sábado, junho 13, 2015

A perturbação da defesa

Na justiça de um Estado democrático a defesa das liberdades e garantias dos direitos dos cidadãos deve ser protegido dos poderes policiais e principalmente dos seus abusos. Se um cidadão for condenado por cometer um crime é submetido à pena que for decidia, mas enquanto tal não suceder as polícias devem pautar a sua actuação pelo respeito dos seus direitos de defesa.
  
Se o cidadão deve ser protegido também é verdade que no caso de decorrer uma investigação a liberdade de quem está a ser alvo dessa investigação está condicionada. Se as polícias, chamem-se magistrados, inspectores ou agentes, devem respeitar os direitos dos cidadãos, também não faz sentido que o uso destes direitos possam servir para condenar a investigação ao insucesso. É por isso que quanto mais grave é o delito mais longe podem ir os polícias em relação aos direitos dos cidadãos.
  
Em Portugal todas as investigações são viciadas à partida, as polícias não gostam nada de respeitar os direitos dos cidadãos sempre que é iniciada uma investigação os crimes investigados são sempre os mais graves. Se os polícias suspeitam que um cidadão cometeu  um crime cuja pena é inferior a três anos de prisão e isso impede buscas e escutas telefónicas a suspeita passa a ser de outro crime mais grave para ampliar os poderes policiais. Não admira que hajam tantos portugueses a serem investigados por branqueamento de capitais e sejam tão poucos a serem condenados por isso, sucede que com este pequeno truque os poderes das polícias aumentam, e os direitos dos investigados diminuem.

Como se não bastassem os imensos poderes policiais, alguns deles conseguidos através da produção de falsas provas, como sejam as cartas anónimas que as polícias escrevem a si próprias para iniciarem investigações com escutas e buscas (como sucedeu com o caso Freeport) as polícias armam-se em virgens e usam e abusam de chavões como a “colaboração com a justiça”, a “perturbação do inquérito” ou o “alarme público”. Os cidadãos são tratados como criminosos perigosos, perdem os seus direitos e ainda por cima devem ser mansinhos e respeitadores. E quando os juízes de instrução sofrem do síndroma Falcone é pior ainda, aquele que no nosso quadro jurídico deve defender os seus direitos junta-se aos polícias e quando uns dizem mata, o outro diz esfola. Em bom português o cidadão está lixado, para não usar outro tema mais comum.

Se no âmbito de um inquérito as polícias abusam dos seus poderes resta ao cidadão que seja o juiz de instrução a repor o respeito pelos seus direitos. Se este sente que a sua vocação é ser polícia e em vez de vigiar a actuação desta opta por juntar os poderes de juiz aos poderes de polícia o cidadão deixa de ter direitos e está nas mãos da arbitrariedade.
  
A paranóia chega ao ponto quando os polícias não respeitam nenhumas regras e se o cidadão que deixou de o ser porque os polícias conseguiram eliminar os seus direitos constitucionais com recurso a truques jurídicos apoiados em cumplicidades corporativas protesta e afirma a sua inocência e acusado pelos polícias associados aos juízes que o acusam de perturbar o inquérito, sendo isso motivo para ter ainda menos direitos. Isto é, a regra é óbvia, ou te calas ou comes ainda mais.
  
Em Portugal qualquer cidadão pode ficar preso quase indefinidamente porque polícias e juízes o acusam de perturbar o inquérito, mas nenhum polícia ou juiz é preso por perturbar os direitos dos cidadãos, o direito ao respeito epla sua imagem ou o direito à liberdade. Os polícias e juízes podem perturbar um cidadão até à sua destruição moral, mas isso não é motivo para qualquer beliscão


Os antigos inspectores da PIDE e os juízes dos tribunais plenários, verdadeiros antecessores de alguns dos nossos juízes devem estar a rir-se, afinal a justiça em democracia pode chegar a ser tão desrespeitadores dos mais elementares valores democráticos como o era a justiça no fascismo.

_____________

Infelizmente não são apenas os magistrados que actuam corporativamente e recorrem a todos os truques para reduzir ou eliminar os direitos dos cidadãos que por qualquer motivo (uns verdadeiros, outros resultantes da criatividade de quem quer mostrar serviço para subir na hierarquia à custa dos outros, os tais que não gostam de perder nem aos feijões). Seguindo o exemplo dos juízes os governantes jogam ao gato e ao rato com a Constituição e com os acórdãos do Tribunal Constitucional, o fisco quase ignora os direitos dos contribuintes e tudo faz para os eliminar ou reduzir. O português comum está sendo tratado como um servo da época medieval e nas lutas políticas começa a recorrer-se também aos métodos desta época.

Aditamento:

 photo 465583_zpsavywbo7k.jpg

O PCP anda numa tal fussanguice eleitoralista e de ataque à esquerda que até se esqueceu de fazer uma pequena referência ao 10.º aniversário da morte de Álvaro Cunhal na sua homepage. Se não fosse o Pacheco Pereira, um perigoso político da direita dos capitalistas, ninguém teria dado pela efeméride!

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


 photo _Trono_zpspskpyijc.jpg

Trono de Santo António, Alfama, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Joana Marques Vidal, Procuradora-Geral da República

Pela milésima vez o MP abriu mais um inquérito às violações do segredo de justiça que toda a gente imagina serem promovidas pelo MP. Mais uma vez os contribuintes vão pagar os custos de mais uma farsa. Mais uma vez o MP fica manchado por uma imagem que nos reduz enquanto país a uma república das bananas.

Quantas violações do segredo de justiça serão necessárias para que Joana Marques Vidal assuma as devidas responsabilidades e consequências.

«O Ministério Público abriu um novo inquérito por violação do segredo de justiça, na sequência da publicação de transcrições de um interrogatório feito pelo procurador Rosário Teixeira ao ex-primeiro-ministro José Sócrates, no âmbito da Operação Marquês.

"Na sequência da publicação de transcrições de um interrogatório levado a cabo no âmbito da denominada 'Operação Marquês', o Ministério Público decidiu abrir um inquérito por violação de segredo de justiça", informou o gabinete de imprensa da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A PGR lembra que "o Ministério Público, sempre que tem conhecimento de factos susceptíveis de integrarem o crime de violação de segredo de justiça, procede à instauração do respectivo inquérito".

Em causa está a publicação, na revista Sábado, de transcrições do interrogatório realizado a 27 de Maio, no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP). As perguntas mostram que o Ministério Público suspeita que o ex-primeiro-ministro teria recebido luvas do empresário Hélder Bataglia para que o Governo liderado por José Sócrates aprovasse uma lei feita à medida, para favorecer o empreendimento imobiliário de luxo Vale do Lobo, no Algarve.» [Público]
 
 Interrogações que me atormentam
 
Porque será que o governo teve tanta pressa em despachar a TAP que ninguém queria vender e anda a arrastar com o Novo Banco de que os portugueses se querem ver livres?

 Elogios
 photo _Tira_zpsscrod6jk.jpg

      
 Para onde vai o SNS?
   
«Dois estudos recentemente divulgados demonstram como vai mal o SNS. Um inquérito respondido por mais de 800 médicos internos revelou que 81% dos jovens médicos consideram que o panorama da prática médica em Portugal piorou muito ou extremamente nos últimos anos, que 65% ponderam emigrar e que 22%, se soubessem o que sabem hoje, teriam escolhido outra profissão.

Um outro inquérito, efetuado a todos os médicos e com mais de 3000 respostas, demonstrou que 80% dos médicos do SNS consideram que as reformas no setor público já afetaram a qualidade dos cuidados prestados aos doentes, 40% dos médicos afirmaram que nas respetivas instituições existem faltas recorrentes de material com prejuízo do exercício da profissão, 50% afirmaram que o abandono de terapêuticas aumentou devido a dificuldades económicas dos doentes, 50% dos médicos urologistas e oncologistas revelaram haver mais dificuldade no acesso a medicações inovadoras, etc. Outra realidade preocupante é o facto de 60 a 70% dos médicos do setor público referirem sensação de esgotamento. Os médicos do setor privado relatam problemas algo semelhantes.

Estes dois estudos, que, pela gravidade dos seus números, vale a pena ler na íntegra, evidenciam a verdade com bases científicas, contrariando o romance oficial escrito pelo Ministério da Saúde de que quase tudo vai bem ou ainda melhor no SNS.

Afinal, por que é que o SNS está pior? Porque sofreu cortes excessivos, bem acima do proposto pela troika.

Efetivamente, em Portugal, a despesa pública em Saúde é apenas de 5,9% do PIB, muito abaixo da média da OCDE, de 6,7%! Os portugueses, apesar de empobrecidos, são obrigados a pagar 37% das despesas em saúde diretamente do seu bolso, um dos valores mais elevados da OCDE.

Deixo um desafio formal e defino um padrão aos partidos que se candidatam às próximas eleições para que assumam o compromisso de investir na Saúde, em despesa pública, o mesmo que a média dos países da OCDE, ou seja, mais 0,8% do PIB português, cerca de mais 1400 milhões de euros por ano.

Se isso acontecer, para satisfação de profissionais e doentes, teremos um SNS robusto, sustentável, de qualidade e cumprindo os seus preceitos constitucionais.

Em Portugal, a despesa pública em Saúde é apenas de 5,9% do PIB, muito abaixo da média da OCDE, de 6,7%!» [JN]
   
Autor:

José Manuel Silva.

 Sempre Sócrates
   
«O cartaz com o rosto do ex-PM e os dizeres "José Sócrates sempre" aposto à entrada de Lamego para o 10 de Junho terá sido pensado como repto e jura, mas é sobretudo irónico. Afinal, pela primeira vez, dois dos seus ministros iam ser condecorados: o recentemente desaparecido Mariano Gago, responsável por uma pasta - Ciência, Tecnologia e Ensino Superior - que o atual governo extinguiu e cujo legado o próprio considerava estar a ser destruído (sem que alguma vez tivéssemos ouvido o PR pugnar por ele), e Teixeira dos Santos, que acompanhou Sócrates à frente das Finanças durante os dois mandatos, sendo portanto o responsável pela política financeira que Cavaco tinha, na tomada de posse, em março de 2011, arrasado de cabo a rabo.

Mas Teixeira dos Santos, recorde-se, foi o ministro que anunciou o pedido de resgate através de um e-mail para um jornal. Ao condecorá-lo, Cavaco não está só a lembrar que fez questão de não condecorar Sócrates: está a distinguir o ministro cuja perceção pública é de que traiu o ex-PM. O silêncio de PSD e CDS é igualmente significativo: os que em tempos acusavam Teixeira dos Santos de ludibriar o país quanto ao défice parecem agora aprovar que seja distinguido por serviços à Pátria.

É um notável dom de Sócrates, este, o de conseguir que tanto do que se passa no país seja valorizado negativa ou positivamente em função da sua relação consigo. Ante o processo de que é principal alvo, esta tendência foi levada ao paroxismo. Qualquer pessoa que abra a boca para criticar a atuação da justiça em geral e no caso em que é arguido em particular leva o labéu de socrático ou, como escrevia ontem no Público João Miguel Tavares, inaugurando uma nova categoria, de "simpatia por". Trata-se de quem quer, diz JMT, que Sócrates seja ilibado "por dificuldade de prova" mesmo sendo - é a propalada convicção do articulista - culpado sem remissão.

Ora se há coisa para a qual o processo Marquês tem servido é a de iluminar aspetos menos conhecidos ou mais negligenciados do nosso sistema judicial, da extensão inadmissível da prisão preventiva e dos critérios incompreensíveis da sua aplicação às condições das prisões, passando por disfunções já muito debatidas como a perversidade do segredo de justiça e a arbitrariedade e opacidade das ações de juízes e MP - que podem chegar, como frisava anteontem um mais do que insuspeito Pacheco Pereira na Sábado, à possibilidade de "forçar provas" e condenar "por convicção". Ser um ex-PM, e portanto alguém que foi responsável por medidas de que agora é destinatário inconformado, a chamar-nos a atenção para as pechas do sistema não pode constituir motivo para estas revelações serem desqualificadas. O sistema judicial é - devia ser - muito mais importante do que a simpatia ou a antipatia por Sócrates. Que num ano de legislativas estas questões sejam tabu para os partidos, a começar pelo PS, é sinal de que a doença de tudo reduzir ad Socratem está a dar cabo de nós.» [DN]
   
Autor:

Fernanda Câncio.

      
 Acabou a farsa do segredo de justiça?
   
«Numa altura em que vários órgãos de comunicação social divulgaram longas transcrições do último interrogatório feito no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) a José Sócrates, no final do mês passado, um dos advogados do ex-primeiro-ministro, João Araújo, anunciou que deixará de respeitar o sigilo a que a lei o obriga.

“Da nossa parte acabou o segredo de justiça”, declarou João Araújo, acrescentando que passará a informar a comunicação social de todos os documentos que enviar para o tribunal. A violação do segredo de justiça é crime e é precisamente por isso que a Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu um inquérito na sequência da divulgação das transcrições do interrogatório: para descobrir a origem da fuga de informação.

Esta será a primeira vez que a gravação de uma inquirição chega à opinião pública nesta fase processual. Desde 2013, que a lei passou a exigir as gravações e o DCIAP adquiriu “um sistema de gravação vídeo e áudio para as duas salas de inquirições”, informou a PGR, segundo a qual os depoimentos deixaram de “estar documentados em auto escrito”.» [Público]
   
Parecer:

Aquilo a que estamos a assistir é de ir ao vómito.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Proteste-se.»
  
 O artigo mais idiota do Código Penal
   
«Sobre a mesma matéria as duas entidades recomendam ainda que sejam revogadas as potenciais penas de prisão, previstas no Código Penal, para os crimes de difamação e de ofensas a pessoa coletiva, organismo ou serviço, e a pessoa que goze de proteção internacional.

Prevista está igualmente a pena de prisão -- cuja eliminação as duas entidades também defendem - para quem injuriar símbolos de soberania - nacionais, regionais e estrangeiros (a bandeira por exemplo) -, ou para quem ofender a memória de pessoa falecida, dizem o Instituto e o Observatório, num relatório a que a Lusa teve acesso.

Com o título "Criminalização da difamação em Portugal", o relatório é o resultado de uma visita do IPI a Portugal e nele salienta-se que o país tem "disposições obsoletas de criminalização da difamação", que "não cumprem os padrões internacionais, por uma margem alarmantemente ampla".» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Foi com base neste artigo que um senhor chamado Paulo Macedo tentou perseguir este blogue.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Revogue-se.»

 "Férias" escolares no Outono
   
«O Conselho das Escolas (CE) reclamou nesta sexta-feira uma espécie de “férias de Outono” para as crianças — uma pausa de dois dias úteis consecutivos, entre os dias 29 de Outubro e 3 de Novembro deste ano. Na prática, tendo em conta o fim-de-semana, propõe uma interrupção de actividades lectivas durante quatro dias, a meio do primeiro período, para que “as escolas possam proceder a uma reflexão sobre o percurso educativo dos alunos” e, se for o caso, “estabelecer medidas educativas de superação das dificuldades detectadas.

No parecer, o Conselho de Escolas — um órgão consultivo do Ministério da Educação e Ciência, constituído por dirigentes escolares que são eleitos pelos seus pares — argumenta que o primeiro período lectivo “é, por norma, o mais extenso do ano, correspondendo também, e frequentemente, a cerca de três meses completos de actividades lectivas, mais de 60 dias úteis de aulas”. Refere, ainda, que “em muitos dos países europeus que frequentemente são apresentados como referência” se verifica “uma curta interrupção pelo Outono, as designadas ‘férias de Outono’”.» [Público]
   
Parecer:

As escolas têm os meses de Verão para formar turmas, preparar o ano lectivo e avaliar os alunos que vão participar nas turmas, têm os professores que acompanham os alunos diariamente e que podem reunir com os colegas, os directores de turma acompanham os alunos e reúnem com os encarregados de educação. Para que servem os dois dias? Tudo o que possa ser feito para melhorar as escolas deve ser feito, mas estando em causa a evolução dos alunos faz todo o sentido saber se antes dessa interrupção de Outubro as escolas fazem tudo o que podem fazer.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Discuta-se a proposta.»

 Jorge Jesus vale o dobro da TAP?
   
«Um insulto, uma operação opaca, uma tragédia, um dia de luto, uma venda por trocos. Não faltaram os ataques das bancadas do PS, PCP e BE à privatização da TAP, num debate parlamentar agendado pelos bloquistas. Mas foi da boca de um deputado do PS, Rui Paulo Figueiredo, que veio a comparação com a transferência futebolística do momento: “É uma vergonha vender a TAP por metade de Jorge Jesus.”» [Público]
   
Parecer:

O melhor é nacionalizar o Jorge Jesus e depois perguntar ao FMI se devemos ficar com ele ou privatizá-lo a quem der mais pelo prejuízo.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Já existe um plano B para a Grécia
   
«Altos responsáveis da Comissão Europeia estão a preparar-se para a possibilidade de a Grécia incumprir com um pagamento de dívida nas próximas semanas. A Reuters escreve esta sexta-feira que, perante o arrastar das negociações, os responsáveis já incluem nos cenários possíveis um cenário em que a Grécia protagonize o primeiro default (falha de pagamento) de um país na História da zona euro. O BCE, o FMI e vários Estados-membros estão “extremamente céticos” de que poderá haver um acordo a tempo, pelo que agora se admite, abertamente, que pode ser necessário um “plano B”.

“Pela primeira vez houve uma discussão sobre um ‘plano B’ para a Grécia”, disse uma das fontes citadas pela Reuters, uma informação corroborada por todas as outras fontes contactadas pela agência. Até agora, vários responsáveis têm negado a existência (e a necessidade) de discussões sobre um “plano B”, isto é, o que fazer se a Grécia incumprir com a dívida por não chegar a acordo com os credores e como o país pode permanecer na zona euro se isso acontecer. Em Bruxelas, essa ideia tem sido tabu, mas pelo menos desde abril que, segundo a imprensa alemã, Berlim discute como se poderá reagir a um default sem que isso leve à saída do euro.» [Observador]
   
Parecer:

Isto vai acabar muito mal.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Espere-se para ver.»


   
   
 photo Tobias-Richter-2_zpsix79hdij.jpg

 photo Tobias-Richter-5_zpsbd11tuq3.jpg

 photo Tobias-Richter-1_zpsarcelcte.jpg

 photo Tobias-Richter-4_zps8jv0l5li.jpg

 photo Tobias-Richter-3_zpsy0b7qoe7.jpg
  

sexta-feira, junho 12, 2015

Trinta dinheiros

A imagem de Cavaco Silva ao lado de Passos Coelho na inauguração do Museu dos Coches diz muito sobre quilo a que assistimos em Portugal. O novo Museu dos Coches foi uma obra condenada por esta maioria, gozada das mais diversas formas, mas na hora de agendar o roteiro das inaugurações de Passos Coelho era o que havia. Cavaco Silva que durante o governo de José Sócrates não foi convidado para cortar uma única fita e durante oeste governo nada teve para inaugurar não perdeu a oportunidade de cortar uma fita num domínio em que ele se sentiu sempre um rejeitado, o da cultura.

No dia 10 de Junho o país voltou a ver a família da direita reunida e feliz em Lamego no comício de abertura da campanha da direita inaugurado por Cavaco Silva. Não havendo obra para mostrar resolveram exibir Teixeira dos Santos. Cavaco nunca condecorou Sócrates por pura vingança, mas também porque sabia que havia uma grande probabilidade de o ex-primeiro-ministro o mandar condecorar a tia. 

Sucede que Cavaco foi desde o primeiro minuto o estratega do pedido de ajuda internacional, foi ele que defendeu as agências de notação especulares com a crise financeira Europeia vindo em defesa dos “mercados”, foi ele que quando Teixeira dos Santos fez uma viagem à China em busca de financiamento externo lançou dúvidas sobre as origens do dinheiro. Curiosamente Cavaco ganhou muito dinheiro com acções cotadas e negociadas de forma duvidosa fora dos benditos mercados e agora que o seu amigo Catroga é empregado dos chineses o dinheiro da escravidão do capitalismo de estado chinês já não é dinheiro bem-vindo.
  
Cavaco precisava de exibir um troféu que provasse que o mau da fita era Sócrates e que durante o governo anterior haviam ministros que mereciam o seu elogio. Cavaco tinha vários membros do governo de Sócrates que nunca perderam a oportunidade de se demarcarem do ex-primeiro-ministro, recordo os exemplos de Luís Amado ou de Manuel Maria Carrilho. Mas como estava em causa celebrar o ciclo político iniciado com o pedido de ajuda externa a escolha recaiu em Teixeira dos Santos.
  
Teixeira dos Santos sentiu-se honrado, mesmo depois de ter sido rejeitado para a administração da CGD pelas suas responsabilidades no anterior governo, aceitou o papel que lhe foi atribuído no comício. Teixeira dos Santos sentiu-se recuperado e talvez ainda vá a tempo de conseguir algumas mordomias, Cavaco Silva limpa a imagem e em vez de ser o homem vingativo, é o presidente que consegue ver o valor nos seus adversários. 
  
No Museu dos Coches Cavaco Silva inaugurou obra alheia como se fosse sua, apagando Sócrates de um passado que o deixa nervoso. Agora exibe Teixeira dos Santos para de foram indirecta lançar Sócrates na campanha eleitoral. E Teixeira dos Santos aceitou o papel. Enfim, talvez seja desta que a direita o convide para administrador não executivo da CGD ou mesmo para um cargo na TAP, é uma questão de tempos para sabermos qual é a versão actual dos trinta dinheiros.
  

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


 photo _Alcacer_zpsawedfawh.jpg

Alcácer do Sal
  
 Jumento do dia
    
Miguel Relvas

O sotôr está de volta, agora já só falta o Dias Loureiro ser candidato a Belém.

«“Miguel Relvas é uma figura incontornável do distrito de Santarém. Eu não viro as costas a quem esteve sempre a meu lado e que me apoiou sempre”. É assim que Nuno Serra, presidente da distrital do PSD de Santarém, afirma o seu apoio à possibilidade de Miguel Relvas voltar a ser a figura máxima do distrito na candidatura às legislativas. A decisão depende agora do próprio Relvas – que não terá tomado ainda uma opção final sobre o seu futuro – e de Pedro Passos Coelho, a quem cabe nomear os cabeças-de-lista.» [i]

 De bloquista a madame Le Pen portuguesa

 photo Le-Pen-Tuga_zpsvubsf7vi.png

Se não a conhecesse depois de ver os comentários que faz na CMTV e do que diz sobre a crise financeira seria levado a pensar que esta senhora deve ser uma prima portuguesa dos Le Pen. Enfim, é a luta pela sobrevivência a qualquer custo.

«"O Ag!r nunca vai fazer coligações com quem nos trouxe até ao abismo, com quem nos empurrou pela ribanceira abaixo", afirmou Joana Amaral Dias em entrevista à Antena Um, manifestando uma posição contrária à de Rui Tavares, um dos fundadores do movimento Livre/Tempo de Avançar.» [DN]

 O lado bom do discurso de Cavaco 

Depois deste só teremos de o ouvir lá para o Ano Novo.

 Imagens que valem por mil palavras

 photo _teixeira_zps1eeta88l.jpg
  
 TAP

O governo fala. fala mas não demonstrou que a venda da TAP foi um bom negócio e que não foi vendida abaixo do seu valor, nada sendo dito também sobre quais as responsabilidades futuras do Estado na dívida da empresa.
  
      
 Correu bem, diz ele
   
«Em declarações à Rádio Renascença, o economista Carlos Farinha Rodrigues afirmou que foram os mais pobres os que mais rendimentos perderam.

“Entre 2009 e 2013, e de acordo os dados do INE, o rendimento dos 10% mais ricos desceu 8%. Nesse mesmo período, o rendimento dos 10% mais pobres desceu 24%”, afirmou o economista.

O professor do ISEG explicou ainda que com este aumento das desigualdades “dificilmente conseguimos um processo de desenvolvimento e de crescimento sustentados”.» [Notícias ao Minuto]
   
Parecer:

Não para estes o comício de Cavaco Silva em Lamego.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se conhecimento ao líder da direita.»

   
   
 photo Anatoly-Beloshchin-5_zpsvdbrorpm.png

 photo Anatoly-Beloshchin-3_zpsupllizrb.png

 photo Anatoly-Beloshchin-4_zpstqouwu2z.png

 photo Anatoly-Beloshchin-1_zpsfh3ly9mp.png

 photo Anatoly-Beloshchin-2_zpsdlcdg7qm.png
  

quinta-feira, junho 11, 2015

O crime da emigração

Para gente mesquinha e de vistas curtas a emigração é uma forma de eliminar trabalhadores em busca de emprego nas estatísticas do desemprego, quantos mais trabalhadores partirem menos serão os que terão de ser contabilizados. Se partirem os mais jovens e melhor qualificados melhor ainda, cria-se a ilusão de que foi criado emprego para jovens qualificados e manda-se embora do país gente que pode ser incómoda na hora das eleições.
  
A direita portuguesa não sabe disto? Toda a gente sabe o que se está passando, mas a transferência de riqueza para os mais ricos e a manutenção do poder traz mais benefícios para os rendimentos do país do que o progresso económico e social do pais. A elite da direita está muito pouco preocupada com os jovens que emigram, com os trabalhadores qualificados que parte, o que importa é o poder e os lucros que daí resultam.
  
Passos diz agora que o desejo do governo de ver os jovens abandonar o país é um mito urbano, mas a verdade é que o governo promoveu a emigração. Até Paulo Rangel andava tão animado com a partida dos quadros que chegou a defender a criação de uma agência nacional para facilitar a emigração, fê-lo no dia 21 de Setembro de 2011, à saída de uma reunião do conselho nacional do PSD dizendo “Às tantas, nós até devemos pensar, se houver essas oportunidades, em, de alguma maneira, gerirmos esse processo. Talvez fosse uma forma de controlar os danos. Era ter, no fundo, uma agência nacional que pudesse eventualmente identificar necessidades e procurar ajustar as pessoas que tivessem vontade - não é forçar ninguém a emigrar, não se trata disso - e canalizar isso". 

Paulo Rangel não achava que as posições de Passos Coelho fossem  "motivo para escândalo", "Pelo contrário, ela devia suscitar um debate sério na sociedade portuguesa, para tentarmos, na medida do possível, acomodar as necessidades do País em termos de mercado de trabalho no exterior". Na opinião deste alto dirigente do PSD até há um lado aventureiro na emigração pois "pessoas que têm condições para isso, que ainda não têm a sua vida montada, que são mais jovens, mais ligados à aventura" 
  
O problema é que esta gente nem precisava de sugerir aos jovens que emigrem pois qualquer jovem no seu pleno juízo foge de um país governado por gente como o Rangel. O problema é que esta gente defende um modelo económico onde não há lugar para quadros e trabalhadores qualificados, a sua estratégia é a da exportação por indústrias que se alimentam de trabalhadores sem qualificação.
  
Façam-se as contas a quanto custou formar 300.000 portugueses e tirem-se as conclusões. Escolas, cuidados de saúde, universidades, tudo suportado pelo país para agora se ir ajudar as economias ricas da Europa, economias de gente envelhecida que leva os nossos melhores jovens sem terem investido um tostão e depois de ganharem juros elevados com os empréstimos da troika ainda nos vêm dizer que nos dão de comer, discurso com o qual Passos Coelho não só concordou como o suou para fundamentar as suas políticas extremistas.
  
Não foi só Passos Coelho que participou neste imenso crime contra o país e contra as famílias portuguesas, foram os muitos que elogiaram a emigração dos jovens e agora ficaram calados, foi quase toda uma direita que com medo de perder tachos e tachinhos não teve a coragem de tomar posição, foi, acima de tudo, um Cavaco Silva para quem as suas pequenas vinganças pessoais estão acima de tudo e ficou obedientemente calado.
ões para isso, que ainda não têm a sua vida 

Por causa desta gente oportunista e sem escrúpulos Portugal perdeu e vai continuar a perder os seus melhores jovens, muitos dos seus trabalhadores mais qualificados. Isso representa uma imensa riqueza e um enorme retrocesso de um país cujo ponto fraco é precisamente a carência de gente qualificada. Só por isto este governo não só merecia perder as eleições como ser metido na prisão de Monsanto por muitos e bons anos. Infelizmente isso não vai suceder, o Catroga vai apodrecer na EDP, o Ricciardi vai desenrascar o Passos, o Carlos Costa ajudará a Maria Luís a fugir à condição miserável de funcionária pública, o Rangel vai continuar em Estrasburgo e o Cavaco já abana tanto que nem vale a pena fazer previsões sobre o seu futuro.
  
A expulsão dos jovens foi um crime contra o país, contra a economia e contra as famílias portuguesas, um crime que irá ficar impune.
  

Umas no cravo e outras na ferradura



   Foto Jumento


 photo _Cogumelos1_zpsqhofiyx3.jpg

Cogumelos do Jardim do Campo Grande, Lisboa
  
 Jumento do dia
    
Cavaco Silva

Os PAFiosos escolheram Lamego para a realização do seu primeiro comício de campanha.

 A justiça portuguesa é uma loja de brinquedos

O Ministério Público parece uma imensa exposição de pistas ... de automóveis.

 Cavacus Buliquemus

 photo _Cavacus_zpshcatvbdw.jpg

      
 A mim, Passos Coelho convenceu
   
«Interpelando os jornalistas, ontem, outra vez: "Já conseguiram descobrir uma frase minha em que convido os portugueses a emigrar?", perguntou Passos Coelho. Jornais e telejornais tinham passado o dia a desenterrar frases explícitas sobre aquele convite. Em outubro de 2011, Alexandre Mestre, um secretário de Estado de Passos, convidou os jovens a emigrar. Dois meses depois, o próprio Passos propôs a professores desempregados que emigrassem. As palavras de ambos estão gravadas. E eram a expressão da política de Passos. No ano seguinte, 2012, os portugueses emigraram mais do que em 1966, quando do pico da ida para França. Quando aquelas tolices, de Mestre e de Passos, foram ditas, escrevi a razão que as fazia tolice. Não era lembrarem que havia uma coisa chamada emigração. O meu avô, o meu pai, eu próprio e a minha filha trabalhámos em terra que não nos viu nascer - somos portugueses comuns, sabemos que emigrar está-nos no ADN. A decisão de partir é um direito, e tanto o usarmos só prova que os portugueses sabem ser livres, mesmo em situações adversas. A questão é: aos governantes cabe propor aos portugueses o que fazer cá dentro, não anunciar-lhes que há alternativas lá fora. Um convite a partir é um insulto, é um empurrar para longe do nosso. Mas eis que Passos tomou a iniciativa de voltar ao assunto. Parece que a sua tática eleitoral é mostrar que vai em frente com a pertinácia dos que não têm vergonha. A mim convenceu-me.» [DN]
   
Autor:

Ferreira Fernandes.

      
 As secretas portuguesas no seu melhor
   
«O SIED (Serviços Estratégicos de Informação e Defesa) vai reabrir “antenas” no estrangeiro. O PÚBLICO sabe que, até ao final deste ano, o “ramo externo” do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP) vai colocar agentes em Ancara, na Turquia, e na Argélia.

Na gíria dos serviços de informação, estes agentes deslocados para alguns países são conhecidos como “antenas” por a sua função ser captar, monitorizar e enviar informação dos destinos onde estão colocados. As duas colocações previstas até Dezembro de 2015, interrompem um ciclo de contenção iniciado em 2012 por motivos de controlo financeiro no âmbito da política de austeridade seguida pelo Governo. Neste âmbito, os cortes que afectaram os diversos serviços do SIRP – para a além do SIED também o Serviços de Informações de Segurança (SIS) – permitiram, então, uma diminuição de 38,5% nos cargos dirigentes dos serviços.

Admite-se que, de forma gradual, novas “antenas” venham a ser recuperadas durante o próximo ano. Até 2010, o SIED tinha funcionários em 12 destinos diferentes: Marrocos (Rabat); Madrid; Cairo, Moscovo, duas em Bruxelas; Guiné-Bissau; Brasil; Pequim; Angola; Moçambique e Índia. As directrizes de austeridade levaram a que deste lote, apenas permanecessem efectivas cinco: China; Angola; Moçambique; Índia; Brasil.» [Público]
   
Parecer:

Numa próxima notícia vão divulgar os nomes dos agentes, as moradas e os números de telefone.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Dê-se a merecida gargalhada.»
  
 A "virgem vestal"
   
«É a descrição detalhada do último interrogatório a José Sócrates – que não só foi gravado, como está agora espelhado nas páginas da revista Sábado. O que lerá a seguir é uma síntese desse trabalho, contando a reunião em Lisboa ocorrida a 27 de Maio – se quiser ler a integral, vale a pena comprar a revista. Vamos ao guião, ponto a ponto:

O encontro começou com José Sócrates a pedir a palavra. “O que tenho a dizer é muito desgradável, mas tenho de o dizer: estas imputações são falsas, todas elas. Não há neste documento um pingo de verdade. E lamento que o Ministério Público não se interesse pela descoberta da verdade, mas que esteja mais concentrado na perseguição”. Sócrates acusou Rosário Teixeira, responsável pelo processo, de esconder os últimos beneficiários das contas de Santos Silva na Suíça (aquelas que o MP suspeita que serviam de veículo para o ex-primeiro-ministro. “Não é o meu nome que está lá”, disse Sócrates.

De seguida, Sócrates acusaria Rosário Teixeira de o insultar, acusando-o de ser corrupto “só por ter um contrato com uma farmacêutica”. O procurador interrompeu-o nesta fase, negando ter dito algo semelhante. » [Observador]
   
Parecer:

Um artigo a ler.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 A decadência da senhora Moniz
   
«"Eu não queria dizer mesmo nada. Já foi suficientemente ruidoso o que se passou e cada um pode ajuizar por si. Só estou aqui para agradecer às muitas e muitas pessoas que me compreendem. Muito obrigada. Há um mínimo de condições que se exige para que haja respeito, e já só falo daquele respeito que se tem por si próprio sem o qual deixamos de ser quem somos", desabafou a jornalista nas redes sociais, que contactada pelo JN, não quis prestar declarações.

A direção da RTP Informação já anunciou que Barca do Inferno, que conta com a moderação de Nilton e ainda outras duas comentadoras, Raquel Varela e Sofia Vala Rocha, chega ao fim a 29 deste mês e que não voltará na próxima temporada televisiva. Manuela Moura Guedes não voltará ao formato.» [JN]
   
Parecer:

Pobre coitada, recorre ao espectáculo para tentar evitar a decadência.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Sorria-se.»

 Ministra mais incometente era impossível
   
«Acabaram as promoções automáticas na esmagadora maioria dos postos e categorias da GNR. O novo estatuto profissional, apresentado anteontem pela ministra da Administração Interna e a que o i teve acesso, prevê, entre outras mudanças na carreira dos militares, que as promoções deixem de ser automáticas, por antiguidade, e passem a ser feitas por escolha das chefias. As únicas excepções são as subidas a primeiro-sargento e a guarda principal – que continuarão a basear-se nos anos de serviço. 

O documento justifica a medida, logo no preâmbulo, com restrições necessárias aos quadros de pessoal da GNR. “Considerando a necessária gestão de quadros, as promoções dos militares passam a ser genericamente baseadas na modalidade de escolha”, lê-se no novo estatuto, que acrescenta que a progressão na carreira será feita “garantindo-se a selecção dos mais aptos para o exercício de funções inerentes ao posto” seguinte.  » [i]
   
Parecer:

Enquanto na PSP o critério de promoção passou a ser a antiguidade, na GNR decide-se o contrário.
   
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se tanta incompetência numa só ministra.»
  

   
   
 photo Ovidiu-Adrian-Berar-1_zpsrxo0klut.jpg

 photo Ovidiu-Adrian-Berar-2_zpsqz6hbbc0.jpg

 photo Ovidiu-Adrian-Berar-5_zpsovrngtet.jpg

 photo Ovidiu-Adrian-Berar-4_zps15jk9lsw.jpg

 photo Ovidiu-Adrian-Berar-3_zps5evwpwea.jpg