sábado, agosto 23, 2014

Os mortos preferem Seguro?

Aquilo que está sucedendo ao PS não é nada de anormal, são os pequeninos a brincar com um grande partido como se ainda andassem a brincar nas associações de estudantes. Esta gente não cresceu, brincaram aos papás e às mamãs na primária, às associações de estudantes no secundário e agora fazem o mesmo à escala dos partidos e do país, o problema está no facto de a idade mental não ter mudado com o passar dos anos.
  
Em qualquer processo eleitoral há problemas, mas é um pouco exagerado inscrever mortos nos cadernos eleitorais, um procedimento tão ridículo que só mesmo ditadores sem vergonha utilizam. Mas aconteceu num grande partido como o PS e num momento em que este partido atravessa uma via sacra inventada por um líder que tendo medo dos seus militantes, daqueles que o elegeram, recorre a um estratagema que cria condições para o recurso a mercenários da direita na escolha do futuro líder.
  
Seguro poderia e deveria ter-se demarcado na primeira hora, mas o ambiente de associação e estudantes turva-lhe a capacidade de avaliação. EM vez de condenar e mandar apurar responsabilidades o líder do PS actua como se receando ser um dos seus prefere apostar no esquecimento do assunto, só quando perceber que é tarde virá exigir justiça e declarar que com ele não há velhos truques eleitorais. Já sucedeu o mesmo com a sua amiga das farmácias, não condenou o apelo da sua amiga ao voto da direita na sua candidatura e poucos dias depois armou-se em herói na separação entre negócios e política.
  
Seguro ainda não percebeu que o país não é uma grande escola preparatória onde tudo vale para ficar com a direcção da associação de estudantes, onde tudo se esquece com uns bailes e umas musiquinhas. A sequência de truques e de golpes baixos a que o país tem assistido não põe apenas em causa a sobrevivência de um PS se Seguro sobreviver a este processo eleitoral manhoso. O que está a ficar em causa é a confiança dos portugueses no seu sistema político.
  
Seguro poderá ganhar o PS com uma chapelada onde mortos e militantes do PSD o ajudarão a manter-se na liderança do PS, mas o país pode mergulhar numa crise profunda. Para a maioria dos eleitores não há qualquer diferença entre Passos e Seguro e isso significa que para muitos eleitores do centro e mesmo da direita deixou de existir em quem votar, restando apenas a esquerda conservadora.
  
Teremos mesmo de votar num qualquer Marinho?
  

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Casa junto ao Guadiana, Castro Marim
  
 Jumento do dia
    
Pires de Lima do CDS e Barreto Xavier do PSD

Enquanto Passos Coelho, um antigo gestor de uma empresa do universo Espírito Santo brada contra a mistura de negócios com política os seus ministros degladiam-se na defesa de interesses económicos. Agora parece que cederam um pouco, um baixou as taxas e o outro deixou de aldrabar. À falta de oposição são os membros do governo que trazem as divergências para a praça pública.

«Só hoje à hora do almoço a Secretaria de Estado da Cultura (SEC) e o Ministério da Economia chegaram a acordo em relação à taxa sobre dispositivos digitais, que vai agravar os preços de artigos tão diversos como pens, discos rígidos, smartphones ou tablets. Em causa está uma alteração à lei da cópia privada, atualizando a lista de artigos que são taxados para compensar a perda de direitos de autor associada à possibilidade de cópias para uso particular de obras protegidas por direitos de autor.

A medida foi aprovada ontem no Conselho de Ministros, e anunciada no briefing final, mas a tabela de taxas só foi fechada hoje, por causa da divergência entre a Cultura e a Economia sobre o seu impacto económico. O ministério calculava que a proposta teria um impacto muito acima dos €15 milhões com que o Governo se comprometeu (chegou a haver uma projeção de €85 milhões, e a última apontava para €37 milhões), enquanto a secretaria de Estado insistia que estavam em causa cerca de €11 milhões.

Após semanas de braço de ferro, Barreto Xavier e Pires de Lima chegaram a acordo: o primeiro cedeu no valor de algumas taxas, aceitando reduções, e o segundo admitiu que os valores projetados pelo Ministério da Economia estariam empolados em relação à realidade.» [Expresso]

 Le papier ne sera jamais mort - Emma!

 
 A nova imagem do novo BES

Parece que a administração do BES bom quer branquear a sua imagem fazendo esquecer o passado, para isso escolheu uma borboleta que simboliza a transformação da feia lagarta numa bela borboleta. Resta saber qual a metamorfose da Dona Inércia, esperamos que não se transforme numa Dona Branca.
 
 Quem derrubou o MH17?

Depois de uma intensa campanha em que se dava por provado que o derrube do avião da Malásia era obra de russos, até haviam gravações de conversas com oficias russos disponíveis para divulgação poucas horas depois do desastre e filmes produzidos por satélites americanos, parece que o caso está a cair no esquecimento. É caso para estranhar, será que o governo da Ucrânia e o Durão Barroso desistiram da teses da culpa do governo russo?
 
 Uma pergunta ao ministro da Administração Interna

Porque será que os agentes da PSP gostam tanto de tratar os cidadãos por tu, principalmente quando os seus interlocutores são de origem africana? Até se fica com a impressão de que os "senhores agentes" da PSP consideram tudo o que é preto a um nível que não justifica um tratamento mais respeitoso, seguindo a velha lógica do "para quem é bacalhau basta". Não estamos perante uma excepção, acontece quase sempre e basta ligar a CMTV para vermos o que os nossos agentes entendem o que é "com respeito e consideração o público" conforme obriga o seu estatuto.
 
 Azar

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A notícia quase passa por banal, Seguro cumpriu com o seu papel dando um chorudo donativo p+ara a campanha de Sócrates. Mas alguém acredita que um jornalista tenha passado uma tarde no TC a consultar a lista de donativos da campanha de Sócrates?

É evidente que não, depois da notícia sobre o mais do que óbvio donativo dos Espírito Santo a Cavaco seria um grande petisco se um jornalista encontrasse donativos da família a Sócrates, até porque com Pinho no governo as sugestões e insinuações seriam mais do que muitas.

Mas o pobre jornalista teve azar e em vez de filet mignon teve de se contentar com entremeada de porco e lá teve que justificar a tarde perdida com uma notícia sobre Seguro. Há dias assim.
 
      
 A Dona Inércia voltou
   
«O BES mau anda em parte incerta no inferno dos devedores. O governador do Banco de Portugal deixou de falar e produzir declarações fatais e muito definitivas ao domingo pela calada da noite. A CMVM anda a cozer processos por suspeita de abuso de informação privilegiada e a ver o que pode e não pode fazer. Ouvir os ministros, investigar se algum tinha ações do BES ou se algum primo afastado, um parente, soube o que não deveria saber?

Malditas regras e leis, nunca deixam fazer nada em tempo útil em Portugal, exceto permitir que a ASAE prenda chouriças e lacostes de imitação para interrogatório imediato na esquadra lá do bairro. Dá sempre umas belas reportagens. Os mercados - não o de capitais, os outros - são pitorescos, os detidos têm aquele ar suspeito, algum crime terão cometido. No processo BES não é assim, não acontece nada. Para os reguladores, os primeiros chamados a agir nestas circunstâncias, está tudo esplêndido, quase esplêndido, é agosto, as pessoas vão de férias, não é?

Vejamos. Uma semana vertiginosa, a derrocada do BES, alguns dias com notícias muito claras e muito certas - ou que pareciam muito claras e muito certas: vai ser pago isto, vai ser separado aquilo, está tudo bem, nasceu um novo banco, assim é que é, business as usual. Será? Quer dizer, duas semanas após o naufrágio pilotado pelo Banco de Portugal, ungido pelos poderes galácticos atribuídos de supetão pelo Governo, a urgência deu lugar à complacência que já não consegue esconder os perigos disfarçados de perplexidades.

Quase tudo o que o Banco de Portugal disse que ia acontecer na verdade não se concretizou exatamente assim. A separação do lixo tóxico dos ativos saudáveis - uma separação que seria quase instantânea a levar à letra as palavras ingénuas do governador -, afinal é mais demorada e sensível. Há clientes que se perguntam: estou no banco bom ou no banco mau? Uns desejam por tudo estar no mau. Quem comprou dívida da Rioforte e da Espírito Santo Internacional soube (finalmente) esta semana que irá receber o dinheiro, mas falta saber como, quando e em que termos.

Não faltam dúvidas. Ao atirar para o Banco de Portugal a liderança do processo, o Governo protegeu-se, limitou os estragos nas finanças públicas - facto muito relevante - mas perdeu o controlo das operações e agora assiste à confusão, para usar uma palavra simpática, a partir da varanda. Um banco sistémico vai ao fundo, os reguladores perdem tempo, demoram a agir antes, durante e depois, e o Governo acha normal? É normal não sabermos ainda o que acontecerá ao Novo Banco? É vendido, retalhado, leiloado às peças? O governador não sabe, não responde. Esquece-se que, apesar de novo, o velho risco sistémico não desapareceu. A dona Inércia voltou, mas sem o Ronaldo.» [DN]
   
Autor:
 
André Macedo.
      
 O polícia-modelo
   
«Um grupo de pessoas de pele escura é impedido por dois polícias de entrar num centro comercial, enquanto pessoas de pele mais clara entram sem dificuldade. Porquê, pergunta alguém do grupo. Óculos escuros e sem a obrigatória placa de identificação, um dos agentes responde: "Por causa de ser um grupo." "Mas entrou o mesmo número de pessoas ali atrás, só que eram de cor diferente", insiste o perguntador. O agente explica-se melhor: "Você não vai entrar. Por causa dos acontecimentos que houve aqui toda a tarde." "Quais acontecimentos?" "Não tem nada que ver com isso." E, de súbito íntimo, o polícia acrescenta: "Vais à volta e entras lá à frente se quiseres. Não falo mais contigo."

Isto foi gravado em vídeo, não nos EUA, em Ferguson, mas em Lisboa, anteontem, junto ao Centro Vasco da Gama. Filmado por Edson Chipenda - autor das perguntas -, passou ontem nas TV a partir da hora de almoço. Às nove da noite, ainda não havia qualquer esclarecimento da PSP. E muito há para esclarecer. Para começar, a placa com nome faz parte do fardamento das polícias, estabelecendo ainda o estatuto do pessoal da PSP, no artigo 16.º: "Deve exibir prontamente a carteira de identificação profissional sempre que a sua identificação seja solicitada", dever reforçado no regulamento disciplinar, artigo 13.º (dever de correção). O mesmo artigo exige também que o agente adote "linguagem correta", tratando "com respeito e consideração o público" - o que, obviamente, exclui o tratamento por tu.

E vão duas infrações disciplinares. Mas vamos à questão de fundo. Pode um polícia impedir alguém de entrar num local público com base na cor da sua pele? Não, não é preciso puxar da Constituição: o dever de "atuar sem discriminação em razão da ascendência, sexo, raça, língua, território de origem (...)", inscrito no Estatuto do Pessoal da PSP (lei 299/2009), dá a resposta. Mas aquilo que o agente faz configura mais do que infração disciplinar. É um ilícito contraordenacional, de acordo com a Lei 18/2004: "Consideram-se práticas discriminatórias as ações ou omissões que, em razão da pertença de qualquer pessoa a determinada raça, cor, nacionalidade ou origem étnica, violem o princípio da igualdade", como "a recusa de acesso a locais públicos ou abertos ao público." No caso de pessoa singular, aplica-se coima no valor de um a cinco salários mínimos, e de dois a dez quando é pessoa coletiva. Como a PSP, que o agente representa - tenha agido de acordo com ordens (que deveria saber ilegítimas) ou não.

Não foi morte de homem? Lá isso não. Mas ocorreu em pleno dia, num local público, quando o agente sabia estar a ser filmado. Se age assim nessas circunstâncias, de que será capaz quando não tem testemunhas e/ou crê estar em risco? Que segurança nos dá esta polícia? E que País somos que acha isto normal, quiçá aplaude?» [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.
   
   
 Volta Salgado
   
«Joaquim Goes e António Souto, dois dos antigos administradores do BES que pertenceram à equipa liderada por Ricardo Salgado, estão de regresso ao banco, avançou o Expresso Diário.

Os antigos gestores, que foram suspensos das funções que desempenham no BES pelo Banco de Portugal a 30 de julho, estão agora a assessorar a equipa do Novo Banco, confirmou o Dinheiro Vivo .

O regresso dos gestores foi autorizado pelo Banco de Portugal depois de estes terem escrito uma carta ao governador, Carlos Costa, em que rejeitavam a culpa que lhes foi imputada por gestão danosa, por terem assumido os cargos recentemente. Goes e Souto estão a trabalhar juntamente com o administrador José Honório.» [DN]
   
Parecer:

Com a experiência que o Bento tem de gestão bancária ainda o vamos ver contratar o Ricardo para assessor.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Guterres tira o tapete a Seguro
   
«António Costa deu, em entrevista ao Público, há umas semanas, o mote e elegeu Guterres como o seu candidato a Belém. Esta sexta-feira, escreve o semanário Sol, o ex-primeiro-ministro deverá já ter dado o seu sim para avançar, tendo já confirmado a vários quadrantes do Partido Socialista, incluindo a personalidades ligadas a José Sócrates, que deverá avançar como candidato presidencial.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Seguro começou por desvalorizar uma candidatura de Guterres quando esta foi lançada por Costa para depois se colar a ela. Agora levou a resposta de Guterres que ao permitir a Costa a divulgação da intenção de se candidatar lhe tirou o tapete sem que possa responder, como ele próprio disse uma candidatura presidencial não é partidárias, pelo que Guterres não tem de lhe prestar contas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 Quanto vai dar Seguro para a campanha de António Costa
   
«Em 2005, a campanha para as eleições legislativas, que fizeram de José Sócrates primeiro-ministro de Portugal pela primeira-vez, foi financiada por António José Seguro.

De acordo com o noticiado esta sexta-feira pelo Diário de Notícias, que teve acesso a dados do Tribunal Constitucional, o atual líder do PS contribuiu com 1.500 euros para apoiar a campanha eleitoral do colega socialista.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

O homem não acerta uma.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
   
   
 Começaram os saldos no BES
   
«Hoje o Jornal de Negócios revela que a seguradora vai, depois de formalmente atribuída a sua titularidade ao Novo Banco, ser vendida por 50 milhões à gestora de ativos norte-americana Apollo Global Management. A operação, conta a mesma publicação, já recebeu luz verde do regulador, o Instituto de Seguros de Portugal (ISP), que deseja uma conclusão rápida deste processo.

A Tranquilidade será porém, vendida à Apollo por menos de um décimo do valor do crédito de 700 milhões de euros que o BES detinha sobre o ESFG e que estava a ser garantido pela seguradora. Explica o Jornal de Negócios que a desvalorização da companhia muito por causa da exposição a dívida do GES fez baixar drasticamente o montante.

A companhia de seguros foi, ainda assim, e no âmbito desta operação de compra, avaliada em 200 milhões de euros. No entanto, a Apollo não assumirá a dívida da Tranquilidade, pelo que o encaixe final para o Novo Banco será de apenas 50 milhões. » [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Há muitas comissões a ganhar neste negócio, em menos de nada a Trnaquilidade já está quase vendida sem se perceber muito bem quem tentou comprar ou vender a empresa, é tudo muito pouco transparente.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»
   
 O ridículo da política externa de Obama
   
«O Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS, ou ISIL) não pode ser derrubado se os EUA ou os seus aliados ocidentais não agirem também na Síria, onde há uma maior concentração de militantes sunitas extremistas, afirmou na quinta-feira à noite o chefe de Estado-Maior das forças americanas, admitindo desta forma a possibilidade de a intervenção militar ser alargada àquele país.

Naquela que foi talvez a sua declaração pública mais contundente desde que os EUA iniciaram os ataques aéreos ao Iraque para travar o avanço dos jihadistas, o general Martin Dempsey afirmou que “se trata de uma organização que tem uma visão apocalíptica que acabará por ter de ser derrotada”. “E pode ser derrotada sem se abordar a parte da organização que reside na Síria?”, pergunta o próprio chefe de Estado-Maior, respondendo prontamente: “a resposta é não”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Depois de equacionar a possibilidade de atacar a Síria de Assad os EUA vão acabar por atacar a Síria apoiando Assad.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Cá se fazem, cá se pagam.»
   
 Bélgica anda ao contrário de Portugal
   
«O primeiro ministro belga Elio di Rupo é a prova do contrario. Na passada segunda-feira, depois de concluir mais um dia de trabalho na sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, Elio di Rupo encontrava-se num ginásio no centro da capital belga, quando um ladrão — ou um grupo de ladrões — assaltou a sua viatura oficial, aproveitando a ausência do motorista que se encontrava numa livraria próxima. Os assaltantes levaram o seu portátil e vários documentos de trabalho.

Um porta-voz do primeiro ministro belga confirmou esta quinta-feira o assalto, mas negou que o computador portátil roubado tivesse informação confidencial, como foi noticiado por vários meios de comunicação belgas, que especularam que o dispositivo roubado continha informações sigilosas sobre a família Real belga. Para além do portátil e dos documentos de trabalho, o ladrão ou ladrões levaram uma camisa branca, um modem USB e um carregador de telemóvel. De acordo com fontes do governo, os documentos que se encontram no disco rígido estão protegidos e foi o próprio Di Rupo a apresentar queixa na esquadra.» [Observador]
   
Parecer:

Por cá é o primeiro-ministro que anda a roubar.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proponha-se a troca.»
     

   
   
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sexta-feira, agosto 22, 2014

Seguro, a melhor das invenções de Passos Coelho

Sem os instrumentos de repressão do regime chileno Gaspar tem-se revelado um mestre na arte de atirar uns contra os outros e se o sucesso económico é cada vez uma miragem e a derrota eleitoral parece escrita nas estrelas, também é verdade que à sua volta tudo está dividido, estilhaçado. Passos poderá vir a ser um desastre económico mas poderá gabar-se de que fez de Cavaco um servo obediente, que fez os jornalistas rastejar à sua volta e que dividiu tudo e todos.
  
A estratégia de Passos Coelho é sempre a mesma, dividir, atirar uns contra os outros dizendo aos primeiros que a culpa é dos segundos. Nada nem ninguém escapa a esta estratégia e a última vítima tem sido o Tribunal Constitucional que aos pouco ainda vai concluir que se for temporário o esclavagismo dos funcionários públicos poderá ser constitucionalmente aceitável. Até há uma juíza promovida a heroína porque é a única a defender que tudo é constitucional.
  
Hás um BES bom e um BES mau, há investidores que são bem-vindos e outros que investem em sectores condenáveis, há universidades boas porque são privadas e outras más por serem públicas, há grupos privados da saúde que vendem saúde no meio da bancarrota e um SNS que deve vender bancarrota no meio da saúde. Tal como na Alemanha dos avós de Merkel somos cada vez mais os que exibimos uma tatuagem. Há tatuagens para todos os que estão a mais, pensionistas, funcionários, professores universitários, médicos, jovens quadros.
  
Nem os partidos conseguem escapar à estratégia do aparelho de apoio a Passos Coelho, a primeira vítima foi o próprio Paulo Portas, no momento da demissão irrevogável teve vários membros do governo pertencentes ao CDS que não o acompanharam na demissão. Nem no BE se entendem sobre a melhor forma de fazer oposição a Passos. Mas a melhor das invenções de Passos é o seu velho amigo Seguro, um líder do maior partido da oposição que só serve para dividir o PS e desorientar os que se querem ver livres deste governo.
  
Passos tem feito o que quer de Seguro, umas vezes goza com ele, outras cilindra-o nos debates parlamentares, mas quando percebe que o amigo está em apuros vai em seu socorro, o pior que lhe poderia suceder era ver o PS a escolher outro líder. Veja-se o que tem sucedido nos últimos tempos, Passos colocou toda a sua máquina ao serviço de Seguro e este até vai reunir com o ministro da Administração Interna com uma comitiva de jornalistas digna de um primeiro-ministro. Exige que o comissário seja da área do PS mas troca as pretensões apor uma encenação de reunião em São Bento de que sai dizendo que tinham discutido os dossiers que interessariam a Portugal como se Alemanha tivesse delegado o seu poder no nosso país. Até vai a uma reunião com o governador do BdP de que sai tranquilizando os portugueses a propósito do BES.
  
É graças a Seguro que Passos Coelho consegue o impensável, dividir o PS, jogar com as pequenas ambições dos deserdados de Sócrates que apoiam a actual liderança na esperança de chegarem à manjedoura com um governo de coligação com a direita e não seria de admirar que um dia venhamos a descobrir que uma boa parte dos simpatizantes do PS que preferem Seguro foram arregimentados pela máquina de Passos Coelho.

Depois de arrasar com a sociedade portuguesa, de reduzir a presidência a um toldo na Praia dos Tomates, de transformar o TC numa secção do ministério da Justiça e de fazer do governador do BdP um assessor da Luísa só falta a Seguro transformar o PS na ala segurista do PSD.

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Praia do Cabeço, Castro Marim
  
 Jumento do dia
    
Miguel Seabra, líder do PSD do porto

Para o líder do PSD há coligações políticas que são naturais e outras que não o são e neste grupo está a coligação que gere a autarquia do Porto. Dentro daquelas que o senhor considera serem naturais e, portanto, elogiáveis está aquela que une o PSD ao PCP na autaqruia de Loures. Bacoco.

«O presidente da concelhia do PSD/Porto alertou hoje ser "muito grande" a possibilidade de haver fraturas na autarquia local, uma vez que esta é gerida por uma coligação "anti-natura" formada por elementos "do CDS, ex-social democratas, socialistas e independentes".» [Notícias ao Minuto]
 
 Sugestão prática

Quem não recebeu dinheiro de Ricardo Salgado (o conhecido DDT - Dono Deles Todos) que levante o braço!
   
   
 "Grandes novidades" sobre o DDT - Dono Deles Todos
   
«A família Espírito Santo foi a principal financiadora da campanha de Cavaco Silva à Presidência da República em 2006, tendo doado 152 mil euros. Só Ricardo Salgado contribuiu com 22.482 euros, o máximo que a lei permitia, indica o Diário de Notícias.
  
Que Cavaco Silva e a família Espírito Santo mantinham uma relação próxima já se sabia. Pelo menos, desde que o Expresso deu conta de um jantar do Presidente da República na casa de Ricardo Salgado, em 2004. Mas só recentemente foram conhecidas as contas relativas às campanhas presidenciais de 2006, reforçando o vínculo entre o ainda chefe de Estado e o então responsável pelo BES.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Mas que grande novidade! Eu até diria que a Quinta da Coelha deveria chamar-se Lugarejo do DDT!
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 Passos adere ao Simplex
   
«O Governo está a “ultimar” um novo Orçamento Retificativo que espera poder aprovar na próxima semana, revelou esta quinta-feira o ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes. Segundo o Diário Económico, numa carta enviada ontem à presidente da Assembleia da República, a maioria pede que o debate na generalidade seja marcado a 4 de Setembro e que a votação final global aconteça no dia 11. A pressa justifica-se pelo pouco tempo que o Governo tem para que as novas medidas produzam efeitos orçamentais relevantes.» [Observador]
   
Parecer:

Temos um orçamento na hora.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
     

   
   
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quinta-feira, agosto 21, 2014

Os nossos jornalistas de economia

Ontem o país ficou a saber que tinha sido aberta a época de caça ao grupo GES com o lançamento de uma OPA por parte de um grupo mexicano à empresa do sector da saúde daquele grupo.
  
Os nossos jornalistas de economia andaram excitadíssimos com esta OPA que até serviu de oportunidade para Passos Coelho anunciar o interesse de grupos estrangeiros na nova situação da economia portuguesa, algo parecido com os saques que se seguem às grandes calamidades naturais, mas que por estas bandas é motivo de elogio.
  
Em poucas hora já se sabia que os mexicanos já cá andam, que elogiam a administração da empresa do GES, que já contactaram advogados, que tinham adquirido nos últimos tempos mais de 2% da empresa, que iam contar com os serviços do BBVA, que a OPA era simpática, que se tratava de um grande grupo com sucesso no sector da saúde, enfim, um fartote de elogios aos japoneses. Até se fica com a impressão de que os Angels trouxeram umas caixas de tequila e embebedaram os nossos jornalistas.
  
Mas ninguém reparou que antes de lançarem a OPA os nossos amigos mexicanos enganaram um número significativo de pequenos investidores comprando-lhes acções da empresa do GES a preços quase 10% inferiores ao que iam oferecer. Se as regras do mercado o permitissem até comprariam muito mais, com os pequenos investidores do BES/GES em pânico não teria sido difícil.
  
Os nossos grandes jornalistas económicos que todos os dias desancam no Tribunal Constitucional e em todos os que discordem da pinochetada económica conduzida por Passos Coelho, que até escrevem livros a explicar como se salva a economia portuguesas, que escrevem como se todos eles fossem galardoados com o Nobel da Economia poderiam ter defendido os interesses nacionais, podiam ter denunciado o lucro fácil dos mexicanos, podiam questionar se o país vai ganhar alguma coisa com o desmantelamento do GES. Mas não fizeram nada disso, preferiram lamber o rabo aos mexicanos, é que os homens trazem dinheiro fresco para comprar portugueses ansiosos por se venderem, agora que o dono deles todos faliu.
  

Umas no cravo e outras na ferradura


 
   Foto Jumento
 

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Cardo do parque Florestal de Monsanto, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Directior-geral de Saúde

Agora que já é uase impossível viajar para os países atingidos pela epidemia de ébola eis que a Direcção-Geral de Saúde se lembrou de aconselhar os portugueses a não viajar para esses países. Uma anedota.

«As autoridades portuguesas recomendam aos cidadãos portugueses que evitem viajar para os países afetados pelo Ébola, a menos que o façam por “absoluta necessidade”, segundo numa nota publicada hoje na página da Direção Geral da Saúde (DGS).

A DGS sublinha que a situação na Costa Ocidental de África “impõe ações de prevenção e controlo” tanto na fonte (epicentro da epidemia), como nas medidas que visam impedir a exportação de casos de doença para outros países.

Segundo a nota, é necessário distinguir entre o problema que surgiu inicialmente na Guiné-Conacri e que se propagou aos países africanos vizinhos (Serra Leoa e Libéria), devido à quase inexistência de fronteiras, e a eventual importação de casos em Estados de outros Continentes.» [i]
   
   
 Taxistas irritados com os tuk-tuk
   
«A mulher de Javier está maravilhada. “Então e um pastelinho de Belém, não há?”, pergunta, depois de saber que o tuk-tuk onde ela, o marido e dois filhos vão fazer um passeio lhes oferece uma garrafa de água pelo percurso de uma hora. Eles e outros familiares, vindos de Granada, chegaram à Praça da Figueira e dirigiram-se imediatamente aos mais recentes veículos turísticos da capital. Os tuk-tuk são uma espécie de triciclo a motor com um número variável de lugares que estão a ganhar cada vez mais popularidade entre os turistas estrangeiros. Para Javier, a escolha foi “natural”. “Pareceu-nos mais cómodo e original”, explica, referindo que, por onde o tour vai passar – as ruas estreitas da Mouraria – nenhum autocarro passaria.

“Isto é ‘bué’ de giro”, afirma uma muito entusiasmada Camila, motorista de tuk-tuk da empresa Tuk Guide Portugal, que é a que vai levar Javier e a família a conhecer a Lisboa medieval. A alegria do seu discurso reflete aquilo que diz ter sido uma das grandes vantagens da chegada dos tuk-tuk à cidade: a possibilidade de os turistas fazerem passeios com pessoas jovens, que falam várias línguas e que têm formação específica para falar sobre os locais históricos de Lisboa. Algo que muitos taxistas não têm, pelo que Camila rejeita as acusações que as associações de táxi têm feito a este meio de transporte.

Joaquim Martins, taxista com pouso habitual no Largo do Chiado, não tem dúvidas: os tuk-tuk são “uma praga”. E não é o único a pensar assim. “Esta merda devia ser toda incendiada”, grita um taxista da Praça do Comércio que pede para ser identificado apenas como sr. Nogueira. Um colega, que não quis dizer o nome, acrescenta: “Isto só se resolve com os táxis parados e atirando essas merdas todas ao rio”. Segundo relatam, isso até já aconteceu junto às Docas com dois tuk-tuk.» [Observador]
   
Parecer:

Entre um jovem educado que sabe várias línguas e serve de guia e uma besta quadrada que não sabe nada e lhes vai enfiar o barrete é óbvio que os turistas sabem escolher. Os nossos taxistas esquecem que hoje os turistas chegam a Lisboa muito bem informados sobre as suas personagens típicas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
  
 Novo Banco lança campanha de imagem
   
«O Novo Banco vai lançar uma campanha publicitária com a nova imagem a partir da próxima sexta-feira e irá de seguida começar a alterar a imagem em todos os balcões, segundo o líder do banco, Vítor Bento. A campanha publicitária irá decorrer na rádio e na imprensa e a mudança da totalidade dos balcões irá decorrer posteriormente, seguindo uma imposição dos reguladores que obriga a que a mesma ocorra no prazo de dois meses de forma a fazer desaparecer a marca BES do Novo Banco.» [Observador]
   
Parecer:

Deve ser para atrair depositantes a converter em lixo num domingo à noite com comunicação prévia pelo Marques Mendes.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»
   
 É o mercado estúpidos
   
«As companhias aéreas do Médio Oriente viraram-se para Portugal (e para a Europa) e parecem não querer arredar pé. Para estas empresas, o Velho Continente é uma aposta séria e Portugal tem sido um dos países escolhidos para fazer recrutamento.

De acordo com a edição online do Expresso, num ano e meio, a TAP perdeu 37 comandantes, principalmente para companhias do Médio Oriente (Emirates, Qatar Airways, Etihad Airways) e asiáticas (Korean Air).

As razões? Várias e todas relacionadas com melhores condições de emprego, diz a mesma publicação. Desde salários líquidos superiores aos pagos pela transportadora aérea portuguesa (em 60% a 65%), casas pagas ou subsídios mensais para habitação na ordem dos três mil euros líquidos e até dinheiro para pagar a escola a cada filho.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

A políica de baixos salários não tem grande futuro num mercado laboral globalizado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao incompetente Lambretas.»
     

   
   
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