sábado, março 14, 2015

Guião para a destruição do Estado

Não se sabe muito bem o que é feito do famoso guião para a reforma do Estado, um famoso documento produzido ainda no tempo do Moedas que o governo pediu para o FMI assinar por baixo e depois foi entregue ao Paulo Portas para implementar, uma tarefa que foi um prémio para a revogabilidade das suas decisões irrevogáveis. Mas começa a ser evidente que na impossibilidade de destruir o Estado e sem poder levar à prática a revisão constitucional que em tempos foi encomendado ao Paulo Teixeira Pinto o governo decidiu destruir o Estado.
  
O Estado de hoje é uma organização em perda acelerada de qualidade, que paga a quadros superiores salários pouco acima dos que usufruem as empregadas domésticas e que neste anos foi abandonado por muitos milhares técnicos altamente qualificados que preferiram a reforma antecipada a suportar esta invasão de bárbaros que lhes entrou pelos gabinetes dentro.
  
O Estado que era um viveiro de técnicos que alimentava o sector privado foi transformado numa segunda escolha para os jovens em busca de emprego que ainda não abandonaram o país. Muitos destes jovens não atingirão os patamares de excelência técnica que o Estado proporcionava no passado porque com a oficialização dos boys por falsos concursos e com o abandono dos melhores quadros a Administração Pública é o reino da burocracia.
  
Destruída o Estado na sua competência era necessário destruí-lo no seu outro alicerce, o da autoridade e foi isso que sucedeu nos últimos dias. Surpreendido pelas notícias e sem explicações para dar a solução foi achincalhar os serviços públicos, atribuindo-lhes todas as culpas. O país viu um ministro usar os seus serviços para limpar a ficha contributiva do primeiro-ministro. Por outro lado, os que aplaudiam o combate à evasão fiscal ficaram com a percepção de que há dois pesos e duas medidas na aplicação da lei fiscal.
  
Ainda por cima há chefes de serviços que andam por aí a assustar estagiários com bolsas VIP enquanto os jornais dão conta de vagas de centenas de processos disciplinares abertos a funcionários acusados de voyeurismo fiscal. Os funcionários já eram acusados de incompetência, depois começaram a ser acusados de brutalidade nas penhoras, agora são voyeurs que não respeitam o sigilo fiscal. De um dia para o outro a máquina fiscal que nada tinha que ver com as dívidas ou supostas dívidas de Passos Coelho à Segurança Social passaram a ser os maus da fita. E se foi o governo que começou esta grandiosa obra da destruição da credibilidade do Estado e dos seus serviços, agora também já é a oposição a fazer surf nas costas dos serviços públicos.
 

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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Pinto de galinha-d'água [Gallinula chloropus], Jardim Gulbenkian , Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Ferro Rodrigues

Face às críticas que já se ouvem dentro do PS e que começam a generalizar-se nos seus apoiantes Ferro Rodrigues responde com o maior desprezo por essas mesmas críticas, diz que quem “define a estratégia do PS é o PS”. O líder da bancada parlamentar do PS tem toda a razão, é ele o dono da bola e por isso decide como se joga, quando se joga e com que regras se joga. Mas convém não esquecer que tem uma bola emprestada por aqueles que depositaram a sua esperança em António Costa. E como se isso não bastasse sugere que os que defendem oposição governo querem sangue, esquecendo o grande argumento usado para derrubar Seguro. Enfim, parece que para se defender das críticas dos que votam nele já parece ser mais sanguinário do que em relação ao governo mais brutal e incompetente que Portugal já teve.

A resposta de Ferro Rodrigues revela o autismo de quem julga que por estar farto de Passos Coelho o eleitorado será forçado a votar no PS, é uma postura de quase chantagem sobre os eleitores, ou votam em nós ou são lixados pelo Passos Coelho. OPS ainda não percebeu que as pessoas vão envelhecendo e que a maior parte dos eleitores já não se revê nesta geração de políticos, já ninguém sabe o quer saber o que foi o MÊS, ninguém tem paciência para ouvir Vieira da Silva e a escolha dos cenários do passado do PS para as entrevistas de António Costa já cheiram a bafio. Para termos a cereja em cima deste bolo que já está fora do prazo de validade só falta a Maria de Belém ser candidata a Belém, lembra o velho anúncio televisivo de uma marca de bagaço “ai não tem Aldeia Nova? Então dê-nos um pastelinho de bacalhau!”.
  
Os portugueses confiaram em António Costa por representar um  projecto alternativo mas esse projecto é cada vez mais um pouco de nada. Primeiro era cedo para falar, depois fomos remetidos para a agenda da década, de um dia para o outro fala-se na ideia inovadora do cenário macroeconómico e quando os portugueses já estão a banhos lá vai aparecer um programa de governo feito por mentes brilhantes.
  
Parece que António Costa perdeu o jeito que tinha para analisar as sondagens  no tempo de António José Seguro, assim como mudou de ideias sobre a forma de fazer oposição. As suas sondagens já quase à beira das eleições são mais desmotivadoras do que as do seu antecessor e comparando com os tempos de Seguro o grupo parlamentar faz lembrar o camarote dos velhos, na série humorística dos Marretas. 

Dantes ainda se ouviam algumas opiniões de António Costa na Quadratura do Círculo, mas desde que deixou aquele programa que o líder do PS deixou de abordar questões nacionais. Agora se queremos saber o que pensa António Costa teremos de nos limitar Às ajudas aos clubes de futebol, às taxas e taxinhas, às suas guerras queixotescas com o Maduro e a outros assuntos de dimensão autárquica. Se o povo quer saber o que ele pensa sobre o país que espere pelo momento adequado se alguém criticar o PS o Ferro diz que eles são os donos da bola e ponto final.
  
António Costa deve ter em casa um espelho simpático a quem pergunta todas as manhãs “espelho meu, há algum político mais vencedor do que eu’” e o espelho responde “Não, podes estar descansado e nada fazer porque o povo te vai dar o poder”. O problema é se o espelho do António Costa  se quebrar no dia das eleições e nessa altura o líder do PS perceber que as eleições legislativas não eram favas contadas. Se isso acontecer o PS estarei aqui para ver o que vai Ferro Rodrigues dizer para salvar o seu partido do desastre, sempre quero ver se repete que quem manda no PS é o PS, isto é, é ele.
  
Da parte que me toca só tenho uma ccoisa a dizer, se a direita voltar a ganhar as eleições deixarei de contar com o PS seja para o que for, porque o que está em causa não é saber se o António Costa tem emprego no governo ou na câmara ou se algumas personalidades continuam a desfilar na feira de vaidades da nossa vida política, o que está em causa é o povo e o que ele tem sofrido com esta política. Ferro Rodrigues pode ser o dono da bola, mas sem o voto dos portugueeses essa bola é de trapos

«Já ia embora, mas voltou para trás. Afinal, em dia de jornadas parlamentares do partido, é hora de defender o líder da bancada que tem sido alvo de críticas pelo desempenho à frente da bancada dos deputados socialistas. “É uma honra”, disse António Costa dando a cara por Ferro Rodrigues. Já o líder parlamentar preferiu dizer que não tem uma postura de conflito: “Há muita gente que gosta de cheiro a sangue, mas eu não tenho essa lógica de estar na vida nem na política”, disse.

Várias têm sido as vozes, mesmo que anónimas, a criticar o desempenho do socialista, sobretudo nos debates quinzenais com o primeiro-ministro. A liderança da bancada não é posta em causa diretamente, mas há quem peça mais ação. Hoje, foi até Ferro que chamou à atenção de Costa para o facto de os jornalistas quererem falar com ele sobre este assunto. António Costa já tinha virado as costas para ir embora, quando um jornalista lhe diz que queria falar sobre o líder parlamentar e Ferro, sorridente, diz a Costa: “Querem falar sobre o seu líder parlamentar”.» [Observador]

 Programa Vem

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 Um hispânico faz comentários racistas sobre Michele Obama
   
«"Podíamos dizer que Michelle Obama entrou no Planeta dos Macacos". Foi este o comentário que valeu ao apresentador de televisão de origem venezuelana Rodner Figueroa o despedimento da estação Univision, o canal em língua espanhola mais importante dos Estados Unidos.

O caso aconteceu em direto na quarta-feira, durante a emissão do programa "El Gordo y La Flaca", no qual foram mostradas várias fotos de Michelle Obama, no sentido de comentar as diferenças de visual da primeira-dama norte-americana ao longo do tempo.» [DN]
   
Parecer:

Às vezes algumas vítimas de racismo são os mais racistas.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Vomite-se.»

 É preciso ser virgem para ser funcionário da IGF?
   
«A Inspeção-geral de Finanças vai abrir um inquérito sobre uma funcionária da entidade que integrará a lista 'Swissleaks', que reúne mais de 600 contribuintes portugueses que, alegadamente, abriram contas no banco HSBC na Suíça para fugir ao fisco.

A TVI noticiou na quinta-feira à noite que uma funcionária da Inspeção-Geral de Finanças (IGF) teria cerca de 2,5 milhões de euros em duas contas, em conjunto com dois familiares, na filial suíça do HSBC.» [DN]
   
Parecer:

Istoe é a versão saloia da lei do enriquecimento ilícito, a partir de agora quem tenha mais de cinco tostões e for quadro da IGF é investigado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelos resultados desta caça às bruxas.»

 O Frasquilho não sabia nada
   
«O ex-diretor do BES disse ainda que sabia que "havia várias entidades ligadas ao grupo" Espírito Santo, "mas não tinha noção do organigrama do grupo".» [Expresso]
   
Parecer:

Se calhar nem sabia que o presidente do Banco era o Ricardo Salgado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»

 Islândia não quer UE
   
«A Islândia retirou o pedido de adesão à União Europeia, que tinha feito em 2009. O anúncio foi feito ao início da noite desta quinta-feira pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Gunnar Bragi Sveinsson, e é a concretização de uma promessa feita pelo actual Governo de centro-direita na campanha eleitoral de 2013.

“O Governo considera que a Islândia já não é um país candidato e pede à União Europeia que actue futuramente em conformidade com esta intenção”, disse o ministro na carta que enviou ao chefe da diplomacia da Letónia, Edgars Rinkevics, país que detém a presidência rotativa da União Europeia. No seu site, Sveinsson foi menos protocolar e escreveu: "Os interesses da Islândia ficam mais bem servidos fora da UE."

O pedido de adesão foi feito num contexto de uma severa crise económica que pôs em causa o sistema bancário e fez a moeda islandesa perder metade do seu valor, tornando apelativa a pertença à zona euro. O país pediu ajuda ao Fundo Monetário Internacional.» [Público]
   
Parecer:

Fazem bem.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aprove-se.»

   
   
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sexta-feira, março 13, 2015

Cinismo

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Perante o abandono do país por parte de muitos portugueses o governo reagiu de forma brutal, sugerindo aos jovens que partissem em busca de zonas de conforto, Miguel Relva sugeria mesmo destinos como o Brasil ou Angola.  Com o amor dos desprezos pelo drama vivido por muitas famílias que recorriam à partida de alguns para fugir ao desemprego, para ganhar com que pagar a casa ao banco ou mesmo para evitar dívidas ao fisco e `s contribuições com as consequências dramáticas a que Passos Coelho foi poupado.
  
Não eram jovens com uma formação da treta a quem o padrinho Ângelo Correia teve de dar emprego para ter o que comer, eram quadros prometedores, gente com mestrados e doutoramentos, era a melhor geração que o país tinha produzido muito graças às apostas feitas na educação e na investigação que este governo procurou desmantelar. Mas ao governo interessava a partida destes jovens.
  
O modelo de desenvolvimento defendido por este governo assenta em trabalho pouco qualificado e essa gente estava amais, o Gaspar proibiu que alguém falasse de crescimento o que tornava necessário deixar partir os excedentes de trabalhadores qualificados e de quadros. Esta vaga de emigrantes apresentava uma tripla vantagem, aliviava as pressões sociais de uma geração com capacidade reivindicativa, eliminava os jovens das taxas de desemprego e podia gabar-se do sucesso nas contas externas com a ajuda das suas transferências.
  
Nesse tempo até o eurodeputado Paulo Rangel teve aquilo que pensou ser uma ideia brilhante, propôs a criação de uma agência de apoio aos emigrantes, uma forma de estimular a emigração proporcionando aos jovens expulsos do país a informação adequada para encontrarem um destino mais facilmente. A ideia não pegou porque isso significava assumir uma política velada de emigração e, entretanto, começaram a ouvir-se algumas críticas.
  
Agora que se aproximam as eleições o governo veio com a lenga lenga do empreendedorismo para inventar umas gorjetas que consigam convencer alguns jovens mais distraídos a regressar a um país . A medida além de cínica e oportunista é ainda discriminatória pois parece que só os jovens empreendedores e os chineses endinheirados são bem-vindos a este país, os outros podem ficar onde estão.

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


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"Óptica Mundial", Lisboa
  
 Jumento do dia
    
António Costa

O líder da oposição fez um intervalo na autarquia para dar o assunto por encerrado, parece que é alérgico àquilo que designa por casos. Só não se entende o motivo porque se sentiu tão ofendido com o comentário de Cavaco Silva, no fundo a diferença não é assim tão grande.

«Já no final da entrevista, o secretário-geral do PS fez, finalmente, luz sobre a razão por que reagira de forma tão intempestiva às perguntas de uma jornalista que o questionara no meio da rua, vinda “detrás de um carro”, sobre a situação da carreira contributiva do primeiro-ministro. Afinal, António Costa, tem uma “reacção visceral” de cada vez que se vê envolvido perante aquilo que apelidou de “política de casos”.

Nesta quarta-feira, em entrevista à RTP, o socialista fez o esforço de comentar de forma mais reflectida sobre a polémica que tem perseguido Passos Coelho. António Costa deu a entender não ter já dúvidas ou questões a colocar ao chefe do Governo. “Está tudo esclarecido e quanto mais o primeiro-ministro fala, menos esclarece”, disse no Largo do Rato.

Sem dar o assunto por encerrado, o líder do maior partido da oposição optou por frisar que ainda estava para chegar o verdadeiro momento em que o social-democrata seria avaliado pelo seu comportamento. “Acho que o caso está bem entregue, está entregue nas mãos dos portugueses. Tenho a convicção profunda que os portugueses perceberam tudo o que se passou e agirão em conformidade", declarou, numa alusão às próximas eleições legislativas”.

Para António Costa, o juízo final a Passos acontecerá, portanto, daqui a uns meses, com as eleições legislativas. Até porque nenhuma das três entidades com poder para demitir o chefe do Governo – o próprio, a maioria parlamentar ou o Presidente – estavam disponíveis para tal.» [Público]

 A melhor forma de fazer oposição é não fazendo oposição

Volta António José Seguro, estás perdoado!

O PS indignou-se com um eventual acordo entre Seguro e Passos Coelho do qual resultaria umas eleições antecipadas das quais resultaria um Seguro em primeiro-ministro com Passos Coelho em vice-primeiro-ministro. Agora António Costa parece estar interessado num governo onde é Passos o primeiro-ministro, Costa vice-primeiro-ministro e Ferro Rodrigues em secretários de Estado.

 E ninguém lhe fez perguntas

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Na última reunião do Eurogrupo a ministra das Finanças foi confrontada pelos seus parceiros face ao pessimismo das previsões europeias em relação à economia portuguesa, ao que a ministra respondeu tranquilizando obedientemente os parceiros informando-os de que o governo português estaria preparado para adoptar mais medidas de austeridade.

Até hoje ninguém da oposição questionou a ministra sobre quais as medidas de austeridade que estaria preparada para adoptar quando o Eurogrupo lhe der essa ordem, a ministra foi clara ao declarar que "ajustará a estratégia orçamental se for necessário", frase que Passos Coelho repetiu. Será que estamos perante mais um daqueles casos que tanto irritam António Costa e por isso ficou em silêncio?

 Belém a Belém? Nem que os reis magos me pedissem!

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Para presidente do Belenenses talvez!

      
 A guerra em que um dos lados não quer ver
   
«O Estado Islâmico conhece-nos e provoca-nos. No "nos" leia-se o seguinte resto do mundo: gente que não gosta que se regue de gasolina um homem numa jaula e se lhe deite fogo, que se vendam mulheres como escravas, que se ponha um garoto de 12 anos a abater a tiro um homem de joelhos... O resto do mundo não gosta de nada disso e o Estado Islâmico sabe-o. E faz o seguinte: filma cada um desses episódios detestáveis e divulga-os para o resto do mundo. Não se poderá chamar hipócritas a estes radicais islâmicos. Eles fazem o que não gostamos e eles gostam (mais, acreditam que é justo), e fazem questão em mostrá-lo. Crimes iguais a esses quase todas as guerras, sobretudo as civis, os praticaram mas os criminosos tiveram sempre o cuidado de os esconder. O Estado Islâmico, não - até prescinde de divulgadores externos. Que louvores não teria ganho o jornalista que tivesse fotografado, filmado ou escrito com palavras certas e horrorizadas uma cena daquelas numa guerra qualquer... Agora, o Estado Islâmico trata disso e com imagens claras. Ele faz aquilo àqueles que tem à mão e diz que quer fazer aquilo ao resto do mundo que não é o seu mundo. Declaração de guerra mais sincera não há. O Estado Islâmico, percebo. O que percebo menos é o resto do mundo não perceber que está em guerra. Por exemplo, em 1943, em plena II Guerra Mundial, Londres aceitava um propagandista do nazismo como hoje aceita propagandistas do Estado Islâmico?» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

 Bem pregava frei Tomás
   
«"Lamento profundamente não ter tido consciência dessas obrigações", disse no debate quinzenal, de ontem, o primeiro-ministro. Referia-se, claro está, às suas obrigações contributivas, aquelas que ele julgava, à época, serem de carácter opcional. Como disse Catarina Martins, Passos Coelho andou distraído durante cinco anos: não só não tinha consciência de que todos os cidadãos têm de pagar segurança social, como durante o mesmo período de tempo, no momento em que preenchia o modelo B da declaração de IRS, não deu pela existência duma caixinha que refere o carácter obrigatório das contribuições para a Segurança Social.

Resta saber se os portugueses pensam que quem se esquece das suas obrigações contributivas pode ser primeiro-ministro ou não? Se os portugueses acham que alguém que está obrigado a não ter contemplações com quem se atrasa ou que tem uma dívida e espera três anos para a pagar pode ser a mesma pessoa que ignorava uma prestação fundamental para o Estado ou que, já enquanto primeiro-ministro, atrasou o devido pagamento? No fundo, alguém que, com certeza, mudou, mas que durante bastante tempo se seguia por o nosso conhecido "olhem para o que eu digo, não olhem para o que eu faço".

Luís Montenegro, no debate parlamentar, assumiu, com clareza, o carácter político da conduta fiscal e contributiva do primeiro-ministro: "Cada português vai fazer o juízo sobre o comportamento de todos os agentes políticos." É isso mesmo.» [DN]
   
Autor:

Pedro Marques Lopes.


 Já podem voltar
   
«Apoiar os emigrantes e luso-descendentes que queiram voltar ao país para estabelecer empresas e promover a contratação de emigrantes em empresas portuguesas no estrangeiro são algumas das medidas que esta quinta-feira vão ser aprovadas em Conselho de Ministros. O programa VEM (Valorização do Empreendedorismo Emigrante), pretende apoiar numa fase inicial entre 40 a 50 projetos de portugueses que estejam no estrangeiro e queiram voltar para Portugal com ideias para um negócio. Medidas devem entrar em vigor até ao fim de junho.» [Observador]
   
Parecer:

Com a aproximação das eleições o governo faz o mesmo que tem feito com os seus roteiros, limpa as nódoas de sujidade.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Defesa de Sócrates faz acusações graves a procurador
   
«Os advogados de José Sócrates acusaram nesta quarta-feira o procurador encarregue do inquérito relacionado com a Operação Marquês de ter enganado deliberadamente tanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) como o juiz que decretou a prisão preventiva do ex-primeiro-ministro, Carlos Alexandre.

Numa conferência de imprensa em que explicaram os fundamentos do habeas corpus que apresentaram para pedir a libertação imediata do antigo governante, Pedro Delille e João Araújo disseram que o magistrado Rosário Teixeira alterou as referências à altura que José Sócrates teria cometido os crimes de fraude fiscal, corrupção e branqueamento de capitais.

“Inicialmente esses factos estavam localizados entre 2000 e 2005 e foram agora, depois do recurso para o Tribunal da Relação,  deslocados para o período entre 2005 e 2011, período em que o engenheiro José Sócrates foi primeiro-ministro”, referiu João Araújo.

Qual seria o objectivo de Rosário Teixeira? Segundo o advogado, submeter José Sócrates ao poder do juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal Carlos Alexandre, “porventura por o considerar mais favorável às suas teses investigatórias”, em vez de o remeter para os magistrados do Supremo Tribunal de Justiça, os únicos que, no entender dos representantes de Sócrates, poderiam decidir o destino do seu cliente, uma vez que está afinal em causa a actuação de um primeiro-ministro.» [Público]
   
Parecer:

A ser verdadeiras estas acusações isso significa que estamos no Califado.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»

 O Maduro prepara a campanha eleitoral
   
«José Manuel Portugal foi informado na terça-feira pela nova administração da RTP que não contava com ele e deixou nesta quarta-feira de comandar a informação do canal do público, confirmou o PÚBLICO. No mesmo dia, Fausto Coutinho, director de Informação da RDP, comunicou à redacção da rádio pública que a administração da empresa o pretende exonerar.

Com José Manuel Portugal deverá cair toda a restante direcção da RTP. Os nomes da nova direcção, que ainda não são conhecidos, têm de ser enviados para aprovação à Entidade Reguladora para a Comunicação Social e ao Conselho Geral Independente.

Na rádio pública, também já estão em marcha as mudanças. "Acabo de ser informado de que o CA [conselho de administração] pretende exonerar a Direcção de Informação Rádio", diz uma mensagem de Fausto Coutinho, enviada aos jornalistas da rádio.

Questionado pelo PÚBLICO ainda antes de se saber das mudanças na rádio, o presidente da RTP recusou confirmar ou desmentir a situação do director de Informação da RTP. Mas defendeu que “a estrutura está a funcionar”.» [Público]
   
Parecer:

Começou a limpeza.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelos novos nomes.»

 Cavaco diverte-se com os portugueses
   
«O Presidente da República disse esta quarta-feira que não definiu nenhum perfil do seu sucessor no cargo, mas apenas chamou a atenção para a competência reforçada que hoje existe na política externa.

"Eu não defini nenhum perfil, não entendo como é que alguém que tenha lido cuidadosamente tudo aquilo que eu escrevi possa encontrar lá alguma coisa relacionada com algum ato eleitoral", afirmou Cavaco Silva, ao ser questionado sobre as leituras feitas sobre eventuais candidatos à sua sucessão no prefácio do "Roteiros IX", publicação que reúne as suas principais intervenções do último ano.» [Expresso]
   
Parecer:

Ajudem este senhor a sair com dignidade pois já não sabe o que diz.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se o espectáculo triste da incompetência.»
  

   
   
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quinta-feira, março 12, 2015

Manobra de diversão

Cavaco sabe muito bem que não lhe cabe definir critérios de admissão de candidaturas presidenciais que restringem os direitos constitucionais de milhões de cidadãos que nos termos da Constituição podem ser candidatos ao cargo. Se sabe e mesmo assim insiste nessa estratégia é porque o seu respeito pelos valores constitucionais é quase nulo, algo que não é novidade.

Mas, o mais ridículo desta manobra está no facto de um comentador tão experiente como o Marcelo rebelo de Sousa tenha caído no ridículo de se meter em bicos de pés anunciando que tinha acabado de passar na primeira prova de selecção do futuro presidente da República. Santana Lopes fez o mesmo e uma boa parte dos comentadores tugas nem questionou a legitimidade da última baboseira de Cavaco Silva, puseram-se a avaliar os potenciais candidatos para aferir se podiam 
  
Seria demasiada ingenuidade pensar que Cavaco se lembrou de lançar esta alarvidade apenas para pôr a ridículo o inteligente Marcelo Rebelo de Sousa e um aburguesado Pedro Santana Lopes. Se fosse essa a intenção tê-lo-ia feito em momento mais apropriado e como o seu livro dos roteiros (uma obra inútil que só vale pelas confusões provocadas pelos seus prefácios) nem tem data de lançamento poderia esperar mais algum tempo.
  
Mas pensar que Cavaco eu a conhecer o teor do seu prefácio nesta altura sem qualquer intenção é pensar que o ainda e infelizmente presidente dá ponto sem nó, ele ou os que com ele no Palácio de Belém se entretêm a lançar manobras como as falsas escutas a Belém. Estamos perante uma preocupação de Cavaco com o futuro do país ou tudo isto não passou de uma manobra de diversão.
  
A verdade é que quando Passos Coelho estava em sérias dificuldades com o seu currículo contributivo digno de um trafulha o país esqueceu o assunto e durante vários dias só discutiu um assunto que não tem o mais pequeno interesse, de um dia para o outro foi um país de idiotas que se pôs a discutir uma eleição presidencial que se vai realizar só para o ano, tendo como ponto de partida aquele que foi o prior presidente ou monarca da história de Portugal.
  
Cavaco está de parabéns e Passos Coelho deve-lhe mais uma, com esta manobra de diversão e com a preciosa entrevista de António Costa o facto de Portugal ter um primeiro-ministro sem autoridade moral e com um currículo contributivo que em qualquer país europeu conduziria à sua demissão deve ser ignorado. Cavaco disse que o caso era uma luta política e deixou um Costa indignado porque o líder do PS acha que nem chega a ser isso, é um mero caso a que ele nem presta atenção. Têm todos razão, vamos esquecer Passos, a situação desgraçada do país e as próximas eleições legislativas, o importante agora é ver quem pode ser presidente, se a Maria de Deus Belém ou o Marcelo Rebelo de Sousa.
  

Umas no cravo e outras na ferradura



   Mentira do Dia

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   Foto Jumento


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Galo no Campo dos Mártires da Pátria, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Passos Coelho

Por este andar Passos Coelho ainda vai descobrir que os cidadãos que merecem ser criticados são os que pagam, isto é, os normais são os que se escapam e os outrops são os anormais pois poderiam escapar-se e não o fazem.

«Nos primeiros cinco minutos da sua intervenção inicial, o chefe de Governo referiu-se aos seus atrasos no pagamento das contribuições à Segurança Social como “falhas”. E assumiu: “Lamento profundamente de não ter tido conhecimento” desses pagamentos enquanto trabalhador independente nos anos 1990. “Não tenho nenhuma situação por regularizar seja em matéria fiscal ou de Segurança Social”, reiterou, acrescentando que foi por sua “insistência” que procurou avaliar a existência de qualquer dívida ou falha contributiva.

“Assumi que não regularizei essa situação em finais de 2012 para não criar nenhum equívoco para assacar nenhum benefício para direitos futuros”, disse. Passos Coelho acrescentou que acabou por liquidar a dívida “agora” e não "mais tarde". 

Assumindo que está disponível para ser escrutinado, o chefe de Governo deixou, no entanto, um alerta: "Não aceitarei a coberto desse escrutínio se queira fazer manipulação política sobre a minha situação contributiva e fiscal que não corresponda à verdade". » [Público]

 Sinais de decadência

Multiplicam-se os sinais de decadência do primeiro-ministro que para se manter à tona de água já precisa de comentários absurdos de Cavaco Silva, declarações de inocência do ministro Mota Soares, nuvens de fumo lançadas pelo Paulo Macedo , artigos de propaganda gratuita do Ramos do observador. É uma verdadeira procissão de gente que rezxa pela alma de Passos Coelho.

      
 E o Paulo Macedo?
   
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«A sisa acabou em 2003. Esta palavra foi durante muitos anos um dos piores pesadelos dos contribuintes. Obrigatório quando se comprava casa, o imposto era considerado pesado por muitas pessoas que tentavam arranjar forma de escapar ao seu pagamento. Muito conhecido nos meios políticos, já fez cair ministros e secretários de Estado e semeou suspeitas nos currículos de alguns governantes.

O caso mais conhecido é o de António Vitorino. Em 1997, era ministro da Defesa e demitiu-se quando o Público descobriu que não tinha pago a sisa relativa a um monte em Almodovar, comprado antes de ser ministro, porque declarou um valor abaixo do valor real. O então ministro de António Guterres convocou uma conferência de imprensa para apresentar a demissão mal recebeu as perguntas do Público. Não esperou que saísse a notícia.» [Observador]
   
Parecer:

O Observador descobriu que no passado houve outros ministros com problemas de ordem fiscal, uma forma de desculpabilizar Passos Coelho pois misturam-se dúvidas com certezas, erros com evasão. Mas a jornalista esqueceu-se de um ministro deste governo que também foi manchete, Paulo Macedo.

O divertido do caso do IMI de Paulo Macedo está no facto deste senhor ter perseguido gente na tentativa de saber a origem da fuga, tendo este modesto blogue sido o suspeito número um e a vítima principal do ódio do então DGCI. Mas o mais curioso desta história está no facto de o jornalista que então irritou o Paulo Macedo, Rudolfo Rebelo do DN, é agora assessor de Passos Coelho.

É uma excelente ocasião para Passos Coelho e Paulo Macedo saberem quem são as gargantas fundas do Fisco pois se há alguém neste país que teve acesso indevido a muita informação do fisco é precisamente Rudolfo Rebelo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Pergunte-se à jornalista Helena Pereira, do Observador, que marca de queijo anda a comer.»
  
 Grécia, o caldo vai entornar
   
«O Governo grego está decidido a abrir uma nova frente de batalha com a Alemanha, ao insistir no pagamento de compensações pelos crimes e destruição dos nazis durante a II Guerra Mundial. O tema não é novo, mas nesta quarta-feira o ministro grego da Justiça, Nikos Paraskevopoulos, disse estar pronto para aplicar uma decisão do Supremo Tribunal de Atenas e exigir milhares de milhões de euros a Berlim.

"A título pessoal, penso que a autorização para aplicar a decisão [do Supremo] deve ser dada e estou pronto para fazê-lo", disse o ministro num debate parlamentar sobre os crimes cometidos pelos nazis na Grécia.

O primeiro-ministro, Alexis Tsipras, não sendo tão directo, foi mais duro: "Depois da reunificação [da Alemanha], em 1990, foram criadas as condições políticas para resolver o assunto. Mas, desde então, os governos alemães escolheram o silêncio, os truques legais e o adiamento. E pergunto-me, numa altura em que tanto se fala de moral na Europa: é esta uma atitude moral?".

A compensação que a Alemanha deve à Grécia é um tema antigo. Tsipras quer reabrir o dossier e fazer regressar ao trabalho a comissão parlamentar criada em 2012 para investigar o assunto mas suspensa em Dezembro do ano passado, quando foram marcadas as eleições antecipadas que deram a vitória ao Syriza de Tsipras.

"O Governo grego tem por objectivo debruçar-se sobre o assunto com sensibilidade e responsabilidade, através do diálogo e da cooperação, e espera a mesma atitude do Governo alemão, por razões políticas, históricas e simbólicas", disse o primeiro-ministro. Tsipras apelou também à compreensão dos outros países europeus ao dizer: "É nosso dever para com a História, para com os combatentes de todo o mundo que deram a vida para derrotar o nazismo".» [Público]
   
Parecer:

Um dia destes a Alemanha ainda no vem cobrar uma comissão sobre essa dívida pro causa de lhe termos pedido para ser dura com a Grécia.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Que a terra lhe seja leve
   
«A confirmar-se, esta será a quarta morte anunciada de um jihadista português no conflito na Síria e no Iraque.

Um jornalista do Alrai, do Kuwait, anunciou no Twitter a morte de um jihadista português, que designou como Abu Juwairiya al-Portughali.» [DN]
   
Parecer:

Menos um bandido.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Aguarde-se pelo fim da guerra na Síria.»
  

   
   
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