estúpido processo, o Presidente lê um discurso baralhado que lança a confusão absoluta no País. Abrem-se todos os cenários. Tudo é possível, até o impossível. Silva Peneda vai ser primeiro-ministro? Rui Rio?
  
Quanto ao novo estilo de governo, há aqui assunto para a ciência política, mas também há matéria para os seguidores desse grande maluco que era o Miguel Bombarda. Então é assim: daqui para a frente, o Governo de Passos é o governo iogurte. Embora tenha azedado, talvez até esteja definitivamente estragado, deve manter-se em funções até junho de 2014 (tem prazo de validade), mas se não for patriota o suficiente para encaixar esta menorização e enxovalho políticos sem paralelo histórico, então o Parlamento (e não a Presidência da República) tem condições constitucionais para encontrar uma solução. Qual? Bom, isso logo se vê, diz Cavaco sem dizer. Eleições é que não. Os investidores adoram estes filmes.

Talvez seja eu, que estou fora de Lisboa e tal, mas não entendo nada. Quer dizer: os mercados acalmaram-se, as bolsas subiram, Passos e Portas engoliram o orgulho e chegaram a uma decisão: manter as aparências mais uns tempos. Talvez um ano, talvez menos, talvez mais, logo se veria. Seja como for, estava a funcionar. O País já assimilara em grande parte a decisão, a maioria parlamentar apoiava o acordo e os mercados já o tinham até benzido. Eis senão quando o Presidente decide que isto, afinal, é uma extraordinária porcaria em que ele não acredita. O que faz? Demite o Governo? Nada disso: quer dizer, diretamente não o faz, mas na verdade faz sem fazer. Mas acaba por não fazer. É isto o pântano cavaquista. Que me caia um raio em cima se Passos e Portas aceitarem esta aberração - o tal governo iogurte. Isso não vai acontecer. Um Governo com prazo de validade não existe, não tem força para ajudar uma avozinha a atravessar a rua, quanto mais governar um país falido. Cavaco quer conduzir o País sentado no banco de trás, mas agora tem de escolher o motorista. Quem? Qual? Porquê? Até ver, hoje estamos muito pior do que ontem. É o Cavaquistão» [DN]
   
Autor:
 
André Macedo.
   
   
 O PSD autárquico no seu melhor
   
«A autarca, Maria José Filipe (PSD), que cumpria o segundo mandato na presidência da Junta de Freguesia da Benedita foi condenada, em março, a perda de mandato pelo crime de desobediência qualificada, “mas só a 04 de julho recebemos uma carta a comunicar essa situação”, disse à Lusa Pedro Guerra, presidente da Assembleia de Freguesia.

Em causa estão irregularidades no envio de documentos para o Tribunal de Contas, respeitantes aos relatórios e contas da freguesia entre os anos de 2006 a 2009.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Uns escondem as decisões do tribunal, outros recorrem de tudo e outros tentam fazer de conta que a lei era a brincar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 O por enquanto só ministro faltou
   
«Paulo Portas não compareceu no Conselho de Ministros desta quinta-feira, fazendo-se representar pelo secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Europeus, Miguel Morais Leitão.
  
(...) Também desta vez foi desmarcado o habitual briefing que ocorre no final do encontro. Os ministros deveriam discutir hoje os cortes de 4,7 mil milhões de euros. O primeiro ministro deve ser recebido ainda hoje em Belém, como acontece todas as quintas-feiras.

Em dúvida mantém-se a realização do debate sobre o Estado da Nação,marcado para amanhã, no Parlamento. O primeiro ministro e o ministro adjunto Miguel Poiares Maduro estiveram reunidos ontem à noite em S.Bento até altas horas da noite.» [CM]
   
Parecer:
 
Isto está um regabofe cavaquista.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Brasil manda o FMI aos gambuzinos
   
«A resposta da representante da Presidente brasileira, Dilma Rousseff, surge dois dias depois de o Fundo Monetário Internacional ter revisto em baixa a previsão de crescimento para o Brasil, para 2,5% este ano, acelerando para os 3,2% no próximo ano, uma revisão de 0,5 e 0,8 pontos, respetivamente.

De acordo com a atualização do World Economic Outlook, divulgado na terça-feira pela instituição sediada em Washington, o Brasil deverá acelerar este ano para os 2,5%, uma forte melhoria face aos 0,9% registados no ano passado.

"O FMI tem todo o direito de fazer previsões sobre as economias dos países, mas dispensamos as sugestões e o receituário para medidas adotadas pelo Brasil", assinalou Gleisi, em declarações à brasileira Agência Estado.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
O FMI perdeu toda a credibilidade técnica, ouvir os Salssies é destruir as economias.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
   
 Não é desta que Portugal aposta no tremoço?
   
«O presidente da comissão executiva da cervejeira Unicer, António Pires de Lima, um alto dirigente do CDS, esteve convencido até ao final da tarde de ontem, hora em que Cavaco Silva falou, de que iria mesmo integrar o Governo como ministro, tendo inclusive comunicado dentro da empresa que estava prestes a abandonar o cargo de chefia. 
  
No entanto, tudo desabou com a comunicação do Presidente da República (PR), às 20h30 de ontem, que pediu um acordo de salvação nacional entre três partidos - PSD, PS e CDS - deixou bem claro que "o atual Governo se encontra na plenitude das suas funções e que, nos termos da Constituição, como disse, existirão sempre soluções para a atual crise política". 
  
O "atual governo" é liderado por Pedro Passos Coelho, sendo secundado por Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque, ambos ministros de Estado. Paulo Portas pediu a demissão, disse que a decisão era "irrevogável", mas Passos não aceitou.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Lá temos de nos contentar com os pasteis de nata do sôr Álvaro, um ministro que já deixou de o ser mas esqueceram-se de o demitir.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 O ainda ministro reuniu com o por enquanto presidente
   
«O encontro do chefe de Estado com Paulo Portas realizou-se já depois da reunião que Cavaco Silva manteve com o secretário-geral do PS, António José Seguro.
  
Os dois encontros só foram revelados à comunicação social depois de já terem terminado.» [DN]
   
Parecer:
 
Isto é um regabofe.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

quinta-feira, julho 11, 2013

Jumento do Dia


Assunção Esteves

Graças ao ambiente de crise a presidente do parlamento, uma conhecida pensionista política, escapou a uma vaga de crises depois das alarvidades que escreveu a propósito da demissão de um dos seus assessores. Ficou a saber-se que para a senhora em tempo de crise os seus assessores estão condicionados nos seus direitos políticos, devendo limitar-se a trabalhar porque a política parece ser só para os políticos.
 
Agora quer alterar as regras de acesso às galerias do parlamento. Será que vamos ver os cidadãos com uma rolha enfiada pela goela porque em tempos de crise os cidadãos não devem passar de meros espectadores?

«A Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, admitiu hoje rever as regras de acesso dos cidadãos às galerias do hemiciclo após um longo protesto que incluiu vaias, gritos, balões e lançamento de papéis.

"Teremos de considerar as regras de acesso às galerias", disse, merecendo aplausos por parte das bancadas da maioria PSD/CDS-PP, antes de citar a escritora e ensaísta francesa Simone de Beauvoir: "não podemos permitir que os nossos carrascos nos criem maus costumes".» [Notícias ao Minuto]

Cavaco em todo o seu esplendor

Depois de ter permitido que o Palácio de Belém servisse de sede de conspirações contra a democracia, depois de ter promovido o conspirador, depois de ter ajudado a derrubar um governo do PS, depois de ter permitido que o governo do seu partido ignorasse durante dois anos o líder da oposição, depois de ter assistido a revisões sucessivas do memorando nas costas dos portugueses e de um dos seus subscritores, depois de ter usado o discurso do 25 de Abril para atacar o maior partido da oposição, Cavaco Silva acha que ainda fez pouco e agora exige ao PS que apoie o seu governo. Compreende-se este ódio ao PS, os seus pesadelos estão cheios de personalidades do PS, como Soares ou Sócrates.
 
O que Cavaco propôs foi uma não solução, como diria o outro esta plataforma cavaquista ( a persoonalidade independente deve ser o Catroga... ou a Ferreira Leite) não resolve coisíssima nenhuma. O que Cavaco fez foi um discurso redondo como uma melancia, o que propôs foi uma aberração constitucional, sugere uma redução a título particular da legislatura, isto é, as eleições antecipadas deixam de ocorrer devido a crises para resultarem de acordos prévios, passam a ser eleições antecipadas a posteriori. O que Cavaco propôs foi pouco digno da democracia, não quer ouvir os portugueses em eleições, mas em vez de negociar uma solução da crise com os partidos faz discursos para atirar a populaça contra os partidos e contra a democracia.
 
Já se sabia que o mês de Julho é uma desgraça quanto a comunicações deste presidente, mas desta vez surpreendeu e fez ainda pior. O que Cavaco fez foi substituir uma crise que tinha solução e aparentemente estava solucionada por uma crise da sua iniciativa  e que é aparentemente é insolucionável. O país já sabia que tinha um governo incompetente e receava ter o mesmo problema na presidência, a comunicação de Cavaco teve uma única virtude, a de esclarecer os portugueses, agora sabemos que a presidência é tão incompetente quanto o governo, Cavaco está para a presidência como o Álvaro está para o governo, a sua solução está para a crise política, como os pastéis de nata estão para a crise económica.
 
Depois de ter andado a prometer crescimento no segundo semestre deste ano e de ainda há poucos dias ter garantido que a meta do défice para 2013 era realizável, Cavaco vem prever a desgraça e conclui que isto só lá vai se o PS se imolar na política do ministro das Finanças emérito Vítor Gaspar. Depois de na semana passada ter garantido que os governos só respondem perante o parlamento e de ter sugerido que os portugueses desconhecem a sua Constituição, a mesma que o próprio Cavaco tem ignorado, vem agora propor uma plataforma de salvação nacional que visa precisamente ignorar a Constituição substituindo-a por uma maioria constitucional.
 
Mas o que é a plataforma de salvação nacional? Não é nada, é o mesmo governo, a mesma política, tudo igual como danes mas com o apoio parlamentar cego do PS para que os diplomas mais sujos da democracia não tenham de passar pelo crivo do Tribunal Constitucional. Com uma votação superior a dois terços o despedimento em massa de funcionários públicos, a sua redução à condição de escravos, a destruição dos seus direitos laborais entra em vigor sem qualquer incómodo incosntitucional. O que Cavaco pretende já não é que o PSD governe com maioria absoluta, Cavaco quer forçar o PS a votar favoravelmente tudo o que ele e Passos decidirem, isto é, quer que os diplomas do seu governo tenham força constitucional. Cavaco sabe que o governo vai chumbar na 8ª avaliação da troika pois a sua refundação do Estado é constitucionalmente inaceitável.
 
Cavaco tenta dar o mais ridículo dos golpes de estado, a democracia continua a funcionar mas o governo passa a ter poderes inconstitucionais porque o maior partido da oposição deixa ter opinião e vota tudo favoravelmente. Cavaco seguiu a sugestão de Manuela Ferreira Leite e exige ao PS que aceite a suspensão temporária da democracia para fazer passar a refundação do Estado. Para o conseguir faz uma comunicação dramática e propõe o golpe em público tentando atirar o povo contra o PS.
Há quem defenda que a solução eram eleições autárquicas e legislativas no mesmo dia. Puro engano, o que Portugal precisa é de mudar de governo e de presidente tão depressa quanto possível, o que Portugal precisa é de uma plataforma de gente honesta e com formação democrática para salvar o país e a democracia. Há em Portugal um problema bem maior do que a incompetência de Passos Coelho, é a incompetência e os ódios pessoais de Cavaco Silva.

Brilhante Cavaco

Acabou de inventar as eleições antecipadas a realizar a posteriori. Mais um pouco e combinava eleições antecipadas lá para dois 2017 por causa do pós troika!

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Borboleta, Lisboa
 Um presidente muito coerente...
 
O mesmo presidente que diz que o país precisa de ser salvo defende agora um compromisso de salvação nacional. O mesmo presidente que atacou o PS de forma violenta no passado dia 25 de Abril quer agora prender este partido ao seu governo.

Com esta comunicação percebeu-se que Cavaco não sabe o que fazer e tenta a todo o custo prender o PS ao seu governo.
 
 Cavaco lança o país numa crise política

O nim dito por Cavaco à solução governativa proposta por Passos Coelho tem como consequência o impasse e isso significa uma crise política sem solução pois o que Cavaco defendeu é inviável. Só se Seguro fosse doido alinharia numa solução de salvação nacional inventada por Cavaco com o único objectivo de repartir os prejuízos de uma política incompetente que teve o seu total apoio.

Além disso, Cavaco esqueceu-se de que é primeiro-ministro e excluiu três partidos da sua solução, para este senhor há partidos de primeira e partidos de segundo, assumindo ele próprio a iniciativa de excluir os representantes de uma boa parte dos portugueses.

Cavaco tem uma visão um pouco oportunista da salvação do país, enquanto esperou que o governo do seu partido conseguiria resolver os problemas apoiou-o, ria-se das alternativas e, pior do que tudo, ignorou, desprezou e acabou por agredir o PS. Agora que o desastre é eminente Cavaco quer que o PS salve Passos Coelho e o seu governo de incompetentes.

E fá-lo de uma forma que faz lembrar a demissão do Gaspar, tentando atirar os portugueses contra os partidos e, em particular, o PS. Cavaco deveria ter negociado esta solução em privado em vez de apelar à sociedade para forçar o PS pois é este o partido sistematicamente visado por Cavaco Silva.
 
Mas o que vai fazer Cavaco? Se defende que o acordo terá de ser entre os partidos isso significa que Cavaco defende um governo de salvação nacional de iniciativa governamental pois o governo tem maioria absoluta e só abrindo mão dela chegará a um acordo com o PS. Isto é, Cavaco lança a confusão e atira as responsabilidades para os partidos, sai da sala de partos para não assumir responsabilidades.
 
Mas o raciocínio aberrante de Cavaco vai mais longe ao propor que se combinem eleições antecipadas para 2014, isto é, Portugal tem um Presidente da República que sugere que uma parte dos partdos combinem uma redução inconstitucional da legislatura. Cavaco não usaria a bomba H, propõe que sejam os partidos a vestirem um colete de bombistas que será detonado com recurso a um relógio.
 
Tudo isto é ridículo demais e Cavaco lançou uma crise bem pior do que o fogacho provocado por Paulo Portas.
 
      
 O tempo está quente e perigoso
   
«Lisboa, ontem, 38 graus. Com 38 graus frita-se um ovo em cima de um capô de carro. Calcule-se o efeito sobre a moleirinha de uma presidente do Parlamento. Alguém sopra a Assunção Esteves que o seu assessor Jorge Sobrado apoia o candidato à presidência da Câmara de Viseu, Almeida Henriques (PSD). Lisboa, ontem, vento fraco. O que sopra só pode ser cálido, alimentando a modorra. Assunção pega na caneta e manda: "Tendo notícia de que um assessor por mim contratado estará a dar apoio a uma candidatura autárquica, decidi fazer cessar as suas funções no meu gabinete." A caneta desfalece e a segunda figura da hierarquia nacional mantém-se hirta, cuidando em não recostar-se ao cadeirão ardente. À porta do gabinete, o povo espera. Em alguns olhos manhosos chispam suspeitas: "Será que o tal Sobrado levou os aparelhos de ar condicionado do Parlamento para Viseu?..." A caneta de Assunção retoma: "Tenho no meu gabinete pessoas de diferentes origens partidárias e, em tempos normais, refletiria sobre a liberdade particular de alguém exercer a sua cidadania ao lado das suas funções. Mas, em tempo de crise, entendo que não deve haver margem para dúvidas." E é tudo o que há para saber. Assunção falou. Alguns do povo metem um dedo nos colarinhos para descolar do suor e vê-se-lhes no olhar que não perceberam nada. O pior é se perceberam: em havendo crise, suspende-se a cidadania. Dos assessores! Calculem o que será para o povo...» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
     
 A vitória da perfídia
   
«A política portuguesa atingiu o nível mais rasteiro até agora visto. O "irrevogável" de Paulo Portas já faz parte do anedotário nacional e ao vê-lo, solene e compungido, beijar o anel de D. Manuel Clemente, na cerimónia de consagração do bispo como patriarca de Lisboa, não podemos remover a ideia de farsa de um comportamento que devia ser pautado pela rectidão de carácter. Mas Portas não está hipotecado a essas minudências da honra e do exemplo, e não venha ele lá agora dizer que a grotesca cambalhota foi dada em nome do "interesse nacional."
  
Não é só a ele, porém, que devemos imputar a falta de palavra. Ao admitir a validade do dito pelo não dito, tanto Passos Coelho como o extraordinário dr. Cavaco cumpliciaram-se na infâmia. O "novo" Governo, cerzido com a benevolente aquiescência de Belém, é um trambolho desprezível para todas as partes. Além de constituir uma afronta a todos aqueles que respeitam as regulares normas de conduta, e ainda mantêm a força de se indignar com a ignomínia.
  
Nesta parada repugnante, o pobre Passos Coelho acaba como um joguete, mais digno de compaixão do que de zombaria. Com Vítor Gaspar foi o que se viu. Aceitou todas as patifarias que o Grande Manitu infligiu a Portugal, o descalabro do desemprego, a queda abissal da economia e, por fim, a consciência de que todo o programa tinha falhado, assim como as previsões, todas as previsões "cientificamente" consumadas. Despediu-se com um mea culpa tão absurdo quanto impune. Nós é que fomos vítimas da experiência.
  
Meteu-se com Paulo Portas, subalternizando-o e desprezando a índole de um homem rancoroso, irresolvido, que não cresceu e capaz das mais torpes vinganças. Basta recordar o que fez a Manuel Monteiro, a alegre cilada a Marcelo Rebelo de Sousa, ou as insídias executadas no Independente (exemplo típico de imprensa marrom, sob a capa de "modernidade"), para se aferir da estofo moral do artista. Pedro Passos Coelho não sabia com quem se enredava. Depois do golpe de cartola, aceitou todas as exigências do parceiro de coligação. Sai desta contenda reduzido a subnitrato e Portas elevado e promovido. A quê, e por quanto tempo?
  
A miséria destas encenações sem grandeza nem recto propósito é que elas traduzem a leviandade de um indivíduo, já de meia-idade, que se diverte a cometer perjúrios, traições e perfídias sem um pingo de vergonha. Contudo, a vergonha, nestes tempos sombrios, está, ela também, desempregada, e nem resquício da sua presença se adivinha no horizonte das nossas preocupações. O pior de todo este descrédito é que parece ser ele aceito por Belém, sempre em nome do tal "interesse nacional" que oculta, normalmente, as maiores maroteiras. As coisas não podem ficar por este intermezzo, embora ele seja demasiado trágico e doloroso para os portugueses.» [DN]
   
Autor:
 
Baptista-Bastos.
   
   
 Pastas do governo são moeda de troca
   
«Ainda não é certo que Nuno Brito suceda a Paulo Portas e venha a ocupar o lugar de ministro dos Negócios Estrangeiros, mas a provável nomeação do embaixador português em Washington já tem causado mal-estar. Segundo a edição de hoje do jornal Público, o provável novo ministro é acusado de ter quebrado uma regra governativa e de ter sido o arquitecto da Cimeira dos Açores, onde se preparou a invasão do Iraque.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

O novo ministro dos Negócios Estrangeiros foi escolhido por competência ou para pagamento de fretes?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se.»
  
 Quem quer Cavaco salvar
   
«O Presidente da República lembrou que “Portugal está viver uma grave crise política” e que “num quadro desta gravidade” todos têm de actuar de forma ponderada.

O Presidente da República exigiu esta quarta-feira dos líderes políticos um "acordo de médio prazo entre os partidos que subscreveram o Memorando de Entendimento com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional, PSD, PS e CDS” assente em “três pilares”, a saber, eleições antecipadas para Junho de 2014, apoio dos três ao governo que se mantiver em funções até lá e apoio dos mesmos ao Governo futuro.

Cavaco Silva ameaçou depois Passos, Portas e Seguro que caso falhassem atingir esse compromisso, os portugueses iriam ser capazes  de “tirar as suas ilações” sobre as “responsabilidades dos três partidos do arco da governação.

O “compromisso de salvação nacional” defendido por Cavaco está assente em três condições que o Chefe de Estado classificou como “fundamentais”. O primeiro é um “calendário mais adequado para a realização de eleições antecipadas”, a “coincidir com o final do Programa de Assistência Financeira, em junho do próximo ano”.

A segunda condição é o “apoio à tomada das medidas necessárias para que Portugal possa regressar aos mercados logo no início de 2014 e para que se complete com sucesso o Programa de Ajustamento”

A terceira e última é a garantia de que o “Governo que resulte das próximas eleições poderá contar com um compromisso entre os três partidos que assegure a governabilidade do País, a sustentabilidade da dívida pública, o controlo das contas externas, a melhoria da competitividade da nossa economia e a criação de emprego”» [Público]
   
Parecer:
 
A solução de Cavaco não tem por objectivo salvar o país, o que Cavaco quer é diluir as suas culpas em todo o processo e as culpas do governo do seu partido, o que Cavaco quer é salvar-se a si próprio amarrando o PS a dois anos de incompetência e má fé no governo e na Presidência da República.

Com esta solução a que ninguém do PS vai dizer sim o que Cavaco consegue é lançar o país numa crise que parecia ultrapassada.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
   
 Teixeia dos Santos diz que ministra das Finanças mentiu
   
«Numa audição que está a decorrer na comissão de inquérito aos swaps, Teixeira dos Santos acusou a actual ministra Finanças de não falar verdade no que diz respeito à passagem de informação sobre os contratos subscritos por empresas públicas.

O ex-ministro das Finanças do PS começou por citar declarações feitas por Maria Luís Albuquerque, ex-secretária de Estado do Tesouro escolhida por Passos Coelho para substituir Vítor Gaspar, no Parlamento a 25 de Junho.

Nessas declarações, a nova ministra das Finanças referiu que “quando este Governo entrou em funções, o problema relativo aos swaps já existia. Apesar disso, na transição de pastas nada foi referido a respeito dessa matéria”, citou Teixeira dos Santos, garantindo que o que “foi dito não é verdade”. O ex-ministro garantiu, uma vez mais, que essa informação foi passada ao actual executivo, nas reuniões ocorridas a 18 e 20 de Junho com Vítor Gaspar.» [Público]
   
Parecer:
 
Parece que senhora mentiu mesmo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ofereça-se uma esferográfica à senhora, para que asine a sua carta de demissão.»

quarta-feira, julho 10, 2013

Um problema de falta de autoridade moral

O que fez Cavaco Silva quando o governo desprezou a concertação social, ignorou os acordos que assumiu com os parceiros sociais e recusou todas as suas propostas. Cavaco Silva ignorou.
  
Onde estava Cavaco Silva quando Passos Coelho e Vítor Gaspar sujeitaram o país a uma experiência radical e conduziram a economia portuguesa ao desastre. Cavaco ignorou a realidade e por várias vezes alinhou nas previsões do governo.
  
Onde estava Cavaco Silva quando o governo procedeu a sucessivas revisões do memorando sem dar cavaco a ninguém? Cavaco ficou em silêncio.
  
Cavaco não tem qualquer autoridade moral para propor soluções de salvação nacional, o que Cavaco pretende salvar não é o país mas sim a sua pobre presidência. Cavaco apenas quer o apoio do PS para mais austeridade brutal, o que Cavaco quer é o voto favorável do PS a medidas inconstitucionais que muito dificilmente passarão no Tribunal Constitucional.
  
Cavaco não pretende qualquer mudança de políticas ou de governo, o que Cavaco pretende é o apoio do PS à política do seu governo.
  
Cavaco não tem autoridade moral, dele não se esperam soluções, ele é uma importante parte do problema. O que Cavaco fa é o mesmo que fez Passos e Portas. Passos tentou entalar Portas, Portas tentou entalar Passos e agora vem Cavaco tentar entalar Seguro. Passos, Portas e Cavaco são tês náufragos numa jangada e tentam a todo o custo que Seguro os salve, o mesmo Seguro que os três senhores da direita tentaram afogar.

Comunicação ao país do Senhor Presidente

Jumento do Dia

   
Cavaco Silva

Depois de ter presidido à mais patética cerimónia de posse de um governante, o mais patético dos presidentes da nossa história vai fazer uma comunicação patética ao país. Patética porque já toda a gente sabe que Cavaco far-se-á difícil para no final aprovar a solução com muitas exigências e sacrifícios.
 
Aquilo que começou por ser uma crise política, que depois se transformou num momento de bom humor à portuguesa, para evoluir para uma comédia de Paulo Portas, acaba com uma comunicação patética, proferida por um presidente que em poucos dias protagoniza vários momentos de nos fazer rir até às lágrimas.
 
Mas o Passos que se cuide, Cavaco está tratando da sua própria imagem fortemente atingida pelo primeiro-ministro e isso terá um preço, resta saber se é com exigências mínimas relativas à remodelação em curso ou com a promessa de vingança para mais tarde.

«Após uma semana de impasse político que desembocou num acordo entre o chefe do Executivo, e o líder do CDS, Paulo Portas, que prevê que este último se mantenha no Governo, assumindo as funções de vice-primeiro-ministro, isto depois de se ter demitido a título “irrevogável”, o Presidente da República pronunciar-se-á hoje acerca da solução encontrada, que depende do seu aval.

De acordo com a TSF, Cavaco Silva quebrará o silêncio às 20h00, informando os portugueses quanto à sua decisão face ao destino governativo do País. Refira-se que desde segunda-feira o chefe de Estado tem reunido com os partidos com assento parlamentar, bem como com os parceiros sociais, por forma a auscultá-los quanto à crise política que se instalou em Portugal.» [Notícias ao Minuto]