sábado, março 01, 2014

Do Cabo Horn às pressões sobre Cavaco

Cavaco Silva, o infelizmente ainda presidente mais incompetente desta maltratada e triste República, foi andar ali para os lados da Califórnia, o que é uma excelente ideia, habituado ao clima ano da Quinta da Coelha sabe bem apanhar um pouco de sol da agora triste, sombria e chuvosa Lisboa. Cavaco fez bem em escolher a Califórnia e se o seu papel é gastar o dinheiro dos contribuintes a mostrar o mundo à dona Maria fez uma excelente escolha, depois de lhe ter ido mostrar a Capadócia e com a Europa entregue a neve e tempestades sobrava a Califórnia e a Patagónia, mas se tivesse escolhido a Argentina dificilmente faria a costumeira recepção a jovens portugueses empreendedores ou a também já habitual e mal sucedida com os tais investidores que se estão nas tintas para Portugal, mas lá fazem o frete à embaixada local.
 
Até é pena que Cavaco não tenha querido ir mostrar a Patagónia à esposa, até seria uma boa ideia se, concluídas as formalidades na América do Norte Cavaco decidisse fazer o percurso inverso ao de Che Guevara e rumasse por estrada até ao extremo sul da Argentina, com passagens pelo Canal do Panamá, pelo deserto do Atacama, pela Amazónia com destino ao Cabo Horn. No Canal do Panamá falaria do investimento que será feito em Sines uns anos depois do alargamento do canal, na Amazónia poderia lembrar os bandeirantes que como Duarte Lima andaram por estradas secundárias do Brasil, no Parque do Atacama poderia ver os flamingos que lhe lembrariam o Algarve Natal, e no Cabo Horn. Prestaria a devida homenagem a Magalhães. Mas se a palavra Magalhães lhe provoca urticária, até poderia sugerir ao mundo a mudança do nome do navegador, seguindo a ideia de Paulo Portas em relação ao computador dos pirralhos.
 
Esta viagem seria uma excelente ideia e livrar-nos-ia da presença irritante do Senhor Silva e aquilo que se gastaria em viagens poupar-se-ia em pareceres a juristas e e especialistas em segurança informática. Até porque parece que Cavaco se lembrou dos velhos painéis à entrada dos concelhos da CDU onde se lia “concelho livre de armas nucleares”, um dia destes passamos pelo Palácio de Belém e e damos com um grande painel pendurado por cima dos GNR de cabeleira branca onde podemos ler “Portugal, um país livre da Constituição”.
 
A verdade é que Portugal já navega à vista para não se perder da costa até que a troika parta, acabaram-se os direitos, os funcionários e pensionistas ganham gorjetas, a Constituição está arrumadinha no parlamento à espera do próximo presidente eleito. Até lá o país tem um presidente que governo em conformidade com os pareceres que encomenda, tem sobre o que manda ou recebe do governo ou do constitucional a mesma opinião que os carteiros têm sobre o conteúdo das cartas que distribuem e se alguém lhe pergunta o que pensa começa a dizer o tal disparate de “os portugueses sabem que não cedo a pressões”.
 

O problema é que sobre o diploma do corte das pensões, onde não se incluem as pensões do Banco de Portugal, ninguém fez quaisquer pressões sobre Cavaco Silva. Poder-se-ia dizer que Cavaco sofre as pressões da sua consciência, mas isso é muito menos do que provável.
  

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Pormenor da fachada da Igreja da Conceição Velha, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Passos Coelho

Temos um primeiro-ministro que vai para Espanha apelar à unidade nacional, isto é, em Portugal recusa-se ao diálogo, despreza os parceiros sociais, não cumpre os acordos que com eles assinou e agora que está à rasca vai para Espanha pedir a solidariedade dos parceiros europeus e apelar à unidade nacional como se isso fosse uma espécie de milagre de Maio, o mês em que Portugal entra no caminho do paraíso.

«Agora, disse o primeiro-ministro português, é vital apostar numa maior solidariedade entre os estados-membros e em conseguir maior responsabilidade nacional através de um "grande compromisso" com a oposição e os parceiros sociais.

"Com a credibilidade de um país que está à beira de cumprir plenamente os requisitos do programa de ajustamento, dizemos que uma maior unidade, uma maior solidariedade, uma maior responsabilidade é o caminho a seguir", declarou passos Coelho, sublinhando: "Precisamos alcançar um equilíbrio sério, exigente, entre uma maior unidade e uma firme responsabilidade".

Para Passos Coelho, "um grande compromisso nacional seria rapidamente recompensado com maior confiança interna e externa nos esforços nacionais de reforma", ajudaria aumentar o investimento produtivo e traria "mais estabilidade à dívida pública".» [DN]
 
 Que se terá passado?

Na semana passada tudo era milagres, o país vivia num ambiente de romaria a Fátima e o congresso da ala liberal do antigo regime vivia em ambiente de felicidade, quase de êxtase, bastaram umas piadolas do Marcelo e aquilo foi um orgasmo colectivo digno de uma missa da IURD.

De repente fez-se silêncio, Passos Perdeu o riso, Portas desapareceu e a Santinha da Horta Seca deixou-se de milagres. O que se terá passado, quase se fica com a sensação de que se converteram ao islamismo e deixaram de acreditar em milagres e em santinhas.
 
 2014

Cavaco Silva decidiu comemorar o 25 de Abril de uma forma muito original, declarou que 2014 é o ano nacional sem Constituição.
 
 Ora, aqui está um belo tema para o sociólogo Barreto divagar

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 Bom, bom, é termos um governo de direita

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 A lagartixa e o jacaré
  
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 Esperar pela pancada
   
«Disse Passos, no congresso da risota, que no meio da pancadaria - a de Molière e a outra - com que nos mimoseia há dois anos e meio as últimas arrochadas, mesmo se mais fracas, podem doer mais que as primeiras. Será? Parece é que já nada dói, ou nada já se sente, tal o estado de catalepsia em que o País mergulhou. O coma é tal, aliás, que Relvas, o Relvas que há 11 meses saiu, choroso, por "falta de condições anímicas", se animou a regressar de corpo à alma que é deste PSD. Aliás levou só um bocadinho mais de tempo que Gaspar, o ministro das Finanças que em julho reconheceu por escrito o falhanço da sua política e veio agora, impante, congratular-se no (seu) "milagre". E bastante mais que Portas, tão rápido a sair e reentrar que nisso (como em tanta outra coisa) ninguém o bate.

E, depois, de que últimas pancadas fala Passos, quando se anunciam quatro mil milhões de cortes (o mesmíssimo valor que se anunciava no início de 2013 como equivalendo à "reforma do Estado") e o mesmo FMI que arrepela os cabelos com a tragédia do nosso desemprego e nega o celebrado "milagre das exportações" prescreve baixar ainda mais os salários? Dizia esta semana o ministro Maduro, maduramente, que "é preciso pensar mais, refletir mais, tratar as coisas com mais profundidade." A gente já se contentava com um bocadinho menos de desplante. Veja-se por exemplo a notícia de ontem sobre o subsídio de desemprego.

Parece então que Governo e troika repararam ter a percentagem de subsídios anulados (por incumprimento das regras) vindo a descer, atingindo em 2013, ano do máximo histórico do número de desempregados, o valor mais baixo de sempre. Que concluem daí? Que os desempregados que recebem a prestação, apesar de serem submetidos a cada vez mais exigências, muitas delas gratuitas, humilhantes e persecutórias, se têm esforçado por cumpri-las? Que isso só pode querer dizer que estão desesperados e que o mercado de trabalho não tem mesmo lugar para eles?
  
Qual quê. Ante a evidência de diminuição da fraude, Governo e troika não desarmam: vão investir em cartas registadas para certificar que quem não responda a uma primeira convocatória em correio normal possa ver logo o subsídio cortado ao não responder à segunda; o número de anulações, dizem, vai compensar o gasto nos registos. E sabem isso como? Fizeram contas. Com base em quê? Isso agora: então não é bom de ver que há uma percentagem fixa de desempregados burlões (senão todos), excelmente determinada, e que só falta apanhá-los?
  
Realmente, não se imagina melhor forma de comemorar os 40 anos de um partido que faz uma paródia da social-democracia senão esta espécie de Estado social por equivalência, em que as prestações sociais existem para ser anuladas e a lei para acertar contas. Razão têm os líderes do PSD para rir, e Relvas para voltar: estamos mesmo no ponto.» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.
      
 Jornalistas sóbrio e manchetes alcoólicas
   
«No DN colaborou em tempos Fernando Pessoa, um bêbedo. Um tipo que era apanhado, não poucas vezes, em flagrante de litro. Para desculpa do DN, naqueles tempos ainda não havia o arsenal de leis purificadoras que permite, hoje, o Correio da Manhã (salve, ó bíblia dos costumes morigeradores!) tirar os seus jornalistas da perdição. Um jornalista tipo CM vai para uma reportagem e salta-lhe ao caminho o advogado da empresa: "Fulano, vamos lá ao nosso exame de deontologia!" O advogado aponta a linha reta feita a giz que o jornalista, de braços abertos, tem de percorrer sem bambolear. Exame conseguido, o jornalista já pode ir fazer, por exemplo, a manchete de ontem do CM: "Pai de Sicrano em fuga por tráfico de droga". Não importa que o Sicrano, de 19 anos, não tenha culpa dos tráficos do pai. Leva com o seu nome, o traje de trabalho (Sicrano é jogador de futebol) e a foto na primeira página. Algumas almas piedosas podem não achar isto bonito, mas o importante, não é?, é que aquela manchete não foi feita por um bêbedo. Um jornal com manchetes alcoólicas, fontes anónimas e jornalistas sóbrios. E, suspeito, talvez outros jornais lhe sigam o exemplo. Infelizmente, eu, que sempre bebi pouco, tenho de declarar que nunca soprarei o balão numa redação. Cruzei-me com alguns camaradas talentosíssimos e bêbedos, e, esgotadas todas as tentativas de lhes chegar às canelas, quero guardar a última esperança de o conseguir com uns copos.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.
      
 Erro de cálculo
   
«Enganaram-se nos cálculos os que prometiam aos quatro ventos que não iriam aumentar os impostos e juravam salvaguardar os empregos, os salários e as pensões.

De visita a São Francisco, nos Estados Unidos da América, o Presidente da República, talvez inspirado pela distância, deixou escapar uma meditação: o programa de ajustamento, disse ele, "tem sido duro para os portugueses". E acrescentou: "tem sido mesmo mais duro do que aquilo que inicialmente se antecipava". Mas seria um engano grave atribuir a "dureza inesperada" do programa a um "erro de cálculo".

Sem dúvida, impressiona o contraste entre as metas iniciais do programa de ajustamento e os resultados alcançados. Vejam-se, por exemplo, os indicadores onde mais se exprime a dureza do "ajustamento" - recessão e desemprego. As diferenças são enormes: segundo a previsão inicial, a economia, depois de cair -1,8% em 2012, já deveria ter um crescimento de 1,2% em 2013 e de 2,5% em 2014; a realidade, porém, revelou uma recessão profunda e prolongada, de -3,2% em 2012 e de -1,4% em 2013, prevendo-se apenas algum crescimento para 2014 mas a um ritmo que deverá ser inferior a metade do inicialmente previsto. Por consequência, também a taxa de desemprego acabou por superar todas as previsões: em vez de cumprir a previsão inicial alcançando um pico máximo em 2012, com 13,4% (em média anual), na realidade o desemprego disparou a ponto de atingir os 16,3% em 2013.

Todavia, esta análise simplista é tão tentadora como enganadora. A verdade é que a diferença entre previsões e resultados só exprimiria um verdadeiro "erro de cálculo" do programa de ajustamento inicial se o programa executado tivesse sido o programa inicialmente previsto. Mas isso não aconteceu: as múltiplas alterações introduzidas nas dez revisões trimestrais do programa subverteram radicalmente os equilíbrios do programa inicial e conduziram à execução do dobro (!) das medidas de austeridade inicialmente previstas. Em 2012 e 2013, por exemplo, e segundo os números do próprio Governo, o programa inicial previa medidas de austeridade no valor total de 7,6 mil milhões de euros mas foram executadas medidas no valor de 15,4 mil milhões de euros. Ora, um programa diferente só podia ter resultados diferentes.

A esta luz, a conclusão é simples: o programa de ajustamento revelou-se, como diz o Presidente, "mais duro do que aquilo que inicialmente se antecipava" não em resultado de um qualquer "erro de cálculo" do programa inicial mas sim porque foi executado um programa diferente e bastante mais duro do que o programa inicialmente previsto.

Erros de cálculo houve, mas foram outros. Engaram-se nos cálculos os que, em plena crise das dívidas soberanas, e contra o parecer do Conselho Europeu e do Banco Central Europeu, optaram por provocar a crise política que arrastou o País para a ajuda externa ou que nada fizeram para a evitar. Enganaram-se nos cálculos os que julgavam que, depois dessa crise política, o ‘rating' da República recuperaria logo que os mercados se apercebessem da mudança de Governo. Enganaram-se nos cálculos os que prometiam resolver tudo cortando nas gorduras do Estado, nos desperdícios, nas fundações e no "Estado paralelo". Enganaram-se nos cálculos os que prometiam aos quatro ventos que não iriam aumentar os impostos e juravam salvaguardar os empregos, os salários e as pensões. E enganaram-se nos cálculos os que confiaram neles.» [DE]
   
Autor:

Pedro Silva Pereira.
   
   
 A anedota do dia
   
«As jornadas de empreendedorismo agrícola começam hoje com uma conferência realizada na Casa da Música, no Porto. Nuno Amado, presidente do BCP, na sua intervenção considerou o setor agrícola muito importante. Acredita que poderá incentivar a economia portuguesa, no entanto, não sendo especialista no setor agrícola prefere falar do papel da banca e das formas que banca tem para apoiar o desenvolvimento desse setor, adiantando que a banca está agora preparada para financiar a agricultura. Manuel Tavares, diretor do Jornal de Notícias, apresentou o painel.» [DN]
   
Parecer:

O BCPque nunca apostou um tostão de crédito no sector agrícola vai deixar de financiar os seus sócios e amigos para apoiar os agricultores!

Seria muito interessante se aquele banco divulgasse dados à distribuição do seu crédito pelos diversos sectores, bem como aos juros que pratica nesses mesmos sectores.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Que alívio
   
«Como refere o The Telegraph, o novo documento – apoiado pelo governo – defende que os professores não podem impedir os alunos de assistir a pornografia, mas podem ter um importante papel ao ajudá-los a compreender a “imagem distorcida” que é transmitida sobre o sexo.

Desta forma, exemplos de imagens transmitidas em vídeos e fotos pornográficas devem ser mote de discussão nas aulas, numa altura em que o uso de imagens explícitas se tornou mais acessível aos jovens, através dos novos dispositivos móveis.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Ainda bem que em Portugal são social-democratas a governar e não conservadores como sucede no Reino Unido.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Aguiar-Branco é um mau caracter
   
«No seu comentário semanal, esta madrugada, no programa “Quadratura do Círculo”, o vice-presidente do Parlamento Europeu disse que José Pedro Aguiar-Branco era mesmo um caso acentuado de mau-carácter, situação que o entristecia.

“Conheço muito bem Aguiar-Branco, mais que a maioria das pessoas, e para mim é sinal de péssimo carácter que vá ao congresso e que diga que eu, Bagão Félix e Mário Soares somos o vírus da política portuguesa”, afirmou Pacheco Pereira, acrescentando que também não lhe ficou bem falar dos ex.

“Eu sou ex de muitas coisas e noutras não, mas a minha vida não é dominada pelo medo de ser ex”, continuou o comentador, ao mesmo tempo que sublinhava que não está disposto a pagar todo o preço, “que algumas pessoas pagam para nunca serem ex de coisa nenhuma, como é o caso de Aguiar-Branco”.

Pacheco Pereira acusou ainda o ministro de bajular pessoas por quem tem uma opinião duvidosa. “Eu sei qual a opinião de Aguiar-Branco sobre muitas pessoas que anda a bajular e isso é uma questão de carácter. E custa-me ver algumas pessoas a terem essas exibições de mau carácter”.

A finalizar o seu comentário sobre Aguia-Branco, o político enfatizou que lhe custa ver as pessoas com obsessão de não serem ex de coisa nenhuma, "estarem sempre à superfície da vida política, sem qualquer espécie de coluna vertebral".» [i]
   
Parecer:

Já tínhamos notado que a pobre alma apesar de ministro da Defesa não é lá uma grande espingarda.
    
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
   
 Os amigos do Kim
   
«O PCP ficou, esta sexta-feira, isolado no voto contra uma deliberação do PSD, PS e CDS-PP a condenar os "crimes contra a Humanidade perpetrados pelo regime da Coreia do Norte", e advertiu para "campanhas" de desestabilização da península.» [JN]
   
Parecer:

Esta gente não muda.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
   
 Anedótico
   
«Vítor Gaspar foi nomeado diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a área dos assuntos orçamentais, acaba de informar a instituição de Washington. O ex-ministro das Finanças começa a trabalhar nesta funções no início de junho.
  
Gaspar, que saiu do Governo em julho passado em colisão com Paulo Portas, vai ser a partir de agora os olhos do FMI na implementação da reforma do Estado, da responsabilidade do próprio vice-primeiro-ministro.» [DN]
   
Parecer:

Digamos que para alguém que não acertou uma em matéria orçamental é o prémio apropriado. Em todo o caso quanto mais longe esta alma estiver de Portugal melhor para os portugueses, ninguém quer aves agoirentas nem almas penadas a pairar aqui perto.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a habitual gargalhada.»
     

   
   
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sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Marcelo

Marcelo vinha no avião e, agora que se pode usar o telemóvel nas aeronaves da TAP, alguém lhe telefonou a dizer-lhe “ó professor aquilo no Coliseu está uma ganda bandalheira, até parece que ficou tudo bêbado por festejarem os 40 anos. Apareça lá que sai logo candidato presidencial!”. Marcelo pensou, pensou enquanto sobrevoava o Atlântico, o avião vinha de norte e com o vento a vir dessa direcção teve que ir dar a volta pela Caparica. Aí Marcelo lembrou-se que em tempos tinha sido o Dux do PPD e que até já tinha praxado o Passos Coelho obrigando-o a ir a um casting ao Politeama. Mas quando estava mesmo por cima do Tejo pensou com os seus botões “se eu já mergulhei ali num tempo em que os esgotos eram despejados no rio e haviam mais cagalhões do que mujos, e e se fui capaz de mergulhar no meio deles para tentar ser presidente da Câmara Municipal de Lisboa, então sou capaz de me atirar de cabeça para qualquer merda só para chegar a Presidente da República. 
  
Aí o Marcelo encheu o peito, deu umas boas goladas no mata-bicho, escolheu uma roupa informal e foi de seguida para o Coliseu, onde Passos Coelho já sabia que o velho Dux ia aparecer, e foi o que se viu. O congresso ficou a saber que o velho Marcelo é um sentimentalão, que não conseguiu ignorar o partido agora que ia entrar na fase da crise dos quarenta, que não podia deixar o líder sozinho numa fase tão difícil e se estavam lá todos menos a Manela é porque o ambiente era o da Festa de Chão da Lagoa, só que em vez da poncha a bebida deveria ser champanhe.
  
Marcelo ainda pensou na hipótese de levar o velhinho chapéu que guardou nos tempos em que ficava bem a qualquer político fazer-fotografar ao lado do Alberto João, um tempo em que o país parou para reflectir sobre se o líder madeirense devia abandonar os seus para se candidatar a Presidente da República, mas optou por não o fazer. O ambiente fazia lembrar  as bebedeiras de poncha mas como chapéus há muito o ,melhor era habituar-se à ideia de que agora a festa eram mais para os lados de Massamá. E lá foi.
  
Marcelo discursou, fez rir o congresso, cumpriu a obrigação de atacar e tentar ridicularizar o Seguro e quando já se equacionava a possibilidade de distribuir fraldas para incontinentes ao pessoal da primeira fila o Dux saiu em apoteose, depois do baptismo dos cagalhões acabava de receber o baptismo do Coliseu que o habilitou a candidato presidencial. De um momento para o outro uniu a família partidária, que melhor poderia o PSD dar ao país depois de ter recolocado Relvas como contramestre do partido, senão dizer ao país que no estado em que está o melhor já não é escolher alguém capaz de mergulhar em águas profundas, mas sim quem já demonstrou ser capaz de mergulhar em todo o lado.
  
O PSD ganhou Relvas, o país ganhou Marcelo, podemos estar descansados, depois do pós-troika, da reeleição de Passos Coelho continuaremos a ter o Jardim na Madeira e o Marcelo vai para Belém. Já só falta saber onde colocar o Dias Loureiro e com um bocado de sorte ainda se manda o Duarte Lima para embaixador no Brasil. O mais grave disto tudo é que alguém vai ao congresso do PSD, faz umas palhaçadas, conta umas anedotas, mostra os seus conhecimento do calão da Quinta da Marinha e sai de lá candidato presidencial.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Flor do Parque da Bela Vista, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Ministro Lambretas

Pior do que os cortes é a forma pouco digna como os governantes deste país tratam as vítimas desses cortes, dispõem do seu dinheiro a seu bel-prazer e tratam-nas como imbecis. Sabem quanto vão cortar e andam com tretas numa tentativa de iludir as suas vítimas na esperança de que os que ficam a passar fome ainda vão votar neles.

O ministro Lambretas ficou com a pasta da caridade em nome do partido dos pensionistas, agora é um artista que se dedica a montar manobras de propaganda e a cortar os rendimentos dos mais pobres com um discurso em que se fica com a sensação de que aqueles lhe devem ficar agradecidos por terem ficado ainda mais pobres, mas dois meses depois ou, como diz o imbecil, com estabilidade nos rendimentos.

«Os pensionistas da Segurança Social ainda não estão a sentir os cortes nas pensões de sobrevivência previstos no Orçamento do Estado e só a partir de Março serão confrontados com essa redução. A medida já devia estar a ser aplicada desde Janeiro, mas problemas com o sistema informático obrigaram a adiá-la e ainda não é certo se o impacto começa a sentir-se com o pagamento da prestação de Março ou de Abril.

Certo é que os acertos relativamente aos primeiros meses do ano só ocorrerão em Julho, na altura em que os pensionistas recebem o subsídio de férias. O objectivo, garantiu ontem o ministro a Solidariedade, Emprego e Segurança Social, Pedro Mota Soares, é garantir a “estabilidade de rendimentos destes pensionistas”. Mas para o Partido Socialista (PS), o objectivo é “eleitoralista”, dado que o impacto maior vai sentir-se após as eleições europeias, marcadas para Maio.

A pensão de sobrevivência é atribuída ao viúvo, viúva ou filhos e corresponde a uma percentagem da pensão (50% a 60%, consoante se trate da Segurança Social ou da Caixa Geral de Aposentações) a que a pessoa que morreu teria direito. A redução das pensões ocorre porque essa percentagem é alterada e passa a depender do total das pensões que o beneficiário recebe.» [Público]
 
 Alguém me explica o que foi Cavaco fazer à Califórnia

Se era para reunir com jovens forçados a emigrar não precisava de ir tão longe, bastaria dar um pulo a Londres. Se queria falar com jovens empreendedores bastaria ficar em Lisboa, falaria para os que apostam no país e sentem as suas dificuldades. Mas Cavaco e esposa parecem querer tirar a barriga de misérias e ir onde nunca foram nem poderão ir depois de abandonarem as mordomias de Belém. A viagem de Cavaco não passa de turismo institucional pago pelos massacrados contribuintes portugueses, é por estas e por outras que a família Silva sai-nos mais cara do que os Bourbons de Madrid ficam aos contribuintes espanhóis.
 
 Tão pequenino e rindo como se fosse do PPD!


 
      
 O espaço vital alemão é-nos mortal
   
«Que importa que alguém tenha dito uma frase famosa sobre as repetições da história (primeiro, tragédia... depois, farsa... blá-blá-blá...)? O que conta é que a história repete os erros. Dava jeito aprender isso, o facto, e não memorizar a frase. Dava jeito, por exemplo, para saber o que se passa na Ucrânia. Já vimos o filme e não foi há muito tempo. A Jugoslávia teve o azar de se atravessar num conflito de interesses entre a Alemanha e a Rússia. Esta estava, então, ferida e a outra aproveitou para debicar. A Jugoslávia perdeu logo a Eslovénia e a Croácia, sobre as quais a Alemanha se sentia com antigas pretensões. A Europa seguiu a patroa (então, ainda incipiente) alemã e, numa guerra sem inocentes, demonizou só um lado: a Sérvia, a aliada russa, foi apresentada como a culpada única. Não foram só bombas que lhe lançaram, mas o anátema. Os intelectuais europeus que se insurgiram contra esta forma esguelha de olhar foram apontados como cúmplices: o francês Patrick Besson e o austríaco Peter Handke, escritores, e o cineasta bósnio Emir Kusturica passaram quase por criminosos de guerra. Agora, a mesma patroa alemã, já com poderes reforçados, vai pelo mesmo caminho na Ucrânia. Esta já se divide (a Crimeia parte) como há 20 anos a Jugoslávia e a explicação volta a ser sem nuances: os maus são os pró-russos. E aquela frase inicial é ingénua. Isto não vai acabar em farsa, mas numa tragédia maior: a Europa está a perder a Rússia.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
   
   
 Mais uma vez o nosso governo defende os mercados
   
«O Parlamento Europeu (PE) aprovou uma recomendação aos estados-membros para criminalizar a compra de serviços sexuais a prostitutas com menos de 21 anos. O modelo é aplicado nos países nórdicos, mas Portugal não tenciona segui-lo.

A lei portuguesa pune com prisão entre um e oito anos quem "profissionalmente ou com intenção lucrativa fomentar" a prática da prostituição e até 12 anos no caso de tráfico para fins sexuais, mas não prevê qualquer pena para os clientes ou para as prostitutas.

E assim deverá continuar. "É um disparate. Essa matéria é da competência dos estados- -membros", diz o deputado do PSD Duarte Marques, defendendo que a solução não é punir, mas "prevenir a saúde pública".

Os sociais-democratas consideram mesmo que a lei portuguesa é adequada à realidade do país. A eurodeputada do PSD Regina Bastos defende que o país adoptou "uma posição sensata perseguindo quem explora as mulheres ou os homens". E garante que em Portugal "a questão não está em aberto, nem merece tratamento diferente daquele que existe".
  
Os socialistas também não apontam qualquer alteração ao Código Penal. Edite Estrela, eurodeputada do PS, admite que não é um "problema prioritário". "Não me parece que existam razões para alterar o Código Penal nos próximos anos." Na intervenção que fez no plenário, Edite Estrela lembrou, porém, que a "prostituição não pode ser uma profissão" e que "o modelo nórdico parece ser o que melhor salvaguarda os direitos das mulheres".» [i]
   
Parecer:

O governo só está a ser coerente, se em relação aos filhos banqueiros defende o papel dos mercados é natural que às mães dos ditos tenha a mesma posição. Mas o mais curioso ainda é a posição da Edite Estrela, tenta arranjar boas justificações para defender o mesmo que o PSD.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
     

   
   
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quinta-feira, fevereiro 27, 2014

A guerra dos drones

É cada vez mais difícil enviar um cidadão de um país desenvolvido para uma guerra, os EUA ainda o vão conseguindo mas já na Europa o conformo está de mistura com alguma cobardia e muito oportunismo.  Com a guerra do Vietname os governos americanos aprenderam que a maior frente de batalha não estava na Ásia, estava nos próprios EUA, travava-se na comunicação social.  Daí que as armas sejam cada vez mais sofisticadas para garantir o envolvimento de menos soldados e a sua protecção. Mesmo assim os americanos pagaram caro a invasão do Iraque.
  
Na Europa os alemães descobriram que o dinheiro é mais poderoso do que os antigos panzers e aprenderam a lição do Vietname bem melhor do que os s próprios americanos. Se a guerra pode ser ganha com recurso à comunicação social então temos uma nova versão da velhinha bomba de neutrões, é possível destruir todo um país sem pôr em risco a vida de um único soldado. A prova está aí, se no passado os alemães tiveram que ir à Ucrânia agora e sem gastar um tostão é a Ucrânia que vai à Alemanha prestar-lhe vassalagem.
  
A Europa cobarde descobriu uma nova bomba de neutrões, as manifestações. Já a usou com sucesso na bacia do Mediterrâneo, agora foi mais longe e lançou-a nas fronteiras da Rússia. Com o argumento de derrubar Kadafi e instalar a democracia na Líbia a Europa atirou todo um país para a anarquia e entregou vastos arsenais ao extremismo islâmico que agora leva a sua influência a uma boa parte da África. Por pouco fazia o mesmo na Egipto e depois decidiu destruir a Síria, com o argumento da democracia entregaram a maior potencia do mundo árabe à Irmandade Muçulmana e destruíram a Síria entregando uma boa parte dela à Al Qaeda.
  
Uma boa parte da guerra fria era feita com o argumento da liberdade ao mesmo tempo que as rádios e televisões prometiam hamburgers e jeans aos cidadãos dos países do Leste. Agora acena-se com mais democracia para derrubar democracias e mandam-se membros de governos ocidentais participar em manifestações e incentivar à guerra civil.
  
Para fazerem ao Iraque ou ao Afeganistão o mesmo que fizeram à Síria os países ocidentais perderam milhares de soldados e gastaram milhões, para destruir a Síria, desorganizar a Líbia, lançar a confusão no Egipto e atirar a Ucrânia para a guerra civil os EUA e a Europa não gastaram um tostão e não perderam um único soldado. Usaram um drone chamado manifestações e usaram a democracia ou o que restava de democracia para promoverem ditaduras, para destruírem países ou para lançarem povos na guerra civil.
  
O cinismo do Ocidente nunca foi tão longe e aquilo que já se tinha visto na Jugoslávia estendeu-se a uma boa parte do mundo, a Europa já não envia tropas, não tem nem dinheiro nem coragem, agora manda jornalistas, televisões e discursos falsamente democráticos. A Alemanha já não constrói o seu terceiro Reich com invasões militares, agora acena com ajudas financeiras para promover guerras civis e derrubar os regimes que se opõem à sua expansão, já perdeu o medo da União Soviética e com a nova estratégia leva a guerra às fronteiras da Rússia.
  
Esta estratégia cínica que consiste em usar a democracia como campo de batalha usando as promessas de dinheiro e a comunicação social como drones já destruiu países, está atirando a África para a confusão e agora promove guerras civis nas fronteiras da Rússia, estimulando o ódio aos russos, usando o medo em relação a estes como se fez no passado em relação aos judeus. A Europa está no mau caminho e isto só pode acabar muito mal.




Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Ayamonte, Espanha
  
 Jumento do dia
    
Sérgio Monteiro, rapazola dos Transportes

Alguém viu este rapazola dialogante sugerir diálogo quando decidiu mudar o porto de Lisboa para a margem sul? Claro que não, este imbecil não dialogou nem consultou os outros partidos ou os agentes económicos quando achou que tinha uma grande ideia.

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«"Nós faremos, obviamente, as reuniões que estão agendadas com todos os grupos parlamentares que se mostraram disponíveis para esse diálogo - o PSD, o CDS, o PCP, o PEV e o BE. Estão disponíveis para discutir connosco aquele plano com sendo um documento de partida para o consenso", afirmou Sérgio Monteiro, após debate em sessão plenária da Assembleia da República sobre profissão de auditor de segurança rodoviária.

O Ministério da Economia já recebeu confirmações de todas as forças políticas com assento parlamentar para o encontro, mas os socialistas pediram esclarecimentos adicionais.» [Notícias ao Minuto]
 
 Está encontrado o novo discurso do governo

Uma das funções da Presidência da República no quadro do novo relacionamento designado por "consenso institucional" é a de apoiar o governo nas suas tarefas de propaganda, o ainda e infelizmente titular da Presidência da República usa a dignidade e prestígio de um cargo que não lhe deve qualquer contributo para ir em auxílio do governo com novas estratégias de propaganda.

O último contributo foi dado já durante o presente passeio à América com Cavaco a lamuriar-se de que o programa de ajustamento tem sido mais duro do que se antecipava. Desta forma subtil iliba-se o seu governo pelos excessos de troikismo que encapotou um programa ideológico à muito debatido nas discotecas de Lisboa e deixa-se no ar que os sacrifícios se deveram a um erro de cálculo ou mesmo ao azar, nunca às decisões premeditadas adoptadas no âmbito do consenso institucional entre governo e presidência.

Parece que apesar do apoio de Relvas o primeiro-ministro ainda precisa de "limar" arestas na sua propaganda, recorrendo à assessoria de Belém.

«O Presidente da República reconheceu terça-feira à noite que o programa de ajustamento tem sido mais duro do que se antecipava, mas sublinhou a forma como os compromissos assumidos foram "quase integralmente cumpridos".

"Dentro de pouco mais de dois meses vamos encerrar o programa de ajustamento que negociamos com as entidades internacionais, que nos concederam um empréstimo para Portugal ultrapassar uma situação muito difícil em que se encontrava em 2011 e isso tem sido duro para os portugueses, tem sido mesmo mais duro que do aquilo que inicialmente se antecipava", admitiu.» [Expresso]

 A resposta da ala das namoradas dos pensionistas

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 Tão novo e já o conhece tão bem

 
 Canção da faturinha

 
 O próximo congresso do PSD realiza-se no Circo Cardinali

Com tanto artista, tanto animal amestrado e mais as palhaçadas do professor Marcelo o local mais adequado para realizar um congresso do PSD só pode ser mesmo o Circo Cardinali.
 
 Paco de Lucia (1947-2014)

 
      
 O concílio do Coliseu
   
«Levanta-te, e caminha"- disse o Rabi a Lázaro; e este levantou-se, impulsionado pela força divina. Milagre! Milagre!, exclamaram os que ao facto assistiram." A parábola da Ressurreição, ou do Ressurrecto sobreveio-me à memória, quando assisti a um morto, não só político, mas sobretudo moral, emergir do mundo das trevas. Foi no congresso do PSD, quando Pedro Passos Coelho fez ressurgir Miguel Relvas das tumbas da calamidade para ocupar um lugar importante da direcção do partido. Entre a perplexidade e a repulsa, os sentimentos dos circunstantes dividiam-se. Mas a notícia não deixou de ser escabrosa. O título académico de "doutor", "dr." Miguel Relvas, voltou a circular entre as afirmações dos dirigentes mais importantes do PSD, como se a ressuscitação da criatura reabilitasse a própria mentira.
Passos Coelho é um homem em constante sobressalto, tomado de pequenas angústias quotidianas. A necessidade de se impor provém das pessoais inseguranças. E a reabilitação de Relvas, assim como a expulsão de António Capucho, possui, somente, um significado: quero, posso e mando. Não é novidade. O que ele tem feito ao País é a injunção de ideias confusas, desordenadas, que pertencem a outros e que ele mistura no almofariz de uma certa perversidade.

Disse, no congresso, de que estamos melhor do que há dois anos. Mentira. E mentira desaforada. Também disse que o PSD nunca se afastou da "matriz" social-democrata. Mentira e ignorância. Nem nos seus melhores tempos o PSD foi, alguma vez, social-democrata. Aliás, a mentira e a ignorância tornaram-se razões no discurso dele e dos seus.

Passos Coelho pertence à geração da insignificância que povoou a Europa de fatuidades, por ausência de cultura política e geral, e por cansaço e desistência de quem tinha a obrigação de defender e de desenvolver os testamentos legados. Não é só ele. Marcelo Rebelo de Sousa é outro, acaso mais responsável porque lê, pelo menos é o que se diz.

Ele foi o bobo da festa, no conclave do Coliseu. Tem a tineta de açambarcar os holofotes, e quando viu que a ocasião era propícia, saltou para o tablado e fez rebolar de riso os circunstantes. Passos concedeu-lhe a esmola de um escasso sorriso, enquanto a barriga do ministro Miguel Macedo saltava de gozo e satisfação, por igual insanos.

O congresso do PSD para nada serviu, a não ser o de congregar, para as televisões e para o retrato de grupo, alguns "notáveis" desavindos, e demonstrar a falta de carácter de outros, fingidamente esquecidos das afrontas de que têm sido alvo, por Passos Coelho. Ele é que quer, pode e manda. Tem-no comprovado com minuciosa implacabilidade e extrema frieza. Já o disse e escrevi: este homem é muito perigoso.» [DN]
   
Autor:
 
Baptista-Bastos.
      
 Mário Coluna, o primeiro homem
   
«O último livro, e inacabado, de Albert Camus chama-se O Primeiro Homem. É um romance autobiográfico. Um casal de colonos europeus, pobres, muito pobres, por um caminho agreste da Argélia. A mulher está grávida e o pastor árabe que os acompanha diz: "Tu vais ter um filho. Que ele seja belo." Camus, que não era crente, descreve o seu próprio nascimento como uma cena natalícia, em homenagem à mãe que era iletrada e religiosa. Nós somos sempre o primeiro homem, a esperança da redenção. Na década em que Camus morreu (com o manuscrito inacabado de O Primeiro Homem espalhado na mala do carro enfaixado numa árvore, 4 de janeiro de 1960), dois homens que representavam as duas superpotências rivais, o soviético Yuri Gagarine ("a Terra é azul", 1961) e o americano Neil Armstrong ("um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a Humanidade", 1968) contaram o mesmo sonho. O primeiro homem, a visão, o salto. Nem sempre essas coisas se passam grandiosas como as acima descritas, nem sempre recebem o Nobel da Literatura ou ficam marcadas como marcos históricos. E, no entanto, movem--nos. Eu tive a sorte de amar desesperadamente a minha terra e por isso estar atento aos sinais anunciadores. Naquele década, houve muitos domingos e quartas-feiras europeias em que vi jogadores de um jogo simples e quem mandava neles era naturalmente o chefe. Ele não era branco, como eram sempre, até então, os que mandavam. Mário Coluna, primeiro homem.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.
   
   
 Mandou-os à fava
   
«General Luís Araújo pediu a passagem à reforma no fim de dezembro, quando ainda era CEMGFA - sem avisar o Presidente da República e Governo - para evitar "uma injustiça" e "exercer um direito" que iria perder no OE 2014. "Foi um gesto de insubmissão contra uma decisão absolutamente leviana e aleatória (...). Que fiz de mal? Absolutamente nada. Não permiti é que me roubassem", diz ao DN. E se tivesse recebido resposta sobre a reforma antes de terminar o mandato "tinha ido embora", garante.
  
O anterior chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), Luís Araújo, pediu a reforma no fim de 2013 para evitar os cortes impostos pelo Orçamento do Estado (OE) deste ano, sem informar o Presidente da República, o Governo ou a instituição por entender que era "uma questão pessoal".
  
"Se a Caixa Geral de Aposentações (CGA) me desse conhecimento" da resposta antes de terminar o mandato (6 de fevereiro de 2014), adiantou ontem o militar ao DN, "tinha-me ido embora" - o que colocava o Chefe do Estado, o Governo e as Forças Armadas perante a saída imediata do seu principal chefe militar.» [DN]
   
Parecer:

Este consenso institucional no ódio aos servidores do Estado só merece respostas do tipo "vão à bardamerda".
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»
  
 PSD põe em marcha o golpe do programa cautelar
   
«"O que transmitimos à 'troika' é que, caso as condições sejam favoráveis, um programa cautelar nos pareceria mais prudente tendo em conta, por exemplo, que os juros da dívida pública portuguesa a dez anos se encontram ainda nesta altura acima do que a Irlanda registava quando saiu do programa", disse o deputado.

Miguel Frasquilho, que falava após uma reunião dos chefes de missão da 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) no Parlamento com os deputados que integram a comissão parlamentar que acompanha a implementação das medidas do programa, disse ainda que questionou a 'troika' sobre as medidas impostas à Irlanda para aceitar um programa cautelar.» [DN]
   
Parecer:

Depois vem dizer que para que haja um programa cautelar "favorável" terá de haver um consenso com o PSD, isto é, o que querem é que no caso de o PS ganhar as eleições deve governar com base no programa que o PSD vier a sugerir à troika. Mais um pouco e ainda vão querer que o Seguro convide o Miguel Relvas para ministro da Ciência e do Ensino Superior.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Bardamerda para o "favorável".»
   
 Ministra defende que a banca deve pagar futuras crises bancárias
   
«A ministra das Finanças criticou hoje a indefinição do calendário para terminar a União Bancária, e defendeu que devem ser os próprios bancos a pagarem as futuras crises bancárias.

Num discurso no Parlamento, onde participa numa conferência organizada sob o tema da União Bancária, Maria Luís Albuquerque diz que Portugal defendeu em Bruxelas a consagração expressa da necessidade de criar um fundo com dinheiro dos orçamentos nacionais que complemente o fundo de resolução dos bancos (que é constituído a partir de vários fundos nacionais construídos com contribuições dos bancos) para gerir eventuais falências.» [Expresso]
   
Parecer:

O que a ministra está dizendo de forma indirecta é que o empobrecimento forçado dos portugueses serviu para ajudar os Ulrichs e outros incompetentes e maus gestores cá da praça.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à ministra quem pagou a actual crise bancária.»
      
 Holigans, diz ele
   
«Os dois maiores partidos merecem de António Barreto duras críticas. Os independentes são o medo que pode mudar a actual lógica partidária, diz o sociólogo em entrevista ao Negócios e Rádio Renascença.

António Barreto defende um país com mais liberdade de escolha na saúde, mas mais prudência na Educação. Ao longo da conversa aponta como urgente um acordo entre o PS e o PSD. Diz mesmo que serão autênticos ...» [Jornal de Negócios]
   
Parecer:

Holigans políticos são os assalariados do Tea Party financiado pelo merceeiro holandês para manipuklar os acontecimentos políticos em seu favor.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
   
  E podemos confiar nas notícias?
   
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«Jornalistas reincidentes no álcool podem ser despedidos com justa causa. Protecção de dados autorizou.

Os trabalhadores do grupo Cofina, detentora dos títulos Correio da Manhã, Record e Jornal de Negócios, que apresentem sinais exteriores que indiciem notório estado de embriaguez terão de se submeter a um teste de alcoolemia. Se a taxa for igual ou superior a 0,5 gramas por litro o resultado é considerado positivo e o funcionário será repreendido com um processo disciplinar. Sendo reincidente, o jornalista arrisca o despedimento com justa causa.» [DE]
   
Parecer:

Parece que a Cofina enfrenta uma vaga de alcoolismo justificando uma campanha digna dos tempos da ex-URSS.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
     

   
   
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