sábado, março 29, 2014

Já gastei o ódio todo que tinha

Um alentejano apanhou a mulher na cama com o vizinho e como vingança foi falar com a vizinha. Esta, indignada, fez  uma sugesto ao vizinho “Ó vizinho, atão e sa gente se vingasse neles?”. Dito e feito, a vingança foi logo ali consumada, meia hora mais tarde já a vizinha lhe perguntava “Ó vizinho e sa gente se vingasse neles ôtra vez?” E assim foi, de vingança em vingança até que perante mais uma proposta vingativa o nosso compadre lá respondeu que “Ó vizinha, desculpe lá mas eu já na tenho mais ódio.”.

Recordo-me desta velhinha anedota porque ilustra bem uma das estratégias de comunicação * do governo quando está em causa a adopção de mais uma medida brutal, injusta e sem grande justificação económica. Começa-se por chamar o Marques Mendes e dizem-lhe “Olha lá ó pequenote, vais à SIC e dizes com ar de quem sabe um segredo de alcofa da vizinha debaixo, que vamos cortar dois mil milhões. Mas não digas onde vamos cortar, diz só que os cortes são na despesa.

Logo que chega o dia do Ganda Nóia na SIC este aparece com um ar de puto que foi aos torrões de açúcar e ainda lambuzado com a doçaria que lhe deram a comer diz aos portugueses “Sabem? Eu até consegui saber, mesmo sem fazer escutas a São Bento, que o governo vai cortar 2.000 milhões e que os cortes são na despesa.”.

Durante uns dias não se fala de outra coisa, o director do Diário Económico elogia os cortes na despesa, o Ferreirinha da SIC Notícias sugere um dos capítulos do seu livro onde ensina Portugal a Salvar-se e, ao mesmo tempo, tem um orgasmo em directo, pesaroso o Vítor Bento explica que não é por um corte de mais 2.000 milhões que ficamos mais pobres do que já estamos, a Dona Maria vai dedicar-se aos carapaus alimados e Cavaco Silva recebe jovens empreendedores da Serra de Espinhaço de Cão que lhe apresentam o projecto de cruzamento do ouriço-cacheiro com a minhoca para produzir arame farpado.

Quando a sociedade já começou a aceitar os cortes escolhe-se um dia em que Passos Coelho esteja longe do país e um qualquer secretário de Estado encomenda uma dúzia de scones, chama uns jornalistas e dá-lhes a novidade. No dia seguinte as manchetes dizem que os do costume vão sofrer mais uma dose de austeridade a bem da Nação, o pessoa protesta, o Arménio Carlos dá uma conferência de imprensa, a Ana Aivola lá diz das suas com aqueles ar esgrouviado.

O governo ignora os protestos fazendo um comunicado de imprensa onde se diz que nada está decidido e quando o pessoal gasta o ódio todo o governo reúne-se e decide o que o puto lambuzado já tinha dito uns meses antes da SIC. Mas desta vez tudo correu mal e a ideia de entre impostos e contribuições extraordinária receber apenas 20% das suas pensões quando regressar à Coelha não agradou a Cavaco. Ainda por cima ele não percebe nada desses termos em inglês e a ideia de se transformar os descontos para a reforma num investimento especulativo em acções da Torralta, fazendo depender as pensões dos lucros de um país mal governado não lhe agradou nada.

Desta vez o governo lixou-se e em vez do alentejano foi um algarvio de Boliqueime que sugeriu vingança à vizinha.

* A outra estratégia é a do castigo, foi criada por Gaspar, talvez inspirado no catolicismo retrógrado da avó das Beiras. Decide-se uma medida mas como o povo se opõe ou o TC a considera inconstitucional, o governo decide uma segunda medida ainda pior, que o povo aceita com o sentimento de culpa, como se a medida agravada fosse um castigo merecido por se ter oposto à primeira medida que o governo tinha adoptado como porva da sua imensa bondade. Nesta estratégia o povo é apresentado como um mariola que a toda a hora merece levar uns tabefes.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Painel de Azulejos "Sagres", Pavilhão Carlos Lopes, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Cavaco Silva

Cavaco Silva continua a trabalhar para as sondagens e começa a fazer um esforço para se descolar da imagem do seu próprio governo, desta vez até criticou a política económica do governo denunciando o facto de os mais ricos nem terem sentido a austeridade. Para a oposição e para muitos dos excluídos por Passos Coelho estas declarações até poderão agradar mas têm um pequeno senão, denunciam o silêncio de Cavaco Silva perante uma política de descriminação activa em favor dos ricos, política que até aqui foi apoiada por Cavaco Silva que apenas vetou uma medida simbólica. Ora, se Cavaco não usa o veto político é porque apoiou politicamente a política que agora critica e não só a tem apoiado como ignora as violações da Constituição nalguns casos.

Como se isto não bastasse Cavaco ainda disse que nada lhe tinha sido comunicado, ora se o governo lhe costuma comunicar as medidas seis meses antes de consideradas no projecto de orçamento isso significa que todas as medidas anteriores lhe foram comunicadas com antecedência, algo que só faz sentido se o governo conta que a Presidência as estudo e as aprove ou, pelo menos que dê a sua anuência. Isto é, as medidas brutais do governo devem ser consideradas igualmente como sendo ou tendo o apoio de Cavaco Silva, que parece que só há limites para a austeridade quando uma boa parte da população foi injustamente brutalizada e a maioria das famílias da classe média estão à beira da falência, enquanto os mais pobres atingem o limiar da fome.

Cavaco está preocupado com os mais brutalizados pela política que apoiou tão activamente que até tentou forçar o PS a um consenso em torno dela, ou está mais preocupado com o seu umbigo? Receio que Cavaco veja o interesse nacional e dos portugueses segundo a perspectiva do seu umbigo que, como se sabe é tão ceguinho como o dito cujo.

«O Presidente da República, Cavaco Silva, disse hoje não ter informação "que aponte para a redução do rendimento disponível" de funcionários públicos e pensionistas, mas defendeu que, caso avancem, devem incidir nos titulares de "elevados rendimentos".

"Não tenho nenhuma informação que aponte para a redução do rendimento disponível daqueles que foram duramente atingidos nos últimos anos, funcionários públicos e pensionistas", afirmou.

Segundo o chefe de Estado, que falava aos jornalistas no concelho de Arronches, é mesmo "difícil", no caso específico dos pensionistas, "continuar a exigir mais sacrifícios".

Mas, sustentou Cavaco Silva, "se for necessário reduzir o rendimento disponível de alguém no futuro, tem que ser àqueles que têm elevados rendimentos e que, até este momento, não foram seriamente prejudicados no seu bem-estar".» [Expresso]
 
 O secretário de Estado inventou?

Pela forma como o governo reagiu das duas uma, ou os jornalistas que até agora têm  sido apoiantes incondicionais do governo mudaram repentionamente de ideias protagonizando uma sublevação contra as ordens dos patrões ou o secretário de Estado estav perdido de bêbado e nem sabia o que estava dizendo.

Acontece que conheço o suficiente do secretário de Estado para saber que não se mete nos copos, não é aldrabão e costuma saber o que diz e o que pode dizer. Quanto aos nossos jornalistas é muito pouco provável que tenham mudado de repente de rumos, até porque alguns deles são useiros e vezeiros em pedir que se esfolem os funcionários e pensionista.

É óbvio que o secretário de Estado disse o que o governo lhe pediu, que o que disse foi coerente com o que tinha dito Marques Mendes que
 
 Pergunta

Não será melhor transferir a competência para a emissão de vistos gold para o director-geral dos serviços prisionais?
 
 Conclusão desta confusão dos cortes nas pensões

Todos os primeiro-ministros fazem trapalhadas ma só o Santana Lopes é que paga!

Volta Santana, além de estares perdoado anda por aí moeda bem pior do que a má moeda.
 
      
 Palavra de honra
   
«"O corte de remunerações, por imperativo legal, só pode ser transitório. Medidas deste tipo apenas podem ser justificadas em condições excepcionais e as condições excepcionais não podem ter duração indefinida." Gaspar, 17/10/2011

"[É preciso evitar] medidas intoleráveis como o despedimento indiscriminado de funcionários públicos. O Estado tem compromissos a que não deve renunciar, nem numa situação de emergência. É a pensar na prioridade do emprego que o OE 2012 prevê a eliminação dos subsídios de férias e de Natal [para funcionários públicos e pensionistas]. Esta medida é evidentemente temporária e vigorará apenas na vigência do programa de assistência económica e financeira." Passos, 3/10/2011

"Não me parece que estejamos num ciclo perverso. A austeridade é necessária para evitar precisamente uma austeridade mais descontrolada e selvagem" Gaspar, 28/2/2012

"A suspensão [dos subsídios de Natal e de férias de pensionistas e funcionários públicos] vigorará até ao final da vigência do programa de ajustamento, como é claramente dito no relatório do OE 2012. Esta é a posição que o Governo tem, é a posição que o Governo sempre teve." Gaspar, 4/4/2012

"A partir de 2015 iniciaremos a reposição gradual dos subsídios de férias e de Natal bem como os cortes nos salários da função pública efectivados em 2011. O Documento de Estratégia Orçamental hoje aprovado não prevê mais medidas de austeridade e novos impostos. Este documento fixa o nível de despesa do Estado até 2016." Passos, 30/4/2012

"O programa de rescisões na função pública deve ser encarado como uma oportunidade e não uma ameaça. Apenas sairão os que o desejarem." Passos 18/3/2013

"Nos 12 primeiros meses no sistema de requalificação o trabalhador terá direito a 60% da remuneração a que tinha direito antes. A partir dos 12 meses, a compensação será 40%. Tem sempre possibilidade de acesso a rescisão por mútuo acordo." Rosalino, 12/9/2013

"Cortes de salários na função pública vão estender-se para além de 2014, são transitórios mas não anuais." M. Luís Albuquerque, 15/10/2013

"Os cortes salariais assumidos para a função pública este ano são temporários. Mas não podemos regressar ao nível salarial de 2011 nem ao nível das pensões de 2011." Passos, 5/3/2014

"Corte permanente nas pensões é alarmismo injustificado. Não é intenção do Governo haver qualquer tipo de reduções adicionais relativamente aos rendimentos dos pensionistas." Marques Guedes, 27/3/2014

"Não faz sentido fazer especulação sobre um eventual corte permanente nas pensões. O debate em Portugal devia ser mais sereno e informado e os membros do Governo deveriam contribuir para isso." Passos, 27/3/2014» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.
      
 A fraude de fazer pobres
   
«Os números divulgados pelo INE sobre o dramático agravamento da pobreza retratam uma situação de verdadeira tragédia e de gravíssimo retrocesso social. Travar esta estratégia de empobrecimento deixou de ser apenas uma urgência política: tornou-se um imperativo moral.

Comecemos por desfazer um equívoco: este empobrecimento não era inevitável. Convém lembrar que os dados revelados pelo INE se referem aos rendimentos dos portugueses no ano de 2012, precisamente o ano em que o Governo foi mais longe na sua opção por uma austeridade "além da troika". Na verdade, esse foi o ano em que o Governo decidiu aplicar 9,6 mil milhões de euros de medidas de austeridade, duplicando o valor previsto no Memorando inicial da ‘troika' (4,8 mil milhões). Essa brutal diferença, que alguns teimam em desvalorizar, materializou-se num vasto pacote de medidas de austeridade que não constavam do Memorando negociado pelo Governo do Partido Socialista. Foi assim que se adoptaram medidas muito duras e até inconstitucionais (viabilizadas, aliás, com a conivência do Presidente da República), como o não pagamento de dois meses de salários e pensões aos funcionários públicos e aos reformados.

Acontece que esta política de austeridade reforçada teve graves consequências. Já se sabia que foi uma opção trágica para a economia e para o emprego, conduzindo a uma recessão muito mais profunda (-3.2% do PIB) e a um desemprego muito mais alto (15,7%) do que estava previsto. Mas faltava ainda saber o impacto da "estratégia de empobrecimento" no empobrecimento propriamente dito. Os resultados agora divulgados são elucidativos sobre o real significado do "sucesso" de que falam Passos Coelho e Paulo Portas.

Os factos são estes: apesar da linha de limiar da pobreza ter baixado de 416 para apenas 409€ mensais, a taxa de risco de pobreza aumentou num único ano de 17,9% para 18,7%, valor que já não se registava desde 2004 (último ano em que a direita esteve no poder). Se mantivermos como referência o limiar de pobreza aplicável em 2009, o resultado é ainda pior: a taxa real de pobreza sobe para 24,7%, agravando-se mesmo entre os idosos (de 20,1% para 22,4%), sendo que só no biénio de 2011-2012 houve 350 mil pessoas que entraram em situação de risco de pobreza.

Mais grave, porém, é que os pobres estão cada vez mais pobres: o indicador de intensidade da pobreza teve um agravamento abrupto em 2012 (subindo de 24,1 para 27,3%) e o mesmo sucedeu com o indicador de pobreza material severa (que subiu de 8,6 para 10,9%). Se tivermos apenas em conta os rendimentos monetários, verificamos que o número dos que vivem com menos de 409 euros aumentou em 85 mil pessoas mas o número de pessoas a viver com menos de 272 euros aumentou em 160 mil. Não menos preocupante é o aumento significativo da taxa de risco de pobreza entre os desempregados (que subiu de 38,4 para 40,2%) e das famílias com filhos (que atinge agora 22,2%). E tudo isto no preciso momento em que a política de corte nas prestações sociais fazia diminuir o contributo das transferências sociais (excluindo pensões) para a redução do risco de pobreza.

Quanto às desigualdades, a evolução não é menos negativa: a diferença de rendimentos entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres, que tinha diminuído substancialmente entre 2005 e 2010, de 11,9 vezes para 9,4, subiu em 2012 para 10,7, regressando a níveis semelhantes aos que se registavam em 2006.

Os dados são inequívocos e mostram que a política do Governo se transformou numa tremenda fábrica de fazer pobres. Em apenas ano e meio, esta absurda "estratégia de empobrecimento" provocou um duplo retrocesso social, de proporções gigantescas: um retrocesso de seis anos no combate às desigualdades e um retrocesso de oito anos no combate à pobreza. Chegou a altura de parar com isto e deixar de andar para trás.» [DE]
   
Autor:

Pedro Silva Pereira.
   
   
 Pudera!
   
«Apesar da polémica gerada com a suposta nova fórmula de cálculo das pensões, o semanário Expresso conta que a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, assim como o primeiro-ministro Passos Coelho não pretendem afastar o secretário de Estado que, alegadamente, falou mais do que devia. Por seu lado, o líder do CDS, Paulo Portas, admitiu tratar-se de “um erro”, que “não devia ter acontecido”, mas ao que parece não tenciona ir mais longe.

O primeiro-ministro Passos Coelho já regressou de Moçambique mas a partir do seu gabinete não foi, até agora, proferida qualquer palavra sobre a polémica provocada pelo encontro informal entre o secretário de Estado da Administração Pública, José Leite Martins, e jornalistas de seis órgãos de comunicação social e no qual foram divulgadas informações sobre a alternativa do Governo à atual Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES).» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

É óbvio que tinham de segurar o homem que mais não fez do que o frete que lhe encomendaram. A estratégia de comunicação do governo foi óbvia, primeiro o Marques Mendes deixava no ar de quanto era o corte estimulando a curiosidade, de seguida alguém era encarregado de dar umas dicas à comunicação social, entretanto os portugueses iam barafustadno para que já estivessem descansados de barafustar quando as medidas foram aprovadas.

O problema é que o país barafustou demais e estes corajosos governantes desataram logo a mijar pelas calças ou, consoante os caso, pelas saias abaixo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se fraldas de incontinentes para os governantes envolvidos, designadamente, o primeiro-ministro, Paulo Portas, Maria Luís e, como não podia deixar deser, para o nosso adorado Dr. Lambretas.»
  
 O Lomba está preocupado com a natalidade
   
«A diminuição da população residente em Portugal hoje projetada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) é "altamente preocupante" mesmo no melhor cenário, diz o Governo, que considera urgente assegurar um equilíbrio migratório.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Tem uma solução, já que os briefings do governo foram e continuam a ser um  desastre sempre pode estimular a pica de quem o atura rodando uns filmes porno na sala de imprensa do Conselho de Ministros.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a sugestão»
   
 O Dr. Macedo passou a ter a tutela das pensões
   
«O ministro da Saúde, Paulo Macedo, afirmou hoje que é prematuro falar sobre um corte permanente das pensões e referiu que só "fará sentido" voltar ao assunto quando houver um documento definitivo.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Digamos que a confusão foi tanta e a  mijadela governamental é tão grande que até o Paulo Macedo teve de andar de Lambretas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
   
 O SEF agora é porta-voz do Ministério Público?
   
«O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) desmente em comunicado a notícia de hoje do jornal Público em que se refere que "Mais um estrangeiro com visto gold investigado pelo Ministério Público".

O SEF refere que "contactou o DCIAP no sentido de obter a identificação do cidadão invocado na notícia e que, consultadas as bases de dados do SEF, verificou-se não existir qualquer pedido de Autorização de Residência para Investimento, nem registo de outra ordem, formulado pela pessoa cuja identificação nos foi indicada".» [DN]
   
Parecer:

Lá se vai o segredo de justiça a bem da imagem eleitoral de Paulo Portas.

Isto começa a ser divertido, aparece um chinês sabe-se lá donde, está cá três dias, compra um apartamento em Cascais e o MP vai investigar o quê e onde? Até parece que os chineses trazem um carimbo na testa quando são criminosos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   
 Mais um tacho que se escapou a Durão Barroso
   
«O antigo primeiro-ministro da Noruega Jens Stoltenberg foi nomeado hoje secretário-geral da NATO pelos embaixadores dos 28 países membros, anunciou a Aliança Atlântica.» [DN]
   
Parecer:

O homem até tem sorte, sempre que há um tacho para agarrar aparece uma guerra para se armar em galo-da-Índia e dar graxa aos EUA, Alemanha e Reino Unido. Mas ou está à espera de outra cisa ou desta vez teve azar, nem o conflito na Crimeia o ajudou a ficar com a NATO.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se com desprezo pela criatura.»
     

   
   
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sexta-feira, março 28, 2014

A (des)coordenação económica

Quando Vítor Gaspar ainda era ministro o país sabia para onde se queria ir e como se pretendia fazê-lo, sabia-se que os portugueses foram convertidos em cobaias de Harvard, que o Gaspar queria empobrecer aqueles que considerava um fardo social, que se pretendia um país de mão-de-obra barata e dispensável a qualquer momento. Com a saída de Gaspar e a consequente promoção irrevogável de Paulo Portas a vice de Passos Coelho e coordenador da área económica o país deixou de saber para onde ia ou como ia.
  
Deixou de se pensar em medidas e a viver-se de milagres, depois do famoso milagre de Fátima anunciado à esposa do (ainda e infelizmente) presidente o país passou a viver dos milagres da Santinha da Horta Seca que tinha substituído o sôr Álvaro na Economia e em vez de metas passou-se a viver dos indicadores publicados pelo INE, pelo instituto do (des)emprego e pelo BdP. O país deixou de crer para passar a esperar, deixou de haver política económica para se ficar pela leitura de indicadores, principalmente os menos antipáticos.

O que é feito do tal projecto de reforma do Estado? O que se pretende para o pós-troika? Como vão ser superadas as decisões de inconstitucionalidade do TC em relação a cortes que só foram autorizados por serem provisórios? Que direitos acha o governo que têm os pensionistas? Já nem vale a pena questionar o governo sobre o que pretende  no plano dos objectivos e da política económica, nem para as dúvidas mais elementares há uma resposta. É evidente que o governo que não era eleitoralista condicionou toda a sua actuação a umas eleições de segunda importância, tal como é notório que este governo não sabe o que fazer num horizonte superior a dois meses.
  
Depois de tanto debate sobre o pós-troika e de sucessivas pressões para forçar o PS à rendição perante as decisões do governo Cavaco Silva despareceu, depois de tanto milagre e tanto sucesso devido aos nossos empresários e empresas a santinha da Horta seca, esta versão melhorada da santinha da Ladeira desapareceu, depois do famoso guião para a reforma do Estado e da divulgação da última avaliação da troika o grandioso vice Paulo portas submergiu e até o próprio Passos Coelho anda muito desaparecido. Já nem vale a pena falar do ministro Lambretas pois esse mija-se por tudo e por nada.
  
Quem manda na economia, a ministra das Finanças ou o ministro da Economia? Quem manda em Portugal, Passos Coelho ou Cavaco Silva? Quem manda na política económica, Maria Luís Albuquerque ou Paulo Portas? Quem manda no sistema de pensões, o ministro Lambretas ou o secretário de Estado da Administração Pública Leite Martins? Quem manda nas políticas de emprego, o Lambretas ou a santinha da Horta Seca? Quem manda na política fiscal, a ministra Maria Luís ou o secretário de Estado Núncio? Quem manda nos vistos Gold vendidos às tríades chinesas, Paulo Portas, Rui Machete ou Miguel Macedo?
  
A verdade é que a última vez que vimos Passos Coelho e Paulo Portas juntos foi para assinarem o acordo de coligação dos 101 Dálmatas e desde então em vez de o governo ter coordenação política e/ou económica, passou a ter coordenação eleitoral e cada ministro aparece ou desaparece em função do impacto eleitoral da sua imagem ou das suas medidas. Governo e Presidência passaram a fazer um jogo de sombras, em que se desaparece quando não convém dar nas vista e se reaparece quando dá jeito, o país deixou de ser governado segundo um programa de governo, evolui de acordo com os estímulos eleitoralistas.
  
E no meio desta loja de cristais chineses eis que aparece um elefante chamado Leite Martins, antigo chefe de gabinete de Durão Barroso, que parte a loiça toda com um briefing inoportuno e desnecessário de fazer inveja ao Maduro e deixar de cara à banda o ministro da Presidência Marques Guedes. E como quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão eis que 24 horas depois de o país ficar a saber  o que não devia saber todos se preparam para linchar o pobre do Leite Martins, o pobre homem que foi nomeado para fazer de leite creme na Administração Pública foi reduzido a coalho depois ter espremido a incompetência governamental em matéria de pensões. A culpa não é do incompetente Lambretas, da desautorizada Maria Luís, do extremista Passos ou do submergido Portas, o culpado é o Leite, como diriam os putos estes gajos têm cá uma leiteira!

PS: alguém com um mínimo de inteligência acredita que Leite Martins tenha tido um "vipe" e chamou os jornalistas para lhe dar conta de algumas inconfidências, sem que nem a ministra das Finanças soubesse que o seu secretário de Estado tenha enlouquecido? Leite Martins não veio das jotas nem é um MBA ambicioso, tem muitos anos de administração pública, foi chefe de gabinete de Durão Barroso e era Inspector-geral de Finanças quando foi para secretário de Estado, tem mais experiência do que mais de metade deste governo junto.


Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Vista de Lisboa desde o Miradouro de Monte Agudo
  
 Jumento do dia
    
Marques Guedes

Se alguém merece ser alvo de críticas é a comunicação social e muito menos os partidos da oposição, se Marques Guedes quer criticar alguém que critique a sua colega do ministério das Finanças, a única responsável pela informação prestada e pela sua qualidade. Mas é óbvio que para criticar a ministra é necessária muita coragem e Marques Guedes prefere dar aquele ar de político sérior e aproveita-se dos erros do seu próprio governo para dar os seus golpes baixos.

«Marques Guedes lembrou que o grupo de trabalho criado pelo executivo para estudar a matéria ainda não apresentou qualquer relatório sobre o tema e as hipóteses hoje avançadas na imprensa não vinculam o Governo.

"[As propostas] Nem sequer vinculam o grupo [de trabalho] nesta fase e muito menos vinculam o Governo ou o conselho de ministros porque ainda não recebeu nenhum relatório sobre esta matéria", sublinhou, acrescentando que a "interpretação" de alguma imprensa sobre o ponto de situação dos trabalhos nesta área é "no mínimo exagerada".

Num encontro informal com jornalistas, fonte oficial do ministério das Finanças disse que o Governo está a avaliar a possibilidade de aplicar a Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) de forma permanente, ajustando o valor das pensões a critérios demográficos e económicos, devendo o impacto da medida ser quantificado no Documento de Estratégia Orçamental (DEO) em abril.» [Notícias ao Minuto]
 
 Terão sido electrocutados?
 
Foi notícia que Cao Guangjing, o patrão de Catroga e Mexia, foi afastado da eléctrica chinesa e o assunto quase nem foi notícia e passadas poucas horas o assunto foi banido da comunicação social. Digamos que para os nossos jornalistas serem electrocutados nem é necessário meter-lhe o cabo no dito cujo, basta recordar-lhes o peso da publicidade da EDP nos seus ordenados.

 Onde está Paulo Portas?
 
Paulo Portas deve estar a bordo de um dos seus submarinos pois desapareceu da comunicação social como se fosse o Cao da EDP. Nem mesmo a confusão que se assistiu na sequência do briefing do ministério das Finanças o fez aparecer, ele que consta ser o coordenador económico do governo.
 
 Do it for Denmark!


Cá foi o Passos Coelho que assumiu a tarefa por todos os portugueses.
 
      
 Passos Coelho, o calcinhas português
   
«Em mais uma reação ao "Manifesto dos 70", que tão nervoso deixou o governo, Passos Coelho disse que ele revela "uma concepção infantil, nem sequer é política, da Europa". Infantil porquê? "Estão a falar de uma Europa que não existe, nem existirá e ainda bem, porque ninguém aceitaria uma Europa em que uns poupam para que outros possam gastar". Repare-se que Passos não apela a um suposto realismo. Ele diz que ainda bem que a tal Europa não existe. E explica que essa Europa que felizmente não existe é aquela em que uns poupam e outros gastam. A dicotomia não é entre credores e devedores, centro e periferia, economias mais e menos desenvolvidas. Nada disso. Ele remete-nos para distinções éticas. Uns são poupados, outros gastadores. Eles vítimas pacientes, nós abusadores infantilizados.

Podia discutir a infantilidade (devolve-se o epíteto) deste ponto de vista. Mas isso obrigar-me-ia a descer o nível intelectual do debate até à imbecilidade. Não consigo. Poderia mostrar, através de quase todos os dados fundamentais, como este preconceito racista (estou a medir as palavras) é contrariado por quase todos os factos. Mas isso só faria sentido se estivesse a discutir com alguém que não conhece a realidade do País. O preconceito perdoa-se ao ignorante. Podia indignar-me com a utilização de estereótipos como arma política. Mas isso só faria sentido se estivesse a debater com um qualquer político estrangeiro e me visse obrigado a defender o bom nome de Portugal. Na realidade, tal como disse Constança Cunha e Sá,  apenas um líder de um partido de extrema-direita do norte da Europa teria o desplante de fazer este tipo de simplificação das relações entre Estados membros da União Europeia e lançar este anátema sobre os países periféricos. Acontece que esta frase é do primeiro-ministro de Portugal. É ele, e não Angela Merkel ou mesmo Marine Le Pen, que se encarrega de alimentar o preconceito contra os portugueses.

Indigna-me a insensibilidade social de Passos Coelho, que muitas vezes se evidencia na frieza com que fala do "ajustamento interno" (que, traduzido para a vida prática, corresponde ao engrossar do exército novos pobres vindos da classe média, que deixaram de poder comer peixe e carne ou de aquecer a casa). Mas poucas coisas me deixam mais perplexo do que o seu deslumbramento provinciano. Um sentimento comum em muitos portugueses, que se traduz nos elogios ao que se faz "lá fora" e à autoflagelação por coisas que "só neste País" acontecem. Um complexo de inferioridade que é responsável por muitos dos erros que cometemos no passado recente, a começar pela falta de sentido critico que mantivemos em todo o processo da nossa integração europeia. Mas como Passos Coelho a coisa chega a um ponto que roça o racismo contra nós próprios. Se isso seria incómodo em qualquer cidadão, num primeiro-ministro de um país em crise, deprimido e intervencionado por instituições externas, é assustador. Como pode o governo negociar com outros Estados e instituições externas se o homem que o dirige é o primeiro a produzir o argumentário e a reproduzir os preconceitos que são usados contra o seu próprio povo?

No passado, quando Portugal ainda tinha um Império, usava-se um termo para os mestiços assimilados, que supostamente queriam ser considerados "civilizados". Eram os "calcinhas". Apesar da ter várias leituras, conforme quem a usava, a expressão era geralmente pejorativa e carregada de preconceito. O africano podia fazer o esforço para se vestir como o branco, falar como o branco e até pensar como o branco. Podia também ser mais instruído que o colono vindo das berças. Aos olhos do branco, nunca seria um deles. Um "preto de calcinhas", mas um "preto". É uma coisa que o nosso "calcinhas" um dia perceberá sobre si próprio e o papel que decidiu desempenhar nesta Europa em crise: que se pode esforçar para repetir o que os líderes das Nações que ele considera "civilizadas" pensam sobre esta "piolheira" e a excelente opinião que têm - e ainda bem para eles - sobre os seus próprio Países. Pode até dizer o que apenas o alemão mais preconceituoso pensa de nós. Será sempre apenas e só "the nice guy", como lhe chamou Angela Merkel quando o conheceu. Um "tuga" que gostaria de não o ser e que vive deslumbrado pelo seu próprio "colono".» [Expresso]
   
Autor:
 
Daniel Oliveira.
   
   
 O peixe das águas profundas veio à superfície...
   
«Jaime Gama, antigo presidente da Assembleia da República, foi hoje eleito, por unanimidade, em Ponta Delgada, para presidente do conselho de administração do Banco Espírito Santo (BES) dos Açores para o triénio 2014/2016.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Era assim que o designava Mário Soares que agora poderá dizer que em vez de um político de águas profundas passa a ser um bancário de notas superficiais.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  
 Boas novas do ajustamento bem sucedido
   
«"Com índices de gravidade diferentes, Portugal está com problemas sociais graves, mas são praticamente os mesmos que foram identificados pelo Chipre, pela Grécia, pela Itália", disse Eugénio Fonseca à Lusa no final da apresentação de um relatório da Cáritas Europa, em Atenas.

O relatório "A crise europeia e o seu custo humano" analisa o impacto das políticas de austeridade que estão a ser aplicadas nos países da UE mais afetados pela crise (Portugal, Chipre, Grécia, Irlanda, Itália, Roménia e Espanha) e os seus efeitos na vida das pessoas.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Aos poucos a imagem de sucesso vai dando lugar á realidades.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
   
 Mais boas novas do ajustamento bem sucedido
   
«O presidente da Federação das Associações de Dadores de Sangue (FAS) denunciou hoje que "há gente com fome que quer mas não consegue dar sangue, porque tem as hemoglobinas em baixo, por não comer o que devia".

O alerta foi dado por Joaquim Moreira Alves, durante a cerimónia que assinala o Dia Nacional do Dador de Sangue, que juntou dezenas de dadores no Parque da Saúde, em Lisboa.

Na sua intervenção, Joaquim Moreira Alves, presidente da FAS, revelou-se preocupado com as consequências da fome na saúde de alguns dadores que, ao serem confrontados durante o exame médico com os níveis baixos de hemoglobina, não podem doar sangue.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Isto está a ficar feio.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se os parabéns ao Lambretas.»
   
   
 Ridículo
   
«O Governo aprovou um conjunto de medidas de simplificação e modernização administrativas, destinadas a modernizar a Administração Pública, em particular, o atendimento ao público.

Entre as medidas aprovadas esta manhã em Conselho de Ministros e anunciadas pelo ministro Marques Guedes, está a possibilidade da dispensa de apresentação de documentos ou de informação já detida pela própria Administração Pública (mediante o seu prévio consentimento), bem como a «desmaterialização e utilização de novas tecnologias em diversos aspetos da atividade administrativa».

Foi igualmente aprovada a criação de uma «Linha do Cidadão», na qual estarão todas as outras linhas públicas telefónicas de atendimento nacional.» [A Bola]
   
Parecer:

Ao fim de mais dois anos sem terem feito o que quer que fosse na modernização do Estado inventam umas colheres de pau para poderem dizer que estão fazendo alguma coisa. Estão a mudar os nomes para inventarem trabalho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   
 Uma anedota chamado Maduro
   
«Com o primeiro-ministro em Maputo e a ministra das Finanças em Washington,  Miguel Poiares Maduro, o ministro adjunto e responsável pela comunicação do Governo, não foi informado do encontro que quarta-feira decorreu nas Finanças com jornalistas de seis orgãos de comunicação social. "O Governo no seu todo foi surpreendido", confirmou ao Expresso fonte oficial.

A informação divulgada e que preencheu parte das manchetes dos diários enfureceu o primeiro-ministro, que prontamente desmentiu as informações que correm em Lisboa pedindo "serenidade" aos membros do Governo e classificou como "especulação" as notícias sobre novas fórmulas de cálculo das pensões.

Fonte próxima do primeiro-ministro, em Lisboa, confirmou ao Expresso que "o Governo tem tentado evitar passar para a imprensa informação que não cola com a realidade, mas desta vez correu mal".» [Expresso]
   
Parecer:

Pobre coitado, o ministro dos briefings foi rasteirado por um briefing.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
     

   
   
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quinta-feira, março 27, 2014

A culpa, a condenação e a expiação

Quando se pensa que o mundo evolui eis que somos surpreendidos com os valores ideológicos de jovens políticos, quando pensamos que certas ideologias estão escondidas em sacristias de aldeia eis que motivam a actuação de governantes, quando pensamos que estes frigoríficos ideológicos se abrem apenas em países como a Polónia ou a Ucrânia eis que chegam ao poder em Portugal.
  
Se tentarmos identificar traços ideológicos em Passos Coelho sentimos a tentação de dizer que não existem e o seu pensamento resulta de se sentar em cima de livros sobre Salazar. Mas Passos Coelho tem dois comportamentos que Salazar não tinha, não se movia pelos valores mais retrógrados do catolicismo nem via o país com a distância de quem não se sente um cidadão desse país.
  
Todo o discurso ideológico de Passos Coelho assenta na culpa, na condenação eterna e na expiação dos pecados, não estamos apenas perante meros valores, estes princípios estão presentes em todos os discursos do primeiro-ministro e não se limitam apenas a condicionar as opções das medidas que adopta para a economia, a sua política económica não assenta em princípios ou fundamentos de teorias económica, assenta em valores religiosos, é determinada por aqueles três conceitos, a culpa, a condenação e a expiação.

Compare-se, por exemplo, a perseguição que o cristianismo e, em particular, o catolicismo moveu contra o povo judeu com a forma como o PSD considera os funcionários públicos. Os judeus eram culpados e condenados para a eternidade por terem morto Jesus, precisamente os judeus elogiados por terem sido perseguidos pelos romanos, os mesmos judeus que promoveram o cristianismo. Também os funcionários públicos não valem pelo que são mas sim porque são despesa pública, não são médicos ou engenheiros, são impostos e despesa, não salvam ou protegem vidas, destroem e corrompem a sociedade. Por isso os funcionários devem pagar, devem ser tatuados e marcados, devem ser condenados e todas as penas que se lhe aplicarem são para toda a posterioridade.
  
Assim como os padres mais retrógrados condenam todo o seu rebanho por serem pecadores, as mulheres por serem a fonte de todos os pecados, também este governo condena todo o povo pelo pecado da gula, pelos excessos do consumo, e trata os pensionistas como o exemplo de todos os pecados, os pensionistas estão para Passos Coelho como a prostituta estava para o padre medieval.
  
Como era de esperar os acólitos seguem os valores ideológicos do chefe e se forem gente fraca de cabeça, gente com complexos por serem coxos ou pequeninos, gente que no passado incomodou o chefe, são agora mais extremistas e chamam a si o papel de inquisidores. Quando as opções políticas ou económicas são tratadas como um pecado mortal que deve ser espiado, não admira que surjam santas inquisições. Não se discutem ideias ou propostas, as ideias do chefe são dogmas invioláveis e quem os viola merece a condenação eterna e são pecadores que não merecem qualquer consideração.
  
Enquanto Passos persegue um país que na opinião de quem se sente eternamente em África e o vê à distância deve ser condenado para daí resultar a purificação, os seus acólitos devem prometer a impunidade e a condenação de todos os pecadores. Enquanto Passos lidera este movimento religioso os seus fieis mais subservientes, como é o caso de Paulo Rangel, querem assegurar que estarão na primeira fila dos que entrarão no céu e chamam a si a pesada tarefa de fazer o trabalho sujo da nova santa inquisição, apontando e denunciando publicamente os culpados.
 
 

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Petinha-dos-prados, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Luís Montenegro

Luís Montenegro está convencido de que a sua palavra tem grane valor e voltou a repetir as garantias de que não haverão mais cortes em salários e em pensões. O problema do líder parlamentar do PSD é que a sua palavra não pode valer mais do que a de Passos Coelho e, como é sabido, a palavra do líder do PSD vale tanto como as acções da antiga Torralta.

Estamos perante truques de linguagem pois mal se apercebeu do erro de ter afirmado que ia ser mais troikista do que a troika que Passos Coelho e o PSD nunca assumem as suas decisões, dizem sempe que não desejavam as medidas que adoptaram mas a isso foram obrigados por causa do memorando ou a mando da troika.

«O líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro, reiterou hoje na Assembleia da República que os funcionários públicos não vão ser afetados por mais cortes. O social-democrata assegurou ainda que caso sejam necessárias medidas extras, estas não irão passar pela redução de salários ou pensões.» [Notícias ao Minuto]
 
 Hipocrisia

Hipocrisia é festejar um crescimento estimulado pelo consumo quando durante quase três anos se pretendeu exactamente o inverso.
   
   
 Chove como na rua
   
«Esta nova regra da Coreia do Norte foi introduzida na capital, Pyongyang, há cerca de duas semanas, e está agora a começar a ser aplicada no resto do país, de acordo com vários media asiáticos.

"O corte de cabelo do nosso líder é muito particular", disse uma fonte à Radio Free Asia. "Não fica bem a toda a gente porque as pessoas têm rostos e cabeças diferentes", referiu a mesma fonte.» [DN]
   
Parecer:

Um dia destes ainda alguém se lembra de dizer aos portugueses para terem uma barba igual à do Rangel e um penteado como o do Passos.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Bernardino Soares, o admirador luso do Kim, se também vai adoptar o penteado do anormal norte-coreano.»
  
 O Mexia vai ter ou líder
   
«O chairman da China Three Gorges (CTG), Cao Guanjing , foi afastado do cargo após uma investigação conduzida por autoridades governamentais.

Pequim encontrou provas de nepotismo e de despesismo na empresa, o que resultou no afastamento do presidente e do diretor-executivo Chen Fei.» [DN]
   
Parecer:

Pobre Mexia, vai ter de dar graxa a outro chinês.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao Catroga se já mandou um email manifestando admiração pelo novo líder ou, como diria o outro, se já lhe afagou os pentelhos.»
   
 Teixeira dos Santos assessor de Passos
   
«O antigo ministro das Finanças considera que “será muito difícil” Portugal atingir os objetivos do défice para o próximo ano “sem que haja novos cortes a nível de despesa”. Teixeira dos Santos alertou por isso, na antena do Etv, que “não se pode dar por garantido que vai haver um momento” de reposição e restituição dos “cortes que entretanto foram introduzidos”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Teixeira dos Santos anda, anda e ainda é convidado para um alto cargo de nomeação ou sugestão governamental.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
     

   
   
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