sábado, agosto 09, 2014

Misturas de negócios com política

De acordo com a narrativa do governo não houve qualquer intervenção no governo no processo, ainda que na passada quinta-feira tenha sido produzido um diploma de forma simplex  em apoio de uma decisão que só foi estudada e desenhada na sexta-feira, já depois do fecho dos mercados. Toda a intervenção terá cabido ao governador do BdP e de acordo com a ministra não serão utilizados fundos dos contribuintes.

Ao mesmo tempo que se sabe que o governador de Portugal foi apanhado de surpresa e que o sistema financeiro esteve no fio da navalha na passada sexta –feira alguns admiradores fanáticos do actual primeiro-ministro, como é o caso de um tal José Manuel Fernandes, elogiam a decisão de Passos Coelho em ajudar Ricardo Salgado. Os spin do governo têm-se esforçado em passar a mensagem de que Passos recusou ajuda ao grupo GES e que nestes dias tem estado entretido na Manta Rota. Digamos que enquanto o Costa tira a pele aos Espírito Santo os Passos Coelho tirava a pela aos carapaus para os fazer alimados de acordo com a receita dos Silva da Coelha.

Acreditando nos spin governamentais Passos Coelho recusou ajuda aos Espírito Santo, o que terá desiludido o seu amigo Ricciardi, um dos poucos cidadãos comuns com aceso directo ao telemóvel do primeiro-ministro. Esta tese que elogia a coragem do primeiro-ministro implica que houve uma decisão sobre todo o grupo GES e que tomada essa decisão a falência do BES estava decidida.

A questão agora é saber que tipo de ajuda foi pedida e de que forma foi recusada. Segundo os spin Passos não misturou negócios com política, um chavão que Seguro imita até à exaustão, mas que só revela inexperiência e irresponsabilidade. Quando o Presidente viaja com um avião cheio de empresários está misturando o quê? Quando Passos vista as feiras está misturando o quê? Quando se faz diplomacia económica mistura-se o quê? Quando Marcelo levou Cavaco Silva à casa de Ricardo Salgado para este o convencer a candidatar-se a presidente misturou o quê? Quando Passos Coelho estava na Tecnoforma e tentava obter fundos comunitários misturou o quê? O Que é condenável não é a mistura, é os políticos ficarem encharcados em corrupção.

Sejamos claros, a decisão tomada por Passos Coelho em relação ao GES foi a mais importante decisão política e económica do seu governo e muito provavelmente uma das mais importantes da nossa história económica desde o século XIX. Se essa decisão foi adoptada a pensar nalguns votos numa tentativa desesperada de se manter no poder pode ter sido o maior acto de incompetência de um governo. A Merkel deixava a BMW ir à falência só para inchar o peito e dizer que os gestores da empresa que assumissem as consequências?

O grupo GES e o BES eram demasiado importantes para que a decisão fosse tomada a pensar apenas nuns quantos votos. Era o maior grupo empresarial que estava em causa e a riqueza destruída vai ser bem maior do que muito provavelmente era necessário. As condições dessa ajuda e a gestão do grupo era outra questão. Pelo que se sabe e só para poder inchar o peito Passos Coelho deixou cair o maior grupo empresarial português para alegria de outros, a começar pelos interesses angolanos.

Estava demasiado em causa para tudo se resuma a um chavão para que os lambe-botas tenham matéria para bajular Passos Coelho ou que para Carlos Costa se armar no herói que salvou um BES bom sem dinheiro dos contribuintes. Quando o país emergir deste pesadelo de tretas e mentiras saberemos quanto custou a Portugal tanta coragem e tanta preocupação com o dinheiro dos contribuintes. Um dia saberemos se o fim da golden share da PT não foi uma mistura de negócios com política para  injectar dinheiro no GES com a venda da Vivo e se os 900 milhões da PT não resultaram de outra mistura de negócios com política.
 
O emprego dos funcionários do BES, a riqueza criada por muitas empresas rentáveis do GES, o peso do GES na economia portuguesa e na sua internacionalização merecem muito mais oprocupação do que uma decisão da treta motivada por meros obejctivos eleitorais de curto prazo. E o ódio aos Espírito Santo ou o desprezo pela sua gestão ruinosa não passam de treta, o GES é muito mais do que uma imensa Tecnoforma ou Fomentivest. Não está em causa salvar a família Espírito Santo que até há pouco tempo era bajulada por todos e que tão preciosa ajuda deu a Passos para chegar ao poder, com ou sem a família Espírito Santo a dimensão do grupo GES justificava mais seriedade e tudo deveria ter sido feito para que as suas emopresas ficassem em mãos portuguesas.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Pernilonga, Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António
  
 Jumento do dia
    
Carlos Tavares, presidente da CMVM

O sentido da dignidade mandaria Carlos Tavares apresentar o pedido de demissão.

«A CMVM reiterou esta sexta-feira que suspendeu as ações do BES depois das 15h00 de sexta-feira passada porque só nessa altura teve conhecimento de “iminentes desenvolvimentos“, garantindo desconhecer outras decisões que “tudo indica” influenciaram os preços dos títulos.

Destacando que a “descrição dos factos está documentada”, num esclarecimento hoje divulgado à imprensa, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) “reitera integralmente” a informação veiculada na segunda-feira quando informou que suspendeu a negociação dos títulos do BES, na sexta-feira, 1 de agosto, “logo após ter tido conhecimento de iminentes desenvolvimentos que vieram a ser conhecidos durante o fim-de-semana”.

“A CMVM procedeu à suspensão dos títulos depois das 15 horas [de sexta-feira da semana passada] dado que só por volta dessa hora teve conhecimento que haveria desenvolvimentos, ainda que desconhecendo os termos concretos dos mesmos“, lê-se na nota.

A instituição liderada por Carlos Tavares garante ainda que “em momento anterior não foi informada sobre outras decisões tomadas relativas ao BES e que, tudo indica, influenciaram a formação dos preços“.» [Observador]
 
 O roubar está cada vez mais inventivo

Desde que o antigo administrador do Banco Efisa (do BPN) começou a simpatizar com a austeridade parece que o Tribunal de Contas se especializou em saúde e quando o Opus Macedo diz mata os magas de alpaca juízes do TC dizem esfola. De uma assentada resolveram o problemas dos médicos de família, descobriram que se as consultas demorassem apenas 15 minuto já existiram médicos suficientes. Da próxima vez vão descobrir que se em vez de costura os cirurgiões usarem fita adesiva para fechar as feridas até se acabam, as filas de espera de cirurgia.
      
 O roubar está cada vez mais inventivo
   
«Para os batoteiros, o problema com os jogos de azar é o azar, entendido este último como acaso. Os aldrabões profissionais não confiam no acaso. Por isso viciam os dados, drogam os cavalos ou compram jogadores... No entanto, há sempre uma chance de lhes calhar o acaso. Por exemplo, um batoteiro anular outro: há uma anedota brasileira que diz que jogo viciado na Bahia acaba sempre empatado (uma equipa faz por perder mas a outra também). O ótimo, pois, seria ter todas as chances do seu lado. Como aquele ditador africano que resolveu o assunto anunciando os resultados eleitorais antes do escrutínio: "Assim não há fraude", explicou-se ele com certa lógica. E é depois disto que caímos em pleno noticiário de ontem com a Procuradoria-Geral da República a abrir um inquérito à suspeita de um jogo de futebol entre os portugueses do Freamunde e espanhóis do Ponferradina, que foi metido na bolsa de apostas internacionais. É claro que a história estaria em tentar perceber o mistério que leva um tipo de Hong Kong a investir um cêntimo que seja num assunto de que não percebe nada. Mas o caso Freamunde-Ponferradina tem um lado inovador: é que o jogo não se realizou. Quer dizer, os batoteiros nem precisaram de comprar jogadores, inventaram o que lhes deu na gana, um 1-1 ou um 37-5. Isto abre perspetivas fantásticas para nossa alta finança. Para a próxima nem precisam das tretas dos bancos, podem ir diretamente para o assalto.» [DN]
   
Autor:
 
Ferreira Fernandes.
      
 Tragédia de entre-os-BES
   
«Maria Luís Albuquerque, a 27 de junho, no Parlamento: "Posso dar a garantia de que não vamos ter dinheiro dos contribuintes no BES. Estamos a acompanhar a situação há já largos meses. O Governo tudo tem feito." M.L.A., a 7 de agosto, no Parlamento: "Os contribuintes receberão de volta o seu montante." M.L.A., a 27 de junho, idem: "Quem toma as decisões é o Governo e ninguém mais." M.L.A., a 7 de agosto, ibidem: "A decisão é tomada pelo regulador. Aconselho os senhores deputados a lerem a legislação."

Contradições insanáveis categoricamente proferidas, como é apanágio da responsável (?) das Finanças. E como as explica, enfadada? "Houve uma quantidade de factos novos que vieram a público nos últimos dias." Portanto, andou a garantir que o banco era sólido até meio de julho sem fazer a mínima, mas qual é o problema? Ninguém espere que senhora tão séria admita ter andado a enganar os portugueses e, o que para ela será muito mais grave, os mercados.

Admitir o quê se ontem também foi ao Parlamento o governador do Banco de Portugal assegurar que toda a responsabilidade é sua? "Se houver alguma coisa a criticar, é ao BdP, se houver alguma coisa a elogiar, é ao BdP. O proprietário da solução é o BdP." Solução que, informou os deputados, Carlos Costa só decidiu na sexta - apesar de, no domingo à noite, ter informado o País de que a fraude no BES, constando da descapitalização do banco a favor de empresas do grupo, fora detetada em setembro de 2013. Para além desta revelação espantosa (o regulador sabia de uma fraude e durante um ano permitiu que continuasse, deixando os que a cometeram - é ele que disso os acusa agora apesar de até há pouco lhes ter certificado a idoneidade - em funções até falirem o banco), estamos ante um milagre: é que o Governo aprovou na quinta de manhã, portanto quatro dias antes do anúncio de Costa e um dia e meio antes daquele em que este situa a decisão, o diploma (de imediato aprovado pelo PR) que permitia a tal solução.

Lindo, não? O problema é que isto não configura mera "inverdade". Como apontou na quarta à noite na SicNot o socialista Pedro Silva Pereira, a data da aprovação da lei significa que muita gente sabia, nesse dia e até antes (na preparação do diploma), o destino do BES. Evidência disso é o facto de Marques Mendes o ter revelado o sábado na SIC. Quantas mais pessoas tiveram acesso a uma informação que tanto dinheiro valia? Quantas a traficaram? Não se sabe e talvez nunca se saiba. O que sabemos é que Governo e BdP permitiram que as ações do BES se mantivessem em mercado, perdendo, entre quinta e sexta, 62% do seu valor.

Não foi uma ponte que caiu, mas um banco. E até ver não morreu ninguém. Mas a cadeia da responsabilidade é, ao contrário da de Entre-os-Rios, cristalina. Demissões é que nada.» [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.
   
   
 Quase todos lamberam o cu ao Ricardo
   
«Retratista da alta sociedade e das grandes figuras do regime, a obra de Eduardo Malta é bastante académica e o pintor era conhecido pela sua aversão à arte contemporânea, razão porque a sua nomeação, em 1959, para director do Museu Nacional de Arte Contemporânea suscitou enorme controvérsia entre artistas e críticos de arte.

Aquando da inauguração da exposição em que esta obra esteve exposta, o então secretário de Estado da Cultura, Pedro Santana Lopes, notou que “Ricardo Espírito Santo e Eduardo Malta, artistas de excepcional talento e elegância, tinham uma visão fulgurante”. » [Observador]
   
Parecer:

He he he.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Quem não lambeu que levante o braço.»
     

   
   
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sexta-feira, agosto 08, 2014

Capitalismo canalha de Estado

Desde Margaret Thatcher que o pequeno accionista é o símbolo do capitalismo, algo que não sucedia num tempo em que o mundo se dividia entre patrões e assalariados e os investidores na bolsa eram capitalistas. Em qualquer caso a bolsa sempre foi um mercado vigiado para evitar abusos que são equiparáveis a qualquer roubo.
  
Aquilo que se passou em Portugal com a intervenção estatal no BES foi a todos os títulos muito feio e no plano ideológico representou a evolução do nosso modelo económico para um tipo de capitalismo estatal canalha e sem escrúpulos. Até aqui a bolsa de valores portuguesa era uma feira da ladra onde ladrões profissionais enriqueciam à custa dos incautos, com a intervenção do BES a bolsa de valores deixou de ser uma Feira da Ladra, agora são os polícias que roubam em plena rua e à luz do dia.
  
Enquanto deram jeito os pequenos accionistas do BES andaram ao colo do governador do Banco de Portugal e do governo, que havia almofada, que uma coisa era o BES banco e outra era o GES, que haviam investidores estrangeiros interessados, que até o Goldman Sachs investia em acções. O objectivo era óbvio evitar que os accionistas se livrassem das acções do BES e manter os clientes no banco.
  
Nessa fase o Ricardo Salgado escolhia o Vítor Bento, o Seguro visitava o governador do BdP para aparecer nas televisões em prime time. Escolhido o Vítor Bento pela família Espírito Santo o ainda presidente do BES era um bandido e o designado salvador do banco evitava assumir responsabilidades. Ainda havia apenas um banco que era bom, mas passou a haverem accionistas bons e accionistas maus, os primeiros eram os pequenos accionistas, os segundos era a família Espírito Santo, que rapidamente foi afastada da gestão do banco.
  
O que ninguém poderia esperar era que de um dia para os outros todos os accionistas passassem a ser considerados gente perigosa. Milhares de pequenos investidores que confiaram nos governos, na CMVM e no Banco de Portugal passaram a ser responsáveis pela gestão do BES e condenados a ficar no banco do lixo da família Espírito Santo. Milhares de pessoas que há um mês investiram as suas poupanças no BES, confiando nas instituições públicas foram tratadas como bandidos.
  
Todos esses investidores estão calados, deixou de haver qualquer diferença entre os membros da fa´lia Espírito Santo e os pequenos accionistas, são todos bandidos e até quem tem há comprado uma acção tem agora receio de o dizer em público. São pessoas que foram arruinadas pelo Ricardo Salgado, pela Maria Luís, pelo Carlos Costa e pelo Carlos Tavares e que a máquina de propaganda do governo transformou em vigaristas. Oas incompetentes e colaboradores de Ricardo Salgado foram promovidos a salvadores do sistema financeiro, enquanto os pequenos accionistas foram transformados em malandros.
  
A ministra das Finanças e o governador do Banco de Portugal não mataram apenas o BES, mataram também o capitalismo de que se dizem defensores, mataram a credibilidade na bolsa de valores e no mercado de capitais, mataram de vez a credibilidade de instituições como o Banco de Portugal.

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Graffiti, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Carlos Costa

Carlos Costa começa a lembrar o Avô Cantigas, tantas são as musiquinhas de embalar. A última foi a de que só começou a tratar da solução do BES depois do fecho dos mercados na sexta-feira, afastando dessa forma qualquer hipótese de a solução ter chegado ao conhecimento de alguém que pudesse beneficiar disso na bolsa. Além disso a escolha da hora, o Avô Cantigas começou a maratona depois do jantar, já com o estômago devidamente aconchegado.

Enfim, ainda vamos ver o sôr Costa a fazer de Pai Natal num centro comercial de Lisboa.

«Questionado se informou a CMVM sobre o futuro do banco, que poderia ter evitado a forte queda em Bolsa nos dois dias anteriores, Carlos Costa disse que "a decisão de avançar com a medida foi tomada na sexta-feira após o fecho do mercado, depois de termos chamado os responsáveis do banco. Na segunda tínhamos um deadline e para a qual tínhamos de encontrar uma solução. Prova disso é que o BCE foi mobilizado. A CMVM, o BdP e o ISP reuniram antes para avaliar vários cenários mas tínhamos a expectativa na recapitalização privada. Mas os prejuízos, incertezas e a necessidade de dois meses para realizar a operação, determinou a intervenção rápida".» [DN]

 Uma pergunta ao sôr Carlos Costa

Em que dia, a que horas e como é que no sábado Marques Mendes já sabia e foi autorizado a comunicar ao país a decisão adoptada para o BES? Sou antes ou depois do fecho do mercado e foi o governo ou o BdP que o informou?
  
 Alguém me explica?

A troco de menos do que foi investido no BES o BCP teve de vender negócios e cortar na massa salarial, enquanto o BPI reduziu balcões e empregado e ao BES nada se exigiu? A Troika e a Miss Luís andam uma simpatia.

 Sugestão

Consultem o currículo académico e profissional do governador do Banco de Portugal e depois digam-me se lhe aturavam uma lição de política económica. Quase me dá vontade de rir quando vejo muita gente valorizar a opinião deste senhor. Aliás, somando os ministros todos não se conseguia dar todo o programa de uma cadeira de política económica.
  
 Dúvida

Não estará na hora de exigir a Cavaco Silva que apresente uma prova de vida só para saber se Portugal ainda tem um titular do cargo de presidente desta coisa toda? Bem, se o país sobreviveu ao dono disto tudo também sobrevive ao desaparecimento disto tudo.
  
      
 O que sabe Mendes?
   
«Na noite de sábado, algures de férias, Marques Mendes falou em nome do Governo, sem comprometer o Governo mas com acesso íntimo ao Governo, e explicou o que iria acontecer ao BES nos dias seguintes. Tudo muito bonito, muito limpinho e asseadinho, muito bom para todos nós, os contribuintes escalfados pelos impostos. Tudo supimpa para o Governo, que falou sem falar, disse sem dizer.

Afinal, há coisas que ainda correm bem. O comentador acertou em quase tudo. Ou melhor: leu todas as leis sobre recapitalizações - disse ele, "li a legislação recente e com um ano, dois anos"; e a aprovada de escantilhão, na véspera, leu? -, cruzou a informação obtida junto "de várias pessoas" (que judicioso) apurou os factos e nós, aqui nos jornais, de boca a aberta a mudar textos, a voltar a falar com as mesmas fontes e outras também.
  
Que maravilha. Não vale a pena pagar uma redação, jornalistas, revisores, salários, livros de estilo, maçadas, cenas. Marques Mendes, algures neste nosso deserto informativo, faz o serviço completo, et voilà: comentador, repórter, porta-voz ministerial, fonte das instituições que convém no momento em que convém. Mas também popular, popularucho, próximo - vê-se que é um homem que sabe falar às pessoas -, indignado, irado quando tem de ser. Os acionistas do BES são "uma espécie de lixo", disse ele, juntando-se à multidão que quando vê acionistas imagina nababos. Depois da Via Verde, aqui está outra patente lusitana a registar: uma mistura de jornal popular com páginas de referência, embora em carne e osso, gravata a condizer, acesso ao prime time. Prever é difícil, especialmente o futuro, mas Marques Mendes não prevê, ele acerta, ele sabe o que deve ser sabido. É um market mover, o mercado mexe-se, cai ou sobe, quando ele debita.

Cá está a inveja do jornalista (a minha) a roer-se do fim do monopólio da informação e do seu relato desejavelmente equilibrado e comprometido com a procura da verdade. Os jornalistas estão hoje como aqueles amoladores de facas e tesouras que às vezes, num domingo soalheiro, ainda ouvimos passar pela rua lá em baixo a soprar naquela gaita de beiços só deles. Espreitamos à janela, ali vai ele, o amolador, excêntrico e solitário, naquele passo rumo ao fim, o beco sem saída; e nós, os consumidores, só pensamos que as facas já as trocámos no IKEA, é mais rápido, um clique, e que o guarda-chuva não merece a despesa nem o trabalho.

Mendes é isso, é o IKEA da informação. Ele apura, alvitra, promove, posiciona, limpa. É expedito. "Este dinheiro - disse ele sobre os 4,4 mil milhões que os contribuintes acabam de emprestar ao Fundo de Resolução - não vem do Estado, (...) não é dinheiro público." Que beleza, que rigor, que modelo de negócio: a cama do poder mudou-se para o quarto poder. É uma sinergia muito económica e que nunca repousa. Marques Mendes... algures... a partir do deserto jornalístico. Et voilà.» [DN]
   
Autor:

André Macedo.
       
 Não há nada que o tempo não resolava
   
«É a mais antiga universidade romana, foi fundada em 1303 e tem o mais belo dos nomes para a função que pratica, La Sapienza, A Sabedoria. No mês passado, mas só ontem se soube, convidou o mais improvável especialista para participar numa aula de criminologia: o capitão Francesco Schettino. Ele falou aos alunos sobre "gestão do controlo de pânico numa situação de crise". O capitão Schettino, lembram-se? O comandante do navio de cruzeiro Costa Concordia que em janeiro de 2012 naufragou nas rochas da ilha de Giglio, na Toscana. Ele foi dos primeiros a pôr-se a salvo enquanto centenas de passageiros permaneciam no navio sem que lhes gerissem o controlo do pânico. Morreram 32 descontrolados. Itália - um país que tem milhares de boas razões para nos ser simpático e mais esta: dá--nos o péssimo conforto de não estarmos sozinhos na produção de noticiários absurdos (olá, ministro Pires de Lima, bela frase a sua, ontem: "Acontecimentos no BES são inexplicáveis") -, a Itália, pois, ficou em estado de choque com mais este disparate. O jornal Corriere della Sera fazia esta comparação: "É como se o Drácula desse uma aula sobre anemia." Atenção, La Sapienza tem uma desculpa para o seu despropósito: o naufrágio já tem dois anos. Ninguém nos garante que daqui a dois anos Ricardo Salgado não volte a dar uma aula magna sobre a vida dos portugueses acima das suas posses.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.
       
 O pior dos pesadelos
   
«Já ninguém está preocupado com a família Espírito Santo e poucos são os que se preocupam com o Governo, os partidos que o apoiam e o regulador. A todos podemos substituir, mas a pancada que volta a sobrar para os portugueses vai doer muito mais do que é possível imaginar.

Esses portugueses são pequenos accionistas, trabalhadores de empresas que acabarão por falir, que dependem de um sistema bancário que passa de bestial a besta e de uma economia que dava sinais de recuperação e que ameaça entrar novamente em depressão. Por muito que a elite pense que sim, a necessidade de o Estado intervir para salvar um banco que julgávamos salvo não é o problema maior.

Este país não tem solução enquanto todos os poderes pactuarem com um sistema que favorece o enriquecimento ilícito, que julga na praça pública por ser incapaz de fazer justiça nos tribunais, que despreza a competência e aplaude o amiguísmo, que se mostra totalmente incapaz de promover a igualdade de oportunidades. Um sistema que recicla os donos disto tudo mas apenas para substituir uns pelos outros.

O capitalismo sem ética, a que aludiu o Papa Francisco como uma das principais chagas do mundo moderno, é que nos tem arrastado de desgraça em desgraça. Agora, que começávamos a pôr a cabeça fora de água, aproximando as nossas despesas das nossas receitas, podemos ter de começar todo o calvário de novo. O pior é que muita gente, muita gente mesmo, não tem como aguentar nova tragédia que obrigue o Governo a cobrar mais impostos, a banca a reter capital e as empresas a despedir.

Tudo isto é mau, muito mau mesmo, mas ainda não é o pior dos pesadelos. Imaginem que Ricardo Salgado, tocado pelas santas palavras do Bispo de Roma, resolve redimir-se do seu capital pecado e confessar o carácter diabólico que presidiu às suas relações nas últimas décadas. É que não há banco do regime sem regime, nem regime sem titulares do poder, nem corruptores sem corruptos. Nós sabemos como, entre as migalhas e os grandes banquetes, muita gente comeu à mesa do último banqueiro.

Se ele se confessa, o colapso que se abateu sobre a família Espírito Santo será de repercussões bem maiores, envolvendo outros banqueiros, empresários que foram apenas testas-de-ferro, milionários de toda a espécie, dezenas ou centenas de políticos, alguns jornalistas e magistrados... Não faço ideia se ficaria pedra sobre pedra e até imagino que esta catarse deixaria mais feridas do que curas, mas, pelo menos, viveríamos na verdade.

Deve ser porque vejo muita gente com medo que Ricardo Salgado conte tudo o que sabe que este pesadelo parece real. Ele, afinal, ainda tem muito poder. A destruição criativa continua nas mãos deste homem.» [DN]
   
Autor:

Paulo Baldaia.

      
 Só agora?
   
«Henrique Granadeiro apresentou esta quinta-feira a sua renúncia a todos os cargos na Portugal Telecom, sabe o Expresso. Deixará, pois, de ser presidente do Conselho de Administração e presidente da Comissão Executiva da empresa portuguesa.

É a consequência direta do escândalo do investimento de 847 milhões de euros da PT em papel comercial do Grupo Espírito Santo, que entretanto entrou em insolvência, gerando fortes prejuízos nos seus credores, incluindo a Portugal Telecom.

Em reunião de Conselho de Administração da empresa, que ocorreu esta quinta-feira, foram apresentadas várias propostas no âmbito do processo. Entre elas inclui-se a decisão do Conselho de Administração de promover uma auditoria específica às relações entre a PT e o BES, para apurar se os procedimentos ocorridos nesta relação foram sempre os corretos e que órgãos ou pessoas estiveram envolvidos nessas relações.» [Expresso]
   
Parecer:

Foi de livre e espontânea vontade ou terá sido empurrado borda fora?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se.»

 Lá se foi o mercado russo
   
«Em declarações à Lusa, o secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agroalimentar, Nuno Vieira e Brito, sublinhou que a Federação Russa é o 15.º destino das exportações agroalimentares, representando cerca de 50 milhões de euros anuais, pelo que as empresas portuguesas vão ressentir-se das sanções.

"Tendo em conta que a Rússia é um destino importante para as nossas empresas, com certeza tem um impacto relevante para o nosso agroalimentar", reconheceu.

A expectativa de crescimento das exportações para aquela região era de 10% (até maio de 2014 face ao período homólogo), mas o Governo pretende agora ajudar as empresas "a diversificar os mercados", depois de a Rússia ter decretado a proibição de importar produtos alimentares de países europeus e dos Estados Unidos, em resposta às sanções que lhe foram impostas.» [DN]
   
Parecer:

Isto de andarmos armados em galos-da-Índia tem o seu preço.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
      
 Foi o salve-se quem puder
   
«Membros dos órgãos de administração e de fiscalização e quadros superiores do Banco Espírito Santo (BES) venderam ações da instituição financeira, nos 12 meses que antecederam a divulgação do prospeto do aumento de capital realizado em junho de 2014, e conseguiram um encaixe total superior a 1,9 milhões de euros. A informação sobre estas operações está incluída na página 84 daquele documento, datado de 20 de maio de 2014, em que se acrescenta que, durante o período considerado, nenhum daqueles altos quadros do banco procedeu a “quaisquer aquisições de ações do BES”.» [Observador]
   
Parecer:

Quem se lixou foram os pequenos accionistas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Demitam-ses os responsáveis dos reguladores.»
  
   
 O dono da selfie é o macaco
   
«Um fotógrafo inglês está a enfrentar uma batalha legal com a Wikimedia para que a organização retire do seu site uma selfie tirada pela sua máquina. No entanto, conta o The Telegraph, a Wikimedia atribui os direitos de autor ao macaco e recusa retirá-la da sua página.

A Wikimedia, organização norte-americana da qual faz parte a Wikipédia, tem recusado repetidamente os pedidos de um fotógrafo para remover uma das suas imagens do site, dado que não deu permissão para o seu uso.

A organização tem, no entanto, uma opinião diferente e alega que, como foi tirada por um macaco e não pelo queixoso, este não detém os seus direitos de autor, conta o The Telegraph.

David Slater, um fotógrafo inglês da vida selvagem, estava na Indonésia em 2011 quando um macaco se aproximou do seu equipamento, roubou uma câmara e tirou centenas de selfies.

Muitas delas estavam, naturalmente, desfocadas e até dirigidas ao chão mas algumas estavam perfeitas, incluindo uma que deu a Slater os seus ’15 minutos de fama’: um selfie perfeita de um macaco sorridente.

A imagem foi amplamente partilha na internet e o fotografo está agora numa batalha legal com a Wikimedia, depois de a organização decidir adicionar a imagem à sua coleção de imagens disponíveis para partilha sem qualquer custo.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Andam por aí muitos macacos a tirar selfies.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
   
 Mais cedo do que eu esperava
   
«O presidente do Novo Banco, Vítor Bento, afirmou, nesta quinta-feira à noite, em entrevista à SIC, que terá “de haver um redimensionamento do banco” para uma dimensão inferior à que tinha o BES.

Sublinhando o facto de estar no cargo há poucos dias, Vítor Bento não adiantou pormenores sobre a reestruturação, embora tenha afirmado que admite uma possível venda de activos e que conta ter um plano pronto no prazo de um a três meses. Questionado sobre um possível corte no número de trabalhadores e balcões, o presidente do Novo Banco respondeu ser “provável”.

Em resposta a uma pergunta sobre a diminuição no número de depósitos, Bento garantiu que a maioria dos clientes do BES continua na nova instituição e argumentou que “os depósitos que vão saindo, ou que podem sair numa situação de incerteza, não são impactantes”. 

“Tenho o desafio de tornar [o Novo Banco] rentável, que é um desafio que vai levar o seu tempo”, afirmou ainda.» [Público]
   
Parecer:

O enterro do BES bom começou muito antes do que previ ainda ontem.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Quem disse que a solução protegia os trabalhadores do BES?»
   
 Agora a ovelha negra é cipriota
   
«O governador defendeu que a medida aplicada foi a “melhor” uma vez que nenhuma das outras possível era viável. Disse que o novo presidente do Novo Banco, Vítor Bento, lhe comunicou no passado dia 31 de julho a “impossibilidade de recapitalização privada do banco” e que, por isso, “esgotada a possibilidade de recapitalização privada, por razões de estabilidade financeira, a hipótese de liquidação estaria afastada, só restava a recapitalização pública ou uma medida de resolução”. Como não era possível uma “recapitalização pública em 48 horas” e também não era a opção pretendida, diz Carlos Costa que só restava a medida de resolução aplicada. E como tal, disse mais tarde, foi preferível agir:

“Não fazer nada seria o caos cipriota”.

Na audição que demorou mais de três horas, o governador do Banco de Portugal garantiu que será o sistema financeiro a pagar o empréstimo ao Estado e que não há risco para os contribuintes uma vez que há um “mecanismo automático” que permite fazer a devolução do empréstimo através da comparticipação dos bancos. “Vai permitir amortizar essa dívida que eventualmente subsista”, depois da venda do Novo Banco. Isto se o Novo Banco for vendido a valores inferiores aos 3,9 mil milhões de euros que foi emprestado pelo Estado ao Fundo de Resolução.» [Observador]
   
Parecer:

Pois, mas não lixaram os pequenos accionistas como fez o sôr Costa.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  

   
   
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quinta-feira, agosto 07, 2014

A crise no BES segundo o Luta Popular

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O que escreveria o Luta Popular, órgão oficial do MRPP nos tempos heróicos do camarada Arnaldo Matos, o grande educador da classe operária?
  
Antes de quaisquer causas de ordem humana ter-se-ia em conta a explicação do socialismo científico, a poderosa arma analítica do marxismo-leninismo que tem no Capital de Karl Marx a fonte de todas as explicações. E a explicação é simples, a crise do BES é a crise do capital financeiro que se internacionalizou depois de um processo tardio do capitalismo português na transformação do capital industrial em capital financeiro. Um processo que se atrasou em consequência de um golpe militar conduzido pela pequena burguesia militarista que instituiu uma democracia que serviu para enganar o povo.
  
Diria o Luta Popular que esse capital financeiro aumentou o seu poder porque teve ao seu serviço o mais alto responsável da Comissão Europeia e o governo português, dois serventuários corruptos ao serviço do capital. Foi graças à cobertura desses responsáveis e do Banco de Portugal, uma instituição que serve para acorrer ao capital financeiro quando este está em dificuldades, que o capitalista Ricardo Salgado roubou o país e o BES para voltar a renascer e voltar a explorar os trabalhadores.
  
A troika, representante do capitalismo internacional, soube da situação do BES mas como quer o governo, quer o seu chefe Durão Barroso davam cobertura aos truques de Ricardo Salgado, os seus serviçais preferiram ignorar a crise no banco, certos de que o banqueiros conseguiria mais um vez enganar os seus parceiros, desta vez com a ajuda do governo do BdP e da Comissão Europeia.
  
O Banco de Portugal não passou de um instrumento ao serviço do governo capitalista e do banqueiro Ricardo Salgado para enganar os pequenos accionistas enquanto davam tempo a Ricardo Salgado desnatar o BES e roubar o pecúlio do último aumento de capital, manobra que contou com a cobertura do BdP e da CMVM e que visou enganar mais alguns pequenos accionistas. Numa semana o governador do Banco de Portugal tranquilizava os pequenos accionistas, no domingo  à noite condenava-os por serem responsáveis pela gestão ruinosa do BES.
  
A actuação de Seguro que tranquilizou os pequenos accionistas do BES levando-os às câmaras de gás dizendo-lhes que iam tomar banho é facilmente explicado pela traição da social-democracia à classe operária, aos trabalhadores e à pequena burguesia progressista.
 
A comunicação acabaria com um "Morte ao banqueiro fascista Ricardo Salgado, aos seus lacaios Carlos Costa, Passos Coelho e Durão Barroso, ao pequeno burguês Seguro traidor da classe operária e a todos os esbirros que os apoiam".
  
Pois, mas o Barroso da Comissão, o José Manuel Fernandes do Observador ou a Ana Gomes que apoia o Seguro na treta das directas do PS é que eram do MRPP, eu nunca fui.
  

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Graffiti Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Pires de Lima

Quando um ministro da Economia diz que o caso BES não tem explicação, insinuando que é algo que ninguém poderia saber ou impedir ou está dizendo que é ingénuo ou quer fazer os outros de ingénuos. O que vale é que serão poucos os que o consideram credível e sincero.

«O ministro da Economia classificou hoje de inexplicáveis os acontecimentos relativos ao BES e PT e admitiu que a situação teve repercussões na reputação do país, mas espera que sentimento positivo sobre economia portuguesa acabe por prevalecer.

A atual situação do mercado de capitais português, com a bolsa a registar perdas, "espelha, do meu ponto de vista, a grande desilusão com a situação do BES e também aquilo que é a desfaçatez verificada na PT [Portugal Telecom]", disse à agência Lusa o ministro da Economia, António Pires de Lima.» [DN]
  
 De quem falava o então deputado Honório Novo em 2013?
  

 Em vez de se preocupar com o BES preocupava-se com o Estado


 O que preocupava o ti Costa em 2013?
   

 O seguro do Seguro morreu de velho

António José Seguro já deve ter deixado de brincar com o seu apelido, uma das suas graçolas pretensamente engraçadas, que põem a rir aqueles emplastros que normalmente aparecem atrás dos líderes partidários quando estes aparecem nas televisões. Seguro deve estar a concluir que o seguro já morreu de velho, andou a falar contra a mistura de negócios com política lançando insinuações contra Costa e agora soube-se da gorjeta avençada que a sua presidente recebe do BES. Como se isso não bastasse andou a dizer que estava tranquilo com o BES e ajudou Ricardo Salgado a arruinar os pequenos accionistas. O melhor que Seguro tem a fazer é calar-se pois de cada vez que abre a boca ou entra mosca ou sai asneira.

 Pergunta

Porque é que fazem um exame de admissão aos professores para se saber se cometem erros ortográficos e ninguém fez um exame de banqueiro a Vítor Bento para ver se ele sabe a tabuada?

 Até O Jumento estava feito com o BES?


 O BES está roto, o BCP está roto

E o Passos Coelho está na Manta Rota.

 Dúvida maldosa mas pouco ingénua

Quanto é que o Marques Mendes ganhou em bolsa e em outros negócios, sem contar com os honorários da SIC, graças ao acesso privilegiado e indiscriminado à informação do governo? Com as coisas que ele consegue saber antes dos outros eu já teria comprado metade da Herdade da Comporta.

 Contributos para a compreensão de uma grande vigarice

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 Dúvida

Porque será que sempre que cheira mal em Portugal a Goldman Sachs do compadre do Barroso e do seu amigo Arnaut anda sempre por perto?

 A dúvida de Durão Barroso

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 A dúvida dos depositantes do BES

Podem os depositantes do BES (Novo Banco) podem confiar no discurso tranquilizador feito pelas mesmas personagens que durante um mês tudo fizeram para tranquilizar os accionistas do BES para numa noite de domingo comunicarem que decidiram mandá-los para o bad bank por os considerar tóxicos e responsáveis pela gestão do BES?

Eu sou cliente do BES e não confio nas garantias de gente cuja palavra também devia ser entregue ao bad bank.

 Contributos para a compreensão de uma grande vigarice (2)

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Adivinhem quem levou Vítor Bento para o BES...
    
 As coisas que o New York Times diz (via CC)

«A government rescue of one of Portugal’s largest lenders is an object lesson in regulatory failure and the haphazard manner in which European officials have gone about fixing their troubled banking system.

The Portuguese government said on Monday that it would split the bank, Banco Espírito Santo, into two. The bank’s branches, customer deposits and healthy assets are being spun off into a new entity called Novo Banco that will receive a capital infusion of 4.9 billion euros, or about $6.6 billion, from bailout funds the government and central bank control. The remaining part of Banco Espírito Santo will hold the bank’s loan portfolio and will be wound down over time. Shareholders and some creditors of the banks are expected to lose most of their money as part of the plan.

Banco Espírito Santo’s financial problems can be traced to dubious loans the bank made to prop up other businesses that were controlled by the bank’s parent company. Last week, the bank reported losses of €3.58 billion in the first six months of the year largely because of those loans. This was not merely a failure of the Portuguese officials who had the primary responsibility for supervising the bank. The European Commission, the European Central Bank and the International Monetary Fund share some of the blame because they have been intimately involved in Portugal’s economy and financial system for the last three years after lending the country €78 billion to help it get through a financial crisis. In May, the three organizations said “bank capitalization has been significantly strengthened” in Portugal, which suggests that they were overly optimistic about the progress that had been made.

Later this year, the European Central Bank will take over supervision of the largest banks in countries that use the euro from national regulators that oversee banks. An important test of the E.C.B.’s credibility will come when it publishes the results of a “stress test” of 128 European lenders in October. The central bank has to make sure this exercise is not a pro forma checkup that makes it easy for banks to look good and hide their problems as Banco Espírito Santo appears to have done. Europe’s economy will not recover until its banking system is truly healthy.» [NYT]

 Poupar bem


 O BES morreu, mas esqueceram-se de o enterrar

Primeiro a família Espírito Santo escolheu Vítor Bento com o apoio do governador do Banco de Portugal.

Depois enganaram os pequenos accionistas sugerindo que o banco iria sobrevive, garantiam que havia uma almofada financeira e que haviam investidores estrangeiros interessados em investir no banco. O Seguro ajudou na manobra dizendo-se tranquilo e até a Goldman Sachs ajudou com um investimento de pequena monta que depressa foi usado como prova da tese da tranquilidade, manobra que resultou e até as cotações recuperaram 15% para alegria dos pequenos accionistas.  A Goldman conseguiu recuperar o dinheiro e muito provavelmente ainda ganhou algum por conta do frete.

Com alguns tubarões a salvarem-se nas últimas horas de negociação na bolsa atiraram o BES ao chão partindo-o em dois, o BES mau e o BES bom, no BES mau ficaram os quenos accionistas condenados epla gestão do banco.b No BES bom ficaram os clientes, o bom crédito, o património e o dinheiro dos contribuintes.

Brevemente o competentíssimo e honestíssimo Vítor Bento virá dizer que fez tudo o que estava ao seu alcance mas a fuga de clientes e depositantes obriga ao emagrecimento do baco com o encerramento de balcões e o despedimento de centenas de empregados. Entretanto os grandes bancos ganharam milhares de novos bons clientes e dezenas de milhares de milhões em depósitos sem terem gasto um único tostão. Não admira que até queiram dar uma ajuda de mais de seiscentos milhões, veremos se a dão mesmo ou se é apenas uma ajuda ao Costa.
 
Uns tempos depois Bento virá dizer que os cortes foram insuficientes e que é preciso nova reestruturação do banco, adequando-o à sua nova dimensão real, face à perda de clientes e de depositantes. Por fim virá de novo dizer que deu o seu melhor mas o banco é inviável, propondo a sua liquidação, ainda que isso implique a perda do dinheiro dos contribuintes ou de uma boa parte dele.

O BES ou o Novo Banco, como agora o designam, já está morto, agora sóp resta saber quando é que o vão enterrar e quanto é que os portugueses vão ter de pagar pelo seu enterro, que por uma questão de conveniência nunca deverá ocorrer antes das eleições legislativas que a crer no que Cavaco Costuma dizer deverão realizar-se, como é normal na Europa, apenas n«depois de terminada a legislatura.

 Rádio comercial: como ficou a Dona Inércia


 Dúvida

Não seria melhor fazer com o Vítor Bento o que fizeram com o Bento XVI promovendo-o a presidente emérito do BES, perdão, do Novo Banco?

   Onde é que eu já vi este filme?

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 Good piada, bad piada
   
«No fim de semana fui meter gasolina. Saí do carro e, enquanto o gasolineiro enchia o depósito, li num cartaz vermelho com letras brancas: "Bomba em Pré-pagamento." Gosto de entabular conversa e disse: "Está ali uma palavra que não se pode dizer alto num avião." O homem, que matutava com os olhos fixos na mangueira, levantou o olhar. Com o queixo apontei o cartaz. O homem seguiu a indicação e voltou à mangueira, sem palavras. Pareceu-me que matutava ainda mais profundamente. Silêncio. Uma tarde de sábado, rua deserta, dois homens numa gasolineira. Procurei à volta mais motivo de conversa mas sem ilusões. Mesmo se o encontrasse não diria nada, apesar de conversador sou tímido. Som de depósito cheio, mas o homem continuou a olhar para a mangueira. E foi então, num desfastio de quem não quer tirar dúvidas mas quer deixar o testemunho da sua perplexidade, foi então que disse: "Mas porque raio não se há de dizer pré-pagamento?!" Ele abanou a cabeça e a mangueira, e eu paguei. Entrei no carro com um dos meus sonhos realizado: assistira ao nascimento de uma anedota. Ontem, os jornais ingleses falaram do avião da Qatar que ia para Manchester e teve ameaça de bomba. Um passageiro entregara à tripulação um bilhete com a palavra proibida. E só se deu conta do que fizera quando olhou pela janela e viu jatos da RAF a escoltar. Aí, exclamou: "Oh, m....!" Parvalhão. Se era só para piada, escrevia no bilhetinho: "Pré-pagamento."» [DN]
   
Autor:

      
 Só os pequenos accionistas se lixaram
   
«O Wall Street Journal publicou hoje uma notícia na sua edição online em que dá conta de que vários fundos especializados em investimentos de risco terão ganho milhões de euros com operações feitas poucos meses antes da crise do Banco Espírito Santo (BES).

O jornal norte-americano dá conta, na sua edição online, de que os designados hedge funds – que pedem emprestados títulos de uma empresa e, após apostar na sua queda, os vendem a um preço mais baixo, obtendo lucro – terão reforçado a sua posição no BES meses antes do colapso.

O Marshall Wace LLP fê-lo em meados de julho (de 0,51% para 0,85% do capital social do banco), após uma aposta inicial em 15 de maio, quando as ações estavam a negociar a 99 cêntimos. Duas semanas mais tarde, a sua posição terá sido novamente reduzida para os 0,51%, com ganhos de cerca de 27 milhões de euros.

À mesma técnica terá recorrido o TT International, assumindo uma posição curta em julho de 2013, que aumentou em junho de 2014, obtendo lucros de 15 milhões de euros. E ainda o Altair Investment Management Ltd, com ganhos de 11 milhões de euros.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Um dia saber-se-á toda a verdade.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Investigue-se.»

 Há sempre quem se aproveite
   
«No dia 4 de Agosto, Alexandre Soares dos Santos deu ordem de compra de 31 mil ações da Jerónimo Martins. O administrador da Sociedade Francisco Manuel dos Santos estava a aproveitar a maior queda bolsista da sua empresa desde 2008. Os títulos da Jerónimo Martins tinham caído quase 14% e o empresário aproveitou esse facto para reforçar a sua posição na empresa.

A confirmação foi feita pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), através de um comunicado onde se informava sobre a operação. Ao todo foram adquiridas novas 31.068 ações da empresa liderada pelo seu filho Pedro Soares dos Santos.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Há muitas formas de tramar os pequenos accionistas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Mandem-se os parabéns ao merceeiro holandês.»
     
 Um povo que anda a pé é mais saudável
   
«As empresas de transporte público de Lisboa e do Porto perderam desde 2010 mais de 145 milhões de passageiros, tendo apenas o Metro do Porto conquistado clientes, segundo os seus relatórios e contas.» [DN]
   
Parecer:

Quando Passos Coelho disse que o povo tinha comido em demasia tinha razão, nada como uma dieta e exercício físico.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
   
 Líder das Avós da Praça de Maio encontra neto
   
«O neto da líder histórica das Avós da Praça de Maio, Estela Carlotto, desaparecido durante a ditadura militar argentina (1976-1983), foi identificado 36 anos após ter nascido quando a sua mãe estava em cativeiro.

A 26 de junho de 1978, Laura Carlotto foi mãe de um rapaz, a que deu o nome de Guido, quando estava detida, segundo o relato de um companheiro de detenção da filha de Estela Carlotto. Tal como outros 500 bebés de opositores nascidos em cativeiro, Guido - um pianistas e compositor que cresceu com o nome de Ignacio Hurban - foi adotado e desconhecia a verdade do seu passado.

Há umas semanas, por ter dúvidas sobre a sua identidade, resolveu fazer testes e ADN. Ontem, descobriu que era o neto de uma das figuras históricas do movimento de mulheres argentinas que, ainda durante a ditadura, tiveram a coragem de desafiar os militares e manifestar-se diante do palácio presidencial para exigir a entrega dos seus familiares.» [DN]  
   
 E porque não criar um bad BCP?
   
«A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) decidiu proibir as vendas a descoberto com ações do Millennium bcp depois da forte queda do banco hoje em Bolsa.

A proibição é relativa a toda a sessão desta quinta-feira. Neste tipo de operação, os investidores apostam na queda dos títulos, lucrando com a descida das ações em Bolsa.

O BCP afundou hoje 15,07%  em Bolsa, para os €0,0879, contagiado pelo colapso do Banco Espírito Santo (BES).

Os investidores temem a exposição que os bancos portugueses vão ter ao Novo Banco (ex-BES), que vai ser capitalizado em €4,9 mil milhões através do Fundo de Resolução.» [Expresso]
   
Parecer:

É uma ideia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Faça-se a sugestão.»
   
 A família maldita
   
«São maridos e mulheres, mães e pais, filhos e filhas e até netos: dezenas de familiares de administradores e de membros de órgãos de fiscalização do Banco Espírito Santo têm as contas bancárias no BES congeladas desde o início da semana. Essas contas foram transferidas para o "banco mau", o que significa que poderão estar perdidas.» [Expresso]
   
Parecer:

OS Távoras do tempo de Passos Coelho?
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se e proponha-se que se salgue a Herdade da Comporta.»
  
 É o ver se te avias
   
«Os serviços da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa são controlados em grande parte, desde a posse de Santana Lopes em Setembro de 2011, por pessoas próximas do provedor e dos membros da sua equipa, muitas delas com ligações directas ao PSD e ao CDS.

Não se trata propriamente de uma novidade, visto que a SCML é gerida há muitos anos, tanto pelo PSD, como pelo CDS e pelo PS, numa lógica partidária. Actualmente, porém, e tanto quanto é possível avaliar, esta lógica ganhou peso dentro da instituição.

A mesa, composta pelo provedor, vice-provedor e três vogais, é, por via dos estatutos, nomeada pelo primeiro-ministro e pelo ministro da Segurança Social. Daí para baixo as fidelidades políticas e pessoais destacam-se tradicionalmente entre os critérios de nomeação e contratação dos quadros e dirigentes.

Traçar um retrato rigoroso da distribuição de poder em função dessas filiações não é, todavia, tarefa fácil. Desde logo porque, por mais que se tente, não há informação disponível e suficiente sobre quem faz o quê ao nível das chefias e direcções da instituição. Tanto mais que, entre 2012 e 2013, o número dos seus dirigentes cresceu 23%, passando de 190 para 233.

O PÚBLICO pediu nos últimos meses informação detalhada sobre o assunto — atendendo a que a SCML, ao contrário das restantes misericórdias do país, é tutelada pelo Estado, cabendo ao Ministério da Segurança Social a “definição das orientações gerais de gestão” e a “fiscalização” da sua actividade —, mas não obteve resposta concludente.

Numa primeira fase foi remetido para o site da instituição, onde apenas apareciam os nomes de parte dos dirigentes de topo, embora alguns deles não correspondessem às pessoas que estavam em funções. Recentemente o site foi actualizado, mas continua a não constar do mesmo os nomes dos dirigentes intermédios. E mesmo entre os directores e subdirectores  há muitos que lá não estão, como os do Departamento de Jogos, da Direcção de Aprovisionamento e da Direcção dos Assuntos Jurídicos. 

Em todo o caso, a consulta do site e os dados recolhidos em documentos oficiais indiciam que a situação se agravou em relação ao mandato anterior, em que o provedor era o socialista Rui Cunha.

Começando pela mesa, além de Santana Lopes, dois dos seus vogais são membros importantes do PSD: Helena Lopes da Costa, ex-deputada do PSD e ex-vereadora da Câmara  de Lisboa quando Santana era presidente; e Paulo Calado, ex-vereador do PSD em Setúbal e sócio da sociedade de advogados Global Lawyers, criada por Santana Lopes. No lugar de vice-provedor está Fernando Paes Afonso, um destacado militante do CDS que já integrou os seus órgãos nacionais.

No tempo de Rui Cunha, para lá dele próprio, não havia mais nenhum dirigente socialista de relevo na cúpula da Misericórdia.» [Público]
   
Parecer:

Santana igual a si próprio.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»
  

   
   
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