sábado, janeiro 04, 2014

Jogatina televisiva

As televisões encontraram nos sorteios as receitas que perderam na publicidade e isso explica em grande medida a facilidade com que têm conseguido sobreviver sem grandes danos à crise financeira e consequente redução dos orçamentos publicitários. A caça às chamadas de valor acrescentado ocupa quase todos os programas das televisões e não seria de admirar se um dia destes forem os próprios jornalistas dos telejornais a apelar aos telespectadores para ligarem para os números dos sorteios.
  
A pouca vergonha chega ao ponto de ouvirmos uma apresentadora da SIC a apelar a que liguem para o tal número da sorte garantindo que naquela televisão os mais pobres costumam ter sorte. A miséria humana nesta estação de televisão já chega ao ponto de apelar aos trocos dos que passam fome para enriquecimento do Balsemão e da Ongoing.
  
Quando apostamos num jogo da Santa Casa conhecemos as regras, há um regulamento público, sabemos qual a percentagem das receitas que está reservadas a prémios, os júris dos concursos são independentes. Além disso, as receitas do jogo não podem ser gastas de qualquer forma, a forma como são gastas obedecem a contratos com o Estado. Sucede mais ou menos o mesmo com os casinos ou com qualquer outra forma de jogo autorizado. Não admira que o Estado persiga o jogo ilegal, nem as modestas rifas se escapam a esta perseguição.
 
Chamar concursos aos jogos das televisões é gozar com os portugueses, aquilo não passam de jogo ilegal em que quem joga é manipulado por doses de cavalo de publicidade. Não se conhecem as regras, os chorudos lucros deste jogo ilegal não têm qualquer destino social, não há júris dignos desse nome, a percentagem dos lucros é ocultada de quem joga. Aquilo a que o país assiste diariamente ´+e a um imenso casino da coxa onde os donos das televisões, incluindo a estatal, vão buscar lucros fáceis.
 
Se assim é porque razão ninguém se queixa? Seria de espera que a Santa Casa exigisse o fim destes concursos ou que os casinos os ac usem de concorrência desleal? A razão é simples, em Portugal os políticos e as empresas têm mais medo das telecisões do que do terrorismo. Quem se mete com as televisões leva e um político perseguido por uma televisão é um político acabado, o mesmo se pode dizer de qualquer instituição ou empresa que se meta com esta autêntica al Qaeda televisiva que se instalou em Portugal.
 

Se a Santa Casa levantasse a voz contra esta imensa batota televisiva o Santana Lopes deixaria de ter acesso às televisões e em menos de nada estaria de regresso à vida difícil do português comum.




Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

 photo Carrasqueira_zps598bc330.jpg
     
Carrasqueira, Alcácer do Sal
  
 Jumento do dia
    
Paulo Núncio

Algo de anormal se passa quando é um secretário de Estado a anunciar que Paulo Portas, o ministro adjunto do seu governo e coordenador da área económica já foi perdoado pelo centro direita depois da revogação da sua irrevogável decisão,espectáculo dramático que muito provavelmente custou aos portugueses os parcos benefícios resultantes da política de austeridade.

Esta situação talvez não seja assim tão anormal,Paulo Núncio é cada vez mais a imagem do mini-governo do CDS dentro do governo de coligação.

«Em entrevista ao Sol, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, recusou que o CDS esteja, hoje, menos diferenciado do PSD, devido à coligação que os une, e garantiu que o centro-direita já perdoou a Paulo Portas pela demissão “irrevogável” de Julho.
  
Paulo Núncio explicou que “o Governo tem o objectivo de desagravar a carga fiscal ao nível do IRS, mas a redução estrutural da despesa pública é indispensável para reduzir os impostos sustentavelmente”, sendo este “o Governo que mais reduziu a despesa desde o 25 de Abril de 1974”.

Questionado sobre a coligação que une o CDS e o PSD, o advogado recusou que os partidos estejam hoje menos diferenciados, garantindo que “o que há ao nível do centro-direita é algo de extraordinariamente positivo, que não acontece na esquerda: a capacidade de colocar o interesse nacional acima dos interesses partidários”.

“O dr. Paulo Portas é o melhor líder que o CDS e o centro-direita em Portugal alguma vez tiveram. E o País deve-lhe muito. É a ele que deve a refundação da direita e do centro-direita em Portugal. (…) Era muito importante que Paulo Portas continuasse a ser líder do CDS por muitos mais anos”, ressalvou o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, militante do CDS há quase 30 anos.» [Notícias ao Minuto]

 
 Miguel Relvas já sabe que vai ter uma menina

 photo Menina_zps5257df20.jpg

A única dúvida que as ecografias ainda não esclareceram é se a menina vai nascer licenciada em medicina ou em germânicas.
 
 Sugestão

A divulgação dos pareceres que apontam para a constitucionalidade do OE seria um importante contributo para a transparência da política em Portugal, até porque esses pareceres que substituem a iniciativa presidência foram pagos pleos contribuintes.

A partir de agora Cavaco deixará de justificar as suas decisões aos que elegeram e muito menos ainda aos que não o elegeram, limitar-se-á a dizer que tudo o que decide é com base ou em pareceres favoráveis ou com o superior interesse dos portugueses. As únicas excepções admitidas serão as que resultem de intervenções da N.S. de Fátima devidamente dirigidas à sua esposa.

Até faz sentido equacionar a hipótese de alterar a Constituição e em vez de elegermos o presidente passamos a eleger os juristas que lhe elaboram os pareceres.

 O primeiro jornal pós-troika

Parece que a direita está pouco confiante na comunicação social de que dispões que é praticamente toda a comunicação social portuguesa, por isso o Compromisso Portugal casou-se com o Cavaquimo para lançar mais uma publicação online.
 
O jornal chama-se Observador, título que lembra o papel David Justino nas negociações forçadas entre PS e PSD, estava lá para observar e ir contar ao Cavaco.
     
 Um novo símbolo nacional?

Reza a Constituição da República, a tal cuja defesa assenta em pareceres , que o símbolo nacional é a bandeira, acrescentando a esta o hino e a língua:

Artigo 11.º
Símbolos nacionais e língua oficial

1. A Bandeira Nacional, símbolo da soberania da República, da independência, unidade e integridade de Portugal, é a adoptada pela República instaurada pela Revolução de 5 de Outubro de 1910.

2. O Hino Nacional é A Portuguesa.

3. A língua oficial é o Português.

Bem, agora há um quarto símbolo nacional que pode ser considerado a marca do cavaquismo, Cavaco acaba de acrescentar mais um símbolo para consumo externo:

«A decisão do Presidente Aníbal Cavaco Silva visa distinguir o atleta de renome internacional que tem sido um símbolo de Portugal em todo o mundo, assim contribuindo para a projeção internacional do País, e um exemplo de tenacidade para as novas gerações.» [PR]

Entretanto, o povinho em vez de discutir a fome que vai passar com os cortes de vencimentos e pensões vai elogiar a opção de Cavaco estrategicamente divulgada no dia 3 de Janeiro.

Daqui a uns tempos Cavaco vai dizer que foi o presidente que mais esteve com Cristiano Ronaldo, uma prova da sua aposta na carreira do jogador. Poderá ir mais longe e dizer que está por nascer o presidente que estará mais vezes do que ele com Cristiano Ronaldo ou que está por nascer um presidente que decida condecorar um futebolista em tão pouco tempo, dir-se-ia que estamos perante uma condecoração Simplex, mais um pouco e o Ronaldo já tinha a comenda no museu.
 
 Os superiores interesses dos portugueses

Cavaco deu o mote enquanto líder da direita portuguesa e em poucas horas os membros do governo que estão de serviço nestes dias alinharam o discurso, Paulo Núncio, secretário de Estado dos Assuntos Fiscias condena os interesses partidários que caracterizam a esquerda e o porta-voz do governo justifica o novo ataque às pensões e à ADSE em nome dos interesses dos portugueses.
 
E como reage Seguro? Continua a aqueicer os pés no madeiro de Penamacor.
 
 A melhor capacidade dos ditadores

É a de serem capazes de interpretar os interesses dos seus povos.
 
      
 Pareceres com nada
   
«Cavaco, abençoado seja, é um grande e inesgotável tema de comentário. Mas apresenta dificuldades: manter um registo publicável num jornal e atualizada a lista de todas as suas piruetas, contradições, sonsices e patifarias.

Temos pois agora o não envio do OE 2014 para fiscalização da constitucionalidade: num dia diz que é fundamental evitar novo resgate (ele que nada fez para evitar o primeiro) e portanto a possível desconformidade do orçamento com a lei fundamental que se coiso; no seguinte, que "tem pareceres" certificando que as normas constantes do orçamento não são inconstitucionais. Realmente, para que precisamos de um Tribunal Constitucional? Era o Presidente divulgar os seus pareceres e ficava tudo esclarecido - a começar pelo quesito de saber quem os assina, já que o que apareceu anteriormente lá dos juristas de Belém é pouco parecido: "Quem tenha um nível de rendimento menor pode vir a ser obrigado, em razão do seu estatuto de funcionário público, a fazer um esforço contributivo sensivelmente maior do de quem tenha um nível de rendimento superior, importando aferir se, nestes cenários de desigualdade, o referido esforço contributivo é ou não excessivo, o que envolve a submissão da mesma norma a um teste de proporcionalidade." Isto é, imagine-se, do seu pedido de fiscalização do OE 2013. Portanto, em janeiro de 2013, os "pareceres" de Belém achavam que tirar uma parte do subsídio de férias - 220 euros - a um ordenado de 700 euros de um funcionário público só por ser funcionário público suscitava dúvidas quanto aos princípios da igualdade e proporcionalidade; em janeiro de 2014, tirar 313,6 euros anuais (3,2%) ao mesmo ordenado não faz duvidar de nada.

O mesmo quanto ao corte nas pensões de sobrevivência: em janeiro de 2013, Belém via "a lesão do princípio da proteção da confiança" em reduções (a Contribuição Extraordinária de Solidariedade) que "frustram de forma súbita, em muitos casos exorbitante e carente de fundamento constitucional, as legítimas expectativas dos pensionistas em auferirem uma pensão cujo valor efetivo não se afaste excessivamente do valor esperado e calculado". Em novembro de 2013, indignava-se com o diploma da convergência, que incluía cortes de 10% em pensões de sobrevivência da CGA. Em janeiro de 2014, népias.

Pode o PR ter mudado de juristas? Pode, claro. Pode até ter pedido em novembro a fiscalização de um diploma cujo chumbo obriga já a um orçamento retificativo, para nem mês e meio depois frisar que "o OE 2014 é um instrumento da maior relevância" para evitar novo resgate e "se exige a todos" (juízes do TC incluídos, naturalmente), "um sentido patriótico da responsabilidade". Quer dizer: Cavaco pode tudo, parece. É mesmo isso, quer parecer, que está decidido a provar - que é possível aparecer-nos um Presidente assim, e restar-nos esperar que passe.» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.
      
 Ano Novo, ano velho
   
«Na sua mensagem de ano novo, o Presidente da República não achou necessário explicar as razões que o levaram a não requerer ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva da lei do Orçamento Geral do Estado que no mesmo dia entrou em vigor. Todavia, considerando os antecedentes, seria lógico que o tivesse feito. Tal como no ano passado, o Presidente promulgou a lei, renunciando à fiscalização preventiva, mas, na mensagem de Ano Novo de 2013, veio explicar que não o tinha feito devido às circunstâncias excecionais que o país atravessava e aos efeitos que temia caso entrássemos no novo ano civil sem um orçamento aprovado. E anunciou nessa ocasião que iria requerer de imediato a fiscalização sucessiva do orçamento de 2013 e assim fez. Por isso, temos agora de concluir que, desta vez, o Presidente não terá encontrado matéria que suscitasse dúvidas de inconstitucionalidade. Porém, é possível uma outra interpretação do silêncio de Cavaco Silva: a ponderação da excecionalidade das circunstâncias atuais, com o fim iminente do programa de resgate. Poderiam tais motivos explicar a renúncia ao exercício de atribuições constitucionais? A verdade é que esta segunda hipótese não é legítima, nem constitucionalmente adequada.

Já seria discutível que, embora suspeitando de algum vício de inconstitucionalidade numa lei que lhe fosse submetida, o Presidente, mesmo assim, a promulgasse. Porque a competência para o exercício da fiscalização preventiva e da fiscalização sucessiva não é uma opção alternativa para o respetivo titular, nem o seu exercício depende de outras considerações circunstanciais, para além do próprio requisito temporal que as designa. A Constituição é a lei suprema. Os seus preceitos vinculam as entidades públicas e privadas e, portanto - com especial intensidade - os órgãos de soberania. No ato de posse, o Presidente assume o compromisso solene de "defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa" e de "desempenhar fielmente as funções" que a Constituição lhe atribui. "Defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição" não é uma prerrogativa descartável. Bem pelo contrário, até a excecionalidade do "estado de sítio", depois de devidamente declarado, apenas justifica a suspensão parcial da aplicação de algumas normas e só por um período previamente determinado.

Por isso, o Presidente está vinculado a proceder de acordo com "a sua íntima convicção" - por muito difícil que seja a sua sindicância - acerca da constitucionalidade das leis que promulga, e não há excecionalidade, nem especial qualificação do interesse público que permita o seu afastamento. Desta vez, Cavaco Silva não se poderá demarcar da maioria parlamentar que aprovou este orçamento, caso o Tribunal Constitucional venha a declarar a invalidade de algum dos seus preceitos, logo que aprecie os pedidos de fiscalização sucessiva que a oposição já prometeu.

Na nossa história recente, conjugam-se dois fenómenos que suscitam a maior perplexidade. Por um lado, insinua-se que a Lei Fundamental é um obstáculo expeditamente transformado em justificação corrente para os desaires das políticas do Governo. Simultaneamente, promove-se a ideia de que a constitucionalidade das leis é um resultado aleatório, o produto de um processo de certificação de elevada tecnicidade, conduzido por uma instância distante e adversa: o poder judicial! A Constituição limita e confere legitimidade aos titulares do poder político, protege os direitos dos governados e oferece um guião flexível para a governação da República. Os juízes - com a sua inestimável independência que tão perversamente têm tentado partidarizar - são apenas os garantes de última instância da força das leis e da liberdade dos cidadãos.» [JN]
   
Autor:

Pedro Bacelar de Vasconcelos.
      
 O Presidente deles
   
«Na sua desconjuntada mensagem de ano novo, Cavaco Silva confirmou o que já se sabia: renunciou a ser o Presidente de todos os portugueses.

A mensagem é elucidativa: está tudo a correr bem, como diz o Governo (do seu partido); deixou de haver limites para os sacrifícios que podem ser pedidos aos portugueses; sair do programa de assistência para um novo "programa cautelar" não é mau de todo; e ninguém conte com o Presidente para atrapalhar fazendo cumprir a Constituição. Em suma: não contem com ele para nada.

O alinhamento de facção perfilhado pelo Presidente da República começa na sua persistente distorção das circunstâncias históricas que levaram ao pedido de ajuda externa. Na versão do Presidente, agora repetida, as coisas passaram-se assim: "Importa não esquecer que Portugal chegou, no início de 2011, a uma situação de colapso financeiro iminente, que levou o Governo de então a solicitar o auxílio de emergência das instituições internacionais. Hoje, existe a consciência clara de que não era possível continuar a caminhar rumo àquilo que, na altura devida, classifiquei de ‘situação explosiva'". Para construir esta narrativa manipulada, Cavaco Silva faz desaparecer, de uma só vez, a redução do défice e o controlo da dívida pública conseguidos pelo Governo socialista até 2007-2008 (à custa de medidas e reformas estruturais exigentes); a grande crise internacional de 2008-2009; a consequente crise das dívidas soberanas, que se instalou na zona euro em 2010 e, finalmente, o efeito devastador nos mercados causado pela crise política de Março de 2011, no seguimento da rejeição do PEC IV (que tinha acabado de obter o apoio expresso do BCE e dos nossos parceiros europeus). Será possível, com um mínimo de seriedade, contar a história do nosso pedido de ajuda externa sem sequer mencionar estes factos elementares e decisivos? O Presidente sabe que não mas faz de conta que sim. Prefere a sua versão distorcida, porque mais conveniente para si e para os seus. E é também isso que faz dele um Presidente de conveniência para alguns, não o Presidente de todos os portugueses.

Por outro lado, a súbita indiferença do Presidente para com os "limites para os sacrifícios que podem ser exigidos ao comum dos portugueses", agora que eles são impostos, de forma agravada, pelo Governo da sua própria família política, diz mais do que mil palavras sobre os dois pesos e duas medidas que norteiam a gestão político-partidária do Presidente. Mas onde essa duplicidade mais insidiosamente se revela é no ostensivo apagão que se nota no discurso presidencial quanto às várias revisões do Memorando, que o Presidente trata como se nunca tivessem existido, apesar de terem estipulado o dobro (!) da austeridade prevista na versão inicial. Repare-se nas palavras cuidadosamente escolhidas pelo Presidente: "No ano que terminou, o Programa de Assistência Financeira subscrito por Portugal em 2011 com as instituições internacionais continuou a exigir pesados sacrifícios à maioria dos Portugueses". A intenção é clara: imputar ainda ao Memorando negociado pelo anterior Governo os sacrifícios que apenas foram exigidos nas suas posteriores revisões, em parte por força da desastrosa opção do actual Governo por um ‘front-loading' das medidas de austeridade (no quadro de uma austeridade "além da ‘troika'") e em parte decorrentes dos sucessivos fracassos na prossecução das metas, que se acumularam a ponto de minar a credibilidade do próprio Governo, como aliás reconheceu o ministro das Finanças Vítor Gaspar na sua reveladora carta de demissão.

Neste contexto, não é propriamente uma surpresa que o Presidente, tal como fez em 2012, se escuse a pedir a fiscalização, preventiva ou sucessiva, da constitucionalidade do Orçamento para 2014, mesmo quando são mais do que muitas as dúvidas sobre as medidas que atingem os suspeitos do costume: funcionários públicos e pensionistas, em particular titulares de pensões de sobrevivência. A esses, na curiosa ponderação de custo-benefício a que o Presidente sujeita o seu dever de fazer cumprir a Constituição, saiu a fava: cabe-lhes suportar os custos, enquanto ao Governo sorriem os benefícios. É por essas e por outras que a garantia da Constituição não está apenas nas mãos do Presidente.» [DE]
   
Autor:

Pedro Silva Pereira.
     

   
   
 photo 1410ukasz-4_zps99993705.jpg

 photo 1410ukasz-2_zps528a7f6d.jpg
 
 photo 1410ukasz-3_zpsb767ee4d.jpg

 photo 1410ukasz-5_zps57f80f75.jpg
 
 photo 1410ukasz-1_zps95d5416e.jpg

 
 
 
     

sexta-feira, janeiro 03, 2014

Manda quem pode e obedece quem deve

Esta máxima da Administração Pública sintetiza a forma de exercício da austeridade, os chefes mandam, os subordinados obedecem. Infelizmente esta fórmula de obediência cega não raras vezes cobarde está a generalizar-se à sociedade portuguesa, em particular ao mundo do jornalismo.
 
Quando o Expresso produziu sucessivas notícias sobre o processo de corrupção que no Brasil ficou conhecido por “mensalão” Ricardo Salgado, o agora atrapalhado presidente do BES, ameaçou o semanário de o excluir dos seus investimentos publicitários. Os responsáveis e donos do Expresso encheram o peito para afirmar a independência do jornalismo mas a verdade é que o assunto mensalão desapareceu das páginas do Expresso e da generalidade da comunicação social portuguesa.
 
O mensalão serviu para demonstrar quem manda na comunicação social e nos jornalistas portugueses. Os jornais são financiados pelos grandes orçamentos publicitários e enquanto as empresas que financiam os jornais e televisões assim o desejarem a comunicação social obedece-lhes. Procure-se uma notícia negativa para empresas como a EDP ou os grandes bancos e logo se percebe quem manda nos jornalistas. Alguém acredita que o grande protagonismo de Eduardo Catroga na comunicação social resulta dos seus dotes de comentador ou do valor intelectual de baboseiras como a dos pentelhos?
 
Veja-se o caso do novo golpe decidido pelo governo, o alargamento da taxa adicional de IRS sobre as pensões que o governo cinicamente designou por contribuição de solidariedade, como se quem precisa de solidariedade é o país e não os idosos. Algum jornalista explicou a decisão, denunciou a criação de um novo imposto?
 
Os nossos jornalistas optaram por intoxicar a opinião pública com a mensagem governamental de que se evitou um aumento dos impostos. A maioria dos jornais nem sequer pôs a afirmação na boca dos ministros, fizeram sua a mensagem governamental e a maioria dos jornais noticiaram a ideia como se tivesse sido um grande favor feito pelo governo aos portugueses.
 

Manda quem pode e obedece quem deve, os jornalistas defendem o seu próprio ordenado, os lugares nas comitivas governamentais e presidenciais, os investimentos publicitários, a presença nos jantares pagos com cartões Visa dando mostras de obediência. Enquanto as EDPs continuarem a beneficiar de milhões, enquanto os patrões da comunicação social continuarem a ter benesses governamentais sob a forma de um novo canal ou de constrangimentos à RTP, enquanto tudo isso suceder quem manda na comunicação social e nos jornalistas é quem pode e quem pode é o governo.
  


Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

 photo Coimbra_zps46bee6b2.jpg
     
Coimbra
  
 Jumento do dia
    
António José Seguro

Estando em causa uma resposta ao discurso de ano novo de Cavaco Silva e manifestar uma grande discordância em relação a muito do que foi dito nesse discurso o mínimo que se esperava era que fosse o secretário-geral do PS a dar a cara pela resposta e as chamar a si o protagonismo da posição do seu partido. Seguro preferiu continuar a queimar-se no madeiro de Penamacor.

Parece que Seguro começou muito bem 2014, em férias prolongadas.

 
 Cavaco em todo o seu esplendor

 photo Cavaco_zps2fa37567.jpg

Aos poucos os portugueses vão-se habituando à ideia, uma coisa eram os Presidentes da República que até aqui tinham tido e outra é o senhor Cavaco Silva. Aqueles que ainda viam na Presidência da República o último reduto da defesa da Constituição perceberam agora que com a direita em Belém e em São Bento o regime político português volta ao velho sistema em que há um presidente do conselho que tudo decide e a quem as outras figuras e instituições do Estado devem obedecer.
  
Cavaco Silva não podia ter sido mais claro, ao chamar a atenção dos portugueses para o facto de ainda viverem em democracia apesar da austeridade, isto é, ao aprovar de olhos fechados a duplicação da austeridade Cavaco sugeriu que deveríamos estar felizes por ainda podermos falar em público sem irmos presos. Isto é, o grande valor que lhe devemos não é o respeito de todos os princípios constitucionais que regem a democracia mas apenas aqueles que ele entende não deverem ser ignorados apesar da austeridade.
  
O político que beneficiava de uma ficha muito simpática da PIDE e que sempre foi alérgico aos cravos vem agora usar o 25 de Abril no seu discurso sugerindo aos portugueses que lhe devem estar gratos porque vivem em democracia. O que Cavaco acabou de fazer foi dizer aos partidos, aos tribunais e aos portugueses o que a direita sempre disse que o bom do 25 de Abril foi a democracia, tudo o que veio depois era dispensável. E tudo o que veio depois foram as regras dessa democracia, foi a Constituição aprovada e sucessivamente revista por mais de dois terços dos deputados.
  
Cavaco ignorou ostensivamente o discurso da defesa da Constituição e em vez disso optou pelo discurso da democracia, como se para defender a democracia os portugueses algumas vez precisaram da sua personagem. Na hora de defender a democracia do seu governo os portugueses nunca precisarão nem dele nem da dona Maria, nesse dia Cavaco pouco mais fará do que refugiar-se na Quinta da Coelho onde estão alguns dos que montaram o BPN para roubar o país.
  
O discurso de Cavaco teve uma virtude, Cavaco sentiu a necessidade de mostrar-se aos portugueses em todo o seu esplendor, agora muitos do que o escolheram para Presidente da República sabem quem têm em Belém e o que podem espera dele. Ows portugueses escolheram um presidente sobre a opinião acerca da constitucionalidade das normas do OE, decidiu com base nos pareceres que encomendou. Resta saber qual o critério seguido na escolha dos autores dos pareceres, provavelmente foram contratados os mesmos que o governo costuma contratar quando tenta convencer os juízes do Constitucional. Quanto gastará a Presidência da República em pareceres?
 
Resta apenas perguntar a Cavaco Silva no que é que os perigosos "interesses partidários" estão em conflito com os interesses dos portugueses? Estar-se-á a referir aos que usaram as relações partidárias para roubar o país sob as mais diversas formas através da criação do BPN? Só pode ser isso, só mesmo a seita que ganhou dinheiro fácil recorrendo aos mais diversos esquemas do BPN ou da SLN pode agora vir lançar suspeitas sobre os interesses partidários e dessa forma denegrir a democracia. Há por aí quem atrás de algumas cortinas partidárias tenha montado fraudes, mas certamente não é a esses interesses que Cavaco se refere.
 
Para Cavaco há dois jogos, o da democracia parlamentar onde estão os interesses partidários e das reuniões secretas com controleiros de Belém onde se discutem as uniões nacionais segundo os superiores interesses dos portugueses, tal como são interpretados por Sua Excelência.
 
      
 O meu melhor negócio do ano
   
«Os dias estão naturalmente explicados, nascem com a repetição do Sol, que todos vemos. Já os anos, mais largos e esbatidos, precisaram da intenção humana, foram inventados. Isto é, os homens precisaram de um marco para dizer que mudavam. Foi assim que apareceu o Dia do Ano Novo, o 1 de janeiro. Janeiro de Jano, o deus romano com face dupla, uma para trás, outra para a frente. A mensagem era: atendendo o que foi, a partir de hoje vai ser melhor... É o dia das promessas e das esperanças. Promessas, porque pessoais, ainda as podemos ter, apesar de mentirosas: em 2014, vou emagrecer. Mas esperanças não há quando conjugadas com a atual data. Em 1 de janeiro de 2014, a cara virada para o passado viu nada; a virada para o novo ano nada vê. No ano passado, ao parar um táxi vazio, não nos admirava se víamos sair dele o chefe do Governo. Amanhã, suspeitamos (de facto, sabemos) ser bem provável que volte a sair um primeiro-ministro, este ou o outro, quando para um táxi vazio. Estamos, assim, sem esperança. E no entanto... Acabei o ano dirigindo-me a um jovem toxicodependente: "Lembra-se daquela senhora velhinha a quem carregava as compras? Morreu ontem, e deu-me isto para si", disse eu, entregando-lhe uma nota de 20 euros. Ele dobrou a nota em quatro e meteu-a num bolso. Estendeu-me a mão. Ia-me embora mas ele chamou--me. Mexia no outro bolso: "Compre duas velinhas", disse, dando-me uma moeda de um euro. Estendi-lhe a mão. Bom ano!» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
      
 O presidente no seu melhor
   
«A mensagem de Ano Novo dita ontem aos portugueses pelo presidente da República é um bocejo. São seis páginas de conversa mole e desinteressante em que Cavaco Silva mostra como politicamente é: um monumento ao taticismo e ao equilibrismo, de modo a não chatear Deus, nem incomodar o diabo.

Ao dar uma no cravo e outra na ferradura, como diz o povo, o chefe de Estado mostra, por outro lado, toda a sua fragilidade enquanto ator político. Num tempo que reclama decisão e ação, o presidente da República escolhe a lassidão (política, claro).

Cavaco Silva está metido na trincheira que o próprio cavou quando, na crise do verão quente de 2013, tentou transformar um triângulo num quadrado, tese em que ontem insistiu, ainda que de maneira mais sibilina. A embrulhada do "compromisso de salvação nacional" foi de tal forma mal gerida e teve um tal resultado que, agora, o chefe de Estado não pode, sob pena de abrir o flanco, tecer um encómio ao Governo ou, ao invés, dirigir-lhe uma crítica mais severa - seria imediatamente acusado de estar a tramar Passos, por quem, como se sabe, não morre de amores.

Piscar o olho a Seguro é, igualmente, possibilidade fora de causa. A inversa também é verdadeira. Um elogio ou um ralhete ao líder do principal partido da Oposição seriam tomados como uma ajuda ao Governo e uma afronta ao PS.

É por estar metido nesta camisa de onze varas que o chefe de Estado nos presenteou com pérolas do seguinte calibre:

- "O desemprego manteve-se em níveis muito elevados". Ai sim?

- "Orgulhamo-nos de viver numa democracia consolidada". Viva!

- "No ano findo, surgiram sinais que nos permitem encarar 2014 com mais esperança". Consta que o comum dos portugueses ainda não avistou tais "sinais", apesar de redobrados esforços para chegar ao final do mês com os bolsos mais compostos.

- "Há que reconhecer o extraordinário esforço feito pelos nossos empresários e trabalhadores". Ai sim?

- "Há razões para crer que Portugal não necessitará de um segundo resgate. Um programa cautelar é uma realidade diferente". A sério?

Há um ano, o presidente da República mandou o Orçamento do Estado para o Tribunal Constitucional, por entender que os gigantes sacrifícios pedidos aos portugueses afetavam "alguns mais do que outros", facto que naturalmente lhe suscitava "fundadas dúvidas".

Este ano, apesar da violência da crise continuar a manifestar-se em todo o seu esplendor, Cavaco não esclareceu sequer se pretende pedir aos juízes do Palácio Ratton ajuda para descortinar eventuais problemas no Orçamento. A razão é simples: o presidente da República odeia, mas odeia mesmo, meter-se em (inevitáveis) problemas antes do tempo.» [JN]
   
Autor:

Paulo Ferreira.
   
   
 O SCP já tem o seu D. Sebastião
   
«Cristiano Ronaldo considerou hoje que lhe falta no currículo um título de campeão pelo Sporting, afirmando que seria "um orgulho", mas não se comprometeu a regressar ao clube onde fez a sua formação como futebolista.

"Realmente, no meu currículo ainda me falta o título de campeão pelo Sporting. Não sei se acontecerá ou não, porque ninguém sabe o que vai suceder no futuro, mas que seria um orgulho... lá isso seria", disse hoje o avançado do Real Madrid em entrevista ao jornal desportivo Record.» [DN]
   
Parecer:

Convenhamos que não seria coisa fácil....
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Ronaldo de quantas vezes se lembra de ver o SCP campeão.»
  
 Mas que belo ajustamento
   
«O período do ajustamento da troika, entre 2011 e 2014, será claramente marcado por uma redução do défice feita à custa de um aumento da dívida pública. Esta transferência de encargos correntes para o futuro está patente nas contas oficiais: em média, por cada euro a menos no défice, a dívida pública engorda à razão de 1,1 euros nestes quatro anos.

A estratégia seguida é da responsabilidade do Governo e da troika, que optaram por limpar contas correntes e ajudar o sector bancário, atirando os encargos financeiros para o stock da dívida (dinheiro que terá de ser pago no futuro e que agrava a fatura com juros). No caso do Banif, por exemplo, cuja ajuda de 700 milhões de euros agravou o défice de 2013 de 5,5% para 5,9%, as Finanças ainda insistem em reclassificar a despesa na dívida pública, contestando uma decisão do Eurostat. A decisão final sobre este tópico em concreto só será conhecida este ano, eventualmente no final de março, no reporte regular dos défices excessivos.

Segundo cálculos do DN/Dinheiro Vivo, em 2013, em contabilidade nacional, por cada euro a menos no défice, a dívida engordou 7,3 euros. Este ano, o ritmo vai abrandar, mas ainda assim por cada euro a menos no défice irá parar à dívida mais 50 cêntimos. O ritmo volta a piorar em 2015, quando se espera que cada euro poupado no défice leve a mais 1,3 euros de endividamento.

Mas o Governo não está sozinho nessa responsabilidade. É que a dívida também tem subido na secretaria. As autoridades estatísticas europeias e o Instituto Nacional de Estatística têm obrigado a reclassificar muitas operações e entidades dentro do perímetro da consolidação orçamental ao longo dos últimos anos. Desde 2010, inclusive, que as referidas reclassificações se intensificaram, e é de esperar que 2014 seja marcado por mais encargos que farão engordar o endividamento.» [DN]
   
Parecer:

Deus nos ajude a livrar o país desta troika, de Durão Barroso, Cavaco Silva e Passos Coelho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Reze-se.»
     

   
   
 photo Hamid-Reza-Farzandian-2_zpsaf2214ed.jpg

 photo Hamid-Reza-Farzandian-5_zpsc8efe7ec.jpg
 
 photo Hamid-Reza-Farzandian-3_zps938cd294.jpg

 photo Hamid-Reza-Farzandian-1_zpsac20e9c5.jpg
 
 photo Hamid-Reza-Farzandian-4_zpsbe05863f.jpg

 
 
 
     

quinta-feira, janeiro 02, 2014

Adivinhações para 2014

Vital Moreira vai defender a constitucionalidade de todas as medidas do governo de Pedro Passos Coelho. Aproveitará ainda para constituir mais um partido destinado a unir a esquerda, a frente do qual se candidatará a deputado do Parlamento Europeu.

Cavaco Silva vai abandonar Belém depois de concluir que mesmo na sua ausência a democracia não está em perigo, ainda que se tenha perdido os anéis com o desrespeito da Constituição. Aproveitará para concorrer à administração do condomínio da Quinta da Coelho que passará a designar-se Retiro do BPN.
 
António José Seguro vai fazer tudo para conseguir um lugar num governo de salvação nacional onde os seus liberais serão a ala esquerda do próximo governo de Passos Coelho.
 
Marques Mendes vai sugerir que depois de dois anos armado em confidente do governo merece o lugarzinho de comissário europeu, isso se Durão Barroso não se conseguir segurar no cargo de presidente da Comissão Europeia deixando de ocupar a vaga de comissário português. O grande argumento político de Mendes é que se António Vitorino estava à altura do cargo então ele também está. Resta saber se Luís Filipe Menezes não vai sugerir que está disponível para se sacrificar nesse cargo que até aqui sempre foi ocupado por sulistas e liberais da Linha.
  
Bernardino Soares, o líder da coligação política PCP-PSD de Loures, terá finalmente a oportunidade de visitar a sua querida Coreia do Norte, ainda que não vá a tempo de conhecer o tio de Kim Jong-un. O concelho de Loures vai ser geminado com Masik, a estância de esqui inaugurada no final de 2013 e que com o Putin a mandar nas estâncias balneares do Mar Negro, é bem provável que ainda venhamos a ver o CC do PCP a praticar esqui em Masik.
 
Serão criados vários partidos que visam unir cada vez mais a esquerda e todos terão em comum o facto de pagarem o sacrifícios dos seus líderes com candidaturas ao Parlamento Europeu. Rangel, que continuará deputado europeu já está pensando criar uma agência de apoio à emigração para Estrasburgo, uma velha ideia do tempo em que concordava com Passos Coelho na ideia de sugerir a emigração aos jovens portugueses.

poder.



Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

 photo Baixa_zps339bb1b0.jpg
     
Baixa de Lisboa
  
 Imagem do dia

 photo Bolsa_zps6374ebe8.jpg

FESTIVE: Traders wore glasses celebrating 2014 at the New York Stock Exchange in New York on Tuesday. (Seth Wenig/Associated Press) [Wall Street Journal]


 Jumento do dia
    
....

O Jumento do Dia poderia ser Cavaco Silva mas a actuação deste senhor já nem merece qualquer comentário, seria dar-lhe uma importância que não tem nem merece.
     

   
   
 photo Kenvin-Pinardy-3_zps6c94fd15.jpg

 photo Kenvin-Pinardy-1_zps225614ad.jpg
 
 photo Kenvin-Pinardy-4_zps2cf64ca0.jpg

 photo Kenvin-Pinardy-2_zpscd4ccc74.jpg
 
 photo Kenvin-Pinardy-5_zpsb669a930.jpg