sábado, junho 07, 2014

O nosso triplete

Se as agências de notação financeira procedessem ao rating dos sistemas políticos o nosso teria agora a classificação de lixo triplo, isto é, um triplete de lixo, o rating da Fitch para as instituições do poder seria DDD. Temos lixo no governo, lixo na Presidência da República e lixo no maior partido da oposição, uma Constituição que não se respeita nem se obriga a respeitar, tribunais em estado de sítio e o maior partido da oposição com um líder que só se percebe que o é por ter motorista.
  
No governo não está uma coligação com maioria absoluta mas sim uma seita ideológica que só conta com apoio maioritário no parlamento porque ainda tem a seu cargo a colocação do alpista nos comedouros dos deputados da maioria. Em termos eleitorais o governo jé nem nas Berlengas tem apoio maioritário dos eleitores e quanto ao CDS já ninguém sabe se ainda é o partido do táxi, o partido do riquexó puxado pelo Paulo Portas, ou mesmo o partido da charrete que só anda porque o Passos substituiu o cavalo.
  
É um governo sem apoio da população e que apenas consegue governar conta com o apoio de um presidente que parece mais ocupado a tirar selfies do que a cumprir e fazer cumprir a Constituição. Se em São Bento reina a incompetência em Belém reina a ausência, Cavaco aparece de vez em quando para fazer discursos banais, para tirar selfies e para receber as visitas dos embaixadores. Já nem serve para cortar fitas pois com este governo a única fita que há para cortar é a fita do cabelo da Paula Teixeira da Cruz.
  
Nomeio de toda esta desgraça o PS tem à sua frente um líder que gosta tanto do lugar que se arrisca a ter menos militantes do seu lado do que habitantes na Ilha do Pessegueiro. Na sua luta desesperada pelo poder está fazendo uma figura tão triste que se já não era credível para a maioria dos eleitores, agora é uma dor de cabeça para o PS. Há uma grande probabilidade de nas directas ter de contratar os arrumadores da capital para que depois de convertidos em simpatizantes do PS votem nesta espécie de sem-abrigo da política.
  
Quiseram que o país tivesse uma crise financeira a sério, agora além de uma crise financeira de proporções maiores do que a que tínhamos, temos a direita sem partidos credíveis, a oposição sem líderes democráticos, um Tribunal Constitucional que é desrespeitado diariamente por quem devia respeitá-lo ou por quem deveria obrigar o poder a aceitar a Constituição, um Estado mantido por funcionários públicos desmotivados, quase na miséria e com o desprezo pelos que permitiram que as coisas chegassem a este ponto e um Exército de soldados e generais à beira da mendicidade.


Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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janela no Chiado, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
António José Seguro

A forma como António José Seguro e a sua equipa se tem comportado nos últimso dez ddias mostas à evidência que não estão à altura de governar um país. Aos poucos vão mostrando os valores e princípios e aquilo que fizeram a um dos seus deputados evidencia os métodos a que são capazes de recorrer para se manterem no poder numa tentativa desesperada de entrarem para o governo de Portas e Passos Coelho.

«O clima de guerrilha interna que se vive no PS pela disputa dos apoios já se reflecte nos pequenos pormenores. Paulo Pisco, o único eurodeputado socialista eleito pelo círculo da emigração, já foi alvo de uma penalização que põe em causa o trabalho que vinha desenvolvendo em prol das secções que o partido tem espalhado no estrangeiro.

Na disputa pela liderança no partido, que está mergulhada numa enorme crise interna, Paulo Pisco declarou o seu apoio ao presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, por entender que tem melhores condições para liderar o partido. A direcção do PS não gostou e não perdeu tempo a retaliar. Ontem contactou o eurodeputado para o informar que a partir de agora que deixava de poder usar o telemóvel que o partido lhe havia disponibilizado para contactar as secções da emigração.

Para além de eurodeputado, Paulo Pisco é também o presidente da comissão política concelhia de Serpa, no distrito de Beja e, nessa qualidade, convocou uma reunião para segunda-feira à noite na qual os elementos que integram aquele órgão se pronunciaram a favor da convocação de um congresso extraordinário electivo. Estava dado o apoio a António Costa.» [Público]
 
 Sorry seleção!

 
 Há sondagens que valem por mil palavras

A sondagem da Aximage divulgada pelo Jornal de Negócios prova aquilo que todos os portugueses, a começar pelos do governo, já perceberam, que Seguro não conquistou sequer o eleitorado do PS e que neste momento reside na sua liderança a única esperança de Paulo Portas e Passos Coelho. A derrota de Seguro nas primárias é como se fossem as primárias das legislativas e Passos Coelho sofresse a sua primeira derrota.

Infelizmente, Seguro parece não perceber que está em queda livre e que ao longo dos três anos não demonstrou que sabia o que quer, que é diferente de Passos Coelho e que está à altura das exigências de um cargo como o de primeiro-ministro. Seguro é um líder fraco, sem qualquer preparação, mal habilitado e pouco dotado intelectualmente. Esta é a imagem que tem dado e as eleições europeias apenas serviram para que se soubesse que é assim que o eleitorado pensa. Falar numa vitória eleitoral é ridículo.

Neste momento António Costa é a esperança dos portugueses, José António Seguro é a esperança de Passos Coelho, Paulo Portas e Cavaco Silva.
 
 O TC

Digamos que o OE 2014 pariu um rattón!
 
 Passos Coelho não vai ao jogo de Portugal com a Alemanha

Tem medo de ter de festejar algum golo com a Merkel a ver.
 
 Primárias do PS

Não sendo militante do PS não percebo a razão porque Seguro me quis dar uma prenda de anos.

 Aclaração

Esta da aclaração traz-me à memória uma velhina anedota dos anos setenta. Era uma sala escura e de repente ouve-se uma voz gritando "Camaradas organizem-se! Somos onze ministros e onze magistrados e já mde declararam inconstitucional por três vezes!"

Enfim, a anedota não era bem assim, mas percebe-se
 
 Uma pergunta ingénua
 
O Seguro já se demitiu da liderança do PS ou enquanto existir um eleitor que diz ir votar no PS com ele na liderança tem a esperança de mais uma grandiosa vitória eleitoral?
 
Por este andar o único militante do PS que consegue estar ao seu lado é o motorista, não tardará muito para que Seguro tenha perdido todo o partido restando-lhe ganhar o partido contra a vontade dos militantes com a ajuda dos simpatizantes emprestados pelo Passos Coelho.
 
      
 O sobressalto constitucional
   
«A verdade é esta: foi por uma larga maioria que os juízes do Tribunal Constitucional declararam a inconstitucionalidade das medidas do Orçamento para 2014 de corte de salários, pensões e subsídios.

Mais uma vez, portanto, os juízes não se guiaram por critérios políticos, nem se dividiram por sensibilidades partidárias. Assim sendo, a diatribe institucional lançada pelo Governo e pelos partidos da direita só pode ser tratada como aquilo que é: um ataque inadmissível à justiça constitucional e ao Estado de Direito democrático. E um insulto à nossa inteligência.

"Portugal não pode estar num permanente sobressalto constitucional", disse o primeiro-ministro em resposta à "enorme adversidade" que foi este oitavo "chumbo" do Tribunal Constitucional às medidas do Governo. E acrescentou, para desfazer dúvidas sobre a verdadeira natureza do problema: "tem de haver uma clarificação política" (sic).

Deixemo-nos, pois, de jogos de salão: a "aclaração" que Passos e Portas pretendem não é técnico-jurídica, mas política. Mesmo concedendo a admissibilidade do pedido de "aclaração" (o que é tudo menos certo), fosse ele um sincero pedido de esclarecimentos e seria apenas sustentado em argumentos técnicos e formulado em termos respeitosos, não viria acompanhado de ataques inaceitáveis ao próprio controlo jurídico-constitucional dos actos legislativos da maioria e de verdadeiras provocações dirigidas aos mesmos juízes do Tribunal Constitucional que serão chamados a apreciar o pedido (devíamos ter juízes "melhores"; é preciso sujeitar os juízes a "maior escrutínio"; os juízes fizeram um acórdão tão ambíguo que pode sofrer de "nulidade"; se os juízes não aceitarem a aclaração estarão a "fugir às suas responsabilidades" ou a "desertar"; os juízes "só aceitam aumentos de impostos"; os juízes "não têm legitimidade"; os juízes estão "a meter-se na política"...). Não há dúvidas: o que o Governo fez foi declarar guerra ao Tribunal Constitucional. 

Depois de oito "chumbos" no Tribunal Constitucional e de três orçamentos inconstitucionais, Passos Coelho e Paulo Portas perceberam muito bem que o que é inconstitucional não é esta ou aquela medida pontual do seu Governo e muito menos a sua exacta modelação. O que é inconstitucional é o próprio programa político de desigual distribuição dos sacrifícios que PSD e CDS pretendem executar para além da ‘troika' e em violação das suas promessas eleitorais. Ora, aqui chegados, das duas, uma: ou conformavam-se com a Constituição e desistiam das medidas inconstitucionais ou assumiam o confronto com o Tribunal Constitucional numa escalada de pressão, arriscando ou mesmo procurando uma crise institucional.

O que as declarações dos últimos dias mostram é que o Governo e os partidos da maioria não se conformam com a ideia de verem o seu poder governativo submetido aos limites impostos pela Constituição, tal como interpretada pelo órgão jurisdicional constitucionalmente competente. Esta guerra institucional, com todo o clima de dramatização artificial que a acompanha (francamente desproporcionado face às implicações financeiras do acórdão), visa, desde logo, fazer do Tribunal Constitucional o sucedâneo da ‘troika' enquanto "bode expiatório" responsável pela austeridade e pelo aumento dos impostos e, mais do que isso, pretende promover uma dupla "aclaração" política: por um lado, apurar se é ainda possível, por via de uma pressão acrescida, domesticar o Tribunal Constitucional de modo a condicionar as suas próximas decisões (sobre a CES, a contribuição de sustentabilidade, a fórmula de actualização das pensões, as contribuições para a ADSE e as tabela salariais e de suplementos da função pública) e, por outro, começar a construir o cenário para uma crise política clarificadora quanto ao futuro da Constituição e do contrato social. E é a essa derradeira "clarificação política" a que acabaremos por ter de chegar, mais cedo ou mais tarde.

Que esta inusitada guerra institucional ocorra numa altura em que a governação está sob olhar especialmente atento dos mercados e perante o silêncio ensurdecedor do Presidente da República, é sem dúvida extraordinário, embora talvez não seja surpreendente. Lembrar-nos-emos disso da próxima vez que os que agora se calam nos vierem explicar que são muito institucionalistas.

PS - Passos Coelho anunciou que não acompanharia Portugal no confronto com a Alemanha. Vindo de quem vem, não seria de esperar outra coisa.» [DE]
   
Autor:
 
Pedro Silva Pereira.
      
 Falou muito bem, Passos Coelho!
   
«Quantos foram os acórdãos do Tribunal Constitucional a chumbar decisões deste Governo? Perdi a conta. Mas conheço as quinze palavrinhas finais de todos, todos!, os acórdãos. Diziam assim (decorei): "Mas isso não se resolve acabando com o Governo, evidentemente. Resolve-se escolhendo melhor os governantes." De cada vez, em cada acórdão, as mesmas quinze palavras, dois pontos e uma vírgula. Sempre respeitando as instituições, não querer acabar com elas, e sublinhando até ("evidentemente") esse facto. E apontando a bela solução democrática que é honrar o mérito: há que escolher melhor... Belíssimo par de frases. Os mais picuinhas vão consultar o Google e aparecer-me aqui a desmentir: "Onde leu isso? Aquelas frases nunca foram escritas num acórdão!" Pois eu insisto: foram. Talvez não com aquelas palavrinhas, pontos e vírgula. Mas o que todos sempre disseram foi: "Acabar com este Governo, não queremos. Mas que eles são uns nabos e não acertam uma prà caixa, lá isso..." Foi o que o TC não se cansou de repetir desde 2012. E disseram-no no seu pleno direito. É assim que estranho o clamor que há depois de Passos Coelho ter dito, ontem: "Mas isso não se resolve acabando com o Tribunal [Constitucional], evidentemente. Resolve-se escolhendo melhor os juízes." Em vez de críticas, calharia bem aplausos: juízes mais bem escolhidos é um desejo legítimo. Tal como um Passos mais bem escolhido, quem nos dera.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.
   


 Anedótico
   
«O Presidente da República não se sente pressionado nem pelos partidos nem por qualquer outro agente político na recente polémica sobre o pedido de aclaração, feito pelo Governo, do acórdão do Tribunal Constitucional que chumbou três de quatro artigos do Orçamento do Estado de 2014 e que obriga o Governo a repor já os salários e subsídios dos funcionários públicos.

“Se alguém pensa que está a pressionar-me, é melhor desistir. Porque eu não cedo a nenhumas pressões, venham elas de onde vierem”, avisou nesta sexta-feira à tarde Cavaco Silva, quando questionado pelos jornalistas no encerramento de uma iniciativa da COTEC com portugueses empreendedores da diáspora.

“Eu guio-me exclusivamente por aquilo que considero ser o superior interesse nacional”, justificou o chefe de Estado e acrescentou que “por respeito pelo princípio constitucional da separação de poderes, como Presidente da República" não deve "comentar em público as decisões dos tribunais": [Um Presidente] respeita-as e aceita-as”.» [Público]
   
Parecer:

Cooperação institucional entre órgãos de soberania? E o governo pode usar a maioria para exigir uma aclaração do que ficou claro?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se a Cavaco se já leu a Constituição ou se preside através de pareceres encomendados.»
   
 O princípio do fim
   
«Uma sondagem realizada pela Aximage para o Jornal de Negócios e Correio da Manhã revela que quase 63% dos portugueses prefere António Costa para primeiro-ministro. António José Seguro consegue menos de 20%.
  
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Entre António Costa e António José Seguro, os portugueses preferem o autarca de Lisboa a Seguro para líderar um Governo português, de acordo com uma sondagem da Aximagem para o Jornal de Negócios e Correio da Manhã.

Assim, quando é colocada a questão sobre qual dos dois nomes - António Costa ou António José Seguro - é melhor para primeiro-ministro, 62,8% dos inquiridos por esta sondagem acredita que é António Costa. O líder do PS recolheu apenas 19,6% das opiniões.

Por outro lado, em comparação com Pedro Passos Coelho, os dois homens do PS lideram as intenções de voto, sendo que António Costa volta a superar Seguro mas por uma margem mais pequena. Contra o actual primeiro-ministro, António Costa recolhe 62,9% dos votos e Passos Coelho 28,4%. Já António José Seguro, contra ao actual chefe de Executivo, obtém 43% das opiniões e Passos Coelho 39,5%.

Quando a questão colocada aos participantes é se o actual autarca de Lisboa é uma pessoa em quem poderia votar para primeiro-ministro - ou em quem nunca votaria - 81% afirmou que optava por Costa contra os 15,8% que o rejeitava. Na mesma questão, mas quando o protagonista é António José Seguro 46,3% afirmou que escolheria o actual líder dos socialistas e 53,3% revelou que o rejeitaria.

À questão "se fosse Passos, quem recearia mais nas legislativas", 61,5% dos participantes respondeu que seria António Costa. E apenas 23,5% afirmou que teria mais medo de António José Seguro. Olhando para a segmentação por partidos, é possível verificar que o CDS – ainda que por uma margem pequena (48,1% contra 47,8%) – considera que Pedro Passos Coelho deveria temer mais António José Seguro e são também os inquiridos associados a este partido os únicos que preferem Seguro a António Costa.

Já quando a pergunta foi: deve ou não haver eleições antecipadas para secretário-geral do PS, 56,3% dos inquiridos mostrou-se favorável ao sufrágio.» []
   
Parecer:

Esta sondagem mostra que Seguro já não vai ser primeiro-ministro, apenas luta para levar o PS para um buraco.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver»
  
 Só sabia dizer que ia ser primeiro-ministro
   
«“A meu ver o maior erro que cometeu foi dizer diariamente que ia ser primeiro-ministro, como se mais nada lhe interessasse. E sobretudo não ouvir os socialistas que não o bajulassem”, diz Mário Soares que destaca ainda o facto de o atual líder 'rosa' ser “inseguro”.

“É certo que [Seguro] nunca falou à esquerda. Quanto às manifestações da Aula Magna para as quais o convidei, em primeiro lugar, nunca quis ir”, revela.

Para Mário Soares, Seguro falou sempre da direita “e nunca da esquerda”. “Além disso, durante meses e meses nunca falou nos socialistas, era ele, ele e ele e mais ninguém. Só percebeu a importância dos socialistas quando falavam pela cabeça do líder”, frisou.

O socialista diz ainda esperar que Seguro “perceba finalmente que não será primeiro-ministro, como tantas vezes disse que seria, antes de ouvir os socialistas”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Ia mas não vai ser.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Alice no País das Maravilhas
   
«"Findo o programa de ajustamento, Portugal recuperou a credibilidade e o acesso aos mercados. A economia portuguesa é hoje mais competitiva, sustentável e mais integrada na economia global", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, numa intervenção no encerramento do seminário económico Portugal-México, que decorreu num hotel em Lisboa e juntou centenas de empresários dos dois países.

Deste programa de ajustamento, acrescentou Cavaco Silva, têm vindo a surgir "claros sinais de recuperação da atividade económica, com efeitos na redução do desemprego", sendo relevante que a retoma tem sido sustentada no aumento das exportações, que subiram de 30% do PIB em 2010 para 40% em 2013. » [DN]
   
Parecer:

Cavaco confunde Portugal com a Quinta da Coelha.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se com dó.»
     

   
   
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sexta-feira, junho 06, 2014

A direita e a Função Pública

A transformação dos vencimentos dos funcionários públicos no pote que alimenta o enriquecimento fácil dos nossos capitalistas mais falhados era uma evidência com a redução dos fundos comunitários. Há muito que o nosso capitalismo tem recorrido a fontes de financiamento fácil, quando os rendimentos coloniais começaram a falhar e a descolonização deixou de servir de ser o mercado de indústrias menos competitivas foram os fundos comunitários que salvaram este modelo de capitalismo incompetentes.
  
À muito que a direita percebeu que o próximo pote a financiar um modelo económico assente em corrupção e ineficácia só poderia ser os vencimentos dos funcionários públicos. Cavaco chegou a preparar um despedimento em massa e a converter uma parte dos seus vencimentos em títulos de tesouro, mas faltou-lhe a coragem para ir mais longe. O competente Miguel Cadilhe, o tal senhor que pediu 400 milhões a Sócrates com a garantia de que resolveria o buraco do BPN, descobriu que seria necessário despedir 150.000 funcionários públicos.
  
Ainda hoje muitos liberais da treta falam deste número mas são incapazes de dizer em que serviços há funcionários a mais. A prova de que esse número é uma mentira está no facto deste governo ter recorrido ao aumento do horário de trabalho para conseguir compensar as aposentações e mesmo assim muitos serviços estão em ruptura. Não podendo despedir Passos Coelho cortou nos vencimentos numa proporção equivalente ao despedimento de mais de 100.000 funcionários. Em vez de os despedir escravizou-os e tem usado o seu dinheiro para financiar as reduções de impostos ou as gorduras do Estado, preparando-se para distribuir o que sobra na próxima campanha eleitoral.
  
Os funcionários públicos deixaram de ser trabalhadores com direito a uma remuneração pois são tratados como escravos, deixaram de ser considerados cidadãos pois a direita não lhes reconhece o direito à igualdade ou mesmo à remuneração do trabalho. O governo defende que os cortes dos vencimentos são constitucionais não considerando sequer que haja um limite para esses cortes, isto é, as reduções salariais poderão ir até à totalidade dos vencimentos.
  
Até aqui os funcionários públicos têm suportado tudo, até porque desde o tempo de Salazar que o poder político condicionou o acesso à Função Pública às opções políticas. Uma elevada percentagem dos militantes dos grandes partidos, principalmente dos dois maiores partidos, são funcionários públicos, é o Estado que alimenta as máquinas partidárias, não admirando que os partidos se calem perante tanta injustiça e muitos funcionários se mantenham num silêncio paciente.
  
Mas há limites para a paciência e começa a ser evidente que nem Passos nem Seguro têm qualquer solução para controlar as contas públicas que não seja os cortes nos vencimentos e que recorrerão a este estratagema enquanto houverem vencimentos para reduzir. Um dia destes a panela de pressão em que se transformou a Função Pública vai ter de estourar e quando isso suceder o país vai perceber não só a dimensão da injustiça que foi cometida, mas também as suas consequências. Talvez alguém se lembre de que um governo que desrespeita intencionalmente a Constituição pode ser levado a julgamento e que um presidente que ignorou e violou o seu juramento deve igualmente responder por isso.
  

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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SLB, Rua das Portas de Santo Antão, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Pedro Passos Coelho

Foi preciso um governo querer desprezar a existência de uma Constituição para alguém que estudou com quase quarenta anos numa universidade sem nome e que tinha como braço direito um Relvas com uma falsa licenciatura para vir questionar a competência e o método de escolha dos juízes do Tribunal Constitucional.

Este país está a ser liderado por loucos, um diz que quer alterar o método de escolha dos juízes e dá como exemplo os EUA, o outro quer alterar a forma como se escolhe o candidato a primeiro-ministro e exemplifica com a Itália. Dois fulanos a quem o país nada deve e de quem ninguém conhece qualquer luta pela democracia ou qualquer rasgo de inteligência querem governar o país à medida das suas imbecilidades.

Passos Coelho acha que um governo que tem menos de 30% dos eleitores pode decidir o que quer e lhe apetece, assumir compromissos secretos com a troika e escolher quem suporta as doses de austeridade que entende adoptar. Isto ainda vai acabar com tanques na rua para repor a normalidade democrática.

E, entretanto, aquele que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição anda a brincar às selfies. O país precisa de mudar de governo, Cavaco deve dar posse a um governo de transição que cumpra os compromissos internacionais democraticamente assumidos (e não os compromissos ideológicos de Passos Coelho) e que dê lugar a um governo eleito após a resolução do problema de liderança do PS.

«Passos Coelho considerou que os juízes do Tribunal Constitucional, "que determinam a inconstitucionalidade de diplomas em circunstâncias tão especiais", deveriam estar sujeitos a "um escrutínio muito maior do que o feito" até hoje.

"Como é que uma sociedade com transparência e maturidade democrática pode conferir tamanhos poderes a alguém que não foi escrutinado democraticamente", questionou Pedro Passos Coelho, apontando para o caso dos Estados Unidos da América em que os juízes "escolhidos para este efeito têm um escrutínio extremamente exigente", disse.


"Não temos sido tão exigentes quanto deveríamos ter sido", sublinhou, durante a intervenção que fez esta noite, em Coimbra, no encerramento da primeira conferência do ciclo comemorativo dos 40 anos da fundação do PSD.» [Notícias ao Minuto]

  
 Seguro até já é contra a austeridade
  
Anda, anda e ainda aparece aparece a fumar em casa.
 
 Trinta dinheiros

Quando António Costa desafiou Seguro este já era um político moribundo, com a resposta que o líder do PS deu passou rapidamente de moribundo a um cadáver que ninguém sabe como enterrar. Seguro perdeu o PS, perdeu o eleitorado do PS e agora tudo faz na esperança de que a direita, através de Passos ou de Cavaco, lhe faça o favor de marcar eleições a tempo de sobreviver.

Seguro e a sua equipa não se importa de ser um ministro de Passos Coelho, a verdade é que sempre foi essa a sua ambição e isso ficou agora nítido. Seguro concordou com quase todas as políticas de Passos Coelho, calou-se centenas de vezes quando a direita atacou o seu partido, agora que sabe que nunca será primeiro-ministro limita-se a jogos cobardes na esperança de Passos Coelho lhe pagar os merecidos trinta dinheiros.
 
 Governo de iniciativa presidencial

Passos Coelho já não representa quase ninguém, o seu governo é ilegítimo pois governa segundo as ideias erráticas de um líder sem preparação e incompetente, o primeiro-ministro assume compromissos internacionais sabendo que violam a Constituição e contando com a chantagem externa para impor as suas políticas ao país. Nestas condições só resta a Cavaco Silva demitir o governo.

Para que o país não se limite a trocar de lixo governamental a solução é dar posse a um governo de iniciativa presidencial até que estejam reunidas condições para serem convocadas eleições antecipadas, pois o país não pode correr o risco de ter um governo que resulte dos dois amigos, Passos e Seguro, juntarem os trapinhos. Portugal precisa de um governo competente e forte. Passos é forte mas não é competente e Seguro não é nem forte, nem competente.
 
 A vacuidade

O conceito que melhor define a actual classe dirigente é o de vacuidade, seja no sentido mais vulgar de oco ou vazio, seja no do vácuo resultante da ausência de interdependência entre fenómenos. Olhamos para esta geração de políticos e vemos um vazio de ideias, uma ausência total de debate e de luta política, deles nada sai, sejam do PS, do PSD, do PCP ou do BE.
  
Vejo a Ana Drago falar do seu projecto de unir a esquerda e interrogo-me sobre o que vai na cabeça de alguém da direcção de um partido que foi um subproduto da direita nos tempos de Durão Barroso, devendo mais a Pinto Balsemão e ao Eduardo Moniz do que a Louçã

Do candidato do PCP às europeias ouvi duas ideias, a saída do euro e a proposta de que os portugueses consumam aquilo que exportam e não podem comprar. Imagino que depois de sairmos do Euro iríamos comprar toda a produção da Ford Europa com o novo escudo não convertível e cotado apenas na bolsa de Havana. O mais grave é que se dizem disparates com o ar mais sério deste mundo e toda a gente aplaude.
  
Mas se a oposição permanente tem, em certa medida, medida o direito ao disparate, até porque quando olhamos para a Ana Drago pensamos pouco no que a rapariga diz, o que mais nos deprime é o tsunami de imbecilidade, vazio, incompetência e oportunismo naquilo que alguns paspalhões mais finórios da nossa sociedade tornaram moda designar por arco da governação. 

Seguro e Passos Coelho não têm ideias, projectos ou propostas, vivem de golpes e de truques, são especialistas em eliminar os adversários com recurso a golpes e a jogo sujo. Veja a forma como José Seguro reagiu à candidatura de António Costa e compare-se com a reacção de Passos Coelho ao acórdão do Tribunal Constitucional. Reagira exactamente da mesma forma, reduziram o país e o PS a uma escola do ensino básico e comportam-se como fedelhos empertigados.
  
A primeira reacção foi testar a sociedade com falsa informação, para depois recorrerem a truques, um pediu uma aclaração do que é claro, o outro quando viu que não conseguiria evitar o confronto e percebeu que nem o mesmo aparelho partidário que traiu Sócrates lhe faria o mesmo, armou-se em democrata e inventou umas directas onde será mais fácil comprar votos.
  
São políticos sem ideias, que se apoiam em claques de imbecis, de Moedas e Belezas, de Brilhantes e de Relvas, evitam o confronto de ideias, apostam na manipulação da informação e na chantagem sobre os adversários. Passos quer o dinheiro dos funcionários públicos para financiar o que ele designa por crescimento mas mais não é do que os lucros dos que o apoiam. Seguro quer forçar os portugueses a votarem nele impedindo ou adiando a sua substituição por incompetência.
  
Já passaram três anos, Passos só fez desgraças, Seguro deu o seu acordo pensando que quanto mais dura fosse a política do seu amigo do PSD maior seria a condenação do governo do seu antecessor, Cavaco a troco de qualquer coisa que não se percebe muito bem o que terá sido, apoia e apoia-se nesta gente e em vez de ler a Constituição brinca às selfies com o pessoal da bola. Estamos tramados se não nos livrarmos desta gente.
 
 Passos quer melhores juízes no TC

Que tal ir ás empresas de Ângelo Correia recrutar licenciados em direito na Lusíada ou perguntar ao Relvas se conhece algum licenciado em direito pela Independente?

Ver um primeiro-ministro sem qualificações, habilitações e preparação para o cargo pôr em causa a competência dos juízes do Tribunal Constitucional só dá vontade de rir. Qualquer um daqueles magistrados estudou e tem mais competência num dedo mindinho do que Passos tem ou alguma vez terá em todo o corpo.

Haja decência!

 Azar

Passos Coelho foge dos campos da bola como o diabo foge da Cruz, depois da famosa vaia a Durão Barroso só Cavaco teve tal ousadia, mesmo assim foi quase às escondidas ao Estado nacional e mesmo assim ouviu umas assobiadelas. Mas Passos descobriu uma solução para poder dar o seu apoio à selecção nacional, ia bem longe, ao Brasil e matava dois coelhos com uma cajadada, via a bola e fazia umas férias à conta dos contribuintes.

Ma teve azar, o TC estragou-lhe as contas da próxima campanha eleitoral e ficou cá para cercar o Palácio Ratton, mais o Nuno Magalhães e o Montenegro, com o apoio da Assunção e a anuência de Cavaco Silva.

 Declaração de voto antecipada

Se nas próximas legislativas, sejam elas quando forem, se na liderança do PS estiver Seguro votarei no MPT do Marinho. Com o meu voto nenhum membro desta praga de jotas chegará ao governo.
 
 Bruno de Carvalho e Passos Coelho

Passos Coelho podia muito bem ter dito do Constitucional o que o Bruno de Carvalho disse da bola e vice-versa, que a diferença não seria grande.

«Temos que pensar no que realmente é importante para o futebol português. Na gíria popular, porque sabemos que o futebol português está bipolarizado, isto funciona como o ânus onde temos duas nádegas que se enfrentam uma à outra dizendo 'estou aqui e sou melhor do que tu'. Entre algo fisiológico como o ânus, ou sai vento mal cheiroso ou trampa. E é disto que o futebol português está cheio por dentro e por fora: trampa. O candidato que vamos apoiar tem que ter rigor e transparência mas também um autoclismo muito grande para limpar um futebol que está conspurcado.»
 
      
 A tendinite que nos aperta o coração
   
«A pátria está dependente de uma lesão muscular da coxa esquerda, agravada por tendinose rotuliana. Não é a primeira vez que o nosso velho país tem razões de queixa da coxa. Antes de Cristiano Ronaldo, já o nosso primeiro Number One, Afonso Henriques, ao passar por uma porta de Badajoz, rasgou a coxa. Resultado, apanhado pelos adversários teve de ceder, em troca, vários castelos. É ironia do destino que a coxa, músculo que só se move para a frente, nos atrase historicamente. Por causa dela perdemos Badajoz e Tui, que são "pinas", diria um mestre da bola, comparados com o que podemos perder com a Alemanha na próxima semana. Outra ironia é um povo de grandes desígnios universais estar tão dependente de partes menores do corpo. As pancas de D. Sebastião, que nos levaram a Alcácer Quibir e a baixar de divisão, nasceram das suas maleitas venéreas. Podia fazer--se uma História de Portugal ilustrada com o desenho de um corpo humano. Para o melhor e para o pior. Por exemplo, o cérebro sobredotado de D. João II tramou-nos. Era o Colombo a explicar-lhe como ia chegar à Índia e o nosso rei, que conhecia as medidas certas do globo, a rir-se das tolices do genovês. Colombo foi vender a ideia errada à empresa ao lado e falhámos a América como Cristiano pode falhar o Brasil. Já uma ou outra entorse pode corresponder a vitória: Martim Moniz, o Entalado, partiu todas as costelas, mas graças a elas ganhámos o campeonato do Castelo de Lisboa.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
   
   
 Sinais de saída limpa
   
«De acordo com o gabinete de estatísticas da UE, a zona euro verificou, em termos homólogos, isto é, face a abril de 2013, um aumento de 2,4% no volume de vendas na zona euro, causado por uma subida em todos os setores: 2,6% no não alimentar, 2,1% na alimentação, bebidas e tabaco e 1,4% nos combustíveis.

Já entre os 28 Estados-membros, os 3,4% de aumento nas vendas a retalho deveram-se ao crescimento de 4% das vendas no setor não alimentar, de 3,2% no setor alimentação, bebidas e tabaco e de 0,6% no setor dos combustíveis.


Em termos homólogos, Portugal registou a única descida nas vendas a nível europeu, de 0,4%, enquanto a Letónia (10,5%), a Estónia (9,3%), o Reino Unido (8,4%) e a Lituânia (8%) registaram os aumentos mais significativos.» [Notícias ao Minuto]

   
Parecer:

Desta vez nem a Santinha da Horta Seca (que tem andado muito caladinha desde que confessou que já comprava sapatos portugueses) nos vale.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se o que é feito do desaparecido Pires de Lima.»
  
  Uma família de gente descuidada
   
«O atual presidente do Conselho de Administração do Grupo Jerónimo Martins, Pedro Soares dos Santos, disse no Tribunal de Espinho que assinou, sem se inteirar do conteúdo, um contrato de 300 mil euros que o Ministério Público suspeita ser contrapartida de tráfico de influências.

O destinatário do dinheiro foi José Aleixo, que, em julho de 2008, era simultaneamente líder da Associação Comercial de Espinho (ACE) e adjunto do autarca de Espinho, José Mota.

"Só assinei. Assino dezenas e dezenas de contratos e não vejo contratos. Confio na equipa técnica. A iniciativa terá sido de dois colaboradores, que continuavam interessados em Espinho", declarou o gestor que foi constituído arguido, esteve sob escuta pela PJ, mas viu o MP arquivar-lhe o processo, com o fundamento de que lóbi não constitui crime. Porém, num dos artigos da acusação, ainda é referido como "arguido".» [JN]
   
Parecer:

Há muito que não confio nos métodos desta gente.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se ao senhor a partir de quanto é que pergunta qul é o destino do dinheiro.»
     

   
   
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