sábado, abril 19, 2014

O elogio cobarde do fascismo

Se há palavra que caracteriza os nossos fascistas é cobardia e é isso que explica que depois de 48 anos de regime no dia 26 de Abril de 1974 Portugal era o país do mundo com mais democratas por metro quadrado. A direita organizou os seus partidos e a ala liberal do regime tornou-se num firme apoiante do MFA, depois de uma designação mais populista os nossos fascistas mais envergonhados assumiram-se como social-democratas, mentira absurda que ainda hoje mantêm chegando-se ao ridículo de muitos deles estarem mesmo convencidos de que são social-democratas, os outros são perigosos “socialistas”.
  
Nenhum deles defende publicamente o fascismo, podemos apanhá-los sentados sobre livros dedicados ao salazarismo mas na hora das juras são todos democratas, cada um deles mais democrata do que os outros, um dia destes ainda vão descobrir que era a esquerda que mantinha o antigo regime. Mas se não defendem abertamente o fascismo não conseguem deixar de elogiar o regime ou de exibir tiques de outros tempos.
  
Ficaram famosas as críticas às forças da obstrução, forças que agora voltam a ser um grande incómodo. Alguma direita ainda acha que é poder por obra e graça de Deus, que o normal é o país ser governado pela direita, a esquerda é incompetente e apenas leva o país à bancarrota. Um bom exemplo desta visão messiânica e fascista do papel da direita está presente no discurso do candidato da direita às europeias, candidato que, aliás, lidera um movimento político que herda dos fascistas a mania de fazer seu o nome de Portugal. A designação “Aliança Portugal” não passa de uma manifestação de um tique fascista muito típico da direita portuguesa. A direita representa os valores nacionais, a esquerda queima bandeiras de Portugal, pelo menos era essa a propaganda do antigo regime.
  
Mas se a cobardia os impede de defender o regime de forma frontal, não deixam de ser velhacos não perdendo a oportunidade de elogiar o fascismo. O truque é sempre o mesmo, fazem a sua profissão de fé na democracia, criticam o carácter ditatorial do fascismo mas, de seguida, só encontram virtudes. Naquele tempo havia emprego, o ensino praticava o rigor, era tudo bom. Para além da repressão tudo o resto no regime fascista era virtuoso. E mesmo a repressão era bondosa, apenas perseguia os comunistas e mesmos esses pouco mais levavam do que um puxão de orelhas.
  
O último idiota a usar esta estratégia para elogiar o fascismo foi Durão Barroso, o putativo candidato presidencial da direita e ex-líder do PSD, que se fosse alemão e tivesse elogiado o nazismo estaria neste momento excluído de qualquer carreira política.


Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Estátua do Jardim Gulbenkian
  
 Jumento do dia
    
José Manuel Silva, bastonário dos médicos

Parece que a Ordem dos Médicos agora também faz de lóbi no negócio dos medicamentos.

«O Bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, diz que os doentes podem processar o Infarmed caso a comparticipação do novo medicamento para a hepatite C não seja avaliada no tempo legal, que termina no fim do mês. E diz que "não se pode aceitar" que 80 doentes estejam à espera de tratamento há três meses por falta de decisão, como o DN noticiou.

O Infarmed reagiu à notícia, referindo que "não existe demonstração que o medicamento, por si só, permita a erradicação da hepatite C em todos os doentes, nem que os doentes alegadamente à espera de tratamento com este medicamento não possam ter alternativa terapêutica". Isto apesar de os médicos referirem que apenas estão a prescrevê-lo a doentes que não reagem a outros fármacos e têm já doença grave.» [DN]
 
      
 Passos, o cristalino
   
«"Vamos ter no que respeita a salários e a pensões no futuro de os desonerar. Isso é claro. Possivelmente em 2016." 15/4/2014

"O que é importante as pessoas terem como garantia, para saberem com o que contam, é que não alargaremos estes cortes. Isso é inequívoco." 15/4/2014
"Estas medidas que são de facto temporárias vão ter de permanecer mais algum tempo." 15/4/2014

"Teremos até ao fim deste ano de substituir estas medidas por outras que vigorem daqui para a frente. À medida que ultrapassamos a situação de emergência essas medidas têm de ser de substituídas por outras que não são de emergência." 15/4/2014
"Às vezes por facilidade fala-se de medidas definitivas. Ora isso não faz sentido." 15/4/2014

"Alargámos aquele corte de salários que já vinha do tempo do engenheiro Sócrates um pouco acima da taxa dos 10% até aos 12% - começámos um pouco mais em baixo, nos 2,5% e depois até aos 12%." 15/4/2014

[Sócrates efetuou um corte médio de 5%, iniciado em 3,5% nos 1500 euros, sendo de 10% a partir dos 5000; o atual corte inicia-se com 2,5% nos 675, é de 8,61% nos 1500, de 10% nos 1800 e de 12% a partir dos 2000.]

"Os 15% de pensionistas que são abrangidos pela CES a partir de 1350 euros têm uma taxa mais progressiva." 15/4/2014 [Aplica-se este ano a partir dos mil euros.]

"A ideia de que estamos aqui a esconder essas medidas e que de facto o que vamos fazer depois é aumentar os cortes sobre as pensões e sobre os salários, isso não corresponde à realidade e não há nenhuma razão para estar a criar nas pessoas essa ansiedade." 15/4/2014

"A redução nunca será tão grande como é hoje, mas terá de continuar a existir uma redução da pensão." 15/4/2014

"Não faz sentido fazer especulação sobre um eventual corte permanente nas pensões. O debate devia ser mais sereno e informado e os membros do Governo deveriam contribuir para isso." 27/3/2014
"Se eu tivesse já a medida duradoura para poder apresentar, apresentava-a já aqui." 15/4/2014
"Há uma tentativa de criar uma ansiedade desnecessária junto das pessoas mas não é o Governo que a está a criar." 15/4/2014

"A partir de 2015 iniciaremos a reposição gradual (...) dos cortes nos salários da função pública efetivados em 2011. O Documento de Estratégia Orçamental hoje aprovado não prevê mais medidas de austeridade (...) até 2016." 30/4/2012

"O Governo já disse que não é possível repor o nível de salários e pensões como eles estavam em 2010." 15/4/2014

"Os cortes salariais assumidos este ano são temporários. Mas não podemos regressar ao nível salarial de 2011." 5/3/2014

"Não quero contribuir para criar nenhuma ideia incorrecta face àquilo que o Governo virá a decidir." 15/4/2014» [DN]
   
Autor:
 
Fernanda Câncio.
   
   
 Sócrates responde a Barroso
   
«O antigo primeiro-ministro José Sócrates afirma em declarações ao semanário Expresso que Durão Barroso “lembra-se do que não fez e não se lembra do que fez, como a política de estímulos orçamentais”. Em causa, explica a publicação, estão as declarações do presidente da Comissão Europeia sobre investimento público entre 2008 e 2010.

Sócrates entende que Durão “lembra-se do que não fez”, como por exemplo em relação ao caso BPN, mas “não se lembra do que fez, como a política de estímulos orçamentais”.

A confirmar está reação do antigo primeiro-ministro está um documento, a que o semanário Expresso teve acesso, e no qual, em 2009, a ordem da Comissão era clara: “Mobilizar o investimento privado e público com vista ao relançamento da economia e à mudança estrutural da economia a longo prazo: desenvolver parcerias público privadas (PPP)”, acrescentando que “embora o principal objetivo das PPP deva ser a promoção da eficiência (…) também podem atenuar a pressão imediata sobre as finanças públicas, proporcionando uma fonte adicional de fundos”.

Ora, salienta a mesma publicação, esta informação choca com o que há dias afirmou Durão Barroso em entrevista ao Expresso e na qual garantiu que “a União Europeia nunca disse para os países mais vulneráveis (como é o caso de Portugal) aumentarem a despesa pública”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Barroso é um nojo de político.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mande-se o Cherne apanhar gambuzinos.»

   
 Se fossem só os laranjas a estarem enjoados...
   
«A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, protagonizou recentemente mais um episódio polémico, desta vez com os militares de Abril. E parece que no seio social-democrata começa a manifestar-se algum desconforto com o que os mais desabridos classificam de postura “politicamente incorreta”, conta hoje o semanário Expresso.

Eleita, por sugestão do PSD, em junho de 2011, a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, desde logo marcou a diferença por ser a primeira mulher a ocupar o cargo. Acontece que, decorridos quase três anos, outros traços de ‘diferença’ parecem marcar o seu mandato.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Para além de ter um ar de enjoadinho a senhora enjoa qualquer um com as suas patetices e mania das importâncias e ainda por cima fala aquele português que quase precisa de um tradutor. Mas não deixa de ser curioso que só agora que a senhora teve comportamentos com consequências eleitorais o PSD comece a ficar inquieto, sinal de que por aquelas bandas a aproximação das eleições começa a enervar muita gente.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 E ao Carlos Cruz recusaram a pulseira
   
«Manuel Baltazar, de 59 anos, autor do tiroteio de ontem que matou duas mulheres e feriu outras tantas, em São João da Pesqueira, cortou a pulseira eletrónica que usava depois de ter estado preso preventivamente devido a violência doméstica sobre a ex-mulher, uma das vítimas, avança a imprensa nacional.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Pois, o Carlos Cruz representava mais perigo...
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se uma auditoria ao processo de concessão da pulseira electrónica.»
   
 Qual relatório preliminar
   
«O Governo convidou, em janeiro, três especialistas em Segurança Social para integrarem o grupo técnico que tinha como objetivo procurar a alternativa à Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES). Acontece que, todos garantem hoje ao semanário Expresso desconhecer a existência de um relatório preliminar, conforme avançou o primeiro-ministro Passos Coelho em entrevista à SIC, pelo que se consideram “meros figurantes” neste processo.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Passos mentiu e de seguida a ministra tentou limpar a mentira do chefe inventando outra mentira.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   
 Assaltaram a embaixada no Líbia
   
«A representação diplomática portuguesa em Tripoli, na Líbia, foi alvo de um assalto hoje de madrugada, tendo um dos guardas da chancelaria ficado ferido, confirmou à Lusa fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Deve ter sido para roubar pins com a bandeirinha de Portugal ou então procuravam fotografias do Passos Coelho.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
        

   
   
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sexta-feira, abril 18, 2014

A direita e o 25 de Abril

Se há qualidade que a direita portuguesa não tem nem nunca teve é a coragem, a direita portuguesa não assume os seus valores, assenta as suas estratégias na mentira e até consegue dizer-se social-democrata quando ao nível europeu está no partido da direita. Essa cobardia ficou evidente no dia 25 de Abril, desde o Rui Patrício a uma boa parte dos governantes a regra foi mijar pelas calças abaixo. Até o emproado brigadeiro Junqueira dos Reis, segundo-comandante da Região Militar de Lisboa não teve a coragem de puxa pela sua arma quando o cabo apontador José Alves Costa se recusou a abrir fogo no seu tanque M47.

Nos meses seguintes ao 25 de Abril não havia direita em Portugal e durante muito tempo os partidos da direita desdobravam-se em elogios ao MFA. Quando quiseram fazer frente ao MFA fizeram-na com recurso ao terrorismo e é bom dizer que os antecessores da alQaeda em Portugal foi a direita portuguesa. Hoje os separatistas dos Açores e da Madeira estão nos partidos da direita, os mesmos partidos onde se esconderam os terroristas do ELP.
  
As mais recentes baboseiras de Durão Barroso ilustram bem a relação desses paspalhos que andam armados em social-democratas com o fascismo. Se lhes perguntarem se são fascistas dizem que não, mas depois lá vão dizendo que antes do 25 de Abril tudo era perfeito menos os excessos da polícia e a guerra colonial. Mas alguns ainda usam o velho argumento de que a PIDE quase não fez vítimas e que morriam mais portugueses nos acidentes na estrada do que na guerra colonial. A direita portuguesa está cheia de “velhos” fascistas envergonhados e cobardes, que aproveitam todas as oportunidades para destruir o que quer que cheire a 25 de Abril e a democracia.

O recente incidente protagonizado pela senhora pensionista que foi a segunda escolha de Passos Coelho para presidir ao parlamento deu mais um exemplo de como a direita se relaciona com o 25 de Abril. Na primeira oportunidade foi mal educada, mas quando percebeu que estava ainda mais queimada do que já estava apressou-se a ir à Associação 25 de Abril. Não foi lá fazer nada, foi apenas usar Vasco Lourenço para melhorar a sua imagem, foi incapaz de assumir a decisão de impedir os militares de Abril de falar no parlamento.
  
À excepção de Humberto Delgado e de mais uma meia dúzia de personalidades a direita conviveu com o conforto que lhe era proporcionado pelo regime, só quando perdeu o poder se lembrou de ser democrática, algo que nunca tinha sido. O mais longe que foram foi terem assumido a designação de ala liberal de regime de canalhas, digamos que eram os canalhas mais liberais e simpáticos.


Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Estátua do Marquês de Pombal, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Aguiar Branco

Com este ministro nem o drone consegue levantar voo, é mesmo um desastre.


«Na visita à base naval do Alfeite, José Pedro Aguiar-Branco - acompanhado pelo chefe do Estado-Maior da Marinha, almirante Macieira Fragoso -, Aguiar-Branco assistiu à apresentação do drone e previu que o aparelho "vai ser altamente eficaz nas missões que a Marinha tem de cumprir".

Segundo a Lusa, o drone poderá efetuar "missões de busca e salvamento, fiscalização das pescas, apoio ao combate à poluição e à segurança marítima" - que são todas realizadas sob autoridade civil e não da Marinha.

Após uma primeira tentativa falhada, devido a um "erro de lançamento" do fuzileiro, o drone aguentou-se no ar e cumpriu o plano de voo previamente definido pelo centro de operações. "Isto justifica que é sempre necessário investir muito no treino para que na hora certa as missões não falhem", observou o ministro.» [DN]

PS: o drone não caiu ao malagueiro, foi intencional, convencido de que o ministro ainda era o Paulo Portas decidiu armar-se em submarino! É que depois da passagem de Portas por aquele ministério tudo anda com tiques de submarino.

 A decadência do regime

O aparecimento de notícias sobre escutas a Passos Coelho depois de terem estado na gaveta durante oito meses é um sinal claro de decadência do regime, domínio em que a nossa justiça tem um faro especial. É preciso perceber o fim próximo de um líder político para que a justiça e os jornalistas comecem a organizar os seus julgamentos de rua.

 Uma solução para o mau cheiro provocado por este governo


Quem quiser oferecer umas Subtle Butt pode comprar aqui.

 Ucrânia

Tanta retórica contra os terroristas russo por parte dos extremistas de Kiev e no fim os soldados ucranianos desertam e entregam os tanques aos tais terroristas. Enfim, mais uma guerra civil promovida por Obama e Merkel onde nenhum dos dois tem a coragem de se meter. Começa
 
 As ministras não são nacionalistas?

Já repararam que só os ministros é que usam o pin com a bandeira nacional? Será que as ministras são espanholas ou acham que as bandeiras ficam mal nas suas vestes dignas de cabeleireiras de Massamá?

Se calhar os pins não são muito adequado para a indumentária das senhoras, neste caso o ideal seria criar um broche com a bandeira para que as nossas elegantes senhoras o possam usar orgulhosamente na lapela.

 O cinismo

Marques Guedes resolveu responder aos capitães de Abril com o mesmo cinismo com que respondeu às exigências de Cavaco Silva. Mas se em relação a Cavaco estão bem um para o outro em matéria de cinismo, já em relação a uma possível intervenção da Associação 25 de Abril foi um pouco mais longe nas suas considerações.

Marques Guedes defende que o parlamento está reservado aos elitos pelo povo e tem toda a razão, o problema é que vamos ter um parlamento num sítio e o povo a comemorar o 25 de Abril noutro, isto é, em vez de respeitar os seus eleitos profissionais o provo vai preferir os que lhe deram a democracia.

A que povo se refere Marques Guedes? É ao povo que em grande parte não vota, ao povo que não tem qualquer consideração pelos seus deputados, ao povo que não tem qualquer consideração pelo parlamento. E com políticos profissionais e cínicos como Marques Guedes o povo tem rtoda a razão em divorciar-se de uma classe política de mangas de alpaca.

 
 Uma notícia que não comento

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Esta notícia é um petisco para atacar qualquer governo e ciclicamente aparecem notícias deste género. Não me esqueço, por exemplo, do famoso debate a propósito da vacina contra a meningite, o governo de então quase foi forçado a adoptar a vacina quando se soube que o médico que mais estava empenhado na salvação das criancinhas iria ganhar uma comissão por cada vacina vendida.

O negócio dos medicamentos é dos mais sujos e corruptos do país e desde as farmacêuticas a médicos sem quaisquer escrúpulos há muita gente a enriquecer co este negócio que por vezes tem contorno mafiosos. Não deixa de ser estranho que com a redução das margens do negócio surjam sucessivos incidentes envolvendo os medicamentos inovadores, precisamente os mais caros e rentáveis.

As coisas começam sempre da mesma forma, um jornal dá a notícia com base em informações de médicos e a bola começa a rolar porque ninguém concorda que alguém sofra por falta de um medicamento. O problema é que não confio nem nos jornais, nem nos médicos e confesso que há muito que não tenho grande confiança na Ordem.
 
      
 Jornais que por trás parecem uma velha
   
«O regresso de Ricardo Araújo Pereira (R.A.P.) foi um falhanço, como dizem os títulos dos jornais: na estreia, o programa de humor Melhor do que Falecer ficou aquém da novela da SIC. Share do infeliz: 25,9 por cento; share da novela: 29,4 por cento! Comparação tão adequada só me lembro do vinho Barca Velha 1966 que vendeu menos garrafas do que o carrascão ribatejano vendeu de tonéis de 200 litros. Nesse ano, o share do carrascão traçado a gasosa foi arrasador nas tabernas do Bairro Alto enquanto no vizinho restaurante Tavares só se abriram duas Barca Velha. Essa é a verdade dos números e ainda bem que os jornais sabem comparar. Depois de fazer um belo genérico com a voz do Camané, escolher para companheiro Miguel Guilherme que só com o levantar do sobrolho esquerdo diz mais do que as falas dos 164 episódios da tal novela e logo no primeiro programa fazer um texto para pensar e um texto para rir, R.A.P. não fez mais nada. R.A.P. é só um génio mas o povo português não está para essas inutilidades, pensar e rir. R.A.P. acabou a interpretar um popular atazanado com um drama nacional pouco falado. Perguntou às autoridades: "O que é que está a ser feito no âmbito das crianças que vistas por trás parecem uma velha?" No seguimento, aos jornais portugueses - que, como se sabe, são um primor de qualidade e um modelo de negócio com sucesso - deu-lhes para comparar shares... O balanço é este: R.A.P. e jornais, dois grandes momentos de humor.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
   
   
 Uma vergonha
   
«Nenhum dos especialistas em Direito e Segurança Social nomeados pelo Governo para estudar uma "solução duradoura" para substituir a Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) foi informado sobre as medidas que estão prestes a ser tomadas. O anúncio do primeiro-ministro de que o "relatório" está pronto apanhou todos de surpresa. 

Foram cinco os especialistas convidados pelo Governo, em Janeiro, para integrar o grupo técnico que iria preparar uma solução para tornar definitivos os cortes das pensões introduzidos pela CES, que começa nos €1000 brutos, e para propor medidas de sustentabilidade para os actuais regimes de pensões público e privado.

Segundo o que o Expresso apurou, todos estes especialistas independentes foram apanhados de surpresa pelo anúncio, feito terça-feira por Passos Coelho na SIC, de que teria recebido, na véspera, um relatório que encerrava a questão. Até ao final do mês, o Governo estaria pronto a tomar uma decisão, segundo declarações do primeiro-ministro em entrevista a José Gomes Ferreira.» [Expresso]
   
Parecer:

Este governo não respeita nada nem ninguém, nem mesmo nem os seus colaboradores sabe respeitar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Para a próxima vez não aceitem entrar em grupos de estudo fantoches.»
  
 Já não é na Trafaria
   
«O ministro da Economia, Pires de Lima, tentou lançar o tema das infra-estruturas prioritárias no início da audição na comissão parlamentar de Economia e Obras Públicas com uma semi-provocação ao PS. "Interpreto o silêncio como uma aprovação ao PETI" (Plano Estratégico de Transportes e Infra-Estruturas), documento que elege 59 investimentos prioritários a lançar ainda nesta legislatura.

Mas foi preciso esperar pela intervenção da ex-secretária de Estado dos Transportes do primeiro governo Sócrates para a discussão aquecer. Ana Paula Vitorino qualificou o plano de embuste, uma vez que não está sustentado em estudos de viabilidade, parecendo resultar sobretudo da recolha de projectos antigos que estavam nas empresas públicas do sector.» [i]
   
Parecer:

Este secretário de Estado dos Transportes além de ter um penteado original é um gajo muito sério.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
     

   
   
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quinta-feira, abril 17, 2014

O sistema fiscal paralelo

Com os contribuintes a soçobrar face ao peso dos impostos tradicionais os nossos políticos, uns rapazes que nesta coisa de sacar são sempre muito criativos, desdobram-se em novas ideias para criar mais impostos, desta vez disfarçados de medidas de higienização colectiva. O objectivo não é arrecadar receitas fiscais, antes pelo contrário, estas receitas são um dando colateral de um objectivo mais importante, o bem comum.

Ainda esta semana soube-se que António Costa pretendia ficar com a gestão das empresas de transporte de Lisboa, a Metro e a Carris, contando com as multas e os parquímetros para financiar o seu défice. Isto é, as empresas até aqui financiadas pelos impostos passariam a ser financiadas geradas por receitas resultantes da educação dos Lisboetas em matéria de trânsito e estacionamento. Está-se mesmo a ver que daqui a uns anos, quando se pretendesse renovar a frota da Carriso autarca de serviço iria decidir acabar de vez com algum mau comportamento típico dos portugueses.

Quando precisou de dinheiros para financiar o seu ministério, provavelmente para renovar a frota automóvel, a ministra Cristas inventou uma taxa sobre as grandes superfícies. O objectivo já foi esquecido e agora serve apenas para financiar os luxos ministeriais. Aliás, se fosse feita uma auditoria aos serviços públicos iria descobrir-se que em muitos ministérios os cortes orçamentais foram compensados por um aumento das receitas em taxas e serviços diversos. Veja-se, por exemplo, a fortuna que o IMTT tem feito em multas do imposto de circulação sobre carros que já não existem há anos.

Esta semana o governo veio com mais uma preocupação, agora anda preocupado com o abuso do açúcar e do sal, pelo que se prepara para lançar mais uma taxa. Por este andar tudo o que faça bem à saúde, tudo o que leve as pessoas a não fazem exercício, ou as muitas causas de problemas de saúde poderão dar lugar a taxas e multas.

Aos poucos via-se construindo um segundo sistema fiscal, temos o tradicional que resulta das obrigações cívicas dos cidadãos e agora temos um segundo que se justifica com as preocupações do Estado com o bem-estar e saúde desses mesmos cidadãos. Cada português deve ficar grato por pagar o IRS, o IMI, o IVA e todos os outros impostos, mas também devem ficar gratos ao Estado porque este lhes protegeu a saúde cobrando taxas e multas.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Grafitti do MRPP, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Miguel Macedo, ministro da Administração Interna

Compreende-se que Miguel Macedo se apresse a manifestar a sua disponibilidade para ir ao parlamento depois de para isso ter sido solicitado pelo seu próprio partido, ninguém esperaria outra resposta. Mas há um pequeno senão nesta resposta, tanto mais que Macedo não é novato nestas andanças parlamentares, nem como governante, nem como deputado da maioria e nem como deputado da oposição.

O ministro não vai ao parlamento por estar mais ou menos disponível, bem disposto e com paciência para aturar deputados, vai ao parlamento porque ali é a sede da democracia e como governante é perante o parlamento que é obrigado a responder.

Sejamos mais rigorosos com a linguagem sff, principalmente quando estão em causa valores e princípios basilares da democracia.

«Fonte do Ministério da Administração Interna disse à agência Lusa que Miguel Macedo já informou o presidente da comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, Fernando Negrão, que estava disponível para prestar esclarecimentos no parlamento.

A disponibilidade do ministro da Administração da Interna surge após um requerimento apresentado pelo PSD para uma audição de Miguel Macedo à comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.» [Notícias ao Minuto]

 A ideia brilhante do grandioso Marcelo

Marcelo Rebelo de Sousa teve uma brilhante ideia, a tontinha do arraial de São Bento devia ter aceite a exigência da Associação 25 de Abril mas na condição de Ramalho Eanes ser um dos oradores. Só que Marcelo é professor de direito e não de história, confundiu o 25 do quarto mês do ano com o do décimo primeiro, Eanes nada fez no 25 de Abril, nasceu para a democracia uns meses mais tarde. Pertenceu ao MFA mas a sua adesão foi posterior ao 25 de Abril.

Se Sá Carneiro não tivesse morrido Marcelo ainda se teria lembrado dele, foi esse o seu candidato presidencial contra a candidatura de ... Ramalho Eanes. E porque não o Zeca Mendonça, se calhar era cabo no dia 25 de Abril...
 
 A mentira do dia

O livro da autoria do jornalista Ferreira da SIC Notícias onde o conhecido parlante se armou em Nobel da Economia e diz ao país dos idiotas como vai ser salvo está sendo retirado das bancas. O Jumento apurou que não se trata de um acto de censura, foi o próprio jornalista que depois de entrevistar Passos Coelho achou que o país já pode dispensar os seus serviços de salvador da pátria.
 
 Coisa estranha

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Roubado ao 365 Forte

Na sua entrevista ao jornalista da SIC Notícias Passos Coelho agendou medidas para 2016 e até ao momento ninguém veio a público perguntar-lhe se negociou o prolongamento da legislatura com a troika ou se foi uma borka de Cavaco. Da forma como este absurdo presidente tentou negociar a antecipação do fim da legislatura não admiraria mesmo nada que também se lembrasse de negociar o seu prolongamento com o seu primeiro-ministro.
 
 Desaparecidos em combate

Pires de Lima teve uma entrada fulgurante na cena política, até parecia que a RTP tinha contratado George Clooney para entrar na sua novela "Bem-vindos a Beirais", o homem ainda não tinha tomado posse e já era um sucesso, ficou-se com a impressão de que os nossos jornalistas tinham tomado banho numa piscina da Super Bock e estavam fartos de beber cerveja.

O homem chegou e num instante Portugal era um caso de sucesso e o nosso bom Pires de Lima destronou a Santinha da Ladeira tomando o seu lugar de santinha milagreira, a Santinha da Ladeira teve de emigrar para a França e no seu lugar ficou a Santinha da Horta Seca. Até há quem diga que a Dona Cavaco deixou de consultar a Nossa Senhora de Fátima e ofereceu-se à Santinha da Ladeira como sua porta-voz para assuntos da troika.

Pires de Lima foi de milagre em milagre até que começaram a surgir uns indicadores económicos desavindos, coisa do paganismo local. A verdade é que a Santinha da Horta Seca anda muito desaparecida e já se sente a falta dos seus milagres, juntou-se aos outros desaparecidos do CDS, a Cristas e o nosso divertido Lambretas.
 
 O Durão Barroso também tirou uma selfie

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 A culpa foi do Ferreirita

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 Ucrânia

Ao que parece, na Ucrância ser cidadão ucraniano de origem russa e discordar do poder de Kiev equivale a ser terrorista. Isto está a ficar bonito.

      
 O inalienável direito à garganta funda
   
«Não é um qualquer. Foi reeleito presidente do maior grupo parlamentar europeu, o Partido Popular Europeu, e é dos mais influentes a preparar a substituição de Durão Barroso. Joseph Daul, de 67 anos, é um conservador francês, deputado europeu pela direita. Ontem deu uma entrevista a um jornal da sua região, Dernières Nouvelles d"Alsace, isto é, falou com cuidado, para quem o elege. Perguntaram-lhe como motivar os jovens sobre a Europa. Respondeu: "Digo-lhes que quando tinha a idade deles e ia a Khel, na Alemanha, a poucos quilómetros de minha casa, para ver um filme pornográfico, proibido em França, perdia horas na alfândega e chegava atrasado. Quando digo isto aos jovens eles percebem o que a Europa quer dizer." Joseph Daul não respondeu ao lado, falou certo. No ano passado, escrevendo sobre o 25 de Abril, lembrei-me do Sr. Glória, dono de uma papelaria na Alameda, frente ao Instituto Superior Técnico. Por aqueles dias de 1974, antes do grande dia, era comum haver manifestações. O comerciante, que servia uma cliente, não levantou a cabeça quando disse: "Ontem lá houve mais bordoada entre estudantes e polícias." Fez mal em não levantar a cabeça, não reparou num desconhecido. Este era um guarda da PSP que "logo lhe deu voz de prisão" (relatou o Diário de Lisboa, 1-2-74). O Sr. Glória foi a tribunal por "propagação de boatos". A liberdade é sagrada. Incluindo ver filmes pornográficos e não levantar a cabeça quando se fala.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
      
 Governo cheio de medo
   
«Assunção Esteves não permitiu que um representante dos capitães de Abril, acaso Vasco Lourenço, falasse no Parlamento, durante as comemorações dos 40 anos da Revolução. E acrescentou: "Se não quiserem estar presentes nas cerimónias, o problema é deles." Em duas penadas, a presidenta da Assembleia da República reduziu a subnitrato a imagem de simpatia que conquistara e arrogou-se o triste e subalterno papel de recoveira do Governo.

Os capitães de Abril irão falar cá fora, porventura nas escadarias do majestoso edifício, certamente vigiados e mantidos por cordões de polícias de choque e afins. No hemiciclo, ouvir-se-ão os discursos mais ou menos veementes dos partidos, e a habitual prosa fúnebre dita pelo dr. Cavaco, escrita por outro.

Reconheço que nesta ocasião autorizar a subida ao púlpito de um representante dos capitães é um risco perturbador. O País está de pantanas; este Governo desgraça-nos e ao nosso futuro; a população passa fome; os nossos miúdos vão para a escola em jejum; os suicídios aumentam; e a democracia das incertezas, habitada por uma dinâmica de divisão nacional, realiza o acelerado retrocesso civilizacional. O caos instalado criou múltiplas tensões latentes ou declaradas, e percebe-se que basta uma pequena faísca para se registar uma grande explosão.

Por outro lado, impedir a fala a um homem que nos proporcionou a liberdade sem caução constitui sinal de fraqueza do Executivo, cujos membros já só saem à rua rodeados de "gorilas" e no meio de gritarias protestatárias que chegam a ser assustadoras pela qualidade das indignações. O Governo, este, que induziu o medo e o horror de viver nos portugueses, está, ele mesmo, cheio de medo, um medo múltiplo e viscoso. Assunção Esteves foi outra das demonstrações desse medo, lamentavelmente expresso por uma mulher que parecia "disagionata" desta irracionalidade que nos está a dizimar. Ramalho Eanes disse, há dias, na Gulbenkian que a fome, o desemprego, a indeterminação estão a cindir a coesão nacional. As afirmações foram feitas num colóquio que levara o título, tão absurdo como ardiloso, de "Valeu a pena o 25 de Abril?", cuja natureza mais parecia destinada a esfolar a Revolução do que a celebrá-la. Mário Soares insurgiu-se com o carácter subterrâneo da pergunta, acentuando que "tudo no 25 de Abril valeu a pena." O "dia inicial/ inteiro e limpo", de Sophia, continua generoso e até permite acções tão perversas como a de Assunção Esteves ou a velhacaria do tema do tal colóquio.

Da inutilidade compacta do bate-papo na Gulbenkian à decisão repressiva da presidenta vai o pequeno espaço do nada. Numa recente sondagem, regista-se que a Revolução de Abril mais do que valer a pena foi o incidente luminoso de um novo tempo, que ainda não terminou.» []
   
Autor:

Baptista-Bastos.
      
 Impulso jornalístico
   
«Deu-se ontem, na entrevista de José Gomes Ferreira a Pedro Passos Coelho, um momento de verdade suprema. Durante toda a tarde, em antecipação de uma conversa entre um enamorado pela austeridade e um apaixonado pela austeridade, tinham chovido propostas de perguntas de um a outro: “Porque não foi mais longe?”, era a mais fácil de prever. E claro que apareceu.

A realidade, porém, não só ultrapassou a imaginação como a atropelou e fugiu. No único momento em que José Gomes Ferreira se lembrou de insistir numa pergunta, Pedro Passos Coelho franziu o sobrolho e levou o jornalista a escusar-se: “Desculpe, foi um impulso jornalístico”.

Quando um jornalista pede desculpa por fazer jornalismo, está tudo dito. Um dia, este Governo conseguirá que os juízes peçam desculpa por fazer justiça, os pensionistas por estarem vivos e os desempregados por ainda não terem emigrado.

De resto, foram vários os “impulsos jornalísticos” que foram suprimidos durante a entrevista. Da dívida e da sua reestruturação, nada se disse. As europeias foram mencionadas, como de costume, como uma mera paragem do autocarro político. Ideias para o futuro de Portugal na União Europeia, zero; para qualquer futuro que não passe pela austeridade, menos do que zero.

Assim, de repente, há meia dúzia de impulsos jornalísticos que valeria a pena deixar aqui para a próxima vez que o primeiro-ministro for visto em frente a um jornalista. Seria importante saber como Pedro Passos Coelho vê o maior êxodo de portugueses desde os anos 60, que ocorreu durante o seu Governo. Seria importante saber como pensa Pedro Passos Coelho atingir a sustentabilidade da dívida através de previsões de desempenho económico que praticamente não se verificaram em nenhum país europeu neste século. Seria crucial saber que aconselha ele fazer no caso de este plano dar errado.

Já que estamos em vésperas de eleições europeias, seria interessante saber quais são as ideias de Pedro Passos Coelho para a União Europeia – se é que tem algumas. Se é a favor, ou não, de uma mudança dos tratados. Como vê a eleição de um governo europeu, e se ela deve ser por via parlamentar ou direta. Já agora, poderia não ser mau perguntar-lhe como acha que deve a União reagir perante a crise russo-ucraniana.

O que é mais extraordinário de tudo isto é que Pedro Passos Coelho conseguirá, entre a letargia da oposição e a aquiescência dos jornalistas, fazer passar a ideia de que a estabilização na crise do euro e a correspondente descida das taxas de juro e do risco da dívida nacional não tem nada a ver com os efeitos da ação de Mario Draghi ao nível central europeu. E, com essa letargia, essa aquiescência, e a distração generalizada, Pedro Passos Coelho prepara-se para sair relativamente incólume de três anos devastadores para a economia, a sociedade e o estado de direito português.

Quando se escrever a história destes anos, a culpa do que sucedeu não será apenas da ação do Governo e da troika, mas muito da omissão de quem os deveria ter responsabilizado por essa ação.» [Público]
   
Autor:

Rui Tavares.
   
   
 Financiar Metro e Carris com as multas e o estacionamento?
   
«O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa (PS), admite que as receitas dos parquímetros e as multas de estacionamento possam vir a financiar a gestão da Carris/Metro na capital. O autarca está interessado na concessão da empresa e foi mandatado para negociar de imediato com o Governo a gestão do Metro e da Carris por um período entre cinco e 10 anos. 
  
Quanto ao modelo de gestão e financiamento, Costa explicou na Assembleia Municipal: "Não considero que o município possa dizer que deseja assumir a gestão [da Carris e do Metro] num modelo em que o município manda e o Estado paga. Ao assumirmos essa responsabilidade, temos de assumir também que isso implica necessariamente a predisposição, de forma equilibrada, de assumir também o financiamento dos transportes públicos." Por isso, assumiu que "a política de estacionamento deve financiar também os transportes públicos de Lisboa".» [CM]
   
Parecer:

A ideia é original o problema é que Portugal começa a ser o país das ideias originais, como a carga fiscal brutal chegou ao seu limite os governantes estão criando um duplo sistema fiscal, desta vez arbitrário e sem regras, alimentado por multas e taxas dos mais variados tipos.

Dantes os cidadãos sabiam quanto iam receber de vencimento e pensões e podia ir à rua descansado, agora não tem qualquer segurança quanto às sua contas e quando vai à rua tem se atravessar numerosas armadilhas políciais onde polícias sem escrúpulos comandados por políticos ambiciosos estão emboscados para extorquirem dinheiro a cidadãos descuidados.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
  
 O capital é um Deus
   
«Vitor Bento considera que é um erro se o país centrar a sua estratégia face à Europa na reestruturação da dívida. Conselheiro de estado considera que, ao invés, o principal problema do país passa por conseguir “taxas de crescimento que lhe assegurem a estabilidade financeira”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Que divertido, o suposto grande economista anda armado em suposto ideólogo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 António Barreto sai da liderança do Tea Party Tuga 
   
«António Barreto vai sair da presidência do conselho de administração da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) nas próximas semanas, apurou o Económico. A decisão, tomada pelo próprio, foi já comunicada ao conselho de administração da fundação e surge na sequência de diferenças de opinião com a família fundadora em torno da estratégia da instituição em áreas como o ensino superior, onde o patriarca da família, Alexandre Soares dos Santos, tem defendido uma postura mais interventiva.

No ano passado, foi noticiado que António Barreto deixaria a presidência-executiva da fundação, para ser substituído pelo jurista Nuno Garoupa, embora permanecendo como presidente do conselho de administração. Porém, o sociólogo deixará todos cargos que desempenha na fundação, numa saída prematura que interrompe o actual período de transição e acelera a subida de Nuno Garoupa para a presidência-executiva.

Apesar de repetidas tentativas, até ao fecho da edição não foi possível obter esclarecimentos de António Barreto ou de fonte oficial da FFMS. Mas ao que o Económico conseguiu apurar, o tema do ensino superior será um dos pontos de fricção entre o cientista social e a família Soares dos Santos. Recorde-se que, numa entrevista à Renascença no final de 2013, o presidente do conselho de curadores da FFMS, Alexandre Soares dos Santos, lamentou o facto de alguns projectos na área do ensino superior demorarem demasiado tempo a implementar, devido à ausência de consenso na fundação.

"Demora muito tempo. Uma coisa que já devia estar em fase de acabamento ainda está em fase de arranque", disse Alexandre Soares dos Santos na entrevista, referindo-se a um projecto de criação de um curso de pós-graduação destinado a gestores públicos e privados.

"Ter projectos é fácil. Ter ideias é fácil. O problema é depois chegarmos ao acordo sobre que tipo de projectos vai avançar. Isso aconteceu com a FFMS: estivemos dois anos a discutir que tipo de fundação é que queríamos (...) Neste momento, estamos a discutir uma série de projectos no campo da educação. Alguns têm avançado, mas em Portugal, tentar pôr as pessoas com uma visão conjunta e sentados a uma mesa, tentar construir algo, é extremamente difícil, porque as pessoas são, por demais, individualistas. E um dos projectos que nós temos ainda não saiu da primeira reunião e já lá vão meses, porque cada um levanta o seu problema. Cada um quer impor a sua ideia", acrescentou o patriarca da família que controla a Jerónimo Martins.» [DE]
   
Parecer:

Será que o merceeiro quer vender diplomas universitários nas caixas do Pingo Doce?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
   
 Justiça simpática
   
«O advogado aguarda agora, apenas, que lhe sejam retirados os aparelhos de vilgilância electrónica.

A decisão foi tomada ontem pelos juiíes que estão a julgá-lo no âmbito do caso BPN.

A partir de agora Duarte Lima vai ficar apenas proibido de se ausentar do país sem autorização prévia do tribunal e com termo de identidade e residência.

A decisão foi tomada fora do âmbito da revisão habitual das medidas de coação e sem ser a pedido formal do arguido.» [SIC Notícias]
   
Parecer:

É um exemplo do fim da impunidade.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Constâncio se não terá sido ele a fazer o negócio de Oeiras.»
   
 Cavaco quer abrir janelas de esperança para os desfavorecidos
   
«O chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, disse esta quarta-feira que é preciso «abrir janelas de esperança àqueles que foram mais atingidos» pela crise económica.

Em declarações aos jornalistas, no final de uma cerimónia que marcou o restauro da Charola do Convento de Cristo, em Tomar, o Presidente da República escusou-se a comentar as medidas anunciadas pelo Governo, na terça-feira.» [CM]
   
Parecer:

Digamos que há uma, a emigração, agora quer abrir uma segunda para os que se quiserem atirar pela janela. Só pode ser isso, vindo deste presidente.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Quem falou em cortar gorduras do Estado
   
«O ministro Poiares Maduro propôs hoje ao Governo dos Açores a criação de uma empresa regional de produção de conteúdos audiovisuais, ficando a informação a cargo da RTP/Açores, um "bom modelo" que assegurou "não estar fechado".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Parece que o Maduro inventou uma nova solução para cortar gorduras do Estado, é o lifting, em vez das cortar suga-as e transfere-as para uma empresa do governo regional dos Açores.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao ministro se não quer um garrafão de água de malvas.»
   
 Afinal o problema não é deles
   
«A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, afirmou esta quarta-feira aos jornalistas, depois da visita à Associação 25 de Abril, que não há decisões sobre o discurso dos militares no Parlamento na cerimónia dos 40 anos da Revolução do Cravos, mas que o “carinho devido aos capitães nunca esteve em causa”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Se a cobardia fosse música a AR seria um auditório.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
   
 Portas discorda de Passos (?)
   
«Paulo Portas insistiu hoje, em Bruxelas, que "o início" do processo de "inversão da trajectória de agravamento" do IRS deverá acontecer ainda "nesta legislatura", ou seja, até outubro de 2015. O vice-primeiro-ministro diz não ver "razão" para uma "diferença" de posições com o primeiro-ministro, o qual ontem afirmou que "não há nenhuma promessa para baixar o IRS".

Em declarações registadas em Bruxelas, Portas afirmou que "o governo tem consciência da necessidade de criar condições para começar a inverter a trajectória de agravamento do IRS. O início desse processo deverá ter lugar ainda nesta legislatura", a qual termina em outubro de 2015.» [DN]
   
Parecer:

Será verdade ou encenação?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
     

   
   
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