sábado, dezembro 07, 2013

A cultura da Quinta da Coelha

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Os grandes líderes mundiais dignificaram a memória de Nelson Mandela vindo a público prestar homenagem àquele a que no passado os sectores mais retrógrados do Ocidente trataram como terrorista, defendendo ou justificando de forma hipócrita o apoio expresso ou implícito à sua manutenção em prisão perpétua com base num crime ridículo. Por cá, talvez por se ter a consciência pesada, Cavaco ficou-se por um comunicado oficial igual a muitos outros.

Quando li o comunicado já quase não fiquei indignado aos poucos vamo-nos habituando ao conceito de dignidade de um Palácio de Belém cada vez mais transformado na Quinta da Coelha. É uma cultura que vem de longe, uma mistura do Chico espertismo, presente nos negócios mobiliários e imobiliários, com um complexo saloio de inferioridade que ficou evidente na tese do país transformado no bom aluno graxista.
 
Esta cultura está entranhada nessa classe de idiotas oportunistas a que se convencionou chamar cavaquistas, bem como em boa parte daqueles que envergonhados ou zangados mais com os cavaquistas do que com o cavaquismo optaram pelas teses liberais que muitas vezes servem apenas para encobrir tentações fascistas. Esta gente está disposta a perder a dignidade e a forçar o país a curvar-se para defenderem os seus interesses patrimoniais e assegurar a manutenção do poder.
 
Temos um presidente que enriqueceu com negócios inexplicáveis à luz das teorias económicas explicadas nos seus próprios livros e artigos, a má moeda foi revalorizada e hoje é patrono da caridade nacional, o candidato a Belém em tempos entre mentiras  e golpes de bastidores foi nadar no meios dos cagalhões do Tejo para fazer provas das suas aptidões para autarca da capital, enfim, um queria ser presidente porque sabia de economia e era capaz de subir a coqueiros, agora temos outro que sabe de tudo e é capa de mergulhar no meio da merda.
 
Há quem diga que somo um protectorado, que perdemos a soberania, mas estamos muito pior, muito mais grave do que termos perdido a soberania foi termos perdido a dignidade, com ministros, primeiro-ministro, presidente do parlamento e os condóminos da Quinta da Coelha a curvarem-se de forma subserviente perante meros técnicos das organizações internacionais.
 

Nelson Mandela perdeu a liberdade durante trinta anos mas nunca perdeu a dignidade, estes quiseram ser mais troikistas do que a troika e venderam a dignidade do país a trocos de jogos de bastidores com essa troika de que agora se queixam chorando lágrimas de crocodilo.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Flores do Parque Florestal de Monsanto, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Cavaco Silva

A desculpa de Cavaco Silva para votar contra o moção que exigia a libertação de Mandela com a desculpa que incitava à violência é ridícula. Se havia regime violento e brutalmente repressivo neste mundo era o da África do Sul. Recusar ao povo sul africano o direito a libertar-se pelos meios necessários equivalia a apoiar o apartheid e a concordar que um cidadão deveria ficar em prisão só porque a polícia lhe encontrou uma arma em casa.

Compreende-se cada vez melhor o rancor de algumas personagens deste país ao 25 de Abril, segundo a lógica de Cavaco Silvas os portugueses deveriam ter sido contra o golpe do 25 de Abril por ter recorrido a meios violentos.

«Portugal votou contra uma moção da ONU em Novembro de 1987 que defendia, entre outras coisas a libertação de Nelson Mandela e de outros presos políticos, por considerar que a resolução defendia também o uso da violência para a resistência ao apartheid. A justificação ficou expressa numa declaração de voto feita na altura.  A 20 de Novembro de 87, Portugal, Reino Unido e os Estados Unidos foram os únicos países a votar contra uma resolução em que, no ponto 4, era ordenada a libertação sem condições de Nelson Mandela, Zephania Mothopeng e de todos os presos políticos. Na altura era Cavaco Silva o primeiro-ministro. Ao i, a Presidência da República esclareceu que o voto contra esta resolução foi explicado na altura numa declaração de voto, por esta resolução referir no ponto 2 que se apoia a legitimidade “da luta do povo da África do Sul e o seu direito de escolher os meios necessários, incluindo a resistência armada para  erradicar o apartheid”.» [i]
 


 Morreu o melhor dos seres humanos
   
«Um ser com uma vida de excepção, Mandela transformou-se num símbolo para a humanidade
Partiu com a serenidade e a discrição com que soube viver, no meio de multidões que o adulavam e de um mundo inteiro que se rendeu à sua figura. 
Mandela foi ímpar na história dos homens. Ímpar porque fez um percurso que o levou da revolta contra o apartheid, o mais abjecto dos regimes racistas, à reconciliação dos sul--africanos, sabendo em primeiro lugar renegar o primarismo do combate violento, mesmo que legítimo, para, na hora certa, optar pela procura pacífica de entendimentos passo a passo, até à construção de uma nova e grande nação africana, que procura juntar e aproximar um complexo mosaico humano num quadro democrático, ainda em fase de construção. 
É verdade também que nesse processo houve a circunstância de encontrar De Klerk do outro lado, um africano branco que optou pelo diálogo quando percebeu que o regime não duraria muito se não abrisse a porta a conversações de paz. O Mandela do entendimento cordial não teria sido talvez possível sem De Klerk.

Para o mundo, e muito especialmente para o seu país e o seu continente, Mandela foi o exemplo do pai da pátria. O mais velho, que firme mas sabiamente traça o caminho no meio de situações explosivas. 
Fez o que se propunha fazer usando o poder como instrumento para uma causa nobre e deixou-o sem medo porque nada teme quem por bem agiu e quem tem tamanha autoridade moral. 
Madiba, como carinhosamente lhe chama o seu povo, ficará na história para sempre com uma dimensão mítica e será objecto de uma devoção quase religiosa durante longos anos. Sendo isso importante, não é, porém, suficiente. É preciso que o seu exemplo perdure e a sua tolerância sirva de exemplo pelo mundo fora.

A memória dos homens retém poucas figuras tão importantes como a dele. Nos últimos cem anos só outra se lhe pode comparar: Gandhi, também ele um homem que amava a paz. 
Tal como o Mahatma para a Índia, Mandela era e será um símbolo máximo de uma África, primeiro sofredora e subjugada durante séculos, depois combatente e libertada, e por fim pacificada internamente para, a partir dessa estabilidade, iniciar um longo caminho em direcção ao progresso, à igualdade e à democracia. É uma marcha difícil, mas da qual não poderão abdicar nenhuns dos que na África do Sul mantiverem Mandela como referência norteadora.» [i]
   
Autor:

Eduardo Oliveira Silva.
      
 Preto no branco
   
«Está a tornar-se um hábito: desta vez foi o ministro da Defesa, Aguiar- Branco, que foi apanhado a mentir ao Parlamento e ao País sobre o caso dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.

E o pior é que uma leitura atenta da comunicação da Comissão Europeia sobre as alegadas "ajudas de Estado" (Jornal Oficial da União Europeia, de 3-4-2013) mostra que a mentira de Aguiar-Branco é ainda maior do que parece.

Aguiar-Branco quis vender ao País, para consumo no combate partidário, uma versão panfletária sobre a situação dos Estaleiros: entre 2005 e 2011, garantiu ele, o malvado Governo anterior, para além de ter assegurado contratos para a construção de navios asfalteiros para a Venezuela, teria concedido aos Estaleiros de Viana do Castelo cerca de 182 milhões de euros de "ajudas de Estado" que a Comissão Europeia tinha considerado "ilegais". Segundo o ministro, essa decisão da Comissão inviabilizou não só o cenário de reestruturação da empresa como também o próprio cenário de privatização, forçando a adopção do actual modelo de subconcessão dos Estaleiros a um privado (com prévia liquidação da empresa e despedimento de todos os trabalhadores).

Acontece que a comunicação da Comissão Europeia, publicada no Jornal Oficial, esclarece, preto no branco, que nada disto é verdade: nem a Comissão Europeia tomou qualquer decisão final sobre o assunto (exprimiu apenas dúvidas e conclusões provisórias, convidando Portugal a apresentar as suas observações), nem o Governo anterior concedeu 182 milhões de euros de alegadas ajudas de Estado. Mais: o documento da Comissão Europeia revela que foi o próprio Aguiar-Branco que, já em 2012, concedeu a maior parte (!) dessas ajudas, num valor de quase 102 milhões de euros. A Comissão vai até mais longe e revela que o ministro Aguiar-Branco lhe apresentou um pacote adicional de medidas de "auxílio à privatização", de valor superior a 170 milhões de euros, medidas essas que, segundo a Comissão, "se implementadas na forma actualmente prevista", configurariam igualmente "um auxílio estatal". Tudo somado, o ministro Aguiar-Branco, que gosta de aparecer de dedo em riste, seria afinal responsável por um programa de mais de 270 milhões de euros de ajudas de Estado alegadamente ilegais aos Estaleiros de Viana do Castelo!

Mas o documento da Comissão Europeia contém duas outras revelações importantes que têm passado despercebidas. Em primeiro lugar, a Comissão revela que abriu o processo de investigação sobre as alegadas "ajudas de Estado" a 5 de Outubro de 2012, na sequência de um "breve memorando" que o actual Governo enviou informalmente para Bruxelas, por correio electrónico, dois dias antes, no dia 3. Segundo a Comissão, esse memorando versava "sobre as medidas estatais que procuram maximizar as receitas provenientes da privatização" dos Estaleiros. Quer dizer: é totalmente falso que a reestruturação da empresa tenha sido inviabilizada pelo contencioso sobre as ajudas de Estado. Pelo contrário, o processo relativo a este assunto só foi aberto em Bruxelas já depois de o Governo ter abandonado a reestruturação e optado pela privatização.

Em segundo lugar, a própria Comissão Europeia admite nesta comunicação que, em certas circunstâncias, os auxílios estatais até podem ser considerados compatíveis com o mercado interno mas para isso é preciso que o Estado-membro apresente "as possíveis razões da compatibilidade", que neste caso apenas poderiam estar associadas à "reestruturação de empresa em dificuldade". Sucede que a Comissão se viu obrigada a registar que as autoridades portuguesas "não forneceram quaisquer possíveis razões para a compatibilidade" com o mercado interno, nem "quaisquer elementos" que levem a considerar que estamos perante "um auxílio à reestruturação". E percebe-se porquê: a verdade é que o Governo nunca quis reestruturar esta empresa pública. O que o ministro Aguiar-Branco apresentou em Bruxelas foi outra coisa: uma batelada de "auxílios à privatização".» [DE]
   
Autor:
 
Pedro Silva Pereira.
      
 Todos ao Marquês
   
«É inevitável: haja um relatório, estudo ou mesmo uma boca qualquer "lá de fora" que nos menorize, e abre os telejornais. Já o contrário ergue sobrancelhas e desconfiança: pode lá ser, nós? Daí que quando, como sucedeu esta semana, uma prestigiada organização internacional, pela segunda vez consecutiva, elogia a performance do nosso sistema de ensino público e garante que é um dos que registaram o mais notável progresso nos últimos onze anos, fique tudo naquela da esmola a mais.

Sim: como já fizera em 2009, a OCDE regista terem as competências a Matemática, Leitura e Ciências dos nossos estudantes de 15 anos evoluído de forma notável desde 2000. Em 2003 muito atrás do Luxemburgo, dos EUA, da República Checa, da França, da Suécia, da Noruega, em 2012 estamos a par. Somos um dos três países (em 35) nos quais melhorou a performance dos alunos de topo e dos mais fracos - sobretudo entre 2006 e 2009. Sim, sim: pavor dos pavores, a OCDE relaciona estes resultados com várias decisões de Maria de Lurdes Rodrigues. É certo que, tendo os testes a que o estudo se reporta sido efetuados no ano passado, sob a égide deste Governo, não pudemos ler o secretário de Estado Lomba a pôr em causa, como em 2009, os critérios de "escolha" dos alunos, insinuando que o ministério manipulou os resultados. Vimos antes o colega João Grancho, que tutela o Ensino Básico e Secundário, reconhecer "a clara melhoria" para logo acrescentar: "Os resultados estão longe de satisfatórios" e "reforçam e justificam a necessidade de medidas que têm sido tomadas." Medidas como, por exemplo, a mudança do programa de Matemática ministrado aos alunos testados, o acabar com as aulas de substituição e planos de recuperação. Ou a do lançamento do cheque-ensino, na senda da Suécia - cujo ministro da Educação, perante os maus resultados do país, veio já a público assumir que é preciso repensar tudo.
Repensar? Por amor de deus, isso não é para Crato e Passos. Se o FMI diz, manipulando dados e tomando como referência o PISA 2003, que a escola pública portuguesa tem péssimos resultados em relação ao investimento nela feito e que o melhor é passar tudo para o privado, importa lá que a OCDE, com base na análise ao longo de onze anos, ateste ser um caso de sucesso que demonstra como é possível melhorar em tudo em pouco tempo. Ainda não estamos ao nível dos melhores países, ora toma, responde Crato.

Sucede que estamos. Quando a OCDE ajusta os resultados ao nível socioeconómico dos estudantes, Portugal passa, em Matemática (a área em que foi feita a comparação), do 23.º lugar para o 5.º. Atrás apenas da Coreia, do Japão, da Suíça e da Polónia. Cinco lugares à frente da Alemanha, sete à frente da Finlândia (o país com o qual o FMI nos comparou no seu "relatório", para concluir que era muito mais eficiente) e 27 à frente da Suécia. Qual bola de ouro, qual Cristiano Ronaldo: isto é que é um orgulho nacional. Porque é que ninguém está a celebrar?» [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.
   
   
 Do milagre à vaga
   
«O ministro da Economia apontou hoje as 27 mil novas empresas criadas de janeiro a setembro, "o dobro das que morreram", e a evolução muito positiva das exportações como provas da "vaga de empreendedorismo" atualmente vivida em Portugal.

"Hoje Portugal experimenta uma época de empreendedorismo que representa uma energia nova na economia e na sociedade", sustentou António Pires de Lima, apontando este "esforço" como, "em boa parte, responsável pelos 130 mil novos empregos líquidos que se criaram de 31 de março a 30 de outubro".» [DN]
   
Parecer:

Parece que santinha da Horta Seca anda a dedicar-se ao surf e decidiu surfar na vaga das exportações e da criação de empresas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se»
  
 Rui Rio ultrapassa José Seguro
   
«O movimento, associado agora a Rui Rio, tem mais de um ano e quer "dar o salto" para se promover como um think-tank de novas ideias na área da social-democracia. A plataforma "Uma agenda para Portugal" quer uma reforma do Estado e pretende contribuir para isso com propostas sectoriais que, todas juntas, formem um verdadeiro programa de governação.

Depois de, num primeiro momento, o movimento ter sido associado a Rui Rio (ver texto ao lado), Rui Nunes, porta-voz da plataforma que nasceu do grupo de reflexão "Fórum - Sociedade e Democracia", garante ao i que o objectivo não é fazer oposição a Passos mas criar "um think-tank que vai fazer propostas concretas, sectoriais, e que no final se vai aproximar de uma proposta de governação".» [i]
   
Parecer:

A grande vítima do movimento de Rui Rio vai ser Seguro porque cada vez está mais claro que o líder do PS nao tem uma única ideia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
     

   
   
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sexta-feira, dezembro 06, 2013

Raios partam a história

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Se Nelson Mandela tivesse apodrecido na prisão hoje ninguém mandaria condolências diplomáticas à família ou ao povo sul africano, tudo o que disseram ou pensaram dele seria arquivado. Teria morrido mais um terrorista que ainda por cima era africano. Mas como Mandela sobreviveu a tempo de demonstrar a sua superioridade moral relação ao apartheid mas igualmente face a muitos sabujos que pululam por esse mundo fora.
 
Mas Mandela sobreviveu e não só sobreviveu como conseguir mostra ao mundo que é possível governar para todos e a pensar em todos, depois de Mandela todos os políticos que governam contra o povo ou atirando povo contra povo não passam de bandalhos, de canalhas. Se foi possível unir o povo sul africano e evitar um banho de sangue também é possível governar sem atirar o interior contra o litoral, o norte contra o sul, as cidades contra o campo ou os funcionários públicos contra o privado.
 
É por isso que é uma hipocrisia ver algumas personagens a enviar condolências, gente que tem a cabeça cheia de apartheids, governantes que sempre governaram odiando, detestando ou simplesmente ignorando uma parte do seu povo. Gente exclui alguns porque acham que não pertencem ao arco da governação, perseguem outros porque os consideram a mais, prejudicam muitos porque são gente inferior que serve a causa pública.
 
Nelson Mandela este 30 anos de cadeia porque o regime racista o condenou a prisão perpéctua e o seu único crime foi terem sido encontradas armas na sua casa. Mas quando muitos ignoraram a sua prisão ou chegaram mesmo a manifestar-se contra manifestações pedindo a sua libertação a motivação não era ver morrer na prisão um perigoso criminoso ou terrorista. O que eles queriam ver na prisão eram os valores e os ideais de Nelson Mandela, foi por isso que apoiaram moralmente a sua prisão perpéctua.
 

Agora curvam-se de forma interesseira, cínica e oportunista perante aquele que desprezaram, aquele que tinha armas, aquele que estava aliado aos comunistas. Quando defenderam que Nelson Mandela deveria continuar preso fizeram-no a pensar nos seus próprios ideais, agora fazem-no forçados pelos cargos, sabendo que estão incluindo o sapo e que são tramados pela história, a história onde Nelson Mandela terá um grande lugar e onde outros serão ignorados.

Umas no cravo e outras na ferradura


  


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Cavaco Silva já enviou condolência à família de Mandela. Esqueceu-se de aproveitar a oportunidade para pedir desculpa aos familiares de Mandela, ao povo sul africano e ao povo português porque quando era primeiro-ministro deste país se opôs à libertação incondicional de Nelson Mandela. às vezes sinto vergonha de ser português e pior do que sentir vergonha é ter motivos para isso.
  
   Foto Jumento
 

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Sé de Faro
  
 Jumento do dia
    
Crato, ministro incompetente deste governo

Um ministro que quase vai esperar a aeroporto os jovens que regressa medalhados das olimpíadas da matemática e ignora totalmente os elogios de um relatório da OCDE ao ensino em Portugal não se deveria chamar Crato, o nome adequado para uma tal personagem é Cretino.

Fica-se com a sensação de que o ministro odeia tudo o que cheire a qualidade na escola pública que ele pretende destruir, é um ministro que só dá conta dos problemas e que para avaliar os professores da escola pública manda divulgar um teste que não passa de uma insinuação de que os professores portugueses nem sabem escrever.

O normal num governo é ter um ministro da Educação competente que tem por objectivo melhorar o ensino do seu país, mas Portugal foi posto de pernas para o ar e tem um ministro da Educação em cuja agenda há um único objectivo, destruir a qualidade da escola pública, condenar os portugueses à escolaridade mínima e desprestigiar os professores que optem por ensinar na escola pública. Estamos perante um retrocesso civilizacional e Portugal tem motivos para sentir vergonha do ministro da Educação que tem.

 
 Procura-se

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 As campanhas do "CM" e o fisco como arma de perseguição política
   
«Como sucede com rigorosa regularidade, o "Correio da Manhã" dedicou ontem a sua capa a um familiar, amigo, amigo de familiar ou conhecido de José Sócrates, homem que deixou de ser primeiro-ministro há dois anos e meio. Desta vez, foram as dividas ao fisco da sua mãe. Para também não variar (imagino que faz parte do livro de estilo do jornal), a noticia pode ser desmentida pelo próprio leitor. É do conhecimento geral que os impostos sobre as mais-valias de venda de casa (desde que seja para habitação própria e permanente, como parece ser o caso) podem ser pagos no prazo de três anos, sendo o pagamento dispensado em caso de reinvestimento em novo imóvel para o mesmo fim.

Até ver, e tendo apenas em conta a parca informação fornecida pelo "Correio da Manhã", a senhora ainda não deverá nada às Finanças, já que, segundo a própria notícia, a casa foi vendida há apenas um ano. Qualquer pessoa que já tenha vendido um imóvel sabe isto. Se, como se escreve no CM, "a Autoridade Tributária e Aduaneira deverá avançar com uma execução fiscal" ou está a perder o seu tempo ou o jornal não nos contou tudo. Não sabemos, por exemplo se a senhora manifestou a intenção de proceder ao reinvestimento na declaração de rendimentos respeitante ao ano da alienação, como determina a lei. Na realidade, ao ler a notícia não ficamos a saber quase nada, a não ser que a mãe de Sócrates deve ter muito dinheiro e compra e vende casas. Mesmo a expressão "deverá avançar com uma execução fiscal", que é uma forma de dizer que não aconteceu nada, assim como ausência de informações elementares para perceber os contornos desta acusação, mostram a falta de rigor profissional e deontológico de quem escreve estas notícias. Bem mais criticável do que a suposta dívida desta anónima cidadã.

Mas mesmo que a mãe de Sócrates deva alguma coisa ao fisco, o que me interessa nesta história é outra coisa. Na realidade, são três coisas que me levam a três perguntas, e nenhuma delas depende do rigor (ou falta dele) da notícia.

Primeira: sendo notória a obsessão que este jornal tem por qualquer coisa que que envolva, direta ou indiretamente, José Sócrates - em contraste com a ausência de qualquer investigação sobre o atual primeiro-ministro, por exemplo -, é ou não evidente que estamos perante um caso de perseguição a um cidadão em concreto por parte dum órgão de comunicação social? Não hesitando o jornal em revolver as gavetas de todos os seus familiares e amigos para alimentar uma campanha que ultrapassa em muito o trabalho legitimo de um jornalista. Quando um jornalista se dedica a perseguir de forma continuada um cidadão em concreto, ainda mais quando ele já não ocupa qualquer cargo público e essa perseguição inclui o comportamento de familiares e de amigos, estamos perante um claro abuso de poder. Que caberia aos jornalistas denunciar, não promover.

Segunda: não sendo a mãe de Sócrates uma figura pública, não ocupando nenhum cargo político e não tendo qualquer relevância mediática para além de ser mãe de alguém que já foi primeiro-ministro, qual é, com base em qualquer critério jornalístico, a justificação para esta notícia? E com que base se põe a fotografia do ex-governante na capa, para ilustrar uma noticia dum suposto caso que não o implica? Serve apenas para manter, sem dar qualquer informação que a sustente, uma suspeita que o neutralize politicamente, o que não corresponde às funções de qualquer jornalista. Serve para manter os holofotes afastados deste governo, pelo qual o "Correio da Manhã" faz a mais despudorada das campanhas, lançando lama sobre todos os que o ataquem, de D. Januário Torgal Ferreira a qualquer político da oposição que se destaque. E, por fim, serve para vender jornais. Coisa que, para o mal e para o bem, José Sócrates consegue como ninguém.

Terceira e seguramente a mais grave: existe ou não existe sigilo fiscal? Sabendo-se que as Finanças estão diretamente dependentes do governo, é ou não legitimo pensar que o governo (este e os anteriores) usa este serviço público, dotado de poderes extraordinários e depositário de informação sensível, para perseguir opositores políticos, não hesitando mesmo em divulgar informações truncadas sobre familiares desses opositores? Se assim é, que cidadão, seja de esquerda ou de direita, político ou jornalista, famoso ou anónimo, pode dormir descansado?

Não me interessa especialmente quem seja a vítima deste tipo de procedimentos. Interessa-me que ninguém, nem eu e os meus familiares, nem qualquer outro português, está a salvo das campanhas do "Correio da Manhã" e de qualquer governo, ajudado pelas Finanças ou por qualquer outro serviço público. É que eu gostava de saber que posso estar do lado oposto a quem governa o país - agora ou noutro momento qualquer - sem que isso signifique que os meus familiares fiquem à mercê das inconfidências de funcionários das finanças. Por isso, era tranquilizador se víssemos  a justiça a proteger os cidadãos deste tipo de perseguições abusivas. Mas é esperar muito, quando é própria justiça que, através das mesmíssimas fugas de informação com objetivos políticos, faz o que aqui critico. Por isso, infelizmente tenho de me contentar com este apelo: se é para sujarem nome de alguém, ao menos que seja verdade. E se não o for, ao menos que a mentira não se detete logo no primeiro parágrafo.

Nota: Na mesma edição do "Correio da Manhã", a esposa de Miguel Relvas fala dos sonhos da família e da harmonia no lar e o jornal anuncia as doações que os convidados ao seu casamento fizeram para a Casa dos Rapazes.» [Expresso]
   
Autor:
 
Daniel Oliveira.
      
 Portugal vs. Suécia
   
«É oficial, Portugal ultrapassou a Suécia e, desta vez, não foi no futebol. Os estudantes portugueses tiveram melhores resultados, que os suecos, a matemática, a leitura e a ciências – as três áreas abrangidas pelo estudo PISA da OCDE. Ao longo do relatório, a OCDE não poupa em referências e elogios a Portugal, também não é caso para menos, é um dos países que mais tem progredido desde que este estudo comparativo tem sido realizado. Desde o primeiro estudo, em 2000, que Portugal tem reduzido a percentagem de alunos com níveis de desempenho abaixo do nível 2 (maus desempenhos) e aumentado a percentagem de alunos com níveis de desempenho acima do nível 5 (desempenhos muito bons e excelentes).

A melhoria do desempenho médio dos estudantes portugueses tem sido contínua e consistente, levando mesmo a OCDE a dizer que “Portugal mostra que a melhoria de desempenho dos alunos é possível, mesmo num curto espaço de tempo”. Em sentido contrário tem estado a Suécia, este país é normalmente apresentado como o modelo a seguir no que diz respeito à educação mas os dados do mais recente estudo PISA (2012) mostram-nos o contrário. A Suécia fez há quase 20 anos a reforma educativa que a direita portuguesa gostava de fazer em Portugal – as famílias suecas podem escolher “livremente” entre escolas municipais e escolas independentes, todas elas financiadas pelo Estado. Na realidade, os resultados de 2012 não constituem nenhuma surpresa, a Suécia cai nos estudos PISA desde que estes começaram a ser feitos em 2000.

A queda tem sido constante e os responsáveis políticos suecos admitem mesmo que se continue a verificar nos próximos anos. As razões serão com certeza diversas mas não escapa à análise crítica a reforma educativa que instaurou a “liberdade de escolha” no ensino sueco. É consensual, na Suécia, que a desigualdade entre escolas aumentou e com ela a segregação – os melhores alunos concentraram-se nas mesmas escolas. Em Portugal, o sistema público de ensino tem permitido melhorar o desempenho dos alunos portugueses. É por isso que é tão importante defendê-lo. » [i]
   
Autor:

Pedro Nuno Santos.
     

   
   
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quinta-feira, dezembro 05, 2013

Será complexo de inferioridade?

É uma pena que não exista a tradição de se proceder a comentários acerca do perfil psicológico dos políticos, talvez se perdesse menos tempo pois muitas vezes as políticas, tal como os tiques, explicam-se mais facilmente no domínio psicológico do que político ou ideológico. Muitas vezes chamamos ultra-liberal ou comunista a alguém quando, afinal, as suas opções explicam-se mais por problemas do foro psicológico ou psiquiátrico do que por questões de opção ideológica.
  
Veja-se o ar emproado que agora é exibido por Passos Coelho, dantes tinha o andar descontraído de quem está habituado a pistas de dança, agora parece que engoliu uma cana de pesca, anda direitinho e é o mais emproado dos primeiro-ministros que Portugal teve. Parecido com ele só Cavaco Silva e se assim é seria interessante perceber se as semelhanças resultam de pertencerem ao mesmo partido ou de tiques psicológicos.
  
Um dos aspectos mais curiosos deste governo é a quantidade de jovens tigres formados em boas universidades que estão no governo ou são adjuntos e assessores. ter´isto algo que ver com o facto de Passos Coelho, Miguel Relvas, Maria Luís Albuquerque e mais uns quantos membros deste governo terem cursos tirados em universidades de qualidade questionável? Fica-se com a sensação de que Passos Coelho se sente atraído por gente que conseguiu aquilo de que ele e os seus mais íntimos não foram capazes.
  
Outro tique que parece ser mais do foro psicológico do que do domínio da política é a relação de ódio que Passos Coelho parece ter com os funcionários públicos. Mais austeridade ou menos austeridade, fica-se com a sensação de que Passos Coelho sente um prazer íntimo em tramar funcionários públicos, ao ponto de parecer achar que um médico experiente que trabalhe no Estado não merece ganhar mais à hora do que uma empregada doméstica, enquanto que se for do privado deve ter o direito ao céu.
  
Compreendo o sentimento de Passos Coelho em relação aos funcionários públicos qualificados, aqueles que mais são perseguidos pelas suas medidas, trata-se de gente mais qualificada do que o primeiro-ministro, que tirou o curso cedo e em boas escolas e que entraram na profissão por concurso. Passos Coelho estudou tarde, numa universidade sem grande credibilidade e na hora de trabalhar fê-lo numa empresa de Ângelo Correia. Quando decidiu ter uma iniciativa empresarial optou por uma empresa da treta cuja actividade seria alimentada por amigos das autarquias.
  
A história está cheia de políticos que actuavam condicionados pelos seus próprios complexos. É o povo que diz que homem pequeno ou velhaco ou bailarino, isto é, há uma grande probabilidade de os complexos levarem as pessoas a actuar segundo ódios gerados por esses mesmo complexos. Quando observo a actuação de Passos Coelho enquanto primeiro-ministro sinto-me como uma vítima dos seus complexos, sinto que sou alvo de um ódio descontrolado só pelo facto de ser funcionário público.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Peniche
  
 Jumento do dia
    
Assunção Cristas, uma espécie de ministra

Assunção Cristas aproveitou o facto de a UNESCO ter considerado a dieta mediterrânica no património imaterial da humanidade para falar de uma grande conquista para os agricultores e produtos portugueses. Ficou evidente que a ministra nem sabe o que é a dieta mediterrânica e, mais grave ainda, ignora que a candidatura não era exclusivamente nacional. Curiosamente entre os parceiros de candidatura estão precisamente os países cujas agriculturas concorrem com a portuguesa.

Santa ignorância...

«Sem discussão e sem objecções, e com o presidente da mesa a realçar que ninguém se opunha à classificação, “até porque todos gostam desta comida”, Portugal viu consagrada a candidatura conjunta com a Croácia e Chipre, mas também com Espanha, Marrocos, Itália e Grécia – estes últimos quatro países tinham já os seus nomes e a sua dieta mediterrânica inscritos nos bens patrimoniais da UNESCO desde 2010, mas associaram-se agora aos outros três numa candidatura renovada e mais abrangente e que foi liderada pela Câmara Municipal de Tavira.» [Público]
 
 O Sócrates já estava com saudades do Correio da Manhã

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Conclusão: o filho sai à mãe...
 
 A esposa de Relvas quer uma menina

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E o papá babado quer que a menina nasça já com uma licenciatura concluída, agora só resta decidir o curso e a universidade onde o feto deverá ser inscrito.
 
 Então não aguentamos?


Como na secretaria de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações não há juristas foi necessário ir buscar o filho do Ulrich, um rapazola que começou a trabalhar há dois anos (o rapazola começou a trabalhar aos 27 anos e já chegou a adjunto)! Agora é o Estado que o vai formar até que o papá ache que está pronto para outros voos.

Há uma coisa que está garantida, se o rapazola sair ao país será o adjunto mais obediente. Mas o rapazola está de parabéns, ao contrário do pai conseguiu acabar a licenciatura.
 
 Propaganda: a intimidade familiar


Os políticos manhosos sempre usaram a intimidade para fazerem passar a mensagem de que vivem os problemas do cidadão comum, são gente comum como nós e por isso nos identificamos com ele. A máquina de propaganda de Hitler não esqueceu este pormenor.
 
 O Freeport e os estaleiros

Durante muitos anos a suposta rapidez na avaliação do processo Freeport alimentou a suspeita de corrupção e as investigações que apenas serviram para produzir documentos que depois apareciam milagrosamente em todos os jornais. Parece que no negócio dos estaleiros há ingredientes muito semelhantes mas em dose reforçada. Será que a Manuela Moura Guedes vai produzir uma telenovela em vídeo e as peças do processo vão aparecer diariamente na comunicação social?

Aposto que a Procuradoria Geral a República fez grandes progressos no combate às fugas ao segredo de justiça e desta vez nada se saberá sobre o que for apurado no processo. Ficam aqui os parabéns antecipados aos magistrados.
 
 Desempregado dá uma preciosa ajuda ao merceeiro holandês

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Avisou que ia roubar o Pingo Doce da Baixa e o merceeiro aproveitou para promover uma mega campanha de publicidade à borla. O que o Pingo Doce ganhou em notícias simpáticas dava para lhe arranjarem um emprego no serviço de marketing da Jerónimo Martins.

Foi mesmo uma tentativa de roubo ou esta acabou numa manobra combinada?

 A evocação de Sá Carneiro

Passos Coelho falou para uma sala quase vazia onde quase só apareceu Marcelo Rebelo de Sousa, um sinal de que está a engolir todos os sapos para garantir o apoio do PSD à sua candidatura presidencial.
 
 Coisas da máquina de propaganda
 
Desde que Paulo Portas é assumidamente o líder ideológico do governo aquele que faz de conta que é o primeiro-ministro desdobra-se em discursos transmitidos em direto e em simultâneo pelos canais de informação das três televisões. O problema é que ninguém tem paciência para o ouvir, isto é, a estratégia de Paulo Portas, que nesta tarefa é secundado pela Santinha da Horta Seca, revela mais inteligência o que, aliás, não é motivo de admiração.
 
      
 A moral de desobedecer
   
«Salazar afastou-nos da política. Alegava que percebíamos pouco ou nada dos enredos que determinavam o processo histórico. Para cumprir o projecto serviu-se do sarrafo e do cantochão: da violência e do servilismo cúmplice da Igreja católica. Calafetou-nos com a censura, a polícia, uma escola com esquadrias implacáveis, o temor religioso que nos imbecilizava, a criação de uma clique paralisante e ignara; e a colocação, nos postos de comando e de poder, de serventuários inescrupulosos. Leitor de Maurras, de Sorel e de Gobineau, cujo Les Plêiades absorvera, entusiasmadíssimo, na juventude, conhecia muito bem o que desejava. "Sei o que quero e para aonde vou", dissera, num tom ameaçador que passou despercebido, mesmo aos homens da Seara Nova.

A arteirice do seu comportamento possuía qualquer coisa de irónico. Quando Alfredo da Silva, o grande industrial, fundador da CUF, se lhe foi queixar da mediocridade do ministro da Economia, Salazar respondeu: "Olhe que o outro será pior." Promovia a ascensão dos ambiciosos, sobretudo dos que abjuravam dos ideais, e a história dos seus governos está repleta dessa gente. Alguns, mantinham uma relativa ética republicana, de onde procediam, e do ideário maçónico, do qual se não tinham completamente dissociado.

Esta caracterização tem semelhanças, nada abusivas, com o político actualmente no poder. É apenas uma verificação histórica. Acontece um porém: Salazar era culto e bom manejador da língua. Frequentador, com mão diurna e mão nocturna, dos padres António Vieira e Manuel Bernardes, consumia pelo menos 36 horas a redigir os discursos mais importantes. O que nos calhou agora é aquilo que tem provado à exaustão. Mas a consciência antidemocrática é comum aos dois. Por muito que este encha a boca com a palavra "democracia", ele e sua prática são quase um sacrilégio, enquanto o outro só a proferia raramente e, claro!, para a escarmentar.

Somos responsáveis por um e por outro. Muito respeitadores por quem nos desrespeita, nos violenta e nos agride com mentiras e omissões, os nossos protestos quedam-se na obediência à estrutura "orgânica", por natureza cumpridora e legalista. Cito Cornelius Castoriadis (ao qual voltarei, em breve, porque estou a relê-lo): "...a honestidade, o serviço de Estado, a transmissão do saber, a obra feita (...) vivemos em sociedades nas quais estes valores se tornaram, com pública notoriedade, irrisórios e em que apenas importa a quantidade de dinheiro que se mete no bolso, de qualquer maneira, ou o número de vezes que se aparece na televisão."

Os episódios ocorridos na escadaria do Parlamento, e na "invasão" de quatro ministérios, representam veementes censuras ao recalcamento que este Governo nos aplica. O direito à desobediência impõe-se, quando o poder cria formas e estimula métodos contrários aos princípios das próprias noções de convivência social.» [DN]
   
Autor:
 
Baptista Bastos.
   
   
 Portugal já foi metido na linha
   
«Pode ser mais do mesmo. Os responsáveis da Comissão Europeia e do FMI dizem uma coisa e os técnicos que acompanham no terreno os programas de ajustamento dizem outra e obrigam os governos dos países resgatados a cumprir as suas ordens. Mas ontem, em Bruxelas, Olli Rehn, comissário europeu para os Assuntos Económicos, reconheceu que países como Portugal e Espanha, que viviam acima das suas possibilidades, já fizeram os ajustamentos necessários. Palavras estranhas quando se sabe que a troika, que chega hoje a Lisboa (ver páginas 16 a 19), insiste na baixa dos salários do sector privado, com o FMI à cabeça, e que a Comissão Europeia não se conforma com o Código do Trabalho aprovado em Concertação Social em 2012.

As afirmações de Olli Rehn merecem ser lidas com atenção: "Os mais recentes dados do Eurostat mostram que as economias de Espanha e Portugal voltaram a território positivo, têm sido feitos muitos progressos na economia da zona euro, e em particular nos países sob programa de ajustamento, reconhecidos pelos parceiros internacionais e forças de mercado e pelo próprio relatório "Euro Plus Monitor", que reconhece que estes países já não vivem acima das suas possibilidades.» [i]
   
Parecer:

Os candidatos a comissários europeus deviam ser submetidos a testes anti-canalha.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proponha-se.»
  
 Começou a peixeirada no PSD
   
«A dirigente social-democrata Teresa Leal Coelho afirmou esta quarta-feira que, se "os barões do PSD" querem retirar Pedro Passos Coelho da liderança do partido, terão de ser eleitos pelos militantes.

Teresa Leal Coelho assumiu esta posição a propósito de notícias que associam a apresentação de uma nova plataforma de debate político na área da social-democracia, também esta quarta-feira, no Porto, ao lançamento de Rui Rio para a liderança do PSD.

"Quem retira Passos Coelho da liderança do PSD são os eleitores do PSD, não são os barões do PSD", declarou a deputada e dirigente social-democrata aos jornalistas. "É muito legítimo que tenham anseios de ascender ao poder no PSD, mas para isso terão de ser eleitos", acrescentou.» [DN]
   
Parecer:

Vai ser o bom e o bonito, ainda vão meter o Silva ao barulho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Ó Ilda mete os putos na barraca porque vai haver pedrada!»
   
 Notícia curiosa
   
«Uma mulher de nacionalidade chinesa, com 35 anos, foi cercada por três mulheres portuguesas, pelas 12.20 de terça-feira, no cruzamento das ruas Ferreira Borges e Coelho da Rocha, no bairro lisboeta de Campo de Ourique. As ladras levaram-lhe um saco com 35 mil euros, dinheiro que a mulher , dona de uma loja chinesa, se preparava para depositar no banco Montepio. A seguir ao assalto, a vítima desatou a esbracejar e a pedir ajuda, o que chamou a atenção de um agente da PSP que correu atrás das três suspeitas. O polícia evitou que o táxi onde as três se meteram arrancasse. Já na esquadra, um amigo da vítima, também chinês, fez de tradutor da mulher. Explicou que, dos 35 mil euros que a compatriota trazia num saco, 15 mil vinham de prémios obtidos no Casino Estoril e, os restantes, da venda de loiças chinesas e de artigos em leilões. As três assaltantes já estavam referenciadas nas autoridades por furtos.» [DN]
   
Parecer:

Uma chinesa com sorte no casino e azar na rua....
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao fisco.»
   
   
 Uma família como a nossa
   
«Laura Ferreira já está a pensar no Natal e no aconchego familiar próprio desta época do ano. "O nosso Natal é como o de todos os portugueses, mas acima de tudo o importante é estar em família", admite a mulher de Pedro Passos Coelho.
  
Laura revela ainda, à margem da apresentação do site da Casa dos Rapazes, o que não pode faltar à mesa na consoada. "O bacalhau", diz a rir. 

A fisioterapeuta sublinha que vai para a cozinha fazer todas as iguarias natalícias, e que tem uma ajuda muito importante, a do primeiro-ministro. "Ele vai para cozinha, é a grande conquista do homens do século XXI é serem pais fantásticos e ótimos donos de casa", garante.» []
   
Parecer:

Como é simpático sabermos que na intimidade a família do primeiro-ministro é como a de todos os portugueses, se calhar até passa pelas mesmas dificuldades.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se»
   
 Haverá lodo no estaleiro?
   
«O Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) está a “acompanhar e a analisar” o processo relativo aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), disse hoje à Lusa fonte da Procuradoria-Geral da República.

“O DCIAP está a acompanhar e a analisar os expedientes e os processos relativos aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo a fim de apurar a existência de factos com relevância criminal e agir em conformidade”, disse a fonte.

Contactada pela Lusa, fonte do Ministério da Defesa Nacional (MDN) disse apenas que irá colaborar com a Procuradoria, se tal for solicitado.

“O MDN colaborará, como sempre colabora, com a Procuradoria-Geral da República em todos os processos em que seja solicitado”, disse a fonte.» [i]
   
Parecer:

Da suspeita já o ministro não se livra.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelos resultados.»
     
 Aguiar-Branco, um estranho ministro

«O ministro da Defesa Nacional responsabilizou hoje o governo anterior pela situação que levou ao encerramento dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, com o PS a desafiar o Governo a assumir a "opção política" do fecho.

Na audição parlamentar, o ministro José Pedro Aguiar-Branco reiterou que havia "ajudas públicas ilegais" de 181 milhões de euros que foram atribuídas entre 2006 e 2011 que não poderiam ser juridicamente justificáveis.

Num dos momentos mais tensos da audição, o deputado do PS Marcos Perestrello acusou o ministro de ter iniciado o processo de encerramento antes de a Comissão Europeia ter iniciado a investigação às ajudas ilegais e confrontou o ministro com a "injeção de 101 milhões de euros em 2012" aos ENVC.

"Essas ajudas concedidas em 2012 foram resgate de crédito bancário. Em 2012, o ministro retirou todas as dívidas que os estaleiros tinham à banca para o poder fechar sem que nada ficasse em dívida", acusou o deputado.


Na resposta, José Pedro Aguiar-Branco disse ser "evidente que o governo não injetou dinheiro algum nos estaleiros" afirmando que "o que houve foi um assumir, por via da Empordef (Empresa de Defesa Nacional) de responsabilidades contratadas pelo governo anterior".» [i]

Parecer:
   
Começa a ser uma marca deste governo, Passos Coelho ainda prometeu que nunca se desculparia com o governo anterior mas essa promessa não passou, afinal, de mais uma das suas mentira, a verdade é que é um comportamento comum a vários ministros, quando se sentem enrascados por estarem entre a espada e a parede.

Este senhor de que parece se aproveitar o penteado e pouco mais andou semanas a dizer que a entrega dos estaleiros quase à borla era um excelente negócio, mas só agora que se começam a suscitar suspeitas em relação ao negócio é que se lembrou de atirar caca para a ventoinha na esperança de sujar o governo anterior.

Se este negócio já suscitava dúvidas com esta actuação de alguém que parece enrascado suscita ainda mais. Não seria de admirar que ou o governo ou a empresa beneficiária se lembre de um qualquer impedimento para anular o negócio, o que não seria nada de novo, já sucedeu com a venda da TAP, quando se começou a duvidar do papel do Relvas no negócio este foi anulado e uns tempos depois o Relvas parece ter partido para a clandestinidade.

Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sugira-se a Aguiar-Branco que faça como o Relvas e passe à clandestinidade.»
   

   
   
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