sábado, novembro 02, 2013

O guião para a salvação de Portas

Quando se esperava o debate do orçamento assistiu-se à polémica em torno do ansiosamente esperado guião para a reforma do Estado, quando se esperava a liderança da bancada parlamentar do PSD assistiu-se ao protagonismo do CDS e a uma votação digna de um funeral, quando se esperava a liderança do debate por parte do primeiro-ministro ou, na ausência deste, pela ministra das finança o verdadeiro líder da maioria foi Paulo Portas.
 
Já não é  Cavaco que propõe negociações a pensar no pós troika, Cavaco anda desaparecido e enquanto Passos se vai apagando num mal disfarçado cansaço e em sinais de impotência de alguém que se sente incompetente para enfrentar a situação a que conduziu o país, é Portas que lança os reptos ao PS, propõe negociações e sugere o seu guião como base de trabalho. Não se percebe se Portas pertence a este governo ou se as negociações que propõe ao PS já visam um futuro entendimento pós-eleitoral.
 
Pouco tempo depois de ter ficado queimado junto da opinião pública com a sua demissão irrevogável Paulo Portas reaparece como um dos seus submarinos enquanto Passos Coelho ou se afunda ou se arrisca a enfrentar uma revolta a bordo, a lembrar o Bounty. Se dantes era o PSD a dizer que Portugal não era a Grécia, agora é Portas que se acha celta e põe o seu ministro da Economia a anunciar milagres económicos. Passos Coelho é o incompetente, o cansado, o incapaz, o responsável por tudo o que de mau é feito. Portas é o salvador e tendo assumido a liderança das pastas económicas teve a arte de adiar o guião até ao debate do OE para iludir as suas responsabilidades. Portas só dá a cara pelas pastas económicas quando lhe interessa e Passos deixa-se ultrapassar.
  
Mais do que um guião para a reforma do Estado o guião que está sendo elaborado por Paulo Portas serve para assegurar a sobrevivência da sua carreira política. O desastre a que o país está sendo conduzido começa a ser evidente e Portas prepara-se para dizer que o culpado foi o PSD e Passos Coelho, foi ele que escolheu Gaspar, que se apoiou na seita do falecido Borges e que nomeou  a actual ministra das Finanças contra a sua vontade. O que de bom tem acontecido na economia é obra da sua diplomacia económica e dos empresários que ele se tem esforçado por apoiar. Até a reforma do IRC foi conduzida por um homem da sua confiança.
Aquilo que se pode ler nos últimos acontecimentos políticos um guião para a salvação de Portas à custa do enterro de Passos Coelho, do PSD e do próprio Cavaquismo. A teia montada por Portas levou um PSD a aplaudir os discursos dos ministros do CDS ao mesmo tempo que votaram o OE em silêncio, conduziu Cavaco ao silêncio e a oposição interna a Passos Coelho no PSD a uma desorientação tal que até já desejam ver António Costa em primeiro-ministro, o mesmo António Costa que Portas e o CDS não se cansam de namorar, a pensar numa futura coligação. Entretanto, Passos Coelho comporta-se como aquele que é sempre o último a saber.
 
É incrível como um partido como o PSD anda agora a defender um guião que só revela incompetência e, como se isso não bastasse, centra a estratégia do seu governo nesse mesmo guião, tratando o seu autor como se fosse o verdadeiro primeiro-ministro. Este PSD está mesmo mal.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Aves de Lisboa
Periquito-de-colar, Parque Eduardo VII

 Jumento do dia
    
Paulo Portas

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«A resposta de Paulo Portas à recusa do PS em se sentar à mesa para discutir a reforma do Estado chegou sob a forma de discurso de cerca de 25 minutos. O vice-primeiro-ministro nunca disse a expressão "reforma do Estado", mas era ao documento que apresentou ontem que se estava a referir quando acusou o PS de "ficar entrincheirado numa estratégia algo metódica e melancólica de recusa permanente". Disse Portas que esta estratégia "não é sustentável. Espero que o PS medite melhor, quer sobre o fim do resgate quer sobre a retoma".


Portas não poupou nos ataques aos socialistas e chegou mesmo a fazer uma metáfora. O governante disse que o PS "está como aqueles actores do cinema mudo que não conseguiam passar para o cinema sonoro. Tanto se habituaram a explorar cada momento de aflição, que agora, num ciclo de crescimento económico ou não dizem nada ou não sabem o que dizer". Portas já tinha aliás atirado à dificuldade de os socialistas fazerem oposição. Nas palavras do vice-primeiro-ministro o PS está a cometer "o lapso" de desvalorizar os sinais da economia o que só pode querer dizer que "não consegue fazer uma política de oposição em cenário de crescimento macroeconómico". E resumiu que o PS está numa atitude de "não vejo, não percebo ou simplesmente não quero saber".» [i]

 Uma direita sem eles no sítio

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 Carrilho trágico
   
«Sobre aquilo de que não podemos falar temos de guardar silêncio." A críptica frase de Wittgenstein parece dizer o óbvio - o busílis é saber como distinguir aquilo que se pode e deve dizer do resto. Tarefa maior para todos, mais ainda para quem tem palavra pública.

O caso Bárbara/Carrilho, que tem monopolizado as primeiras páginas, coloca a questão de forma caricatural. Não só porque muito do que se tem visto em parangonas questiona a fronteira entre publicável e impublicável, mas sobretudo por nos depararmos com afirmações do domínio do indizível, das quais um dos protagonistas é, não só filósofo cuja especialidade passa por ser a retórica (ou seja, o bem falar) e os "jogos da racionalidade", como alguém cuja intervenção se faz invariavelmente de um lugar de superioridade - a de quem se arroga "pensar o mundo" (título da coletânea da sua obra, publicada em julho de 2012) e portanto tudo, ou o todo. Denunciando, incansável, a "radical mediatização dos nossos dias", "o narcisismo amoral, quase delinquente que vive entre a alucinação de todos os possíveis e a rejeição de quaisquer limites", "o paradigma do ilimitado que tem anestesiado e minado o mundo nas últimas décadas", e a "grotesca alacridade" do "bizarro universo" dos media, "empapado" em "proliferação de mentirolas", "lérias, larachas e lamúrias", num "espetáculo de demências diversas".

Sobre a forma como a generalidade dos media, incluindo o DN, têm pegado no assunto, Ferreira Fernandes disse o essencial: não é jornalismo reproduzir sem filtro nem questionamento declarações desvairadas (não raro sem vestígio de interesse público) e até caluniadoras, portanto criminosas. A perseguição, a devassa e a sordidez mediáticas não podem, eticamente, justificar-se nem com a vontade de alguém se expor - agora ou antes - nem com o voyeurismo do público; nada as move a não ser voluntarismo comercial. Mas isso não é novo, é só cada vez mais triste - e cada vez mais sem remédio, quando nenhuma instância, sequer aquela que tem legalmente essa atribuição, a Comissão da Carteira de Jornalistas, reage às sucessivas violações deontológicas.

Vemos pois neste caso a continuada tragédia do estertor do jornalismo. Mas também, além do trágico fim de um casamento e do efeito disso em duas crianças, o strip tease radical de um pensador, a pungente desfilosofização de um filósofo, uma inédita imolação política. Quem escreveu sobre outros e seus "escândalos" (tomados, note-se, como valor facial, sem necessidade de prova) como "criaturas mitómanas, destituídas de superego e, portanto, de sentido de culpa ou de responsabilidade", revelando "uma contumaz incapacidade de lidar com a frustração, que é, como Freud bem ensinou, onde começam todas as patologias verdadeiramente graves" estava, afinal, neste retrato cruel, raivoso até, a prefigurar o seu. De olhos bem abertos, Carrilho disse-nos toda a verdade - até a que deveria e quereria calar.» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.

 O tratado europeu do autoclismo
   
«Haverá quem pense que isto é uma questão de caca. E é: depois da moeda única, a União Europeia quer padronizar o autoclismo. Várias línguas, mas uma só descarga na sanita. A Europa - quando se prova o inverso por todo o lado - quer convencer-nos de que de cócoras somos todos iguais. Uma comissão reuniu-se durante três anos e produziu um relatório de 122 páginas (e não, não foi entregue em rolo de folhas finas, os burocratas não sabem ir diretos ao assunto). As conclusões foram: as descargas devem ser só de cinco litros, com a alternativa de meias descargas de três litros. Enfim, a receita do costume, cortar (hoje, os autoclismos comuns levam seis litros). Se bem se lembram, o nome do sistema que nos levou à moeda comum era ECU (do inglês European Currency Unit), mas ECU estava mais adequado para esta nova medida da sanita única. Mobiliário muito ligado à cultura - O Pensador, de Rodin, parece sentado numa sanita e é, aliás, nessa posição que meia Europa leu poesia e jornais - a loiça sanitária vai sofrer uma descarga única, tão própria destes tempos cinzentos. Olha, era uma bela ideia para a Joana Vasconcelos (não é desdouro para ninguém, Marcel Duchamp também esculpiu um urinol). Para retratar os tempos modernos, ela devia fazer (não em mármore, como Rodin, mas em loiça, não sentado, mas de pé, e sempre pensador) um homem carregando no botão do autoclismo, e a olhar o fluxo fraquito de água. Hoje, até o que vai pelo cano abaixo é medíocre.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

 O guião eleitoral
   
«Paulo Portas percebeu que já não valia a pena apresentar um verdadeiro guião da reforma do Estado. O que fez foi outra coisa: apresentou um guião para a campanha eleitoral. E já escolheu a mensagem: esta legislatura teve de ser má; a próxima é que vai ser boa.

Com a legislatura já em contagem decrescente e decididas que estão as medidas orçamentais de corte nos salários e nas pensões, Paulo Portas percebeu que já não valia a pena apresentar um verdadeiro guião da reforma do Estado.

O que fez foi outra coisa: apresentou um guião para a campanha eleitoral. E já escolheu a mensagem: esta legislatura teve de ser má; a próxima é que vai ser boa.

Falemos claro: o guião que o vice-primeiro-ministro apresentou não pretende orientar reforma nenhuma, nem suscitar qualquer debate sério. E muito menos visa promover um consenso com o Partido Socialista. 

Se a ideia fosse orientar uma reforma, este documento não surgiria já na fase final da legislatura, repleto de ideias genéricas, sem medidas concretas nem calendários; se o propósito fosse suscitar um debate sério, não seria anunciado na véspera do início da discussão de um Orçamento cujas medidas são totalmente contrárias ao preconizado no guião; e se o objectivo fosse promover consensos, não dedicaria dezenas de páginas a agredir o Tribunal Constitucional e o Partido Socialista, ressuscitando até a questão, já resolvida, da constitucionalização da chamada "regra de ouro".

O guião do dr. Paulo Portas, ninguém se engane, visa apenas desempenhar uma tripla função eleitoral: de justificação, de propaganda e de ilusionismo político. 

Começa pelo exercício justificativo das "maldades" a que o Governo foi "forçado" em razão da emergência financeira, ora atribuindo ao PS a responsabilidade pelas causas do resgate e pela negociação do Memorando (omitindo, como sempre, qualquer referência à crise internacional e ao chumbo do PEC IV, bem como aos efeitos desastrosos da opção do Governo pela austeridade "além da ‘troika'"), ora atribuindo ao Tribunal Constitucional a responsabilidade pelo aumento dos impostos. Segue-se um longo exercício de propaganda, em que são registadas, a propósito e a despropósito, as medidas alegadamente "positivas" que o Governo diz ter tomado. E tudo termina com uma ideias confusas de moderada tonalidade liberal "para animar o debate", para se chegar ao esperado grande final, por entre fogo-de-artifício, num deslumbrante exercício de puro ilusionismo político, bem ao jeito do vice-primeiro-ministro. Vejam só: o Governo propõe-se (embora sem calendário conhecido...) reduzir o IRS e "pagar melhor" aos funcionários públicos e aos pensionistas! Agora digam lá se o Governo não é bom?! 

É esta visionária proposta "para o futuro" que o Governo quer debater com o País, desde já e até às eleições. Infelizmente, enquanto o debate não começa, deu entrada no Parlamento um Orçamento em que o Governo mantém o maior aumento de sempre do IRS (nada menos do que 30%!) e corta ainda mais nos salários e nas pensões. 

Percebe-se: em vez de discutir as suas brutais medidas de austeridade, que se agravam no Orçamento para 2014, o Governo prefere centrar a discussão numa reforma do Estado imaginária. Mas há limites para o ilusionismo.» [DE]
   
   
 A crise chega aos deputados
   
«O "Correio da Manhã" escreve hoje que "há deputados da Assembleia da República que já pediram ajuda para pagar dívidas bancárias. Os pedidos foram dirigidos à Dignus, uma empresa criada em 2011 e especializada no apoio a pessoas sobre-endividadas. Quem o afirma é o diretor comercial da Dignus e proprietário da Escola de Finanças Pessoais, João Morais Barbosa. "Entre os 900 casos que nos surgiram até agora, estão alguns parlamentares com uma média de sete a oito créditos malparados", diz. Os deputados, que são do chamado Bloco Central (PS e PSD), mas também do CDS, "tiveram cortes nos salários e nas pensões. Viram-se confrontados com a extrema dificuldade em cumprirem os pagamentos dos empréstimos", adianta João Morais Barbosa.

Segundo o jornal, "dois terços das dívidas parlamentares têm que ver com uma conta habitação, a que se somam "seis a sete dívidas de curto prazo, sobretudo relacionadas com a utilização de cartões de crédito", diz o diretor comercial da Dignus.» [DN]
   
Parecer:

É para que saibam como elas mordem.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
   
 O primeiro sinal
   
«Dezenas de pessoas juntaram-se hoje frente às instalações da EDP no Porto onde apresentaram reclamações contra os cortes de energia efetuados pela empresa nos bairros do Lagarteiro e de Contumil, daquela cidade.

A concentração foi convocada nas redes sociais - numa página associada ao movimento Que Se Lixe a Troika! -- e visou mostrar "solidariedade" para com as famílias de dois bairros sociais do Porto a quem a EDP cortou o fornecimento de eletricidade por dívidas.» [DN]
   
Parecer:

que o governo saiba perceber neste incidente um sinal de revolta que se pode propagar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
     

   
   

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sexta-feira, novembro 01, 2013

Tempos miseráveis

Apesar da gravidade da crise que o país atravessa quase não apetece debater os problemas, tal é o nível miserável da nossa governação e das opiniões de muitos dos nossos opinion makers de pacotilha. Veja-se o triste guião de Paulo Portas, essa bodega não tem ponta por onde se pegue, trata-se de um documento sem qualquer valor intelectual, sem dignidade sequer para merecer um minuto de discussão.
 
 Política económica do governo não tem objectivos, aliás, a política deste governo não obedece a quaisquer princípios. No tempo de Vítor Gaspar ainda se leram uns artigos do pessoal de Harvard, os artigos assentavam em pressupostos errados mas sempre eram de professores de Harvard. Agora a política económica visa apenas um saldo, corta-se sem avaliar as consequências, estamos perante raciocínios de merceeiros. Quando alguém critica uma medida orçamental exigem medidas alternativas com o mesmo impacto financeiros, ignora-se de um todo qualquer impacto social ou económico.
 
A direita portuguesa está dando um espectáculo triste, uma exibição de incompetência, falta de seriedade e a ausência de qualquer projecto. A lógica deste governo de direita é que se ganhou as eleições pode governar como quer, pode ignorar a Constituição, gozar com a oposição e cumprir um programa em quem ninguém votou. Neste país nada se pensa, nada se debate, nada se avalia, faz-se o que o Passos Coelho quer, sempre com o falso argumento de foi a troika mandou.
 
Já não há paciência para analisar as medidas erráticas de um governo desorientado e incompetente. Já ninguém presta atenção às declarações de um presidente sem credibilidade que se tornou guardião do governo do seu partido, um presidente que há um ano encurtava a legislatura se o PS aceitasse as suas propostas e agora diz que Portugal é um país normal e por isso a legislatura é para levar até ao fim. Já não há paciência para ouvir as baboseiras do Marcelo ou as inconfidências do Marques Mendes.
 

A incompetência do governo, a má fé da direita, o oportunismo generalizado em que se mergulhou estão reduzindo o debate e extremando as posições. A direita teve mais olhos do que barriga, foi incapaz de implementar um projecto sério e agora não há espaço para qualquer debate ou para o diálogo, ou a direita ganha e sobrevive no poder ou éderrubada na rua ou através de eleições.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Mértola

 Jumento do dia
    
Sor Álvaro, ex-ministro da Economia

Foi preciso sair do governo para descobrir a dimensão europeia da crise financeira. Desonestidade ou incompetência?

«O antigo ministro da Economia Álvaro Santos Pereira defendeu hoje que a dívida é "o elefante na sala" na Europa e que a solução para os países em dificuldades é o reescalonamento da dívida a pelo menos 40 anos.

"A dívida na Europa é o elefante na sala de que ninguém fala, mas o problema está lá e tem de ser resolvido", afirmou o antigo governante numa conferência hoje em Lisboa organizada pela revista Exame.z» [i]

 Sugestão

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 Dúvida

Alguém ainda se lembra das baboseiras que o "primeiro-ministro" Paulo Portas disse a propósito do seu guião?
 
Basta dar uma volta pela comunicação social para se perceber que depois de nem uma alminha da direita ter vindo defender a coisa em público o assunto já está esquecido. Se aquilo era o programa eleitoral de uma futura aliança entre Portas e Passos não se entende porque foi o líder de um partido que não representa quase ninguém a apresentá-lo.
 
      
 O talentoso Blatter e o tosco Cristiano
   
«Aquilo do Blatter com Cristiano Ronaldo? Não, não vou lá por indignação patriótica. Sim, suspeito que os países menos ricos como Portugal sejam desprezados pela multinacional FIFA. É a vida, sorte a nossa não sermos o Burundi, ainda mais desprezado. Não, o que retiro da cena de Joseph Blatter, falando entre universitários de Oxford, é outra coisa. Um homem barrigudo levanta-se e permite-se mimar um jovem que quando tira a camisola faz suspirar milhões de mulheres. Um careca permite-se criticar os gastos no cabeleireiro de um ídolo mundial. Um incompetente que marca um evento desportivo para o Qatar com temperaturas a 60 graus, esse (cuja única desculpa à tolice só pode ser o suborno), permite-se criticar um tipo que não sei se é o primeiro ou quarto dos melhores, mas que é, seguramente, um admirável profissional com ganas de perfeição (tudo o diz quando joga, sobretudo quando falha)... Então, porquê, o desaforo de Blatter? Aí já não são suspeitas que tenho, são certezas. Um dia, Marilyn, lindíssima e trágica, cantou no Madison Square Garden uma canção ao seu amor. À volta de John Kennedy, hoje esquecidas dondocas sorriam, julgavam saber de tudo e desdenhavam. A mesma coisa com Blatter. A história mundial da infâmia está cheia de poderosos sem qualidades, que não querem reconhecer a sorte de privarem com gente que sabe, faz bem e fascina. No fundo é bem prudente essa ingratidão: sem ela, como aguentariam a sua inferioridade?» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.

 Cães, gatos e pequena política
   
«É difícil qualificar um Governo que, a meio de uma discussão sobre o Orçamento do Estado (OE), mete ao barulho uma discussão sobre cães e gatos. A coisa, proposta pelo Ministério da Agricultura, chama-se Código do Animal de Companhia e exige que, trate-se de uma casa ou de um casarão, ninguém pode ter mais de dois cães ou quatro gatos.

Esta é a chamada política patusca. Tão patusca que, ontem, a ministra da tutela, Assunção Cristas, deixou cair o diploma, com este gostoso argumento: não teve tempo de ler a prosa sobre os animais, logo fica tudo suspenso.

A política patusca é a vizinha boa da pequena política: a primeira não provoca mais do que cenas embaraçosas; a segunda é daninha, rasteira e matreira. Na política patusca movem-se os capuchinhos vermelhos. Na política pequena mexem os lobos maus. Vejamos um exemplo.

Os ínclitos deputados do PSD e do CDS-PP apresentaram um conjunto de alterações ao OE. A mais impactante prevê que os cortes nas pensões de sobrevivência comecem nos 600 euros e não nos 419 euros, como deseja o Governo. A alteração beneficiará cerca de dez mil pessoas e custará 18 milhões de euros. Parece uma boa ideia. Parece.

Diga-se, em abono da verdade, que esta prática de pequena política é habitual. Os governos apresentam o OE e, depois, obviamente com as contas já previamente feitas e a narrativa acertada, permitem aos deputados que os suportam fazer um número para português ver. Apenas para português ver.

Problema: se, em anos passados, estas manobras passaram mais ou menos despercebidas, neste ano não podem passar. Simplesmente porque este é o ano em que a economia portuguesa e respetivos consumidores estão escanzelados: na alma e nos bolsos. Não é possível ouvir a ministra das Finanças dizer, num dia, que tem muita sensibilidade social, mas não tem dinheiro para a pagar e, no dia seguinte, ouvir os deputados da maioria dizer que os 18 milhões de euros em causa terão como contrapartida "reduções noutras despesas" ou "medidas dirigidas a setores que ainda podem dar um contributo", seja lá isso o que for.

Os portugueses não podem ser complacentes com isto. Se é possível beneficiar dez mil pessoas cortando menos nas pensões, por que razão não consta essa medida no OE? O Governo não se lembrou? Só gente muito inteligente como estes deputados é capaz de alcançar a fórmula para lá chegar? Como podemos levar a sério o primeiro-ministro quando ele diz que não há folga no OE?

Bem sei que Poder Legislativo é uma coisa e Executivo outra. Usar esse argumento para explicar a manobra é, contudo, chamar tolos aos portugueses. Esta jogada de pequena política serve apenas para minorar danos embrulhando o presente num papel muito bonito. É feio.» [JN]
   
Autor:

Paulo Ferreira.

 Guião para matar ideias
   
«Paulo Portas quer ser o Giorgio Armani da reforma do Estado. Todos os anos o estilista apresenta os novos modelos e acaba com uma frase cintilante, um laço que embrulha o conjuntinho: "Proponho para esta estação una donna moderna però rinovata." Portas também deseja um Estado moderno (alguém deseja um Estado antigo?!) e renovado (alguém quer um Estado parado?!), mas não vai além disso. Não vai, aliás, a lado algum.

As "110 páginas úteis" do guião, como lhe chamou ontem, são de uma pobreza inacreditável. Não é sequer um catálogo de pronto-a-vestir político. É uma loja dos 300 onde, no meio de ideias copiadas, avulsas e superficiais, encontramos um ou outro ponto que é possível debater, mas apenas por causa do nosso desespero coletivo. O que resulta dali é tão-só uma salganhada ignorante, uma coleção de chavões e banalidades que não são mais do que a redação pueril de um candidato a uma juventude partidária que passou os olhos na biografia de Hayek , a da Wikipédia.

O célebre guião, este guião, esta coisita, não é um ponto de partida. A ser qualquer coisa é um ponto de chegada. É o fim da linha. É o epílogo que arrasa as últimas aparências que ainda restavam sobre este grupo de estagiários que o País tragicamente elegeu. É a prova documental de que o Governo não sabe o que está fazer - cumpre metas impostas externamente - e nem imagina para onde irá a partir daqui.

O texto que demorou dois anos a produzir é tão rudimentar que na verdade é apenas embaraçoso. Ontem senti vergonha alheia por Paulo Portas - o presidente do CDS acabou. Não compreendo, a não ser por vingança, raiva e desprezo profundos, como Passos Coelho foi capaz de o autorizar a apresentar esta manta de retalhos, este patchwork - Portas deve apreciar a palavra - que era suposto criar as bases para a mudança que o País terá um dia de enfrentar.

Não há quadros comparativos, não há estatísticas que permitam ver de onde viemos e para onde podemos ir, não há pensamento algum, referência alguma, não há estudo, não há trabalho. Nada. Ao pé disto o trabalho do FMI, o de janeiro, é um luxo científico. Talvez por isso, talvez porque aqui cabe mesmo tudo, Portas tenha conseguido enfiar esta frase grotesca: "(...) esta maioria tem uma matriz identificada com o chamado modelo social europeu." Tem, tem; e Portugal vai crescer 0,8% em 2014 e muito, muito mais em 2015...

Pior do que este declínio penoso do Governo é a situação em que ficamos. Ontem, em vez de sublinharem o desrespeito que este guião simboliza e revela, os partidos exibiram a habitual indignação como se aquilo fosse trabalho sério. Disseram: atenção, isto é a privatização da Segurança Social, da saúde e do ensino! Que horror! Algumas destas, digamos, ideias estão lá, sim, mas é o habitual bricabraque decorativo. A melhor maneira de matar uma ideia é apresentá-la assim - mal e porcamente. Ontem, quem ouviu Paulo Portas só teve uma reação: apagou a luz. Repito: isto por mim está visto.» [DN]
   
Autor:

André Macedo.
   
   
 Um bando de meninos
   
«O escritor António Lobo Antunes responde esta quinta-feira, na crónica publicada na na revista "Visão", sobre a razão pela qual “nunca” fala sobre o governo. A resposta é simples: “É que não existe governo nenhum. Existe um bando de meninos, a quem os pais vestiram casaco como para um baptizado ou um casamento”.

Classificando os membros do Governo de “garotos”, o escritor destaca que “existe [no Executivo] um Aguiar Branco (ministro da Defesa) e um Poiares Maduro (ministro Adjunto)” e “porque não juntar-lhes um Colares Tinto ou um Mateus Rosé?”, sugere.» [i]
   
Parecer:

Uma boa definição.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
     

   
   

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quinta-feira, outubro 31, 2013

Uma bodega

Sejamos claros, Paulo Portas pode ser um sobrevivente político, pode ter atrás de si uma colecção de cadáveres políticos de antigos amigos, pode andar armado em Paulinho das Feiras, pode ter feito a vida negra a Cavaco Silva, pode ter sido um exímio comprador de submarinos, pode ter feito tudo isto e muito mais, mas se analisarmos o pensamento e propostas políticas do líder do CDS desde que anda por aí a verdade é que nada disse, nada propôs.
 
Paulo Portas é uma banalidade política e da sua boca só saem banalidades de ocasião, o que Paulo Portas diz é o que em cada momento interessa ouvir, Paulo Portas não passa de uma loja que apenas tem as montras, lá dentro não há stock, ele vende o que pensa que é mais procurado mas depois não tem conteúdo. O tão aguardado guião para a reforma do Estado não passa de uma manta de retalhos para aquecer a alma dos putos da JC.
 
O que não se entende é que aquela bodega tenha sido aprovada pelos restantes ministros, todos sabemos que uma boa parte deles não é grande coisa, mas ainda há um ou dois com dois palmos de cabeça. Como é possível que o governo de um país da EU se aprove um guião para na reforma do Estado que não passa de um arrazoado de idiotices. Compreende-se que um ou outro ministro vá beber uns shots e no meio dos vapores tenham umas ideias. Aprovar aquela bodega em Conselho de Ministros?
  
Vender as escolas a professores? É uma excelente ideia, os professores que fiquem caladinhos na hora do despedimento em massa, afinal o governo está fazendo com as escolas o mesmo que faz com os CTT, reduz os custos ao máximo para que os futuros compradores maximizem os lucros. Mas porque não vender os serviços de finanças? Imaginem o que seria, os bancos em vez de andarem a recolher depósitos compravam os serviços de Finanças e arrecadavam os impostos.
 

A ideia é brilhante, vendiam-se os hospitais aos Mellos, os centros de saúde aos médicos, os postos da PSP aos polícias, o edifício do Conselho de Ministros a um qualquer secretário de Estado, o Terreiro do Paço ao cavalo do D. José, as Berlengas e as Selvagens aos faroleiros, o Cabo da Roca ao capitão do porto e por aí adiante.

Umas no cravo e utras na ferrdaura


 
   Foto Jumento
 
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Cacilheiro, Lisboa
     Jumento do dia
    
Pedro Passos Coelho

Temos um primeiro-ministro que acha que os juízes do Tribunal Constitucional são tecnocratas não eleitos que querem governar, isto é, temos um primeiro-ministro que acha que uma democracia assume  a forma de ditadura entre eleições.

«O primeiro-ministro quer mais política. E quer política feita por quem "é eleito" e não por "tecnocratas a dizer como se faz". Passos Coelho nunca disse o nome do Tribunal Constitucional (TC), mas lê-se em todas as palavras um recado aos juízes do Palácio Ratton, que ainda vão analisar pelo menos duas das medidas mais importantes do Orçamento do Estado para 2014. Por isso, Passos pediu ontem uma "clarificação" - porque as "incertezas" e "indefinições" que existem em torno da capacidade de executar o Orçamento estão a pressionar os juros e podem pôr em causa o fim do programa.

No encerramento das jornadas parlamentares conjuntas entre PSD e CDS, Passos concentrou no discurso ataques cerrados quer ao Tribunal Constitucional quer ao PS. O primeiro-ministro está em tom de campanha e até pede aos dois partidos da coligação que não deixem passar a demagogia da oposição. O líder do governo joga na estratégia de ataque por antecipação - o debate do Orçamento só começa amanhã e a avaliação pelo TC será feita mais tarde - e pressiona um pouco mais os "não pressionáveis" juízes do Tribunal Constitucional (pelo menos nas palavras do presidente, Joaquim Sousa Ribeiro).» [i]

 Dúvida

Passos Coelho delegou o cargo de primeiro-ministro em Paulo Portas ou está a dar todo o protagonismo o líder do CDS para o queimar?


 Dão-se alvíssaras a quem o encontrar

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 O asco
   
«Não foram precisos os últimos acontecimentos para que muitos já tivessem concluído que Manuel Maria Carrilho é uma personagem asquerosa. A miséria de Carrilho está profundamente documentada na pequena história lisboeta – e se boa parte dela não vem a público é pela necessidade de ser protegida a dignidade de terceiras pessoas.

O que os últimos acontecimentos e as sucessivas entrevistas de Carrilho sobre a ex-mulher e respectiva família revelam é que é sempre possível descer às profundezas da miséria e do ultraje. Talvez Ferreira Fernandes já tenha escrito tudo o que havia a escrever na sua crónica no DN: falta perguntar a Carrilho como é possível que um ser humano que não sofra de uma doença mental grave (é evidente que, a confirmar-se, isto será uma atenuante em sede judicial) pode dar, compulsivamente, todas aquelas entrevistas destilando tudo o que existe de mais sórdido contra a mãe dos seus filhos e o resto da família.  
A falta de carácter não é uma doença mental, mas uma doença mental grave pode conduzir à falta de carácter. Ao longo destes anos todos, a interrogação sobre se Carrilho sofreria de uma doença mental grave que o conduziria a variadas faltas de carácter subsistiu. Neste momento, só a explicação clínica pode justificar a baixeza das declarações sobre a ex-mulher, enquanto pelos vistos se reunia com personagens do PS (incluindo o líder, António José Seguro) para os pôr a par do processo de divórcio. Imagino o pânico desses dirigentes do PS à medida que as declarações de Carrilho iam aumentando de tom.

As estatísticas provam que a violência doméstica é um crime que não se restringe às barracas. A difamação torpe também não. A falta de escrúpulos muito menos. O total desrespeito pela protecção dos filhos menores idem. Carrilho conseguiu nestes últimos dias mostrar-nos como é possível que um exemplar que sonhou um dia ser primeiro-ministro de Portugal – no mínimo, candidatou-se a presidente da Câmara de Lisboa, em que nos presenteou com uma campanha patética com uma ampla utilização da mulher e da criança – pode estar ao nível de um criminoso alcoólico desempregado e analfabeto a viver numa barraca de zinco. Os tribunais estão cheios de processos de divórcio asquerosos, de lutas por tutelas de crianças em que o superior interesse delas é posto de lado em nome do controlo dos bens. Inusitado, para alguns, é o protagonista ser o outrora glamoroso ministro da Cultura com aspirações a uma carreira política.» [i]
   
Autor:
 
Ana Sá Lopes.
     
 A lição de filosoia de Manuel Maria Carrilho
   
«Várias gerações, sobretudo depois de o positivismo do séc. XIX se ter afirmado no campo do pensamento, entenderam que a educação, a ciência, a cultura e o conhecimento em geral tornariam as pessoas e as sociedades melhores. A cada conquista educacional, mais uma luz brilharia sobre as trevas. O mal não era algo em si mesmo, como de certa forma defendera Santo Agostinho, mas a consequência da rarefação do bem.

Mais tarde, sobretudo com a II Guerra Mundial, os trabalhos de Hannah Arendt e romances como o de Primo Levi ('Se Isto é um homem') colocaram o mal noutro domínio. Haveria nele uma banalidade, uma possibilidade aberta a qualquer homem. Recentemente, as teorias sobre a convicção, em que trabalhou afincadamente talvez o melhor filósofo português dos últimos 50 anos e precocemente falecido Fernando Gil (irmão do também filósofo José Gil), voltaram a recentrar a questão: por que motivo duas pessoas com a mesma formação e a mesma vivência geram convicções e comportamentos diferentes? Fernando Gil, com quem tive o privilégio de privar, por via do também já falecido comum amigo José Gabriel Viegas (que foi crítico literário no Expresso), fazia-nos e fazia-se várias vezes esta pergunta. O seu livro a 'A Convicção' (de 2000, infelizmente mais conhecido em França) ensaia também respostas a esta pergunta.

Ora Manuel Maria Carrilho é filósofo, tendo sido aliás colega de Fernando Gil como professor na Universidade Nova e ultimamente adversários no campo das ideias. Carrilho também é doutorado em Filosofia, e como Gil também está traduzido em francês. Vem de famílias com conhecimentos e rendimentos elevados (o seu pai foi Governador Civil de Viseu e Presidente da Câmara da cidade). É um favorecido. Conhece o bem e o mal, há muito que deveria estar num estado civilizacional avançado. E, no entanto, as coisas que vai dizendo da sua ex-mulher Bárbara Guimarães (independentemente das razões que possam assistir a qualquer dos lados) são próprias de um primitivo ignaro. São lamentáveis.

Qualquer casal desavindo tem os seus exageros, mas ninguém tem o direito de arrastar publicamente o nome do outro (dos pais do outro - avós de seus próprios filhos) pela lama. Ninguém tem o direito de dizer o que ele disse sobre a vida íntima da ex-mulher. E ele, filósofo, ex-deputado, ex-ministro da Cultura, ex-embaixador, sabe bem a distinção entre o bem e o mal. Opta pelo mal, provando que este também é banal, demonstrando que existe a possibilidade de ele se inscrever em pessoas por mais demãos de camadas de verniz tenham em cima. A lição de Filosofia de Carrilho é que os nossos antepassados podem estar errados. Podem não bastar a civilização e o conhecimento para um homem (ou uma sociedade) praticar o bem.

Cada ser tem as suas possibilidades abertas e o livre arbítrio de escolher um caminho. O caminho de Carrilho, mais do que condenável é lastimoso. Apenas merece aquela compaixão devida aos que já estão condenados por crimes graves.» [Expresso]
   
Autor:
 
Henrique Monteiro.
   
 Cortes já chegaram aos quadrúpedes
   
«Portanto já sabem: são, no máximo, quatro animais por apartamento. E, atenção, cães, só dois; gatos é que podem ser quatro. Não, não podem ser três chihuahua, nenhum conta por gato, nem chamando Bichana ou Sissi ao terceiro. Enfim, os nossos governantes mostram que não estão desatentos às mudanças da sociedade portuguesa. Ontem havia que controlar as entradas dos estudantes nas universidades. Agora que a juventude se vai embora, a prioridade é o numerus clausus dos animais nos apartamentos. Se isto não é a reforma do Estado, o que é uma reforma do Estado?! Estamos, pois, perante uma legislação pensada e cirúrgica, embora desta vez dedicada só aos pequenos quadrúpedes. As carraças (oito patas) num fox terrier até podem ser 36, mas só conta o cão. Esse fox terrier e um labrador com pulgas (seis patas) também só contam como duas pessoas jurídicas, dois cães, portanto, dentro da norma. Porém, se o Bobi e a Laica tiverem uma ninhada, evidentemente os cachorros têm de sair da sua zona de conforto e emigrar para outro apartamento. As atuais e tão necessárias medidas devem ser consideradas somente as precursoras de um pacote que se estenderá em breve à cabra na banheira do 5.º direito e ao burro na varanda, símbolos da economia subterrânea que tem de ser combatida. Os peixinhos de aquário aguardam outra abordagem porque o direito marítimo, como se sabe, é muito específico. Caso bicudo vai ser com as lagartas: quando virarem borboletas herdam o precedente direito ao apartamento?» [DN]
   
   
 Só 396?
   
«O PSD prepara-se para expulsar 396 militantes que estiveram envolvidos em candidaturas adversárias às do partido nas recentes eleições autárquicas. Ao que o PÚBLICO apurou junto de dirigentes nacionais do PSD, estes processos, que resultam de queixas, aguardam já decisão do conselho de jurisdição nacional. Mas outras queixas estão a caminho e no total podem abranger mais de cinco centenas de militantes.

De acordo com os estatutos do partido, "cessa a inscrição no partido dos militantes que se apresentem em qualquer acto eleitoral nacional, regional ou local, na qualidade de candidatos, mandatários ou apoiantes de candidatura adversária da que foi apresentada pelo PPD/PSD". Os estatutos determinam ainda "a suspensão automática e imediata de todos os direitos e deveres de militante, desde o momento da apresentação da candidatura até ao trânsito de decisão final".» [Público]
   
Parecer:

Os militantes do PSD são em maior número do que os sócios do Benfica, correm com 396 e nem se nota. Até parece que quando se vai registar uma criança entre a papelada já vem o boletim de inscrição no partido.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Parvo e mal informado
   
«O processo do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) que envolvia o procurador-geral da República angolano, João Maria de Sousa, foi arquivado há mais de um mês, apurou o PÚBLICO junto de fonte judicial.

O arquivamento da averiguação preventiva foi determinado pelo procurador Rosário Teixeira, que dirige outros inquéritos como o Monte Branco e a Operação Furacão, e terá sido decidido antes da polémica sobre o pedido público de desculpas do ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, pelas investigações do Ministério Público português a altos funcionários de Angola.

Segundo o Expresso noticiou em Fevereiro, a investigação foi desencadeada na sequência de um alerta bancário por causa de um depósito de 93 mil dólares (70,3 mil euros) feito em Novembro de 2011 numa conta de João Maria de Sousa, no Santander Totta, em Portugal, por uma empresa offshore. O semanário adiantava que o Ministério Público suspeitava "de fraude e branqueamento de capitais" e que a transferência terá sido feita através de uma conta do Banco Comercial Português de Cayman, com sede no paraíso fiscal das ilhas Caimãs.» [Público]
   
Parecer:
 
Isto significa duas coisas, que o MP tremeu e que o ministro andou a fazer figura de parvo. Não deixa de ser curioso que esta notícia só tenha surgido agora e tenha por objectivo sugerir que o arquivamento foi anterior às baboseiras do controleiro de Cavaco no governo de Portas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   
 Portas enfrenta revolta madeirense
   
«O centrista Rui Barreto quer votar contra o Orçamento do Estado de 2014 mas a sua decisão está a causar desconforto dentro do partido. Segundo o Diário de Notícias, o CDS Madeira defende que Barreto está suspenso de militante por cinco meses (resultado de um voto contra o Orçamento do ano passado) o que faz com que deixe de ter “deveres para com o partido”.

Contudo, o CDS nacional lembra que, no papel de deputado, Barreto continua a pertencer ao grupo parlamentar centrista, o que, por regulamento, o impõe de exercer um voto negativo no Orçamento.

Em declarações ao Diário de Notícias, líder centrista da Madeira, José Manuel Rodrigues defende que Barreto apenas viola o regulamento do grupo parlamentar e não os estatutos do partido devido à suspensão ainda em vigor, desafiando, assim, Paulo Portas: “Ponham-me um processo disciplinar já que não o podem fazer de novo ao deputado Rui » [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Isto vai acabar mal.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
   
 Até que enfim
   
«Os partidos com assento na Comissão Económica e de Assuntos Monetários do Parlamento Europeu vão abrir um inquérito à actuação da troika, de forma a combater a transparência e avaliar a “legitimação democrática das decisões tomadas" por esta entidade nos países sob assistência, avança a edição online do semanário Expresso.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Começa a ser tempo de responsabilizar os imbecis que costumam vir cá pela incompetência técnica e pelo desrespeito das mais elementares regras das organizações que representam.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demitam-se os incompetentes da troika.»
   
 Sinais do milagre do Pires de Lima
   
«O índice de volume de negócios no comércio a retalho registou uma queda homóloga de 2,1%, em Setembro, o que corresponde a um acentuar da descida, já que em Agosto a quebra tinha sido de 0,4%, de acordo com a informação divulgada esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:
 
Estamos mesmo perante um novo milagre da Cova de Iria.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proponha-se a beatificação de Pires de Lima.»
   
 Já há culpados para  derrota de Menezes
   
«Num e-mail a que a Lusa teve hoje acesso, o candidato derrotado nas eleições para a Câmara do Porto critica Rio, os seus vereadores e a "máquina" autárquica de "tudo" ter feito para derrotar" a sua candidatura, censura a "verdadeira cruzada" travada pela comunicação social, o "CDS institucional e o seu líder" e até a crise que afeta a imagem do PSD.

"Foi uma luta contra um momento político, económico e social devastador para a imagem do partido em que milito há mais de 30 anos. Contra largos setores da comunicação social e da opinião publicada, que desenvolveram uma verdadeira cruzada contra a possibilidade do Porto mudar da forma que preconizávamos", justifica Menezes, numa mensagem de correio eletrónico enviada na terça-feira a militantes portuenses do partido, hoje divulgada pelo Diário de Notícias.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:
 
Só agora?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   

   
 Liliya 
   
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