sábado, agosto 03, 2013

Oportunismo orçamental

O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais não podia ter sido mais claro, é a redução da despesa pública estrutural que vai financiar o aumento dos lucros após impostos das grandes empresas. Isto é, para que a EDP, a PT, os bancos e outras empresas aumentem os lucros terão de ser despedidos trabalhadores no Estado. E tal como em muitos locais eram os próprios judeus a cavar as suas covas, também no Estado uns terão de trabalhar mais horas para que o colega do lado possa ser despedido.
 
Cortam-se os vencimentos, aumentam-se os descontos e aumenta o horário de trabalho sem qualquer contrapartida ou negociação para que o Estado faça o mesmo com menos funcionários. O argumento foi a aproximação ás regras do sector privado, o que é mentira. A banca, um dos sectores que mais vai ser beneficiado com a redução do IRC pratica o horário de 37 horas de trabalho semanais. Para que os bancos tenham mais lucros os trabalhadores do Estado terão de trabalhar mais horas, para que alguns deles possam ser despedidos.

É a primeira vez que num país democrático e civilizado se faz tal coisa, obrigam-se uns a trabalhar mais para compensar a perda de recursos humanos resultante dos despedimentos e com os dinheiros poupados reduzem-se as taxas de impostos sobre os lucros. O argumento é o de que se criará emprego, mas os grandes ganhadores do negócio não criar um único emprego e alguns deles, como é o caso da banca até estão a despedir trabalhadores por imposição da Comissão Europeia.
 
É evidente que o povo português vai concorda r e se alguém imagina que vai haver uma revolta que se desiluda, os portugueses são um povo frustrado que graças ao discursos dos políticos em que não confiam consideram que os culpados de todos os males são os funcionários públicos. Se alguém lhes disser que o despedimento de 150.000 funcionários é a solução para todos os seus males apoiarão o governo de Passos Coelho com a mesma convicção com que os alemães apoiaram a ascensão de Hitler. Até porque no discurso oficial os funcionários são seres aberrantes que só provocam despesa e estão a mais no Orçamento.
Quando os portugueses perceberem que foram ludibriados e verem que o dinheiro poupado com os funcionários foi para os mesmos que se apossaram das ajudas da adesão à CEE e de uma boa parte da actual dívida soberana nada poderão fazer. Vão eleger mais outro jota que voltará a fazer tanta merda como o actual e um dia destes acabará por acontecer uma revolução a sério neste país.
 
É bom dizer a Seguro que quando se dispõe a negociar a reforma do IRC pouco importa se amanhã o governo lhe fizer o frete de aceitar uma ou duas discussões, mais importante do que isso é que Seguro está a aceitar a aprovar esta transferência forçada de riqueza feita da forma mais brutal possível, despedindo um para entregar os seus vencimentos aos donos da banca, das eléctricas, das telecomunicações, sem qualquer contrapartida em criação de emprego ou em investimento. É com isto que Seguro estará a concordar, é com este dinheiro sujo que as suas sugestões vão ser financiadas.

sexta-feira, agosto 02, 2013

No que deu o complexo de inferioridade

O pessoal dessas universidades cujos diplomas têm desconto em cartão do Continente tem um certo fascínio pelas vedetas dos MBA. Dantes haviam economistas e gestores de empresas, depois apareceram os MBA que muito graças ao prestígio de um curso da Nova e a uma turma de ouro dessa universidade.
 
Os MBA tornaram-se vedetas nacionais e alguns símbolos de sucesso de alguns dos alunos da Nova tornaram os alunos do MBA verdadeiras vedetas da economia, falam do que sabem e principalmente do que não sabem, reduziram a economia e a política económica a golpes de magia financeira.
 
Não deve ser fácil a alguém com um curso modesto de uma dessas universidades onde as primeiras cadeiras de economia são futebol de salão I e futebol de salão II conviver com a sua pequenez intelectual. Não é fácil e depressa se tornam vítimas do fascínio por essa palavras em inglês que Cavaco, num momento de desespero, disse nada percber.
 
Imaginem o vistaço que um qualquer tigre de um dos bancos na moda faria a teorizar sobre swaps ao lado de iletrados como o Relvas ou o Passos Coelho., O resultado foi o que se viu, o governo é uma montra de tigres do MBA, quase todos eles com currículo em feitiçaria financeiras.
 
Passos Coelho está a pagar caro o fascínio que esta gente lhe despertava, cada cavadela uma minhoca e não há secretário de Estado que tenha usado serviços bancários para além de levantamento no Multibanco que não tenha as cuecas machadas com essa caca dos swaps. É de tal forma que um deles, aliás, uma deles até já chegou a ministra. E chegou a ministraporque sabia muito de política económica? Não, porque parece ter jeito para vender dívida soberana a fundos especulativos. Imaginem de onde vem este jeitinho para o negócio.
 

Enfim, se o governo do Santana Lopes foi um flope é caso para dizer que o de Passos foi um swap que lhe deu.

quinta-feira, agosto 01, 2013

A mentirita

Num país onde se mente, onde é necessário nascer meia dúzia de vezes na tentativa vã de ser mais honesto do que Cavaco Silva, convenhamos que a mentirita da Maria Luís nem sequer tem grande gravidade. Se a Maria Luís fosse demitida por causa da sua ou sua mentiritas o coitado do homem de Massamá até perderia a nacionalidade.

Enquanto se discute a questão semântica da narrativa de Maria Luís, um argumento usado por um conhecido alarve que escreve no Jornal de Negócios e de vez em quando dá ares de comentador económico com um QI ligeiramente acima do do orangotango, ninguém reparou na facilidade com que o marido da senhora arranjou emprego na EDP, um daqueles empregos maravilhosos em que nada fazemos e nos mandam o vencimento para casa.
  
Não se discute também se a senhora está à altura da pastas e se o facto de ter conseguido convencer alguns especuladores internacionais a comprar dívida portuguesa a mais de 5% é suficiente para assegurar que a senhor sabe o que quer que seja de política económica ou de política orçamental. A verdade é que a senhora tem uma licenciatura em gestão numa dessas universidades em que o diploma tem desconto no cartão Continente, mais um mestrado em questões monetárias ou, para ser mais preciso, nessa coisa dos derivados, de que a senhora nada sabia nem tinha ouvido falar.
  
Se a oposição fosse inteligente até teria agradecido a Passos a escolha da Maria Luís e a Cavaco o factpo de ter dado posse entre dois carapaus alimados, em termos intelectuais esta senhora é uma sombra do Gaspar e se o antecessor errava nas previsões a actual ministra nem as vai conseguir fazer. 
  
Mas já que é de mentiras que se fala o mais grave da mentirita da Maria Luís não está na dimensão, na semântica ou na eventual diferença entre o que disse e o que queria dizer, está sim no facto de ter sido um pequeno golpe sujo. A Maria Luís não terá mentido para se defender ou para entreter a populaça, o que fez foi tentar passar a outros responsabilidades que eram suas e isso é bem mais grave do que mentir.

Mas, por favor, mantenham a Maria Luís no lugar.
 
PS: O bom exemplo do Cavaquismo

O governo de Sócrates devia ter seguido o exemplo de Cavaco, o homem a quem bastou nascer uma vez para ser o modelo de virtudes que todos conhecemos. Quando o falecido Sousa Franco chegou ao ministério das Finanças não haviam pastas, ficheiros com os dados do OE, os computadores tinham apenas o sistema operativo e as etiquetas dos telefones tiram sido trocadas pelos que nos primeiros dias não se conseguia fazer um telefonema para o número pretendido.
  
Compare-se com o que se vai dizendo sobre a passagem de dossiers entre os governso de Sócrates e de Passos Coelho.

Votar bem nas autárquicas

Em Portugal tornou-se uma verdade quase absoluta a de que o mundo das autárquicas é um mundo de gente exemplar dedicada à causa pública, empenhada no bem comum e gastando o dinheiro de forma mais eficaz. Mentira, o mundo das autarquias significa em muitas terras deste país corrupção, incompetência, populismo, oportunismos, jogos sujos, caciquismo e esbanjamento de dinheiro.
 
Na minha terra o PCP ajudou o PSD a chegar ao poder numa autarquia onde nunca um responsável da direita pensou ser possível, Mete uma história estranha de reuniões secretas, de candidatos independentes, de pequenas trocas e Monte Gordo, um bastão do PCP mais sólido do que o Alentejo votou obedientemente do candidato da direita, lembrando os famosos sapos engolidos quando Soares venceu Freitas do Amaral nas eleições presidenciais.
 
Por estranho que pareça tal aliança entre o PCP e o PSD não o é, o ódio ideológico do PCP ao PS leva a que quer ao nível nacional, quer ao nível autárquico o PCP seja um candidato bem mais sólido do PSD do que se tem revelado o CDS. Mas no caso da minha terra a candidatura apresentada pelo PS era de ir ao vómito e vómito por vómito o diabo que escolha.
 
O PS é um partido monárquico, ali ser filho de uma personalidade de peso é sinal de uma carreira fácil, ter sangue azul coloca estes jovens acima da carne seca. Não admira que na minha terra seja candidato do PS o filho do senhor que governou tão bem a autarquia que a entregou à direita. Mas no PS a vontade do povo pouco conta para a nobreza por lá instalada, o que conta são os laços familiares, de clã, a notoriedade resultante dos favores passados. Ter feito um grande favor a Almeida Santo é garantia de poder até à quinta geração.
 
Escolho a minha terra como exemplo repelente, mas a verdade é que esse exemplo é generalizado, uma boa parte das candidaturas autárquicas apresentam sinais óbvios de podridão, mas mesmo assim os partidos insistem nelas. Por isso é muito difícil votar nas autárquicas de acordo com as convicções, os princípios e os projectos, o mais certo é sermos obrigados a votar no menos mau, no menos corrupto ou menos podre.
 

Por mais se aumente o divórcio entre o povo e os partidos estes são incapazes de inverter esta tendência, a corrupção, os compadrios e os jogos sujos são mais fortes. Resta-nos votar o menos mal possível.

quarta-feira, julho 31, 2013

Um presidente à manera

A honestidade da senhora ministra das Finanças fez mais uma vítima, depois do ex-ministro Teixeira dos Santos em representação do governo, de Vítor Gaspar e da Direcção-Geral do Tesouro foi a vez de Costa Pina ser um malandro em nome da honestidade da senhora.
  
Em sua defesa veio Cavaco Silva que parece ter menos competências presidenciais do que os jardineiros do Palácio de Belém, para ele a ministra depende da confiança política do primeiro-ministro e este garantiu-lhe que nada manchava o nome da senhora. Isto é, não se percebe bem a existência de uma comissão parlamentar de inquérito para apurar o conceito de verdade da senhor que deverá ser o seguido e aprovado pela maioria de direita nessa comissão, sendo de supor que a verdade da senhora esteja mais ou menos ao mesmo nível da honestidade dos perdões fiscais de Oliveira e Costa.
  
Se para Cavaco os ministros dependem da confiança política do primeiro-ministro deveria explicar aos portugueses o porquê de quinze dias de crise, enquanto a remodelação ficou a marinar.
  
À falta de melhor começa a ser óbvio que o país só teria a ganhar se o presidente da junta de freguesia de Belém escolhido nas próximas autárquicas acumulasse com as competências de Presidente da República. Aposto que não havia negócios de acções, processos disciplinares por baldas a aulas, amigos como Oliveira e Costa e muitas outras coisas do senhor da Coelha.

Roleta russa

Depois desta remodelação os ministros deste governo deviam deixar de fazer palavras cruzadas ou de jogar à bisca pingada, o jogo mais apropriado é a roleta russa. Não se sabe qual será a próxima vítima daquilo a que Gaspar designou por “falta de liderança”, alguém terá de pagar pelos futuros insucessos ou de ser sacrificado como oferenda aos deuses no altar da ambição de Paulo Portas.
  
Um dia deste Paulo Portas vai escrever outra carta dizendo que a sua decisão é irreversível, tal como sucedeu agora será uma carta marcada e nela estará o nome de quem Paulo Portas quer em sacrifício. Poderá ser o novo ministro do ambiente porque Paulo Portas tem alguém bem colocado para ganhar com os negócios da água ou do lixo, o que será difícil pois esta é uma coutada da Fomentivest, um monstro que tem à cabeça Ângelo Correia, mas que envolve uma boa parte da nata política.
 
Alguém terá de pagar porque Passos Coelho chegou à brilhante conclusão de que a sua ideologia deve ser transformada em orientação económica inquestionável, uma postura que faz lembrar a derrota dos alemães na Rússia depois de Hitler ter chamando a si o comando do exército invasor, ponde de lado os generais de carreira. Passos é o verdadeiro ministro das Finanças e a sua antiga assistente da Lusíada não passa de um pau mandado.
 

Tal como ignorou a carta do seu ex-ministro Passos Coelho nunca aceitará a derrota das suas teses extremistas, longamente debatidas com fieis seguidores nas discotecas da capital.  Se as previsões falhares a culpa não é dele por ser infalível, ou é da economia ou de quem fez as previsões. O problema é que a ministra é ele, isto é, o culpado será escolhido recorrendo à roleta russa.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Painel de Azulejos na Capitania do Porto de Vila Real de Santo António
    
 Só pode estar louco

Vejam bem as barbaridades que o Passos Coelho disse e depois pensem bem se ele está bom da cabeça, dantes não se dava muito pelas suas ideias, agora começa a merecer uma ida a uma consulta de psiquiatria:

  • Quer que a moção de confiança “seja um pacto de confiança com todos os portugueses”.
  • “Podemos estar muito próximos da inversão da crise":

 Surpresa!
 
O CDS votou favoravelmente a moção de confiança apresentada por Cavaco Silva que por estar a mudar o óleo ao jipe não esteve presente delegando em Passos Coelho a sua defesa.
 
 Heil Passos
 
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 De controleiro a porta-voz de Cavaco
   
«À margem da sua tomada de posse enquanto presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), que hoje decorreu no Salão Nobre da Assembleia da República, David Justino, que é consultor do Presidente da República, Cavaco Silva, e foi o observador da presidência nas negociações partidárias para um acordo de salvação nacional, afirmou-se convencido de que "o futuro vai demonstrar" a possibilidade de se chegar a um compromisso.

"Sei [porque não foi possível os partidos entenderem-se sobre o futuro], mas não o posso dizer, porque a informação é dada ao Presidente da República. Julgo que, muitas vezes ao contrário do que se nota no debate político, há muito mais pontos comuns do que aqueles que sugerem a divergência. O problema são as estratégias políticas e opções em cima da mesa", afirmou Justino.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

É o Justino ou o Cavaco que fala?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se ao Justino que adopte o sotaque de Boliqueime.»
  
 Outro boche apanhado a copiar
   
«Acusações de plágios ensombram mais uma carreira de um alto quadro político da Alemanha. A tese de doutoramento do presidente do parlamento alemão foi posta em causa na Internet, isto após duas acusações terem levado à demissão de dois ministros no país. Norbert Lammert nega o crime e já solicitou a revisão do seu trabalho feito nos anos 70, segundo a imprensa internacional.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
E a Merkel não terá copiado nada?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «»
   
 Não foi o sr. Silva que anunciou a moção?
   
«O primeiro-ministro garantiu no Parlamento que se a moção de confiança que hoje apresenta "pudesse ser encarada como um desafio ao Presidente da República, não a apresentaria".» [DE]
   
Parecer:
 
Este deve estar a gozar com o país.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

terça-feira, julho 30, 2013

Jumento do Dia

    
Cavaco Silva

É a primeira vez na história das democracias que o estratega político de um governo, o responsável pela ideia de apresentar uma moção de censura e o primeiro a propô-la e a apresentá-la aos portugueses não deu a cara, não esteve presente nos debates, não deu a cara para a defender.

Moção de confiança ou moção de censura

O que Cavaco pretende com a moção de confiança que forçou o governo a apresentar é uma fantochada política, tenta passar a mensagem de que o que sucedeu foi mais do que um upgrade do governo para eliminar alguns dos seus bugs, mas sim uma nova versão do governos com novas funcionalidades e um novo manual de instruções.
 
Tenta-se desta forma adquirir uma legitimidade que não se tem, o governo deixou de governar para o país para governar para um parlamento que não passa de um “animal” de estimação. Desta forme tenta-se iludir a ilegitimidade de um governo que mentiu premeditadamente para obter os votos de eleitores que hoje estão arrependidos.
 
Mas, Cavaco aposta tudo no seu governo e sabe que o fracasso de Passos Coelho é o seu próprio fracasso e se um dia tiver de der posse a um novo governo do PS só lhe resta demitir-se, manter-se em funções destruirá o pouco que resta da sua dignidade política. Cavaco não quer apenas assegurar a sobrevivência do seu governo, tem dois anos para o ajudar a destruir o PS.
 
Até qui Cavaco tem sabido manipular Seguro, chegando ao ponto de o pressionar através da comunicação social, como fez quando denunciou supostas manobras para boicotar a sua manhosa salvação nacional. Toda a gente sabe que o parlamento vota no que Passos mandar, muitos dos seus deputados até concordariam em dar uns açoites à mãe se isso lhes fosse exigido.
 

A dúvida não está em saber se Passos tem apoio parlamentar, mas sim em saber se Seguro sobreviver. Esta moção é mais uma tentativa de homicídio político do líder do PS. De um lado Cavaco montou um Passos dialogante e com soluções, do outro estará aquele que Cavaco espera se mostre um banana que não está à altura da situação, é esta a mensagem que a direita pretende fazer passar no debate da moção de confiança, esta moção é na verdade uma moção de censura a Seguro.

segunda-feira, julho 29, 2013

Umas nos cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Águas-furtadas, Vila Real de Snato António
   
   
 E vão dois mais o Gaspar
   
«Selassie, o chefe de missão da troika em Portugal, que representava o FMI, vai dizer adeus ao País e à missão, pois, segundo fonte oficial, o responsável vai antes assumir funções no departamento africano.

O representante do FMI na missão portuguesa será substituído em Setembro por Subir Lall, director do departamento europeu do FMI e chefe de missão para a Alemanha e Holanda, países que, segundo o Sol, acumulará com Portugal já na oitava e nona avaliação.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Pois, o rapaz sempre revelou mais jeito para países como o seu, só é pena que desta forma se escape às responsabilidades pelo que fez em Portugal. Gaspar demitiu-se assumindo o falhanço, o Durão Barroso calou-se, o comissários dos Assuntos Monetários despareceu e o BCE não diz nada, a troika prepara-se para não assumir as responsabilidades pelo desastre português.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Que vá com Deus.»
  
 Começa a perceber-se porque Portas queria demitir o Álvaro
   
«A indicação de Pires de Lima, transmitida em nota enviada à agência Lusa pelo Ministério da Economia, surge no dia em que o Correio da Manhã noticia que, dias antes de abandonar a pasta da Economia, o antecessor Álvaro Santos Pereira "deu instruções para ser declarado o incumprimento definitivo do contrato de contrapartidas da compra dos torpedos para os submarinos".

Segundo o gabinete do novo ministro com a tutela da Economia, o contrato de contrapartidas que deriva de aquisição de torpedos tem um período de vigência de oito anos, que termina em fevereiro de 2014.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
O CDS volta a controlar o negócio.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
   
 O elogiador oficial
   
«Nuno Amado elogia os responsáveis do Governo pelas pastas das Finanças, Maria Luís Albuquerque e da Economia, António pires de Lima. Para o banqueiro, “ser ministro nestas circunstâncias não é fácil".

Na opinião do presidente do BCP, o cargo de ministro "hoje em dia não é um posto tão apetecido assim".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Este senhor não trabalhava no banco Santander, o tal que se encheu a vender swaps?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se um estojo de graxa ao senhor.»
   
 Despedimento preparado em Agosto
   
«“O Ministério das Finanças deu indicações às direções gerais e regionais dos diferentes serviços da Administração Central do Estado, já na semana passada, para que apresentem, até sexta-feira, dia 02 de agosto, horários de trabalho reformulados à luz da nova legislação hoje aprovada com vista ao aumento do horário de trabalho no Estado”, revelou à Lusa o dirigente da Frente Sindical da Administração Pública (FESAP), José Abraão.

O responsável sindical referiu ainda que o Governo deu indicações aos serviços para que “reformulem os mapas de pessoal para que, perante a indicação de excedentários, estes possam ser colocados no regime de requalificação até ao final do ano”.

“O Governo está a pedir aos dirigentes que façam o trabalho sujo”, acusou José Abraão, considerando tratar-se de uma “precipitação” do Governo, numa altura em que se desconhece se os diplomas, hoje aprovados na especialidade e que ainda aguardam a votação final global em plenário, “vão ou não cair no Tribunal Constitucional”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Era de esperar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

Jumento do Dia

    
Medina Carreira

Já não há paciência para aturar este modesto fiscalista,

«Medina Carreira voltou a tecer duras críticas ao actual estado da política nacional. No seu espaço de comentário na TVI 24, o jurista defendeu que a mais recente crise política “nasceu da coligação entre políticas orçamentais”, não deixando de atribuir a culpa aos partidos, mas não só aos que pertencem ao Governo.» [Notícias ao Minuto]

A sorte destes gajos

A sorte destes gajos é que na hora de a Europa decidir superar esta crise não se pode esquecer de ajudar os idiotas que acreditaram na tese da austeridade e que de forma tão servil foram mais boches do que os alemães, desempenhando o papel de pitbull da senhora Merkel. Os alemães não se vão esquecer de um velho amigo que num dia publicava artigos no site do ministério das Finanças alemão e uma semanas depois demitia-se assumindo-se como um falhado ao serviço de outro falhado.
 
A sorte destes gajos é que qualidades como a falta de honestidade intelectual ou o oportunismo não é um exclusivo nacional, ninguém na Europa vai querer assumir o falhanço da tese da austeridade brutal, até porque isso colocava a questão das consequências e responsabilidades financeiras. Além disso ninguém quer a continuação desta crise financeira, nem mesmo as agências de notação pois quanto mais se propaga e prolonga a crise mais penalizados estarão os investidores que lhes pagam os serviços. A crise vai acabar da mesma forma que começou, com mentiras.
 
A sorte destes gajos é que a Alemanha, assim como a União Europeia, vai preferir dizer que Portugal é um caso de sucesso e premiar esse estatuto com ajudas que ajudarão a disfarçar o desastre. É isso que justifica a docilidade com que foi recebida a crise ou a forma tolerante com que foi adiada a 8.ª avaliação. Nem se ouviram as habituais mensagens do pitbull O’Connors,

A sorte destes gajos é que a troika vai permitir aligeirar a austeridade em 2014 e o adiamento do pacote de austeridade que o Passos se propôs lançar para compensar os resultados desastrosos dos primeiros dois anos do ajustamento
 

O problema destes gajos é que nem a boa imprensa da nova vedeta do ministério da Economia, nem o ressuscitar dos projectos de Sócrates promovido por Paulo Porta e muito menos os discursos de Passos Coelho irão promover o crescimento económico. Estes gajos vão perceber que nem tão cedo os investidores, nacionais ou estrangeiros, vão confiar num país governado por loucos.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Aldrabas da porta da antiga Alfândega de Vila Real de Santo António
    
 Dúvida

Têm a certeza de a modesta gestora de empresas com uns conhecimentos de swaps tem capacidade técnica par orientar a preparação de um Orçamento de Estado?

 Este senhor irrita-me

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Cada vez que aparece a falar fico com uma vontade danada de mandar o PS à bardamerda. Quando li o título no email do Notícias ao Minuto pensei que a declaração fosse de umas dessas personagens obscuras do PSD que costumam ser chamadas quando é preciso dar golpes sujos.
  
      
 Agora é que vai ser
   
«1. O governo pequeno e enxuto, aquele que ia provar que todos os governos anteriores eram grandes e despesistas, não correu bem.

Foi assim: uns rapazes leram umas coisas numas contracapas duns livros sobre Estados pequenos e fortes, confundiram aquilo tudo e pensaram que se criassem uns superministérios e fizessem muita força ia tudo funcionar às mil maravilhas. O próprio Estado, por artes mágicas, ficava mais maneirinho. Entretanto parou-se o funcionamento dos ministérios durante meses. Perdeu-se muito tempo e muito dinheiro. Agora voltamos aos anteriormente chamados governos grandes e despesistas e vai ter de se começar tudo de novo. Estamos perante uma situação que merece um estudo académico aprofundado: o caso de meia dúzia de deslumbrados que andaram a brincar aos governos durante a mais grave crise dos últimos anos. Mas agora é que vai ser.

2. Durante dois anos não se conseguiu atingir uma meta, nem acertar uma previsão. Nem consolidação orçamental, nem reforma do Estado, nem reformas estruturais, nem austeridade nos sítios certos. Mas tivemos desemprego, recessão, emigração e impostos com fartura.

O principal executor da política prosseguida, o que aplicou a receita além da troika, o que pôs no terreno aquele que seria o programa do Governo mesmo que não houvesse memorando, foi-se embora dizendo que o plano estava errado e que Passos Coelho tinha problemas de liderança. O primeiro-ministro e a ministra das Finanças - a senhora com problemas de memória que é uma espécie de Gaspar de antes da carta de demissão - passaram as duas últimas semanas a dizer que a estratégia que tudo tem destruído é para manter e é-nos afiançado que uns pozinhos de perlimpimpim transformaram Passos Coelho num líder.

Ao mesmo tempo, os membros do Governo patrocinados pelo outro primeiro-ministro lançam foguetes anunciando que agora vai ser crescimento económico até fartar e investimento a rodos. De que forma é que se esqueceram de dizer.

Digamos que é capaz de não estarem reunidas as condições para entendimentos e talvez se torne difícil fazer o Orçamento para 2014.

Quem vai renegociar o memorando? Os que acham que se tem de mudar de rumo ou os que pensam que ainda se não foi suficientemente longe na loucura?

Mas agora dizem-nos que tudo isto pouco importa. Temos de esquecer as profundas diferenças programáticas e até ideológicas entre os membros do novo Governo, esquecer que foi este o primeiro-ministro dos dois anos anteriores, ignorar a catástrofe em curso e fingir que há alguma hipótese de crescimento e investimento com os cortes programados e a manutenção das políticas troikianas. E porquê? Porque agora é que vai ser.

3. Coesão, Credibilidade, Confiança. Os tais atributos que o Presidente da República não reconhecia a esta nova solução governativa há quinze dias, mas que agora por qualquer razão que nos esqueceu de explicar existem com fartura.

Um vice-primeiro-ministro que troca o valor da sua palavra e a sua honra por uns cargos para si e para o seu partido não inspira grande confiança.

Um Governo que insiste em ter ministros que mentem com os dentes todos que têm na boca no Parlamento não será propriamente de fiar.

Um Governo que continua a ter um primeiro-ministro que acha os portugueses preguiçosos e cometeu todos os erros possíveis e imaginários durante dois anos não se torna credível apenas por agora ter gente com a qualidade e a experiência política e profissional de Pires de Lima ou Moreira da Silva - já tinha e continua a ter excelentes elementos como Paulo Macedo ou Miguel Macedo. Sim, as pessoas são importantes, mas se os líderes são maus e, sobretudo, as políticas estão erradas nada pode mudar.

Um Governo em que o ministro dos Negócios Estrangeiros acha o vice-primeiro-ministro politicamente hipersensível e de comportamento errático e que pensa que será muito difícil aos ministros aceitar o primeiro-ministro ao lado de Paulo Portas, que acha que Maria Luís não é a pessoa indicada para o novo rumo que será preciso tomar, não indicia grande coesão.

Mas, claro está, isto são suspeitas infundadas. Está tudo coeso, sólido, unido. O que lá vai, lá vai. Agora é que vai ser.

4. Para nós portugueses, os que sofremos com todos os desvarios presentes e passados, seria bom que o Governo mudasse de política e de atitude perante os nossos credores. Que este novo Governo abandonasse os delírios revolucionários Que a incompetência desse lugar ao mínimo bom senso. Que subitamente Passos e Portas se transformassem em estadistas. E isso será talvez tão fácil como pôr galinhas a voar. Impossível, mesmo que se diga muitas vezes, batendo com a mão no peito, que agora é que vai ser.» [DN]
   
Autor:
 
Pedro Marques Lopes.
   
   
 Está à rasca
   
«O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, deixou hoje um aviso aos que pensam que as autárquicas são "favas contadas" e que podem abrir uma crise política dentro de uns meses com o resultado das eleições de setembro.

Passos Coelho, na Festa de Verão do PSD de Vila Real, em Pedras Salgadas, concelho de Vila Pouca de Aguiar, e debaixo de chuva intensa, justificou aos militantes e simpatizantes sociais-democratas a prioridade que deu, nestes dois anos, à execução do programa de assistência económica e financeira.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Sempre que está a passar por um mau bocado Passos Coelho foge par Vila Real onde se monta um encenação para se filmarem uns quantos indígenas  aplaudirem-no, algo que hoje só é possível por aquelas bandas ou em dia de missa no Mosteriro dos Jerónimos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
  Subsidiodependentes
   
«Governo de Passos Coelho e Jardim garantiram que a fundação, com património superior a 10 milhões de euros, "não recebe um tostão do Estado". Mas as verbas para a reflorestação vieram da UE e do OE

A Fundação Social-Democrata da Madeira (FSDM) recebeu apoios no montante de 1,1 milhões de euros, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural da Região Autónoma da Madeira (Proderam 2007/13), destinados à reflorestação da herdade do Chão da Lagoa, onde terá lugar este domingo a festa anual do PSD regional.

Os dois primeiros financiamentos concedidos pelo Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP), em 2010 e 2011, no âmbito do Proder madeirense, destinaram-se a projectos de reflorestação da herdade da fundação. O Ministério Público interpôs uma acção contra esta entidade junto do Tribunal Administrativo e Fiscal do Funchal, por denúncia particular feita em 2007 contra o depósito de terras e alteração morfológica do terreno, para apurar se houve violações ao licenciamento nas terraplenagens executadas para acolher as amplas zonas de comício e estacionamento na festa do PSD.

A fundação - que tem como finalidade "contribuir para o desenvolvimento do regime democrático e da autonomia política da Madeira (...) através principalmente da realização de estudos e de acções de investigação, divulgação e formação" - também recebeu em 2012 mais 503 mil euros. Neste caso, segundo a própria beneficiária, para financiar um novo projecto de reflorestação "motivada pelos incêndios de 2010 e consequente devastação da floresta integrante da Herdade do Chão da Lagoa", que levaram ao adiamento da festa de Julho para Setembro desse ano.» [Público]
   
Parecer:
 
Ainda vamos descobrir que fomos nós a pagar a poncha das bebedeiras da festa e ainda vão fazer como a Luisinha Tóxica e dizer que foi coisa do governo anterior.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

domingo, julho 28, 2013

Jumento do Dia

    
Pedro Passos Coelho

O mais recente afilhado do senhor Silva é um defensor quase doentio do consenso, do diálogo e agora até da bafienta união nacional.

«“Quero apenas reafirmar que o país precisa muito de um espírito de união e de união entre todos os portugueses e de uma união nacional”, salientou Passos Coelho quando questionado pelos jornalistas, em Alijó, sobre as reações dos partidos da oposição ao seu apelo.

O primeiro-ministro disse na sexta-feira que o país precisa de um “clima de união nacional, não é de unidade nacional, é de união nacional, que permita essa convergência"» [Notícias ao Minuto]

Semanada

Quem visse a alegria transbordantes do governo e até do cota na tomada de posse dos ministros remodelados corria um sério risco de pensar que aquele pessoal estava a meio de uma trip de LSD e o olhar esgroviado se devia a visões psicadélicas. Mas o LSD está fora de moda e as lojas dos cogumelos foram fechadas pelo que a única explicação possível é o álcool, se calhar Cavaco brindou a malta com uns carapaus alimados à moda da Quinta da Coelha e serviu-lhes um Lagoa, um vinho que costuma enganar os principiantes pois parece refresco.
 
Quem parece ter abusado do Lagoa é a ministra das Finanças que se arrisca a ficar conhecida pela Luisinha, a Tóxica, com os seus swaps já pôs em causa vários ex-governantes e nem a sua antiga chefe na REFER se escapou. Só mesmo alguém que esteja sob o efeito do Lagoa não percebe que a senhora não só mentiu, como o fez pondo em causa a dignidade de outras pessoas, contando que estes ficassem caladas. Teve azar e um dia destes vai provar as suas próprias toxinas. Esperemos que saiba passar o dossier aos seus sucessores.
 
Começa a ser evidente que Seguro caiu na ratoeira de Cavaco Silva e isso talvez explique o ar feliz de Cavaco nas posses e a nopva postura dialogante de Passos Coelho. Seguro tem o complexo do rapaz certinho e em vez de terr em consideração os valores e o sentir do partido que dirige ou o que está em causa opta sempre pela posição que lhe dá um ar de rapaz que promete. O resultado tem sido desastroso e o seu amigo Passos Coelho farta-se de gozar com ele e já faltou mais para que o líder do PSD venha em auxílio de Seguro contra os conspiradores do seu partido, os tais que Cavaco acusou de estarem a boicotar a sua salvação nacional.
Passos Coelho anda a ler muitos livros sobre Salazar e agora até já propõe uma união nacional. Bem, sempre há algum progresso, sempre é melhor o governo inspirar-se em Salazar do que no nazismo, algo que parece suceder quando se chama requalificação a um despedimento ou quendo se sugere aos portugueses que emigrem.

Umas no cravo e outraas na ferradura


 
   Foto Jumento
 
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Vila Real de Santo António
    
 Quem lidera a oposição

Há qualquer coisa de errado, com um governo tão sacana e incompetente e não há candidato a líder da oposição.

 Deve ser das leituras que faz
 
A proposta de união nacional feita por Passos Coelho a Seguro cheira mal que tresanda e o que fez Seguro? Ficou calado.

      
 Albuquerque e o dominó dos swaps
   
«Cuspir para o ar num Governo onde há sempre ventos contrários, às vezes até em turbilhão, é um tremendo risco. A imagem é repugnante, mas é de propósito. Porque é exatamente isso que está a acontecer com a polémica dos swap e o envolvimento de Maria Luís Albuquerque. A tentativa pueril de atirar as culpas de mais um caso de desaire financeiro - quase tão mau como as famosas PPP - para o anterior Governo foi desde o início mal medida. Passos Coelho e a tropa de assessores nascidos na blogosfera e nas agências de comunicação que levou para o Governo esqueceram-se da promessa eleitoral de nunca se desculparem com o passado e quiseram fazer chicana política. Politiquice. E a ideia não podia deixar de dar para o torto. A nova ministra das Finanças acaba apanhada numa rede na qual quanto mais estrebucha mais se enleia. Só pelo seu percurso profissional, Maria Luís Albuquerque tinha de saber do assunto. Sabe-se agora também que, na sua ainda curta carreira política, esteve sempre atenta ao problema. E que recebeu informação e foi avisada da gravidade do problema. A questão central não é pois se mentiu e quanto mentiu no Parlamento, porque isso apenas atesta sobre a sua credibilidade pessoal e política. É porque deixou passar dois anos, comprovadamente sempre preocupada em receber todos os dados, até gritar aqui d"el rey. Dois anos durante os quais as perdas potenciais de que foi alertada logo quando se tornou secretária de Estado duplicaram. Houve um erro grave de vários gestores de empresas públicas e dos ministros que os tutelavam no tempo de Sócrates: aplicaram dinheiro público através de instrumentos financeiros de alto risco e deviam ser responsabilizados pelas gigantescas perdas que este jogo de casino trouxe ao Estado. Era fazer isto, doesse a quem doesse, e assunto encerrado. Mas não. Optou-se por uma caça ao rato que de repente se tornou num daqueles jogos em que as peças de dominó vão caindo sucessivamente até à última. E, depois de administradores e secretários de Estado, essa derradeira figura pode ser a da própria minis- tra. Fragilizada numa nomeação contra o parceiro de coligação que se demitiu por sua causa. Fragilizada porque ao revogar a sua irrevogável decisão, Portas ficou com a tutela de muitas das suas competências. Fragilizada por uma polémica que a consome por dentro, Albuquerque é uma ministra a prazo. E é ela a grande ameaça à nova coesão do Governo.
  
A quota do Banco Português de Negócios
  
Das duas, uma: ou este governo tem mesmo a tentação do abismo ou, face ao descrédito em que mergulhou, já não consegue convencer ninguém a juntar-se-lhe. Seis meses depois da escolha de Franquelim Alves para secretário de Estado este sai e Passos Coelho deve ter decidido que tinha de manter a quota de BPN dentro do Governo e escolheu Rui Machete para ministro dos Negócios Estrangeiros. Não está em causa a competência de um ou de outro. Nem sequer a responsabilidade de qualquer dos dois no maior escândalo, o maior crime financeiro, existente em Portugal. Está em causa a ética política e a ética da responsabilidade. Se não fosse isso, nem eles nem quem os contratou teriam tido vergonha de colocar no currículo essa parte do passado. Passos pode até ter querido vingar-se de Cavaco, que em 95 afastou Machete do Governo do Bloco Central em que era vice-primeiro-ministro de Soares. Ou, simplesmente, ter sentido a necessidade de ter um peso pesado da política para dar uma aura de maturidade a um governo em que a falta dela tem sido mais do que evidente. Mas parece não aprender com os erros. É que, como se não bastasse, ainda acabou a semana a dar uma nova oportunidadea Agostinho Branquinho, o salta-pocinhas-mor do poder político para o económico. Assim, não há confiança dos cidadãos que resista.
  
O isolamento de Seguro
  
Passos perdeu porque viu o CDS fazer uma OPA hostil no Governo. Portas perdeu porque o seu poder governamental aumentou menos do que diminuiu a sua credibilidade política. Cavaco também não ganhou nada. Mas o grande derrotado da semana e meia de negociações para o consenso de salvação nacional foi António José Seguro. Como candidato a primeiro-ministro e estadista, nunca podia dizer não ao repto presidencial. Mas todos sabiam que o acordo era impossível, que a ideia presidencial estava condenada à partida. Onze dias e nove rondas de negociações depois, nunca se saberá realmente o que foi verdadeiramente discutido. Mas ficou a nu que o PS apresentou uma mão-cheia de propostas que tinham tanto de inconciliáveis como de irrealistas. Com as quais vai ser encostado à parede. A cada proposta da maioria que se aproxime das apresentadas pelos socialistas, a começar já pela reforma do IRC, Seguro vai ver Passos e Portas exigirem-lhe o apoio obrigatório e não conseguirá justificar uma recusa. Ameaçado pela velha ala do partido e pela concorrência de sempre, é um líder ainda mais isolado a quem o Governo não vai deixar de pressionar. Pelo que se alguém, daqui a uns anos, teorizar que a crise das últimas semanas foi congeminada por Cavaco, Passos e Portas, ainda tenderemos a acreditar.» [DN]
   
Autor:
 
Filomena Martins.
   
   
 É o efeito Crato
   
«A participação portuguesa na 54.ª edição das Olimpíadas Internacionais de Matemática, a decorrer na Colômbia até domingo, foi a melhor de sempre, com o 36.º lugar na classificação por países, num total de 97.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Um ano e pouco mais e a miudagem já sabe de matemática, um verdadeiro milagre cratino, ou terá sido antes a Nossa Senhora de Fátima?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Solicite-se ajuda à especialista em santinhos para identificar o santo milagreiro.»
  
 O que é preciso é ajudar o Menezes
   
«A candidatura independente de Nuno Cardoso à Câmara do Porto não vai incluir listas às freguesias para não ser cúmplice da “reforma administrativa” do Governo, disse à Lusa o ex-autarca.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Até onde poderá descer o ser humano?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
   
 Está explicada a festa da remodelação
   
«A equação da felicidade foi desenvolvida pelo professor nova-iorquino Todd Kashdan que apresentou seis fatores essenciais para atingir o bem-estar e, consequentemente, a felicidade, avança o jornal britânico 'Daily Mail'. A equação resulta da combinação perfeita desses elementos.
  
Segundo o professor de psicologia, os agentes para uma vida feliz são: viver no momento (M), ser curioso (C), fazer coisas de que gostamos (L), pensar nos outros primeiro (T), cultivar as relações (N) e cuidar do corpo (B).» [CM]
   
Parecer:
 
Até o Cavaco deve ter seguido a equação, até parece que estava com uma pedrada ou que tinha abusado do tintol com os carapaus alimados, tal era a felicidade que transparecia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 TE a Luisinha Tóxica ainda é ministra?
   
«A ministra das Finanças, permitiu, em janeiro deste ano, um contrato entre a Parpública e a ELOS - Ligações de Alta Velocidade com swap associado, com uma perda potencial de 180 milhões de euros.
  
No contrato, a que o CM teve acesso, pode ler-se: "O financiamento em causa tem associados vários contratos swap de taxa de juro originalmente negociados entre os diferentes bancos e a ELOS, cujo valor de mercado, atualmente desfavorável à ELOS, ascende a cerca de 180 milhões de euros que a Parpública tem de assumir nos termos do acordo global".» [CM]
   
Parecer:
 
Digamos que Passos Coelho teve um momento de generosidade e de abertura à oposição ofercendo-lhes o direito a abono de família.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à senhora se já percebeu que não tem futuro ou se encomenda as previsões no mesmo sítio onde as encomendava o Gaspar.»
   
 Velhos conhecidos
   
«No início dos anos noventa o actual ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, presidiu à comissão parlamentar de inquérito aos alegados perdões fiscais concedidos pelo ex-secretário de Estado de um Governo do PSD e, mais tarde, presidente do BPN, Oliveira Costa, a empresas do centro do país, nomeadamente, à Cerâmica Campos. No relatório final, os deputados ilibaram Oliveira Costa, que é hoje o principal arguido do caso BPN (onde o Estado já injectou cerca de 4 mil milhões de euros), de qualquer “actividade discriminatória culposa imputável”.

A nomeação de Rui Machete para ministro de Estado e chefe da diplomacia portuguesa surpreendeu os meios políticos e suscitou críticas à esquerda pela sua relação com o BPN. “No momento em que as fraudes do BPN e da SLN pesam tanto nas contas públicas e no bolso de cada contribuinte, julgo tratar-se de uma escolha de muito mau gosto”, afirmou o deputado João Semedo do Bloco de Esquerda. O ministro dos Negócios Estrangeiros respondeu após ter sido empossado. “Isso denota uma certa podridão dos hábitos políticos”, criticou, assegurando estar “de consciência tranquila há muitos anos.”» [Público]
   
Parecer:
 
Este até o Corleone ilibava se fosse amigo dele.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»