sábado, janeiro 04, 2014

Jogatina televisiva

As televisões encontraram nos sorteios as receitas que perderam na publicidade e isso explica em grande medida a facilidade com que têm conseguido sobreviver sem grandes danos à crise financeira e consequente redução dos orçamentos publicitários. A caça às chamadas de valor acrescentado ocupa quase todos os programas das televisões e não seria de admirar se um dia destes forem os próprios jornalistas dos telejornais a apelar aos telespectadores para ligarem para os números dos sorteios.
  
A pouca vergonha chega ao ponto de ouvirmos uma apresentadora da SIC a apelar a que liguem para o tal número da sorte garantindo que naquela televisão os mais pobres costumam ter sorte. A miséria humana nesta estação de televisão já chega ao ponto de apelar aos trocos dos que passam fome para enriquecimento do Balsemão e da Ongoing.
  
Quando apostamos num jogo da Santa Casa conhecemos as regras, há um regulamento público, sabemos qual a percentagem das receitas que está reservadas a prémios, os júris dos concursos são independentes. Além disso, as receitas do jogo não podem ser gastas de qualquer forma, a forma como são gastas obedecem a contratos com o Estado. Sucede mais ou menos o mesmo com os casinos ou com qualquer outra forma de jogo autorizado. Não admira que o Estado persiga o jogo ilegal, nem as modestas rifas se escapam a esta perseguição.
 
Chamar concursos aos jogos das televisões é gozar com os portugueses, aquilo não passam de jogo ilegal em que quem joga é manipulado por doses de cavalo de publicidade. Não se conhecem as regras, os chorudos lucros deste jogo ilegal não têm qualquer destino social, não há júris dignos desse nome, a percentagem dos lucros é ocultada de quem joga. Aquilo a que o país assiste diariamente ´+e a um imenso casino da coxa onde os donos das televisões, incluindo a estatal, vão buscar lucros fáceis.
 
Se assim é porque razão ninguém se queixa? Seria de espera que a Santa Casa exigisse o fim destes concursos ou que os casinos os ac usem de concorrência desleal? A razão é simples, em Portugal os políticos e as empresas têm mais medo das telecisões do que do terrorismo. Quem se mete com as televisões leva e um político perseguido por uma televisão é um político acabado, o mesmo se pode dizer de qualquer instituição ou empresa que se meta com esta autêntica al Qaeda televisiva que se instalou em Portugal.
 

Se a Santa Casa levantasse a voz contra esta imensa batota televisiva o Santana Lopes deixaria de ter acesso às televisões e em menos de nada estaria de regresso à vida difícil do português comum.